A DIMENSÃO CULTURAL NA EDUCAÇÃO EM ESPAÇOS FORMAIS E NÃO FORMAIS. A EXPERIÊNCIA DO PROJETO “A LAPA VISTA PELAS CRIANÇAS - UM PROJETO DE ECOLOGIA URBANA” NA BIBLIOTECA INFANTIL MANOEL LINO COSTA COMO EXEMPLO DE GESTÃO DE PROCESSOS DE ENSINO APRENDIZAGEM.

 

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Monografia apresentada à FACULDADE DE EDUCAÇÃO da UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO como requisito parcial à obtenção do GRAU DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA

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UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO CENTRO DE EDUCAÇÃO E HUMANIDADES FACULDADE DE EDUCAÇÃO FUNDAÇÃO CECIERJ /CONSÓRCIO CEDERJ / UAB POLO: SÃO PEDRO D’ALDEIA A DIMENSÃO CULTURAL NA EDUCAÇÃO EM ESPAÇOS FORMAIS E NÃO FORMAIS. A EXPERIÊNCIA DO PROJETO “A LAPA VISTA PELAS CRIANÇAS - UM PROJETO DE ECOLOGIA URBANA” NA BIBLIOTECA INFANTIL MANOEL LINO COSTA COMO EXEMPLO DE GESTÃO DE PROCESSOS DE ENSINO APRENDIZAGEM. CHRISTIANNE MELLO ROTHIER DUARTE RIO DE JANEIRO SETEMBRO - 2014

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A DIMENSÃO CULTURAL NA EDUCAÇÃO EM ESPAÇOS FORMAIS E NÃO FORMAIS. A EXPERIÊNCIA DO PROJETO “A LAPA VISTA PELAS CRIANÇAS - UM PROJETO DE ECOLOGIA URBANA” NA BIBLIOTECA INFANTIL MANOEL LINO COSTA COMO EXEMPLO DE GESTÃO DE PROCESSOS DE ENSINO APRENDIZAGEM. Por: CHRISTIANNE MELLO ROTHIER DUARTE Matrícula: 11112080438 Monografia apresentada à FACULDADE DE EDUCAÇÃO da UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO como requisito parcial à obtenção do GRAU DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA, na modalidade EAD. RIO DE JANEIRO SETEMBRO - 2014

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A DIMENSÃO CULTURAL NA EDUCAÇÃO EM ESPAÇOS FORMAIS E NÃO FORMAIS. A EXPERIÊNCIA DO PROJETO “A LAPA VISTA PELAS CRIANÇAS - UM PROJETO DE ECOLOGIA URBANA” NA BIBLIOTECA INFANTIL MANOEL LINO COSTA COMO EXEMPLO DE GESTÃO DE PROCESSOS DE ENSINO APRENDIZAGEM. Por: CHRISTIANNE MELLO ROTHIER DUARTE Professor Orientador: Erondina Araujo ________________________________ Professor Examinador RIO DE JANEIRO SETEMBRO - 2014

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“Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende.” Guimarães Rosa

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À Marinha Quintanilha, in memorian e à equipe e crianças da Biblioteca Infantil Manoel Lino Costa – nossa “plataforma de vôo”.

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AGRADECIMENTOS À professora Erondina Araujo, por sua paciente orientação e sugestões preciosas que viabilizaram a conclusão deste trabalho; Ao inseparável parceiro Gurgel, que me acompanhou ao longo da trajetória deste curso; À Helena Jacobina e Claudia Tebyriçá, pela parceria profissional e amizade; À equipe FRM, por todas as experiências de crescimento profissional vividas conjuntamente nos últimos anos, em especial à Carla Rodrigues e Quesia Rocha, pelas conversas que me ajudaram a definir este campo de estudo; À minha família, pelo estímulo e em especial à minha mãe Laiz, por suas contribuições inestimáveis.

