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Sucessão: Um tema delicado

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A REVISTA DE GESTÃO, FINANÇAS, PESSOAS E MARKETING DO COOPERATIVISMO Ano 14 63 Sucessão: um tema delicado A opinião e as recomendações de acadêmicos, consultores e lideranças cooperativistas GESTÃO Ainda há esperança, 2016 tende a ser melhor, garantem os especialistas MARKETING Design Thinking ganha mais e mais espaço concretizando coisas abstratas ENTREVISTA Eudes de Freitas Aquino, presidente da Unimed do Brasil fala sobre seus 33 anos de participação no cooperativismo PESSOAS Ações solidárias conquistam espaço em organizações MUNDOCOOP 1

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A REVISTA DE GESTÃO, FINANÇAS, PESSOAS E MARKETING DO COOPERATIVISMO Diretoria Douglas Alves Ferreira Luis Cláudio G. F. Silva Redação EDITORA / Katia Penteado - MTb 11.682/SP redacao@mundocoop.com.br Arte DIRETOR DE CRIAÇÃO / Douglas Alves Ferreira ASSISTENTE DE ARTE / Felipe Ramos revista@mundocoop.com.br Publicidade DIRETOR COMERCIAL / Luis Cláudio G. F. Silva comercial@mundocoop.com.br COMERCIAL / Adriana Aguilar Soares publicidade@mundocoop.com.br Controle e Operações Wilma Zacharias Impressão Referência Gráfica TIRAGEM / 15 mil exemplares Fotos Arquivo MundoCoop e Shutter Stock 2015 DE VENTO EM POPA Para muitos, o ano só começa após o Carnaval. Mas, nós, da MundoCoop, acreditamos que você faz parte do grupo que acredita no trabalho persistente, constante, que gera riqueza material e intelectual, produção, divisas e igualdade social, entre outros benefícios que perenizam as cooperativas, as instituições e a história de cada um. A matéria de capa desta edição fala de tudo isso, porque trata dos processos de sucessão no gerenciamento das cooperativas. Professores da FGV e da Unicamp, consultores e representante do Sistema OCB apresentam a teoria e dão recomendações e dicas, enquanto representantes de cooperativas contam suas experiências. Troca de experiências também marca três outros espaços desta edição. O Momento Cooperar conta a história e as realizações da Colivre, cooperativa focada na difusão e no desenvolvimento de tecnologias livres, que desenvolveu plataforma multimídia – o Noosfero – para criação de redes sociais de nicho. Idade do Ouro é um novo espaço, que estreia apresentando a vivência e o sonho do paulista Américo Utumi, um dos nomes do cooperativismo brasileiro conhecidos mundialmente. Entrevista, por sua vez, traz um outro cooperativista com representatividade internacional e listado pela Forbes Brasil entre as 100 pessoas mais influentes no Brasil: Eudes de Freitas Aquino, que compartilha com todos nós sua vivência de 33 anos no cooperativismo e discorre sobre diversos outros temas. Mas, infelizmente, há notícias menos animadoras. O ano começou no dia 1º de janeiro, mesmo para aqueles que não acreditam nisso, e se apresenta com uma cesta variada de problemas, que desafiam os gestores. Em Gestão, os economistas Claudemir Galvani, da PUC São Paulo e da FGV, e Ricardo Amorim, da Ricam Consultoria e apresentador do Manhattan Connection, garantem que, apesar de a crise marcar o período e exigir remédios amargos, ainda há esperanças e 2016 tende a ser melhor. E tem mais. Design thinking, definido como metodologia para resolver problemas complexos, é apresentado em Marketing; as ações solidárias como propulsoras da melhoria do ambiente profissional e da construção de um mundo melhor estão em Pessoas; e o primeiro aniversário do FGCoop, em Finanças, entre outras informações, completam esta edição. Ótima leitura! Katia Penteado, Editora A revista MundoCOOP é uma publicação da HL/Mais Editorial Ltda. Rua Atílio Piffer, 271 - Conj. 22 - Casa Verde 02516-000 - São Paulo/SP - Telefone (11) 4323-2881 www.mundocoop.com.br Os anúncios e artigos assinados são de responsabilidade dos autores. As opiniões emitidas pelos entrevistados não refletem, o pensamento da coordenação dessa publicação. 4 MUNDOCOOP

