Ciencias das Origens 17

 

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Primeiro Semetre de 2009

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Primeiro Semestre de 2009 Nº 17 Uma publicação do Geoscience Research Institute (Instituto de Pesquisas em Geociências) Estuda a Terra e a vida: sua origem, suas mudanças, sua preservação. Edição em língua portuguesa patrocinada pela DSA da IASD com a colaboração da SCB APRESENTAÇÃO DO DÉCIMO SÉTIMO NÚMERO DE CIÊNCIAS DAS ORIGENS TRADUZIDO PARA A LÍNGUA PORTUGUESA A Sociedade Criacionista Brasileira, dentro de sua programação editorial, tem a satisfação de apresentar o décimo sétimo número deste periódico (primeiro número anual de 2009), versão brasileira de “Ciencia de los Orígenes”, editado originalmente pelo “Geoscience Research Institute” (GRI) nos E.U.A. Destacamos o artigo "A Primeira Semana: Um Cientista Cristão Lê Gênesis 1" de autoria do Dr. James Gibson, Diretor do GRI, que se tem dedicado particularmente ao campo da Geologia e da Paleontologia. Como sempre, ficam expressos os agradecimentos da Sociedade Criacionista Brasileira a todos os que colaboraram para possibilitar esta publicação em língua portuguesa, particularmente a Roosevelt S. de Castro pelo excelente trabalho de editoração gráfica, e a Marly Barreto Vieira, pelo paciente e difícil trabalho de tradução. Renovam-se também os agradecimentos especiais à Divisão Sul-Americana da Igreja Adventista do Sétimo Dia, nas pessoas de seu Presidente, Pastor Erton Koehler, e de seu Departamental de Educação, Pastor Carlos Mesa, pela continuidade do apoio à publicação deste periódico. Finalmente, destacamos ser este o segundo número de “Ciências das Origens” que passou a ser publicado formalmente pela Sociedade Criacionista Brasileira em parceria com a Sede do GRI no Brasil, dirigida pelo Dr. Nahor Neves de Souza Jr. Certamente, esta parceria abrangerá também, em futuro próximo, outras iniciativas de interesse comum para a divulgação de evidências favoráveis à visão criacionista. Ruy Carlos de Camargo Vieira Diretor-Presidente da Sociedade Criacionista Brasileira A PRIMEIRA SEMANA: UM CIENTISTA CRISTÃO LÊ GÊNESIS 1(1) Dr. L. James Gibson Geoscience Research Institute, Loma Linda, Califórnia, USA Introdução Os Adventistas do Sétimo Dia desejam partilhar as boas novas (o “evangelho”) do caráter de Deus e Seu plano para resgatar os seres humanos dos resultados de suas más escolhas. Em Apocalipse 14:6, a criação se identifica como parte do Evangelho a ser pregado ao mundo inteiro. Assim, a interpretação adventista do relato da criação deverá mostrar a maneira pela qual a história da criação revela as boas novas sobre Deus. As Escrituras revelam que a criação foi um processo sobrenatural, portanto nossa visão das origens está moldada pelo registro bíblico. Gênesis 1 (o primeiro capítulo do livro de Gênesis) é a passagem principal sobre a criação nas Escrituras, razão pela qual um enfoque adventista sobre as origens deve começar por Gênesis 1. Entretanto, as Escrituras provêem um esboço geral do processo da criação, e o texto parece ser escrito mais como uma descrição fenomenológica (sobre a base da aparência) dos eventos, e não como uma descrição técnica. Isto deixa numerosos pontos abertos no relato para diferentes interpretações. A natureza também traz informação relativa às origens, porém esta informação é de difícil interpretação por, pelo menos, três razões. (2) A atividade sobre- Reprodução da primeira página da Bíblia de Gutenberg

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um começo repentino, “A Grande Explosão”, ou o Big Bang, teoria recusada por alguns cientistas. Deus estava presente antes de toda criatura e todas as coisas, mesmo ainda antes de existirem o espaço e o tempo. Reconhecemos o passar do tempo pelos eventos no espaço. Se não houvesse espaço não observaríamos nenhum evento e, portanto, não haveria tempo. Sendo assim, teve de haver um princípio para o tempo e para o espaço, e Deus estava presente nesse começo. Quem é o Criador? Jesus é o Criador. João 1:1-3 afirma que todas as coisas foram feitas pelo Verbo, identificado no contexto como Jesus Cristo. O título “Verbo” descreve o poder de Deus: Isaías 55:11 “Assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo que a designei”. Hebreus 1:2,3 “... nestes últimos dias nos falou pelo Filho, ... pelo qual também fez o universo. Ele que é ... a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder ...” A versão Nueva Reina-Valera 2000 o expressa mais claramente: “... Porém nestes últimos dias (Deus) nos falou por seu Filho, ... por meio de quem fez os mundos. O Filho é ... a mesma imagem de Seu Ser real, o que sustém todas as coisas com sua poderosa Palavra.” Estes textos indicam que Jesus trouxe o Universo à existência através do poder de Sua Palavra. O que foi criado? Deus fez “os céus e a terra”. As opiniões diferem a respeito do que isto significa. Alguns intérpretes consideram que “os céus e a terra” se referem a todo o Universo, enquanto outros preferem considerar que se refere somente ao nosso planeta. Há, pelo menos, três interpretações:(3) A. Alguns consideram que Gênesis 1:1 se refere à criação do Universo num tempo não identificado no passado, com a semana da criação ocorrendo em um momento posterior. (Teoria do intervalo) B. Alguns consideram que Gênesis 1:1 é somente uma introdução à recontagem da semana da criação, e que se refere somente ao nosso mundo. C. Alguns consideram que Gênesis 1:1 se refere à criação do Universo durante a semana da criação. Parece que nosso mundo não foi a primeira parte do Universo a ser criada. A criação do nosso mundo se fez acompanhada de louvores pelos “filhos de Deus” (Jó 38:4-7). Tais “filhos de Deus” parecem ser os representantes de outros mundos (Jó 1:6). Isto parece implicar a pré-existência de outros mundos, o que favoreceria as interpretações A ou B.(4) Esta possibilidade é reforçada pelas evidências físicas, como a observação de estrelas que parecem estar tão distantes que sua luz demoraria milhões de anos para chegar até nós. Como Deus criou? Não nos é dito o mecanismo físico através do qual Deus criou, então não sabemos como o fez. No entanto, nos é dito que o fez pelo poder de Sua Palavra. Isto implica propósito ou intenção, e de maneira crescente os cientistas estão reconhecendo que o Universo parece ter sido planejado. Gênesis 1:2 “A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava sobre as águas”. Sobre este texto as opiniões também diferem.(5) A. Alguns tem interpretado que isto significa que a Terra foi criada muito tempo antes, num ato de criação não incluído no relato da semana da criação. A Terra permaneceu escura e carente de vida (vazia) até a criação descrita em Gênesis. Esta interpretação é conhecida como a "Teoria do intervalo passivo”. B. Outros crêem que o texto se refere ao breve período de tempo entre a criação inicial descrita no primeiro versículo, e a criação da luz no versículo 3. C. Um terceiro ponto de vista (a "Teoria do intervalo ativo”) é que Deus não poderia criar um mundo em caos. Então o mundo deve ter ficado “desordenado e vazio” depois de uma criação anterior. Os proponentes de qualquer um dos primeiros pontos de vista podem encontrar apoio em diferentes declarações de Ellen White, porém o assunto permanece sem ser resolvido. O terceiro ponto de vista não está respaldado pelo texto bíblico, então não vamos continuar a considerá-lo. Por que Deus criaria uma Terra não completamente formada? Certamente ele poderia tê-la criado instantaneamente, num momento, completamente povoada. Porém em vez de fazer isto, a criou em uma série de passos, durante seis dias completos. Não pretendo saber o que Deus tinha em mente para agir dessa maneira, porém sinto-me impressionado por um aspecto da história da criação: Deus tinha um plano. Primeiro a Terra foi preparada para sus- natural pode estar fora do alcance da nossa compreensão. A natureza mudou com os efeitos do pecado. Os seres humanos geralmente escolhem interpretações equivocadas da natureza. Portanto, ainda que as provas da natureza sejam levadas em consideração, as Escrituras devem ser o ponto de partida para um enfoque adventista das origens. Não devemos omitir o estudo da natureza, pois pode ajudar a esclarecer algumas das ambigüidades no texto. Entretanto, alguns mistérios permanecerão como tais, inclusive depois de consultarmos tanto as Escrituras como a natureza. Não houve testemunha humana do processo da criação. Somente Eva foi criada depois de Adão, mas ele mesmo não pode presenciar o processo de sua formação. Deus fez com que ele ficasse inconsciente para realizar o processo (provavelmente não queria nenhuma sugestão). As Escrituras são nossa melhor fonte para aprender como tudo se fez. E, entretanto, ainda nas Escrituras só nos é dada a descrição mais elementar. Há numerosos pontos no relato bíblico que estão abertos a diferentes interpretações, porém ainda assim a imagem em conjunto é exeqüível para todos. Abordarei alguns destes aspectos nos parágrafos seguintes: GÊNESIS 1:1 NO PRINCÍPIO CRIOU DEUS OS CÉUS E A TERRA. Quando foi o princípio? Mesmo não sabendo uma data, sabemos que o mundo teve um princípio, como é afirmado em Mateus 24:21. Podemos encontrar evidências físicas disto pela existência da radioatividade. Se a Terra fosse eterna, não poderíamos esperar encontrar radioatividade nas rochas. Além disso, o Universo tem propriedades que sugerem 2 Nº 17 Ciências das Origens

