Confrades da Poesia72

 
no ad

Embed or link this publication

Description

Poemas - Confrades da Poesia

Popular Pages


p. 1

Amora - Seixal - Setúbal - Portugal | Ano VII | Boletim Bimestral Nº 72 | Novembro / Dezembro 2015 www.osconfradesdapoesia.com - Email: confradesdapoesia@gmail.com «JANELA ABERTA AO MUNDO LUSÓFONO» SUMÁRIO Confrades: 6,8,13,16 A Voz do Poeta: 2 Olhos da Poesia: 3 Pioneiros: 4 Retalhos Poéticos: 5 Tribuna do Poeta: 7 Contos e Poemas: 9 Bocage: 10,24,25,26,27 Tempo de Poesia: 11 Trovador: 12 Baú: 14 Faísca de Versos: 15 Reflexões: 17 Pódio dos Talentos: 18 Trono dos Poetas: 19 Asas Poéticas: 20 Obreiros da Poesia: 21 Magia da Poesia: 22 Pedestal da Poesia: 23 Ponto Final: 28 EDITORIAL Feliz Natal O BOLETIM Bimestral Online (PDF) denominado "Confrades da Poesia" foi fundado com a incumbência de instituir um Núcleo de Poetas, facultando aos (Confrades / Lusófonos) o ensejo dum convívio fraternal e poético. Pretendemos ser uma "Janela Aberta ao Mundo Lusófono"; explanando e dando a conhecer esta ARTE SUBLIME, que praticamos e gostamos de invocar aos quatro cantos do Mundo, apelando à Fraternidade e Paz Universal. Subsistimos pelos nossos próprios meios e sem fins lucrativos. Com isto pretendemos enaltecer a Poesia Lusófona e difundir as obras dos nossos estimados Confrades que gentilmente aderiram ao projecto "ONLINE" deste Boletim. “Promovemos Paz” A Direcção «Este é o seu espaço cultural dedicado à poesia»  Pódio dos Talentos pág. 18 Trono dos Poetas pág. 19 Euclides Cavaco António Boavida Pinheiro Pedestal da Poesia pág. 23 Edson G. Ferreira Nesta edição colaboraram 106 poetas Deixamos ao critério dos autores a adesão ou não , ao “Novo Acordo ortográfico” FICHA TÉCNICA Boletim Mensal Online Propriedade: Pinhal Dias - Amora / Portugal | Paginação: Pinhal Dias - São Tomé A Direção: Pinhal Dias - Presidente / Fundador; Conceição Tomé - Vice-Presidente / Fundador Redação: São Tomé - Pinhal Dias Colaboradores: Adelina Velho Palma | Aires Plácido | Albertino Galvão | Alfredo Mendes | Ana Santos | Anna Paes | António Barroso | António Boavida Pinheiro | Antº Marquês | Antº Martins | Arlete Piedade | Arménio Correia | Carmo Vasconcelos | Cátia Melo |Clarisse Sanches | Conceição Carraça | Daniel Costa | Edgar Faustino | Edyth Meneses | Edson Ferreira | Efigênia Coutinho | Euclides Cavaco | Eugénio de Sá | Fernando Fitas | Fernando Reis Costa | Filipe Papança | Filomena Camacho | Fredy Ngola | Glória Marreiros | Henrique Lacerda | Humberto Neto | Ilze Soares | Isidoro Cavaco | Ivanildo Gonçalves | João Coelho dos Santos | João Furtado | João da Palma | Jorge Vicente | José Chilra | José Jacinto | José Verdasca | Lili Laranjo | Luís Filipe | Luiz Caminha | Mª Alexandre | Maria Brás | Mª Fonseca | Mª Fraqueza | Mª Inês Simões | Mª Mamede | Mª Petronilho | Mª Vit. Afonso | Natália Vale | Pedro Valdoy | Quim D’Abreu | Rita Rocha | Rogério Pires | Rosa Branco | Rosa Silva | Rosélia Martins | Silvino Potêncio | Rita Rocha | Socorro L. Dantas | Susana Custódio | Telmo Montenegro | Tito Olívio | Vó Fia | Zzcouto | …

[close]

