De Biasi em Revista - Edição nº 16

 

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De Biasi em Revista - Edição nº 16

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em Revista Dezembro 2015 Edição 16 Ano IV Brincando à beira do abismo Economista Zeina Latif critica adiamento de discussões essenciais para o País Embrulho fiscal Propostas do governo oneram as empresas Outsourcing: solução estratégica para a empresa se concentrar no seu core business

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Sinais de alerta O ano termina repleto de incertezas. O rombo nos cofres públicos se aprofunda. E não há mais espaço para aumento de impostos. Como diz nossa entrevistada especial, a economista Zeina Latif, “se o ajuste não vem por bem, vem por mal”. Para Luciano De Biasi, sócio-diretor da De Biasi, o pacote do Governo Federal pode ser um “embrulho fiscal” para a economia. Em sua análise, as medidas propostas vão onerar as empresas, aprofundar a recessão e a inflação. Diante desse cenário de crise, o outsourcing se apresenta como uma solução estratégica para as empresas se concentrarem nas atividades geradoras de negócios, terceirizando áreas essenciais, mas não diretamente atreladas ao core business, reduzindo custos administrativos. Nesta edição, analisamos, ainda, o impacto da Medida Provisória nº 694 nas empresas que investem em pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica. Apesar das “embrulhadas” do Governo Federal, a determinação do empresariado brasileiro continua sendo o motor do País. Esperamos que o debate que aqui promovemos sirva de subsídio para sua tomada de decisões. Ainda assim, acreditamos que 2016 será um ano de conquistas, de superação dos desafios! Cássia Cossermeli Demarchi Sócia-gerente da De Biasi Auditores Independentes Sua participação é muito importante para o aprimoramento da De Biasi em Revista. Mande suas críticas, sua opinião e suas sugestões para revista@debiasi.com.br.

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10 Embrulho fiscal Medidas propostas pelo Governo Federal vão onerar empresas 14 Outsourcing é solução estratégica Terceirização permite que empresa se concentre no seu core business A De Biasi em Revista é uma publicação trimestral da De Biasi Auditores Independentes, com distribuição gratuita e dirigida. Tiragem de 5.000 exemplares. revista@debiasi.com.br Ex-Libris Comunicação Integrada Av. Paulista, 509, cj. 602 01311-000 São Paulo SP Tel: (11) 3266-6088 contato@libris.com.br libris.com.br Editor-responsável: Jayme Brener (MTB 19.289) Editora: Geralda Privatti Projeto gráfico e diagramação: Wilma Temin/Area Design 15 Melhores empresas Conheça as boas práticas dos clientes da De Biasi 18 Na contramão MP 694 preocupa empresas que investem em pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica 19 Notas explicativas Excessos encarecem publicação de balanços Anatoliy BabiyShutterstock

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Brincando à beira do abismo O ALERTA É DE ZEINA LATIF, ECONOMISTA-CHEFE DA XP INVESTIMENTOS. NESTA ENTREVISTA EXCLUSIVA À DE BIASI EM REVISTA, ELA AVALIA QUE O CENÁRIO PARA 2016 É DE MAIS UMA CONTRAÇÃO DE PIB. DE BIASI EM REVISTA 5

