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Ano VIII - Edição 100 - Março 2016 Distribuição Gratuita Vale do Paraíba Paulista - Litoral Norte Paulista - Região Serrana da Mantiqueira - Região Bragantina - Região Alto do Tietê Mensagem comemorativa da centésima edição Boa música Brasileira Cultura Educação Cidadania Sustentabilidade Social Chegamos á centésima edição da Gazeta Valeparaibana. São sonhos e esperanças que se renovam, como se cada mês fosse um novo renascimento. A centésima edição da Gazeta Valeparaibana representa um marco importante para a história do projeto Formiguinhas do Vale. Desde janeiro de 1997, sem interrupção, com uma frequencia e pontualidade mensal, o jornal tem procurado cumprir sua missão de transmitir conhecimento. Renascer a cada edição é muito bom, já que, dia após dia estamos recebendo mais adesões e se denota um maior comprometimento com o exercício da cidadania e a divulgação do conhecimento, além da busca de informações confiáveis, pelos leitores e seguidores. RECICLE INFORMAÇÃO: Passe este jornal para outro leitor ou indique o site Agora também no seu Leia mais: Página 2 - EDITORIAL www.culturaonlinebrasil.net Baixe o aplicativo IOS Artigos Recomendados Maestro! Para que serve? Quem já assistiu a um concerto certamente reparou que em frente à orquestra existe uma pessoa que não toca nada, fica ali balançando os braços enquanto os músicos à sua frente tocam. Essa pessoa é o(a) regente da orquestra. Muitas vezes chamado(a) de maestro ou maestrina. As grandes industrias farmacêuticas bloqueiam medicamentos que curam, porque não são rentáveis Em matéria por mim publicada com o título "Rede Globo e Dráuzio Varella se vendem ao Lobby nojento e orquestrado das indústrias químicas e farmacêuticas" abordei o boicote que grandes indústrias químicas e farmacêuticas desempenhavam para impedir que uma substância visse a ser registrada como medicamento, por não interessar economicamente a eles. Página 3 Página 13 Página 4 ******************* Divagações... aprendizados/ escolhas É inegável que a medida que o tempo passa vamos aprendendo mais e mais sobre quem somos, sobre a vida e tudo que a envolve. A dignidade da pessoa humana vista Dia desses, estava num grupo de pessoas falan- como um superpoder e como uma letra do sobre livros, leitura e leitores e em se falando esquecida na Constituição Federal. disso, a realidade indisfarçável não pode deixar Seus extremos hermêuticos de vir à tona: lê-se muito pouco no Brasil. O brasileiro lê pouco. Aliás, até fora do Brasil o brasileiro lê pouco. EDUCAÇÃO DE QUALIDADE E LEITURA Página 5 ******************* Página 6 GREVE DOS PROFESSORES: O INÍCIO DE 2016 Página 9 ******************* Grito de Alerta A Terra está definhando Página 14 O BRASIL NUNCA FOI UMA COLÔNIA! Página 10 ******************* E seu eu fosse candidato? Página 12 ******************* Capitalismo e democracia na Europa PARTE III Página 8 Página 15 www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Março 2016 Gazeta Valeparaibana Página 2 Editorial Mensagem comemorativa da centésima edição Chegamos á centésima edição da Gazeta Valeparaibana. São sonhos e esperanças que se renovam, como se cada mês fosse um novo renascimento. A centésima edição da Gazeta Valeparaibana representa um marco importante para a história do projeto Formiguinhas do Vale. Desde janeiro de 1997, sem interrupção, com uma frequencia mensal, o jornal tem procurado cumprir sua missão de transmitir conhecimento. Renascer a cada edição é muito bom, já que, dia após dia estamos recebendo mais adesões e se denota um maior comprometimento com o exercício da cidadania e a divulgação do conhecimento, além da busca de informações confiáveis, pelos leitores e seguidores. A Gazeta Valeparaibana na atualidade tem algumas colunas tradicionais; Genha Auga, Mariene Hildebrando, Ivan Claudio Guedes, João Paulo Barros, Maestro Luis Gustavo Petri, Alberto Blanquet e Loryel Rocha, além de artigos de diversos outros autores ocasionais referentes ás principais datas comemorativas do mês. Algumas matérias são sazonais e outras matérias são pontuais. O projeto “Formiguinhas do Vale” só tem a comemorar o sucesso de seus meios de comunicação “Gazeta Valeparaibana” que já alcançou a significativa marca de 5 milhão de downloads e a sua rádio Web CULTURAonline BRASIL que também já ultrapassou a marca de 137.500 ouvintes únicos e mais de 2.5 milhões de acessos nos seus sites, no seu Blog ou nas suas páginas do Facebook. Enfim, realizações e sonhos que se renovam junto com o compromisso de bem servir à comunidade escolar e ao nosso País. Filipe de Sousa (Editor e Jornalista Responsável) acredita que os seus maiores desafios ao longo desses 8 anos à frente do Jornal Gazeta Valeparaibana foram assegurar a coerência e a precisão da informação, bem como manter pontualmente o prazo de entrega do jornal ao leitor. Afirmou também que a principal contribuição do jornal é o sentimento que todos têm de que há um veículo de comunicação, que lhes permite saber o que acontece no Brasil e no Mundo na área da Educação. Outra contribuição é que os voluntários envolvidos no processo terminam percebendo da sua importância dentro da área docente, trabalhando na mesma direção, que é democratizar a informação e opinar com responsabilidade além de acreditar que o conhecimento e a cultura podem contribuir sim para uma educação de qualidade e, que neste mundo de informação e desinformação, elucidar e transmitir conhecimento de Aprendi que deveríamos ser gratos a Deus por não nos dar tudo que lhe pedimos. William Shakespeare Aprendi o silêncio com os faladores, a tolerância com os intolerantes, a bondade com os maldosos; e, por estranho que pareça, sou grato a esses professores. Khalil Gibran **************** Fazer aniversário é olhar para trás com gratidão e para frente com fé! Rosaura Gomes **************** Agradeço ao meu Deus e Pai por todas as coisas boas que vivi, por que sei que o bem apenas dele é que veio. O que vivi de ruim em minha vida, foi por ignorância, estupidez e escolha minha. Mas minha felicidade eu só devo ao Pai! Augusto Branco **************** A gratidão é um fruto de grande cultura; não se encontra entre gente vulgar. Samuel Johnson **************** A gratidão de quem recebe um benefício é bem menor que o prazer daquele de quem o faz. uma forma laica e apartidária neste mundo ainda é possível. Muito obrigado a todos pelo incentivo, apoio e pelo sucesso alcançado. Parabéns para todos que contribuíram com as Pautas Educação e Cidadania que fizeram destes veículos ícones na área de comunicação. A Diretoria Machado de Assis Rádio web CULTURAonline Brasil NOVOS HORÁRIOS e NOVOS PROGRAMAS Prestigie, divulgue, acesse, junte-se a nós ! A Rádio web CULTURAonline Brasil, prioriza a Educação, a boa Música Nacional e programas de interesse geral sobre sustentabilidade social, cidadania nas temáticas: Educação, Escola, Professor , Família e Sociedade. Uma rádio onde o professor é valorizado e tem voz e, onde a Educação se discute num debate aberto, crítico e livre. Mas com responsabilidade! Acessível no link: www.culturaonlinebrasil.net Os artigos publicados são responsabilidade de seus autores, não refletindo necessariamente a opinião da Gazeta Valeparaibana IMPORTANTE Todas as matérias, reportagens, fotos e demais conteúdos são de inteira responsabilidade dos colaboradores que assinam as matérias, podendo seus conteúdos não corresponderem à opinião deste projeto nem deste Jornal. A Gazeta Valeparaibana é um jornal mensal gratuito distribuído mensalmente para download Editor: Filipe de Sousa - FENAI 1142/09-J Gazeta Valeparaibana e CULTURAonline BRASIL CULTURAonline BRASIL Ajude-nos a manter este projeto por apenas R$ 2,00 mensal Email: assinaturas@gazetavaleparaibana.com Juntas, a serviço da Educação e da divulgação da CULTURA Nacional

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Março 2016 Gazeta Valeparaibana Página 3 Nossos animais Calendário Algumas datas Comemorativas Dia 14 se comemora o dia nacional do animal e nesse sentido resolvi me colocar sobre o assunto. Falo nos animais de estimação e nos animais utilizados para trabalho ou “diversão”. Primeiramente me coloco sobre os animais utilizados como ferramentas de trabalho para carroceiros que se dedicam ás mais diversas atividades que vão desde a coleta de entulho passando até pela recolha de material de reciclagem. Nada contra desde que bem tratados , mas tudo contra sobre os animais sobrecarregados e maltratados. Quanto aos rodeios então nem se fala, pura crueldade e barbarismo. Mas hoje vou escrever sobre os de estimação pois tenho 3 maravilhosas criaturas que me pedem e me dão responsabilidade mas muito amor e lealdade. Não é novidade para ninguém, nos dias de hoje, a existência dos tradicionais animais de estimação, predominantemente, cães e gatos, em grande quantidade. Vemo-los em casas e apartamentos. A maioria, sem condições de espaço e higiene. Em bairros com construções horizontais, é frequente ver, nas ruas, estes animais á solta e á vontade. Sabe-se que não estão abandonados pelo aspecto bem tratado que alguns apresentam. São soltos propositadamente pelos donos, para fazerem as necessidades e ao mesmo tempo usufruírem do espaço que lhes falta, enquanto habitam no pequeno espaço que lhe está atribuído na residência. Os animais de estimação são a alegria de muita gente. Um animal nunca desilude o seu dono, mantém-se sempre fiel e amigo. No entanto, os donos deviam ter em mente três princípios básicos: Abandono, trato e disciplina. Quanto ao abandono, só tenho a dizer que é de uma crueldade tremenda. Quem o faz, são pessoas insensíveis e egoístas que não sabem ou esquecem que os animais também sofrem. Lembro que abandono e maus tratos são crimes previstos na Legislação Brasileira. Relativo aos maus tratos, há mais a dizer. Os maus tratos são diversos. Alguns, são praticados e as pessoas nem se apercebem disso. Para um animal que necessite de espaço para correr, prendê-lo ou restringi-lo a um canil, é maltratar o animal. Podem-lhe proporcionar todas as condições de higiene e alimentação, mas falta-lhe o que lhe é de mais sagrado, a liberdade. O contrário também é verdade. Dar todo o espaço e liberdade a um animal que não necessite dele, é criar-lhe confusão e um animal confuso, sofre. Filipe de Sousa 02 - Dia Nacional do Turismo 08 - Dia da Mulher 09 - Eclipse Solar 2016 12 - Dia Mundial Contra a Cibercensura 14 - Dia Nacional dos Animais 15 - Dia da Escola 15 - Dia Mundial do Consumidor 20 - Dia Internacional da Felicidade 20 - Início do Outono 21 - Dia Universal do Teatro 21 - Dia Mundial da Terra 21 - Dia Intern. Contra Discriminação Racial 21 - Dia Internacional da Síndrome de Down 21 - Dia Intern. das Florestas e da Árvore 22 - Dia Mundial da Água 23 - Dia Mundial da Meteorologia 23 - Eclipse Lunar 2016 25 - Dia da Constituição 27 - Dia do Circo 30 - Dia Mundial da Juventude 31 - Dia da Saúde e Nutrição 31 - Dia da Integração Nacional FRASE DO MÊS As mulheres não sabem o que querem, e não dão descanso, enquanto não recebem aquilo que querem. Oscar Wilde EDUCAÇÃO PARA A CIDADANIA A educação para a cidadania significa fazer de cada pessoa um agente de transformação social, por meio de uma práxis pedagógica e filosófica: uma reflexão/ação dos homens sobre o mundo para transformá-lo. Este é um dos objetivo do Jornal Gazeta Valeparaibana www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Março 2016 Gazeta Valeparaibana Página 4 Fala maestro Mas o trabalho de regente não se renou o instrumento para que se dedicasse exclusivamente à direção. Nascia aí a figura do sume a abanar os braços com a batuta na mão. Seu grande desafio é preparar o conjunQuem já assistiu a um concerto certa- regente. to para a apresentação. Saber ensaiar, detecmente reparou que em frente à orquestra etar as dificuldades de cada um dos instrumenE aquele “gravetinho" na mão do maxiste uma pessoa que não toca nada, fica ali balançando os braços enquanto os músicos à estro? Como funciona? Essa ferramenta se tistas, estudar as obras que ficaram extremasua frente tocam. Essa pessoa é o(a) regente chama “batuta" em português, baton em in- mente mais complexas hoje em dia para que da orquestra. Muitas vezes chamado(a) de glês. A origem