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tentar a vida, em seguida Ele a encheu de criaturas viventes. Esse processo foi ordenado e realizado assim, com um propósito. Alguns intérpretes (6) têm proposto uma estrutura na narração: nos primeiros três dias, a “terra” foi “formada” com o propósito de sustentar a vida, então nos seguintes três dias foi “povoada”. Pode-se ver um paralelismo entre o primeiro dia da criação (luz) e o quarto dia (sol); entre o segundo dia (atmosfera) e o quinto dia (animais que voam); e entre o terceiro dia (terra seca e plantas) e o sexto dia (animais terrestres). Entretanto, este paralelismo parece-me um tanto imperfeito (por exemplo, os mares foram formados no terceiro dia, e povoados no quinto dia), o que indica que a estrutura da narrativa se baseou na seqüência real dos eventos, e não que foram artificialmente ordenados para ajustar-se ao paralelismo. FORMANDO O MUNDO: PREPARAÇÃO PARA A VIDA 1º dia(7): “Disse Deus: Haja luz, e houve luz”. “estavam assinalados pelo nascer e o pôr do sol”.(9) Ver fonte A terceira possibilidade não foi examinada com profundidade, porém é mencionada para recordar ao leitor que Deus tem métodos dos quais podemos não ser conscientes. 2º dia: “E disse Deus: Haja firmamento no meio das águas e separação entre águas e águas. Fez, pois, Deus o firmamento e separação entre as águas debaixo do firmamento e as águas sobre o firmamento. E assim se fez. E chamou Deus ao firmamento Céus”. ável que fosse a atmosfera o que Deus criou no segundo dia.(10) Note-se que Deus chamou de “céus” ao firmamento. 3º Dia: “Disse também Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num só lugar,e apareça a porção seca. E assim se fez. À porção seca chamou Deus Terra e ao ajuntamento das águas, Mares”. No primeiro dia foi dada luz à Terra. Não sabemos de que forma se deu esta luz. Há pelo menos três possibilidades.(8) A. A luz fornecida no primeiro dia era a luz da presença de Deus. O sol não existiu até o quarto dia, quando Deus o criou. B. A luz fornecida no primeiro dia vinha do sol. O sol foi criado junto com a Terra “no princípio”. C. A luz fornecida no primeiro dia provinha de outra fonte desconhecida, como uma supernova ou outro evento astronômico. Os proponentes da primeira interpretação podem referir-se a textos bíblicos que mencionam a luz como proveniente de Deus (exemplo, Isaías 60:20; Apocalipse 21:23; Apocalipse 22:5). Por outro lado, a segunda interpretação pode ser sustentada pela referência á tarde e manhã de cada dia (exemplo Gênesis 1:5), e a afirmação de Ellen White de que os dias da criação No segundo dia foram criados o “firmamento” ou “céus”. Isto é identificado como o lugar entre as camadas de água, as que supomos ser as águas da superfície do planeta e as nuvens. Elas estão separadas pela atmosfera, que foi criada no segundo dia. Alguns diriam que como “céus” o registro bíblico está se referindo a toda a expansão cheia de estrelas, porque o sol estava “na expansão”. Entretanto o texto deve ser interpretado como uma descrição fenomenológica, de maneira que o sol apareceu na mesma região onde voam as aves. A existência de outros mundos que precederam ao nosso (Jó 38:4-7) parece favorecer a interpretação de que “céus” refere-se a uma área ou volume mais restrito. Não parece ser coerente supor que todo o Universo separe nossos oceanos de uma cobertura de água “sobre o firmamento”. Alguns outros têm declarado que a referência a “firmamento” significa que os hebreus consideravam a Terra como uma superfície plana, apoiada em pilares e coberta com um domo metálico. Propõem então que isto invalida o registro da criação porque agora sabemos que a Terra não estava coberta por tal domo metálico. Entretanto, isto parece uma incongruência (non sequitur). Independentemente do que os hebreus pensavam da estrutura da Terra, as águas da superfície e as nuvens parecem estar separadas pela atmosfera, e parece também razo- No terceiro dia as águas da superfície foram reunidas para formar os “mares” e deixar exposta a terra seca, a qual Deus chamou “terra”. Note-se que “terra” aqui se refere ao terreno, e não a todo o planeta. Os céus e a terra e o mar (como é mencionado tantas vezes em Êxodo 20:11 e Apocalipse 14:7) já estão formados e preparados para receber os organismos vivos, logo em seguida são povoados. O POVOAMENTO DO MUNDO 3º dia: “E disse: Produza a terra relva, ervas que dêem semente e árvores frutíferas que dêem fruto segundo a sua espécie, cuja semente esteja nele, sobre a terra. E assim se fez”. A vegetação foi criada no terceiro dia. Note aqui que foram criados diferentes gêneros de árvores que dão fruto, cada uma com seu próprio fruto e este com sua própria semente no seu interior. Alguns têm proposto que aqui são mencionados três tipos de plantas: a “vegetação”, as “plantas que dão semente”, e as “árvores que dão fruto”. Outros sustentam que “vegetação” é um termo genérico, e que no texto só são mencionados dois tipos de plantas. Nenhuma das interpretações parece ter significado teológico. A frase “segundo a sua espécie” aparece aqui pela primeira vez nas Escrituras. Esta frase tem sido interpretada geralmente como um mandamento divino para produzir descendência similar a seus progenitoNº 17 Ciências das Origens 3

