A Tarefa Infinita

 

Embed or link this publication

Popular Pages


p. 1

nelson maravalhas junior infinita a tarefa

[close]

p. 2



[close]

p. 3

a tarefa nelson maravalhas junior infinita nelsonmar ava lhasjunior editor 1ª ediÇÃo brasÍlia 2007

[close]

p. 4

todos os nomes o nome admiral nelson admirável nelson almirante nelson all mirante nelson ao mirante nelson halfnelson doublenelson nelson nelsonho neofilho neo sol neosom neo son neosonido nelson nerso newson nihilson nilsen telson amarasfalhas bagatelas flamengalhas hangardomaravalhas insignificâncias macaralhas macnavalhas macumbalhas madeiravalhas mahaviralhas marabaja marabálhas maraballa maracálhas maracangalhas maracanalhas maracanã-lhas maracatuvalhas

[close]

p. 5

maracendalhas maracutalhas marafalhas marafundalhas marajálhas maralhas maramigalhas maranatalhas marassaltos marasmavalhas maratimbalhas maratonalhas maravalhas marauvalhas maravalhax maraválias maravedis maravilhas mardecanalhas mardenavalhas mardesargaços mardeserralhas marvalhas mascarillas mirabilhas mirabolâncias mqrqvqlhqs ninharias sarandalhas urubuvalhas varavachas ii filho filho de deus junior júnior segundo 2° son vivat mascarillas fourbum imperator

[close]

p. 6

© 2007 by maravalhas concepção geral do editor agradecimentos juliana de souza silva elyezer szturm grace de freitas capa e projeto gráfico artwork design gráfico marcelo terraza fotografia das obras vinícius goulart revisão luciana vento tiragem 500 exemplares maravalhasjunior,nelson a tarefa infinita/nelsonmaravalhasjunior prefáciodegracedefreitas posfáciodecíntiafalkenbach brasília:ed.doautor,2007 112p il policromias 22,5cm isbn978-85-907405-0-6 1.pintura.2.artesvisuais.i.freitas,gracede.ii.falkenbach,cíntia.iii título cdu7 para flora jonas e raul e juliana m311

[close]

p. 7

Índice o editor 7 apresentação prefácio grace de freitas 9 apinturaaoponto nelson maravalhas jr 0 ateoriadascores 1 1 0 1 3 1 5 1 7 1 9 2 0 2 4 2 6 2 7 2 9 3 0 3 2 3 3 3 9 4 2 4 5 4 9 5 0 5 2 5 5 5 7 6 2 aarteéumateiadearanha sumballein pintura:medicinadasalmas atarefainfinita isagoge por uma pintura alegórica o espectador interno inconstante a atenção pintura literária literatura pictórica breves considerações sociológicas a qualidade a hipótese fenomênica de arte história da arte como oposições ou feixes análise formal wölffliana bases cognitivas do imaginarium narrativa bases antropológicas do imaginarium a invenção da riqueza bases psicológicas do imaginarium o desaparecimento do `inconsciente surrealista eu posfácio cíntia falkenbach omedievoemmaravalhas|ummagodapintura

[close]

p. 8



[close]

