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Ao completar 23 anos, de existência, a MABOQUE orgulha-se de ter conseguido manter-se firme e forte enfrentando e vencendo as adversidades do mundo empresarial. A experiência, tradição, capacidade inovadora e lealdade aos seus clientes tornaram a MABOQUE numa marca incontornável do mercado nacional e não só. Contacte os seus serviços comerciais e inteire-se da variadíssima gama de oferta de serviços no domínio de eventos, catering de aviação e gestão de empreendimentos. s o n a 3 2 a ajudar angola a crescer e a diversificar a economia. Email: maboquecomercial@gmail.com Contactos: 917 409 641/ 934 295 039/ 928 884422 Figuras&Negócios - Nº 167 - NOVEMBRO 2015 3 etniacomunicação

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CARTA DO EDITOR C M Y CM MY CY CMY K 4 Figuras&Negócios - Nº 167 - NOVEMBRO 2015

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ata remarcável na vida por muitos anos. de todo o angolano, o Com a opção de desenvolvimen11 de Novembro assi- to vincada na construção de uma nala o marco em que sociedade democrática onde se conAngola se libertou das sagra religiosamente, entre outros, o grilhetas do colonia- respeito à diferença de opiniões e os lismo português e se constituiu em direitos elementares do homem, Anestado independente e soberano. gola galga nesse caminho e no quaIsso aconteceu em 1975, e já lá vão dro de uma Constituição aprovada há quarenta anos. O povo angolano as- mais de cinco anos, estão previstas sinalou a data este ano, analizando o novas eleições legislativas e presipercurso transcorrido, feito com mui- denciais para o ano de 2017. tas pedras pelo caminho, que tiveram A nossa presente edição é, na de ser vencidas à custa do sangue sua maior parte, dedicada aos feitos de muitos cidadãos. A paz defintiva do 11 de Novembro de 1975 e todo para Angola só foi alcançada há pou- o trajecto percorrido desde então, co mais de 13 anos, e, desde essa onde se ressaltam factos históricos altura, ao mesmo tempo que se em- ocorridos que merecem ser do copreende um esforço gigantesco para nhecimento de toda familia angolaa reconstrução e se erguem estrutu- na, numa altura em que se reclama ras para sustentar o pilar material do com mais urgência e oportunidade a desenvolvimento económico, uma necessidade de se escrever a verdaatenção cuidada não é descurada deira história de Angola, despida de à reconciliação da família angolana complexos. Porque o País e o seu em função dos cacos partidos numa Povo precisam de uma história onde guerra fratricida que230x148.pdf se prolongou possam DOPPEL Pulungunza-AF imprensa 1 17/07/15 15:36 se rever nela. D CARTA DO EDITOR Resta espaço nesta edição para uma abordagem sobre temas candentes da actualidade no mundo onde as atenções recaem sobre o ataque criminoso de islamistas radicais na cidade de Paris, Franca, que levou à morte mais de uma centena de pessoas num claro alerta mundial de que urge criar uma verdadeira unidade dos povos e países para se lutar contra o Estado Islâmico e todas as organizações que mais não pretendem do que continuar a causar o luto e a dor no mundo. A África sente esses efeitos agressivos, mormente devido a sanha assassina do Boko Haram. onde quase diariamente, na Nigéria, no Mali, nos Camarões ou noutros países vizinhos se cometem as mais crueis barbaridades. O mundo, afinal de contas, precisa de se organizar para que a linguagem que impera seja a do convivio e confronto de ideias e não a violência, a morte e destruição. Boa Leitura! Figuras&Negócios - Nº 167 - NOVEMBRO 2015 5

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3. 7. CARTA DO EDITOR PONTO DE ORDEM O PACTO DE PATRIOTISMO 15. CRÓNICAS DA ILHA INVEJA 16. FIGURAS DE CÁ 20. MUNDO REAL ANALISAR, DISCUTIR E PROPOR 77. FIGURAS DE JOGOS MINHA ANGOLA, NOSSA TERRA 83. NA ESPUMA DOS DIAS SÓ... NOVEMBRO 90. MUNDO FRANÇA, OS EFEITOS DOS ATAQUES 10. PÁGINA ABERTA MARTINHO DA VILA, "SONHO FAZER UMA DIGRESSÃO MAIOR EM ANGOLA" DOSSIER CAPA: BRUNO SENNA 24. 40 ANOS DE INDEPENDÊNCIA DE ANGOLA 92. MODA & BELEZA Figuras&Negócios - Nº 167 - NOVEMBRO 2015 6

