RLB 16 - Mai/Jun

 

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Montevidéu sempre vale a pena

Popular Pages


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Ano 4 – nº 16 – Maio/Junho de 2013 – R$ 6,50

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Cartas/Expediente 2 Leitura de Bordo | Mai/Jun 2013 | www.leituradebordo.com.br

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Editorial www.leituradebordo.com.br | Mai/Jun 2013 | Leitura de Bordo 3

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|::Índice::| Outro olhar Proseando Entrevista Montevidéu ao entardecer De copas, cozinhas e banheiros Mascaro – Manifestações e Democracia |5| |6| |7| | 10 | | 11 | | 12 | | 15 | | 16 | | 21 | | 25 | | 26 | Decora Líder Brasília 2013 Bem viver Nutrição Itália Os benefícios das fibras alimentares Os encanto de Milão Fazendo a diferença Ponto de vista Especial Valduga, compromisso com a qualidade O Brasil que luta muito além das manifestações Montevidéu sempre vale a pena | 28 | Must-have | 30 | Cultura | 32 | Saúde | 33 | | 34 | Lançamentos para todos os gostos Cineclube Bancário Os olhos e o computador Quem viaja vive mais Roteiro testado Frio no Sul e Nordeste Retratos de viagem Os cuidados com a pele depois do verão Check in Seguro viagem, aliado contra imprevistos Na próxima edição A inauguração do Estádio Nacional de Brasília foi um dos pontos altos da Copa das Confederações, sediando o jogo de abertura entre Brasil e Japão. Caderno da Copa - na pág. 17. 4 Leitura de Bordo | Mai/Jun 2013 | www.leituradebordo.com.br Ft.: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr

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Outro olhar Montevidéu ao entardecer www.leituradebordo.com.br | Mai/Jun 2013 | Leitura de Bordo 5

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Especial de Brasília De Copas, cozinhas e banheiros Como se costuma dizer: quer conhecer uma casa, visite sua cozinha e seu banheiro pois, a “copa e a sala”, geralmente estão arrumadas para visitas!! Com a realização de grandes eventos como a Copa das Confederações e a Jornada Mundial da Juventude neste ano de 2013, a Copa da FIFA em 2014 e as Olimpíadas em 2016, o Brasil está no cenário internacional como sede dos principais eventos esportivos e midiáticos mundiais. Muito se tem discutido sobre a relevância do legado, ou seja, o que ficará para o país e para seus habitantes, pós-evento. É razoável imaginar muitos bons resultados, a curto, médio e longo prazos. Teremos os principais líderes mundiais, um número imenso de países participando e outros tantos acompanhando os eventos, e o mundo todo “estará de olho” no Brasil. Então, teremos um período de geração de emprego e ocupação, oportunidades de negócios surgindo e se realizando. No caso do turismo, todos os segmentos da cadeia serão beneficiados. Mas, temos muito ainda por fazer. Será que é necessário que instituições internacionais exijam de nossos Governos, infraestrutura para seus eventos para que possamos melhorar nosso dia-a-dia? Então, só por isso, já é importante que os eventos aconteçam. Olhando de uma perspectiva “cidadã”, constata-se que o cumprimento das exigências da Fifa agora e em 2014 e do COI em 2016 se deu por obediência a cláusulas “contratuais”. Mas os nossos governos não “assinam” um contrato muito mais importante com nós, eleitores, quando em campanha assumem compromissos? Por que cumprem os contratos e se omitem da responsabilidade de cumprir os compromissos? Será que após tantos estádios monumentais, teremos também hospitais, escolas, transportes e empregos monumentais? Porque ficou 6 Leitura de Bordo | Mai/Jun 2013 | www.leituradebordo.com.br claro que o marasmo administrativo e a incapacidade de resolver essas questões não advêm da falta de recursos públicos. Será que as obras de mobilidade urbana previstas para a Copa da Fifa e que não ficarem prontas a tempo serão depois concluídas ou ficarão abandonadas? E as tais obras foram “planejadas” - aí é o grande gargalo deste governo - para atender a população ou para contemplar facilidades específicas para o evento? Sejamos claros: quem tem de se ufanar do evento, é o Governo. Em outros países, a Copa da Fifa e as Olimpíadas costumam deixar um “rastro” de problemas, quando não verdadeiros elefantes brancos que impõem elevados custos de manutenção. Poucos tiveram a capacidade de transformar os investimentos em algo positivo para a sociedade. Ao povo, cabe acompanhar, exigir e talvez, torcer para que o legado aqui no Brasil seja favorável. Como se costuma dizer: quer conhecer uma casa, visite sua cozinha e seu banheiro pois, a “copa e a sala”, geralmente estão arrumadas para visitas!! E que possamos ter o que comemorar!!