p. 9

apresentação trabalhemos por uma arte imarcescível e monológica dada a repugnância de nelson maravalhas junior por qualquer espécie de propaganda de si ao trabalho minucioso de preparação de um público para suas pinturas vemos nascer o projeto de publicar a tarefa infinita aqui o público desapareceu e o relato das pinturas se torna o relato de si mesmo na solidão de um monólogo nelson maravalhas vestirá assim nestas páginas as roupagens do histrião trágico mas ele não pretenderá com isso tornar-se um especializado operador do sensível não é isso que interessa a nelson outra é sua arte vislumbrada em algumas pinturas ­ ele as chama de arte de concepção monológica é a arte de quem fala tendo o vazio diante de si ele observa sua obra colocando-se no ponto de vista do observador e esquecendo-se dele o substitui circunstância essencial é a música do esquecimento sem testemunhas nada seria tão mortificante quanto tratá-la só em termos estéticos se uma obra pode ser considerada monológica será aquela de quem enunciou sua fórmula nestas obras podemos mover-nos livre e obliquamente e aos nossos passos sempre nos responderá o som eco de um imenso monólogo ­ de um fantasma musicista tocando um solo atravessando anos e contradições possível só a partir de uma perfeita solidão eliminando qualquer interlocutor visível só lhe resta seu labirinto solitário a solidão é o mais poderoso de todos os alucinógenos o que o seduz nela é o entusiasmo da idéia a concentração da atenção a febre da mente só o pressuposto da solidão pode permitir a nelson a indiscreta empresa de julgar-se a si próprio este livro se dirige a um cenáculo de pintores e adoradores de imagens ­ os diversos públicos atraídos por obras de arte nem o temor de criar um exército de inimigos implacáveis e poderosos o impediu de publicar este livro nelson está ciente que seu dever aqui não é o de criar razões para que sua pintura se torne admirável ­ pois isso a modificaria apenas para si e não para os outros ­ e sim o de colocá-la em uma taxionomia e em uma história mais larga do que ela suas teses são rápidos esboços inúteis da arrogância e da blasfêmia o tempo irá justificá-las ou as desbaratarão o editor p.s n.m também produz um outro tipo de pintura que chama de experimental de caráter mais lúdico mais matérico mais pictórico e nada alegórico produz ainda desenhos em algumas categorias que nomeia como espontâneos desenho e cor a partir do branco do papel interferências em imagens pré-existentes sobre os quais editou um livro como o mesmo nome e projetivos sobre manchas de tinta chá café cevada por fim cria suas feticharias objetos bastante estranhos a partir de materiais os mais diversos colagem quase-cubista de paráfrases a partir de texto de roberto calasso sobre ecce homo de nietzsche em 49 degraus pp 40-42 cia das letras 1997 com pitadas de borges aqui e ali.

[close]

p. 10



[close]

p. 11

a pintura ao ponto nelson maravalhas trabalha a sua matéria pictórica com precisão e de maneira contínua frente às propostas artísticas contemporâneas sua originalidade reside no modo com que ele vem tratando as questões modernas e as questões da tradição situando sua obra em um lugar a salvo dos enquadramentos atuais Às questões da modernidade maravalhas as responde permeando-as pelo tratamento da invenção de memória remetidas ao texto pictórico indagando sua própria produção por sua vez essa produção se desdobra em desenhos pinturas objetos e cenários para delimitar o campo de sua matéria pictórica aos termos da tradição a perspectiva linear ­ aí inserida como uma ordem autônoma de significação ­ é a resposta que provoca a tensão necessária É portanto sobre o esquadrinhamento da perspectiva que surge a outra cena na qual o artista não é o ator da história mas ao contrário é tomado pela invenção a-histórica cuja ancoragem se faz no ponto geometral o sujeito da a-história e o ponto geometral emergem para o reconhecimento desconfortável das possibilidades de interferência e comunicação do transitório e do permanente É a figura que pergunta algo ao maravalhas a ele cabe elaborar com todo rigor propiciado em sua produção na utilização das mãos dos pincéis das cores e das luzes da geometria e da perspectiva linear dos volumes e das superfícies da ordem e da desordem do sujeito projeta imagens que acontecem em um espaço cenográfico onde transita a figura que nem se desagrega e nem se dissolve essas lhe fornecem os recursos necessários para situar a narrativa em uma lógica implausível atemporal situando-se no tangível espaço e lugar do ponto/sujeito não são raras as vezes em que o artista atravessa a matéria pictórica com respostas escritas para conduzir uma experiência de sentido a pintura de maravalhas provoca sensação de deslocamento a partir da potência da imaginação obcecada pela sua tradução literal do ponto à linha ao risco à figuração são encenadas relações intertextuais e contextuais aí se vislumbra brasília ou chicago ficção científica ou rock magia ou matéria em um jogo que se remete e se espalha de um trabalho a um outro a potência da pintura que fala aos nervos ­ aos sentidos ­ é trazer para o visível esse mundo à esfera das individualidades profa dra grace maria machado de freitas brasília 9 de dezembro de 1993 texto originalmente impresso no folder da exposição xamãs haverão museu de arte contemporânea da universidade de são paulo fevereiro de 1994 o folder não foi remetido à mailing-list por ordem da então diretora do mac lisbete rebolo por achar indecente a pintura o zahir nele reproduzido.

