Revista Secovi Rio nº 98 - Jan/Fev/2016

 

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Revista Secovi Rio nº 98 - Jan/Fev/2016

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REVISTA JAN/FEV 2016 • no 98• VENDA PROIBIDA Abre alas! Como o Carnaval afeta a rotina dos condomínios Pista Claudio Coutinho: para manter a forma e apreciar a natureza No Condomínio Atlântico Sul, na Barra, o beach tennis aproxima os moradores e vem gerando qualidade de vida Diversão fora do condomínio

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Bons tempos Poucos termos foram repetidos tão exaustivamente no último ano como “apesar da crise”. Essa ideia carrega o pressuposto de que tudo – da economia ao próprio senso democrático – deveria estar alinhado por baixo em um momento de incertezas e o sucesso de alguns setores, organizações ou iniciativas individuais é algo surpreendente e inesperado. Apesar da crise, amanhã há de ser outro dia. E 2016 chega com a promessa de, para além de qualquer conjectura nacional ou internacional, tornar-se um marco na história do Rio de Janeiro. Ano em que nos converteremos por alguns dias em uma espécie de Olimpo pós-moderno, esse período é cercado de expectativas de ganhos e retomada da estabilidade. Ainda assim, qualquer que seja o resultado do PIB da nação quando chegarmos a dezembro, essa será uma época em que o esporte estará em total evidência, e um dos excelentes subprodutos desse processo deverá ser a popularização da prática esportiva. E, como conta o entrevistado desta edição, o educador físico Marcio Atalla, não é preciso muito para ter novos hábitos: basta dar o primeiro passo. Nesse sentido, alguns dos personagens da matéria de capa são a prova incontestável de que os condomínios podem contribuir de maneira estratégica para ampliar o bem-estar e a qualidade de vida de seus moradores por meio do esporte. Com o intuito de oferecer mais do que os serviços básicos de uma administração – o que já não é tarefa simples –, esses condomínios têm um papel ainda mais decisivo na vida de seus habitantes. Outro efeito positivo de iniciativas do tipo é o aproveitamento cada vez maior do espaço público, em uma demonstração de que, por mais serviços que um condomínio tenha, há muitas possibilidades fora dos muros. Se em um passado recente a verticalização era considerada um fenômeno indutor de isolamento, ações como essas mostram que é possível, sim, habitar edifícios e desfrutar de uma vivência plena da cidade. A todos os nossos leitores, desejamos que os próximos meses sejam de muita energia, superação de paradigmas pessoais e sucesso em seus projetos. Tenha uma boa leitura! EQUIPE SECOVI RIO janeiro EM FOCO 14 O mundo lá fora 20 Novo CPC é debatido 34 Vizinhos do Carnaval 40 Conflitos imobiliários terão resolução mais ágil 2015 2016 fevereiro SEÇÕES 2 Palavra do presidente 4 Entrevista: Marcio Atalla – Tratamento de choque contra o sedentarismo 8 Lugar carioca – Pista Claudio Coutinho. Um oásis entre os Morros da Urca e do Pão de Açúcar 22 Consulte o jurídico 28 Artigo jurídico – Associação de Moradores. Despesas e participação de não associados 31 Secovi Rio investe em educação para sustentabilidade 42 Indicadores habitacionais 44 Informações & serviços 51 Curtinhas SECOVI RIO | JanFev 2016 | no 98

