Caleidoscópio nº 74

 

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Caleidoscópio nº 74

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Caleidoscó opio Nº 74 COLÉGIO SANTA MARIA Revista Emoção e encantamento favorecem a aprendizagem e o desenvolvimento de habilidades

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mosaico XVIII MOSTRA DE ARTE, DANÇA, MÚSICA E TECNOLOGIA sumário 04 07 10 12 02 MAIS SABER MISSÃO INSPIRADORA COTIDIANO DEIXA COMIGO 14 15 16 18 ALÉM DOS MUROS NA REDE NOSSOS GIGANTES SÓ NO SANTA 20 21 22 SANTA DO BEM DEPOIS DO SANTA TÚNEL DO TEMPO

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expediente carta Irmã Diane Clay Cundiff Diretora geral do Colégio Santa Maria Instituto das Irmãs da Santa Cruz COLÉGIO SANTA MARIA Av. Sargento Geraldo Santana, 890/901 Jardim Marajoara – São Paulo/SP (11) 2198-0600 santamaria@colsantamaria.com.br www.colsantamaria.com.br CONSELHO EDITORIAL Irmã Diane Clay Cundiff Irmã Anne V. Horner Hoe Adriana Tiziani Beth Costa Karine Ramos Marcia Rufino Muriel Alves Roberta Edo Silvio Soares Moreira Freire Tiyomi Misawa EDITORA Suze Smaniotto DIRETOR DE ARTE Marcelo Paton REVISÃO Rita de Cássia Cereser Sogi COLABORADORES Adriana Freitas • Alexandre Oliveira • Anna Paula Dutra Rodrigues • Áurea Mello • Carla Afonso • Claudia R. Simões Lacerda • Daniela Caltran • Denise Brandão Villani • Denise Carneiro • Ednilson Oliveira • Fatima Regina Fernandes Trigo Perazzoli • Glaydon Marcio • João Neto • José Antonio • Lara Polazzo • Mayra Oliveira Lourenço • Marcos Roberto dos Santos • Maria Beatriz Rossetti • Maria Cristina Forti • Maria Luiza Parise • Maria Soledad Más Gandini • Pedro Moisés de Carvalho • Rosilene Moutinho • Simei Ribeiro • Sônia Brandão • Tatiana Proscholdt Garbossa • Vanini Andolfato Mesquita Impressão Intergraf Tiragem 6 mil exemplares A Revista Caleidoscópio é uma publicação do Colégio Santa Maria. Não é permitida a publicação de seus textos sem a devida autorização. R RIQUEZA COLETIVA ecentemente, entrou em cartaz um filme sobre um grupo de pessoas que desafiou o Everest, a montanha mais alta do mundo. A história é ora de encantamento, ora de medo, pois o tempo todo o grupo está enfrentando o inédito. Assim como eu, lendo esta edição, cujo tópico central é emoção e encantamento como facilitadores da aprendizagem, prestei atenção nos processos que envolvem esses dois componentes. Na verdade, emoção não é algo que se controle. Tudo afeta nossas emoções, para mais ou para menos. Se são fortes, a aprendizagem é rápida e aquilo é lembrado por muito tempo. À medida que alunos e pais experimentam ou antecipam algo que vai acontecer, percebem que aquilo nunca foi vivido exatamente daquela forma. Nesse contexto, a função do professor é criar situações desafiantes e inéditas porque, assim, a criança terá as condições ideais para o aprendizado. Já os pais, quando veem seus filhos agindo além do que acreditavam ser a capacidade deles, também ficam encantados. Um dos símbolos mais fortes de como a emoção aumenta ou diminui a capacidade de aprender é o artigo sobre xadrez. Embora o esportista sempre queira ganhar, vitórias consecutivas fazem perder o encantamento do desafio, por isso o enxadrista busca competidores cada vez mais habilidosos para sentir prazer em se superar. Esse orgulho ajuda a enfrentar medos e a ansiedade de perder. Na derrota, o aluno fica pensando na estratégia que poderia ter adotado, ou seja, acaba aprendendo com os erros. Quando os professores falam de sua missão, reconhecem a emoção da profissão. Em nenhum depoimento, percebe-se uma receita a ser seguida para chegar ao resultado. Ser professor não é jogo da velha, é jogo de xadrez, uma atividade estratégica com o aluno o tempo todo. É evidente nos depoimentos das famílias e dos alunos, especialmente os recém-chegados, que a experiência com funcionários, professores e demais alunos do Santa Maria atinge o coração. O coração de cada um aprende a colaborar com a alegria do outro, além de sua própria. Nosso aluno aprende a comunicar-se de coração para coração. Ele vê que, por meio de ações concretas de partilha e de criação de coisas novas, fornece emoções para outro ter vivências e aprendizagens cada vez mais enriquecedoras. No final da revista, as duas últimas seções têm muito em comum: os ex-alunos que saíram de seu país e as irmãs que vieram ao Brasil. Cada um aprendeu coisas completamente novas e suas experiências anteriores ajudaram a crescer em comunidade. E confirmaram que, em toda cultura e grupo nos quais se inserem, fazem parte da sua família maior. No filme Everest, as pessoas são alunos inexperientes conduzidos por guias com muita experiência e tecnologia para escalar a montanha, mas isso não garante a sobrevivência deles. O que permite o sucesso é o espírito de partilha. O tempo todo eles repetem: “Nós subimos juntos, vamos descer juntos”. A emoção e o encantamento são experiências individuais, mas são mais profundas e mais ricas à medida que são vividas em comunidade. | 03