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res. No entanto, não há aqui vislumbres de tal mandamento. Ainda que possamos ver facilmente que a descendência é parecida com seus progenitores, a Bíblia não registra um mandamento divino de que deveria ser assim. Neste texto, “segundo a sua espécie” pode significar “tendo cada um seu próprio tipo de semente”. Desta maneira a descendência de um tipo de planta poderia diferenciar-se da descendência de outros tipos de planta. Incidentalmente, parece que os hebreus não criam que as plantas tivessem vida, e provavelmente por isso não consideram que a “morte” das plantas tenha algum significado moral. 4º Dia: “Disse também Deus: Haja luzeiros no firmamento dos céus, para fazerem separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais, para estações, para dias e anos. E sejam para luzeiros no firmamento dos céus, para alumiar a terra. E assim se fez. Fez Deus os dois grandes luzeiros: o maior para governar o dia, e o menor para governar a noite; e fez também as estrelas”. C. O sol e a lua existiam antes do 4º dia, e podiam ter sido visíveis em todos os dias da criação, porém só no 4º dia foram designados como “sinais para as estações”. O texto não parece especificar qual das interpretações é correta. Realmente não sabemos a resposta. Em qualquer caso, Deus continua sendo o criador do sol e da lua. Um evento ocorreu no quarto dia da criação que resultou no estabelecimento da lua e do sol como marcadores de unidades de tempo, e para servir como sinais de advertência quando Deus assim o determinasse. FORAM AS ESTRELAS CRIADAS NO 4º DIA? O texto não especifica o momento da criação das estrelas. Tem-se proposto ao menos três interpretações para a passagem concernente às estrelas. A. As estrelas foram criadas no 4º dia. B. As estrelas foram criadas por Deus, não importando o momento de sua criação. C. Deus criou a lua para “governar a noite” com as estrelas.(12) O texto original em hebraico é um pouco ambíguo acerca de quando foram criadas as estrelas. A visibilidade de estrelas que estão a mais de 10.000 anos luz de nosso planeta parece favorecer as interpretações B e C. 5º dia: “Disse também Deus: Povoem-se as águas de enxames de seres viventes; e voem as aves sobre a terra, sob o firmamento dos céus. Criou pois Deus os grandes animais marinhos e todos os seres viventes que rastejam, os quais povoam as águas, segundo as suas espécies; e todas as aves, segundo as suas espécies. E viu Deus que isso era bom. E Deus os abençoou dizendo: Sede fecundos, multiplicai-vos e enchei as águas dos mares; e, na terra, se multipliquem as aves”. Este texto refere-se ao povoamento dos mares e do céu com criaturas viventes. Uma vez mais, note-se o termo “segundo a sua espécie”. “Segundo seu gênero” provavelmente possa ser traduzido como “de muitos tipos diferentes”. Esta interpretação sugere que a biodiversidade esteve presente desde o começo da vida nas águas e no ar. Não há evidências aqui da criação de um único ancestral para produzir a partir dele a sua biodiversidade através de mudanças evolutivas. Note-se também que as aves e os animais marinhos deveriam reproduzir-se e encher os habitats disponíveis. Não se estabelece aqui se a reprodução deveria continuar quando a Terra estivesse cheia. Se o propósito divino fosse cumprido, talvez a reprodução fosse detida. Se isso tivesse ocorrido, não haveria necessidade da morte. Se a reprodução devesse continuar, a morte, então, poderia ter sido necessária. Baseado nas revelações da vontade de Deus para a Nova Terra, dadas nos capítulos 11 e 65 de Isaías, e nos capítulos 21 e 22 de Apocalipse, penso que a morte não fazia parte da criação original, pelo menos não a morte dos vertebrados terrestres, mas há opiniões diferentes a esse respeito. De qualquer modo, os sistemas ecológicos atuais parecem uma base pouco confiável para elaborarmos conclusões sobre os sistemas ecológicos em um mundo sem pecado. 6º dia – A: “Disse também Deus: Produza a terra seres viventes, conforme a sua espécie; animais domésticos, répteis e animais selváticos, segundo a sua espécie. E assim se fez”. Provavelmente exista mais controvérsia sobre os eventos do 4º dia do que sobre qualquer outro evento da criação. Tem-se proposto ao menos três interpretações:(11) A. O sol e a lua não existiam até o 4º dia. Antes desse tempo, a luz provinha da presença de Deus sobre a Terra. A tarde e a manhã produziam-se pela rotação do planeta diante da presença de Deus. B. O sol e a lua existiam antes do 4º dia, porém estariam obscurecidos por grossas nuvens escuras. Estas nuvens foram parcialmente dissipadas para que no 1º dia o planeta recebesse a luz, porém o sol em si mesmo não era visível, da mesma maneira que não podemos ver o sol num dia completamente nublado. No 4º dia o sol e a lua ficaram visíveis pela primeira vez. 4 Nº 17 Ciências das Origens Neste momento a superfície da Terra (simplesmente "terra" no registro bíblico) foi povoada por criaturas viventes. Uma vez mais os animais foram “segundo a sua espécie”. Diferentes tipos de criaturas foram criados simultaneamente, e a biodiversidade passou a existir desde esse mesmo começo. Nada é dito sobre uma biodiversidade evoluindo a partir de uma única for-

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ma ancestral, e em hebraico seria possível expressar tal idéia se isto tivesse ocorrido. 6º dia – B: “Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra”. Esta passagem é o fundamento lógico para muitos dos ensinos das Escrituras. Os seres humanos são únicos em toda a criação. Somente nós os seres humanos fomos criados à imagem de Deus. Somente aos seres humanos foi dado o domínio sobre a natureza, com a responsabilidade de governá-la sabiamente. A Bíblia enfatiza a natureza diferente do ser humano e a dos outros animais. A singularidade dos seres humanos, especialmente sua mente, também tem sido percebida pelos cientistas. 6º dia – C: “E a todos os animais da terra, e a todas as aves dos céus, e a todos os répteis da terra em que há fôlego de vida, toda a erva verde lhe será para mantimento”. A vegetação tinha sido criada como fonte de alimento para os animais e para o homem. A predação não é mencionada, o que constitui outra razão que faz inclinarme à idéia de que a reprodução devia deter-se uma vez que toda a Terra estivesse povoada, e assim, não haveria necessidade da morte. Nesse ponto a Terra estava formada e povoada. Cada ato da criação havia preparado o caminho seguinte. Pode-se ver assim o propósito de Deus na criação: a criação final do homem e da mulher à imagem de Deus. A culminação da história da criação, o estabelecimento do Sabbath (em hebraico, que significa "descanso". Nota do Tradutor) que é descrito em Gênesis 2:2-3. O COMPANHEIRISMO DE DEUS COM OS SERES HUMANOS 7º dia: “E havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra, que fizera, descansou nesse dia de toda a sua obra que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera”. A criação não esteve completa até que foi criado o sábado, um dia de companheirismo íntimo entre Deus e os seres humanos. Esta pode ter sido a razão pela qual Deus criou tudo em seis dias em vez de fazê-lo de forma instantânea. Estabelecendo um ciclo de sete dias, com o sétimo dia como dia de comunicação e culto, Deus mostrou Seu propósito na criação: Ele queria ter esse companheirismo especial conosco. Através da narração de Gênesis é mostrado um plano a ser seguido. Deus tem um plano: companheirismo conosco. Este plano foi interrompido pelo pecado, porém, se completará quando a Terra for renovada. CRIAÇÃO BÍBLICA: BOAS NOVAS Em Apocalipse 14:6 é mostrado um anjo (palavra que em grego significa "mensageiro", Nota do Tradutor) proclamando o evangelho, dizendo “adorai Aquele que fez”. Porque a criação bíblica é parte das boas novas de Apocalipse 14:6?(13) Que elementos da história são especialmente importantes ao mostrarmos que Deus é um amoroso Criador? Considere por um momento a deprimente história de nossas origens da maneira como muitos a entendem, segundo a qual os seres humanos são produto de uma longa história de competição e sobrevivência dos mais aptos. Somos simplesmente os últimos numa série de espécies animais, cada uma destas espécies mais inteligente e melhor adaptada que as anteriores. Cada espécie, incluindo a nossa, está condenada à extinção quando as mudanças ambientais favorecerem a sobrevivência de novas espécies. Muitos dos cientistas que aceitaram essa teoria aceitaram a inexistência de um Deus amoroso como se reflete na Bíblia. Esta pode ser uma das razões pelas quais muitos cientistas são céticos a respeito do Cristianismo. Muitos cristãos se recusam a aceitar todas as conseqüências da Teoria da Evolução, e tratam de modificá-la para torná-la mais agradável. Propõem que a evolução é o processo escolhido por Deus para criar. Infelizmente isto piora a situação. Passamos da condição de não ter um Deus em absoluto, o que por si é ruim, a ter um Deus maldoso, o que é muito pior.(14) A teoria da Evolução Teísta propõe que a predação, a morte e o sofrimento existiram por milhares de anos antes de existir o primeiro homem que pudesse cometer algum pecado. A morte em vez de ser um inimigo a ser destruído, é uma força para melhorar. Aqueles que defendem esta teoria estão obrigados a declarar que o Deus da Bíblia escolheu estruturar Sua criação em torno da competição, de maneira que os débeis fossem destruídos pelos fortes. Deste ponto de vista, não é o homem, porém Deus o responsável pela morte e o sofrimento. Estas não são boas novas para aqueles que estão à espera de uma vida melhor na Nova Terra. Algumas pessoas podem tentar justificar o uso da morte por Deus afirmando que a morte não é má em si mesma. O sofrimento animal e a morte são permitidos em prol de um bem maior. Os seres humanos não morrem realmente, mas sua alma imortal vive em outro reino ou dimensão. Uma alma imortal acrescenta novos problemas à questão da bondade de Deus. Uma alma que não pode morrer, porém que decidiu rebelar-se contra Deus, seria um problema eterno. Dadas estas circunstâncias, seria razoável condenar tal “alma” a passar a eternidade no inferno, como propõem muitos cristãos. A idéia de Deus atormentando Seus inimigos pela eternidade tampouco é boas novas para aqueles que apreciam a liberdade de escolha. Tal idéia é irreconciliável com o Deus revelado nas Escrituras e na vida de Jesus Cristo. Ao percebermos as implicações da evolução teísta podemos ver porque a história bíblica da criação é, realmente, uma boa nova. Primeiro, são boas novas o saber que o Deus Criador tem poder absoluto sobre a natureza, como é demonstrado na criação pela Sua Palavra. Como Deus tem poder ilimitado, podemos confiar nEle para guiar nossa vida. Podemos orar a Ele, sabendo que será capaz de intervir se tal coisa for o melhor. Se a criação tivesse sido realizada no decorrer de longas eras de mudanças graduais, passo a passo, como poderíamos confiar na capacidade de Deus para intervir em nossa vida? São muito boas novas as que Deus criou tudo pela Sua Palavra. A criação dos seres humanos à imagem de Deus é parte das boas novas. Nossa criação à Sua imagem estabelece um elo especial entre nós e Deus. Este elo especial explica o porquê de Deus empenhar-se em nos resgatar das conseqüências de nossas más escolhas. Se fossemos somente animais inteligentes, produtos de longas eras de mudanças graduais, por que Deus haveria de dar-nos um valor especial? São boas novas que tenhamos sido criados à imagem de Deus. Ao final da semana da criação, Deus pronunciou as palavras “muito bom”. Esta é uma parte importante das boas novas de Deus porque mostra que Ele não criou o mundo segundo o seu estado atual. A vontade de Deus para a natureza está descrita em textos tais como: Isaías 11:6-9, Isaías 65:17-25, Apocalipse 21:1-4, Apocalipse 22:1-5. A morte e a dor, a predação e os conflitos serão todos abolidos, e estabelecido um reino de paz. Porém, o que aconteceria se o mundo estivesse evoluindo para um estado melhor? Se o mundo estivesse melhorando, então tudo teria começado muito mal. Um mau começo não é boa nova sobre Deus. São boas novas as que dizem que Deus deu um bom começo ao nosso mundo e que o restaurará a uma boa condição, tão logo quanto possível, sem violar nossa liberdade de escolha. Nº 17 Ciências das Origens 5