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Como chegamos à crise atual? As sementes da crise foram plantadas nos últimos anos. Houve muitos erros na gestão da política econômica. Uma lição que já deveria ter sido aprendida: não bagunce a macroeconomia. Ela cobra seu preço. O governo ignorou, sistematicamente, os sinais vitais do paciente, no caso, o desequilíbrio macro que se manifestava. Desde que o diagnóstico esteja correto, não há problema em fazer política de demanda para estimular a economia, como foi o caso da expansão fiscal, creditícia e monetária a partir de 2009. O problema foi exagerar na dose, quando já estava bastante claro que as condições da demanda eram mais que adequadas, que o mercado de trabalho já estava excessivamente aquecido e a inflação emitia sinais preocupantes. A agenda foi focada em concessão de benefícios, subsídios e proteções, quando o ideal seriam medidas horizontais para reduzir o custo Brasil. Estímulos concedidos a setores selecionados da economia não lograram o efeito esperado. Claro que não é proibido fazer políticas setoriais. Mas é necessário avaliar o custo-benefício das mesmas e estabelecer metas. Não atingidos os objetivos, a política precisa ser reavaliada ou suspensa. Boa política pública é a que tem início, meio e fim. Isso vale para estímulos à atividade produtiva, bem como para políticas sociais. O problema é que não só a estratégia não funcionou como foi contraproducente. Enfim, perdemos a política fiscal como instrumento anticíclico, pois se tentarmos conduzir expansão fiscal o efeito será contracionista. Perdemos a âncora fiscal, que é essencial para a política monetária funcionar. A política monetária está ainda menos eficaz, podendo ameaçar a ancoragem da inflação. Se o BC resolver fazer um choque de juros, poderá alimentar a inflação em vez de combatê-la, pois pressionará a já crescente dívida/PIB, elevando 6 DE BIASI EM REVISTA o risco Brasil. Poderá jogar a economia naquilo que os analistas chamam de dominância fiscal. Você pode dar um exemplo desses sinais vitais a que se refere? Nos últimos anos, o governo adotou uma agenda econômica mais intervencionista, com controle de tarifas públicas e uso intenso de políticas de estímulo e proteção a alguns setores e empresas, e optou por maior manipulação da política macroeconômica, principalmente via política fiscal e de crédito dos bancos públicos. O governo sistematicamente ignorou os sinais vitais emitidos pela economia que recomendavam mudanças na política econômica. Os sinais eram a inflação teimosa, os déficits crescentes em transações correntes e a estagnação da indústria, que sofre com margens comprimidas por conta de pressão de custos, como salários. Os sinais de que havia excesso de demanda e a inflação prejudicava o setor produtivo eram evidentes, mas foram ignorados. Desculpas foram sendo dadas, em vez de se

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O GOVERNO IGNOROU, SISTEMATICAMENTE, OS SINAIS VITAIS EMITIDOS PELA ECONOMIA, QUE RECOMENDAVAM MUDANÇAS NA POLÍTICA ECONÔMICA. OS SINAIS ERAM A INFLAÇÃO TEIMOSA, OS DÉFICITS CRESCENTES EM TRANSAÇÕES CORRENTES E A ESTAGNAÇÃO DA INDÚSTRIA O governo interferiu nos preços da energia e da gasolina, mexeu nas regras de investimento do pré-sal, concedeu diversas isenções e desonerações para setores específicos e acelerou a concessão de crédito subsidiado. Foram tantas intervenções que, agora, há muita dificuldade em retroceder, em retirar o que foi concedido. E nada disso é neutro para o funcionamento da economia. Os investimentos no setor elétrico, por exemplo, foram totalmente desestimulados. O setor de etanol quebrou. A Petrobras sofre com a má gestão da empresa na política de preços do passado. Muitos erros foram se acumulando. Não há nada, em princípio, contra o experimentalismo e ativismo estatal, mas é necessário parcimônia e cautela. Ignorar os sinais da economia e partir para o intervencionismo, com impacto perverso para as contas públicas, tem consequências de curto e longo prazo. No curto prazo, recessão e dificuldade para uma volta cíclica do crescimento. No longo prazo, baixo potencial de crescimento. Qual foi o impacto dessas políticas na inflação? Já em 2009 estava claro que não era adequado continuar com a política de estímulo à demanda. E elas foram ainda mais acentuadas por conta do ciclo eleitoral. A expansão fiscal afeta particularmente o setor de serviços e a inflação de salários, pela natureza dos gastos públicos, muito focados em transferência de renda. Para este ano, adicionou-se a chamada inflação corretiva, ou seja, ajustes de tarifas, como energia e combustíveis, em boa medida para corrigir os artificialismos e represamento nos últimos anos. Antes de atingir o orçamento das famílias, a inflação em alta já estava machucando as margens do setor produtivo. A indústria não consegue repassar a pressão de custos sobre preços finais, e os ajustes de salários ficaram incompatíveis com os ganhos de produtividade. DE BIASI BIASI EM EM REVISTA REVISTA 7 7 DE questionar a eficácia da política econômica e buscar mudar de rumo. Quais os resultados mais visíveis dessa agenda intervencionista? Do lado macroeconômico, estamos novamente discutindo temas do passado: desequilíbrio fiscal, inflação, dinâmica de dívida. Temas que pareciam superados no Brasil. A inflação acima da meta e a consequente taxa de juros de dois dígitos refletem exageros do passado. O fantasma da dinâmica explosiva da dívida ressurgiu e nos fez perder o grau de investimento da Standard & Poor’s (S&P), com todas as consequências perversas sobre a economia. Na microeconomia, os problemas gerados pelas intervenções ainda vão nos perseguir por muito tempo. Uma vez que um benefício é concedido, sua eliminação é muito difícil, pois grupos de interesse tendem a reagir. A correção das distorções microeconômicas é mais complexa que a correção de desequilíbrios macroeconômicos, e nem isso conseguimos.

