Gazeta Valeparaibana

 

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Fevereiro 2016

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Ano VIII - Edição 99 - Fevereiro 2016 Distribuição Gratuita Vale do Paraíba Paulista - Litoral Norte Paulista - Região Serrana da Mantiqueira - Região Bragantina - Região Alto do Tietê RECICLE INFORMAÇÃO: Passe este jornal para outro leitor ou indique o site - Boa música Brasileira Cultura Educação Cidadania Sustentabilidade Social O projeto foi idealizado e criado pensando unicamente nas pessoas com Síndrome de Down, baseando-se nas dificuldades e no apelo constante dos pais, quanto ao estilo de Alfabetização oferecido nas escolas nos dias de hoje. O compromisso que da DownBrasil é formar cidadãos conscientes, confiantes e capazes de se incluírem no âmbito social e acreditar num país justo e igualitário, conforme consta na Constituição Federal: “A Escola é um Direito de Todos”. Assim, a DownBrasil sentiu-se no dever de contribuir apoiando também as pessoas com SD no que diz respeito à alfabetização, com acompanhamento sistemático, trabalhando as dificuldades Agora também no seu www.culturaonlinebrasil.net Baixe o aplicativo IOS encontradas e respeitando o tempo de reação de cada um deles. Venha conhecer de perto este Projeto Alfabetização na Vida das Pessoas com Síndrome de Down, entre em contato: dpa.projetos@downbrasil.org Artigos Recomendados EDITORIAL VOCÊ É PONTUAL? Página 2 ******************* NUVENS DE VENENO Página 3 ******************* MÚSICA SIMPLESMENTE Página 4 ******************* A Desigualdade de Gênero: Homem x Mulher Página 5 ******************* Escola ou linha de produção? Documento sobre os rumos da educação brasileira levanta polêmica. A CONQUISTA DE MONTE CASTELO PELA FEB Reproduzimos, a seguir, o texto publicado pelo Noticiário do Exército - Ano LII Nº 10.552, de 21 de fevereiro de 2009. O capitalismo e o futuro Página 6 ******************* Página 8 A INTOLERÂNCIA DA MAIORIA Página 7 ******************* Página 12 CORRUPÇÃO NA EDUCAÇÃO E LEI DE LICITAÇÃO Página 9 ******************* AS MASSAS E O ESTADO EM ORTEGA Y GASSET Página 10 ******************* POVO PORTUGUÊS ELEGE PRESIDENTE DA RÉPUBLICA “ Às DIREITAs POR LINHAs TORTAs “ Constituição de 1891 Características da Constituição de 1891, resumo, voto, sistema e forma de governo, direitos, contexto histórico, história Culturas e tradições Brasileiras Página 13 E tem mais... Confira! Página 16 Página 11 www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Fevereiro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 2 Editorial VOCÊ É PONTUAL? Participo de vários grupos sociais e culturais em São Paulo, bem como estou sempre, como a maioria aqui, indo às instituições resolver problemas burocráticos, consultas médicas e outros. Notei que quase todas as vezes que marco algum encontro para um café, almoço, etc, geralmente me debruço na ansiedade do esperar e esperar... Isso me fez colocar em pauta essa falta de pontualidade que notoriamente não são apenas dos meus amigos e demais relacionamentos, é um problema geral do brasileiro. Evidente que nos dias de chuvas e manifestações é inevitável o atraso, mas parece que as pessoas incorporaram isso por via de regra e como absolutamente normal. Fácil entender atrasos por situações contrárias à vontade de uma pessoa, mas, como justificar o professor que se atrasa quase todos os dias? Mesmo que chegue à escola em tempo hábil, acaba se atrasando para entrar em sala de aula por conta do bate papo na sala dos professores e do cafezinho e da mesma forma, consequentemente, o fazem os alunos na cantina e nas conversas pelos corredores. Festas, jantares, casamentos, compromissos religiosos, reuniões de executivos já é de praxe o atraso. Que diria então dos atrasos dos ônibus, metrôs, aeroportos, correios, serviços deliverys, obras. No entanto, as pessoas em geral atrasam em tudo mas, reclamam e se aborrecem com todos os atrasos que ela mesma sofre com os outros sem se darem conta que ela também é protagonista de diversas histórias. Como ponderar tanta falta de compromisso para com o outro se os atrasos do dia a dia tornaram-se apenas “pequenos” atrasos. Bom seria lembrar que controlar o horário e fazê-lo ser cumprido exige reorganizar o tempo de acordo com as situações que se vive nas grandes cidades, muitas vezes pode ser prevenido com os antecipados anúncios de clima, manifestações, que se tem pelas redes sociais e sem esquecer que qualquer atraso num compromisso envolve outras pessoas que merecem respeito e que o sucesso profissional, a imagem e reputação vêm agregados à pontualidade. Uma pessoa capaz de gerenciar seu tempo sem tornar-se refém dos obstáculos,fica livre das desculpas de sempre para justificar a falta de pontualidade e será recebida de maneira mais leve e com um sorriso de quem a espera. Lembrando que pontualidade não é favor e sim obrigação, a impontualidade não é virtude e sim defeito, mesmo nos dias caóticos de hoje. Genha Auga – jornalista – MTB: 15.320 Rádio web CULTURAonline Brasil NOVOS HORÁRIOS e NOVOS PROGRAMAS Prestigie, divulgue, acesse, junte-se a nós ! A Rádio web CULTURAonline Brasil, prioriza a Educação, a boa Música Nacional e programas de interesse geral sobre sustentabilidade social, cidadania nas temáticas: Educação, Escola, Professor , Família e Sociedade. Uma rádio onde o professor é valorizado e tem voz e, onde a Educação se discute num debate aberto, crítico e livre. Mas com responsabilidade! Acessível no link: www.culturaonlinebrasil.net A gratidão é a maior medida do caráter de uma pessoa. Uma pessoa grata é uma pessoa fiel, não te abandona, está sempre contigo. Nela você sempre pode confiar. Augusto Branco ================ As pessoas felizes lembram o passado com gratidão, alegram-se com o presente e encaram o futuro sem medo. Epicuro ================ A gratidão é a virtude das almas nobres. Esopo ================ Quem acolhe um benefício com gratidão, paga a primeira prestação da sua dívida. Sêneca ================ Aos incapazes de gratidão nunca faltam pretextos para não a ter. Gustave Flaubert ================ A gratidão é uma dívida que os filhos nem sempre aceitam no inventário. Honoré de Balzac ================ A gratidão da maioria dos homens não passa de um desejo secreto de receber maiores favores. François La Rochefoucauld ================ A gratidão tem memória curta. Benjamim Constant Os artigos publicados são responsabilidade de seus autores, não refletindo necessariamente a opinião da Gazeta Valeparaibana IMPORTANTE Todas as matérias, reportagens, fotos e demais conteúdos são de inteira responsabilidade dos colaboradores que assinam as matérias, podendo seus conteúdos não corresponderem à opinião deste projeto nem deste Jornal. A Gazeta Valeparaibana é um jornal mensal gratuito distribuído mensalmente para download Editor: Filipe de Sousa - FENAI 1142/09-J Gazeta Valeparaibana e CULTURAonline BRASIL CULTURAonline BRASIL Ajude-nos a manter este projeto por apenas R$ 2,00 mensal Email: assinaturas@gazetavaleparaibana.com Juntas, a serviço da Educação e da divulgação da CULTURA Nacional

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Fevereiro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 3 Nossa saúde x Capital Nuvens de Veneno: documentário fala sobre problemática do uso de agrotóxicos Calendário do mês Algumas datas Comemorativas 01 - Dia do Publicitário 02 - Dia do Agente Fiscal Documentário revela de que forma algumas corporações conseguem manter esses produtos no mercado através de decisões judiciais, contaminando lençóis freáticos, rios e solo. O Brasil é um dos maiores produtores do mundo de milho, soja e algodão, mas também um dos maiores consumidores de agroquímicos, ou seja, fertilizantes químicos e defensivos agrícolas, os agrotóxicos. Para expor as preocupações relacionadas às consequências do uso desses defensivos agrícolas no ambiente, na saúde do trabalhador e na saúde das pessoas que direta ou indiretamente tem contato com eles, foi produzido um documentário que revela de que forma algumas corporações conseguem manter esses produtos no mercado através de decisões judiciais, contaminando lençóis freáticos, rios e solo. Segundo o professor de Estudos em Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Diretor do documentário “Nuvens de Veneno”, Beto Novaes, o objetivo fundamental desse projeto foi transformar as teses e os trabalhos acadêmicos em imagens, para integrar na universidade, a questão do ensino, pesquisa e extensão: “Esse documentário, Nuvens de Veneno, foi produto de uma tese, do professor/médico do Mato Grasso, Wanderlei Pignatti, em convênio com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no qual fez uma ampla pesquisa sobre o impacto do agrotóxico na saúde coletiva e na saúde dos trabalhadores, além do impacto no meio ambiente. Ele mediu a contaminação de agrotóxicos nos poços artesianos, mediu a propagação pelo ar, pela deriva, mediu o problema dos desmatamentos nas nascentes dos rios, além das consequências das aplicações dos agrotóxicos na saúde das populações ribeirinhas e populações adjacentes”. Outro problema trazido pelo documentário foi a dificuldade dos horticultores orgânicos, vizinhos dos grandes produtores agrícolas, consumidores de agroquímicos, de conseguirem um selo orgânico nas suas plantações, pois o vento leva uma parte dos agroquímicos aplicados nas grandes plantações, para as suas hortas ou plantações orgânicas. De acordo com moradores locais, como duas diretoras de escolas da região, Cleusa de Marco e Loini Hermann, devido a pulverização de agrotóxicos, próximo às comunidades, os gramados e plantas locais amarelam e secam, além da contaminação dos lençóis freáticos, nascentes e poços artesianos que atendem à população local. A lavagem dos aviões que pulverizam os agrotóxicos, é feita sem controle ou filtragem da água, que cai no solo e vai infiltrando, até chegar nos lençóis freáticos. No Brasil ainda é utilizado um agrotóxico que foi proibido na União Europeia, EUA, China e Canadá, e seu uso é preocupante, pois existem denúncias de casos de intoxicações generalizadas, além de ser considerado cancerígeno, teratogênico e neurotóxico: “Essa é uma questão da sociedade, pois ela está se contaminando com o uso desses agroquímicos. O documentário faz um mapeamento das questões ambientais, da saúde coletiva, da saúde do trabalhador e da saúde pública e como utilizar uma ação preventiva com os agentes de saúde, para que eles possam ter alguns parâmetros, alguma percepção desse problema que vá além de combater doenças e sim evitá-las”, alertou Beto Novaes. ACESSE: https://www.youtube.com/watch?v=v2eUR5EyX9w 02 - Dia de Iemanjá 05 - Dia do Datiloscopista 07 - Dia do Gráfico 09 - Dia do Zelador 10 - Dia do Atleta Profissional 11 - Dia da Criação da Casa de Moeda 11 - Dia Mundial do Enfermo 13 - Dia Nacional do Ministério Público 14 - Dia da Amizade 16 - Dia do Repórter 19 - Dia do Desportista 21 - Dia da Conquista do Monte Castelo (1945) 23 - Dia do Rotariano 24 - Promulgação da 1ª Constituição Republ. (1891) 25 - Dia da Criação do Ministério das Comunicações 27 - Dia do Agente Fiscal da Receita Federal 27 - Dia Nacional do Livro Didático FRASE DO MÊS A democracia... é uma constituição agradável, anárquica e variada, distribuidora de igualdade indiferentemente a iguais e a desiguais. (Platão) EDUCAÇÃO PARA A CIDADANIA A educação para a cidadania significa fazer de cada pessoa um agente de transformação social, por meio de uma práxis pedagógica e filosófica: uma reflexão/ação dos homens sobre o mundo para transformá-lo. Este é um dos objetivo do Jornal Gazeta Valeparaibana www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Fevereiro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 4 Música Música simplesmente Frequentemente amigos e conhecidos se aproximam de mim e perguntam: Gustavo, quais são suas paixões? O que te faz te levantar e sorrir, chorar, se emocionar? Não são poucas as coisas que me movem, que me trazem motivação, paixão, e eu normalmente respondo: além da minha família, do sorriso de meus filhos tenho uma grande: Música! Claro que, como a maioria dos brasileiros, adoro futebol e qualquer motivo para uma festa com amigos, mas a música é e sempre será para mim um alimento para a alma e ela me acompanha literalmente 24 horas por dia. A pergunta que se segue é inevitável: Mas que tipo de música ouves? Eu respondo: Música…, simplesmente. Sim, simplesmente música, sem rótulos, sem definições. Porém, nós humanos, que somos premiados com uma cabecinha pensante, precisamos rotular, dividir em compartimentos tudo aquilo que possuímos, que amamos, que conhecemos, que cuidamos, que odiamos. Precisamos classificar. Se o fazemos com tudo que nos rodeia, não poderia ser diferente com a música. Afinal, o que é música? No dicionário encontramos algo assim: 1. s.f. A Arte de combinar sons agradáveis ao ouvido. Sim, música pode ser definida por isso mas, para a maioria de nós, música é muito mais do que “sons agradáveis ao ouvido”. Ela está presente em muito mais lugares do que a gente imagina. Muita gente hoje em dia usa um celular, por exemplo. Quando alguém nos liga, ou uma mensagem chega, quando jogamos aquele joguinho, ou qualquer coisa que um smartphone faz a ação é acompanhada de sons organizados e que é uma “micro”- música. A novela, ou o filme, ou a série que a gente assiste tem uma trilha sonora. Na propaganda que vc assiste há música e claro, há a música que escolhemos para ouvir. Aquelas que estão nas canções que a gente curte (também no smartphone), nos shows e concertos que assistimos, aquela que cantamos felizes para os azulejos do banheiro. Ouvimos e fazemos música desde os tempos ancestrais. Por desenhos rupestres sabemos que já existiam alguns instrumentos rudimentares e que música já era feita na época das cavernas. Há uma necessidade de expressarmos nossas alegrias, nossas tristezas, comemorar, acalentar o sofrimento, cuidar das dores e das alegrias da nossa alma, e a música parece fazer isso como poucas outras expressões artísticas. Acredita-se que a primeira manifestação musical tenha sido com nossa própria voz. Na natureza já encontramos música nos sons que ela produz. O vento, a chuva, a folhagem das árvores e, claro, o som dos animais, especialmente daqueles pequenos músicos: as aves. Há espécies que entoam verdadeiras melodias.Talvez por essa vontade de se integrar à natureza o ser humano descobriu que sua voz podia se expressar além de palavras ou gritos e sussurros. Nasce assim talvez a primeira “arte de combinar sons…”. Somos animais sociais. Desde que aparecemos aqui neste mundo, nos reunimos, seja para comemorar algo, seja para dançar, seja para chorar uma perda, ou simplesmente para passar momentos dividindo emoções e nessas reuniões a música sempre esteve presente. A música era espontânea e procurava sempre expressar os sentimentos e propósitos que essas reuniões proporcionavam. Com o desenrolar da História fomos nos desenvolvendo, nossa sociedade mudando, e a música acompanhou este desenvolvimento. A música que era espontânea começou a ser encarada como um conhecimento, um ofício, e com isso apareceu um tipo de música mais elaborada. Desenvolveu-se a notação musical.A música começou a sobreviver através da notação. Em vez de ser ensinada por repetição e tradição oral poderia ser escrita e repetida por quem soubesse interpretar essa notação. Apareceram os compositores, que poderiam escrever a música antes dela ser tocada e por isso elaborar mais a composição. Podemos dizer que neste momento nasceu a divisão entre música “Erudita (culta)”, que era a música elaborada e “Popular” que era a música mais espontânea. Essa é uma visão extremamente simplificada, claro, e uma classificação um pouco tosca, mas serve bem pra ilustrar o propósito desta nossa conversa. Como eu disse acima, nossa cabecinha pensante procura sempre organizar e classificar qualquer ideia ou invenção. Eu sou músico, mais precisamente um regente de orquestra, mas minha história com a música é antiga e vem bem antes de eu me tornar regente. Meu pai, Milton, era químico, mas um fanático por música, ouvia discos e rádio sempre que o tempo e a vida lhe permitiam. Minha mãe, Heloisa é cantora profissional.Meu pai gostava de cantar e eles acabaram se conhecendo em um coral amador. Portanto, eu tive a sorte de crescer ouvindo todo tipo de música. Meu pai ouvia muita música erudita, óperas, concertos, e também muita música popular brasileira. Ele gostava dos sambas antigos, Noel Rosa, Ismael Silva, e também do então jovem Chico Buarque e contemporâneos, especialmente aqueles que cujas composições possuíam conteúdo político. Minha mãe ouvia menos música em casa mas sempre cantou. Naquela época ela se dedicava à Geografia e Meteorologia como profissão mas sempre participou de coros amadores. Morávamos em Santos e ela participava do Madrigal Ars Viva, um importantíssimo grupo vocal especializado em Música Antiga e Contemporânea. Eu costumava ir acompanhá-la nos ensaios e conheci muita música boa e personalidades como Gilberto Mendes, recentemente falecido, Klaus Dieter-Wolf, Roberto Martins, Gil Nuno Vaz entre outras figuras importantes da música erudita brasileira. Obra do acaso, ou não, nos mudamos para uma casa na rua Maranhão em Santos, vizinhos colados a uma grande pianista santista, que por motivos particulares tinha se retirado dos palcos e passava o dia tocando em um piano de cauda, Consuêlo Martins. Aquela música me fascinava, fiz amizade com o filho dela, Rodrigo, que é da minha idade, e acabei conhecendo sua mãe que começou a me dar aulas. Vivi minha adolescência na década de 70, uma das mais férteis da música popular internacional. Ouvia Beethoven, Puccini, Rock Inglês e MPB, todos da melhor qualidade. Pronto, o bichinho da música me mordeu, e a música nunca mais me abandonou. Entrei em Física na USP, mas lá encontrei mais músicos. Não resisti e acabei mudando de curso. Fui para o curso de Música na Escola de Comunicação e Artes da USP. Nesse meio tempo conheci o teatro, fiz parte de uma produção de Bibi Ferreira, PIAF, na década de 80, tive uma banda de rock progressivo, fiz trilhas sonoras pra teatro, e virei maestro. Sou naturalmente curioso e continuo ouvindo de tudo um pouco. Agora, com a maravilha que é a internet, temos acesso a música de qualquer lugar do mundo e é um prazer enorme descobrir sonoridades novas, culturas muito diferentes. Minha ideia quando Filipe me convidou para escrever aqui neste espaço regularmente é dividir com vocês um pouco destas descobertas, um pouco da minha vivência com música e com isso abrir algumas portinhas dentro da cabeça e da alma de vocês. Espero que isso seja gostoso pra todo mundo. Para terminar, acho que dá para vocês imaginarem como fica mesmo difícil responder àquela pergunta inicial. “Maestro, que tipo de música o senhor ouve?” Eu respondo: Música, simplesmente. Luís Gustavo Petri é regente, compositor, arranjador e pianista. Fundador da Orquestra Sinfônica Municipal de Santos. Diretor musical da Cia. de Ópera Curta criada e dirigida por Cleber Papa e Rosana Caramaschi. É frequente convidado a reger as mais importantes orquestras brasileiras, e em sua carreira além de concertos importantes, participações em shows, peças de teatro e musicais. www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Fevereiro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 5 Ação cidadã gual ao do homem. Tem dupla ou tripla jornada de trabalho, visto que trabalha em casa também. A mulher sempre foi vista como um ser inferior e que devia submissão ao homem, e, embora esse quadro venha mudando ao longo dos anos, através de lutas e movimentos feministas, a participação feminina na política, na educação, no mercado de trabalho continua desigual. A desigualdade de gênero fere princípios e direitos básicos do ser humano, no caso a mulher em especial. Fere o princípio da dignidade humana É sobre a liberdade e a igualdade que está fundamentada a dignidade da pessoa humana. Desrespeitar e desvalorizar alguém, tratar de maneira diferenciada, humilhando e discriminando em função de gênero, é tratar com desigualdade e ferir a dignidade do ser humano. Não é aceitável que discriminações/preconceitos sejam eles de que tipo forem, invalidem e limitem direitos que são essenciais e fundamentais para a democracia, agindo assim com certeza estaremos fortalecendo a desigualdade social que já existe. Há quem defenda a tese de que homens e mulheres por serem biologicamente diferentes teriam justificadas as desigualdades existentes. É inadmissível usar as desigualdades biológicas para justificar seja lá o que for que exclua a mulher, que discrimine, que use de violência, que produza qualquer tipo de injustiça. tes e com a administração do lar.” ( Agência Brasil/Direitos Humanos). A ONU Mulheres foi criada em 2010 para tratar da igualdade de gênero e empoderamento das mulheres, investindo na capacidade econômica das mulheres como forma de garantir a diminuição da desigualdade existente. Segundo a ONU o Brasil tem trabalhado para que essas diferenças diminuam, e se destacou pela criação de mais trabalho para a mulher e por políticas de inclusão na vida econômica do país. Ações públicas que se propõe a diminuir as desigualdades são de extrema importância e permitem que avancemos na luta por trabalhos decentes e redução da desigualdade salarial entre homens e mulheres, maior participação política da mulher, e tantas outras medidas que podem ser tomadas e que valorizem o papel da mulher no desenvolvimento do país. Não é fácil mudar uma história de anos de preconceito e discriminação de uma sociedade patriarcal. As desigualdades não são apenas a nível cultural, mas econômicas, políticas, e decisórias. Apesar das mulheres superarem os homens em nível de escolaridade, de representarmos mais da metade da população e do eleitorado, e sermos quase 50% da população economicamente ativa do país, o abismo entre homens e mulheres ainda é grande. Precisamos ocupar os espaços que ainda não ocupamos em função da desigualdade acentuada, políticas de enfrentamento são bem-vindas. O que queremos é uma sociedade mais justa e igualitária que garanta a todos, igualdade e oportunidade, independente do gênero, da cor, da raça. A Desigualdade de Gênero: Homem x Mulher A desigualdade de gênero