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As boas novas incluem os outros aspectos envolvidos em Gênesis 1-11. O sétimo dia, sábado, como uma lembrança semanal de nossas origens e de nossa relação com o amoroso Criador, é um símbolo da fé no poder criador de Deus. O sábado também é parte das boas novas. A história do nosso fracasso moral é uma parte importante das boas novas. Nosso fracasso moral explica o porquê de nossa existência estar cheia de miséria, sofrimento e morte. Deus aprecia a liberdade de escolha, e por ela nos dá a capacidade de escolhermos entre o bem e o mal, e de experimentarmos as conseqüências de nossas escolhas. A morte e outros males vieram como resultado da nossa própria escolha, não porque Deus fosse maldoso com a natureza. Deus deseja resgatar-nos de nossa miséria, e providenciou um amoroso plano para redimirnos. São boas novas saber que Deus não é maldoso, e que Ele fará desaparecer a maldade do universo. O dilúvio demonstra que Deus é capaz de intervir, que está desejoso de fazê-lo, e que todos os males serão corrigidos. Isto nos traz confiança de que Deus intervirá para eliminar o mal e seus resultados. Estas também são boas novas. CONCLUSÃO Sob a perspectiva apresentada aqui, a história de nossas origens é parte vital de nossa compreensão sobre nós mesmos e nosso mundo. Ainda que muitos detalhes da criação não sejam bem compreendidos, a história das origens apresentada em Gênesis oferece as bases lógicas, os melhores fundamentos para o evangelho. Tanto a Ciência como as Escrituras contêm muitos mistérios, porém podemos ver o suficiente para compreender que a criação foi o resultado de uma ação intencional e sobrenatural de um amoroso Criador, e podemos partilhar estas boas novas com outros. Todas as citações bíblicas foram transcritas segundo a Bíblia traduzida em português por João Ferreira de Almeida, revista e atualizada no Brasil, 2 edição. 1. Baseado na conferência apresentada no 23º Seminário de Fé e Aprendizagem, na Universidade da África Oriental, de 22 de novembro a 04 de dezembro de 1998. As fontes citadas aqui são somente de autores adventistas. A literatura completa é muito extensa. A publicação do autor Herr, Larry G. 1982, "Genesis One historical-critical perspective." Spectrum 13(2):51-62, apresenta muitos desses pontos sob aspectos diferentes. Uma lista de referências sobre o significado de Gênesis, escrita por teólogos adventistas pode ser encontrada em http://grisda.org/resouces/ ref_theosda.htm . 2. Cada um destes pontos é reafirmado por Ellen White. Um texto particularmente interessante está em Testimonies, V.8, pp. 255-261. 3. Andreasen, N-E. 1981. "The word 'earth' in Genesis 1:1". Origins 8:13-19 (Traduzido para o Português em Ciências das Origens 11, 206). Para uma discussão do versículo completo, ver Hasel, Gerhard F. 1971. "Recent translation of Genesis 1:1, a critical look". Bible translator 22:154-167. 4. Ellen White afirma claramente que existiam outros mundos antes da criação do nosso (por exemplo, em "Patriarcas e Profetas", p. 41) Referências 5. Widmer, Myron. 1992. "Older than creation week?" Adventist Review 169 (agosto 13):454-62; para discussão do termo “Espírito de Deus” veja Krautschick, Simon. 1994. The definiteness of the construct chain ‘RuachElohim’ in Genesis 1:2. Thesis Master, Andrews University, Berrien Springs, Michigan. 6. Ver, por exemplo (a) Weiss, H. 1979. "Genesis, Chapter One: A theological statement". Spectrum 9(4):54-62; (b) Davidson, R.M. 1987. "The theology of creation". Manuscrito não publicado de uma palestra apresentada em 17 de julho de 1987, na Convenção de Educação do Goscience Research Institute, Brianhead, Utah, EUA. 7. O significado da palavra “dia” tem sido muito polêmico. Uma boa análise está em Hasel, G.F. 1994. "The 'days' of creation in Genesis 1: Literal 'days' or figurative 'periods/epochs' of time?" Origins 40-41, 1995). 8. Herr, Larry G. 1985. "Why (and how) was the light created before the sun?" Adventist Review 162 (Novembro 21):8-9. Consultar também as pp. 315-318 no texto de Roth, A.A. 1998. "Origins: Linking Science and Scripture." Hagerstown, MD: Review and Herald Publishing. 9. White, Ellen G. Testimonies To Ministers , p. 135-136. 10. Uma perspectiva diferente é apresentada em Herr, 1982 (ver nota ao final da referência 1) 11. Ver referências 8. 12. Uma boa apresentação desta interpretação está em House, Colin L. 1987. "Some notes on translating (“and the stars”) in Genesis 1:6." Andrews University Seminary Studies 25:241-248. 13. Ver Baldwin, J.T. 2000. Creation, Catastrophe and Calvary. Hagerstown, MD: Review and Herald Publishing. 14. Ver: (A) Gibson, L.J. 1992. "Theistic evolution: Is it for Adventists?" Ministry 65(1):22-25; (b) Terreros, M. 1996. "The Adventist message and the challenge of evolution." Dialogue 8(2):11-14. O Relato da Criação nas Edições Católicas da Bíblia É este um estudo comparativo das chamadas “traduções católicas” do primeiro capítulo da Bíblia, em Português, confrontadas com o texto da “Vulgata” latina. Nele são tecidas considerações sobre a etimologia das palavras de nossa língua, constantes dessa porção da Bíblia, que enriquecem sobremaneira nosso entendimento do relato da Criação. 6 Maiores informações poderão ser obtidas no site: Nº 17 Ciências das Origens http://www.scb.org.br

