Jornal Sabiá nº91

 

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Dezembro 2015

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dário len co ca c le ionável SA B 90 N Propriedade da Casa do Brasil - Distribuição Gratuita - Dezembro 2015 / Janeiro 2016 - Nº 90 Sabiá IÁ Vem ! r a ç n da Foto por Aline Camargo Gafieira, Bolero e Forró na Casa do Brasil de Lisboa - pág. 8 a ediçã es t o

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Sabiá nº90 Dezembro (2015) / Janeiro (2016) Distribuição gratuita www.casadobrasil.info Jornal Sabiá ÍNDICE: Editorial............................................ 2 A história da Casa do Brasil ..............3 Aconteceu na CBL .......................... 4 Radar PT-BR .................................... 5 Imigração e cidadania ...................... 6 Emprego & Formação...................... 7 Nesta casa tem! ..................................8 Programação cultural ........................9 Calendário (Dez./Jan. 2016) ......10 e 11 O que vem de lá ..............................12 Especial ............................................13 Nossa língua lusa ............................14 História ............................................15 Diário de uma mochileira ................16 Passeio gastronômico ......................17 Espaço do leitor ..............................18 Cultura no nosso bairro ....................19 Editorial: Neste número de final de ano, o seu Jornal Sabiá chega, como sempre, recheado de assuntos interessantes para a comunidade brasileira residente em Portugal. Para além de artigos sobre temas sempre relevantes nas seções Imigração e Cidadania e Emprego e Formação, esta edição traz para você muitas outras novidades. Por estas convergências fortuitas que às vezes ocorrem, os pernambucanos estão marcando presença neste Sabiá mais do que qualquer outro gentílico brasileiro. Todos recifenses, Lenine é o mais conhecido. Aproveitamos a passagem do músico por Lisboa e fomos ter com ele um bate-papo exclusivo que você encontra na nossa seção Especial desta edição. Os outros filhos do Leão do Norte que ilustram nossas páginas deste número são Marlon Rodrigues e o Mestre Hugo Leonardo. O primeiro imigrou para Lisboa há pouco tempo e forma com a esposa capixaba Livia um duo profissional de dançarinos que está ensinando sua ginga brazuca em aulas animadas na Casa do Brasil; o segundo é o conhecido líder de um grupo de maracatu pernambucano que esteve de passagem pela Europa em outubro compartilhando conhecimento e tocando com outros coletivos do gênero baseados em diversas cidades do continente europeu. Convidamos você a conhecer essas histórias nas páginas a seguir. E é claro que o Natal não iria passar em branco. Além de um texto interessantíssimo sobre as tradições natalinas portuguesas, este Sabiá traz uma pequena lembrança encartada para você: um calendário colecionável! Boa leitura, boas festas e nos vemos em 2016! ............................ FICHA TÉCNICA: MISSÃO: Informar e esclarecer a comunidade imigrante de Portugal com notícias, notas, reportagens e conteúdos que sejam relevantes para o melhoramento do seu bem viver nos aspectos cultural, social e de cidadania. VISÃO: Ser o principal canal de divulgação das ações e iniciativas da Casa do Brasil de Lisboa, alcançando toda a comunidade imigrante residente em Portugal. VALORES: Todo o conteúdo do Jornal Sabiá é produzido com responsabilidade, discernimento, isenção e dedicação. Direção: Diretor: Fabricio Soares Diretor Adjunto: Patrícia Brederode Design Gráfico: António Moita Propriedade: Casa do Brasil de Lisboa Número de contribuinte: 502690321 Editor: Casa do Brasil de Lisboa Sede de redação: Casa do Brasil de Lisboa Número de registo no E.R.C.: 126690 Periodicidade: Bimestral Tiragem: 5.000 exemplares A Casa do Brasil de Lisboa é uma associação de imigrantes que presta apoio à comunidade brasileira em Portugal desde 1992. Lutamos diariamente pela igualdade de direitos de todos/as os/as imigrantes. Tornar-se sócio/a da CBL significa garantir a continuidade da nossa missão mas, principalmente, tornar-se ativo/a no exercício da sua cidadania. Conheça e participe das nossas atividades! ............................ Colaboraram neste número: Carlos Henrique Vianna, Patrícia Brederode, Sofia Fernandes, Lina Moscoso, Ana Karin Portella, Dário Lima, Rita Alho, Cyntia de Paula, Martha Tavares, Larissa Bezerra, Maria do Céu Carvalho Dias, Dewis Caldas, Lívia Barreira, Mabel Cavalcanti, Patrícia Peret, Lithales Soares, Ana Carolina, João Fotojonic CONTATOS: Morada: R. Luz Soriano, nº42, Bairro Alto, Lisboa Mail: jornalsabia@gmail.com Publicidade: jornalsabia@gmail.com Site: www.casadobrasil.info Telefone: 21 3400000 / Fax: 21 3400001 Participe no nosso jornal Colabore conosco nas nossas edições bimestrais. Envie as suas sugestões, ideias, ilustrações, fotos, videos. Fique à vontade para contribuir e deixar a sua marca. Colabore com a Casa Faça parte do nosso grupo de voluntários, ajudando a comunidade brasileira em Portugal. A CBL orgulha-se do seu grupo de voluntários. Só com a ajuda dos voluntários podemos avançar com os nossos projetos e atividades. O jornal Sabiá, o nosso portal e as nossas festas são exemplos disso. Torne-se voluntário, junte-se a nós! Mande o seu currículo para: gip.cbl@casadobrasildelisboa.pt

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A história da Casa do Brasil Por Carlos Vianna (orgulhoso co-fundador da CBL) Parte IV Sabiá nº90 - Dezembro / Janeiro Distribuição gratuita www.casadobrasil.info 3 Cronologia de um projeto de cidadania: 1997 “A minha pátria é onde não estou.” (Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa) Vamos avançar alguns anos e chegar em 1997, quando a CBL, juntamente com o Centro de Estudos das Migrações do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UNICAMP, dirigido pela saudosa Prof.Drª Bela Feldman Bianco, planejaram e realizaram com a ajuda inestimável do Consulado-Geral de Lisboa e de seu então Conselho de Cidadãos o I SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A EMIGRAÇÃO BRASILEIRA, nos dias 22 a 24 de outubro. Este Simpósio, o primeiro de caráter internacional sobre um fenômeno ainda relativamente recente e que interessava a um reduzido número de investigadores na época, foi um marco, tanto para a chamada “Academia”, como para as relações entre a CBL, outras entidades de emigrantes brasileiros e o Estado. Tivemos a sorte de encontrar no então ministro João Almino, Cônsul-geral em Lisboa, um entusiasta da ideia e um dinamizador do Conselho de Cidadão. De fato, João Almino e Sérgio Palazzo, cônsul na época do Acordo Lula, em 2003, foram de longe os melhores cônsules que tivemos em Portugal nos últimos 20 anos. Sem demérito dos demais, obviamente. Ao Acordo Lula já chegaremos nos próximos capítulos. Este Simpósio foi organizado na base de muito voluntariado e alguns pequenos apoios financeiros de empresas e entidades representadas no Conselho de Cidadãos, que permitiram trazer investigadores e líderes comunitários brasileiros de países tão diversos como Japão, Canadá, Suíca, Bélgica, Estados Unidos e outros, além do Brasil. A Fundação Arpad-Szènes, com a ajuda de sua diretora e membro do Conselho de Cidadãos, a Dra., Yvone Cunha Rêgo, cedeu-nos o seu magnífico auditório. Do Brasil, após muita insistência minha, a Câmara dos Deputados mandatou a Deputado PT Sandra Starling, para representar o Poder Legislativo. Sua participação foi brilhante. A Assembleia da República porsempre em plenário, abordando a situação em vários países de, como Japão, Paraguai, Estados Unidos, Canadá Portugal, Suiça, Bélgica, as questões econômicas e as remessas, as legislações no Brasil e em outros países, a necessidade dos emigrantes serem tidos em consideração nas políticas públicas brasileiras. O Simpósio foi um enorme sucesso e desencadeou outras iniciativas semelhantes no Brasil. Ao final dos trabalhos e na festa de confraternização o clima era de euforia. O Simpósio significou um salto de qualidade no respeito granjeado pela Casa do Brasil antes as autoridades e o mundo acadêmico. A relação da CBL, com uns e outros só se intensificou a partir de então, com frutos visíveis em prol dos emigrantes brasileiros, em Portugal e no mundo. Não posso deixar de lembrar as palavras do então Embaixador Jorge Bornhausen na abertura dos trabalhos, que foram mais ou menos assim: “Quando o Carlos Vianna veio me apresentar a ideia do Simpósio confesso que achei que era “muita areia para o caminhãozinho da Casa do Brasil”. Faço autocrítica, vendo a representatividade e a força deste Encontro. Parabéns à Casa do Brasil e demais sorganizadores...” E assim, fica aqui a história muito resumida do que foi um evento marcante para a emigração brasileira sem qualquer imodéstia. P.S.: Aos que se interessarem por mais informações sobre o Simpósio, temos na Biblioteca da CBL a gravação em vídeo do mesmo. Leia as partes anteriores da História da Casa do Brasil no Facebook do Jornal Sabiá tuguesa foi representada pela Dep. Celeste Correia, a única líder imigrante em Portugal a ser deputada por vários mandatos. O MREbrasileiro e o governo português estiveram igualmente representados pelo Embaixador Lúcio Amorim e pelo Alto Comissário para a Imimigração e Minorias Étnicas, José Leitão, amigo da Casa do Brasil de primeira hora. Foram feitas 35 apresentações em dois dias,