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mais saber Caleidoscópio nº 74 SENTIMENTOS EM PROL DO SABER Curiosidade e ânsia pelo significado são motivações que alimentam o cérebro. Vale a pena incentivar atividades que encantam, aprendizagens potencializadas pelo componente emocional O ENCANTAMENTO DE COMPARTILHAR SABERES Colegas de outras turmas e familiares dos alunos do Jardim II foram convidados, entre outras atividades, a ouvirem uma história contada de memória por uma criança de cinco anos, a assistirem à dramatização de um conto de fadas elaborado pelas crianças e a participarem de uma aula de culinária organizada por crianças pequenas que prepararam “pãezinhos” sem recorrer à receita. Ao convidar os pais a compartilhar com seus filhos e com todo o grupo o que sabem fazer bem, todos viveram momentos em que o ordinário se tornou extraordinário, deixando mais do que aprendizagens, mas marcas afetivas e sociais. É uma forma do aluno perceber-se pertencente a um grupo, vinculado aos pares (amigos) que, ao mesmo tempo, são diferentes. Nessa mistura, nessa diversidade, surgem possibilidades de troca, parceria e crescimento. EMOÇÃO E EXPECTATIVA Toda nova fase exige mudanças e traz novas emoções. Com a ida ao Prédio São José, em 2016, os atuais alunos do 2º ano embarcarão em um novo ciclo repleto de experiências inéditas. Para tornar mais tranquila essa transição, recentemente, as turmas B e C fizeram uma vivência no espaço físico reservado ao 3º ano e conheceram um pouco sobre a rotina da futura série. Com o olhar cheio de curiosidade e o coração acelerado, puderam apreciar um pouco do que está por vir: participaram de atividades, receberam cartões de boas-vindas, exploraram os lugares e ainda fizeram o recreio com o 3º ano. “Ao chegar ao Prédio São José eu fui muito bem recebido na sala do 3º ano, isso me deixou muito emocionado”, declara Gustavo Lins Soares, do 2º C. A colega Clara Appollo concorda com o amigo: “Na hora do recreio, elas mostraram uma parte do São José e eu adorei!”. A EMOÇÃO DO ENCONTRO A infância é uma época de descobertas, aventuras e magia. É nesta fase, durante a Educação Infantil, que as crianças têm seus primeiros contatos com a linguagem científica para valorizar os conhecimentos e as hipóteses que trazem para a sala de aula. Compreender a importância existente no ato de explorar, pesquisar e criar novas hipóteses a partir de vivências é um desafio. O que realmente importa é o aprender brincando, é esperar curiosamente pelo inesperado, estar envolvida com o lúdico e com a possibilidade de descobrir, pois, assim, a criança aprende encantando-se com o mundo e com a vida. A visita ao aquário possibilitou este inédito da vida: tubarões e tartarugas marinhas do nordeste bem pertinho das crianças. Observar detalhes, comparar tamanhos e cores fez com que elas aprendessem sobre os animais marinhos do nordeste tendo como estratégia a emoção do “encontro”. Um encontro inédito!  04

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A EMOÇÃO DA LEITURA O livro O Mágico de Oz (The Wonderful Wizard of Oz, escrito em 1900 pelo norte-americano L. Frank Baum) teve sua história traduzida e adaptada em dezenas de línguas, além de versões para teatro e cinema. A partir da leitura da adaptação de Ligia Cademartori, os alunos do 3º ano puderam sentir o encantamento que a obra traz. As aventuras da menina Dorothy e seus companheiros, cada qual na busca da realização de um desejo, num ambiente estranho e cheio de personagens fantásticos, despertou a curiosidade, a reflexão e a imaginação. “Eu percebi que os personagens não são como eles imaginam ser. Um leão covarde não se arriscaria a saltar um abismo para salvar os seus amigos e um espantalho sem cérebro não teria ideias tão boas!”, revela o aluno Ettore Bueno Akiyama. O encantamento pela obra fez Maria Eduarda Hegedues transportar-se para dentro dela: “Ler O Mágico de Oz foi como uma aventura, como se eu fosse a própria Dorothy”, revela. retratasse seu olhar frente ao espaço vivido, tal qual Rubens Matuck, artista estudado nesse período, praticou em seus registros de viagem. Imagens espetaculares foram registradas e a troca dessa experiência despertou novos “passeios” pelos jardins tão bem cuidados do Santa Maria. E por que não espalhar essa semente de emoções aos pais dos alunos? Nasceu assim o projeto “Cantos que encantam” apresentado na Semana Pe Moreau. Alunos e familiares aceitaram a proposta de parar para expressar sua visão mais próxima do encantamento com esse espaço, apenas com um giz pastel nas mãos. ENCANTAMENTO EM CRIAR E DOMINAR A TECNOLOGIA Utilizando como pano de fundo a emoção dos contos de mistério e suspense, os alunos do 4º ano do Fundamental I criaram pequenas animações com a ferramenta Scratch para desenvolver games. Neste momento, estão envolvidos em produzir os comandos que determinem as regras do jogo. “Pensamos num jogo mais simples, onde o fantasma persegue a personagem pelo cenário. Agora precisamos programar o que acontecerá quando o fantasma tocar a personagem”, relata Letícia Gritti, do 4º ano. Os resultados em outras áreas do conhecimento vêm de forma indireta, com o aumento da capacidade de pensar de forma sistematizada e criativa, nas produções textuais e no raciocínio lógico-matemático. E ainda tem a reflexão do erro, pois errar é caminho para o acerto dos chamados bugs. Sem falar na emoção do aluno que tem mais desenvoltura ao ajudar o colega a se familiarizar com as sequências e comandos. APRENDENDO A CONTROLAR EMOÇÕES As aulas de Xadrez ocupam um lugar muito importante na vida dos estudantes do 5º ano do Fundamental I. Essa aula, que é complemento do componente de Matemática, CANTOS QUE ENCANTAM A contemplação do ambiente em que estudam foi o ponto inicial para a estruturação do trabalho proposto aos alunos do 4º ano do Fundamental I. Munidos de câmeras fotográficas, foram em busca de uma imagem que | 05

