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inovativa REVISTA DO INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA Certificação Orgânica: INT participa de programa voltado à agricultura familiar Ano 3, no 12 - janeiro | fevereiro de 2016 Marco Legal Ano 3 - n 12 - 2016 Workshop INT/PADIQ Plano de Desenvolvimento e Inovação da Indústria Química. Palavra do Pesquisador Aplicações do XPS em materiais e catálise. 1 As alterações do Novo Código de CT&I. o inovativa

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~ OPINIAO As alterações trazidas pelo novo código de C,T&I Gabriela Toledo de Campos Bolsista da Divisão de Inovação Tecnológica do INT, onde atua com propriedade intelectual e contratos de transferência de tecnologia. É graduada em Direito pela Universidade Veiga de Almeida (UVA), mestranda em Propriedade Intelectual, Sociedade e Empresas Brasileiras, pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), e possui especializações em Propriedade Intelectual, pela UERJ, e em Direito Privado Patrimonial, pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-RIO). Em 11 de janeiro de 2016 foi sancionada a Lei 13.243/16, fruto da PLC 77/15, que dispõe sobre estímulos ao desenvolvimento científico, à pesquisa, à capacitação científica e tecnológica e à inovação, nos termos da Emenda Constitucional nº 85, de 26/02/15. A aludida Legislação aperfeiçoa leis ligadas às atividades de ciência, tecnologia e inovação (C,T&I), como a Lei de Licitações (Lei 8.666/93), a lei que trata das relações entre ICTs (Instituições de Ciência e Tecnologia) e as fundações de apoio (Lei nº 8.958/94), a lei que Institui o Regime Diferenciado de Contratações Públicas (Lei nº 12.462/11), etc. Mas suas maiores contribuições concentram-se em alterações na Lei de Inovação (Lei nº 10.973/04) que será pontuada, mas não exaustivamente. A Lei de Inovação está estruturada em três eixos de ação: 1) a constituição de ambiente propício às parcerias estratégicas entre ICTs e empresas; 2) o estimulo à participação de ICTs no processo de inovação; e 3) o incentivo à inovação na empresa. Com a promulgação do novo Código de C,T&I, podese apontar a introdução de três principais mudanças no eixo de atuação 1 da Lei de Inovação: a)Formaliza-se o apoio à criação, à implementação e à consolidação de ambientes promotores da inovação, como parques e polos tecnológicos e incubadoras de empresas. Para tanto, a lei prevê a possibilidade de as ICTs públicas, bem como as agências de fomento, a União, os Estados, o DF e os municípios, cederem o uso de seus respectivos imóveis para a instalação de tais polos, parque e/ou incubadoras, mediante contrapartida financeira ou não financeira, além de prever a possibilidade de esses entes participarem da criação e da gestão dos parques e/ou incubadoras, desde que observadas a segregação das funções de financiamento e execução. b) Compartilhamento e/ou utilização de laboratórios, equipamentos, instrumentos, materiais e demais instalações sempre mediante contrapartida, seja ela financeira ou não, e desde que tal compartilhamento e/ou utilização não interfira em sua atividade fim. Importante frisar que as modalidades de compartilhamento e utilização já estavam previstas anteriormente. A novidade trazida pela nova lei é a autorização para que o compartilhamento inovativa 2 INOVATIVA - Revista eletrônica do Instituto Nacional de Tecnologia Ano 3, no 12 - janeiro | fevereiro de 2016 inovativa Ano 3 - no(INT) 12 - 2016 Fotos: Arquivo do Instituto Nacional de Tecnologia Edição: Divisão de Comunicação do INT (DCOM)

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ocorra de uma ICT pública à outra ICT ou empresas, independentemente do porte ou nacionalidade, e a autorização para que a utilização ocorra com ICT, empresa, independentemente de seu porte ou nacionalidade, e pessoas físicas. A previsão anterior permitia somente o “compartilhamento” com microempresas e empresas de pequeno porte, e a “utilização” por empresas nacionais e organizações de direito privado sem fins lucrativos. c) Previsão legal de que a União, os Estados, os Municípios e o DF devem, obrigatoriamente, estimular a instalação de centros de pesquisas e desenvolvimento de empresas estrangeiras em