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Há uma regra de ouro em economia: ajuste salarial não pode ser superior aos ganhos de produtividade. O resultado é o desestímulo à atividade produtiva. Consertar este quadro agora é mais difícil. Com ajuste fiscal insuficiente, a política monetária foi acionada. E o ajuste monetário machuca muito mais que o fiscal. O ajuste fiscal, na realidade, seria o remédio para este quadro recessivo ser superado mais rapidamente. Quais outros aspectos merecem ser ressaltados do que você chama de “herança nefasta” do primeiro mandato? Olhando mais o curto prazo, parte do aumento de despesas em 2015 reflete pagamento de compromissos passados, cujo impacto na demanda já ocorreu. É o caso de pagamento das chamadas “pedaladas”, que teriam acumulado R$ 40 bilhões até 2014. Nos últimos anos, o governo atrasou repasses aos bancos públicos que são responsáveis pela transferência de recursos de políticas públicas, como subsídios de programas habitacionais, políticas sociais e crédito agrícola. Outro elemento são os “restos a pagar”, de 4,1% do PIB, em 2014. Segundo a imprensa, 73% de gastos com investimento nos primeiros sete meses do ano foram para pagar a dívida de anos anteriores, o que totalizaria R$ 23 bilhões. O crescimento automático de gastos públicos obrigatórios foi adicionalmente alimentado nos últimos anos. Um exemplo disso foi a decisão de indexar o salário mínimo, com repercussões na previdência social e algumas políticas sociais. Aumentou a rigidez do orçamento. Finalmente, há uma preocupação com esqueletos que podem surgir, por exemplo de bancos públicos ou dívida de entes subnacionais que contaram com aval do Tesouro Nacional. Pode-se até criticar o Banco Central, mas seus erros não devem ser colocados no mesmo patamar da política fiscal. O BC sozinho não consegue conter a inflação. 8 8 DE DE BIASI BIASI EM EM REVISTA REVISTA Podemos caminhar para uma situação pior, com a perda do investment grade por outras agências, o que pode aprofundar a recessão. Além da inflação, agora temos também a preocupação com a solvência da dívida. E como você avalia as ações e reações do governo frente a esse cenário? O ajuste fiscal deste ano, ainda que importante, não foi suficiente para promover a necessária “arrumação” na macroeconomia e a volta cíclica do crescimento. Continuamos patinando. Não há convicção do governo. No final de setembro, o próprio ministro da Fazenda, Joaquim Levy, falou em ambiguidade fiscal. A falta de convicção levou a um ajuste mais fraco que o defendido por Levy. Um ajuste de baixa qualidade, que não corrige adequadamente as distorções nem a dinâmica explosiva de dívida. Teremos o ônus do ajuste, mas não o bônus. Quanto mais demorar para corrigir a macroeconomia, que seria supostamente o mais fácil, pior será. Quem vai investir no Brasil? Enviar o orçamento deficitário e sem medidas para correção e negociação no Congresso nos fez perder o grau de investimento pela S&P. Foi um grande equívoco que aprofundou a crise. E mesmo com tantos sinais emitidos pelos mercados e pelas agências, o governo foi na direção errada. SE O AJUSTE NÃO VEM POR BEM, VIA CONTRAÇÃO FISCAL, VEM POR MAL, VIA PRESSÃO CAMBIAL MAIS SIGNIFICATIVA O que falta para essas correções? Primeiramente, falta convicção por parte da presidente Dilma Rousseff. Em momentos-chave, discussões essenciais de médio e longo prazos têm sido adiadas. Estamos brincando à beira do abismo.

