Educação em Primeiro Lugar

 
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Educação em Primeiro Lugar Dezembro 2015

Popular Pages


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Revista da Cruz Azul de São Paulo Ano II | N° 8 | Dezembro/2015 | Distribuição gratuita Boas Festas! 1: Ano Novo 9: Carnaval / 10: Cinzas 20: Outono / 25: Paixão 27: Páscoa 21: Tiradentes 1: Dia do Trabalho 8: Dia das Mães 26: Corpus Christi 12: Dia dos Namorados 20: Inverno 14: Dia dos Pais 7: Indep. do Brasil 22: Primavera 12: Nossa S. Aparecida/ Dia das Crianças / 15: Dia dos Professores 18: Dia dos Médicos 2: Finados 15: Procl. da República 20: Dia da Consciência Negra 21: Verão 25: Natal

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Sumário 3 Ensinamentos da esperança 4 Festas de fim de ano, álcool e jovens, uma mistura perigosa 8 Combate ao consumismo infantil 10 Internet Entre o bem e o mal e o cyberbullying 12 16 Alimentação e Saúde 14 Transtorno do Pânico ou Síndrome do Pânico Brasil tem 16,6 milhões de voluntários 18 Fim de ano, férias, verão e doenças que podem acabar com a festa 20 Unidades de Educação Cruz Azul Revista Educação em Primeiro Lugar é uma publicação trimestral da Cruz Azul de São Paulo Expediente 2 Corpo Diretivo: Cel PM Julio Antonio de Freitas Gonçalves - Superintendente | Cel PM Renato Aldarvis - Coordenador de Saúde | Dra. Joyce Mari Stocco - Coordenadora Clínica | Cel PM Renato Penteado Perrenoud - Coordenador de Educação | Cel PM Marcos Roberto Chaves da Silva - Coordenador de Logística | Cel PM Leônidas Pantaleão de Santana - Coordenador de Sustentabilidade | Cel PM Aguinaldo Nobre de Mello - Coordenador de Finanças | Cel PM Edson Teixeira Costa - Chefe de Gabinete. Publicação desenvolvida pela equipe da Gerência de Comunicação Corporativa: Elisabeth Diniz, Erika Moraes, Fernanda Bigliatto, Lucas Leandro, Rafaela Vieira, Sabrina Tono e Thiago Moreira. Jornalista Responsável: Walter Mazar - MTb.: 16.431/SP Banco de imagens: Acervo Cruz Azul e Shutterstock Tiragem: 25.000 exemplares Dezembro/2015 | comunicacao@craz.com.br | www.cruzazulsp.com.br Revista Educação em Primeiro Lugar - N° 8 - Dezembro/2015

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A “esperança” é um estado emocional e crença de que aquilo que desejamos para nós, para a família, para os amigos e para a sociedade é possível apesar de todas as adversidades. A “esperança” pode ser fruto de critérios lógicos ou da fé, porém, de qualquer forma, os resultados pretendidos jamais surgirão da inércia, da apatia, do desânimo. Eles somente serão possíveis por meio da perseverança. O País vive um momento difícil, e não é a primeira vez. A história – inclusive recente –, prova que o brasileiro é, realmente, um forte, que não estremece frente às dificuldades e, como popularmente se diz, sabe como ninguém se levantar, sacudir a poeira, dar a volta por cima e colocar o trem no trilho para ir em frente e atingir seus objetivos. Um novo ano está chegando, momento de se renovar as “esperanças”. No âmbito da Educação, um dos pilares da Cruz Azul de São Paulo, antes de lamentar o passado, preferimos pensar nas perspectivas e possibilidades. Desejamos que 2016 seja o marco de mudanças, de valorização dos profissionais da área e de soluções efetivas e sustentáveis para a população. Se “esperança” ensina, vamos aproveitar todo o aprendizado e tirar nota máxima no “ano letivo” que se inicia. Desejamos um Feliz Natal e um excelente Ano Novo a toda comunidade da Cruz Azul e a você, leitor de Educação em Primeiro Lugar, dedicamos este poema sobre “esperança”, de Clarice Lispector: “ Sonhe com o que você quiser. Vá para onde você queira ir. Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela só temos uma chance de fazer aquilo que queremos. Tenha felicidade bastante para fazê-la doce. Dificuldades para fazê-la forte. Tristeza para fazê-la humana. E esperança suficiente para fazê-la feliz. ” Cruz Azul de São Paulo 3 Opinião 3 Ensinamentos da esperan�a

