Gazeta Valeparaibana

 

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Janeiro 2016

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Ano VIII - Edição 98 - JANEIRO 2016 Distribuição Gratuita Vale do Paraíba Paulista - Litoral Norte Paulista - Região Serrana da Mantiqueira - Região Bragantina - Região Alto do Tietê RECICLE INFORMAÇÃO: Passe este jornal para outro leitor ou indique o site - Boa música Brasileira Cultura Educação Cidadania Sustentabilidade Social Agora também no seu .www.culturaonlinebrasil.net Baixe o aplicativo IOS Artigos Recomendados EDITORIAL Por um novo ano que não seja tão somente mais um novo ano. Página 2 ******************* Decepções. Algumas parece que vão nos deixar para sempre arrasados. Dá uma vontade louca de chorar tudo que podemos, até esgotar todas as emoções. Coisas acontecem por não falarmos o que se passa na nossa alma. Achamos que o outro sabe o que se passa com a gente, o que queremos, quais são nossas intenções, mas não é assim. Ronaldo Costa e Couto (1999, págs. 150 a 151), no fabuloso livro “História indiscreta da ditadura e da abertura – Brasil: 1964-1985” (Editora Record) Geisel: “...porque a corrupção nas Forças Armadas está tão grande, que a única solução para o Brasil é abertura.” Uma leitura que aconselhamos. Capitalismo e democracia na Europa Vamos começar com uma citação de um ensaio sobre a democracia burguesa na Rússia, escrita em 1906, após a derrota da primeira revolução, de 1905: O OUTRO LADO DAS EDITORAS E DA MÍDIA O Conhecimento no Brasil tornou-se uma coisa ofensiva. As escolas de hoje são ambientes doutrinários, de propagação ideológica esquerdista, inexiste produção de Conhecimento. Exemplo? “É profundamente ridículo acreditar que existe uma afinidade eletiva entre o grande capitalismo, Um novo começo? da maneira como atualmente é importado para a História das Constituições Chegamos ao ano de 2016. Um novo ano, Rússia, e bem estabelecido nos Estados Unidos um novo ciclo que começa. E, convido a […], e a ‘democracia’ ou ‘liberdade’ (em todos os Brasileiras você que lê este artigo, que considere refle- significados possíveis da palavra); a questão Termos consciência de todas as Constituições tir sobre o que escrevi aqui. Precisamos verdadeira deveria ser: como essas coisas que já existiram no Brasil é de suma importância. considerar recomeçar o Brasil. podem ser mesmo ‘possíveis’, a longo prazo, sob Quando as observamos podemos compreender a dominação capitalista?” Página 5 ainda mais o funcionamento do país quanto a sua economia, sociedade e política no período em ******************* PARTE I que ela esteve vigente. Analisando, dessa manei2016 Página 15 ra, todas as transformações e evoluções que o COMPAIXÃO E FRATERNIDADE Brasil passou desde a Independência até os dias Página 7 de hoje. ******************* Marta Lança: Doutoranda em Estudos Artísticos Página 12 2016 na FCSH - Universidade Nova de Lisboa ******************* Página 4 Página 10 A lusofonia é uma Bolha FINAL Página 16 SERÁ O ANO DA GREVE DE PROFESSORES Página 9 E tem mais... Confira! www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Janeiro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 2 Editorial Por um novo ano que não seja tão somente mais um novo ano. Estamos iniciando mais um ano. Se dermos um balanço em nossas atividades nesses 365 dias que passaram, encontraremos de tudo: bons momentos, decepções, alegrias, tristezas, atitudes nobres e também outras não tão nobres. Porque somos um misto de médico e de monstro, um universo em que gravitam tendências de todas as naturezas. Mas, não importa o que somos e o que fizemos. Mais importante é o que podemos ser e o que podemos fazer, lembrando sempre que em qualquer momento podemos dar uma guinada no leme de nosso barco, mudando completamente o seu curso. Afinal, não somos estáticos vegetais, ou animais irracionais guiados apenas pelo instinto. Somos humanos, dotados de livrearbítrio, de inteligência e de vontade. Nessa época em que se fala tanto em política, é importante lembrar que existem duas palavras mágicas de uma força praticamente infinita: posso recomeça! Presos na cadeia podemos ler mais, pesquisar mais, nos informar mais, para então podermos nos colocar. Conhecer a História do Brasil, a História Mundial e ler alguns filósofos de todas as tendência, poderá nos dar uma ideia melhor de onde estamos e ai nos posicionarmos para onde queremos ir. Primeiro livros simples, duas páginas por dia. Depois, progressivamente, assuntos mais complexos e mais horas de dedicação à busca de novos conhecimentos. Ninguém aprisiona o espírito nem tolhe seu vôo, a não sermos nós mesmos, pela indolência. Mudar faz parte da evolução. Ninguém cresce se não domar seus impulsos, a cada dia um pouco, começando no próprio lar. Experimentemos tratar nossos familiares como agimos com as visitas. Ouvir o cônjuge, irmãos, filhos e pais com a maior atenção, respondendo com respeito, com brandura, com inteligência. Contar em casa as histórias engraçadas que guardamos para os amigos, sorrir como sorrimos para os conhecidos. Em pouco o ambiente doméstico será completamente diferente. E isso é muito difícil, está fora do nosso alcance? E, na realidade, quem é mais importante para nós que nossos familiares? Se quisermos um mundo melhor, devemos começar por nós mesmos e por nosso núcleo familiar, a célula da sociedade. Podemos apresar o momento fugidio que tenta passar despercebido, para nele colocar a primeira pedra do alicerce de nossas mudanças. Sair de uma vida fosca para capturar o brilho das estrelas. Feliz 2016 para todos nós! Filipe de Sousa Leia mais em 2016 “Muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro.” Henry David Thoreau “À leitura deslizante ou horizontal, um simples patinar mental, é preciso substituir pela leitura vertical, a imersão no pequeno abismo que é cada palavra, fértil mergulho sem escafandro.” José Ortega y Gasset “A leitura é um grande lenitivo para a velhice nos achaques que a incomodam, e reclusão a que obrigam. ” Marquês de Maricá “Nós mudamos incessantemente. Mas se pode afirmar também que cada releitura de um livro e cada lembrança dessa releitura renovam o texto.” Jorge Luis Borges “Em muitas ocasiões a leitura de um livro fez a fortuna de um homem, decidindo o curso de sua vida.” Ralph Waldo Emerson “A leitura faz ao homem completo; a conversa, ágil, e o escrever, preciso. ” Francis Bacon Rádio web CULTURAonline Brasil NOVOS HORÁRIOS e NOVOS PROGRAMAS Prestigie, divulgue, acesse, junte-se a nós ! A Rádio web CULTURAonline Brasil, prioriza a Educação, a boa Música Nacional e programas de interesse geral sobre sustentabilidade social, cidadania nas temáticas: Educação, Escola, Professor , Família e Sociedade. Uma rádio onde o professor é valorizado e tem voz e, onde a Educação se discute num debate aberto, crítico e livre. Mas com responsabilidade! “A leitura é uma conversação com os homens mais ilustres dos séculos passados. ” René Descartes “Quem não lê não pensa, e quem não pensa será para sempre um servo.” Acessível no link: www.culturaonlinebrasil.net Paulo Francis Os artigos publicados são responsabilidade de seus autores, não refletindo necessariamente a opinião da Gazeta Valeparaibana IMPORTANTE Todas as matérias, reportagens, fotos e demais conteúdos são de inteira responsabilidade dos colaboradores que assinam as matérias, podendo seus conteúdos não corresponderem à opinião deste projeto nem deste Jornal. A Gazeta Valeparaibana é um jornal mensal gratuito distribuído mensalmente para download Editor: Filipe de Sousa - FENAI 1142/09-J Gazeta Valeparaibana e CULTURAonline BRASIL CULTURAonline BRASIL Ajude-nos a manter este projeto por apenas R$ 2,00 mensal Email: assinaturas@gazetavaleparaibana.com Juntas, a serviço da Educação e da divulgação da CULTURA Nacional

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Janeiro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 3 Dia da Paz (Confraternização Universal) Promover a paz tornou-se uma condição de sobrevivência. Se continuarmos com essa sociedade de competição, de liberdade só para quem tem poder e dinheiro, de produção de miséria, certamente caminharemos aceleradamente para a destruição mútua e geral. O primeiro dia do ano pode significar uma nova esperança, com uma nova atitude. Será que não é possível que nós humanos nos entendamos definitivamente? A Paz e a Confraternização Universal merecem uma reflexão! A paz para todos os povos O 1º de janeiro é celebrado como Dia Mundial da Paz (ou Confraternização Universal) a partir de sugestão do Papa Paulo 6º, em 1967. Mais do que um caráter religioso, a data pretende exaltar a paz como o caminho a seguir no ano que se inicia. Dez, nove, oito, sete, seis, cinco, quatro, três, dois, um... Feliz Ano Novo! Na maioria dos países do mundo, essa contagem regressiva é realizada na passagem de 31 de dezembro para 1º de janeiro. É o início de um novo ano, segundo o calendário gregoriano, instituído em 1582 d.C. pelo papa Gregório 13. De acordo com a astronomia, um ano é o tempo que a Terra demora para girar em torno do sol. Este calendário é utilizado atualmente por todo o ocidente e é considerado oficial no mundo todo. Há culturas que celebram a passagem do ano em outras datas e estão em uma contagem muito maior do que o nosso ano corrente. É o caso dos chineses e dos judeus. Independentemente de quando acontece a passagem do ano, todas as nações celebram esse momento como uma saudação à vida e com desejos de fraternidade e paz para o próximo período. É apenas uma data, a vida continua da mesma maneira e nem as guerras deixam de acontecer somente porque o ano mudou. No entanto este dia serve para muitas pessoas como um incentivo para realizar mudanças de atitudes, a fim de viver melhor. Assim, diversos rituais são realizados, conforme a crença ou a cultura: soltar fogos, beber champagne, pular ondas, comer lentilha... cada um escolhe como vai marcar o novo ano. E como todos comemoramos e, juntos, criamos esperanças de uma vida melhor, esta data é chamada de Confraternização Universal. Calendário do mês Datas Comemorativas 1 - Confraternização Universal 1 - Dia Mundial da Paz 2 - Dia da Abreugrafia 5 - Criação da Primeira Tipografia no Brasil 6 - Dia de Reis 6 - Dia da Gratidão 7 - Dia da Liberdade de Culto 8 - Dia do Fotógrafo 9 - Dia do Fico (1822) 9 - Dia do Astronauta 14 - Dia do Enfermo 15 - Dia Mundial do Compositor 19 - Dia Mundial da Terapia Ocupacional 20 - Dia do Farmacêutico 21 - Dia Mundial da Religião 24 - Dia da Previdência Social 24 - Dia da Constituição 24 - Instituição do Casamento Civil no Brasil 25 - Dia do Carteiro e Criação dos