REVISTA CORRESPONDE - ED.36

 

Embed or link this publication

Description

A REVISTA DAS PROMOTORAS E CORRESPONDENTES NO PAÍS

Popular Pages


p. 1

Uma publicação ANEPS - Ano 5 - nº 36 Perspectivas e tendências para o país e para o mercado de crédito Aneps participa ativamente de eventos e discute educação financeira com especialistas

[close]

p. 2



[close]

p. 3

di to r i al E Divulgação/Aneps A responsabilidade de cada um C Edison Costa, presidente da Aneps Quando cada um faz a sua parte o benefício é de todos e é ótimo. Mas as consequências podem ser imprevisíveis quando a consciência deixa de ser prioridade omo presidente da Aneps, entidade que representa uma categoria pulverizada por todo o país, não posso nem ignorar a calamidade que aconteceu na região de Mariana (MG), no dia 5 de novembro, nem me furtar de me solidarizar com tantas pessoas que perderam familiares, amigos, animais e tudo o que tinham. E lamentar os outros tantos que direta ou indiretamente sofreram na tragédia. A amplitude dessa catástrofe ambiental levará tempo para ser devidamente dimensionada e vai demorar muito mais a recuperação dos estragos, quando isso for possível. As multas de milhões aplicadas pelo Ibama e pelo Ministério Público de Minas Gerais e do Espírito Santo à mineradora não são nada se comparadas à gravidade dos danos, à marca indelével na memória dos trabalhadores e moradores. Isso não tem preço. Espero apenas, de coração, que cada centavo seja aplicado de imediato nos reparos da catástrofe, sem desvios e com seriedade. Fica nosso pedido ao ministério público para que se preocupe, de pronto, com o destino dos recursos. Desolação em Bento Rodrigues, ao longo da enxurrada, dos rios que agonizam. Tudo isso é muito triste. E mais dramático fica, ainda, quando se imagina que se todos – e cada um – houvessem feito a sua parte, dificilmente a barragem teria se rompido ou, se a população tivesse sido alertada já nos primeiros sinais de fragilidade das estruturas, as perdas humanas poderiam ter sido evitadas. Havia risco. Era um desastre anunciado. Esse cenário coloca no foco a responsabilidade, questão que merece a reflexão de cada um. Agora, gostaria de abordar o conteúdo da nossa revista que, em contraste com o que foi dito aqui até agora e com o que as manchetes vêm estampando ao longo do ano, traz notícias das nossas frentes de batalha. Impulsionada pelos movimentos contra o diferimento e a portabilidade do início deste ano, que trouxe mais associados e ligeiro aporte financeiro suplementar, a Aneps está ajustando seu planejamento estratégico e colocando diversas iniciativas em prática. Os principais gargalos do crédito consignado figuram em requerimento administrativo entregue ao Banco Central (BC). Essas denúncias, juntamente com a de atitudes anticoncorrenciais praticadas por bancos, foram acatadas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade); a Aneps foi aceita como parte interessada em processo para apuração de práticas irregulares em uma dessas instituições. A associação também já conta com a assessoria de uma agência, que, em parceria com a assessoria de Comunicação e a equipe administrativa, procura dar visibilidade à Aneps e às suas atividades e conquistas, junto aos associados, correspondentes em geral, mercado, mídia, também por meio das redes sociais, site e outros meios eletrônicos. Mas não quero continuar antecipando neste editorial as notícias que estão detalhadas nas próximas páginas. E, aproveitando que estamos chegando no final de 2015, gostaria de desejar a todos um 2016 melhor e boas festas! Boa leitura. Revista Corresponde 3

[close]

p. 4

Associação Nacional das Empresas Promotoras de Crédito e Correspondentes no País Rua XV de Novembro, 269 – 2º and. – Cj. 201/205 São Paulo/SP – 01013-001 Tel.: 11 3104-5168 /3104-5169 www.aneps.org.br – aneps@aneps.org.br DIRETORIA Presidente Edison João Costa  Vice-Presidentes Antônio Mario Rinaldini (Relações com Entidades de Mercado) Douglas Freire Navarrette (Comunicação e Marketing) Frederico Perecin (Relações Fiscais e Tributárias) João Ricardo Villas Bôas (Formação e Certificação) José Roberto Della Rocca (Relações Sindicais) Roberto de Farias Lamacier Ferreira (Relações Transacionais) Rocco Spina Neto (Expansão e Relação com Associadas Promotoras)  Diretor Secretário Clóvis Junqueira Espindola  Diretor Tesoureiro Manuel Magno Alves Diretores Alberto José Gaio Miranda Joaquim Fernandes de Mello José Ângelo Vergamini Júnior Karla Bragança Pinheiro Zaccarelli Leonardo Gonçalves de Araújo Marcelo Scalet Araújo  Diretores Regionais Augusta Maria Mendes Mota (Triângulo Mineiro-Alto Paranaíba Centro-Oeste Mineiro/MG) Bérgson Arrais (CE) Elza Duarte Silva (RJ) Fauzi Taha (Ribeirão Preto/SP) Gilson Velásquez Santos (Crédito Imobiliário – Belo Horizonte/MG) José Jorge Pedreira Paniago (Goiânia/GO) Juvêncio Bispo Ferraz Pereira Júnior (São Luiz/MA) Luciano Costa (Crédito Imobiliário – RJ) Luiz Varesqui (Crédito Imobiliario – PR) Patrício Darvisson Carvalho de Almeida (BA/SE) Raniery Barbosa Queiroz (Cuiabá/MT) Wanderley Pardo da Silva (DF)  Diretor Superintendente João Batista Marques Revista Corresponde – Redação/Produção Palavras & Afins Jornalista Responsável Cristiane Collich Sampaio (MTb 14.225/SP) imprensa@aneps.org.br / collichc@uol.com.br Publicidade Tel.: 11 3104-5168/3104-5169 – aneps@aneps.org.br Produção Editorial First Way Comunicação um ár i o S E d i t ori a l E n t revi s t a O advogado Aloísio Zimmer Jr. comenta as iniciativas jurídicas da Aneps em defesa dos correspondentes 3 6 8 9 10 E s p a ço An ep s E m Temp o Cap a Congressos debatem conjuntura econômica, novas tecnologias e novos negócios no setor de crédito. Aneps marca presença A luta pela homologação do Sindaneps, agenda de 2016 e outras notícias Aneps é aceita pelo Cade, como parte interessada, em processo do órgão para apurar práticas anticoncorrenciais E s p eci a l 16 Para ampliar sua representatividade e seu poder de ação, a Aneps investe na execução de estratégias integradas, que incorporam projetos de modernização estrutural Con s u mi d or 20 22 O desafio de conhecer a nova classe C Consórcios: na contramão da crise Cert i fi cação Associação amplia a segurança da modalidade remota. Não está na hora da renovação? 4 Revista Corresponde