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Av. Almirante Barroso, 52/ 9o andar • Centro • 20031-918 • Rio de Janeiro/RJ Tel.: (21) 2272-8000 • Fax: (021) 2272-8001 • E-mail: secovi@secovirio.com.br www.secovirio.com.br DIRETORIA DO SECOVI RIO – Efetivos Presidente: Pedro José Maria Fernandes Wähmann Vice-Presidente: Leonardo Conde Villar Schneider Vice-Presidente Financeira e de Desenvolvimento: Maria Teresa Mendonça Dias Vice-Presidente Administrativo: Ronaldo Coelho Netto Vice-Presidente de Marketing: João Augusto Pessôa Vice-Presidente Jurídico: Rômulo Cavalcante Mota Vice-Presidente de Assuntos Condominiais: Alexandre Hermes Rodrigues Corrêa Vice-Presidente de Locações: Antonio Paulo de Garcia Monnerat Vice-Presidente de Relações do Trabalho: Dennys Abdalla Muniz Teles   Suplentes – Aldo Fernando Villar Hecht da Fonte; Antonio Carlos Ferreira; Antonio Henrique Lopes da Cunha; Frederico Honorato Rodrigues Moreira; Germana Aragão de Mesquita Aguiar; Luiz Alberto Queiroz Conceição; Luis Carlos Bulhões Carvalho da Fonseca Filho; Pedro Carlos Carsalade; Rafael Thomé  CONSELHO FISCAL: Efetivos – Dorzila Irigon Tavares; Hamilton Quirino Câmara; Marco Antonio Moreira Barbosa. Suplentes – Antonio José Fernandes Costa Neto; Marco Antonio Valente Tibúrcio; Marco Antonio Vieira de Mello DELEGADOS REPRESENTANTES JUNTO À FECOMÉRCIO: Efetivos – Pedro José Maria Fernandes Wähmann; Manoel da Silveira Maia. Suplentes – João Augusto Pessôa; Ronaldo Coelho Netto CONSELHO DE RELAÇÕES DO TRABALHO: Dennys Abdalla Muniz Teles (presidente); Alexandre Hermes Rodrigues Corrêa; Fernando Schneider; Maria Teresa Mendonça Dias; Rafael Thomé REGIONAIS SECOVI RIO Regional Baixada Fluminense – Nova Iguaçu Representante: Hilário Franklin Pinto de Souza Endereço: Av. Governador Roberto Silveira, 470 – sala 412 – Centro – Nova Iguaçu Telefone (21) 2667–3397 / E-mail: baixadafluminense@secovirio.com.br Área de Abrangência – Municípios de Belford Roxo, Duque de Caxias, Guapimirim, Japeri, Magé, Mesquita, Nilópolis, Nova Iguaçu, Paracambi, Queimados, São João de Meriti e Seropédica. Regional Costa Verde Área de Abrangência – Municípios de Angra dos Reis, Mangaratiba, Itaguaí, Rio Claro e Paraty. E-mail: costaverde@secovirio.com.br Regional Lagos – Cabo Frio Representante: José Carlos Bonan Endereço: Rua Francisco Mendes, 350 – loja 5 – Centro – Cabo Frio – RJ (Cabo Frio Leste Shopping) Telefone (22) 2647–6807 / E-mail: lagos@secovirio.com.br Área de Abrangência – Municípios de Araruama, Armação de Búzios, Arraial do Cabo, Cabo Frio, Iguaba, Iguaba Grande e São Pedro da Aldeia. Regional Litorânea – Niterói Endereço: Av. Ernani do Amaral Peixoto, 334 – sala 1009 – Centro – Niterói – Telefone (21) 2637–1633 / E-mail: litoranea@secovirio.com.br Área de Abrangência – Municípios de Maricá, Saquarema, Tanguá, Rio Bonito, Itaboraí, Silva Jardim, Niterói e São Gonçalo. Regional Serra Imperial – Petrópolis Representante: José Roberto Sauer Endereço: Rua Dr. Nelson de Sá Earp, 95 – sala 406 – Centro – Petrópolis – Telefone (24) 2637–1633 / E-mail: serraimperial@secovirio.com.br Área de Abrangência – Municípios de Petrópolis, Areal, Comendador Levy Gasparian, Paraíba do Sul e Três Rios. Regional Noroeste Fluminense – Campos dos Goytacazes Endereço: Praça São Salvador, 21/sala 904 – Centro – Campos dos Goytacazes – Telefone (22) 2738–1046 / E-mail: noroestefluminense@secovirio.com.br Área de Abrangência – Municípios de Campos dos Goytacazes, Itaperuna, São Fidélis, São João da Barra, São Francisco do Itabapoana, Cardoso Moreira, Italva, Cambuci, São José de Ubá, Laje de Muriaé, Porciúncula, Natividade, Varre–Sai e Bom Jesus de Itabapoana. Regional Norte Fluminense – Macaé Endereço: Av. Rui Barbosa, 1043/201 – Alto Cajueiros – Macaé – Telefone (22) 2772–3714 / E-mail: nortefluminense@secovirio.com.br Área de Abrangência – Municípios de Macaé, Casimiro de Abreu, Quissamã, Conceição de Macabu, Carapebus e Rio das Ostras. Regional Serra Verde – Teresópolis Representante: Henrique Rodrigues Endereço: Av. Feliciano Sodré, 460/loja 03 – Várzea – Teresópolis – Telefone (21) 2742– 2102 / E-mail: serraverde@secovirio.com.br Área de Abrangência – Teresópolis, Sapucaia e São José do Rio Preto. Regional Serra Norte – Nova Friburgo Representante: Gabriel de Freitas Ruiz Endereço: Rua Ernesto Brasílio, 45 – sala 205 – Centro – Nova Friburgo – Telefone (22) 2523–7513 / E-mail: serranorte@secovirio.com.br Área de Abrangência – Municípios de Aperibé, Bom Jardim, Cantagalo, Carmo, Cordeiro, Duas Barras, Itaocara, Macuco, Miracema, Nova Friburgo, Santa Maria Madalena, Santo Antônio de Pádua, São Sebastião do Alto, Sumidouro, Trajano de Moraes e Cachoeiras de Macacu. Regional Sul Fluminense – Volta Redonda Representante: Ana Beatriz Rocha de Carvalho Endereço: Av. Paulo de Frontin, 590 – sala 307 – Aterrado – Volta Redonda – Telefone (24) 3339–2272 /E-mail: sulfluminense@secovirio.com.br Área de Abrangência – Municípios de Barra do Piraí, Barra Mansa, Itatiaia, Piraí, Resende, Valença, Vassouras, Volta Redonda, Porto Real, Quatis, Pinheiral, Rio das Flores, Eng. Paulo de Frontin, Miguel Pereira, Paty do Alferes e Mendes. O Secovi Rio é auditado por |palavra do presidente| Crise. Esta foi a palavra de 2015. Esteve em todas as rodas de conversa, nos noticiários e dentro das empresas, inclusive as do mercado de comércio e serviços imobiliários. Queda nas vendas, redução dos limites de financiamento, pé no freio no segmento da construção civil etc. Foi um ano de apreensão e preocupações. Nos condomínios, síndicos e moradores começaram a dar ainda mais atenção às despesas e, em virtude disso, surgiram iniciativas para reduzir custos, eliminar o desperdício de água e energia elétrica, atacar a inadimplência. Se antes apenas pensávamos no tema “sustentabilidade”, agora efetivamente estamos colocando em prática esse conceito. A mudança de comportamento reforça a ideia de que toda crise pode ter, sim, consequências positivas. É com as crises que aprendemos a driblar as dificuldades, é na crise que surgem as ideias mais criativas, é por causa dela que as redes de solidariedade se expandem, é na crise que paramos para pensar sobre o consumo consciente. Será que meu condomínio precisa mesmo de uma lixeira colorida? O jardim realmente necessita novas flores? Então, nesta primeira edição de 2016, a mensagem é de otimismo. Não queremos mais falar de crise. Ninguém quer. Já falamos demais sobre isso. Queremos falar de esperança, trabalho e iniciativas. O ano que está começando é histórico para a nossa cidade. Ainda que tenhamos tido dificuldades, é visível a transformação dos espaços públicos, e já podemos sentir como a vida está melhorando. Mais do que um grande evento esportivo, o Rio está oferecendo mais qualidade de vida, mobilidade, cultura, lazer e muitos outros benefícios dos quais usufruiremos por muitos e muitos anos. Estamos falando de legado. Estamos falando de esperança. Celebrando a primeira edição de 2016, queremos lembrar aos nossos representados que seguiremos firmes na participação junto ao poder público, lutando para que os condomínios e toda a população que vive neles não sofram mais do que já sofreram em 2015. Ainda que tenhamos barreiras econômicas e políticas, vamos trabalhar para que o nosso segmento possa ter garantida, pelo menos, a esperança de dias melhores. Feliz ano novo! Pedro Wähmann Presidente do Secovi Rio 2 SECOVI RIO | JanFev 2016 | no 98