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RESUMO DUARTE, Christianne Mello Rothier. A DIMENSÃO CULTURAL NA EDUCAÇÃO EM ESPAÇOS FORMAIS E NÃO FORMAIS. A EXPERIÊNCIA DO PROJETO “ A LAPA VISTA PELAS CRIANÇAS - UM PROJETO DE ECOLOGIA URBANA” NA BIBLIOTECA INFANTIL MANOEL LINO COSTA. Brasil, 2014, 57 p. Monografia (Graduação em Pedagogia) – Faculdade de Educação, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2014. Nesta pesquisa apresenta-se a dimensão cultural como responsável pelo sucesso ou fracasso das experiências educativas em espaços formais e informais de educação, podendo ser estes tão ou mais eficientes que aqueles no cumprimento de uma função social libertadora e sobre o papel fundamental do educador como um dos responsáveis pela manutenção ou transformação de processos de ensino aprendizagem, que podem estar ou não comprometidos com o crescimento humano e com a construção de uma sociedade mais justa. Conceitos relacionados à cultura, como dominação, diversidade, identidade, entre outros, aqui contribuem para o entendimento de alguns dos problemas e desafios encontrados na escola formal na atualidade. O relato do trabalho de campo realizado em uma biblioteca infantil pela pesquisadora e que motivou o estudo, é apresentado e analisado à luz de fundamentação teórica, sendo compreendido como uma proposta de gestão de processos de ensino aprendizagem eficaz no alcance de alguns objetivos como a democratização de bens culturais, a promoção da aprendizagem e o desenvolvimento humano. Palavras-chave: cultura, cultura escolar, educação não formal

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SUMÁRIO INTRODUÇÃO 1 –TRABALHANDO COM CONCEITOS 1.1 CONCEITUANDO CULTURA 1.2 CULTURA DOMINANTE E DOMINAÇÃO 1.3 CONCEITUANDO IGUALDADE E DIVERSIDADE 1.4 CULTURA ESCOLAR 1.5 EDUCAÇÃO NA ATUALIDADE p. 10 p. 12 p. 11 p. 14 p. 15 p. 16 p. 18 2 - ESPAÇOS DE EDUCAÇÃO NÃO FORMAL 2.1 A EXPERIÊNCIA DO PROJETO A LAPA VISTA PELAS CRIANÇAS - UM PROJETO DE ECOLOGIA URBANA, COMO EXEMPLO DE GESTÃO DE PROCESSOS DE ENSINO APRENDIZAGEM 2.2 O PAPEL DO DOCENTE NA GESTÃO DE PROCESSOS DE ENSINO APRENDIZAGEM LIBERTADORES p. 20 p. 21 p. 30 3 - CONSIDERAÇÕES FINAIS p. 32 4 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 5 – APÊNDICES 5.1 QUADRO 1 – CARACTERÍSTICAS DO SISTEMA EDUCACIONAL NA REFORMA PROTESTANTE 5.2 QUADRO 2 – CARACTERÍSTICAS DO SISTEMA EDUCACIONAL NA REVOLUÇÃO FRANCESA 5.3 QUADRO 3 – CARACTERÍSTICAS DO SISTEMA EDUCACIONAL NO PERÍODO COLONIAL COM OS JESUÍTAS p. 36 p. 48 p. 49 p. 50 p. 51

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5.4 QUADRO 4 – CARACTERÍSTICAS DO SISTEMA EDUCACIONAL NO SÉCULO XIX (POSITIVISMO) 5.5 QUADRO 5 – CARACTERÍSTICAS DO SISTEMA EDUCACIONAL NO MOVIMENTO ESCOLA NOVA 5.6 QUADRO 6 – CARACTERÍSTICAS DO SISTEMA EDUCACIONAL NAS DÉCADAS DE 40/50 5.7 QUADRO 7 – CARACTERÍSTICAS DO SISTEMA EDUCACIONAL NAS DÉCADAS DE 60/70 5.8 QUADRO 8 – CARACTERÍSTICAS DO SISTEMA EDUCACIONAL NAS DÉCADAS DE 80/90 5.9 QUADRO 9 – CARACTERÍSTICAS DO SISTEMA EDUCACIONAL NA ATUALIDADE p. 52 p. 53 p. 54 p. 55 p. 56 p. 57

