Revista Secovi Rio 99

 

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Revista Secovi Rio 99

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REVISTA MAR/ABR 2016 • no 99• VENDA PROIBIDA BICICLETAS Por que o seu condomínio ainda vai se render a elas

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Um mundo em pedal A lentidão no trânsito é um problema de todos os moradores de metrópoles brasileiras e não faz distinção entre ricos e pobres, embora penalize mais as classes menos favorecidas. Uma pesquisa divulgada no fim do ano passado pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro apontou que o carioca gasta (ou perde), em média, 2h21min no caminho de ida e volta para o trabalho. Fazendo as contas, são praticamente 12 horas por semana e 22 dias por ano – desconsiderando o mês de férias. Como tal cálculo representa uma média, não é raro conhecer quem esteja acostumado a gastar até quatro ou cinco horas no trajeto. Os impactos desse processo são enormes na qualidade de vida de quem trabalha longe de casa. No campo político, uma alternativa para minimizar esse estrago está nos investimentos em transporte público de qualidade, de maneira a privilegiar as soluções coletivas em detrimento das individuais. Outro compromisso importante capaz de reverter a situação está na construção de ciclovias e ciclofaixas, que estimulam o uso das bicicletas. Segundo levantamento da ONG Transporte Ativo quase metade das pessoas que pedalam ao menos uma vez por semana é motivada pela rapidez e praticidade desse meio de transporte. Não por acaso, por mais que os carros ainda sejam uma das grandes prioridades dos gestores de tráfego urbano, as bicicletas vêm conquistando um lugar importante nessa discussão. Como representam um espaço de conciliação de interesses difusos, é certo que os condomínios não poderiam passar ao largo de tal tendência. Um simples bicicletário – uma das transformações mais simples que podem ser feitas nesses espaços – pode fazer uma enorme diferença para quem enfrenta diariamente o calvário dos congestionamentos. Mas outras soluções são possíveis. É preciso avaliar caso a caso, conforme as necessidades dos condôminos e as instalações físicas do local. As experiências vistas na matéria de capa desta edição mostram que, com criatividade e interesse, é possível aprimorar a qualidade de vida dos moradores de condomínio, oferecendo, ainda, saúde e economia. Usar mais a bicicleta pode não ser a única saída para a crise do transporte nas cidades brasileiras, mas certamente é uma alternativa que ficará cada vez mais difícil de ignorar daqui pra frente. EQUIPE SECOVI RIO março EM FOCO 12 Mais segurança para os condomínios 2016 abril 16 Bicicletas. Um longo percurso 26 Retrospectiva 2015: legislação no mercado imobiliário SEÇÕES 2 Palavra do presidente 4 Entrevista: Sandra Pires – Caminhos de areia e ouro 8 Curtinhas 24 Informações & serviços 30 Artigo jurídico – contumaz Devedor 32 Lugar carioca – Praça Mauá. Maravilha redescoberta 38 Indicadores habitacionais 40 Sustentabilidade 46 Consulte o jurídico SECOVI RIO | MarAbr 2016 | no 99

