Manual de dicas para autores de estudos de caso

 

Embed or link this publication

Description

Em formato de perguntas e respostas, o manual esclarece dúvidas sobre a metodologia de estudos de caso adotada pela Enap e dá dicas para os autores sobre como escrever estudos de casos.

Popular Pages


p. 1

Enap Casoteca de Gestão Pública Manual de dicas para autores de estudos de caso

[close]

p. 2

Fundação Escola Nacional de Administração Pública Presidente Gleisson Cardoso Rubin Diretor de Desenvolvimento Gerencial Paulo Marques Diretora de Formação Profissional Maria Stela Reis Diretora de Comunicação e Pesquisa Marizaura Reis de Souza Camões Diretor de Gestão Interna Cassiano de Souza Alves Coordenação-geral de Pesquisa Coordenador-geral: Pedro Lucas de Moura Palotti Assessoria: Alessandro Freire, Claudia Conde, Flavio Pereira, Joselene Lemos, Márcia Knop, Pedro Hollanda, Samantha Amorim e Willber Severo Estagiários: Artur Santiago Brant Campos e Victor Lucas do Nascimento Autoras: Carolina da Cunha Rocha e Márcia Knop Concepção e organização: Carolina da Cunha Rocha e Márcia Knop Coordenação-geral de Comunicação e Editoração Coordenadora-geral: Janaína Cordeiro de Morais Santos Coordenadora de Editoração: Ana Carla Gualberto Cardoso Coordenadora de Comunicação: Michelle Cristiane Lopes Barbosa Projeto Gráfico e Diagramação: Maria Marta da Rocha Vasconcelos ENAP, 2015 Escola Nacional de Administração Pública Diretoria de Comunicação e Pesquisa SAIS – Área 2-A 70610-900 — Brasília, DF Telefone: (61) 2020 3099/3178 1

[close]

p. 3

O que é um estudo de caso? É uma narrativa que apresenta um cenário espelhado na vida real. Nele decisões são tomadas e conclusões são feitas com base no contexto apresentado. O estudo de caso simula, em sala de aula, um problema gerencial que foi recortado de uma situação verídica ou verossímil e o emprega como recurso de aprendizagem em um ambiente controlado. O estudo de caso foca em um drama, um problema principal, uma situaçãochave que serve de fio condutor da narrativa, sobre a qual recairá a discussão em sala de aula. O que é a Casoteca de Gestão Pública? É um acervo virtual no qual estão todos os estudos de caso publicados pela Enap. A Casoteca tem como objetivo a disponibilização e divulgação desse novo e importante método de ensino. A Casoteca propõe a participação de professores, alunos, servidores, pesquisadores e colaboradores de diversas áreas na elaboração de estudos de caso para a capacitação de servidores públicos. Nesse sentido, a temática envolvida nos estudos de caso da Casoteca de Gestão Pública deve versar sobre o universo da administração pública em todos os seus níveis (federal, estadual e municipal). Há 17 áreas temáticas que podem ser abordadas ou mesmo mescladas em um estudo de caso: • • • • • • • • • • • • Atendimento ao cidadão Estado e governo Diversidade Estado e sociedade Ética Gestão do conhecimento Gestão de crise e gestão de riscos Gestão de parcerias Gestão orçamentário-financeira Gestão organizacional Gestão de pessoas Gestão de programas e projetos 2

[close]

