Sabiá n° 92

 

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Uma publicação da Casa do Brasil de Lisboa

Popular Pages


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n. 91 Propriedade da CBL Sabiá Distribuição gratuita Nesta edição do Sabiá sustentabilidade o código secreto dos alimentos nossa língua lusa Sobre berbequins, agrafos, estiletes e durex

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“Aqui é um bom espaço pra você anunciar. Vai por mim que sou imigrante brasileira, falo com a galera imigrante toda, sobre vários assuntos, sou super popular, frequento os melhores ambientes, desde o consulado até clínica dentária e já tô aqui faz um tempão, né?!” (SABIÁ, Jornal. 24 anos)

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editorial Carnaval ido e, para o Sabiá, o ano começou já faz tempo. Para esta primeira edição de 2016, estivemos traba lhando no sentido de fazer desta publicação cada vez mais um instrumento de prestação de serviços para a comunidade brasileira residente em Portugal. E continuaremos a perseguir este norte nos próximos números. A Casa do Brasil também segue firme em sua missão de ser referência, para os brasileiros que têm Portugal como lar, no âmbito do oferecimento de suporte e apoio trabalhista, jurídico e social. Além disso, a CBL promove diariamente um variado conjunto de atividades e ações que reúnem as pessoas num ambiente de convivência, aprendizado e troca de experiências. Apresentando os professores que estão à frente destas atividades, nossa matéria de capa é um convite para que você venha participar do dia-a-dia dinâmico da CBL e, assim como nós, também sinta-se ativo e em casa quando estiver por aqui. Para acompanhar o ritmo deste número, nosso visual chega completamente repaginado. Esperamos que seja um atrativo a mais para que o leitor aproveite cada página e volte a se encontrar conosco na próxima edição. Nesta edição do Sabiá n.91 - mar/abr 2016 4 Acontece na Casa do brasil 5 espaço imigrante 6 sobre a Casa do Brasil 8 Giramundo 10 calendário ilustrado 12 UNS Brasileiros 13 Historia da Casa do Brasil 14 Nossa língua Lusa 15 Sustentabilidade 16 especial 18 PROGRAMAÇÃO E VANTAGENS 19 JOGOS 12 10 8 ficha técnica Diretor Fabricio Soares Diretora Adjunta Patrícia Brederode Designer Gráfico Amanda Argollo Propriedade Casa do Brasil de Lisboa Número de contribuinte 502690321 Editor Casa do Brasil de Lisboa Sede de redação Casa do Brasil de Lisboa Número de registo no E.R.C. 126690 Periodicidade Bimestral Tiragem 5.000 exemplares Link Estatuto editorial http://www.casadobrasil.info/index.php/ sabia/327-estatuto-editorial colaboraram com este número Carlos Henrique Vianna, Ana Karin Portella, Dário Lima, Cynthia de Paula, Larissa Bezerra, Dewis Caldas, Aline Camargo, Patrícia Peret, Ana Carolina Silva, Gustavo Behr, Debora Almeida, Carolina Dias contaCto Morada R. Luz Soriano, nº42, Bairro Alto, Lisboa e-mail jornalsabia@gmail.com Telefone 21 3400000 Fax 21 3400001 Site www.casadobrasil.info Publicidade publicidadesabia@gmail.com 3

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Acontece na Casa do brasil PLATAFORMA IMIGRAÇÃO E CIDADANIA Por Gustavo Behr Jurista, ativista dos direitos dos migrantes e vice presidente da Casa do Brasil de Lisboa Diversas associações de imigrantes e organizações de direitos humanos irão elaborar um caderno reivindicativo para apresentar ao novo governo. O documento almeja dar a conhecer às lideranças políticas portuguesas os problemas que afetam a vida dos imigrantes e dos refugiados. O repto foi lançado pela Associação Caboverdiana de Lisboa, Casa do Brasil de Lisboa, Meninos do Mundo, Mulher Migrante, Olho Vivo, SOLIM e SOS Racismo. Agora, estão abertos os canais de comunicação e de troca de ideias sobre políticas de imigração e de concessão de nacionalidade e respetivas leis, direitos sociais e laborais dos e das imigrantes, direito à habitação, racismo, direitos políticos, discriminações e violência. E, num momento em que os refugiados encontram tanta resistência na Europa, as associações também irão refletir sobre as políticas destinadas a estes cidadãos. É ainda tempo de debater a participação cidadã, a democracia participativa e o direito da sociedade civil a ser apoiada com dignidade, uma vez que esta faz um trabalho de parceria intensa com o Estado. Dentro deste processo iniciado em Dezembro de 2015, que já se expandiu e busca alargar ainda mais o número de associações e organizações envolvidas, foi criada a Plataforma de Imigração e Cidadania. A Casa do Brasil tem estado, como sempre, muito empenhada e participativa em mais uma iniciativa que busca reafirmar a dignidade e o reconhecimento do papel dos imigrantes. Como resultados desta ação, temos grande expetativa de que hajam efetivas melhorias no tratamento dispensado aos imigrantes em Portugal, bem como que o país seja um exemplo no acolhimento de refugiados. Casa do Brasil no Programa Rumos - RTP África Por Cyntia de Paula No mês de dezembro o Grupo Acolhida e o Jornal Sabiá foram notícia no Programa Rumos, do Canal RTP África. Atividade permanente da Casa, o Grupo Acolhida promove a troca de experiências entre imigrantes e é por meio da ajuda mútua que homens e mulheres buscam conhecimentos que promovem a integração em Portugal. O programa entrevistou a facilitadora do Grupo e Psicóloga Cyntia de Paula e também os/as participantes que relataram de que Foto Aline Camargo forma o Grupo tem contribuído como facilitador do processo de integração. Na mesma reportagem o Jornal Sabiá foi apresentado pelo Presidente da Casa e também diretor do Jornal Fabrício Soares, que relatou como a idéia da publicação do Jornal foi resgatada pela associação e argumentou sobre a importância deste projeto para a divulgação da cultura brasileira em Portugal. A reportagem está disponível no Facebook da CBL. Não deixe de assistir! “O regresso de Cosme” no MouraDoc Por Cyntia de Paula No dia 6 de Janeiro, a Casa do Brasil apresentou na Renovar a Mouraria o documentário “O Regresso de Cosme”, realizado por Carolina Dias e José Barahona. A produção conta a história do retorno voluntário do imigrante Cosme para o Brasil. Com a crise em Portugal, Cosme fica desempregado e desalojado, acabando por retornar para casa com o apoio da Casa do Brasil e do Consulado do Brasil. As técnicas da CBL Cyntia de Paula e Ana Rita Alho, testemunhas da história contada no filme, compareceram à exibição e partilharam suas impressões sobre a experiência vivida por Cosme. Foto Carolina Dias 4