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4 Sabiá nº90 - Dezembro / Janeiro Distribuição gratuita www.casadobrasil.info Aconteceu na Casa do Brasil distribuir documentários Bazar da Casa promove dois dias de interação  Como produzir e Por Lívia Barreira Turismo e a fonoaudióloga levam o seu trabalho para eventos diversos por meio da Senhora Tapioca, pequena empresa que elas recém-lançaram na capital lisboeta. Com apenas 13 anos de idade, mas já mostrando um talento imenso para as artes culinárias, o chefe Pedro Duarte também esteve no evento apresentando os seus quitutes. No menu estiveram tarte de brigadeiro, quiche de gorgonzola com cebola e azeitonas, tarte de limão, brownie de chocolate e cocada de forno. No dia a dia, o menino concilia seus estudos com as encomendas. Ainda no sábado, o bazar contou com uma seleção sonora do DJ Matheus Puertas, que colocou o seu set e animou os presentes. “Achei uma experiência muito bacana, fiz novos amigos e tive espaço para mostrar o meu trabalho”, afirmou ele, que mudou-se com a família para Lisboa a 2 meses. Também no sábado foi dia de um almoço típico brasileiro: feijoada. A receita foi aprovada, assim como o caldinho de feijão e o bolo de rolo de sobremesa (iguaria típica pernambucana, com recheio de goiaba). “É sempre bom ver a Casa movimentada. A associação é feita pelos sócios e amigos. Ao longo destes 23 anos de existência a Casa do Brasil ficou conhecida por ser um ponto de encontro da cultura brasileira, um lugar para se conviver”, comentou o presidente da Casa do Brasil, Fabrício Soares. E o bazar foi realizado justamente em um espaço no piso térreo da instituição, com porta aberta para a Travessa dos Fiéis de Deus e Rua Luz Soriano. Isso permitiu uma maior integração também com os transeuntes pelo local. “Em breve, teremos mais novidades para este espaço, adianto que irá ficar ainda mais aconchegante, bonito e vivo”, complementou Fabrício Soares.  Então, que venham os próximos eventos! Ofertas para todos os gostos Dois dias de muita interação, oportunidade para adquirir artigos em segunda mão a preços simbólicos, rever e fazer amigos, curtir uma boa música, deliciar-se de poesia e gastronomia brasileira. Assim foi a 2ª edição do Bazar da Casa, realizado nos dias 13 e 14 de novembro, na Casa do Brasil de Lisboa. No primeiro dia do evento, a poetisa, cantora e arte educadora Mabel Cavalcanti, ao lado do arquiteto e também poeta Edilson Mota, usaram dos versos de  Vinícius de Moraes, Fernando Pessoa, Patativa do Assaré, Manuel Bandeira, Cecília Meireles, Florbela Espanca, Chico Buarque, dentre outros consagrados autores para presentear a todos com bela música para a alma. “Me sinto honrada em participar. Isso tem que acontecer mais vezes. Acho até que poderia virar um projeto fixo da instituição”, destacou Mabel. Entre um poema e outro, ela e Edilson estiveram acompanhados pelo saxofonista português, Bernardo Soares, que mostrou aos presentes ser exímio conhecedor da Bossa Nova brasileira. Do alto da Sé, em Olinda, para o Bairro Alto, em Lisboa. A tapioca, iguaria tipicamente nordestina integrou o cardápio do evento. As sócias Viviane Souza e Dalva Lucena, respectivamente, dos estados de Pernambuco e Paraíba, colocaram a mão na massa e capricharam na receita com recheios diversos de queijo com fiambre, frango com catupiry, goiabada com queijo e banana com nutella. A doutoranda em Dia 9 de dezembro, a Casa do Brasil apresentou uma Mostra de Documentários dos filmes produzidos pelos aluno do curso "Como produzir e disctribuir documentários", que começou em outubro, ministrada pelo jornalista brasileiro Dewis Caldas, realizador da Maranhas Filmes. De forma teórica e prática, dividídos em dez aulas semanais - às quartas-feiras, o curso iniciou com uma introdução ao pensamento documental, destacando o processo cinematográfico ao longo das décadas, partindo em seguidas para os conceitos de pré-produção, produção, decupagem, roteiro, direção e distribuição de um filme. Durante as aulas, os novos realizadores foram desafiados a gravar um documentário, de tema livre, com um limite de dez minutos. Em Janeiro se iniciam novas turmas. 5ª Marcha pelo Fim da Violência Contra as Mulheres A Casa do Brasil participou no dia 25 de Novembro da 5ª Marcha pelo Fim da Violência Contra as Mulheres, organizada pela UMAR (União de Mulheres Alternativa e Resposta), que mobilizou diversas organizações em Lisboa. Foram centenas de pessoas a quebrar o silêncio! O dia 25 de Novembro foi proclamado pela ONU, em 1999, o Dia Internacional Pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres. Colaboraram no Bazar: Senhora Tapioca (Facebook: Senhora Tapioca / 915 379 871) Chefe Pedro Duarte (Facebook: P Gourmet / 926 659 447) DJ Matheus Puertas (Facebook: Matheus Puertas / 911 071 831) Cantora Mabel Cavalcanti (Facebook: Mabel Cavalcanti / 929 116 046) Bolo & CIA - Sabores do Brasil (929 116 046)

