Confrades da Poesia74

 

Embed or link this publication

Description

Boletim Poético

Popular Pages


p. 1

Amora - Seixal - Setúbal - Portugal | Ano VII | Boletim Bimestral Nº 74 | Jan / Fevereiro 2016 www.osconfradesdapoesia.com - Email: confradesdapoesia@gmail.com «JANELA ABERTA AO MUNDO LUSÓFONO» SUMÁRIO Confrades: 6,8,13,16 A Voz do Poeta: 2 Olhos da Poesia: 3 Pioneiros: 4 Retalhos Poéticos: 5 Tribuna do Poeta: 7 Contos e Poemas: 9 Bocage: 10,24,25,26,27 Tempo de Poesia: 11 Trovador: 12 Baú: 14 Faísca de Versos: 15 Reflexões: 17 Pódio dos Talentos: 18 Trono dos Poetas: 19 Asas Poéticas: 20 Obreiros da Poesia: 21 Magia da Poesia: 22 Pedestal da Poesia: 23 Ponto Final: 28 EDITORIAL O BOLETIM Bimestral Online (PDF) denominado "Confrades da Poesia" foi fundado com a incumbência de instituir um Núcleo de Poetas, facultando aos (Confrades / Lusófonos) o ensejo dum convívio fraternal e poético. Pretendemos ser uma "Janela Aberta ao Mundo Lusófono"; explanando e dando a conhecer esta ARTE SUBLIME, que praticamos e gostamos de invocar aos quatro cantos do Mundo, apelando à Fraternidade e Paz Universal. Subsistimos pelos nossos próprios meios e sem fins lucrativos. Com isto pretendemos enaltecer a Poesia Lusófona e difundir as obras dos nossos estimados Confrades que gentilmente aderiram ao projecto "ONLINE" deste Boletim. “Promovemos Paz” A Direcção «Este é o seu espaço cultural dedicado à poesia»  Pódio dos Talentos pág. 18 Trono dos Poetas pág. 19 Filomena Camacho Deodato Paias Pedestal da Poesia pág. 23 Isabel Vargas Nesta edição colaboraram 94 poetas Deixamos ao critério dos autores a adesão ou não , ao “Novo Acordo ortográfico” FICHA TÉCNICA Boletim Mensal Online Propriedade: Pinhal Dias - Amora / Portugal | Paginação: Pinhal Dias - São Tomé A Direção: Pinhal Dias - Presidente / Fundador; Conceição Tomé - Vice-Presidente / Fundador Redação: São Tomé - Pinhal Dias Colaboradores: Adelina Velho Palma | Aires Plácido | Albertino Galvão | Alfredo Mendes | Ana Santos | Anna Paes | António Barroso | António Boavida Pinheiro | António Martins | Arlete Piedade | Arménio Correia | Carmo Vasconcelos | Catarina Malanho | Clarisse Sanches | Conceição Carraça | Daniel Costa | Edgar Faustino | Edyth Meneses | Edson Ferreira | Efigênia Coutinho | Euclides Cavaco | Eugénio de Sá | Fernando Fitas | Fernando Reis Costa | Filipe Papança | Filomena Camacho | Fredy Ngola | Glória Marreiros | Helena Fragoso | Henrique Lacerda | Humberto Neto | Ilze Soares | Isidoro Cavaco | Ivanildo Gonçalves | João Coelho dos Santos | João Furtado | João da Palma | Jorge Vicente | José Chilra | José Jacinto | José Verdasca | Lili Laranjo | Luís Filipe | Luiz Caminha | Maria Alexandre | Maria Brás | Maria Fonseca | Maria Fraqueza | Maria Mamede | Maria Petronilho | Maria Vit. Afonso | Mário Nascimento | Natália Vale | Pedro Valdoy | Quim D’Abreu | Rosa Branco | Rosa Silva | Rosélia Martins | Silvino Potêncio | Rita Rocha | Susana Custódio | Telmo Montenegro | Tito Olívio | Vó Fia | Zzcouto | …

[close]

p. 2

2 | Confrades da Poesia | Boletim Nr 74 | Janeiro / Fevereiro 2016 «A Voz do Poeta» Lenda do Marquês O FRAGOR DOS “SEUS” SILÊNCIOS Genes da Iniquidade Narra a história que o Marquês, Foi o homem que mais fez, Sob os auspícios da Coroa. Logo após o terramoto, Foi reconstrutor devoto, Da cidade de Lisboa. Dom José deu-lhe poder, Que causou após morrer, À Rainha timidez. Que aderiu à reacção Existente já então, Para expulsar o Marquês. E sua alteza, a Rainha, Que decidido já tinha, Na sua corte real, De Lisboa o expulsar, Condenado a não pisar Senão, terras de Pombal. Mas o Marquês sem bonança, Retaliou por vingança, Seu regresso à Capital. Em carruagem aberta, Que vinha toda coberta, Com as Terras de Pombal! Aqueles a quem a morte mais reclama Porque muitos invernos já viveram, Os que da vida a chama já perderam E têm por incertos pão e cama; Essas árvores que os ventos não vergaram Pra confortar a prole da sua rama, Que hoje - ao abrigo - lhes ignora o drama E que despreza o bem que eles fizeram; São os credores maiores da sociedade Desta que os omite e os maltrata Votando-os à aviltante indignidade. E enquanto a miséria os desbarata E os esmaga com tanta iniquidade O abandono plos seus é que mais mata! Eugénio de Sá - Sintra Desculpe Tanta reza ou queixume, Por falta de lealdade: Todos nós somos o lume, Na fogueira da maldade! Ninguém se deve arvorar Em ser dono da verdade: Somos passíveis de errar, Assim é a humanidade! Se metade de nós é amor, Não é a outra metade: Todos, seja lá quem for, Tem genes da iniquidade! São Tomé - Amora CORTAR O PASSADO Ah! Desculpe este ar de amar Este dom de doar. Desculpe quando te ligo. E te falo de prazer Quando te encho de afago Desculpe este ar inocente Este jeito demente. Esta volúpia em amar. Desculpe quando te chamo Te beijo Te abraço Te aperto. Euclides Cavaco - Canadá Rasguei as lembranças do tempo passado. Os sonhos guardados, desfiz em pedaços. Da caixa com fotos atada com laços, Eu fiz um braseiro; foi tudo queimado! Tristeza, amargura, tirei do meu lado. Mandei-as embora para outros espaços. Fugi da mentira, dos falsos abraços... Que às vezes sentia, ao ser abraçado! Do zero farei, outra forma de vida. Será mais concreta, serena, sentida, Apenas cercado p'los grandes amigos. Amigos que sabem, o que é amizade. Que no peito ostentam a fraternidade, Que é arma letal para os seus inimigos! Alfredo dos Santos Mendes - Lagos Ano novo Um feliz ano novo Cheio de alegria e afecto. Pleno de calor humano, Espontaneidade... Beleza, Poesia, Alegria, Paz, Verdade, Misericórdia, O contrário da frieza … Do decreto. Filipe Papança - Lisboa Crescer Para a Vida. Vivência de paz… O que representa na vida das pessoas? - É o seu bem-estar, com mais saúde pra serem felizes! - Trabalhando e é do trigo que se faz pão! Credibilizar a mente p’los valores morais, éticos e espirituais, que nos ensina a crescer para a vida… Pinhal Dias - Amora (É, que meu amor é tanto que não posso viver sem dizer: Te amo.) Desculpe se te sufoco, Se te toco. Se te deixo em foco. Desculpe se te amo tanto assim. Anna Paes - Brasília