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aLCOOLISMO Festas de �im de ano, álcool e �ovens, uma mistura peri�osa No Natal e Ano Novo são comuns os excessos com bebidas alcoólicas, especialmente entre jovens, que estão consumindo cada vez mais a “droga lícita” Os atendimentos emergenciais a jovens com sintomas de embriaguez se tornaram rotineiros no País, especialmente nos finais de semana, feriados e festas de fim de ano. O dia a dia dos prontos-socorros atestam os dados de diversas pesquisas sobre o elevado consumo de álcool por adolescentes, no Brasil e no Mundo. Segundo a última Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (PeNSE), realizada em 2012 – nova pesquisa foi realizada este ano, mas sem data de divulgação –, 50,3% dos estudantes responderam “sim” à pergunta “Alguma vez na vida você tomou uma dose de bebida alcoólica?”. A proporção feminina (51,7%) foi maior que a masculina (48,7%). O consumo de álcool nos últimos trinta dias foi de 26,1% e não apresentou diferença significativa entre os sexos (homens 25,2% e mulheres 26,9%). As capitais com maiores percentuais foram Porto Alegre (34,6%) e Florianópolis (34,1%). Os menores índices foram registrados em Belém (17,3%) e Fortaleza (17,4%). Os estudantes também relataram as formas mais comuns de adquirir bebida alcoólica: festas (39,7%), amigos (21,8%), comércio (15,6%) e na própria residência (10,2%). Quanto a episódios de embriaguez, 21,8% confirmaram sintomas de alcoolismo pelo menos uma vez na vida (22,5% da rede pública e 18,6% de escolas particulares). 4 Revista Educa�ão em Primeiro Lu�ar - N° 8 - Dezembro/2015

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Lenad e OMS O II Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), realizado em 2012, pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), indicou que um A pesquisa da OMS destaca que o consumo de álcool em cada dois jovens consome bebida alcoólica – é mais preocupante na Europa: de 11 a 13 litros por prática que se inicia, geralmente, aos 15 anos–, pessoa/ano, especialmente na Alemanha, França, e 36% afirmaram praticar o “binge drinking”, Grã-Bretanha e Portugal. A consumo episódico com Rússia lidera o ranking, com grande volume de bebida. O consumo per capita/ano de 15 A cada 36 horas um jovem brasileiro relatório também destacou litros. morre por intoxicação alcoólica que a quantidade de jovens que dirige alcoolizada é ou complicação decorrente do O consumo médio do alarmante: cerca de um terço consumo exagerado de bebida, brasileiro é de 8,7 litros/ conduziu veículos após o segundo últimos dados do ano. Apesar de representar consumo de bebida. uma queda em relação aos Ministério da Saúde Em meados de 2014, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou o Relatório Global sobre Álcool e Saúde, que apresentou informações sobre o consumo de álcool no mundo e avaliou os avanços realizados nas políticas do álcool desde a publicação das Estratégias Globais para Redução do Uso Nocivo do Álcool (2010). resultados de 2003 a 2005, quando foram consumidos 10 litros/ano por pessoa, o consumo de álcool no País está muito longe do desejado, pois ainda estamos acima da média mundial: 6,2 litros/ano por pessoa a partir de 15 anos. Sobre alimentos nas festas de fim de ano, vire a revista e veja em Saúde em Primeiro Lugar, páginas 6 e 7. O documento alertou que, além da dependência, o consumo exagerado de álcool pode provocar mais de 200 tipos de doenças e que a droga lícita mata mais que Aids, violência e tuberculose. Lei torna crime a venda de �e�ida alco�lica para crian�as e adolescentes O Brasil deu um passo importante para o combate ao consumo de álcool com a aprovação da Lei nº 13.106, que entrou em vigor no último dia 17 de maio e criminaliza a venda de bebidas alcoólicas para crianças e adolescentes. É proibido, de acordo com o texto, vender, fornecer, servir, ministrar ou entregar a menores bebidas alcoólicas e outros produtos que possam causar dependência. A nova lei altera o Estatuto da Criança e do Adolescente e revoga o Inciso I do artigo 63 da Lei das Contravenções Penais. Agora, quem for pego cometendo crime poderá cumprir pena de dois a quatro anos prisão, além de multa de R$ 3 mil a R$ 10 mil e interdição do estabelecimento comercial. Cruz Azul de São Paulo 5 Alcoolismo 5

