RLB 15 - Mar/Abr 2013

 

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Museu Vivo da Memória Candanga

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Ano 4 – nº 15 – Março/Abril de 2013 – R$ 6,50 muito além da memória Candangos,

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Cartas/Expediente 2 Leitura de Bordo | Mar/Abr 2013 | www.leituradebordo.com.br

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Editorial www.leituradebordo.com.br | Mar/Abr 2013 | Leitura de Bordo 3

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Edição anterior Entrevista Próxima edição Montevidéu a capital dos orientais Segmentos apostam na impunidade Os olhos e o computador Os cuidados necessários Goiânia a capital dos parques Comportamento Como vencer o Estádio Nacional de Brasília Final do Candangão será o primeiro jogo turbilhão do cotidiano Revista Leitura de Bordo – Ano 4 - nº 15 – Março/Abril de 2013 É publicação bimestral da Wosseb C&M, tiragemde 25 mil exemplares, circula nacionalmente nos principais aeroportos e rodoviárias; encaminhada às agências de viagem, hotéis e distribuição institucional. Coord. Editorial: Sandra Fernandes Editor: Alfredo Bessow Produtor: Pedro Ricardo Teichmann Comercial: Wosseb C&M (+55 61 8150 0256) Operacional: Roberto Carvalho Projeto Gráfico: MadMídia (+ 55 61 3967 0013) Editoração Eletrônica: Wellington Pessoa Capa: Alfredo Bessow Fotos: Wosseb C&M E-mail: geral@leituradebordo.com.br Site: www.leituradebordo.com.br Escritório: CLSW 303 Bl. A – Ent. 16 – Sl. 109 Setor Sudoeste – 70673-621 – Brasília (DF) Impressão: Elite Gráfica +55 62 3548 2224 4 Leitura de Bordo | Mar/Abr 2013 | www.leituradebordo.com.br

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|::Índice::| Na próxima edição Síntese em inglês |4| |6| |7| | 10 | | 12 | | 14 | | 20 | | 22 | | 25 | | 27 | | 28 | | 29 | | 33 | Enogastronomia Rolhas dividem opiniões Proseando Entrevista Agências vs Internet Wasny de Roure: Política precisa ser feita com ética | 34 | O bacalhau ao forno do sommelier Olinaldo Oliveira Dicas de alimentação saudável Do meu jeito | 37 | Nutrição | 38 | Comportamento Entre as ondas da moda e a rebeldia Ponto de vista Impactos da Lei do Trabalho Doméstico Fazendo a diferença Economia Conglomerado de Turismo de Montevidéu Estação de Metarreciclagem de Samambaia-DF | 40 | Saúde | 44 | Os cuidados com a pele depois do verão Harmonia e sofistificação Bem viver Roteiro testado Itália Café Majestic: elegância no norte de Portugal Sabores e encantos quem vêm da alma do povo | 45 | Must-have Novidades para o seu dia a dia | 46 | Agende-se O melhor do São João está no Nordeste Fenamilho Atualidade Check in Patos de Minas faz uma festa com sabor mineiro O papel do Sindcondomínio DF Visto é mesmo um bicho de sete cabeças? | 51 | Comunicação É possível viver sem paixão? | 52 | Galeria Alamón: Não pinto para enfeitar paredes | 53 | Cultura As livrarias de Buenos Aires Caderno da Copa Centenário - Monumento do Futebol Mundial | 54 | Esporte Uma paixão chamada Grêmio Ele ainda não faz parte dos roteiros oficiais do turismo da Capital do Brasil, mas é uma “viagem” aos primórdios da construção de Brasília. Especial - Memória Viva na pág. 16. Reinventar os espaços, com luz e sensibilidade, harmonizando texturas, possibilita o equilíbrio de um ambiente aconchegante. Decoração & Bem estar na pág 42. www.leituradebordo.com.br | Mar/Abr 2013 | Leitura de Bordo 5