não é um “privilégio” do Brasil. Infelizmente ela existe desde a antiguidade e persiste até nossos dias. Mas afinal o que é gênero? Gênero pode ter vários significados, aqui nos interessa o significado de gênero em relação ao homem e a mulher. Alguns conceitos: “Conceito que engloba todas as características básicas que possuem um determinado grupo ou classe de seres ou coisas.” “Conjunto de seres ou objetos que possuem a mesma origem ou que se acham ligados pela similitude de uma ou mais particularidades.” Nossa constituição estabelece em seu artigo A expressão gênero foi utilizada pela primeira vez no Brasil na Convenção de Belém do 5º, inc. 1º: Pará em agosto de 1996. Está incorporada Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem nas legislações de vários países bem como distinção de qualquer natureza, garantindo-se nas normas internacionais. No Estatuto do aos brasileiros e aos estrangeiros residentes Tribunal Penal Internacional (Roma 1998) esno País a inviolabilidade do direito à vida, à tá incorporado o conceito de gênero: o art. 7º, liberdade, à igualdade, à segurança e à pro- item 3, “entende-se que o termo “gênero” apriedade, nos termos seguintes: brange os sexos masculino e feminino, dentro I - homens e mulheres são iguais em direitos do contexto da sociedade, não lhe devendo e obrigações, nos termos desta Constituição ; ser atribuído qualquer outro significado”. Temos garantida a igualdade de todos constitucionalmente, no entanto, esse amparo legal sofre diversas violações no dia-a-dia, o desrespeito a esses direitos acontece a todo o momento, expondo a fragilidade de nossas normas jurídicas perante séculos de discriminação contra a mulher. A mulher precisa trabalhar dobrado para conseguir um salário iA ONU divulgou o relatório O Progresso das mulheres no mundo, (2015-2016),que mostra que as mulheres recebem um salário quase 30% inferior ao do homem na mesma função. Segundo a ONU, “as mulheres são responsáveis por uma carga excessiva de trabalho doméstico não remunerado referente aos cuidados com filhos, com pessoas idosas e doen- Mariene Hildebrando Especialista em Direitos Humanos Email: marihfreitas@hotmail.com Porque precisamos fazer a Reforma Política no Brasil? Seus impostos merecem boa administração. Bons políticos não vem do nada. Para que existam bons políticos para administrar o país, toda a sociedade precisa colaborar para que eles possam nascer e terem sucesso. É preciso um sistema eleitoral moderno para melhorar a qualidade da política. Os políticos "tradicionais" tem horror à reforma política, porque ela pode mudar a situação atual onde eles usam e manipulam o eleitor e são pouco cobrados ! DESIGUALDADES Os contrastes sociais são responsáveis por todas as desigualdades raciais, étnicas e interculturais. Mesmo em tempos pós emancipação quem tem muita melanina, na maioria das vezes, é olhado de canto, é temido. Julgado e culpado. Prostrado à marginalização e banalidade. Jogado à sorte do destino. É triste ver que muitos são obrigados a sobreviver com pouca coisa, enquanto poucos riem e fazem de tudo um circo, vivendo bem e muito bem, "com muitas coisas" O problema da desigualdade social não é a falta de dinheiro para muitos, e sim o excesso na mão de poucos. www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Fevereiro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 6 Capitalismo “Vivemos em um mundo capitalista!” Capitalismo Industrial: Foi a época da RevoCertamente, esta frase foi dita ou ouvida pela maioria das pessoas, porém muitos ainda não sabem o que significa viver em um mundo capitalista. Capitalismo é o sistema sócio-econômico em que os meios de produção (terras, fábricas, máquinas, edifícios) e o capital (dinheiro) são propriedade privada, ou seja, tem um dono. Antes do capitalismo, o sistema predominante era o Feudalismo, cuja riqueza vinha da exploração de terras e também do trabalho dos servos. O progresso e as importantes mudanças na sociedade (novas técnicas agrícolas, urbanização, etc) fizeram com que este sistema se rompesse. Estas mesmas mudanças que contribuíram para a decadência do Feudalismo, cooperaram para o surgimento do capitalismo. Os proprietários dos meios de produção (burgueses ou capitalistas) são a minoria da população e os não-proprietários (proletários ou trabalhadores – maioria) vivem dos salários pagos em troca de sua força de trabalho. Características do Capitalismo - Toda mercadoria é destinada para a venda e não para o uso pessoal - O trabalhador recebe um salário em troca do seu trabalho - Toda negociação é feita com dinheiro - O capitalista pode admitir ou demitir trabalhadores, já que é dono de tudo (o capital e a propriedade) Fases do Capitalismo Capitalismo Comercial ou mercantil: consolidou -se entre os séculos XV e XVIII. É o chamado Mercantilismo. As grandes potências da época (Portugal, Espanha, Holanda, Inglaterra e França) exploravam novas terras e comercializavam escravos, metais preciosos etc. com a intenção de enriquecer. lução Industrial. Capitalismo Financeiro: após a segunda guerra, algumas empresas começaram a exportar meios de produção por causa da alta concorrência e do crescimento da indústria. O capitalismo vem sofrendo modificações desde a Revolução Industrial até hoje. No início do século XX, algumas empresas se uniram para controlar preços e matérias-primas impedindo que outras empresas menores tenham a chance de competir no mercado. Nessa época várias empresas se fundiram, dando origem as transnacionais (também conhecidas como multinacionais). São elas: Exxon, Texaco, IBM, Microsoft, Nike, etc. OBS: O nome transnacional expressa melhor a idéia de que essas empresas atuam além de seu país. O termo multinacional nos levava a concluir que a empresa tinha várias nacionalidades. Por esta razão, o termo foi substituído. A união de grandes empresas trouxe prejuízo para as pequenas empresas que não conseguem competir no mercado nas mesmas condições. Ou acabam sendo “devoradas” pelos gigantes ou conseguem apenas uma parcela muito pequena no mercado. Visando sempre o lucro e o progresso, grandes empresas passaram a valorizar seus empregados oferecendo-lhes benefícios no intuito de conseguir extrair deles a vontade de trabalhar. Consequentemente, essa vontade e dedicação ao trabalho levará o empregado a desempenhar o serviço com mais capricho e alegria, contribuindo para o sucesso da empresa. Infelizmente, muitas empresas não investem em seus operários e muitos deles trabalham sem a menor motivação, apenas fazem o que é preciso para se manterem no emprego e assegurar o bem-estar de sua família. Fonte: infoescola.com mudou de mercantilismo para o capitalismo industrial e depois para capitalismo financeiro. Talvez o próximo ciclo do capitalismo seja o da informação. Analisando o passado da humanidade registrado pela História oficialmente divulgada, o fim do capitalismo provavelmente será através de um processo que causará muito sofrimento à humanidade. Infelizmente, existe um alto risco de o fim do capitalismo pode coincidir com o fim da existência do ser humano na Terra, e também das demais formas de vida. Assim como poderão haver sobreviventes que mudarão as suas crenças, as suas convicções, os seus valores. A parcela da humanidade que sobreviver vai se render a ideia de que é melhor uma sociedade globalmente igualitária do que uma disputa desenfreada por poder e glória. E nessa futura nova fase, os conflitos raciais, políticos, culturais e religiosos terão cessado. As religiões na forma de instituição também não existirão mais, embora crenças espiritualistas possam continuar existindo. E a chegada do fim do capitalismo pode levar alguns poucos séculos ainda, assim como pode acontecer ainda neste século. João Paulo E. Barros. Nelson Rodrigues A adúltera é a mais pura porque está salva do desejo que apodrecia nela. A beleza interessa nos primeiros quinze dias; e morre, em seguida, num insuportável tédio visual. A dúvida é autora das insônias mais cruéis. Ao passo que, inversamente, uma boa e sólida certeza vale como um barbitúrico irresistível. A grande vaia é mil vezes mais forte, mais poderosa, mais nobre do que a grande apoteose. Os admiradores corrompem. A liberdade é mais importante do que o pão. A maioria das pessoas imagina que o importante, no diálogo, é a palavra. Engano, e repito: – o importante é a pausa. É na pausa que duas pessoas se entendem e entram em comunhão. A pior forma de solidão é a companhia de um paulista. A platéia só é respeitosa quando não está a entender nada. A prostituta só enlouquece excepcionalmente. A mulher honesta, sim, é que, devorada pelos próprios escrúpulos, está sempre no limite, na implacável fronteira. A televisão matou a janela. A verdadeira grã-fina tem a aridez de três desertos. Acho a velocidade um prazer de cretinos. Ainda conservo o deleite dos bondes que não chegam nunca. Amar é dar razão a quem não tem. Amar é ser fiel a quem nos trai. Antigamente, o silêncio era dos imbecis; hoje, são os melhores que emudecem. O grito, a ênfase, o gesto, o punho cerrado, estão com os idiotas de ambos os sexos. O Capitalismo e o Futuro Eu acredito que o capitalismo chegará ao seu fim. Não acredito que o capitalismo vai ser eterno.Os modos de produção anteriores tiveram um fim. Posso não viver o suficiente para ver como vai ser e tenho quase certeza de que não vou, mas o capitalismo vai acabar um dia.Mas, eu não acredito que o modo de produção capitalista vai acabar através de revoluções socialistas como a de 1917 na Rússia, e nem por eleições democráticas de partidos e líderes socialistas ou trabalhistas. E nem por atuação de sindicatos de trabalhadores.No decorrer da História, ainda vão surgir mais pessoas como Che Guevara e Hugo Chávez, pessoas que se rebelarão contra o poder do capital sobre as nações e, o capital prevalecerá sobre elas cedo ou tarde, por ser mais forte. Eu acredito que vai acontecer algo comparável com a queda do Império Romano* (do Ocidente) em todo o planeta, que levará ao colapso do capitalismo. Só que, que não é desta vez, na crise de 2008 em diante, que vai colapsar o capitalismo. Acredito que a atual crise vai fazer o capitalismo mudar de forma outra vez para se adaptar as mudanças dos tempos, como já www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Fevereiro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 7 Contos, Poesias e Crônicas A INTOLERÂNCIA DA MAIORIA musicais, opção sexual, leituras, política, de forma personificada e falsa, substituindo a percepção, o discernimento e direitos individuais de escolhas das gerações anteriores. Não temos informações e sim propagandas sem credibilidade e como opção apenas o exemplo de vida das“celebridades” que praticamente definem o comportamento das pessoas que, sem se darem conta, estão perdendo a identidade. Ter o direito de se expressar não significa denegrir ou violentar àquilo que não se gosta, mas, também, poder demonstrar o que se quer ou não, mesmo que seja contra a maioria das preferências. A violência tem sido uma característica marcante do nosso povo, reação que se vê em toda manifestação contra o que não gostam e isso é um indicativo do modelo educacional