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O DILÚVIO DE GÊNESIS NO NOVO TESTAMENTO E NAS TRADIÇÕES ANTIGAS Prof. Carlos F. Steger POR QUE O DILÚVIO DE GÊNESIS É IMPORTANTE? A transcendência do dilúvio é percebida no dramatismo da atuação divina e nas conseqüências que a catástrofe teve sobre a humanidade. De maneira resumida o dilúvio de Gênesis, • Oferece um notável exemplo de fé salvadora.(1) • É uma demonstração da proteção providencial para com os justos ante Deus. (2) • Aponta as condições morais pré vias ao dilúvio como prévias à segunda vinda de Cristo. (3) • Ilustra as conseqüências do peca do. (4) • Oferece uma explicação racional da abundância de evidências de vida pré histórica na Terra. (5) • A negação do dilúvio é própria do tempo do fim. (6) • Garante a destruição final do mun do por fogo. (7) O TESTEMUNHO DO NOVO TESTAMENTO Alguns crentes na Bíblia questionam a autenticidade dos primeiros onze capítulos de Gênesis, incluindo o relato do dilúvio. Estes crentes se deparam com o fato de que existem numerosas referências a este evento no Novo Testamento, pois tanto Jesus Cristo como os apóstolos reconheceram o Dilúvio como histórico e consideraram Noé como um personagem que realmente existiu. Neste sentido, quem pode as sumir a autoridade de negar o relato de Gênesis? Para os autores das seguintes citações, o dilúvio foi um fato histórico assim como Noé foi um personagem real e não mitológico e legendário. Na Tabela 1 apresentam-se algumas destas referências do Novo Testamento aos eventos ou personagens do Gênesis: O TESTEMUNHO DAS TRADIÇÕES DOS POVOS NATIVOS AO REDOR DO MUNDO O estudo dos eventos do passado requer a verificação desses eventos. Como podemos verificar a veracidade de um evento se este não pode ser reproduzido? No caso do dilúvio podemos estudar as rochas e a superfície terrestre em busca de provas para tal evento catastrófico. Porém, também podemos fazer uso dos registros, escritos ou não, das tradições de diversos povos que povoaram as regiões do planeta. No folclore dos povos nativos encontram-se tradições que guardam uma interessante similaridade com o relato do dilúvio. Sobre isto, diz o Dr. J. Riem: Entre todas as tradições, nenhuma é tão geral, tão extensa sobre a terra ... como as tradições do dilúvio ... porque como base para todos os mitos, particularmente mitos naturais, existe um fato real.(8) Como exemplo citaremos alguns autores que compilaram registros relativos a um dilúvio no passado nas tradições de povos nativos de todos os continentes. Até onde pudemos investigar, o autor que mais extensamente se ocupou das tradições do dilúvio foi Sir J. G. Frazer. Este autor as agrupa por regiões geográ- Tabela 1 Autor Jesus Lucas Pedro Paulo Jesus Pedro NT Mateus 24:37,38 Lucas 17:26 Lucas 3:36 1 Pedro 3:20 2 Pedro 2:5 Hebreus 11:7 Mateus 24:39 2 Pedro 2:52 2 Pedro 3:6 Texto Noé como personagem histórico Como foi nos dias de Noé … Noé na genealogia de Cristo. Noé ... enquanto se construia a arca Deus ... guardou a Noé Pela fé Noé … A realidade do dilúvio global … veio o dilúvio e os levou a todos Trouxe o dilúvio sobre o mundo … O mundo de então pereceu afogado em água Gênesis 7:6-24 Gênesis 7:6-24 Gênesis 7:6-24 Gênesis 6:5-8 Gênesis 5:29 Gênesis 6:14-18 Génesis 7:7 Génesis 6:22 AT ficas analisando-as e mencionando suas coincidências e discrepâncias, para estender-se finalmente no questionamento da origem das mesmas, já que descarta o relato bíblico como inspirado. Em geral as atribui a catastróficas inundações locais provocadas por avalanches, torrentes, rios e lagos, ou a impressionantes tormentas marinhas. Estas catástrofes teriam deixado uma impressão duradoura em quem sobreviveu a elas, dando lugar assim, às conhecidas tradições.(9) O pesquisador alemão Dr. R. Andree cita 88 diferentes tradições. Delas, 20 são de origem asiática, 5 européias, 7 africanas, 10 da Austrália e ilhas do Pacífico, e 46 americanas. Todas elas coincidem em: • Que houve uma destruição univer sal de seres vivos, por água. • Que houve um meio flutuante de salvação (balsa, bote, arca, jangada, canoa ...) • Que alguns seres humanos foram salvos da destruição. • Que a atual debilidade da humanidade é conseqüência do dilúvio.(10) René Noorbergen descreve um grande número de tradições interessantes dos cinco continentes, relativas ao dilúvio. Entre elas menciona uma lenda chinesa segundo a qual toda a população descende de oito pessoas que sobreviveram a uma grande inundação. O notável é que a palavra chinesa para barco em caracteres antigos, é o símbolo de um bote e oito bocas. Segundo outra lenda chinesa o antepassado mais antigo era Nu-wah (Noé?). E uma lenda havaiana nomeia ao homem justo, Nuu. Segundo este mesmo autor, foram descobertas, no oriente, mais de 30 lendas de dilúvio, e 46 na América do Norte.(11) Alfred Rehwinkel menciona outros autores que enumeram as tradições de diferentes povos nativos acerca do dilúvio. Também, demora-se em narrar os detalhes de diversas tradições similares ao relato bíblico, em diversos povos. Dedica também, várias páginas à reprodução do poema Metamosphosis do poeta latino Ovidio, que fala da criação e do dilúvio, para reproduzir finalmente o conhecido poema épico babilônico Gilgamés. Este último tem certa similaridade com o relato bíblico em vários detalhes, ainda que seja considerado um texto mitológico.(12) O mesmo poema é apresentado e analisado Nº 17 Ciências das Origens 7