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Especial Ciclo de Cinema espaço imigrante produzir. Os filmes são a base para discussões que nos podem levar além e criar em nós a vontade de participar na definição da experiência africana ou negra tanto no continente como na diáspora. Como está a ser a receptividade do Ciclo e qual é o impacto surtido nas comunidades afrodescendentes? Tem havido uma adesão muito forte à nossa mostra de filmes, o que muito nos agrada. A participação da comunidade negra é o aspeto que mais me salta à vista e o que, em mim, mais tem criado um sentimento de pertença. Isto porque o público tem sido maioritariamente negro, algo que, paradoxalmente, acontece muito pouco em eventos culturais dedicados a temáticas africanas. Na nossa avaliação, o impacto tem sido positivo. Mudança de país não significa distanciamento das raízes e perda da identidade cultural. Isto porque, ao passo que se deixam abraçar por uma nova cultura, comunidades imigrantes em todas as partes do mundo mostram uma grande aptidão para seguir nutrindo suas próprias matrizes culturais. Carla é uma dessas pessoas que vivem ativamente a causa da comunidade da qual fazem parte. À frente da Associação Cultural AfroLis, uma organização dedicada à questão da afrodescendência em Lisboa, ela ajudou a organizar, ao longo do mês de fevereiro, o Ciclo de Cinema África Positiva. A mostra de filmes aconteceu na sede da Casa do Brasil de Lisboa, no Bairro Alto, e suscitou discussões mais do que oportunas sobre a temática da raça negra. O Sabiá foi conversar com a Carla a respeito do evento e dos rumos e objetivos estabelecidos para a AfroLis. Conte-nos um pouco sobre a história da AfroLis. Quando nasceu, qual é o seu objetivo? A Associação Cultural AfroLis surgiu como uma extensão do trabalho que tem sido desenvolvido pelo Audioblogue Rádio AfroLis desde abril de 2014. Este audioblogue tem como objetivo ser uma alternativa às representações dos afrodescendentes nos meios de comunicação em Portugal. Então, com a Associação Cultural Afrolis e o seu projeto motor, que é o audioblogue, propomos basicamente quatro pontos: sensibilizar a população em geral para as questões do racismo e da discriminação por meio de atividades culturais; promover o diálogo entre as diferentes comunidades de afrodescendentes, imigrantes e população portuguesa em geral; estimular a união das diferentes comunidades que compõem a sociedade portuguesa pela valorização da diferença, através da disponibilização e produção de conhecimento sobre povos africanos e narrativas sobre afrodescendentes em relação com outros povos; atuar em periferias e locais marginalizados pela sociedade através de intervenções culturais, de modo a integrar, explorar e divulgar a cultura local e potenciar o trabalho colaborativo. Como surgiu a ideia do Ciclo de Cinema África Positiva? A AfroLis foi criada recentemente, em outubro do ano passado. No entanto, a ideia do Ciclo de Cinema já havia sido pensada como forma de apresentar a associação à sociedade e para lançar a discussão sobre os tipos de representações do continente africano disponíveis hoje em dia. A partir daí, poderíamos partir para a reflexão sobre que tipo de representações que poderemos também nós, como afrodescendentes, Como está a ser a parceria da AfroLis com a Casa do Brasil? A parceria com a Casa do Brasil está a revelar-se muito produtiva. A instituição está localizada num dos bairros mais centrais e emblemáticos de Lisboa, o que serve ao propósito de a comunidade afrodescendente ocupar espaços diversos e centrais da cidade. A escolha de realizar o Ciclo de Cinema África Positiva na Casa do Brasil também tem que ver com o facto de os filmes passados no ciclo terem sido cedidos pela produtora brasileira CineGroup. A conjugação do interesse do Brasil por temáticas africanas e o objetivo da AfroLis de discutir essas temáticas resultou nesta parceria que, para nós, faz todo o sentido. Queremos que as comunidades Quais são os projectos para o futuro? afrodescendentes se Para o futuro estamos a trabalhar em proconsciencializem para a jetos na área da literacia mediática. Querenecessidade de serem elas mos que as comunidades afrodescendentes a participar na transformação se consciencializem para a necessidade de de condições adversas serem elas a participar ativamente na transpelas quais possam formação de condições adversas pelas quais estar a passar. possam estar a passar. Ao longo deste ano va- “ ” mos focar neste aspeto através de mais ações culturais. Quais as formas de colaborar com a AfroLis? Qualquer pessoa que se identifique com os objetivos da AfroLis pode tornar-se sócia pagando uma cota anual. Assim, poderá participar ativamente nas ações da associação, lançando propostas, comparecendo às reuniões e divulgando nossas atividades. De momento, estamos também a trabalhar para obter outras contrapartidas para os sócios, como descontos em serviços de vários setores de atividade. Escute a Rádio AfroLis em radioafrolis.com 5