[close]

p. 3

Confrades da Poesia | Boletim Nr 74 | Janeiro / Fevereiro l 2016 | 3 «Olhos da Poesia» A Gloriosa Era dos Descobrimentos Do mar e seu mistério enamorados, uns bravos mareantes arrojados deixaram terra firme e o que era seu… Partiram temerários à aventura desafiando vagas em noites de breu e arrostando o perigo na sua loucura. Movidos por que forças…? Não sabiam! Rumaram à lonjura, ao infinito, na ânsia de alargar seu estreito mundo, certos de que algo novo encontrariam; além, mais longe, mais alto ou pelo mar fundo… Que tamanha crença não podia ser um mito! Outras paragens, outros credos, outros povos, onde estariam?… Quais as coordenadas?… Sabiam apenas que parar já não podiam, sufocar o grande sonho já não conseguiam, de dar ao velho mundo mundos novos trazendo à luz recônditas moradas. E o sonho imenso, maior que o mar astuto que se interpunha entre a ânsia e a coragem, aumentou-lhes a audácia a cada nova viagem e transformou-lhes a vontade num algoz do medo que os fez tudo vencer, até o mortal segredo do monstro Adamastor, medonho e bruto! Na esperança e na aventura os primeiros, engoliram fomes, engulhos nas entranhas, queimaram de febres, maleitas estranhas, porém… de todos os mais intrépidos e ligeiros, os nossos portugueses em únicas façanhas, foram da Gloriosa Era os pioneiros! Foram os heróis, os mártires, os paladinos das descobertas além do mar bravio; da ligação a ignotos mundos o bendito fio condutor do Homem a diversos mil destinos… Os eleitos que deram à Pátria a História sem igual que engrandeceu de glória o nosso Portugal! Carmo Vasconcelos - Lisboa Murmúrios na noite Entre o mundo real e o dos sonhos Quando na noite o Ser se entorpece Murmúrios surgem com subtis contornos São os falares da alma, que adormece. Entrepostos que nunca se revelam Às claridades do nosso consciente E no torpor se escondem e acastelam Zelosos guardas do Cerne da gente. Somos então um mar entre dois mundos; Um, jamais resolvido, por profundo Outro, sujeito ao fado das marés. Um mar às vezes calmo, outras revolto Bonança, ou temporal ao vento solto Reféns dos rumos de antigas galés. Eugénio de Sá - Sintra CHEGA O ANO NOVO Caminha o Novo Ano tão depressa. A festa já o espera em plena rua. O fogo-de-artifício esconde a lua e deixa a natureza quase avessa. Há copos tilintando na travessa da vida, que se apraz e não recua. Os brindes são silêncio que acentua os laivos de alegria e de promessa. Folias que se avultam neste povo, que gasta o que não tem, por algo novo, na busca de encontrar uma vitória. Sozinho vai partir o Ano Velho. Ninguém escuta já o seu conselho, Que os velhos, para os novos, são história. Glória Marreiros - Portimão O TEU OLHAR Presentemente estás longe… O meu olhar não consegue encontrar o teu olhar! Ausentaste-te de mim e agora onde procuro não te encontro… O teu olhar é fugitivo, único, exclusivo, cativo do teu ser! O teu olhar! O teu olhar… Evadiu-se do meu ser e de todo o meu quotidiano. O teu olhar… O teu olhar… Anabela Silvestre Covilhã ao cinzento carregado das nuvens atirei em fúria o que restou do meu nome. choveu. choveram-me gelados relentos nos meus ossos frágeis. a paisagem acordou repleta de lírios... e eu sem alma viva a quem sorrir… Jorge Cortez (edgar paimôgo) Suíça Com leveza as dálias, brilham na manhã de chuva... explosão de luz. Benedita Azevedo - RJ/BR Basta-me Hoje, não preciso de mar, nem barco Basta-me um trapicho jogado sobre a água Como aquele à beira do lago, E todas as minhas lembranças! Anna Paes – Brasília / BR Eu gosto de quem me ama Evito quem não me quis; Saúdo quem bem me grama, E assim me sinto feliz. Arménio – Foros de Amora

[close]

p. 4

4 | Confrades da Poesia | Boletim Nr 74 | Janeiro / Fevereiro 2016 «Pioneiros» Onde Estás? Em sonhos, Caminhas a meu lado De mãos entrelaçadas… Avançamos no tempo. Procuramos construir O meu, o nosso mundo. Mas pensas nos outros. Vives mais para os outros… Para ti, Só existem outros. E é por isso Que ofereço apenas A minha amizade. Por isso sou tua irmã. Por isso, a ti, te basta… Irmã por natureza. Irmã que te respeita Irmã que se orgulha de ti, Mas que continua a perguntar: - Onde está o companheiro? João Ferreira – Qta. do Conde Abre essas “ janelas” luminosas! Por causa delas o sol morre d’inveja; e olha à tua volta nem que seja porque as “meninas” nasceram curiosas… abre essas “portadas” par em par porque o azul nelas a brilhar faz inveja ao céu quem o diria; abre-as que são tão formosas como no roseiral as frescas rosas cada manhã ao despontar do dia. Maria Mamede - Porto Desistir de acreditar Combalida de não ser E apenas existir… Insistir num permanecer Que a mente persiste em desistir! E chego a ser néscia Ao ponto de acreditar Num caminho sem rumo Que tento continuar. E já sem forças caminho Por lugares que desconheço Qual será o meu destino? Aqui não quero estar... Cátia Melo – Fernão Ferro Relembrar…sempre Sempre que eu penso, Na minha querida terra! Sinto no meu pensamento O sol que alumia de dia. A lua que alumia de noite, E as estrelas que se soltam, Levam a minha memória Aquilo que falo agora (Agora que falei toquei) No desmantelar de muralhas Do Chalé dos Bicos--Que oiçam para lá do infinito! Só por isso, me contento! Porque a razão da minha pena Está cheia de afecto, E ao mesmo tempo com desgosto Dos factos da História, Que eu, procuro ser sempre ouvido, No que o sol viu caindo Em Armação de Pêra Restam imagens retratadas, dolentes, A ultrapassar todos os limites Do rutilo Chalé dos Bicos, Que no silêncio, se beijava Na avenida a rir e amar… Esquecer … para relembrar ainda O que o tempo não vai apagar! Luís F. N. Fernandes - Amora Donos do Mundo Dentro de mim coabitam numa dualidade Silêncio explodindo como um trovão Onde catapulta a voz da minha razão Aos vastos campos da irracionalidade! Quais caminhos percorre a humanidade Pelo frágil planeta, quase moribundo Porque não se chega à consensualidade De que ninguém jamais será dono do mundo? O logro existe no silêncio dos bons E curvados perante as leis prepotentes Por não terem consciência dos próprios dons! Quantas mais guerras ainda eles farão P´ra ceifar à vida legiões de inocentes Ou então submete-los à escravidão? AMOR TEMA INESGOTÁVEL Que o amor seja o tema, Só amor, nada de fantasia, Intenso erótico com poesia, De parte a parte, se sinta gema!... Essência que o momento cria, Labareda de paixão extrema, Só há um corpo, só um sistema, Satisfazer aquilo que nos sacia… Este é o tema, quando é preciso Sentir que nos guinda ao paraíso, No deleite que o prazer derrama… É amor, e, quando se faz amor, É lograr do vulcão todo calor, Mesmo que se tenha queimar a cama! Nelson Fontes Carvalho – Belverde Dia oito de Janeiro Olá! 2016 melhor que 2015? Igual? Tudo na mesma? Nada mudou? Pois é... sorte minha Recebi uma prendinha. Mais um ano os anos São a melhor prenda, Ditosa oferenda. Se não me engano Ganhei um ano... Ou será que perdi? Deixa-me ver... Não, quero lá saber!? Saber para quê? A vida deve ser vivida Naturalmente... Hora a hora Dia a dia Pela vida fora... A vida é o que é... Dela o que julgamos O que sabemos, Pouco, nada. Tenho mais um ano Quantos? Eh, tantos! Não parece...Pois não? Aires Plácido - Amadora São Tomé - Amora Meu guarda chuvas danado Comprado em ponte de Lima; Tens um som enchocalhado, Quando te cai chuva em cima. Arménio Domingues Melgaço