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Especial de Brasília M Agências vs Internet uito se tem debatido sobre os avanços da tecnologia, internet, redes sociais e a velocidade das inovações do mundo virtual. Essas novidades que ficam “envelhecidas” a cada fração de tempo, não nos permitem mais conceber nosso mundo sem tais ferramentas. São indispensáveis, tal o volume de transações que efetuamos a todo instante. O setor de viagens, como os demais segmentos da economia, foi impactado pelas tecnologias que nos permitiram novas formas de fazer negócios e de se relacionar. Porém, quando se trata de comercialização de serviços – e de viagens – precisamos refletir acerca dos procedimentos que praticamos diariamente. Com todas e tantas facilidades oferecidas pela internet, é comum ouvir frases deste tipo: Encontro mais barato na internet! O que nem sempre é um fato assim tão verdadeiro; Com a internet, as agências vão quebrar! Ainda mais fruto da torcida de alguns do que da realidade que vivemos. As agências de viagens “tradicionais”, com loja e o atendimento de um ser humano onde se vai, inclusive para comprar viagens, também utilizam as novas tecnologias. Então, qual a diferença de comprar em uma agência de viagens ou pela internet? Há várias maneiras de comparar para poder responder a essa pergunta: Que tipo de cliente utiliza e o que ele compra na agência tradicional? Que tipo de cliente utiliza e o que ele compra pela internet? Precisamos entender isso! Ao comprar produtos na internet, o “cliente” busca o produto, olha o preço, condição e pagamento, prazo de entrega, compra e pronto! Geralmente recebe o produto no endereço informado. Ao comprar viagens em uma agência de viagens, você terá: Um profissional treinado para lhe atender, que dedicará seu tempo, seu conhecimento e seus recursos para oferecer o serviço mais adequado para a sua necessidade, a um preço que você pagará dentro de uma condição de pagamento negociada. Havendo necessidade de alterar o serviço contratado, esse mesmo profissional estará apto a providenciar, oferecendo diversas opções para a solução de sua demanda – quase que imediatamente. Poderá esse profissional inclusive cancelar os serviços já vendidos, muitas vezes sem multa. Será que os executivos, suas secretárias, os autônomos que estão sempre em reuniões ou em visitas a clientes, têm tempo de pesquisar horários, serviços e valores? Ao comprar viagens na internet, alguns cuidados são necessários – para evitar ainda maiores dores de cabeça: O que me levou a querer comprar na internet: Preço? Condição de pagamento? Diria que geralmente é o fator preço! O preço apresentado está disponível para a data que eu quero ou preciso viajar? Os vôos/horários ou o serviço, são os mais adequados para minha necessidade? É primordial observar se o preço inicial, que era muito baixo, é o mesmo no final. No mais das vezes são acrescidas taxas que não foram informadas no início – podendo inclusive ter datas, horários e serviços diferentes dos inicialmente pretendidos. Outro detalhe muito importante e que “quase” ninguém lê: é permitida alteração? Como proceder? Quais taxas serão cobradas? Com quem falarei? Raramente você terá o menor ou melhor preço e condição de pagamento para o serviço procurado. Geralmente a única forma de pagamento é via cartão de crédito, à vista ou parcelado, ou boleto bancário à vista (inclusive com uma taxa de boleto, não esqueça!). Havendo problemas no destino: onde e com quem falar? E quem viaja sabe que eles sempre acontecem... As Agências de Viagens (físicas) utilizam-se das novas tecnologias para atender seus clientes, disponibilizam atendimento em tempo integral, podendo apresentar soluções instantâneas, inclusive substituindo serviços não condizentes com a aquisição do cliente. Comprar viagens pela internet é um risco por conta dessas lacunas na solução de contratempos. Com a popularização da internet, o brasileiro tem duas excelentes opções para comprar viagens – mas é importante que ele tenha em mente os limites de uma opção com um suposto menor preço e a abrangência de serviços, estrutura e retaguarda de outra que vai, sim, sempre oferecer ao cliente a opção do melhor preço. 6 Leitura de Bordo | Mar/Abr 2013 | www.leituradebordo.com.br