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Radar PT-BR Tragédia em Mariana Luaty Beirão Pessoas mortas, desaparecidas e desabrigadas, casas destruídas, rios poluídos por toneladas de lama contaminada por resíduos de minério e consequente corte no abastecimento de água em centenas de residências. Este é o trágico saldo do desastre ambiental causado pelo rompimento de duas barragens da mineradora Samarco no dia 5 de novembro em Mariana, cidade a cerca de 130km de Belo Horizonte, em Minas Gerais. A Samarco tem como uma das donas a gigante brasileira exploradora de minérios Vale do Rio Doce. O Ministério Público de Minas Gerais está conduzindo uma investigação para apurar as causas e atribuir as responsabilidades pelo rompimento das barragens. Foi oficialmente confirmada a ocorrência de tremores de terra de baixa magnitude minutos antes do colapso das barragens, mas ainda é incerto se existe relação entre os sismos e a tragédia. Até a publicação deste Sabiá a Samarco já havia recebido uma primeira multa de R$250 milhões e tido suas atividades temporariamente suspensas. Uma das barragens que vieram abaixo operava com a licença de funcionamento vencida desde maio de 2013. Sabiá nº90 - Dezembro / Janeiro Distribuição gratuita www.casadobrasil.info 5 As Contas do Cunha Ascenção e queda Terminou em 27 de outubro a greve de fome de 36 dias do rapper e ativista, lusoangolano, Luaty Beirão. Preso em Angola sob a acusação de levar a cabo atos preparatórios para uma rebelião e para um atentado contra o presidente angolano. Beirão exigia aguardar o seu julgamento em liberdade, o que não aconteceu. Uma visita feita ao ativista pelo embaixador português, no período de privação alimentar, foi entendida pelo governo de Angola como apoio ao ato e gerou reações negativas em autoridades daquele país. O julgamento teve início em 16 de novembro e até o fechamento desta edição ainda não havia previsão de término. Beirão continua preso junto com outros 14 ativistas réus no mesmo processo. Já que dizem que memória de eleitor é curta, estamos aqui para lembrar: no começo de outubro, foi descoberta pelo Ministério Público da Suíça uma conta bancária com 5 milhões de dólares ligada a Eduardo Cunha, o (ainda) presidente da Câmara dos Deputados do Brasil. Em março deste ano, quando interrogado na CPI da Petrobras, o político do PMDB fluminense havia negado a existência em seu nome de “qualquer tipo de conta em qualquer lugar que não seja a conta que está declarada no meu Imposto de Renda”, em suas próprias palavras. Enquanto as autoridades suíças sustentam ter provas de que a origem do dinheiro é ilícita, o processo de cassação contra Cunha na Câmara desenrola-se naquela morosidade parlamentar de que só os funcionários do Congresso brasileiro são capazes. Corinthians Privatização da TAP Hexacampeão Com 36,83% dos votos nas Eleições Legislativas de 4 de outubro, a coligação Portugal à Frente (PaF), do ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, foi a sigla vencedora do escrutínio, embora não tenha conquistado maioria absoluta de deputados no Parlamento nem logrado a permanência de seu líder no poder. Passos Coelho tomou posse em 30 de outubro e, em 24 de novembro, o presidente Cavaco Silva indicou o oposicionista António Costa, líder do Partido Socialista, para primeiro-ministro. O PS havia ficado em segundo lugar na votação de outubro, mas num acordo com o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista, angariou apoio político e levou seu secretário-geral ao cargo mais alto do Parlamento português. O governo português deu mais um passo rumo à privatização da TAP em 12 de novembro, ao assinar a autorização final que legitima a venda de 66% da companhia aérea. David Neeleman, dono da aérea brasileira Azul, encabeça o consórcio que ficará com 61% das ações da empresa no final do processo. Os outros 5% serão vendidos aos trabalhadores da própria transportadora aérea portuguesa. O Partido Socialista segue tentando travar as negociações. Este ano, o Corinthians mostrou mais uma vez que a alcunha de “Todo Poderoso Timão” é, de fato, um ex-líbris merecido. Ao empatar em 1 x 1 com o Vasco no dia 19 de novembro, a equipe do Parque São Jorge garantiu com três rodadas de antecipação seu sexto título do Campeonato Brasileiro. No jogo seguinte, quando foi feita a entrega da taça de campeão, o time ainda enfiou avassaladores 6 x 1 no arquirrival São Paulo. O Timão terminou a competição com mais do que o dobro do saldo de gols do vice-campeão Atlético-MG e com o melhor ataque do campeonato.

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6 Sabiá nº90 - Dezembro / Janeiro Distribuição gratuita www.casadobrasil.info Imigração e cidadania Autorização de Residência para Ensino Superior: o que preciso saber? E outras novidades… Se está pensando em fazer um curso superior em Portugal, seja licenciatura ou pós-graduação, mestrado ou doutorado, vai precisar saber algumas informações sobre a regularização dos estudantes por cá… A necessidade do visto de estudos é uma das primeiras dúvidas. Brasileiros/as podem entrar em Portugal sem visto prévio, para fins de turismo, mas a Lei da Imigração (Lei nº 23/2007, de 4 de julho) prevê que se a finalidade for estudo, a pessoa interessada deverá solicitar previamente o visto no consulado português do seu país de origem. Apenas excecionalmente o/a estudante poderia pedir a autorização de residência para essa finalidade sem o visto prévio. Assim, era corriqueiro que os/as estudantes viessem a Portugal sem visto – como turistas - e, após concluídos os procedimentos de matrícula, fizessem diretamente o pedido de autorização de residência junto aos Serviços de Estrangeiros e Fronteiras – SEF. A exceção se justificava principalmente pelo tempo que os consulados demoram para emitir o visto de estudos e, em grande parte dos casos, não permitia que o/a estudante conseguisse pedir e ter emitido o correspondente visto antes do início das aulas. Contudo, em abril de 2015 o SEF adotou novo procedimento interno, diga-se: sem que tenha havido qualquer alteração na lei – e passou a recusar a receção de processos de autorização de residência para ensino superior sem o prévio visto de estudos. Nesses casos, o SEF indica que a pessoa prorrogue a permanência por até duas vezes antes de admitir a entrega do processo de autorização de residência. Primeiramente, a eventual recusa da receção do processo não parece legítima, seja perante os casos em que a excecionalidade efetivamente se justifique, seja porque também acaba por violar o direito geral do/a particular dirigir-se à administração pública e ter uma decisão formal, ainda que negativa. Mais, somente a autorização de residência confere ao/à estudante a possibilidade de trabalhar durante o período de estudos ou circular pelo Espaço Schengen passados os 90 dias iniciais. A prorrogação da permanência não lhes confere essas prerrogativas. E o que será preciso para ir ao SEF prorrogar a permanência ou solicitar autorização de residência para estudos superiores? Precisará apresentar os seguintes documentos, em qualquer dos casos: Passaporte válido; Comprovativo de rendimentos que garantam a permanência ou termo de responsabilidade de terceira pessoa; Comprovativo de alojamento ou morada; Seguro de saúde ou CDAM/PB-4. No caso de prorrogação de permanência, ainda terá que apresentar, além dos gerais: - Reserva de passagem ou passagem (a partir da 2ª renovação) de regresso; Exposição dos motivos que justifiquem a permanência. E no caso de pedido de autorização de residência, deverá apresentar, além dos gerais: - Comprovativo de matrícula no estabelecimento de ensino e do pagamento das propinas devidas até a data; Antecedentes criminais do país de origem. Patrícia Ribeiro Peret Antunes Advogada – OA 51054L / OAB-RJ 164970. peret@peretpiresadvogados.com Centro de Apoio Jurídico e CAJ Itinerante (CAJ) A Casa do Brasil oferece aos seus associados*, desde há muito, apoio jurídico gratuito. Recentemente, em parceria com a Câmara Municipal de Odivelas e com a AMOVALFLOR – Associação de Moradores do Bairro Vale do Forno, passou a oferecer apoio jurídico gratuito a imigrantes em geral**, também em Odivelas. • Direitos e deveres dos/as imigrantes; • Permanência em Portugal (autorização de residência); • Nacionalidade portuguesa; • Direito do trabalho; • Direito da família (casamentos, divórcios, responsabilidades parentais…); • Entre outros… * Somente para associados, não representativo e em caráter extrajudicial. ** Somente para nacionais de outros países que não portugueses/as, não representativo e em caráter extrajudicial. LOCAIS E HORÁRIOS DE ATENDIMENTO: (com marcação prévia): CASA DO BRASIL DE LISBOA Sextas-feiras, das 17-20hs. Telefone: 213 400 000 AMOVALFLOR Rua da Escola, Lote 308, Vale do Forno - Odivelas Terças-feiras (na 2ª e 4ª semanas do mês), das 14 às 17hs. Telefone: 219 333 001 Gabinete de Orientação e Encaminhamento O GOE da Casa do Brasil presta informações e apoio nas mais diversas questões relacionadas com a integração e o exercício da cidadania dos/as imigrantes em Portugal. Como por exemplo: - Regularização; - Acesso a saúde, educação e habitação; - Nacionalidade Portuguesa; - Direitos e Deveres em Portugal; - Marcação para o SEF e Consulado Geral do Brasil em Lisboa; - Encaminhamentos para entidades parceiras; - Entre muitos outros. O gabinete funciona nos dias úteis das 14h às 20h na sede da associação. Serviço sem marcação prévia. O Grupo Acolhida da Casa do Brasil de Lisboa é uma atividade permanente que tem como objetivos a troca de experiências entre imigrantes, a partilha de conhecimentos dos direitos e deveres em Portugal, o exercício da cidadania, o combate ao isolamento e a valorização da trajetória de vida. Os encontros são quinzenais. Participe! O Grupo é moderado por Cyntia de Paula - Técnica da Casa do Brasil e Mestre em Psicologia Comunitária. Mais informações: Email: acolherintegrar@gmail.com Telefone: 213400000