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ÍNDICE DAS FIGURAS Figura1 - Capa do álbum A Lapa vista pelas crianças - Um projeto de ecologia urbana, com desenhos das crianças. p. 38 Figura 2 - Primeira página do álbum A Lapa vista pelas crianças - p. 39 Um projeto de ecologia urbana, com imagens do grupo apreciando ilustração do álbum Arcos da Lapa. Figura 3 - Segunda página do álbum A Lapa vista pelas crianças - Um projeto de ecologia urbana, com imagens do grupo na atividade de campo no bairro de Santa Teresa. p. 40 Figura 4 - Terceira página do álbum A Lapa vista pelas crianças Um projeto de ecologia urbana, com imagens do trabalho nas maquetes. p. 41 Figura 5 - Quarta página do álbum A Lapa vista pelas crianças Um projeto de ecologia urbana, com imagens da atividade de campo pelas ruas do bairro da Lapa. Figura 6 – Quinta página do álbum A Lapa vista pelas crianças Um projeto de ecologia urbana, com imagens do grupo pintando as maquetes. p. 42 p. 43 Figura 7 - Sexta página do álbum A Lapa vista pelas crianças p. 44 Um projeto de ecologia urbana, com imagens dos modelos de antigos meios de transporte usados na Cidade do Rio de Janeiro. Figura 8 - Última página do álbum A Lapa vista pelas crianças Um projeto de ecologia urbana, com imagens das maquetes prontas. p. 45 Figura 9 - Folder da Exposição A Lapa vista pelas crianças - Um projeto de ecologia urbana – frente p. 46 Figura 10 - Folder da Exposição A Lapa vista pelas crianças Um projeto de ecologia urbana – verso p. 47

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10 INTRODUÇÃO Ao longo desta pesquisa apresenta-se a amplitude do conceito de cultura a fim de refletir sobre como espaços de educação não formal (que possuem uma cultura diversa daquela existente nas escolas) podem ser tão ou mais eficientes que estas no cumprimento de uma função social libertadora e sobre o papel fundamental do educador como um dos responsáveis pela manutenção ou transformação de processos de ensino aprendizagem, que podem estar ou não comprometidos com o crescimento humano e com a construção de uma sociedade mais justa. No primeiro capítulo serão tratados alguns conceitos relacionados à educação formal e aos processos de transmissão e aquisição de cultura, utilizados especialmente na escola, onde se registra a ocorrência de preconceitos, exclusão, evasão e baixos índices de aprendizagem, entre desafios encontrados e outros problemas nestes ambientes educacionais na atualidade. No segundo capítulo discutem-se os espaços alternativos de educação, onde a existência de outra cultura permite a obtenção de diferentes resultados. Apresenta-se o relato do trabalho de campo realizado em uma biblioteca infantil pela pesquisadora, a partir do qual surgiu a ideia desta investigação e motivação para escrever sobre o tema. A experiência é apresentada como uma proposta de gestão de processos de ensino aprendizagem eficaz, alinhada com o pensamento de Vasconcelos (2011), que discute e lamenta algumas das práticas educativas atuais e que são questionadas nesta monografia. Segundo ele, Algumas das maiores características da prática educativa atual, lamentavelmente, são a passividade, o desinteresse, a descrença, o formalismo. Chama a atenção a falta de sentido pessoal para a prática, tanto por parte do aluno quanto do próprio professor. São ações, operações, mas não autêntica Atividade Humana. O sentido geral [...] ao abordar a Atividade Humana como Princípio Educativo do Currículo, é superar esta alienação que ocorre em grande parte das escolas, colocar o professor e o aluno na condição de sujeitos do processo educativo, valorizar o vínculo entre eles, bem como a autonomia tanto discente quanto docente. Visa romper a lógica de mecanização que caracteriza o movimento de grande parte da sociedade e do cotidiano de muitas salas de aula, avançando na concretização de um currículo que faça da escola um espaço de aprendizagem, desenvolvimento humano pleno e alegria crítica (docta gaudium) de todos. (VASCONCELOS, 2011, p.11)