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aLCOOLISMO Consumo de �e�idas entre �ovens Cristiane Muniz e Edenízia Bernardi, psicólogas do Colégio PM – Unidade Itaquera Atualmente, as pesquisas indicam que o consumo de álcool por jovens se inicia cada vez mais cedo. A adolescência é marcada por mudanças físicas e psicológicas e existem significativos fatores de risco presentes nesta fase, como o desejo de experimentar o novo, a crise de identidade e a maneira como lida com os conflitos, que deixam o jovem vulnerável a buscar alternativas que o prejudicarão, tanto na saúde como no convívio social. Essa situação pode ser agravada se associada a contexto familiar desagregador e à vulnerabilidade sociocultural. É importante destacar alguns fatores que predispõem os jovens ao uso: o acesso fácil às bebidas alcoólicas, o significativo poder que a mídia exerce sobre o comportamento das pessoas, a ausência de limites sociais, o desejo de ser aceito pelo grupo de amigos, a falta de estrutura familiar, o mau exemplo de alguns pais, a falta de diálogo, de atenção, a ausência de regras e limites, além dos diversos fatores emocionais negativos. Cabe um alerta aos pais de que consumir bebida alcoólica com frequência é uma sinalização do adolescente de que algo está errado em sua vida, é um pedido de ajuda que não pode ser ignorado. Ribeiro et al. (2007) destaca os prejuízos que o consumo de álcool pode trazer para vida do adolescente, por acarretar violência, acidentes, problemas de saúde, absenteísmo escolar, deficit de aprendizagem, dificuldade de ingresso na carreira profissional e atritos familiares. O Colégio PM promove atividades com os jovens para conscientizá-los de que as substâncias lícitas como álcool, cigarro e narguilé são a porta de entrada para o consumo e vício em outras drogas, bem como alertar sobre o prejuízo à saúde física, emocional e moral. Dentre as atividades desenvolvidas, o PROERD (Programa Educacional de Resistência às Drogas), aplicado pela Polícia Militar do Estado de São Paulo aos alunos do 5º ano do Ensino Fundamental. É um trabalho significativo e efetivo na luta contra o consumo de qualquer substância psicoativa, por atuar com as crianças que estão para ingressar na adolescência, de forma a deixá-las informadas e conscientes sobre os malefícios dessas substâncias. O Projeto Escola da Inteligência, do autor Augusto Cury, aplicado com os alunos da 1ª série do Ensino Médio, teve como objetivo fortalecer a inteligência socioemocional e a identidade do adolescente para que consiga resistir às pressões sociais. É importante promover vivências para desenvolver no jovem a autoestima, construir a identidade fundamentada no autoconhecimento e nos valores humanos, éticos e morais, saber resistir às pressões sociais, saber conviver com as diferenças e expor suas ideias com argumentação e estabilidade emocional. Desse modo, entendemos que precisamos de um trabalho em conjunto com a família, a escola e as instituições parceiras do Colégio; e oportunizar orientações, exemplos e conscientização para que os jovens se mantenham distantes desse perigo iminente, que parece tão inofensivo, mas que traz danos irreparáveis. Referência Bibliográfica RIBEIRO, P.C.P. et al. Uso e abuso de álcool na adolescência. Revista Oficial do Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente / UERJ. Rio de Janeiro, 2007. 6 Revista Educa�ão em Primeiro Lu�ar - N° 8 - Dezembro/2015