Correios 25 - Dia do Aniversário de São Paulo 27 - Dia da Elevação do Brasil a Vice-reino (1763) 28 - Dia da Abertura dos Portos (1808) 30 - Dia da Saudade 30 - Dia do Portuário 30 - Dia Nacional das Histórias em Quadrinhos 30 - Dia da Não-violência 31 - Dia Mundial do Mágico A todos vocês... Mais um ano que caminhamos juntos vai chegando ao fim. Procuro no meu coração as palavras e não sei se encontro. Devo, talvez, ter que ir mais fundo. Penso que o segredo de nos darmos bem é que quando falo, o faço com o coração e quando escutam, o fazem com o coração. É dessa forma que meu coração se sente compreendido e o de vocês se sente reconfortado. Fazemos uma troca. Eu queria fazer um resumo do ano que passou, mas não acho que tenha sido um ano particular, apenas a continuidade dos tantos outros, onde vemos, infelizmente, que a humanidade caminha para a direção contrária: muitas coisas que antes nos surpreendiam começam a ser "naturais" pois o mundo evoluiu. Vemos que muitos valores foram invertidos: o que é anormal, tornou-se comum; o que é imoral, tornou-se corriqueiro; a violência nos revolta, mas não nos impede de dormir; antes, compreendíamos nossos pais com um simples olhar, hoje tudo é diferente. Muitas pessoas procuram a profissão onde vão ganhar mais e poucos são os que ainda fazem alguma coisa por paixão. É isso... Falta paixão no mundo! O materialismo tomou conta de muitas coisas e muito poucos são os que ainda abraçam uma causa e seriam capazes de dar tudo por ela. O "eu" tornou-se rei e como há muitos eus espalhados pelo mundo, há muitos reis também, que pensam-se poderosos e acima de tudo. E ninguém está acima de tudo enquanto os homens não conseguirem controlar o mar e o tempo. Nada no mundo se compara à paz de espírito, ao sentimento de ter feito o bem, ao conforto de olhar nos olhos dos que precisaram de alguém e conseguiram encontrar uma presença. O que o mundo precisa é disso: a paz, que só encontramos quando nosso coração se sente saciado e um coração precisa de amor para se alimentar. Se tiver que deixar uma mensagem a vocês, deixo esta aqui: não desacreditem na vida, nem no bem, nem na força do bem e, acima de qualquer coisa, não desacreditem em Deus! O mundo está abandonado a si mesmo, mas aqueles que voltam-se para Deus estão ancorados. Cultivem o amor, a paz, a alegria, o sorriso e tratem as pessoas com o mesmo respeito, amor, compreensão, como gostariam de ser tratados. Ninguém deve sentir vergonha de falar sobre Deus, de defender uma causa justa, de se sentir diferente num mundo onde todo mundo quer fazer igual. Pessoas especiais são pessoas especiais. Muitos são os que avistam a porta do paraíso, mas, creiam, só as pessoas especiais são capazes de passar por ela. Que o Senhor guarde a união no seio de cada família, que as pessoas se dêem as mãos e não larguem quaisquer que forem as circunstâncias, que a vida seja repleta e que a solidão torne-se uma vaga lembrança! Obrigada a cada um de vocês por compartilhar comigo dessa caminhada na qual acredito de todo meu ser. Com muito amor, tenham um ano de paz, de muita luz! Letícia Thompson EDUCAÇÃO PARA A CIDADANIA A educação para a cidadania significa fazer de cada pessoa um agente de transformação social, por meio de uma práxis pedagógica e filosófica: uma reflexão/ação dos homens sobre o mundo para transformá-lo. Este é um dos objetivo do Jornal Gazeta Valeparaibana www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Janeiro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 4 Socializando Decepções - Crescimento ...ano novo ! fazer é sermos flexíveis e tolerantes em relação às decepções. Elas vão acontecer, pessoas vão nos decepcionar de vários modos. A vida vais nos decepcionar, sonhos podem não se realizar. Somos seres imperfeitos buscando viver da melhor maneira possível. Todos nós erramos, e quase todos nós nos decepcionamos ou decepcionamos alguém pelo menos alguma vez na vida. A frustração que decorre disso nos causa dor. Ver nossas expectativas frustradas porque alguém não foi leal, porque alguém traiu nossa confiança, ou nos foi infiel, causa tamanha dor, que podem nos marcar para sempre. Passamos a nos questionar, o que fizemos para merecer isso? Não conseguimos entender, isso pode levar anos, ou até a vida inteira nos atormentando. Pode nos mudar muito. Criamos expectativas e quanto maiores elas forem, maior será nossa decepção. Temos que entender que somos seres diferentes, cada um cresceu com uma educação, tem sua maneira de ser e agir, não podemos querer que o outro seja igual a nós. A dor que nos é infligida pela dor emocional causada pela decepção é dor que dói demais. A primeira coisa a fazer é deixar que ela se acomode em nós, olhar o que está acontecendo com uma certa distância e perceber se não estamos superdimensionado e valorizando situações e pessoas que podem não possuir essa importância toda. Colocar-nos na situação de observador de nós mesmos. Acalmar, serenar, tentar entender, e aí vale tudo que eu achar necessário para que isso aconteça, uma boa conversa, uma boa reflexão, uma ajuda externa, mas, se isso não for possível, tocar a vida pra frente, o mundo não vai parar porque estou sofrendo. Temos que tentar administrar essa dor. Se esse ano que está findando te trouxe algumas decepções e tristezas, será que não está na hora de deixar que elas fiquem aqui em 2015? Começar 2016 com a ideia de que vai ser muito melhor já é um bom começo. Decepções causam dor, mas também podem nos fazer crescer. Somos seres em constante aprendizado, estamos aqui para evoluir. Em vez de deixarmos a amargura tomar conta da gente, vamos usar o aprendizado para fazer diferente. Perceber que portas estão se abrindo, que ensinamentos podemos tirar. momento decepcionamos alguém. Podemos nem nos dar conta disso, não ter tido a intenção, mas acontece. Justamente por sermos seres imperfeitos, em constante evolução. Encarar os desafios requer uma dose de coragem, às vezes sacrifício. As decepções não vêm apenas dos outros, também de nós mesmos, nos decepcionamos quando não conseguimos algo que queríamos muito, quando não alcançamos aquilo que nos propusemos, quando algum sonho ficou esquecido, quando alguma situação não se concretizou da maneira que esperávamos, e com toda essa frustração surge o medo, que acaba por nos aprisionar, impedindo de seguir adiante, de explorar nossos recursos. Está certo, você está frustrado, decepcionado, mas vai deixar isso continuar te prejudicando até quando? Uma hora temos que dar um basta nesse sofrimento todo e encarar que já é hora de mudar. Nem tudo sai como a gente idealizou, paciência! Falar é fácil? Com certeza. Tomar atitudes que realmente vão fazer a diferença requer coragem e disposição da nossa parte. Encarar a vida de frente não é qualquer um que consegue. Dá trabalho. Não foi como esperava? Faça diferente. Somente eu posso fazer algo e mudar o que não está bom. Que venha o novo ano e que na ilusão de que posso mudar, recomeçar ou começar de novo, isso nos dê forças para seguir adiante. Que o simbolismo de terminar um ano e começar outro, nos de a esperança de que podemos fazer melhor, podemos mudar coisas que não gostamos em nós ou nas nossas vidas. O ano novo é mais um rito de passagem que faz parte da nossa vida e nos estimula a querer mudar. Vamos atrás desse raio de esperança que surge iluminado por novos sonhos e quereres. Viver não é tarefa das mais simples, mas nós complicamos mais do que devíamos. Não basta estar vivo, temos que viver a vida, e isso é um processo contínuo, que requer coragem e determinação, vamos sair do previsível e encarar os desafios que nos farão crescer. É a nossa história, e ela só pode ser escrita por nós. Um abençoado ano para todos, com força, fé e determinação para encarar todos os desafios. Feliz Ano Novo! Mariene Hildebrando Professora de Direito e especialista em Direitos Humanos Decepções. Algumas parece que vão nos deixar para sempre arrasados. Dá uma vontade louca de chorar tudo que podemos, até esgotar todas as emoções. Coisas acontecem por não falarmos o que se passa na nossa alma. Achamos que o outro sabe o que se passa com a gente, o que queremos, quais são nossas intenções, mas não é assim. Porque achamos que estamos sendo claros? Que somos transparentes? Que todo mundo sabe o que vai na nossa mente? Somos seres complicados, essa é a verdade. Às vezes nos perdemos de nós mesmos, na nossa ânsia em querermos agradar os outros, acabamos nos boicotando, tomando atitudes que não condizem com o que pensamos. Representamos um papel porque achamos que é aquilo que as pessoas querem de nós. Gostamos mas fingimos que não gostamos. Pensamos uma coisa e dizemos outra. Queremos algo, mas nossas ações parecem dizer o contrário. Será tudo isso uma maneira que usamos para nos proteger? Proteger do que, eis a pergunta, das decepções talvez, de ouvirmos um não, de não sermos correspondidos. Tememos a verdade, nos escondemos de nós mesmos. Acredito que a decepção nos faz crescer, de alguma maneira nos modifica, para melhor ou para pior, vai depender de como enfrentamos a dor que ela nos causa.. A decepção por não ter dado certo, o achismo do “se”, se tivesse feito isso, se tivesse feito aquilo, acho que o final seria diferente, não sofreria essa dor sem fim... e mais uma vez passamos pelo processo de olhar para tudo que passou e ver o que queremos eliminar, e perceber o que podemos fazer diferente, como podemos encarar os desafios, as decepções que podem surgir, de maneira diferente. Como podemos melhorar nossa vida nesse planeta chamado terra. A decepção faz parte da vida. Assim como Acredito que uma das coisas que podemos nos decepcionamos, também nós em algum www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Janeiro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 5 Ação cidadã meçar o país do zero. Como seria isso, recomeçar “redenção”, eu não concordo que os brasileiros o Brasil? devam pôr esperanças num suposto “messias” político, num estadista “salvador” da pátria. Não, Seria algo parecido com um empresário rico que não e não! Aqui eu penso como John F. Kennedy, faliu, perdeu toda a sua fortuna e, vai recomeçar a sua vida financeira de novo, tentar novamente não perguntar o que o país pode fazer por mim, perguntar o que eu posso fazer pelo país. O que um empreendimento. Ou, comparável a um país cada cidadão pode fazer? O que é que tem que que se envolveu numa guerra e saiu destruído, e ser mudado? Onde está o problema? Onde está a se reergueu novamente anos depois da guerra raiz do problema? E como solucionar o problema? (como Alemanha e Japão). Reforma política? Mas como exatamente deve ser Mas o Brasil não foi à bancarrota e nem acabou feita tal reforma? Os detalhes da reforma? Reforde sair de uma guerra. Ok! Considerar recomeçar ma na educação escolar? Mas como exatamente o Brasil é repensar o nosso modelo de sociedade, fazer tal reforma? O que mudar? Quais os pono nosso modelo político, o nosso modelo econô- tos? Quais os aspectos, os detalhes? O que realmico, etc. Será que a nação brasileira está conde- mente deve ser feito? nada à incipiência moral e administrativa para sempre? Será que não há possibilidade de reden- O que é fato, é que o atual modelo não funciona ção ao povo do Brasil? Tem havido um consenso, a favor da maioria. Não! O atual modelo lesa, predesde que eu nasci, de que o Brasil tem ido mal. judica a maioria dos cidadãos. Os brasileiros deO Brasil está aprisionado a um sistema que não vem considerar repensar o modelo de país para o renova de verdade, apenas substitui alguns indiví- Brasil. duos. Apesar de eu ter usado a expressão João Paulo E. Barros. Um novo começo? Chegamos ao ano de 2016. Um novo ano, um novo ciclo que começa. E, convido a você que lê este artigo, que considere refletir sobre o que escrevi aqui. Precisamos considerar recomeçar o Brasil. Mas, como assim, recomeçar o Brasil? Não temos como voltar no tempo, para 1500. Não existe máquina que nos permita viajar no tempo para mudarmos a história do Brasil. Não podemos reco- Sobre religiões e fé Para muita gente, todos têm que ter uma “fé”, no caso confundida com religião. Quem não tem é mau. Segundo dizem, Deus é bom (ou justo?)