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extensamente por Alexandre Heidel, fazendo um detalhado paralelismo e análise com relação ao relato do Antigo Testamento.(13) Daniel Hammerly Dupuy diz ter colecionado 97 tradições da América do Sul, 22 da América Central e 99 da América do Norte. Um total de 218 tradições do dilúvio somente nos dois continentes americanos.(14) Ariel Roth afirma que há o registro de 270 histórias sobre o dilúvio ao redor do mundo.(15) Vários outros autores contemporâneos têm escrito sobre as tradições de um dilúvio universal, ressaltando sua importância.(16) NOTAS E REFERÊNCIAS Quando não for feita expressa referência em contrário, usou-se a tradução da Bíblia para o Português, de autoria de João Ferreira de Almeida, edição revista e atualizada pela Sociedade Bíblica do Brasil. 1. Hebreus 11:7. White, E. G. 1955. História dos Patriarcas e Profetas . Mountain View, Pacific Press Publishing Association, p.82. 2. Gênesis 7:1; II Pedro 2:5. White, 1995, p. 86 3. Mateus 24:38, 39. White, 1955, pp. 90-91. 4. Gênesis 6:5, 7. White, 1955, pp.87-90. 5. Gênesis 7:21-23. White, 1955, pp. 98,99,103,104. White, E. G. 1964. La Educación. Florida. ACES, p. 125 6. II Pedro 3:3,5,6. White, 1955, pp. 92-94. 7. Mateus 24:37; II Pedro 3:6,7. White, 1955, pp. 90,91. 8. Riem, J. 1925. Die Sintflut in Sage und Wisssenschaft. Hamburg, Agentur des Rauhen Hauses, p. 7. Citado por Noorberger, R. 1977. Secrets of the lost Races. Indianapolis, The Bobbs-Merrill Company, pp.5,6. 9. Frazer, Sir J. G. 1992. El folklore en el antiguo testamento. México, Fdo. De Cult. Económica, pp. 66-187. 10. Andree, R. 1891. Die Flutsagen, ethnologisch betrachtet. Brunswick, Friedrich Viehweg und Sohn. Citado por Rehwinkel, A. M. 1951 in The Flood in the light of the Bible, Geology, and Archaeology. Saint Louis, Concordia Publishing House, pp.129,130. 11. Noorbergen, 1977, pp.5-10. Noorbergen, R. 1974. The Ark File. Mountain View. PPPA, pp.41,42,148. 12. Rehwinkel, pp.128-164. 13. Heidel, A. 194. The Gilgamesh Epic and Old Testament Parallels. 21 ed. Chicago. The University of Chicago Press. 14. Hammerly Dupuy, D. 1971. Bajo el signo del terremoto. Lima, Ed. Peisa, p.401 15. Roth, A. A. 1999. Los Origenes, eslabones entre la ciencia e las escrituras. Florida, ACES., pp.346-351. 16. Whitcomb, J. C. Jr. E H. M. Morris. 1988. El Diluvio del Génesis. El relato biblico y sus implicaciones cientificas. Barcelona, CLIE, pp.118-127. Flori, J. e H. Rasolofomasoandro. 2000. En Busca de los Origenes. Evolución o creatión? Madri, Editorial Safeliz, p.245. A MENTIRA DE LYELL: Resenha do Livro Enquanto muitos cientistas crêem que a proposta de Lyell desencadeou uma mudança nas interpretações, e dessa maneira um avanço importante na ciência, outros geólogos consideram que a contribuição de Lyell na realidade foi um obstáculo ao progresso na pesquisa geológica. Nessa linha de controvérsia o livro de Rudwick desafia o ponto de vista assumido desde há muito tempo, de que a idéia de Lyell foi original, recebida sem oposição e positiva para a ciência. De fato, ele discute que aconteceu exatamente o contrário.. Durante a segunda metade do século XVIII e a primeira metade do século XIX houve perto de uma dúzia de “geólogos fundamentalistas" – que defenderam a idéia de que as características geológicas da Terra poderiam ser interpretadas como resultado do Dilúvio de Gênesis. Alguns desses geólogos fundamentalistas tinham credenciais acadêmicas iguais às de Lyell, mais experiência de campo, porém foram simplesmente rechaçados com base em argumentos filosóficos. Lyell não os ouviu, pois tinha uma agenda: advogar por uma abordagem uniformista na interpretação da geologia e das ciências biológicas (segundo demonstrado posteriormente pela sua influência exercida sobre Darwin). Rudwick demonstra que ao princípio as idéias de Lyell não foram aceitas como tem sido tradicionalmente suposto pelos historiadores da Teoria da Evolução, e sim, pelo contrário, foi recebido com crítica quase World Before Adam: The reconstruction of geohistory in the age of reform, por Martin J. S. Rudwick, University of Chicago Press 2008, 614 pp. A pesquisa, as interpretações e os modelos na geologia pressupõem o princípio de que os fenômenos geológicos do passado devem ser explicados pelos processos atuais atuando no passado com as mesmas taxas atuais. Este ponto de vista, chamado Uniformismo, foi proposto pelo geólogo britânico do século XIX Charles Lyell em seu livro Princípios da Geologia. Desde então esta idéia tem dominado a ciência durante muitas décadas e de fato tem impedido qualquer outra interpretação que possa sugerir qualquer tipo de catastrofismo. A geologia está hoje experimentando uma mudança para a aceitação de processos catastróficos que possam ter ocorrido na Terra, e as publicações científicas frequentemente sugerem interpretações baseadas em catastrofismo, ainda que não na linha do Dilúvio Bíblico. 8 Nº 17 Ciências das Origens universal. A falta de aceitação não foi causada pela sua defesa do Uniformismo (Atualismo), nem pela oposição aos geólogos fundamentalistas, mas sim pela evidência científica, os próprios fatos geológicos que pareciam contrários à idéia de Lyell a respeito de processos uniformes com longos períodos de tempo. Os críticos de Lyell sustentavam que a pesquisa deve ser levada a cabo com evidências e observações, e não dando preferência a arrazoados teóricos. O que Lyell e seus seguidores uniformistas conseguiram com a preferência dada às suas posições teóricas foi que os geólogos passaram a estabelecer antecipadamente, como funciona a natureza (por meio de processos uniformistas ao longo de muito tempo), para interpretar os dados obtidos da observação. O livro ilustra como a agenda ou o projeto apistemológico de uma pessoa dirige a pesquisa científica e estabelece a base para o desenvolvimento de um campo inteiro do conhecimento. Os cientistas nos últimos sessenta anos têm tentado romper o curso uniformista de Lyell, que é um obstáculo para a completa compreensão dos fenômenos geológicos, sem dar-se conta de que esse curso foi de alguma maneira o resultado de uma pequena mentira de um homem que quis se sobrepor a outros cientistas contemporâneos, os quais tinham boas razões científicas para se opor a ele.

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SERES HUMANOS MODERNOS E BABEL Raúl Esperante Geoscience Research Institute, Loma Linda, Califórnia Cro-Magnon é o termo francês utilizado pelos paleontólogos para nomear certos restos de seres humanos fósseis encontrados em alguns lugares da Europa. Os cientistas agora classificam estes fósseis como Homo sapiens porque crêem que as dimensões físicas do Cro-Magnon não são suficientemente diferentes das dimensões dos seres humanos modernos para ter uma designação separada. Assim, os cientistas evolucionistas os consideram como primitivos seres humanos modernos que viveram de 40.000 a 10.000 anos atrás, durante o chamado Paleolítico Superior Europeu. O termo Cro-Magnon está em desuso por parte dos cientistas porque não se refere a um grupo taxonômico particular de seres humanos fósseis, e devido à grande semelhança morfológica entre estes fósseis e os seres humanos modernos, a maioria dos paleontólogos prefere chamá-los "Humanos Anatomicamente Modernos" ou "Primitivos Humanos Modernos". Entretanto, algumas publicações recentes ainda utilizam o nome antigo. O termo provém da gruta de Cro-Magnon no sudoeste francês, onde o primeiro espécime foi encontrado em 1868 durante a construção de uma ferrovia. Este primeiro espécime, chamado Cro-Magnon 1 (figura ao lado), foi escavado fora de um abrigo da rocha e consiste de um esqueleto masculino adulto (baseado na padrão de suturas cranianas). Os ossos do rosto mostram numerosas marcas resultantes de infecção por fungos. O crânio de Cro-Magnon 1 mostra traços que são peculiares aos seres humanos modernos, incluindo a calota craniana arredondada com a parte frontal quase vertical. As órbitas não são circundadas por protuberâncias supraorbitais destacadas e não há um prognatismo proeminente do rosto. Segundo antropólogos do Instituto Smithsonian em Washington, “a condição e colocação de ornamentos, incluindo pedaços de cascas e dentes de animais que parecem ter sido pendentes ou colares, leva os pesquisadores a pensar que os esqueletos foram enterrados intencionalmente em uma só sepultura no abrigo. A análise da patologia dos esqueletos encontrados no abrigo da rochoso de Les Eyzies indica que os seres humanos deste período tiveram uma vida dura fisicamente. Além da infecção indicada acima, vários dos indivíduos encontrados no abrigo tinham as vértebras do pescoço fundidas, o que indica lesão traumática, e a fêmea adulta encontrada no abrigo teria sobrevivido certo tempo com uma fratura no crânio. A sobrevivência de indivíduos com tais doenças é indicativa de que na comunidade era prestada ajuda aos indivíduos convalescentes”.(1) As escavações demonstraram que os Cro-Magnon tinham uma cultura desenvolvida que produzia uma variedade de sofisticadas ferramentas tais como facas retocadas, raspadores e ferramentas finas feitas de ossos. Os Cro-magnon tiveram uma avançada cultura marcada por uma grande diversificação e especialização das ferramentas (a cultura Aurignaceana). Inventaram o buril, ou a ferramenta de gravação que fez possível grande parte de sua arte, incluindo o talhado e a escultura de pequenos gravações, relevos e figuras no solo, de seres humanos e também de animais. Os Cro-Magnon pintavam as pare- des das cavernas e dos abrigos rochosos nos quais viveram e que aparecem na Espanha, França e outros países europeus. Os Cro-Magnon enterravam seus mortos. Recentemente os cientistas conseguiram o mtDNA antigo(2) de um espécime de Cro-Magnon, considerado como tendo 28.000 anos, encontrado na Caverna de Paglicci, Itália (Paglicci 23) e compararam sua composição com a do mtDNA de seres humanos modernos. O estudo conduzido por David Caramelli, concluiu que “o indivíduo de Paglicci 23 tinha uma seqüência de mtDNA que continua sendo comum na Europa, e que se diferencia substancialmente da do Neandertal, que foi quase contemporâneo, demonstrando uma continuidade genealógica através de 28.000 anos desde o Cro-Magnóide aos europeus modernos”.(3) Em outras palavras, os Cro-Magnon perma- Este crânio de Cro-Magnon foi descoberto num corte rochoso durante a construção de ferrovia em Lês-Eysies, França. Foi reconstruído para mostrar a provável morfologia original. Nº 17 Ciências das Origens 9