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Entrevista “As manifestações farão o Governo definir, de modo mais claro, de que lado ele está” J urista e professor de Filosofia do Direito da USP (Largo São Francisco) e da Pós-Graduação em Direito do Mackenzie, Alysson Leandro Mascaro é apontado como um dos mais respeitados formuladores do pensamento político crítico contemporâneo. Sua obra mais recente é o livro “Estado e Forma Política”, lançada pela Boitempo, onde o autor, superando análises dominantes no Direito e na Ciência Política, empreende uma aprofundada redefinição do Estado e da política. O livro, lançado em maio, já se encontra com reimpressão, por conta da receptividade de um público cada vez mais carente de obras de referência. Nessa entrevista, Mascaro discorre sobre o impacto das manifestações populares em nosso País do ponto de vista do modelo de Estado que temos e o papel dos meios de comunicação como instrumentos de dominação. Revista Leitura de Bordo – A eclosão dessa insatisfação da sociedade mostra que o modelo político de acomodação de forças antagônicas dentro de um mesmo projeto de governo está falido? Alysson Leandro Mascaro – Eu penso que ele já vai dando demonstrações claras de que a atual proposta de composição baseada na acomodação não consegue mais prosseguir no mesmo sentido que lhe vinha sendo dado historicamente nos últimos anos 10 anos com o Governo do PT. Ou seja: entre a escolha majoritária do capital e a escolha majoritária dos interesses do povo, será necessário no presente momento que o Governo tome uma decisão e diga claramente de que lado ele está. A Eu- ropa e os Estados Unidos, com a crise do capitalismo nos últimos anos, tomou partido em defesa do capital. O Brasil faz 10 anos que tem tentado não tomar partido, na medida em que ele conseguia, com a sua margem de manobra, dar uma espécie de benefício dividido tanto para o Capital quanto à classe trabalhadora, aos pobres e aos explorados. No entanto, a forma de organização da economia e da política no Brasil não permitem mais esta margem de manobra que teve nos últimos anos. A grande interrogação é sabermos se o Governo terá condições, graças à pressão popular, de tomar um partido mais em favor do povo ou então os constrangimentos políticos, econômicos, ideológicos (inclusive dos meios de comunicação de massa) levarão o governo a ficar refém, de uma maneira mais decisiva, do grande capital. RLB – Essas manifestações surpreenderam mais o governo ou a oposição? Mascaro – Acredito que ambos tenham sido despertados para uma realidade latente no País. Embora uma leitura crítica do mundo tenha que lembrar que esses momentos de manifestação, de contundência inclusive de contestação, não podem ser tomados como surpresa. Na sociedade capitalista, surpresa são os momentos de estabilidade. Porque o capitalismo é necessariamente sinônimo de crise e as suas formas mais contemporâneas, inclusive de neoliberalismo, demonstram uma avassaladora predominância do capital sobre o trabalho. O milagre é que essas manifestações tenham ocorrido apenas agora no Brasil e não antes. Já observamos antes na Europa, nos Estados Unidos, nas matrizes do capitalismo, a eclosão de tais manifestações. RLB - Por que essa “demora”? Mascaro – Estávamos numa certa toada onde a vida política tinha se acostumado com uma repetição dos modos de fazer política. Assim agora estamos em um momento decisivo no qual uma política de esquerda deve se afirmar. E como isso se faz? Tomando partido do lado do povo, assumindo efetivamenwww.leituradebordo.com.br | Mai/Jun 2013 | Leitura de Bordo 7