… Todas as religiões pregam o bem… Será? Mata-se muito em nome de Deus e das religiões. E isso não é de hoje: basta lembrar alguns episódios históricos. Por exemplo: 1. Sócrates foi condenado à morte em Atenas, e um motivo que pesou muito para essa condenação foi que ele cultuava deuses que não eram atenienses. 2. Leiam o Velho Testamento da Bíblia, na parte que trata das pragas contra o povo egípcio: o faraó queria deixar o povo hebreu se mandar do Egito, para se livrar de pragas mandadas pelo Deus desse povo. Mas, para mostrar poder, Deus “endurecia o coração do faraó” para que ele não permitisse a saída dos hebreus, e depois castigava o povo todo, de forma cruel, inclusive matando os filhos primogênitos de cada família. 3. Roma perseguia e matava os cristãos, colocavam nos circos para serem comidos por leões, sob o aplauso daqueles que professavam a religião dominante naquele império. Também decapitava, queimava, martirizava… Estudem um pouco a vida dos santos católicos e verão. Depois a coisa se inverteu: Roma se tornou cristã e passou a perseguir os não cristãos. 4. A “Santa” Inquisição matava na fogueira quem ela julgava que não era católico e/ou cometia heresias contra o cristianismo. 5. A colonização da América tinha como base de apoio a conversão dos povos dominados à fé cristã, e para isso era permitido matar, estuprar, roubar, fazer o que fosse preciso. E isso valeu para a colonização de outras partes do mundo. A crueldade dos colonizadores espanhóis era tanta que vale sempre lembrar a história do cacique Hatuey, nascido no Haiti, que foi a Cuba de canoa, no início do século XVI, prevenir os povos indígenas de lá sobre a maldade dos espanhóis. Ele foi pego lá e condenado à morte na fogueira. Um padre disse que se ele se convertesse ao cristianismo iria para o céu. Hatuey perguntou ao padre se espanhóis também iam para o céu, e ele disse que sim. Então o cacique disse algo mais ou menos assim: “Então quero ir para o inferno. Não quero ir para um lugar com gente tão ruim”. 6. Os colonizadores (inclusive os portugueses aqui) demonizavam os deuses dos colonizados, diziam que eram demônios. Impuseram o cristianismo na marra. Hoje em dia ainda há “cristãos” com a mesma mentalidade. Certas seitas evangélicas consideram demônios, por exemplo, todos os deuses das religiões africanas e indígenas. 7. As guerras do Oriente Médio atualmente têm justificativas religiosas, embora por trás esteja também a riqueza do petróleo. De qualquer forma, a intolerância é uma marca das religiões dali, a fé alheia é considerada sempre maligna. Estão aí os exemplos exacerbados do Estado Islâmico e do Boko Haram. Mas mesmo dentro da mesma religião mata-se gente por discordâncias internas, com atos terroristas horrorosos. Li em algum lugar que as religiões monoteístas são as piores, têm deuses mais, digamos, “vaidosos” e impiedosos, que não aceitam a existência de outros deuses, seus seguidores têm que ser exclusivamente deles. As politeístas pelo menos têm deuses que não são exclusivos. Achei interessante. Mouzar Benedito Porque precisamos fazer a Reforma Política no Brasil? Seus impostos merecem boa administração. Bons políticos não vem do nada. Para que existam bons políticos para administrar o país, toda a sociedade precisa colaborar para que eles possam nascer e terem sucesso. É preciso um sistema eleitoral moderno para melhorar a qualidade da política. Os políticos "tradicionais" tem horror à reforma política, porque ela pode mudar a situação atual onde eles usam e manipulam o eleitor e são pouco cobrados ! DESIGUALDADES Os contrastes sociais são responsáveis por todas as desigualdades raciais, étnicas e interculturais. Mesmo em tempos pós emancipação quem tem muita melanina, na maioria das vezes, é olhado de canto, é temido. Julgado e culpado. Prostrado à marginalização e banalidade. Jogado à sorte do destino. É triste ver que muitos são obrigados a sobreviver com pouca coisa, enquanto poucos riem e fazem de tudo um circo, vivendo bem e muito bem, "com muitas coisas" O problema da desigualdade social não é a falta de dinheiro para muitos, e sim o excesso na mão de poucos. www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Janeiro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 6 Cidadania na Escola A formação de uma cultura democrática como a sonhada pelo educador Pedro Demo nasce do conhecimento enquanto instrumento polítiA formação do ser co de libertação. Ela permitirá o desenvolvihumano começa mento dos potenciais de cada aluno-cidadão na família. Ali, tem no meio social em que vive. início um processo Quem hoje poderá pensar a problemática socide humanização e libertação; é um caminho al brasileira sem levar em conta o significado que busca fazer da criança um ser civilizado, e da escola nesse contexto? bem cedo a escola participa desse processo. De modo particular, a corrupção na administraCom o conhecimento adquirido na escola, o ção pública vem sendo apontada como um aluno se prepara para a vida. Passa a ter o dos mais graves problemas atuais no Brasil. A poder de se transformar e de modificar o muncorrupção se encerra somente com o aprimodo onde vive. ramento da democracia. Por isso, cada cidaEducar é um ato que visa à convivência social, dão deve acompanhar de perto a ação de a cidadania e a tomada de consciência políti- seus candidatos antes, durante e depois das ca. A educação escolar, além de ensinar o co- eleições. nhecimento científico, deve assumir a incumConsiderando questões sociais como esta, bência de preparar as pessoas para o exercíCecília Peruzzo adverte que: cio da cidadania. A cidadania é entendida como o acesso aos bens materiais e culturais Estes são apenas alguns dos indicativos da produzidos pela sociedade, e ainda significa o importância histórica da educação para a cidaexercício pleno dos direitos e deveres previs- dania em sua contribuição para alterações no campo da cultura política, por meio da ampliatos pela Constituição da República. ção do espectro da participação política, não A educação para a cidadania pretende fazer só em nível macro do poder político nacional, de cada pessoa um agente de transformação. mas incrementando-a a partir do micro, da parIsso exige uma reflexão que possibilite comticipação em nível local, das organizações popreender as raízes históricas da situação de pulares, e contribuindo para o processo de demiséria e exclusão em que vive boa parte da mocratização e ampliação da conquista de dipopulação. A formação política, que tem no reitos de cidadania. universo escolar um espaço privilegiado, deve propor caminhos para mudar as situações de A idéia de educação deve estar intimamente opressão. Muito embora outros segmentos ligada às de liberdade, democracia e cidadaniparticipem dessa formação, como a família ou a. A educação não pode preparar nada para a os meios de comunicação, não haverá demo- democracia a não ser que também seja democracia substancial se inexistir essa responsabi- crática. Seria contraditório ensinar a democralidade propiciada, sobretudo, pelo ambiente cia no meio de instituições de caráter autoritário. escolar. O problema da grave concentração de renda no Brasil, a corrupção que permeia os órgãos governamentais, a ingerência política e o descaso histórico do governo brasileiro com os direitos fundamentais de seus cidadãos são problemas que somente se encerrarão com o aprimoramento da democracia, que se dará por meio do controle do poder pelo povo. Segundo Lakatos (1999): Democracia é a filosofia ou sistema social que sustenta que o indivíduo, apenas pela sua qualidade de pessoa humana, e sem consideração às qualidades, posição, status, raça, religião, ideologia ou patrimônio, deve participar dos assuntos da comunidade e exercer nela a direção que proporcionalmente lhe corresponde. Bóbbio (2002) afirma que “a democracia não se refere só à ordem do poder público do Estado, mas deve existir em todas as relações sociais, econômicas, políticas e culturais. Começa na relação interindividual, passa pela família, a escola e culmina no Estado. Uma sociedade democrática é aquela que vai conseguindo democratizar todas as suas instituições e práticas”. Educação para a cidadania: o conhecimento como instrumento político de libertação uma democracia capaz de garantir os direitos sociais de todos os cidadãos. Mouzar Benedito Jornalista Sou materialista desde a outra encarnação. *** Quando alguém abre a alma, o que encontra dentro dela? *** De que religião são as pessoas de boa-fé? *** Há pessoas que passam a vida cantando “Hosanas ao Senhor”, para poder ir para o céu, onde passarão a eternidade cantando “Hosanas ao Senhor”. *** É fundamental A quem não tem fundamento Ser fundamentalista *** Deus é fiel! Mas tem uns arautos… Deus do céu! *** Para os fundamentalistas, a vida não é fundamental. *** Nas forças do inferno O capitão É um capetão *** Cometeu pecados, O motivo eu sei: A necessidade não tem lei *** Que caráter bélico Tem o pastor Que se diz evangélico *** Deus é amor. O diabo É o atravessador. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BOBBIO, Norberto. Teoria geral da política. Rio de Janeiro: Campus, 2002. LAKATOS, Eva Maria. Sociologia geral. 7.ed. São Paulo: Atlas, 1999. PERUZZO, Cecília M. K. Comunicação nos movimentos populares: a participação na construção da cidadania. Petrópolis: Vozes, Infelizmente, no Brasil, a participação do povo 1998. no poder se limita a comparecer às urnas durante o processo eleitoral. A cultura de partici- Roberto Carlos Simões Galvão pação é o primeiro passo para se consolidar rcsgalvao@bol.com.br www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Janeiro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 7 Contos, Poesias e Crônicas 2016 COMPAIXÃO E FRATERNIDADE Um dos sentimentos que diferencia os seres da Terra é a compaixão. Com ela mantemos corações em estado de amor, dando proteção e mentos negativos de dentro do coração? Crie um cotidiano de tolerâncias efacilite o caminho tortuoso de quem precisa, através da compaixão e, ao dormir, deseje um Feliz Ano Novo com menos indulgências e mais serenidade moral e abrir-se-á um canal para atitudes melhores com cuidados e gentilezas. No ano vindouro seja mais severo ao julgar a si mesmo e de forma mais compreensiva No entanto, o que se vê imbuído nas pes- os que convivem à sua volta,condene mesoas quase que sempre em primeiro lugar, nos e serás menos condenado. é a inveja, raiva, julgamentos maldosos e a Isso não quer dizer isenção de valores e violência. princípios e, nem cumplicidade com os erOs homens estão desenvolvendo e aprimo- ros, pois somos imperfeitos e não temos o rando um envenenamento que os tornam completo conhecimento de tudo e de todos, cada vez mais importantes pela sua conta não há isenção de erros. bancária, status, influências e poder. Dessa No próximo ano inveje menos o sucesso do forma, ativam intensamente forças negatioutro e busque o seu. Afinal, não viu as duvas, maus pensamentos, distanciam-se de ras penas que pode ter sofrido aquele que si mesmo, de seu caráter e da alma e cauobteve êxito, bem como, nem as provações sam assim tempestades e tragédias por onque ainda poderá ter. Tenha como ferrade passa e onde vive. menta o poder do pensamento. Preste atenPessoas disfarçam-se soba ambição pes- ção nisso e com ele virá a bondade e carisoal, acotovelam-se no dia a dia para ser e dade que lhe permitirá elevar-se e espalhar ter mais que seu próprio semelhante esque- o bem. cendo-se que aqui, estamos sujeitos às Em 2016, combata a fraqueza e não os framesmas leis de evolução e o que deveria cos. Estabeleça e foque em um sentimento se um crescimento horizontal acabou em que pode gerar a aproximação dos homens vertical onde para se engrandecer é preciso na Terra... tornar pequeno o outro. A Fraternidade! Como desejar ou esperar que o próximo ano seja melhor se não removermos senti- Genha Auga – Jornalista MTB:15.320 sentido à vida. FILHOS Genha Auga – Jornalista MTB: 15320 E o que mais quer a mãe, A não ser o amor dos filhos? Dá a eles a luz do mundo, Guia seus passos, Zelando, velando, chorando, amando. Dedica-se a vida toda assim. Passam-se os anos e os filhos crescem, Acertando ou não, a mãe dá-lhes tudo de si! Faz o melhor, não dá para discutir. E os filhos saem bons? Às vezes, não... Ah! Se todas as mães fossem Santas, Nenhum dos seus filhos padeceria. Não, não é assim... Nem Virgem Maria conseguiu o que quis, Os filhos seguem seu destino! Às vezes seguem por caminhos tão distantes... Mas, nem sempre terão um final feliz. MALUCO & PACIÊNCIA Genha Auga – Jornalista MTB: 15.320 Ele entendia os malucos: “maluco é maluco” - dizia. - Se maluco não é dosado fica louco; por falta de referência, de medo ou de fé. Ele entendia as maluquices dos malucos, só não tinha estrutura ou conhecimento suficiente para lidar com eles ou até mesmo para ajudá-los da melhor maneira, porém, sabia o que se passava com eles. Cada um com suas vivências, lembranças, passados e antepassados. “Todos nós temos dentro um maluco”, dizia ele - é que muitos não percebem ou não admitem... Estes, sempre serão críticos dos malucos ou vítimas dos loucos. À medida que o tempo foi passando, diminuiu-lhe a paciência e as pessoas foram se tornando cada vez mais complicadas e ele as foi excluindo, na tentativa de ficar bem. Por isso, quando teve momentos com pessoas menos difíceis, viveu-os intensamente, porque sabia que seu tempo estava cada vez mais curto e a possibilidade dele ficar bem, mais remota. Enlouqueceu... Numa sociedade movida à dinheiro e hipocrisia, encontramos pessoas propensas aos mais diversos rumos incluindo-se a devassidão. Cuidado com quem andas, pois tua companhia sumariza quem és. Não tenha medo de lutar pelo que acredita, apenas seja você mesmo nos mais divergentes momentos que possam surgir. Fazendo isto, certamente afetará os que estão à tua volta que não gostam do que veem. Saberão fazer a triagem do joio e do trigo. Só tome cuidado com o lado com que ficará, pois uma escolha errada pode te afetar drasticamente. Pense no seu futuro. Sua escolha hoje, será o seu futuro amanhã. Seja feliz, haja com honestidade sempre. Mas acima de tudo, cuidado com o que te tornarás! Filipe de Sousa www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Janeiro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 8 27 DE JANEIRO DIA DA ELEVAÇÃO DO BRASIL VICE-REINADO (1763) Resumo: Elevação do Brasil a Vice-Reino e término do Governo-Geral, com a mudança da capital de Salvador para o Rio de Janeiro (1763). A 27 de janeiro de 1763 foi à cidade do Rio de Janeiro elevada a categoria de capital do Brasil e a 19 de outubro desse ano nela tomava posse o Vice-Rei Conde da Cunha. Findavase assim o período dos Governos-Gerais. A instalação do Vice-Reino do Brasil no Rio de Janeiro, não necessitou de grandes modificações e adaptações, porque a cidade gradativamente já vinha crescendo em importância e se adaptando para desempenhar o papel que lhe estava destinado. A expansão comercial e militar da cidade, já estava acontecendo durante toda a primeira metade do Século, com o crescimento de seu papel administrativo. Deve ser considerado também que o Vice-Rei do Mar e Terra do Brasil, era um cargo mais honorífico do que efetivo, pois ele não tinha total autoridade sobre a América Portuguesa, Lisboa sempre foi o verdadeiro centro de poder. GOVERNO GERAL A instalação do Governo Geral do Brasil no Rio de Janeiro, não necessitou de grandes modificações e adaptações, porque a cidade gradativamente já vinha crescendo em importância e se adaptando para desempenhar o papel que lhe estava destinado. A expansão comercial e militar da cidade, principalmente graças às Minas Gerais já estava acontecendo durante toda a primeira metade do Século, com o crescimento de seu papel administrativo. Deve ser considerado também que o Vice-Rei do Mar e Terra do Brasil, era um cargo mais honorífico do que efetivo, pois ele não tinha total autoridade sobre a América Portuguesa, Lisboa sempre foi o verdadeiro centro de poder. As Capitanias no Brasil estavam unidas pela obediência à Coroa e pela solidariedade militar, mas era o Secretário de Estado da Marinha e do Ultramar e o Conselho Ultramarino que administravam o Brasil, como uma federação colonial, formada de unidades isoladas. de um imenso patrimônio territorial e imobiliário. Possuíam além do Colégio do Morro do Castelo, setenta e um edificações distribuídas pelas melhores ruas do Rio, assim como fazendas e plantações em São Cristóvão, Engenho Velho, Engenho Novo e Santa Cruz. Depois da expulsão dos jesuítas, decretada em 1759, todos os seus bens foram confiscados e vendidos progressivamente, com exceção da Fazenda Santa Cruz que permaneceu sob o domínio real. A cidade também se estendia absorvendo casas de campo, ou chácaras, que estavam sendo inseridas na área urbana. Assim a cidade crescia para o lado da Glória e do Campo de Santana para onde se estendiam as ruas da Cidade Nova. O Rio de Janeiro já possuía uma Intendência do Ouro, como Salvador e Minas e em 1751 foi criado o Tribunal de Relação do Rio de Janeiro, pelo Governador Gomes Freire, esta foi a segunda corte de apelação do Brasil, depois de Salvador e isto já preparava a cidade para As transformações sofridas pela cidade não receber maiores incumbências. eram apenas na área urbana, mas atingiram Com a elevação do Rio de Janeiro á condição também a ordem intelectual, as Luzes chegaCapital do Brasil, em 1763, o coração da cida- vam à América portuguesa. Imitando Lisboa de passou a pulsar em torno do Paço dos Vi- foram abertas na cidade academias pelas ce-Reis, que antes já era a Paço dos Gover- mentes mais intelectualizadas. nadores e da Rua Direita. Na segunda metade do Século, finalmente a cidade ultrapassou A política econômica do Marquês de Pombal o quadrilátero imaginário entre os quatro mor- não beneficiou apenas Portugal, mas atingiu ros originais. Começaram a surgir novos bair- também as Minas Gerias e o Rio de Janeiro, ros e antigos caminhos se transformaram em muito embora fossem autorizadas nas possessões coloniais apenas a fabricação de paruas e a urbanização se desenvolveu. nos grosseiros, as atividades de construção Desde o início do Governo de Sebastião José naval e a transformação de matérias-primas de Carvalho e Mello, o Conde de Oeiras, Mi- que não concorressem com as portuguesas, nistro de D. José, as relações entre a Coroa e tudo isto já acarretava um grande desenvolvios jesuítas se deterioraram, os padres eram mento. Dois terços do tráfico do Porto do Rio acusados de incitar os índios e a responsabili- de Janeiro eram representadas por trocas feidade pela Guerra Guaranítica lhes foi atribuí- tas com Campos dos Goitacazes e com o Rio da. Um atentado contra D. José, em 1759 Grande, que despachava sua carne salgada, também foi considerado como tendo sido ins- seus couros e seu trigo, para a capital. A propirado pelos jesuítas, o que dificultou mais a- dução de víveres dinamizava o comércio. inda o relacionamento. Em 1770, tecidos de seda, finos algodões, gaEstas relações tiveram conseqüência na ocu- lões de ouro e prata saiam dos ateliês da capação do solo do Rio de Janeiro, porque os pital do Brasil. jesuítas eram proprietários de grandes sesmarias desde 1565, tendo se tornado donos Da redação www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Janeiro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 9 Discutindo a Educação 2016 SERÁ O ANO DA GREVE DE PROFESSORES vés da Lei do Piso Nacional do Magistério em que Estados e Municípios devem acompanhar sua evolução. Ano após ano, desde 2009, a evolução do Piso Nacional do Magistério, saiu deR$ 950,00 para possivelmente chegar aos R$ 2.134,00 (isso se o lobby dos secretários de educação não