[close]

p. 12

a teoria das cores pego um pouco de céu para fazer a vegetação e misturo uma colher de ouro em pó coloco uma pitada de ouro em um copo de sangue e mexo até criar a carne das abóboras polvilho sangue seco por sobre um metro de céu e obtenho a cor da morte por desesperação depois me lembro de que se num buraco colocasse céu sangue e ouro eu assim cobriria o buraco com a terra que ele tinha e mais me lembro ainda de que se a um balde de nuvem adicionasse a essência da noite teria como resultado todas as cinzas dos homens já cremados 10 jogarei um pouco destas cinzas sobre minhas pupilas incandescentes a arte é uma teia de aranha teia de aranha de fios de água-viva algumas pequenininhas apanham apenas os olhos que as vêem grudam no visgo as pupilas certas teias são arrogantes grandes querem apanhar cabeças outras com fios de fibra são fortes e do corpo a arquiteta só quer o tronco algumas limpam misófobas de sua estrutura seca bolha de sabão qualquer formiga ou percevejo que não lhe agrade o cheiro daquelas que faço parte falo agora enfim além de grandes e arrogantes

[close]

p. 13

são também histéricas e da presa querem tronco membros e cabeça daquelas que imito quero o visgo e a trama visgo para não-esquecimento e trama para atordoamento sou anfitriã severa convivas se sentam no chão e morrem de sede na saída mordidas como souvenir casa de linhas essa minha radiante como um sol preto e branco desenhado por uma menina estrábica intoxicada e gorda casa de círculos e círculos lá no centro a louca esfomeada l universelle araignée de manhã o orvalho tão fresquinho as linhas cobre de gotículas É casa bela construída com pérolas transparentes donde o noivo fugiu em disparada a arte é fêmea do gênero devoradora a teia é pintura de gênero cena doméstica mãe virtuosa serviçal trabalhadora ao mesmo tempo que é fanfarronice bebedeira devassidão a casa é alegoria da teia a casa como uma cebola cebola cortada em rodelas a casa é essa teia a casa é a arte a arte essa cebola tua lágrima é a pérola da teia na manhã orvalhada ou é a gota de orvalho teu olho leitor que eu quero devorar teu olho globo salgado liso não visgoso 11

[close]

p. 14

1

[close]

p. 15

sumballein o símbolo é uma nuvem ou uma constelação não há um foco e sim um conjunto de desdobramentos a partir de um significado original partem-se ramificações e duplicações até que em nuanças tornamse um outro conjunto de desdobramentos de caráter oposto ao anterior este outro grupo será antitético ao primeiro então o símbolo tem duas faces e em cada uma existe um constelação particular originalmente existia uma curiosa espécie de talismã os gregos quebravam algo ao meio ­ um prato de cerâmica um osso esculpido um bastão de madeira polido ­ e davam cada metade para pessoas que iriam se afastar por muito tempo umas das outras caso elas ou seus herdeiros pudessem se re-encontrar um dia uniriam as duas metades e shazam se reconheceriam novamente Àquele objeto partido davam o nome de sumballein signo de reconhecimento raiz do termo atual símbolo como dizia no início o símbolo é como uma nuvem as nuvens são condensações de gotículas d água suas formas são dependentes das condições atmosféricas ­ pressão temperatura ventos embora os repertórios de suas formas sejam finitas infinitas são suas variações desde a primeira nuvem formada nenhuma jamais foi igual à outra otros histriones discurrieron que el mundo concluiria cuando se agotara la cifra de sus posibilidades ya que no puede haber repeticiones 1 assim é a pintura e o trabalho do pintor uma tarefa infinita com variações mesmo trabalhando sobre um plano bidimensional definido e definidor entretanto se as formas criativas são infinitas infinitas não são as interpretações destas formas interpretações infinitas de uma obra supostamente aberta é impotência deletéria há de haver um campo de pertinência uma nuvem de significados relevantes fora dos quais certas interpretações são inócuas para que o relâmpago do reconhecimento seja disparado as fendas dos cacos do sumballein devem se casar com os dentes 1 jorge luis borges los teólogos in el aleph obras completas emecé editores 2006 vol 1 p 589 1

[close]

Comments

no comments yet