p. 2

2 | Confrades da Poesia | Boletim Nr 72 | Novembro / Dezembro 2015 «A Voz do Poeta» VIDA DE AFECTOS DIA DE CHUVA Dia de chuva. Dia de contos: - De crianças, - De príncipes, - De reis e de fadas. O cenário, Patético quadro parecia! - A cinzel esboçado - A pastel pintado... De esvaídos tons, De tons esbatidos. O céu, De chumbo vestido parecia! A neblina, De forma subtil, mas doce, O dia ofuscou E misturou - Dia, em noite precoce… Filomena Gomes Camacho - Londres ALIMENT...ARTE Minha Lisboa que eu amo, O Cristo Rei te abraça. Mesmo sem sol eu proclamo, Tua altivez, tua raça. (TM) – Arrentela Meus sonhos Pelos terrenos da paz os campos florescem as crianças brincam com o silêncio dos canhões cobertos de flores No despertar sereno o homem renasce das trevas de uma guerra esquecida por montes e vales com a paz as espingardas apodrecem em mãos na tranquilidade de uma humanidade serena. As escolas reabrem para uma infância que atravessa campos floridos. Pedro Valdoy - Lisboa Soneto de Outono O nosso amor minha qu’rida Foi crescendo em toda a vida E foi ganhando vigor!... Tão felizes como dantes Partilhamos como amantes Nossos segredos de amor. Hoje como no passado Nós estamos lado a lado E o nosso amor não mudou, Só que temos mais idade E a provar a realidade O cabelo branqueou!... Qu’ria ser novo e voltar Outra vez a partilhar Contigo os mesmos segredos, Seguir o mesmo caminho, Construir o mesmo ninho Que é berço de sonhos ledos. Na nossa vida de afectos Temos filhos, temos netos Que são a nossa riqueza... E que valem muito mais, Que certos bens materiais Que a muitos dão grandeza. Isidoro Cavaco - Loulé Paz Esta janela que parecia feia e se abre ao vasto campo em frente dela mostra quanto a paisagem tem de bela nos outonais matizes que alardeia. São os rubores doirados pelo sol que cai no horizonte, preguiçoso que dão a cada folha o tom vistoso tornando inda mais lindo o arrebol. Ah natureza, quanto é promissor este desfrute das tuas entranhas nesta visão mostrada plo pintor que tem virtudes tais e tão tamanhas como as só pode ter Nosso Senhor e por d'Ele serem não nos são estranhas! Eugénio de Sá - Sintra Todo poeta se alimenta do que sente, Ele é carente de um amor que denuncia Que a fantasia é apenas afluente Dessa corrente que se chama poesia. Silenciosa como gota cristalina Que da retina, mansamente se projeta, Essa inquieta artista em forma de menina É só a alma... feminina... de um poeta. Luiz Poeta – RJ/BR Os meus sonhos são longos e audazes Como beijos dum par de namorados Momentos de prazer que são capazes De deixar noite e lua envergonhados Alguns são mais subtis, outros mordazes Passíveis de deixar incomodados Os mais atinadinhos dos rapazes Que por falta de amor são uns frustrados Sonhar é bom e próprio de quem ama Grande ajuda a manter acesa a chama Pois vida sem amor é um castigo Meus sonhos são viris e são bem vivos São loucos, são intensos e lascivos Se quando, por te querer, sonho contigo! Abgalvão - Fernão Ferro "Educai as crianças, para que não seja necessário punir os adultos." (Pitágoras) Música Música, sublime encantamento! Coral de Anjos Inspiração dos Deuses Musa do Olimpo. Música, surpresa da magia! Transmuta-se em sonhos em imaginário majestoso deste mundo de inigualável colorido, que ora nos faz rir, ora nos faz chorar, em grandezas de iguais proporções. Música, fulgor da paixão! Extravasa sentimentos e emoções inegavelmente acumulados e escondidos no âmago dos corações. Música, deleite da alma! Nídia Vargas Potsch – RJ/BR

[close]

p. 3

Confrades da Poesia | Boletim Nr 72 | Novembro / Dezembro l 2015 | 3 «Olhos da Poesia» PALAVRAS DE CRISTAL (Acróstico) Palavreando As minhas emoções… Luares brilhantes que Atingem Velozmente a minha Rejubilosa alma. Agora Sorrio! Dou a conhecer Estes versos. Comecem a folhear este Relumbrante livro, Intensamente Sortido de Talentosos e Admiráveis poetas: Luzes brilhantes que invadem as Palavras de Cristal! Anabela Silvestre - Aveiro Surpresa da noite – visita de lua cheia à minha janela Benedita Azevedo Praia do Anil, Magé – RJ Cara a cara comigo Serei o cara de outro linguajar Ou simplesmente o cara da cara que sou? E se à resposta trabalho me dou É porque exijo o móbil de cá estar. De caras, dou comigo a invejar Outros caras que sabem mais de si Quem sabe se algum deles se não ri Deste cara que eu quero examinar Ah, que cara feia faço, até pra mim Retorço-me por dentro? - Como assim, Se só estou considerando uma razão Que me faça entender que cara sou Que valha este trabalho a que me dou Pra conhecer meu velho coração! Eugénio de Sá - Sintra Chegada do Outono Uma chuva leve e fina Bateu na minha janela Mas não se abeirou sozinha Vinha o Outono com ela… O vento a barafustar Por não ser o convidado As árvores fez abanar Para se sentir vingado… As árvores sem opção São despidas da folhagem As folhas caem ao chão E dão-lhe nova roupagem… E eu, num sono profundo Sonhava com o paraíso: Um imenso e belo jardim Onde eu era uma flor E um perfeito arco-íris Destacava cada cor E sorria só para mim! Conceição Tomé - Amora PT Tanka - devido respeito Evitou gritar Provocando a surdez Devido respeito… Foram elos de amizade Deixou clima bonançoso. Pinhal Dias – Amora PT TERMOS ANGOLANOS: (cangulo, cacimbo, pumumo, gonga...) Há palavras que não são apenas letras ou murmúrios! Há palavras que são alma, são vida! Têm cor, têm cheiro!... Há palavras que ecoam nos nossos sentidos! Que tocam a nossa pele!... Que caminham connosco!... Há palavras que fazem parte da nossa história!... Há palavras...que são parte da nossa bagagem, na longínqua estrada da saudade!... Filomena Gomes Camacho - Londres MALANJE Terra onde estás, que não te piso, mas que me vestes até ao fim do meu princípio novo? Já sei… Estás ao sul da geografia de todas as escolas, mas brincando com a bússola da infância do meu coração. José Jacinto "Django" - Casal do Marco Naufrágio Em profundo desencanto Meu coração se afundou Num cais feito de tormento O meu sonho aportou… Ao ver o mundo à deriva Sem rumo e sem guarida Sem saber para onde vai Enfrentando tempestades Feitas de negras maldades E em sofrimento se esvai! Conceição Tomé (São Tomé) Tá chover, nem vou sair Fico em casa a remoer Ver tanta folha a cair, E com sol ter que varrer Arménio – Foros de Amora Bem-vindo mês de Outubro, Melancolia outonal. Em teus braços eu descubro Que tens beleza afinal. Telmo Montenegro - Arrentela

