Revista-Comercio-Industria-Fevereiro-2016

 

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ÍNDICE CAPA Coca Ferraz e a sua cidade APARÍCIO DAHAB Trabalhaste muito, Aparício INDÚSTRIA Cidade, pólo metroferroviário ORQUÍDEA Descobrindo Araraquara 8 O atual vice-prefeito e coordenador de Mobilidade Urbana humaniza o trânsito local e investe suas fichas na transformação da cidade, tornando-a ótima para se viver bem no futuro. 10 Aparício da Kibelanche, Mayr Staufackar e Vicente Michetti, amigos inseparáveis que Araraquara teve em sua história. A perda de Aparício entristeceu a cidade em janeiro. 16 Araraquara pode se transformar em uma cidade pólo metroferroviário com a chegada da Hyundai a partir de março, quando iniciará oficialmente suas operações fabris. 34 Sindicato Rural apoia iniciativa de se mostrar o trabalho anônimo de pessoas na cidade, caso do orquidófilo Rolando Adorni Filho, que produz flores em sua casa. Editorial 07 | Jornalista Ivan Roberto Peroni diz que há excesso de leite no mercado e falta gente para comprar, podendo levar o setor ao caos. Revitalização 10 | ACIA está se preparando para entregar até abril, sua sede administrativa totalmente reformada no centro da cidade. História Feriados em 2016 18 | A Gráfica Globo é uma das 20 | Renato Haddad (ACIA) e empresas que ainda hoje mantém Toninho Deliza (Sincomercio) falam o perfil do seu fundador Raul Aranda dos feriados em 2016 e os prejuízos Amado. Uma bela história de trabalho. que eles causam ao comércio. Cacetada na pobreza A inflação em São Paulo penalizou mais as famílias com menor poder aquisitivo em 2015, apontou cálculo do Dieese. O Índice do Custo de Vida registrou variação de 11,46% no ano, 4,73 pontos percentuais acima do apurado em 2014. Além do agregado, o indicador calcula o custo de vida do consumidor por estrato de renda. Por este parâmetro, a inflação para as famílias do estrato 1, com renda média mensal de R$ 377,49, acumulou alta de 12,83% em 2015. As famílias do estrato 2, com renda média de R$ 934,17, tiveram aumento de Perigo maior ainda Levando-se em conta que Araraquara teve cerca de 10 mil casos de dengue em 2015, chega-se à conclusão de que foram mais de 800 casos por mês. O temor neste momento está concentrado na continuidade das chuvas de verão e o sol senegalesco contribuindo para a proliferação dos criadouros. Pesa na balança a falta de colaboração de grande parte da população que impede a fiscalização nas casas. Energia elétrica castigou a inflação 12,07% no custo de vida no período. A inflação para os mais ricos - famílias do estrato 3, que têm renda média mensal de R$ 2.792,90, atingiu 10,43%. 4

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DA REDAÇÃO Sônia Maria Marques ATLETISMO Escamilla, o flecha ligeira SAÚDE A crioterapia na reabilitação Um ponto final na vida da Beneficência O fechamento da Beneficência Portuguesa em nossa cidade representa uma perda irreparável para a saúde pública regional. Triste presente recebeu ela no ano do seu centenário, maculado por atritos internos e discussões judiciais, que tornaram frágil qualquer esboço para recolocá-la de pé. Estruturada sobre um plano de saúde, Benemed, que chegou a ter cerca de 40 mil vidas, além de parcerias com entidades profissionais e filantrópicas, a Beneficencia virou no encerramento de um mandato - Fábio Santiago, e começo de outro - Natalina Correia Leite, uma fonte inesgotável de ofensas, e outro não poderia ser o seu fim, senão esse do fechamento. Do suor derramado pelos nossos antepassados portugueses aos tempos de agora, houve um percurso tortuoso se desgastando e gerando um desequilíbrio, provocado pelas dívidas. O fechamento envolto por bate-bocas e xingamentos desnecessários não construiu nada. Fábio Santiago foi importante para a Beneficência como tantos outros que por ela passaram; cada qual foi de grande valia na sua época. A disputa eleitoral de maneira agressiva e destemperada poderia ter sido amena, afinal, todos os envolvidos sempre foram dignos do respeito e consideração da comunidade. Casos administrativos que só à Irmandade interessavam, se tornaram públicos e a insegurança foi gerada, não se permitindo dar a ele, hospital, o crédito para se restabelecer, por mais bem intencionados que tenham sido os novos dirigentes. A ausência da classe política para contemporizar, também ajudou a fechar as portas da Beneficência. 