é um pouco obscura, há regis- o tempo de ensaio seja aproveitado. Lidar tros de uso de algo parecido bem antes de com o grupo, com as diferentes personalidamaestro ou maestrina. Cristo. O que sabemos com certeza é que no des, trabalhar com solistas convidados, com Afinal o que essa pessoa está séc. XVII já era uso comum o regente se colo- os cantores/atores, bailarinos, cenários de um car à frente com um longo bastão, como a- espetáculo de ópera, são habilidades extrefazendo ali? quela que vemos nas imagens de pastores mamente importantes para o bom regente. Acrescente-se a isso uma noção boa de adantigos ou nos magos como o Gandalf. A história da regência é antiga, não ministração, já que ele precisa trabalhar de se sabe exatamente quem ou quando essa Essa ferramenta tinha grandes vanta- acordo com o setor orçamentário e adminisprofissão foi inventada. A música existe desde gens, os músicos conseguiam vê-la ou sentir trativo do grupo. A profissão hoje é bastante que o mundo é mundo e sempre foi usada co- seu movimento sem realmente precisar tirar complexa! mo motivo de reunião social. Por esse mesmo os olhos da partitura e muitas vezes o barulho motivo os grupos musicais não eram grandes do bastão no chão ajudava a união na execuUma pergunta frequente dirigida a e era mais que suficiente que eles mesmos se ção. Há uma história trágica e curiosa sobre o mim. “Maestro, o senhor toca todos os instruauto-dirigissem. A música fluía normalmente, uso desta ferramenta. Talvez o primeiro mentos?” não havia a menor necessidade de um dire- “acidente de trabalho” na história da regência. Claro que não! Mas é minha obrigator. Com o tempo os grupos foram crescendo Jean-Baptiste Lully (1632-1687) foi um grande ção conhecer o funcionamento de cada um e a música se tornando mais complexa. Natu- compositor francês e um dos primeiros gran- deles. Saber sugerir maneiras de se executar ralmente foram aparecendo dentro dos grudeterminado trecho, saber das particularidapos os líderes. Aquelas pessoas que possuídes sonoras de cada um para se encontrar o am mais facilidade para ouvir o conjunto e, equilíbrio é uma das nossas obrigações, mas com isso, ajudarem na melhora da execução não exatamente tocar aquele instrumento. Na daquela obra musical. minha opinião é muito importante que o regente toque bem pelo menos um instrumento. Quando a notação musical apareceu, Para ele sentir dentro de si o que é executar ainda na Idade Média, apareceram os compouma peça musical, seus desafios. sitores, aqueles que poderiam anotar a peça musical para que fosse executada mais de Na história mais recente grandes nouma vez e que a própria execução fosse aprimes como Gustav Mahler (1860-1911), Hermorada. Muitas vezes eles próprios tocavam bert von Karajan (1908-1989) ou Claudio Abe faziam parte do grupo de músicos. A combado (1933-1914) trouxeram um grande brilho plexidade aumentando e o ensaio, aquele a essa profissão. Como em toda posição de tempo usado pelos músicos para aprimorar a líder esses desafios criam e com isso, o amor execução, foi ficando mais necessário. e ódio de músicos e público. Mas isso é asQuando chegamos no período pósrenascimento, quando os instrumentos que hoje conhecemos começaram a ser construídos e desenvolvidos e a notação musical como a conhecemos hoje se estabeleceu apareceu a figura do líder do grupo. O instrumentista principal ou aquele que era responsável pela harmonia passou a ter um papel importante. Como o músico precisava além de dirigir, tocar o instrumento, ele começou a desenvolver uma linguagem corporal que ajudasse o grupo sem que prejudicasse a audição nem sua própria performance. Apareceram as orquestras, a música começou a ser espetáculo, onde as pessoas se reuniam para assistir. Muitas vezes ainda misturadas a uma atividade social, o espetáculo precisava ter uma qualidade superior de execução. A ópera, espetáculo que une teatro, dança, canto e músicos, ganhou popularidade e começou a ficar complicado para aquele músico tocar e dirigir o grupo ao mesmo tempo. Muitas vezes ele precisava largar seu instrumento, se levantar para ajudar um grupo, ou auxiliar o cantor. A coisa foi complicando de um tal jeito que esse músico abandosunto para um outro dia! Em tempo: “Regente ou Maestro”. Regente ou Diretor de Orquestra é o nome da profissão. Representa a atividade, o ofício. Maestro é um tratamento. A palavra significa “mestre’’ em italiano e é usado quando alguém se dirige a um regente, como usamos Durante a execução ele acidental- Doutor como tratamento a um professor com mente amassou o dedão de seu pé direito esse título. com o bastão. O estrago foi grande. O dedo gangrenou e ele se recusou a amputar a perna, que era o único tratamento possível na Luís Gustavo Petri é regenépoca. Ele não queria parar de dançar. Pouco te, compositor, arranjador e tempo depois Lully morria pelos estragos caupianista. Fundador da Orsados por essa infecção. O bastão se tornou um instrumento perigoso… questra Sinfônica Municipal de Santos. Diretor musical Lá pelo início do séc. XIX era muito da Cia. de Ópera Curta criacomum um violinista ser o líder da orquestra, da e dirigida por Cleber Pae muitas vezes usava o arco, que é aquele pa e Rosana Caramaschi. É pedaço de madeira com crina de cavalo que é usado para vibrar as cordas do instrumento, frequente convidado a reger as mais imporpara dirigir. A mistura das duas ideias fez nas- tantes orquestras brasileiras, e em sua carreicer a batuta, esse pequeno “graveto" que hoje ra além de concertos importantes, participaem dia é usado para ajudar a orquestra a soar ções em shows, peças de teatro e musicais. com unidade. Com menos possibilidades de “acidentes graves de trabalho”. des regentes da história da música ocidental. Em 1687 ele conduzia um Te Deum de sua autoria para o rei Luís XIV, que acabara de se recuperar de uma cirurgia. Maestro! Para que serve? www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Março 2016 Gazeta Valeparaibana Página 5 Cidadania ausência de alguns, com o término de relacionamentos, de ciclos de vida. Aprender a recomeçar, aprender a começar. Aprender que não teremos respostas para tudo, e que podemos encarar a vida de maneira mais positiva. Desfrutando do que alegra a nossa alma, nos deixa mais feliz e torna nossos dias mais leves e coloridos. Aprender a deixar a arrogância de lado achando que sabemos tudo. de cidade, de estado ou de país; mudar de emprego, iniciar um novo relacionamento, acabar um antigo? Os momentos de confrontos irão surgir e teremos que escolher, a dificuldade está justamente no impacto que a nossa decisão irá causar na nossa vida e até na vida das pessoas que estão ao nosso redor, que convivem com a gente, familiares, amigos, colegas, e por mais que a gente diga, “ a VIDA É MINHA, EU FAÇO O QUE BEM ENTENDO” nunca é só isso. No momento em que não decidimos algo por medo ou outro motivo qualquer, já estamos fazendo uma escolha, a de não decidir, a de não nos comprometer. Viver é correr riscos, é se aventurar a todo instante, não tem como saber se o caminho que escolhemos é o melhor, o tempo dirá. Certo é que devemos espantar o medo de escolher e de tentar, melhor se arrepender por ter tentado, de outro jeito vamos ficar apenas imaginando como seria. Divagações... aprendizados/ escolhas É inegável que a medida que o tempo passa vamos aprendendo mais e mais sobre quem somos, sobre a vida e tudo que a envolve. A compreensão e aceitação de fatos e acontecimentos que nos envolvem e permeiam a nossa existência nos trás paz. Nem tudo conseguimos entender, mas isso já é um aprendizado, percebermos que certas coisas não entenderemos nunca. Em cada fase de nossas vidas importantes aprendizados irão ocorrer. E todos são significativos para o nosso crescimento pessoal. Verdade é que no aprender a viver, está aprender a respeitar o outro. Aprender a se doar, aprender que o outro tem tantos direitos e deveres quanto eu. Aprender que nunca saberei tudo, que estarei sempre “aprendendo” . Perceber que tudo é impermanente, e é aí na impermanência que está o aprendizado. . Quando aceitamos o desapego e a impermanência, nos encaminhamos para conseguir a paz tão almejada. Só assim para haver evolução. O crescimento interno acontece na medida em que aproveitamos nossas experiências. Ciclos, a vida é feita disso. Temos que ser meio camaleônicos e nos adaptar, ou então, mudar tudo de novo e nos rebelar. Aprender a sorrir mais, a abraçar mais, a amar, a ser gentil, ter compaixão, se colocar no lugar do outro, sublimar, abstrair, relaxar, contemplar mais. Aprender a conviver com a Aprender a sermos mais humildes, modestos e honestos. Aprender a nos doarmos mais! Quando nos doamos, nos entregamos, e a entrega faz com que a gente consiga aproveitar os momentos de uma forma mais completa. Abusar da sinceridade, ser verdadeiro, leal, autêntico. Aprender a ser “desafetado”, afetuoso, tem pessoas que não conseguem demonstrar o que sentem, tem que aprender. Ser fiel com tudo e com todos. Com nossas crenças e ideais, com nosso companheiro ou companheira, com nossos Acredito que uma forma de escolher é propósitos de vida. com o coração, dificilmente ele erra, a intuiSermos nós mesmos, mas não esque- ção também ajuda. A primeira impressão, a cendo que viver é aprender , e que nada é primeira ideia que tivemos, normalmente é o imutável, que podemos errar e acertar, e nos caminho mais acertado. Deixar o medo de decepcionar, mas é só assim que melhora- lado e agir. Fazer a nossa história, acertando mos como pessoas, e só assim conseguimos e errando. Arriscando! Correr riscos dá menos relacionar com o outro, trocando, nos co- do, mas nos ajuda a alcançar nossos sonhos. nectando com o mundo. È fato que tudo isso Muita segurança diminui a nossa liberdade e acontece, é importante, mas o que mais pre- vice versa. Temos que dosar com ousadia e cisamos aprender é sobre o amor. Amar os coragem. Viver é isso, não arriscar é perigooutros, amar a si mesmo. A vida é movida so, não experimentar é tedioso. “Vambora” por ele. Pode ser até que alguns discordem, viver a vida que ela não espera, escolhas, mas acredito muito nisso. Não encontrei até aprendizados... nossa história! hoje nenhum sentimento que o supere. E por amor, nós mudamos, nós tentamos, nós sofremos, nós rimos sozinhos, muita coisa boa e muita coisa ruim, é feita em nome dele. A vida está sempre nos cobrando atitudes, estamos sempre tendo que escolher, sem mesmo nos darmos conta de que fazemos isso a todo instante. A maior parte das nossas escolhas diárias fazemos sem perceber. Não há grandes consequências quando o fazemos. Mas a vida às vezes nos apresenta aquelas escolhas que são muito difíceis, e que nos tiram o sono, a fome, dói o estômago, a cabeça, a gente já não raciocina. O que fazer? Viajar ou não viajar; mudar Mariene Hildebrando Especialista em Direitos Humanos Email: marihfreitas@hotmail.com Porque precisamos fazer a Reforma Política no Brasil? Seus impostos merecem boa administração. Bons políticos não vem do nada. Para que existam bons políticos para administrar o país, toda a sociedade precisa colaborar para que eles possam nascer e terem sucesso. É preciso um sistema eleitoral moderno para melhorar a qualidade da política. Os políticos "tradicionais" tem horror à reforma política, porque ela pode mudar a situação atual onde eles usam e manipulam o eleitor e são pouco cobrados ! DESIGUALDADES Os contrastes sociais são responsáveis por todas as desigualdades raciais, étnicas e interculturais. Mesmo em tempos pós emancipação quem tem muita melanina, na maioria das vezes, é olhado de canto, é temido. Julgado e culpado. Prostrado à marginalização e banalidade. Jogado à sorte do destino. É triste ver que muitos são obrigados a sobreviver com pouca coisa, enquanto poucos riem e fazem de tudo um circo, vivendo bem e muito bem, "com muitas coisas" O problema da desigualdade social não é a falta de dinheiro para muitos, e sim o excesso na mão de poucos. www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Março 2016 Gazeta Valeparaibana Página 6 Dia 15 - Dia da Escola EDUCAÇÃO DE QUALIDADE E LEITURA as escolas não são equipadas com o mínimo necessário, muitas vezes, para os professores trabalharem, faltam escolas e das escolas existentes