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sobre a Casa do Brasil A Casa do Brasil de Lisboa é uma associação de imigrantes que presta apoio à comunidade brasileira em Portugal desde 1992. Lutamos diariamente pela igualdade de direitos de todos/as os/ as imigrantes. Tornar-se sócio/a da CBL significa garantir a continuidade da nossa missão mas, principalmente, tornar-se ativo/a no exercício da sua cidadania. Conheça e participe das nossas atividades! Gabinete de inserção profissional O GIP é um serviço de apoio gratuito que promove a (re) integração profissional e a articulação entre a formação e a vida activa. É, assim, um espaço intermediário entre as entidades empregadoras e a população desempregada. Atendimento com marcação prévia Gabinete de orientação e encaminhamento O GOE é um serviço de apoio e orientação a respeito de leis de imigração, processo de pedido de vistos, direitos trabalhistas do imigrante, entre outras informações e encaminhamentos necessários à inclusão dos imigrantes brasileiros e de outras nacionalidades em Portugal. centro de apoio jurídico O CAJ destina-se a dar orientação aos nossos associados, nas questões de natureza jurídica e social. As consultas são feitas pessoalmente, mediante marcação prévia por telefone ou pessoalmente. pergunte ao caj Alterações da Lei da Nacionalidade por Patrícia Ribeiro Peret Antunes Advogada – OA 51054L / OAB-RJ 164970 Netos/as, bisnetos/as e demais descendentes, o que mudou? A alteração da Lei da Nacionalidade, em vigor desde 2015, passou a considerar nacionais de origem os/as netos/as de portugueses/as com ligações efetivas à comunidade portuguesa, que declararem que querem ser portugueses/as, e não tenham condenações criminais pela prática de crime punível com pena de prisão de máximo igual ou superior a 3 anos, segundo a lei portuguesa. Isso significa que os/as netos/as de portugueses/as, registados/as portugueses/as nos serviços competentes, são assim considerados/as desde o nascimento e passam a nacionalidade aos/às seus/as descendentes, maiores ou menores de idade. Sou bisneto/a de português/a. Posso requerer nacionalidade portuguesa? A situação dos/as bisnetos/as, trisnetos/as e assim por diante, mostra-se mais complicada, ao passo que não podem re-querer diretamente a nacionalidade por via de um bisavô/ó. Por outro lado, a sua possibilidade é ampliada com a alteração legal, ao passo que, se o/a neto/a do/a português/a originário/a estiver vivo/a, poderá requerer e repassar aos descendentes, o que não configurava-se possível na legislação anterior. O que significa a ligação efetiva com a comunidade portuguesa? Implica, nos termos legais, “o reconhecimento, pelo Governo, da relevância de tais laços, nomeadamente pelo conhecimento suficiente da língua portuguesa e pela existência de contactos regulares com o território português”. O que quer dizer que o/a neto/a requerente da nacionalidade portuguesa deve comprovar, além do conhecimento da língua portuguesa, o contato regular com território, cultura e/ou comunidades portuguesas (dentro ou fora do território nacional, no caso das duas últimas). Tal prova é evidentemente de mais difícil produção para aquelas pessoas que nunca viveram em Portugal. *Para maiores informações sobre o seu caso específico, valores de taxas e documentos necessários, procure o atendimento jurídico da Casa do Brasil. Patrícia Ribeiro Peret Antunes ADVOGADA 918 628 426 peretpiresadvogados.com 6

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pergunte ao gip GESTÃO DO TEMPO Atitudes que geram resultados Segundo o poeta alemão Goethe, “quem é firme nos seus propósitos, molda o mundo a seu gosto”. Portanto, acreditar e confiar na vida são as regras básicas para a realização do seu propósito. star disponível no mercado de trabalho, como se costuma dizer, é apenas mais uma das inúmeras situações da vida. Esta condição não é e nem define você. Ou seja, ninguém é, na sua identidade, desempregado. Porque há muito para além disso dentro de cada pessoa nessa posição temporária. O importante é ter em mente que apenas se está sem emprego no momento. O verbo aqui é estar e não ser. E bons livros e dedique mais tempo à família. Fazer trabalho voluntário também é sempre uma mais valia para conseguir emprego (veja mais sobre o assunto neste link: http://saldopositivo.cgd.pt/como-o-voluntariado-pode-ajuda-loencontrar-emprego/). Você pode também frequentar formações financiadas ou gratuitas – existem muitas associações, como a Conceitos do Mundo, que oferecem formações gratuitas. Lembre-se Além disso, uma situação momentânea de falta de empreque o mercado de trabalho requer pessoas atualizadas e go é uma grande oportunidade para tomarmos consciêncriativas. Por isso, busque lançar mão de recursos práticos como o Linkedin, uma ferramenta muito cia da melhor maneira de gerirmos o nosso tempo. Saber eficaz para quem deseja conseguir um administrar o tempo livre é um grande bom emprego e solidificar relações. Mas, passo rumo a um novo emprego. Para atenção, use-a de forma profissional. quem está à procura de um novo desafio (...) NINGUÉM É, NA profissional, partilhamos a seguir alguSUA IDENTIDADE, Quais resultados poderei obter mas dicas sobre gestão do tempo dadas adotando essas novas atitudes? pela especialista no assunto Debora DESEMPREGADO. Colocando em prática as sugestões e Almeida. PORQUE HÁ MUITO os princípios enunciados acima, você irá notar, com certeza, que vai se torPor que é essencial sabermos gerir PARA ALÉM DISSO bem o nosso tempo numa situação nar muito mais produtivo e que estará DENTRO DE CADA de falta de trabalho? mais disponível para o trabalho, para o Em primeiro lugar, treinar a gestão do lazer e para a família; vai melhorar suas PESSOA NESSA seu tempo irá desenvolver também relações interpessoais e habilidades de POSIÇÃO outras habilidades. Para citar apenas comunicação; sentir-se-á mais motivado algumas, disciplina, foco, poder de topara tomar decisões e fazer diferente; vai TEMPORÁRIA. mada de decisão e de fazer escolhas e melhorar sua qualidade de vida e apercriatividade. Além do mais, o exercício feiçoar o autoconhecimento. da gestão do tempo vai habilitá-lo a sentir menos a parte negativa da falta de emprego. Quer mais dicas sobre este tema? Temos uma equipa ao seu dispor. Contate conosco! Como posso gerir o meu tempo com o objetivo de conseguir um novo emprego? Debora Almeida É importante distribuir bem o seu tempo entre as áreas Formadora em desenvolvimento pessoal, Practitioner e Master principais da vida: pessoal, profissional, lazer e família. Na Practitioner em PNL (Programação Neurolinguística), Coach Humanista e Secretária da Direção da ONG Conceitos do Mundo esfera profissional, onde a sua meta é encontrar um novo (www.conceitosdomundo.pt). emprego, dedique no mínimo duas e no máximo seis horas por dia para esta tarefa. Utilize métodos diferentes na busca por um emprego. Por exemplo, pesquise na internet assuntos relacionados com aquilo que você quer fazer, procure pelas empresas da sua área de interesse e tente ir pessoalmente entregar o seu CV. Devo parar de investir em mim e focar unicamente na procura por emprego? Nada disso. Dedique-se pelo menos duas horas por dia ao aprendizado de algo novo. Estude um outro idioma, leia criação de sites & comunicação digital 7

