Os médicos de Cangaíba - Viver é gostar de gente

 

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Description

O livro conta a história dos médicos que realizam atendimento voluntário na Igreja do Bom Jesus do Cangaíba desde 1975

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Viver é gostar de gente Os médicos de Cangaíba 1

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Viver é gostar de gente Judith Patarra Organizadora Os médicos de Cangaíba Viver é gostar de gente 2ª edição atualizada São Paulo, 2015 3

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OS MÉDICOS DE CANGAÍBA Copyright © 2015 Associação Popular de Saúde São Paulo – Brasil Texto: Judith Patarra (Org.) Organização da 2ª edição, revisão, projeto gráfico, editoração e capa: Lafgraf Design Editorial Ficha Catalográfica Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Os médicos de Cangaíba : viver é gostar de gente / Judith Patarra, organizadora – 2. ed. – São Paulo 1. Comunidade de Cangaíba (SP) - Aspectos sociais 2. Humanismo 3. Médicos voluntários História 4. Solidariedade 5. Trabalho voluntário 6. Voluntariado I. Patarra, Judith. 12-03006 CDD-361.3709 Índices para catálogo sistemático: 1. Médicos de Cangaíba : São Paulo : Cidade : Trabalho voluntário : Bem-estar social : História 361.3709 4

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Viver é gostar de gente Oferecemos este livro a todos que se dedicaram e se dedicam à solidariedade humana e a construir a justiça social em nosso país. Os médicos de Cangaíba “Compadre meu, Quelemem, dizia: Viver é muito perigoso.” (João Guimarães Rosa, Grandes Sertões, Veredas) 5

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Viver é gostar de gente Apresentação........................................................................................................................................... 11 Prefácio. .......................................................................................................................................................... 13 Capítulo 1 Os médicos e os padres................................................................................................ Na cela do Dops..................................................................................................................... Missa..................................................................................................................................................... Depoimentos............................................................................................................................. Gilberto Natalini. ................................................................................................................. Walter Feldman...................................................................................................................... Henrique Francé................................................................................................................... Sueli Lourenço. ....................................................................................................................... Paulo Mourão. ......................................................................................................................... Regina Medeiros................................................................................................................... Cela 6. .................................................................................................................................................. Júlio Cesar..................................................................................................................................... Daniel Klotzel........................................................................................................................... O grupo. ........................................................................................................................................... Sindicalistas................................................................................................................................. Nacime............................................................................................................................................... A caminho de Cangaíba............................................................................................. 17 19 22 23 25 39 43 47 49 52 54 58 67 71 76 77 88 7

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OS MÉDICOS DE CANGAÍBA Capítulo 2 João Chile....................................................................................................................................... Padre João Bernardo....................................................................................................... Atendimento.............................................................................................................................. Valiosos auxiliares............................................................................................................... Maria Borges.............................................................................................................................. Maria Tura.................................................................................................................................... Nena...................................................................................................................................................... Marly / Nega............................................................................................................................... João Artur / Coração....................................................................................................... Pastoral.............................................................................................................................................. Solidariedade............................................................................................................................. Exército............................................................................................................................................. Laia.......................................................................................................................................................... Amigos............................................................................................................................................... Capítulo 3 Vasectomias................................................................................................................................. Adelina............................................................................................................................................... O postinho das Marcelinas..................................................................................... Ampliação. .................................................................................................................................... Desapropriação...................................................................................................................... O lixão................................................................................................................................................ O Movimento do Custo de Vida......................................................................... Caso comum................................................................................................................................ Sem pastoral............................................................................................................................... Associação Popular de Saúde.............................................................................. Oscar Niemeyer / Encontro de saúde....................................................... Caso comum em todas................................................................................................... Parque Savoy.............................................................................................................................. Encontro Popular de Saúde. ..................................................................................... Rompimentos........................................................................................................................... 91 99 102 105 106 108 109 110 111 114 119 132 134 135 137 139 142 144 146 148 149 156 158 163 174 180 187 190 196 8

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Viver é gostar de gente Capítulo 4 Despertar........................................................................................................................................ Alunos e residentes............................................................................................................ Luta de um povo................................................................................................................... Movimento Contra a Carestia.............................................................................. As mulheres................................................................................................................................. Anistia e partidos políticos..................................................................................... Favelas................................................................................................................................................. Invasões. ........................................................................................................................................... Mudanças....................................................................................................................................... Novos tempos........................................................................................................................... Os revisionistas....................................................................................................................... Capítulo 5 Mutirões........................................................................................................................................... Elizete. ................................................................................................................................................. Ipiranga............................................................................................................................................. Elcita..................................................................................................................................................... Destino Himalaia................................................................................................................. Choque albanês...................................................................................................................... Boleros, bebedeiras............................................................................................................ Ouriços e pepinos do mar....................................................................................... Descanso, não........................................................................................................................... Sorrateira, fascinante...................................................................................................... Propositivo................................................................................................................................... Prevenção....................................................................................................................................... Sobrou solidariedade...................................................................................................... O Estado de pé. ....................................................................................................................... O nó....................................................................................................................................................... O partido do SUS................................................................................................................ Hospital Geral de Pirajussara.............................................................................. Sem Mercedes........................................................................................................................... Novos tempos........................................................................................................................... Reencontros................................................................................................................................ E hoje. ................................................................................ 201 206 213 219 223 229 234 239 243 248 254 257 259 264 266 269 273 275 279 281 285 288 291 293 295 298 300 304 315 319 321 322 9