algumas estão caindo aos pedaços. Falamos da escola pública, mas o rendimento da escola particular também não é dos melhores. Constata-se, não é de hoje, que a educação, neste nosso Brasil, está caminhando para a falência, infelizmente. E não está se fazendo muita coisa para mudar isso. Se a escola não melhorar, se a educação não tiver mais qualidade, essa lacuna que é a falta de tempo, a impossibilidade de incluir aulas de leitura e interpretação no conteúdo programático, para incutir o gosto pela literatura em nossos leitores em formação continuará. Dia desses, estava num grupo de pessoas falando sobre livros, leitura e leitores e em se falando disso, a realidade indisfarçável não pode deixar de vir à tona: lê-se muito pouco no Brasil. O brasileiro lê pouco. Aliás, até fora do Brasil o brasileiro lê pouco. Nossa amiga batalhadora das letras, catarinense radicada na Suiça, Jacqueline Aisenman, com o sucesso da sua revista literária eletrônica Varal do Brasil, mais as antologias, que divulgam a literatura brasileira pelo mundo afora, resolveu abrir um livraria com títulos em português em Genebra. Uma livraria com livros de autores brasileiros, primordialmente, para leitores brasileiros, para a colônia brasileira que, como Jacqueline, vive na Suiça. Pois teve que fechar depois de alguns meses, pois os brasileiros que vivem lá também não compram livros. Então há que se fazer a pergunta que não quer calar: o que é preciso para incentivar o hábito da leitura, para fazer com que o brasileiro leia mais, que se interesse mais pela literatura? O consenso foi que o preço do livro, a falta de bibliotecas, o pequeno número de livrarias existentes no Brasil não são, exatamente e exclusivamente, os culpados disso. A educação em nosso país é que é deficiente, não está fazendo o seu papel como deveria. A educação brasileira está num processo crescente de deteriorização: o sistema de ensino sofreu mudanças, nos últimos anos, que ao invés de melhorar o aprendizado do primeiro e segundo graus, complicaram métodos que estava funcionando até então. A alfabetização, no primeiro grau, no sistema antigo, possibilitava que os alunos aprendessem a ler e escrever no primeiro ano. Hoje, com alterações equivocadas, existem crianças no terceiro ano – considerando-se que foi aumentado um ano do ensino fundamental, com a inclusão do pré – e até no quarto que não conseguem dominar, ainda, a leitura e a escrita. Os professores são mal pagos, falta treinamento, qualificação, E nossas crianças, nossos estudantes crescerão sem estímulo para a leitura, crescerão sem gostar de ler e, além de não comprar livros, entrarão na vida adulta e enfrentarão o mercado de trabalho sem qualificação para conseguirem um bom emprego. E, consequentemente, não terão uma boa renda, o que os impedirá de comprar bons livros. É uma bola de neve: se os pequenos leitores em potencial não aprenderem a gostar de ler, não terão muito gosto pelo estudo, pois estudar significa ler, o que significa também que terão que trabalhar mais e ganharão menos, tendo menos tempo e dinheiro para boas leituras. E não saberão nem aproveitar oportunidades mais baratas, como as bibliotecas e sebos que existem. E os filhos deles terão o mesmo destino, pois em casa que não tem livro, crianças não poderá gostar de livros, pois não se gosta de uma coisa que não se conhece. E a bola de neve continuará rolando. Não é uma nova descoberta, mas a verdade é que precisamos de mais atenção e mais dedicação do poder público pela educação, para que ela seja recuperada. Se não tivermos uma educação decente, nossas crianças não serão adultos que gostarão de ler e a maldição, aquela que reza que “brasileiro não lê”, continuará a rondar nosso país. De maneira que a solução para que se leia mais é, mais do que tudo, uma educação de qualidade. Precisamos cobrar isso de nossos governantes. Antes que seja tarde demais. Existem professores dedicados e abnegados, em nossas escolas públicas, que apesar das dificuldades e do pouco reconhecimento, são exemplos, ao mostrar como fazer para que nossas crianças gostem de ler. Como a professora Mariza Schiochet, em Joinville. Luiz Carlos Amorim Nelson Rodrigues As grandes convivências estão a um milímetro do tédio. Com sorte vc atravessa o mundo, sem sorte vc não atravessa a rua. Começava a ter medo dos outros. Aprendia que a nossa solidão nasce da convivência humana. Copacabana vive, por semana, sete domingos. D. Helder só olha o céu para saber se leva ou não o guarda-chuva. Desconfie da esposa amável, da esposa cordial, gentil. A virtude é triste, azeda e neurastênica. Desconfio muito dos veementes. Via de regra, o sujeito que esbraveja está a um milímetro do erro e da obtusidade. Deus está nas coincidências. Dinheiro compra tudo, até amor verdadeiro. É preciso ir ao fundo do ser humano. Ele tem uma face linda e outra hedionda. O ser humano só se salvará se, ao passar a mão no rosto, reconhecer a própria hediondez. É preciso trair para não ser traído. Em muitos casos, a raiva contra o subdesenvolvimento é profissional. Uns morrem de fome, outros vivem dela, com generosa abundância. Entre o psicanalista e o doente, o mais perigoso é o psicanalista. Está se deteriorando a bondade brasileira. De quinze em quinze minutos, aumenta o desgaste da nossa delicadeza. Eu me nego a acreditar que um político, mesmo o mais doce político, tenha senso moral. Existem situações em que até os idiotas perdem a modéstia. www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Março 2016 Gazeta Valeparaibana Página 7 Contos, Poesias e Crônicas BEIJO AZUL sas, penteavam seus longos cabelos, golfinhos mergulhavam atrás de lindos corais falantes por entre um jardim que crescia do fundo do mar com flores dançantes cercadas de peixinhos dourados e prateados que brilhavam e inundavam o mar com suas cores. E contava a lenda que havia no fundo, bem no fundo, um mago que jogava neve no mundo. Tudo isso, encantava as crianças perdidas no mar. Tão espantados ficaram que até esqueceram a preocupação de voltar para casa e quando menos esperavam aqueles seres vieram brincar com eles e os atraíram mais ainda. As crianças estavam tão emocionadas e nem perceberam o tempo passar até que os personagens se aproximaram para convidá-los a brincar. Mas Tainá logo lembrou que tinham de voltar porque estava ficando tarde, porém, um dos peixinhos voadores avisou que naquele lugar o dia não acabava e poderiam brincar o quanto quisessem e David entusiasmado já queria ficar, quando as meninas retrucaram, pois os pais, àquela altura, já deveriam estar preocupados. Só que eles não sabiam como fazer para voltar e Flor desesperada, chorou deixando cair uma lágrima que brilhou sobre a água e dela surgiu uma fada de nome Ondina. Ela cuidava daquele lugar sagrado e sempre que alguma criança chorava era o sinal de que alguém precisava de ajuda. Ofegantes explicaram o que aconteceu, ela os acalmou e disse que poderiam ficar mais um pouco para conhecer melhor o lugar e se divertirem com os novos e mágicos amiguinhos. Ela daria um jeito de voltarem sãos e salvos para seus pais dando-lhes um pozinho que os transportaria de volta a tempo e poderiam usá-lo sempre que quisessem. Conversaram sobre o assunto, decidiram voltar para terra firme comprovando se o pozinho realmente funcionaria e seus pais estavam bem, pois se tudo desse certo retornariam sempre que quisessem despreocupados. Ondina recomendou-lhes que colocassem um pouco do pó mágico sobre a cabeça e imaginassem lugares fantásticos. Feito isso, iniciaram a jornada de volta. Despediram-se de todos e agradeceram por tudo. Logo após colocarem o pozinho sobre suas cabeças, fecharam os olhinhos e, ao mesmo tempo em que imaginavam lugares mágicos, viram-se passando por túneis coloridos e em redemoinhos que rapidamente os conduziam por entre luzes brilhantes despejando-os calmamente com o barco sobre as águas do mar, pertinho de onde moravam e chegaram seguramente. Em suas casas, tudo estava tranquilo e foram recebidos sem nenhum problema. David ficou envaidecido quando seu pai o elogiou por ter levado as meninas para o passeio em segurança. Durante alguns dias, cada um dormia com o pozinho embaixo do travesseiro e quando iam para a escola o levavam junto. Mas era preciso encontrar um lugar bem protegido para guardálo enquanto não o usavam para não correr riscos de alguém achar ou de perdê-lo. – Uma missão difícil, quase impossível. Em pouco tempo tiveram uma grande e feliz ideia e finalmente encontraram um lugar secreto que além de deixá-los tranquilos, jamais alguém encontraria. Que lugar seria esse? Ah! Eu, autora dessa história, achei incrível esse lugar. Mas, como cúmplice desse segredo... Jamais revelarei. Escritora mirim – (dez anos) As ondas vinham mansas e devagarzinho molhavam aqueles pezinhos que saltitantes espirravam água o bastante para que molhassem suas roupas e, alegremente, fazia-os gritar de euforia. David parecia um macaquinho: magricela de cabelo enroladinho pulava até perder o fôlego, jogava-se na água e começava de novo. Sua irmã Flor ria muito das traquinagens do irmão, Tainá, melhor amiga dos dois, jogava água na Flor, mas, quando David a molhava, trancava a cara e ficava brava. Os três moravam à beira da praia e estavam sempre juntos, iam cedo para a escola e quando voltavam, almoçavam, faziam o dever de casa e saiam para brincar até o Sol se por. O clima sempre quente do lugar tardava o escurecer e como os dias eram mais longos, tinham a vantagem de brincarem mais do que crianças que moravam em outros lugares. O pai de David e Flor era pescador e aos domingos, seu dia de folga, levava os três para passear no barco de pesca até o alto mar. Ensinava o filho conduzir o barco, pois notava que ele levava jeito, quem sabe quando atingisse mais idade iria acompanhá-lo nas pescarias, com os dois juntos haveria possibilidade de aumentar a renda e David, cada vez mais, empenhava-se para aprender tudo com o pai. Certo dia, o pescador acordou indisposto e não pode levá-los ao passeio e, David, confiante que poderia fazê-lo, insistiu para deixá-lo ir com as meninas convencido de que saberia levar o barco. O pai concordou, mas, recomendou-lhe que ficasse mais para a beira e não se atrevesse a enfrentar o alto-mar. David todo cheio de si preparou o barco, vistoriou todos os acessórios e equipamentos para fazer um passeio seguro, afinal, seria o responsável pelo divertimento de todos. As meninas empolgadas pela aventura trataram de preparar comes e bebes e agasalhos. Todos prontos, zarparam bem cedo e lá foram... David dominou o barco tão bem que seu pai ficaria orgulhoso de vê-lo. O dia estava claro, o céu azul da cor do mar e nenhuma nuvem anunciava a possibilidade de chover, tudo favorecia o passeio. Alegremente seguiram cantando, rindo, deliciavam-se nas guloseimas e parecia que a paisagem reverenciava a independência deste dia que David tão bem conduzia. Depois de algumas horas, David resolveu fazer uma surpresa desviando o roteiro em direção ao alto mar, ao perceberem, as meninas foram logo indagar com ele que por sua vez, tentou acalmá-las na certeza de que nada aconteceria. Flor aceitou e resolveu aproveitar, mas Tainá ralhou com ele preocupada com seus pais e receosa dos perigos que poderiam enfrentar. O barco deslizava tranquilamente até que de repente as ondas aumentavam cada vez mais, transpunham por elas aos solavancos que os faziam agarrar-se gritando com medo do barco virar. David perdeu o controle do barco e estavam cada vez mais perto da linha entre o céu e o mar. Assustados e sem conseguirem voltar porque o mar estava bem agitado, foram parar no “Beijo Azul”, onde o mar parece beijar o céu, na linha do horizonte. O “Beijo Azul” era um lugar mágico, onde encontraram seres encantados que nunca imaginaram existir. Dragões brincavam com peixes voadores, sereias sentadas sobre pedras, vaido- POESIA DA MULHER Genha Auga Anda a passos largos; o caminho é árduo. Rastros de melancolia... Pensa no que precisa e não se enfraquece, quer ser atendida, quer ser ouvida. Diminui os passos, sente que Deus a empurra. Não se desespera, entrega se e voa... Nessa relação de Deus e a mulher, quando o medo lhe tira a alma, a mão divina lhe mostra a grandeza. Nas adversidades e aflições, quando tudo parece