Bom Dia - O Diário do Médio Piracicaba

 

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Terça-feira, 1 de Dezembro de 2015 - Edição Número 3.992 - Ano XVII

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TERÇA-FEIRA 1 DE DEZEMBRO DE 2015 | R$ 1,00 Sol, alternando com pancadas de chuva e possíveis trovoadas O Diário do Médio Piracicaba Edição: 3.992 - Ano XVII - Fechamento: 19h45 MÁXIMA: 20ºC MÍNIMA: 25ºC www.bomdiaonline.com Procurador ameaça pedir bloqueio de bens da Vale e BHP para financiar pescadores Fotos: Divulgação O Ministério Público do Trabalho (MPT) de Minas Gerais ameaça pedir bloqueio dos bens das mineradoras Vale e BHP caso sua subsidiária Samarco não garanta ajuda financeira imediata a pescadores e outros trabalhadores ribeirinhos afetados por resíduos de mineração no leito do rio Doce. Página 4 Dia 12 de dezembro a partir das 9h Local: Ginásio do Colégio Kennedy Visitas no pátio da JS Serviço dias 4,5 e 6 de dezembro das 8h as 17h (Rua Gatassul, 1400, bairro Vera Cruz)

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terça-feira, 1 de dezembro de 2015 BOM DIA 2. BOM DIA • Diretor Geral/Responsável: Geraldo Magela Gonçalves • Diretor Financeiro: Luiz Gonazaga de Castro • Comercial: 3851-1515 • Edição Geraldo Magela Gonçalves (Interino) • Diagramação: Sérgio Henrique Braga • Colaboradores: Márcio Naoto Suzuki (Up Street) Lúcio Flávio Carlos Augusto - Gugu (Meu Palpite) Mariana Castro (Tendências) Luciano Estivalet (Gastronomia) Tayana Duarte (Interiores com Estilo) Marcos Martino (Cenários) Luciano Estivalet (Que tal cozinhar?) Thobias Almeida Lusco Fusco • Representante Comercial: Super Mídia Brasil - BH Central de Comunicação - SC Redação e Administração Rua Lucindo Caldeira, nº 159, Sl. 1, Alvorada, CEP.: 35930-028 João Monlevade / MG / Brasil (31) 3851.1515 • Bom Dia online: www.bomdiaonline.com Circulação: Alvinópolis, Barão de Cocais, Bela Vista de Minas, Bom Jesus do Amparo, Catas Altas, Dionísio, Dom Silvério, Itabira, João Monlevade, Nova Era, Rio Piracicaba, Santa Bárbara, São Domingos do Prata, São Gonçalo do Rio Abaixo, São José do Goiabal. opinião EXPEDIENTE O escritor e o silêncio Raduan Nassar, um dos principais escritores brasileiros de todos os tempos, completou 80 anos dia 27 de novembro. Curiosamente, Raduan chama atenção tanto por sua obra esplendorosa (e pouco extensa) quanto pelo abandono (precoce) da literatura, ou por aquilo que ele ainda poderia ter escrito. Desde os anos 1960, quando decide dedicar-se à literatura, ele já se dividia entre a produção rural e as atividades no Jornal do Bairro, semanário fundado pelos irmãos Nassar, do qual foi redator-chefe. Deixa em 1974 a direção do jornal e leva a cabo o projeto cujas primeiras anotações datavam de alguns anos: em poucos meses, trabalhando arduamente, conclui o romance Lavoura arcaica, sua obra de estreia, que acaba de completar 40 anos. Em 1978, publica a novela Um copo de cólera, cuja primeira versão fora escrita no início da década de 1970 (antes de Lavoura arcaica, portanto). E os contos que compõem o livro Menina a caminho e outros textos, publicado em 1997, datam dos anos 1960 – exceção feita a “Mãozinhas de seda” (produzido na