Revista O Biólogo nº 36 - Praga urbana | Os pombos das grandes cidades estão se tornando um problema de saúde pública

 

Embed or link this publication

Description

Revista O Biólogo nº 36 - Praga urbana | Os pombos das grandes cidades estão se tornando um problema de saúde pública

Popular Pages


p. 1

Ano IX - no 36 - Out/Nov/Dez 2015 o Biólogo Revista do Conselho Regional de Biologia - 1a Região (SP, MT, MS) ISSN 1982-5897 Os pombos das grandes cidades estão se tornando um problema de saúde pública Praga urbana Projeto Tamar Base em Ubatuba coleciona conquistas desde 1991 Longa jornada A Bióloga Olga Yano relembra a trajetória da luta pela regulamentação da profissão Profissão: Biólogo Profissionais falam sobre o cotidiano do trabalho e os desafios que enfrentam

[close]

p. 2

Tome Nota O Biólogo ÍNDICE Revista do Conselho Regional de Biologia 1a Região (SP, MT, MS) Ano IX – No 36 – Out/Nov/Dez 2015 ISSN: 1982-5897 Conselho Regional de Biologia - 1a Região (São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul) Rua Manoel da Nóbrega, 595 – Conjunto 111 CEP: 04001-083 – São Paulo – SP Tel.: (11) 3884-1489 – Fax: (11) 3887-0163 crbio01@crbio01.gov.br / www.crbio01.gov.br Delegacia Regional de Mato Grosso do Sul CRBio-01 Rua 15 de novembro, 310 – 7o Andar – sala 703 CEP: 79002-140 – Campo Grande – MS Tel.: (67) 3044-6661 – delegaciams@crbio01.gov.br Delegacia Regional de Mato Grosso - CRBio-01 Em breve novo endereço Diretoria Eliézer José Marques Presidente Luiz Eloy Pereira Vice-Presidente Celso Luis Marino Secretário Edison Kubo Tesoureiro 03 Editorial 04 O Biólogo como profissional 08 Grandes Biólogos brasileiros 09 Ecos da Plenária Conselheiros Efetivos (2015-2019) Celso Luis Marino; Edison Kubo; Eliézer José Marques; Giuseppe Puorto; Iracema Helena Schoenlein-Crusius; João Alberto Paschoa dos Santos; João Sthengel Morgante; Luiz Eloy Pereira; Maria Saleti Ferraz Dias Ferreira; Wagner Cotroni Valenti. Conselheiros Suplentes Ana Paula de Arruda Geraldes Kataoka; André Camilli Dias; Edison de Souza; Horácio Manuel Santana Teles; José Carlos Chaves dos Santos; Maria Teresa de Paiva Azevedo; Marta Condé Lamparelli; Normandes Matos da Silva; Regina Célia Mingroni Neto; Sarah Arana. Grupo de Trabalho na Área de Comunicação do CRBio-01: Giuseppe Puorto (Coordenador) João Alberto Paschoa dos Santos João Stenghel Morgante Wagner Cotroni Valenti Jornalista responsável: Jayme Brener (MTb 19.289) Editor: Cláudio Camargo Textos: George Alonso, Cláudio Camargo e Silvia Kochen Projeto Gráfico, Diagramação e Capa: Regina Beer Periodicidade: Trimestral Tiragem: 18.000 mil exemplares Os artigos assinados são de exclusiva responsabilidade de seus autores e podem não refletir a opinião desta entidade. O CRBio-01 não responde pela qualidade dos cursos divulgados. A publicação destes visa apenas dar conhecimento aos profissionais das opções O BIOLOGO Jan/Fev/Mar 2015 disponíveis no mercado. 10 Tome nota: o desastre ecológico em Marina 11 Arquivo do Biólogo 12 Pombos, uma praga urbana 16 A luta pela regulamentação da profissão 19 CFBio Notícias 20 Projeto Tamar em Ubatuba atinge maturidade 2

