Revista Mineração & Sustentabilidade - Edição 24

 

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mineracão sustentabilidade revistamineracao.com.br Setembro . Outubro de 2015 Edição 24 . Ano 4 Entrevista José Guilherme Ramos, subsecretário de Políticas Minerais e Energéticas de MG Infraestrutura Surpreenda-se Valemax, os gigantes dos mares Tecnologia No mundo, o desenvolvimento viaja sobre trilhos. No Brasil, ele aguarda na estação Grafeno e suas potencialidades Mineração na América do Sul Países do continente enfrentam desafios semelhantes aos do Brasil para impulsionar a atividade

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clique Wilson Dias/ABr A seca castiga Pouco a pouco, a imagem da caatinga ultrapassa o imaginário do sertão nordestino e começa a ganhar espaço mais ao sul do país. A seca castiga e inflige severas restrições a estados como Minas Gerais. No estado, pela primeira vez, afluentes do Rio São Francisco secaram, sem contar a agonizante situação do Rio Doce, que não tem mais força para tocar o mar. Castigo de Deus para um obra dos homens? EXPEDIENTE Diretor-Geral Wilian Leles diretor@revistamineracao.com.br Diretor de relações institucionais Francisco Stehling Neto francisco@revistamineracao.com.br Editor-Geral Thobias Almeida REG. 12.937 JPMG edicao@revistamineracao.com.br Redação Márcio Antunes Joyce Afonso Ana Carolina Nazareno redacao@revistamineracao.com.br Projeto Gráfico e Design Leopoldo Vieira Revisão Versão Final Anúncios / Comercial + 55 (31) 3544 . 0040 comercial@revistamineracao.com.br Distribuição e Assinaturas Karine Gonçalves atendimento@revistamineracao.com.br Impressão Atividade Editora Gráfica Tiragem Especial 20 mil exemplares Circulação Esta publicação é dirigida ao setor minerário, siderúrgico e ambiental, além de governos, fornecedores, entidades de classe, consultorias, instituições acadêmicas e assinantes. Foto da capa Ilustração Breno Bernardes (Panbox) On-line www.revistamineracao.com.br revista@revistamineracao.com.br Conselho Editorial Eduardo Costa Jornalista Rádio Itatiaia / Rede Record José Mendo Mizael de Souza Engenheiro de Minas e Metalurgista J. Mendo Consultoria Marcelo Mendo de Souza Advogado Mendo de Souza Advogados Associados Rua Guacuí, 82 . Brasileia Betim . MG - 32.600.456 + 55 (31) 3544 . 0040 | 3544 . 0045 Acompanhe Não são de responsabilidade da revista os artigos de opinião e conteúdos de informes publicitários. 4 Revista Mineração & Sustentabilidade | Setembro.Outubro Setembro . Outubro de de 2015 2015 /RevistaMineracao @RevMineracao

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Estante Revista Mineração & Sustentabilidade | Setembro . Outubro de 2015 5

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sumário revistamineracao.com.br Setembro . Outubro de 2015 Edição 24 . Ano 4 26 Internacional Desafios compartilhados na mineração da América do Sul 10 Entrevista José Guilherme Ramos, subsecretário de Politicas Minerais e Energéticas de Minas Gerais 32 Tecnologia O potencial do grafeno 14 34 Seções Infraestrutura Brasil precisa investir na malha ferroviária para deslanchar 18 44 48 50 54 58 Política Mineral Deputados discutem diversificação das atividades econômicas em MG Siderurgia A arte das pontes de aço 26 22 26 32 34 40 Política Mineral Internacional Tecnologia Infraestrutura Cidades Minerárias Produto Final CEAMIN Surpreenda-se Comunidade Agenda Eventos Saiba como foi a Exposibram 2015 54 Comunidade AngloGold Ashanti capacita empreendedores culturais 7 Editorial 8 Panorama 10 Entrevista 14 Eventos 18 Siderurgia 6 Revista Mineração & Sustentabilidade | Setembro . Outubro de 2015