década de 1990). E foi só. Poucos anos após ter estreado, em 1984, Raduan Nassar anuncia o abandono da literatura para se dedicar exclusivamente à produção rural. Obra Em Lavoura arcaica, o narrador-protagonista André rememora (reconstrói) a tragédia que assolou sua família. Sufocado pelo discurso endogâmico do pai e pelo excesso de afeto da mãe, André reivindica os seus direitos no incesto secretamente consumado (ou fantasiado?) com a irmã, Ana. E, depois disso, não vislumbra outra alternativa a não ser deixar a casa. O romance, cuja estrutura é parabólica, divide-se em duas partes: “A partida” e “O retorno”. Na primeira, Pedro, o primogênito, cumpre sua missão e resgata o irmão mais novo do exílio (um quarto de pensão interiorana). Contudo, mudanças irreversíveis abalaram a estrutura familiar. “O retorno”, mais curto e arrebatador, marca a dissolução da família. Em lugar da verborragia do pai e do próprio André, no fim resta a “dor arenosa do deserto”. Já na novela Um copo de cólera, há o embate entre as personagens “ele” e “ela”, disparado por um acontecimento corriqueiro – o rombo feito por uma comunidade de saúvas na “cerca-viva” (feita de plantas) da chácara. As formigas, “tão ordeiras”, violam a propriedade. O chacareiro não é senhor da própria chácara. O tempo da novela é curto e decisivo. Com efeito, a linguagem colérica e teatralizada engolfa as personagens, chegando ao extremo de, numa espécie de nascimento às avessas, abrir-se “inteira e prematura pra receber de volta aquele enorme feto”. Continente e conteúdo Se, em Lavoura arcaica, a imagem do corpo de André coberto de folhas é alusiva do retorno à natureza, além e aquém da vida, a imagem da cerca, em Um copo de cólera, é emblemática da busca por acolhimento, proteção, pertencimento. Brecha larga, híbrida, onde continente e conteúdo se confundem. Ora mais coléricos, ora mais líricos, os textos de Raduan Nassar falam eminentemente dos contrastes, empreendem retornos, questionam as (im)possibilidades para que ocorram mudanças. A linguagem, arduamente trabalhada, dá muitos frutos, e a questão da ressignificação daquilo que se vive – daquilo que se é – está sempre presente. Se, como propôs o filósofo francês Maurice Merleau-Ponty, a linguagem é silêncio, a obra de Raduan Nassar está aí para confirmá-lo. Poucos, no entanto, dão conta de reinventar a palavra nessa sua máxima potência. Raduan Nassar é uma dessas pessoas. Portanto, não há nada a estranhar no fato de ele ter deixado de escrever. Aliás, seu primeiro livro publicado (Lavoura arcaica) foi o último a ser escrito – ao estrear, Raduan já havia escrito tudo, sua “safrinha”, como ele diz. Avesso ao barulho mundano, ao jogo político, à hipocrisia, o escritor não optou pelo silêncio apenas ao deixar a literatura: Raduan Nassar escreveu o silêncio. Ao celebrar os seus 80 anos de vida, recordo-me de sua inconfundível gargalhada, de seu olhar afetuoso e profundo, de sua humilde generosidade. Parabéns, Raduan, e muito obrigado pela safrinha. Ela salva vidas. *Renato Tardivo é escritor e psicanalista FUNDADO EM JULHO DE 1998 Cidademais Comunicações Ltda. CNPJ.: 07.823..807/0001-73 Todos os Direitos Reservados bomdia@cidademais.com.br