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Av. Almirante Barroso, 52/ 9o andar • Centro • 20031-918 • Rio de Janeiro/RJ Tel.: (21) 2272-8000 • Fax: (021) 2272-8001 • E-mail: secovi@secovirio.com.br www.secovirio.com.br DIRETORIA DO SECOVI RIO – Efetivos Presidente: Pedro José Maria Fernandes Wähmann Vice-Presidente: Leonardo Conde Villar Schneider Vice-Presidente Financeira e de Desenvolvimento: Maria Teresa Mendonça Dias Vice-Presidente Administrativo: Ronaldo Coelho Netto Vice-Presidente de Marketing: João Augusto Pessôa Vice-Presidente Jurídico: Rômulo Cavalcante Mota Vice-Presidente de Assuntos Condominiais: Alexandre Hermes Rodrigues Corrêa Vice-Presidente de Locações: Antonio Paulo de Garcia Monnerat Vice-Presidente de Relações do Trabalho: Dennys Abdalla Muniz Teles Suplentes – Aldo Fernando Villar Hecht da Fonte; Antonio Carlos Ferreira; Antonio Henrique Lopes da Cunha; Frederico Honorato Rodrigues Moreira; Germana Aragão de Mesquita Aguiar; Luiz Alberto Queiroz Conceição; Luis Carlos Bulhões Carvalho da Fonseca Filho; Pedro Carlos Carsalade; Rafael Thomé  CONSELHO FISCAL: Efetivos – Dorzila Irigon Tavares; Marco Antonio Moreira Barbosa. Suplentes – Antonio José Fernandes Costa Neto; Marco Antonio Valente Tibúrcio; Marco Antonio Vieira de Mello DELEGADOS REPRESENTANTES JUNTO À FECOMÉRCIO: Efetivos – Pedro José Maria Fernandes Wähmann; Manoel da Silveira Maia. Suplentes – João Augusto Pessôa; Ronaldo Coelho Netto CONSELHO DE RELAÇÕES DO TRABALHO: Dennys Abdalla Muniz Teles (presidente); Alexandre Hermes Rodrigues Corrêa; Fernando Schneider; Maria Teresa Mendonça Dias; Rafael Thomé REGIONAIS SECOVI RIO Regional Baixada Fluminense – Nova Iguaçu Representante: Hilário Franklin Pinto de Souza Endereço: Av. Governador Roberto Silveira, 470 – sala 412 – Centro – Nova Iguaçu Telefone (21) 2667–3397 / E-mail: baixadafluminense@secovirio.com.br Área de Abrangência – Municípios de Belford Roxo, Duque de Caxias, Guapimirim, Japeri, Magé, Mesquita, Nilópolis, Nova Iguaçu, Paracambi, Queimados, São João de Meriti e Seropédica. Regional Costa Verde Área de Abrangência – Municípios de Angra dos Reis, Mangaratiba, Itaguaí, Rio Claro e Paraty. E-mail: costaverde@secovirio.com.br Regional Lagos – Cabo Frio Representante: José Carlos Bonan Endereço: Rua Francisco Mendes, 350 – loja 5 – Centro – Cabo Frio – RJ (Cabo Frio Leste Shopping) Telefone (22) 2647–6807 / E-mail: lagos@secovirio.com.br Área de Abrangência – Municípios de Araruama, Armação de Búzios, Arraial do Cabo, Cabo Frio, Iguaba, Iguaba Grande e São Pedro da Aldeia. Regional Litorânea – Niterói Endereço: Av. Ernani do Amaral Peixoto, 334 – sala 1009 – Centro – Niterói – Telefone (21) 2637–1633 / E-mail: litoranea@secovirio.com.br Área de Abrangência – Municípios de Maricá, Saquarema, Tanguá, Rio Bonito, Itaboraí, Silva Jardim, Niterói e São Gonçalo. Regional Serra Imperial – Petrópolis Representante: José Roberto Sauer Endereço: Rua Dr. Nelson de Sá Earp, 95 – sala 406 – Centro – Petrópolis – Telefone (24) 2637–1633 / E-mail: serraimperial@secovirio.com.br Área de Abrangência – Municípios de Petrópolis, Areal, Comendador Levy Gasparian, Paraíba do Sul e Três Rios. Regional Noroeste Fluminense – Campos dos Goytacazes Representante: Rodrigo Guimarães Endereço: Praça São Salvador, 21/sala 904 – Centro – Campos dos Goytacazes – Telefone (22) 2738–1046 / E-mail: noroestefluminense@secovirio.com.br Área de Abrangência – Municípios de Campos dos Goytacazes, Itaperuna, São Fidélis, São João da Barra, São Francisco do Itabapoana, Cardoso Moreira, Italva, Cambuci, São José de Ubá, Laje de Muriaé, Porciúncula, Natividade, Varre-Sai e Bom Jesus de Itabapoana. Regional Norte Fluminense – Macaé Representante: Viviane Guimarães Ferreira Endereço: Av. Rui Barbosa, 1043/201 – Alto Cajueiros – Macaé – Telefone (22) 2772–3714 / E-mail: nortefluminense@secovirio.com.br Área de Abrangência – Municípios de Macaé, Casimiro de Abreu, Quissamã, Conceição de Macabu, Carapebus e Rio das Ostras. Regional Serra Verde – Teresópolis Representante: Henrique Rodrigues Endereço: Av. Feliciano Sodré, 460/loja 03 – Várzea – Teresópolis – Telefone (21) 2742– 2102 / E-mail: serraverde@secovirio.com.br Área de Abrangência – Teresópolis, Sapucaia e São José do Rio Preto. Regional Serra Norte – Nova Friburgo Representante: Gabriel de Freitas Ruiz Endereço: Rua Ernesto Brasílio, 45 – sala 205 – Centro – Nova Friburgo – Telefone (22) 2523–7513 / E-mail: serranorte@secovirio.com.br Área de Abrangência – Municípios de Aperibé, Bom Jardim, Cantagalo, Carmo, Cordeiro, Duas Barras, Itaocara, Macuco, Miracema, Nova Friburgo, Santa Maria Madalena, Santo Antônio de Pádua, São Sebastião do Alto, Sumidouro, Trajano de Moraes e Cachoeiras de Macacu. Regional Sul Fluminense – Volta Redonda Representante: Vanisi de Oliveira Ferreira Endereço: Av. Paulo de Frontin, 590 – sala 307 – Aterrado – Volta Redonda – Telefone (24) 3339–2272 /E-mail: sulfluminense@secovirio.com.br Área de Abrangência – Municípios de Barra do Piraí, Barra Mansa, Itatiaia, Piraí, Resende, Valença, Vassouras, Volta Redonda, Porto Real, Quatis, Pinheiral, Rio das Flores, Eng. Paulo de Frontin, Miguel Pereira, Paty do Alferes e Mendes. O Secovi Rio é auditado por |palavra do presidente| Em outubro de 2009, uma praia de Copacabana repleta de cariocas e turistas acompanhava a cerimônia em que o Comitê Olímpico Internacional, reunido em Copenhague, anunciava a escolha do Rio como cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Foi ruidosa e justa a celebração, pois colocava a capital fluminense na mesma condição de outras grandes cidades do mundo que anteriormente sediaram as Olimpíadas. Mas, ao mesmo tempo em que a euforia e o otimismo tomaram conta do país, a apreensão sobre a capacidade de resolvermos problemas sérios como a violência, a carência de hotéis e a falta de mobilidade urbana deixou aquela pulga atrás da orelha. Será que somos mesmo capazes de realizar esse evento tão grandioso? Uma coisa é certa, tínhamos uma oportunidade única nas mãos: transformar a cidade e melhorar a vida de milhões de pessoas. Foram sete anos de um caminho árduo, que precisou ser transposto por meio de um esforço conjunto dos governos federal, estadual e municipal. E, claro, dos empresários, que também são a força deste país – basta ver o grande número de empresas engajadas no patrocínio e apoio aos Jogos. E mais ainda dos trabalhadores que fizeram projetos grandiosos saírem do papel. A nossa Cidade Maravilhosa tem muitos problemas. Alguns parecem insolúveis, mas eles estão sendo enfrentados um a um, com a coragem, a perseverança e a alegria típicas do nosso povo. Ainda temos um longo caminho a percorrer, mas já fizemos mais em sete anos do que foi feito em décadas. As transformações impactam diretamente o mercado imobiliário. Quando os bairros mudam, as moradias mudam. O modo de vida muda. E o que vai perdurar? Que legado as Olimpíadas de 2016 nos deixarão? Algumas respostas serão dadas no dia 15 de março, durante o lançamento do “Panorama do Mercado Imobiliário do Rio de Janeiro 2015”, que contará com a abertura do prefeito do Rio, Eduardo Paes. Essa é a sexta edição da publicação, que traz dados estatísticos relevantes sobre a administração de condomínios e os mercados de venda e locação. Na ocasião, vamos cumprir uma missão que todos os anos cumprimos com grande satisfação: apresentar o balanço das atividades do Sindicato em 2015, junto com as metas para este que será um dos anos mais importantes da nossa história. Você é nosso convidado! Pedro Wähmann Presidente do Secovi Rio 2 SECOVI RIO | MarAbr 2016 | no 99