54 O atletismo da Ferroviária nos áureos tempos com Uriel Pedroso e Edmilson Escamilla. Nesta edição a história de sucesso dos nossos corredores. 33 O médico Guido Tsuha com formação em Medicina Esportiva, explica como funciona a crioterapia, que utiliza o frio para reabilitar pacientes lesionados. Simples Nacional 22 | A Solssia manda recado: começa a vigorar a Certificação Digital para empresas com até oito funcionários. Mães e bebês 48 | Araraquara terá a Casa da Gestante até julho; iniciativa é do prefeito Marcelo Barbieri garantindo 15 leitos na Gota. Citado na Lava Jato, Manoel de Araújo deixa gabinete de Edinho O chefe de gabinete do ministro Edinho Silva (Secretaria de Comunicação Social), Manoel de Araújo Sobrinho, deixou o cargo para trabalhar na superintendência da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC). “Mané” desde os tempos da Prefeitura em Araraquara, tem sido o homem de confiança de Edinho e foi citado em delação do dono da construtora UTC, Ricardo Pessoa, como responsável por acertar doações de R$ 7,5 milhões para a campanha da presidente Dilma Rousseff, em 2014. Pessoa disse que a empreiteira teria sido pressionada a fazer a doação para que pudesse continuar a ter contratos com a Petrobras. Em meados de outubro, Manoel prestou depoimento à Polícia Federal sobre o assunto. O Planalto nega que sua saída da Secom tenha qualquer relação com o depoimento de Pessoa. De acordo com os assessores, a EBC está passando por alterações e, por isso, Mané assumiu um cargo na empresa. Em julho, matéria do Estado informou que a saída de Manoel estava acertada, o que foi negado à época. Ele chegou ao Planalto junto com o ministro, no início de abril. Agora é Superintendente da Regional Sudeste II/Sul da EBC. O salário antes era de R$ 11.235. Manoel de Araujo Sobrinho e Edinho Silva, relacionamento político que começou no PT de Araraquara EDIÇÃO N°127 - FEVEREIRO / 2016 Diretor Editorial: Ivan Roberto Peroni Supervisora Editorial: Sônia Marques Redação: Rafael Zocco Diretor Comercial: Humberto Perez Depto. Comercial: Gian Roberto, Silmara Zanardi, Marcos Assumpção, Heloísa Nascimento Design: Carolina Bacardi, Bete Campos, Mário Francisco Pedrolongo Tiragem: 5 mil exemplares Impressão: Grafinew - (16) 3322-6131 A Revista Comércio & Indústria é distribuida gratuitamente em Araraquara e região * INFORMAÇÕES ACIA: (16) 3322 3633 * COORDENAÇÃO, EDITORAÇÃO, REDAÇÃO E PUBLICIDADE Fone/Fax: (16) 3336 4433 Rua Tupi, 245 - Centro Araraquara/SP - CEP: 14801-307 marzo@marzo.com.br 5

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EDITORIAL Não avisaram a vaca que haveria crise em 2015 Araraquara a partir dos anos 40, passou a ser considerada uma das mais importantes bacias leiteiras do interior brasileiro; já naquela época sua posição estratégica, bem no centro no Estado de São Paulo, despertou principalmente a atenção da Nestlé e em 1946, logo após a Segunda Guerra Mundial, a inauguração da fábrica nos altos da Vila Xavier era para responder à crescente demanda de Leite Ninho em termos nacionais. A economia local ganhou força; a empresa passou a gerar divisas e empregos e Araraquara se projetou com a Nestlé, agora incorporada ao poder que a Lupo dispunha pela sua apresentação como carro-chefe industrial fabricando meias. Ambas detinham esse simbolismo no engatinhar da industrialização caipira e empregavam quase 35% dos trabalhadores, de forma direta e indireta, num universo de 40 mil habitantes. É verdade, contam os antigos, que a presença da Nestlé no mercado absorvia um índice maior de profissionais, pois além dos colaboradores que operavam no interior da fábrica, havia a concentração dos pequenos, médios e grandes fornecedores de leite. O produto por sinal saia das fazendas na região de maneira simplória: os latões aluminizados eram deixados ao lado das porteiras de acesso às propriedades e transportados para a fábrica em Araraquara, se transformando em ouro branco e enriquecendo o agronegócio. Lupo e Nestlé viviam esta expansão industrial com o suporte logístico da Estrada de Ferro Araraquara e Companhia Paulista, ambas