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Entrevista “Quem desrespeita a política, ajuda a construir o autoritarismo” W asny de Roure chegou em Brasília em 1959 e viu a cidade, então promessa, se transformar em Patrimôno da Humanidade. Fez parte da 1ª Legislatura da história da Câmara Legislativa, 1991 a 1994, onde ajudou a escrever a Lei Orgânica do DF. Está no quarto mandato de Deputado Distrital e foi eleito em fins de 2012 para presidir a Câmara Legislativa do DF. Natural de Goiânia, Wasny é economista, com mestrado em sua área pela Universidade de Oxford, na Inglaterra. Técnico da Conab, foi diretor do Sinsep-DF e do Dieese-DF, tendo sido também Deputado Federal e secretário de Fazenda do GDF. Autor de mais de 100 leis, tem como marca de sua vida pública a coerência, sempre defendendo a democracia, a justiça, a cidadania e a ética na política, valores que norteiam também sua vida de cidadão. Revista Leitura de Bordo – O senhor foi deputado quando da instalação da CLDF – Câmara Legislativa do Distrito Federal em 1991. É presidente da casa em 2013. O que mudou ao longo do tempo? Wasny de Roure – Toda instituição que nasce, já nasce sonhando além do possível – o que é próprio, natural e catalisador das energias de uma configu- ração política também incipiente. Em função disso, participamos da construção da Câmara Legislativa como representantes de um partido de oposição, mas também como um partido que tinha a noção de contribuir na construção de um espaço da política no DF. Neste sentido, creio que a experiência foi extremamente positiva, porque começamos sem saber nem ao certo onde iríamos nos reunir, não tínhamos nenhuma história... E além de fazer toda a construção física da estrutura, nós também construímos aquilo que viria a ser a Constituição do DF que é a Lei Orgânica. A metodologia, a mobilização da sociedade, a construção do texto – de uma lei que hoje ainda é considerada avançada, com alguns conceitos inéditos e até hoje ausentes e outras constituições. Revista Leitura de Bordo – Ela tem aspectos ultrapassados... Wasny de Roure – Precisamos ter claro o que nós conquistamos e o que deve ser preservado, aprimorado, ampliado e o que deve ser eliminado. Esta lógica hoje perpassa a Casa. Nós precisamos fazer um debate sobre a atualização da Lei Orgânica, levando em conta que a nossa agenda não está assim tão cheia. Revista Leitura de Bordo – A Lei Orgânica do DF estaria precisando de uma revisão? Wasny de Roure – Não diria revisão. Há todo um trabalho que foi feito, mas existem demandas pendentes – ajustes que precisam ser feitos por conta de emendas constitucionais aprovadas e inseridas em nossa carta maior, legislações infra-constitucionais, tudo isso exige que nós atualizemos o texto da nossa Lei Orgânica. Eu não acredito em grandes modificações, porque www.leituradebordo.com.br | Mar/Abr 2013 | Leitura de Bordo 7