[close]

p. 5

Revista Corresponde 5

[close]

p. 6

ntr ev i sta E Um importante aliado O advogado Aloísio Zimmer Júnior aponta falhas na regulação e na fiscalização do setor financeiro e ausência de isonomia no tratamento dos agentes e, junto com a Aneps, leva adiante iniciativas no campo jurídicoadministrativo para restabelecer o equilíbrio no segmento pode ocorrer, quando se desidratada, ou se desfaz completamente, a eficiência econômica da operação. Corresponde –  O senhor analisou as iniciativas que a Aneps poderia tomar quanto à revisão das regras do BC. A que conclusões chegou? Aloísio Zimmer Jr. – Exatamente. Depois de um estudo aprofundado das resoluções que modificaram a atividade do correspondente, também em relação à portabilidade e ao diferimento, com o estabelecimento de um teto para o pagamento à vista das comissões, preparamos ações jurídicas no âmbito administrativo no BC e no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). (Veja decisão do Cade na seção Em Tempo desta edição.) No caso da portabilidade do crédito fica evidente que o BC concebeu uma nova metodologia, mas infelizmente ela não está sendo cumprida nas suas bases principais. Não ficou mais fácil para o tomador de crédito migrar a sua conta, na medida em que se colocam obstáculos quase instransponíveis na transição de uma instituição bancária para outra. E mais, desestimula-se o correspondente a participar deste processo, pois o retorno da operação é consumido pelos custos artificialmente criados para a sua efetivação. Logo, existe aqui uma falha de concepção, de regulação e de fiscalização por parte do BC, o que está sendo contestado pela Aneps. No caso do diferimento, não existe qualquer dúvida: o órgão regulador ultrapassou os limites de sua competência, estabelecendo regras que desequilibram contratos estabelecidos entre agentes privados, as instituições financeiras e os correspondentes. Em petição encaminhada ao BC defendemos a anulação da Resolução nº 4.294/2013 e a extinção do teto para o pagamento das comissões. Aqui, nitidamente, percebe-se assimetria nas escolhas de regulação dos controladores do sistema financeiro, porque respeita-se a autonomia da vontade na relação entre instituições financeiras, mas interfere-se na liberdade contratual e na boa-fé objetiva existente entre partes que possuem relevâncias totalmente diversas no contexto do mercado. Na verdade, não é apenas na relação fornecedor X consumidor que se pode identificar o hipossuficiente. Também quando a comparação envolve as instituições financeiras e os correspondentes é fácil identificar o elemento mais frágil. O advogado Aloísio Zimmer Júnior “vestiu a camisa” das promotoras de crédito e dos correspondentes. Este ano, a pedido da diretoria da Aneps, ele acompanhou o movimento do setor contra as consequências nocivas sobre o segmento das resoluções do Banco Central (BC) a respeito da portabilidade do crédito e do diferimento das comissões e analisou tecnicamente todos os aspectos envolvidos no conflito. Com base no estudo dessa e de outras questões que afligem a categoria, apontou os caminhos para buscar a superação dos obstáculos ao adequado desenvolvimento do setor, uma vez que as tentativas de diálogo da Aneps com a autoridade monetária e instituições financeiras não surtiram efeito. Contratado este ano, Aloísio Zimmer Jr. passou a ser um grande aliado da Aneps em todas as instâncias. Desde então, tem orientado e defendido a entidade nas mais variadas frentes. Nesse contexto, também tem buscado soluções jurídicas para conflitos estabelecidos entre instituições financeiras e correspondentes, considerando, segundo ele, “a relação contratual desequilibrada que é estabelecida entre eles com a chancela do Conselho Monetário Nacional (CMN) e do Banco Central (BC)”. O atual advogado da associação é mestre e doutor em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), autor de diversas obras jurídicas. Possui ampla experiência em Direito Regulatório e Bancário, mais especificamente nas questões jurídico-administrativas que compreendem a relação entre reguladores, instituições financeiras e correspondentes. Nessa entrevista, Aloísio expõe com clareza como estão sendo levadas adiante as demandas da categoria no campo administrativo e jurídico, em diferentes searas. Revista Corresponde – A seu ver, qual é o papel e a importância dos correspondentes na indústria de crédito do Brasil? Aloísio Zimmer Júnior – Os correspondentes bancários foram fundamentais no processo de inclusão bancária de uma parte expressiva da sociedade brasileira, porque tornaram mais compreensível e amistoso o acesso aos diferentes produtos oferecidos pelas instituições financeiras, sendo o empréstimo consignado um desses exemplos. Em realidade, a lógica de estimular o consumo de todas as classes sociais, como metodologia para o Brasil alcançar um período de desenvolvimento, dependeu diretamente da capilaridade dos correspondentes, que estavam em todos os lugares, para viabilizar à população o acesso ao crédito. Nunca se poderá negar a relevância da função desempenhada pelo correspondente para o sistema financeiro e para a sociedade. Nas localidades remotas e nos grandes centros urbanos, da mesma maneira, sua atuação significa alternativas de inclusão financeira aos consumidores-cidadãos em harmonia com a cultura e as necessidades dos segmentos sociais mais vulneráveis. Nesse sentido, que fique bem claro, a evolução da regulamentação não pode destruir este mercado, o que “A evolução da regulamentação não pode destruir este mercado, o que pode ocorrer, quando (...) se desfaz completamente a eficiência econômica da operação.” 6 Revista Corresponde