[close]

p. 3

Editorial Caros Biólogos, E mbora a profissão de Biólogo tenha sido reconhecida como tal há pouco mais de 35 anos, hoje já existem 80 mil profissionais registrados trabalhando em todo país. Nesta edição da revista trazemos uma reportagem sobre a atuação do Biólogo como profissional, seja na área pública ou privada, na qual alguns profissionais renomados falam sobre os desafios e os problemas enfrentados no dia a dia. Esses profissionais ressaltam que, apesar das dificuldades, a profissão de Biólogo continua sendo muito atraente, pois oferece enormes possibilidades de atuação. Também conversamos com a Dra. Olga Yano, do Instituto de Botânica de São Paulo, que relata a trajetória, nos anos 1970, da luta pela regulamentação da profissão e a criação do Conselho Federal de Biologia, CFBio, e os Conselhos Regionais de Biologia, os CRBios. Para a Dra. Olga, agora é fundamental aprofundar a valorização do Biólogo, com medidas como a criação de uma entidade de classe, um sindicato, para defender nossos interesses. “Nossa luta continua”, diz ela. Você poderá conferir uma reportagem muito interessante sobre os pombos, essas simpáticas aves que nos últimos tempos deixaram de ser atração turística para se tornar um grave problema de saúde pública, na medida em que são grandes transmissores de doenças. Os pombos, que faziam a alegria de turistas em locais glamorosos como a Piazza de San Marco, em Veneza, ou em Trafalgar Square, em Londres, hoje são consideradas verdadeiras pragas urbanas. Outra matéria interessante desta edição trata da base paulista do Projeto Tartaruga Marinha (Tamar), em Ubatuba, que completa 25 anos com um saldo altamente positivo: cerca de dez mil tartarugas devolvidas ao mar desde 1991 e a criação de uma rede de colaboração voluntária com cerca de 80 pescadores. A experiência exitosa do Tamar mostra que é possível evitar catástrofes ecológicas anunciadas. Agora, torcemos para que possamos reverter o desastre ambiental ocorrido em Mariana (Minas Gerais). Eliézer José Marques Presidente do CRBio-01 Antes de Emitir a ART Consulte a Resolução CFBio n.º 11/03 e o Manual da ART. CFBio Digital O espaço do Biólogo na Internet Mudou de Endereço? Informe o CRBio-01 quando mudar de endereço, ou quando houver alteração de telefone, CEP ou e-mail. Mantenha o seu endereço atualizado. O CRBio-01 estabeleceu parceria com a empresa Enozes Publicações para implantação do CRBioDigital, espaço exclusivo na Internet para Biólogos registrados divulgarem seus currículos, artigos, notícias, prestação de serviços, além de disponibilizar um Site a cada profissional. O conteúdo é totalmente gerenciado pelo próprio profissional. O CRBioDigital além de ser guia e catálogo eletrônico de profissionais, promove também a interação entre os Biólogos registrados, formando uma comunidade profissional digital.  Para acessar entre no portal do CRBio-01: www.crbio01.gov.br Out/Nov/Dez 2015 O Biólogo 3

[close]

p. 4

O Biólogo como Conheça os principais avanços, e também, as dificuldades encontradas por profissionais em diversas áreas de atuação Por Vinícius Abbate profissional Shutterstock 4 O Biólogo Out/Nov/Dez 2015

[close]

p. 5

O O campo de estudos em Biologia é bastante amplo e a carreira de Biólogo é muito promissora no Brasil, seja como pesquisador, professor ou trabalhando em empresas dos mais diversos tipos. As áreas de saúde, meio ambiente, genética e zoologia, entre outras, estão entre as mais disputadas. Nesta reportagem, alguns profissionais relatam os desafios e problemas do Biólogo em seu trabalho cotidiano. A Bióloga Ana Paula de Arruda Geraldes Kataoka atua na área de saúde pública desde 2003. Trabalha no Laboratório de Zoonoses e Doenças Transmitidas por Vetores, do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), da Prefeitura de São Paulo. A finalidade desse laboratório é promover o suporte laboratorial aos programas e ações da Secretaria de Saúde de São Paulo, para subsidiar ações de prevenção e controle de riscos à saúde da população. Ana Paula é responsável pelo planejamento e coordenação das atividades do laboratório e avaliação de resultados. Ela explica que sua equipe de trabalho é altamente capacitada e engajada no atendimento às demandas. No entanto, Ana Paula reconhece que enfrenta alguns problemas, que para ela, são comuns na área, como a falta de recursos humanos e financeiros. Out/Nov/Dez 2015 O Biólogo 5