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Entrevista te as melhores causas dos explorados. Isso faz com que venhamos a acelerar um processo histórico que se dependesse das condições anteriores, não teria como emergir. RLB – A oposição política abdicou de “fazer política” e delegou esse papel para a mídia – que tratou de destruir a política como forma de representação da sociedade. Esses movimentos de hoje são consequência dessa cruzada contra a política? Mascaro – Eu penso que um dos papéis decisivos do nosso momento presente é a definição da relação das massas, dos partidos de esquerda, com uma redefinição do papel dos meios de comunicação de massa. Os explorados do mundo sentem isso cotidianamente na pele – no trabalho, na falta de horizontes para a vida, nos limites que a própria circunstância existencial lhes dá. No entanto, eles entendem esses horizontes a partir da visão que os meios de comunicação de massa lhes entregam. Então, muitas vezes a explicação de mundo para o seu sofrimento não é dada por causas efetivas, reais. Em lugar de explicar a lógica do capitalismo, os grandes meios de comunicação de massa concentram a injustiça sofrida pelas pessoas na explicação de que isso advém da classe política – até por causa da corrupção dos políticos, por causa de eventos como a Copa do Mundo. Ao manipular a realidade, os meios de comunicação de massa tornam essas questões marginais como a causa da má qualidade dos serviços públicos e razão de sofrimento dos mais humildes. RLB – O poder dos meios de comunicação de massa é fundamental para a manutenção dos privilégios de grupos? Mascaro – Eles tratam de desestabilizar e mesmo impedir a possibilidade dos explorados e dos trabalhadores se entenderem. Isso faz com que qualquer governo que queira ser mais a esquerda esteja enfraquecido na medida em que ele não tenha o povo ao seu lado – povo que é formatado ideologicamente contra si próprio. RLB – E qual a alternativa? Mascaro – Enquanto não se enfrentar esse aparato institucionalizado dos grandes meios de comunicação de massa – que são todos de direita, que são majoritariamente conservadores – nós não teremos condições de ter o povo de fato ao lado de causas progressistas. Uma das principais bandeiras é, na minha opinião, a democratização dos meios de comunicação de massa e a construção de alternativas populares. RLB – E como fica a contradição de que um governo como o do PT, supostamente de esquerda, ser o maior anunciante de veículos de direita? Mascaro – Faz10 anos que o governo petista tenta resolver esse impasse com uma solução de meio termo. Simula apoio a novos atores, mas mantém o apoio prioritário a estruturas já institucionalizadas. Mas não creio que essas migalhas sejam suficientes. É chegado o momento no qual o governo do PT precisa decidir de que lado está em sua política de comunicação. RLB – Por que não faz isso? Mascaro – Porque o medo de uma retaliação dos grandes meios de comunicação é muito grande. No entanto, manter as circunstâncias do modo que se apresentam é alimentar aqueles que, no momento crucial de qualquer ação do governo, agirá contra os interesses de qualquer política de esquerda. Ou seja: se o governo mantiver a atual política de financiamento massivo “Uma das principais bandeiras é, na minha opinião, a democratização dos meios de comunicação de massa e a construção de alternativas populares” 8 Leitura de Bordo | Mai/Jun 2013 | www.leituradebordo.com.br