[close]

p. 5

Confrades da Poesia | Boletim Nr 74 | Janeiro / Fevereiro l 2016 | 5 «Retalhos Poéticos» Estava Escrito! Dezembro anoiteceu em mim... De repente, todas as janelas se fecharam, escureceu... E pra não dizer que não havia luz, acendi uma luz interior e orei... Clamei por misericórdia divina, pedi perdão por todo o mal desta e de outras vidas e, pedi humildemente, por iluminação e sabedoria, para lidar com circunstâncias adversas que se apresentam de repente, incendiando tudo, gritando boca a fora rebeldias desaforadas, sem causa, mas com efeito devastador... E tudo fica assim, suspenso no ar, no meio da noite escura e fria, sem proteção, perdido, sem saber se fica ou se vai, um tanto anestesiado e incrédulo... E, as lágrimas caem e lavam a alma, mas não cicatrizam a ferida que arde e dilacera o coração, lembrando minuto a minuto a quê veio... Já não sei mais se posso lutar contra o que estava escrito. E assim segue a vida, me levando, não sei bem pra onde, mas vou indo, ás vezes caminho com minhas próprias pernas, outras vezes sou carregada, pelas mãos misericordiosas de Deus, que me vendo caída me ergue, me põe no colo e me carrega... E assim é...estava escrito! Simone Borba Pinheiro Santa Maria - RS – Brasil Bendita a hora Bendita a hora! O dia que passei pela horta do Vale do Lobo, Romãzeiras, ameixoeira, pereiras, figueiras, Marmeleiros, loureiros, ao abandono... Trouxe de lá um rebento de romãzeira E, ei-la no meu quintal, Rejuvenescida, Agradecida! Os novos donos destruíram o que restava... Fiquei com uma recordação da horta, Que em criança conheci no seu esplendor. A minha romãzeira já deu fruto, E também já tem novos rebentos E, quem quiser uma romãzeira É só dizer... Que para mim partilhar É, e sempre foi um prazer. Aires Plácido - Amadora As cores que um anjo me deu Meu coração não tem cor, Todas as cores ele atrai, Vira pétala de flor, Meu coração incolor, Se alguma pétala cai. É cor de fogo à noitinha, De manhã é transparente, Veste a cor da andorinha, Se alguma erva daninha, O passado faz presente. Cor de fogo sem arder, Sarça-ardente que não arde, Tantas coisas por dizer, Outras tantas por fazer, Veste a cor toque de alarme. Se o mendigo estende a mão, Meu coração veste luto, Bate mais forte e então, Encarna a cor da razão, Meu coração devoluto. Se a Natureza chora, Vestindo cinza queimado, É então que ao verde implora, Coberto de cinza embora, Renasce, deixa o passado. Meu coração veste verde, Verde gosta de vestir, Mas se a esperança não alcança, Quando de esperar se cansa, Veste cor de não sorrir. Meu coração transparente, Tingido de tantas cores, Cores que trago na mente, Germinam como semente, Transparentes, incolores. Transparentes os vestidos, Do anjo que as cores me deu, Azuis são os meus sentidos, Vermelhos são os gemidos, Transparentes como eu. Telmo Montenegro - Arrentela COISAS DA VIDA Coisas, Que digo, transporto, relembro, Que mudo, guardo, ofereço, São pois, assim, minhas, tuas, deles, Nossas e vossas também. Vidas cruzadas, vividas, Fingidas, amadas, floridas, Aqui, agora, longe, além. Luís da Mota Filipe Montelavar - Sintra Esquecido Criei dez filhos dez crianças inocentes brincavam e estudavam pobres mas contentes. Quantas lágrimas chorei trabalhando com ardor de enxada na mão até o sol se pôr. Todos foram crescendo criados com muito amor hoje vivem nas cidades esqueceram o progenitor. Sei que estou velho esquecido nesta casa tão triste e só está partida a minha asa. Sei que atrapalho não sou como outrora sinto-me doente está a chegar a minha hora. Dez filhos criei com muita devoção agora estou abandonado de bengala na mão. Peço a Deus que me leve vai ouvir…Eu sei que vai pois tenho dez filhos e nenhum cuidou do pai. Joaquim Maneta Alhinho Qtª do Conde Refrão Ó Crise Ó crise dura e malvada Que nos retalhas a vida Para tantos é ignorada E por outros assaz sentida. Ó crise pobre coitada Que no bolso tens guarida Se antes já eras notada Agora és a mais temida. Anda mal o fim de mês Para qualquer português Mesmo que tenha ordenado. Como vamos nós viver Com impostos a crescer E a crise do nosso lado?! Rosa Silva (“Azoriana”)

[close]

p. 6

6 | Confrades da Poesia | Boletim Nr 74 | Janeiro / Fevereiro 2016 «Confrades» Rimas do meu pensar Num povo que rima De forma invulgar Não encontro a estima Que dizes lhe dar Podes-me julgar Se eu estiver errado E neste pensar Me tenha enganado Sem te ter julgado Digo no momento Poema lavrado No meu pensamento Com conhecimento Da realidade Dei-te e não lamento A minha Amizade Sem ter falsidade Sei por onde vais Rimas com Verdade. Silvais - Évora ANTES QUE ADORMEÇAS Antes que adormeças, eu te digo Que ser poeta foi, desde menino, O meu destino! Muito me afadiguei mas encontrei-te, Entre alvoroços de contentamento, Num certo dia em que fui beber Á fonte dos desejos E matei minha sede com teus beijos. Escutei ecos de sinfonias e aleluias Na dúvida da origem e do final, No embalar sereno do sonho, No perfumado colo do amor. Senti-me embriagado com néctares do Éden, Contemplei os planetas e as estrelas Em êxtase Obedientes na abóbada celeste. Meus versos andam, andam e não se cansam, Falam de afetos e ternuras, de feridas e cicatrizes, De morte e de vida, de paixão e de esperança, De festa e de silêncio, de gritos de ecos distantes. Tive uma ideia, breve, tão breve, que a perdi. Quase me sentia a mendigar no infinito. Vi-te às portas do desconhecido, Bailaram meus olhos no teu movimento E disse-te: - até amanhã, amor. Os impossíveis também se alcançam… João Coelho dos Santos – Lisboa Enterrei meus versos no vazio da memória Corro atrás da minha história. Perdi a poesia que morava em mim. Hoje não há flores no meu jardim. http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm SENTIR Recordo a toda a hora, com paixão, a tarde em que pousei este meu rosto nos braços do teu peito, de sol-posto, em cachos de vislumbre e de emoção. E foi naquela tarde de verão, tecida de alegrias e desgosto, dum junho parecido com agosto, que fiz a despedida à tentação. Levaste beijos dados à socapa. Vencemos, sem querer, a grande etapa de sermos um só corpo, em pensamento. Chamaram, de outro lado, e tu partiste. talvez eu nunca saiba o que sentiste, mas eu senti tombar o firmamento. Glória Marreiros - Portimão GRITO NO SILÊNCIO... O silêncio é por vezes tão profundo que a revolta aflora meu olhar, os espectros já donos do meu mundo se aproximam a querer dialogar... P'ra eles meu ser é chão fecundo e é melodia meu triste soluçar, mas se amordaço meus gritos cá bem fundo como posso no silêncio caminhar?... Já tão carente vou buscar a minha voz que vai correndo às vezes tão veloz que ao escutá-la a sinto inoportuna. Mas se o silêncio é fel tão ruim eu grito nem que seja só p'ra mim e qualquer som, passa a ser grande fortuna. Natália Parelho Fernandes - Portalegre Envelhecer Envelhecer com saúde Tem muita sabedoria É evocar amiúde Tempo de muita magia. Foi tempo de juventude Que tinha muita alegria A que a gente hoje alude Com alguma nostalgia. Enfim é bom recordar Vir a Colos e amar Os seus saudosos recantos. Vir à terra passear Desta maneira cantar Sua feira, outros encantos. Maria Vitória Afonso OS TEUS OLHOS (Canção) Os teus olhos tão brilhantes São boninas sobre o prado! (Bis) São como dois diamantes (Bis) Que são todo o meu agrado. São bonitos os teus olhos São tão ternos e graciosos. (Bis) Amenizam meus escolhos (Bis) Ao olhá-los tão formosos. Não conheço outros iguais Não há, por certo, no mundo! (Bis) Os teus são meus ideais (bis) Quero-lhes co’amor profundo. JGRBranquinho - Qtª da Piedade A RELATIVIDADE DA IMPORTÂNCIA Quando não gostam de Nós, Desatam sem querer os nós ao elogio. É que somos tão importantes Que ainda provocamos tal desvario. Com certeza, a pólvora já foi descoberta, E também não há dúvida que o mau feitio É a caraterística nuclear das boas pessoas Na maioria das vezes. José Jacinto - Casal do Marco Angelica Gouvea - - Luminárias-MG

