Notícias ABPM 19ª edição Janeiro 2016

 

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Prezado sócio, Compartilhe suas experiências com todo o mundo do fly, envie para nós ensaios sobre a parte técnica da pesca com mosca, receitas de atados, fotos de insetos, fotos de pescarias, o nosso jornal é de todos e para todos! EXPEDIENTE Noticias ABPM é uma publicação interna da Associação Brasileira de Pesca com Mosca (ABPM) todos direitos reservados Direção Geral: Felipe Souza Para a seção de atados: Reportagem: André Riberio, Felipe Souza, Leandro Vitorino, João Paulo Schwerz, Rogério Batista, Pedro Fleck, Pamela Wendhausen Arte Final das Fotografias: Leandro Vitorino Sessão Atados: André Ribeiro Acervo: Adriano Rodenbusch Entrevistas: Rogério Batista e Felipe Souza 1. Fotografe em alta resolução; 2. Centralize e focalize a mosca; 3. Desfoque o fundo ou use fundos azuis, cinzas ou verdes; 4. Guarde a mosca para uma eventual necessidade de nova fotografia Envie seu material para noticiasabpm@abpm-brasil.com.br CONTATO: noticiasabpm@abpm-brasil.com.br FOTO DA CAPA FOTO: RAFAEL ARRUDA PESCADORES: MOACIR SARTORI (PAI) E GUILHERME SARTORI (FILHO). LOCAL: URUBICI, SC, BRASIL

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NOTÍCIAS ABPM Associação Brasileira de Pesca com Mosca ANO 2 – VOLUME 19 – JANEIRO DE 2016 EDITORIAL NESTA EDIÇÃO Olá amigos da ABPM, Neste mês vamos conversar com Diego Flores que em sua passagem pelo Brasil se rendeu aos encantos da Serra Gaúcha e seu potencial de pesca com mosca. Leandro Vitorino nos manda uma matéria sobre o lambari largo, que pode ser encontrado nas bacias do Alto- Tocantins. Com fotos de tirar o folego, o leitor terá a oportunidade de conhecer melhor esta espécie e suas técnicas de captura. André Ribeiro nos mostra uma simples e eficiente mosca molhada: A Bead Head Soft Hackle. De atado simples esta mosca tem presença garantida na sua caixa de moscas. Fizemos uma dinâmica muito interessante com grandes nomes da pesca com mosca no Brasil, EUA e Europa sobre as características de um bom atado. A intenção desta enquete era conhecer alguns critérios que poderiam ser usados em qualquer tipo de atado (desde secas até streamers). O Resultado foi surpreendente, não deixe de ler. Por fim, reforçamos o convite á participação mais efetiva dos sócios da ABPM EDITORIAL.............................................3 ENTREVISTA...........................................5 PEIXES DO BRASIL...............................14 ATADO................................................18 MATÉRIA ESPECIAL...........................21 SUSTENTABILIDADE.............................27 ENTOMOLOGIA.................................30 CLASSIFICADOS E ANÚNCIOS...........32 na produção desta ferramenta importantíssima para a nossa associação. Não deixe de enviar fotos, comentários, sugestões de matérias ou até matérias completas para a nossa revista. Teremos o maior prazer em publicar!!! Boa Leitura a todos! ABPM – FORTALECENDO A PESCA COM MOSCA NO BRASIL JUNTOS SOMOS MAIS FORTES Felipe Souza Editor do Notícias ABPM ASSOCI AÇÃO BRASILEIRA DE PESCA COM MOSCA - ABPM –ANO2 VOL 19- JAN - 2016 Página 3

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WWW. FL YPESCA. COM. BR L o j ao n l i n ec o mo s me l h o r e s e q u i p a me n t o s p a r aP e s c ac o m Mo s c a a c i mad eR $ 2 9 9 , 9 0 F r e t eG r á t i s 5 %D e s c o n t o n oD e p ó s i t o 3 0D i a s p a r aT r o c a eD e v o l u ç ã oG r á t i s A c e s s ep a r av e r v í d e o s t u t o r i a i s F l y p e s c a O f i c i a l F l y p e s c a n e w s . f l y p e s c a . c o m. b r