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Entrevista dos meios de comunicação tradicionais, esses próprios meios irão se posicionar contra o governo sempre que ele for assumir alguma bandeira em favor dos explorados. RLB – Qual a leitura que se pode fazer desses movimentos que, em determinado momento, não aceitaram nem mesmo a participação de partidos de esquerda? Mascaro – Enquanto os movimentos se insurgirem contra governantes apenas, eles tendem a repetir o que a Europa e os Estados Unidos têm feito nos últimos anos que é a troca de governantes por outros governantes que também não satisfazem a sociedade. Enquanto não se chegar ao cerne do próprio capitalismo que deixa nas mãos de poucos as riquezas que tira das mãos de quem produz, que é a maioria, nós estamos fadados a tentar resolver um problema pelo ponto menor desse próprio problema. De modo geral, a insatisfação do mundo contemporâneo é levada a se manifestar como uma revolta contra o sistema político. Isso porque de fato o sistema político está muito agarrado ao capital, às formas do capital – de tal modo que a troca de um governante por outro acarreta a mesma política. Os tempos neoliberais trouxeram a esquerda para um campo de muita regressão das suas próprias pautas e ela enfrenta dificuldades em reencontrar o seu eixo diante dessa realidade que exige uma compreensão de tudo que está acontecendo. RLB – Por que tanto governo quanto oposição demonstram incapacidade de entender as manifestações? Mascaro – Porque de uma certa maneira a tradição dos últimos tempos foi de composição, de tal sorte que o escopo da política no Estado brasileiro é de uma aglutinação de interesses em favor da média que se diferencia, em governo e oposição, por uma pequena inclinação maior à esquerda ou a direita. Assim, quando o povo contesta a organização política tradicional, pega de surpresa tanto situação quanto oposição, que, acostumadas a uma média, não sabem reagir a isso que seria uma definição maiúscula da sociedade. www.leituradebordo.com.br | Mai/Jun 2013 | Leitura de Bordo 9

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Valduga, compromisso com a qualidade João Valduga, enólogo e um dos proprietários da tradicional vinícola gaúcha, esteve em Brasília e mostrou que para fazer bons vinhos não é preciso só boas uvas Uma família apaixonada pelo que faz. Essa é a constatação mais fácil de se chegar, depois de escutar João Valduga contando as histórias e peripécias dele e de seus irmãos no desafio de transformar a fábrica de vinhos feitos a partir de uvas americanas e o processo de introdução de castas europeias e métodos modernos. Se por vezes a voz fica embargada – afinal de contas, os italianos são emotivos – logo em seguida ele resgata alguma piada ou passagem pitoresca, para logo adiante outra vez lembrar dos pais e assim ir desenhando o cenário deste desafio entre memória e emoção. Funcionário aposentado da Embrapa, João lembra da dificuldade de convencer o pai a implantar a modernização nos vinhedos – na medida em que ele tinha uma vivência do que estava acontecendo, das pesquisas que estavam sendo realizadas. Certa feita, ele e os irmãos tiveram que pagar uma viagem aos pais para um turismo no nordeste, tempo suficiente para derrubar milhares de pés de uvas Isabel e plantar as novas mudas. Na volta do casal, confessa que tiveram que fugir do alcance da ira do pai que não entendia as modernices dos filhos. Hoje, talvez o próprio pai desse 10 Leitura de Bordo | Mai/Jun 2013 | www.leituradebordo.com.br risada, reconhecendo que os piás tinham razão em adotar tais medidas. Em Brasília, ele esteve participando do 1º Valduga Gallery Wines apresentando os vinhos que estão entre os mais apreciados por especialistas e verdadeira referência de qualidade – uma obsessão desta vinícola que foi criada em 1875 e que hoje é tocada pelos irmãos João, Erielso e Juarez, numa tradição que terá continuidade com novos “Valduga” que vão assumindo novas áreas dentro de um complexo de produção que envolve vinhos, sucos, produtos de delicatessen, hotelaria e muito mais. Ao contrário de outros, João não tem medo da concorrência – afinal de contas, sabe que o consumidor vai sempre optar pela qualidade. Para ele, mais importante que leis é ampliar a base de consumo. Ao não temer a concorrência, sabe que a descoberta dos bons vinhos tem muito a ver com informação e com melhoria da qualidade de vida do brasileiro. A história da família pode ser descoberta de duas maneiras: no livro que conta a história da Valduga ou saboreando um dos excepcionais vinhos por ela produzidos. Escolha a sua opção.