[close]

p. 7

Confrades da Poesia | Boletim Nr 74 | Janeiro / Fevereiro l 2016 | 7 Confrade desta Edição « Cremilde Cruz » A QUALQUER HORA Anoiteceu. Fiquei por aqui, Vagueando meu amor solitário Pelas nuvens E olhando o céu, À espera que regressasses Numa noite mais clara. Dói-me a escuridão E entristeço No fadário deste anoitecer Cada vez mais escuro. Noites negras, Dias despidos de sol... Apenas minha sombra desolada pela solidão Se reflete nas paredes molhadas de negro. Nem uma gota de água transparente! Apenas recordar o antigamente, O sossego aconchegado... Não era noite! A qualquer hora A transparência cristalina Dum longo dia. METAMORFOSE Dói-me os braços se escrevo, Doem-me os olhos se leio, Dói-me a vida, De angústia envolvida, Dói-me a alma, Dói-me a boca... Dou um ai, Ninguém o ouve, E quase me sinto louca. Também o longe me dói. Dói-me a monotonia do tempo, Dói-me se me fala o vento. Às vezes dói-me a presença. Dói-me quando a noite cai, Doem-me as horas que espero, Dói-me tanto desespero. Dói-me quando abro a porta, Se a fecho também me dói. Dói-me o peso do silêncio, Dói-me tudo quanto penso, Dói-me a mudez das paredes, Dói-me o silêncio das pedras, Dói-me tudo sem reservas, Dói-me o nevoeiro denso, A lonjura do horizonte imenso, Dói-me o mar se grita às vezes, Ou se me embrulha nas redes De tudo quanto me dói. Cremilde Vieira da Cruz - Lisboa Caminhantes Errantes Na manhã de nuvens baixas, De brisa agreste, Tudo achastes cinzento Na berma da hora, E caminhastes. Procurastes a rua azul De janelas luminosas, Caminhastes para sul, Passadas vertiginosas. Caminhastes sem cessar, Vagueastes vagueastes, Numa ânsia de encontrar, Nunca nada encontrastes. Sorristes tão tristemente, Expressão de rosto amargo, Fingindo estar contentes, Vossas horas de letargo. Quisestes alcançar a lua, Seguistes o rasto errado. Quisestes atravessar a rua, Sinal vermelho ao lado Mudastes então de rumo, Partistes para outro lugar, Perdestes antigo aprumo, Começastes a chorar. Caminhastes, caminhastes... E fostes carpindo mágoas. Tantas lágrimas chorastes, Que o sal escorria das águas. Sem mais esperanças pendentes, Caminhastes, caminhastes... Já a tudo indiferentes, A lugar nenhum chegastes. Caminhastes sós, errantes, Ao longo da mesma estrada, Ainda sois caminhantes, Na manhã acinzentada. Cremilde Vieira da Cruz - Lisboa Cremilde Vieira da Cruz - Lisboa ESPAÇO No espaço sem espaço Por onde quer que passo Esqueço o que faço Tropeço no espaço Não sei o que faço Se faço ou não faço No espaço sem espaço Onde estou e passo Espero um pedaço Vou passo por passo Nunca tenho espaço Meu sonho desfaço Grito para o espaço E não dou um passo Choro e desenlaço Meu medo ultrapasso Sonho teu regaço Dou-te meu abraço SONHO DE UMA NOITE Gaivota voando sobre minha loucura; Gaivota dizendo versos que não digo; Gaivota ritmo da palavra; Gaivota em liberdade, Poisando aqui e ali, Na areia molhada, Na pedra parada, Na falésia enxuta, Na mais recôndita gruta, Na madrugada azul, Na noite de lua escondida, No seio do mar infinito. Vai, Vem, Plana, Faz círculos no espaço... Aqui estou, Olhando a gaivota, Perdendo-a de vista, Querendo ser gaivota Neste diminuto espaço. Cremilde Vieira da Cruz - Lisboa Cremilde Vieira da Cruz - Lisboa

[close]

p. 8

8 | Confrades da Poesia | Boletim Nr 74 | Janeiro / Fevereiro 2016 «Confrades» A Sogra Mote Da sogra não digam mal A sogra é uma rainha Ao descer do pedestal Vai contar tudo à vizinha I A sogra goza de má fama De intervir na vida dos filhos Aos quais, causa sarilhos O seu zelo de mãe e ama. Dá conselhos, colo e mama É o seu instinto maternal Esse apego é prejudicial Seja p`ra genros ou noras, Ela é mãe todas as horas Da sogra não digam mal! II A sogra é uma costureira Boa no corte costura Por falta de cultura Tende em dizer asneira. Tem índices de cegueira Ouve mal coitadinha Tem a língua compridinha E só vê o que lhe interessa No Palácio da conversa A sogra é uma rainha III Em casa dos filhos seus Mete o garfo e a colher Não são todas, é bom de ver Ainda bem graças a Deus. Há algumas camafeus Petulantes, sem moral, Maldosas, ponto final A sogra quando se irrita Quem a vê não acredita A descer do pedestal IV A sogra que é tagarela, Por norma tem mau feitio Tem conversas de arrepio É uma actriz de novela. Tem amigas como ela Feitas da mesma farinha Digam lá que graça tinha Não dar ênfase aos boatos, Tem sete vidas como os gatos, Vai contar tudo à vizinha! http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm Poetas do meu país Poetas do meu país Vós sois a força motriz Percursores de Camões Além da vida louvados Serão sempre recordados Com palmas e ovações. Poetas do meu país Eu seria mais feliz… Nestes tempos atuais Sem esquecer os preferidos Muitos merecem ser lidos Os poetas dos florais! Poetas do meu país Na alma a nossa raiz Plantando a árvore da vida Desde meus avós e pais Sois Poetas dos Florais A geração esquecida! Por isso, amigos leais Continuarei nos Florais Divulgando a Poesia Quer através da leitura A mostrar que a cultura Por nós é bandeira erguida! Bandeira de Portugal Neste elo universal A que sempre me proponho A levar por esta via A vossa boa poesia Já que esta vida é sonho! E neste nosso planeta Na minha terra a Fuseta Anos de dedicação Quarenta e cinco de luta Em que sempre se disputa Poesia do coração! Poetas do meu país Algo que sempre me diz Avança por esse mar… Esse mar de vendavais Lutando pelos Florais Que ao mar há ir e voltar! Poetas do meu país Convosco sou mais feliz Neste feito sem igual Que os leva a todo o mundo Onde o meu amor profundo Jamais terá um final! Os Jogos têm tradição… Em tempos que já lá vão Foram nascidos em França Entre outros continentes Divulgando as suas gentes Do meu tempo de criança! Por isso, à sua imagem Os Jogos dão-nos mensagem Dos poetas, seus valores Da história e seus anais Aos Poetas dos Florais Darei sempre meus Louvores! Maria Fraqueza – Fuzeta Ave Sonhadora ave sonhadora que moras no meu peito divagas para lá do azul do céu entre as nuvens enoveladas que deixam vislumbrar o arco-íris levas a esperança a teu jeito sobre as árvores que a natureza deu buscas o alimento nas flores coradas no campo florido em tom perfeito ave sonhadora voando nas alturas no teu enlevo procuras abrigo desvias-te das torrentes de amarguras buscas na tua calma um amigo eu sonho contigo nesse espaço vou contigo num sonho irreal sobre as tuas asas atravesso o deserto rumo ao destino onde te enlaço Rosélia M G Martins – P.S. Adrião O TEMPO É, …com pena… de : Des…… Deseducação, Desemprego Despedimento, Desilusão, Desespero Despudor Desfaçatez, Desamor, Despejo, Despenhamento Descaramento, Despedida De esmorecimento, De esquecimento……. …………. Devia ser De……….. De saída da exploração De Verdade De felicidade De empenhamento De preocupação De conhecimento De formação De inserção De solidariedade De habitação De estabilidade De Humanidade De direito à Vida De mudança…. De não ter que se gastar mais [a esperança. De acontecer Bem melhor do que está a ser. José Chilra - Elvas José Jacinto - Casal do Marco