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N SÍNDICO SEM cp ZIRTAEB, Síndicos e condôminos precisam contar sempre com a experiência de uma empresa pioneira, que evoluiu com o mercado. Há 70 anos a Zirtaeb vem conquistando a confiança dos síndicos e proprietários de imóveis. n /zirtaeb I acesse: www.zirtaeb.com I Tel. 3233.3500 Administração de Condomínios e Imóveis para renda, compra e venda.

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Sandra Pires Caminhos de areia e ouro “Agora vou experimentar. Se não der certo, volto para a faculdade.” Foi com esse pensamento que Sandra Pires, aos 17 anos, decidiu aceitar o convite para jogar vôlei em um time profissional pela primeira vez. Jogando desde os 11 anos de idade, ela nunca havia ingressado em um clube grande antes, devido à dificuldade de se deslocar sozinha da Ilha do Governador, onde viveu durante a juventude. Foi apenas quando sentiu que poderia se virar sozinha que, mesmo tendo sido aprovada no vestibular para os cursos de Administração e Nutrição, Sandra resolveu arriscar. Dali para o vôlei de praia foi um pulo. O resultado? O primeiro ouro olímpico feminino do Brasil junto com Jacqueline Silva, em 1996; o posto de primeira mulher a levar a bandeira nacional em uma abertura de Jogos Olímpicos, na edição de 2000; diversos títulos e conquistas que culminaram na entrada para o Hall da Fama do Vôlei, em 2014. No fim das contas, não resta dúvida de que a experiência deu certo. E muito! A graduação teve que esperar um bocado, mas não foi esquecida. Aliás, passou a fazer muito mais sentido. Em 2014, Sandra se formou em Educação Física. Hoje, a atleta atua como comentarista em um canal por assinatura, é embaixadora do esporte do Banco do Brasil e um símbolo especial para este ano olímpico no país, num momento em que se fala tanto sobre empoderamento feminino. Foto: CAROL BEIRIZ 4 SECOVI RIO | MarAbr 2016 | no 99

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|entrevista| g AMANDA GAMA Quando o esporte entrou na sua vida? Comecei com vôlei de quadra na escola, com 11 anos. Estudava, levava uma vida normal e não imaginava que seria jogadora de vôlei. Morava na Ilha do Governador, onde comecei a jogar. Recebi convite para times maiores, mas era difícil me deslocar e precisava da companhia da minha mãe. Cheguei a participar de equipes federadas, mas não fiquei. Acabei continuando na escola e nos clubes da Ilha, que não eram profissionais. De qualquer maneira, nunca parei de jogar. O que pesou na hora de escolher essa carreira? É muito difícil definir o que se vai fazer com apenas 17 anos. Resolvi me dedicar porque eram dois períodos de treino. Morava na Ilha e treinava na Urca, e perdia muito tempo de ônibus me deslocando. Eram duas conduções para ir e duas para voltar. Nesse momento aceitei o desafio de jogar em um clube profissional, treinar todos os dias, ganhar salário, disputar campeonato. Foi ali que comecei a me profissionalizar. Quando passei a jogar realmente, não parei mais. E como começou a jogar vôlei de praia? Fiquei três anos jogando na Rio Fortes, quando apareceu a Karina (Lins e Silva) me chamando para jogar vôlei de praia. A modalidade ainda estava bem no início. Não que eu tenha sido pioneira, pois veio muita gente na minha frente, como Adriana Behar, Shelda, Adriana Samuel, Mônica, Roseli, Isabel e Jackie, mas passei pelo início, quando havia seis etapas por ano. Logo no primeiro ano ganhei de times consagrados e jogadoras experientes. Além disso, me senti muito bem porque me achava baixa para quadra e, naquela época, ainda não havia a figura do líbero. Na praia você não precisa ser tão alta e faz de tudo um pouco, tem que ter habilidade. E por que escolheu a praia? Quando comecei, em 1993, o vôlei de praia ainda nem era olímpico. Quando a gente é jovem, não pensa muito, vai pelo coração, pela emoção. Eu me senti bem mesmo jogando. Gosto de competir e dessa coisa de fazer de tudo um pouco, a liberdade. O desafio é grande porque é necessário conquistar bons resultados para fazer um bom salário. Quando você não tem “nome” ou patrocínio, vive de premiação. Enquanto o salário na quadra é fixo, na praia você depende dos resultados. Você começou a jogar quando a modalidade ainda estava ganhando visibilidade. O que mudou desde então? Mudou bastante! Para se ter uma ideia, quando fui para as Olimpíadas de 1996, éramos só eu, a parceira e o técnico. O preparador físico nem foi, porque só era permitido levar uma pessoa. Hoje em dia as equipes são maiores, têm ajuda do governo, o esporte já está consagrado, tem calendário de TV fechado... Com o evento sendo sediado no Brasil, o Comitê Olímpico está apoiando bastante porque quer medalha. Hoje, o vôlei de praia já é conhecido, querido e um esporte consagrado porque em todas as edições trouxe medalha. As condições atualmente são melhores para o atleta treinar e tirar o melhor dele, sabendo que vai ter um staff para dar apoio. E por que você acha que o esporte se destaca no país? Porque somos habilidosos, temos verão o ano inteiro, o circuito brasileiro é muito forte, e temos bons profissionais – os melhores do mundo são os nossos. Mas praia ajuda a fazer isso com você. É preciso se cuidar porque não existe reserva. Se você se machuca, acabou, quebra o time. É um esporte que exige muito, é cavalar. Tem que aguentar ficar no sol, no frio, no vento, na chuva. Cria-se uma resistência. Jogadores de vôlei de praia são muito fortes e estão acostumados a lidar com o clima. SECOVI RIO | MarAbr 2016 | no 99 5