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Sumário | Entrevista 14 16 28 Eudes de Freitas Aquino Focando na diferença entre ser o cooperativismo e estar cooperativista ele fala sobre seus 33 anos de participação no cooperativismo médico, a experiência de cooperativas de todo o mundo que o Brasil pode transferir através da projeção internacional de seus líderes, a intercooperação, o panorama atual, o futuro e as necessidades desse movimento SUCESSão: ainda um tema delicado A opinião e as recomendações de acadêmicos, consultores e lideranças cooperativas 11 22 40 42 43 56 GENTE & negócios 57 Idade do Ouro 58 OPINIÃO colivre 18 | Marketing Design Thinking ganha mais e mais espaço concretizando coisas abstratas. O que é e a experiência de quem usa 30 | Gestão 52 Cooperativa trabalha com software livre e transita com facilidade entre economia solidária e o cooperativismo 36 | Finanças FGCoop: Primeiro ano de atividade do fundo que iguala o limite de garantia de depósitos ao dos bancos comerciais 48 | Pessoas Ações solidárias conquistam espaço em organizações e funcionam como propulsor da melhoria do ambiente profissional Em 2015, cesta variada de problemas desafia gestão, mas ainda há esperança e 2016 tende a ser melhor 8 MUNDOCOOP

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Boa informação nunca é demais. Revista Unimed BR. A revista da maior cooperativa médica do mundo. A Revista Unimed BR é uma publicação bimestral que traz matérias e novidades sobre saúde, prevenção, qualidade de vida, cooperativismo na área médica e muito mais. A cada página, mais conhecimento para você que não abre mão de estar bem informado e, principalmente, de viver cada dia melhor. unimed.me/revista MUNDOCOOP 9

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ENT REVISTA A inter Eudes de Freitas Aquino 10 MUNDOCOOP