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Marcio Atalla Tratamento de choque contra o sedentarismo Adotar um estilo de vida mais saudável está no topo das resoluções de ano novo de muita gente, que aproveita a chegada de janeiro para iniciar aqueles planos que ficaram engavetados por muito tempo. Para muitos, porém, a via para uma rotina diferente pode estar bem perto, dentro do próprio condomínio. A prática regular de exercícios físicos está entre uma das grandes aliadas dos moradores, seja quando eles passam a frequentar a academia do prédio ou mesmo quando aderem às aulas coletivas. E fazê-lo com o apoio dos vizinhos pode representar um gás extra nessa iniciativa. É o que percebeu o educador físico Marcio Atalla, que, no ano passado, desenvolveu um projeto especial para que habitantes de um condomínio residencial da capital paulista fugissem do sedentarismo. A experiência foi registrada no qua- dro “Medida Certa”, do Fantástico (Rede Globo). Aos 45 anos, Atalla, que é natural de Belo Horizonte (MG), viaja por todo o país como um verdadeiro guru da saúde. Em suas palestras e consultorias, ele estimula pessoas comuns a dar os primeiros passos na busca pelo condicionamento físico ideal. Mas, antes de ser uma figura da mídia, Atalla já atuava em um campo bastante complexo. Sua trajetória profissional se iniciou com a preparação de atletas de alto nível, como as tenistas Mirian D’Agostini, Christina Papadaki e Seda Noorlander, além dos jogadores de vôlei de praia Carlão e Paulo Emílio. Em 2000, determinado a criar um projeto que ampliasse seu público, criou a marca Bem-Star, que inclui uma série de