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Viver é gostar de gente Médicos no coração do povo! ver é gostar de gente”! Eu os acompanho desde o início dessa história contagiante e, a respeito deles, posso afirmar com Bertold Brecht: “Há homens que lutam um dia e são bons. Há homens que lutam um ano e são melhores. Há homens que lutam muitos anos e são muito bons; porém, há homens que lutam a vida inteira, e estes são os imprescindíveis”. Lá estão eles junto ao templo da paróquia Bom Jesus de Cangaíba, há 36 anos, em vibrante voluntariado, prestando serviços médicos à população carente da periferia. A ideia, verdadeira epopeia, nasceu no coração de jovens médicos idealistas, atrás das grades da tortura nos anos de chumbo da ditadura militar! Jovens que saiam às ruas gritando por liberdade, “com fome e sede de justiça”. Jovens com paixão pelo povo esmagado por escandalosas injustiças sociais, sonhando com um Brasil livre, justo, fraterno. Jovens conscientes de que viver é gostar de gente, trombando com a infeliz afirmação do ditador Os médicos do Cangaíba testemunham pela vida que “vi- 11

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OS MÉDICOS DE CANGAÍBA presidente João B. Figueiredo que “preferia o cheiro de cavalo ao cheiro de gente”. A Igreja os acolheu sem discutir siglas partidárias ou ideologias, irmanada em parceria a jovens que, talvez, sem o saber, alinhavam-se ao trabalho do Bom Jesus na construção do Reino de Deus, feito de justiça, amor e paz! Aqueles jovens, hoje com os cabelos brancos, permanecem no Cangaíba, todos os sábados de manhã, prestando serviços médicos à população sofrida. Os ditadores presidentes da República nos tempos árduos da ditadura militar receberam de seus amigos “democratas” imerecidas homenagens com seus nomes dados a rodovias, “minhocão”, cidades até. Os médicos do Cangaíba, consagrados neste livro, têm seus nomes gravados nos corações agradecidos de milhares de pessoas, que percebem, no testemunho de seu abnegado e voluntário serviço, aquilo que dizia Charles Chaplin: “Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, pois o triunfo pertence a quem se atreve... A vida é maravilhosa, não pode ser vivida de forma insignificante”. Dom Angélico Sândalo Bernardino 12

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Viver é gostar de gente onvidado por Gilberto Natalini para escrever o prefácio do livro Os Médicos de Cangaíba, recebi a incumbência com muita honra por ter sido lembrado. Minha ligação com o movimento de Saúde da Zona Leste vem desde 1979. Naquela época, mobilizado pelas comunidades eclesiais de base, com a impressionante figura de dom Angélico Sândalo, participei de inúmeras assembleias populares, durante as quais acumulei uma preciosa experiência que me acompanha ao longo da vida e me permitiu entender o apartheid social da grande metrópole. Foi quando, percebendo a luta dessas populações da periferia, criei a frase: “O problema do pobre não é ele ser pobre, é que os amigos dele também são pobres”. Lembro-me da primeira reunião que participei no Parque Savoy City, quando os organizadores impediram que um verea­ dor discursasse e o fizeram retirar-se às pressas. Seguiram-se muitas outras reuniões, entre elas a de São Mateus e Jardim das Oliveiras, das quais guardo lembranças agradáveis. São Mateus originou o Plano Metropolitano de Saúde. A população, reunida em frente à igreja, queria que eu assinasse um compromisso de construir sete centros de saúde. Ao me recusar a C 13

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OS MÉDICOS DE CANGAÍBA assinar, fui saudado por prolongada vaia. Terminando, expliquei que não assinava porque não estudara a área, e propus que uma comissão viesse à Secretaria. Surgiram gritos de “marque a data”, “marque a data”. Retruquei: “amanhã”. Aí os organizadores disseram: amanhã não dá tempo. Pedi então que eles marcassem a data. Ficou ajustado para quarta-feira, quando – recebidos pelos assessores José da Silva Guedes e Roberto Barradas – nasceu o Plano Metropolitano de Saúde, que propunha a criação de mais de 400 centros de saúde e 40 hospitais. Ainda na minha gestão, foram construídos, na região de São Mateus, 12 Unidades Básicas de Saúde (Ubes), cada uma com um conselheiro da comunidade; e o Hospital de São Mateus. Na reunião do Jardim das Oliveiras, eu me atrasei e, ao chegar, encontrava-se com a palavra dom Angélico, que criticava a ausência do secretário. Terminando sua fala, apresentei-me, pedindo desculpas pelo atraso, e seguimos com a reunião. Das muitas outras reuniões das quais participei na Zona Leste, como secretário, a impressão mais marcante foi sem dúvida a de Cangaíba. Compareci, em setembro de 1979, ao Centro Social da Igreja, com o conforto de já ter autorizado a construção do Posto de Saúde que pleiteavam, e travei o primeiro contato com um grupo de jovens médicos que se dedicava ao trabalho voluntário e me causou a melhor impressão. Ao longo do tempo, acompanhei as trajetórias desses jovens médicos, como Francé, Natalini, Feldman, Nacime, e outros mais, todos citados com detalhe no livro. Em 95, já como ministro, tive a honra de comparecer ao Centro Social da igreja e receber o apoio na batalha que travava no Congresso pela CPMF. Outra vez mantive contato quando implantamos, em Itaquera, associados às irmãs Marcelinas, o primeiro módulo do Programa de Saúde da Família em áreas metropolitanas, com a participação da Rosa Barros e do Francé. Finalmente, em 2011, participei da cerimônia de celebração dos 35 anos da atuação dos membros médicos que construíram 14

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