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Entrevista eu acredito que nós sempre somos desafiados a fazer o possível. Nos próximos dias teremos a definição dos membros da nova comissão que vai apreciar as propostas de emendas à Lei Orgânica, em torno de 40. Mas existem também outras facetas da Lei Orgânica que espero que ess comissão examine. Revista Leitura de Bordo – A Câmara Legislativa do DF não é refém do corporativismo? Wasny de Roure – Não. Acredito que o corporativismo está presente na Câmara e não tem como fugirmos desta realidade. Isto é um processo histórico. Agora, não entendo em absoluto que a Câmara seja integrada, dominada ou comprometida apenas com as propostas corporativistas. Isso faz parte de uma cidade majoritariamente composta de servidores públicos – então é natural que isso ocorra. Mas nós também temos setores da terceirização representados aqui, de trabalhadores e de outros segmentos. Mas hoje ela é muito menos corporativa do que foi na sua origem. Há uma nítida evolução da instituição quanto aos perfis dos parlamentares na atualidade. Hoje é difícil você dizer que determinado parlamentar foi eleito por uma categoria específica – talvez sendo os egressos da Polícia Civil a única exceção. Mas é claro que eu ainda vejo marcas nítidas de segmentos, mas não vejo isto como um malefício ou um risco. Prefiro segmentos corporativos ‘aqueles que contaminaram o parlamento oriundos da marginalidade. Assim, essa questão do corporativismo, enquanto ele for salutar, é uma questão de dosagem. Pior é aquele corporativismo que vem da criminalidade. Revista Leitura de Bordo – Quais são os eixos de atuação que o senhor pretende implementar no comando da Câmara Legislativa? Wasny de Roure – Meu desafio é continuar trabalhando para resgatar a credibilidade do Parlamento. Isto não é uma tarefa fácil, trabalho de um dia ou ação individual. Ela passa pelo coletivo dos parlamentares e pela compreensão do papel da Instituição. Em segundo lugar, restabelecer aquilo que é de direito da Câmara que é ocupar a representação da população local dentro do Parlamento. Continuar e aprofundar o restabelecimento das relações com as instituições – Ministério Público, Tribunal de Justiça, Tribunal de Contas, com as instâncias federais, inclusive com as representações internacionais, com o movimento social e sindical. Enfim, dar uma dimensão republicana da instituição, com o fortalecimento desta interlocução. Também fazer um debate permanente com o Poder Executivo dos assuntos que estão na pauta de temas de interesse da cidade como um todo. Lamento que não tivemos condições de fazer o debate e entrar no processo deliberativo da Lei do Uso e Ocupação do Solo, bem como do Plano de Proteção Conjunto-Urbanístico. Estes sim, seriam os dois grandes debates que a Casa teria condições de fazer – mas infelizmente o governo entendeu que seria melhor retirar as propostas da Casa para evitar problemas políticos maiores. Revista Leitura de Bordo – A CLDF carrega a má-fama de ser uma Casa Legislativa que aprova muitas leis inconstitucionais... Wasny de Roure – Olha... Nos últimos encontros que tivemos com o Ministério Público, não existe mais essa leitura. Entendo a pergunta porque essa é uma marca histórica da Casa. Agora, o que mais me preocupa não é se a Lei é inconstitucional ou não. É se a proposta apontou na direção da melhoria da qualidade de vida da nossa população. Se ela apontou Nós precisamos entender que fazer política requer uma estrutura de caráter – que não é apenas do seu partido, ideológico e dos livros, textos que todos nós gostamos de ler e de discutir. 8 Leitura de Bordo | Mar/Abr 2013 | www.leituradebordo.com.br