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cooperação é uma realidade parcial E N T R E V I S TA E udes de Freitas Aquino, presidente da Unimed do Brasil, foi citado na edição de fevereiro da revista Forbes Brasil como uma das 100 pessoas mais influentes do País, por força do poder institucional que exerce, dos cargos que ocupa, da empresa que lidera, da inteligência e do carisma que emana. O executivo concedeu entrevista à revista MUNDOCOOP, na qual explorou a contribuição e o relacionamento do Sistema Unimed com o cooperativismo brasileiro e as experiências que podem ser trocadas entre cooperativas de todo o mundo por meio da atuação internacional de seus líderes; além de abordar a intercooperação, o panorama atual e o futuro do segmento. Formado em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, o presidente da instituição que representa o maior sistema cooperativista de trabalho médico do mundo realizou mestrado e doutorado em Clínica Médica (Nefrologia) na Universidade Federal de São Paulo, campus Ribeirão Preto. O cooperativismo marca presença na vida profissional desse médico potiguar há quase 33 anos, desde o período em que iniciou sua atuação na Unimed Piracicaba (SP), em 1982. De lá até os dias atuais, a trajetória foi movimentada e produtiva. Atualmente, além de estar no segundo mandato como presidente da Unimed do Brasil (gestão 2013 – 2017), Eudes de Freitas Aquino é primeiro vice-presidente da Cooperativa das Américas, estrutura da Aliança Cooperativa Internacional para o continente americano, membro do “Board of Directors” da Aliança Cooperativa Internacional, representando o Brasil na instituição que visa defender os princípios cooperativistas no mundo, vice-presidente do International Health Cooperative Organization (IHCO) e membro do Conselho Administrativo do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado de São Paulo (Sescoop/SP). Confira a conversa! Após quase 33 anos de cooperativismo, quais aprendizados o sr. destaca? Identifiquei-me com o cooperativismo de imediato, desde que entrei no movimento, em Piracicaba. Sempre me envolvi com projetos vinculados a temas como desenvolvimento social, pois vi aí a oportunidade de atuar na integração social e econômica das pessoas, possibilitando a elas uma transformação ascendente, o que me encanta particularmente, pois esta é uma questão fundamental para mim. Este já pode ser considerado um grande aprendizado. Nessa trajetória cooperativista, posso afirmar que contei com grandes professores. Costumo chamá-los de mestres silenciosos, pois são pessoas com as quais trabalhei e que me passaram muitos ensinamentos por meio de seus comportamentos, posturas, manifestações e posições públicas. Não é difícil aprender com esses professores silenciosos. Basta ter a mente aberta e a visão dirigida para compreender quais ações podem ser trabalhadas para um bem maior e coletivo. Nesse período de atuação no setor, considero que os profissionais que atuam nas cooperativas precisam ter presença mais marcante no dia a dia da sociedade brasileira. É importante que não haja só um doutrinamento messiânico das pessoas, mas sim a divulgação da verdade que é trabalhar no cooperativo. Nós não somos fundamentalistas, mas precisamos compartilhar com as pessoas que não estão engajadas neste segmento o que é a vivência cooperativista, que pode gerar transformações positivas na vida das pessoas, obtendo resultados importantes, ampliando o entendimento do cooperativismo. Por exemplo, o próprio IBGE (Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística) mostra que nos municípios onde há operação de cooperativas, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é melhor, sinalizando também melhorias em questões econômicas e sociais. MUNDOCOOP MUNDOCOOP 11