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neceram diferentes dos Neandertais apesar da suposta coexistência durante 1.000 a 10.000 anos.(4) Este e outros estudos revelam interessante informação sobre a natureza dos seres humanos fósseis e de sua relação com os seres humanos modernos. Também mostram como mudam os cenários evolucionistas propostos para o surgimento e diversificação dos seres humanos. Um exame detalhado das provas e pressuposições por trás da historia evolucionista da origem do homem moderno requer algumas perguntas que expõem a debilidade dessa história. • Seria realmente possível aos Neandertais e aos Cro-Magnon viverem lado a lado, supostamente durante 30.000 anos e nunca se cruzarem reprodutivamente? Este é um período de tempo muito longo sem nenhum intercâmbio sexual entre os dois grupos humanos que viveram no mesmo continente, e ao mesmo tempo. Este fato está dividindo os evolucionistas, alguns dos quais ainda sustentam que os dois grupos humanos não interagiram reprodutivamente, enquanto outros cientistas dizem que é impossível eliminar alguma mescla entre os dois grupos. • O espécime de Paglicci 23 está datado em 28.000 anos e é virtualmente idêntico, anatômica e geneticamente, aos europeus modernos. Seria possível não ter havido evolução genética entre o tempo em que viveu o Cro-Magnon e o presente? • Seria possível aos Neandertais e aos Cro-Magnon viverem na Europa durante dezenas de milhares de anos e não povoarem o resto do mundo? Sabemos quão rapidamente crescem as populações humanas, inclusive em condições difíceis. Os resultados arqueológicos indicam que estes seres humanos não eram estúpidos e/ou subdesenvolvidos. Eram suficientemente aptos, até mesmo para caçar mamutes, cervos e outros animais grandes, e representar suas atividades nas impressionantes cenas de caça que adornam as paredes dos abrigos e das cavernas nas rochas onde viveram. É difícil imaginar que tudo isso sucedeu durante várias dezenas de milhares de anos sem nenhum avanço. Por que eles desenvolveram técnicas sofisticadas de caça e não aprenderam a montar a cavalo? Os arqueólogos costumavam crer que estes “Primitivos Humanos Modernos” eram nômades, porém agora os cientistas afirmam que eram sedentários, pelo menos durante longos períodos de tempo. Se assumirmos que isto é verdade, por que os Cro-Magnon viveram em cavernas durante tanto tempo e não construíram casas de pedra ou madeira? Por que levaram milhares de anos para domesticar cavalos, vacas e outros animais, e construir abrigos permanentes? A Bíblia pode proporcionar um quadro no qual se pode responder estas perguntas. Os seres humanos (e o resto dos organismos) não estiveram na Terra por tanto tempo. Lemos em Gênesis 11 que os pós-diluvianos se dispersaram depois de Babel, em clãs familiares diferentes, sobre muitas áreas dos continentes. Parece que vários grupos continuaram habitando o Oriente Médio e a Península de Anatólia, e construíram cidades, desenvolveram sistemas completos de escrita, agricultura, e leis políticas e sociais. Os grupos que emigraram para a Europa e norte da Ásia, fizeram frente a condições muito adver- • sas devido à Idade do Gelo, que provavelmente retardou o desenvolvimento da agricultura, escrita e a construção de estabelecimentos permanentes. Talvez os Neandertais chegaram primeiro à Europa e mais adiante os supostos Cro-Magnon, sendo, ainda, ambos descendentes de Noé. Este cenário elimina a necessidade de longos períodos de tempo que se estendam por dezenas de milhares de anos para a chegada e a presença de seres humanos modernos na Europa. Uma cronologia curta, estendendo-se de algumas centenas a vários milhares de anos depois do Dilúvio de Gênesis pode explicar melhor a semelhança genética entre os Cro-Magnon e os seres humanos atuais, muitos dos resultados arqueológicos e a cultura associada aos Cro-Magnon. Esta interpretação sobre quem foram os Cro-Magnon e sua origem, é uma possibilidade dentro de um ponto de vista criacionista e pós-diluviano. Mais resultados, investigação e estudo adicional ajudarão a esclarecer quem foram estes grupos de pessoas e o quê lhes sucedeu. Enquanto isso, não devemos convertê-los em tema de dogma cientifico ou de fé religiosa. 1. http:// anthropology.si.edu/HumanOrigins/há/ cromagnon.html. 2. mtDNA é o DNA encontrado na mitocôndria das células eucarióticas, inclusive de seres humanos. Ele difere do DNA encontrado nos cromossomos do núcleo da célula, em tamanho, forma e função. 3. Caramelli, D., Milani, L., Vai, S., Modi, A., Pecchioli, E., Girardi, M., Pilli, E., Lari, M., Lippi, B., Ronchitelli, A., Mallegni, F., Casoli, A., Bertorelle, G. And Barbujani, G., 2008. "A 28.000 Years Old Cro-Magnon mtDNA Sequence Differs from All Potencially Contaminating Modern Sequences." PLoS ONE, 3(7), e2700. 4. Mellars, P., 206. "A new radiocarbon revolution and the dispersal of modern humans in Eurasia." Nature, 439(7079), 931-935. Referências PESQUISADORES DO GRI PARTICIPAM DO CONGRESSO CRIACIONISTA EM SÃO PAULO, BRASIL Dr. Roberto E. Biagi (Sede Sul-americana do GRI na UAP) De 15 a 18 de janeiro de 2009, no campus São Paulo da UNASP (Centro Universitário Adventista de São Paulo), Brasil, aconteceu o 6º Encontro Nacional de Criacionistas, sobre “Evidências e Especulações sobre as Origens”. O evento foi especialmente dirigido para docentes, universitários e estudantes de nível médio, líderes religiosos, e pesqui10 Nº 17 Ciências das Origens sadores. Foi organizado pela Dra. Márcia Oliveira de Paula e seus colaboradores, docentes e administradores do UNASP (SP), sob o patrocínio do NEO: Núcleo de Estudos das Origens (UNASP) e pela UNASP-São Paulo. Mais de 250 participantes puderam escutar e participar de discussões e diálogos com os expositores (pesquisadores do GRI e do Brasil), de uma variada e atualizada temática: o Dr. Jim Gibson (diretor do GRI, com sede central em Loma Linda, Califórnia) dissertou, na cerimônia inaugural, sobre a natureza da ciência; o Dr. Raúl Esperante (GRI-Loma Linda, Califórnia) apresentou os variados e insatisfatórios modelos de explicação da origem