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|entrevista| Fotos: DIVULGAÇÃO Do ponto de vista psicológico, também há esse diferencial? A competição te faz querer ser melhor, aquilo vai te levando a um nível... Porque você enfrenta muito seus adversários. Você quer ser melhor, então tem que treinar mais, ser mais leve, ser mais forte. E é o que motiva. Tanto que os atletas são muito em forma e focados. Qual foi o momento mais marcante de sua carreira? Também teve a medalha de bronze que ganhei com a Adriana Samuel, que foi incrível. Estávamos entre as cinco melhores do mundo e ficamos em terceiro. Isso porque eu nem falei do Goodwill Games com a Tati (Minello). Ganhar da Austrália na Austrália? É fantástico. É porque a gente tem essa coisa de país de Terceiro Mundo. As pessoas tratam a gente lá fora como o primo pobre... Você percebe preconceito com brasileiros em outros países? Olha, não percebo porque eu nunca dei esse mole no meu esporte. Sempre estivemos entre os melhores. E, quando não éramos, encarávamos mesmo! Quando os Estados Unidos passaram a ter os melhores times, começamos a reverter isso. Mas a verdade é que não sabem direito nem a língua que falamos. De qualquer forma, agora sim, trazendo esses grandes eventos e fazendo direito, conquistaremos um respeito mundial muito grande. Nós, que somos atletas, sabemos disso. Temos que fazer o melhor possível para todo mundo sair daqui falando bem, conhecendo nosso país, nossa língua, nossa hospitalidade. Aproveitando que você tocou no assunto, quais são as suas expectativas para os Jogos Olímpicos no Brasil? As melhores possíveis! Jogar em casa, não tem fuso nem comida diferente... São questões que deixam de ser obstáculos porque, quando jogamos em outros lugares, tem que haver uma adaptação. Eu acho que vai ser bom tirar proveito da energia da torcida, aproveitando as oportunidades para fazer algo marcante mesmo, deixar para a História. Quem sabe essa emoção não ajude a realizar uma Olimpíada incrível, com excelentes resultados, fazendo o Brasil ser conhecido positivamente pelo mundo afora? Lógico que a conquista da medalha de ouro (em 1996, nas Olimpíadas de Atlanta). Até por ser a primeira feminina no Brasil em esporte olímpico. Quando chegamos aqui, percebemos a felicidade das mulheres. Elas paravam o carro para falar com a gente, para saudar. Mesmo quando estávamos passando no carro de bombeiros, algumas paravam o carro no meio da rua, pulavam, agradeciam, aplaudiam. Há um simbolismo muito forte nisso, certo? “Vai ser bom tirar proveito da energia da torcida (nas Olimpíadas)” O Brasil, um país que tem milhões de pessoas, não tinha essa medalha, e então chegou a nossa. A vitória levou a outras conquistas, como conduzir a bandeira nos Jogos Olímpicos de 2000. Eu fui a única mulher a fazer isso, e foi fruto dessa medalha, porque a concorrência para levar a bandeira é enorme. Tem todo um protocolo ao qual eu fui atendendo. Acabou que deu certo. Depois de uma vitória olímpica, as competições menores perdem o sentido? Toda etapa tem seu valor. Ocorreram várias situações que marcaram muito. Houve o tricampeonato do Rainha da Praia, que é uma competição na minha cidade, com a família assistindo. É um torneio muito gostoso porque você troca de parceiro a cada jogo, o que te obriga a se adaptar e a se superar. Nele é possível observar os atletas que se ajustam rapidamente. 6 SECOVI RIO | MarAbr 2016 | no 99

