RLB 13 - Nov/Dez 2012

 

Embed or link this publication

Description

E o Rio renasceu

Popular Pages


p. 1

Estádio Nacional de Brasília Não há Lisboa sem o fado Ano 4 – nº 13 – Novembro/Dezembro de 2012 – R$ 6,50 Em 2013, o vinho invade a avenida E o Rio renasceu

[close]

p. 2

Cartas/Expediente SE A PAISAGEM TIRAR O FÔLEGO, O AR PURO RECUPERA OS SENTIDOS. Quem vem a Brasília sempre elogia seu projeto urbanístico que privilegia a qualidade de vida de seus habitantes, os amplos espaços, o horizonte livre e o verde que abraça as quadras e edifícios. Ao todo, são 68 parques distribuídos em diversos pontos da capital, com destaque para o Parque da Cidade, o maior da América Latina, cujas atrações esportivas e de lazer fazem dele um lugar muito apreciado por todos. Brasília. Uma cidade com muitos patrimônios pra gente se orgulhar. www.gdfdiaadia.df.gov.br 2 Leitura de Bordo | Nov/Dez 2012 | www.leituradebordo.com.br

[close]

p. 3

Editorial www.leituradebordo.com.br | Nov/Dez 2012 | Leitura de Bordo 3

[close]

p. 4

Edição anterior Intercâmbio, Próxima edição Israel cria a trilha do Evangelho uma opção segura para aprender Grêmio inaugura nova Arena em dezembro no Roteiro testado Goiânia Mundo pet: O encanto dos aquários No Douro, é tempo de vindima Revista Leitura de Bordo – Ano 4 - nº 13 – novembro/dezembro de 2012 É publicação bimestral da Wosseb C&M e circula nacionalmente nos principais aeroportos e rodoviárias; encaminhada às agências de viagem, hotéis e distribuição institucional. Tiragem: 25 mil exemplares Coord. Editorial: Sandra Fernandes Editor: Alfredo Bessow Comercial: Wosseb C&M (+55 61 8150 0256) Operacional: Roberto Carvalho Projeto Gráfico: MadMídia (+ 55 61 3967 0013) Editoração Eletronica: Wellington Pessoa Capa: Alexandre Macieira/Riotur Fotos: Wosseb C&M E-mail: leituradebordo@gmail.com Site: www.leituradebordo.com.br Escritório: CLSW 303 Bl. A – Ent. 16 – Sl. 109 Setor Sudoeste – 70673-621 – Brasília (DF) Impressão: Elite Gráfica +55 62 3548 2224 4 Leitura de Bordo | Nov/Dez 2012 | www.leituradebordo.com.br

[close]

p. 5

|::Índice::| Na próxima edição Proseando O turismo não aceita improvisação |4| |6| |7| | 10 | | 16 | | 22 | | 25 | | 29 | | 32 | | 34 | Ft.: Alfredo Bessow | 36 | Bricolagem O fascínio de dizer fui eu que fiz! | 38 | Eventos Festas pelo Brasil Entrevista Quem tem medo das TVs Comunitárias? | 39 | | 40 | | 42 | | 44 | Bem Viver Tempo de Natal, tempo de magia Ponto de Vista Tributação: mudanças necessárias Pelo Brasil Cidades valorizam o carnaval à moda antiga Roteiro Testado Não há Lisboa sem o fado Mundo Pet Relatos de viagem Leitores falam da revista e de suas viagens Rádio: de volta ao começo Agende-se Em 2013, o vinho invade a avenida Viajar com a família e o cachorro exige cuidado e atenção Caderno da Copa Estádio Nacional de Brasília: arrojo e sustentabilidade | 45 | Comunicação | 46 | Check in Revista Leitura de Bordo na Feira da Abav Enogastronomia Verão, tempo de vinho Comportamento O direito de discordar | 48 | Humor A disputa do bar e da academia Saúde Aceite o desafio de ter uma vida equilibrada Ft.: Pedro Kirilos / Riotur | 49 | Retratos de viagem Viajou? Fotografou? Mande pra gente... Com a polícia na rua e a implantação de UPPs nas favelas, o Rio de Janeiro voltou a ser um lugar seguro para turistas e moradores. Especial - O Rio renasceu na pág. 12. Toda foto possibilita muitas leituras. A proposta é publicar fotos que instiguem o leitor a reinventar as razões do fotógrafo. Outro olhar na pág 50. www.leituradebordo.com.br | Nov/Dez 2012 | Leitura de Bordo 5