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ÁFRICA 86. NGUESSO E AS AMEAÇAS DE DESOBEDIÊNCIA CIVIL 96. VIDA SOCIAL 100. FIGURAS DE LÁ 104. RECADO SOCIAL Figuras&Negócios - Nº 167 - NOVEMBRO 2015 Publicação mensal de economia, negócios e sociedade Ano 15 - n. º 167, Novembro – 2015 N. º de registo 13/B/97 Director Geral: Victor Aleixo Redacção: Carlos Miranda, Júlia Mbumba, Sebastião Félix, Suzana Mendes e Venceslau Mateus Fotografia: George Nsimba e Adão Tenda Colaboradores: Édio Martins, Juliana Evangelista, João Barbosa (Portugal), Manuel Muanza, Rita Simões, Ana Kavungu, D.Dondo, Wallace Nunes (Brasil), Alírio Pina e Olavo Correia (Cabo-Verde), Óscar Medeiros (S.Tomé), Crisa Santos (Moda) e Conceição Cachimbombo (Tradutora). Design e Paginação: Humberto Zage e Sebastião Miguel Publicidade: Paulo Medina (chefe) Assinaturas (geral): Katila Garcia Revisão: Baptista Neto Tel: (+-244) 937 465 000 Brasil: Wallace Nunes Móvel: (55 11) 9522-1373 e-mail: nunewallace@gmail.com Inglaterra (Londres): Diogo Júnior 12 - Ashburton Road Royal Docks - London E16 1PD U.K Portugal: Rita Simões Rua Rosas do Pombal Nº15 2dto 2805-239 Cova da Piedade Almada Telefone: (00351) 934265454 Produção Gráfica: Imprimarte (Angola) Cor Acabada, Lda (Portugal) Tiragem: 10.000 exemplares Direcção e Redacção: Edifício Mutamba-Luanda 2º andar - Porta S. Tel: 222 397 185/ 222 335 866 Fax: 222 393 020 Caixa Postal - 6375 E-mails: figurasnegocios@hotmail.com artimagem@snet.co.ao Site: www. figurasenegocios.co.ao Facebook: Revista Figuras&Negócios Angola 7

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O PACTO DE PATRIOTISMO Victor Aleixo victoraleixo12@gmail.com U PONTO DE ORDEM ma das questões que mais se levanta com mais acuidade, sobretudo agora que estamos a comemorar os 40 anos da independência de Angola, é do porquê que a intervenção dos angolanos no conjunto de problemas que enformam o País na construção de uma nação não mobiliza aquele engajamento massivo que foi notável nos primórdios da nossa independência. Muitos cidadãos argumentam que a primeira causa reside no divórcio que se criou e cada vez mais se acentua entre a classe governante e a sociedade, mormente na definição das melhores políticas para se abraçar o desenvolvimento, onde, desde logo, o ponto de partida de todas as acções tem de ser o angolano. Olhamos para as políticas de desenvolvimento, os caminhos que se traçam e facilmente se constata que mais rapidamente se abraça a cooperação e assessoria estrangeira na definição das linhas mestras do que se preconiza em detrimento das capacidades nacionais, na maior parte dos casos em acções que podem ser entendidas como verdadeira falta de patriotismo por parte de quem tem os poderes para decidir. Em tempos de falta de dinheiro para grandes cavalarias, olhe-se, por exemplo, para os números que se gastam na contratação de consultoria/assessoria estrangeira e veja-se os resultados que se alcançam! Regra geral, há uma aposta quase cega (ou tendenciosa?) na contratação dessa mão de obra estrangeira com o rótulo de assessoria/consultoria, quantas vezes composta de estagiários que vêm à procura do seu primeiro emprego e, mais grave, desconhecedores, na sua maioria, da verdadeira realidade do País onde vão trabalhar, se calhar, sem ironia, sem saberem ao certo a sua situação geográfica, hábitos e costumes do seu povo. Transportam consigo modelos de desenvolvimento de outras latitudes, geralmemente europeus, e impingem aos diferentes sectores públicos essas realidades importadas pelo que geralmente os efeitos não se repercutem positivamente, como era desejável. Curiosamente, isso acontece numa altura que o País conhece cada vez mais um número acentuado de pessoas abalizadas, alguns com profundo conhecimento do País, porque já desempenharam, em determinado momento, cargos públicos de alta responsabilidade, mas hoje não são tidos nem achados, por mais disponibilidade que demonstrem, para transmitir os seus conhecimentos. Alguns têm mesmo empresas de consultoria mas são pura e simplesmente ignorados. E posso citar aqui alguns quadros valiosos, como Dionísio Mendonça e Amilcar Silva, no sector da Banca, António Henrique, Galvão Branco, Madeira Torres, no campo económico, Lago de Carvalho, Jaime Freitas, no campo empresarial. Quer dizer que se ignora as capacidades nacionais e se aposta na dúvida de uma cooperação/assessória duvidosa, o que demonstra um elevado sentido de falta de patriotismo de quem os contrata, acomoda a incompetência encapotada na globalização e cria-se o fosso da solidariedade que é sempre necessária para o pacto de estabilidade e sintonia entre os angolanos, que se precisa. Numa altura que estamos empenhados em assinalar os 40 anos da independência nacional, não deixa de ser uma oportunidade soberana para se corrigir esse défice. Urge encontrar formas que possam levar os angolanos a tracarem o melhor caminho para o desenvolvimento, pensar e agir em nome de Angola. Os angolanos têm de trocar ideias e colaborar mutuamente, deixando para trás a competição desleal, a inveja, a perseguição e o ódio que infelizmente ainda têm espaço cativo na sociedade. Se calhar, nada melhor do que lutar por um verdadeiro pacto pelo reforço do patriotismo dos angolanos de forma que todos se sintam mais donos e participes do seu próprio destino, do destino de Angola. Infelizmente hoje mais facilmente se apoia um simples feito do estrangeiro do que uma grande conquista de um angolano. Figuras&Negócios - Nº 167 - NOVEMBRO 2015 9