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Emprego & Formação Serviço de recrutamento gratuito para empresas O Gabinete de Inserção Profissional (GIP) Casa do Brasil de Lisboa oferece serviços gratuitos de recrutamento para empresas e de apoio na procura ativa de emprego e formação para cidadãos nacionais e imigrantes (principalmente lusófonos) residentes em Portugal. Os utentes, na maioria brasileiros, que recorrem aos serviços do gabinete apresentam habilitações, competências e experiências profissionais muito variadas, aptos para exercer diferentes atividades no mercado de trabalho. Dessa forma, o GIP Casa do Brasil vem estabelecendo parcerias com diversas empresas na divulgação gratuita das ofertas de emprego e no encaminhamento de candidatos. O gabinete funciona no âmbito de um protocolo de cooperação entre o Alto Comissariado para Migrações (ACM) e o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP). As empresas interessadas em obter mais informações sobre esses serviços podem entrar em contato com o setor através do e-mail: (gip.cbl@casadobrasildelisboa.pt). Para divulgação de vagas de emprego, basta enviar por e-mail o anúncio com a descrição da oferta, os requisitos necessários, contato e prazo para o envio de candidatura. Sabiá nº90 - Dezembro / Janeiro Distribuição gratuita www.casadobrasil.info 7 Comunicação eficaz na busca ativa de emprego Por Sofia Fernandes A comunicação implica certos comportamentos onde os indivíduos se tornam eles próprios instrumentos de comunicação. Esta é bastante importante pois o comportamento das pessoas vai de encontro às necessidades que estes possuem e fornece a informação essencial na altura da tomada de decisão. Sendo assim, a comunicação deve ser completa e correta por parte do emissor (quem envia a mensagem). Para que o receptor (quem recebe a mensagem) compreenda a mensagem (o conjunto de informações transmitidas utilizando-se um canal, como a fala, email, telefone, redes sociais, rádio, tv, etc.) passando a agir de acordo com aquilo que percepciona. Há determinados fatores que bloqueiam a comunicação (verbal e não verbal) e que tornam ainda mais difícil a árdua tarefa na procura de emprego. Confira as dicas a seguir que podem facilitar a compreensão da mensagem no processo comunicacional: - Não cruze os braços - Não ponha as mãos na cintura ou nos bolsos - Não tape a boca com as mãos - Tenha uma boa dicção, usando correta mente as palavras e a sua pronúncia - Dê feedback - Olhe de frente demonstrando confiança e frontalidade - Centre a comunicação no presente e no receptor - Exprima a necessidade de querer saber mais sobre o assunto ao mesmo tempo que deve evitar “sobrecargas” de informação - Evite “sonhar acordado” - Demonstre competência e experiência, evidenciando conhecimentos que tem - Use um tom de voz pausado, claro e dinâmico - Esforce para ser um bom ouvinte e respeite o tempo de “antena” da outra pessoa - Tente adaptar a mensagem e usar uma linguagem adequada Recorde que deve existir um ambiente de confiança mútuo pois quando entramos em contato com o próximo não partilhamos apenas informações mas também criamos uma relação com a pessoa. Atualmente, no mercado de trabalho é fundamental desenvolver a capacidade de saber comunicar-se, fazer entender-se, destacar-se de outros candidatos, demonstrando que somos a pessoa certa para aquela vaga. Sofia Fernandes Mestre em Serviço Social pelo ISCTEIUL, é formadora certificada pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) e Facilitadora em Educação Não Formal. E-mail: sofiafernandes@gmail.com Gabinete de Inserção Profissional (GIP) O Gabinete de Inserção Profissional (GIP) da Casa do Brasil de Lisboa presta apoio a jovens e adultos na definição ou desenvolvimento do seu percurso de inserção ou reinserção no mercado de trabalho, na procura de emprego e/ou de formação e iniciativas voltadas para o empreendedorismo. Além disso, colabora com empresas através de divulgação de ofertas de emprego e encaminhamento de candidatos para processos seletivos. O gabinete faz parte de um projeto intitulado Rede GIP Imigrante (RGI), fruto de uma parceria entre o Alto Comissariado para Migrações (ACM), o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) e Associações de Imigrantes (ONG’S e IPSS). O atendimento no GIP é presencial e gratuito, mediante marcação prévia. Informações: gip.cbl@casadobrasildelisboa.pt