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|entrevista| mídias educativas associadas à questão da prática esportiva. À frente do “Medida Certa”, já colaborou para mudar o estilo de vida dos jornalistas Zeca Camargo e Renata Ceribelli, do ex-jogador de futebol Ronaldo Fenômeno, do ator Fábio Porchat, dos cantores César Menotti, Gaby Amarantos e Preta Gil, e da atriz Fa- biana Karla – esta última, ao mesmo tempo que o condomínio paulista. Em uma entrevista exclusiva à Revista Secovi Rio, o educador físico conta quais devem ser os passos iniciais de quem quer trilhar um caminho mais saudável em 2016 e inspira os leitores a começar hoje as primeiras mudanças que definirão o resto de suas vidas. g IGOR AUGUSTO PEREIRA/ Foto: DIVULGAÇÃO Como você decidiu seguir carreira em Educação Física? O esporte e a atividade física sempre fizeram parte da minha vida, desde a infância. Meu avô e meu pai foram jogadores de futebol. Eu e meus irmãos tínhamos rotinas esportivas. Pegar gosto era mais do que natural. De fato, não conseguia me imaginar com qualquer outra formação. Mas chegou a iniciar outro curso superior, não? Comecei a estudar Economia, mas não me achava ali. Acabei me especializando no treinamento de atletas de alto nível porque gosto desse meio competitivo e também pela seriedade do esporte profissional. Como é sua rotina? Você se exercita todos os dias? Hoje, minha rotina é muito agitada. Nenhum dia é igual ao outro, mas uma coisa é certa: em qualquer tempo que tenho livre, encaixo algum tipo de atividade física, como uma partida de tênis ou um treino de musculação. Isso é que não pode faltar! Como surgiu a ideia de preparar um condomínio inteiro para entrar no “Medida Certa”? Acho que, a cada edição do “Medida”, procurávamos um desafio maior. E a ideia do condomínio era justamente para mostrar que o método se aplica a todas as pessoas – não necessariamente aos famosos da Globo – e também a um grupo maior. E como foi lidar com um grupo tão grande e heterogêneo? Acredito que o toque especial tenha sido trabalhar com tantas pessoas ao mesmo tempo. Adoro lidar com gente, ver a diversidade de personalidades, desafiar e me sentir desafiado. Minha profissão é muito baseada nisso, em mexer não apenas com o físico das pessoas, mas sobretudo com o emocional delas. Quais conhecimentos difundidos no quadro você acredita que possam ser utilizados pelos demais condomínios para melhorar a qualidade de vida de seus moradores? Acredito que essa tenha sido a edição mais inspiradora por mostrar que é possível, para todos, ter hábitos mais saudáveis com apenas algumas mudanças. Aliás, pequenas mudanças fazem uma grande diferença. Os condomínios hoje já buscam oferecer aos seus moradores espaços para fazer suas atividades físicas. Isso já é uma excelente iniciativa. Muitos condomínios disponibilizam uma série de atividades para os moradores. Como engajar mais pessoas para aderir a essas práticas? Acho que divulgar, tentar fazer atividades coletivas, passar informações sobre a importância do exercício físico para os moradores por alguma comunicação interna do condomínio podem ser algumas boas iniciativas. Aliás, para se tornar uma aliada na busca por mais saúde, acredito que é importante tornar a academia atrativa e lembrar aos moradores que ela está ali, sempre, para atendê-los. Em sua atuação como educador físico, quais têm sido SECOVI RIO | JanFev 2016 | no 98 5