[close]

p. 7

“Pensando-se na construção de uma ferramenta mais efetiva para o aprofundamento dessas disputas, a criação do sindicato certamente colocará a luta (...) em outro patamar.” dicial, são as ferramentas que iremos utilizar, não apenas para criar um contraditório com as instituições já citadas, mas principalmente para buscar ganhos efetivos para toda a categoria. O sentido dessa atuação é demonstrar que a entidade tem toda a condição para também desempenhar um protagonismo nas decisões político-administrativas que compreendem a gestão do sistema financeiro nacional. Corresponde –   O que espera obter com essas iniciativas? Aloísio Zimmer Jr. – Imediatamente espera-se desencadear, no contexto do BC e do CMN, a rediscussão dos temas da portabilidade e do diferimento no empréstimo consignado. Por muito tempo a sociedade brasileira lutou pela volta da democracia, pelo direito de todos de escolher pelo voto os seus representantes. Hoje, parece claro, queremos muito mais, ou seja, todo cidadão brasileiro quer participar das escolhas políticas fundamentais do Estado, quer colaborar diretamente com as decisões que impactam determinado setor ou toda a coletividade. As audiências públicas, as consultas públicas, as mesas de negociação com composição paritária são hoje instrumentos modernos para a internalização de metodologias típicas da democracia direta. A Aneps, por representar toda a categoria, precisa ser assimilada como ator relevante nos processos de construção destes novos marcos regulatórios, especialmente quando podem representar a desidratação completa de um nicho importante de atividade econômica subsidiária em relação ao Sistema Financeiro Nacional (SFN). Corresponde – Os correspondentes são um segmento a parte dentro do setor financeiro e, por esse motivo, não encontram eco para as suas reivindicações junto às entidade representativas dos bancos (Febraban) e dos bancários. Ainda assim, “oficialmente”, é representada pela Febraban (que não raro defende interesses Divulgação/Aneps Aloísio Zimmer Júnior, advogado da Aneps. Corresponde – A partir dessas avaliações, como se desenvolveu o processo dentro da Aneps, de forma a colocar em prática as medidas cabíveis para buscar reverter a situação dos correspondentes? Aloísio Zimmer Jr. – Encontrei na diretoria na Aneps todo o respaldo para lutar nas esferas administrativa e judicial pelos interesses coletivos da entidade, e, a partir das frequentes reuniões da associação, tornou-se possível diagnosticar as principais necessidades da categoria. Como destaquei anteriormente, no BC e no Cade já existem processos administrativos discutindo os pleitos mais urgentes. Agora, o próximo passo é enfrentar as decisões recentes da Caixa Econômica Federal (Caixa), que igualmente impactam a categoria. A solução urgente que buscamos é proporcional às dificuldades vividas por pessoas físicas e jurídicas que, até meses atrás, tinham atuação destacada no setor, e por isso mesmo, tinham todas as suas operações concentradas nesse modelo de negócio. Corresponde – Quais os próximos passos? Aloísio Zimmer Jr. – Para este mês pretende-se aprofundar a discussão com a Caixa e sua relação com os associados, em especial, pela redução unilateral e repentina das comissões também no segmento imobiliário. A esfera administrativa, e depois a ju- contrários aos seus) perante o BC e o CMN. Há alguma perspectiva de que a categoria venha a ter representação própria, independente, no curto/médio prazos? Aloísio Zimmer Jr. – A diretoria da Aneps tem procurado ampliar seu protagonismo nos grandes debates que envolvem o CMN, o BC, o Cade, as instituições financeiras – bancos públicos e os privados – e os interesses dos correspondentes. O parcelamento das comissões, o teto remuneratório para o pagamento de comissões à vista, as questões envolvendo a portabilidade do crédito, o RCO, o Projeto ECO, a nova política de comissões implementada unilateralmente pela Caixa e a certificação são hoje temas que monopolizam os debates no âmbito da associação, justamente porque retratam as maiores inquietações dos associados. Congregando o trabalho jurídico e as ações político-institucionais, a associação tende a ampliar cada vez a sua relevância no seu campo de atuação. Mas, por certo, a constituição definitiva do sindicato representaria um marco para a atuação da entidade, dando-lhe força muito maior para enfrentar todas essas adversidades. Corresponde –  A Aneps, enquanto associação, tem representação suficiente para se fazer ouvir pelos órgãos de regulação e decisão e pelas instituições financeiras? Aloísio Zimmer Jr. – A Aneps, nos limites que uma associação tem para intervir no mundo político e no mundo jurídico, tem já um histórico de muitas conquistas para a categoria. Porém, pensando-se na construção de uma ferramenta mais efetiva para o aprofundamento dessas disputas, a criação do sindicato certamente colocará a luta pelos interesses dos associados em outro patamar. Hoje, o CMN e o BC, aproveitando-se da insuficiência dos marcos legais do SFN, seguidamente ultrapassam os limites do seu poder regulatório, mesmo admitindo-se um poder extraordinário diante da conjuntura. Todavia, para fazer o contraditório dessas mudanças que decorrem de resoluções, sem o respaldo da legislação existente, criando absoluta insegurança jurídica para o setor, o sindicato talvez seja um elemento novo e fundamental para fortalecer as posições dos correspondentes. Revista Corresponde 7