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Nessa casa tem! Samba de gafieira, bolero e forró Por Ana Karin Portella Passo 1: Preparação Quando teve contato com a dança, foi como um novo começo para Marlon Rodrigues, pois pela sua percepção, a experiência se compara ao aprendizado de andar. Aos 12 anos entrou para o Ballet Popular do Recife, e conheceu a dança popular, como o frevo. E gradativamente a dança foi tomando espaço em sua vida até se dedicar inteiramente a ela. “Eu escolhi levar a vida dançando. Quem não conhece a dança, tem apenas os pés no chão. Já quem dança, desliza”, diz ele, que nessa arte já são doze anos de dedicação. Quando tinha 19 anos, recebeu convite de Jaime Arôxa para fazer uma audição com mais de 500 pessoas. O conceituado professor, bailarino e coreógrafo estava em sua cidade e se encantou com a performance de Marlon. Ficou em 6º lugar e então foi chamado para fazer parte da Companhia de Dança Jaime Arôxa. Com a Cia, ficou seis meses na Alemanha apresentando o espetáculo Viva Brasil, no ano de 2003. Quando retornou ao Brasil, se instalou no Rio de Janeiro estudando a dança de salão na Escola de Arôxa. Marlon se sobressaiu entre os alunos e com pouco tempo se tornou professor. Também fez teatro, o que lhe deu a oportunidade de atuar, já que para dançar a dança de salão, é preciso toda uma encenação. Com uma boa bagagem, Marlon foi para o interior do Rio de Janeiro, Cabo Frio, e lá formou sua própria escola de dança. Passo 2: Tirar a Dama Desde criança, quando ainda morava no Espírito Santo, estado em que nasceu, que Livia Oliveira carrega o gosto pela dança. Aos 10 anos foi morar com a família em Cabo Frio, RJ, onde participava de concursos infantis. Quatro anos depois, entrou para a escola de dança e aprendeu a dança de salão. Em 2010, foi para a capital fazer o curso de professor na Escola de Jaime Arôxa e permaneceu lá por um ano. Voltou para Cabo Frio no ano seguinte, quando conheceu Marlon em um encontro para além da dança. Próximo passo: Dança em par O casal iniciou, em 2011, a parceria tanto na Escola de Dança de Marlon Rodrigues, quanto nas apresentações pelo Rio de Janeiro e Região dos Lagos. Os dois ensinaram na cidade por quatro anos, com uma média de aproximadamente 300 alunos por ano. Também criaram o espetáculo Sentimentos, com direção e coreografia de Marlon e produção de Livia, em bailes e salões. Segundo eles, o principal objetivo é fazer com que as pessoas sintam a dança, se apaixonem por ela. “A dança não consiste só em movimentos, tem muita coisa além de dançar. Não é só execução dos passos. Quando se desbloqueia a falta de coragem de dançar, surge uma alegria constante. Além disso, é uma forma de terapia, de convívio social e de trabalhar muito o equilíbrio do corpo”, completa Marlon. Livia já havia morado um ano em Portugal. Nesse período, estudou as possibilidades que eram oferecidas em trazer a dança dos dois para cá. Desde Agosto estão residindo em Portugal e pensam em permanecer. “Essa oportunidade está sendo maravilhosa, em relação ao que viemos fazer. Começamos com o samba de gafieira para se tornar tão forte quanto o forró e o Kizomba em Portugal. Além disso, damos aula de bolero e forró e depois pretendemos incorporar o lambazouk, com passos parecidos com a lambada, mas dançado de forma mais lenta”, completa Marlon. Os dois também fazem parte do grupo de dançarinos da Troupe Brazil e administram a parte artística da Steps Club and Dance School. Desejam ainda relançar em Portugal o espetáculo Sentimentos, um projeto que inova a maneira de se comunicar com o público, despertando as emoções da platéia conforme a performance de dança. As aulas na Casa do Brasil foram iniciadas em Outubro. As aulas acontecem às segundas-feiras, O Bolero das 18h às 19:30h, Samba da Gafieira das 19:30h às 21horas, e o Forró das 21h às 22:309h. Quem dança tem: . Queima de calorias (até 590 calorias em uma hora) . Agilidade, exibilidade e equilíbrio . Tônus muscular e melhora da capacidade respiratória . Redução do stress e ansiedade . Melhora na comunicação e aumento da autoestima . Interação social . Oportunidade para fazer novos amigos “A dança não alimenta só o corpo, alimenta a alma” Marlon

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Sabiá nº90 - Dezembro / Janeiro Distribuição gratuita www.casadobrasil.info 9 Sugestões para dezembro 2015 - Lisboa CIRCO DE NATAL ED MOTTA CONCERTO DE NATAL Coliseu dos Recreios, Lisboa. 05 a 27 de dezembro ESTÚDIO TIME OUT - 12 dez. (22:00) Time Out Mercado da Ribeira, Lisboa Basílica da Estrela, Lisboa 19 dez. às 16:00 PROGRAMAÇÃO CASA DO BRASIL DE LISBOA A Casa do Brasil está sempre à procura de novas parcerias que sejam vantajosas para os seus associados. Fique sócio e beneficie das nossas parcerias Sol Brasil IMED - Instituto médico dentário – 30 % em todos tratamentos BYX – Actividades náticas a vela – 20 % em todos os passeios SOL BRASIL - Restaurante brasileiro – 15% sobre o valor total da conta Restaurante Mineiro Clínica Capitalis – 25% sobre o preço de tabela, para consultas e exames UAI ! - Restaurante comida mineira – 10% sobre o valor total da conta MARANHAS - 15% sobre Book Fotográ co, vídeos-releases, vídeo-documentário, etc... * Para usufruir dos descontos de parceiros é necessário ser sócio da CBL e estar com as cotas em dia

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O que vem de lá Por Lina Moscoso Na sonoridade do Maracatu Sobre o mestre Mestre Hugo Leonardo nasceu em Recife, berço do Maracatu. Antes de inserir o ritmo na sua vida, era músico. Em 1997, foi convidado a participar de uma nação de Maracatu. O irmão assumiu primeiro esse posto. Em 2010, foi ser mestre, mesmo sem saber o que era o Maracatu. “Em 2012, o Maracatu começou a se significar e classificar para mim no sentido. Foi quando a vaidade parou. O lado família começou a expandir e eu comecei a colher frutos dentro da nação”, narra. A generosidade e o entendimento da aprendizagem por meio da dor são marcas do Maracatu. “ Aprender com a dor e viver, com o aprendizado que vem dos erros e dos erros nós vamos melhorando. Você julga e começa a entender. Começa a ser mais pai, mais amigo. No Maracatu a gente acaba cuidando mais das pessoas, preocupando-se com elas, ajudando”. Isso o Maracatu ensina. Maracatu é solidariedade, é ajudar e compreender. Sorrir. É família. Isso é Maracatu. Mestre Hugo Leonardo a partilhar os seus conhecimentos Maracatu é família e união. Dança, ritmo e crenças africanas com origem em Pernambuco ganhou espaço no mundo e em Portugal. Hoje já é possível encontrar Maracatu em vários países. Onde se chega, ouve-se um batuque que ressoa na alma e no coração. O processo de expansão do Maracatu teve início há cerca de 16 anos. Em Lisboa, o Grupo Baque do Tejo, que nasceu em agosto de 2015, foi idealizado pelos brasileiros Fabricio Soares e Eric Presente. Composto por uma mistura de várias nacionalidades, é um projeto sem fins lucrativos, tendo como suporte os seus membros com o objetivo de aprender, apreciar e expandir esse movimento cultural em Lisboa. É mais um braço da família fora do Brasil. Assim, o grupo brasileiro de raiz vai aumentando, como considera o mestre do Maracatu do Baque Virado Nação Leão da Campina, Hugo Leonardo: “Está nascendo para fazer história”. Apesar de ser um grupo fora da fonte, que está em Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes, não deixa de ser da família, de acordo com Hugo Leonardo. Não é nação, mas só faz aumentar, evoluir, introduzir e induzir ao fator família. “As pessoas vão ao redor se unindo através de uma sonoridade, onde há 40 vai haver 4 mil, onde há 50 vai haver 50 mil. E só vai multiplicando”, diz. Hugo lembra que os ensinamentos de Maracatu são sempre importantes e válidos. Para ele, há sempre o que aprender. Em outubro deste ano, Lisboa recebeu o mestre Hugo Leonardo, que ministrou um workshop de técnica e teoria. A história do Maracatu e oficina. Aprendizado e mais bagagem para os que praticam o ritmo em Portugal. O que é o Maracatu? Memória O Maracatu do Baque Virado faz parte da história de Recife e Olinda e das cidades situadas nas extremidades de Pernambuco. É um encontro de nações e de etnias. De raças e cores. “Onde tem Maracatu tem amizade, irmandade, ciência e essência. Onde há isso família é família”, filosofa mestre Hugo. É um movimento de resistência dos escravos de etnia Bantu. A primeira coroação aconteceu em 1611 na ilha de Itamaracá (Recife). Dentro da coroação existem vários personagens a principal é a calunga, rei, rainha, dama de paço, vassalos, imperador príncipe, princesas e sua orquestra percussiva que é composta por gonguê, tambor, caixa de guerra, ganzá e agbê. “Nasceu uma coisa tão bonita”, interpela mestre Hugo. Maracatu de baque virado é música de existência e resistência, como aponta. “Infelizmente fizemos o Maracatu em cima de uma dor. Nasceu da dor e viveu amor”, acrescenta sobre a beleza do ritmo. Originário do estado de Pernambuco, Maracatu é um ritmo musical, dança e ritual de sincretismo religioso cristão com as crenças africanas. Existem dois tipos, conforme o baque (batida): Baque virado (Maracatu Nação) e Baque Solto (Maracatu rural). O primeiro é comum na capital e na Região Metropolitana de Recife. Já o segundo é característico da cidade de Nazaré da Mata (Zona da Mata norte de Pernambuco). É caracterizado pelo uso predominante de instrumentos de percussão de origem africana, como os grandes tambores chamados alfaias que são tocados com talabartes (baquetas especiais para o instrumento). As alfaias dão o ritmo ou o baque da música e são acompanhadas pelos caixas ou taróis, ganzás e gonguê ou agogô.