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E você acredita que o evento vai ser positivo para a cidade do Rio de Janeiro? E como você se sente tendo aberto essa porta no esporte brasileiro? Honrada. Ser uma representante das mulheres e ter conseguido Com certeza. É só tomar como esse feito inédito é maravilhoso. exemplos cidades de outros paíAcredito que, abrindo essa porta, ses, como Londres e Barcelona. É muitas passaram a acreditar que mais uma oportunidade de aceletambém podem. As mulheres esrar obras que levariam mais temtão lutando por cada vez mais espo para serem feitas. Existe uma paço. Infelizmente, a gente ainda preocupação, ao fazer os estápercebe que a maioria dos diridios, em deixar um legado... Acho “Quando comecei gentes são homens, e isso aconque precisávamos disso mesmo. a jogar, as tece em qualquer setor. É aquilo... E qual vai ser o maior legado de Mas a gente conseguiu colocar premiações (para todos? presidenta. É um marco, apesar homens e mulheres) Acho que a educação do povo. de a situação estar complicada. eram diferentes” De qualquer maneira, acho que Desde ter contato com outras culainda há uma luta longa aí, printuras até o treinamento dos voluncipalmente em alguns países que tários. Além disso, há tudo que é tratam a mulher como objeto. divulgado. É uma chance de as pessoas conhecerem um pouco mais sobre a história do esporte porque vamos falar do assunto o tempo todo. Foi em Olimpíadas que você representou dois momentos marcantes para o gênero feminino no esporte brasileiro... Eu acho que tentamos mostrar que podemos, que só é preciso dedicação. Não existe essa diferença (entre homens e mulheres), a capacidade é a mesma. Essa coisa do machismo é antiga. Ainda leva tempo, mas estamos chegando lá. Não lembro bem onde, mas havia um país onde as mulheres não podiam assistir ao jogo e a federação trocou o lugar da partida. E é isso! Como assim mulher não pode assistir ao jogo? Para mim, essas coisas não podem existir mais. Não é uma situação fácil. Nunca foi. Quando eu comecei a jogar, as premiações eram diferentes, mas acabaram com isso. As mulheres são lutadoras e estão lutando para ganhar cada vez mais espaço. Falta investimento no esporte aqui no país? A gente não tem tanta verba direcionada para o esporte. São tantas coisas para melhorar no país que acabamos não tendo uma verba para suprir tudo que o esporte necessita para dar frutos. Há modalidades que precisam de estrutura grande, quadra, aparelhagem. Mas, de maneira geral, valorizam-se mais as que são tradicionais e conquistam mais medalhas e não se oferece tanto incentivo para as que estão começando e ainda não apresentam tantos resultados. Qual conselho você dá para quem, mesmo com as dificuldades, pretende seguir carreira como atleta? Arriscar, como todos que fizeram. O esporte tem vida curta, então você tem que se dedicar desde cedo, gostar do que faz, ser focado e procurar um bom técnico para desenvolver um bom trabalho. Se você gosta daquilo, vá em frente. Nesse meio se trabalha no escuro, mas as portas vão se abrindo. Acho que isso serve para todo mundo. SECOVI RIO | MarAbr 2016 | no 99 7

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|curtinhas| Administração latino-americana A União Latino-Americana de Administradores (Ulai) deve se dedicar cada vez mais a incorporar novas associações e câmaras de indústria em todos os países latino-americanos. É o que aponta a entidade em seu primeiro boletim do ano, que ainda traz um editorial assinado por seu presidente, o argentino Juan Manuel Acosta y Lara. O objetivo da Ulai, da qual o Secovi Rio é membro, é aprimorar a gestão imobiliária na América Latina, com o intercâmbio de experiências e práticas bem-sucedidas, além de identificar os gargalos existentes em cada país-membro, propondo soluções para resolvê-los. Educação que cabe no bolso Além dos benefícios que o Secovi Rio proporciona, as parcerias com universidades, órgãos educacionais e entidades internacionais do segmento de administração imobiliária destacam-se como mais uma vantagem que só seus associados têm. Para solicitar uma declaração de condição de associado do Secovi Rio ou saber como ter acesso às condições especiais, entre em contato pelo telefone (21) 2272-8000. Conheça alguns parceiros e saiba como obter descontos: ž Centro Universitário Augusto Motta (Unisuam) Produto: cursos de graduação e pós-graduação Desconto: 40% nos cursos de graduação e 20% nos de pós-graduação ž Colégio e Faculdade Pinheiro Guimarães Produto: creche, cursos de educação infantil, ensino fundamental I e II, ensino médio, educação de jovens e adultos (presencial e a distância) e cursos técnicos Desconto: 50% para novos alunos no pagamento do primeiro vencimento indicado no carnê Casa sustentável Abordar e avaliar diferentes questões de sustentabilidade em projetos de residências, promovendo economia e preservação de recursos naturais a partir de parâmetros adequados de medição e desempenho consolidados pelo Green Building Council Brasil para atender à demanda por certificação residencial no país. Esse foi o objetivo do curso “Referencial GBC Brasil Casa”, que a ONG realizou em janeiro no auditório do Secovi Rio. Estiveram presentes arquitetos, engenheiros, estudantes e proprietários de residências interessados em entender a importância de se construir de forma mais eficiente, econômica e sustentável. A professora foi a arquiteta Maria Fujihara, coordenadora técnica da entidade. ž Liceu de Artes e Ofícios e Faculdade Béthencourt da Silva Produto: cursos de educação infantil, ensino fundamental, médio, ensino técnico e superior Desconto: 20% a 50% nas mensalidades ž Faculdade Moraes Júnior/Mackenzie Rio Produto: cursos de graduação e pós-graduação Desconto: 30% para os cursos de graduação em Ciências Contábeis, Administração e Ciências Econômicas, e 25% para Direito. Para os cursos de pós-graduação e extensão do Núcleo de Gestão Social, o abatimento é de 20% 8 SECOVI RIO | MarAbr 2016 | no 99