p. 4

• • • • • Inovação Liderança Negociação Planejamento Políticas públicas O estudo de caso para ensino, utilizado pela Casoteca da Enap, é igual ao estudo de caso utilizado como método de pesquisa no ambiente acadêmico? Em alguns pontos se assemelha, mas há diferenças importantes a serem consideradas. A principal semelhança é que sua construção depende de um projeto e um processo de pesquisa para que seu resultado seja positivo. No entanto, um caso para ensino tem como foco a discussão e experimentação a partir de um dilema, um drama gerencial, por isso é diferente de outros tipos de caso usados em pesquisas acadêmicas e profissionais. O caso de ensino não apresenta necessariamente respostas ou soluções, tampouco se restringe a relatar uma experiência, o foco está na sua utilidade para ensinar habilidades de pensamento crítico e tomada de decisão. O método de caso de ensino é apropriado quando o professor quer promover o estímulo a novas ideias, encorajar criatividade e independência de pensamento, levar as pessoas a assumir papéis de liderança e estimular a disposição de assumir riscos e assumir responsabilidade pessoal para o alcance de resultados (LYNN, 1999). O que não é um estudo de caso? • Documento histórico; • Texto puramente descritivo; • Artigo acadêmico; • Notícia; e • Relatórios de avaliação não são estudos de caso na metodologia adotada pela Enap. 3

[close]

p. 5

E de que se trata a metodologia de casos usada pela Enap? A metodologia da Enap foi inspirada no modelo utilizado pela Escola Canadense do Serviço Público (CSPS), pela Universidade de Queen e pelo Instituto de Administração Pública do Canadá (IPAC). A metodologia é baseada no conceito de ensino-aplicação, isto é, ela se utiliza de situações reais para estimular o aluno a pensar alternativas e tomar decisões. Portanto, sua principal característica é a de envolver os alunos como participantes ativos no processo de aprendizagem, ao permitir a exposição do funcionamento de organizações administrativas e de outras organizações do mundo real. Por essa metodologia, é possível compreender a ambiguidade e a complexidade que acompanham questões de gestão e de políticas públicas. Além disso, o método estimula a aprendizagem organizacional, pois serve para compartilhar experiências em uma organização ou entre organizações (colegas/gerações) sobre desafios enfrentados, acertos e erros vivenciados. O caso é relatado a partir de uma narrativa, em geral, não interpretativa e não valorativa. Por isso, diz-se que é uma metodologia cuja abordagem é orientada para perguntas e não para soluções preconcebidas. A interpretação e análise é parte do trabalho do aluno. Porém, é possível ao autor do caso inserir, na nota pedagógica, linhas de análise, bem como sua crítica e orientações sobre qual a melhor maneira de interpretar e estudar o tema abordado. O caso deve apresentar uma situação que incite as pessoas a analisar, refletir e agir. Ele deve ser provocador e contar uma história. Por isso, deve apresentar controvérsia, discordância, dilemas, urgência e seriedade do problema. Além disso, a metodologia permite transformar o conhecimento tácito, isto é, aquele que não é expresso formalmente em uma organização, mas que faz parte da vivência de um indivíduo, de uma equipe ou mesmo de uma instituição, em conhecimento explícito, ou seja, aquele que é formalmente sistematizado, 4

[close]

p. 6

documentado, comunicado e partilhado, pois está registrado em artigos, revistas, livros e documentos. Quais são as dimensões de um estudo de caso? Os casos possuem três dimensões principais: • conceitual: deve permitir o manejo de teorias e conceitos (embora não traga a teoria para o texto, ela deve orientar a própria construção do caso); • informativa: deve conter informações necessárias sobre o contexto e a situaçãoproblema narrada; • analítica: deve possuir elementos que permitam análise e interpretação para que os alunos possam tomar decisão. Quais os tipos possíveis de caso? Há basicamente três tipos de casos: 1) Tomada de decisão ou prospectivo: o aluno explora várias alternativas e faz opções sobre o que fazer, quais atores devem agir e quando. O caso não conta a história completa: ele apresenta os problemas e os alunos planejam as soluções. Se você estivesse no lugar dos atores, o que você faria? 2) Retrospectivo: narra a história completa, inclusive com as soluções adotadas pelos protagonistas, e coloca as seguintes questões para os alunos: como você avalia as decisões tomadas? Se você fosse o decisor, teria feito as mesmas escolhas? Esse tipo de caso pode ser usado para formular soluções alternativas com base nas ações e decisões tomadas pelos atores. 3) Instrumental: centrado em habilidades e desenvolvimento de competências. Exemplo: como se portar numa reunião com dirigentes? Como elaborar um relatório de gestão? Como elaborar um projeto? 5