[close]

p. 9

Confrades da Poesia | Boletim Nr 74 | Janeiro / Fevereiro l 2016 | 9 «Contos / Poemas» Pergunte à lua... A literatura está repleta de histórias de casais que separam, voltam, separam... Um cônjuge mata o outro e tantas... e tantas... peripécias. Mas, nada se compara ao que aconteceu com John e Mary. Mary, moça que parecia a todos um modelo de recato e meiguice foi abordada por John, numa paquera de rua. Ela fugiu e se refugiou na primeira porta aberta que encontrou. O jovem a seguiu e percebeu que ali era o seu ambiente de trabalho. John perguntou a Mary se poderiam conversar em outro lugar. Preocupada com os olhares dos colegas de trabalho, passou seu cartão para livrar-se daquela incômoda presença. Quase completando quarenta anos e muitos relacionamentos desfeitos, John atraía pretendentes pela beleza física. Loiro de um lindo olhar azul, cor do céu, parecia não combinar com a velha jaqueta de couro e sapatos furados de mesmo material. Sentada à sua mesa da Casa de Empréstimos Consignados, onde trabalhava, Mary falou alto com os companheiros: - Que cara estranho! Seguiu-me por todo o quarteirão. Tão bonito, mas tão andrajoso! Ninguém se importou com a observação de Mary. No dia seguinte, com o mesmo traje, lá estava John na esquina. Ela apressou o passo e entrou no trabalho. Desta vez ele desistiu e desapareceu. Mary ficou cismada por alguns dias, mas, o trabalho era intenso e acabou esquecendo. Sua rotina de casa para o trabalho e do trabalho para casa foi quebrada quando, naquela noite, andando rápido para descontar o atraso de um cliente retardatário, viu despencar do bonde de Santa Tereza, um corpo bem à sua frente. De coração agitado pela cena inesperada, nem percebeu a lua brilhando sobre os Arcos da Lapa. Parou para se recompor. Conhecia aquela roupa, aqueles sapatos... Não podia ser, ela estava equivocada pelo stress do dia desgastante de trabalho. Olharia ou não o rosto do infortunado homem? Um grupo de pessoas rodeou o infeliz. Mary quase sem perceber, olhou para o local de onde o homem caíra. Deparou-se com a luz fria da lua e não pode evitar uma exclamação diante daquele paradoxo. Por que uma coisa assim acontecia no coração da “Cidade Maravilhosa”, em um dos pontos mais bonitos do Centro? Naquele momento, um mendigo chegou com um cobertor e cobriu o corpo. Mary ficou paralisada. Não conseguia sair do lugar. Com esforço deu alguns passos e ficou ali olhando o corpo coberto... Uma vontade enorme de desvendar a identidade da criatura. Seria alguém conhecido? Havia anos que trabalhava ali pela redondeza e nunca vira cena tão chocante. Um curioso afastou a coberta e a moça pode ver o rosto de John ainda de olhos abertos, refletindo o azul do céu da Lapa. Benedita Azevedo – RJ/BR Ouvindo Deus Eu não plantei árvores, esperando descansar-me à sombra delas Nem pensei na floração e nos frutos que viriam Outros terão onde descansar, sentir os olhos primaveris E saciar dos frutos… Eu não escrevo versos para me tornar famoso, Escrevo por que Deus, assumindo nossa humanidade esplendorosa, Sussurra nos meus ouvidos palavras que me deixam tonto E, se eu não escrever o verso, marimbondos não me deixam dormir… Eu escrevo estes versos não para me mostrar Só para evidenciar que, quando agimos amorosamente, Estamos sendo guiados pelas mãos Dele, Nosso Senhor. A quem agradeço por ter me feito poeta. Edson Gonçalves Ferreira – Divinópolis/BR Eu sou a poesia Que canta no véu imaculado da manhã que sussurra na voz branda do silêncio das partículas moleculares da lua… Sou a sensibilidade nata de todas as letras que correm nas veias da alma sonhadora dos poetas Fredy Ngola - Angola Tempos de Criança. Hoje, ao falar com um amigo de infância, lembrei-me do tempo em que partilhávamos aventuras no campo que felizmente ainda existe atrás da minha casa. Éramos 'os cinco', 'os sete' ou o que a nossa imaginação ditasse. Uma casa em ruinas proporcionava-nos horas de aventura, umas elevações de terra eram montanhas a conquistar e umas árvores eram uma floresta encantada. Hoje os miúdos têm tudo isso, mas através de um ecrã de cristais. Nunca saberão que um bocado de terreno pode ser o maior campo de futebol do mundo, que uns torrões de areia são solo lunar, que uma simples árvore pode ser uma nave espacial. Nunca saberão a que sabe a azeda, ao que cheira a terra barrenta, ou como mancha a resina do pinheiro. Em suma, é uma geração que nunca saberá 'quantas cores o vento tem'. Maria do Carmo Torres – Seixal

[close]