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Adicionalmente, o nó da política, que já era desafiador, ficou maior ainda diante na inação do governo. Ficou ainda mais difícil aprovar medidas de ajuste fiscal estrutural. Como você vê 2016? Eu temo que ações visando apenas o curto prazo possam nos comprometer. Não caminhamos para um cenário de espiral inflacionária, mas seria importante uma queda mais acelerada da inflação. O cenário para 2016 é de mais uma contração de Produto Interno Bruto (PIB). Resta saber se teremos uma inflexão da atividade econômica, se surgirão sinais de recuperação ao longo do ano. À luz das respostas da política econômica atualmente, uma volta cíclica do crescimento ao longo 2016 parece pouco provável. O problema é que a desestruturação do setor produtivo prejudica a recuperação. E a perda do investment grade adiou essa inflexão. A pressão inflacionária também preocupa, pois afasta a chance de corte da taxa de juros pelo BC ano que vem. Quais os maiores desafios para o próximo ano? O desafio para 2016 é maior que o de 2015, por conta do crescimento inercial de gastos obrigatórios (em torno de 0,15% do PIB por ano desde 2011), adicionalmente inflados pelo ajuste do salário mínimo de quase 10%, e o fim da gordura para corte nos gastos discricionários (recuo de 0,7% do PIB em 2015, segundo o governo). Muito pouco se avançou no corte estrutural de despesas. Os cortes realizados em 2015 foram os mais fáceis, tanto tecnicamente como politicamente. O debate político sobre o ajuste fiscal não parece suficientemente maduro dentro e fora do governo. Se o ajuste fiscal não for suficiente, a economia ficará mais vulnerável a crises agudas e o ajuste da economia será feito pelo mercado. Mais doloroso e mais longo. Se o ajuste da economia não vem por bem, via contração fiscal, vem por mal, via pressão cambial mais significativa. Produtividade em queda Na entrevista, Zeina Latif enfatizou a queda de ganhos de produtividade no Brasil, assinalando que estamos indo na contramão, perdendo oportunidades e comprometendo a década. O Relatório Global de Competitividade, divulgado no final de setembro pelo Fórum Econômico Mundial em parceria com a Fundação Dom Cabral, mostra que o Brasil caiu 18 posições. O País passou do 57º para o 75º lugar no ranking global, atingindo a sua pior posição em dez anos. Entre os 140 países pesquisados, o Brasil ficou abaixo de México, Índia, África do Sul e Rússia, além de estar atrás também de economias menores como Uruguai, Peru, Vietnã e Hungria. DE BIASI EM REVISTA 9