barrar o projeto). E por falar em lobby (só um parênteses neste ponto), nunca se ouviu falar em lobby de professores. Mesmo os nossos senadores, deputados e vereadores que antes da eleição eram professores, quando chegam ao poder se negam a lutar pelos ex-colegas de profissão e pela educação como um todo. Porque isso? Porque há várias bancadas temáticas e não há uma bancada que realmente se interesse pela educação, e não pelas questões econômicas como comumente faz as “Comissões de educação” nas assembleias legislativas. Esses são detalhes que uma análise de comportamento com certeza traria uma luz. nhosamente articulada nos bastidores. Não se enganem, é a privatização chegando à educação. Como sempre questionamos: “muita gente ganha com uma educação sem qualidade”. Assim foi com estradas, usinas e outras áreas. Todas, sem exceção foram primeiramente dilapidadas, justificando assim a incompetência do setor público em administrar esse ou aquele setor. Com a educação não será diferente. Em acontecendo isso, as Organizações Sociais, Organizações não governamentais e todas aquelas que se mantêm às custas dos governos, irão abrir um sorriso largo(no mínimo do tamanho do desvio de dinheiro público que isso irá gerar). Recentemente em São Paulo tivemos uma tentativa frustrada de “reorganizar” as escolas públicas e deu no que deu, o governo teve que recuar, e o secretário desistiu do seu cargo. Mas, essa novela ainda terá outros capítulos. Para entender melhor nossa posição sugerimos a leitura do nosso artigo “Reorganizar para conquistar”(4), Nele explicamos como o governo de São Paulo tentou diminuir seus custos com alunos e professores com uma jogada tola. Já em Goiás, a “proposta” de terceirizar a gestão escolar já está gerando descontentamento da população e dos professores. Obviamente que esta questão deve ser melhor debatida e discutida. Diante desse quadro dantesco da educação que, realmente, se parece com o Inferno de Dante, só podemos esperar, dos professores, a utilização da sua única arma disponível a GREVE ! Nós, a sociedade civil, e especificamente os professores, devemos nos apropriar dos debates sobre as políticas públicas em educação. Devemos exercer o nosso papel de cidadão não só nas aulas, mas, principalmente na prática. Devemos ler, pesquisar e questionar qualquer indício de desvios no orçamento público. Lembre-se que este dinheiro que é desviado é fruto do seu imposto e do meu imposto. Os velhos discursos dos coronéis já não nos convencem de que estamos sem dinheiro e em crise. Agora é a hora de ensinarmos os governos a governar. Feliz 2016 repleto de lutas. Ivan Claudio Guedes Geógrafo e Pedagogo. ivanclaudioguedes@gmail.com O ano de 2015 foi sem dúvida um ano com muitas greves de professores por todo o Brasil. Logo no mês de maio, publicamos um artigo já prevendo que o ano seria infestado de greves por todos os lados (1). O ano se passou e as greves pipocaram por todos os lugares. Sindicato dos professores em diferentes lugares deflagraram greves em busca do cumprimento do Piso salarial e das demandas históricas da educação. A Greve dos professores no Paraná nos ensinou, na prática, como os governos tratam seus professores, na base da pancada e do cassetete. Em São Paulo, acompanhamos a maior greve da história, foram 92 dias em greve, segundo a APEOESP, sem que o governo apresentasse uma única proposta. 2015 está acabando. Mas isso não significa que a luta tenha terminado, muito pelo contrário, em 14 de dezembro a Folha de São Paulo publicou uma reportagem sob o título “Prefeituras e Estados ameaçam segurar reajuste do piso de professor”(2). Nesta reportagem, secretários de educação, prefeitos e governadores dizem que não tem condição de pagar o piso do professor. Atualmente, o piso para a jornada de 40 horas de trabalho é de R$ 1.917,00, para 2016 a previsão é que vá para R$ 2.134,00. A desculpa é a mesma: a “Lei de responsabilidade fiscal”. Sem ficar enrolando, vamos direto ao ponto. Primeiro: mesmo com o aumento previsto para 2016, está correto ou é minimamente justo tal salário? Segundo: O problema do custo dos professores é a falta de verba, por causa da arrecadação de impostos, ou falta de verba por causa da corrupção e má gestão dos recursos? Na mesma proporção que vemos Estados e Municípios reclamando da queda nas arrecadações, vemos denúncias de corrupção, desvio de verbas, superfaturamento de obras, fraude em licitações e vários exemplos de má gestão dos recursos públicos (3), ai é óbvio que vai faltar dinheiro. É óbvio que o pais vai entrar em crise. Nenhum pais do mundo suporta tantos desvios de verbas e corrupções como temos por aqui. É preciso lembrar que a meta 17 do Plano Nacional de Educação, prevê a valorização dos profissionais do magistério das redes públicas da Educação Básica, a fim de equiparar o rendimento médio dos demais profissionais com escolaridade equivalente até 2020. Tal equiparação se dá justamente atra- O rumo que esta conversa deve tomar neste artigo, é justamente sobre as responsabilidades de Estados, Municípios e da União com a educação. Neste ano de 2015 vimos o orçamento da educação sendo cortado em todas as suas instâncias. Vimos a redução das verbas de manutenção das escolas, dos projetos pedagógicos, da contratação de pessoas, da aquisição de materiais didáticos, enfim, houve cortes de todas as ordens, mas, novamente sou obrigado a bater na tecla: não houve queda nos superfaturamentos, nos desvios de verbas e na má gestão dos recursos públicos. Mas, voltando ao salário do professor, todos sem exceção, desde a promulgação do PNE sabiam que deveriam providenciar recursos para o salário do professor. O que foi feito desde então? Apoiaram-se nos royalties do pré-sal? Esperaram jorrar milhões de litros de petróleo para que o pais fosse salvo? Nada de concreto foi realmente feito no sentido de disponibilizar recursos para as finalidades da educação. E não falamos só da esfera estadual, mas de todas. Aliás, a impressão que se tem é que os recursos são desviados de maneira a comprometer o orçamento justificando assim o não cumprimento da lei. Ora, bem sabemos que a desvalorização do profissional da educação tem um endereçamento certo. É a má qualidade do ensino, ardilosamente e vergo- Omar de Camargo Professor em Química. decamargo.omar@gmail.com OUÇA-NOS Todos os Sábados 16 horas Na CULTURAonline BRASIL E agora José? PROGRAMA: Com : Ivan Claudio Guedes www.culturaonlinebrasil.net www.culturaonlinebr.org www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Janeiro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 10 Artigo opinião O OUTRO LADO DAS EDITORAS E DA MÍDIA O Conhecimento no Brasil tornou-se uma coisa ofensiva. As escolas de hoje são ambientes doutrinários, de propagação ideológica esquerdista, inexiste produção de Conhecimento. Exemplo? No Brasil de hoje é notório e publico a limitação da capacidade de perceber a realidade. A noção de realidade completa é inexistente. A bipartição do mundo não existe, ou seja, as pessoas não distinguem mais entre o bem e o mal, entre o certo e o errado, entre a moral e o imoral, entre o ético e o pervertido, etc. A única coisa que existe é a guerra entre pobres X ricos. A realidade do Brasil reduziu-se à isso. O que isso prova? Em outras palavras, existe uma ideologia cognitiva espalhada na “cultura” brasileira. Como Um apagão cognitivo da Nação. essa ideologia se formula? Nos livros. Como Não é que as pessoas não pensam, elas são ela se transmite? Por agentes. Quem são incapazes de pensar. Causa disso? Décadas eles? Professores, jornalistas, sindicatos e de ensino e metolodogia gramsciana nas es- “movimentos sociais”. colas e na mídia, que promoveu, silenciosamente, uma verdadeira reforma psicológica, Não é obra do acaso que o Brasil tem por voltotalitária, antidemocrática, cujo objetivo é fa- ta de 18 mil sindicatos! Isso mostra o tamazer dos povos meras massas ignorantes e to- nho do problema do chamado aparelhamento talmente submissas à classe governante. ideológico do Estado, criador do Estado PatriPascal Bernardin (in: Maquiavel Pedagogo) monialista, a causa verdadeira do atraso e revela a verdadeira síntese da escravidão in- corrupção brasileiros. telectual e moral criadora da catástrofe da inEssa ideologia lança mão do uso controlado e teligência humana. técnico da mentira, manipulando dados, fatos, O “desconhecimento” dessa verdade é a cau- histórias, pessoas, ideias, conteúdos, etc. sa do debacle do ensino e da educação no Brasil. Todo o resto são rendas ao assunto, Um caso gritante dessa ideologia fingida que inclusive o falso discurso financeiro de que se torna ignorância real e malévola é o caso escolas de qualidade se fazem com muito di- da Editora Insular/SC que mente para o públinheiro e muita tecnologia. A formação e trei- co ao inserir Manoel Bonfim como comunista namento da capacidade cognitiva independe na lista integrante dos autores da Coleção Pádessas variáveis e depende totalmente da es- tria Grande. Bonfim, ao contrário, foi perseguitruturação cognitiva propiciada pela Dialética do pelos comunistas (Silvio Romero à frente) teve sua vida e obra destruídas. Lançaram Simbólica. sobre ele toda sorte de perseguições e infâPor outro lado, a limitação da capacidade de mias obrigando-o a se recolher a si e a sua perceber a realidade é fundamental para a obra, morrendo esquecido e vilipendiado.A Engenharia Social, método governamental de obra de Bonfim foi repudiada simultaneamencontrole silencioso da população. Exemplo. te tanto pela esquerda quanto pela direita, o Quem hoje em dia dá instruções ao povo? que atesta seu pensamento independente. Quem fala ao povo o que é bom e o que é mal, o que é justo e injusto, o que ele deve Na ausência da verdade pretendida, fica evibeber ou comer ou fazer ou como se compor- dente, portanto, que a inserção do nome de tar ou como se vestir? São os jornalistas, a Manoel Bonfim nos quadros da Coleção devemídia. Ela é a educadora da população, faz a se certamente, ao brilhantismo de suas teorimente dos professores, pauta as aulas, os as, que confere pesos e medidas a tudo que discursos nos bares, etc. Quem controla a toca. Assim, a Coleção, usando do expediente mídia? Os donos de empresas? Claro que da burla grotesca, busca credibilidade e serienão, são as “agências de comunicação” em dade incontornável para si mesma diante do total concluiu com os departamentos de Le- público para fazer proselitismos ideológicotras das Universidades que pautam a linha partidário às custas do assassinato da Verdaeditorial dos autores e obras que serão lidos e de, do Conhecimento e da Alta Cultura, provando-se a serviço da destruição