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Giramundo Uma aventura pela ilha das lendas ing* na casa da sua família. Nos dias que seguiram-se, viajamos por todo o território irlandês num carro emprestado pela família do Dave, descobrindo os lugares mais remotos e fantásticos daquele país espetacular. Como a República da Irlanda e a Irlanda do Norte são duas nações assentadas sobre uma ilha não muito grande, fomos capazes de visitar quase todos os pontos de interesse em cerca de duas semanas na estrada. Nosso roteiro incluiu a capital Dublin, os Penhascos de Moher, o Castelo de Blarney, o Parque Nacional de Killarney, o famoso circuito de estradas deslumbrantes chamado Ring of Kerry, as conhecidas cidades de Galway e Cork e muitas outras atrações. Mas as vantagens de ter um irlandês como companheiro de viagem logo se revelaram, porque visitamos também paisagens distantes, caminhamos por trilhas escondidas e descobrimos lagos secretos aos quais só um nativo poderia nos guiar. Cada um destes lugares com a sua própria beleza e exuberância. Curiosamente, a paisagem que mais me deixou de boca aberta nem era tão secreta assim. Pelo contrário, a Calçada do Gigante (Giant’s Causeway no original em inglês) é um dos pontos da ilha que mais atraem viajantes. Cravada no litoral norte da Irlanda do Norte, esta estrutura natural formada por colunas prismáticas de basalto milimetricamente encaixadas umas às outras dá mesmo a impressão de estarmos caminhando sobre uma calçada feita por e para um gigante, como reza a lenda. Aliás, além das formas visualmente fantásticas da Calçada, o que também chama a atenção no local é justamente a história que existe por trás da formação desta estrutura. Diz-se que, no passado, existia um gigante irlandês chamado Finn MacCool que queria enfrentar um gigante escocês de nome Benandonner. Mas o problema é que não existiam embarcações que comportassem o tamanho do gigante para transportá-lo ao encontro do seu oponente, no outro lado do oceano. MacCool, então, resolveu a questão construindo uma calçada gigante sobre as águas gélidas do oceano. A obra, feita com as enormes colunas de pedra que vemos hoje em dia, serviria para que Benandonner pudesse vir a pé da Escócia ao seu encontro. Porém, quando a esposa de MacCool percebeu que o gigante escocês era maior e provavelmente mais forte do que o seu marido, vestiu o amado com roupas de bebê para tentar salvá-lo. Finalmente, ao chegar e ver MacCool disfarçado, Benandonner pensou: “se o bebê é desse tamanho, imagina o pai!” – e fugiu com medo. Para ter certeza de que não seria perseguido pelo gigante irlandês no retorno à casa, o amedrontado Benandonner destruiu a calçada enquanto a atravessava de volta, deixando apenas o pedaço que e das batatas texto e fotos por Larissa Bezerra “Eu prefiro o peso da mochila nas costas do que o peso de um sonho não realizado por falta de tentativas” Autor desconhecido Acredito que muitas pessoas, ao longo da vida, vão deixando de lado os seus planos de viagens e, no final, estes acabam entrando para as suas listas de sonhos não realizados. Talvez porque, apesar de muitos entre nós ansiarmos por aquela sensação de liberdade proporcionada pelo ato de ganhar o mundo, poucos se permitem embarcar em uma grande aventura. O que se pensa, via de regra, é que viajar é algo complicado e caro. No entanto, gosto de dizer que os itens de bagagem realmente indispensáveis são apenas três: coragem, determinação e organização. Com esse lema em mente, sempre inicio minhas viagens de sorriso no rosto, um “meio-plano” no caderninho – sempre mantendo as portas abertas para as boas surpresas que possam aparecer no caminho – e muitas expectativas na lente da câmera. E foi exatamente com esse espírito que desembarquei na ilha da chuva, das batatas e da grama mais verde que já vi na minha vida, a Irlanda. Quando cheguei, fui recebida no aeroporto pelo meu amigo Dave, um irlandês que havia conhecido em andanças anteriores no Canadá, e fiquei hospedada de couchsurf- 8

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pode ser visto hoje. Esta é, sem dúvida, uma das atrações mais imperdíveis de toda a ilha irlandesa. No que toca aos hábitos alimentares, os irlandeses comem muita batata. Cozida, assada, frita ou em forma de purê, a batata é a base da alimentação daquele país. Segundo o meu amigo Dave, irlandês legítimo, a razão seria porque a batata é uma das únicas plantas que crescem o ano inteiro, beneficiada pelas chuvas constantes. Aliás, isso sim não é lenda: está quase sempre chovendo na Irlanda, nem que seja aquela chuvinha fina contra a qual não vale nem a pena O que se pensa, via de regra, é que viajar é algo complicado e caro. No entanto, gosto de dizer que os itens de bagagem realmente indispensáveis são apenas três: coragem, determinação e organização. usar o guarda-chuva. Por isso, quando planejar uma mochilada por lá, prepare-se para se molhar pelo menos um dia, inevitavelmente. Para fechar a viagem com chave de ouro, encontramos na internet um mapa da Irlanda com todos os pontos da ilha que serviram de locação para as filmagens da série Game of Thrones. Entre eles, visitamos os Dark Hedges, um dos locais mais mágicos de toda a viagem. Ali me senti dentro da própria série ou de algum filme de fantasia. Por isso, se estiver viajando de carro pela Irlanda e ainda for fã dos livros e da série Game of Thrones, vale muito a pena conhecer as locações desta superprodução. Aventure-se também pelas cidadezinhas que parecem saídas de um conto de fadas, nesta terra das batatas e das milhares de tonalidades de verde, cuja natureza deslumbrante vai certamente lhe deixar encantado. Serviço com base na internet onde as pessoas oferecem seus sofás para que viajantes durmam e fiquem hospedados de graça durante os dias combinados. É uma forma bastante interessante de imergir na cultura dos países que você visita através do contato direto estabelecido com o dia-a-dia das pessoas locais. *CouchSurfing 9