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terça-feira, 1 de dezembro de 2015 BOM DIA 3. cidade Comitês querem ser parceiros e protagonistas nas ações de recuperação da Bacia do Rio Doce CBH- DOCE ENTREGA MANIFESTO AOS GOVERNOS ESTADUAL E FEDERAL E PROPÕE INVESTIR RECURSOS NA RECUPERAÇÃO DE NASCENTES força-tarefa, ressalta o posicionamento firme e a atuação rápida e articulada dos governos estadual e federal. “Esta Ação Civil Pública aumenta a nossa esperança de que os recursos para ressarcimento dos danos saiam das mãos dos responsáveis por esta tragédia e cheguem efetivamente para custear o trabalho de recuperação”, conclui. Participam do evento os representantes dos comitês afluentes e do CBH-Doce; o diretor presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu; a presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Marilene Ramos; o procurador geral da União, da Advocacia Geral da União, Paulo Henrique Kuhn; e o procurador geral federal, da Advocacia Geral da União, Renato Rodrigues Vieira, entre outras autoridades. Geral - Os desafios a serem enfrentados na recuperação dos danos causados pelo rompimento da barragem da mineradora Samarco, em Mariana, no último dia 5 de novembro, foram discutidos durante reunião dos Comitês que compõem a Bacia Hidrográfica do Rio Doce, em Governador Valadares. O presidente do CBH-Doce, e prefeito de Colatina, Leandro Deptulski, entregaram ao coordenador da força-tarefa criada pelo Governo de Minas Gerais para recuperar os municípios atingidos, o secretário de Desenvolvimento Regional, Política Urbana e Gestão Metropolitana, Tadeu Martins Leite, ao ministro interino do Meio Ambiente, Francisco Gaetani e às demais autoridades presentes um manifesto que solicita maior participação da entidade nas discussões, decisões e ações referentes ao processo de recuperação do manancial. Foi entregue ainda uma cópia do Plano Integrado de Recursos Hídricosda Bacia do Rio Doce (PIRH Doce), que pode orientar os trabalhos de recuperação. “A proposta do Comitê é ser protagonista nas ações relativas ao desastre ambiental e participar da gestão do fundo financeiro que será criado Reunião dos Comitês que compõem a Bacia Hidrográfica do Rio Doce, em Governador Valadares para recuperação da bacia, dada a legitimidade e experiência acumulada na gestão e revitalização da Bacia do Rio Doce”, explica o presidente. Para o secretário Tadeu Martins Leite, o cenário que enfrentamos exige atuação coordenada e articulada dos Estados, União, municípios, órgãos e entidades, não só nas ações emergenciais mas, sobretudo, naquelas que devem ser planejadas e executadas à longo prazo. “Com o levantamento dos danos ambientais e socioeconômicos que vamos fazer na força-tarefa será possível mapear os impactos, equacionar os prejuízos e propor um plano de restauração ambiental que contemple as propostas de todos os envolvidos, e os comitês de bacia serão muito importantes neste processo”, explica. Como desdobramento da força-tarefa, o secretário cita a formalização da ação judicial conjunta entre a União e Estados, com o objetivo de agilizar as ações na Justiça, e a sugestão de alteração do decreto que cria a força-tarefa para permitir que novos atores sejam incluídos nas discussões e avaliações dos desdobramentos do rompimento das barragens. Durante a reunião, o ministro interino do Meio Ambiente, juntamente com os procuradoresfederais, explicou detalhes da ação civil pública na qual a União e os Estados de Minas Gerais e Espírito Santo processam a Samarco e as empresas Vale e BHP Billiton para que arquem com R$ 20 bilhões para as despesas de recuperação dos danos e revitalização da Bacia do Rio Doce. A prefeita de Governador Valadares, Elisa Costa, que também integra a Força tarefa irá levantar os danos ambientais e socioeconômicos da tragédia