pior, acontece o milagre... “Ele” lhe põe à frente seu atributo natural; guerreira, alicerce da família, raízes entrelaçadas com sentimento e cumplicidade, engrandece a vida do homem e a sua própria. Assim faz, não é missão e sim vocação. Sabe lidar com seu fraco para ser forte, não rema contra a maré; cansa os braços. Amadurece, esquece a dor e coloca-se divinamente no Universo. Tem a natureza do aprimorar, Mãe da Terra traz ao mundo o amor, amor que enfrenta desafetos, amor que se fortalece na trilha da jornada. Abraça os filhos, cuida do pai, vela também pela mãe. Seu gesto nobre muda o caráter do menino, muda o destino do homem. Essa é a mulher. Beleza eterna onde a vida se renova. TAINÁ DIAS www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Março 2016 Gazeta Valeparaibana Página 8 Dia da Água e das Florestas Grito de Alerta A Terra está definhando, temos que fazer alguma coisa... fonte está secando e podemos todos morrer de Temos que cobrar, fiscalizar e punir as pessoas, inanição. empresas e governos que estejam destruindo o meio-ambiente. Devemos ensinar as novas geraQuando vemos o Amazonas, o rio de maior voluções o valor e a importância da natureza e o comme de água do mundo passar por gravíssima estipromisso que temos que ter quanto a sua preseragem, com os peixes morrendo na secura dos vação. É fundamental que deixemos de fazer apeleitos dos rios que compõem a bacia hidrográfica nas discursos e aprovar leis que pouco represendo norte do Brasil e os pescadores pegando o seu tam na prática para a defesa da natureza. ganha pão com as próprias mãos temos que ficar muito mais preocupados e reorientar as nossas Seria aconselhável, por exemplo, que nas escolas existisse desde as primeiras séries do Ensino ações. Fundamental, quem sabe até mesmo antes disso, Dizem os chineses que a morte de uma simples ainda na Educação Infantil, um espaço exclusivo borboleta afeta de algum modo os rumos da vida para se ensinar respeito, dedicação, apreço e até em nosso planeta. O que dizer então da predatómesmo amor pela natureza. O que é, para que ria forma de exploração dos recursos empreendiserve, quais são as variedades e espécies, o que da pelos homens ao longo dos últimos 300 anos podemos fazer para preservar e tantas outras com o advento do sistema industrial de produção questões teriam que ser parte do currículo escolar e seus afins surgidos posteriormente? desde a mais tenra idade. Quantas árvores são necessárias para a produção Somente dessa forma seríamos capazes de inculde papel? O que é jogado fora nesse processo? car em nossas crianças e jovens as lições necesDe que modo podemos reaproveitar o papel ou a sárias de preservação do meio ambiente. Lições madeira proveniente de objetos e produtos que que ainda não aprendemos bem e em relação às irão ser jogados no lixo? Quais são os procediquais temos que fazer constantemente as lições mentos mais eficazes para acelerar e reiterar o de casa. plantio de árvores? Apagar as luzes em ambientes em que não há Quanto custa a recuperação de rios poluídos? Em ninguém, não deixar eletrodomésticos ligados que países esse trabalho já foi realizado com susem necessidade, consertar os vazamentos das cesso? A despoluição não acontece pelos custos torneiras de nossas casas, separar o lixo reaproou pela falta de vontade política? O que estareveitável para as usinas de reciclagem, usar com mos legando as novas gerações se queimarmos mais freqüência à luz solar ao invés da luz elétrinossas florestas ou continuarmos a poluir os rios? ca, jogar o lixo na lata de lixo, desligar as torneiras Que espécies naturais já desapareceram e serão enquanto se ensaboa o corpo ou escova os denconhecidas apenas a partir de fotos e livros? tes e tantas outras medidas de racionalização reQuais são os animais ameaçados de extinção no lativas aos hábitos do cotidiano são os deveres de presente momento e o que está sendo feito em todo e qualquer cidadão que tiver um mínimo de favor desses bichos? O que estamos deixando de consciência. saber quando promovemos o sumiço de espécies As crianças aprendem a partir de nossos exemvegetais ou animais? Os lucros imediatos obtidos plos. Se quisermos que elas efetivamente particiatravés dessas ações causarão que prejuízos papem dessa luta pela preservação do planeta tera o futuro da humanidade? mos que mostrar que estamos engajados e aginPerguntas, perguntas e mais perguntas se acumu- do de forma efetiva nesse sentido. lam e parecem ter respostas que não satisfazem Não adianta mais pronunciar belos discursos. O completamente por não deter a destruição. Todos tempo lá fora não para e a destruição segue seu os remédios tomados até o presente são suaves e ritmo cada vez mais voraz a consumir as entradoces demais para realmente significar a solução nhas da terra, a pureza dos rios, a fertilidade dos dos problemas do planeta. solos, a vida das espécies vegetais e a existência O avô de minha esposa costumava dizer a ela de inúmeros animais. que somente remédios amargos conseguem reSe não pararmos as máquinas que devastam, o solver realmente as doenças, sejam elas simples desperdício que inutiliza, as ações que consomem ou complexas. Reitero esse pensamento sábio e desmesuradamente e a violência que agride o reafirmo a necessidade de políticas públicas mais ambiente... Corremos o sério risco de sermos os severas e rigorosas no combate ao desperdício, à próximos na lista de animais em extinção... poluição, ao desmatamento, ao apresamento de animais silvestres, as queimadas ou a emissão de João Luís de Almeida Machado poluentes na atmosfera. Nos últimos dias, meses e também anos temos vivenciado uma autêntica montanha-russa de alterações climáticas. Invernos mais quentes do que deveriam ser, chuvas em demasia, estiagens prolongadas, verões antecipados, quedas bruscas de temperatura, furacões e tornados em grande quantidade e até mesmo maremotos tem provocado a ruína de agricultores, a destruição de cidades e a morte de milhares de pessoas. O planeta Terra está gritando alto. Os especialistas sabem disso e acompanham com atenção as grandes e pequenas alterações que acontecem ao redor do planeta em busca de novas informações que possam ajudá-los a compreender melhor os problemas e levá-los a soluções. A tecnologia tem sido utilizada com o intuito de detectar as dificuldades ou mesmo sanar alguns desses infortúnios. Novos equipamentos são criados nos laboratórios de todo o mundo. A coleta de dados aprofunda-se e quanto mais ficamos sabendo mais tomamos consciência de que a resposta para os problemas não depende de soluções mirabolantes ou de máquinas maravilhosas. O melhor e mais eficaz caminho passa necessariamente pela racionalização do uso dos recursos naturais. Tudo depende basicamente da ação dos seres humanos, de sua capacidade de gerir o mundo que está ao seu redor, de evitar as perdas e desperdícios. Reciclar virou palavra-chave nesse difícil quebracabeça da preservação ambiental. Poupar também é pedra de toque para a sobrevivência da Terra e da própria humanidade. Recuperar áreas devastadas ou impedir o avanço das queimadas e das motos-serra sobre as florestas é de vital importância. Em termos gerais isso tudo significa que temos que ir com menos sede ao pote, pois a www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Março 2016 Gazeta Valeparaibana Página 9 Discutindo a Educação GREVE DOS PROFESSORES: O INÍCIO DE 2016 Rede Municipal de Fortaleza-CE. Os professores cobram melhorias salariais e repasse de verbas. Não aceitaram o parcelamento proposto em 12/02/2016, pelo prefeito Roberto Cláudio (PSB), em duas vezes, do reajuste de 11,36%, nem o pagamento dos anuênios devidos pelo município, que somam R$ 49 milhões, apenas a partir de agosto. Também reivindicam o repasse do Fundeb. Rede Estadual de Piauí. Proposta do governo em parcelar o reajuste de 11,36%, referente ao aumento de 2015, em três vezes. O governo concedeu apenas 9% de reajusto, e os 4% restante seriam parcelados em duas vezes em janeiro e fevereiro. Em uma nova proposta, o governo sugeriu pagar, em fevereiro 4,5% do retroativo referente a janeiro, 2,5% em agosto e o restante em novembro. O governador Wellington Dias (PT), diz que a greve é insensata e que vai acionar a Justiça contra a greve dos professores. Rede municipal de Marabá-PA. Cobram a hora-atividade, revisão no plano de carreira, conforme foi aprovado em 2011, e também reclamam da falta de infraestrutura e superlotação de salas. O prefeito João Salame (PROS), alega que os repasses do Fundeb não cobre a dívida com a folha de pagamento dos professores, e que se pagar professor, a cidade para. Rede municipal de Natal-RN. Os professores cobram a apresentação do calendário de pagamento da reposição salarial, correção do piso salarial e rediscutir o reordenamento da rede de ensino. Os professores alegam que houve quebra de um acordo de 2013 sobre a reposição salarial, em que as parcelas não foram cumpridas em junho e novembro de 2015. A Secretaria de Educação, sob a tutela do prefeito Carlos Eduardo Alves (PDT) apresentou uma nota, sobre a pauta dos professores, afirmando que não iria se pronunciar, pois, estava envolvida na programação de combate ao Aedes aegypti nas escolas e, por isso, não parou para analisar cada ponto reivindicado pela categoria. Rede municipal de Lauro de Freiras-BA. Reivindicam que os alunos e docentes possam voltar a participar da eleição direta do diretor escolar. Em 2015 o prefeito Dr. Marcio (PP), criou uma emenda que determina que será o poder executivo que vai indicar os gestores dos colégios, e não a comunidade escolar. Além dessa pauta, os professores também pedem melhorias na infraestrutura das escolas municipais. Professores da rede municipal de UbatãBA. Os professores alegam que a prefeita Simeia Queiroz (PSB) se nega a cumprir a Lei do Piso.Pedem reajuste no piso salarial e que sejam ajustadas algumas atividades que já eram realizadas pelos docentes, mas que foram suspensas como regência de classe e atividade complementar. Professores da rede municipal de Feira de Santana-BA. Cobram o cumprimento de 1/3 da carga horária para atividades fora da sala de aula, conforme a Lei do Piso. O prefeito José Ronaldo (DEM) disse que precisa contratar 610 novos profissionais, mas que não tem como fazer de imediato, uma vez que só restam 50 aprovados no último concurso realizado pela prefeitura. Professores da rede municipal de Antonina -PR. Reajuste salarial, de acordo com a lei do piso. Aprovação do plano de carreira, em que estão em negociação desde 2014. O prefeito Wilson Clio de Almeida Filho (PSC) afirma que enviou a documentação para aprovação da Câmara Municipal. Professores da rede municipal de Cabo Frio-RJ, cobram o pagamento do salário de dezembro de 2015 e o 13º. No estado do Rio de Janeiro, os professores cobram o reajuste salarial e melhores condições de trabalho. Também questionam o novo projeto de reforma previdencial que amenta o desconto de 11% para 14%. Por fim, discute-se agora a greve dos professores da Rede Pública Estadual de São Paulo. Os professores já se articulam sobre uma possível greve, uma vez que, mesmo após uma greve de 92 dias, o governo não apresentou nenhum reajuste e para este ano de 2016 também não há nenhuma perspectiva de aumento de salário. Também há indicativo de greve em Aracaju (SE). O atraso no pagamento dos salários, falta de condições de trabalho e descumprimento dos direitos estão entre a pauta dos professores. Como já afirmamos acima, conhecer a pauta histórica dos professores no Brasil não requer nenhum nível avançado de intelectualidade. Basta levantar da cadeira, ir até uma escola pública próxima da sua residência e ficar por lá durante algum tempo. Guardada as devidas proporções, nos casos acima o único que foge aos exemplos é o município de Lauro de Freitas-BA, que reivindicam algo chamado “democracia”, para a escolha dos diretores de escola. Diga-se de passagem, algo impensável no século XXI. Quanto aos discursos dos nossos representantes, notem que há certa sintonia nos discursos, com a exceção do Dr. Márcio (prefeito de Lauro de Freitas), via de regra, o discurso é: “não há verba”, “temos que organizar a lei orçamentária”, “temos que cumprir com a lei de responsabilidade fiscal”, etc, etc, etc. Enquanto isso, você, pagador de impostos, continua ai sentado, vendo a banda passar e seu filho ser empurrado ano após ano. Se você tem alguma notícia sobre a greve do seu estado/município, e gostaria que nós comentássemos sobre ela no nosso programa, entre em contato. Será um grande prazer gravar uma entrevista e ajudar a colocar para a sociedade o que acontece entre os muros da escola. Estamos iniciando o mês de Março de 2016 e as greves dos professores começam a eclodir pelo país. Oportunamente, no ano de 2015 presenciamos várias greves pelo Brasil. Os artigos frutos desses acompanhamentos podem ser acessados nas edições passadas deste jornal e no blog www.eagorajoseprograma.blogspot.com Mais recentemente, nosso artigo de janeiro de 2016 trouxe como título “2016 será o ano da greve dos professores”. Sem pestanejar, adiantamos que este ano será difícil, uma vez que no final de 2015 prefeitos, governadores e seus respectivos secretários estavam se articulando para barrar qualquer tipo de reajuste salarial. Dito e feito, este ano mal iniciou (ainda mais considerando que as aulas retornaram após o carnaval) e as greves começaram. Não precisa ser muito inteligente para saber o que os professores reivindicam. Via de regra, podemos juntar tudo em três grandes frentes: 1. O reajuste salarial. 