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Ponto de vista O Brasil que luta muito além das manifestações O movimento de rua deflagrado em junho deste ano, originado por aumento de passagens, é anárquico e sem liderança. Somente após tomar conta das ruas e causar vários embaraços ao governo brasileiro houve uma tentativa de se estabelecer formalmente uma pauta. Prova disto é que embora os governos tenham recuado nos aumentos do transporte, os protestos continuaram. Também prova isto o fato de que no momento em que eclodiram atos de vandalismo, embora supostos líderes tenham pedido, os atos não foram suspensos. É ensurdecedor o silêncio que fazem nossas autoridades em todos os níveis, seja do executivo, do legislativo ou do judiciário. O silêncio das autoridades judiciárias, aliás, nos é totalmente incompreensível. Assusta-nos o temor de alguns de publicamente repudiar os atos de vandalismo que vêm na esteira das manifestações. Isto nos leva a crer que o que vivemos, na verdade, é uma crise de autoridade. E não nos parece correto não responsabilizar as pessoas que incitaram as manifestações pelos atos de vandalismo. São responsáveis sim e deveriam pagar criminalmente por isto. A covardia que tomou conta dos grandes meios de comunicação também merece um registro especial. Houve quem retirasse até sua identificação para não ser reconhecido, tendo em vista a revolta dos manifestantes com a grande imprensa. Seria um efeito das publicidades recebidas de órgãos governamentais? Quem menos errou nas manifestações foi a polícia. Com mais de um milhão de manifestantes nas ruas em um único dia, uma quantidade indefinida de criminosos destruindo patrimônio público e privado e fazendo todo tipo de provocação, nenhuma pessoa perdeu a vida ou foi seriamente ferida em ação policial. Os policiais demonstraram muito equilíbrio. O que não significa que os excessos não devam ser apurados. Da polícia e de todos os envolvidos. Para tentar compreender a relação da atuação da FIFA na realização da Copa do Mundo com as manifestações poderíamos usar a figura de um chefe de família que leva uma prostituta para morar em casa, junto com a mulher e os filhos. E a prostituta começa a dar ordens à empregada, bater nos filhos, vestir as roupas da mulher e gastar o dinheiro da família. O final é previsível, assim como o papel da FIFA nesta história. Para quem imaginou que a construção de estádios e a realização de jogos da Copa seria garantia de reeleição, na velha política do pão e circo, a realidade que bate à porta neste instante é outra. Durante um ano terão que acontecer muitas mudanças positivas no transporte, saúde, educação e segurança para reverter o evidente prejuízo político. O que se viu também é que, embora o repúdio aos partidos políticos seja grande, um grande número de entidades e movimentos pegaram carona nas manifestações com pautas e projetos que a população passou a apoiar, sem procurar se inteirar exatamente do que se estava tratando, como por exemplo, o repúdio à PEC 37. A nosso ver, para mudar o panorama que originou as manifestações, o Brasil precisa urgentemente repensar a eficiência, eficácia e efetividade na administração publica, com um forte combate à corrupção. Apenas aumentar os gastos com educação, por exemplo, não serve. Ora, com superfaturamento os gastos alcançam números estratosféricos. É preciso fazer mais, gastando menos e com mais qualidade. Surgiu, neste momento, a necessidade de um novo gestor público, que deixe de lado um pouco os números e discuta com a sociedade suas reais necessidades. Nesta linha de raciocínio, velhas lideranças políticas correm um sério risco de serem substituídas por novas lideranças, alinhadas com esta nova realidade. Mas com um aspecto negativo: a importância dos partidos políticos claramente entra em declínio em detrimento de características pessoais. O que fica disto tudo? A certeza que o brasileiro quer mudanças, quer ver os recursos públicos melhor aplicados, quer participar. Neste sentido, o movimento de junho de 2013 é igual ou até maior que o movimento Diretas Já. www.leituradebordo.com.br | Mai/Jun 2013 | Leitura de Bordo 11