[close]

p. 7

Qual é a estrutura básica de um estudo de caso? A fim de auxiliar os autores, a Casoteca propõe a seguinte estrutura para os casos: • Título e subtítulos; • Resumo: com informações breves sobre o conteúdo do caso, temas abordados (compatíveis com a classificação da Casoteca) e, se possível, cursos em que possa ser aplicado. • Introdução: apresenta o objeto do caso, o problema e as questões levantadas. Deve despertar interesse e curiosidade. • Narrativa: descrição dos fatos. Relato do problema, contexto, apresentação dos atores envolvidos e organizações, relações, ações ou decisões tomadas ou a tomar, a descrição do contexto social, político e econômico em que o caso se desenvolve. Explicita a situação-problema e todas as suas variáveis: local, datas, cargo, nomes de pessoas, instituição, projeto, dilema a ser enfrentado, prazos fatais etc. A ideia é que o relato seja completo, porém, conciso, e que desperte o interesse do leitor. No texto narrado, é possível apresentar o ponto de vista dos envolvidos. As opiniões e pensamentos dos personagens podem ser manifestados, mas não os do próprio autor do estudo de caso. • Questões finais: as perguntas finais podem orientar o uso e a análise do caso em sala de aula. Que tipos de histórias podem ser contadas? Os casos apresentados, por se espelharem em situações reais extraídas do cotidiano do serviço público, podem ser tanto casos de sucesso quanto lições aprendidas. Os casos de sucesso irão relatar fatores e elementos que conduziram ao êxito de um indivíduo, equipe, organização ou política pública. As lições aprendidas contam situações mal resolvidas e problemas que não foram solucionados de forma apropriada. Experiências desse último tipo contribuem sobremaneira para a aprendizagem organizacional e para o debate sobre que tipo de ações e decisões 6

[close]

p. 8

poderiam ser tomadas caso se estivesse no lugar do gestor público, equipe ou organização analisada. Devo relatar casos reais ou posso criar casos fictícios? Ambos. Se optar por um caso real, ou seja, baseado em fatos e pessoas reais, é preciso observar a atribuição de declarações, que devem ser devidamente documentadas e confirmadas pelos declarantes (Termo de Autorização). Atenção ao qualificar pessoas e organizações reais, para evitar desconfortos ou exposições desnecessárias. Um relato real pode conter personagens fictícios para evitar esse problema. Os casos reais são ideais para estudos de análise de políticas públicas. No caso de elaboração de um caso fictício, há mais liberdade ao autor, mas ele deve, necessariamente, abordar situações verossímeis. Embora fictício, a materialidade tratada no estudo de caso deve ser plausível no universo da administração pública. Qual o tamanho ideal de um caso? Na Casoteca, trabalhamos com casos curtos e longos. O caso curto descreve de forma breve a situação-problema ou dilema. Não fornece contexto detalhado ou dados em demasia. Sua extensão varia entre duas a cinco páginas. O caso longo, por sua vez, é mais extenso e detalhado. Reúne experiências e história de uma política pública complexa ou problemas de gestão. Enfoca a transferência de conhecimentos e antecedentes. Extensão acima de cinco páginas. Quais são as características comuns a um estudo de caso? • É um item curioso. • Usa elementos da realidade ou verossímeis. • Tem foco em um problema ou desafio que estimule a discussão. 7