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Especial Sabiá nº90 - Dezembro / Janeiro Distribuição gratuita www.casadobrasil.info 13 A alquimia de Lenine realizado no Centro Cultural de Belém (CCB), voz e violão. Lá entoou e fez a plateia cantar músicas do disco atual, mas também composições antigas que nunca deixam de ser executadas. Emocionou e dialogou muito com o público português e brasileiro. 1 - O que te fez fazer música? Sentes que o seu trabalho tem tomado rumos diferentes, novos formatos em busca da contemporaneidade? A minha busca não é pela contemporaneidade. A minha busca é pelo prazer quase egoísta de realizar alguma coisa. Alguma coisa que eu me orgulhe. Alguma coisa que seja ferramenta para a melhoria das pessoas. Eu sou romântico a esse ponto. Eu continuo acreditando nessa função que a música pode ter. E eu continuo me estimulando muito. Eu continuo me divertindo muito. Continuo com um interesse muito grande por tudo que diz respeito à música. Então é sinal que está tudo certo. Que está tudo caminhando. 2 - Na sua visão, em que pé anda a música brasileira no cenário mundial e o que se espera para os tempos futuros? Há uma mudança constante? Muita coisa tem surgido e muita mistura de ritmos, sons, inovações e, ao mesmo tempo, resgate. É assim? Eu acho que não se limita só a isso. Tem a coisa de resgate, tem a coisa do passado, tem a coisa do presente, tem a turma apostando no futuro. Em se tratando de um país continental como é o nosso, na equação entra muito da cultura regional e nessa contemporaneidade é o que faz a diferença. E gera sabores completamente novos. Tem acontecido, já não é de agora, essa descoberta do país como uma nação gigante. E aí é natural que o brasileiro hoje em dia queira conhecer essa dimensão. Queira ter conhecimento de quem é o Brasil. As várias expressões desse Brasil. E isso está acontecendo, sim. 3 - Falando do novo álbum: o que o define? É mesmo uma miscigenação, um sincretismo de vários sons (frevo com rock, maracatu, valsa, afro e jazz)? Mas sempre com a raiz pernambucana, regional brasileira, sem perder a essência nordestina? E essa coisa pantaneira - com o uso da viola - é novidade na instrumentalidade do seu trabalho? É tudo uma alquimia? Bom, Carbono. Uso termos para tentar definir o que não é definível. Trabalho com música. Tudo me interessa. E minha música é o reflexo dessa misturada toda. A coisa pantaneira é nova para mim. Tenho muitos amigos e parceiros dessa região do país: Mato Grosso, Pantanal, Goiás. E, sim, é uma cultura que tem uma personalidade muito forte. Tem suas características. Agora é novo para mim. Eu nunca tinha trabalhado com isso e foi um interesse. E, sim, tudo é uma alquimia. Adoro essa possibilidade de reações químicas. Intuir essa mistura é o que é mais divertido para mim. Um prazer quase egoísta de realizar música. É assim a maneira de encarar a imersão no som, no tocar e no compor de Lenine. Sempre na busca por gerar ferramentas que contribuam para a melhoria da humanidade. Canções d’alma. Em conversa com o Sabiá, Lenine situa o momento da música brasileira no âmbito mundial, fala da sua carreira e do novo projeto Carbono, álbum feito por meio de várias parcerias e que mistura a viola pantaneira com o afro jazz, a valsa moderna com o frevo n’roll. O artista passou por Lisboa, em novembro, em concerto CASA DO BRASIL a de Lisbo

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14 Sabiá nº90 - Dezembro / Janeiro Distribuição gratuita www.casadobrasil.info Nossa língua lusa Por Dário Lima O futebol em prosa Ainda bem que é assim todo ano. Chegado dezembro, os corações se aquecem, as cidades se iluminam e a magia está no ar. Não há como negar que esta é mesmo uma época especial. Por isso, caro leitor, você está certo, o tema da Nossa Língua Portuguesa desta edição não poderia ser outro. É isso mesmo, você acertou em cheio quando pensou em futebol. Porque pouco importa se o Papai Noel do Brasil, batizado de Pai Natal em Portugal, está agora mesmo em seu período de labor mais intenso. O futebol nosso de cada dia continua aí, onipresente. Um dos campos que melhor expõem a riqueza da língua portuguesa é, com certeza, o campo de futebol. Em sua canção de 1975, Jorge Ben Jor canta que o zagueiro é o anjo da guarda da defesa. Contudo, por mais que o ouvinte português esteja familiarizado com a obra do mestre Jorge, poderá não perceber o que o músico quis dizer. Isto porque quem guarda a defesa dos times lusos é, obviamente, o defesa. Zagueiro é termo do futebol brasileiro. A origem está na palavra árabe sáqa ou sāqah, nome que se dá à retaguarda de um exército naquela língua. O vocábulo foi adotado também pelo idioma espanhol, onde zaga, entre outros significados, é a parte posterior de alguma coisa. Logo, para aqueles defesas e zagueiros que não resistem à tentação de dar constantes escapadelas ao ataque, fica aqui este lembrete: o lugar do vosso jogo é mesmo cá atrás, está comprovado etimologicamente. Mas seria injusto se num time com onze atletas os zagueiros estivessem sozinhos na incumbência inglória de impedir o tento adversário. É por isso que para fazer-lhes companhia, mais atrás ainda, está o goleiro, este que é o último bastião da defesa, o último obstáculo a elevar-se contra uma bola destinada ao fundo da rede e o único jogador a quem é concedido tocar a bola com as mãos sem ver o time penalizado pelo ato, desde que se comporte e não o faça fora da área, claro. Também o único em campo a vestir luvas, esta figura ímpar dos combates futebolísticos recebe o nome de guarda-redes em Portugal. E a caixinha das palavras do futebol segue cheia de surpresas. Atacante no Brasil, em Portugal é avançado. E quem marca um gol em terra de português sul-americano, faz um golo em terra de português europeu. E se o tento for contra o próprio time, no Estádio da Luz dar-se-á um autogolo, enquanto que no Maracanã terá acabado de ocorrer um gol contra. Pobre de quem marcou. Terá de erguer a cabeça e recobrar a confiança para seguir em paz no gramado. Gramado no Brasil. Porque em Portugal é relvado. Aliás, os jogadores não são os únicos a correr muito durante os 90 minutos. Na verdade, um juiz corre até mais. Enquanto a média percorrida por um atleta ao longo de uma partida é de 11km, a de um árbitro chega aos 13km. Neste quesito, os bandeirinhas é que se dão bem, já que só passeiam ali pelas laterais. “Mas bandeirinhas, pá?”, poderá surpreender-se o patrício português, “quem são os bandeirinhas?”. Pois é. No Brasil o tratamento é menos formal. Em terra lusa, cada um dos assistentes de arbitragem é tratado rigorosamente por fiscal de linha. Diferente também é o nome dado àquele que pode ser considerado como o 12° jogador, àquele cuja ausência tornaria menos emocionante qualquer espetáculo futebolístico, mesmo que estivessem em campo Messi e Cristiano Ronaldo. Em Portugal, fala-se aqui do adepto, denominação que pode soar estranha ao ouvido do patrício brasileiro, mas que é, na verdade, autoexplicativa. Já em terras tropicais, o adepto vira torcedor. E a história por trás da palavra é curiosa. Diz-se que, nos primórdios do futebol brasileiro, homens e mulheres vestiam-se com muita elegância para ir ao estádio, principalmente no Fluminense. Eram grandes eventos sociais as partidas futebolísticas. As mulheres usavam vestidos de alta costura, chapéus e luvas. Como o calor do Rio de Janeiro era - e continua - muitas vezes intenso, as moças tiravam as luvas e, ansiosas com o desenrolar do jogo, torciam aquilo que tinham nas mãos. De início aplicado só às mulheres - as torcedoras - o termo popularizou-se e, na Copa do México, em 1970, o Brasil já tinha 90 milhões de torcedores em ação. Hoje em dia, a despeito das fracas exibições da atual Seleção, diz-se que já são mais de 200 milhões. O atacante brasileiro chuta no gol. O avançado português chuta na baliza. Por essas e outras é que o futebol, além de ser terreno fértil para jogadas deslumbrantes, também o é para expor a riqueza lexical da língua portuguesa. E embora haja grande diversidade de termos e expressões dentro de campo, existem também entendimentos e acordos. Jogadores como Pelé, Eusébio, Cristiano Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho, estes serão sempre chamados de craques eternos. Seja aqui ou acolá. Mais Palavras Brasil Portugal Escanteio ........................ Canto Impedimento ................ Fora de Jogo Tiro de Meta ........ Pontapé de Baliza Trave ............................ Poste Travessão ........................ Trave Rodada ........................ Jornada Temporada ........................ Época Reservas........................Suplentes Arquibancada.................... Bancada Técnico ........................Treinador