[close]

p. 6

Especial de Brasília O turismo não aceita improvisação D Alfredo Bessow* urante muitos anos, o órgão responsável pela divulgação do turismo brasileiro no mundo se portou como um órgão e fez dos glúteos vistosos de mulatas e da apoteose do carnaval, o eixo central de campanhas que tinham como objetivo a venda do Brasil como destino turístico. Nada contra o esplendor visual, ainda mais em tempos nos quais não havia photoshop – mas cabe a constatação de que essas ações se revelam ainda hoje bastante perversas. Havia outras ferramentas também, como as turnês de grupos como os de Sargentelli, com o mesmo binômio bunda e carnaval. Felizmente com o advento do governo Lula, a Embratur foi deixando de ser “lembra-bunda” – mas ainda dá umas rateadas neste sentido, de quando em vez – para vender o Brasil como um todo. Sobre o carnaval, tenho opinião bem simples: para mim, é igual a uma prova de F1. É bom olhar ao vivo, na pista – mas você aproveita bem mais assistindo pela TV... Essa fixação dos entes do nosso turismo em apenas propagar o Rio deve ter muito a ver com uma visão ainda colonial-reducionista. Já há pesquisas indicando uma crescente opção dos turistas por roteiros diferenciados em nosso País. É importante ressaltar que temos uma diversidade de atrações – artesanatos, naturais, culturais, folclóricas, históricas – que transcendem a este perverso reducionismo que alguns ainda insistem em querer justificar. Fortalecer o turismo em nível nacional é a única forma de ampliar o tempo de estada do turista em nosso País – mostrando que somos mais do que bundas em termos de atração e vamos bem além do Carnaval, quando o assunto é cultura. Volto a dizer: uma não exclui a outra, mas devem ser complementares, porque o turismo é um vetor muito forte para fortalecer as economias dos pequenos municípios e que muitas vezes não encontram espaço – e nem apoio! – para divulgar as suas potencialidades. Eu sei que nesta hora todo mundo lava as mãos e bate no peito: mas eu já faço isso, eu já propicio aquilo. Isso não passa de balela. Conversando com operadores de turismo consolidou-se a convicção pessoal de que o grande gargalo está na improvisação. Nós não temos culturalmente o turismo como algo sério, como gerador de renda e emprego. Por mais fantásticas que sejam as atrações de uma cidade ou de uma região, elas não irão virar destino turístico em um passe de mágica. Isso demanda uma série de ações – até para não queimar o produto. Envolve ações de educação junto aos operadores de turismo naquela comunidade – de um prosaico balconista de uma lanchonete ao atendente do balcão de informações turísticas (quando houver). O problema, ao menos na minha opinião, está no costumeiro imediatismo dos políticos. Investir em turismo é um processo longo e que demanda ações continuadas – inclusive com investimentos em infraestrutura, treinamento e... infraestrutura, treinamento e muita persistência. Ou se faz isto de modo conjunto, ou as bundas continuarão a ditar roteiros. Até mesmo por falta de informação acerca das outras opções. * Jornalista e escritor. 6 Leitura de Bordo | Nov/Dez 2012 | www.leituradebordo.com.br