[close]

p. 6

Tome Nota que exerçam suas atividades com complementaridade e respeito mútuo. “No caso das áreas de interface, a competência do profissional deve prevalecer”, destaca. Aperfeiçoamento profissional O Biólogo José Carlos Chaves dos Santos trabalha em uma empresa especializada em consultoria ambiental, chamada Fibracon, sediada em Campo Grande (MS). Ele conta que trabalha com Biólogos de diferentes especialidades, que cobrem diversos grupos taxonômicos e especialidades para a elaboração de estudos ambientais, planos de manejo de unidades de conservação. Apesar de ser diretor da empresa, Santos não deixa de ir a campo no período de implantação dos projetos e coordenação de atividades relacionadas à fauna. Para ele, o sucesso profissional dos Biólogos está relacionado à capacidade de trabalhar em equipe. Os maiores avanços ocorrem graças às técnicas para obtenção e análise de dados, tanto em laboratório quanto em campo “O Biólogo que atua na área de meio ambiente deve ser capaz de consolidar informações de diferentes especialidades da Biologia e mesmo de profissões correlatas. Para tanto, deve compreender as relações de diversos grupos taxonômicos e suas relações com o meio, assim como identificação dos impactos e ações para mitigação”, diz. Por outro lado, Santos afirma que um dos problemas de sua área é a formação de equipes de campo, tendo em vista a dificuldade de encontrar cursos voltados a essas atividades, que ofereçam ao mesmo Arquivo pessoal Ana Paula de Arruda Geraldes Kataoka “A maior dificuldade é a falta de reposição de pessoal, porque para que o laboratório mantenha um alto nível de qualidade, é necessário que possua uma equipe experiente e comprometida, já que a eficiência do serviço depende da capacitação técnica de sua equipe”, diz. Ana Paula avalia que existe sobreposição entre as profissões de Biólogo e de veterinário, pois ambas profissões atuam na área de Vigilância em Saúde. “Embora exista a sobreposição, os profissionais das duas áreas são capacitados para atuar na área da Vigilância em Saúde”, afirma. “Pode-se dizer que o Biólogo é um generalista e que sua especialidade dependerá de cursos de pós-graduação complementares, somados à experiência profissional específica”, diz. Para ela, o progresso constante das ciências biológicas e das tecnologias da saúde implica, cada vez mais, em uma atividade multidisciplinar complexa que deverá ser desenvolvida por diferentes profissionais, José Carlos Chaves dos Santos 6 O Biólogo Out/Nov/Dez 2015 Arquivo pessoal

[close]