falido que vem se arrastando há anos. A mídia abrange todos os textos como um único ponto,gerida por uma máquina que tem interesses, detendo a informação e diminuindo a capacidade do pensar. Deveria existir liberdade de escolha... Discurso competente é saber onde e como falar. Os verdadeiros detentores do saber é que deveriam ser os responsáveis por ensinar a quem tem muito que aprender através do pensar,mostrando o que acontece sem perder os valores morais, cumprindo deveres para que cada um possa obter, democraticamente, seus direitos e não serem induzidos a agir com engodo e como incapazes. Devemos experimentar coisas para sair do restrito, mas, não numa sociedade onde o limite é a exclusão de nossa capacidade. A vida que merecemos é a que escolhemos e não a que a maioria escolhe, devemos encarar as diferenças com respeito, mas, hoje as pessoas não sabem o que querem porque também não sabem mais o que podem querer. O desrespeito com exibicionismos não devem ser a arma para opiniões discordantes e o direito de não julgar, não pode ser quesito para que se aceite tudo que o vem pela frente. Os valores e princípios são base para se exercer a verdadeira democracia e não privações para quem deseja ter sua própria postura, sem sofrer imposições como se tudo o que a maioria faz é o certo. Nem tudo pode ser como queremos e nem tão pouco como os incitadores querem. Genha Auga – jornalista MTB: 15.320 Com os movimentos dos que se achavam minoria, o sucesso obtido, tornouse maioria,com isso o mundo ficou bem diferente. “Causaram” e conquistaram a igualdade perante a sociedade e na história o que era ofensivo e contrário, representa atualmente o status quo cultural e social. Um sistema em que ideias são expressas livremente deveria ser o ideal para explorar e debater novos conceitos. Se quem detinha o poder tivesse monitorado melhor os movimentos, nossa democracia teria sido fortalecida e mudanças importantes certamente teriam outro condão. Porém é importante saber que se não estivermos cientes do que nos cerca, não poderemos nos proteger adequadamente de quem nos prejudicada, obrigando a esconder nossas opiniões e eliminando a oportunidade de saber o que há verdadeiramente à nossa volta. Podemos falar e escrever, nos manifestar sobre o que quisermos desde que não fira ninguém e que haja reuniões com expressões pacíficas,como por exemplo: sobre liberdade financeira e moradias para os mais necessitados.Quando a maioria faz o que quer, quem está calando e perdendo? Onde está o “Moral e o Legal”? Para os libertários duas são as categorias; o mais fraco e o mais forte e isso torna o mais fraco propenso a sofrer retaliações e passar por caluniador e com sua liberdade de expressão reprimida. Isso se chama incitação e não liberdade de expressão. A democracia nasce quando há distinção entre espaço privado e público. No privado está a sua liberdade total e no público liberdade desde que com leis, normas, regras e não como tem acontecido. Devido ao crescimento vertical de interesses a minoria tornou-se maioria e o que se tem visto são carências e privações extremas que não consolidam os direitos de cada um. O povo ouve e vê programas onde a preferência dos persuasores fala mais alto como se fossem referências verdadeiras, invadindo nossas vidas com seus gostos FLORES No jardim havia flores Mas todas eram tristonhas A rosa lamentava: “Como eu gostaria de ser a violeta” A violeta então disse: “Que nada é bom ser a rosa, motivo de inspiração”, O cravo amigo da rosa, Decidiu acabar com a discussão e disse: “Todas tem música que encanta o coração, todas as flores são lindas, acabem com essa discussão” E o Jardim ficou alegre, Cada qual com a sua beleza, E o cravo suspirou, Orgulhoso de sua proeza ! GENHA AUGA E TAINÁ DIAS DUETO MEU COM MINHA NETA AOS 08 ANOS Numa sociedade movida à dinheiro e hipocrisia, encontramos pessoas propensas aos mais diversos rumos incluindo-se a devassidão. Cuidado com quem andas, pois tua companhia sumariza quem és. Não tenha medo de lutar pelo que acredita, apenas seja você mesmo nos mais divergentes momentos que possam surgir. Fazendo isto, certamente afetará os que estão à tua volta que não gostam do que veem. Saberão fazer a triagem do joio e do trigo. Só tome cuidado com o lado com que ficará, pois uma escolha errada pode te afetar drasticamente. Pense no seu futuro. Sua escolha hoje, será o seu futuro amanhã. Seja feliz, haja com honestidade sempre. Mas acima de tudo, cuidado com o que te tornarás! Filipe de Sousa www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Fevereiro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 8 Nossa escola divulgado junto com os das outras áreas de conhecimento, mas dias depois. Documento sobre os rumos da educação O projeto é ambicioso ao romper com a cronologia tradicional, ou seja, os temas partem brasileira levanta polêmica do presente para passado e enfatizam o ensino da História do Brasil. As críticas são muitas, vão desde questões ideológicas, inadequação do conteúdo com a faixa etária dos alunos até temas que foram deixados de lado. Escola ou linha de produção? resultados foram tão ruins que, em 2015, o presidente Barack Obama voltou atrás, e o NCLB foi substituído por outra lei, o Every Student Succeeds Act (ESSA), que segue o princípio que toda a criança deve estudar, mas com moldes bem mais flexíveis, principalmente, no quesito de avaliações. A grande questão então é: um aluno que se saiu bem numa prova é realmente aquele que aprendeu melhor? Penna citou a entrevista da ex-secretária adjunta de Educação dos Estados Unidos, Diane Ravitch, ao Estado de S.Paulo, “Nota mais alta não é educação melhor” para responder a questão. Diane que defendia o sistema de avaliações de larga escala voltou atrás ao ver os resultados da reforma. Outra crítica que o professor faz diz respeito à criação de um mercado educacional. O BNCC poderia favorecer editoras, que fariam novos livros didáticos, e fundações privadas, que poderiam fazer consultorias. Segundo o Plano Nacional de Educação (PNE), a BNCC deve ser entregue ao Conselho Nacional de Educação (CNE) até junho deste ano. E será o CNE que vai decidir o calendário de adoção da base, inclusive os prazos para as redes de ensino reformarem seus currículos de acordo com o documento, segundo a assessoria do MEC. A ideia é que a BNCC estabeleça 60% do conteúdo programático, enquanto os outros 40% sejam definidos pelos estados e municípios. O receio, entretanto, é que estes 40% acabem sendo a totalidade do conteúdo por conta das avaliações de larga escala. Afinal, os alunos podem ser preparados apenas para serem testados. Desta forma, talvez a escola se assemelhe a uma linha de montagem, como na cena clássica de Charlie Chaplin apertando os parafusos em “Tempos Modernos”. Mariana Mauro “Professor, o que vai cair na prova?”, esta é uma pergunta frequente em sala de aula e que mostra que a nossa educação está muito mais pautada nas avaliações do que no ensino em si. Atualmente, um documento apresentado pelo Ministério de Educação como a proposta preliminar para discussão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) está no meio de uma polêmica sobre os rumos da educação brasileira. O texto está em consulta pública, ou seja, qualquer um pode enviar sugestões de modificação, inclusão e exclusão pelo site até o dia 15 de março. Segundo o site da BNCC, o objetivo do texto é estabelecer os conhecimentos e habilidades essenciais que todos os estudantes brasileiros devem obter em sua trajetória na educação básica, desde a educação infantil até o ensino médio. Se olharmos para o exemplo americano, talvez, tenhamos uma ideia de como avaliações A assessoria de comunicação social do Minisde larga escala podem não ser uma boa ideia. tério da Educação (MEC) diz que a base não Com a lei, chamada de No Child Left behind constitui um currículo em si, mas os objetivos (NCLB), promulgada em 2002, os estudantes de aprendizagem que os currículos escolares precisavam ser testados, e os estados usaride todo o país, construídos por redes de ensiam estas notas para ver quais escolas estano públicas e privadas, devem cumprir. vam alcançando os objetivos. O texto relativo à disciplina de História é o que Aquelas que não alcançassem as metas serienfrenta mais críticas, tanto é que ele nem foi am alvos de intervenções e até sanções. Os Na última quinta-feira, 14, o professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense (UFF), Fernando Penna, deu uma palestra no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) sobre o assunto. Uma de suas maiores críticas foi que a BNCC sirva para legitimar as avaliações de larga escala. Como exemplo, ele mostrou uma entrevista que fez com uma professora que trabalha há 25 anos em um colégio estadual do Rio de Janeiro. Na fala da educadora, ela se mostrava insatisfeita com um ciclo que acontecia com bastante frequência. Seus alunos passam por provas estaduais, o Saerjinho e o Saerj. A nota dessas provas com conteúdos específicos influencia na nota do aluno na escola. Além disso, as escolas e, consequentemente, seus professores ganham bonificação salarial por conta da meritocracia, ou seja, pelos níveis de aprovação dos alunos. Logo, se os alunos não forem bem nessas provas, a escola e os professores não recebem o bônus. Da mesma forma que ocorre no estado, isso pode acontecer no âmbito nacional com exames como a Prova Brasil, Ideb ou Enem, por exemplo. www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Fevereiro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 9 Discutindo a Educação CORRUPÇÃO NA EDUCAÇÃO E LEI DE LICITAÇÃO: PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO ESCOLAR E FRAUDE NO INTERIOR DE SÃO PAULO No dia 19/01/2016 a Policia Civil de São Paulo prendeu seis pessoas no município de Bebedouro-SP “suspeitas” de envolvimento com esquema de fraude e uma nova máfia da merenda, desta vez aqui, em solos paulistas. Não é novidade que a corrupção no Brasil seja um câncer que deve ser combatido a todo custo. Em junho de 2015 publiquei meu site o artigo “Corrupção na educação: um rio de dinheiro que nunca seca”. Neste artigo apresentei uma lista de 10 perguntas sobre a corrupção na educação com base na excelente reportagem do Conexão Repórter intitulada “Os Senhores da Fome”. Naquela oportunidade, a matéria mostrou como ocorriam as fraudes nas licitações de merenda no Estado de Alagoas. Breve Redação sobre corrupção A corrupção no Brasil é um câncer que atinge toda população brasileira. As ações cometidas por essas quadrilhas são indiferentes a partidos políticos, credos religiosos ou concepções ideológicas. A impressão que dá é que todos estão contaminados por essa doença. A receita para a fraude na merenda é a mesma apresentada no artigo citado. Os contratos são forjados, são oferecidas propinas de funcionários públicos e repassados aos vendedores. Clique aqui para assistir a reportagem. Não é objetivo deste breve excerto trazer nenhuma reflexão histórica sobre a corrupção neste país, porém, é preciso lembrar que ela é ivanclaudioguedes@gmail.com histórica. Um dos primeiro registros de corrup- Além da fraude nas licitações, muitos dos proção por aqui datam do século XVI, ainda no dutos oferecidos pela Coaf não eram proveniOUÇA-NOS período da coroa portuguesa. entes da agricultura familiar, e sim de grandes Todos os Sábados De qualquer forma, atualmente e com fre- supermercados. 