[close]

p. 7

Entrevista Quem tem medo O jornalista Paulo Miranda, eleito presidente da ABCCOM-Associação Brasileira de Canais Comunitários no VIII Congresso da entidade realizado em Brasília no final de novembro, fala, nesta entrevista, dos desafios que as TVs Comunitárias enfrentam em todo país, dos gargalos impostos pela legislação e até mesmo do boicote que elas sofrem de governos. A ABCCOM congrega 61 emissoras em todo Brasil. Revista Leitura de Bordo  – Quem tem medo das TVs Comunitárias? Paulo Miranda – A grande mídia e os grandes conglomerados. Eles já perceberam que nós não queremos ser emissoras capengas, sucateadas e sem capacidade de ter audiência, a partir do nosso poder de intervir na sociedade. Revista Leitura de Bordo – Muito se fala em modelo digital no segmento da TV e também convivemos com a realidade de uma migração de telespectadores para os canais fechados ou TVs por Assinatura. Qual a luta das TVs Comunitárias nestes dois segmentos? Paulo Miranda – A ABCCOM continua alerta na luta pela manutenção das TVs Comunitárias no modelo de TV por assinatura no cabo, via fibra ótica. Mas luta também para estar presente nos demais modelos tecnológicos, tais como MMDS, satélite, celular e pacotes de empresas de telecomunicações, como prevê a Lei nº 12.485, a de Serviço de Acesso Condicionado. Revista Leitura de Bordo –  As TVs Comunitárias são boicotadas pelos governos na hora de inserção de mídia institucional e de utilidade pública? das TVs Comunitárias? Paulo Miranda – O Brasil está mais de 20 anos atrasado por ainda não ter uma política de mídia comunitária, de mídia alternativa. O Canadá e os Estados Unidos já têm essa política de sustentabilidade de emissoras populares. Nossos governos acham que é crime financiar mídias comunitárias, morrem de medo das sete famílias * que mandam na comunicação brasileira. Esse é um problema a ser superado. Revista Leitura de Bordo – E a questão da busca de mídia privada? Paulo Miranda – A publicidade privada não interessa às rádios e às tevês comunitárias porque nós não queremos vender nada nem cair nessa armadilha. Na ditadura militar, o Coojornal, um periódico gaúcho de excelência, circulava em nível nacional com mídia privada. Depois faliu, em menos de três meses. A mídia privada sumiu após pressão do governo e do mercado contra um jornal que queria a democracia no país. Paulo Miranda - presidente da ABCCOM www.leituradebordo.com.br | Nov/Dez 2012 | Leitura de Bordo 7

[close]

p. 8

Entrevista Representantes das TVs Comunitárias de todo País participaram do congresso da entidade. Revista Leitura de Bordo – As TVs Comunitárias defendem a criação de um Fundo de Apoio. Pode explicar essa proposta? Paulo Miranda – No Canadá há um fundo de 79 milhões de dólares por ano para as rádios e tevês comunitárias. Nos Estados Unidos, cada empresa de TV a cabo é obrigada a destinar 2% do seu faturamento bruto mensal para as emissoras comunitárias. Por isso, a mídia comunitária canadense e estadunidense é forte. Aqui no Brasil, ainda não é possível, por falta de vontade política, implantar o orçamento participativo no bolo publicitário do governo federal, dos estados e dos municípios. Mas temos que ter a coragem de fazer isso. No DF, o projeto de lei do deputado distrital Cristiano Araújo é uma ótima iniciativa ao destinar 5% da publicidade institucional do GDF para as mídias comunitárias. Espero que a Câmara Legislativa do DF seja a primeira no país a aprovar uma iniciativa que retira da miséria a nossa mídia alternativa. Seria importante que legisladores de outros estados também tivessem a coragem de consignar em Lei, um percentual para a mídia efetivamente comunitária. 8 Leitura de Bordo | Nov/Dez 2012 | www.leituradebordo.com.br Revista Leitura de Bordo – E como seria feito o reparte dos recursos? Paulo Miranda – Veremos no momento da regulamentação. Revista Leitura de Bordo –  Quem teria a responsabilidade de gerir e administrar esse fundo? Paulo Miranda – Os governos. Essa é a minha defesa. Revista Leitura de Bordo –  Por que as chamadas TVs comerciais temem tanto as TVs Comunitárias? Paulo Miranda – Elas não querem ser incomodadas. Querem audiência fácil e faturar com veiculação do lixo internacional produzido lá fora, sem gerar emprego e renda no Brasil. 10. Revista Leitura de Bordo – Para a realidade e a dimensão do nosso País, o número de TVs Comunitárias é pequeno. Existe algum tipo de boicote? As operadoras montam alguma estratégia para evitar que as TVs Comunitárias funcionem – além do gargalo financeiro que é imposto pela Legislação? Paulo Miranda – As operadoras criam uma série de dificuldades. Seus proprietários não enten-