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Consumismo Com�ate ao consumismo in�antil “Ninguém nasce consumista. O consumismo é uma ideologia, um hábito mental forjado que se tornou uma das características culturais mais marcantes da sociedade atual. Não importa o gênero, a faixa etária, a nacionalidade, a crença ou o poder aquisitivo. Hoje, todos que são impactados pelas mídias de massa são estimulados a consumir de modo inconsequente. As crianças, que vivenciam uma fase de peculiar desenvolvimento e, portanto, mais vulneráveis que os adultos, não ficam fora dessa lógica e, infelizmente, sofrem cada vez mais cedo com as graves consequências relacionadas aos excessos do consumismo: obesidade infantil, erotização precoce, consumo precoce de tabaco e álcool, estresse familiar e banalização da agressividade e violência, entre outras. Nesse sentido, o consumismo infantil é uma questão urgente, de extrema importância e interesse geral.” 8 Revista Educa�ão em Primeiro Lu�ar - N° 8 - Dezembro/2015

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O texto anterior, que integra o artigo “Consumismo infantil, um problema de todos”, da Organização Não Governamental (ONG) Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, tem como objetivo conscientizar pais, educadores e sociedade em geral sobre um problema muito pouco comentado, discutido, mas com grande poder de transformação de crianças em cidadãos extremamente consumistas, dispostos a gastar além de suas possibilidades apenas para satisfazer um impulso arraigado desde a infância. Segundo a entidade, para o mercado global, a criança é, em primeira instância, um consumidor em formação, além de poderosa influência nos processos de escolha da família. As crianças brasileiras, de acordo com dados do Projeto Criança e Consumo, influenciam 80% das decisões de compra, como carros, roupas, alimentos e eletrodomésticos, entre muitos outros. Em outro trecho do artigo, o Projeto Criança e Consumo afirma combater “qualquer tipo de comunicação mercadológica dirigida às crianças por entender que os danos causados pela lógica insustentável do consumo irracional podem ser minorados e evitados, se, efetivamente, a infância for preservada em sua essência, com o tempo indispensável e fundamental para a formação da cidadania. Indivíduos conscientes e responsáveis são a base de uma sociedade mais justa e fraterna, que tenha a qualidade de vida não apenas como um conceito a ser perseguido, mas uma prática a ser vivida.” Para saber mais sobre o Projeto, acesse: www.criancaeconsumo.org.br Re�ula�ão da pu�licidade in�antil O Senado Federal aprovou, em 30/10, projetos para o Código de Defesa do Consumidor, entre eles, a regulação da publicidade infantil. O atual texto do Código determina como abusiva a publicidade discriminatória de qualquer natureza, a que incite à violência, explore o medo ou a superstição, se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança, desrespeita valores ambientais, ou que seja capaz de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua saúde ou segurança”. O novo texto proposto pelo Projeto de Lei nº 283/2012 mantém as considerações do atual Código, porém, detalha o conceito de abusividade da publicidade direcionada às crianças e inclui a vedação ao apelo imperativo de consumo dirigido à criança, ao uso da criança e do adolescente como porta-vozes, bem como a proibição de promover discriminação ou sentimento de inferioridade entre crianças e adolescentes. Fonte: Projeto Criança e Consumo Cruz Azul de São Paulo 9 Consumismo 9