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Editorial A mineração não pode parar Sob o título acima, reportagem assinada pelo repórter Márcio Antunes e que vai publicada na editoria Eventos, resume os resultados da Exposibram 2015 e do 16º Congresso Brasileiro de Mineração. O trabalho mostra que, apesar de todos os pesares e percalços do Brasil de hoje, a mineração brasileira está segurando as pontas. Uma das provas disso é que a Vale não parou de investir para expandir a mina de Brucutu, em Minas Gerais e segunda maior mina de minério no país, atrás de Carajás, no Pará. Nos dois eventos, que vêm sendo realizados alternadamente em Belo Horizonte e em Belém do Pará, as oportunidades de negócios redundaram em operações que chegaram a R$600 milhões, ainda que o número de expositores tenha caído de 550 para 400 em relação a 2013. Além disso, participaram 25 delegações de países como África do Sul, China, Canadá, Alemanha e Austrália. A entrevista nas páginas verdes desta edição traz o depoimento do subsecretário de Políticas Minerais e Energéticas de Minas Gerais, José Guilherme Ramos. Ele reconhece as dificuldades do momento, com a queda nos preços do minério de ferro e da demanda interna e internacional e diz que cabe ao governo do estado a busca de iniciativas capazes de amenizar a crise. E cita a facilitação de tramitação dos processos de licenciamento ambiental. Quanto ao projeto do novo Marco Regulatório do setor mineral, há anos em tramitação no Congresso Nacional, foi cauteloso: “Essa discussão deve ser feita com muita prudência”. As alterações das regras que regem o setor devem trazer a segurança necessária para o desenvolvimento da atividade. Em paralelo às agruras do setor mineral, um projeto de lei apresentado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais pela deputada Rosângela Reis, do Pros, trata da diversificação da atividade produtiva dos municípios mineradores, preparando-os para quando as minas se esgotarem. Já aprovada na Comissão de Constituição e Justiça, a matéria aguarda parecer da Comissão de Turismo, Indústria, Comércio e Cooperativismo. Enquanto isso, vem recebendo apoio de outros parlamentares e de sindicatos e prefeitos e vereadores das regiões mineradoras. Não restam dúvidas sobre a importância do projeto, pois as explorações minerais são finitas. Na editoria Surpreenda-se, a vedete é o supermineraleiro, o super navio para transporte de minério de ferro que a Vale está utilizando para aumentar a competitividade da mineração brasileira, como mostra a repórter Joyce Afonso. Com esses navios, com capacidade para 400 mil toneladas, o dobro dos navios padrão, a empresa quer consolidar sua posição de uma das maiores do mundo. Foram encomendados 19 embarcações a dois estaleiros chineses e outros 16 afretados de armadores privados. Chamados de Valemax, os gigantes dos mares seguem o caminho da sustentabilidade, já que transportam maior quantidade de carga em somente uma viagem. E já se estuda o uso de combustíveis alternativos, como Gás Natural Liquefeito (GNL), que pode diminuir a emissão em até 90%. “Elemento da Fertilidade” é a reportagem de Juliana Gordiano sobre o fosfato, mineral aplicado na produção de diversos bens, como ração animal e refrigerantes, mas é na fabricação de fertilizantes seu maior uso. Com o potássio Diretor de Relações Institucionais Francisco Stehling Neto Com mais de 45 anos de experiência no jornalismo, atuou nas sucursais mineiras dos jornais Folha de S. Paulo e O Globo, além de 17 anos na editoria política do Estado de Minas. Foi também Secretário de Comunicação da Prefeitura de Belo Horizonte e Superintendente de Comunicação Empresarial da Cemig. e o enxofre, o fosfato forma o grupo de agrominerais. A produção mundial de fosfato, em 2014, chegou a 223 milhões de toneladas, e o Brasil contribuiu com 3% desse total. A maior mina de fosfato no Brasil fica em Tapira, Minas Gerais, estado que contribui com 49% da produção nacional. Enquanto aguardamos o reordenamento econômico do Brasil e o fim da crise política, só nos resta cruzar os dedos e fazer como disse o Presidente do Ibram, Fernando Coura, usar a imaginação criadora. Até a próxima edição. Revista Mineração & Sustentabilidade | Setembro . Outubro de 2015 7