2. O cumprimento da Lei 11.738/2008 (a lei do Piso Salarial do magistério, que estabelece, principalmente, o piso nacional salarial e o cumprimento de 1/3 da carga horária do professor destinado às atividades extra-classe). 3. Melhoria das condições de trabalho do professor. Sem querer entrar na história da educação brasileira, é fato que essa luta é quase uma viagem no tempo. Governos mudaram ao longo da história e não proporcionaram a melhoria da qualidade do ensino no Brasil. Quanto muito, apenas o discurso se mantem afinado: “A educação é prioridade no meu governo”. Na prática, realmente o é, através do superfaturamento de obras, desvios de verba do Fundeb, máfias da merenda e por ai vai. Professores se reúnem no vão livre do MASP em 03/04/2015. Foto: Ivan Claudio Guedes. Trazendo um breve balanço das greves que temos até este momento, podemos citar as seguintes: Ivan Claudio Guedes Geógrafo e Pedagogo. ivanclaudioguedes@gmail.com www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Março 2016 Gazeta Valeparaibana Página 10 Cultura simbólica (artigo continuado) O BRASIL NUNCA FOI UMA COLÔNIA! “A expansão portuguesa não foi, nem fruto do acaso, nem um feito político da Coroa ou de cortesão esforçados, antes a missão de uma Ordem iniciática.” ção são páginas de um só livro, de sorte que não se engrandece ou se enobrece uma Nação subtraindo registros, caluniando sua fundação ou ajustando a história ao convencionado. O “desconhecimento” destas lições é o sustentáculo do credo marxista “a mais influente força obscurantista da história contemporânea” (in: SALGADO, Plínio. Manifesto de Outubro de 1932 (Edição do Cinquentenário). Resulta deste cenário de “falta de memória” uma lamentável lacuna na História e Identidade de ambos os países, com graves prejuízos e repercussões para o Futuro, entendido aqui como expressão do Quinto Império. Ciente disso, ampliando horizontes na defesa da salvaguarda e da preservação, sem preconceitos, da história e identidade lusobrasileira, está o pensamento de Tito Lívio Ferreira. O Brasil Não Foi Colônia, conferência proferida na Sociedade de Geografia de Lisboa em 27/06/57 constitui uma espécie de tese que perpassa duas obras do mesmo autor: A Ordem de Cristo e o Brasil (Ibrasa, 1980) e História da Civilização Brasileira (Gráfica Biblos, 1959), esta última, escrita em conjunto com seu irmão, Manoel Rodrigues Ferreira. Afirma Luiz Tenório de Brito no Prefácio da História da Civilização Brasileira: “Até metade do século passado a palavra colônia era desconhecida da história tricentenária da comunidade luso-brasileira. Foram os historiadores brasileiros que a introduziram nas suas obras, Porto Seguro à frente. Portugal jamais o fez”. Na elucidação desta tese, os autores traçam os argumentos comprobatórios e afirmam, dentre outros dados, que dentro do universo de implicações da palavra colônia é necessário distinguir entre naturalidade e nacionalidade, mais, que, em fins do século XVIII, não se confundia naturalidade com nacionalidade: Taques, Frei Gaspar, Rocha Pita e todos os cronistas do Estado do Brasil, ou do BrasilProvíncia. O fato de Bluteau definir, em começo do século XVII, a palavra colônia, ele não quer dizer que o Estado do Brasil fosse colônia, afirma Tito Lívio(op. cit., 1959, p.77). Tito Lívio (1980, p. 67) falando sobre a imigração de casais portugueses que vieram juntos com o Padre Manoel da Nóbrega afirma: “Todos são portugueses, com exceção de Aspicuelta Navarro, porque natural de Navarra, na Espanha. Até fins do século XVIII, não existia o princípio da nacionalidade instituído em 1792, com a proclamação da primeira República Francesa. Nesse caso, o vassalo tinha apenas naturalidade e não nacionalidade. E se estivesse a serviço do Rei de Portugal, era considerado português para todos os efeitos. O autor alerta igualmente para a imprudência literária que faz confundir ou sobrepor o significado da palavra colônia à idéia de feitoria (com sentido similar ao aplicado às colônias militares romanas): De 1500 a 1532 os Portugueses construíram feitorias na costa da Província de Santa Cruz, para defender a terra dos piratas estrangeiros. Essas feitorias eram semelhantes às colônias militares estabelecidas pelos romanos como postos avançados no território conquistado. Nessas colônias militares romanas vigorava apenas o Direito Romano. Criado o município, o território era elevado à província romana. E ao lado do Direito Romano se formava o direito municipal, ou direito público dos munícipes. Ora, em 1532 os portugueses criam o primeiro município lusitano instalado em São Vicente. As feitorias passam a fortalezas. Perdem o sentido militar primitivo. E ao lado das Orientações do Reino onde se disciplinavam as leis desde Afonso V de Portugal, começa a surgir, de 1532 em diante, com o regime municipal luso-brasileiro, um código local para uso dos munícipes, para uso da terra (op. cit., 1959, p.37-38). Barbara Freitag (in: Capitais migrantes e poderes peregrinos, 2009, p.43) cita a obra de Nestor Goulart Reis Filho e seus colaboradores Beatriz Piccolato Siqueira Bueno e Paulo Júlio Valentino Bruna (Imagens das vilas e cidades do Brasil colonial, 2001) que reescreve a formação da sociedade colonial alertando para um fato inédito ou pouco conhecido: CONTINUA NA PRÓXIMA EDIÇÃO Manuel J. Gandra O Brasil Não Foi Colônia é o título de uma conferência proferida pelo historiador paulista brasileiro Tito Lívio Ferreira na Sociedade de Geografia de Lisboa em 27/06/1957. O Brasil Não Foi Colônia, longe de ser um título provocativo ou ingênuo, configura uma chamada de atenção, lançada em meados do século XX, que já na altura estava e, ainda está, na contramão da historiografia nacional, submetida à um pensamento marxista, árduo defensor de uma história republicana anômala, que privilegia as literaturas que se esmeram em “desmontar” a memória da monarquia portuguesa e, por conseguinte, do Brasil. Desafortunadamente, do outro lado do Atlântico, a historiografia nacional portuguesa enfrenta cenários de “desmonte” semelhante, embasados em fundamentos “aparentemente” distintos. As razões para isso são múltiplas, mas, sustentadas numa hermenêutica positivista, de saída, arbitrária e reducionista, sustentáculo das literaturas de compromisso que preferem ignorar a interrogar, sem penetrar a alma autêntica da terra e dos homens em busca de sua verdadeira essência. “Esse princípio jurídico da nacionalidade porA história do Brasil e de Portugal foi a mesma tuguesa dos brasileiros fora estatuído clarahistória até o século XIX, no sentido de que mente em 1605, pelo Conselho das Índias, os hoje dois Estados faziam parte da mesma mais tarde Conselho Ultramarino[…] Nessas comunidade nacional. Assim, as investiga- condições, os portugueses de Portugal e os ções que cobrem todo esse período devem portugueses do Brasil não se julgam colonos ser conduzidas investidas daquela porção de porque não eram. Assim, os Reinos de Portusoberania que ultrapasse as fronteiras do A- gal e Algarves, as províncias europeias e as tlântico. Indo mais e além, é mister, inclusive, de ultramar, inclusive o Estado do Brasil, considerar que, se a formação histórico-social componentes do Império Lusitano, governa-religiosa e político-administrativa de Portugal vam-se pelo corpo de leis disciplinares sob o deita raízes na Galiza, berço da nobreza por- título “Ordenações do Reino”, dividido em cintuguesa, por conseguinte, tais raízes são co livros que tratavam, o primeiro das autoritransplantadas para o Brasil, de modo direto dades e tribunais, com os respectivos auxiliaou indireto estão também aqui encarnadas. res; os segundos dos direitos dos soberanos, Assim, perpassa um eixo Galiza-Portugal- privilégios da Igreja e outras pessoas; o terBrasil que merece melhores estudos, incluso, ceiro do processo civil; o quarto do direito prisobretudo, os respectivos mitos fundadores, vado e o quinto do direito penal e processo sem os quais a história de Portugal permane- civil. Feita a separação política do Reino do ce como que lacrada à investigação, como Brasil do Reino de Portugal, a parte da legisbem evidencia a obra de Manuel J. Gandra lação civil portuguesa vigorou no Império do Brasil e na República até 1917, há 40 anos (in: Da Face Oculta do Rosto da Europa). atrás quando foi promulgado o Código Civil Sobre a gravidade do “desmonte” desta heBrasileiro” (op. cit., 1959, p. 39-40). rança, adverte Arlindo Veiga dos Santos (in: Idéias que marcham no silêncio, 1962): O Que o Brasil não foi colônia dizem-no João de Presente que nega o Passado não terá Futu- Barros, Pero de Magalhães Gândavo, Frei Viro. Todos os séculos da história de uma Na- cente do Salvador, Antonil, Bluteau, Pedro POR: Loryel Rocha Email: culturaseidentidades@gmail.com Site: http://www.imub.org/o-instituto/ Os artigos publicados são responsabilidade de seus autores, não refletindo necessariamente a opinião da Gazeta Valeparaibana www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Março 2016 Gazeta Valeparaibana Página 11 Entretenimento é cultura ceram... Várias tentativas para recuperar o trabalho que não foi “salvo” como deveria, ligou para um amigo especialista em informática e que muitas vezes já o salvara de outras situações - não aprendia a criar o hábito de escrever e ir “salvando” seus textos, sempre deixava para o final - seu amigo estava num ônibus voltando de viagem e lhe deu algumas alternativas que não deram resultados. Sugeriu que ficasse tentando, pois ele não podia mais continuar no celular, porque estava incomodando outros passageiros e assim que chegasse em caO dia foi um tanto tumultuado e chei- sa, ligaria para ajudar. o de imprevistos, um corre-corre, parecia O desespero bateu, as horas parecique tudo que planejara estava dando erraam passar mais rápido e dores espalharam do. -se por todo corpo. Até que teve uma ideia: -Tudo bem! - Pensou. Haverá uma “luz no “quem sabe na lixeira?” Foi uma realmente fim do túnel”. uma boa ideia, lá estavam elas devidamenApesar dos transtornos, bem no final te atiradas no lixo do computador. Como o da tarde chegou em casa e, apesar de tu- gato fez isso não se sabe, mas recuperou do, resolveu todas as questões que surgi- tudo, empenhou-se na revisão e as 22:40 ram. Cansado, mas aliviado pelo resultado horas tudo prontinho para enviar. Aff! Genha Auga – Jornalista – MTB.15.320 do tenebroso dia, abriu a porta e lá estava Surpresa pouca num dia como esse seu gato malhado desesperado de fome seria bobagem. Para completar o estresse, devido à demora do seu dono tenso pela bem no momento que foi direcionar o matechateação. rial por e-mail ao se editor, “caiu” a internet. O GATO SUBIU NO TECLADO letras misturadas e seus textos desapare- FRASES SOBRE MENTIRAS E MENTIROSOS “São necessárias muitas mentiras para sustentar uma”. *** “É bom mentir, mas não tanto”. *** Provérbio chinês: “Meia verdade é sempre uma mentira inteira”. [Adolf Hitler, de frente ao espelho, ensaiando a