território nacional, oferecendo inclusive acesso aos instrumentos de fomento presentes no país, com fito de promover o adensamento do processo de inovação do país. Quanto ao eixo 2, acerca do estímulo à participação de instituições de ciência e tecnologia no processo de inovação, pode-se destacar as seguintes mudanças: a) Formaliza a possibilidade de celebração de contrato de transferência de tecnologia COM exclusividade, sem a necessidade da realização de oferta pública, nos casos de desenvolvimento em conjunto de ICT pública com empresa. Esta é mais uma das omissões corrigidas pela nova lei. Anteriormente a empresa parceira corria o risco de, apesar de ter participado de todo o desenvolvimento e de ter contribuído financeiramente e com o seu capital intelectual, ver o resultado licenciado para uma terceira empresa. b) Outra forma de acelerar a participação das ICTs no processo de inovação trazida pela nova lei foi a possibilidade de contratação direta da ICT, ou pesquisador a ela vinculado, de projetos de PD&I, que envolvam risco tecnológico, sem a obrigatoriedade de licitação. Podendo ser celebrado por meio de convênio, contrato ou outro instrumento jurídico assemelhado. Desta forma, o Estado pode encomendar uma pesquisa específica, em área estratégica, a uma ICT e/ou empresa para o desenvolvimento de uma tecnologia, realizando repasse de recursos financeiros sem que para isso proceda com o processo licitatório. c) Autoriza o pesquisador público, em regime de dedicação exclusiva, a exercer atividade remunerada de pesquisa, desenvolvimento e inovação em ICT ou empresa, desde que assegurada a continuidade de suas atividades e desempenho. d) Uma das alterações mais celebradas é aquela que possibilita o recebimento de receitas e royalties, oriundos dos contratos de prestação de serviço, compartilhamento de laboratório, transferência de tecnologia e de outros contratos decorrentes da aplicação dessa lei, por intermédio de fundação de apoio. Essa introdução desfaz uma das grandes amarras no que tange a disponibilidade de recurso para as atividades de pesquisa e desenvolvimento. Agora as ICTs poderão adotar medidas mais assertivas na elaboração e execução dos seus orçamentos na medida em que vierem possuir receitas próprias. Frise-se que a aludida receita deve ser aplicada exclusivamente em objetivos institucionais de PD&I, incluindo a gestão da política de inovação. Quanto ao eixo 3, que trata do incentivo à inovação na empresa, aponta-se as seguintes alterações como principais mudanças: a) A União, seus entes federativos e suas agências de fomento devem, à luz da nova lei, promover e incentivar a pesquisa e o desenvolvimento de produtos, serviços e processos inovadores em empresas brasileiras e em entidades brasileiras de direito privado sem fins lucrativos, mediante a concessão de recursos financeiros, humanos, materiais ou de infraestrutura a serem ajustados em instrumentos específicos, podendo se materializar por meio da subvenção econômica, bônus tecnológico, concessão de bolsas e outros instrumentos de estímulo à inovação. Além das alterações na Lei de Inovação, a Lei nº 13.243/16 ainda traz algumas outras modificações importantes para o marco legal de inovação, como a desburocratização dos sistemas de licitação, compra e importação de produtos destinados a pesquisas científica e tecnológica, a permissão para que os Núcleos de Inovação Tecnológica das instituições públicas de pesquisa funcionem como fundações, dando mais autonomia e reduzindo a burocracia para sua atuação, além de determinar que as isenções e reduções do imposto de importação se apliquem a importações realizadas por ICTs e por empresas na execução de projetos de PD&I. Ao analisar a nova Lei, percebe-se que houve a intenção de criar novos mecanismos, além de esclarecer pontos antes omissos e que careciam de segurança jurídica, para serem implementados de forma efetiva, visando apresentar à sociedade mecanismos mais eficazes de fomento e fortalecimento de seu sistema nacional de inovação. z Ano 3 - no 12 - 2016 inovativa 3