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Questões históricas Por Maria do Céu Carvalho Dias Sabiá nº90 - Dezembro / Janeiro Distribuição gratuita www.casadobrasil.info 15 As Tradições Natalícias em Portugal Portugal celebra o Natal, o nascimento do Menino Jesus, com muitos e variados “condimentos”. A tradição perde-se no tempo; as influências chegaram dos egípcios, persas, celtas, romanos e nórdicos e aqui foram sacralizadas e adaptadas a um país católico. O Presépio – É um quadro constituído por várias figuras que representam o Menino Jesus numa gruta, Nossa Senhora, S. José, a vaca e o burro, os anjos, os pastores com as suas ovelhinhas, a estrela e os Reis Magos, colocados longe, mas que dia-a-dia se vão aproximando da cabana do Menino. Com o tempo o presépio foi sendo enriquecido, consoante a região do país e o dinheiro das pessoas, acrescentando-lhe ribeiros, pontes, vendedores que levam animais ou cestas de fruta a Jesus e grupos folclóricos ou bandas de músicos. É importante lembrar que o Menino Jesus só costuma ser colocado na manjedoura na Noite de Natal. Segundo a tradição o presépio apareceu no século XIII e em Portugal houve extraordinários barristas que fizeram presépios lindíssimos, como Machado de Castro no século XVIII. Hoje há presépios grandes ou pequenos, de barro, de madeira, de loiça, de vidro, de papel e até vivos (humanos) que, no entanto, têm sido destronados pela árvore de Natal e o Menino Jesus pelo Pai Natal. Apesar disso a tradição poderá estar a renascer através de concursos e exposições de presépios. A Árvore de Natal – Entrou em Portugal no século XIX, pela mão do rei-consorte Fernando II, que da Alemanha trouxe a ideia do pinheiro ou abeto e das decorações, próprias dos países frios do Norte da Europa. O Palácio passou a receber esta ideia e a do rei se vestir de Pai Natal para oferecer aos seus sete filhos os presentes natalícios. No entanto muitos portugueses foram renitentes na aceitação deste costume, porque só o presépio e, muitas vezes, as lembranças no sapatinho colocado na lareira eram tradição. Hoje na maior parte dos lares faz-se a árvore de Natal, que recebe durante umas horas os presentes a oferecer depois da ceia ou consoada. A Consoada – É a ceia de Natal constituída por vários pratos, consoante a região do país, e com toda a família reunida; a Missa da meia-noite ou do Galo (dia 24) e a distribuição de lembranças por todos. Os cânticos de Natal procuram celebrar o nascimento de Jesus, a paz e o amor. Em muitas Igrejas no fim da Missa, a da MeiaNoite ou a do dia 25, é habitual ser dado a beijar o Menino Jesus acabado de nascer. Hoje a descristianização tem levado ao desinteresse pelas cerimónias religiosas, embora mantendo cada vez mais forte a festa familiar. Também se tem notado uma cada vez maior valorização, quer do uso de roupas de festa, quer de decorações natalícias muito variadas. O “Madeiro” ou o cepo – Esta tradição é típica das Beiras, de Trás-os-Montes, de algumas regiões alentejanas e da vila medieval de Óbidos, ou seja de zonas bem frias. Durante o mês de Dezembro os homens da povoação procuram uma árvore grande, velha e seca, sobreiro ou castanheiro, que levam para o adro da Igreja. Há sítios onde ela vai num carro de bois engalanado de flores e frutos pelas mulheres e puxado pelas pessoas. Na véspera de Natal, com o auxílio de canas e arbustos, o madeiro é aceso para se manter até ao dia de Reis. O objectivo é “aquecer o Menino Jesus” e as pessoas e criar e manter a ideia de união, de partilha e, claro, de convívio. Cantar as Janeiras ou Cantar os Reis – É uma tradição que existe em quase todo o Portugal, de Norte a Sul e também nas Ilhas. Já os Romanos evocavam nesta altura do ano o deus Jano, porteiro celestial, para afastar os maus espíritos. O cristianismo manteve a tradição e acrescentou-lhe autos pastoris em honra do Menino Jesus. É assim que todos os anos entre 1 e 6 de Janeiro (Dia de Reis), às vezes durante todo o mês, grupos se organizam, tocando e cantando músicas populares em louvor do Menino Jesus, Nossa Senhora e S. José. Vão de porta em porta, cantam e aguardam a recompensa, que antes era de comida, castanhas, nozes, chouriço, etc. Com o passar dos tempos começam a receber dinheiro e chocolates. No fim da caminhada, o grupo divide as dádivas ou come-as em conjunto. Uma inovação é haver grupos que vêm a Lisboa cantar as Janeiras ao Presidente da República e ao PrimeiroMinistro nas suas respectivas residências. Ainda mais curioso e interessante, com a finalidade de recuperarem a tradição, é as Câmaras Municipais organizarem espectáculos em que grupos musicais e Infantários cantam as Janeiras. Maria do Céu Carvalho Dias Portuguesa, formada em História pela Universidade Clássica de Lisboa. É coeditora do blog Covilhã – Subsídios para sua história. http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt A Casa do Brasil de Lisboa deseja a todos (as) um Feliz Natal e um próspero Ano Novo