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Embrulho fiscal Medidas propostas pelo Governo Federal vão onerar empresas, aprofundar a recessão e a inflação Com o desafio de um rombo próximo dos R$ 100 bilhões em 2015 nos cofres públicos, o Governo Federal enviou um pacote de ajuste fiscal ao Congresso Nacional que, embora ainda não tenha sido aprovado, deverá provocar um grande impacto sobre as empresas brasileiras. Sem contar o fim das isenções fiscais para vários setores, o ambiente empresarial já vem sofrendo com o aumento nos custos de produção, decorrente do encarecimento das contas de insumos como combustível, energia e água. E o ajuste fiscal previsto pelo governo tornará esse ônus ainda mais pesado para as empresas. “Basicamente, vejo que essas medidas vão aprofundar a recessão e a inflação, já que parte delas consiste basicamente em aumento de tributos”, afirma Luciano De Biasi, sócio-diretor da De Biasi Auditores Independentes, que define o ajuste como “embrulho fiscal”. Segundo ele, há uma redução muito grande no faturamento das empresas, o que provoca queda de arrecadação. E o que governo está querendo fazer é compensar essa queda aumentando ainda mais a já pesada carga tributária brasileira (35,7% do PIB em 2014). O pacote fiscal do Governo Federal prevê obter R$ 64,9 bilhões para os cofres públicos. Mas a parte dos cortes nos gastos é bem menor, da ordem de R$ 26 bilhões. Já os outros R$ 43,8 bilhões seriam provenientes do aumento da arrecadação de impostos e da redução de benefícios. A maior parte dessas medidas depende de aprovação do Congresso Nacional, que tem demonstrado grande resistência a elas. O governo teve um pequeno alívio em novembro último, quando a Comissão de Cidadania, Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou a PEC 4/2015, que prorroga a DRU (Desvinculação de Receitas da União) até 2023. O mecanismo prevê o uso livre, pelo governo, de parte da arrecadação de impostos e contribuições. Mas as demais medidas do ajuste ainda estão em banho-maria; das 12 propostas para reequilibrar as contas, só uma não depende do Legislativo. NÃO HÁ MAIS ESPAÇO PARA AUMENTO DE IMPOSTOS Entre as propostas do ajuste fiscal, a medida de maior impacto é a volta da Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF) que, segundo cálculos do governo, poderia render até R$ 32 bilhões em 2016. Mas o “imposto do cheque” encontra muita resistência no Congresso e na sociedade, embora o governo o veja como tábua de salvação. 10 DE BIASI EM REVISTA

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CPMF A volta da CPMF afeta a todos, empresas e pessoas físicas. Para Luciano De Biasi, o “imposto sobre o cheque”, se for adotado como era anteriormente, afetará toda a cadeia produtiva, pois toda compra e venda de bens e serviços será onerada pela CMPF. Assim também ocorrerá com qualquer pessoa que faça uma movimentação financeira. Um contribuinte pessoa física que deposita R$ 1.000 em conta corrente e saca o mesmo valor 24 horas depois será tributado pela CPMF (0,2%), ainda que não haja qualquer acréscimo de riqueza. Assim, no resgate o cidadão terá disponível para saque o valor de R$ 998. Ou seja, estará R$ 2 mais pobre. Os bancos repassarão para os clientes os aumentos dos custos financeiros e de administração. E aqueles que tiverem mais força no mercado poderão repassar esses custos para o consumidor final. O resultado, na avaliação do especialista, é que o setor mais afetado pela CPMF será o de baixa renda. “Os produtos de necessidade primária são inelásticos e o consumidor não tem outra alternativa senão pagar. Ele não pode ficar sem comida, sem água e luz”, diz. Por tudo isso, afirma De Biasi, a CPMF é um tributo injusto. A alternativa é cortar gastos públicos Para Luciano De Biasi, em vez de aumentar a já estratosférica carga tributária, o governo deveria promover uma efetiva redução de gastos públicos. Segundo ele, não há espaço para mais tributos, já que o País vive uma retração econômica, com aumento do desemprego. E o governo não mostra muita coragem para cortar na própria carne, mas está cortando recursos de quem precisa, como o Bolsa Família, o Sistema S e o Fies (Fundo de Financiamento Estudantil). “Se o governo fizesse, com mais boa vontade, o corte dos próprios gastos, talvez a sociedade não tivesse de sofrer tanto com a perda de poder aquisitivo, que atinge inclusive a camada mais pobre da população”, finaliza De Biasi. DE BIASI EM REVISTA 11