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Especial Apresentação de Candombe, no El Milongón: programa cultural imperdível numa casa com diversas atrações Montevidéu Banhada pelo Rio da Prata, a capital dos orientais esbanja história, elegância, boa gastronomia e a educação de um povo que mescla orgulho e hospitalidade sempre vale a pena P ara quem ainda está pensando para onde ir nas férias de julho, Montevidéu deve ser vista como alternativa ideal para um programa de três ou quatro dias – tempo suficiente para descobrir os encantos desta cidade que nasceu de um pequeno povoado de índios tapes e imigrantes das Canárias, radicados em torno de um forte construído em 1724 por ordem do governador espanhol de Buenos Aires, Bruno Mauricio de Zabala, para manter as tropas portuguesas de Manuel de Freitas da Fonseca distantes do Rio da Prata. Em 1726, Montevidéu adquiriu o estatuto de cidade. Sua história é rica, tendo inclusive pertencido ao Brasil durante o reinado de D. Pedro I, chegando a receber o título de Imperial Cida-de, mas conquistou a sua independência, na 12 Leitura de Bordo | Mai/Jun 2013 | www.leituradebordo.com.br

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Especial chamada Guerra da Cisplatina, em que recebeu o apoio da Argentina. É importante destacar que Montevidéu não é pautado pelo turismo “de compras”, mas sim rara oportunidade de visitar e conhecer as muitas atrações daquela que é a cidade latino-americana com a melhor qualidade de vida e apontada entre as 30 mais seguras do mundo. (realizado em bronze pelo escultor Ángel Zanelli), na Plaza Independência. Por onde você quer que vá ou ande, sempre haverá no alcance dos seus olhos uma estátua, um monumento. Alguns deles são antológicos, como o de Artigas. Outros resgatam a memória de um tempo de superação, onde o homem traçou, na pata dos cavalos e no aço de lanças e espadas, o seu próprio destino. O monumento em homenagem às carretas de bois, criado em 1934, por José Belloni, é um dos mais emblemáticos de Montevidéu porque era através delas que os produtos chegavam do interior para Montevidéu (há, inclusive, um bairro e uma praia chamados de Punta Carretas). Fica perto do Estádio Centenário. Antes de viajar Na hora de escolher o hotel, opte por um que fique nas proximidades da chamada “Cidade Velha”, porque a partir dele você terá facilidade de chegar aos principais pontos e destinos turísticos da cidade. O que visitar? Os roteiros são mais ou menos conhecidos, mas sempre vale a pena enfatizar: o Estádio Centenário, onde aconteceu a final do 1º Mundial, em 1930; o Mercado del Puerto e sua variedade de restaurantes que oferecem parrilladas; a Cidade Vieja, e a imponente Plaza Independência e prédios históricos; o Teatro Solis; o Cerro de Montevidéu – onde está a Fortaleza del Cerro como é chamada, construída em 1811 e que carrega a marca de ser a última construção militar efetuada pela coroa espanhola em solo uruguaio. Só para começar. A noite no El Milongón... Para quem busca mais agitação, o caminho indicado são os bares e casas que existem em Pocitos. Há para todos os gostos, tribos, paladares e bolsos. Mas... e sempre tem um mas... se você quer aproveitar a noite para um bom jantar, com bom vinho e ambiente que vai possibilitar o contato com as três principais vertentes da cultura uruguaia, então o seu caminho é El Milongón (Gaboto, 1810). Lá, o turista terá apresentações de candombe, música gaúcha Um dia no Parque O Prado é área que por si só demanda um dia de visita, de contemplação e de descobertas. Além dos monumentos – destaque para as esculturas com motivos gauchescos e indígenas, como “A Diligência”, “O peão de estância” e “Os últimos charruas” – outro fator de atração é o “rosedal”. Criado em 1910 quando mais de 12 mil rosas foram importadas da França para compor esse lindo espaço, com 300 tipo de variedades diferentes de todo o mundo. História em bronze Uma das características de Montevidéu é a quantidade de monumentos em bronze – e, entre estes, destaque especial para o monumento de Artigas www.leituradebordo.com.br | Mai/Jun 2013 | Leitura de Bordo 13