p. 7

tempo formação acadêmica e capacidade técnica. Ele acredita que para melhorar a atuação do Biólogo consultor é necessário profissionalizá-lo e prepará-lo para o mercado, dentro e fora das universidades. “A nossa atuação encontra limites na constante necessidade de acompanhamento das novas tecnologias aplicadas à pesquisa, educação e meio ambiente. Os maiores avanços ocorrem graças às técnicas para obtenção e análise de dados, tanto em laboratórios, quanto em campo, levando o Biólogo cada vez mais perto das fronteiras da Biologia, interligando esta ciência a outras”, explica. Entre os avanços da profissão, destaca o aumento da consciência ambiental da população, o que facilita a atuação do profissional, e alerta para a importância do contínuo aperfeiçoamento profissional. “Meu desempenho profissional está relacionado com a constante atualização e com a capacidade de integração da nossa equipe, o que permite acompanhar as exigências dos órgãos licenciadores e dos empreendedores”, diz. Destaca também a importância dos Conselhos Regionais de Biologia, que amparam e defendem os Biólogos, garantindo o exercício profissional e as áreas de atuação. Problemas com burocracia O doutor Paulo Lee Ho é diretor da Divisão de Desenvolvimento Tecnológico e Produção do Instituto Butantan, em São Paulo, onde gerencia as atividades de produção e faz o planejamento de ações e acompanhamento das oportunidades em saúde pública. Para ele, um dos principais problemas encontrados na sua área é a burocracia, que tem aumentado com exigências de garantia de qualidade, regulatórias e legais, o que acaba dificultando o trabalho. “É preciso muita integração e comunicação entre as áreas. Creio que melhoraria muito se pudéssemos comprar insumos e equipamentos com maior liberdade. Compras por licitação podem ser um problema, porque os produtos mais baratos geralmente são os de pior qualidade. Esta é uma questão séria para o setor produtivo do Instituto Butantan”, explica. Ho acredita que a profissão de Biólogo continua sendo atraente, pois oferece muitas possibilidades. Mas ele admite que, dependendo da área de interesse, poderão ocorrer conflitos com outros profissionais, mas que isso não é necessariamente um problema grave. “Estar em conflito com outras áreas é absolutamente normal. A questão é nos habilitarmos melhor para enfrentar estes conflitos. Nesse sentido, a grade curricular do Biólogo ainda é pouco profissional e muito acadêmica. Não sabemos abrir empresas, não temos disciplinas contábeis, de administração, não temos disciplinas sobre aspectos regulatórios, não sabemos fazer um plano de negócios. É preciso habilitar o Biólogo não só como acadêmico mas também como profissional liberal”, afirma. ¤ Out/Nov/Dez 2015 O Biólogo Arquivo pessoal Paulo Lee Ho Shutterstock 7

[close]

p. 8

Grandes Biólogos Brasileiros Crodowaldo Pavan O Biólogo Crodowaldo Pavan (1919-2009) é considerado um dos maiores cientistas brasileiros de todos os tempos. Ele publicou trabalhos de impacto sobre genética quando os cientistas estavam apenas começando a compreender as estruturas do DNA. Por isso, é tido como um dos ancestrais da árvore genealógica acadêmica dos biólogos brasileiros. Nascido em 1º de dezembro de 1919 na cidade de Campinas, Pavan descendia de italianos e seu pai, Henrique Pavan, era dono de uma fábrica de porcelana em Mogi das Cruzes. Pretendia ser engenheiro, mas quando cursava a Escola Politécnica ficou encantado com um filme sobre a vida de Louis Pasteur. Inspirado pelo Biólogo André Dreyfus, um dos pioneiros da genética no Brasil, Pavan prestou vestibular para o curso de História Natural na USP e passou em 2º lugar. O professor Crodowaldo Pavan Formou-se em 1941 e tornou-se assistente do professor Dreyfus na cadeira de Biologia Geral da USP. Sua grande contribuição científica nasceu do estudo da Rhynchosciara angelae, uma mosca cujos cromossomos gigantes permitiam estudá-la melhor. Pavan fez uma descoberta revolucionária, pois até então se acreditava que o número de genes e, consequentemente, a quantidade de DNA, eram constantes em cada ser vivo. Sua pesquisa descobriu um processo denominado “amplificação gênica”, que mostrava que a estrutura dos genes e cromossomos poderia ser alterada. O trabalho foi publicado na prestigiosa revista britânica Nature. Esse trabalho, sem dúvida, colocou o Brasil no mapa da biologia e da genética mundiais. Crodowaldo Pavan também foi o primeiro geneticista brasileiro a se envolver em pesquisas sobre os efeitos das radiações, tendo sido membro da delegação brasileira no Comitê Científico para o Estudo dos Efeitos das Radiações Atômicas, junto às Nações Unidas, de 1957 a 1967. Em 1966, ele foi contratado como pesquisador do Laboratório Nacional de Oak Ridge, EUA, para criar um laboratório de No laboratório de Oak Ridge (Tennessee), em 1966 genética celular. Em 1968, tornou-se professor na Universidade do Texas em Austin, EUA. Retornou ao Brasil em 1975, e, depois de se aposentar de seu cargo na USP, virou professor titular da Unicamp, como diretor do Instituto de Biologia. Também presidiu a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) entre 1981 e 1986. Como presidente da Fapesp, entre 1980 e 1984, conseguiu fazer com que a parcela do ICMS destinada à instituição dobrasse, passando de 0,5% para 1%. Entre 1986 e 1990 foi presidente do Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o CNPq. ¤ Banco de Imagens Ex Libris ANUNCIE NA REVISTA O Biólogo ATENÇÃO BIÓLOGOS! PAGAMENTOS AO CRBio-01 Todos os pagamentos a serem efetuados ao CRBio-01 (anuidades, recolhimentos, taxas de eventos e outros) devem ser pagos EXCLUSIVAMENTE por meio de BOLETO BANCÁRIO, e não de depósito em conta, pois não é possível a identificação do mesmo, ficando, assim, o débito a descoberto. Consulte tabela de preços no Portal do CRBio-01: www.crbio01.gov.br 8 O Biólogo Out/Nov/Dez 2015 Prof. Carlos Vilela/USP