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11 De acordo com o autor, há situações encontradas nas escolas a serem superadas e alguns desafios que os educadores precisam enfrentar na realização de sua complexa atividade. Levantamos a hipótese de que a cultura vigente no espaço escolar é em grande parte responsável por este quadro. Com a análise deste e outros conceitos e fundamentação teórica apoiada principalmente nas idéias de Ausubel (1982), Vasconcelos (2011) e Vigotsky (2004), entre outros, pretende-se compreender e explicar a eficácia do trabalho realizado em alguns ambientes informais de educação no alcance dos objetivos que a escola formal não tem logrado conseguir, como a democratização de bens culturais, a promoção da aprendizagem e o desenvolvimento humano.

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12 1. TRABALHANDO COM CONCEITOS Neste capítulo apresenta-se o conceito de cultura e outros que a ele se relacionam, contribuindo para a concepção de cultura escolar, que será em seguida conceituada. Identifica-se movimento e transformação no significado das palavras e conceitos ao longo do tempo. Algumas vezes espera-se muito até que uma nova ideia seja aceita e incorporada pela sociedade, ainda que sua aplicação traga benefícios e melhoria na qualidade de vida de todos. Toma-se por natural algo que foi aceito como verdade por algum tempo. A escola tem sido resistente ao novo, mantendo práticas ultrapassadas por pura força da tradição, sem questionamentos. O discurso hegemônico, sem base científica, “faz-se assim porque sempre foi assim” contém ideias preconceituosas e descontextualizadas que geram estereótipos e estigmas. Um exemplo seria a noção de que os indígenas não gostam de trabalhar, sendo, portanto, preguiçosos. É fundamental investigar onde nasce esse pensamento, no caso, no período colonial, quando os portugueses tentaram escravizar os povos nativos, que não aceitaram a dominação e o trabalho forçado, às vezes preferindo a morte a serem subjugados e obrigados a fazer algo por imposição. Com o passar dos séculos, o contexto foi sendo esquecido, mas não o conceito de que os índios não gostam de trabalhar. Assim acontece com inúmeras práticas existentes no sistema escolar, que se repetem exaustivamente, ainda que trazendo resultados negativos. A metodologia adotada neste trabalho partiu da identificação e do estudo de conceitos relacionados ao universo da educação, objetivando entender sua origem e o que está por trás deles. Este conjunto de conceitos, que podemos dizer que compõe a cultura escolar, pode ser responsabilizado por alguns dos desafios da educação formal na atualidade. Em seguida, analisaremos as diferentes variações do conceito cultura, assim como os conceitos de igualdade e diversidade e educação na atualidade, investigando o que é percebido como cultura escolar e como ela prejudica ou chega a impedir o alcance da função social da escola. 1.1 - CONCEITUANDO CULTURA