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ENTREVISTA EUDES DE FREITAS AQUINO Que diferença o senhor vê no cooperativismo de 32 anos atrás para o de hoje? O cooperativismo é o grande mentor e um instrumento de transformação social tanto do ponto de vista econômico quanto da ótica da integração e crescimento individual das pessoas. Há algumas lacunas que precisam ser superadas e preenchidas, mas costumo falar que esta superação depende também do posicionamento pessoal dos profissionais do setor. No cooperativismo como um todo existem agrupamentos muito distintos: alguns são formados por pessoas que são cooperativistas propriamente ditas, estas pessoas conhecem o cooperativismo e o praticam em todos os atos de suas vidas. Por outro lado, há pessoas que estão cooperativistas; já estas – seja por conveniência, interesse ou devido ao conhecimento que possuem – aderem ao cooperativismo, mas não o vivenciam. Cabe, assim, àqueles que são cooperativistas propriamente ditos começarem a atuar com firmeza para tentar transformar-se num grupo de liderança cooperativista, multiplicando a família cooperativista como um todo. Esse é um conceito que, quando fortemente firmado no Brasil como identidade do movimento, por meio de ações importantes, levará o cooperativismo no Brasil a ser reconhecido em sua plenitude. O sr. é potiguar e se aproximou do cooperativismo no Sudeste, e a sua prática do cooperativismo é aqui. Dentro desse conceito de diferenças regionais, a doutrina cooperativista é mais disseminada no Sudeste e no Sul do País, do que no Norte e no Nordeste. A que o sr. credita essa condição? Há um hiato – felizmente cada vez menor – entre a força cultural e a força econômica que, somadas, dão um poder muito quantificado ao Sul e ao Sudeste em relação ao restante do País. O campo é mais fértil, a informação chega de uma forma mais límpida, mais frequente, e, com isso, culturalmente, as pessoas alcançam a mensagem cooperativista com mais facilidade e amplitude. O coope- rativismo também promove o aspecto econômico e se utiliza em sua difusão da força da economia, por isso que aqui é mais desenvolvido. Também não pode ser desprezado o fato de que o cooperativismo tem seu marco de fundação histórico-referencial na Europa e, na região Sul, devido à colonização europeia, o cooperativismo é muito vinculado às bases filosóficas, ao cerne do cooperativismo, sem nenhum demérito ao cooperativismo que se pratica no restante do Brasil. O Sistema Unimed é responsável pelo desenvolvimento do cooperativismo médico aqui no Brasil. Ela se apoiou em algum modelo de outro país ou é um modelo desenvolvido especificamente no Brasil? Trata-se de um modelo tipicamente brasileiro que se estruturou no final da década de 60, período em que Institutos de Aposentadoria e Pensões (IAP), voltados a industriários (IAPI), empregados em transportes e cargas (IAPETEC), comerciários (IAPC) e bancários (IAPB), entre outros, fundiram-se para formar o núcleo da Previdência Social. Médicos – que atendiam os segurados, mas que trabalhavam em condições muito precárias, com equipamentos e instalações ultrapassados e ganhos muito baixos frente à atividade que exerciam – começaram a questionar o que poderia ser feito para melhorar aquela situação. Nessa época, em Santos (SP), havia um sindicato da categoria médica com perfil muito dinâmico e que começou a discutir alternativas de modelo para melhorar a condição de trabalho desses profissionais. Na busca de alternativas, um advogado jovem, com pouco tempo de formado, mas que já tinha lido bastante sobre o movimento cooperativista europeu, perguntou por que não era possível formar uma cooperativa de médicos, em que os profissionais trabalhariam unidos. A ideia despertou o interesse dos médicos pela facilidade interna e pela força que teria no ponto de vista externo, como agente transformador. Surgiu assim a União dos Médicos, nome que depois foi simplificado para Unimed. Como o movimento foi bem planejado e executado, ele se difundiu rapidamente. No final dos anos 70, próximo aos anos 80, todas as capitais brasileiras tinham sua Unimed. O movimento se espalhou e atingiu quase 85% do território nacional. Hoje ele representa 110 mil médicos, o correspondente a mais de 25% dos médicos ativos no País. Juntas, estas cooperativas têm carteiras que chegam aos 20 milhões de clientes e uma atuação forte, alinhada às necessidades da população, por meio dessa marca que se consolidou ao longo do tempo, sendo atualmente, a 23° marca mais valiosas do País. Como o Sistema Unimed, contribuiu para o cooperativismo no Brasil? Trabalho, trabalho, trabalho e trabalho. A qualificação dos profissionais e das cooperativas foi o fator motivador responsável pelo Sistema Unimed e esta característica é mantida até hoje. O nosso foco está direcionado à qualidade dos serviços que prestamos. Tanto é que as cooperativas exigem profissionais que preencham determinados requisitos, tenham excelente formação médica – que consideramos fundamental – e residência médica, uma especialidade, ou outras qualificações superiores. Não é um processo elitista, mas um processo que busca atingir, por meio dos profissionais, essa qualidade na prestação de serviços. Todo este ciclo gera uma imagem positiva para a cooperativa médica. Outro fator importante: o médico é o próprio dono do negócio dele e não sofre, digamos assim, intervenções ou mudanças de comportamento em função de interesse de leigos ou de exploradores do trabalho. Ele conquista sua autonomia, sua autodeterminação. Se o processo for baseado na doutrina cooperativista não há como dar errado. Qual sua recomendação para fortalecer o cooperativismo? Um exemplo interessante é a intercooperação. Como admitir que um hospital de uma cooperativa, por exemplo, compre insumos, como manteiga e leite, de entidades mercantis quando sabe que existem cooperativas que produzem 12 MUNDOCOOP