arrebanhando enorme contingente de trabalhadores, embora qualificados para a função. Só que o provérbio português é claro: “não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe...” e a frase passou a valer a partir de 2006, quando a Nestlé ainda era vista como a maior empresa mundial de alimentos e bebidas, também consagrada como a maior autoridade do mundo em Nutrição, Saúde e BemEstar. Em todos os países onde estava presente, o foco de suas atividades era de melhorar a qualidade de vida das pessoas com produtos saudáveis e saborosos. Mas, seria só isso? Absolutamente. A Nestlé precisava de números favoráveis em seus projetos e impulsionada pela proximidade de uma crise econômica, foi envolvida por comentários que Isenção de ICMS para produção de leite, permitiu a reestruturação da bacia leiteira na região de Araraquara poderiam levá-la ao fechamento da fábrica. Lembro bem, uma série de iniciativas do governo paulista, entre elas a isenção de ICMS para produção de leite, permitiu a reestruturação da bacia leiteira na região de Araraquara. Diante disso um sinal foi dado pela Nestlé do Brasil: a empresa anunciou investimento de R$ 120 milhões para construção de uma segunda fábrica em Araraquara. O investimento foi considerado um marco para colocar fim às especulações, mas sempre com o alerta da Nestlé fechar a unidade de Araraquara, hipótese admitida, inclusive, pelo presidente da Nestlé no Brasil na época, Ivan Zurita. Com os investimentos efetuados no reaparelhamento, a fábrica na cidade com novas instalações, implantou a montagem de duas novas linhas para produção de leite “in natura” e passou a produzir leite em caixinha com as marcas Ninho e Molico. Com isso a tonelagem produzida aumentou significativamente. Estes novos produtos acabaram por se tornar no ponto alto da unidade. Os produtos fabricados anteriormente, Leite Condensado e Moça Fiesta continuaram e continuam a ser produzidos. Todo este trabalho, já que o Estado de São Paulo consome 40% dos derivados de leite produzidos no País, restabeleceu o equilíbrio do mercado, agregando pequenos produtores e assentados rurais, organizados em cooperativas ou individualmente. Só que se a crise naquela época não pegou o fornecedor, talvez agora, cause um terrorismo já que o consumo do leite caiu, os supermercados e as padarias compram menos e o produtor não sabe onde enfiar o leite. Consequentemente a produção nos laticínios também cai. Se tivesse jeito até poderiam conversar com a vaca e dizer: “Dá um tempo, solte o leite quando a crise passar, porque fazemos parte de uma cadeia produtiva”. Mas, não é bem assim. Hoje com o preço da carne em alta, as vacas correm o risco de assumir papel diferente no mercado e virar churrasco ou mistura na mesa, pois o produtor também não tem como sustentar o animal. Quem deve estar agradecido à crise é o porco, pois diminuindo o consumo da carne suína, é verdade que aumenta seu tempo de vida. Grandes indústrias alimentícias que passaram aperto na metade da última década, como a Nestlé que ameaçou ir embora, correm o risco de rever seus projetos. 7

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Palestras dadas por Coca Ferraz conscientizam as pessoas a participarem de uma cidade com maior qualidade de vida e mais segurança no trânsito REPORTAGEM DE CAPA COCA FERRAZ pela iniciativa, até que enfim alguém lembrou de nós”. Naquele momento, Coca Ferraz recorda alguns acidentes ocorridos no cruzamento e sente que elogios como aquele se tornaram repetitivos desde que assumiu a pasta da Mobilidade Urbana, junção de palavras que ganhou força a partir de 2012, quando foram introduzidas as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana. Sendo doutor em Engenharia Civil, especialista em Planejamento e Operação de Sistema de Transportes e professor da USP, seria ele o profissional mais indicado para forNovo Complexo Viário Armando Paschoal solucionou o grave problema de congestionamento e insegurança no trânsito 8 Ele conseguiu tornar Araraquara criativa e com menos acidentes Os 170 mil veículos que hoje transitam pela cidade encontram vias públicas bem sinalizadas, semáforos temporizados e maior segurança. A queda no número de acidentes desde 2013 se deve às técnicas aplicadas pelo