da Alta Culaceitos pelo país afora. A revista Piauí, n.111, Dez.2015 (O Sujeito tura do pais. Oculto, p. 16-26) traz uma reportagem avassaladora sobre quem são essas “agências” no Brasil. Isso significa a existência de um padrão de uniformidade cognitiva onde domina uma pobreza intelectual e brota a doutrinação ideológica partidária. Duvida disso? Há várias formas de se comprovar a verdade. Basta que se cite que NENHUMA Universidade brasileira está incluída entre as 250 melhores Universidades do mundo, nem mesmo a incensada USP. O mercado editorial brasileiro traduz inúmeros autores internacionais. No entanto, é praticamente ZERO o número de autores brasileiros traduzidos para línguas estrangeiras, mesmo para os países falantes de Língua Portuguesa. Por quê? Falta de qualidade. O que é a Pátria Grande? “A expressão é cunhada nas elucubrações do Foro de São Paulo (criado por Lula, Fidel Castro, amparado pelo reservado grupo Diálogo Interamericano o qual FHC integra como membro. Vide Alexandre Costa, Nova Ordem Mundial). Designa a unidade geopolítica a ser construída através da exportação do comunismo cubano e venezuelano aos demais países da outrora chamada América Latina ou Ibero-América, em marcha para se tornar "Pátria Grande””(Percival Puggina). A “Pátria Grande” é o projeto em marcha de criação na América Latina das frentes neocomunistas que a Rússia perdeu no Leste Europeu. Vide Heitor de Paola, O Eixo do Mal Latino-Americano. O comunismo acabou? É outra das mentiras que te contam leitor. Sabe porque você não tem acesso a essa literatura? Porque ela é vetada pela linha editorial das Universidades e das agências de mídia. A maioria das pessoas só sabem o que está acontecendo através da internet e da televisão. Confundir desinformação com Conhecimento é a prova cabal de analfabetismo funcional. O número de mentiras que um povo pode suportar é limitado. A ciência atesta essa limitação que passa da esfera de atuação cerebral para a psicológica. A desordem e o caos que reinam no Brasil em grande parte é fruto de uma ignorância fingida patrocinada por fingidores histéricos promotores de uma democracia igualmente fingida, pois, sem representatividade e conexão com a realidade das pessoas, do país e do mundo. O povo está doente, o país está psicologicamente doente! A crise cognitiva do Brasil é tremenda e inversamente proporcional à capacidade de enxergá-la e de absorvê-la para reagir à ela. Saída? Parar de reagir e de se comportar como um fingidor histérico e voltar a cultivar e ter apreço ao Conhecimento. POR: Loryel Rocha Email: culturaseidentidades@gmail.com Site: http://brasilan.com.br/site/ Os artigos publicados são responsabilidade de seus autores, não refletindo necessariamente a opinião da Gazeta Valeparaibana www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Janeiro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 11 24 - Instituição do Casamento Civil no Brasil CASAR ou NÃO CASAR... Eis a questão! Supostamente, ele estava plenamente consciente da chatice do casamento antes de se casar, algo que muitos jovens não se conscientizam. Tão apaixonados COM QUEM, eles esquecem de pensar no que é CASAR e se manter casado. Casamento se torna a consequência da priDarwin colocou a questão em duas etapas, meira escolha, COM QUEM e não a quese na ordem certa, 1° ele decidiu se deveria tão em si. casar ou não, e depois com quem. Em vez de COM QUEM ser consequência Por que 50% dos casamentos resultarão da decisão de MANTER UM CASAMENTO em divórcio, causando enorme sofrimento e PARA SEMPRE. sequelas nos filhos menores? A nova geração está totalmente preocupaVou usar para a discussão de hoje o diário da COM QUEM e não com a instituição cade Charles Darwin, onde depois da viagem samento. do Beagle ele percebe que está ficando para trás e decide fazer uma “contabilidade” A indústria de cosméticos, roupas, revistas femininas e feministas, gastam 100% do dos prós e contra do casamento. seu espaço editorial COM QUEM, e quase “Marry or not to Marry, This is the nada com a dificuldade de SE MANTER UM CASAMENTO PARA SEMPRE. Question.” Isto deixou muita gente chocada, da forma A nova geração vai trocando os COM racional que Darwin colocou uma questão QUEM, de tempos em tempos, até chegar a uma idade de 36 anos, quando as mulheemocional e afetiva. res percebem que têm que casar correndo Pior foram alguns dos prós e contras. se quiserem ter filhos, e nem pensam como Darwin na questão CASAR OU NÃO CAPrós. SAR. Ter alguém na velhice. Alguém para cuidar O imperativo biológico fala mais alto. da casa. Melhor do que ter um cachorro. Imaginem a ira das feministas, e com ra- Como disse, não quero exagerar neste ponto, sei que os diários de Darwin de fato zão. são chocantes, mas eu só queria trazer um Não casar. ponto de vista diferente, não tão óbvio, que Liberdade, ausência de brigas, não ter que Darwin pelo menos pensou na ordem certa. visitar parentes, não ter que cuidar dos fiVocê que é jovem deveria pensar muito lhos. mais na instituição CASAMENTO e no que Darwin ficou uns meses neste dilema e não ela significa. casar quase venceu, mas lendo o seu diáSeu casamento será muito mais duradouro rio nos meses seguintes finalmente ele dese você pensasse como Darwin, nas obricide e escreve Casar, casar, casar. gações que ele gera, na perda de liberdade A reputação de Darwin nesta questão piora que ele implica, na chatice dos parentes ainda mais, porque aí ele faz uma análise que ele acarreta. pró e contra de cada uma das pretendenEm vez de pensar como escolher o COM tes. QUEM o tempo todo. Decide finalmente por Emma, que felizmenEm vez da academia de musculação e do te nunca chegou a ler o diário de Darwin. cabeleireiro aos sábados, conversar com Embora isto pareça tipicamente inglês, frio um Pastor no domingo sobre casamento e racional, eu vou mostrar um lado positivo talvez seja a primeira opção para um casadesta forma de Darwin colocar o casamen- mento feliz. to que é a seguinte. É triste que hoje somente a Igreja e Darwin Darwin colocou a questão em duas etapas, pensam que decidir se casar é uma decie na ordem certa. são séria. PRIMEIRO ele decidiu se deveria casar ou Que precisa ser assumida e decidida firmenão, e depois COM QUEM. mente ANTES de sair correndo pelo par Minha tese aqui, é que jovens de hoje in- perfeito. verteram a questão. É muito triste que somente nas revistas doPrimeiro decidem COM QUEM, e depois minicais distribuídas gratuitamente nas pordecidem se devem casar ou não com aque- tas das Igrejas é que você vê um editorial falando da necessidade de levar o CASAla pessoa. MENTO a sério. Eu sei que muitos vão achar isto correto, e nem eu quero exagerar muito neste ponto. Coincidência ou não, o casamento de Darwin durou 43 anos, e foi o único. Mas o que achei interessante na ordem de Darwin, é que primeiro ele se comprometeu ao conceito, aos deveres e obrigações com Da redação a instituição do casamento. Malheiro Dias “Os tiranos do amor sempre foram reverenciados”. *** Tonico e Tinoco (na música Cana Verde): O amor que vai e volta, a volta sempre é melhor”. *** Medeiros de Albuquerque “Amor e calvície acomodam-se muito bem nos homens – repelem-se formalmente nas mulheres”. *** Correia Júnior “O amor é a mais inútil das experiências”. *** Mark Twain “O amor é aquilo que depois do casamento se chama engano”. *** Benjamin Franklin “Antes do casamento os olhos devem estar bem abertos; depois do casamento, semi-cerrados”. *** Sócrates “Meu conselho é que se case. Se você arrumar uma boa esposa, será feliz; se arrumar uma esposa ruim, se tornará um filósofo”. *** José Américo “A mulher que ama é a que diz menos, porque é a que mente mais”. *** Barão de Itararé “O casamento é uma tragédia em dois atos: civil e religioso”. *** Lord Byron “O casamento vem do amor, assim como o vinagre do vinho”. *** De novo Lord Byron: “Todas as tragédias terminam em morte e todas as comédias em casamento. *** Oscar Wilde “Os solteiros ricos deviam pagar o dobro de impostos. Não é justo que alguns homens sejam mais felizes do que os outros”. *** Chico Anysio “Quem é casado há quarenta anos com dona Maria não entende de casamento, entende de dona Maria. De casamento entendo eu, que tive seis”. *** Filipe de Sousa Então? O amor é lindo ou não é? www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Janeiro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 12 24 - Dia da Constituição História das Constituições Brasileiras Em 1891 tivemos a segunda Constituição que tinha como contexto, agora, a Proclamação da Republica, que ocorreu em 1889. Também é marcada por uma grande disputa de interesses, principalmente da elite latifundiária, os cafeicultores. Esta elite, pela sua influência, acabava por influenciar o eleitorado ou fraudava as eleições, exercendo um domínio sobre o País. As principais características dessa Constituição é que estabelecia uma República Presidencialista no Brasil e excluíam o Poder Moderador, visto que não existia mais um Imperador. A República já havia sido proclamada. Em 1934 ocorreu a terceira Constituição Brasileira. Era fruto da chamada “Era Vargas”, onde Getúlio Vargas era o chefe de Estado. Tinha características interessantes para a época como o Voto Feminino, o voto secreto, a criação da Justiça do Trabalho e de Leis Trabalhistas. Durou apenas três anos. Em 1937 ocorre a quarta Constituição. Getúlio Vargas ainda estava no Poder e seu mandato acabaria em 1938. Para continuar ele teve que dar um Golpe de Estado, dizendo proteger o Brasil de ameaças comunistas. Por esse Golpe, torna-se um Ditador, e esse período é conhecido como Estado Novo. Esta Constituição era para um regime Ditatorial. Perseguia opositores, intervinha na Economia, extinguia Partidos Políticos e a liberdade de imprensa. A quinta constituição ocorreu assim que Vargas foi deposto, em 1946. Com o Ditador deposto era de suma importância ter uma Constituição que traria uma nova Ordem e que representasse toda esta vontade de redemocratizar o País. Em 1967 ocorreu a sexta Constituição. Novamente ela volta a estar inserida em um processo Ditatorial. Sua principal característica é dar total liberdade aos governantes de combater qualquer ameaça, desde manifestações populares e estudantis até influência estrangeiras. Termos consciência de todas as Constituições que já existiram no Brasil é de suma importância. Quando as observamos podemos compreender ainda mais o funcionamento do país quanto a sua economia, sociedade e política no período em que ela esteve vigente. Analisando, dessa maneira, todas as transformações e evoluções que o Brasil passou desde a Independência até os dias de hoje. Em 