gesticulação de seus discursos] E O QUE ELES (E ELAS) DISSERAM: Napoleão Bonaparte: “A História é um conjunto de mentiras sobre as quais se chegou a um acordo”. *** Millôr Fernandes: “Jamais diga uma mentira que não possa provar”. *** Millôr Fernandes, de novo: “As pessoas que falam muito, mentem sempre, porque acabam esgotando seu estoque de verdades”. *** Hilda Roxo: “Não acredito que o homem goste das pieguices e mentiras da mulher: ele está, coitado, se tornando estéril pela luta e combate à mesma”. *** Federico Fellini: “Cinema-verdade? Prefiro o cinema-mentira. A mentira é sempre mais interessante do que a verdade”. *** Espínola Veiga: “Mentira, que importa? No amor, a mentira é como o sal: demais, salga; às pitadas, tempera”. *** Mark Twain: “Algumas pessoas nunca dizem uma mentira – se souberem que a verdade pode magoar mais”. *** Xiquote: “O amor à verdade é, em última análise, o amor às nossas próprias opiniões”. Mas, nada como um carinho e o ronronar - O que fazer? Bateu o desespero do seu animalzinho para lhe acalmar e afi- novamente, tanto trabalho e essa agora. nal ter um pouco de paz. Ligou para o provedor e explicou o probleTomou um café bem forte, um banho mor- ma, o operador foi o orientando para realino, sentou-se para verificar seus e-mails e zar procedimentos na tentativa de ajudá-lo, eis que uma mensagem inesperada para mas foi em vão. Naquele momento ele olhou para a janela com a tela de proteção, completar seu dia... olhou pro gato culpado e pensou: - não fosO editor da revista para a qual escrevia, em se a grade “o gato já teria ido” e agora seria virtude de acontecimentos inesperados pe- o computador. dia em caráter de urgência que enviasse Pensou em explicar para o editor os até meia-noite suas matérias antecipadafatos, mas, ao mesmo tempo achou que ele mente e preparasse mais algumas para “cobrir” um colunista que sofrera um aci- não iria acreditar nessa fatalidade absurda dente e precisava que fizesse isso para pu- e mais iria parecer uma desculpa esfarrablicá-las no espaço do colega e, além dis- pada para não assumir que não conseguiria so, iria antecipar o “fechamento” da revista atendê-lo. Viu-se demitido e sem credibilidaquele mês o quanto antes, por conta dos dade. Seria o fim, tudo acabado. Passou a odiar internet e toda tecnologia e felinos. feriados. Ficou parado, mergulhado em seus Apesar do cansaço e completamente sem pensamentos,olhou para o relógio do noteinspiração viu a necessidade de colaborar, book: 23:45 horas – e eis que luzinhas comediante a situação. meçaram a piscar e o sinal repentinamente Diante do computador e com pensamentos voltou. Rapidamente anexou o material, endesfocados, os ombros pesados,iniciou es- viou e solicitou que acusasse o recebimencrevendo alguns rascunhos sem parar de to. olhar no relógio que parecia “correr” contra Em seguida veio a resposta: o tempo. As ideias fugiam e ele sentia-se oco, mas, após horas de dedicação, escre“Recebido com sucesso e agradeço veu suas crônicas e outros artigos que a- a colaboração, você realmente é comprotenderiam ao espaço da revista. Respirou metido com o que faz e ainda me entregou fundo, levantou-se para tomar outro café e tudo faltando dez minutos antes do prazo levantar o ânimo para debruçar-se na revi- estipulado. Perfeito!” são e enviar o material. Ufa! Ufa! De novo. Ao voltar para sua mesa do escritóObservando seu bichaninho pensou, rio, quase teve um infarto – seu gato subiu “gatos sempre sobem em tudo e eu sei disno teclado – com as mãos na cabeça gritou so, porque então não aprendo a ir salvando tão forte e enfurecido que seu bichano pa- meus textos à medida que vou escrevendo receu criar asas de tão alto e rápido que ou a fechar meu notebook quando faço pulou, derrubando tudo e amedrontado com pausas?” o berro, escondeu-se, sumiu. Simples assim... Ah que desespero! A tela cheia de www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Março 2016 Gazeta Valeparaibana Página 12 Brasil E seu eu fosse candidato? E se eu fosse candidato? O que eu proporia? O mesmo que eu proponho como cidadão comum e eleitor. E o que eu entendo ser necessário para o Brasil melhorar? O mesmo que muita gente entende. Um, mudar o sistema da Educação escolar. Por exemplo, reformar o currículo escolar nacional conforme as reais necessidades, tanto de alunos quanto de professores. Federalizar a Educação para tornar a correção mais fácil de se fazer. Está muito claro que o atual modelo não satisfaz as necessidades da nação. As causas da má qualidade da Educação atual são diversas, como cultura escolar elitista, falta de visão estratégica, má gestão, desinformação da sociedade civil, interesses corporativistas, despreparo de professores, defasagem, abandono da escola por alunos. Soma-se ao equívico de pais de quererem terceirizar para as escolas a função de educar moralmente e comportamentalmente os seus filhos. O que mais me incomoda como cidadão e eleitor é que os problemas se arrastam a anos e ninguém toma providências para solucioná-los. Os políticos falam, falam, falam mas, só ficam falando e não tomam providências práticas quando estão no governo. Ou se tomam, não estão resolvendo. Se os problemas que prejudicam a qualidade da Educação no Brasil não forem solucionados, não há outro meio de transformar o Brasil num país realmente desenvolvido, não se deixe enganar, leitor! Sem população bem alfabetizada, não existe país desenvolvido no mundo de hoje, nesta nossa era. A única solução para as mazelas de qualquer país, não importa as suas condições geográficas, é um sistema de educação escolar pública e particular, de ensino primário e secundário, que seja excelente e tenha vaga para todas as crianças e adolescentes do país. que se refere a formar mão-de-obra capaz de produzir tecnologia avançada. E vinte anos é o tempo médio para se alfabetizar uma geração, ou seja, se começarmos hoje, vamos ver os resultados daqui a vinte anos. O Brasil hoje tem uma população grande. Mas falta médicos e o governo teve que chamar de outros países para cá. Falta também professores e diversos tipos de profissionais. A única explicação está na educação. Se tivermos uma população bem alfabetizada, muitos problemas sociais serão resolvidos pela sociedade, por conta própria. Por isso que eu entendo que educação escolar tem que ser investimento prioritário para qualquer governante. tante assim divergências partidárias, antes, acho que solucionar os problemas do país é prioridade. Eu não vejo a política de forma maniqueísta, de forma binária. Não enxergo um partido como totalmente bom e nem como totalmente mau. Eu acho que a realidade é mais cinzenta. Não é preta e nem branca. Mas, os interesses pessoais e corporativos falam tão, mas tão alto que dificultam colocarse em prática as medidas que vão solucionar os problemas do país. Problemas cujas soluções são urgentes. O Brasil, durante muito tempo, ocupou destaque somente no setor primário, com a agropecuária e o extrativismo (vegetal, mineral e animal). Atualmente o Brasil é considerado um país industrializado. Embora o Brasil possua hoje um enorme e variado parque industrial, a indústria brasileira tem competitividade fraca quando comparada com países desenvolvidos, como Estados Unidos, Japão, Alemanha, Coreia do Sul e outros. Porém, o Brasil tem uma agricultura forte. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, ou EMBRAPA, foi criada nos anos 70 para ajudar a agricultura nacional. O Brasil devia fazer uma empresa equivalente à EMBRAPA para ajudar o setor industrial nacional. Essa seria uma das minhas propostas, se eu fosse candidato. Proponho ao eleitor que faça pesquisas sobre como estava a situação da Coreia do Sul logo após a guerra da Coreia nos anos 50. E pesquise como está a Coreia do Sul hoje. Pesquise como estava a Finlândia nos anos 40 e pesquise como está a Finlândia hoje. O caminho a ser percorrido é uma ótima Educação escolar. E as disciplinas chaves são a língua nacional (no Brasil o português), as ciências exatas e biológicas, que formam mão-de-obra especializada capaz de produzir tecnologia de ponta. Não é que as ciências humanas, as artes e os esportes não sejam importantes. Com certeza são muito importantes. Mas as ciências exatas e biológicas peEu desejo governos que tomem atitudes e sam mais no progresso de uma nação naquilo mostrem resultados. Não considero tão impor- Dois, a infraestrutura o país precisa melhorar a sua infraestrutura de logística de transporte. O Brasil precisa se empenhar para melhorar a qualidade de suas rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos. Nós precisamos de uma malha ferroviária de trens como o Shinkansen ou Trem Bala japonês. Ou o TGV europeu. Uma malha ferroviária interligando todos os estados do Brasil e países vizinhos, para transporte de pessoas e também de mercadorias. Um sistema transporte rápido e com preço acessível aos passageiros. Um governo bom é um governo que se esforça para facilitar a vida dos seus cidadãos. O transporte público no Brasil faz o ciAté aqui, as propostas foram a nível nadadão que é usuário simplesmente sofrer. Na cional. Neste ano de 2016, vamos ter eleições data de hoje, 22/02/16, saiu uma notícia que, municipais. E se eu fosse candidato a prefeimesmo com modernização, o metrô de São to, o que eu proporia? Paulo ainda tem frota com mais de quarenta O que eu proponho, talvez não seja posanos. Aí, o leitor tira as suas conclusões. sível de se aplicar em todos os municípios do O Brasil tem uma hidrografia rica. Então, o país. Porém, sei que é aplicável em muitos. Brasil precisa começar a usar mais o meio Eu vivo no interior do estado de São Paulo e, hidroviário fluvial para transportes. O transjá morei no interior do Paraná e na capital de porte fluvial é o mais econômico e limpo. Ficar Goiás. Eis o que eu percebi que faz uma cidarecorrendo só a rodovias não é vantajoso pade pequena se tornar média: ser construído ra o país. Com o território que o Brasil tem, é na cidade um campus universitário com hosnecessário recorrer a diversos recursos que a pital incluído. É claro que com faculdades que natureza proporciona, e recorrer de forma ratenham grande demanda. Independente da cional. A EMBRAER começou a fabricar um universidade ser pública ou particular, vai imavião muito grande chamado KC-390, de uso pulsionar o ramo imobiliário, que vai impulsiomilitar, uma aeronave para transporte tático/ nar o comércio, e os serviços de saúde e melogístico e reabastecimento em voo desenvoldicina, e outros. Alunos vindos de fora vão vido, concorrente do C-130 Hércules, e pelo fazer com que haja um crescimento populatamanho desse cargueiro militar, eu imagino cional com poder aquisitivo considerável. A que, se ele puder ser adaptado para uso civil, indústria atualmente gera poucos empregos, para outras funções, poderia auxiliar também a universidade gera mais direta e indiretana solução dos problemas da área de saúde e mente. saneamento, e também na área de educação Por que eu não me candidato? Porque eu escolar para as regiões mais afastadas e isoladas como municípios na Amazônia, assim não aceito o sistema político-partidáriocomo transporte de mercadorias. É apenas eleitoral que funciona no Brasil. Mas, acredito uma imaginação minha, não sei se é possível nas minhas ideias. fazer algum tipo de adaptação. João Paulo E. Barros www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Março 2016 Gazeta Valeparaibana Página 13 Dia do consumidor e da saúde As grandes industrias farmacêuticas bloqueiam medicamentos que curam, porque não são rentáveis O Prémio Nobel da Medicina Richard J. Roberts denuncia a forma como funcionam as grandes farmacêuticas dentro do sistema capitalista, preferindo os benefícios económicos à saúde, e detendo o progresso científico na cura de doenças, porque a cura não é tão rentável quanto a cronicidade. Em matéria por mim publicada com o título "Rede Globo e Dráuzio Varella se vendem ao Lobby nojento e orquestrado das indústrias químicas e farmacêuticas" abordei o boicote que grandes indústrias químicas e farmacêuticas desempenhavam para impedir que uma substância visse a ser registrada como medicamento, por não interessar economicamente a eles. Isso se deu em virtude à grande repercussão da fosfoetanolamina sintética como