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mais saber Caleidoscópio nº 74 desenvolve nos educandos a habilidade de planejar, pois para cada jogada são necessários planejamento e estratégias definidas. Cada partida exige do aluno concentração, o que leva ao autocontrole. No Xadrez, a autonomia para movimentar uma ou outra peça é exclusividade do jogador. A decisão é de cada aluno e o resultado, vitória ou derrota, consequência direta das opções feitas. Então é a hora de administrar as emoções: curtir o entusiasmo decorrente do sucesso, sentindo-se realizado; o prazer da conquista, o sabor da superação. Ou tolerar o fracasso, aprendendo pacientemente com ele, adotando uma postura resiliente. Dessa forma, além de contribuir para o desenvolvimento das habilidades cognitivas, o jogo também desenvolve as habilidades socioemocionais. dantes, que se aprofundaram em seus temas, receberam um roteiro com o conteúdo a ser abordado, a estrutura a ser seguida para o debate, o tempo de cada uma das etapas (argumentação, réplica, tréplica e considerações finais), as regras a serem observadas etc. Um mediador estava a postos para resolver questões de ordem, encaminhar dúvidas que eram entregues à mesa, observar o tempo, a aplicação das penalidades em cada dia em que os temas foram debatidos. A emoção da experiência agradou e já repercute com pedidos de qual será o próximo tema. EMOÇÃO E ATIVIDADE O que motiva uma criança a escolher uma, entre tantas atividades extracurriculares? Um encantamento, uma curiosidade do que é novo. E quando ela persiste no curso, participando dele por muito tempo, é que está se sentindo motivada e estimulada, procurando superar seus limites e tendo novos desafios. Na semana da Mostra de Arte, Dança, Música e Tecnologia, é possível ver esse esmero e dedicação dos alunos A EMOÇÃO DE DEFENDER IDEAIS Na 1ª série do Ensino Médio, a professora de Geografia, ao pensar na abordagem do tema Fontes de Energia do Brasil, decidiu realizar uma série de debates a favor ou contra o uso de algumas fontes de energia, considerando sua participação na matriz energética brasileira. As fontes escolhidas foram: petróleo, energia nuclear e biocombustíveis (com ênfase ao etanol). Os estu- nas apresentações. Além de encantar a todos que assistem, dá para notar o quanto se envolvem emocionalmente. Muitas, seguras durante o processo, ficam apavoradas na hora das apresentações, dizendo que não vão conseguir e, nesse momento, o apoio dos colegas e dos professores é fundamental, pois com as emoções afloradas, nada como uma acolhida e um abraço pra quem não está tão seguro assim. Nas atividades, vê-se a emoção presente, andando junto com a aprendizagem, fazendo com que os alunos se desenvolvam por inteiro. As crianças são afetadas por seus sentimentos o tempo todo, seja pelo olhar de reprovação ou de aprovação de um colega ou mesmo do professor, assim como têm sensações internas, sejam elas de alegria, orgulho ou ansiedade. São todos esses sentimentos que desenvolvem a afetividade e mostram o aluno por inteiro. 06

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missão inspiradora Caleidoscópio nº 74 SER EDUCADOR É... A visão de professores do Santa Maria sobre a missão de educar. Nossos sinceros agradecimentos a todos os profissionais que dedicam sua vida à nobre arte de ensinar! “Crianças são questionadoras e querem compreender o mundo que as cerca. Educar, portanto, não significa apenas ensinar as disciplinas exigidas no currículo escolar. É ir além, é ensinar a ver, a ouvir e a ser. É encantar e ser encantado nesse processo de viver as descobertas, no qual o educador também é aprendiz. Por isso penso que professores há aos montes, mas educadores não, afinal ser educador é uma vocação, um ato de amor. Assim, ser educadora é acolher cada criança em sua singularidade, respeitando a história e o conhecimento que são trazidos para compor a experiência do grupo. A tarefa de educar é árdua, mas a cada sorriso recebido, resultante da alegria de aprender, percebo o quanto é válido esse trabalho. Então, que venham mais sorrisos, pois acredito que essas crianças farão a diferença na construção de um mundo melhor.” Tatiana Uehara Prosholdt, professora do 2º ano do Fundamental I “Ser professor é aceitar respeitosamente os desafios que a profissão de educador abrange: é constantemente procurar meios que inspirem os alunos a se envolverem no mundo do conhecimento e que os provoquem a darem o seu melhor a cada atividade proposta; é empenhar-se em incorporar, na sala de aula, momentos que propiciem a construção de relacionamentos saudáveis entre os alunos, enquanto os estimula a se permitirem trocas mais profundas com os seus pares; é permitir-se ser provocado pelos alunos a melhorar suas práticas dentro e fora da sala de aula, ao passo que os incita a fazer o mesmo. Tais desafios tornam a vida de quem escolheu ser professor muito incrível: cada dia, cada sala de aula, cada aluno nos traz novas oportunidades de superarmos a nós mesmos e de contribuirmos para que nossos alunos também se superem. É lindo.” Karin Kansog, professora de Leitura, Interpretação e Produção de Texto da 2ª série do Ensino Médio | 07