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E N T R E V I S TA e vendem os mesmos produtos? Existe uma defesa da intercooperação como princípio, mas esta é uma atividade que não existe na prática, infelizmente. O ideal seria que todas as Unimeds, por exemplo, comprassem de cooperativas e que cooperativas tivessem planos de saúde da Unimed. Mas essa ainda é uma realidade parcial. O desejado seria que fosse uma realidade completa. Digo isso não para formar um nicho de exclusividade, nem um bloco solidário. Não é um ciclo hermético onde só se reconhe- ce quem é cooperativista. Não! Quando falo em identidade, falo de uma postura que reflita o cooperativismo como segmento importante da sociedade civil, haja visto sua influência até no PIB deste País, que não é desprezível. Por isso, o cooperativismo deveria cumprir os seus próprios princípios, que são universais e lógicos. Não são exigências, mas recomendações de ordem moral. Como esse intercâmbio internacional através da ACI América e da ACI mundial pode contribuir com o cooperativismo brasileiro? Na verdade, é via de mão dupla. Esse intercâmbio nos traz um aprendizado gigantesco, pois conhecemos as diferentes formas de praticar cooperativis- tina e assim por diante. No segundo semestre, por exemplo, haverá uma assembleia do cooperativismo internacional na Turquia, Participarei de palestras e painéis apresentando experiências bem sucedidas do cooperativismo de saúde e teria o maior orgulho e o maior prazer em também apresentar casos de outros ramos. Sua atuação institucional é importante e permanente. Essa é a postura usual ou a maioria dos cooperados só busca as instituições representativas quando há problemas? Voltamos novamente ao ser e ao estar. O mais frequente é as cooperativas estarem vinculadas a essas organizações, mas encontramos vários casos em que elas se distanciam. Às vezes por razões econômicas ou por não verem necessidade. Mas quando a água chega no nariz todos saem correndo, buscando socorro e, diga-se de passagem, este auxílio nunca é negado, pois é pratica do cooperativismo sempre acolher as ovelhas desgarradas e tentar transformá-las em participantes do coletivo. Faz-se necessária uma estruturação do cooperativismo, de modo a propiciar valores adicionais àqueles que estão inseridos no movimento de maneira superficial. Quando os benefícios são ocasionais, a despeito do esforço individual, as pessoas perdem o interesse. É preciso se renovar continuamente. Criar, agregar valor, propiciar oportunidades, buscar sempre crescimento e melhoria. Não conheço ninguém que ao entrar em uma cooperativa não sinta uma situação de amparo, bem-estar, participação e, principalmente, segurança, pois a segurança individual é multiplicada e, quando ela existe no coletivo, todos se ajudam e se estimulam. Um problema quando enfrentado passa a ser comum a todos, assim como a busca de solução; os benefícios são igualmente distribuídos em função da participação individual. Não vejo nenhum ponto que consiga denotar o afastamento de uma cooperativa, a não ser por razões pessoais, de falta de identificação. Neste sentido, vale retomar a identidade cooperativista para todos, em todos os locais, para todos os ângulos. “Não conheço ninguém que ao entrar em uma cooperativa não sinta uma situação de amparo e segurança” mo existentes no mundo. Mas também transmitimos experiências positivas, consagradas e vencedoras aqui no País. O enriquecimento também se faz pela troca, pela apresentação do trabalho de cooperativas mais antigas, que já passaram por experiências que ainda não passamos. Esse conhecimento é traduzido para a realidade brasileira, colocado em discussão e aplicado aqui. Desta forma, antepomo-nos a problemas pelos quais eles já passaram, e as experiências positivas podem se tornar realidade em nosso País. Em resumo, essa participação é uma troca produtiva e uma experiência muito rica, dando-nos oportunidade de conversar com líderes de continentes como Ásia, Pacífico, Europa, América La- MUNDOCOOP 13