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FIQUE DE OLHO INT atua em programa de certificação orgânica da agricultura familiar Foto: Laureni FocheƩo Sem usar defensivos agrícolas e ferƟlizantes químicos, a agricultura orgânica agrega valor e qualidade aos alimentos, precisando ser cerƟficada para ser absorvida pelo crescente mercado de orgânicos e melhorar a renda das famílias produtoras. A agricultura familiar receberá apoio do Governo Federal para certificar sua produção como orgânica. A iniciativa é do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e conta com o suporte do Instituto Nacional de Tecnologia (INT/MCTI) para capacitar inspetores locais em todo o Brasil, tendo como meta inicial viabilizar a certificação de 500 famílias nesse sistema de produção. O INT já atua como Organismo Certificador de Produtos Orgânicos desde 2011, quando foi credenciado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e acreditado pelo Inmetro para esse tipo de certificação, realizada por auditoria, nas áreas de produção primária vegetal, produção primária animal, processamento de produtos de origem vegetal e extrativismo sustentável orgânico. Essa competência veio a calhar com a estratégia de desenvolvimento da certificação de agricultores expressa no Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo), fruto de um intenso debate e construção participativa, envolvendo diversos órgãos de governo e movimentos sociais do campo e da floresta. Sob responsabilidade da Câmara Interministerial de Agroecologia e Produção Orgânica, coordenada pelo MDA, o trabalho envolveu também a participação da SecretariaGeral da Presidência da República; do MAPA e dos ministérios da Saúde; Educação (MEC); Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI); Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS); Meio Ambiente (MMA); da Pesca e Aquicultura (MPA) e da Fazenda, com apoio de 4 inovativa Ano 3 - no 12 - 2016

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vários setores da sociedade representados na Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (CNAPO). Com a meta de atingir um grande número de famílias espalhadas em regiões distantes do país, a solução para otimizar custos proposta pela Divisão de Certificação do INT e aceita pelo MDA foi a multiplicação de inspetores nos diversos estados. O acordo do Ministério do Desenvolvimento Agrário com o Instituto do Ministério da Ciência,Tecnologia e Inovação (MCTI) foi assinado em julho de 2015 e no final de novembro o INT recebeu parte do recurso no valor total de 588 mil reais para executar durante dois anos o projeto “Certificação por auditoria para a promoção e o Desenvolvimento da Agricultura Familiar Orgânica do Brasil”. O trabalho inclui, dentre outras ações, a capacitação desses auditores locais e a produção de cartilhas explicando o passo a passo da certificação orgânica para os diversos grupos de agricultores familiares, que incluem populações assentadas, ribeirinhas, quilombolas e extrativistas. critérios de seleção, levando em conta também as demandas por região, com possível anúncio do resultado no final de janeiro. Os requisitos básicos para a admissão dos candidatos a inspetor é que estes tenham formação adequada à produção, experiência em produção orgânica ou agroecológica, vivência em auditoria e que tenham disponibilidade para participarem do programa. O objetivo da formação é alavancar o sistema da certificação dentro dos próprios núcleos, de modo que a atividade se torne sustentável e possa difundir essa forma de produção entre as famílias de agricultores. O incentivo se soma a outras políticas públicas já implementadas pelo MDA, como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que financia projetos individuais ou coletivos capazes de gerar renda aos agricultores familiares e assentados da reforma agrária, e, pelo MDS e Conab, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que compra alimentos produzidos pela agricultura familiar, para distribuí-los gratuitamente a pessoas ou famílias em situação de insegurança alimentar ou nutricional e a entidades de assistência social, restaurantes populares, cozinhas comunitárias e bancos de alimentos. Cursos programados Os cursos de formação acontecerão no primeiro semestre de 2016, na sede do INT, no Rio de Janeiro, com passagens e estadias custeadas pelo programa. Para preencher as 30 vagas iniciais foi divulgada uma chamada em vários sites nacionais e regionais, tendo uma resposta de mais de 1,7 mil candidatos, além de uma resposta de mais de 300 grupos de cooperativas ou associações atuantes junto a diferentes núcleos de agricultura familiar com interesse na certificação orgânica. A grande procura, com candidatos de ótima qualificação, obrigou a organização do curso a rever Os frangos orgânicos são criados com espaço e respeito às normas de bem-estar animal, além de serem livres de substâncias que possam por em risco a saúde do consumidor final. Ano 3 - no 12 - 2016 inovativa 5