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Entrevista na conquista da cidadania. Esse é um processo dialético, problemático. Nós não podemos achar que o ordenamento jurídico brasileiro é o perfeito e atende às demandas da nossa sociedade. Muitas vezes, ele teria sido fruto de interesses corporativos nítidos. Portanto, este enfrentamento, estar na fronteira do pensamento, da legislação e da influência do ordenamento jurídico é próprio do Legislativo. Agora, temos que manter consonância com o Ministério Público e com os órgãos de controle da constitucionalidade para evitar certos vícios. Porque também é preciso destacar que houve várias arguições de inconstitucionalidade que a Justiça não acatou. Eu mesmo tive algumas matérias questionadas pelo GDF, no Governo Arruda – como a questão da alíquota do IPTU nas kits. E a Justiça não reconheceu a inconstitucionalidade da proposta. Cito outra: a instalação de semáforos nas pistas de alta velocidade para o respeito às faixas de pedestre. Foi questionada e mantida pela Justiça e há muitos outros casos – que nem sempre têm a mesma publicidade e divulgação o veredito do que o questionamento inicial. Revista Leitura de Bordo – Com tantos ataques, onde se busca misturar alhos com bugalhos, fica a dúvida: Vale a pena fazer política? Wasny de Roure – Claro que vale! Agora nós precisamos entender que fazer política requer uma estrutura de caráter – que não é apenas do seu partido, ideológico e dos livros textos que todos nós gostamos de ler e de discutir. Mas isto perpassa lá pela tenra idade, no convívio com a família e com os seus pais – sobretudo tendo a sensibilidade de perceber que os exemplos dos pais foram importantes na formação do caráter. Além disso, no processo de amadurecimento, tomar consciência de que é importante estar inserido em lutas que tenham como base a defesa de interesses coletivos. E ter claro que o divisor de águas da vida política é saber e respeitar a distinção entre o que é público e o que é privado. Eu repudio aqueles que desrespeitam a política, porque estes constroem o autoritarismo. Nós temos que investir no aprimoramento da política brasileira, para que possamos oferecer às gerações vindouras estruturas mais sólidas, mais transparentes, mas comprometidas com a qualidade de vida e a cidadania da população brasileira. www.leituradebordo.com.br | Mar/Abr 2013 | Leitura de Bordo 9

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Ponto de vista Lei do Trabalho Doméstico Por que não ter medo? A promulgação da Emenda Constitucional nº  72/2013 (sim, já temos 72 alterações na nossa Lei Pétrea) e antes mesmo de sua promulgação criou-se um enorme alvoroço país afora, compreensível por se tratar de assunto novo e relevante. Vai gerar demissões? As contratações ficarão mais caras? Vamos ter que colocar relógio de ponto em casa?! Trabalhador que dorme no domicílio do patrão tem consideradas 24 horas de trabalho diárias?! E por aí vai. Afinal, há motivos para tantas preocupações? Entendo que não e vou argumentar. Em primeiro lugar, trabalhador doméstico é trabalhador como qualquer outro, tendo, portanto, os mesmos direitos e obrigações, aliás, que nós demais trabalhadores temos já há algum tempo. Ter isto reconhecido na Constituição é dar mais força à cidadania e democracia. 10 Leitura de Bordo | Mar/Abr 2013 | www.leituradebordo.com.br A aprovação da nova Lei, pelo Congresso Nacional e sanção presidencial, ensejou um sem fim de análises superficiais e cenários de fim de mundo e caos Em segundo lugar, se abusos ainda são cometidos contra trabalhadores que já têm seus “direitos assegurados”, se torna razoável supor que abusos ainda maiores são cometidos contra trabalhadores que não os têm. Nenhum empregado deve ficar à disposição do patrão 24 horas por dia, sete dias por semana, algo mais próximo à escravidão do que do emprego. Em terceiro lugar, a Emenda Constitucional não modifica em momento algum um dos pilares da relação entre patrão e empregado, e que é mais visível no trabalho doméstico: a confiança. Com efeito, a relação entre patrão e empregado doméstico é muito próxima e não há dinheiro algum que pague a confiança em uma pessoa. Em quarto lugar, o mercado sempre se adequa, com a lei da oferta e da procura. Com isto, para recompor eventuais custos com os novos direitos dos Reprodução