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ENTREVISTA Por: ROGÉRIO “ JAMANTA” BATISTA E JP SCHWERTZ DIEGO FLORES Diego Flores é um mosqueiro argentino que por muitos anos se dedicou a guiar pescadores nas aguas argentinas. Autor do livro “ Águas Patagônicas” e de um site homônimo, Diego é apaixonado pela docência e jornalismo. Sempre aprendendo, Diego revela suas impressões sobre o desenvolvimento da pesca com mosca no Brasil. Em passagem recente ao Brasil Diego Flores conversou com a ABPM. ABPM - Como começou a pescar com mosca? DIEGO FLORES (DF) Na minha família não havia Mas como não há pior fanático que o convertido, aos 19 comprei meu primeiro equipamento de mosca e a partir dali não parei mais. Minha primeira vara de mosca foi uma fenwick HMG para linha 6 de 8’6”, um luxo para a época. Trabalhava, vivia sozinho e dispunha de um bom salário para gastar somente comigo. O primeiro reel foi um System 2L 6/7 de Scientific Anglers, que segue em pescadores e aconteceu que minha evolução da isca natural à artificial e da artificial à mosca foi bastante solitária e trabalhosa. Foi “barranco acima”; Se quisesse pescar tinha que me virar, e de fato no início, em uma megacidade com 15 milhões de habitantes foi quase sempre “urban fishing”. Isso atrasou as coisas, mas me fez dar muito valor a cada pequeno passo em meu crescimento como pescador. A primeira vez que tive uma mosca em minhas mãos tinha uns 12 ou 13 anos, durante umas férias de verão em nossa casa familiar no mar, um povoado de só 12 casas chamado Centinela del Mar. Eram uma “wets” tipo Alexandra que apareceram no galpão de um vizinho amigo, vai saber como. Havia lido como se usavam, levei-as a um arroio próximo, atei-as em um labarizeiro (mojarrero) e pesquei várias tambicas (dientudos). Estes foram meu primeiros peixes capturados com mosca. Adolescente, meados dos 80, lendo artigos de Guglielmi, Gomaríz e sobretudo de Jorge Donovan, fiquei alucinado com a Patagônia e com a pesca com mosca. Até então era fanático do spinning, e esse apego atrasou uns dois ou três anos meu ingresso no mundo do fly. De fato minhas primeiras viagens ao sul com minha família ABPM- Fizeste algum curso, ou escola de pesca com mosca? DF- Salvo uns cursos isolados de lançamento com Daniel Colnaghi e de atado com Julio Gilardi, muito boa gente ambos, fui praticamente autodidata. Não tive a sorte de ter um adulto que me educasse ou estimulasse dentro do mundo do fly. Na realidade o que sucedeu foi o inverso, os dogmas da época e minha contestada visão da mosca me fecharam mais portas do que as que me abriram. Em minha juventude formei parte de um grupo de talentosos jovens pescadores que estavam na mesma: líamos, experimentávamos na base da tentativa e erro, e assim evoluímos, ajudando-nos uns aos outros. uso, e faz uns anos usei-o em Tsimane com dourados aos 15 e 18 anos foram com spinning. ASSOCI AÇÃO BRASILEIRA DE PESCA COM MOSCA -ABPM– ANO2 –VOL 19JAN -2016 Página 5

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ENTREVISTA Muitos deles hoje são destacados pescadores ou guias internacionais. Todos sofremos um pouco o mesmo, e neste tempo muitos adultos especulavam com a informação, e dificilmente a compartilhavam. No intercâmbio pessoal não eram tão benevolentes com os aprendizes, como hoje somos nós como adultos. Antes destas carências, abracei “a palavra escrita” como tutor que nunca tive. A revista Fly Fisherman em seus anos dourados se transformou em uma espécie de religião, e autores clássicos como Borger, Whitlock, Swisher, Marinaro, Kauffman, ou Lee, foram meus mestres sem sequer conhecê-los. Nesta época tudo era papel e uma revista estrangeira custava uma fortuna. Hoje penso na internet e a facilidade com que os novos pescadores acedem à informação: em só 5 minutos alcançam ou processam o que para nós levava meses ou anos. Hoje se quer atar uma mosca há 20 tutoriais distintos em youtube, enquanto nós aprendíamos com fotocópias borradas em branco e preto. Mudanças de paradigma, que só com 45 anos te fazem sentir um dinossauro (risadas)! ABPMsite. DF Basicamente pelo meu amor pela pesca com mosca na Patagônia! Previamente já havia feito o “Guia Haramina que era engenheiro de sistemas, a ideia ASSOCI AÇÃO BRASILEIRA DE PESCA COM MOSCA -ABPM– ANO2 –VOL 19JAN -2016 Página 6 Como surgiu a idéia do projeto “águas patagônicas”? Conte um pouco mais sobre o livro e o