engenheiro Coca Ferraz, uma das maiores autoridades em trânsito no País. Era pouco mais de meio-dia. Num dos cruzamentos da cidade, Avenida 36 com Voluntários da Pátria, o coordenador de Mobilidade Urbana, Coca Ferraz, conversa com duas pessoas. Não demora e outras três se aproximam. Uma delas, ainda longe, faz um gesto de positivo e exclama: “Parabéns Coca mular e implementar a política de mobilidade urbana sustentável em nossa cidade? Coca, como vice-prefeito e atendendo convite do prefeito Marcelo Barbieri, a partir de 2013 passou a coordenar a reunião das políticas de transporte e de circulação, sempre integrada com a política de desenvolvimento urbano, para proporcionar o acesso amplo e

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democrático das pessoas ao espaço urbano, priorizando os modos de transporte coletivo e os não motorizados, de forma segura, socialmente inclusiva e sustentável. Com liberdade de ação e conhecimento técnico para aplicar estas políticas no trânsito de Araraquara, que já sentia os problemas ocasionados pelo excesso de veículos, Coca Ferraz debruçou sobre os estudos, colocando os índices de acidentes como meta prioritária: “Com uma cidade planejada e estruturada tecnicamente, o trânsito fluirá melhor, vamos proporcionar mobilidade à população e oferecer as condições necessárias para o deslocamento das pessoas”. Em outras palavras, ele queria dizer que essa mobilidade daria condições da pessoa se locomover com facilidade de casa para o trabalho, do trabalho para o lazer e para qualquer outro lugar onde tenha vontade ou necessidade de estar, independentemente do tipo de veículo utilizado. Logo, Coca Ferraz convenceu a comunidade que “ter mobilidade urbana é pegar o ônibus com a garantia de que se chegará ao local e no horário desejados, salvo em caso de acidentes, por exemplo. É ter alternativas para deixar o carro na garagem e ir ao trabalho a pé, de bicicleta ou com o transporte coletivo. É dispor de ciclovias e também de calçadas que garantam acessibilidade aos deficientes físicos e visuais. E, até mesmo, utilizar o automóvel particular quando lhe convir e não ficar preso nos engarrafamentos”. Em 2015, ao fazer um balanço sobre a introdução da política de Semana do Trânsito passa a lição do respeito, da cidadania mobilidade urbana, ele e da responsabilidade no trânsito para as nossas crianças afirmava que conseguira derrubar pela metade os índices de vítimas graves no primeiro semestre em que a acidentalidade no trânsito da cidade continuava em queda. comparação de 2012 a 2014. O índice de acidentes com vítimas Os dados apresentados por Coca foram colhidos do relatório da Polícia Mi- caiu 8,89% de 2014 para 2015. Entre litar. As vítimas graves e fatais, segundo 2012 e 2015, a queda foi de 35,07%. o material, foram as que apresentaram No triênio 2013-2015, foram evitados maior redução no período, com queda 1.156 acidentes com vítimas. de 51,52% e 46,91%, considerandose os números relativos (vítimas para cada 100 mil veículos). Coca apontava REDUÇÃO DE com estes números a receita de sucesVÍTIMAS GRAVES so na cidade e apontava as mudanças Houve redução de 10,35% no índinecessárias para o futuro da cidade e também para as rodovias, que ainda ce de vítimas de 2014 para 2015 e de 36,86% no período 2012-2015. No peoferecem altos índices de riscos. ríodo 2013-2015, foram evitadas que 1.386 pessoas sofressem lesões em acidentes de trânsito. NOVOS NÚMEROS Embora o índice de vítimas graves Em janeiro, Coca Ferraz não escon- tenha aumentado em 13,68% de 2014 dia sua euforia, pois estudos realizados para 2015, entre 2012 e 2015 houve repela Secretaria de Trânsito e Transpor- dução de 45,97%. No período de 2013 a tes, com base nas estatísticas de aci- 2015, foram evitadas lesões graves em dentes da Polícia Militar, apontavam 261 pessoas – que, em tese, deixaram de passar por internação hospitalar. A redução do índice de vítimas fatais foi de 23,20% de 2014 para 2015 e de 55,26% no período 2012-2015. No total foram evitadas 58 mortes no triênio 2013-2015. O índice de atropelamentos foi reduzido em 20,02% de 2014 para 2015 e em 52,41% entre 2012 e 2015. “Além de maior segurança, as ações envolvidas no projeto têm proporcionado ganhos significativos no tocante à fluidez do tráfego e à comodidade de condutores, pedestres e deficientes”, destaca o coordenador de Mobilidade Urbana e vice-prefeito Coca Ferraz que demonstra sua preocupação com as questões de segurança da população no trânsito, investindo seus conhecimentos neste setor. Ciclovia da Via Parque no Vale do Sol onde mãe e filha fazem parte do belo cenário MOBILIDADE HUMANA 9