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13 Ainda que a tentativa de definição de cultura seja uma tarefa difícil, podemos dizer que ela é um fenômeno unicamente humano. Nenhuma outra espécie produz cultura. Ela é uma elaboração coletiva, legado da humanidade, filtrado pelos diferentes grupos a partir de escolhas e acordos. É o conjunto de saberes, maneiras e modos de ser e fazer, de regras, valores e normas para o viver no mundo. Relaciona-se à memória dos grupos, ao patrimônio que lhes confere identidade em relação à de outros grupos. Não nos é inerente, nos é apresentada, ensinada, transmitida nos diversos ambientes em que circulamos: a casa, a família, a aldeia, o templo, o clube, a cidade, o país, a escola. À medida que nossas fronteiras se alargam, em contato com o(s) outro(s), ampliamos nosso repertório e fazemos escolhas, passando a sermos produtores de cultura, ampliando o legado que deixamos à posteridade, incorporando novos elementos, práticas, tecnologias, excluindo ou ressignificando outros tantos, deixando nossa marca no mundo. A cultura é sempre uma criação humana. Uma necessidade, devido à nossa incompletude e inacabamento. Precisamos uns dos outros. Ao nascer, se entregues à própria sorte, pereceríamos. Precisamos ser cuidados e cuidamos. O mundo nos é mostrado através dos olhos do outro, dos que vieram antes. Assim, o mundo, tal como o concebemos, é uma construção humana. E não paramos de construí-lo. A cultura é nossa ferramenta de permanência e transformação. Encontramos respaldo na visão de Daniele Canedo (2009), que afirma: Definir o que é cultura não é uma tarefa simples. A cultura evoca interesses multidisciplinares, sendo estudada em áreas como sociologia, antropologia, história, comunicação, administração, economia, entre outras. Em cada uma dessas áreas, é trabalhada a partir de distintos enfoques e usos. Tal realidade concerne ao próprio caráter transversal da cultura, que perpassa diferentes campos da vida cotidiana. Além disso, a palavra “cultura” também tem sido utilizada em diferentes campos semânticos [...] Comumente, ouvimos falar em “cultura política”, “cultura empresarial”, “cultura agrícola”, “cultura de células”. Ao que se conclui que, ao nos referirmos ao termo, cabe ponderar que existem distintos conceitos de cultura, no plural, em voga na contemporaneidade. (CANEDO, 2009, p.1) Assim, conforme a visão de Canedo (2009), já que existem distintos conceitos de cultura na atualidade, temos que compreender como esta diversidade pode afetar os processos onde ocorre sua transmissão, sendo a escola um desses ambientes. Desde sua origem, o conceito de cultura ganhou diferentes dimensões e significados, (como cultivar, proteger, habitar), sendo utilizado para fazer referência a algo que é fruto de uma ação, resultado de um processo. Com o passar dos

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14 séculos foi sendo associado a outro conceito, o de civilização, em oposição ao estado natural da humanidade, primitivo e selvagem. Atrelado às idéias de aprimoramento, progresso e educação levou ao entendimento de que é possível evoluir de um estado primitivo (sem cultura) à condição de civilizado, culto. A educação seria a ferramenta para tal transformação. Se o ser humano precisa aprender algo que ele não nasce sabendo e se no processo de tornar-se humano ele deve ser educado, cabe perguntar de que humano está-se falando? Que projeto de pessoa tem-se em mente ao se idealizar e realizar um modelo de educação? As diferentes visões justificam distintas práticas. Em seguida, ver-se-á como o conceito de cultura pode servir à causa da dominação de um grupo sobre outro. 1.2 - CULTURA DOMINANTE E DOMINAÇÃO Quando uma cultura – ou grupo – se afirma pela negação de outro, nega-se ao outro o direito à existência. Ao longo da História esta negação deu a determinados grupos hegemônicos o direito de oprimir, massacrar, eliminar ou subjugar outros grupos sob a justificativa de que estes teriam menor importância, valeriam menos, seriam inferiores aos opressores. O fenômeno do etnocentrismo, de acordo com os antropólogos, explica a suposição de um determinado padrão cultural ser superior a outro, concepção sem fundamentos científicos que, ao longo dos séculos foi responsável pela escravidão e pela extinção de povos, entre outras tragédias. Até hoje é visível em comportamentos preconceituosos mundo afora. Tolerância e respeito são noções indispensáveis à convivência. São valores que se adquire a partir do entendimento e da aceitação da diversidade e do reconhecimento da existência do outro, de outras culturas. Estereótipos e discriminações surgem a partir do momento em que se considera determinada cultura como melhor, maior, mais importante que outra. Com o multiculturalismo crítico1 (Ramos, 2010) se reconhece as diferenças e se aponta para a questão de que nenhuma cultura é pronta, acabada, fechada em si mesma. A visão contra-hegemônica entende que é no diálogo, no encontro, no contato intercultural que novos sentidos são produzidos e as percepções de identidade e alteridade se ampliam, transformam, produzindo novos paradigmas e conhecimentos. Ampliar a consciência da incompletude é 1 Teoria de Peter McLaren, um dos principais autores da teoria da resistência, lançada com a obra “Multiculturalismo Crítico” em 1994 nos Estados Unidos e publicada no Brasil em 1997.

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