p. 10

10 | Confrades da Poesia | Boletim Nr 74 | Janeiro / Fevereiro 2016 «Bocage - O Nosso Patrono» Eterna Noite É muito tarde já, e eu sinto a alma opressa Sozinho no meu quarto aonde a solidão Transforma sem demora, transforma sem perdão, Minha vigília triste em noite mais espessa! E as horas vão caindo; parece que não cessa O aperto que tortura o meu pobre coração, Que mansamente reza, a Deus, uma oração Para que o dia venha e o sol nele apareça! Para que, enfim, liberte de mim esta amargueza, Que a solidão me traz em dor que dilacera E a noite adensa mais em amargura fera!... Mas ah! Eu sei que Deus não ouvirá a reza, Que vai do peito meu em pedido bom, puro, Pedir-lhe que um dia morra lá em Vale Escuro Nelson Fontes Carvalho – Belverde DIA 1 DE NOVEMBRO Por ser dia de finados Recordei antepassados, Entre eles, pais e avós, Senti a dor da saudade, Na triste realidade Desta vida tão atroz. Hoje os fui visitar Ao cemitério e rezar, Com fé e com devoção E junto à pedra tumular, Pedi a Deus a chorar Que lhes desse o seu perdão Não consigo esquecer Os que me deram o ser E todos quantos amei, Nesta triste ingratidão, Também lembrei meu irmão, E de saudade chorei. Para quê ódios e guerra? Com sete palmos de terra Aqui tudo se acaba. A vida é uma miragem, Estamos cá de passagem, Morremos... e somos nada. Isidoro Cavaco – Loulé A ALMA O corpo feneceu a alma fica… Em busca de outro corpo onde encarnar. Há que dar outra vida e aí ficar, Enquanto essa matéria vivifica! Porém do seu passado, nada indica. Quem é? Quem foi? Jamais vai divulgar! Se alojará no peito, irá pulsar, Será Deus quem dirá, que especifica! O tempo que terá para manter, E qual o coração que irá bater, Mantendo a sua vida, sã e calma. Quanto tempo estará no novo abrigo? Fará do novo corpo um novo amigo? Ou ficará refém, da eterna alma? Alfredo dos Santos Mendes – Lagos Minha Caneta é Espada Justiceira Eu sou Hermilo Grave O vate Sempre pronto pró combate E que, sem entrave E sem dó, bate. Eu sou o Poeta Cuja caneta, Bem afiada, É espada, Sempre pronta a pelejar, E que as línguas maldizentes Corta bem rentes! Quem ofende E não aprende O nosso povo humilde a respeitar Seria bom se acautelar. Se não apanhou, vai apanhar! Chega de tanto desacato… E fique sabendo: Quando eu digo que bato, Já estou batendo! Hermilo Grave - Amora Sopro de Outono harpeja o vento nas folhas mil e uma sinfonias a chuva tomba sobre elas em suaves melodias o ribeiro cantarola rola seixos e harmonias minha alma dança embalada numa doçura inaudita a emoção de um poema na minha alma se agita canto o enlevo que escuto oh natureza bendita! Maria Petronilho - Almada FLOR SERRANA Trouxeste da serrania O frescor da madrugada E desceste ao vale um dia Com a alma desfraldada. Tinhas lábios de medronho, Cabelos de fantasia, Dois seios feitos de sonho, Num corpo que prometia Ser corcel na noite escura E cavalgar na loucura. Trouxeste da serrania O frescor da madrugada, Como quem acorda um dia E vê que é dona de nada. De vida tão desejosa, Mas frágil no teu temor, Tu, que eras botão de rosa, Desabrochaste em amor, No centro do meu jardim, Odorando só pra mim Tito Olívio - Faro Sentimento Inevitável Não adianta fugir da paixão, quando chega, ardente, palpita forte no peito toma conta do coração e logo, convida o amor para pousar no âmago que arrebatou. O amor, ah, o amor ! Sentimento inevitável, Sedutor, intenso e seguro. Chega depois da paixão, E fica preso, firme e confiante Agarrado as chamas da ilusão, Como se fosse somente seu o conquistado coração. Socorro Lima Dantas - Recife/BR

[close]

p. 11

Confrades da Poesia | Boletim Nr 74 | Janeiro / Fevereiro l 2016 | 11 «Tempo de Poesia» QUADRAS Fui um dia visitar Lisboa, fiquei muito encantado. Não é melhor do que Foz Côa. por ser o meu Reinado! Das garrafas que eu já abri, ficaram as “rolhas” delas. Poucas das vezes transgredi, Não passei por bebedolas. Aquele que tiver sede, tem de beber àgua pura. Fica-lhe bem se a pede, faz passar a amargura. Mulher tem de ter alma não conta só o coração. Eu gosto dela calma, nos momentos de paixão. Jorge Vicente - Friburgo FOI-SE A VOTOS Foi-se a votos e aconteceu Não sabermos quem perdeu Anda o povo baralhado E a ficar muito cansado Está lançada a confusão Andam todos numa aflição Uns que querem lá ficar Outros lá se querem instalar E por causa de tudo isto Fica o nosso País mal visto Eles não se sabem entender Não sabe o povo que fazer Mas ficam amigos no fim Porque só pode ser assim E quem fica mal é o povo Porque não há nada de novo Continua tudo assim, igual Neste nosso Portugal Nosso canto à beira mar Que não desistimos de amar Maria da Encarnação Alexandre Santarém ALMA! Quando a Alma se expande, reflete , reluz, flutua plena, leve, etérea ... Revigora, envolve, penetra, nutre, preenche vazios, resplandece a Essência da Vida! Nídia Vargas Potsch - RJ/BR ETERNO VIAJANTE Já sei que sou egoísta, Meu amor, no teu pensar, Sou apenas um artista, Sou um louco, altruísta, O mundo é o meu lugar. No cofre que há no meu peito, Guardo alegrias e dores, Tenho da paixão o jeito, Da ansiedade o defeito, Sou homem de mil amores. Pudera eu ser diferente, Sem sonhos, sem ambições, Viver da vida o presente, Mulher e filhos, contente, Sem sonhos, sem ilusões. Não me culpes, meu amor, Desta forma de sentir, Deixa para trás o rancor, Não sofras, por favor, Deixa-me a vida seguir. As minhas paixões são tantas, A nenhuma me entreguei, Por todas apaixonado, Repartido, dedicado, Amar, amar é o que eu sei. Se me amas, meu amor, Esquece o ciúme, a vaidade, Expulsa do teu peito a dor, Abre o coração em flor, E ama-me de verdade. Eu sou a seta que voa, Lançada pelo cupido, Se te atingi foi amor, De passagem com ardor, De preconceitos despido. Como cavaleiro andante, Pelo mundo espalho amor, Penetro os céus num instante, Sou eterno viajante Minha divisa, o amor. Telmo Montenegro - Arrentela FELICIDADE. As formas de esculturas tua face rosada, bela face que tanto me encantou, teus cabelos em cachos, a textura sedosa de teu colo que não senti, teu meigo coloquio, toda extensão que perdi, ah quem me dirá ter no meu oceano de desejos, ao menos uma gota de nossa fugaz harmonia, basta-me apenas uma gota, para eu beijar as praias da felicidade sem fim. Divino Ângelo Rola – MG / BR MENINOS DOS FARÓIS M inhas mãos trabalham E m malabarismo no farol N a chuva ou no sol I nevitáveis tropeços N esta luta, pago um preço O s nãos que eu não mereço S ei que muitos iguais a mim morreram D este trabalho faço meu ganha pão O uça preste bem atenção S ou filho desta nação F aço porque não tenho escolha A fome não me faz comer folhas R espeite voce que tudo tem O lha estou atrás de um vintém I sto não é vida para uma criança S em estudo, acaba de vez a esperança Angélica Gouvea - Luminárias-MG Ó MAR Sem fim! És infinito mistério de alegria! És fonte inesgotável! Contraste/antagónico Ás vezes trazes, Outras levas, Mas quantas vezes lá ficam?! Vais?! … Vens?! ::: És o bem? És o mal? Demasiado intrigante Para um simples mortal… Catarina Malanho - Amora Nem Sempre Nem sempre, deverás pensar com tanta certeza que eu serei tua eternamente. Hoje, o meu coração está perdido, desnorteado, naufragado, sem rumo ! Amanhã, pode ser que eu não esteja mais aqui, na espera por tua decisão, sem fim. Talvez, eu não me encontre comigo mesma e não consiga definir o meu infinito. Socorro Lima Dantas – Recife / BR