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uns Brasileiros por dawis caldas Fernando Klewys É difícil explicar o que todo brasileiro sente nas intermináveis horas dentro do avião na primeira vez que cruza o Atlântico. E é assim que se sentia o Fernando Klewis, a um mês de completar vinte anos. Deixava uma vida vivida sempre em Goiânia para desembarcar numa Lisboa cheia de histórias fantásticas de terremotos, invasões e conquistas. Seis anos depois ele se sentia corajoso o suficiente para viajar por toda a Europa a pé, portando apenas uma mochila com 20 kg daquilo que era mais essencial e um skate, seu principal meio de transporte. O motivo da viagem era também provar um velho discurso seu, de que podemos viver sem dinheiro. E ele provou, já que toda a comida e hospedagem ao longo do caminho foram frutos das relações com as pessoas que ia conhecendo ou resultado da troca de serviços. Exatamente um ano depois de ter partido, chega de volta a Lisboa com 23 países nas costas. Reconhece que a luz de Lisboa é a melhor que existe mas sente a necessidade de correr, correr e correr, assim como fazia o pequeno Forrest Gump. Então botou na cabeça que correr era pouco e que, na verdade, queria era pedalar de Lisboa até Atenas. Como não tinha dinheiro para a bicicleta, fez uma caixinha e andou com ela pra cima e pra baixo durante dias pedindo a contribuição de amigos e desconhecidos que sinpatizasem com a sua jornada. De um objetivo inicial de 100 euros, a bem-sucedida campanha acabou angariando 117 euros para a caixinha do Fernando. Quando, então, foi com orgulho comprar a bicicleta de segunda mão, o dono acabou se emocionando com a história e não aceitou o dinheiro: “eu quero contribuir para esta loucura”, disse o então convertido em patrocinador. Até o momento da partida passaram-se dias, com a data sendo remarcada por aí umas quatro vezes. Culpa dos amigos, que sempre inventavam um rolé diferente. Quando fi- Foto Dewis Caldas nalmente chegou a hora, partiu com uma camiseta colorida na cabeça - que havia ganhado do grafiteiro Jhon Douglas. Pedalou por 4.784 km durante 139 dias de sol, chuva, frio e calor, até chegar à cidade da grande Acrópole. Na volta a Lisboa, já bem mais magro, inventou o novo desafio de viajar por Portugal inteiro. Dessa vez, na companhia dos amigos Diogo Smith e Wesley Barros. Neste momento, enquanto o leitor deita os olhos sobre esta página, os três estão em alguma aldeia pelo norte, pedalando sem saber onde vão dormir amanhã. Outro dia mandei uma mensagem ao Fernando perguntando o porquê de sempre voltar a Lisboa entre uma aventura e outra. Então apareceu aquele “digitando...” na tela do celular e, pela demora, senti que estava rolando uma reflexão. “Por causa das pessoas”, respondeu. “Essa cidade me faz sentir vivo. Lisboa é diferente a cada virar de esquina. A cada abraço ou aperto de mão. É pra onde eu vou quando preciso colecionar mais sorrisos”. 10

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Histórias da Casa do Brasil por carlos vianna A QUESTÃO DA RECIPROCIDADE E A CBL NA POLÍTICA m 1997, uma questão política e constitucional Santos era um renomado jurista e defensor da classe na tomou conta das manchetes e ensejou uma A.R. Anos depois, quando, à terceira tentativa, a emenda grande campanha protagonizada pela Casa foi aprovada graças à intervenção de Mário Soares na bando Brasil e outras entidades e personalidades. cada do Partido Socialista, o Dr. Almeida Santos mandouO recente falecimento do presidente honorário do Partido me uma nota, antes da votação, na qual dizia que “o amigo Socialista António de Almeida Santos trouxe a chamada iria ter boas notícias em breve”. Este bilhete em belo papel questão da reciprocidade à minha lembrança. Já que este personalizado está algures na Casa do Brasil. Por fim, ele senhor, então presidente da Assembleia da República, era convenceu-se ou foi convencido da justeza de nossa reivinum obstáculo poderoso à votação fadicação. vorável da mesma por uma mudança da Constituição Portuguesa de teor Em 14 de setembro de 1997, escrevi ou espírito semelhante ao artigo da um longo artigo no “Público” intituO MOTIVO DA AÇÃO Constituição Brasileira que assegura lado “Reciprocidade: o que queremos”. direitos especiais aos imigrantes porO então presidente Jorge Sampaio esPOLÍTICA DA CASA DO tugueses no Brasil. Este artigo, o 12º tava às vésperas de uma visita oficial do Capítulo III - Da Nacionalidade, ao Brasil. Nele advertia sobre as conseBRASIL É SÓ UM: reza o seguinte em II, 1º: “Aos portuquências da rejeição da emenda junto DEFENDER O PONTO gueses com residência permanente no à opinião pública brasileira. E o que se país, se houver reciprocidade em favor viu na viagem do presidente foi uma DE VISTA DOS dos brasileiros, serão atribuídos os diforte pressão da mídia e de deputados IMIGRANTES. E AS reitos inerentes aos brasileiros, salvo brasileiros junto ao chefe de estado os casos previstos nesta Constituição”. português e sua comitiva. MIGRAÇÕES SÃO UMA E no mesmo Capítulo III, pode-se ler: “São brasileiros...naturalizados os que Isto nos leva a algumas críticas que, QUESTÃO POLÍTICA na forma da lei adquirem a nacionaliao longo da sua existência, a Casa do CENTRAL EM TODO dade brasileira, exigida aos originários Brasil foi ouvindo: a de que nós érade países de língua portuguesa apenas mos “políticos”, que a política nos moO MUNDO. residência por um ano ininterrupto e bilizava porque muitos dos dirigentes idoneidade moral”. da CBL estiveram presentes na política no Brasil, em partidos de esquerda duOu seja, desde 1988, o Brasil dava um rante e depois do fim da ditadura militratamento privilegiado e muito generoso aos portugueses tar. É o meu caso, de Alípio de Freitas, de Heliana Bibas, e também aos originários dos demais países de língua por- de Virgínia Paiva e outros fundadores. O que muito nos tuguesa. Mas não foi o caso por muitos anos, da parte de orgulha. Mas o motivo da ação política da Casa do Brasil é Portugal. Durante 3 vezes, a cada 4 anos, foi apresentada na só um: defender o ponto de vista dos imigrantes. E as miAssembleia da República Portuguesa a chamada emenda grações são uma questão política central em todo o munda reciprocidade, por parte de um conjunto de deputados do. Nem é preciso insistir nisto quando temos uma crise liderados por Manuela Aguiar e Pedro Roseta, primeiros de refugiados (imigrantes forçados, coitados!) de enormes proponentes. proporções no mundo. Em 1997, esta discussão pegou fogo e mais uma vez a emenda foi rejeitada, em 30 de julho. E esta rejeição em muito deveu-se às articulações do Deputado Almeida Santos, agora enterrado com honras de Estado, que temia uma “invasão” de juristas brasileiros que poderiam fazer concurso público e tomar o lugar de juristas portugueses. Almeida Sem um claro compromisso e visão política em defesa dos imigrantes e emigrantes, a Casa do Brasil não teria obtido os resultados e o prestígio granjeados nestes 24 anos. E 1997 e a questão da reciprocidade foi um capítulo fundamental desta nossa luta. Vencedora, anos depois. E assim se foi fazendo a história da Casa do Brasil. E leia outras histórias da casa do brasil no facebook do sabiá 11