[close]

p. 9

ECOS DA PLENÁRIA A 171ª Sessão Plenária do CRBio-01 foi realizada em 9 de outubro de 2015, em sua sede, na cidade de São Paulo. Na Ordem do Dia: foram homologadas 122 inscrições de pessoa física, sendo 12 na modalidade de registro provisório e 110 na modalidade de registro definitivo. Foram reativados 14 registros e cancelados 43, a pedido. Expedientes da Secretaria: 10 Biólogos solicitaram transferência de registro pra outra Regional; três solicitaram transferência de registro para o CRBio-01; 23 solicitaram Registro Secundário no CRBio-01 e outros dois que solicitaram licença. Também foram homologadas 27 inscrições (registro/cadastro) de Pessoas Jurídicas e 27 Termos de Responsabilidade Técnica (TRTs). Ainda foi apreciada 1 solicitação de concessão de TRT, e reanalisada, com aprovação, a concessão de 1 TRT e cancelados 5 registros de Pessoa Jurídica/ TRT e 8 Termos de Responsabilidade Técnica. Por fim, dos 4 Títulos de Especialista solicitados, foram aprovados todos.¤

[close]

p. 10

Tome Nota Tragédia – O rompimento da barragem de Mariana, em Minas Gerais, provocou um desastre ambiental incalculável, afetando outros estados e destruindo ecossistemas. Mais uma vez o meio ambiente paga um preço muito alto. Além de lamentarmos os impactos à natureza, o Conselho Regional de Biologia - CRBio-01 manifesta seu pesar às pessoas que perderam parentes e amigos com essa tragédia. Esperamos que os responsáveis sejam punidos. 10 O Biólogo Out/Nov/Dez 2015 Banco de Imagens Ex Libris

[close]

p. 11

aRQUIVO DO BIÓLOGO A fotografia faz parte da rotina de muitos Biólogos. Esta seção da Revista publica fotos curiosas, interessantes, significativas e inusitadas da fauna, da flora e de paisagens, captadas por Biólogos. Fotos tiradas na Amazônia Mato Grossense. Jackson Carlos Aragão, Biológo CRBio 079343/01-D Tangara sayaca Foto tirada na cidade de Amparo, no interior de SP. Felipe Feliciani, Biólogo CRBio/SP: 74743/01-D Fotos tiradas no Alaska Sylvia Maria Affonso da Silva, Bióloga da UNIFESP Out/Nov/Dez 2015 O Biólogo 11