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Internet Internet Entre o �em e o mal e o c��er�ull�in� A internet é um caminho sem volta, para o bem e para o mal, e os dois lados avançam de forma vertiginosa. O mundo www (World Wide Web, em português, “Rede Mundial de Computadores”) é muito utilizado por instituições, organizações não governamentais e indivíduos (nas redes sociais) para unir pessoas em torno de causas nobres. Infelizmente, o inverso também é verdadeiro, pois o “mal” tem o seu próprio reinado. Além dos incontáveis vírus que roubam dados e destroem máquinas, os mais variados tipos de golpes têm na internet um meio propício para o sucesso e proliferação. A situação é ainda mais complicada e preocupante quando lembramos que este mundo da internet – que a maioria da humanidade conhece e tem acesso – é apenas a ponta do iceberg. A “deep web” (literalmente, “rede profunda”) ganhou repercussão mundial em 2013, quando o FBI (Federal Bureau of Investigation) dos Estados Unidos fechou o Silk Road (Rota da Seda), considerada a Amazon do tráfico de drogas. Apesar das diversas ações internacionais contra a “deep web”, ela cresce a cada dia, oferecendo os mais variados serviços, da lavagem de dinheiro e venda de armas à encomenda de assassinatos. passou a incorporar o termo “bullying” quando os ataques inundaram o mundo virtual. Muitas crianças e jovens melhores estruturados conseguem resolver seus “problemas de cyberbullying”, mas são uma minoria. Geralmente, pais, professores e diretores escolares são obrigados a intervir para que a situação não se agrave, pois existem diversos relatos no mundo sobre suicídios motivados por ataques virtuais. C��er�ull�in� Na atualidade, uma das maiores preocupações dos pais, escolas e especialistas de diversas áreas é o cyberbullying, a violência virtual. Os ataques, direcionados a crianças e jovens, acontecem, especialmente, pelas redes sociais, por meio de sites e aplicativos de celular. Há cerca de 15 anos, as provocações, intimidações e perseguições, principalmente no ambiente escolar, recebeu a denominação de “bullying”, que significa “intimidar”, “amedrontar”. O “cyber” (cibernético) 10 Revista Educa�ão em Primeiro Lu�ar - N° 8 - Dezembro/2015

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Viol�ncia virtual Alex Cares Moura, psicólogo do Colégio PM – Unidade Santo André A internet é uma rica ferramenta de comunicação e exposição de ideias. Porém, este vasto cenário de inovadoras tecnologias pode colocar em risco a saúde mental de nossas crianças e adolescentes quando usada de forma inapropriada. Para estimular o uso ético e seguro da internet, a Secretaria de Direitos Humanos desenvolveu uma série de conteúdos educativos para alinhar a educação em direitos humanos com as tecnologias digitais, tendo em vista o grande número de crimes de violência virtual, também conhecidos como cyberbullying. Como o espaço virtual é ilimitado, os comentários depreciativos se alastram rapidamente, tornando o bullying cada vez mais cruel. Deste modo, faz-se necessário intervenções constantes e significativas que levem os alunos a uma importante reflexão acerca de temas como: igualdade, respeito mútuo e senso crítico. Projetos contra o bullying e intervenções em sala de aula têm mostrado efeitos significativos em nossa unidade escolar. Cruz Azul de São Paulo 11 Internet 11

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Alimenta�ão Alimenta�ão e Sa�de Dra. Leda Rezende, nutróloga da Cruz Azul Entre 5 e 9 anos, o percentual de crianças com excesso de peso chega a 33,5%. Na adolescência, o quantitativo é de 20,5%. Além disso, os dados mostram que o estado nutricional na primeira infância repercute na vida adulta. Nesse contexto, a prevalência de excesso de peso em adultos tem crescido nos últimos anos. Em 2012, metade da população adulta estava com excesso de peso, sendo 17,2% com obesidade. Estes dados foram lançados pelo Governo Federal, baseado em pesquisa do IBGE. O meu convívio no dia a dia da rotina profissional gira, na grande maioria dos atendimentos, em torno do que e como os pais podem ou devem alimentar os filhos. Não há uma só consulta que não me coloque diante de um gráfico antropométrico, ou seja, de medida de peso, altura e massa corpórea em relação à idade cronológica. Entre linhas e pontinhos, tento demonstrar – ao menos como uma prova irrefutável – o efeito nocivo de escolhas alimentares inadequadas. E os prejuízos futuros associados que se contrapõem a um desenvolvimento físico saudável de uma criança. Pais discutem a alimentação. Filhos recusam a orientação. E os pais acatam as decisões de recusa na mudança de hábitos por parte dos filhos – ainda menores. Sem falar nas intervenções e críticas de todos os lados que são verbalizadas e trazidas à sala da consulta médica. Avós interferem e discordam formalmente e intencionalmente. Vizinhos opinam. E, muitas vezes, a tudo isso se anexa o discordar do pai ou da mãe diante da orientação dada. Em geral, os pais responsabilizam os filhos pelo excesso de peso. Há toda uma culpa e desculpa que, na realidade, tira o responsável e o dependente do lugar que deveriam ocupar. É sempre bom lembrar que os hábitos dos adultos são assimilados pelos filhos. E que o que parece ser inofensivo na infância será o agente agressor no adulto. Lidar com as doenças parece ser menos complicado do que lidar com os efeitos da alimentação inadequada. Com muito mais tranquilidade são aceitas as orientações medicamentosas do que dietéticas. Isso é fato. A maioria das crianças e adolescentes passa mais tempo na escola do que na própria casa. Sem contar os que complementam o horário da escola na casa de avós e cuidadores, retornando à casa no final do dia durante 5 dias na semana. O lanche é importante. Ocupa a metade das refeições indicadas. E esta é uma questão habitual por parte dos pais: o que oferecer no lanche. Há o lanche da manhã e o lanche da tarde. Há os que ficam na escola em período integral e os que ficam meio período. Nestes horários, em geral, as lancheiras são preenchidas com industrializados. Pais trabalham, acordam apressados e um estoque de ensacados e empacotados fazem da lancheira quase uma prateleira de supermercado. As crianças e adolescentes se habituam a rasgar saquinhos e colocar canudinhos em caixinhas. Escolas acabam por fornecer o mesmo tipo de alimentos e se alguém ficar a observar o intervalo para o lanche verá quase uma dança de mãos enfiadas em sacos e outra parte segurando caixinhas coloridas de todos os tipos de sucos. Adolescentes, em geral, recusam a oferta do “saudável” para não serem discriminados por colegas. Crianças menores e pré-adolescentes se desinteressam, sequencialmente, por frutas e 12 Revista Educa�ão em Primeiro Lu�ar - N° 8 - Dezembro/2015