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|entrevista| os principais desafios de quem busca entrar em forma? Existe algum segredo para contorná-los? O segredo é conhecer o aluno, entender suas necessidades, seus limites, seus interesses. É fundamental perceber como ajudar cada um no sentido de ter uma vida mais saudável e incorporar a atividade física de forma definitiva à rotina. Na hora de contratar uma assessoria esportiva para o condomínio, que aspectos devem ser observados por quem não entende do assunto? É preciso ter em mente que a saúde deve vir sempre em primeiro lugar. Uma assessoria que se preocupe com isso com certeza já pode ser levada a sério. O que você, que certamente percorre o país todo com palestras e treinamentos, poderia dizer sobre a saúde do brasileiro? Somos um povo consciente da importância de praticar atividades físicas? Posso dizer que estamos começando a ter uma consci- ência, mas ainda em uma fase bastante inicial. E, para mostrar isso, as estatísticas não mentem: apenas 8% dos brasileiros fazem o mínimo de atividade física necessária para serem considerados indivíduos ativos. O início do ano é um período em que várias resoluções são feitas, mas muitas vezes elas não se transformam em ação efetiva. Que orientações você daria para que os sedentários comecem 2016 na busca por mais saúde? Para alguém que quer deixar o sedentarismo e iniciar alguma atividade física, eu aconselharia ser persistente. Não é fácil mudar um estilo de vida, e muitas vezes a pessoa vai querer desistir, vai se autossabotar. Mas segure firme, force seu corpo e sua mente para essa mudança acontecer. Com o tempo, você se acostuma ao novo padrão, e então o corpo passa a querer aquele estímulo do exercício, a ser dependente dos efeitos positivos que a atividade física provoca em nosso organismo. E isso fica para sempre.

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PISTA CLAUDIO COUTINHO Um oásis entre os Morros da Urca e do Pão de Açúcar 8 SECOVI RIO | JanFev 2016 | no 98