16 horas quência apontamos que o país está em crise. Presidente da Coaf, Carlos Alberto Santana Na Os governos alegam que não há dinheiro para da Silva e César Bertolino foram beneficiados CULTURAonline BRASIL investimentos. As verbas da educação, saúde, pelo sistema de delação premiada. Ou seja, segurança e infraestrutura foram cortadas. Sa- você frauda a licitação, rouba os cofres públiPROGRAMA: lários de servidores (servidores que trabalham, cos, usufrui do dinheiro e quanto a “casa cai”, E agora José? não dos políticos) são congelados, e projetos entrega todo mundo e se livra da cadeia. Com : Ivan Claudio Guedes de toda ordem são adiados. De acordo com as reportagens pesquisadas, www.culturaonlinebrasil.net O fato é que se houvesse um combate persis- tomei a liberdade de fazer um quadro de acorwww.culturaonlinebr.org tente e eficiente à corrupção no Brasil, em to- do com o partido político que administra o mudas as suas esferas, com penas e punições nicípio. Obviamente que a lista abaixo não sigdevidamente aplicadas àqueles que as prati- nifica que realmente houve corrupção em tocam (sejam corruptores ou corruptíveis), vería- das essas prefeituras. Essa e a lista divulgada mos sobrar dinheiro nos cofres públicos para pela reportagem do G1 que trouxe os municíos devidos investimentos. pios em que esta havendo a operação “Alba Na prática, o que observamos é uma grande Branca”. Curiosamente eu apenas pesquisei o morosidade da justiça e brechas que permitem partido político que administra esses municícom que corruptores e corruptíveis continuem pios e isso em hipótese alguma indica que o suas práticas, fazendo uso do dinheiro público prefeito está envolvido. Obviamente que não quero iniciar uma discussão partidária. Apenas em proveito próprio. quero deixar claro que nenhum partido está Máfia da merenda no interior de São Paulo: acima de qualquer suspeita. A operação “Alba Branca” rendeu até o mo- De qualquer forma, infelizmente, novamente a mento R$ 135 mil reais em dinheiro e diversos educação é alvo de corrupção. Justamente a materiais para continuarem as investigações. educação, um dos pilares da sociedade, serve O esquema de propina variava entre 10% e 30% do total do contrato firmado entre a Coaf e a prefeitura. Esse valor era acrescido no preço final, superfaturando os produtos negociados. O serviço prestado era superfaturado para que o agente da prefeitura, o vendedor, a Coaf e o agente político pudessem ganhar. Além das prefeituras, também se articula uma possível ação entre a cooperativa e a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, sendo que um dos possíveis articuladores do esquema poderia ser o Deputado Estadual Fer- Ivan Claudio Guedes Geógrafo e Pedagogo. nando Capez. de “mula” para lavar dinheiro. Dinheiro este que deveria estar sendo empregado na compra de materiais didáticos, na construção, reforma ou ampliação de escolas, na remuneração do professor, enfim, deveria ser empregado na educação. Enquanto isso, a luta pelo aumento dos 10% do PIB continua. Vários movimentos sociais empreendem essa bandeira e lutam desesperadamente na (inocente) esperança de ver a educação neste pais da “pátria educadora” avançando. Enquanto alguns brigam por mais dinheiro na educação, nós continuamos brigando por mais fiscalização e punição sobre o mau uso do dinheiro público e na corrupção na educação que tira o direito do seu filho de ter uma educação de qualidade. www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Fevereiro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 10 Artigo opinião AS MASSAS E O ESTADO EM ORTEGA Y GASSET O tema da “cultura de massa” e sua relação com o Estado foi cirurgicamente apresentado pelo filósofo espanhol José Ortega y Gasset na Rebelião das Massasao chamar a atenção do mundo para esse fenômeno: o surgimento do homem-massa e sua relação com o Estado. Transpondo esse fenômeno para o Brasil, essa relação está na base do maior triunfo de propaganda política demagógica republicana dos últimos tempos- o mito do Estado grátis – gerador de um paradoxo socioantropológico que leva o brasileiro a simultaneamente detestar a classe política e amar o Estado patrimonialista, uma espécie de esquizofrenia coletiva. Sobre isso, vale reproduzir algumas partes da Apresentação de Nivaldo Cordeiro no Instituto Cervantes,
Colóquio sobre Ortega y Gasset, 12 de novembro 2008, cujo título é, precisamente, o título deste artigo. […] Meu tema não poderia ser outro, eu que dediquei grande parte de minha atividade intelectual dos últimos tempos a estudar a obra de Ortega: o homem-massa e sua relação com o Estado na obra do filósofo celtibero […] . O mundo hoje padece de crises e incertezas da maior envergadura, semelhantes àquelas vividas por Ortega no período em que escreveu o Espanha Invertebrada e o A Rebelião das Massas. Eu não encontraria palavras mais poéticas e mais trágicas para descrever o teor da grave crise econômica mundial instalada e a carência de um governante sensato na condução do Estado, em período tão critico. Ao ler a obra orteguiana fica sempre a pergunta impertinente. Seria o “nobre” assemelhado ao filósofo platônico? É possível que possamos ver aqui esse parentesco. No entanto, precisamos qualificar o sentido, pois essa minoria egrégia não deve ser confundida, para Ortega, com uma classe letrada ou de verniz sacerdotal, “filósofa”. Ortega repetidas vezes afirmou que é nobre aquele que dá mais de si, que se sacrifica, que supera as próprias restrições pessoais, pondo-se a serviço dos seus.É aquele que sabe das virtudes e as pratica. Não há, portanto, a idéia de uma aristocracia do conhecimento, mas do ser vital, que traz em si a história viva. Mesmo um homem simples pode ser um egrégio. O homem nobre é o oposto do demagogo que vai à praça pública pregar facilidades para se tornar governante e que empresta sua oratória para dar voz aos vícios insaciáveis das massas. Tampouco podemos falar de uma aristocracia de sangue. O filósofo desdenha dessa idéia e deixa claro que nobreza não pode ser transmitida geneticamente, como diríamos hoje. Nobreza de sangue é apenas uma caricatura jurídica da verdadeira nobreza, a repetição mecânica e um reconhecimento tardio do valor de um ser nobre que viveu no passado. ta, mas a loucura, sim. O Estado é uma realidade ou uma ferramenta, como definiu Ortega y Gasset. Essa ferramenta é muito importante e sempre foi perigosa, porque o Estado é, antes de tudo, violência concentrada, capacidade de matar, de tributar, de prender, de sujeitar os indivíduos. O Estado, quando conduzido por gente moralmente inferior, torna-se o grande algoz da humanidade. É isso que temos visto desde então. A própria guerra, cuja natureza nobre sempre foi cultuada pelo melhores, nos tempos hodiernos muda de caráter, passando de instrumento para a recuperação do equilíbrio político e da afirmação da segurança coletiva para a ação de destruição pura e simples de comunidades diferentes. O homem-massa anseia pela homogeneidade. A guerra passou a matar à escala industrial apenas para satisfazer ideologias cegas, motivadas pela falsa capacidade que teria de aperfeiçoar a humanidade.A busca da igualdade irracional motiva muitos dos morticínios contemporâneos. O Estado, enquanto ferramenta, nos tempos antigos permitiu ao homem criar uma ordem e, a partir dela, deixar frutificar os seus engenhos, a própria liberdade ela mesma. Sem o Estado não haveria como construir um espaço de liberdade, em que o homem em geral pudesse construir seu próprio destino. Ao contrário do que pensam aqueles de tendências anarquistas, a alternativa ao Estado não é haver mais liberdade, mas sim, o seu oposto, o caos, que é a escravidão da alma. Importa, pois, não substituir uma ilusão por outra, ou seja, o Estado gigante (ou Total, como costumo chamar), pela sua ausência, mas sim, domesticá-lo e trazê-lo para proporções humanas. Fazer novamente o criador dispor de sua criatura. Então, o que é? Penso que para ele são aquelas pessoas que têm o sentido da história e da tradição. São aqueles que carregam o ônus das virtudes consagradas no Ocidente. São aqueles que fazem da história – mais das vezes a de tradição oral – o seu presente, fundando nela suas ações. Seu viver expressa essa atualidade do antigo. Fazem o dia a dia contemplando os milênios predecessores. Gente assim tinha ficado escassa no seu tempo, como escassa está atualmente. Os egrégios suA ideologia por excelência dos homens-massa é o soci- miram precisamente porque não há mais um passado O Estado só pode ser benigno quando conduzido pela alismo. E a causa da crise são as medidas socialistas vivo, mas a crença no presente eterno, que se perpetua elite egrégia, que carrega a tradição e sabe da missão e tomadas no passado.E, quanto mais a crise se agrava, […] das limitações do ente estatal. A elite sabedora de que o mais medidas socialistas são pedidas pela multidão ao Estado precisa, necessariamente, ser “mínimo”, como O império do Homem-massa governante, que é seu espelho. defenderam os liberais clássicos. A maior das mentiras A causação circular gera uma espiral política infernal O homem-massa de Ortega é o oposto do ser egrégio da modernidade foi recriar o antigo mito sofista da igualque há um século redundou na pira em que queimou o como antes definido. É homogêneo, desprovido de pas- dade, sobrepondo-se à necessidade mais terrivelmente mundo e os homens na estupidez da guerra e na busca sado.