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Reintegra O Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra) foi criado em 2011 com o fim de reintegrar valores referentes a custos tributários federais residuais existentes nas cadeias de produção das empresas exportadoras de bens manufaturados. Com o pacote, o governo quer reduzir paulatinamente de 1% até 0,1% do crédito referente ao Reintegra. Para De Biasi, haverá transferência de impostos na exportação. Adicionalmente, o governo está se aproveitando da alta do câmbio para aumentar a arrecadação. “A redução do benefício onera a exportação de manufaturados e faz com que exportemos impostos junto com os produtos, prejudicando a competitividade de nosso produto lá fora. Ao diminuir a margem de lucro das empresas que exportam manufaturados, estamos ajudando a desindustrializar o Brasil”, completa. Sistema S Entre as propostas do governo está também a transferência para a Previdência Social de recursos pagos pelas pessoas jurídicas às entidades do Sistema S. As empresas reduziriam em 30% os valores pagos a essas entidades, cuja alíquota é de, no máximo, 5,8%. Por outro lado, recolheriam mais contribuição previdenciária em 0,9%. Adicionalmente, o governo quer transferir ao Sistema S o ônus de financiar programas de inovação tecnológica. Hoje, as empresas reduzem cerca de 60% a 80% de tributos federais referente a gastos com projetos de inovação tecnológica. No pacote fiscal, o governo propõe que as empresas deduzam do valor a pagar ao Sistema S os gastos referentes a tais programas. “Na prática, é uma redução drástica do aproveitamento do benefício, já que a alíquota do Sistema S é de apenas de 5,8% sobre as verbas de folha de pagamento”, diz De Biasi. Portanto, o benefício fiscal acaba sendo reduzido, pois alonga de forma demasiada o aproveitamento do benefício fiscal que financia em parte os projetos de desenvolvimento tecnológico, principalmente aqueles que já estão em andamento, continua De Biasi. Normalmente, empresas que se beneficiam desses incentivos atuam na produção de bens e serviços de alto valor agregado e fazem convênios com universidades com o objetivo de gerar empregos e transferência de conhecimento. Juros sobre o capital próprio (JCP) Luciano De Biasi explica que, na época da hiperinflação, as empresas que tinham saldo devedor em correção monetária reduziam o risco no Imposto de Renda. Depois do Plano Real, o governo, como forma de compensar isso, criou os juros sobre o capital próprio (JCP). Como a empresa distribui o lucro entre seus sócios e acionistas, esse pagamento é tratado como despesa para fins tributários (excluído da base de cálculo do Imposto de Renda), porém, diferentemente dos dividendos, há a retenção Imposto de Renda na fonte (15%, hoje). Com o pacote fiscal, o JCP teria Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) limitada em 5% para cálculo de aumento da alíquota de 15% para 18%. “Com o aumento da tributação e a limitação de dedução dos Juros sobre o Capital Próprio o Governo Federal inviabilizando essa forma de distribuição de lucro”. Para Luciano De Biasi, “quando uma empresa paga, digamos, R$ 100 de juros de capital próprio, ela desconta IR na fonte à taxa de 15%. Mas ainda assim é mais vantajoso, porque a empresa tem uma redução combinada da base dos CSLL/IRPJ de 34%. Com a oneração dos JCP da forma proposta, será praticamente a morte dessa modalidade de distribuição de dividendos”. 12 DE BIASI EM REVISTA