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panorama Arquivo Vale investe em Brucutu Nos últimos sete anos, a Vale investiu US$ 423 milhões para expandir Brucutu, segunda maior mina de minério no Brasil, atrás de Carajás, no Pará. Localizada em São Gonçalo do Rio Abaixo, em Minas Gerais, a mina começa a operar a quinta linha de beneficiamento da mineradora. Com o investimento, a expectativa da Vale é de manter o patamar de 30 milhões de toneladas produzidas, alcançado em 2010. Antes do investimento, a estimativa era de 23% de queda, comparada à capacidade plena. A estratégia da Vale visa ampliar o cenário de preços que permanece em baixa no mercado internacional. As mudanças foram implantadas no processo de beneficiamento do minério, que ganhou maior concentração de ferro. Justiça fecha “Nova Serra Pelada” A Justiça Federal ordenou o fechamento da mina de ouro irregular na Serra da Borda, conhecida como a “Nova Serra Pelada”, localizada a 20 quilômetros de Pontes Lacerda e 448 quilômetros a oeste de Cuiabá (MT). Há dois meses, o alto da serra passou a ser explorado ilegalmente, enquanto a parte baixa teve a extração iniciada algumas semanas depois. Ao todo, mais de dois mil garimpeiros estavam no local. No dia da notificação, 20 de outubro, alguns homens insistiam em permanecer na região. A Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) declarou a extração ilegal, pelo fato de não existir licença para a extração. Um dia após a notificação judicial, seis homens ficaram feridos por causa de um desabamento no alto da serra. A região é historicamente conhecida pela produção de ouro, com minas da Yamana Gold e da Aura Minerals. Samarco recebe Certificação Internacional A Samarco recebeu uma certificação internacional por ser a primeira mineradora do Brasil a implantar e certificar seu sistema dos ativos físicos. A norma base para a certificação é a BSI PAS-55: 2008, que define os requisitos mínimos para ter uma gestão de ativos aperfeiçoada. A mineradora definiu como meta um retorno do que foi gasto na aquisição de maquinário, entre R$ 20 milhões e R$ 50 milhões, no prazo de 5 anos. A otimização dos serviços se deveu à coordenação entre as equipes de investimento, projeto, aquisição, operação, manutenção e descarte. Jaguar Mining aumenta produção A Jaguar Mining teve aumento de 12,8% da produção no terceiro trimestre de 2015. Foram 25.235 onças de ouro extraídas da Mina Turmalina e do Complexo Caeté, ambos de Minas Gerais. Somente Turmalina foi responsável por 13.994 das onças, alta de 23% em relação ao período anterior. Já no Complexo de Caeté, o aumento ocorreu em menor grau. Em 2014, a empresa produziu 11.038 onças de ouro e, em 2015, 11.241. Durante o trimestre avaliado, a Jaguar fez exploração, pesquisa e campanha de sondagem nas suas minas. Em 2014 foram 6.239 metros avaliados e, em 2015, no mesmo período, 9.094. A meta do ano passado era entre 92 mil e 102 mil onças. Em 2015 permaneceu em 92 mil. 8 Revista Mineração & Sustentabilidade | Setembro . Outubro de 2015