[close]

p. 12

acontece Banco de Imagens Ex Libris 12 O Biólogo Out/Nov/Dez 2015

[close]

p. 13

Os pombos da paz também podem matar E Antes vistas como atração turística, essas aves viraram uma praga urbana, responsável pela transmissão de doenças como a toxoplasmose Por George Alonso les ajudaram a fazer a fama da Piazza de San Marco, a única de Veneza (Itália); a glória da turística Trafalgar Square, em Londres (Inglaterra); e a tradição da Plaza de Mayo, diante da Casa Rosada, em Buenos Aires (Argentina). As pombas urbanas, sejam cinzas ou brancas, que são o símbolo da paz, também podem matar homens e animais domésticos, por transmitirem mais de 50 doenças, inclusive a gripe aviária. Embora pesquisa tenha demonstrado que os pombos adultos não são suscetíveis ao vírus mais perigoso da gripe aviária, o sorotipo H5N1, outros estudos mostraram sinais clínicos e lesões neurológicas nos pombos decorrentes da infecção pelo mesmo vírus. Outros estudos, porém, revelaram que os pombos são afetados pelo vírus sorotipo H7N7. Portanto, tenha muito cuidado com as belas revoadas de pombos nas praças, que atraem tanto as famílias, principalmente as crianças. A expressão “que bonitinho!”, usada quando os jovens correm atrás dos pombos para dar milho, pode esconder um sério risco à saúde das crianças. O contato, involuntário, com as fezes dos pombos é a principal maneira de correr o risco de contrair doenças graves, como a criptococose (que pode resultar em pneumonia e meningite). No Brasil e em muitos outros países, os pombos são considerados pragas urbanas não só por serem transmissores de moléstias, mas também por serem vistos como causadores de graves problemas Out/Nov/Dez 2015 O Biólogo 13

[close]

p. 14

acontece ambientais. Por exemplo, em áreas costeiras, essas aves promovem a competição pelo espaço e pelos alimentos, com outras espécies de aves nativas. Mas o pombo urbano, da espécie Columba livia domestica, “é uma praga não pela quantidade e sim pelo risco que ele representa à saúde das pessoas”, explica o Biólogo Sergio dos Santos Bocalini [CRBio 23668-01D]. “Além disso, devido à acidez de suas fezes, os pombos urbanos causam prejuízos econômicos: mancham a pintura dos carros, estragam monumentos e entopem as calhas, provocando infiltrações nos edifícios”, afirma ele. Originalmente, o Columba livia era uma ave selvagem. Mas, há milhares de anos, ela passou a ser domesticada e, com a urbanização mundial, tornou-se muito presente nas cidades. Assim surgiu o Columba livia domestica que, bem treinado, começou a ser utilizado como pombo-correio. Para o trabalho de mensageiro, o pombo escolhido é da mesma espécie, mas de porte maior e tem uma carúncula mais acentuada na base do bico. Eles foram usados como forma alternativa de comunicação durante as duas Guerras Mundiais, porque conseguem percorrer longas distâncias e retornar ao ponto de origem, se orientando pela posição do sol, memória visual e seu relógio biológico. Levavam avisos e documentos ao front, em pequenos papéis acondicionados em tubinhos presos aos pés. Mas podiam não chegar ao destino, abatidos pelo seu inimigo natural, os gaviões. Até alguns anos atrás, a Rússia manteve uma “divisão” de pombos-correio e um hospital inglês usava a ave para enviar mensagens sobre exames laboratoriais, para fugir do trânsito. Hoje, pelo menos no Brasil, infelizmente não é folclore, esse serviço de mensageiro já foi deturpado – e pombos foram usados para levar drogas e dinheiro para corromper carcereiros nos presídios. Há, porém, outros tipos de pombos silvestres que não são considerados uma ameaça à saúde pública, como o pombão. No ambiente natural, o habitat dos pombos são as encostas e áreas rochosas, onde podem fazer seus ninhos. Nas cidades, porém, eles se protegem do calor e do frio em forros sob os telhados, calhas, cantos de monumentos. Nesses lugares vivem e se reproduzem. Por ano, uma pomba pode gerar até 15 novos pombinhos em cinco posturas. Se o forro de uma casa onde moram não for limpo diariamente, o risco de doenças aumenta consideravelmente. Uma instrução normativa do Ibama reconhece o pombo-comum como praga e recomenda seu manejo. Segundo o Biólogo Sergio Bocalini, atualmente é possível evitar que os bandos de pombos criem ninhos em casas, por exemplo. Há calhas especiais e outros equipamentos usados para impedir que os pombos se 14 O Biólogo Out/Nov/Dez 2015 Banco de Imagens Ex Libris