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Nossa língua Lusa por dario lima Sobre berbequins, agrafos, estiletes e durex português está, outra vez, na França, onde se utiliza a palavra agrafe com a mesma finalidade, o grampo brasileiro pode ter nascido tanto do termo alemão krampen quanto da palavra italiana grampa. Embora pertençam à mesma categoria de utensílios utilizados para a execução de trabalhos manuais, berbequim, x-acto e agrafador, naturalmente, guardam muito mais diferenças do que similitudes entre si. Para começar, o primeiro fura, o segundo corta e o terceiro agrafa, pelo menos até onde se sabe. E fosse esta uma coluna dedicada à difusão de técnicas de bricolagem, a discussão até que poderia estender-se. Contudo, como o leitor já sabe, aqui a nossa seara é outra. Mas imagine que, a essa altura, depois de já ter no carrinho de compras um agrafador e um berbequim, sabe-se lá pra que, já que está de férias no Recife, a neta do seu Carlos, que veio lá de Coimbra, inventa de pedir ao funcionário da loja um x-acto. O rapaz franze a testa num evidente surto de O que de fato nos interessa, portanto, é que se despachás- espanto e suas feições só voltam ao estado de relaxamento semos uma encomenda urgente de Portugal para o Brasil anterior quando logra relacionar a descrição do pedido da contendo um berbequim, um x-acto moça – quem diria?! – a um prosaie um agrafador, estes se transforco estilete. É isso mesmo, em Portumariam, assim que o avião entrasse gal, o estilete brasileiro é chamado no espaço aéreo brasileiro, em furaMas imagine que, a de x-acto. A etimologia de estilete deira, estilete e grampeador. Tal é a essa altura, depois de já ter remete a um objeto da Antiguidade mágica dessa nossa caprichosa línno carrinho de compras um que recebeu o nome em latim stilu. gua lusa! O instrumento assemelhava-se a agrafador e um berbequim, uma haste com uma extremidade Com efeito, um brasileiro mais desabe-se lá pra que, já que está savisado poderia ficar mesmo estupontiaguda e afiada e era utilizado de férias no recife, a neta do pefato ao descobrir que furadeira em para entalhar textos em espécies Portugal leva o nome de berbequim. Seu Carlos, que veio lá de de pranchetas cobertas com uma A primeira denominação é elemencamada de cera. Mas de volta a Coimbra, inventa de pedir ao tar, já que o que serve para fazer Portugal e aos tempos modernos, funcionário da loja um x-acto. furos só poderia ser uma furadeira, x-acto exemplifica aqueles casos assim como o que bate é uma batedeira em que a marca torna-se tão forte e o que faz churrasco é uma churque passa a denominar o próprio rasqueira. Mas os portugueses, no produto na linguagem popular. Embora esteja até mesmo caso do berbequim, negaram-se a ser tão previsíveis e inentre os verbetes do dicionário de uma conhecida editora corporaram à matriz da nossa língua esta expressão que deriva do francês vilebrequin. O curioso é que, na língua portuguesa, X-ACTO® é, na verdade, uma centenária marde Voltaire e François Hollande, vilebrequin não se destina ca norte-americana de instrumentos de corte de precisão. ao mesmo uso observado no idioma de Saramago e António O fenômeno também ocorre em outras línguas. No inglês Costa. Na francofonia, o termo dá nome à uma importante britânico, por exemplo, hoover (uma marca) já é há muito peça mecânica utilizada, sobretudo, na indústria automo- tempo sinônimo de aspirador de pó e também deu origem bilística que, vá lá, tal como um berbequim, também gira ao verbo to hoover. Na própria língua portuguesa existem sem parar. Afinal, a palavra em francês que corresponde ao outros exemplos clássicos. No Brasil, quem vai à papelaria berbequim propriamente dito é perceuse. comprar fita adesiva pede por durex já desde criancinha. Curiosamente, a marca Durex em Portugal, que não tem Já o emprego dos termos grampo, no Brasil, e agrafo, em Portugal, segue a mesma lógica, assim como o de toda a qualquer parentesco com a homônima brasileira, também família de palavras derivadas destes vocábulos. Ou seja, logrou conquistar em terras lusitanas o prestigioso status tanto o grampeador precisa de grampos para grampear pa- de sinônimo de produto. Em tempo, produto feito a parpéis em qualquer escritório de São Paulo como o agrafador tir do látex cuja procura tende a tornar-se deveras intensa não vai agrafar nada sem agrafos no prédio do Parlamento nestes tempos dionisíacos de carnaval. A averiguação fica em Lisboa. Notadamente neste caso, há conformidade entre os substantivos e os verbos nos dois lados do Atlântico. A para os leitores mais desejosos por expandir seus horidiferença está na etimologia. Enquanto a origem do agrafo zontes culturais. 12