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REVITALIZAÇÃO Novo prédio da ACIA dará outra cara ao centro antigo Nos anos 60, o prédio da Associação Comercial e Industrial de Araraquara era identificado como Palácio do Comércio e Indústria. A reforma que vem sendo aplicada inovará a sede, tornando-a confortável e com critérios de acessibilidade, como elevador, além de segura pela implantação das normas exigidas pelo Corpo de Bombeiros. são sempre obrigatórias em todos os grupos de estabelecimentos, edificações, eventos e qualquer empreendimento, mesmo que temporário. O fator é decorrente da importância que os materiais de acabamento e revestimento exercem ao aumentar a carga de incêndio nos ambientes e consequentemente os riscos. Uma das novidades no projeto da sede da ACIA, fundada em 1934 (em outro lugar), é o elevador - velha aspiração de várias diretorias. Na verdade, à diretoria eleita em 1942 deve-se a aquisição da sede social, o que motivou o aumento do quadro associativo, no entanto, com o passar do tempo, a ACIA foi ficando cercada de prédios de grande porte. Com isso, nasceu o sonho de uma sede mais moderna com alguns andares. A realização desse sonho chegou com o presidente Jovenil Rodrigues de Souza que trabalhou pela compra do terreno entre a entidade e a antiga sede do Banco Bradesco, imóvel pertencente a Cecílio Karan, nascendo o que foi chamado na época, de Palácio do Comércio e Indústria. Sucedendo Jovenil Rodrigues de Sou- A arquiteta Dagmar Bizzinotto explica aos diretores o projeto de reforma da sede da ACIA A reunião mensal da diretoria da Associação Comercial e Industrial de Araraquara em janeiro, serviu para que o presidente Renato Haddad apresentasse um relatório sobre o andamento da reforma e ampliação que vem sendo realizada na sede da entidade desde o final do ano passado. “Tenho que agradecer a colaboração dos diretores, a compreensão dos associados e o empenho da construtora contratada para efetuar este serviço que mostra o nosso interesse em proporcionar mais conforto e facilidade no atendimento ao quadro associativo”, destacou. Para ele, a execução do projeto segue normalmente o cronograma de obras, sempre acompanhado pelos diretores, entre eles, o engenheiro Geraldo José Cataneu, à frente da comissão, identificando e quantificando as ações. Na reunião, Cataneu explicou que é necessário o trabalho ser conjunto entre a comissão e a construtora para estabelecer o andamento da obra, levando em conta os pre- cedentes para definir a duração de cada uma das atividades e a sequência lógica das mesmas. O projeto é da arquiteta Dagmar Bizzinotto baseado em equilíbrio financeiro e normas estabelecidas pelo município e o Corpo de Bombeiros: “Do antigo auditório foi retirado o carpete e os revestimentos laterais que eram feitos de madeira, comprometendo a segurança”, destacou a profissional. Geralmente, a exigência para as construções comerciais é mais rigorosa do que para residências unifamiliares. Isto porque quanto maior o risco às vidas, conforme o grupo de ocupação e uso, maior deve ser o rigor na adoção de materiais que atendam as normativas de segurança contra incêndios. Exemplo disso são os locais de reunião de público que abrangem as escolas, locais religiosos, grandes eventos, centros esportivos e clubes sociais. Diferentemente do que muitas pessoas pensam, as exigências 10 O engenheiro Geraldo José Cataneu faz parte da comissão designada pela diretoria para acompanhar o trabalho que deverá ser concluído em março, sendo um ponto histórico na trajetória da entidade que completará em junho 82 anos de fundação