[close]

p. 12

12 | Confrades da Poesia | Boletim Nr 74 | Janeiro / Fevereiro 2016 «Trovador» VOU A DEUS AGRADECER Eu não nasci por nascer Foi Deus que assim o quis Para na terra me ver Crescer, viver ser feliz Eu nunca disso desdenho Se menos ou mais mereço Mas tudo aquilo que tenho A Deus eu o agradeço Um conselho a Deus pedi Ele assim me respondia A terra que vês aqui Trabalha, semeia e cria A vida beleza encerra Por vezes amargurada A nossa vida na terra É por Deus abençoada Refrão Nas horas do meu sofrer De mãos erguidas ao Céu Vou a Deus agradecer Tudo o Ele me deu Um dia quando eu partir Desta vida regalada Direi que o meu sorrir Sem Deus nunca é nada. Chico Bento - Suíça NÃO SOU ESPERTO NEM BRUTO MOTE Não sou esperto nem bruto Nem bem nem mal educado: Sou simplesmente o produto Do meio onde fui criado. (António Aleixo) GLOSA “Não sou esperto nem bruto,” Foi sorte que me calhou: Uma vida sem dar fruto…” Que o tempo danificou. Não sou rico nem sou pobre “Nem bem nem mal educado;” Sou cobertor que me cobre Em qualquer sítio abrigado. Nasci sem salvo-conduto Sem modos de bem-estar: “Sou simplesmente o produto” Que se gerou no meu lar… Sim, não tive educação, Viver na rua é meu fado: Hoje sou exposição “Do meio onde fui criado.” Clarisse Barata Sanches Vila de Góis A ESPERA. Ó vida que me és madrasta, Quero a vida minha mãe, Para ver se este mal passa, E tenho quem me quer bem, É à noite, quando escurece, Que o meu coração chora, Os males de que padece, Por meu amor ter ido embora, A cama há muito está vazia, A toalha continua na mesa, Mas quem comigo dormia, Já não volta com certeza, E neste longo esperar, O meu coração implora, Quer um amor para amar, O que tinha foi embora, Ó vida que me és madrasta, Dá-me a minha mãe verdadeira Para ver se este mal passa, E meu amor vem para a minha beira. Aguilhermemartins - Porto FUTURO COM ESPERANÇA De manhã, quando acordado, E inquieto me levanto, Penso em futuro e passado, Vejo o dia em grande pranto. Gente que morre com fome, É ritmo dos nossos dias; O Mundo está desconforme, Com Contratos, Parcerias. Muito terá que mudar Para um bom Socialismo; Vamos agir e pensar, Numa Vida em futurismo! Riquezas bem distribuídas, Por quantos delas carecem, Eram Vidas bem vividas, De todos quantos padecem. Vamos, sim, bem melhorar Esta difícil mudança, Para quando, eu acordar, Ver um Mundo de Esperança! Jorge Vicente - Friburgo Força dum Nada Fazem-se versos dum nada Dos versos nasce um poema... Pelo poeta gerada Há vida no novo tema!... E da pedra que se parte Das rochas da natureza O escultor cria a arte Do nada faz a beleza... Também numa branca tela Onde não existe nada Quando o pintor se revela Há arte manifestada... E das notas musicais Com talento e inspiração Dum nada ou pouco mais Surge a mais bela canção. Vai-se a arte originando Do nada que enfim provém Que nos deixa meditando... Na força que um nada tem!... Euclides Cavaco - Canadá O NOME DO AMOR Dizem que o amor não tem nome, E também não tem religião, Se batizares a dor que me consome, Eu não me importo de ser pagão, Já me chamastes de tudo um pouco, Assim não sei o nome que tenho, Muitas vezes me chamas de louco, Esse é o nome que eu não desdenho, Se tu soubesses o que é a loucura, Por o teu amor eu não poder ter, Ficarias com tanta amargura, E também louca queria ser, E então seríamos os dois loucos, Mas que loucura tão desejada, Eu por ser amado tão pouco, Tu por seres loucamente amada, António Martins S.Salvador do Campo – Porto CONTRASSENSO Veja bem, mestre docente, onde falha a educação: educa apenas a mente, mas esquece o coração! Humberto Neto - S.Paulo/BR

[close]

p. 13

Confrades da Poesia | Boletim Nr 74 | Janeiro / Fevereiro l 2016 | 13 «Confrades» http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm Tu Que acendes em mim o lume Que produz o calor que o teu corpo consome Num incêndio prolongado que arde do vale ao cume E queima os montes sem nome Tu Que cheiras ao frescum de mil auroras Que a meu lado despertas o sol e deitas a lua Fazendo prolongar as horas Sustendo a minha boca na tua Voa Voa comigo por entre os nenúfares Que o teu lago alimenta Voa até te cansares Desta paixão sedenta Rogério Pires - Arrentela A tolerância tem limites. Coração sofre, com mágoas acumuladas No seu horizonte vê o rolar de pedras… Em sua direcção, mas desvia-se das ciladas Assim ficou dividida a visão de Esdras Por tudo e por nada…perdem as estribeiras Adequada profilaxia!? Chá de carqueja! Ricas plantas medicinais e verdadeiras Deliciar a quente, a quem quer que seja Situações atónicas, que sangram no aperto Por ciclos viciosos que não têm concerto Figuras emolduradas por arrebites E quem parte a mola!? É falta de respeito! Cheque em branco, de sua teimosia!? Não tem jeito! Cenas destas!? A tolerância tem limites. Pinhal Dias - Amora POEMA Nortada Forte Nortada, como hoje sopras Com tanta intensidade! O sábado caprichoso Iludiu minha ansiedade! Sob um céu azul celeste As nuvens esfarrapadas Alindavam claro dia De agressivas rajadas. O Sol brilhava a esmo A salpicar a paisagem Do inverno seco e frio Com árvores sem folhagem. Nesta época do ano Já costumamos ter flores Mas agora nem as vemos Nem prevemos suas cores. Os rebentos da magnólia 'Stão ainda por abrir E as folhas dos meus antúrios Amarelas de afligir. Esperemos novo sábado Mais agradável e ameno, Que o vento rode enfim E venha um dia sereno. Passearemos no jardim A espreitar nossas plantas, Corações em harmonia, Pois com palavras me encantas. Maria da Fonseca – Lisboa MARINH...ÂNSIA Um barco há de chegar, não desesperes... Espera, deixa a onda te levar E ama muito mais do que puderes, O amor é um sonho livre em teu olhar. Na brisa da manhã, um vento leve, Há de trazer no porto, o teu navio E uma sedução ardente e breve Irá te arrebatar desse cais frio. E quando a embarcação, suavemente, Seguir seu rumo tênue sobre o mar, Tu hás de te soltar nessa corrente Capaz de te envolver e te embalar Não penses em voltar, escolhe a ilha Que possa abrigar teu coração, Pois cada onda de mar apaga a trilha Deixada nas areias da ilusão. Navega a emoção de um novo amor, Mas lembra que uma onda violenta Pode afogar de vez a tua dor Ou esse mesmo amor que te acalenta. Se queres o teu mar, teu marinheiro, Aprende a conhecer teus desenganos; E escolhe o navio derradeiro Que possa desbravar teus oceanos. Os sonhos são eternos navegantes, Que às vezes ficam tão longe do cais Que mesmo quem os quer por uns instantes Percebe que eles nunca voltam mais. Poema… Poema lindo e belo… Poema que me transforma… E que me leva bem longe… Sinto que ao ler-te... O meu pensamento voa, voa alto… E eu salto para o outro lado… E lá… sinto que sou outra… E vejo…um mundo belo… Um mundo de sonho… Porque o poema é lindo… Escrito por quem o sabe escrever… E leva-me para longe… Para me poder transformar… Lili Laranjo - Aveiro ÉBANO A minha deusa é negra tem a cor do Sol escuro… Não conhece lei nem regra… Por isso sempre a procuro… Quando o mundo começou o Amor não existia e foi ela que plantou o amor em cada dia… Havia todas as cores que o arco-íris já teve mas ela, das suas dores, criou então a cor linda com que sempre me escreve… Amo essa cor ainda… Joaquim Evónio (Saudoso Confrade) Luiz Poeta – RJ/BR