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Saiba mais sobre a certificação de ôrgânicos A qualidade e o atendimento a requisitos específicos de produção, sobretudo a ausência do uso de agrotóxicos e adubos químicos, tornam os alimentos orgânicos cada vez mais procurados pelos consumidores mais exigentes e conscientes. A identificação dos produtos como orgânicos, no entanto, depende de uma relação estrita de confiança com o produtor ou de um sistema de certificação, que assegure ao comprador final que a produção seguiu rigorosamente as regras desse sistema de produção. No Brasil, as normas para produtos orgânicos foram estabelecidas pela Lei dos Orgânicos, de 2003, e regulamentadas pelo Decreto 6.323, de 2007. Desde então, para que um produto seja vendido como “orgânico”, o produtor deve integrar o Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos submetendo-se ao controle de um dos três mecanismos de garantia da qualidade orgânica: a certificação por auditoria, a certificação participativa ou o vínculo a uma organização de controle social auditada por um órgão fiscalizador. A certificação por auditoria, realizada pelo INT e outros órgãos públicos ou privados credenciados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e acreditados pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), garante ao produtor o uso do Selo do Sistema Brasileiro de Avaliação de Conformidade Orgânica (SisOrg). O organismo certificador avalia a conformidade da produção 6 inovativa Ano 3 - no 12 - 2016

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segundo procedimentos e critérios reconhecidos internacionalmente, além dos requisitos técnicos estabelecidos pela legislação brasileira. Já o sistema participativo de garantia conta com a responsabilidade dos produtores em conjunto com demais membros do sistema – distribuidores, vendedores, transportadores e armazenadores – ou com colaboradores, incluindo consumidores e suas associações, técnicos e organizações públicas ou privadas intereressados em assegurar a qualidade orgânica dos produtos. Essa forma de avaliação compartilhada da conformidade também assegura o uso do selo do SisOrg, com a identificação da modalidade de certificação. Por fim, o controle social na venda direta permite a garantia da qualidade de produtos orgânicos sem certificação, em casos de comercialização por agricultores familiares diretamente ao consumidor final. Para isso, no entanto, é exigido o credenciamento numa organização de controle social cadastrado em órgão fiscalizador oficial, incluindo esses produtores no Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos. Essa modalidade não permite o uso do selo do SisOrg ou rótulo com identificação de orgânico. Credenciado desde 2011, o INT certifica produtos orgânicos nas áreas de produção primária vegetal, produção primária animal, processamento de produtos de origem vegetal e extrativismo sustentável vegetal. CERTIFICAÇÃO POR AUDITORIA Para mais informações sobre a certificação de produtos orgânicos, os interessados podem procurar a Divisão de Certificação do INT, pelo telefone (21) 2123-1214 ou pelo e-mail ocp@int.gov.br. z Ano 3 - no 12 - 2016 inovativa 7