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ENTREVISTA original era fazer um DVD interativo, mas não bastaram os recursos nem o tempo Daniel Wegrzynm como padrinho do projeto, nos dava as chaves da Subsecretaria de Pesca para trabalhar de noite em seus computadores. Esse primeiro livro foi muito popular, vendeu muito bem. Meu amigo Esteban Etchepare sempre insistia em que fizesse um guia mais completo, quando a ideia original havia sido só Patagônia Norte. Isso surgiu durante uma época de recém-casado, longe da força da pesca e estava como pedreiro construindo minha casa. Como pescador estava frustrado em muitos aspectos, e “Águas Patagónicas” publicado em 2004 foi converter essas emoções negativas em algo positivo. Foi uma maneira de gritar ao mundo... “Hey, estou aqui!!!!!” Este livro fechou uma década de mosqueiro na Patagônia e me deixou mentalmente extenuado. Por anos não quis saber mais nada com as trutas... Há três anos com meu sócio e amigo Emilio Rizzo decidimos transformar o material do livro em uma web de acesso público, e como não posso com meu gênio, a informação se multiplicou várias vezes. Hoje www.aguaspatagonicas.com é o resultado de uma vida dedicada á pesca e algo que amo como um filho. E também, como se atualiza permanentemente, um monstro insaciável que me consome a vida (risos)!!! ABPM- Atualmente tu tens uma escola de fly, conte um pouco sobre este projeto. DF- Sempre gostei da docência. Desde pequeno fui o companheiro ao qual todos pediam auxílio nos exames. Me encanta aprender coisas todo o tempo, e ensinar é a melhor forma de aprender. Comecei com meus cursos no Clube de Caça e Pesca Nahuel Huapi em Bariliche, durante boa parte dos anos 90. Quando regressei a Buenos Aires, e me transformei em um trabalhador independente, reformulei esse projeto no prestigioso Clube de Pescadores, de grande prestígio por seus mais ASSOCI AÇÃO BRASILEIRA DE PESCA COM MOSCA -ABPM– ANO2 –VOL 19JAN -2016 Página 7

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ENTREVISTA 110 anos de antiguidade. O curso de 8 meses de duração está dividido em módulos: equipamento, salmonídeos, dourados e espécies alternativas. Como tudo evolui, 2016 vai trazer grandes mudanças na estrutura e nos conteúdos, para fazer a escola mais prática e dinâmica. ABPM- Conte um pouco mais sobre teu atual trabalho na pesca com mosca. DF- Meus amigos me dizem que sou como uma esponja que aproveita seu estilo de vida para absorver conhecimentos todo o tempo, mas que também os processa e se exprime para entregar isso aos alunos e leitores. Meus ingressos vêm como jornalista na revista Weekend, e duas páginas web: www.aguapatagónicas.com dirigida à Patagônia, e www.diegoflores.net que antes agrupava de tudo, mas hoje está mais enfocada aos levantamentos e pescas alternativas. Também sou docente, conferencista, instrutor, atador, e faço serviços de promoção e conteúdos à importadoras. Manter uma família com esta atividade pouco lucrativa não é fácil, mas sempre dou um jeito para fechar a conta. O jornalismo resulta algo natural porque combina minhas três grandes paixões: viajar, pescar e escrever. E obviamente me permite relacionar-me com gente muito talentosa, que me ajudam a crescer e evoluir o tempo todo. Algo pelo que sempre estarei grato à pesca. ABPM- Recentemente tu estiveste no Brasil pescando, o que podes dizer sobre nossa pesca? DF- Em primeiro lugar agradecer pelo bom tratamento, e o enriquecimento de intercambiar opiniões com tão bons pescadores e dirigente. Tratei de aproveitar ao máximo a experiência, e me surpreendeu as semelhanças culturais entre gaúchos e argentinos, algo que se entende revisando sua história e geografia. ASSOCI AÇÃO BRASILEIRA DE PESCA COM MOSCA -ABPM– ANO2 –VOL 19- JAN -2016 Página 8