1824 foi elaborada a Primeira Constituição. Ela foi criada poucos anos após a Independência do Brasil e para que essa criação fosse feita houve um confronto político na época. D. Pedro I, com receio de seus opositores, invade o plenário, dissolve a Assembléia Constituinte da época, prende e exila diversos Deputados. Assim convoca alguns cidadãos conhecidos por ele e de sua confiança, e a portas fechadas começa a redigir a primeira Constituição do Brasil. Essa primeira Constituição tem como característica principal estabelecer um governo Monárquico e hereditário, e a criação de quatro po- E a sétima ocorreu em 1988. Novamente em um processo de fim da deres: legislativo, executivo, judiciário e moderador. Este último era Ditadura e de redemocratização do País. Com ela houve novas conexercido pelo próprio Imperador e estava acima dos demais poderes. quistas como: reforma eleitoral, combate ao racismo, direitos dos índios, e novos direitos trabalhistas. É esta Constituição que está vigenA Constituição de 1824 foi a que teve maior duração no Brasil, vigote até os dias de hoje. rando por 65 anos. Apesar da própria Constituição Federal ressaltar que a Polícia Militar existe para proteger o cidadão, resquícios do regime militar de 1964 mantêm a concepção de enfrentamento, criando assim a lógica de que todo manifestante é suspeito e, portanto, inimigo. Isto é inerente também à mentalidade construída pelo regime de caserna vivenciado pelos policiais militares, tornando muitos deles avulsos à realidade do brasileiro comum. Cria-se então uma dualidade "militar/civil", dando a falsa ilusão de que os policiais não são civis, quando na verdade são. Régis Cardoso ATENÇÂO A Gazeta Valeparaibana, um veículo de divulgação da OSCIP “Formiguinhas do Vale”, organização sem fins lucrativos, somente publica matérias, relevantes, com a finalidade de abrir discussões e reflexões dentro das salas de aulas, tais como: educação, cultura, tradições, história, meio ambiente e sustentabilidade, responsabilidade social e ambiental, além da transmissão de conhecimento. Assim, publica algumas matérias selecionadas de sites e blogs da web, por acreditar que todo o cidadão deve ser um multiplicador do conhecimento adquirido e, que nessa multiplicação, no que tange a Cultura e Sustentabilidade, todos devemos nos unir, na busca de uma sociedade mais justa, solidária e conhecedora de suas responsabilidades sociais. No entanto, todas as matérias e imagens serão creditadas a seus editores, desde que adjudiquem seus nomes. Caso não queira fazer parte da corrente, favor entrar em contato. Rádio web CULTURAonline Brasil Prestigie, divulgue, acesse, junte-se a nós. A Rádio web CULTURAonline BRASIL, prioriza a Educação, a boa Música Nacional e programas de interesse geral sobre sustentabilidade social, cidadania nas temáticas: Educação, Escola, Saúde, Cidadania, Professor e Família. Uma rádio onde o professor é valorizado e tem voz e, a Educação e o Brasil se discute num debate aberto, crítico e livre, com conhecimento e responsabilidade! www.culturaonlinebr.org Acessível no link: redacao@gazetavaleparaibana.com www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Janeiro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 13 30 - Dia Nacional das Histórias em Quadrinhos Aventuras de Nhô Quim ou impressões de uma viagem à corte, e também o responsável por introduzir os quadrinhos em publicações jornalísticas. A revista O Tico-Tico, lançada no dia 11 de outubro de 1905, é considerada a primeira revista em quadrinhos do Brasil. Concebida pelo desenhista Renato de Castro com ilustrações de Angelo Agostini e participação de diversos artistas, como J. Carlos, Max Yantok e Alfredo Storni, o formato foi baseado na revista infantil francesa La Semaine de Suzette, com alterações nos nomes dos personagens originais e tendo Chiquinho como a figura mais popular. Por volta de 1930 foram passaram a ser publicadas no Brasil as históAs histórias em quadrinhos começaram a aparecer no Brasil no sécu- rias americanas, como Krazy Kat, Gato Félix e Mickey Mouse. Na lo XIX. Mas antes de se apresentarem em tiras, assumiam forma de charges e caricaturas. No dia 30 de janeiro de 1869, o cartunista Angelo Agostini publicou a primeira história em quadrinhos brasileira, As aventuras de Nhô-Quim, ou Impressões de uma Viagem à Corte. E, a partir de 1984, a data passou a celebrar o Dia do Quadrinho Nacional. O gênero, conhecido como 9ª arte, agrada crianças e adultos. Uma pesquisa realizada recentemente, com alunos de escolas públicas de São Paulo, apontou que as histórias em quadrinhos são o tipo de leitura preferido dos pequenos. E, ainda, ajudam os leitores a se aproximar de outros tipos de literatura. mesma década foram surgindo outras publicações voltadas para as HQ’s, como Mirim, Lobinho, O Globo Juvenil e O Gibi, as duas últimas pertencentes à Roberto Marinho. As historias em quadrinhos da Disney passaram a ser publicadas no país apenas na década de 50, e para enfrentar a concorrência dos heróis americanos foram criadas versões brasileiras desses personagens, como Capitão 7 (inspirado em Flash Gordon e Super Homem) e Raio Negro (inspirado em Lanterna Verde e Cíclope do X-Men), além de personagens nacionais de novelas radiofônicas, como Jerônimo – o herói do Sertão, serem transpostos para quadrinhos. No Brasil, a história em quadrinhos de mais sucesso é a Turma da A partir da década de 60 aumentaram as publicações e personagens Mônica. Criada por Mauricio de Sousa, em 1959, a produção abocanha 86% do mercado nacional. Fora daqui, a turma também tem sua participação: 40 países, com 14 idiomas, vendem seus gibis e outros produtos licenciados. Outro cartunista que ajudou a difundir a 9ª arte no Brasil foi Ziraldo, pai do Menino Maluquinho e de mais dezenas de personagens. Em 1960, o desenhista lançou a primeira revista em quadrinhos brasileira feita por um só autor, A Turma do Pererê. A publicação trouxe outra novidade: foi a primeira história em quadrinhos a cores totalmente tupiniquins, com destaque para Pererê, de Ziraldo, Gabola, de Peroti, produzida no Brasil. Sacarrolha, de Primaggio, e o maior sucesso do ramo no país, Turma O Dia do Quadrinho Nacional terá diversas comemorações pelo Bra- da Mônica, editada pela Editora Globo e escrita por Maurício de Sousil. Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Rio Grande do Sul, Rio de Ja- za, considerado o maior nome dos quadrinhos nacionais. neiro e São Paulo são algumas das cidades que organizaram atrações para este dia. Neste ano, o ápice das comemorações acontece no próximo sábado (1º), com a premiação da 30º edição do Troféu Angelo Agostini, no Memorial da América Latina, em São Paulo. A historia das historias em quadrinhos no Brasil começa no século 19, quando passou a circular no ano de 1837 um desenho em formato de charge, de autoria de Manuel de Araujo Porto-Alegre, vendido em papel avulso. O cartunista Angelo Agostini é considerado o precursor das historias em quadrinhos no Brasil, pois criou em 1869 As O jornal Pasquim ficou famoso por suas tirinhas de quadrinhos, principalmente os de Jaguar, e Daniel Azulay também criou o herói brasileiro Capitão Cipó. A Editora Abril passou a publicar os heróis da Marvel e da DC Comics no Brasil, com as revistas Capitão América e Heróis da TV, e posteriormente com Batman, Super-Homem, Homem-Aranha e Incrível Hulk. A partir da década de 80, os grandes jornais brasileiros passam a inserir trabalhos de autores nacionais em suas tirinhas, antes exclusivamente americanas. Dentre eles, destacam-se Miguel Paiva (Radical Chic), Glauco (Geraldão), Laerte (Piratas do Tietê), Angeli (Chiclete com Banana), Fernando Gonsales (Níquel Náusea) e Luís Fernando Veríssimo (As Cobras). Fonte: http://biblioteca.piracicaba.sp.gov.br/ www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Janeiro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 14 30 - Dia da Não-violência A Violência na sociedade brasileira mente com as atividades do crime organizado A morte do suspeito de um crime diante de e a disponibilidade de armas, criaram uma mistura explosiva, em que se deu a escalada da violência social brasileira. Somando-se a isso a inadequação do judiciário e a propensão de certos setores da polícia a agir como juiz, júri e carrasco daqueles que consideram “elementos marginais”, formou-se um vácuo político e legal em que ocorrem violações brutais dos direitos humanos. câmeras de TV, no Rio de Janeiro, e o massacre de 111 detentos na Casa de Detenção, em São Paulo, têm um elemento comum: mostram que os policias sentem que têm controle sobre a vida e a morte dos cidadãos. Como observou um ilustre membro da seção paulista de Ordem dos Advogados do Brasil, a respeito do caso Carandiru, mais aterrador que o número de vitimas foi o número de violadores. Isso mostra como um sentimento coletivo de impunidade poderia estar enraizado na cultura organizacional de certos setores das forças de segurança. Mas, embora a história e os padrões sociais nos ajudem a entender os problemas dos direitos humanos no Brasil, não basta para explicar a impunidade de que desfruta um número excessivamente grande de violadores Mas é possível mudar. Após o massacre da Além de ser um constrangimento físico ou desses direitos. Casa de Detenção, foram tomadas medidas moral, a violência é um ato vergonhoso que para estabelecer padrões mais rigorosos de Brechas da Impunidade acontece diariamente, em todos os lugares do investigação de assassinatos cometidos por Brasil e no mundo. Ninguém sai mais à rua Se formou no âmago da sociedade brasileira policias nas ruas, e todos os policiais envolviseguro de que vai voltar ao seu lar, muitas uma série de brechas, as quais permitem que dos em tiroteios fatais foram obrigados a conpessoas morrem e deixam famílias em sofri- tais crimes fiquem impunes. sultar um psiquiatra. mento, por causa de um assalto, uma bala A primeira é a brecha entre a legislação destinada a proteger os direitos humanos e a sua A terceira brecha estaria entre a procura da perdida ou outra causa de violência. justiça e a capacidade do Estado para proporAo andar pelas ruas, ninguém mais confia em implementação. cioná-la. ninguém, todos ao se aproximar de qualquer O povo brasileiro tem a expectativa legítima pessoa já ficam preocupadíssimos, sempre de que os direitos civis e políticos inscritos na Infelizmente para muitos brasileiros, sobretuachando que irão ser assaltados ou coisa pi- Constituição e na lei sejam justa e efetiva- do para os que integram os setores mais vulmente aplicados pelo estado. No Rio de Ja- neráveis da população, o Brasil é também um or. país sem