[close]

p. 9

Entrevista dem que o serviço de comunicação é um serviço público, concessão do Estado e, portanto, sujeito a regras sociais. 11. Revista Leitura de Bordo  –  Qual a opinião e posição da ABCCOM em relação à discussão do marco regulatório para a mídia? Paulo Miranda – Tem gente que ganha dinheiro só para ficar falando em novo marco regulatório. Mas todas as novas leis no setor não beneficiaram o povo brasileiro, apenas algumas pessoas. Veja só: hoje o Carlos Slim, um suspeito mexicano, é dono da Claro, da Embratel e da NET. Sky e Direct TV pertencem ao Murdoch. A última lei aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pela presidenta Dilma Rousseff, a Lei 12.485, é péssima. Então que marco é esse que estão querendo? O que acaba com o programa da Voz do Brasil? Tô fora. 12. Revista Leitura de Bordo –  Quais os grandes desafios desta nova gestão? Paulo Miranda – O nosso oitavo congresso aprovou um plano de metas com 23 pontos. São metas que passam pela luta para pagar luz, água e aluguel até a viabilização de um canal comunitário via satélite no país. Didi, que presidiu a ABCCOM, ao lado de Paulo Miranda * Em tese, os grupos que detêm o monopólio dos meios de comunicação em nosso país se dividem em oligarquias nacionais e feudos regionais, onde pontificam sobrenomes como Marinho, Frias, Civita, Mesquita, Saad, Abravanel, Macedo, Sirotsky – além de clãs familiares, como Sarney, Collor, herdeiros de ACM. (Nota do editor) www.leituradebordo.com.br | Nov/Dez 2012 | Leitura de Bordo 9

[close]

p. 10

Tecnologia Tributação: Paulo Antenor de Oliveira * Mudanças necessárias seja este. Isso é fácil de compreender pois o atual modelo lhe garante a gestão de cerca de dois terços de tudo que se arrecada de tributos em nosso país. Na verdade, no atual modelo a autonomia das unidades federadas, no que diz respeito a recursos próprios, está perigosamente no limite. Se fosse o caso de se analisar os municípios, essa autonomia, se existisse, não poderia ser sequer considerada. Então registre-se que o governo central não irá trabalhar para retirar de seus recursos e transferi-los para estados e municípios. E há uma grande expectativa de que com grandes mudanças no sistema tributário existente na Constituição Federal a carga tributária diminuirá. Isto é uma grande ilusão. O tamanho da carga tributária tem menos a ver com A primeira mudança no discurso da Reforma Tributária está no próprio discurso: a não ser que se deseje mudar a estrutura do Estado brasileiro, não há espaço para se realizar uma reforma no modelo de tributação existente hoje no nosso país. No máximo, é possível realizar algumas mudanças pontuais, como na questão do ICMS, desde que haja um grande acordo com a maioria das unidades da federação, principalmente aquelas unidades com mais representatividade no Congresso Nacional, que normalmente são as mais desenvolvidas. Também não se pode afirmar que o governo central está realmente empenhado em que se faça grandes mudanças no atual modelo de tributação, embora seu discurso não 10 Leitura de Bordo | Nov/Dez 2012 | www.leituradebordo.com.br