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ENTREVISTA Fiquei muito surpreso com os lugares que visitei, a Mata Atlântica e o Planalto do Sudeste integram uma paisagem muito poderosa. Jamais imaginei que no Rio Grande do Sul ia encontrar cidades de estilo alpino como Gramado ou Canela, com tantos pontos de contato com nossa Patagônia. Indo à pesca fiquei encantado com o bass, que imaginava como uma traíra sem dentes e resultou muito mais sutil e sofisticado que o esperado. E pescá-lo de vadeio, nesses pequenos e belos açudes de água cristalina, resultou algo muito bom. Em relação às trutas, mais que as trutas em si mesmas me impactou o lugar que habitam, e o tremendo fervor que desperta nos brasileiros. O projeto da Rota da Truta está muito bem pensado e desenhado, engloba todos os atores do recurso, e lhes desejo a melhor sorte para levá-lo a cabo. ABPM- Recentemente também estiveste participando do III Simpósio Brasileiro de Pesca com Mosca. Qual tua visão sobre a pesca com mosca no Brasil em termos de organização? DF- Uff, que boa pergunta!! Creio que apesar das dificuldades, começaram com o pé direito, com um modelo que agrupa todo num mesmo conjunto, dividido em regionais que dependem de uma central dinâmica. Que põe todos os mosqueiros brasileiros juntos em uma mesma direção. Gostei muito do que vi no II Simpósio, em relação à objetivos, ideias e o critério para desenvolvê-las. Argentina tem 50 anos de história de associações mosqueiras, enquanto Brasil não chega a meia década. Argentina tem muita história, mas suas associações funcionam independentes, em muitos casos com pensamentos ou interesses opostos. Se a isto agregamos a dificuldade de manter-se, lamentavelmente tudo se dilui e a representatividade política resulta quase nula. Muitas ONG mosqueiras argentinas estão passando por uma crise de estancamento ou velhice, enquanto que a ABPM sofre uma crise de crescimento e juventude. ASSOCI AÇÃO BRASILEIRA DE PESCA COM MOSCA -ABPM– ANO2 –VOL 19JAN -2016 Página 9

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ENTREVISTA Dois cenários opostos, mas ao mesmo tempo complementares. Seria muito bom que dirigentes de ambas pudessem conhecer-se, tenho certeza que trocariam experiências muito, mas muito valiosas para ambos. Especialmente no que se refere a pontos de pesca (risos)! ABPM- Quais peixes que tu mais gosta de pescar? Por quê? DF- Tenho algo que não sei se é uma bênção ou uma maldição... me entedio facilmente. Por isso o peixe ou a espécie que mais gosto de pescar é a próxima, a que nunca pesquei! Os contextos e a saciedade também contam; hoje por exemplo minha libido pelos dourados está bastante baixa, enquanto estou louco para pescar traíras. Algo que há 4 anos era completamente inverso. Também estou convencido que qualquer peixe, desde um lambari até um permit, independentemente de seu tamanho ou complexidade técnica tem algo bem para proporcionar. E está em nossa inteligência ou sensibilidade encontrar esse “algo”. Ainda assim tenho minhas debilidades: me atraem os peixes que combinem uma pesca delicada com uma briga poderosa. Alguns exemplos são trutas, salmões, bonefish, [róbalos patagónicos, carpas, pacues, brycones, sábalos y lisas.] Caçadores mais violentos como dourados, jureles, barracudas ou traíras, em contextos difíceis ou técnicos, também me atraem muito. Outro tanto ocorre com a micropesca ultraleviana de tilápia, peixe rei, tambicas e lambaris, ou juvenis de espécies maiores, realmente muito divertida. Os salmonídeos, os peixes mais influentes em minha matriz mental pescadora, são fascinantes porque desde uma pequena truta de um arroio até um monstro anádromo carpas, em um grande e rio glaciar, oferece que abordagens quase infinitas. Outro tanto acontece com sábalos, vogas pacus, peixes historicamente se acreditava que não tomavam moscas ASSOCI AÇÃO BRASILEIRA DE PESCA COM MOSCA -ABPM– ANO2 –VOL 19- JAN -2016 Página 10