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PÁGINA ABERTA DESTAQUE Martinho José Ferreira, mais conhecido por Martinho da Vila, nasceu na cidade fluminense de Duas Barras, em 12 de Fevereiro de 1938. Foi para a capital aos 4 anos. Chamou a atenção do público em 1967, no III Festival da Record, com Menina Moça. Mas o primeiro sucesso veio no ano seguinte, com Casa de Bamba. Ele é bamba. Sua relação com a escola de samba Unidos de Vila Isabel é de 1965. Criou o samba-enredo Kizomba: a Festa da Raça, de 1988, para os cem anos da Lei Áurea. Dez anos depois, retomaria o tema no romance autobiográfico Kizombas, Andanças e Festanças. Autor vulcânico. Os seus 11 livros, de infanto-juvenis a romances, são para ele tão vitais quanto os 48 discos lançados desde os anos 60. Em entrevista por email para Figuras&Negócios, o expoente do samba carioca foi rápido, super sucinto, mas garantiu que costuma criar um álbum de canções como se escrevesse um livro e recomenda que todo mundo tire um dia da semana para ouvir as faixas de um bom CD só para ler as letras. Além do mais, Martinho é compositor da lusofonia. Fez o disco, Rosa do Povo, só com os poemas do livro homónimo de Carlos Drummond de Andrade. E transita por países africanos de língua portuguesa a pesquisar raízes e falares com que alimenta a sua obra. “Na sua passagem por Angola foi claro: “ tocar em Angola é sempre emocionante”. Tem em Vila Isabel a sua sede. O bairro carioca deve a Noel Rosa a fama cosmopolita do seu samba. Hoje, é difícil pensar o lugar sem Martinho. Aos 75 anos, o cantor acaba de ter a obra revisitada pelo escritor Hugo Suckman, numa discobiografia do projecto Sambabook. Nesta entrevista, Martinho comenta a relação do samba com a língua portuguesa, o seu carinho pela lusofonia e o seu processo criativo de carpintaria literária Texto: Wallace Nunes Fotos: Marcelo Correa F iguras&Negócios (F&N) - Qual a importância de ter a obra revisitada por artistas tão variados? Martinho da Vila (M.V.): Para um compositor, é uma honraria muito grande e gostei mais do projecto, sinceramente, porque é muito importante para o samba e não só para mim. Em quase todos os projectos do género, em geral se faz algo muito transado, mas o samba sempre fica para o final. O samba nunca teve um produto como esse, tão bem feito, tão bem armado. F&N: Já se vão mais de 75 anos de vida e grande parte da sua idade é dedicado ao samba. Qual é avaliação da sua carreira ao longo desse tempo? M.V.: Não gosto de avaliar a minha carreira. F&N: O Senhor tem oito filhos, dez netos, 45 anos de carreira e participa de uma maratona de shows. Como anda a sua saúde? M.V.: Além dos 10 netos tenho uma bisneta. Fiz um check up recente e a minha saúde está muito boa, graças a Deus. F&N: Qual a importância de ter a obra revisitada por artistas tão variados? M.V.: Releituras da minha obra por diversos artistas é importante porque as músicas ganham nova vida. Fico sempre muito feliz. A Simone gravou um disco inteiro com músicas minhas e está para sair um outro belíssimo feito pela cantora Ana Costa, também inteirinho. F&N: O samba carioca tem uma maneira própria de lidar com o uso das palavras? M.V.: Tem. Nas músicas de Noel MARTINHO DA VILA, MÚSICO BRASILEIRO “SONHO FAZER UMA DIGRESSÃO MAIOR EM AN 12 Figuras&Negócios - Nº 167 - NOVEMBRO 2015