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Sustentabilidade por ANA CAROLINA silva Fo to Sh u tter stock O código secreto dos alimentos Comprar comida faz parte do nosso dia-a-dia. Vejamos: quem é que, pelo menos três vezes por semana, não passa pelo supermercado em busca de algo em falta na geladeira? Mas será que, além de encher as sacolas, estamos prestando atenção às informações fornecidas nas embalagens dos alimentos? Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária brasileira, a ANVISA, sete em cada dez consumidores lêem os rótulos das embalagens. A proporção é boa. Mas seria de melhor qualidade se não fossem apenas três que compreendessem a natureza do que está escrito. Portanto, vamos esclarecer a seguir alguns pontos importantes sobre o código secreto dos alimentos. Se é natural é bom? Nem tudo o que é descrito como natural é amigo do ambiente ou da sua saúde. Na verdade, qualquer gênero proveniente da atividade agropecuária pode ser rotulado como natural pelos produtores antenados em gerar um bom marketing para os seus produtos. O que não quer dizer que estes alimentos tenham ficado livres de agrotóxicos ou, por exemplo, organismos transgênicos em sua produção. postos por ingredientes transgênicos sejam marcadas com um T. Contudo, os deputados do Congresso Brasileiro têm analisado desde o ano passado uma proposta de lei para acabar com a identificação obrigatória dos transgênicos. Nos países da União Européia tal medida nunca existiu. Por aqui, a legislação assegura que só chegam às prateleiras dos supermercados alimentos que não representam riscos à saúde ou ao meio ambiente, ainda que geneticamente modificados. de alergia ou intolerância alimentar, os chamados alergênicos. Contudo, ainda não há uma definição clara sobre como isto deve ser feito, o que pode gerar dúvidas entre os consumidores. A situação deverá estar revertida até dezembro deste ano, quando o regulamento europeu que padroniza a maneira como a informação sobre os alergênicos aparece nas embalagens estará completamente em vigor. Alguns dos mais conhecidos causadores de alergia são soja, nozes, glúten, lactose, aipo e crustáceos. Orgânicos e biológicos Os produtos classificados por orgânicos no Brasil são os mesmos designados por biológicos em Portugal. Estes sim são feitos com matérias-primas garantidamente isentas de insumos químicos e organismos transgênicos. No caso das carnes orgânicas, os animais devem ser criados ao ar livre, sem a administração de antibióticos e hormônios de crescimento. Já os vegetais, frutas e legumes devem ser provenientes de plantas não modificadas geneticamente e cultivadas na ausência de pesticidas. Produtos genuinamente orgânicos devem ter um mínimo de 95% de ingredientes orgânicos em sua composição. Integrais Os alimentos integrais são grãos e cereais que não foram processados ou transformados. Um exemplo bastante conhecido é o do arroz integral, caracterizado pela cor mais escura em comparação ao arroz branco. Este último, antes de chegar ao supermercado, passa por um ciclo de lixas e polimentos que removem sua casca e o deixa como o conhecemos. Só que estes processos de transformação reduzem drasticamente a parcela de fibras solúveis e proteínas presentes na casca. E junto com a casca perdemse também benefícios à nossa saúde como o controle do colesterol e da glicose no sangue e a melhora do funcionamento do trato intestinal. É o que parece? Agora uma dica fácil de colocar em prática: leia pelo menos o primeiro item da lista de ingredientes na embalagem do que estiver comprando. Os componentes utilizados em maior quantidade nas receitas dos produtos, normalmente, aparecem antes. Isto porque a informação sobre os ingredientes é apresentada em ordem decrescente, da maior para a menor concentração. Por isso, se o primeiro item indicado na composição de um suco de laranja não for a própria fruta, desconfie. Você poderá estar levando para casa um produto baseado em corantes e aromas artificiais. Transgênicos Desde 2003 a legislação brasileira impõe que as embalagens de produtos transgênicos ou parcialmente com- Alergênicos A indústria de alimentos é obrigada a identificar nas embalagens a presença de compostos que possam gerar crises 13

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especial por Ana Karin Portella As portas da Casa do Brasil estão abertas de segunda à sexta-feira, não só para aqueles que buscam apoio social e jurídico, mas também para os que querem aprender e conhecer coisas novas e respirar um pouco de cultura. A cada dia da semana, há diferentes opções de cursos, com professores que reúnem uma boa bagagem de ensino nas áreas de Dança, Yoga, Teatro e Cinema, com várias finalidades e destinados a todas as idades. Na turma de Teatro Infantil, os pequenos dos 8 aos 12 anos conhecem tanto os clássicos quanto os autores mais recentes. “Trabalho com o Teatro de Cabaré e com os autores portugueses. Gosto que eles tenham noção da diversidade”, diz a professora Ana Mota Ferreira. Desenvolta, Carlota Madeira Lopes, de 11 anos, estuda desde pequena e já participou de algumas peças de teatro. “Para mim o teatro é muito vital no meu dia-a-dia. Faz com que me expresse melhor e quero que faça parte da minha vida”, completa. A turma está, nesse momento, trabalhando textos dramáticos, diferentes dos do trabalho anterior, feitos com textos selecionados das tirinhas da personagem Mafalda, conforme a professora. “Eles escolhiam uma tirinha e encenavam em cima disso, com improvisação. Nesta fase, eles irão escolher cada personagem e incrementar com música e dança. Eu deixo a cargo deles escolherem, mas sempre dou a última palavra”. Ana Mota Ferreira é atriz e professora de expressão dramática e movimento. É mestre em Teatro pela Universidade de Évora e já trabalhou com alunos de idades entre 3 e 65 anos. mais de 25 anos de carreira. Ele é autor e encenador, licenciado pela Escuela Municipal de Arte Dramático de Buenos Aires, Argentina. Profissional premiado, também já participou de vários festivais pela Europa, EUA e América Latina. Há três anos dá aulas na Casa do Brasil. “O meu objetivo não é formar atores. É despertar nos alunos a vontade de crescerem como pessoas e se comunicar melhor. Claro que com isso, desenvolvem também aspectos artísticos. Procuro trabalhar os problemas de dicção, de corpo e de timidez”, diz Hochman. Dois de seus alunos procuraram o Teatro para poderem melhor se expressar. Afonso Carvalho Alves, de 16 anos, diz ter ganhado a capacidade de falar em público, algo que não conseguia antes. João Matos, de 17, contextualiza: “eu era extremamente tímido e hoje sou mais comunicativo. Na sociedade temos que ser mais sérios, mas aqui dentro posso ser eu mesmo”. Segundo o professor, são trabalhados textos de diversos autores, desde os clássicos Shakespeare e Tennessee Williams aos textos mais atuais, a exemplo do escritor e realizador português Afonso Cruz, do escritor e poeta brasileiro Paulo Leminski e de Gonçalo M Tavares, escritor e poeta português. Neste mês de Fevereiro, tanto as turmas de Teatro Jovem quanto de Interpretação Criativa e Laboratório de Criação Teatral se apresentam em alguns espaços em Lisboa. Tem Teatro, tem expressão Os mais crescidos também podem procurar pelas aulas de teatro na Casa do Brasil. Para os adolescentes, tem o Teatro Jovem, e para os adultos, as turmas de Laboratório de Criação Teatral e Interpretação Criativa. As aulas são acompanhadas pelo professor Claudio Hochman, que tem Tem Dança, tem paixão Desde Outubro do ano passado, o casal de professores Marlon Rodrigues e Livia Oliveira ensina os passos do Forró, do Bolero e do Samba de Gafieira. Além dos movimentos, os dois têm como principal missão transmitir aos alunos a paixão pela dança. 14