[close]

p. 11

Ponto de Vista o modelo tributário e mais a ver com tamanho do Estado, controle de gastos fiscais, eficiência e combate ao desperdício de recursos e à corrupção. Não há mágica que faça a carga tributária diminuir de um momento para outro. E as alíquotas de tributos são determinadas por Leis e não pela Carta Magna. Ou seja, para se pagar menos Imposto de Renda, deve-se alterar as leis que regem a matéria e não modificar a Constituição Federal. Para isto precisa-se procurar espaço no Orçamento e realizar a renúncia da receita. Não é um debate fácil, mas é um debate necessário. Quanto ao controle de gastos, busca da eficiência e combate ao desperdício de recursos e à corrupção traz resultados mais rápidos, não necessita de mudanças significativas na legislação e abre espaço para a diminuição da carga tributária. Esbarra, no entanto, no atual modelo político brasileiro, que não favorece em nada nenhum dos fatores acima. Ou seja, o sistema tributário deve ser compreendido como um subsistema de um sistema maior, convivendo com outros subsistemas como o econômico, o político, o financeiro, o administrativo, etc. Não se pode imaginar a alteração de um subsistema sem imaginar as consequências nos outros subsistemas. Mas voltemos ao tema tributação e um dos assuntos do momento, que é o incentivo tributário dado pelo governo a setores da economia. A dispensa de recebimento de recursos tributários para esses setores deveria ser precedida de grande debate por parte da sociedade brasileira. Não é. Mais um grande equívoco do nosso sistema tributário. * Paulo Antenor de Oliveira Vice-presidente do Sindireceita Sindicato Nacional dos Analistas Tributários da Receita Federal e suplente de Senador pelo Estado do Espírito Santo. Comunicar, compartilhar e gerenciar Gerenciamento de Redes Sociais Transmissão de vídeo ao pela internet Sites e Sistemas Web Produção de conteúdo para web 61 3967-0013 mídia e ações digitais www.madmidia.com.br www.leituradebordo.com.br | Nov/Dez 2012 | Leitura de Bordo 11

[close]

p. 12

Especial Ft.: Ricardo Zerrener/Riotur Copacabana: Depois de entrar numa espiral de medo e violência, aos poucos o Rio de Janeiro está conseguindo virar o jogo e ser, outra vez, a opção de entrada dos turistas que chegam ao Brasil O cartão postal do Brasil voltou a sorrir A primeira fonte de informação in loco que o turista tem ao chegar em qualquer cidade – quer brasileiro ou vindo do exterior – é o taxista. No Rio de Janeiro, não é diferente. O que mudou foi o discurso, antes pautado por recomendações para evitar que o visitante fosse tragado pela violência da cidade, agora muito mais solto, chamando a atenção dos forasteiros para as inúmeras belezas locais e para a hospitalidade carioca. “Eu posso dizer que o Rio voltou a ser uma cidade segura para os turistas, graças às ações dos governos com as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadoras), com o policiamento ostensivo nas ruas e a colocação de câmeras que acompanham e monitoram a movimentação das pessoas” discorre André Miranda, taxista que atua no Galeão e que trabalha com o chamado “transporte turístico”. Mas André faz questão de enfatizar: “Nós, que atuamos na praça, sentimos essa mudança porque está mais seguro para quem trabalha”. A sensação é compartilhada por Marina Souza, gerente do Brasileirinho, restaurante que fica na Av. Atlântica com a Antonio Gonçalves, em frente ao Posto 5, em Copacabana. “Moro a quatro quadras daqui e muitas vezes vou para casa a pé, de madrugada, depois de fechar o restaurante, pois sempre tem policiamento e me sinto segura”, enfatiza ela. 12 Leitura de Bordo | Nov/Dez 2012 | www.leituradebordo.com.br