justiça. Cada dia que passa a violência aumenta rapi- neiro, nos 10 meses que seguiram ao do masdamente, em vez de todos serem unidos, pa- sacre de Vigário Geral – de setembro de 1993 Não é que o povo não acredite na justiça. É rece que separam-se. Não sabemos o que a junho de 1994 – foram registrada as mortes que suas convicções são cruelmente destruíserá o dia de amanhã, há tanto medo dentro de 1.200 pessoas nas mãos dos esquadrões das pelas próprias pessoas cujo dever seria de nós que não pensamos em outra coisa se- da morte. Mais de 80% desses crimes perma- preservá-las. Essas brechas entre lei e a sua aplicação, ennão a violência. Não podemos esquecer de necem sem solução. ressaltar a violência nas torcidas de esportes. O panorama nas zonas rurais é ainda pior. Coisa que deveria ser diversão acaba em vio- Em apenas 4%, aproximadamente, dos casos de morte de camponeses e líderes sindicais lência e morte. Quem não olha televisão? Todos os dias há rurais, os responsáveis foram levados a julgacasos e mais casos de mortes, assassinatos. mento. Quase todos com mum: impunidade. uma coisa em cotre as forças de segurança e o povo que juraram proteger, e entre a procura de justiça e a capacidade do Estado para proporcioná-la, criam uma brecha maior e mais fundável: uma brecha na própria alma da sociedade, que seQuando são frustradas as expectativas da- para o Estado dos seus cidadãos e os cidaqueles que contam com a justiça e a procu- dãos entre si. ram, a textura da sociedade começa a desin- É por isso que tais questões deixaram de pretegrar-se. Assim como em outros países, tem ocupar apenas as vítimas, suas famílias e sido essa experiência de muitos brasileiros, aqueles que lutam com coragem e determinaespecialmente na periferia das grandes cida- ção nas organizações de defesa dos direitos des e em algumas áreas rurais. Resulta daí humanos, para afetar a sociedade brasileira que as relações sociais não são reguladas como um todo. pela lei, mas sim por uma combinação de intiDa redação midação e apadrinhamento. A Segunda brecha situa-se entre os setores das forças de segurança e o povo que juraram proteger. O povo brasileiro tem o direito de viver sem medo do crime. Mas também tem o direito de viver sem medo da polícia. Dos 173 casos da assassinatos ocorridos no meio rural, em 19993, com a participação de pistoleiros contratados, que a Procuradoria Geral da Republica está investigando, comprovou-se que 80 contaram com a participação direta de policiais militares ou civis. Como todos nós sabemos, continuam a ocorrer, no Brasil, graves violações dos direitos humanos. As vítimas tendem a ser aqueles que mais precisam de proteção: os pobres urbanos e rurais, os povos indígenas, os negros, os jovens e também aqueles que trabalham em prol dos mesmos: advogados, sacerdotes, líderes sindicais, camponeses. Os violadores costumam ser agentes do Estado, cuja responsabilidade legal é a proteção dos cidadãos. A despeito de algumas exceções notáveis, a impunidade ainda predomina para a maioria dos crimes contra os direitos humanos. Em muitas cidades emergiram forças que passaram a explorar a desintegração social do ambiente urbano, para impor formas próprias de regulação social. As brechas cada vez maiores entre riqueza e pobreza, junta- www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Janeiro 2016 Gazeta Valeparaibana Página 15 EUROPA (artigo continuado) Por: Michael Löwy Sociólogo, é nascido no Brasil, formado em Ciências Sociais na Universidade de São Paulo, e vive em Paris desde 1969. Diretor emérito de pesquisas do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS). Homenageado, em 1994, com a medalha de prata do CNRS em Ciências Sociais, é autor de Walter Benjamin: aviso de incêndio (2005), Lucien Goldmann ou a dialética da totalidade (2009), A teoria da revolução no jovem Marx (2012) e organizador de Revoluções (2009) e Capitalismo como religião (2013), de Walter Benjamin O declínio da democracia é particularmente visível no funcionamento oligárquico da União Europeia, onde o Parlamento Europeu tem muito pouca influência, enquanto o poder está firmemente nas mãos de corpos não eleitos, como a Comissão Europeia ou o Banco Central Europeu. De acordo com Giandomenico Majone, professor do Instituto Europeu de Florença, e um dos teóricos semioficiais da UE, a Europa precisa de “instituições não-majoritárias”. Ou seja, “instituições públicas que, propositalmente, não sejam responsáveis nem diante dos eleitores, nem de seus representantes eleitos”: essa é a única maneira de nos proteger contra “a tirania da maioria”. Em tais instituições, “qualidades tais quais expertise, discrição profissional e coerência […] são muito mais importantes que a responsabilidade democrática e direta”.2 Seria difícil imaginar uma desculpa mais descarada da natureza oligárquica e antidemocrática da UE. na Itália), escolhendo os chamados “experts”, que eram servos fiéis. Vamos olhar mais atentamente a alguns desses tais todos-poderosos “experts”. De onde eles vêm? Mario Draghi, chefe do Banco Central Europeu, é um antigo administrador do banco internacional de investimentos Goldman Sachs; Mario Monti, ex Comissário Europeu, também é um antigo conselheiro da Goldman Sachs. Monti e Papademos são membros da Comissão Trilateral, um clube muito seleto de políticos e banqueiros que discutem estratégias internacionais. O presidente desta comissão é Peter Sutherland, antigo Comissário Europeu, e antigo administrador no Goldman Sachs; o vice-presidente, Vladimir Dlouhr, antigo Ministro da Economia tcheco, é agora conselheiro na Goldman Sachs para a Europa Oriental. Em outras palavras, os “experts” que comandam a “salvação” da Europa da crise foram funcionários de um dos bancos diretamente responsáveis pela crise financeira iniciada nos Estados Unidos, em 2008. Isso não significa que existe uma conspiração para entregar a Europa à Goldman Sachs: apenas ilustra a natureza oligárquica dos “experts” de elite que comandam a UE. Os governos da Europa estão indiferentes aos protestos públicos, greves e manifestações maciças. Não se importam com a opinião ou os sentimentos da população; estão apenas atentos — extremamente atentos — à opinião e sentimentos dos mercados financeiros e seus funcionários, as agências de avaliação de risco. Na pseudodemocracia europeia, consultar o povo em um referendo é uma heresia perigosa, ou pior, um crime contra o Deus Mercado. O governo grego, liderado pelo Syriza, a Coalizão da Esquerda Radical, foi o único que teve coragem para organizar tal consulta popular. O referendo grego não tinha apenas a ver com questões fundamentais econômicas e sociais, foi também e acima de tudo sobre democracia. Os 61,3% de gregos que disseram não são uma tentativa de desafiar o veto real das finanças. Esse poderia ter sido o primeiro passo em direção à transformação da Europa, de monarquia capitalista a república democrática. Mas as atuais instituições da oligarquia europeia têm pouca tolerância à democracia. Imediatamente puniram o povo grego por sua tentativa insolente de recusar a austeridade. A “catastroika” está de volta à Grécia com uma vingança, impondo um programa brutal de medidas economicamente recessivas, socialmente injustas e humanamente insustentáveis. CONTINUA NA PRÓXIMA EDIÇÃO Capitalismo e democracia na Europa PARTE I Vamos começar com uma citação de um ensaio sobre a democracia burguesa na Rússia, escrita em 1906, após a derrota da primeira revolução, de 1905: “É profundamente ridículo acreditar que existe uma afinidade eletiva entre o grande capitalismo, da maneira como atualmente é importado para a Rússia, e bem estabelecido nos Estados Unidos […], e a ‘democracia’ ou ‘liberdade’ (em todos os significados possíveis da palavra); a questão verdadeira deveria ser: como essas coisas podem ser mesmo ‘possíveis’, a longo prazo, sob a dominação capitalista?” Com a crise atual, a democracia decaiu a seus níveis mais baixos. Em um recente editorial, o jornal francês Le Figaro escreveu que a situação é excepcional, e explica por que os procedimentos democráticos não podem ser sempre respeitados; apenas quando voltarmos aos tempos normais, poderemos restabelecer sua legitimidade. Temos, então, um tipo de “estado de exceção” econômico/político, no sentido que descreveu Carl Schmitt. Mas quem é o Quem é o autor deste comentário perspicaz? soberano que tem o direito de proclamar, de Lenin, Trotsky ou, talvez, Plekhanov? Na acordo com Schmitt, o estado de exceção? verdade, ele foi feito por Max Weber, o conhecido sociólogo burguês. Apesar de Por algum tempo, entre 1789 e a proclamação Weber nunca ter desenvolvido essa ideia, ele da República Francesa, em 1792, o rei teve o está sugerindo aqui que existe uma direito constitucional de veto. Não importavam contradição intrínseca entre o capitalismo e a as resoluções da Assembleia Nacional, ou quaisquer que fossem os desejos e democracia. aspirações do povo francês: a última palavra A historia do século XX parece confirmar essa pertencia a Sua Majestade. opinião: em muitos momentos, quando o poder da classe dominante pareceu Na Europa de hoje, o rei não é um Bourbon ameaçado pelo povo, a democracia foi jogada ou Habsburgo: o rei é o Capital Financeiro. de lado como um luxo que não pode ser Todos os atuais governos europeus — com a mantido, e substituída pelo fascismo — na exceção do grego! — são funcionários deste Europa, nos anos 1920 e 1930 — ou por monarca absolutista, intolerante e antiditaduras militares, como na América Latina, democrático. Quer sejam de direita, “extremocentro” ou pseudoesquerda, quer sejam entre os anos 1960 e 1970. conservadores, democratas cristãos ou socialPor sorte, esse não é o caso da Europa atual, democratas, eles servem fanaticamente ao mas temos, particularmente nas últimas poder de veto de Sua Majestade. décadas, com o triunfo do neoliberalismo, uma democracia de baixa intensidade, sem O soberano absoluto e total hoje, na Europa, conteúdo social, que se reduziu a uma concha é, no entanto, o mercado financeiro global. Os vazia. É claro que ainda temos eleições, mas mercados financeiros ditam a cada país os elas parecem ser de apenas um partido, o salários e aposentadorias, os cortes em PMU, Partido do Mercado Unido, com duas despesas sociais, as privatizações, a taxa de variantes que apresentam diferenças desemprego. Há algum tempo, eles limitadas: a versão de direita neoliberal e a de nomeavam diretamente os chefes de governo (Lucas Papademos na Grécia e Mario Monti centro-esquerda social liberal. www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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