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Diretoria da ACIA reunida para discussão do projeto za, o empresário Vicente Michetti assumiu a presidência em 31 de janeiro de 1970 e, em sua gestão, o prédio ganhou novo projeto arquitetônico, agora com o segundo e o terceiro andares. Quarenta e seis anos depois é que a diretoria presidida por Renato Haddad e companheiros de diretoria, conseguem colocar em prática um plano de investimento para tornar a ACIA em modelo funcional e de bela estética para tornar mais atraente o antigo centro comercial da cidade. Para isso algumas alterações foram efetuadas no projeto, comenta o presidente: “A copa ao lado do acesso ao auditório se tornou banheiro para cadeirantes; o elevador com 8 lugares também favorecerá os deficientes, o piso será frio, as paredes pintadas de acordo com normas de segurança e a iluminação exigirá led”, completa. Genivaldo Luiz da Silva, iniciando o revestimento com pastilhas no banheiro dos cadeirantes, um dos benefícios existentes no projeto de reforma e ampliação do prédio 11

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HOMENAGEM Trabalhaste muito, A Agora, descanse em Em dezembro, a Kibelanche completou 54 anos de atividades; durante pelo menos 35 anos, funcionou no principal corredor comercial da cidade, a Nove de Julho. Foi lá que Apparecido Dahab, o Aparício da Kibelanche, construiu amizades e consolidou um empreendimento que é orgulho para o comércio na área da alimentação. Foi com essa força que ele chegou à presidência da Associação Comercial e Industrial de Araraquara em 1978. Quem não conhecia o seu Aparício da Kibelanche? Todo mundo. E quem não conhecia, pelos menos já tinha ouvido falar. Na verdade, o nome dele era Apparecido Dahab, filho único de Tufik Dahab e Bassma Dahab, nascido somente nove anos após o casamento. Sua mãe tinha feito uma promessa a Nossa Senhora Aparecida para engravidar e quando aconteceu, tinha certeza que seria uma menina e, claro, se chamaria Aparecida. Como nasceu um menino, ela só mudou o ‘a’ para ‘o’. “Agora, se me perguntar por que sou chamado de Aparício, eu também não sei. Todo mundo começou a me chamar assim e parece que pegou. Só minha mãe sempre me chamou de Apparecido”, afirmou, sorrindo em janeiro de 2008, aos amigos. Apparecido Dahab nasceu no bairro do Brás, em São Paulo, no dia 2 de novembro de 1930. Depois, mudou-se com a família para a Rua 25 de Março. Posteriormente, o pai Tufik Dahab levou a esposa e o filho para Rio Preto. E ele Aparício, gostava de lembrar: “Meu pai 12 já era comerciante, como todo árabe. Começou a negociar ou, como se dizia, mascateava. E o campo de trabalho para os mascates era melhor no interior do que na capital”, contava. Lá, ficaram dois anos. Em 1941, vieram para Araraquara. “Porque toda a família da minha mãe e a do meu pai morava na cidade”, relembrava. Aqui chegando, Tufik Dahab alugou exatamente o prédio da Kibelanche. De acordo com Aparício, eram seis portas de madeira. O pai ocupou três delas com a Feira das Meias e as outras foram alugadas para uma empresa. Havia uma extensão muito grande atrás das lojas e a família morava nos fundos. A Feira das Meias ficava num local privilegiado na época, em frente ao Clube 27 de Outubro, com todo o comércio ao redor. Aparício Dahab começou a trabalhar aos 13 anos com um tio chamado O pai de Aparício, Tufik onde começou com a Kibelândia em 1941; no detalhe, as seis portas de madeira do prédio. Em 1961 no local surgiu a Kibelanche.

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Aparício. paz. Demétrio, que também imigrara do Líbano, na Casa Nenê, uma casa de armarinhos que vendia rendas, meadas de linha, botões e muitos produtos infantis. “Ele foi uma escola para mim”, afirmava orgulhoso ao falar de Demétrio. Depois de alguns anos na loja, foi chamado para trabalhar no extinto Banco Paulista do Comércio. Começou como office-boy e trabalhou até chegar a contador, quando resolveu sair e aceitar um convite para trabalhar na Móveis Castelan (móveis e colchões). “Foi uma extensão porque como já era contador, entrei na parte administrativa. Devia ter uns 18 anos, aproximadamente”, relembrava. Depois da loja de móveis, Aparício com 22 anos, foi trabalhar com a tia Wadia Karan Jabur, irmã de sua mãe e montaram “A Infantil”, loja de artigos infantis. “Eu achei interessante a ideia porque já estava no comércio”, dizia. Em 1954, Aparício deixou a sociedade com a tia e foi trabalhar com o pai na Feira das Meias porque o negócio estava