[close]

p. 8

spaço Aneps E SINDANEPS: uma grande conquista Depois de mais de 12 anos, os correspondentes têm seu sindicato constituído juridicamente em âmbito nacional. Reuniões da Diretoria da Aneps Agenda 2016 s reuniões da diretoria da Aneps são abertas e realizam-se mensalmente, na segunda quinta-feira de cada mês, salvo quando de feriados naquela semana. Confira a programação do próximo ano e programe-se para participar. A Mês Dia Mês Dia A constituição do Sindaneps – Associação e Sindicato Nacional das Empresas  Promotoras de Crédito  e Correspondentes no País – já completou um ano. Foi registrado em cartório no dia 16 de outubro de 2014 e protocolado no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em 18 de dezembro daquele ano. Mas ainda espera pela homologação no ministério. A grande parte da categoria desconhece o fato de que a batalha para a constituição do sindicato já se desenvolve há mais de 12 anos, pontuada por avanços e derrotas. Sua duração quase se confunde com o tempo de existência da Aneps, que, criada em 17 de agosto de 2001, este ano comemorou seu 14º aniversário. Nesse período, a associação tem realizado no país um importante trabalho em defesa dos interesses das promotoras de crédito e dos correspondentes. Sua atuação tem sido determinante para conquistar e garantir o respeito do mercado e a consolidação dessa categoria empresarial em âmbito nacional. “Não é possível” Em razão dessa trajetória, da amplitude do segmento e da sua reconhecida relevância no processo de inclusão financeira e social do país é que a diretoria da associação acredita que falta pouco tempo para a conquista do Sindaneps. “Não é possível que um segmento econômico de extrema importância para a sociedade, em termos de serviços e conveniência para toda a população, que congrega uma força superior a 1 milhão de trabalhadores, não tenha um sindicato patronal e um laboral”, desabafa o presidente da Aneps, Edison Costa. E, expressando o otimismo comum aos diretores da entidade, declara: “Com certeza começaremos 2015 com nosso sindicato  nos garantindo mais segurança nas relações com todas as instituições públicas e privadas do país.” Fevereiro Março Abril Maio Junho 18 10 14 12 9 Julho Agosto Setembro Outubro Novembro 14 11 15 20 10 A Campanha no Facebook tem bons resultados Mais correspondentes na rede Mais BB Em junho último, passou a vigorar a parceria entre a Aneps e o Banco do Brasil (BB), visando a contratação de novos correspondentes para a rede Mais BB, para atuação em todos os municípios do país nos segmentos de crédito voltado ao financiamento imobiliário e à pessoa física. Dado o importante papel dos correspondentes na expansão do acesso ao crédito, em 2012 o BB passou a dar atenção especial ao que chama de “canais parceiros”, do qual estes fazem parte. Na parceria, a Aneps se dedicou à divulgação do chamamento aos correspondentes e intermediou o acesso desses ao banco. Por meio de formulário eletrônico, disponibilizado no site da Aneps, foram acolhidas 12 solicitações de cadastro junto ao BB. Em outubro, essa abordagem foi finalizada, resultando no aumento direto do número de correspondentes da Mais BB e no estreitamento das relações entre o banco e os associados da Aneps. Pedro Acácio Bergamasco, gerente executivo da Unidade de Canais Parceiros do BB (UCP) informa que atualmente a promotora de vendas do banco já está operacional. Segundo ele, “para 2016, a prospecção de novos correspondentes será alterada, no que tange à atuação junto ao segmento de crédito consignado, ficando a cargo da promotora o desenvolvimento de ações e primeiros contatos para ampliação do número de parceiros do BB”. Para os interessados em atuar nos demais segmentos, as agências BB permanecerão como canal de contato inicial. Aneps está nas mídias sociais, como o Twitter e o Facebook, com o intuito de se aproximar ainda mais dos associados e fortalecer sua imagem perante o mercado. Neste segundo semestre, contratou a agência de comunicação ADCom, que criou a funpage da entidade e passou a gerenciar e a alimentar esses ágeis canais de comunicação com publicações diárias de notícias. Para estimular acessos e divulgar a nova funpage foi colocada em prática uma primeira ação de marketing. Essa campanha no Facebook foi feita no período de 21 a 28 de outubro, com abrangência nacional e dirigida a públicos de todos os gêneros. O resultado, que contou com investimento reduzido, foi bastante positivo, segundo avaliação da direção da entidade. Em uma semana a página da Aneps no Facebook teve uma alta de 113% no número de visitas em relação à semana anterior. Mas o alcance obtido foi surpreendente: de 9.711, ante 487 da semana anterior, um aumento de 1.894%. O número de curtidas da página foi de 1.764, diante de 601 na semana que a antecedeu, um crescimento de 193,5%. Também o site passa por reformulação. Desenvolvido em um período em que os recursos digitais eram limitados, não acompanhou a evolução tecnológica e as novas necessidades do setor no quesito comunicação. A nova plataforma, mais arejada, amigável e ágil deverá ser concluída no início de 2016. 8 Revista Corresponde