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Unificação do PIS/Cofins Listados entre os tributos mais complexos e onerosos para as empresas, o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) continuam na agenda de preocupações do mercado. Agora, por conta da intensificação do debate sobre a unificação das duas contribuições. “Dado que o Governo só pensa em formas de aliviar o déficit fiscal, é grande o temor de que a unificação seja utilizada como pretexto para um forte aumento da carga tributária, principalmente do setor de serviços”, analisa Fábio da Silva Oliveira, sócio supervisor da De Biasi Auditores Independentes. Ele lembra que o governo tem perdido alguns processos administrativos e judiciais relativos às contribuições, principalmente pelo fato de o conceito de insumos para fins de desconto de créditos tributários não ser muito claro na legislação. “Os tribunais têm decidido a favor das empresas, ampliando o conceito de insumos até então defendido pela Receita Federal. Se as decisões continuarem nesse sentido, o risco de aumento no passivo tributário do governo é grande. Com isso, a unificação também seria uma oportunidade para a ampliação do direito creditório dos contribuintes, o que certamente reduziria os processos que hoje tramitam no Carf e no Judiciário”, analisa Fábio Oliveira. Diante dessa insegurança, ele aconselha que as empresas busquem seus direitos creditórios, seja pela via administrativa e/ou judicial. Fim da cumulatividade O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirma que sua intenção é reformar o sistema, acabando com a cumulatividade desses tributos e reconhecendo os créditos tributários sobre todos os insumos. Um estudo da Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis (Fenacon) conclui que a proposta de unificação pode elevar a carga tributária do setor de serviços em cerca de R$ 32,5 bilhões, 104% a mais que o valor pago atualmente. “O maior custo do setor de serviços, principalmente de profissões regulamentadas – caso de contadores e advogados ­–, é a mão de obra empregada e, hoje, esse custo não gera crédito. Se permanecer dessa forma, a mudança será muito onerosa para essas empresas”, pontua Fábio Oliveira. Atualmente, as empresas pagam por meio do sistema cumulativo alíquota de 3,65% (0,65% para o PIS e 3% para a Cofins), sem direito a qualquer crédito, e no não cumulativo 9,25% (1,65% para o PIS e 7,6% para a Cofins), com a possibilidade de descontar créditos sobre os gastos elencados na legislação. Para os especialistas, em princípio, a ideia da unificação é interessante do ponto de vista da simplificação da apuração tributária. “No entanto, além de rever o conceito de insumos dos setores em geral, é preciso uma atenção especial para o setor de serviços, uma vez que há estudos mostrando que a mão de obra representa mais de 50% do custo total dessas empresas. Tais medidas não podem ser adotadas com o objetivo de apenas aumentar a carga tributária dos contribuintes”, conclui Fábio Oliveira. DE BIASI EM REVISTA 13