meio parado. Além das meias, a loja também vendia confecções e calçados, um verdadeiro magazine. “O ramo de calçados era muito ingrato naquela época, porque o governo resolveu carimbar o preço nos sapatos. A inflação era alta. Você vendia fiado e não podia cobrar nada a mais”, explicava. Com 25 anos, Aparício casou-se Apparecido Dahab, ou simplesmente Aparício da Kibelanche com Isabelle Bou Assi Dahab, também de descendência libanesa, em 1956. O casal teve quatro filhos: Ricardo, Carlos Alberto, Renato e Cristina. A KIBELANCHE Aproveitando o local em frente o Clube 27 de Outubro, Aparício decidiu montar uma lanchonete, até porque havia carência de uma casa de alimentação na Rua 9 de Julho. “Começaram a me chamar de louco, mas acabei montando. Deixei a loja funcionando de um lado e do outro lado montei a lanchonete. Enquanto isso, liquidava os produtos até encerrar as atividades da loja”, dizia. Foi uma ousadia que deu certo. A inauguração da Kibelanche aconteceu na véspera do Natal de 1961 e, no ano seguinte, ocorreu o encerramento das atividades da Feira das Meias. A lanchonete começou como Kibelândia, mas como em São Paulo já havia uma lanchonete com o mesmo nome, Aparício mudou para Kibelanche. A família inteira foi trabalhar na lanchonete. A luta foi com todo mundo junAparício e Isabelle casaram-se no mesmo dia que Josef (Zé do Gimba) e Farize (irmã de Isabelle), em 1956, no Salão Micelli to. “Minha mãe foi para a cozinha. Meu pai ficava no caixa e meu filho mais velho o ajudava. Trabalhávamos todos e meus filhos cresceram ali. Minha esposa aprendeu com minha mãe e até hoje ela ainda está na cozinha da Kibelanche”, conta. No começo foi uma vida muito sacrificada. Quando tinha baile no Clube 27 trabalhávamos até às 6 horas da manhã e no dia seguinte estávamos abertos para atender o público. Dentro do comércio de Araraquara Aparício fez de tudo um pouco: teve a única fábrica de flâmulas, que na época estava no apogeu da criação do silkscreen pra montagem; teve uma peixaria e uma empresa de construção de casas; foi dono dos restaurantes Gimba e Barril, foi presidente do Sindicato de Hotéis e Similares, presidente da Associação Comercial, diretor do Sindicato do Comércio Varejista e também Juiz Classista. Com toda essa história feita de lutas e muito trabalho na cidade, Aparício foi homenageado com o título de Cidadão Araraquarense. Porém, recusou-se a ir receber a homenagem na Câmara, preferindo o seu escritório.“Mas, não pensem que se tratou de desprezo à homenagem. Ao contrário sentiu-se muito honrado, mas a justificativa foi simples: “Não gosto de aparecer, já passei dessa fase”, contou, sorrindo. E foi com essa humildade que Aparício partiu no dia 26 de janeiro; acidentado ao descer de uma escada fraturou o fêmur e a bacia. Porém, não suportou a cirurgia, vindo a falecer e levando em sua bagagem uma história que serve de inspiração para muitos. Aparício e Isabelle nos anos 80; uma felicidade que perdurou por 59 anos 13

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FATOS E FOTOS MUNICÍPIO PAGA OS PRECATÓRIOS, ATÉ DE EX-PREFEITOS De acordo com o secretário municipal da Fazenda, Roberto Pereira, o valor dos precatórios soma dívidas, inclusive, de prefeitos anteriores, mas, mesmo assim, a Prefeitura está conseguindo cumprir com os compromissos. “Em 2014 a prefeitura estava com uma dívida de R$ 120 milhões e, agora, conseguimos diminuir em quase 50%; fechamos o ano com a dívida na casa dos R$ 70 milhões, o que é positivo”, diz Pereira. Os precatórios são ordens judiciais de pagamento. É quando um juiz determina, em última instância, que a Prefeitura pague algum valor para alguém. Por exemplo, quando uma pessoa ganha uma ação judicial contra a Prefeitura e tem que receber o que o Juiz determinou, o valor vai para precatório. Roberto Pereira, da Fazenda Municipal Mesmo com as dificuldades financeiras enfrentadas pelas prefeituras, Araraquara encerrou o ano acima da média nacional, cumprindo com os pagamentos dos seus precatórios, num valor de R$ 5 milhões. SABENDO USAR NÃO VAI FALTAR O presidente da Câmara Municipal, Elias Chediek, entregou ao prefeito Marcelo Barbieri cheque de R$ 3.612.831,64 milhões, referente à devolução de parte dos recursos destinados no orçamento