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saúde Unimed Curitiba e Dental Uni no Grupo Positivo Desde o início de janeiro, os colaboradores e dependentes do Grupo Positivo contam com a Casa da Saúde: um espaço criado em parceria com a Dental Uni e a Unimed Curitiba, para realizar consultas médicas e odontológicas sem taxas de coparticipação ou grandes deslocamentos. O consultório da Dental Uni conta com uma estrutura nova e moderna, além do atendimento realizado por uma dentista cooperada. comemoração Coopercarga: 25 anos de estrada A união de 143 pequenos empresários do setor de transporte de carga marca a fundação da Coopercarga, em Concórdia (SC), em 1990. Hoje, é reconhecida como a 7ª maior e melhor empresa do setor do Brasil. Em 2014, foi anunciada como uma das melhores para se trabalhar em Santa Catarina, de acordo com a Revista Amanhã, e recebeu o Troféu Destaque Responsabilidade Social na premiação organizada pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc). Também se destacou no meio cooperativista, recebendo o troféu de 1° lugar no Prêmio Cooperativa do Ano, na categoria Cooperativa Cidadã, pela OCB. Vinte e cinco anos transcorridos, soma mais de 60 clientes ativos, conta com mais de 60 unidades localizadas estrategicamente em todo Brasil e Mercosul, uma frota composta de 1,9 mil caminhões com idade média de quatro anos e monitorada 24h por equipamentos de última geração. NOvidade Cravil inaugura unidade de arroz e loja agrícola A Cooperativa Regional Agropecuária Vale do Itajaí, a Cravil, está com nova unidade de recebimento de arroz e loja agrícola em Ilhota (SC), resultados de investimentos próximos a R$ 5 milhões. A estrutura vai atender uma região que produz mais de 1,8 mil sacas de arroz e foi adquirida em 2013, passou por reforma e está apta a receber 15 mil sacas de grão por dia, com capacidade de armazenamento estático de 9 mil toneladas. Na última safra, a Cravil recebeu mais de 80 mil toneladas de arroz em suas seis unidades de recebimento. A expectativa para a safra 2014/2015 é ultrapassar a marca de 1,6 milhão de sacas de arroz. 14 MUNDOCOOP

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Associados da Ceriluz ampliam consumo A Ceriluz manteve em 2014 o ritmo de crescimento registrado nos últimos anos. Comparando com o ano de 2013 a Cooperativa apresentou uma elevação no seu fornecimento de energia no índice de 11,6%, totalizando a comercialização de 119.136.194 quilowatts/hora (kWh), superando os 106.736.725 kWh do ano anterior. Foi a maior distribuição de energia já registrada pela cooperativa em seus 48 anos de história. O resultado é fruto do aumento da demanda individual dos consumidores. Essa é uma tendência que a cooperativa vem registrando nos últimos anos: a elevação do consumo nas propriedades, residências e empresas, seja por investimentos em novos equipamentos paras as casas ou por melhorias nos sistemas produtivos. energia crescimento Aurora obteve em 2014 o melhor resultado em 45 anos A Cooperativa Central Aurora Alimentos, de Chapecó (SC), obteve em 2014 o maior faturamento e o melhor resultado líquido de seus 45 anos de história: crescimento de 18%, receita operacional bruta de R$ 6,7 bilhões, e sobras 38% acima do exercício anterior, atingindo R$ 417,9 milhões. Com uma margem líquida de 6,83%, a cooperativa respondeu por um dos melhores desempenhos do mercado brasileiro de proteína animal. Cerca de 80% da receita total foi obtida no mercado doméstico e 20%, no mercado internacional. exportação Exportação de cooperativas baianas cresce 94% Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio sinalizam que o volume de exportações das cooperativas agropecuárias da Bahia cresceu 94%, em 2014, elevando de 16,8 mil toneladas, em 2013, para 32,7 mil toneladas no ano passado. No entanto, as variações negativas dos preços das commodities agrícolas geraram crescimento relativamente menor no faturamento, da ordem de 76%: foram US$ 35 milhões em 2013 e US$ 61,8 milhões em 2014. MUNDOCOOP 15

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