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Outsourcing é solução estratégica Com a complexidade da legislação brasileira, muitas empresas, concentradas no core business, não conseguem manter as equipes administrativa e financeira atualizadas para fazer frente ao volume de exigências da Receita Federal e do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped). Além de evitar multas, por descumprimento das obrigações acessórias, a boa gestão fiscal, administrativa e contábil permite o aproveitamento dos benefícios concedidos pelo governo. “Em época de crise, toda economia de recursos é bem-vinda”, garante Cássia Cossermelli Demarchi, sócia-gerente da De Biasi, responsável pela área de Outsourcing. Acompanhar e entender o emaranhado da legislação tributária e fiscal demanda investimento. Por isso, o outsourcing passa a ser uma solução estratégica. “A terceirização de áreas essenciais da empresa, mas que estão fora de seu core business, permite que o gestor dedique total atenção às atividades geradoras de negócios”, acrescenta Cássia Cossermelli. Segundo ela, a De Biasi estuda a estrutura da empresa para oferecer um outsourcing adequado às necessidades de cada cliente. “Podemos assumir a gestão contábil, fiscal, tributária, trabalhista e financeira da empresa ou desenhar um outsourcing específico, exclusivo. Mas sempre trabalhamos em sintonia com as equipes internas”, explica a sócia da De Biasi. “Além de realizar o processamento da contabilidade em conformidade com as normas, também geramos e entregamos as obrigações acessórias, atendemos a todas as ações de fiscalização e efetuamos integralmente o processamento do Sped. Geramos, revisamos e enviamos a ECF, a ECD e a EFD”, diz Cássia Cossermelli. 14 DE BIASI EM REVISTA Segundo ela, o outsourcing completo oferece, adicionalmente, o benefício da total integração das áreas administrativa, fiscal e contábil da empresa. “Geramos relatórios completos para que o gestor possa ter subsídios para a sua tomada de decisão, seja de corte de custos ou para definir investimentos. Quando estamos de fora normalmente temos maior visibilidade para corrigir as falhas e propor estratégias mais eficientes”, afirma. Tecnologia com expertise Pior do que não ter tecnologia é trabalhar com um sistema ERP mal parametrizado. “Muitos clientes nos contratam para acompanhar a implantação de seus sistemas, porque raramente os consultores são especializados nem têm nossa expertise específica para parametrizar atendendo às exigências das normas contábeis e da legislação tributária e fiscal”, explica a sócia da De Biasi, que em trabalhos de revisão, já detectou erros graves. “Mesmo em empresas de grande porte, não é raro nos depararmos com obrigações acessórias do Sped enviadas totalmente em branco ou que simplesmente não foram enviadas. Além das multas por atraso na entrega, as empresas ainda correm o risco de autuações em razão da inconsistência das informações”, diz. Ela esclarece que a De Biasi pode trabalhar com seu próprio sistema ERP ou se integrar ao do cliente. “Se a empresa não quiser comprar um sistema, pode usar o nosso. E podemos também parametrizar os sistemas da empresa”, conclui a sócia.

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Melhores empresas para trabalhar Conheça as boas práticas de RH dos clientes da De Biasi Integrar o primeiro time das empresas quando o assunto é Recursos Humanos não é fácil. Exige empenho e o compromisso com práticas de boa governança. Mas, com certeza, é recompensador. Além de garantir a perpetuação da empresa, sua sobrevivência em um mercado globalizado e cada dia mais competitivo, a boa gestão em Recursos Humanos também resulta em reconhecimento. Tanto por parte dos funcionários, que permanecem nas empresas onde são bem tratados, como por parte do mercado. É o caso de vários clientes da De Biasi, listados entre as melhores empresas para trabalhar pelo Instituto Great Place to Work (GPTW) e pela revista Você S/A. Listada pelo 16º ano seguido no ranking da GPTW, a Monsanto procura, “antes de tudo, cuidar dos funcionários por meio de programas e políticas que visam não somente o desenvolvimento técnico e comportamental, mas também direcionam ações de qualidade de vida, saúde, bem estar e clima organizacional”, nas palavras de Débora Conde, gerente de Recursos Humanos da Monsanto de São José dos Campos. “Nossa missão é produzir mais, conservar mais e melhorar vidas. Figurar no ranking das melhores para se trabalhar confirma que estamos sendo assertivos no engajamento dos nossos funcionários para essa missão”, diz. Listada pelo terceiro ano consecutivo entre as 150 Melhores Empresas para Trabalhar revista Você S/A, a Campo Limpo adota práticas diferenciadas de gestão de RH. “Desde a criação, a empresa mantém um programa de benefícios e comunicação. Nosso RH fica aberto para todo tipo de atendimento das 8h às 22h, de segunda a sexta-feira. Ou seja: independentemente do turno, o funcionário recebe atendimento e suporte”, explica Marcel Araújo, gerente de Controladoria e Recursos Humanos da Campo Limpo, empresa que integra o Sistema Campo Limpo de logística reversa de embalagens de defensivos agrícolas, gerido pelo Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV). DE BIASI EM REVISTA 15

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