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Pará sem recessão Segundo projeções feitas pelo banco Santander, o Pará será o único estado a não enfrentar recessão em 2015, mantendo seu Produto Interno Bruto (PIB) estável. A instituição projeta que o país vai amargar queda de 2,8% no PIB, em 2015. As estimativas do Santander são semelhantes às de outros agentes do mercado financeiro, que estimam 2,97% de retração nacional, segundo pesquisa do Banco Central. A última vez em que o Brasil passou por uma recessão foi em 2009, durante a crise global, recuando 0,2%. Segundo a Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas do Pará (Fapespa), o setor de minérios vai responder por 28,58% dos investimentos previstos para o estado. A entidade prevê alta de 2,48% do PIB em 2015. Rio Tinto aumenta exportação A mineradora Rio Tinto teve aumento de 17% no embarque de minério de ferro no terceiro trimestre deste ano. Apesar de a principal consumidora, a China, apresentar instabilidade, a meta da mineradora é exportar 340 milhões de toneladas em 2015. Para o resultado, a mineradora utilizou 4 milhões de toneladas de estoque das operações da Austrália e 1 milhão de toneladas da unidade do Canadá. Foram embarcados 91,3 milhões de toneladas no trimestre. Nos três meses anteriores, a produção foi de 86,1 milhões de toneladas. Com o aumento, a mineradora australiana se mantém estável ao lado da Vale, ficando a frente da BHP Billiton. Divulgação Ibram Prazo prorrogado para o WMC O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) prorrogou o prazo para as inscrições de resumos do 24º World Mining Congress (WMC) para 30 de novembro de 2015. O congresso acontece no Brasil com o tema “Mining in a World of Innovation”, entre 18 e 21 de outubro de 2016, no Rio de Janeiro (RJ). Para apresentar trabalhos no WMC, é preciso fazer a submissão de cada resumo pelo site www.wmc2016.org.br. Os temas abordados serão Pesquisa Mineral, Mina a Céu Aberto, Mineração Subterrânea, Economia Mineral, Sustentabilidade na Mineração, Processamento Mineral, Automação e Robótica e Inovação na Mineração. O evento vai reunir a área de exposição, um espaço para apresentação de trabalhos técnicos e o Congresso. A integração de altos executivos, profissionais da mineração e acadêmicos, bem como de importantes investidores brasileiros e estrangeiros vai propiciar uma ampla troca de informações sobre o setor mineral. Revista Mineração & Sustentabilidade | Setembro . Outubro de 2015 9

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entrevista José Guilherme Ramos 10 Revista Mineração & Sustentabilidade | Setembro . Outubro de 2015

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mineração Subsecretário de Políticas Minerais e Energéticas de Minas Gerais fala sobre a perda de dinamismo do setor e avalia que as empresas devem se adequar a um novo cenário Thobias Almeida Uma nova realidade para a José Guilherme Ramos é um dos principais interlocutores do Poder Executivo de Minas Gerais com os representantes da indústria mineral. Subsecretário de Políticas Minerais e Energéticas do governo de Fernando Pimentel, José Guilherme trabalha em um cenário desafiador, com retração dos investimentos, corte de vagas e desvalorização acentuada dos preços das commodities minerais produzidas no estado, dentre elas o minério de ferro, carro-chefe da mineração do estado e do país. Com passagens pela iniciativa privada e por órgãos e conselhos de entidades representativas do setor, o que amplia seu campo de visão, o subsecretário reconhece as dificuldades do momento. “A indústria extrativa mineral perdeu dinamismo com a queda dos preços do minério de ferro e o arrefecimento da demanda doméstica e internacional. A economia mineira, que tem o minério de ferro como principal item da sua pauta de exportações, sente diretamente os impactos da crise que atravessa o setor”, aponta José Guilherme. Segundo o subsecretário de Políticas Minerais e Energéticas, o governo de Minas Gerais tem se mexido em busca de soluções que amenizem a crise. José Guilherme aponta para um dos principais entraves denunciados pelo setor: a demora excessiva no desenrolar do licenciamento ambiental. “Nesses primeiros meses de governo, obtivemos êxito na retomada dos processos de licenciamento ambiental, praticamente parados desde 2014, devido a uma greve branca na Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável”, revela. José Guilherme Ramos fala também sobre outros temas caros à indústria mineral, caso da recente discussão na Assembleia Legislativa de Minas Gerais desencadeada pela crise hídrica e que colocou em xeque os minerodutos. “O mineroduto é considerado a forma menos impactante ambientalmente de transporte terrestre de minérios”, rebate o subsecretário. Mineração & Sustentabilidade Passados quase 11 meses da posse do novo governo, qual avaliação é feita sobre a mineração em Minas Gerais? José Guilherme Ramos A atividade mineral é um dos motores da economia mineira. Minas Gerais é o mais importante estado minerador do país. Aqui são extraídos mais de 180 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. Somos responsáveis por aproximadamente 53% da produção brasileira de minerais metálicos e 29% de minérios em geral. Além disso, a mineração está presente em mais de 400 municípios mineiros que contam com mais de 300 minas em operação. A balança mineral de Minas Gerais resultou, em 2014, num saldo de US$ 14,29 bilhões. As exportações de bens minerais representam 52,8% do total exportado no último ano. Esses números falam por si e mostram a importância da atividade mineral para Minas Gerais. M&S Há uma estatística oficial sobre as demissões do setor no estado? Quais as perspectivas para 2016? JG Ainda não há uma estatística oficial sobre as demissões, mas de fato a Revista Mineração & Sustentabilidade | Setembro . Outubro de 2015 11