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PÁGINA ABERTA Rosa, no passado e Chico Buarque, no presente, a letra tem uma importância fundamental, assim como nas composições do Nei Lopes e alguns outros. F&N: O Senhor ainda compõe? Como o faz, cria a melodia inicialmente e por aí vai? M.V.: Recentemente fiz, em parceria com Francis Hime e Olívia, a música “Daqui e de Acolá” que apresentamos no Projecto Calunga II, em Luanda. A mais nova composição “Amanhã é Sábado”, lancei no programa Fantástico da TV Globo, com a cantora Roberta Sá. A Escola de Samba. Unidos de Vila Isabel vai desfilar com um samba de minha autoria e parceiros. Não é possível dizer, em poucas linhas, os meus métodos de composição. F&N: É dolorido fazer música? M.V.: É um processo estafante, mas muito prazeiroso no final. F&N: Há liberdade maior no manejo da língua ao se escrever letra de música do que um livro? M.V.: Há uma certa liberdade ao escrever letra de música, graças às licenças poéticas. F&N: Você é autor do livro Os Lusófonos. O que o atrai nos países de língua portuguesa? M.V.: O que me atrai está no livro. F&N: O Senhor é sucesso no mundo que o compreende, mas com mais força nos países de língua portuguesa. Ainda sim, o senhor não acha que falta investir mais na carreira internacional? M.V.: Eu não invisto na carreira NGOLA” Figuras&Negócios - Nº 167 - NOVEMBRO 2015 13

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PÁGINA ABERTA DESTAQUE internacional. Ela acontece. Estou a estudar propostas de vários países. F&N: Quando o senhor iniciou a carreira, imaginou chegar onde chegou? M.V.: Não. F&N: O Senhor já vendeu milhões de cópias ao longo da sua carreira. Qual foi o disco mais representativo da sua vida musical? M.V.: Todos os meus discos são representativos. F&N: O actual cenário do samba lhe agrada? M.V.: Sim. F&N: O que lhe dá mais prazer: compor um samba-enredo para a Vila Isabel, escrever um novo livro, ou cantar para milhares de pessoas? M.V.: São actividades muito distintas e incomparáveis. F&N: Quem o inspirou fazendo pensar: “Puxa um dia eu quero ser igual ou até melhor que esse cara”? M.V.: Nunca pensei assim. F&N: Muitos músicos dos países de língua portuguesa sempre foram bem aceites no mundo. Entretanto, nos últimos anos a qualidade melhorou ou piorou? M.V.: Melhorou muito. F&N: Que avaliação o Senhor faz da sua passagem por Angola? M.V.: Ir a Angola é sempre emocionante. F&N: O Senhor acha que é possível uma maior integração entre os músicos das duas nações de língua irmã? M.V.: É possível e importante, mas há necessidade de investimento. Releituras da minha obra por diversos artistas é importante porque as músicas ganham nova vida. Fico sempre muito feliz. A Simone gravou um disco inteiro com músicas minhas e está para sair um outro belíssimo feito pela cantora Ana Costa, também inteirinho.” F&N: Há possibilidade de voltar a fazer uma agenda maior em Angola no ano de 2016? M.V.: Ultimamente só tenho sido convidado para cantar em Luanda, mas no próximo ano sonho fazer uma digressão maior. “ 14 Figuras&Negócios - Nº 167 - NOVEMBRO 2015

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PÁGINA DESTAQUE ABERTA FESTEJAMOS JUNTOS WWW.PORTOLUANDA.CO.AO Figuras&Negócios - Nº 167 - NOVEMBRO 2015 70 ANOS DO PORTO DE LUANDA ANGOLA E O FUTURO COMO MISSÃO 15

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