possível medicamento para combater o câncer. Travou-se uma verdadeira cruzada contra a substância a ponto do Poder Judiciário ter sido chamado a intervir. Atualmente, por decisão judicial, a substância foi barrada e sua distribuição suspensa, indo de encontro às esperanças existentes em milhares de enfermos desta nefasta doença. Entre a legalidade (exigências burocráticas) e a saúde, por maioria de votos festejou-se a legalidade, ou seja entre dois princípios constitucionais, prevaleceu aquele que não importa aos pacientes, parte fraca nesta queda de braço. Cria-se a dificuldade para vender a facilidade posteriormente. Acredita-se que, para ir muito longe, temos de E por que pararam de investigar? apoiar a pesquisa básica, mas se quisermos rePorque as empresas farmacêuticas muitas vezes sultados mais imediatos e lucrativos, devemos não estão tão interessadas em curar as pessoas apostar na aplicada... como em sacar-lhes dinheiro e, por isso, a investiE não é assim? gação, de repente, é desviada para a descoberta de medicamentos que não curam totalmente, mas Muitas vezes as descobertas mais rentáveis foque tornam crónica a doença e fazem sentir uma ram feitas a partir de perguntas muito básicas. melhoria que desaparece quando se deixa de toAssim nasceu a gigantesca e bilionária indústria mar a medicação. de biotecnologia dos EUA, para a qual eu trabalho. É uma acusação grave. Como nasceu? Mas é habitual que as farmacêuticas estejam interessadas em linhas de investigação não para cuA biotecnologia surgiu quando pessoas apaixonarar, mas sim para tornar crónicas as doenças com das começaram a perguntar-se se poderiam clomedicamentos cronificadores muito mais rentánar genes e começaram a estudá-los e a tentar veis que os que curam de uma vez por todas. E purificá-los. não tem de fazer mais que seguir a análise financeira da indústria farmacêutica para comprovar o Uma aventura. que eu digo. Sim, mas ninguém esperava ficar rico com essas questões. Foi difícil conseguir financiamento para Há dividendos que matam. investigar as respostas, até que Nixon lançou a É por isso que lhe dizia que a saúde não pode ser guerra contra o cancro em 1971. um mercado nem pode ser vista apenas como um meio para ganhar dinheiro. E, por isso, acho que Foi cientificamente produtivo? o modelo europeu misto de capitais públicos e Permitiu, com uma enorme quantidade de fundos privados dificulta esse tipo de abusos. públicos, muita investigação, como a minha, que não trabalha diretamente contra o cancro, mas Um exemplo de tais abusos? que foi útil para compreender os mecanismos que Deixou de se investigar antibióticos por serem depermitem a vida. masiado eficazes e curarem completamente. Como não se têm desenvolvido novos antibióticos, O que descobriu? os micro organismos infecciosos tornaram-se reEu e o Phillip Allen Sharp fomos recompensados sistentes e hoje a tuberculose, que foi derrotada pela descoberta de introns no DNA eucariótico e o na minha infância, está a surgir novamente e, no mecanismo de gen splicing (manipulação genétiano passado, matou um milhão de pessoas. ca). No entanto, deixando de lado paixões mais efer- Para que serviu? vescentes, repletas de opiniões contrarias e a favoráveis, uma entrevista bombástica nos remete a Essa descoberta ajudou a entender como funciona o DNA e, no entanto, tem apenas uma relação uma reflexão a respeito do tema "boicote". indireta com o cancro. Há pouco, foi revelado por uma reconhecida autoridade na área da saúde, que as grandes empre- Que modelo de investigação lhe parece mais efisas farmacêuticas dos EUA gastam centenas de caz, o norte-americano ou o europeu? milhões de dólares por ano em pagamentos a mé- É óbvio que o dos EUA, em que o capital privado dicos que promovam os seus medicamentos. é ativo, é muito mais eficiente. Tomemos por e(embora não dito, no Brasil também ocorre o mes- xemplo o progresso espetacular da indústria informo) mática, em que o dinheiro privado financia a inPara complementar, reproduzimos esta entrevista vestigação básica e aplicada. Mas quanto à indúscom o Prémio Nobel Richard J. Roberts, que diz tria de saúde... Eu tenho as minhas reservas. que os medicamentos que curam não são rentáveis e, portanto, não são desenvolvidos por empresas farmacêuticas que, em troca, desenvolvem medicamentos cronificadores que sejam consumidos de forma serializada. Isto, diz Roberts, faz também com que alguns medicamentos que poderiam curar uma doença não sejam investigados. E pergunta-se até que ponto é válido e ético que a indústria da saúde se reja pelos mesmos valores e princípios que o mercado capitalista, que chega a assemelhar-se ao da máfia. Leiam a entrevista e tirem suas conclusões, não se esquecendo que as afirmações sobre esta nojenta prática não são feitas por qualquer curioso, mas sim pelo nada mais, nada menos do que o Prémio Nobel da Medicina Richard J. Roberts. Não fala sobre o Terceiro Mundo? Esse é outro capítulo triste: quase não se investigam as doenças do Terceiro Mundo, porque os medicamentos que as combateriam não seriam rentáveis. Mas eu estou a falar sobre o nosso Primeiro Mundo: o medicamento que cura tudo não é rentável e, portanto, não é investigado. Os políticos não intervêm? Não tenho ilusões: no nosso sistema, os políticos são meros funcionários dos grandes capitais, que investem o que for preciso para que os seus boys sejam eleitos e, se não forem, compram os eleitos. Entendo. A investigação sobre a saúde humana não pode depender apenas da sua rentabilidade. O que é Ao capital só interessa multiplicar-se. Quase tobom para os dividendos das empresas nem sem- dos os políticos, e eu sei do que falo, dependem descaradamente dessas multinacionais farmacêupre é bom para as pessoas. ticas que financiam as campanhas deles. O resto Explique. são palavras… A indústria farmacêutica quer servir os mercados E aqui? de capitais... Há de tudo. Como qualquer outra indústria. É que não é qualquer outra indústria: nós estamos a falar sobre a nossa saúde e as nossas vidas e as dos nossos filhos e as de milhões de seres humanos. Mas se eles são rentáveis investigarão melhor. Nadir Tarabori Consultor Legal Direito Estratégico A investigação pode ser planejada? Se eu fosse Ministro da Saúde ou o responsável pelas Ciência e Tecnologia, iria procurar pessoas entusiastas com projetos interessantes; dar-lhesia dinheiro para que não tivessem de fazer outra coisa que não fosse investigar e deixá-los-ia trabalhar dez anos para que nos pudessem surpreender. Se só pensar em lucros, deixa de se preocupar com servir os seres humanos. Formado pela Faculdade de Direito da UniPor exemplo... Eu verifiquei a forma como, em alguns casos, os investigadores dependentes de fundos privados descobriram medicamentos muito eficazes que teriam acabado completamente com uma doença... Parece uma boa política. versidade Presbiteriana Mackenzie - Membro Efetivo da Comissão de Segurança Pública da Ordem dos Advogados do Brasil - Seção São Paulo - (2013/2015) - Mestrado em Ciências Penais - Master's Degree - pela Université Paris - Panthéon - Sorbone. www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Março 2016 Gazeta Valeparaibana Página 14 Dia 25 - Dia da Constituição A dignidade da pessoa humana vista como um superpoder e como uma letra esquecida na Constituição Federal. Seus extremos hermêuticos O princípio constitucional da dignidade da pessoa humana não é uma simples criação doutrinária, mas uma imposição constitucional, preceituando o art. 1º, III, da Constituição Federal brasileira, tratar-se de um dos fundamentos do Estado Democrático de Direito. Acima de tudo, merece tratamento cuidadoso pelos operadores jurídicos e, sem dúvida, respeito. Fácil não é definir o que vem a ser dignidade humana, pois envolve a natural complexidade do ser humano, como ente material, mas também como ente virtuoso. Diante disso, em nossa obra Princípios constitucionais penais e processuais penais, buscamos formar um conceito – nem o primeiro, nem o último a existir na doutrina – acerca da dignidade da pessoa humana, visualizando-a sob os prismas objetivo e subjetivo. Objetivamente, representa o lado material da existência humana, que precisa ser assegurado pelo Estado Democrático de Direito, consistente no mínimo indispensável para a sobrevivência apropriada de um ser humano. É o direito prometido pelo art. 7º, IV, da CF, consistente na percepção de um salário mínimo para atender as necessidades humanas “vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social”. Abaixo dessa linha do mínimo indispensável, configura-se lesão à dignidade humana, sob o aspecto objetivo. Porém, subjetivamente, cuida-se da parte mais abrangente. Envolve a autoestima, o amor próprio ou o culto à própria imagem, que todo ser humano tem o direito de ver assegurado pelo Estado. Vilipendiar, maltratar, humilhar, menosprezar a pessoa humana, quando por órgãos estatais, é ruptura nítida com o fundamento da dignidade previsto para o Estado Democrático de Direito. Nas áreas penal e processual penal lida-se com a dignidade humana desde a edição da lei, cuja atribuição compete ao Poder Legislativo, passando pela implementação da mesma lei pelo Poder Executivo (na maioria dos casos) e chegando ao Judiciário para fazer valer, com efetividade, o comando normativo. Algumas vozes criticam o princípio da dignidade humana, afirmando que ele serve para tudo, como se fosse um superpoder, inclusive para descumprir a lei. Com a devida vênia, não é verdade. Em primeiro lugar, o referido fundamento da dignidade humana no Estado Democrático de Direito não é constituir um superpoder, mas um horizonte a ser perseguido pelos Três Poderes de Estado, obrigatoriamente. Nada pode ser legislado, aplicado ou julgado ignorando esse princípio constitucional básico. Infelizmente, vê-se, no mundo real – distante do ideal preceito constitucional – prevalecer, em muitas situações, a indignidade humana, sem que se tome providência efetiva para terminar com esse estado. Culpados são os Três Poderes, cada qual em um aspecto peculiar. Vamos aos exemplos, tão importantes em matéria como a presente. Não são exaustivos, mas meramente ilustrativos os dados abaixo mencionados. Sob o prisma legislativo, até hoje não se pode compreender como o patrimônio tem, nitidamente, mais valor para o Código Penal do que a integridade humana. O furto simples de uma bicicleta pode levar à pena de reclusão de um ano e multa (art. 155, caput, CP); no entanto, cegar um olho humano, pela lesão corporal, gera a pena de reclusão de um ano sem multa (mais branda). Façamos um jogo muito simples: coloquemo-nos na posição da vítima dos dois delitos. Qual bem jurídico é o mais relevante? O bem material (bicicleta) ou a visão? É indigno supor que seja a bicicleta o bem mais importante, pois ninguém, em sã consciência, trocaria a visão de um olho por um veículo desse porte. Eis o Legislativo desprezando a dignidade humana ao criar leis contraditórias. Vamos um pouco além, já envolvendo processo penal. O mesmo legislador, que editou a Lei da Violência Doméstica (denominada Maria da Penha), permitiu a prisão preventiva para o agressor da mulher – ou para aquele que simplesmente a ameaça. Mas, alterando a legislação processual penal, não se preocupou em harmonizar a lei penal. Temos encontrado vários casos, que dão ensejo à propositura de habeas corpus, no Tribunal, porque alguns ex-maridos ameaçaram a companheira e foram presos preventivamente. Ocorre que, processados somente por ameaça (pena de detenção, de um mês a seis meses ou multa, conforme art. 147, CP), ficam presos por meses a fio, enquanto aguardam o deslinde do processo-crime. O absurdo é evidente. Cumprem presos, pois há o instituto da detração (art. 42, CP), muito mais tempo do que a pena que lhe será destinada. É um acinte à dignidade da pessoa humana. Não se está questionando a violência doméstica – que também avilta a mulher – mas a atuação pífia do legislador no respeito à harmonia dos sistemas penal e processual penal. Se cabe preventiva para uma ameaça, esta não pode ter uma pena de um mês de detenção ou multa. Parece uma lógica cristalina para qualquer aplicador do Direito. entanto, no Estado de S. Paulo, o condenado em regime fechado, quando tem deferido o seu direito (e não um favor) de transferência ao regime semiaberto, depende da boa vontade do Executivo em cumprir essa decisão. Há uma fila, na qual ingressa, para esperar a vaga. Pode levar meses ou mais de ano. Quem ingressa com recurso ou mesmo habeas corpus tem o seu pedido negado, por alguns, sob argumentos variados, dentre os quais se sobressai o sofismático direito à igualdade, ou seja, se há uma fila, todos são iguais perante tal imposição. Um preso não pode valer-se do habeas corpus para passar na frente do outro, que não impetrou a ação constitucional (esse é um dos argumentos encontrados, pois existem outros, ainda menos técnicos). O ponto fulcral não tem relação alguma com a igualdade, pois esta deveria ser focada perante a lei e não perante a ilegalidade. Todos têm direito ao semiaberto, quando deferido pelo juiz; são iguais nesse direito. Mas não se pode ignorar o pleito justo do sentenciado de fazer valer o direito ganho, judicialmente, sob o prisma equivocado da igualdade de todos perante a fila. Signfica padronizar por baixo e não pelo referencial da dignidade humana. É indigno desprezar um direito judicialmente concedido. Observemos as consequências disso. Depois de passar alguns anos oprimido no sistema carcerário, vendo o Estado (Executivo e Judiciário) simplesmente ignorar seus direitos expressos em lei, o condenado termina o cumprimento da pena, cujo viés é, dentre outros, reeducativo. O que ele aprendeu nessa jornada preso? Além das lições da escola do crime, vigente em presídios desorganizados, infelizmente, o sentenciado teve o conhecimento de que o Estado não cumpre a lei. Ele aprendeu que o mesmo Poder Público que exige a sua corretíssima conduta quando em liberdade, respeitando os direitos alheios, não respeitou os seus direitos fundamentais durante todo o período em que estava detido, supostamente para ser ressocializado. Dois pesos e duas medidas. Ninguém gosta de ser vítima de um crime, sem dúvida. Mas por que muitas pessoas nem sequer ligam para o fato de que os direitos dos réus/condenados são vilipendiados todos os dias? Afinal, vítima por vítima, agora o papel inverteu-se. Quem furtou, cometeu o crime e foi julgado, passou a integrar o papel de vítima do Estado transgressor. Se somos cidadãos conscientes dos nossos direitos fundamentais, devemos nos insurgir tanto contra quem agride o patrimônio alheio como também contra o Poder Público, que fere a digVamos ilustrar com o descaso do Poder Executivo e o seu nidade humana do sentenciado. Mas não vislumbramos isso. insistente menosprezo pela dignidade humana dos condenaA dignidade da pessoa humana se autoexplica. Ela é inerendos. Todos os dias rasga-se, nos presídios de todo o Brasil, te a todos os seres humanos. Portanto, no âmbito criminal, o Código Penal e a Lei de Execução Penal. O regime fechaonde mais próximo se fica da constrição a direitos essencido deveria garantir, segundo a lei, uma cela individual para ais, esse princípio deveria ser um autêntico dogma. Não é cada preso, com, pelo menos, seis metros quadrados e devium superpoder para se descumprir a lei, como sustentam damente salubre. Qualquer um sabe como é o claustro no alguns; muito pelo contrário, se superpoder fosse, seria para Brasil (em sua maioria). Um amontoado de pessoas, cuja fazer cumprir a lei. Pena que ele ainda se encontra esqueciautoestima é francamente lesada, pois nem mesmo animais do no art. 1º, III, da Constituição Federal, para muitos de nós. assim são mantidos em zoológicos. Além disso, não se enE, pior que tudo, para muitos operadores do Direito. contra o regime semiaberto corretamente estruturado, quando não faltam vagas, como ocorre no Estado de S. Paulo. Inexiste o regime aberto, na maioria das Comarcas, sendo Guilherme de Souza Nucci que a Lei de Execução Penal completou 30 anos. Livre-docente em Direito Penal, Doutor e O Judiciário tem sua parcela de responsabilidade no despreMestre em Processo Penal pela PUC-SP. É zo à dignidade humana, pois chancela, muitas vezes, o desDesembargador em São Paulo. caso do Executivo. Quem aufere um direito, concedido por decisão judicial, espera seja ele cumprido. É o mínimo. No Numa sociedade movida à dinheiro e hipocrisia, encontramos pessoas propensas aos mais diversos rumos incluindo-se a devassidão. Cuidado com quem andas, pois tua companhia sumariza quem és. Não tenha medo de lutar pelo que acredita, apenas seja você mesmo nos mais divergentes momentos que possam surgir. Fazendo isto, certamente afetará os que estão à tua volta que não gostam do que veem. Saberão fazer a triagem do joio e do trigo. Só tome cuidado com o lado com que ficará, pois uma escolha errada pode te afetar drasticamente. Pense no seu futuro. Sua escolha hoje, será o seu futuro amanhã. Seja feliz, haja com honestidade sempre. Mas acima de tudo, cuidado com o que te tornarás! Filipe de Sousa www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Março 2016 Gazeta Valeparaibana Página 15 EUROPA hoje e ontem (artigo continuado) Por: Michael Löwy Sociólogo, é nascido no Brasil, formado em Ciências Sociais na Universidade de São Paulo, e vive em Paris desde 1969. Diretor emérito de pesquisas do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS). Homenageado, em 1994, com a medalha de prata do CNRS em Ciências Sociais, é autor de Walter Benjamin: aviso de incêndio (2005), Lucien Goldmann ou a dialética da totalidade (2009), A teoria da revolução no jovem Marx (2012) e organizador de Revoluções (2009) e Capitalismo como religião (2013), de Walter Benjamin de 1930, foi fuzilado no início da Segunda Guerra Mundial.[3] Mas uma tradição política e um programa foram deixados como herança política para as futuras gerações. Os Bálcãs e a Grécia estiveram novamente no centro do cenário da segunda conflagração mundial, iniciada em setembro de 1939. Grécia vivia sob a ditadura encabeçada por Ioannis Metáxas, depois do fracasso do golpe encabeçado por Venizélos. Em outubro de 1940, a Itália fascista invadiu a Grécia (para grande desgosto de Hitler, que não fora comunicado da intenção de Mussolini), mas, diante da forte resistência popular grega, em poucos dias foi repelida e forçada a voltar para a Albânia, além de obrigar Hitler, a contragosto, a enviar forças militares à região para sustentar seu aliado peninsular. William Shirer sustentou que a forçada invasão alemã à Iugoslávia e à Grécia, países ocupados pelas tropas nazistas em abril de 1941, atrasou o ataque alemão à URSS, perda de tempo e desperdiço de forças que teve consequências fatais para a máquina de guerra nazista. A batalha pela ilha de Creta, por exemplo, causou grandes baixas aos alemães. Grécia viveu a fundo o horror da ocupação nazista. 500 mil gregos perderam a vida durante a Segunda Guerra Mundial, mais de 7% da sua população. 54 mil dos 70 mil judeus que habitavam Grécia foram exterminados no Holocausto judeu. Nos “cercos” urbanos, multidões eram encurraladas nas ruas; informantes apontavam os apoiadores da ELAS (a organização armada de resistência) e da EAM (frente política controlada pelo PC grego) à Gestapo e aos “Batalhões de Segurança” (criados pelo governo colaboracionista para ajudar os ocupantes nazistas), para que fossem executados. Despir publicamente e violentar mulheres eram meios comuns de assegurar confissões. Execuções tiveram lugar em público, para intimidar os resistentes; os cadáveres eram deixados pendurados nas árvores, vigiados por colaboradores do Batalhão de Segurança, para impedir a sua remoção. A ELAS levava a cabo contra-ataques dirigidos contra as tropas alemãs e seus esbirros. O comandante em chefe do exército grego, Alexander Papagos, permaneceu prisioneiro dos nazistas durante toda a guerra, fazendo parte de um estranho grupo. O líder nazista Heinrich Himmler, no final da guerra, flertou seriamente com a ideia de recompor sua imagem e operar como intermediário entre a Alemanha derrotada e os aliados ocidentais. Manteve um grupo de mais de 130 “prisioneiros excelentes” (altos oficiais inimigos, altos dirigentes alemães destituídos, nobres de toda Europa, até o líder político judeu francês Leon Blum), “uma operação em que a sede de vingança e o cálculo formavam uma mistura opaca baseada no antigo plano de Himmler de fazer reféns para usá-los como moeda de troca, com a absurda ideia de que no último momento poderia negociar com as potências vencedoras nas costas de Hitler, e tirar algum proveito… Nesse plano desempenhou um papel importante a ideia delirante de contar com um reduto nas montanhas, a chamada ‘fortaleza alpina ’”situada junto a um lago idílico, para onde Himmler levou seus prisioneiros privados, Papagos incluído, de onde eles foram libertados pela dispersão das forças nazistas e a chegada do exército norte-americano. Papagos votou à Grécia, onde seu exército já não existia: a resistência grega tinha ficado em outras mãos. Na altura do outono de 1944, Grécia estava devastada pela ocupação e pela fome. O movimento partisan de resistência nasceu em Atenas, mas fixou bases nas aldeias e zonas rurais; durante a guerra antinazista, Grécia foi progressivamente libertada a partir do interior pelos partisans, ou andartes, em grego. Os primeiros grupos guerrilheiros de resistência se constituíram em maio de 1942. Em junho, Athanasios Klaras (“Aris Velouchiotis”) já comandava 500 andartes. Desde 1942, também, greves operárias explodiram na Grécia ocupada pelos nazistas. Os operários gregos se negavam a cooperar com o esforço de guerra do Terceiro Reich: “As resistências balcânicas passaram por uma etapa decisiva no outono de 1943, por ocasião da capitulação italiana, pelo fato de que os alemães não podiam substituir imediatamente o aliado enfraquecido. Os partisans gregos conseguiram, então, ocupar novas zonas e apoderar-se de um armamento importante, que se acrescentou ao que era atirado de paraquedas ou fornecido pelos britânicos. Em finais de 1944, no momento da evacuação dos Bálcãs pelos alemães, os movimentos de resistência ocupavam, tanto na Iugoslávia quanto na Grécia ou na Albânia, um lugar determinante no plano militar e político”.[ A EDES (Exército Nacional Republicano), concorrente da ELAS, fundada com um programa de “democracia socialista” pelo general Napoleon Zervas, foi rapidamente manipulada por agentes ingleses e monárquicos, entrando em conflito militar com a ELAS já antes da derrota nazista. CONTINUA NA PRÓXIMA EDIÇÃO Capitalismo e democracia na Europa PARTE III ... “em Bucareste se realizou a conferência (convocada por Christian Rakovsky) dos partidos socialdemocratas da Sérvia, da Romênia, da Grécia e do partido dos tesnjaki [estreitos] búlgaros. Rakovsky liderou a conferência, fazendo votar um manifesto contra a guerra, uma posição de princípios contra ‘a colaboração de classe, o socialpatriotismo, o social-imperialismo e o oportunismo’, conseguiu que a conferência enviasse a expressão de seu apoio a Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht, e aos socialistas dos países beligerantes que se mantiveram leais à Internacional. A constituição dessa Federação dos Bálcãs foi uma maneira espetacular de ‘restabelecer a Internacional’, na expressão de Rakovsky”. A conferência de Bucareste foi, de fato, um dos primeiros passos em direção da recomposição do internacionalismo proletário organizado, antes das conferências internacionais de Kienthal e Zimmerwald, nas quais esteve presente o bolchevismo russo. Vitoriosa em 1917 a revolução que deu origem, em 1922, à URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), ela convocou à fundação da Internacional Comunista, em congresso celebrado em Moscou em 1919. A Internacional criou um Birô para os países balcânicos, chefiado pelo próprio Rakovsky, que definiu programaticamente o objetivo de uma “Federação Socialista dos Bálcãs”. Com a burocratização stalinista da Internacional Comunista, o Birô foi liquidado, qualquer autonomia crítica dos partidos comunistas da região foi eliminada, e o próprio Christian Rakovsky, que integrou a “Oposição de Esquerda” chefiada por Leon Trotsky, foi enviado para um campo de trabalhos forçados, onde, depois de uma breve reabilitação (capitulação) política na década www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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