É o senhorito satisfeito. E reside aqui nessa cons- ameaçada de todos os tempos, a liberdade. O homemdesesperada da solução existencial – a perfeição em tatação sua reprovação mais desabonadora: um ser massa, quando alçado ao poder – e até mesmo para ser vida – pela ação burocrática do Estado. O apogeu dessa sem passado é um ser sem história, recriado como que alçado ao poder – quer tornar o Estado o instrumento loucura foram os fornos crematórios e a bomba atômica, vindo do nada a cada geração. Junte-se a isso a confi- para a implantação da igualdade. Esse terrível engano ança de quem domina as técnicas, capazes de grandes de triste memória. está na raiz dos monstruosos crimes cometidos pelos maravilhas, e aí teremos o personagem mais arrogante coletivistas de todos os calibres. O que viu Ortega? O surgimento das multidões urbanas, de todos os tempos. átomos individualizados que herdaram o melhor da traO resultado dessa visão errônea é a estatização prodição ocidental, mas quais filhos pródigos de pais ricos, O mundo que se apresenta a partir da segunda metade gressiva e inexorável da vida cotidiana. Tudo passou a nada fizeram para dispor do que receberam. E entre os do século XIX é o das multidões, apinhadas nas gran- depender do ente estatal. A moeda é do Estado, os remuitos bens herdados dois se destacam especialmente: des cidades. O impacto dessas aglomerações não pode gulamentos se multiplicam, a vida espontânea tende ao a técnica, originada da filosofia e da ciência empírica, ser minimizado. O ser individual perde a identidade, tor- desaparecimento. Os homens são “coisificados”, trataque deu às multidões luxos jamais imaginados pelos na-se uma manada indiferenciada, uma gota perdida em dos com seres incapazes de uma vida adulta e responricos de outrora; e o Estado, esse portento agigantado um oceano de gentes. Em oposição, agiganta-se o gran- sável. É o Estado-mamãe, que tudo provê, mas que não pelos modernos administradores, poder comprimido de organizador dessas massas, o Estado, cujo papel permite o menor desvio de seus regulamentos. Afinal, posto nas mãos desses filhos das massas, homens no- muda radicalmente desde então, como veremos a se- as leis são inexoráveis e quando se legisla sobre a baguir. tavelmente despreparados para seu autogoverno. nalidade da vida torna-se a própria vida uma priOrtega estava preocupado com a Espanha e a Europa, são infame. A ausência dos “melhores” mas acabou por se tornar um profeta dos graves probleA primeira grande desgraça que Ortega viu nos novos mas do nosso tempo […] tempos foi o que ele chamou de “a ausência dos melhoPOR: Loryel Rocha res”. Ortega entendia que há uma hierarquia natural, em O que é o Estado? Email: culturaseidentidades@gmail.com que a minoria “egrégia”, em tempos sadios, é aceita co- Podemos olhar o Estado de muitos ângulos e o que meSite: http://brasilan.com.br/site/ mo a liderança espontânea, cabendo às massas copiar- nos nos interessa aqui é vê-lo pela ótica jurídica.Alguém já disse que o Estado é uma ficção. Mas ficção não malhe o exemplo vital e obedecê-la. Quem é essa elite? Os artigos publicados são responsabilidade de seus autores, não refletindo necessariamente a opinião da Gazeta Valeparaibana www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Fevereiro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 11 24 - Promulgação da 1ª Constituição Republicana (1891) Constituição de 1891 - resumo, carac- - Grande parte do poder concentrado no terísticas, voto, governo governo federal (poder executivo). - Divisão dos poderes em três: executivo (presidente da república, governadores, prefeitos), legislativo (deputados federais e estaduais, senadores e vereadores) e judiciário (juízes, promotores, etc). - Estabelecimento do voto universal masculino. Ou seja, somente os homens poderiam votar. Além das mulheres, não podiam votar: menores de 21 anos, mendigos, padres, soldados e analfabetos. Direitos dos cidadãos e educação Características da Constituição de 1891, resumo, voto, sistema e forma de governo, No tocante aos direitos dos cidadãos, a Constituição determinava que: direitos, contexto histórico, história - Todos eram iguais perante a lei. Introdução e contexto histórico - Ninguém poderia ser obrigado a fazer ou deixar de fazer algo, senão em virtude da A Constituição de 1891 foi a primeira da lei. História do Brasil após a Proclamação da República. Sua elaboração começou em - Liberdade de culto religioso. novembro de 1890, com a instalação da - Estabelecimento do ensino leigo em estaConstituinte na cidade do Rio de Janeiro. belecimentos públicos. Ela foi promulgada em 24 de fevereiro de - Extinção de privilégios relacionados ao 1891. A primeira constituição republicana teve co- nascimento ou títulos de nobreza adquirimo função principal estabelecer no país os dos na época da monarquia. princípios do regime republicano, seguindo - Liberdade de reunião e associação, poo sistema de governo presidencialista. Com rém sem uso de armas. algumas características liberais, apresentou grandes avanços se comparada com a - Garantia de liberdade de imprensa e expressão de opiniões. Não estabelece cenConstituição do Brasil Império de 1824. sura, porém cada pessoa fica responsável Principais características da Constitui- por abusos cometidos. ção de 1891 - Implantação da república federativa, com - Liberdade para entrar e sair do país com governo central de vinte estados membros. seus bens, exceto em tempos de guerras. - Estabelecimento de uma relativa e limitada autonomia para os estados. Da redação - Liberdade de exercício de qualquer profissão industrial, moral e intelectual. “A mentira é tanto mais saborosa, quanto mais verdadeira se afigura” *** “O dinheiro cala a verdade e compra a mentira”. *** “Tempo de guerra, mentira por mar e por terra”. *** “Nada enfurece tanto o homem como a verdade”. *** “A mentira é o tempero da verdade” *** “Atrás da mentira, mentira vem” *** “A verdade, só a diz um homem forte ou um tolo” *** “A verdade amarga, a mentira é doce “ *** “A verdade é manca, mas chega sempre a tempo” *** “A mentira corre mais que a verdade” *** “A mentira é como uma bola de neve; quanto mais rola, mais engrossa” *** “Mente bem quem de longe vem” *** “A mentira não tem pés, mas anda veloz” *** “A mentira dá flores, mas não frutos” *** “A fruta e a mentira, quanto maior, melhor” *** “Quem fala a verdade não merece castigo” *** “Ao mentiroso convém ter boa memória” *** “Só dura a mentira enquanto a verdade não chega” Construção da nação brasileira No momento da chegada da corte portuguesa, em 1808, não existia unidade no Brasil. Em outras palavras, a população não possuía um sentimento de nacionalidade e de patriotismo; e não existia unidade nem em relação às questões territoriais. nacionalidade ainda era bastante insípido. Podemos comprovar essa afirmação com as revoltas que aconteceram principalmente no período regencial (1831-1840): a Sabinada, a Cabanagem e a Farroupilha, em que prevaleceram sentimentos locais. Os revoltosos não tinham suas reivindicações voltadas para o âmbito nacional, mas, sim, para as próprias províncias, ou seja, para os interesses locais. Além disso, algumas dessas revoltas tinham um caráter separatista, como a revolução Farroupilha no Rio Grande do Sul, a qual reivindicava a sepaNo território colonial brasileiro existiam vá- ração do império e a criação de uma repúrios núcleos coloniais sem unidade política blica no sul do Brasil. e econômica. Alguns desses núcleos se comunicavam diretamente com a metrópole A situação começou a mudar com o surgiem Lisboa, sem qualquer comunicação fei- mento dos sentimentos de patriotismo e cita com a sede da colônia no Rio de Janeiro. vismo, a partir de conflitos externos, contra inimigos estrangeiros. O marco se consoliCom a independência do Brasil, começou a dou com a Guerra do Paraguai (1864surgir um tímido sentimento de nacionalida- 1870). A partir da vitória brasileira, começade, a partir da unificação do território. É ram a surgir símbolos que marcariam o bom ressaltar que o sentimento de pátria e sentimento de nacionalidade, como a bano sentimento de pertença (como o da iden- deira e o hino nacional. tidade nacional) ainda não existiam. Após a constituição do império, o sentimento de Da redação www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Fevereiro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 12 21 - Dia da Conquista do Monte Castelo A CONQUISTA DE MONTE CASTELO Bolonha, objetivo maior do comando das For- robustecida e o destemor comuns ao soldado ças Aliadas na Itália. brasileiro, a 1ª Divisão de Infantaria ExpediPELA FEB Reproduzimos, a seguir, o texto publicado pe- Em 24 de novembro de 1944, iniciou-se a prilo Noticiário do Exército - Ano LII Nº 10.552, meira ofensiva. Depois de se apoderarem do Monte Belvedere, ao lado do Castelo, os nosde 21 de fevereiro de 2009. sos combatentes sofreram uma violenta conLongos foram os anos de convívio pacífico tra-ofensiva alemã que os obrigou a abandocom as demais nações até o momento em nar as posições já conquistadas. No dia 29 do que o soldado brasileiro entrou em cena em mesmo mês, os Aliados partiram para a sedefesa dos valores morais e éticos da huma- gunda ofensiva a Monte Castelo, igualmente nidade. O mundo em crise defrontava-se com barrada pelos regimentos de infantaria aleperdas democráticas que poderiam mudar o mães. Já em dezembro, os expedicionários rumo da História. A posição de neutralidade brasileiros efetivaram o terceiro assalto ao não era mais sustentável, pois o perigo ronda- Monte, com duração inferior a cinco horas, e va ameaçador. Nesse capítulo da história uni- o resultado, mais uma vez, foi frustrante. Mesversal, o Brasil entra em combate e, com ele, mo nessas circunstâncias, as vanguardas da os nossos heróis. cionária cruzou a linha de partida e seguiu, resoluta, na direção do objetivo. Depois de uma jornada de árduos combates, as forças brasileiras, estimuladas pelos sentimentos de honra e de dignidade, silenciaram a defesa contendora. Ao cair da tarde no Monte Castelo, a Bandeira Brasileira tremulava. Esse feito heróico representava o resgate da dívida de sangue dos ataques fracassados que ceifaram tantas vidas. A conquista do Monte serviu de estímulo para o prosseguimento das operações da FEB até a rendição incondicional de duas divisões adversárias. Foram quase oito meses de combate em solo italiano e, no curso desse temFEB conseguiram chegar além da metade do po, cerca de meia centena de vilas e cidades caminho programado. haviam sido libertadas. Monte Castelo figura, Observa-se que foram inúmeras as dificulda- nesse cenário, como símbolo maior de bravudes enfrentadas pela nossa tropa e o clima de tensão e ansiedade já assolava os nossos pracinhas. As tentativas de conquista anteriores, deflagradas por tropas americanas e brasileiras, não foram bem-sucedidas. O inimigo era implacável e experiente, dotado de excepcional capacidade de combate e desdobrado em uma posição defensiva dominante. As condições meteorológicas rigorosas do inverno europeu, as minas terrestres, lançadas nas vias de acesso, e as diversas casamatas bem localizadas e camufladas aumentavam a difira, de amor à Pátria, de fé inquebrantável, de culdade da operação. Iniciou-se a segunda destemor e de capacidade de superação do quinzena de fevereiro. A defesa inimiga era incansável soldado brasileiro. primorosa e o ataque frontal poderia repreFonte: darozhistoriamilitar.blogspot.com.br/ sentar o extermínio de nossa Força. Com fé A Força Expedicionária Brasileira (FEB) levou o Brasil ao teatro de operações na Itália. O primeiro contingente brasileiro embarcou em 30 de junho de 1944 rumo às terras européias. Ao longo dos meses seguintes, outros quatro escalões seguiram para aquele cenário de batalha internacional. Em solo italiano, o Exército Brasileiro preparava-se para um dos feitos mais gloriosos da FEB em sua vitoriosa campanha na 2a Guerra Mundial, qual seja, a tomada de Monte Castelo. A região, dominada pelos alemães, representava posição estratégica, já que impedia o 4º Corpo de Exército de prosseguir a marcha até Para refletir Grande parte da nossa sociedade letrada conhece o que o escritor proclamou, à época, à respeito deste país soberano, rico e dadivoso. O controle social se dá pelo medo e pela subjetividade por ela provocada no cidadão. Mídias e religiões não são meras instituições. Filipe de Sousa Só nos falta um mecanismo psicológico que transforme a bandalheira Prestem atenção... política, em SERIEDADE política. No mercado da Seriedade e do IdeNão vivemos pela quantidade imediata dos acertos, mas pela capacialismo Pátrio estão faltando