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|lugar carioca| g GUSTAVO MONTEIRO e DOUGLAS DAYUBE/ Fotos: DANIEL WANDER egunda capital economicamente mais importante do país, o Rio de Janeiro é também uma cidade populosa, barulhenta e, claro, bem movimentada durante todo o ano, com fluxo crescente de visitantes estrangeiros e brasileiros. Imagina se somarmos a isso as obras que acontecem em todas as regiões por conta dos preparativos para os Jogos Olímpicos que se aproximam. Parece o caos, não? E é. Mas, apesar da aparente bagunça, é possível encontrar alguns lugares onde a calma e a tranquilidade reinam absolutas. Basta um coração aberto e um olhar mais atento para enxergar essas belezas. E depois se apaixonar por elas. É o caso da Pista Claudio Coutinho, na Urca, um dos mais nobres e calmos bairros da cidade. É na pequena trilha de quase 2km, emoldurada pela Praia Vermelha e pelos Morros da Urca e do Pão de Açúcar, que muitos encontram o seu estado de paz. Ao final da caminhada, ainda é possível tomar uma água de coco observando o ir e vir do mar ou dos bondinhos que lentamente chegam ao pico dos dois morros. Nos últimos meses, a pista vem se tornando uma das queridinhas dos cariocas – em agosto de 2015 recebeu 5 mil visitantes que, além de tranquilidade, buscam um pouco de aventura. Para quem não sabe, lá é o ponto de partida para a trilha do Morro da Urca, que pode ser realizada em 45 minutos, e para outras mais perigosas, que só devem ser exploradas com a companhia de um guia experiente. A administradora Amanda Neves, de 22 anos, que caminha na trilha frequentemente há um ano, conta que ficou atraída pelo local devido à proximidade com o Pão de Açúcar, um dos principais pontos turísticos da cidade. Moradora do bairro vizinho Botafogo, Amanda, que foi abordada pela equipe de reportagem da revista enquanto caminhava com a mãe numa manhã nublada de terça-feira, aponta a tranquilidade do lugar como fator determinante para a escolha. Mas ela acha que a pista deveria ser recapeada por causa do asfalto um tanto desgastado em alguns trechos, o que pode gerar acidentes. Se hoje cariocas como Amanda podem aproveitar esse cantinho especial do Rio, antes da década de 1980 não era assim. Marcelo Barros de Andrade, 35 anos, biólogo e gestor do Monumento Natural dos Morros da Urca e do Pão de Açúcar, unidade de conservação ambiental onde está a pista, explica que até então somente os militares podiam explorar a área. Quando e por que a pista foi aberta ao público não se sabe. O que se sabe é que a chegada de novos visitantes esbarra na falta de cuidado com a fauna e a flora locais. Lixo espalhado e alimentação de animais silvestres S Amanda Neves (à direita) usa a pista com frequência. O local, com vista privilegiada, nem sempre foi aberto ao público, era explorado apenas por militares. A proximidade com o Exército (há um forte próximo), talvez seja responsável pelo baixíssimo índice de ocorrências policiais SECOVI RIO | JanFev 2016 | no 98 9

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|lugar carioca| Quem foi Claudio Coutinho? Certamente, quando você ouve alguém falando da Claudio Coutinho, deve se perguntar quem foi a pessoa que deu nome à pista e o que ela teria feito de tão relevante para merecer a homenagem. A Revista Secovi Rio explica. Claudio Pêcego de Moraes Coutinho foi militar, preparador físico e treinador da Seleção Brasileira de Futebol e do time do Flamengo na década de 1970. Nascido na cidade de Dom Pedrito, no Rio Grande do Sul, em 1939, Coutinho se mudou para o Rio quando tinha apenas 4 anos de idade. Graduado na Escola de Educação Física do Exército, na Urca, o capitão sempre mostrou aptidão para os esportes. Em 1970, foi convidado para ser preparador físico da Seleção Brasileira de Futebol. Lá, incluiu o cooper na rotina de treinamento dos jogadores, sendo considerado um dos responsáveis pela introdução desse método no país. Em 1977, assumiu o comando técnico da Seleção Brasileira principal, cargo que ocupou até 1979. Claudio morreu no Rio de Janeiro aos 42 anos, em 1981, afogado, enquanto praticava um de seus hobbies, a pesca submarina. são dois problemas comuns. “Os micos acabam proliferando e aparecem em busca de comida, podendo morder pessoas e animais, comer ovos de pássaros e causar outros transtornos”, explica Andrade, acrescentando que as pessoas consideram o local um espaço de lazer e não enxergam como ele realmente é: uma área de conservação ambiental, de acordo com o Decreto Municipal nº 26.578/2006. Também é possível perceber que muitos não respeitam as placas indicativas que proíbem a entrada de animais domésticos como cachorros e as que impedem o uso da pista como ciclovia. A recomendação, segundo o gestor, tem como justificativa a grande quantidade de animais da floresta que podem contaminar os pets com doenças, entre elas a raiva. Já as bicicletas são proibidas a fim de evitar colisões e acidentes com os pedestres. Marcelo admite que os problemas são causados, em parte, pela carência de recursos humanos disponíveis para o monitoramento de toda a área: somente dois guardas municipais da divisão ambiental são escalados para fazer a ronda nos 1.250m de pista. O biólogo reivindica também a construção de uma sede própria. Hoje eles estão alocados na sede do Parque Estadual da Chacrinha e contam com a ajuda dos militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), que disponibilizam um local para os agentes tomarem banho e se alimentarem. Segurança militarizada Pode-se dizer que é por causa dos militares que esse cantinho escondido do Rio é considerado um dos mais seguros da cidade por seus frequentadores. Por fazer parte de uma área do Exército, com a presença inclusive de um forte – o de São João – e de homens fardados andando de um lado para o outro na Praça General Tibúrcio, a ação de meliantes é bastante tímida. Só não se pode dizer que seja nula porque durante a Copa do Mundo, em 2014, um caso de roubo foi registrado na pista. O gestor Marcelo Andrade aponta a carência de recursos humanos como um dos problemas para fiscalizar o cumprimento de regras, entre elas, o veto do acesso de pets à pista 10 SECOVI RIO | JanFev 2016 | no 98