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missão inspiradora Caleidoscópio nº 74 “A nova configuração do profissional da área da Educação não está pautada apenas na transferência de conteúdos, mas num novo mediador de conhecimentos, que em primeiro plano se desenvolva continuadamente, uma vez que é fundamental olhar para o passado e rever o seu trajeto, percebendo as falhas, notando o que ainda falta aprender e assumindo o compromisso de melhorar a cada dia. O desafio é tornar-se apto a transportar os novos conhecimentos para o dia a dia da sala de aula. Outro ponto essencial para o pleno desenvolvimento do educador é o resgate dos valores humanos, pressupondo a solidariedade como base para a relação entre todos. É preciso apontar para os seus alunos a aceitação do outro como ele é, mostrar a importância de admitir e de respeitar os vários modos de pensar, agir, sentir ou de se comportar dos outros. É também seu papel social ajudar a formar pessoas capazes de resolver conflitos, pautadas no respeito. É importante que professores colaborem na articulação da escola com os pais e não trabalhem somente em correlação com os alunos. É preciso buscar meios para trazer a família para escola. Por fim, é indispensável que o docente traga consigo uma prática cotidiana contemporânea, abraçando os avanços tecnológicos de forma bem preparada e consciente, buscando a eficiência e a eficácia em sua docência, indo em busca dos novos paradigmas que trazem inovações e aprimoramento. Em decorrência de tudo isso, o grande desafio do educador atual é o de ser capaz de desconstruir paradigmas obsoletos em sua prática cotidiana e de (re)significar conceitos e conhecimentos para trilhar junto aos docentes o caminho na direção de um futuro melhor.” – Maurício Rodrigues, professor de Química do Ensino Médio “O que mobiliza a minha paixão por ensinar é poder transformar - um pensamento, uma escolha, os estudos - na ação de educar. É poder colaborar e acompanhar a formação dos valores pessoais, os conhecimentos que os alunos trazem de suas experiências, na construção de novos saberes.” - Thais Castro, professora do Jardim II “Minha paixão pela educação foi plantada logo nos meus primeiros anos de vida. Assim que ingressei na escola, meus pais falavam que os professores ali presentes mereciam todo respeito e carinho. Com tanta admiração e com tantas orientações dos meus pais, pude perceber que uma semente fora lançada em meu coração e ela foi germinando, crescendo e semeando algo dentro de mim que não me deixava desistir. Escolhi a área de Educação Física e pude mergulhar nesse mundo tão maravilhoso que é a educação pelo movimento. Faço das minhas aulas um momento de alegria e aprendizagem que ocorra com prazer: com o outro, na escuta e na fala, no respeito às diferenças, na superação dos desafios e no cuidado a cada detalhe que será passado para as crianças. Cada dia vivido é único, de crescimento, porque as crianças estão a todo momento procurando aprender, o que nos desafia como profissional a ampliar nossos olhares. Exerço minha função com muita dedicação, me preocupo principalmente com minha postura, pois sei bem que um educador é um exemplo a seguir porque foi a partir de exemplos que eu cheguei nessa profissão que tanto admiro.” - Tatiana Costa Roth Faria, instrutora de Oficina de Esportes dos Cursos Extracurriculares 08

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“Quem não se lembra de um professor, porque viveu ou vive experiências acadêmicas repletas de significado ao lado de alguém especial? Assim é o professor, o grande educador que participa ativamente do processo de formação crítica e criativa do aluno, que recebe de presente a oportunidade singular de estar a serviço do outro, atuando firmemente no propósito de construção da História e de históricas únicas, produzidas nas mais importantes fases de desenvolvimento de uma pessoa. É quem assume a grandiosa missão de se desafiar sistematicamente, enfrentar um processo dinâmico, interativo e democrático em sala de aula e se tornar um pesquisador, questionador, um ser ousado, que, de repente, aprende enquanto ensina e ensina enquanto aprende, num movimento contínuo de superação e expansão de suas fronteiras nas áreas do conhecimento. É, sobretudo, o ator social responsável por protagonizar a busca por um mundo novo, mais justo, solidário e fraterno, que acredita continuamente nas potencialidades das futuras gerações e mantém viva a chama da esperança na luta pela transformação social. Afinal, ser educador é fazer a diferença na vida de quem passa pela escola!” - Ana Claudia Florindo Fernandes, professora do 5º ano do Fundamental I “Somos todos educadores sem perceber. Ao conviver e nos relacionar direta ou indiretamente com outros, instabilizamos as ideias de outros, damos referências de atitudes, somos julgados pelo que fazemos ou parecemos ser. Quando escolhemos a educação como profissão, racionalizamos este ato difuso de educar. Estudamos, planejamos e nos preparamos. Buscamos entender como aprendemos e como o outro aprende. Pensamos e repensamos estratégias para que a aprendizagem seja efetiva e nos preparamos, arriscamos e vivemos. Muitas vezes nos decepcionamos e outras nos alegramos. Educar é um ato de humanidade. De crença na capacidade do ser humano de criar o futuro no presente. De buscar novos conflitos que construam mais do que destruam. Que permitam ao educador e ao educando perceberem-se em um mundo de transformação que só existe porque em comunhão.” - Gilberto Carvalho Soares, professor de Geografia do 7º ano do Fundamental II “Logo no início de minha carreira, ganhei uma placa dizendo: ‘Educar é amar’. E naquela época não entendia a dimensão dessa frase. Hoje vejo que o ato de educar está muito além da simples transmissão de conhecimento. Para ser educador, não basta conhecer teorias, aplicar metodologias ou simplesmente transmitir o conhecimento. É preciso uma vontade interna, uma compreensão da vida, um esforço em conhecer a si próprio para, assim, poder trocar as informações com o outro, pois o educador verdadeiro é aquele que compartilha seu conhecimento com muito amor e respeito, buscando junto com o educando chegar à excelência.” - Carla Afonso, professora de Matemática do 8º ano do Fundamental II | 09