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indústria extrativa mineral perdeu dinamismo com a queda dos preços do minério de ferro e o arrefecimento das demandas doméstica e internacional. O índice de volume na indústria de transformação recuou 9,8% em Minas Gerais no primeiro quadrimestre de 2015, na comparação com o mesmo período de 2014. Dentre os fatores que têm contribuído para os resultados desfavoráveis destaca-se a diminuição do consumo de bens duráveis. A queda da cotação dos preços do minério de ferro e a diminuição da demanda mundial pelo produto tem contribuído para que os resultados sejam tímidos na indústria extrativa mineira. O desaquecimento da construção civil, por sua vez, afeta diretamente a produção mineral dos agregados da construção. Somando esses fatores à crise energética, a crise hídrica e a lentidão nos processos de licenciamento ambiental em Minas, temos um quadro desafiador. Diante desse quadro, as empresas estão sendo obrigadas a se readequar a essa nova realidade que não tem data prevista para mudar em curto prazo. M&S O governo consegue medir o impacto do cenário da mineração, de demissões e corte de investimentos, na economia de Minas Gerais como um todo? JG A economia mineira, que tem o minério de ferro como principal item da sua pauta de exportações, sente diretamente os impactos da crise que atravessa o setor mineral. Dados recentemente divulgados pela Fundação João Pinheiro comparam o resultado do PIB estadual acumulado durante o primeiro trimestre deste ano com igual período do ano passado. Com esse paralelo, é possível observar retração da atividade econômica em Minas Gerais, que acumula quatro trimestres consecutivos sem variações positivas do PIB. Outra comparação mostra que o declínio da atividade econômica local foi generalizado: houve variação negativa do valor adicionado bruto, em termos reais, nos setores agropecuário (-5,3%), industrial, que inclui a atividade mineral (-8,6%) e de serviços (-2,6%). M&S Quais projetos estão sendo desenhados pelo governo? Há novas 12 Revista Mineração & Sustentabilidade | Setembro . Outubro de 2015 políticas públicas a caminho? JG O governo tem procurado uma interlocução próxima com os principais atores do cenário mineral. Nesse contexto, a aproximação com as entidades setoriais representativas da indústria mineral, estaduais e nacionais tem sido fundamental para conhecer as principais reivindicações do setor e procurar soluções para os gargalos da atividade. Nesses primeiros meses de governo, já obtivemos êxito na retomada dos processos de licenciamento ambiental, praticamente parados desde 2014, devido a uma “greve branca” na Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Neste momento, estamos trabalhando com as atividades dos Fóruns Regionais de Governo, ação pioneira do estado, que dividiu Minas Gerais em 17 territórios de desenvolvimento. A partir deste contexto regionalizado, vamos desenvolver políticas públicas descentralizadas que respeitem as características específicas das diferentes regiões, a partir do diálogo com representantes locais. A mineração, como relevante atividade econômica que é, estará presente nesses debates. M&S Está em curso alguma tratativa sobre novos investimentos do setor minerário em Minas Gerais? Há alguma perspectiva? JG Atrair investimentos para o setor neste momento de crise não é uma tarefa fácil, mas veja: é nessa hora que as vantagens competitivas do estado de Minas Gerais fazem diferença. O anúncio recente do investimento de R$ 1,8 bilhão feito pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) em duas fábricas de cimento nos municípios de Arcos e de Romaria comprova isso. O governo está em negociação com importantes grupos empresariais para viabilizar mais investimentos no estado. M&S Em abril de 2015, a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede) promoveu, em conjunto com parceiros, o seminário “As oportunidades e o futuro do setor de mineração e tendências internacionais”. Que oportunidades são essas? JG Esse seminário foi uma iniciativa do Consulado Britânico, em parceria com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, o Sindiextra e a ACMinas para abordar o cenário internacional de mineração e discutir as soluções que o mercado pode apresentar para o aumento de produtividade e eficiência. Neste momento de crise, todas as iniciativas que levem à redução de custos e ao aumento da produtividade e da eficiência dos processos produtivos são bem-vindas. M&S Na esteira da crise hídrica, deputados mineiros, inclusive petistas, propuseram um projeto endurecendo as regras para a instalação de minerodutos em Minas Gerais. Qual a posição do senhor sobre a questão? JG É interessante que o debate acerca do transporte de minério, por meio de minerodutos, seja discutido no âmbito da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Há um grande desconhecimento de setores da sociedade sobre o tema, e a sua discussão na casa legislativa pode, de forma transparente e sem ideologias, aprofundar na avaliação técnica da matéria e levar a toda a sociedade as informações corretas. Nesse contexto, tenho plena confiança em afirmar que o mineroduto é considerado a forma menos impactante ambientalmente de transporte terrestre de minérios, apresentando inúmeras vantagens em relação ao uso de trens ou caminhões, como menor ocupação territorial, implicando diminuição da supressão de vegetação; diminuição da área de impacto à fauna; menor imobilização do território para outros usos; diminuição dos níveis de poeira, uma vez que a carga é transmitida como polpa e encapsulada; além do baixo consumo energético e com insignificante emissão de CO2. M&S Como você avalia a oferta de infraestrutura em Minas Gerais, principalmente de equipamentos de uso intensivo na mineração (ferrovias, rodovias, geração de energia, etc.)? JG Minas Gerais é privilegiado pela sua infraestrutura logística, com a maior ma-