estes produtos. dade de entendermos aonde estamos errando, transformando as faDizem os fofoqueiros que a Empresa que fabricava Seriedade e Idea- lhas em ajustes consistentes, feitos no tempo adequado para a malismo, faliu por falta de clientes. nutenção das direções, métodos e pessoas. www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Fevereiro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 13 Culturas e tradições brasileiras Cultura e tradições sões artísticas mais populares do país: o teatro, o circo e a dança. Os primeiros contatos do Brasil com o teatro aconteceram no século XVI, com o padre José de Anchieta, que utilizou a arte para catequizar os índios. Nos séculos seguintes, se diversificou com a introdução de peças trazidas da Espanha e Portugal e a construção de grandes teatros, até os dias atuais com grandes superproduções internacionais que desembarcam aqui a todo o momento. Parnasianismo, Simbolismo, Pré-modernismo, e Modernismo, até os dias atuais, em que não há movimentos claramente identificados ou autodenominados. É como se cada autor estivesse trilhando o seu caminho. Música No Brasil, a música é uma das mais importantes manifestações da arte e da cultura nacional, respeitada também internacionalmente. Merece destaque, pois vai além do mundialmente famoso Carnaval. Com a distribuição dos imigrantes por todo o território cada região do País desenvolveu um ritmo próprio. O Rio de Janeiro é conhecido pela bossa-nova de Tom Jobim e Vinicius de Moraes e sambas de Noel Rosa. Pernambuco destaca-se pelo frevo e maracatu. A Bahia pelo ritmo chamado de Axé Music. O Sul do País, especificamente o Rio Grande do Sul é reconhecido pelas canções gaúchas, tocadas com violão e sanfona, instrumento também utilizado na Região Nordeste, pelos interpretes do forró, maxixe e baião, popularizados Luis Gonzaga. Carlos Gomes, Heitor Villa Lobos, Chiquinha Gonzaga, Joaquim Calado, Carmem Miranda, Noel Rosa e Ary Barroso são apenas alguns dos incontáveis nomes e estilos que fazem parte da história da música brasileira. Os ritmos se renovam, surgem novas tendências, mas sempre com a criatividade musical característica do país. A dança brasileira tem origens diversas e recebe influências de outros países, principalmente africanas, mouriscas, européias e indígenas. São diferentes em cada região do país e entre as mais conhecidas estão: o samba, o maxixe, o xaxado, o baião, o frevo e a gafieira. Existem ainda as danO Brasil fascina por sua miscigenação. As raízes ças folclóricas e tradicionais como forró, axé entre indígenas, europeias, asiáticas e africanas entre outras. tantas outras se refletem não só na cultura como São consideradas artes visuais pintura, desenho, nos costumes do brasileiro. gravura, fotografia e cinema, além da escultura, A culinária, a música, o artesanato, a arquitetura e festas populares trazem consigo impressa essa identidade multicultural. Não à toa, o país conta com 17 bens culturais e naturais tombados pelo Patrimônio Mundial da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e uma das maravilhas do mundo contemporâneo, o Cristo Redentor. instalação, arquitetura, moda, decoração e paisagismo. Muitas delas estão impressas no artesanato brasileiro que, em cada região possui uma característica típica. Nas regiões Sul e Sudeste, sobretudos nos Estados de Santa Catarina e Minas Gerais, produtos feitos com folha de bananeira, assim como panelas, potes, moringas e jarras em cerâmicas são destaque. Minas Gerais também se destaca pelos tapetes e colchas feitos em tear A imigração no Brasil foi de extrema importância manual, peças produzidas em estanho e pedras para a formação da cultura nacional. Característi- decorativas talhadas dos mais diversos tipos de cas de todos os lugares do mundo foram incorpo- minério. radas ao longo dos séculos, desde a chegada dos portugueses, em 1500. Além das contribuições de Na região Centro-Oeste, o foco também está no índios, negros e portugueses, a expressiva vinda bordado e nas atividades relacionadas à madeira, de imigrantes de todas as partes da Europa, do barro, tapeçaria e trabalhos com frutas e semenOriente Médio e da Ásia influenciou a formação do tes. Animais de porcelana e moringas de barro são muito comuns em Goiás e no Mato Grosso. povo brasileiro. Além do artesanato relacionado ao barro e à maVale lembrar que, apesar de sua extensão territo- deira, o Nordeste se destaca pela famosa renda rial, fala-se o mesmo idioma em todas as regiões de bilro, no Ceará. Todas as técnicas de produção brasileiras. O português é a quinta língua mais em fibras de algodão são herança da colonização falada, e a terceira entre as ocidentais, após o in- portuguesa e são conservadas até hoje. Cabe glês e o espanhol. A Constituição Brasileira asse- mencionar a participação relevante dos trançados gura o pleno exercício dos direitos culturais e defi- de palha, cestarias feitas com trançados de carnane que o estado deve apoiar, incentivar e valorizar úba, bambu e cipó. suas manifestações, além de proteger as culturas indígenas, afro-brasileiras e de outros grupos par- Assim como nas outras regiões, o bordado também é muito popular na região Norte. Mas a influticipantes do processo civilizatório nacional. ência indígena faz da cerâmica uma das produGastronomia ções mais presentes na região. Existem duas verEssa combinação de povos resultou em hábitos tentes de inspiração para os artesãos: a marajoaalimentares completamente distintos. Um fato inte- ra e a tapajônica, que são estilos genuinamente ressante sobre a gastronomia brasileira é que um indígenas, com técnicas e formas milenares. Jóias nome de comida por ser utilizado para identificar feitas de sementes e metais preciosos também pratos diferentes. É o caso do cuscuz que de São são típicas do Amazonas. As atividades relacionaPaulo ao Rio Grande do Sul é uma receita a base das à madeira e metal também são comuns. de ovos, ervilhas, sardinha e farinha de fubá, que quando pronto tem cor laranja. Mas do Rio de Janeiro a região Nordeste indica um doce de cor branca. Dentre os pratos típicos brasileiros destacam-se a feijoada, acarajé, vatapá, churrasco, tutu de feijão, pão de queijo, carne de sol, camarão na moranga, arroz e feijão, peixe na folha de bananeira, cuzcuz, polenta, pirão, farofas, empada, pato no tucupi, casquinha de siri, moqueca, baião de dois, rabada, sarapatel, sarapatel, caruru, leitoa a pururuca, feijão tropeiro, virado à paulista, cural, picadinho, barreado, arroz carreteiro, porco no rolete, pinhão, paçoca, brigadeiro, bolo de milho, cocada, pamonha, tapioca, açaí, arroz doce e pé-demoleque. Conheça alguns estilos musicais: Samba De origem afro-baiana, o ritmo descende do lundu era usado nas festas dos terreiros entre umbigadas e pernadas de capoeira. No início do século XX, foi adotado por compositores como Ernesto Nazareth, Noel Rosa, Cartola e Donga, que o retiraram da obscuridade e o legitimaram na cultura oficial. Bossa Nova Movimento urbano, originado no fim dos anos 50. De início era apenas uma forma diferente de cantar o samba, mas logo incorporou elementos do Jazz com um contorno baseado na voz e no piano ou violão. Entre os maiores nomes estão Nara Leão, Carlos Lyra, João Gilberto, Vinicius de Moraes e Tom Jobim. Choro Coelho, passando por Clarice Lispector e Jorge Amado, o Brasil sempre teve espetaculares escritores dos mais diversos estilos. Suas obras foram traduzidas para diversos idiomas e Paulo Coelho, por exemplo, está hoje entre os mais populares do mundo, com mais de 100 milhões de livros vendiArtes dos em todo o planeta. A literatura se dividiu em Nas artes o país também não deixa de ser plural. períodos importantes como: Quinhentismo (século As artes cênicas envolvem algumas das expres- XVI), Barroco, Arcadismo, Realismo, Naturalismo, Gênero criado a partir da mistura de elementos das danças de salão européias e da música popular portuguesa, com influências africanas. Chiquinha Gonzaga foi a primeira pianista do gênero e, em 1897, escreveu Corta-Jaca, uma das maiores Nas artes plásticas destaca-se a Semana de 22, contribuições ao repertório do choro. Pixinguinha, realizada por artistas modernistas como Anita Mal- Ernesto Nazareth e Waldir Azevedo foram outros fatti e Tarsila do Amaral. Após esse período pode- grandes nomes do choro no Brasil. se citar Di Cavalcante e Portinari, e, mais recente- Tropicalismo mente, Romero Britto, entre os artistas de expresO tropicalismo une elementos da cultura pop e da sividade internacional. cultura de elite, além de fazer uso muitas vezes de Literatura um discurso politicamente engajado e de protesto A literatura brasileira foi marcada por estilos e ten- contra a ditadura militar. Caetano Veloso, Gilberto dências, que refletiam a realidade do país em dife- Gil, Gal Costa, Maria Bethânia, Os Mutantes são rentes épocas. Desde Machado de Assis a Paulo alguns de seus representantes musicais. Jovem Guarda Movimento que se ligava basicamente ao rock americano e inglês, mas de uma forma mais romântica. Seus maiores representantes são Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa. Fonte: Governo Federal do Brasil. www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Fevereiro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 14 27 - Dia Nacional do Livro Didático LIVRO DIDÁTICO Além de ser um importante suporte para o professor, o livro didático também é uma fonte de conhecimento para os alunos, para alguns é o único livro a que têm acesso ao longo da sua escolaridade. É o material que lhe permite descobrir como estudiosos e cientistas explicam os fenômenos da natureza, da física, da matemática e do corpo humano; da vida social e cultural e da história dos homens e de nosso país. Com eles, podem aprender a calcular. A ler e a dominar sua língua e outros idiomas; a descobrir a literatura e diferentes olhares sobre a realidade humana. Mas é preciso que os alunos também aprendam utilizando outros tipos de livros e suportes como enciclopédias, literários, jornal, revistas etc. Por meio do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), criado em 1985 pelo Ministério da Educação (MEC), o Livro Didático já se tornou questão de política pública e é distribuído gratuitamente a todos os estudantes do ensino básico de toda a rede pública de ensino do país. Trata-se de uma conquista reconhecida nacional e internacionalmente. 