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Ponto de vista empregados domésticos, a média salarial da categoria pode cair um pouco. Ou não. Se faltarem bons profissionais no mercado, pode até subir. E quem pode, cobra mais. Quem não pode, cobra menos. Quem não pode, não contrata. Se não cabe no orçamento, não se mantém a despesa. São regras simples do mercado de trabalho. Em quinto lugar, o governo entrará com sua parte, facilitando a vida do empregador e até diminuindo encargos sociais. A conta não será tão alta como tem normalmente sido apregoada. Isto, se ela subir. Em sexto lugar, veremos uma melhor qualificação dos profissionais domésticos. Mais direitos trarão mais exigências. O que é bom também para estes profissionais. Os bons ficarão no mercado. Os demais, ou se adequam ou estarão fora. Em sétimo lugar, os terroristas de plantão, são somente isto, terroristas de plantão. Muita coisa sem pé nem cabeça está sendo dita. Então calma, a maioria dos pontos da Emenda Constitucional precisam ser ainda regulamentadas. Não vamos sair demitindo empregados sem conhecer o completo teor das recentes modificações e suas consequências. Em oitavo lugar, os novos direitos têm um fundamento sólido na cidadania. Reconhecer direitos, que, aliás, já são reconhecidos aos demais trabalhadores, inclusive uma enorme gama de patrões de empregados domésticos, é bom para o fortalecimento dos laços da sociedade brasileira. Desenvolver um país é sobretudo desenvolver os cidadãos deste país. Em nono lugar, o Congresso Nacional, que é acusado de só nos trazer notícia ruim, nos traz boas novas. Temos que dar apoio para continuarem neste ritmo. Em décimo lugar, tá esperando o quê? Fique feliz pela conquista de quem te ajuda todos os dias, limpando, cozinhando, lavando, passando, cuidando de seus filhos, lhe dê um abraço e comemorem juntos. Afinal, direitos para nós é ótimo, mas para quem está do nosso lado todos os dias também é muito bom. Parabéns aos trabalhadores domésticos. Comunicar, compartilhar e gerenciar Gerenciamento de Redes Sociais Transmissão de vídeo ao pela internet Sites e Sistemas Web Produção de conteúdo para web 61 3967-0013 mídia e ações digitais www.madmidia.com.br www.leituradebordo.com.br | Mar/Abr 2013 | Leitura de Bordo 11

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Fazendo a diferença Conglomerado de Turismo de Montevidéu quando a união fortalece todos O turismo é uma das principais indústrias do Uruguai – fundamental para gerar recursos e manter a economia aquecida, mesmo em momentos delicados. Aparentemente uma ideia simples: colocar no mesmo lado, lutando e somando esforços, segmentos diversos e que estejam diretamente envolvidos com o turismo. Mas até transformar o desejo em algo real, há todo um longo e penoso processo, que passa inclusive por vencer desconfianças e superar barreiras, deixar de lado a equivocada visão de que o que importa é o “meu negócio ir bem”. Teresita Camejo, empresária do setor de turismo e secretária eleita do Conglomerado de Turismo de Montevidéu, revela que ele começou a funcionar em 2008, com apoio do Banco Mundial e da Diretoria de Turismo da capital uruguaia. Depois do pontapé inicial caminha com as próprias pernas, mantido com a contribuição de empresas de 11 setores da cadeia produtiva – hospedagem, gastronomia, cultura, shoppings, transporte, educação e congressos, entre outros. O desafio foi tornar Montevidéu um destino competitivo – tendo em vista as peculiaridades de seu turismo, como, por exemplo, o fato de não ter uma temporada definida (que é o caso de Punta del Este). O trabalho vem sendo feito com a participação em feiras onde são levadas as razões para conhecer as atrações que esta cidade banhada pelo Rio da Prata oferece. Esplendor participa do Conglomerado fica na Cidade Velha 12 Leitura de Bordo | Mar/Abr 2013 | www.leituradebordo.com.br Instalado em Pocitos, o Armon apóia o Conglomerado

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Brasília tem tudo. Só falta você. Conhecida como Flor do Cerrado, a nova torre sintetiza o melhor da arquitetura de Niemeyer na cidade. E, além dos monumentos modernistas, Brasília também tem um dos maiores polos gastronômicos do Brasil, uma agitada vida cultural e é perfeita para o turismo de natureza. Não importa qual é o seu roteiro de viagem, Brasília foi planejada para você.