municipal ao Legislativo em 2015. Em tempos de austeridade, o prefeito destacou o cuidado do presidente da Câmara com os gastos públicos. Via de regra, a devolução de verbas não utilizadas pela Câmara é normal e uma forma da presidência mostrar seu lado gestor e político responsável com o dinheiro público. SUBINDO A chegada da iniciativa privada, no caso a Unimed, para ajudar a conscientizar a população no combate à dengue, chikungunya e zika, merece elogios. O trabalho será em conjunto com a Prefeitura, a partir de ações que envolverão também, a população para evitar a proliferação do Aedes. DESCENDO O comércio varejista fechou o ano de 2015 com queda média de 8% no movimento de vendas frente a 2014. Foi o pior quadro desde o início do Plano Real. O segundo pior resultado foi em 1999, quando uma crise levou à retração média de 5,9%. O fechamento de lojas na cidade mostra isso. NOVO SUPERINTENDENTE DO BB Francisco Herrero Martins é o novo superintendente regional do Banco do Brasil. Para ele atuar na regional em Araraquara, que possui 36 agências e abrange 28 municípios, é uma satisfação e um crescimento profissional. “Araraquara tem muita energia na Francisco Herrero economia, esporte, educação, cultura e social. Temos as melhores perspectivas pela frente e estamos à disposição”, frisou o superintendente. Natural de Cianorte, no Paraná, Herrero, passou por Monte Dourado no Pará, depois Aquidauana, na região do pantanal sul matogrossense. Há cerca de 17 anos trabalhando no Banco do Brasil, experimenta no Estado de São Paulo uma nova fase em sua brilhante carreira. 14 MARCA QUE FICA PARA SEMPRE Dedicação é tudo e a grande prova foi dada pela educadora física e atleta da Fundesport, Noeme Pereira, ao vencer em 25 minutos e 32 segundos a Corrida de Santo Onofre, na modalidade geral feminina. Ela correu 7 quilômetros no último dia do ano pelas Noeme, a primeira ruas de Araraquara. Embora o pedestrianismo não seja tão popular na cidade, é verdade que por ser uma corrida tradicional, o público feminino investe sua energia na prova e aos poucos o pessoal vai tomando gosto pelo esporte. Destacar sua vitória, quem sabe, é uma forma de propagar o esforço da Noeme, um exemplo para todos.

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FRASE “Enquanto forem permitidas campanhas eleitorais milionárias, haverá corrupção no governo, pois alguém precisará pagar a Augusto Branco conta da campanha, certo? Ninguém doa tanto dinheiro para uma campanha eleitoral à toa. Não existe tanto idealismo assim neste mundo, ou a humanidade não padeceria de tantos males.” Augusto Branco, nascido em Porto Velho, filho de dona Rosa e “seo” Raimundo A frase parece ser direcionada ao ministrochefe da Secretaria de Comunicação Social das Comunicações, Edinho Silva, pela insistência em dizer: “Tudo correto do ponto de vista jurídico e ético. Estive com dezenas de empresários durante o processo eleitoral, e todas as conversas ocorreram dentro da legalidade.“ UM TÍTULO PARA PAULO SASSI Merecida a entrega do título de “Cidadão Araraquarense” ao paulistano Paulo Sassi, 50 anos de idade, diretor do Senai em Araraquara. Aos 14 anos ele iniciou o curso de Aprendizagem Industrial de Mecânica Geral e em seguida de Eletrônica Industrial, concluindo em 1982 seu 1º Grau na Escola Senai “Roberto Simonsen”. Foi para Matão e aos 17 anos começou a trabalhar na Marchesan, depois Baldan, Bambozzi, Citrosuco e Marchesan novamente. Concluiu o Ensino Médio com Habilitação Plena em Mecânica em 1990. Em fevereiro de 1995 voltou ao Senai, desta vez como funcionário. Trabalhava durante o dia na Marchesan e lecionava mecânica à noite no Senai Araraquara. Em 1996 foi convidado a trabalhar como Instrutor de Mecânica Geral e em seguida Coordenador Técnico e Pedagógico. Seis meses depois já tinha um novo desafio: estruturar o Senai Matão, inaugurado em setembro de 1996, tornandose unidade autônoma no início de 2000. A partir daí assumiu a Direção da nova Escola, voltando ao Senai Araraquara em agosto de 2008. Aos 20 anos de idade conheceu Joelma, com quem se casou 9 anos mais tarde, em 1995. Dessa união nasceram Carolina e Gabriela. Paulo Sassi, agora “Cidadão Araraquarense” 15

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