[close]

p. 9

• Visualiza a situação, com suas circunstâncias e atores. • Permite debate sobre a tomada de decisão. • É aberto a múltiplas interpretações e alternativas – não há uma “resposta certa”. • É instrumento para transferência de conhecimentos e habilidades. O que é a nota pedagógica? A nota pedagógica transmite instruções para o professor sobre como usar o caso em sala de aula, com vistas a potencializar a aprendizagem do tema do curso. Ela inclui questões e tarefas para os alunos. As perguntas podem ser tanto questões gerais para ordenamento lógico da análise, quanto questões específicas relacionadas ao tema do curso, bem como é possível destacar os pontos para discussão. Na nota pedagógica, é possível que o autor apresente sua análise e sua interpretação do caso apresentado, bem como as lições aprendidas com o problema narrado. A nota pedagógica pode ainda trazer leituras adicionais sobre o tema tratado, como também a indicação de sítios especializados, filmes sobre o tema, notícias de jornal e referência bibliográfica utilizada para a elaboração do caso. Resumindo, a nota pedagógica é uma espécie de bússola que orienta o professor para a melhor utilização do estudo de caso em sala de aula. Os estudos de caso são de download gratuito, porém as notas pedagógicas são de uso exclusivo de professores e coordenadores de cursos. Como escrever um bom estudo de caso? Siga os passos de um bom projeto de pesquisa: • Definir o objeto da pesquisa. Tema, problema, questões, objetivo do caso. • Traçar esquema teórico que orienta o projeto (ex.: Por que ocorrem os fatos, quais são as estruturas e os atores envolvidos, o que motivou as decisões?). • Há um drama/problema que fique evidenciado e que seja capaz de orientar e dar forma à estrutura do caso? 8

[close]

p. 10

• Propõe um problema que não tem resposta óbvia e que estimula a discussão? • Qual o objetivo da aprendizagem? Quais habilidades, conceitos, competências ou modelos a analisar? • Qual é o tipo de caso: prospectivo, retrospectivo, misto ou instrumental? • Qual a unidade de análise: programa? Projetos dentro de um programa? Equipe? Chefia? Órgão? Política Pública? • Em que esfera de governo: federal, estadual, municipal ou distrital? • Qual o contexto? • Qual o período temporal? • Quais dados serão colhidos e como obtê-los? No caso de casos reais: identificar os interlocutores que poderão ser entrevistados para melhor embasar a pesquisa. • Os fatos do caso permitem a construção de uma linha do tempo ou uma sequência de eventos? • Que nível de esforço intelectual ou de interpretação é necessário? • Quais habilidades/conhecimentos/atitudes serão desenvolvidos com o caso? • Há diferentes possibilidades de análise? O caso permite avaliações múltiplas? Lembrando que: um estudo de caso não analisa, nem julga. Essas são funções do aluno. Um bom estudo de caso é: • capaz de surpreender; • desafiador; • verossímil; • teoricamente embasado; • dramático; • orientado para decisões e movido para a ação; • permite múltiplas percepções; • bem escrito, claro. 9

[close]

p. 11

Referência bibliográfica EASTON, Geoff. Learning from case studies. 2. ed. Nova Iorque: Prentice Hall, 1992. GRAHAM, Andrew. Como escrever e usar estudos de casos para ensino e aprendizagem no setor público. Brasília: Enap, 2012. LYNN JR., Laurence E. Teaching and learning with cases – a guidebook. Nova Iorque: Seven Bridges Press, 1999. YIN, Robert. Estudos de caso – planejamentos e métodos. São Paulo: Bookman, 2010. Textos disponíveis em http://www.case.hks.harvard.edu: ROBYN, D. What makes a good case? Kennedy School of Government Case Program, 1986. Preparing cases in public policies. Kennedy School of Government Case Program, 1985. WINSTON, K. Teaching ethics by the case method. Kennedy School of Government Case Program, 1995. Notes on the case method. Kennedy School of Government Case Program, 1997. How to teach a case. Kennedy School of Government Case Program, 1995. Outras informações: Casoteca de Gestão Pública da Enap www.casoteca.enap.gov.br casoteca@enap.gov.br (+55) 61 2020-3135 10

[close]

p. 12

SAIS – Área 2A CEP: 70610-900 Brasília, DF Tel: (61) 2020 3096/2020 3102 Fax: (61) 2020 3178 faleconosco.enap@enap.gov.br www.enap.gov.br

[close]

Comments

no comments yet