[close]

p. 9

E m Tem po Aneps se junta ao Cade em ação contra prática anticoncorrencial O conselho acatou requerimento da Aneps, para integrar o processo aberto pelo órgão para apurar prática ilícita no mercado de crédito consignado. Os obstáculos à portabilidade também serão analisadas no processo N o dia 16 de novembro, foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) decisão do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), acatando a solicitação da Aneps, de figurar como parte interessada (amicus curie), em processo impetrado pelo órgão para investigar a prática de ações anticompetitivas pelo Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul). Entre os pontos levantados em sua argumentação, o advogado responsável pelo pleito da Aneps, Aloísio Zimmer Jr., ressalta a questão da portabilidade do crédito consignado, pois “os procedimentos que deveriam permitir a migração dos contratos entre instituições financeiras, garantindo melhores condições ao cidadão, ao consumidor, acabam por impedir, na prática, sua efetivação”. Em sua decisão, o superintendente do órgão, Eduardo Frade Rodrigues, levou em consideração os motivos que levaram a Aneps a se dispor a contribuir no esclarecimento dos fatos. O requerimento administrativo da associação foi apresentado à Superintendência Geral do Cade (SG/Cade) no dia 14 de setembro de 2015, informando que a atuação de seus associados no campo do crédito consignado vem sendo significativamente prejudicada por práticas anticoncorrenciais de instituições financeiras, em especial, do Banrisul. Isso porque em municípios e estados em que cláusula de exclusividade está em vigor, os correspondentes são impedidos de oferecer produtos de outros bancos aos servidores públicos. Portabilidade inviabilizada A nota técnica do Cade, que embasou a decisão do superintendente do conselho, relata que em sua argumentação, a Aneps identificou “potencial prática abusiva pelo Aloísio Zimmer Jr. Banrisul na limitação de acesso à oferta de crédito consignado aos servidores gaúchos nas cidades de Canoas, Arroio do Sal, Colinas e São Leopoldo, com a existência de barreiras formais que expressamente determinam a exclusividade na oferta do crédito consignado. Ainda, alegou que em outros municípios, que também possuem convênio com o Banrisul, embora ausente cláusula de exclusividade, há dificuldades no procedimento de portabilidade, o que vem desestimulando os servidores/consumidores a trocar de instituição financeira.” O documento também ressalta que um dos serviços prestados pelos correspondentes é justamente o de permitir ao servidor público a comparação entre as condições de crédito consignado oferecidas por diferentes bancos. Assim, quando o município ou estado possui exclusividade com determinado banco, não há concorrência. Tal condição, segundo a Aneps, acaba por prejudicar o consumidor desse tipo de produto, que se vê sem opções. Após diversas outras considerações, a nota técnica conclui com a recomendação ao Cade de acatar o requerimento da Aneps e, com isso, admiti-la como parte interessada da ação. “Essa é uma importante conquista da Aneps, que reforça seu peso como representante nacional da categoria econômica das empresas promotoras de crédito. Além disso, abre espaço para outras iniciativas no âmbito jurídico para preservar os interesses de seus representados, resguardando, ao mesmo tempo, o princípio da livre concorrência, que vem sendo repetidamente ferido, nesse mercado, por instituições de maior peso econômico”, declara o presidente da entidade, Edison Costa. “Estar ao lado do Cade nesse processo é um primeiro passo”, ressalta. Cristiane C. Sampaio Revista Corresponde 9

[close]

p. 10

C apa arquivo/f.w. OS RUMOS DA ECONOMIA E AS TENDÊNCIAS DO MERCADO DE CRÉDITO Esses temas deram a tônica de dois importantes eventos direcionados ao setor financeiro, ocorridos em outubro e novembro últimos, em São Paulo (SP), e dos quais a Aneps participou: o 11º Congresso C4 e o 11º Congresso Nacional de Crédito e Cobrança 10 Revista Corresponde

[close]