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ENTREVISTA O flyfishing evolui a partir dos peixes caçadores, que respondem a gatilhos de movimento, volume, cor e brilho bem estudados. Aprender a enganar onívoros, herbívoros ou detritívoros, as bases implica reformular Um completamente desta modalidade. exemplo são moscas que imitam vegetais, ou os peixes de couro como bagres e surubis, algumas das novas fronteiras do flyfishing globalizado. Na atualidade a carpa é um dos meus peixes fetiche: me deixam louco, me sinto um carpaholic irrecuperável (risos)!!! Têm tudo o que pode desejar um mosqueiro: são sutis, grandes, poderosas e muito difíceis de enganar. Um peixe de logística simples e barata, mas que oferece uma pesca muito técnica e complexa. ABPM- Quais lugares mais gosta de pescar? DF- Gosto de pescar lugares e estruturas pequenas, que permitam uma abordagem íntima e desafiante, como se fosse uma mesa de cirurgia. E se se pode pescar de vadeio, em água cristalina e a peixe visto muitíssimo melhor! Ás vezes encontro estes contextos mágicos em sítios remotos, outra vez em meio de um urban fishing, e os desfruto com igual intensidade. Há dois tipos de estruturas que me deixam louco, os rios de montanha e os flats de água doce ou salgada. Põe qualquer espécie neste contexto, mesmo que seja um bagre, e automaticamente se transforma em uma bomba. Saindo do cenário pontual de pesca, indo mais ao macro, adoro que uma vara seja a desculpa para interpretar uma região, ou viver uma experiência completamente nova. Lugares que me comovem... a Patagônia toda, vadear um flat no Caribe ou Alto Paraná, os rios de selava lagoas desde de o cerrado úmida, santiaguenho ali aprendi a até a exuberância amazônica. Também pequenos arroios e pampa pescar arrastando-me no barro, e é uma marca que levarei para sempre profundamente. ASSOCI AÇÃO BRASILEIRA DE PESCA COM MOSCA -ABPM– ANO2 –VOL 19- JAN -2016 Página 11

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ENTREVISTA ABPM- Por quê não te dedicas mais a guiar? DF- Em seu momento guiei... me considero uma pessoa com muita vocação de serviço e docência, mas em seco! Se há água ou peixes no meio, tudo isso se acaba... me transformo em um egoísta e quero pescar eu (risos)!! Isto de viver da pesca através de outro, chave num trabalho de guia nunca pode catalisá-lo. Por outro lado a maioria das saídas se contrapõe com um projeto de vida familiar e ordenada. Salvo que seja guia independente, com a água perto de casa, as saídas te arrancam por completo de teu entorno familiar e social. A vida de big brother em um lodge, a competição laboral em um espaço muito fechado e a solidão afetiva que se produz, definitivamente não são para mim. Neste contexto de isolamento e carências acumuladas, é muito fácil que a paixão se transforme em fanatismo, fanatismo como sinônimo de irracionalidade ou dogma, e que muita gente se confunda ou termine com o cérebro detonado. Mais além de manter um aspecto despreocupado, uma parte importante de minha vida é estar em meu lar, com minha mulher, minha filha, minha família, meus afetos. Viajo por mais de 10 dias e logo penso em voltar. Sou muito feliz pescando, mas também sou estando em casa. ABPM- Qual mensagem tu deixaria para o mosqueiro Brasileiro? DF- Desenvolver a pesca de cada uma de suas espécies autóctones, encontrar esse “algo” que as faça interessantes, genuínas ou únicas. Sair um pouco da zona de conforto do mais evidente, fácil ou comercial. Uma tarefa gigantesca já que o Brasil é um país de escala continental, com uma biodiversidade de espécies de água sem parâmetro no mundo. Brasil tem muitos bons pescadores e comunicadores de pesca esportiva, o que me faz investigar, nutrindo-me de suas revistas, livros e fóruns. Neste momento estou muito mobilizado com o que estou lendo em Go Fishing. Estes mosqueiros que desenvolveram a pesca em pequenos ASSOCI AÇÃO BRASILEIRA DE PESCA COM MOSCA rios de cerrado goiano com equipamento leve são distintos. Elegeram sair da autoestrada para trilhar caminhos completamente originais, e estão fazendo história! A parte de ser bons pescadores, também parecem boa gente com visões e interesses sumamente interessantes. Seria um prazer conhecê-los algum dia, compartilhando a pesca que realizam. -ABPM– ANO2 –VOL 19- JAN -2016 Página 12