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cotidiano Caleidoscópio nº 74 EXAMES DE PROFICIÊNCIA DA UNIVERSIDADE BOLETIM DE CAMBRIDGE SANTA COLETA Desde 2014, todos os alunos da 2ª e 3ª séries do Ensino Médio do Santa Maria têm a oportunidade de receber a certificação de Proficiência em Língua Inglesa pela Universidade Britânica de Cambridge. O projeto integrado com o currículo visa a que o aluno termine o Ensino Médio com as Certificações. A avaliação acontece no próprio espaço do Colégio e em parceria com a Winner, centro autorizado pela Cambridge para aplicação dos exames. Em 2015, foram três sessões dos exames: • 37 alunos prestaram o CAE (Cambridge Advanced English), em 12 de setembro; • 159 alunos prestaram o FCE (First Certificate English), em 10 de outubro; • 61 alunos prestaram o PET (Preliminary English Test), em 17 de outubro. PROJETO DROGAS E PREVENÇÃO A escola tem um relevante papel na discussão e compreensão sobre a relação dos jovens com as drogas (lícitas e ilícitas). Nesse sentido, é importante que se foque na prevenção, ou seja, promover a reflexão sobre fatores de risco e de proteção em relação às experimentações às drogas. A temática da relação dos jovens com as drogas foi abordada, no 8º ano do Fundamental II, dentro do contexto pedagógico, como um trabalho de reflexão e de estímulo ao desenvolvimento do pensamento crítico, enfatizando que os estudantes são responsáveis por suas ações, por meio de escolhas que desenvolvam o seu protagonismo e autonomia. A construção coletiva do conhecimento foi mediada nas aulas de Ciências, com a leitura do livro “Drogas e Prevenção”, e de Língua Portuguesa, com o livro “Pássaro contra a vidraça”. Além disso, o grupo contou com a presença da psicóloga Kátia Guimarães para dar informações claras sobre os efeitos das drogas para o jovem, sua família e a sociedade. Foram momentos articulados ao projeto da série, com foco na adolescência, integrando-se ao trabalho de Orientação Educacional. “O que eu tenho a ver com isso?” Essa foi a pergunta que serviu como mote para a sensibilização dos leitores do Boletim Santa Coleta produzido por alunos do 8º ano do Fundamental II (as alunas Amanda Natalle Lopes e Renata Ferreira Reiff, com a supervisão da professora Denise Carneiro). A intenção foi a de convidar os leitores a agirem em prol do meio ambiente, como têm feito muitos alunos do Santa Maria, especialmente em atividades articuladas com o projeto Ecoestudantil. Falar de sustentabilidade nesse grupo é uma missão muito relevante, já que aprenderam a praticá-la no próprio dia a dia. No 8º ano, especialmente, fizeram a construção, instalação e oficinas das cisternas urbanas, além do projeto “Dia de Trocas”, na qual arrecadaram livros, CDs e DVDs, que foram trocados e posteriormente doados, estimulando a troca de materiais em detrimento das compras e do consumismo. São primeiros passos que podem servir como exemplo e estímulo para que todos façam sua parte. I SEMANA DE FILOSOFIA De 13 a 16 de outubro, os alunos do 9º ano do Fundamental II participaram da I Semana de Filosofia do Colégio Santa Maria, que contou com a participação de professores especialistas para refletir sobre os papéis sociais e seus múltiplos significados. Os trabalhos tiveram início com Caio Augusto Ceneme Ferraz, cuja aula tratou dos arquétipos de Jung, um dos grandes teóricos da Psicologia. Na sequência, Heloisa Cardoso, que, além de transmitir conhecimento técnico sobre o sentido e a importância das máscaras, realizou uma aula prática de confecção de moldes de gesso. Foi marcante ver a arte brotando das mãos habilidosas de uma artista. No terceiro dia, Cristina Agostini, professora em instituições de ensino superior e autora de obras de teor filosófico, conseguiu traduzir em palavras simples e acessíveis conceitos sobre a Filosofia Antiga, como a bela história entre Eros e Psiqué, prendendo a atenção dos estudantes até o fim. Por fim, dois filmes contribuíram para a reflexão dos alunos, que encerraram a Semana com um desfile de cosplay mitológico em que cada sala representou algum dos personagens da mitologia grega. “Ficou evidente o entusiasmo dos alunos com o evento, motivo de orgulho e agradecimento a todos que contribuíram para seu sucesso” , declara o professor Pedro Moisés de Carvalho, idealizador do projeto. 10