p. 11

Pano de fundo macroeconômico para a discussão das tendências do mercado No 11º Congresso C4, o debate mesclou a abordagem macroeconômica das perspectivas brasileiras com vieses restritos ao setor, como a ampliação do uso do pagamento digital e a importância da inclusão e da educação financeira no país O 11º Congresso de Cartões, Canais de Pagamento e Crédito ao Consumidor (11º Congresso C4), realizado nos dias 7 e 8 de outubro, reuniu em São Paulo (SP) os principais atores desse setor. A programação diversificada e abrangente permitiu a atualização dos participantes quanto às principais tendências do mercado e o que esperar da economia brasileira nos próximos anos. Na palestra magna de abertura, o economista e ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega considerou “irracional” ser contra aumento de impostos hoje, pois “se não houver como elevar a arrecadação, haverá piora do cenário econômico do país”. Para ele, “não é o momento de achar que tudo está perdido.” Apesar de prever recessão e inflação elevada em 2015 e 2016, Maílson aposta nos ganhos de produtividade para a volta do crescimento econômico. O ex-ministro avalia que “o Brasil tem mecanismos que evitam que o país caia num abismo”, referindo-se à democracia consolidada, pela existência de instituições sólidas e inibidores de retrocesso na economia, política e na sociedade, além de liberdade de imprensa e autonomia do Judiciário. Concorrem, ainda, para essa análise agronegócio altamente competitivo, sistema financeiro sofisticado e capacidade para aproveitar oportunidades. Com base nos dados apresentados, Maílson, que é sócio da Tendências Consultoria, descortinou um horizonte favorável ao país: “Não há como não ter um olhar otimista quanto ao futuro do Brasil.” Educação financeira Fotos: Cristiane C. Sampaio/Jairo Ruivo Para o ex-ministro Maílson da Nóbrega, “não é o momento de achar que tudo está perdido”. Além do foco em soluções de meio de pagamento e exposição de empresas que atuam no ramo, a organização do congresso direcionou a grade de conteúdo também para o relacionamento com o cliente, inclusão e educação financeira, pois a ascensão econômica de milhões de brasileiros coloca para as instituições as difíceis tarefas de se fazerem compreensíveis e, ao mesmo tempo, compreender as necessidades dessa parcela da população. O presidente da Aneps, Edison João Costa foi um dos palestrantes do painel que abordou o tema sob enfoque da sustentabilidade do mercado. Tendo ao lado a moderadora Christianne Bariquelli, do Instituto Educacional da BM&F Bovespa, Marcio Reis, diretor da Guiabolso, e Conrado Navarro, sócio da Dinheirama, Edison Costa relatou um pouco da história do setor que, apesar existir em praticamente todo o mundo e de ter surgido no Brasil em 1964, foi somente a partir de 2003, com o aparecimento do crédito consignado, que passou a se expandir: “É a partir de então que ocorre o fenômeno da inclusão social, abrangendo as classes C, D e E, que antes não tinham acesso a crédito e a serviços financeiros. E o trabalho do correspondente passa a ser conveniente para essa população.” E lembrou o papel da Aneps na preparação dos profissionais para atender a esse novo público, que não está preparado para lidar com crédito. Nessa linha, o objetivo do site Dinheirama é justamente o de disseminar educação financeira. Segundo seu idealizador, Conrado Navarro, muitas pessoas precisam desse tipo Revista Corresponde 11

[close]

p. 12

C ap a de educação e não de dinheiro. Outra ferramenta desenvolvida nesse campo é o Guiabolso, um aplicativo de finanças pessoais. Como explicou Marcio Reis, “o aplicativo cria controles, metas e indicadores de despesas que, com o tempo, melhoram a saúde financeira do usuário”. No debate, o presidente da Aneps lembrou que o papel educativo dos bancos é essencial e frisou que “as empresas que forem transparentes nas relações de consumo só terão a ganhar”. Ele concluiu referindo-se às atuais distorções do mercado, aos desafios, mas prevendo um futuro promissor para o correspondente: “Temos de preparar essa mão-de-obra, pois o mercado vai crescer e se consolidar.” Durante o painel, a moderadora Christianne Bariquelli, do Instituto da BM&F Bovespa, revelou que o instituto surgiu em 2002 com função educativa e que atualmente, em parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), está sendo desenvolvido um programa de educação financeira no ensino médio, com efeitos imediatos no equilíbrio do orçamento familiar e resultados consistentes ao longo do tempo. Inclusão e sustentabilidade Apesar do boom da inclusão social e bancária em pouco mais de uma década, pesquisas recentes, como as do Data Popular, indicam que gira em torno de 40% o índice da população que ainda não tem acesso aos serviços bancários. (Veja mais na seção Consumidor desta edição.) Ao mesmo tempo, em 2014, o mercado de cartões pré-pagos atingiu uma movimentação de R$ 100 bilhões no Brasil, conforme estimativa da Euromonitor com base em dados do Grupo Social Pré-Pagos (GSPP). Isso mostra ainda há muito espaço para crescer, considerando que o pré-pago e o mobile money têm oferecido as melhores respostas para inclusão. Representantes de bancos estatais trataram das oportunidades de negócios, geradas por micro e pequenos empreendedores. Rogério Biruel, da Movera Microfinanças, subsidiária do Banco do Brasil para atender esse mercado, de aproximadamente 24 milhões de pessoas, disse que essa população é formada principalmente por trabalhadores autônomos, pequenos comerciantes e artesãos com um volume de negócios de até R$ 3 mil mensais, e um mercado já consoli- “Temos de preparar essa mão-de-obra, pois o mercado vai crescer e se consolidar”, afirmou Edison Costa, presidente da Aneps, no painel sobre educação financeira. dado no Nordeste. Outra característica é o relacionamento bem próximo da instituição com o cliente. Isabela Cadena, da Caixa Crescer, da Caixa Econômica Federal (Caixa), afirmou que apenas microempreendedores informais movimentaram R$ 826 bilhões na economia brasileira em 2014. No entanto, além de oferecer crédito, a empresa tem de se comprometer com a formação deste público para garantir a sustentabilidade do negócio. “Em breve lançaremos cursos em EAD, 40 cursos em gestão de negócios em linguagem simples. Acreditamos muito nesse produto”, comemorou. Ela revelou também que a Caixa Crescer já formou uma carteira de quase R$ 6 bilhões nesse segmento e prepara para 2016 o lançamento do cartão pré-pago para esses clientes sem conta bancária. Também na Caixa a predominância desse tipo de negócio é nos estados nordestinos, com 52% dos R$ 2,8 bi movimentados com o microcrédito. E os caminhos para expansão de negócios incluem necessariamente o atendimento por meios eletrônicos, já que quase metade da população tem acesso a computador. Pagamento digital e oportunidades O pagamento digital também concentrou as atenções do congresso. Gustavo Souza, do Google, declarou que “o Google não quer entrar no mercado financeiro para tomar uma fatia dos bancos. Mas entende que se não entrar neste mercado, perde espaço”. Já Troy Field, da Fis Global, criticou a complexidade das soluções oferecidas até o momento, defendendo a criação de ferramentas simples, mas que unifiquem as plataformas digitais de pagamento. Pedro Guasti, da Buscapé Company, traçou estratégias para que empresas se adequem ao novo perfil de consumidor. Segundo ele, estar na Internet e redes sociais é vital e, por isso, é preciso investir em imagem. 12 Revista Corresponde