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E, assim, 5 a 10 vezes por semana, 20 a 40 vezes por mês, 180 a 360 vezes por ano escolar, as crianças e os adolescentes se servem do inadequado para o balanço nutricional. Não precisa ser médico nem nutrólogo para avaliar o risco e os efeitos a médio e a longo prazos a que são tão cotidianamente expostos no presente – para pagar o preço alto no futuro. Presentear crianças com fast-food ou pacotes e mais pacotes de industrializados não é prêmio nem demonstração de afeto. A diferença entre o industrializado rápido e o preparo do alimento natural, na imensa maioria das vezes, altera o tempo de cozinha de 3 a 4 minutos – e prolonga a vida saudável em muitos e muitos anos! O ideal: organizar a lancheira ou os lanches da escola de forma adequada e rigorosa! Orienta��es para o preparo de lanc�eiras Alimentos aconselhados: Frutas Sucos de frutas – natural e sem acréscimo de açúcar Pão de forma/sírio/integral Fatia de bolo caseiro Iogurte Barra de cereal Queijo branco Queijo ricota Queijo cottage Garrafa de água Jamais devem constar das lancheiras os seguintes “alimentos” industrializados: Salgadinho Bolacha recheada Suco industrializado, de nenhum tipo Bolo industrializado Refrigerante Salgadinho em pacote Bala Chocolate Pão com maionese Embutido Cruz Azul de São Paulo 13 Cruz Azul de São Paulo 13 Alimenta�ão 13 sucos de frutas. A oferta de açúcar e sal nos industrializados acaba por criar uma rotina de paladar negativo, mas preferencial. E o sabor forte de condimentos vai compondo e definindo a tal lancheira “prateleira de supermercado”.