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PALAVRA DO PESQUISADOR Espectroscopia de fotoelétrons (XPS): Perspectivas e Aplicações em Materiais e Catálise Fabiana Magalhães Teixeira Mendes Pesquisadora da área de Catálise e de Processos Químicos do INT, coordena o uso da técnica de espectroscopia fotoeletrônica por raios X (XPS) no Instituto. Atualmente desenvolve projetos de pesquisa associados à síntese de catalisadores para a oxidação seletiva do propano. Realizou pós-doutorado, por dois anos, no Instituto Fritz-Haber der Max-Plack, na Alemanha, onde aprofundou seus conhecimentos nas técnicas que operam em ultra alto vácuo, entre elas a de XPS. É Engenheira Química, com mestrado em Química Inorgânica e doutorado em Engenharia Química pela UFRJ. · Palavras-chave: espectroscopia fotoeletrônica por Raios X, XPS, catálise, ciência das superfícies, nanotecnologia. A espectroscopia fotoeletrônica por Raios X (XPS) é uma técnica de ponta para a análise de superfícies de poucas camadas atômicas e é uma ferramenta essencial tanto para a nanociência, como para a nanotecnologia. Um número infindo de aplicações é encontrado, principalmente, nas áreas de materiais, catálise, corrosão, polímeros, etc. Em poucas palavras, a técnica permite identificar e quantificar quaisquer elementos químicos (exceto H2 e He) em uma superfície sólida de poucas camadas atômicas (até 10nm). Somado a isso, possui o diferencial de determinar os diferentes estados de oxidação dos elementos químicos em seus ambientes eletrônicos, permitindo um estudo do comportamento de suas interfaces. Nesta técnica, o fóton de raios X é absorvido por um átomo numa molécula ou sólido, levando à ionização e à emissão de elétrons do cerne (chamados de fotoelétrons), produzindo um espectro que traduz a contagem do sinal detectado em função da sua energia cinética (ou energia de ligação). A energia de ligação medida de um elétron que foi emitido não depende unicamente do nível de fotoemissão onde o elétron encontrava-se localizado, mas também: do estado de oxidação do átomo; do ambiente químico e físico onde se encontra o átomo em questão, ambiente molecular ou mudanças no reticulado cristalino, etc. Mudanças nestes itens acarretam pequenos deslocamentos na posição dos picos no espectro, que é chamado de deslocamento químico, além de outras alterações no espectro. Em geral os materiais apresentam desafios que requerem 8 inovativa Ano 3 - no 12 - 2016

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desenvolvimento científico dedicado na obtenção de sua formulação, assim como na promoção da inovação. Para isso, a técnica de caracterização de superfície (XPS) é essencial. Hoje o INT, por intermédio do CENANO (Centro de Caracterização em Nanotecnologia para Materiais e Catálise), possui um espectrômetro de raios X e vem atendendo a demandas internas e externas em parcerias de cunho científico e tecnológico. A demanda crescente pelo uso da técnica traz a necessidade de uma divulgação mais abrangente sobre seus fundamentos e versatilidade, no entanto, verifiquei a ausência de uma literatura de fácil acesso, escrita em português, e que fosse capaz de promover um nivelamento aos iniciantes na técnica, fornecendo uma visão geral dos fundamentos teóricos e que também abordasse a parte experimental, com a interpretação dos dados gerados. Com vistas à ampla disseminação do conhecimento da ciência e divulgação da técnica, oportunamente obtive financiamento da FAPERJ para a edição de dois livros na área: o primeiro em 2011 – “Introdução à técnica de espectroscopia fotoeletrônica por raios X” (ISBN 978-85-61325-61-9) – e outro lançado recentemente, em outubro de 2015, “Introdução à técnica de espectroscopia fotoeletrônica por raios X: Tratamento dos dados gerados - tutorial do software XPS” (ISBN 978-85-68483-10-7). O primeiro livro, escrito na língua portuguesa, aborda os fundamentos teóricos explicados de um modo claro e objetivo. O livro mais recente é um tutorial do software de tratamento de dados usado mundialmente, o CasaXPS. Vale ressaltar que os exemplos relatados no tutorial publicado foram exclusivamente gerados pelo aparato experimental instalado e de domínio do Instituto Nacional de Tecnologia (INT). O CasaXPS é um software desenvolvido por Casa Software Ltd., cuja licença e teoria pode ser obtida na web: www.casaxps.com. Dentre os softwares de tratamento de dados utilizados mundialmente, o CasaXPS é o de maior aceitação na comunidade científica (mundial e nacional). Este oferece uma gama de ferramentas que possibilita a quantificação elementar da superfície dos materiais, a determinação de diferentes estados de ligação dos elementos de interesse, além de informações quanto a possíveis alterações em seu ambiente químico eletrônico. Neste aspecto, Ano 3 - no 12 - 2016 inovativa 9