[close]

p. 15

Visite e curta a fan page do CRBio-01: www.facebook.com/CRBio01 Out/Nov/Dez 2015 O Biólogo Shutterstock alojem em lugares inacessíveis. Em último caso, segundo ele, quando há certeza de haver um foco da transmissão de doenças, é preciso capturá-los e abatê-los seguindo métodos humanitários, sem impor sofrimento. Como os pombos, que costumam comer grãos e sementes, também aceitam outro tipo de alimentação (pães, farelos e restos de comida), acabam virando diversão para muita gente, devido à sua aparência inofensiva, dócil e cativante. “É uma questão cultural; a pomba simboliza a paz e, na religião, é a imagem do Espírito Santo”, lembra o Biólogo. Aliás, a pomba é uma das duas primeiras aves mencionadas na Bíblia, sendo que Noé despachou de sua arca uma pomba três vezes depois do Dilúvio para determinar como estava o escoamento das águas. Até que numa delas, a pomba trouxe um ramo de árvore, sugerindo que já havia terra não submersa. Mas se alguém que teve contato com pombos sentir febre alta, calafrios e dor de cabeça deve procurar um médico urgente para evitar infecções por fungos, ou infecções pulmonares. Pessoas que têm contato direto com essas aves costumeiramente precisam usar luvas e máscaras protetoras, para evitar a inalação das fezes depositadas no chão, janelas e calçadas. Nesses locais, o correto é molhar com água e cloro e deixar o produto agir por aproximadamente uma hora. Uma das doenças mais graves transmitidas por pombos é a criptococose, provocada por um fungo encontrado em frutas, cereais e nas fezes dessas aves Entre as doenças transmitidas pelos pombos estão a toxoplasmose, a histoplasmose e a ornitose, além de bactérias como a salmonella e as dermatites, causadas por parasitas como o chamado “piolho de pombo”. Uma das doenças mais graves é a criptococose. Infecciosa, ela é provocada por um fungo encontrado em frutas, cereais, árvores e nas fezes dos pombos, o principal vetor da doença. Os sintomas mais comuns são dor no peito, rigidez na nuca, suores noturnos, confusão mental, alterações de visão, corrimento nasal, dispnéia, espirros, dor de cabeça, náuseas, vômitos, sensibilidade à luz, febre, fraqueza, lesões na pele, perda de coordenação motora e perda da fala. Os sintomas variam de acordo com o órgão afetado, que pode se limitar ao sistema respiratório ou se estender à próstata, aos ossos e ao cérebro (meningite). O tratamento médico deve ser iniciado o mais rápido possível, para diminuir o risco à vida do paciente. Antigamente, era muito comum em qualquer praça de cidade do interior haver gente dando alimentos aos pombos. Hoje, a tendência é desencorajar essa atitude. Há até uma certa repugnância em relação aos pombos, com pessoas chamando essas aves de “ratos alados”. Nunca, porém, fez tanto sentido o refrão da música “Dando milho aos pombos”, do cantor e compositor Zé Geraldo, sobre a consciência da alienação: “Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça dando milho aos pombos...” Ora, pombas, todo cuidado é importante quando o assunto é saúde pública. ¤ 15

[close]

Comments

no comments yet