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Economia No DF, jovens aprendem a recondicionar computadores Estação de Metarreciclagem proporciona oportunidade profissional para jovens em situação de vulnerabilidade social da cidade de Samambaia > Por Ana Carolina Silva Sabe aquele seu computador velho esquecido no seu armário? Ele pode ser matéria-prima para capacitar jovens e adultos, em situação de vulnerabilidade social, da cidade de Samambaia, no Distrito Federal. O local onde essa transformação acontece: a Estação de Metarreciclagem de Samambaia, um projeto coordenado pela Ong Programando o Futuro em parceria com a Fundação Banco do Brasil. O projeto, que teve início em 2011, já capacitou mais de 512 jovens, entre 16 e 24 anos, em oficinas temáticas de formação téc14 Leitura de Bordo | Mar/Abr 2013 | www.leituradebordo.com.br nica, com duração de dois meses, nas áreas de Montagem e Configuração de Computadores, Informática Básica, Eletrônica de Reparos e Edição de Vídeos. Além das capacitações, a Estação também recondiciona computadores (doados por pessoas físicas e jurídicas) e doa esses computadores a iniciativas de inclusão digital como escolas, telecentros, creches, bibliotecas, entre outras entidades. “O Brasil hoje é o segundo país que mais produz lixo eletrônico no mundo. Isso está diretamente ligado ao tempo de vida desses equipamentos. As pessoas trocam em casa Fts.: Divulgação

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de equipamento a cada dois anos. Quando a gente começou a perceber o volume de equipamentos que as pessoas descartam e que muitas dessas máquinas ainda funcionam, e que poderíamos recondicionar esses computadores e capacitar jovens para o mercado de trabalho por meio desses equipamentos é que criamos a Estação de Metarreciclagem”, contou Vilmar Simion, coordenador da Ong Programando o Futuro. Resíduos eletrônicos Cerca de 30 jovens capacitados na oficina temática de Montagem e Configuração de Computadores passam por um processo seletivo e atuam como bolsistas, por um período de quatro meses, na Oficina de Recondicionamento de Computadores, onde os equipamentos doados são triados, limpos e ganham vida útil prolongada. Os pré-requisitos para atuar na oficina são estar estudando e ser frequente na escola e ter renda familiar de até dois salários mínimos. Os selecionados recebem uma bolsa auxílio de R$ 250. “Aprendi muito na Estação de Metarreciclagem. Não só o aprendizado técnico sobre computadores, mas também a ser responsável e dedicado. Essa experiência que estou tendo de atuar como educador social está sendo ótima. Poder ensinar as pessoas sobre informática é um desafio. Quero seguir essa carreira. Vou ser analista de sistemas ou programador”, revelou Lázaro Castro Santiago, de 17 anos, que atua como educador social na Estação de Metarreciclagem de Samambaia. Lázaro utiliza a bolsa auxílio que ganha, como educador, para ajudar sua mãe nas despesas de casa e nos cuidados ao irmão mais novo que é deficiente. Resíduos eletrônicos Aproximadamente 40% dos equipamentos doados para a Estação de Metarreciclagem não podem ser recondicionados, porque são antigos demais, e vão acabar virando lixo eletrônico novamente. Só em 2012 o laboratório processou cerca de 120 toneladas de resíduos eletrônicos. Os jovens bolsistas da Estação também fazem um período de estágio no Laboratório de Resíduos Eletrônicos. Lá eles têm a oportunida- de de conhecer mais de perto cada componente dos computadores: placas-mãe, memórias, monitores, etc. “Tivemos que criar o Laboratório de Resíduos Eletrônicos, onde os equipamentos que não podem ser reaproveitados são descaracterizados, separados e encaminhados para empresas que fazem a reciclagem desses materiais ou o descarte correto. Acabamos abrindo o leque de doações. Agora recebemos celulares, equipamentos eletroeletrônicos, CDs, DVDs, impressoras, telefones, entre outros equipamentos”, disse Wesley Dias, coordenador da Estação de Metarreciclagem. Informações: www.doeseucomputador.org.br (61) 3559 1111 www.leituradebordo.com.br | Mar/Abr 2013 | Leitura de Bordo 15

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