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ECOESTUDANTIL Mais uma etapa cumprida pelos alunos que participam do Projeto Ecoestudantil do 8º ano do Fundamental II. No dia 6 de outubro, acompanhados pela professora Denise Carneiro, fizeram a doação de mais uma cisterna e ministraram uma oficina para os alunos do 4º ano do Fundamental I da EE Professor Eugênio Zerbini com o objetivo de oferecer aos estudantes a oportunidade de desenvolver a construção e instalação de uma cisterna caseira, um sistema de captação e armazenamento adequado de água da chuva para fins não potáveis. Esse conhecimento será transmitido para toda a comunidade, pois será usado na Feira Cultural da Eugênio Zerbini, com o apoio da professora Camila Cuba, uma ex-aluna do Santa Maria. Os alunos do 8º ano colocaram a mão na massa em todas as etapas, desde buscar o material parcialmente doado pelo Sr. Hiroshi Shimuta da Nicom, a confecção dos manuais de construção, a montagem da cisterna e a oficina, mostrando que realmente aplicam os conceitos de cidadania e sustentabilidade. ESCRAVIDÃO: SE EU NÃO SEI, QUANTAS PESSOAS TAMBÉM NÃO SABEM? Nos meses de junho a setembro, as temáticas das aulas de História e Ensino Religioso no 6º ano do Fundamental II se complementaram nos estudos do mundo antigo, contrapondo a situação do trabalho servil dos camponeses egípcios e a escravidão dos hebreus no Egito. Esse encontro entre as duas disciplinas ampliou-se no mês de setembro, quando a temática em ambas as disciplinas seria a escravidão. As análises passaram pela história do filho de Jacó, José, a primeira pessoa vendida citada na Bíblia para trabalhar como escravo no Egito, e por textos de Aristóteles e do Papa Francisco sobre trabalho escravo. Os alunos ainda pesquisaram vários momentos da história da humanidade, percebendo que, apesar dessa prática ser ilegal, a escravidão humana ainda não foi extinta. A intenção desse projeto interdisciplinar era criar a possibilidade de um estudo contextualizado sobre a escravidão, de forma a permitir que os alunos pudessem refletir sobre a situação do escravo e compreender como essa forma de exploração desqualifica o ser humano. Eles entenderam ainda que o combate à escravidão vai sendo construído pela vontade de reconhecer o outro como pessoa, querendo seu bem e trabalhando por ele, pois o bem de cada um está relacionado ao Bem Comum e interessa à vida de todos. VIVENDO E APRENDENDO A JOGAR COM O SUPLETIVO No dia 21 de outubro, aconteceu o encontro entre o Supletivo e os alunos do 7º ano do Fundamental II da manhã. Foi a noite chamada de “Vivência com o Supletivo”. O tema que os reuniu este ano foi “Vivendo e aprendendo a jogar”, o que possibilitou a reflexão a respeito da vida como um jogo, em que é preciso saber jogar, formulando as mais variadas estratégias e driblando as adversidades. Os alunos levaram um pouco da experiência que tiveram com a “História dos jogos através do tempo”, tema trabalhado na Semana Pe. Moreau, na disciplina de Matemática, explorando jogos como “Resta um” e “Jogo da Onça”. A troca com a turma da EJA (Escola de Jovens e Adultos) foi de graciosidade ímpar, pois os colegas levaram piões, bolinhas de gude e ainda o “jogo da pedrinha”, que muitos conhecem como “saquinho”. A divertida noite mostrou-se muito fecunda e deverá se repetir no próximo ano, pois a Vivência com o Supletivo já é um marco para os alunos da série, que a esperam desde fevereiro, início do ano letivo, por ser uma tradição de mais de quinze anos. ENCONTRO DE REFLEXÃO Para aprofundar o significado do “Ser Missionário” e reforçar os ganhos adquiridos no trabalho de voluntariado do Vale do Ribeira, o grupo que participou da viagem neste ano realizou um Encontro de Reflexão nos dias 16 e 17 de outubro no espaço do Prisma. A programação foi divertida, mas extremamente profunda. Logo de início, foram definidas equipes para ajudar na organização de todas as atividades - limpeza de banheiros, da cozinha, dos espaços ocupados. Foram realizadas reflexões e meditações em que cada um colocou os ganhos obtidos. A experiência foi agradável e muito gratificante, como declarou a aluna Larissa Russo:“Estar ao lado de colegas e professores é sempre único e gratificante e não poderia ser diferente, desta vez em nossa vivência. Relembramos nossos momentos no Vale do Ribeira, que levamos em nossos corações e nos enchem de saudade. Oramos e interagimos com músicas, jogos e atividades. Pensamos sobre nosso papel na sociedade. Somos missionários. Devemos levar Deus, amor e paz a quem necessita. Um grande grupo que se fortalece através de pequenos gestos que fazem a diferença. Uma experiência que levarei para toda minha vida” . | 11