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Há obras em curso para a conservação da pista onde Victor e Maria de Fátima apreciam a sensação de segurança: não precisam “ficar com um olho na missa e outro no padre” Perfil Endereço: Praça General Tibúrcio, Praia Vermelha, Urca Extensão: 1,25km Horário de funcionamento: Diariamente, das 6h às 18h Entrada: Gratuita Foi em busca dessa sensação de segurança que o casal Victor Manoel da Fonseca, 69, e Maria de Fátima Ferreira, 51, escolheu o local para fazer sua caminhada diária. Residentes em Botafogo, eles contam que conhecem a pista há muito tempo, e Maria de Fátima brinca em relação ao horário em que costumava praticar exercícios quando mais jovem: “Eu vinha correr às 5h da manhã e ficava vendo os vaga-lumes.” Já o marido prefere ressaltar que lá eles não precisam “ficar com um olho na missa e outro no padre, uma vez que não existe a possibilidade de arrastões”. Simpáticos, eles terminam a conversa com a equipe da revista e seguem a caminhada. Mudanças para melhor Embora a administração enfrente alguns problemas, a pista vem passando por melhorias. O vaivém de carros e máquinas é a prova de que algumas espécies invasoras – como as jaqueiras – estão sendo podadas ou retiradas. Além disso, estudos sobre a fauna e a flora da área estão sendo realizados. “No lugar das jaqueiras serão plantadas espécies nativas da região”, explica o biólogo Marcelo. Ainda bem! Segundo ele, “a população está um pouco arredia, acha que a gente vai retirar as árvores, mas temos um projeto a longo prazo no qual espécies invasoras que dificultam a proliferação do ecossistema natural serão podadas ou retiradas”. Outra melhoria que está sendo feita, mas pela concessionária que administra o bondinho do Pão de Açúcar, é a colocação de itens de segurança na trilha que dá acesso ao Morro da Urca, bem como o manejo de espécies vegetais exóticas. SECOVI RIO | JanFev 2016 | no 98 11

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|lugar carioca| Dicas para aproveitar a pista A Pista Claudio Coutinho é um ótimo lugar para quem quer estar em contato com a natureza em uma selva de pedra como o Rio de Janeiro. Mas a visitação de espaços ao ar livre requer alguns cuidados. Veja recomendações para fazer do seu day-off um momento apenas de tranquilidade e diversão: • Prefira utilizar o transporte público para chegar ao local. Existem linhas de ônibus que partem de diversos bairros da Zona Sul, do Centro, e ainda há a opção de integração metrô + ônibus. • Caso leve crianças, fique atento ao que elas estão fazendo. Mesmo não sendo uma trilha perigosa, há chances de se perderem ou se machucarem. • Não leve bichos de estimação para a trilha. Como há muitos animais silvestres, existe a possibilidade de os pets serem contaminados por fezes ou urina, ou até mesmo pela mordida de um bicho mais exótico. • Não leve bicicletas porque a pista não pode ser utilizada como ciclovia, devido ao risco de acidentes e atropelamentos. • Não alimente os animais. • Caso vá pescar, não faça buracos nas pedras para colocar os tubos de PVC que as pessoas normalmente usam para prender as varas. 12 SECOVI RIO | JanFev 2016 | no 98

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|consulte o jurídico|

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