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da vida a partir da perspectiva naturalista, como também modelos para a origem e extinção dos dinossauros. Seguindo com as Ciências da Terra, o Dr. Ronny Nalin (GRI-Loma Linda, Califórnia) apresentou os padrões de registro fóssil e seu significado para o desenvolvimento da crosta terrestre. Várias apresentações mostraram indícios que justificam um modelo catastrófico pra o desenvolvimento de uma boa parte da coluna geológica. O Dr. Nalin mostrou como os grandes depósitos sedimentares e processos associados desafiam o uniformismo geológico. O Dr. Nahor Neves de Souza Jr. (GRI-UNASPCampus EC), apresentou possíveis eventos para o início e final de uma grande catástrofe, e o Dr. Roberto E. Biaggi (GRIUAP, Argentina), falou sobre algumas evidências paleontológicas de catastrofismo (Fig. 1). O Dr. Biaggi também teve duas apresentações com o tema "Fé, Ciência e Bíblia: razões para confiar", no sábado pela manhã no templo central do campus UNASP-São Paulo para todos os membros da comunidade. Na sexta-feira de tarde o Dr. Ben Clausen (GRI-Loma Linda, CA) apresentou um tema sempre esperado e controvertido sobre a datação radiométrica e o tempo, mostrando como os criacionistas tratam o assunto tão difícil, e no encerramento do evento ele fez uma apresentação muito especial e alentadora sobre como crer apesar da incerteza. Por sua vez, vários colegas de várias instituições brasileiras apresentaram uma série de colocações de relevante atualidade: O Dr. Urias Echterhoff Takatohi, UNASP-SP: "A Bíblia e o mundo físico"; o Dr. Wellington Silva, IAENE: "Gênesis, genes e etnias"; o Dr. Yuri Tandel, Geoinform: "Algumas evidências pró e contra o criacionistmo"; o Prof. Enézio E. de Almeida Filho, Núcleo de Design Inteligente, Brasil: "Alguns aspectos de mérito científico da teoria do design inteligente". Os assistentes puderam formular perguntas aos conferencistas, e formou-se um painel de expositores que debateu e respondeu perguntas do público em relação à temática: "Evidências e Especulações sobre as Origens" (Fig. 2). A Sociedade Criacionista Brasileira, com a presença e nas palavras de seu fundador Dr. Ruy Carlos de Camargo Vieira, lançou uma nova publicação: "Criação – Criacionismo Bíblico", e para alegria dos participantes foram presenteadas várias de suas publicações. A seguir, num evento muito emocionante para a instituição, os participantes puderam celebrar a inauguração do futuro Museu de Ciências Naturais da UNASP. Os apresentadores e um grupo de alunos de pós-graduação, interessados em Ciências das Origens, puderam participar de uma excursão ao final do encontro. Figura 1. Pesquisadores do GRI Ronny Nalin (segundo a partir da esquerda para a direita), e Roberto Biaggi (centro), respondem perguntas do público após as suas apresentações, em um painel dirigido por Rui Corrêa Vieira (Sociedade Criacionista Brasileira), com a participação do Prof. Enios Carlos Duarte (UNASP-SP) e a organizadora do evento, Dra. Márcia Oliveira de Paula. Figura 2. Membros da mesa redonda debatem o tema Evidências e Especulações sobre as Origens. Dirige a palavra o geólogo Dr. Marcos Natal de Souza Costa (UNASP-SP) que junto com seus colegas fizeram curtas apresentações e logo conduziram um debate muito proveitoso e responderam perguntas e comentários do público. Figura 3. Participantes da excursão geo-paleontológica (liderada pelos Drs. Souza Costa e Tandel, a direita na foto) posam na Cratera Cruzeiro onde afloram sedimentos da formação Irati, do Permiano Superior. Os visitantes puderam encontrar nesses folhetos escuros restos dos famosos mesossauros, evidência do supercontinente Gondwana. CURSO SOBRE O ENSINO DA CRIAÇÃO E EVOLUÇÃO O Geoscience Research Institute de Loma Linda e sua filial na UAP, Argentina, estão organizando nas escolas adventistas um curso intensivo sobre o ensino relacionado com as origens. O curso será oferecido em dois locais, em Fevereiro de 2009 conforme explicitado abaixo. Para mais informações, entrar em contato com o Dr. Roberto Biaggi pelo email: rebiaggi@ gmail.com. • 11-12 de fevereiro, na Universidad Adventista del Plata (Argentina) • 15-18 de fevereiro, na Universidad Peruana Unión (Peru) Nº 17 Ciências das Origens 11

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A OPINIÃO DO LEITOR Na revista Ciências das Origens queremos ouvir a opinião dos leitores. Façam-no chegar seus comentários sobre os artigos publicados, ou sua colaboração para possíveis artigos. Os comentários devem ser pertinentes e breves, com no máximo 150 palavras. Pode-se utilizar a página do GRI na internet: http://www.grisda.org para enviar suas contribuições, que serão avaliadas pela nossa equipe. “CIÊNCIAS DAS ORIGENS” é uma publicação semestral do Geoscience Research Institute, situado no Campus da Universidade de Loma Linda, Califórnia, U.S.A. A Divisão Sul-Americana da Igreja Adventista do Sétimo Dia provê recursos para que esta edição em português de "Ciências das Origens" chegue gratuitamente a professores de cursos superiores interessados no estudo das origens. Interessados no recebimento de números anteriores, em forma impressa, ainda disponíveis, deverão solicitá-los preenchendo o cupom que se encontra no final desta página. Todas as edições já traduzidas encontram-se disponibilizadas no site www.scb.org.br em formato PDF. Conselho Editorial Ben Clausen James Gibson Roberto Biaggi Timothy Standish Ronald Nalin Diretor James Gibson Editor Raul Esperante Secretária Carol J. Olmo Projeto e diagramação: Katherine Ching Site: http://www.grisda.org e-mail: ciencia@grisda.org Tiragem desta edição: 2.000 exemplares Formulário de Solicitação de Publicações da SCB: Nome:_________________________________________________________________________________________________  Sr.,  Sra.,  Srta. Endereço:________________________________________________________________________________________________________________ CEP: ________________-_______ Cidade: ________________________________ Estado: ___________________ País: _ ____________________ Telefone ou FAX para contatos eventuais: Tel: (____)-_______________ Fax (____)-_______________ e-mail:___________________________________________________________________________________________________________________ Quantidade Código FC-68 RC-69 RC-70 RC-71 RC-72 RC-73 RC-74 RC-75 RC-76 RC-77 RC-78 RC-79 RC-80 Descrição Revista Criacionista nº 68 Revista Criacionista nº 69 Revista Criacionista nº 70 Revista Criacionista nº 71 Revista Criacionista nº 72 Revistas Criacionistas nº 73 e 74 Preço unitário 8,00 10,00 10,00 10,00 10,00 10,00 Preço total (R$) Após receber a comunicação de confirmação de seu pedido, favor efetuar o depósito do valor respectivo, em uma das contas bancárias da Sociedade Criacionista Brasileira, a seguir: Banco Bradesco Agência 241-0 Conta Corrente 204874-4 Banco do Brasil Ag. 1419-2 Conta Corrente 0007643-0 Posteriormente nos encaminhe o comprovante do depósito via fax: (61)3468-3892 ou o recibo escaneado via nosso e-mail: scb@scb.org.br ou cópia xerox via postal para o seguinte endereço: Sociedade Criacionista Brasileira Caixa Postal 08743 70312-970 – Brasília DF BRASIL Ao recebermos o comprovante de depósito, procederemos a remessa do material solicitado. Revistas Criacionistas nº 75 e 76 10,00 Revistas Criacionistas nº 77 e 78 10,00 Revistas Criacionistas nº 79 e 80 10,00 SUB-TOTAL (Soma de todas as importâncias da solicitação) Caso queira receber o material por SEDEX, o valor do acréscimo será de no mínimo R$ 25,00 ou 20% do total do pedido, o maior dos dois valores. Para entregas normais nenhum valor de postagem será acrescentado. TOTAL (Soma total do pedido a ser depositado na conta corrente conforme descrição ao lado) Para a aquisição de números de “Ciências das Origens” em português ainda disponíveis em forma impressa, preencher este cupom e enviar para a Sociedade Criacionista Brasileira, no endereço abaixo, com cheque ou depósito bancário em nome da Sociedade Criacionista Brasileira, Banco Bradesco, Agência 241-0 conta corrente 204.874-4 ou Banco do Brasil, Agência 1419-2, conta corrente 7643-0, para o pagamento do porte postal, no valor de R$ 10,00. Nome:_ _____________________________________________________________________________________________ Endereço para remessa:________________________________________________________________________________ CEP:_ _________________ Cidade:_____________________________________________ Unidade da Federação:_ ______ e-mail:______________________________________________ Telefone: (____)___________________________________ Enviar por e-mail, fax ou correio normal, juntamente com cópia do comprovante de depósito ou cheque para: Sociedade Criacionista Brasileira Caixa Postal 08743 70312-970 – Brasília DF BRASIL Telefax: (61)3468-3892 e-mail: scb@scb.org.br Site: http://www.scb.org.br 12 Nº 17 Ciências das Origens

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