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Marlon e Livia estão em Portugal há seis meses e administram a parte artística da Steps Club and Dance School. Também integram o grupo de dançarinos da Troupe Brazil. Os dois estudaram na conceituada Escola de Dança de Jaime Arôxa, no Rio de Janeiro e em 2011, iniciaram parceria na Escola de Dança de Marlon Rodrigues, interior de Cabo Frio. Lá ensinaram por quatro anos, com uma média de aproximadamente 300 alunos por ano. “É uma satisfação muito grande ver um aluno se desenvolver e representar o samba, por exemplo. Temos uma aluna que começou de uma forma muito tímida e foi crescendo. Hoje, em poucos meses, já está dançando muito bem o forró e o samba e se encontra em um nível intermediário, não mais inicial. Além disso, a autoestima dela foi crescendo. Nota-se pela atual postura, mais desenvolta”, diz Marlon. país onde nasceu, e durante 20 anos foi dançarina na companhia de dança Surco. Estudou flamenco e sevilhanas e danças latinas. Começou a Dança Livre há sete anos. Utiliza alguns acessórios em suas aulas, como bolas de tênis e pequenas almofadas revestidas de tecido para ajudar nos movimentos e trabalhar a coordenação. Além de queimar calorias e ajudar na respiração e tonificação dos músculos, a Dança Livre é muito relaxante. Nuno Coutinho, 39 anos, faz Yoga desde Agosto de 2015 e em Janeiro, começou a fazer Dança Livre. “Para fazer exercícios e ter mais flexibilidade. Vim por recomendação de amigos, que já faziam aulas”. Tem Yoga, tem equilíbrio Tem Documentário, tem ação “É um curso não para fazer documentário, mas para pensar documentário”, explica o professor Dewis Caldas, jornalista e pesquisador musical, que dirige o curso Como Fazer e Distribuir Documentários. O novo curso da Casa do Brasil está na segunda edição e é dividido em dez aulas, uma por semana. O primeiro mês é de base teórica e faz um apanhado que vai desde o desenvolvimento do pensamento cinematográfico pelo homem até chegar no tema Documentário. Também são debatidos os limites que separam Cinema e Documentário. Nas aulas práticas, segundo Dewis, entram a preparação de uma cena, como estimular o entrevistado a se soltar nas filmagens, como fazer a edição e como criar uma narrativa. “É importante dizer que no documentário não há roteiro. O grande segredo é saber lidar com o ‘tudo pode acontecer’, inclusive o nada, pois na hora pode ser que não se consiga extrair nada do entrevistado. Essa é a grande graça da coisa. Documentário é muito mais jornalismo do que cinema”, explica. As aulas são para interessados com qualquer nível de experiência. Durante o curso, o aluno é desafiado a fazer um filme de 10 minutos de duração, com tema livre. A apresentação ocorre no último dia de aula em evento organizado pela CBL. Chiara Moneta, 32 anos, aluna de Yoga, enumera os benefícios: “acabamos por ter uma noção completamente nova do nosso corpo e desde que comecei, nunca mais tive dores nas costas, por exemplo. A respiração que utilizamos no Yoga ajuda a acalmar a mente e a relaxar os músculos. É uma atividade recomendável a qualquer pessoa, de qualquer idade”, conclui. As aulas são ministradas pela professora Sara Dal Corso há cerca de dois anos. Bailarina e coreógrafa, doutorada em Dança na Università di Bologna, utiliza no Yoga os conhecimentos que adquiriu com a dança. Dal Corso prioriza os princípios do alinhamento anatômico do corpo em suas aulas. “Com esse alinhamento do corpo, a mente entra em um estado mais calmo para meditar mais facilmente. E com a prática, é possível manter a concentração e assim trazer o equilíbrio entre corpo e mente”, completa Sara. Tem Dança Livre, tem liberdade Com inspiração nos movimentos naturais da dança livre, criados no início do século 20 pela mãe da dança moderna Isadora Duncan, a professora Rocío Prieto leva seus alunos a sentirem a leveza e a liberdade de movimentos características deste estilo. Ela teve contato com a dança aos quatro anos em Espanha, Para quem quer aprender ou praticar a língua inglesa, neste mês de Fevereiro iniciam as primeiras turmas, com aulas ministradas pelo professor Miguel Nobre de Carvalho, que é tradutor e intérprete simultâneo e Mestre em Tradução em Inglês pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. 15

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