[close]

p. 13

Educação financeira tem espaço próprio em congresso da CMS O 1º Fórum de Líderes em Educação Financeira e Crédito Responsável (Educrer) integrou as atividades do evento promovido pela CMS em São Paulo, mostrando a importância do tema para a comunidade financeira do Brasil e da América Latina U Pablo Salamone, presidente da CMS, na cerimônia de abertura. m só local, o Expo Center Norte; dois dias, 10 e 11 de novembro. Múltiplos eventos complementares realizando-se em paralelo. Assim foi o 11º Congresso Nacional de Crédito e Cobrança, organizado pela CMS, que se desenvolveu concomitantemente com o 10º Congresso Latino-americano, o Fórum Nacional de Cooperativismo de Crédito e o inédito Fórum de Líderes em Educação Financeira e Crédito Responsável. Ao abrir as atividades, o presidente da CMS, Pablo Salamone, falou sobre o congresso. Para ele, o tema O Desafio C – Combater as incertezas, Conquistar o Consumidor, Consolidar o seu negócio deve ir além, envolvendo outros ‘Cs’, como confiança, compaixão, credibilidade, cliente, criar. “Gerar novas oportunidades para nossos clientes se refletiu na programação, como também a abertura de espaço para outros países e segmentos, que levou ao congresso latino-americano, ao segmento de cooperativismo e ao Educrer”, declarou, anunciando o lançamento do CMS Hub, um aplicativo interativo a ser usado no evento. O primeiro debate envolveu especialistas de diversas origens e tendências. os economistas Roberto Luis Troster, Luiz Rabi e Tomás Málaga, os dois últimos respectivamente da Serasa Experian e do Itaú Private Bank. O economista e jornalista George Vidor (moderador) comparou o Brasil à esfinge, que sempre surpreende, citou o boom do consumo e do pleno emprego, o cenário econômico atual, os ajustes e o prazo para a recuperação econômica. Ao concluir seu raciocínio destacou a “recessão forte, mas de curta duração” por que passa o país, constatando que este já está com sua balança comercial equilibrada, o câmbio está estabilizado em patamar elevado e que a Olimpíada 2016 deverá impulsionar a economia, abrindo novas oportunidades de negócio. “As crises geram boas ideias, oportunidades, mas é preciso saber arriscar para aproveitá-las”, disse Francisco Valim, da Nextel. Ele relembrou o case das Casas Bahia, empresa que, na crise de 2000, concedeu crédito à população não-bancarizada, se arriscou e se beneficiou muito com a estratégia adotada. José Renato Simão Borges, da Credz, afirmou que hoje metade das transações do país ainda é feita em dinheiro, o que mostra que o cartão de crédito tem muito espaço para crescer. Ponderou, ainda, que a única desvantagem do produto é “quando o cliente soma o limite do cartão a sua renda e entra no rotativo”: falta educação financeira, pois esse tem de ser visto apenas como um crédito emergencial. Para o economista Roberto Luis Troster, o consumidor deve evitar o cheque especial e o rotativo no cartão em situações emergenciais, dando preferência ao atraso no pagamento das demais contas e sugere que se repense o crédito: “Estamos emprestando pouco e produzindo pouco.” E, enquanto Tomás Málaga, do Itaú Private Bank, considera impossível que a economia volte a crescer a partir do segundo semestre de 2016, Simão Borges relembra que o setor já superou várias crises e sobreviveu, considerando que “o país voltará a crescer quando houver confiança e crédito”. Também recomendou aos pares a manter independência do Governo e reavaliar cada empresa, investindo em produtividade. O tabu de se calar sobre finanças “O povo brasileiro não fala de finanças, parece assunto proibido, até mesmo em família. Com isso, é natural haver dificuldades em administrar o dinheiro. É preciso romper esse tabu”. Assim começou sua palestra Rai de Almeida, do Comitê Nacional de Educação Financeira (Conef) e da Escola Nacional de Administração Fazendária (Esaf), abrindo o 1º Educrer. “Nós não planejamos, nossa vida financeira para o futuro, nem mesmo no presente.” Ela discorreu sobre a nova classe média, avaliando que essas pessoas entraram para um segmento do mercado sem saber lidar com ele e, por isso, os problemas logo apareceram. Para mudar esse quadro, as responsabilidades dos órgãos governamentais e de toda a sociedade são amplas. Em 2010, foi criada a Estratégia Nacional de Educação Financeira e o Conef, integrado por técnicos do governo e representantes da sociedade. Programas setoriais e transversais passaram a orientar o cidadão sobre finanças. Foi criado o Selo Enef, uma certificação já concedida a 33 entidades envolvidas na difusão dos conceitos de educação financeira, e novos selos serão anunciados em 1º de janeiro de 2016. Revista Corresponde 13