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terça-feira, 1 de dezembro de 2015 BOM DIA 4. cidade ministra Izabella Teixeira durante o anúncio. No mesmo dia, Vale e BHP Billiton anunciaram a criação de um “fundo voluntário e sem fins lucrativos, com a Samarco, para resgatar e recuperar o Rio Doce e seus afluentes”. “O fundo será capitalizado, inicialmente, com recursos da Vale e da BHP. A intenção é buscar apoio financeiro adicional de outras instituições privadas, públicas e ONGs. O valor inicial está em fase de definição”, informaram as companhias. Procurador ameaça pedir bloqueio de bens da Vale e BHP para financiar pescadores Da BBC Brasil em São Paulo Geral - O Ministério Público do Trabalho (MPT) de Minas Gerais ameaça pedir bloqueio dos bens das mineradoras Vale e BHP caso sua subsidiária Samarco não garanta ajuda financeira imediata a pescadores e outros trabalhadores ribeirinhos afetados por resíduos de mineração no leito do rio Doce. À BBC Brasil, o procurador do Trabalho Geraldo Emediato de Souza disse que as empresas precisam assegurar “renda mínima para que pescadores e produtores rurais sobrevivam” até que indenizações sejam definidas - mas ressalta que a Samarco “precisa ter dinheiro em caixa” para fazer estes pagamentos. A Samarco é controlada pela Vale e pela anglo-australiana BHP Billiton, cada uma com 50% das ações da empresa. O procurador afirma que um acordo com as empresas será tentado nesta sexta-feira. Na falta de consenso, a estratégia do MPT será o congelamento de contas. “Se for bloquear (dinheiro), vou bloquear as contas da Vale e da BHP porque não quero inviabilizar a Samarco (financeiramente)”, diz. Segundo Souza, a mineradora já teria se comprometido informalmente a pagar um salário mínimo, mais 20% por dependente, para todos os trabalhadores do leito do rio que se sentirem afetados pela lama. “O ideal seria que esse valor aumentasse. Mas estamos lutando contra o tempo”, diz. À reportagem, a Samar- co não informou valores, mas confirmou que “irá subsidiar temporariamente as famílias que tiveram seus recursos de subsistência afetados pelo deslocamento da pluma de turbidez no Rio Doce” - sem responder, porém, quando isso acontecerá. Quase um mês após o rompimento de uma barragem da região de Mariana, a mineradora diz que ainda não sabe quantas pessoas tiveram seu trabalho ou subsistência afetados pelos resíduos químicos que cruzaram o rio Doce rumo ao oceano Atlântico. “Foram iniciados os trabalhos de levantamento de impactos socioeconômicos ao longo da Bacia do Doce. A empresa reforça que não está medindo esforços para que esse processo aconteça no menor prazo possível”, diz a Samarco, em nota. A companhia também diz que “está profundamente consternada por todos os impactos causados por esta situação tão triste”. Procurada, a Vale não comentou a ameaça de bloqueio de suas contas para garantir o pagamento de “renda mínima” às populações afetadas. Erro técnico À reportagem, a Samarco não confirmou valores, mas confirmou que ‘irá subsidiar temporariamente as famílias que tiveram seu recursos de subsistência afetados’ À BBC Brasil, o Tribunal de Justiça de MG informou que as liminares que determinaram bloqueio de R$ 300 milhões das contas da Samarco já foram cumpridas, mas resultaram em bloqueio maior - no total, R$ 508.522.538 - por um erro técnico. Após notar a cobrança excedente, o juiz Frederico Esteves Duarte Gonçalves, da 2ª Vara Cível, Criminal e de Execuções Penais da Comarca de Mariana, ordenou a devolução dos R$ 208.522.538 para a mineradora. Segundo o TJ, a Samarco “alegou que estava impossibilitada de efetuar qualquer despesa, inclusive o pagamento de seus funcionários”. Toda esta quantia bloqueada será usada exclusivamente na reparação de danos causados a famílias de Mariana. A empresa não comentou o caso após o contato da BBC Brasil. Em nota, afirmou que contratou duas empresas para o levantamento de impactos e o cadastramento de “famílias diretamente impactadas”. “Uma das etapas do trabalho consta do cadastramento de famílias diretamente impactadas, como pequenos agricultores, pescadores e areieiros. As informações serão “cruzadas” com as bases oficiais já disponibilizadas pelas prefeituras, associações e colônias de pescadores”, diz a Samarco. “Os representantes da Samarco não medem esforços para agilizar o processo”, prossegue a companhia. R$ 20 bilhões Procurada, a Vale não comentou a ameaça de bloqueio de suas contas para garantir o pagamento de ‘renda mínima’ às populações afetadas. Na última sexta-feira, o governo federal e os Estados de Minas Gerais e do Espírito Santo anunciaram que vão processar Samarco, Vale e BHP Billiton em R$ 20 bilhões. Com a ação civil pública contra a mineradora Samarco e suas controladoras, o governo pretende levantar recursos “em ações de contenção dos impactos, revitalização da bacia do Rio Doce e indenização das pessoas afeta- das pelo desastre”. A medida foi anunciada em entrevista coletiva concedida pelos ministros Luís Inácio Adams, da Advocacia Geral da União, Izabella Teixeira, do Meio Ambiente, além procurador-geral do Espírito Santo, Rodrigo Rabello. “O que foi perdido ali está perdido. A cadeia biológica não será reconstruída. Temos que criar condições. Teremos que remediar determinadas áreas, trabalhar com sociedade civil e avaliar (danos)”, disse a

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