[close]

p. 13

Especial Valorização O resgate do patamar de área segura gerou benefícios diretos e indiretos. André conta, bem humorado, histórias de turistas que ficam temerosos de balas perdidas durante passeios pela cidade. “Felizmente isso faz parte do passado e a gente espera que nunca mais retorne àquele tempo que era de medo e de insegurança”, discorre ele que faz questão de ressaltar: “Não vivemos em uma ilha da fantasia. Mas hoje temos aqui a violência que infelizmente é comum a todos os centros urbanos do mundo”. Kits na região de Copacabana que há cinco/seis anos eram entregues por R$ 25 mil, hoje são disputadas por valores na casa de R$ 200 mil. Essa mudança tem dois lados, inclusive nas áreas pacificadas em favelas, onde os aluguéis também aumentaram – uma casa/barraco pode custar até R$ 1,5 mil por mês. Lojas na região já não sofrem mais com a ação de drogados e menores que cometiam pequenos delitos. Os comerciantes comemoram, mas preferem não se identificar. Ainda paira neles um certo receio de que o governo possa achar que resolveu o problema do delicado convívio entre a Zona Sul e a favela. Restaurante ocupou espaço desativado Brasileirinho, um exemplo Por falar neste restaurante localizado em área privilegiada, cabe prestar atenção no seu histórico. Mesmo sendo um ponto especial, o espaço ficou fechado por oito anos, servindo de depósito do Hotel Debret. “Ninguém queria isto aqui”, diz o engenheiro Márcio Carvalho, gerente da casa – que abriu suas portas há um ano e meio e jamais teve qualquer problema com assaltos ou arrastões. No caso do Brasileirinho, mais de 20 empregos diretos foram gerados por conta do aumento da vigilância e de uma retomada de controle, por parte do Estado, de áreas antes entregues ao tráfico e à violência. A goiana Luana Sardinha, formada e pós-graduada em turismo, tentou muitas vezes convencer a família a deixá-la ir para o Rio a fim de trabalhar na sua área de formação. “Minha mãe só concordou em deixar eu vir quando se convenceu de que morar e trabalhar no Rio tinha voltado a ser seguro”, conta sorrindo. “Claro que mudou, e muito, mas isto passa pela ação efetiva do policiamento. Se relaxar ou diminuir a presença dos policiais, tudo voltará a ser como era antes”, destaca Nilton Viana, outro taxista que trabalha em uma das áreas enigmáticas desta nova fase do Rio: na “entrada” do complexo de favelas do Pavão – Pavãozinho e Cantagalo. O resgate da tranquilidade é conquista de todos www.leituradebordo.com.br | Nov/Dez 2012 | Leitura de Bordo 13

[close]

p. 14

Especial Estava condenado mas... Os grandes hotéis comemoram a volta dos turistas – resgatando o glamour que a cidade sempre teve, principalmente Copacabana que exerce uma espécie de fascínio sobre o imaginário de quem visita a antiga Capital do País. Mas não são apenas os hotéis de bandeiras famosas que comemoram. O Ducasse Rio Hotel é um exemplo do que ocorre nos dias atuais. Localizado na “porta de entrada” da favela, houve um tempo em que os hóspedes sumiram, por conta dos tiroteios e do risco de balas perdidas. Depois da implantação da UPP e do policiamento que sempre está presente, o Hotel, que fica a poucos metros da praia de Copacabana e tem preços bem em conta, voltou a ter movimento. Com a intervenção do governo investindo pesado em repressão – única linguagem que o marginal sabe respeitar – foi possível iniciar o processo de resgate do Rio. Mas se há o que comemorar, há muito ainda por fazer. E isso só será possível com a continuidade da política de segurança ostensiva – exemplo que poderia ser seguido por outras cidades hoje mergulhadas na violência e no caos, como Brasília, São Paulo, BH... André Miranda: o turista percebe a mudança no Rio Copacabana, tendo ao fundo as favelas pacificadas 14 Leitura de Bordo | Nov/Dez 2012 | www.leituradebordo.com.br Policiamento, essa a receita para o renascimento do Rio

[close]

p. 15

Roteiro Testado

[close]

Comments

no comments yet