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16 Sabiá nº90 - Dezembro / Janeiro Distribuição gratuita www.casadobrasil.info Diário de uma mochileira Texto e fotos por: Larissa Rogério Bezerra nenhuma me pareceu financeiramente vantajosa, já que cobravam muito caro e só levavam em praticamente 2 lagos. Depois de muito pesquisar cheguei a conclusão de que a melhor forma de conhecer os arredores do parque seria alugar um carro, juntar coragem, conseguir um mapa, apertar o cinto e colocar as rodas na estrada. E foi o que fiz! Deixei reservado um carro para o dia seguinte e tracei um plano no meu mapinha de papel, como nos bons e velhos tempos. Na manhã seguinte, peguei o carro, enchi o tanque e cai na estrada. O caminho era simplesmente deslumbrante. Passei em meio a montanhas e florestas que só imaginava ver através das telas do cinema. Decidi que toda vez que eu visse um cenário que me deixasse de boca aberta eu iria parar o carro e ficar lá alguns instantes, aproveitando o momento. Quase não consegui seguir muito. Tinha de parar de 15 em 15 quilômetros, para admirar e fotografar os fantásticos cenários que surgiam toda vez que virava uma curva. Fiz trilhas sozinha em meio ao silencio ensurdecedor da mata densa. Vi ursos e alces. Fui em 12 lagos. E chorei ao admirar os cenários naturais mais fantásticos que vi na vida até hoje. Acredito que ainda não conseguiram criar palavras que possam descrever com precisão aquele lugar e foi nesse dia que entendi porque da minha sede insaciável por fotografia. Fotografar é a minha maneira de: primeiro, tentar descrever com imagens tudo aquilo que vi e vivi no caminho, e segundo, tentar carregar tudo isso comigo na mochila. Sei que é impossível estar em todos os lugares que amo, e mais impossível ainda é levar o mundo todo dentro da mochila. Então, a maneira que encontrei de estar sempre "próximo" dos lugares que visitei e das experiências que vivi, foi através das minhas fotografias. Elas são muito mais do que memórias, elas são registros de vida. Registros da vida de uma mochileira que estava apenas começando o seu caminho pelo mundo afora. O que aprendi e apreendi no mundo Nas montanhas geladas do Estado de Alberta Diário de Bordo 03 O Canadá, as cidades verdes, as montanhas geladas e o nascimento de uma vontade incontrolável de descobrir e fotografar o mundo. Como todo bom mochileiro, ao pegar o ônibus saindo de Vancouver eu não tinha noção das maravilhas que estavam a minha espera no próximo ponto de destino da viagem. Depois de 12 horas de longa estrada percorrida, entre lagos e montanhas nevadas, finalmente cheguei à pequena e aconchegante cidade de Banff. Situada no Estado de Alberta, próxima a Calgary, Banff é uma cidadezinha que serve de base para quem quer conhecer os lagos dos cartões postais do Canadá (Moraine e Louise lake). Com menos de 8 mil habitantes, a cidadezinha arrebatou meu coração assim que pus os pés fora do ônibus. Sua arquitetura é muito similar à pequenas vilas da Suíça, e as Rockies Moutains se encarregam de compor o cenário nos arredores da cidade, que é simplesmente de tirar o fôlego. Logo no primeiro dia fiz questão de andar pelas ruazinhas ao redor do hostel para descobrir a melhor maneira de chegar até os lagos. Acontece que a cidadezinha fica dentro do grande Banff National Park, ou seja, para chegar até as montanhas e os lagos mais famosos é necessário percorrer alguns quilômetros. Fui em duas agências de turismos para saber se haviam transportes que levassem até onde eu gostaria de ir, mas www.larissarbezerra.com www.facebook.com/fotodafamilia E-mail: larinharbz@gmail.com tel.: 910663109

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Passeio gastronômico Por Lina Moscoso 17 Tradições e histórias da ceia de Natal Conheça a origem de alguns pratos típicos da ceia de Natal Rabanada: De origem portuguesa, a rabanada é tradicional no dia da Consoada, que acontece em 24 de dezembro. Feita com “sobras” de pão fritas, povilhadas com açúcar e canela, a sobremesa se tornou prato típico natalino. Também há relatos de que seria uma tradição europeia servir rabanada para mulheres que davam à luz, com o intuito de que produzissem mais leite. Na mesa portuguesa o bacalhau é costume em qualquer época do ano em Portugal. Pedro revela que o português é tradicionalista por natureza, por isso, não abre mão do bacalhau em sua mesa. Mas não reina sozinho, existem outros pratos que são servidos na noite de Natal. O polvo, o cabrito assado e o peru também foram incorporados às tradições. E todas essas iguarias dividem espaço com os frutos secos em geral, figos e ameixas secas e doces típicos, como por exemplo a lampréia doce (feita com ovos), rabanadas, arevias e o bolo rei. A tradição da ceia portuguesa, descende da Consoada, um costume pré-cristão, praticado na Roma antiga, onde se ofereciam iguarias aos magistrados, tais como figos, mel e nozes. No século VII transformou-se numa tradição cristã, onde o papa Bonifácio distribuía pão aos pobres, conforme o gastrônomo. Pedro Monteiro acrescenta que hoje em dia temos facilidade no acesso de produtos vindos de diversas áreas do mundo, o que ajuda na inserção de qualquer iguaria nas nossas tradições. “Porém penso que estamos (brasileiros e portugueses) um pouco agarrados às tradições e, sendo assim, deixamos as “invenções” para outros momentos, não abrindo mão do bacalhau e todas as guloseimas natalinas”, avalia. Nozes, castanhas e avelãs: Frutos secos, típicos dos países nórdicos. É tradição no período natalino porque é justamente a época de produção das plantas nativas da Europa e da Ásia, que costumavam dar frutos no fim de outono e começo do inverno. Bolo-rei: A origem do bolo-rei remonta, ao que se sabe, ao tempo dos romanos. Eles costumavam eleger o rei da festa durante os banquetes festivos. A escolha era feita tirando a sorte com favas. A Igreja Católica aproveitou o fato de aquele jogo ser característico do mês de Dezembro e decidiu relacionálo com a Natividade e com a Epifania, ou seja, com os dias 25 de Dezembro e 6 de Janeiro. O bolo-rei atual terá surgido na corte de Luís XIV, na França, para as festas do Ano Novo e do Dia de Reis. A mesa natalina e suas tentações para todos os gostos No prenúncio do Natal portugueses e brasileiros (bem afeitos à tradição) já começam a idealizar a ceia para a noite do dia 24 de dezembro. O montar uma mesa farta e enfeitada nessa data vem do costume de abrir as portas das casas para receber viajantes e peregrinos que, junto com a família, confraternizavam na data significativa para os cristãos. Para a comemoração era preparada bastante comida. A tradição foi se espalhando pelo mundo e cada região foi acrescentando uma particularidade na ceia. O peru, por exemplo, foi adicionado ao banquete norteamericano e depois o Brasil adotou como costume. Na mesa natalina do brasileiro cabem, ainda, o bacalhau, o pernil assado (perna do porco inteira), dividindo o espaço com o chester (uma espécie de frango selecionado) e tender que são vendidos como complemento da ceia, segundo destaca o gastrônomo Pedro Monteiro. Há também o salpicão, uma espécie de salada com frango, cenoura, batata e passas. “Não posso deixar de falar dos doces. A sobremesa mais presente no nosso natal é a rabanada e o panetone, este último, vindo da influência italiana no Brasil”, comenta. Já a rabanada foi de Portugal para o Brasil. É originária do Dia da Consoada, quando era servida na noite do dia 24 de dezembro. FAÇA A SUA RESERVA PARA JANTARES DE GRUPO MENU ESPECIAL DE FIM DE ANO Bolo Rei tradicional Sol Brasil Contatos: 965836152 (Will) e 967495148 (Fred) R. Caminhos de Ferro, 112/114 (ao lado estação Sta. Apolónia) Veja a nossa receita de Rabanadas no Facebook do Jornal Sabiá

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