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deixa comigo Caleidoscópio nº 74 IKE ZUMBI: CULTURA E RESI O que é ser negro no Brasil? Quais são os heróis que melhor nos representam? Quais memórias são enaltecidas e sob quais prismas a história é contada? Essas e tantas outras indagações foram o mote para o “Projeto Ike Zumbi: Cultura e Resistência Afro-Brasileira”, desenvolvido e gestado pela área de Ciências Humanas do Ensino Médio. Partindo de inúmeros incômodos e lacunas, pensamos em organizar um evento que não ficasse restrito aos nossos alunos, mas que tocasse diretamente àqueles que buscam respostas para a pergunta inicial e que, tal como Zumbi, resistem à pecha da invisibilidade, intencionalmente cristalizada em nosso cotidiano. Com essa premissa em mente, a divulgação do projeto, que contou com diversos eventos (mesas-debates, cines-militância, visita monitorada ao Museu Afro, exposição, leitura dramática, sarau), perpassou por todos os setores do colégio: Manutenção, Segurança, Limpeza, Cozinha. Tivemos a (grata) contribuição do 7º e 8º ano do Fundamental II e da EJA, tanto nas discussões e debates, quanto no Concurso de Cartazes (alguns dos trabalhos realizados pelos alunos ilustram esta seção). Diante disso, vale entender as razões que nos motivaram para esse projeto, a começar pelo nome: completamos em 20 de novembro 320 anos da morte de Zumbi dos Palmares, ícone de luta e resistência dos escravizados no Brasil. Levando em conta que não podemos negligenciar um passado que insiste em manter descompassos e incoerências quanto à formação histórica do brasileiro, adotamos Ike (força, numa das línguas vivas na Nigéria). Esqueçam o estereótipo de que negros são “hábeis, fortes e propícios ao trabalho”. “Ike” é uma saudação, são votos de perseverança, de luta, de resistência. Tivemos ainda uma surpresa quando recebemos no Auditório para um Encontro Militante representantes da luta quilombola do Vale do Ribeira. Todos presentes aprenderam o quanto a prática política forja um militante, prepara líderes, amplia a urgência da luta contra os vetores responsáveis pela perpetuação das desigualdades em nosso país. Queremos relatar aqui que participamos de um momento mágico que contou com a soma de várias vontades individuais e coletivas. Lembremos o empenho dos profissionais da Biblioteca, da equipe criativa de nutrição, cozinheiros e auxiliares do Refeitório, da atenção das profissionais do setor de limpeza – que sempre que nos encontravam no corredor nos desejavam “Ike” e que nos honraram visitando a exposição. É incrível como de vários quereres pode nascer algo realmente iluminado. Acabamos assistindo à comunhão dos alunos do Médio que se revezaram para receber os convidados no saguão do Auditório, dos professores de Educação Física que se empenharam não só em discutir a matriz afro da capoeira, mas promover uma roda com arz a Lot Div Ana Luís ak, 7º an o Giovanna Brito, 7º ano alunos e convidados, do empenho de professores e alunos, dirigidos pela professora Rita Pisano, em inventar entre absolutos amadores uma apresentação do Arena – grupo tão relevante para a história do teatro brasileiro e que se notabilizou por enfrentar a ditadura civil-militar dando voz a heróis que nunca estiveram nos livros didáticos como Zumbi dos Palmares. Quando fechamos as portas do Auditório no dia 19 de novembro, véspera do feriado que lembra a destruição de Palmares, ainda ouvíamos os atores de segunda murmurando “Zumbi, Zumbi, Zumbi”, ainda víamos a faixa que decorou nosso pátio com a frase de Abdias do Nascimento, lembrávamos das flores oferecidas a Oxalá e sentíamos o compromisso de não deixar este debate acabar ali. Cada um de nós saiu com a responsabilidade de multiplicar, de buscar outros quereres, de não esmorecer enquanto não tivermos de fato um Brasil onde todos os cidadãos sejam livres e iguais. Adriana Freitas e Sônia Brandão 12

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STÊNCIA AFRO-BRASILEIRA Samar a Batis ta de J esus, 7 º ano ra C. Ana Cla 7º Xavier, ano Lucas Boffa, 7º ano André No 3ª série gueira Jr., Ensino Médio Beatriz N. Leite , 7º ano dio o Mé nsin E e i sér e, 3ª lcon a F a Juli ORA, DIREIS, OUVIR ESTRELAS... Como desdobramento da abordagem teórica e conceitual das temáticas aprofundadas no curso de Astrofotografia do Currículo Diversificado, o Ensino Médio do Santa Maria promove sessões de observação do céu noturno no Colégio, visitas monitoradas ao Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP e visitas orientadas ao CienTec Parque de Ciência e Tecnologia da USP, sempre sob a supervisão do professor Ednilson Oliveira. A partir dessa interface que é familiar, o céu, os estudantes podem experimentar a observação e familiarizar-se com a utilização de instrumentos de observação celeste como binóculos, lunetas e telescópios, desenvolvendo habilidades que lhes permitirão ampliar infinitamente as fronteiras de seu conhecimento. Nesses encontros, descortina-se o céu de São Paulo para que os estudantes possam reconhecer os objetos celestes e, a partir da observação, levantar questões que contribuam para a construção de uma visão mais aprofundada do Universo. Nessas sessões, os interessados – alunos e familiares - são apresentados a um céu que alguns nunca viram, realizando uma pequena viagem por algumas maravilhas que a luminosidade urbana teima em esconder. Um exemplo recente foi a observação do eclipse da superlua no dia 27 de setembro, uma noite de domingo em que mais de 100 pessoas, entre alunos e familiares, se reuniram no Colégio para contemplar o fenômeno. “Um momento privilegiado de verdadeira comunhão universal” , resume Maria Soledad Más Gandini, coordenadora da Área de Ciências da Natureza e Matemática do Ensino Médio. Eclipse da superlua visto no Santa Maria em 27/09/2015 Foto: Ednilson Oliveira