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Entrevista com José Guilherme Ramos lha viária do Brasil. Temos mais de 5,3 mil quilômetros de ferrovias cruzando o nosso estado – duas delas são classificadas de classe mundial, pois têm alta produtividade e baixo consumo energético – que ligam as nossas minas aos nossos polos siderúrgicos e aos terminais portuários, por onde são exportados os nossos bens minerais. Contamos ainda com dois sistemas de minerodutos em operação, um deles considerado o maior do mundo, que dão viabilidade econômica e ambiental a minas implantadas em diversas regiões do estado. No tocante à nossa matriz energética, tenho orgulho de dizer que a maior empresa integrada do setor de energia elétrica do Brasil é mineira. A Cemig é um dos maiores grupos geradores do país, responsável pela operação de um parque composto por 70 usinas hidrelétricas, térmicas e eólicas sendo o terceiro maior grupo transmissor brasileiro. A companhia é o maior grupo distribuidor, responsável por aproximadamente 12% do mercado nacional, e a maior fornecedora de energia do Brasil para clientes livres, com 25% do mercado. M&S O governo pretende construir alguma política específica que prepare os municípios mineradores para o período pós-produtivo? JG Mesmo não vislumbrando no cenário de médio prazo a desativação definitiva das minas em operação, sabemos que preparar os municípios mineradores para o período pós-produtivo é um grande desafio. Uma das atribuições desta pasta é auxiliar na construção de políticas para orientar o estado e os municípios para esse momento. Vamos atuar intensamente nesse sentido. M&S Na sua avaliação, qual caminho deve ser seguido pela mineração no que se refere à sustentabilidade socioambiental? JG Em Minas Gerais, a sustentabilidade socioambiental já está na pauta das empresas de mineração. Os exemplos mineiros são referência para empresas e Revista Mineração & Sustentabilidade | Setembro . Outubro de 2015 agentes públicos de outras unidades da federação. Veremos empresas cada dia mais comprometidas com temas ligados a questões ambientais e sociais. M&S Qual a sua expectativa a respeito do Novo Marco da Mineração? JG A discussão em torno do Novo Marco da Mineração deve ser feita com muita prudência e cautela. A grave crise pela qual o setor está atravessando nos indica isso. A mineração é uma atividade de longo prazo de maturação e intensiva em capital, sendo que as alterações das regras que regem o setor devem trazer a segurança necessária para o desenvolvimento da atividade. M&S Belo Horizonte sediou a Exposi- bram 2015, um dos maiores eventos do setor na América Latina. Como você avalia a feira? JG A Exposibram e o Congresso Brasileiro de Mineração mostram a proeminência de Minas Gerais no cenário mineral brasileiro e mundial. Foram cerca de 500 expositores e um público que supera a casa dos 50 mil visitantes. Estiveram presentes as principais mineradoras com atuação global, os seus executivos e os grandes fornecedores de produtos e serviços. A feira é considerada um centro de oportunidades de negócios em que profissionais do setor têm a oportunidade de conhecer novas tecnologias e aprofundar seus conhecimentos por meio das palestras promovidas no Congresso. José Guilherme Ramos tem 32 anos, é administrador de empresas e pós-graduado em Finanças. Liderou as áreas de Relacionamento Institucional/Meio Ambiente/Direito Minerário nas empresas Green Metals e Biogold. Exerceu a representação e coordenação institucional do Sindiextra em diversos conselhos ambientais de Minas Gerais. Também foi coordenador da área de Gestão Econômica da Vale na construção das Diretrizes Socioeconômicas dos projetos de Mineração, Ferrovia e Porto. Divulgação 13