[close]

p. 14

14 | Confrades da Poesia | Boletim Nr 74 | Janeiro / Fevereiro 2016 «Poemas saídos do Baú» Miradouro Do alto do miradouro De onde miro a minha vida... Vejo um rio de águas mansas Em leito estreito e bem fundo Alimentado pela chuva Que cai em gotas de sonhos E que em cascata se atira, Em catadupa de espanto, Das costas de rochas duras Para o colo da mãe terra Onde em seus braços perfeitos Longos, fortes, resistentes Vai acalmando e dormindo. Do alto do miradouro De onde miro a minha vida... Vejo ao longe um arco-iris Mergulhando as suas cores No mar das minhas angústias Onde me afogo e revivo... Mar sem peixes nem corais Nem baleias, nem sereias... Mar com ondas de saudade Do que p’ra trás já deixei... Mar de espuma, mar sem fundo Que por tristeza inventei. Do alto do miradouro De onde miro a minha vida... Vejo a lua em noites frias Acenando tentadora Como donzela atrevida Sobre um lençol de desejo... Sopro beijos, estendo as mãos... E ela sorrindo se escapa Por detrás dum coqueiral Que enfeitou a minha infância Se escondendo dos meus olhos P’ra que não possa tocar-lhe. Do alto do miradouro De onde miro a minha vida Vejo o sol brilhando livre Reflectindo a luz da esperança No cinza do meu olhar. Vejo nuvens cor do medo Pairando no horizonte Onde nascem as quimeras Onde morrem realidades E se evocam glórias vãs Nos palanques do cinismo. Do alto do miradouro De onde miro a minha vida... Vejo um céu feito poema Dum azul por inventar... E a meus pés, Ao dar por conta... Vejo passar a correr, Como endiabrado ou louco, Os anos da minha idade E o meu tempo de sonhar. Do alto do miradouro De onde miro a minha vida... Vejo tudo e vejo nada! Nada de bom ou que preste Que neste simples poema Eu vos consiga contar. Abgalvão - Fernão Ferro AS CORES DO AMOR O amor têm sempre cor Tudo depende do momento Muda de cor, o amor Como muda um catavento É escuro, acinzentado Quando estou longe de ti Mas ganha um tom rosado Se tu sorris para mim Logo azul, ou sonho meu Quando te posso abraçar Fica lindo igual ao céu Quando me fazes sonhar E se olho nos teus olhos Quase verdes como o mar Também assim ficam os meus Na esperança de te amar Amelia Ferreira - Santarém Ando a ler o livro da Vida Poeta ando a ler o livro da vida de alma aberta e a fazer anotações nas margens com poesia Os meus poemas são meras observações são exclamações de espanto de amor e de dor também de encanto e de alegria São dúvidas interrogações hinos de louvor ao Criador são fantasia desejo de não morrer Os meus poemas são miragens miscelâneas interiores de amores, cores, sons e sentir imagens instantâneas daquilo que dia a dia me é dado perceber São o antecipar do devir a marca do meu ser Henrique Pedro – Mirandela ACEITA O MUNDO COMO ELE É Pensas numa festa Com aplausos de ninguém Em que te manifestas Sendo coroado por alguém Acampas num pedaço de sonho Não queres acreditar e ver Que lá fora só existe O único mundo, que tu tens de escolher O teu silêncio mergulha Na dor de tanto ver O mundo a devorar-se em terror E tu, nada poderes fazer Aceita este Mundo Assim como ele é Com o tempo irás conseguir E ver que mau ele não é Não deixes arrastar esse sonho Dá-lhe forma e esperança Um sinal, um sorriso Dá ao mundo, a tua confiança Com o tempo irás conseguir E ver, que mau ele não é! Cristina Videira - Corroios LONGE DA MINHA CIDADE Longe do meu Ribatejo Longe da minha cidade Sinto a ausência do Tejo Sinto um laivo de saudade Noutros tempos não olhava Com a mesma dedicação Tudo aquilo que me dava Estava ali mesmo à mão Foram uns tempos de magia Que só mais tarde percebi Tempos de inocência e alegria Nesta cidade onde cresci Fico-a chorando agora Pelos tempos que lá passei Quero voltar sem demora A pisar as ruas por onde andei Ver, correr, andar por elas Tempos passados reviver Relembrar como eram belas Fazer novo adolescer Ruas com beleza e história Foram parte do meu crescer Ficaram-me na memória Ajudaram-me a ser mulher Maria Alexandre - Santarém

[close]

p. 15

Confrades da Poesia | Boletim Nr 74 | Janeiro / Fevereiro l 2016 | 15 «Faísca de Versos» O homem pensa mas… Ao homem foram-lhe atribuídos os dons do pensamento e do raciocínio para que pudesse evoluir e agir com racionalidade. Porém, por estupidez, egoísmo ambição e presunção de superioridade, o homem resolveu alterar as fórmulas iniciais adicionando-lhes doses excessivas de irracionalidade e, dependente desta sua nova e aberrante criação, passou a agir irracionalmente tanto em palavras como actos e obras com resultados, por vezes, catastróficos! As provas dessa irracionalidade passam-nos pelos olhos a todo o momento. Abgalvão - Fernão Ferro TRISTEZA Triste é a luz sem brilhar Perdida na escuridão Triste é a angústia sem par De quem vive em solidão. Triste é a grande emoção Que fundo os corações ferem Quando há separação Entre as almas que se querem. Triste fica o inocente Quando lhe falta a ternura E muito triste o doente Sem saber se vai ter cura. Tristes são os sem abrigo Infelizes e sem leito Tristeza há no ser mendigo Ou ver um sonho desfeito. Triste fica o ser humano Quando é injustiçado E haver tanto tirano Pelo mundo em qualquer lado. Triste é haver menos paz Que guerra fome e horror E quem manda nada faz Para um mundo melhor. Triste é quando a alma chora E dói mais profundamente Por quem parte ou vai embora Ou está longe e ausente. Mas a tristeza maior É a amarga despedida Sentida no luto e dor Por quem amamos na vida !... Cuidado! Os bufos voltaram Essa seita anda aí... As garras afiaram Eu já as senti. Sabem lá o que é Enfrentar essa seita? Eles estão em todo o lado... Sem vergonha sem pudor Essa gente sem valor É preciso cuidado! Gente sem o mínimo de decoro Essa gente canalha, É erva daninha Ao pé de quem trabalha. Aires Plácido - Amadora CONCATENA “CORTA” CONCATENA Diz o Ricardo Araújo, Com o seu programa em cena! Num deserto seco e sujo… “Corta-corta” concatena! Uma oposição olhando Nesta coutada pequena! O Passos vai amolando… “Corta-corta” concatena! O Passos no “corta-corta” Vai ajeitando a melena… Nesta courela já morta, “Corta-corta” concatena! À sombra de um submarino! Marujo, em rota amena… Um Portas como felino… “Corta-corta” concatena! Temos o que merecemos! Só o pobre se condena! E nunca mais aprendemos, “Corta-corta” concatena! João da Palma - Portimão MALDITO Maldito seja, o mal que há na Terra, A mentira, droga e inveja aonde impera, Maldito seja, aquele que faz a guerra E o nefando que também a prolifera. Maldito seja, o ódio e o sofrer Da fome, que em toda a parte existe, Maldito seja, quem abusa do poder, Corrupção e injustiça, que persiste !… Maldito seja, o crime e os criminosos, Que atentam contra o bem da humanidade, Cometendo os actos mais horrorosos . Maldito seja, quem vive da falsidade E que prospera, só por actos vergonhosos, Maldito seja, quem nos rouba a liberdade!… Euclides Cavaco - Canadá A ROSA E A LARANJA Num país encantado, foi a rosa Eleita pelo povo p’ra mandar… Houve festa, foguetes pelo ar E chorou a laranja, invejosa! A rosa, mais não fez do que roubar O ouro e toda a pedra preciosa!... A nação veio em peso, furiosa Elegendo a laranja em seu lugar. Mas o povo infeliz depressa viu Que, mau grado seu esforço e a labuta, O novo governante não serviu… Iniciou, então, mais uma luta, Mas nem com essa luta conseguiu Correr de vez com os filhos da fruta! Carlos Fragata - Sesimbra Euclides Cavaco - Canadá Já temos um novo Estado No País do Pim Pão Pum; Melhor, governar o gado, Em casa de qualquer um!? Arménio – Foros de Amora

[close]

Comments

no comments yet