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|curtinhas| Prêmio Secovi Rio: inscrições abertas Se o seu condomínio está antenado com o conceito de sustentabilidade, ele é um forte candidato a levar os R$ 10 mil que o Secovi Rio oferece ao ganhador do Prêmio Secovi Rio na categoria “Condomínio Sustentável”. Os jornalistas que tenham escrito matérias relacionadas ao segmento imobiliário poderão concorrer na categoria “Mídia”, que dará R$ 5 mil ao primeiro colocado. Em sua sétima edição, o prêmio tem como objetivo reconhecer e homenagear condomínios e jornalistas que se destacam pela criatividade, inovação e estímulo à sustentabilidade. As inscrições já estão abertas e podem ser feitas pelo site www.secovirio.com.br/premiosecovirio até 18 de agosto. Os vencedores serão conhecidos na cerimônia que acontecerá no dia 14 de setembro, no Centro de Convenções SulAmérica, durante o encerramento da Feira Secovi Rio – Condomínio Maravilha. Dia do Síndico tem festa Uma noite de muita descontração, música ao vivo, bufê de comidas e bebidas e sorteios de brindes. É com essa alegria que o Secovi Rio receberá os síndicos no dia 15 de abril (sexta-feira), no Clube Ginástico Português, das 18h às 21h, em comemoração ao Dia Estadual do Síndico (23 de abril). Os interessados poderão fazer a inscrição na seção de Cursos e Eventos do site do Sindicato: www.secovirio. com.br. O evento é gratuito para gestores de condomínios que estejam em dia com suas contribuições. As vagas são limitadas, mediante ingresso social de 2kg de alimentos não perecíveis.

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Intermediação imobiliária na Região dos Lagos A Universidade Corporativa Secovi Rio (UniSecovi Rio) realiza, nos dias 16 e 17 de março, o curso “Contrato de Intermediação Imobiliária”. A capacitação é voltada para pessoas que trabalham na área de locação de imóveis e demais interessados. Os participantes terão a oportunidade de estudar minuciosamente um modelo de contrato de intermediação imobiliária, focado na atuação preventiva. Além disso, o curso inclui noções sobre interpretação dos artigos do Código Civil que regulamentam o contrato de corretagem e análise da Resolução-Cofeci, que criou o contrato-padrão de intermediação imobiliária, contendo cláusulas mínimas obrigatórias. Outras informações podem ser obtidas no portal do Secovi Rio (www.secovirio.com.br) ou pelo telefone (22) 2647-6807. Carnaval mais caro no Leblon O turista que escolheu o Rio de Janeiro para curtir o Carnaval 2016 e preferiu alugar um apartamento de temporada encontrou preços salgados, em especial no Leblon, um dos bairros mais desejados da Zona Sul da cidade. do Alugue Temporada comparou os preços do aluguel em 20 endereços que tradicionalmente atraem muitos turistas nessa época, avaliando casas e apartamentos de três ou quatro quartos, o que possibilita aos locatários dividir o valor pelo número de pessoas no imóvel. No Leblon, o valor médio foi de R$ 1.259 por dia, maior preço do país. Também são do Rio o quarto lugar, Copacabana (R$ 1.216 por dia), e o sexto, Ipanema (R$ 1.145 a diária). Garanta seu condomínio em condições seguras Conte com uma equipe altamente qualificada para realizar o serviço de vistoria técnica preventiva nas instalações de gás natural do seu condomínio O serviço inclui: Realização de teste de estanqueidade com emissão de laudo de resultado e respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica (ART). Avaliação quanto ao cumprimento das normas técnicas brasileiras de utilização de gás canalizado. Entrega de laudo técnico atestando o cumprimento das normas e/ou possíveis adequações necessárias para o uso seguro do gás canalizado. 12x Em até de gá na conta s Mais informações 4002 3983 gasnaturalservicos@gasnatural.com www.gasnaturalfenosa.com.br/servicos