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eventos Exposibram 2015 A mineração Maior encontro do setor na América Latina reuniu 60 mil visitantes em Belo Horizonte e discutiu temas, como inovação, produtividade e sustentabilidade Márcio Antunes não pode parar O momento econômico delicado do Brasil e a queda nos preços das commodities no mercado internacional não afetaram o prestígio da Exposibram 2015 e do 16º Congresso Brasileiro de Mineração. Os eventos receberam 60 mil visitantes entre 14 e 17 de setembro, em Belo Horizonte. Quem esteve no Expominas constatou a força de um setor arrojado, preocupado com o futuro e ciente de que é preciso aliar produtividade à sustentabilidade como forma vencer os desafios do presente. Evandro Fiuza e Débora Freitas Os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), entidade responsável pela organização da exposição e do congresso, indicam que os negócios na indústria mineral brasileira continuam fortes. “Tivemos a oportunidade de visitar vários expositores nacionais e internacionais. Somente ouvimos elogios ao evento. Estamos fechando os números, mas estimamos que os negócios feitos durante a Feira possam chegar a R$ 600 milhões”, adiantou o diretor de Assuntos Ambientais do Ibram, Rinaldo Mancin, que coordenou os eventos. A Exposibram recebeu 25 delegações 14 Revista Mineração & Sustentabilidade | Setembro . Outubro de 2015 de países, como África do Sul, China, Canadá, Alemanha e Austrália. Embora em 2015 o número de expositores tenha sido menor do que o registrado em 2013, 400 e 550, respectivamente, aqueles que apresentaram seus produtos e serviços saíram satisfeitos com os contratos firmados. “Talvez esta edição tenha sido um pouco menor em relação à anterior, no que se refere ao número de expositores. Contudo, ganhamos em outros aspectos. Tivemos 24 novos expositores que, pela primeira vez, participam do evento”, contou Mancin. A boa impressão foi compartilhada pelo supervisor de vendas da Quimatic, Jonas Guimarães. A marca expôs diversos itens do portfólio, com destaque para a reparadora a frio Plasteel Flex 80, composto à base de poliuretano bicomponente flexível. “O produto proporciona acabamento emborrachado, liso e de dureza similar à borracha. O custo é mais baixo do que o dos concorrentes estrangeiros. Estamos certos de que vamos fechar bons negócios”, revelou durante a feira.

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Homenagem a Antônio Ermírio de Moraes A edição 2015 da Exposibram homenageou o ex-conselheiro e fundador do Ibram, Antônio Ermírio de Moraes, ex-comandante do Grupo Votorantim que morreu em 2014, aos 86 anos. O empresário iniciou a carreira na empresa em 1949 e foi responsável pela criação da Companhia Brasileira de Alumínio em 1955. Moraes era engenheiro metalurgista formado pela Colorado School of Mines, nos EUA, e teve importante atuação na área social. Durante 40 anos presidiu a diretoria administrativa do Hospital Beneficência Portuguesa, que presta atendimento à população carente. A abertura oficial contou com a presença de representantes dos gosvernos estadual e federal, líderes do setor e demais autoriadades ciceroneados pelo presidente do Ibram, José Fernando Coura 15 Revista Mineração & Sustentabilidade | Setembro . Outubro de 2015

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