[close]

p. 14

C a pa A Base Nacional Curricular já inclui conceitos sobre o tema para alunos de ensino fundamental e nível médio. “Sem educação financeira não se exerce a cidadania”, salientou Rai, lembrando que mais de 40% da população brasileira está endividada. No painel sobre educação e desenvolvimento do mercado, Victor Loyola, da Serasa Experian, disse que desde 2007 aumentou em 45% a faixa da população brasileira com vínculos no sistema financeiro. A presença da educação financeira e a simplificação dos termos técnicos passam a figurar nas estratégias de instituições e de grandes varejistas, também com o intuito de se aproximar desse novo contingente de consumidores. Nesse aspecto, Fábio de Araújo, do Banco Central (BC), citou a Calculadora do Cidadão, no site do órgão, como ferramenta de divulgação de conceitos sobre finanças, enquanto Hilgo Gonçalves, especialista em varejo, destacou o papel que os correspondentes devem ter na difusão desse conhecimento. Edison Costa, presidente da Aneps, diferencia inadimplente e devedor durante palestra no Educrer. O lado emocional do consumo E, de fato, é essa a intenção da Aneps. No painel do Educrer que se desenvolveu no dia 11, o presidente da entidade reforçou que o grande desafio do setor financeiro, no qual estão incluídos os correspondentes, é “educar os profissionais do mercado, para que possam educar o cliente”, pois para Edison Costa “o ideal é que não exista nem inadimplência nem cobrança”. A moderadora Marcela Kawati, economista do SPC Brasil, divulgou dados de pesquisa da instituição com inadimplentes. Segundo foi apurado, a falta de planejamento financeiro é a principal razão para o fato de 40% dos brasileiros estarem endividados: “as reservas são necessárias para suprir imprevistos”. Edison deixou claro que há uma grande diferença entre ser devedor e ser inadimplente. Na verdade, o empréstimo serve para antecipar aquisições que, mesmo poupando, só poderiam ser feita num prazo longo, como comprar carro e casa, ampliar a empresa e, eventualmente, equilibrar as finanças. Mas considerou que “o suprimento orçamentário é a pior razão para buscar crédito”. Ao se colocar “do outro lado do balcão” afirmou que “quem tem mais sucesso na oferta de crédito é aquele que consegue conversar com o cliente e descobrir o que ele quer”. Essa também é a aposta de Alexandre Gallar- do, da Tivit, para quem os gestores podem auxiliar os clientes em sua sustentabilidade financeira: “Quando se conhece os produtos, as diferenças entre eles e as necessidades de consumo daquela pessoa, temos condições de orientar o cliente.” A mudança de cultura financeira no país no longo prazo é o objetivo da estratégia do Instituto Educacional BM&F Bovespa, de acordo com seu superintendente, Daniel Pfannemuller. O trabalho se desenvolve por meio de parcerias com outras instituições e se apresenta em diferentes modelos, para crianças, jovens e adultos e, ainda, cursos voltados a instituições. Também José Alexandre Cavalcanti Vasco, da CVM, contribuiu com o debate, Ele abordou a questão da poupança, que no país representa a menor taxa entre os países da América Latina, e a necessidade de se repensar os modelos de regulação a partir do que ocorreu na crise mundial de 2008: “Os produtos e serviços oferecidos têm de estar de acordo com o perfil do cliente”. Ele concorda com a orientação da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que também é defendida no D-20, de que a nova regulação deve conter ingredientes das ciências sociais e comportamentais. Inovação e redes sociais As empresas de recuperação de dívidas buscam opções para acompanhar as novas tecnologias, aproximar-se do devedor e obter melhores resultados para seus clientes. As possibilidades de interação e canais de negociações não superam a importância de se trabalhar com dados do devedor, disse Laércio Pinto, da Collection Hub, em painel sobre cobrança. Um telefonema resulta em mais de 60% de recusas e a secretária eletrônica eleva os gastos em mais de 10%. As alternativas levam à automação e uso das opções de comunicação e negociação via web, adequando-se ao meio de contato preferido pelo interlocutor, como portal e aplicativos ou outros. No Banco do Brasil o portal opera há 14 meses; os próximos passos serão os terminais de autoatendimento e e-mobile. As conclusões: importância crescente dos canais digitais, atualização constante da base de dados, sem esquecer o elemento humano. O congresso também discutiu fraudes, que só em janeiro de 2015 somaram R$ 84 milhões. A solução apontada para coibir a falsificação de boletos de pagamento é a obrigatoriedade da utilização de boletos registrados, a partir de 2017. Para novos clientes, os bancos já tornaram obrigatória a cobrança por boletos registrados. Larissa Magrisso, da W3haus, destaca a importância de se “colocar o poder na mão do consumidor”. Nas redes sociais é bom saber quem são essas pessoas, quais suas necessidades, para ter uma comunicação direta e objetiva, conhecendo as características dos clientes para direcionar suas mensagens. Para Rafael Igual, da Social Business Strategist (Espanha), “o consumidor passou a ser o protagonista, o meio é ele, não a plataforma”, em todo tipo de negócio. O caminho é a generalização de todos os serviços pelas vias digitais com as redes sociais servindo para fortalecer a imagem de transparência e honestidade, dentro do conceito: “Ofereça-me o que necessito”. 14 Revista Corresponde

[close]

p. 15

...................................... Somos a fornecedora de dados e tecnologia que vai melhorar os resultados da sua Promotora de Crédito Consignado. Mais de 31 milhões de aposentados INSS .................... Telefone, Endereço e E-mail .................... Detalhamento de benefícios e empréstimos .................... .................. ........................ Sistema de segmentação Base de e captação de base de dados atualizada clientes para novos . . . . . ............... empréstimos e refinanciamentos. Campanhas de venda, consultas de margem, telefone e melhores possibilidades de propostas em um só lugar ENTRE EM CONTATO CONOSCO E DESCUBRA COMO NOSSAS SOLUÇÕES SERÃO FUNDAMENTAIS PARA O DESENVOLVIMENTO DE SEU NEGÓCIO. (11) 3093-2665 Informações certas de um jeito inteligente. www.unitfour.com.br Revista Corresponde 15

[close]

Comments

no comments yet