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Especial e tango – mas sem o artificialismo de uma sub-Broadway como é oferecido o tango em Buenos Aires. Montevidéu, é mais alma, mais vida e bem mais próximo do sentido de confissão e confidência que o tango enseja. Antes de voltar Na medida em que Montevidéu não oferece um “turismo de compras”, vale como passeio histórico e cultural. Mas há bons produtos por lá, como os excepcionais vinhos Tannat. Se puder, reserve o domingo para visitar a Feira de Tristán Navarro – onde literalmente você poderá encontrar de tudo. Até produtos artesanais... Passear e passear... Um alerta precisa ser feito para quem visita Montevidéu: é uma cidade para ser vivida, para ser sentida – com suas ruas cheias de plátanos, com um aspecto por vezes bucólico, um jeito de saudade de um tempo que se perdeu no tempo. Sinal desta singularidade é perceptível naquele que é considerado o melhor shopping da cidade – feito onde havia uma cadeia (e na qual esteve preso o atual presidente Pepe Mujica). Mesmo com a reforma, preservou-se a memória. Em verdade, o melhor a se fazer para descobrir os encantos da capital “de los Orientales” é andar, andar e andar até cansar... descansar e voltar a andar, inclusive pelas ramblas que cerca a cidade, margeando o Rio da Prata. Sede do Parlasul: de frente para o Rio da Prata Feira de Tristán Navarro: diversidade e preços salgados Garcia: carne de qualidade e bom ambiente no Mercado del Puerto 14 Leitura de Bordo | Mai/Jun 2013 | www.leituradebordo.com.br Antigo presídio é hoje o shopping mais elegante de Montevidéu

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Roteiro testado Ft.: Augusto Pessoa/Acervo PBTur No Brasil, frio no Sul e Nordeste Inverno lembra frio. Lembra o Sul. Lembra a Serra Gaúcha. A Serra Catarinense. Correto? Mais ou menos... No Nordeste, também há cidades que apresentam baixas temperaturas e oferecem roteiros especiais para turistas. Tanto a Paraíba quanto o Pernambuco oferecem alternativas com roteiros interessantes. Quem está em dúvida sobre qual o destino a adotar, nas férias de julho em busca de um frio com sotaque nacional, dispõe de múltiplas opções. Na Paraíba, as cidades de Alagoa Nova, Alagoa Grande, Areia, Serraria, Solânea, Pilões, Borborema e Bananeiras, no chamado Brejo Sergipano, esperam os visitantes com a região que é conhecida como a mais importante do Ciclo do Açúcar. Deste modo, prepare-se para apreciar cachaças e alambique, se deparar com um casario colonial e uma diversidade gastronômica que inclui, claro, a rapadura de várias formas. Já em Pernambuco, o Circuito do frio abrange as cidades de Pesqueira, Garanhuns, Triunfo, Taquaritinga do Norte e Gravatá – sendo que cada uma delas realiza um evento específico, mas que possibilita que o turista tenha possibilidade de curtir desde um Festival em Garanhuns até renda renascença, trabalho primoroso do artesanato brasileiro, em Pesqueira. Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo também possuem cidades onde o “frio” é atrativo para turistas, com os chamados festivais de inverno. Na outra ponta do País-continente, o frio atrai milhares de turistas para as serras Gaúcha e Catarinense. No caso do Rio Grande do Sul, vale a pena circular pela região italiana – Caxias do Sul, Bento Gonçalves e Garibaldi, terra do vinho e onde há uma culinária com muito macarrão e seus molhos e temperos especiais. Santa Catarina tem São Joaquim, uma das cidades mais frias do País, que realiza a festa do pinhão. www.leituradebordo.com.br | Mai/Jun 2013 | Leitura de Bordo 15

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