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nova atividade irá permitir a análise de amostras reduzidas “in situ”, assim como a dessorção de gases adsorvidos para estudos de alterações na superfície e formação de produtos. No campo da catálise, a caracterização à luz do estudo do comportamento da interface entre os sítios ativos e o suporte, principalmente das interfaces entre metais ou óxidos de metais de transição como, por exemplo, Molibdênio, Nióbio e Vanádio, é de extrema relevância. Recentemente, estudos da interação de espécies de vanádio suportadas em carvão ativado vêm sendo conduzidos com o apoio da técnica de XPS. O carvão ativado usado na formulação do catalisador em estudo foi obtido da palha da cana de açúcar, importante resíduo agrícola. O projeto de pesquisa, que está em andamento no INT, busca valorar os resíduos da biomassa, empregando-os também na formulação do catalisador. O mercado de carvão ativado é bem estabelecido e encontra vasta aplicação nos setores ambientais e industriais para a remoção, recuperação, separação e transformação de produtos, sejam em aplicações em meio líquido ou em fase gasosa. A vasta cultura agrícola brasileira permite utilizar diferentes fontes de biomassa para a obtenção de um carvão ativado e, com isso, modular suas principais propriedades tais como elevada área superficial, uma porosidade adequada, a presença de diferentes grupos funcionais, além de sua capacidade de adsorção. Além da valoração do resíduo de palha na obtenção de um carvão ativado, o leque de oportunidades que se abre é enorme ao conduzirmos estudos, especialmente utilizando a técnica de XPS, para monitorar as alterações na superfície, especialmente quando se utiliza como matéria-prima fontes residuais agrícolas. Somado a isso, estes materiais encontram inúmeras aplicações nos mais variados setores (catálise, tratamento de água, automotivo, removedores de odores, alimentos, etc.) e vem apresentando potencial para um futuro uso comercial. z a colaboração direta com o Dr. Neal Fairley, da Inglaterra, criador do software, vem auxiliando a interpretar as análises em elementos químicos ditos “não convencionais”, como é o caso do Rutênio, muito importante no campo da catálise. Desde a implementação da técnica de XPS no INT, cerca de 200 análises de diferentes materiais e origens, permeando diferentes parcerias com entidades científicas (institutos de pesquisa, instituições de ensino superior e empresas), já foram realizadas. Uma vertente mais avançada da técnica é o uso da abordagem dada pela ciência de superfície na busca do entendimento da relação entre a estrutura e a reatividade do catalisador. Estudos buscam comparar a superfície de catalisadores modelo, como filmes óxidos altamente organizados e de dimensões atômicas, com a de catalisadores reais. Para isso, está sendo posta em operação a câmara de alta pressão, que é acoplada ao equipamento de XPS. Esta 10 inovativa Ano 3 - no 12 - 2016

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INT orienta empresas do setor Químico interessadas no apoio do PADIQ Lançado em novembro de 2015, numa iniciativa conjunta do BNDES e da Finep, o Plano de Desenvolvimento e Inovação da Indústria Química (PADIQ) fomenta planos de negócio para desenvolvimento tecnológico e investimento na fabricação de produtos químicos. Com um total de recursos estimado em R$ 2,2 bilhões para as operações contratadas entre 2016 e 2017, o programa se soma a outros instrumentos de apoio à inovação e a investimentos produtivos da Indústria Química no país. Com tradição no suporte à inovação no setor e na qualidade de unidade credenciada da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) para suporte a projetos de inovação na área de Tecnologia Química Industrial, o Instituto Nacional de Tecnologia (INT/MCTI) apoiará empresas na utilização deste novo recurso. Para um impulso inicial às novas parcerias no âmbito do PADIQ, o INT realizou, no dia 27 de janeiro, em sua sede, no Rio de Janeiro, o Workshop INT/ PADIQ – Apoio aos Planos de Negócio. Contando com executivos e técnicos de algumas importantes empresas do setor, o evento contou