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Síndrome do Pânico Transtorno do Pânico ou Síndrome do Pânico Elaine Marini, psicóloga clínica e chefe do setor Psicologia Hospitalar da Cruz Azul O Transtorno do Pânico ou Síndrome do Pânico é um distúrbio de ansiedade que se caracteriza por ataques súbitos, seguidos de sintomas físicos, tais como taquicardia, aperto no peito, tremores, tonturas, formigamentos nas mãos, suores intensos com ondas de calor e calafrios, medo de morrer, sensação de estar saindo fora do corpo, dores migratórias e outros, o que leva o indivíduo a pensar que o problema é de origem física. O transtorno do pânico pode ser desencadeado em qualquer pessoa, não escolhendo sexo, mas se percebe que o quadro começa a aparecer na adolescência ou no início da idade adulta. As pesquisas mostram que a maior incidência é em pessoas de 25 a 45 anos de idade, de ambos os sexos. Apesar das pessoas do sexo feminino procurarem mais ajuda de um terapeuta, existe uma grande resistência por parte dos homens por esse tipo de ajuda. Creio que pela dificuldade em aceitar problemas psicológicos ou por crenças e valores de que os homens são mais fortes e resistentes que as mulheres. Quando os homens chegam ao consultório, com certeza, a maioria vem por indicação de profissionais da área médica, como clínico geral, cardiologista, neurologista e endocrinologista, entre outros. Ainda não se sabe a causa definida sobre o Transtorno do Pânico. Alguns psiquiatras e estudiosos dizem que a causa pode estar na deficiência de algum mensageiro químico do cérebro. Mas, na maioria dos casos, tem se percebido que o transtorno do pânico se desencadeia junto a um processo de stress, ou seja, o indivíduo está numa busca constante e incansável do objetivo de realização profissional ou pessoal, empregando toda sua energia e expectativa para alcançá-lo. Às vezes, depara-se com uma imensa sensação de vazio que, na realidade, deveria ser transformada em sensação de satisfação. Porém, ao contrário disso, começa a sentir uma sensação de inutilidade, que leva o indivíduo a crer que este não era o caminho de sua felicidade, pois, no decorrer do caminho, de muitas lutas e batalhas, percebe que o mais importante ficou para trás, ou melhor, que deixou de experimentar e vivenciar situações de prazer e lazer. O lazer, em uma investigação mais profunda no nível de pesquisas e levantamento de dados, percebe-se que ficou ausente durante toda a trajetória de busca deste indivíduo. Por ser um distúrbio de ansiedade generalizada, o Transtorno do Pânico leva o indivíduo a perder contato com a realidade atual, como se não existisse o presente e só o futuro; viver o momento presente é desfrutá-lo de forma prazerosa e feliz, o que não é possível com as crises ou fora delas, pois o indivíduo está muito voltado para o futuro. Muitos são os fatores desencadeantes do stress: o não reconhecimento dos próprios limites, dificuldades de relacionamento interpessoal, ausência de atividades de lazer, automedicação e problemas de relacionamento familiar, entre outros. Outras possíveis causas do pânico que ainda estão sendo estudadas e pesquisadas são consequências de uma série de cobranças impostas pela própria sociedade e também por dificuldades psicológicas ou emocionas desencadeadas no decorrer da vida do indivíduo, como exemplo: necessidade de valorização, sentimento de abandono e rejeição, perdas reais (mortes de entes queridos), ou seja, situações que não ficaram bem elaboradas e 14 Revista Educação em Primeiro Lugar - N° 8 - Dezembro/2015

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A principal diferença do Transtorno de Pânico de outros distúrbios de ansiedade está, justamente, nas crises inesperadas. É muito comum começar um ataque de pânico, mesmo que o indivíduo nunca tenha apresentado um outro tipo de fobia. Outra diferença é o medo intenso de morrer, medo este que deixa o indivíduo, no momento da crise, sem condições de raciocinar, pois os únicos pensamentos que lhe vem à mente são medo da morte, de ficar louco, o que traz um desconforto físico e emocional muito grande. A Psicoterapia, aliada a outros tratamentos terapêuticos, tem sido muito eficaz e com resultados surpreendentes, proporcionando ao indivíduo em crise mais segurança, eliminando o Os ataques de pânico duram, em média, de 5 a 20 minutos. Quem estiver perto de uma pessoa no momento da crise deverá ficar ao lado dela, tentando acalmá-la, falando coisas positivas e confortando-a. Não se deve tirar a pessoa do local onde a mesma está tendo a crise, pois isso poderia desencadear outros tipos de fobia, o que é muito comum acontecer. A pessoa passa a evitar o local e, a cada nova crise, vai evitando, cada vez mais, locais e situações que acredita ser desencadeadoras desses fatos, o que não é real. Se o indivíduo começar a alterar sua rotina de vida em razão das fobias pós-crises, acabará por reforçá-las. Cruz Azul de São Paulo 15 Síndrome do Pânico 15 integradas na estrutura emocional do indivíduo. medo, a ansiedade e a angústia.

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