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além dos muros Caleidoscópio nº 74 UNIVERSO INDÍGENA Na primeira semana de outubro, os alunos da 1ª série do Ensino Médio visitaram a aldeia indígena Tekoa Pyau, parte integrante da proposta de estudo do meio deste ano.  Para chegar à comunidade, localizada no Jaraguá, os alunos utilizaram transporte público e puderam conhecer o espaço que os rodeia, refletir sobre mobilidade urbana e periferização da população indígena. Chegando lá, conversaram com as lideranças da aldeia, conheceram a casa de reza e um pouco da religiosidade guarani.  O encontro com a alteridade, a reflexão sobre a relação das diferentes culturas com o meio ambiente e a discussão sobre diferença, desigualdade e direitos foram algumas das contribuições da visita ao curso de Ciências Humanas da série.  SÃO PAULO DE ANTIGAMENTE, COM OLHAR DA CRIANÇA DE HOJE FAZENDA IBICABA A saída de estudos realizada pelos alunos da 2ª série do Ensino Médio para a fazenda Ibicaba, no município de Cordeirópolis, interior de São Paulo, foi uma experiência enriquecedora para alunos e professores. O envolvimento inerente à pesquisa empírica conduziu a uma viagem no tempo e no espaço, à compreensão de conteúdos conceituais e à ampliação de trocas interpessoais durante a experiência real vivenciada. Nesse ambiente real, os alunos confrontaram seus conhecimentos, sua própria realidade e os temas de diferentes áreas das ciências humanas, apropriando-se de um saber vivido e ressignificado dentro e fora da sala de aula. Além disso, o reconhecimento da experiência pedagógica fora da sala de aula revela a importância e o papel do estudo do meio na construção de saberes, no desenvolvimento da abstração e na compreensão das diversas realidades estudadas. Os alunos aprenderam um pouco mais sobre a história da cidade de São Paulo no projeto “Viagens do Pré Arco-Íris: de norte a sul do Brasil”. Diversas propostas permitiram que as crianças desvendassem lugares, belezas e detalhes da linha do tempo sobre a cidade em que vivem, conhecimento muitas vezes esquecido pelos adultos. Eles puderam conhecer e resgatar fatos interessantes que constituem o que há ao redor atualmente. Com seu olhar curioso e observador, o que mais encantou o grupo foi a evolução dos meios de transportes e os patrimônios culturais, especialmente o Mercado Municipal e a Estação da luz. O principal intuito desta etapa do Projeto foi desvendar este mundo, muitas vezes limitado pela falta de exploração do meio em que vivem. 14

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na rede Caleidoscópio nº 74 GAMES NA AULA DE MATEMÁTICA Alunos desenvolvem games para reforçar conceitos matemáticos Para muitos alunos, a Matemática é um enigma. Alguns o encaram como desafio, outros como um obstáculo. Para solucioná-lo, os alunos do 8º ano do Fundamental II estão trabalhando com games na aula, abordando os problemas que lhes são colocados e colaborando efetivamente para desenvolvê-los através de ferramentas matemáticas. Os games instigam e propiciam o uso de conteúdos que são trabalhados em sala: formas e propriedades geométricas, padrões de regularidade, proporcionalidade, fatoração algébrica, entre outros. “O raciocínio lógico e a habilidade de desenvolver cálculos mentais foram essenciais para que cada fase fosse ultrapassada”, explica a professora de Matemática da série, Carla Afonso. Com isso, a atividade desenvolve a capacidade de concentração e de solucionar problemas, além de motivar os alunos a aprenderem coisas novas de maneira colaborativa. “Com os games, eles veem a Matemática como recurso para solucionar enigmas, vencer etapas e comemorar sucessos”, declara. ARTE DIGITAL Alunos do 2º ano do Fundamental I criam trabalhos artísticos com ferramenta digital No ambiente educacional, a tecnologia se faz presente com a possibilidade de diversas ferramentas para auxiliar no processo de ensino, aprendizagem e na aquisição de habilidades específicas. Entre essas possibilidades, está o editor gráfico ArtRage, criado para simular desenhos e pinturas à mão. O programa permite construir imagens sem utilizar fisicamente materiais usuais da arte, como lápis, tintas ou pincéis. Isso mesmo: construção e interação com imagens, obtendo o efeito real de uma aquarela, técnica a óleo ou uma colagem. A técnica foi aplicada no 2º ano do Fundamental I. Os recursos são inúmeros e os resultados são surpreendentes, como se pode ver nos exemplos que ilustram este texto. Mas não basta somente clicar e esperar que o resultado apareça: a interação e a intenção de ações previstas e pensadas permitem que os alunos efetivem seus projetos, comparem resultados, acrescentem detalhes, sem desperdiçar ou descartar materiais. A ferramenta não consiste somente na vontade de explorar a tecnologia por si só, mas colocá-la a serviço dos conceitos e interpretações que brotam do universo imaginário dos alunos. | 15

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