com a participação do engenheiro Paulo Castor de Castro, do Departamento da Indústria Química do BNDES, que explicou as condições gerais do apoio. O assessor da Embrapii, Fabio Stalivieri, por sua vez, mostrou a forma oferecida pela Organização Social, que pode ser cumulativa com os benefícios do PADIQ, especialmente por meio da Unidade Embrapii INT, credenciada em área de competência relacionada com o Plano. A Embrapii contribui com projetos de inovação com até um terço de investimentos não reembolsáveis, mais o recurso de infraestrutura e pesquisa aportado pelo INT. O coordenador de Negócios do INT, Vicente Landim, ratificou a possibilidade de desenvolver projetos utilizando formas conjuntas de apoio e detalhou as áreas de suporte tecnológico do INT aos planos de negócio das empresas para pleitear os financiamentos do PADIQ. Segundo Landim, o Instituto pretende contribuir ao máximo para o desenvolvimento de novos projetos que utilizem este novo e abrangente instrumento de apoio do BNDES e da Finep, podendo ainda agregar recursos da Embrapii. O diretor do INT, Fernando Rizzo, fala aos parƟcipantes na abertura do workshop. Ano 3 - no 12 - 2016 inovativa 11

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• Avaliação e otimização de processos de base química através da caracterização de etapas e melhoria de procedimentos. Segmento 5: Insumos Químicos para HPPC (Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos) • Desenvolvimento de tecnologias de conversão de insumos derivados da biodiversidade brasileira e da cultura da palma em intermediários químicos; • Encapsulação de ativos; competência em emulsões e nanoemulsões; competência em formulações; • Caracterização e otimização dos processos de produção de intermediários químicos. Segmento 6: Químicos a partir de Fontes Renováveis • Desenvolvimento de processos biotecnológicos para produção de insumos químicos a partir da biomassa de cana-de-açúcar ou cana energia, incluindo resíduos agrícolas e subprodutos industriais do processo de produção de açúcar e álcool; • Desenvolvimento de processos para produção de insumos químicos a partir da biomassa florestal, incluindo resíduos e subprodutos do processo de produção de celulose; • Desenvolvimento de processos para produção de insumos químicos a partir da glicerina; • Desenvolvimento, escalonamento e implantação de processos de produção de enzimas para hidrólise de material lignocelulósico; • Competência em produção de poliésteres a partir de monômero de origem vegetal, competência na produção de nano-óxidos metálicos a partir de biopolímeros. Todos os segmentos • Aplicação de tecnologias de programação matemática, simulação computacional e gestão da produção para apoiar o desenvolvimento de processos e produtos na cadeia produtiva da indústria química. z Na visita técnica, representantes das empresas recebem explicações do gerente e outros pesquisadores da área de Catálise e Processos Químicos. Os participantes do workshop tiveram ainda a possibilidade de conhecer os laboratórios de Biocatálise (Labic), Catálise (Lacat), Química Analítica Inorgânica (Laqua), Combustíveis e Lubrificantes (Lacol), Tecnologia de Materiais Poliméricos (Lamap), H2S, CO2 e Corrosividade (LAH2S), além da área de Engenharia de Avaliações e de Produção (DEAP) e o Centro de Caracterização em Nanotecnologia (Cenano). Durante as visitas os técnicos puderam conversar sobre detalhes da infraestrutura e competências do INT para suporte aos planos de negócio. Áreas de suporte O INT possui amplo leque de competências constituídas para oferecer apoio tecnológico ao Plano de Negócio das empresas em cinco dos seis segmentos contemplados pelo PADIQ: Segmento 1: Aditivos para Alimentação Animal • Encapsulação polimérica de sais minerais, proteínas e vitaminas. Segmento 3: Materiais Compósitos e Fibras de Carbono • Desenvolvimento de materiais compósitos de polímeros com fibras naturais. Segmento 4: Aditivos Químicos para Exploração e Produção de Petróleo • Prospecção laboratorial, caracterização de insumos e produtos finais, bem como desenvolvimento de novos processos e produtos, incluindo tecnologias de microalgas; 12 inovativa Ano 3 - no 12 - 2016

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