1.Apresentação da proposta ao diretor da escola, mobilização de equipes (funcionários, pais, alunos etc.) para a produção das toalhas, apoio à realização da oficina e participação; 2.Os participantes devem recortar as páginas dos livros antigos; 3.Para confeccionar basta colar e plastificar as páginas em formato de toalha de mesa; 4.Coloque nas mesas do refeitório à partir do Dia Nacional do Livro Didático. Um pouco mais sobre o livro didático Um pouco de história “... o livro didático surgiu já na Grécia Antiga Platão aconselhava o uso de livros de leitura que apresentassem uma seleção do que havia de melhor na cultura grega; a partir daí, o livro didático persistiu ao longo dos séculos, sempre presente em todas as sociedades e em todas as situações formais de ensino. Um exemplo: "Os Elementos de Geometria", de Euclides, escrito em 300 a.C., circulou desde então e por mais de vinte séculos como manual escolar; outros exemplos são os livros religiosos, abecedários, gramáticas, livros de leitura que povoaram as escolas por meio dos séculos. Ao longo da história, o ensino sempre se vinculou indissociavelmente a um livro "escolar", fosse ele livro "utilizado" para ensinar e aprender, fosse livro propositadamente "feito" para ensinar e aprender. Professores e alunos, avaliadores e críticos que, hoje, manipulam tão tranquilamente os livros didáticos nem sempre se dão conta de que eles são o resultado de uma longa história, na verdade, da longa história da escola e do ensino”. Magda Soares, doutora em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que estuda há anos a importância do livro didático no dia-a-dia do magistério. Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). Em 27 de fevereiro, comemoramos o Dia Nacional do Livro Didático, este material é uma importante fonte de conhecimento tanto para quem ensina quanto para quem aprende. O Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) tem como principal Inspirados por esta data comemorativa, incentivamos que você realize objetivo subsidiar o trabalho pedagógico dos professores por meio da distribuição de coleções de livros didáticos aos alunos da educação ações sobre o tema junto da sua escola parceira. básica (Ensino Fundamental, anos iniciais e finais, e Médio). O PNLD O livro didático, permite ao alunos descobrirem como estudiosos e também atende aos alunos que são público-alvo da educação especicientistas explicam os fenômenos da natureza, da física, da matemátial. São distribuídas obras didáticas em Braille de língua portuguesa, ca e do corpo humano; da vida social e cultural e da história dos homatemática, ciências, história, geografia e dicionários. Após a avaliamens e de nosso país. Com eles, podem aprender a calcular. A ler e ção das obras, o MEC publica o Guia de Livros Didáticos com resea dominar sua língua e outros idiomas; a descobrir a literatura e difenhas das coleções consideradas aprovadas. O guia é encaminhado rentes olhares sobre a realidade humana. Mas é preciso que os aluàs escolas, que escolhem, entre os títulos disponíveis, aqueles que nos também aprendam utilizando outros tipos de livros e suportes comelhor atendem ao seu projeto político pedagógico. mo literatura, jornal, revistas etc. A escolha e a distribuição são realizadas de três em três anos para Por meio do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), criado em cada segmento. Assim, a cada ano o MEC adquire e distribui livros 1985 pelo Ministério da Educação (MEC), o Livro Didático já se tornou para todos os alunos de um segmento. À exceção dos livros consumíquestão de política pública e é distribuído gratuitamente a todos os veis (dos alunos do 1º ano do Ensino Fundamental, onde podem esestudantes do ensino básico de toda a rede pública de ensino do pacrever e rabiscar), os livros distribuídos deverão ser conservados e ís. Trata-se de uma conquista reconhecida nacional e internacionaldevolvidos para utilização por outros alunos nos anos subsequentes. mente. Ao final de três anos os livros são devolvidos ou passam a ter a guarVeja como realizar ações para incentivar o uso do Livro Didático: da definitiva pelos alunos. Toalha literária Quando devolvidos à escola eles se acumulam e não são mais utilizaOficina para produção de toalhas para as mesas do refeitório, confec- dos, pois novas edições escolhidas são distribuídas, além disso, a Escionadas com textos dos livros didáticos antigos, recortados e plastifi- cola armazena as coleções doadas pelas editoras para o processo de escolha. cados. Confira o passo a passo: Da redação www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Fevereiro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 15 EUROPA hoje e ontem (artigo continuado) Por: Michael Löwy Sociólogo, é nascido no Brasil, formado em Ciências Sociais na Universidade de São Paulo, e vive em Paris desde 1969. Diretor emérito de pesquisas do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS). Homenageado, em 1994, com a medalha de prata do CNRS em Ciências Sociais, é autor de Walter Benjamin: aviso de incêndio (2005), Lucien Goldmann ou a dialética da totalidade (2009), A teoria da revolução no jovem Marx (2012) e organizador de Revoluções (2009) e Capitalismo como religião (2013), de Walter Benjamin (democratas de toda Europa se apresentaram como voluntários para combater pela independência grega). A grega foi a única (a última) das revoluções nacionais e democráticas do século XIX que contou com o A única esperança é a crescente aspiração apoio das potências europeias. por uma outra Europa, que vá além das políticas de competição selvagem e No século XX, a Grécia esteve dentro do austeridade brutal, e das dívidas eternas a centro nevrálgico dos dois conflitos bélicos serem pagas. Outra Europa é possível — um mundiais. Entre 1912 e 1913, a “primeira continente democrático, ecológico e social. guerra balcânica” foi travada entre a nascente Mas não será alcançado sem uma luta Liga Balcânica e o fragmentado Império comum das populações europeias, que Otomano. O Tratado de Londres, resultante ultrapasse as barreiras étnicas e os limites dessa guerra, encolheu o Império Otomano, estreitos do Estado-nação. Em outras com a criação do Estado independente palavras, nossa esperança para o futuro é a albanês, e ampliou territorialmente a Bulgária, indignação popular, e os movimentos sociais, a Sérvia, o Montenegro e a Grécia. Quando a que estão em ascensão, particularmente entre Bulgária atacou a Sérvia e a Grécia, em junho os jovens e mulheres, em muitos países. Para de 1913, aquela acabou perdendo a maior os movimentos sociais, está ficando cada vez parte da Macedônia para os países atacados, mais óbvio que a luta pela democracia é e Dobruja do Sul para a Romênia, na contra o neoliberalismo e, em última análise, “segunda guerra balcânica”, desestabilizando contra o próprio capitalismo, um sistema ainda mais a região. A década de 1910 viu antidemocrático por natureza, como Max agravar-se a situação internacional, o que Weber já apontou, cem anos atrás. concluiu na conflagração mundial deflagrada A crise econômica e a revolta social e política em agosto de 1914, a partir dos domínios na Grécia expressam a falência da união balcânicos do Império Austro-Húngaro. capitalista da Europa no seu elo Durante as guerras balcânicas (1912-1913) circunstancialmente mais fraco, e a Grécia incorporou os territórios do Épiro, da profundidade da crise capitalista mundial. As Macedônia e as ilhas do Mar Egeu; formas da revolta grega, o rotundo (61,3 %) consolidada sua posição geopolítica, na não à “troïka” (UE, BCE, FMI) no referendum Primeira Guerra Mundial a Grécia se manteve de 5 de julho de 2015, e suas consequências neutra. políticas, afundam suas raízes na história contemporânea da Grécia, e possuem uma projeção não só europeia, mas mundial. As belles âmes que propõem como solução para a “tragédia grega” um substancial desconto na sua impagável dívida, como também o faz o FMI, em nome do débito que o mundo contraiu historicamente com a filosofia e a ciência experimental da Grécia Antiga, suposta “mãe do Ocidente”, na melhor das hipóteses, e ainda na melhor das intenções, não sabem do que estão falando. Guerras Mundiais No século XIX, a rebelião grega pela independência do país iniciou a contagem regressiva do Império Otomano, e foi o sinal anunciador de um processo revolucionário de alcance europeu, concretizado nas revoluções de 1848. Uma onda revolucionária abalou Europa na década de 1820, repetida em 1830. Os países mais afetados foram os do sul da Europa, Espanha, Nápoles e Grécia (foi, por isso, chamado de “ciclo revolucionário mediterrâneo”). Na Grécia, em 1821, teve início o movimento pela independência do Império Otomano, obtida e proclamada em 1822, depois de violenta luta que custou, entre outras, a vida de Lorde Byron, poeta romântico e representante parlamentar inglês Deflagrada a carnificina internacional em finais de 1914, com a colaboração cúmplice da Internacional Socialista, que votou favoravelmente aos créditos de guerra solicitados pelos governos beligerantes nos principais países europeus, foi a partir dos Bálcãs que se esboçou uma reação internacionalista contra a guerra imperialista quando, em julho de 1915, “em Bucareste se realizou a conferência (convocada por Christian Rako vsky) dos partido s socialdemocratas da Sérvia, da Romênia, da Grécia e do partido dos tesnjaki [estreitos] búlgaros. Rakovsky liderou a conferência, fazendo votar um manifesto contra a guerra, uma posição de princípios contra ‘a colaboração de classe, o social-patriotismo, o social-imperialismo e o oportunismo’, conseguiu que a conferência enviasse a expressão de seu apoio a Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht, e aos socialistas dos países beligerantes que se mantiveram leais à Internacional. A constituição dessa Federação dos Bálcãs foi uma maneira espetacular de ‘restabelecer a Internacional’, na expressão de Rakovsky”. xenófobos, semi ou completamente fascistas, que estão crescendo, e já são, em muitos países, parte do governo — uma ameaça muito séria à democracia europeia. Capitalismo e democracia na Europa PARTE II Mas as atuais instituições da oligarquia europeia têm pouca tolerância à democracia. Imediatamente puniram o povo grego por sua tentativa insolente de recusar a austeridade. A “catastroika” está de volta à Grécia com uma vingança, impondo um programa brutal de medidas economicamente recessivas, socialmente injustas e humanamente insustentáveis. O referendo grego não tinha apenas a ver com questões fundamentais econômicas e sociais, foi também e acima de tudo sobre democracia. Os 61,3% de gregos que disseram não são uma tentativa de desafiar o veto real das finanças. Esse poderia ter sido o primeiro passo em direção à transformação da Europa, de monarquia capitalista a república democrática. Mas as atuais instituições da oligarquia europeia têm pouca tolerância à democracia. Imediatamente puniram o povo grego por sua tentativa insolente de recusar a austeridade. A “catastroika” está de volta à Grécia com uma vingança, impondo um programa brutal de medidas economicamente recessivas, socialmente injustas e humanamente insustentáveis. A direita alemã fabricou este monstro, e forçou ao povo grego com a cumplicidade de falsos “amigos” da Grécia (entre outros, o presidente francês, François Hollande, e o primeiro-ministro da Itália Matteo Renzi). Enquanto a crise agrava-se, e o ultraje público cresce, existe uma crescente tentação, por parte de muitos governos, de distrair a atenção pública para um bode expiatório: os imigrantes. Deste modo, estrangeiros sem documentos, imigrantes de países nãoeuropeus, muçulmanos e ciganos estão sendo apresentados como a principal ameaça aos países. Isso abre, é claro, enormes oportunidades para partidos racistas, CONTINUA NA PRÓXIMA EDIÇÃO www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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