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Mais segurança para os condomínios Secovi Rio lança cartilha sobre segurança condominial Os crimes contra condomínios acontecem a todo momento, basta prestar atenção nos noticiários. Mas evitar que isso aconteça é mais simples do que se pode imaginar. Uma das questões fundamentais é a integração entre equipamentos, funcionários, síndicos e moradores. Mas há muitas outras pequenas ações capazes de contribuir. Para trazer essas dicas à população que mora em condomínios, o Secovi Rio lançou, com o patrocínio da Haganá, empresa no ramo de terceirização de serviços de segurança, a “Cartilha de Segurança Condominial”. um projeto estratégico de segurança, até situações internas mais simples, como locação por temporada ou relacionamento com vizinhos. De forma clara e didática, as dicas colaboram para a criação de um ambiente sem paranoia, usando menos força e mais inteligência. A intenção é orientar os profissionais que trabalham nos condomínios, moradores e administrado- res sobre como utilizar os recursos tecnológicos e também como se portar diante de situações de risco, evitando-as. Em dez capítulos abordam-se os caminhos a serem seguidos a fim de eliminar as facilidades, principais causas dos assaltos. O conteúdo tem como base o material do “Trilogia – Práticas para um Condomínio Seguro”, elaborado em 2006 com a supervisão do consultor Raimundo Castro, um dos maiores especialistas em segurança patrimonial no país. A cartilha, distribuída gratuitamente para os condomínios em dia com as contribuições ao Secovi Rio, orienta sobre questões diversas, desde as mais complexas, como a preparação do condomínio, criando Ciente de que os governos e seus mecanismos oficiais não são os únicos responsáveis por promover a segurança, o Secovi Rio, como representante legal dos condomínios residenciais, comerciais e mistos em todo o Estado do Rio, sempre buscou promover treinamentos, palestras e publicações que colaborassem para a segurança predial. Em 2000, a Entidade chegou a lançar um bem-sucedido 12 SECOVI RIO | MarAbr 2016 | no 99

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programa de treinamento em segurança em parceria com a Polícia Militar, oferecendo cursos em várias regiões da cidade. Até hoje o “Trilogia – Práticas para um Condomínio Seguro” é utilizado pela Polícia em cursos ministrados para a população em diversos batalhões. Dessa vez, com a parceria da Haganá, o Sindicato busca atualizar as ferramentas de seus representados. Para o vice-presidente de Marketing do Secovi Rio, João Augusto Pessôa, o Rio de Janeiro é uma cidade que está em constante processo de transformação, e por isso é necessário que sejam renovadas as técnicas de segurança, além de reforçar as que já são eficazes. “Já era hora de nos dedicarmos a um projeto nessa área, com atualizações e dicas que serão extremamente úteis para gestores, empregados e todos aqueles que vivem ou frequentam os condomínios fluminenses”, afirma. DEIXE OS RISCOS DO LADO DE FORA! AO SÍNDICO • Um bom sistema de segurança começa pelas instalações. Quanto menor o número de vias de acesso, melhor o controle e menor o custo para assegurar o patrimônio. • Estabeleça um sistema rígido de controle de acesso. Providencie livro específico para que todo visitante seja registrado na portaria, anotando nome, número do documento, apartamento a ser visitado, além de horário de entrada e saída. Em tempo: é proibido reter documentos pessoais. • Sempre que puder, faça um acordo de apoio mútuo com outros prédios e condomínios da vizinhança. Use rádios transceptores de comunicação (walkie-talkies), pois eles facilitam a comunicação e melhoram o padrão de segurança. Para ler a cartilha na íntegra, acesse a versão digital no site: www. secovirio.com.br AO FUNCIONÁRIO • Evite ficar do lado de fora do prédio, ou próximo à grade, e não deixe portas e portões abertos. • Varrer a calçada, colocar o lixo nela e outros serviços devem ser feitos em horários alternados para que a rotina não seja acompanhada por quem está de fora. • À noite, mantenha a portaria com pouca iluminação, dificultando assim a visão de fora para dentro. Já na parte externa é importante que a iluminação seja forte e preferencialmente acionada por sensores de presença, uma vez que o acendimento repentino dará ao elemento mal-intencionado a sensação de exposição. AO MORADOR • Aguarde para sair ou entrar se o porteiro estiver identificando um estranho. • Não abra a porta do apartamento para quem você não autorizou a entrada, mesmo que esteja acompanhado por um funcionário do condomínio. • Não é recomendável deixar a chave de seu apartamento na portaria do condomínio. SECOVI RIO | MarAbr 2016 | no 99 13

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