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Peixes do Brasil Colaboração: Leandro Vitorino FOTO: Velt e Leandro Vitorino Nome Científico: Astyanax elachylepis Nome Popular: Lambari largo Os bons adjetivos desse lambari gigante vão muito além de seu tamanho, pois além de grande e belo, sua pesca é fascinante e extremamente produtiva com moscas secas terrestriais. Seu tamanho vantajoso tirou-o de seu posto de coadjuvante forrageiro e o promoveu como um protagonista de topo de cadeia em seu ecossistema nativo. É um animal onívoro oportunista, possuindo uma alimentação bem variada, como sementes, ninfas e alguns insetos e pequenos animais terrestres que ele consiga abocanhar. Durante revoadas de tanajuras e aleluias, é possível assistir cenas lindas do frenesi alimentar nesse banquete. ASSOCI AÇÃO BRASILEIRA DE PESCA COM Segundo o renomado biólogo Dr. Flávio Lima, essa espécie de lambari (Astyanax elachylepis - Bertaco & Lucinda – 2005) pode ser realmente a maior de todas as espécies de lambaris. Sua aparência lembra um tambiú (Astyanax bimaculatus) ou lambari-do-rabo-amarelo, porém é bem mais robusto, comprido e com dorso mais largo, o que qualifica seu nome popular: lambari-largo. O lambari-largo é endêmico de alguns rios de cabeceira do Alto-Tocantins, sendo que sua principal área de ocorrência é o estado de Goiás, mais especificamente na região do entorno do Distrito Federal e Nordeste goiano. Exige águas limpas e bem oxigenadas para sobreviver. É o principal concorrente das pirapitingas na Bacia do Alto-Tocantins, uma vez que dividem os mesmos rios. MOSCA -ABPM–ANO2VOL 19-JAN -2016 Página 14

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Sua concorrência é tanta que em certos pontos ou encontramos pirapitinga ou lambari-largo, raramente os dois dividem o mesmo corredor de alimentação. Após a apresentação de uma terrestrial no corredor de alimentação, não demora muito pra ela sofrer a batida frenética do lambari-largo. A estratégia para pescá-lo assemelha-se à da pirapitinga e suas forças também são compatíveis quando comparando exemplares de mesmo tamanho, o que irá diferenciá-los na batalha são os saltos, pois, enquanto a pirapitinga costuma saltar com muita frequência, o lambari-largo rarissimamente salta. Assim como na pesca da pirapitinga, costumamos pescar o lambari-largo nos pequenos rios de aguas cristalinas, subindo o rio (upstream) e com moscas terrestriais. As moscas clássicas truteiras também podem ser usadas com excelente efetividade, porém serão menos seletivas, podendo atrair a atenção de outras espécies pequenas de lambaris, que não são as mais desejadas. A pesca desse pequeno valente além de ser recheada de ataques explosivos na superfície, também exige técnica apurada, uma vez que é bem arisco e assim que percebe a aproximação do mosqueiro Apesar de ser uma espécie incrível, seu endemismo restringe sua ocorrência a alguns poucos rios, deixando esse lambari gigante fora do alcance da maioria dos mosqueiros brasileiros, uma pena, pois quem já é apreciador de uma divertida uma pescaria de pequenos lambaris na mosca, pode ficar imaginando o quanto seria bacana ter esse lambari gigante na ponta do tippet... bloqueia os ataques e se esconde nas fendas das pedras submersas. ASSOCI AÇÃO BRASILEIRA DE PESCA COM MOSCA -ABPM–ANO2- VOL 19-JAN -2016 Página 15

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