[close]

p. 4

4 | Confrades da Poesia | Boletim Nr 72 | Novembro / Dezembro 2015 «Pioneiros» Touça Touça… terra velhinha, Feita de pedra granito. Tua riqueza é a vinha, Teu povo é infinito! Foste a aldeia modelo, Do interior do concelho. Hoje és um pesadelo, Existe só um grupelho. Com a indústria da telha, Tua riqueza de antenho, Tinhas as tuas ovelhas, Teu povo era ferrenho! Tens as boas cerejeiras, Teus castanheiros na Serra. Hoje, com boas pedreiras, Consegues ter a tua guerra! Tua igreja em granito, Duma beleza sem igual, Feita p'lo povo perito, Faz-nos lembar o ancestral. Touça, terra abençoada, Teu povo não vai desistir. Ficas à beira da estrada, Poderás melhor prosseguir! Jorge Vicente - Friburgo Por detrás da solidão Aqui sentado à lareira c’o vento a soprar lá fora Abre-se o peito à fogueira e o coração então chora É o tempo das memórias partilharem esta ardência É o tempo da saudade vir misturar-se no lume Deste cigarro que arde e veio aceder-me o nume E o fumo perpassa a porta em busca da tua ausência. Cerro os olhos e relembro a vida que partilhámos Tantos anos a teu lado e o tudo porque passámos Índa ontem, meu amor, lá estive aonde tu estás; Passeei plo teu jardim e pensei muito em você Perscrutei entre os ciprestes esperando não sei o quê E voltei já à noitinha, mas sempre olhando pra trás. Ah este vento que brama lembra queixumes doídos Na solidão desta casa quase que ouço os meus gemidos E as pancadas do relógio são a minha companhia. Sei que no mundo em que estás, nessa outra dimensão Do tanto que tu me queres, sentes que este coração Só espera pla bendição de ao teu se juntar um dia. Eugénio de Sá - Sintra O escritor se expõe sem se impor. A palavra só se liberta quando fica prisioneira da leitura José Jacinto "Django" - Casal do Marco “NÓS E O MAR” (Navio Escola Sagres) Se demos mundos ao mundo, Furando esse mar profundo, Por essas sete partidas… Com marés e tempestades E muitas dificuldades, Levaram vida, às vidas! Atravessando, naquelas… As tão frágeis Caravelas, Com gente a condenar! Presos sem uma certeza, Escolhiam a incerteza E a clemência do mar! Não voltava a maioria… Que à sorte se convertia, Num destino moribundo… Porque entre apodrecer, Mais valia era viver Nos sete cantos do mundo! Agora este Navio… Escola Sagres, é desafio… Que pelos mares desliza! Ensina os marinheiros, Que vão e voltam ordeiros E o mar não atemoriza! João da Palma – Portimão AMIGOS E AMIZADES (Viver sem amigos, não é viver!) Nada como amigos a quem você pode chamar de irmãos Quando o amor ou amizade é verdadeiro dura para sempre, não importa a distância, crises e brigas o que as unem é mas forte Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade. Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante Velhos amigos Faça novos amigos, mas nunca se esqueça daqueles que sempre estiveram com Amigo é aquele distante, Não sente há tempos ausente, Regressa, nota confiante, Que amizade está presente! Em amizade verdadeira, Nada existe que a quebre, Observa-se desta maneira, Mantem-se a mesma febre! …Febre que se nota assim. No qu’era e que se mantém, O acolhimento em festim, Que diz nunca houve desdém! Pra ser um amigo real, Só precisa deste talento, Basta ser puro, pontual, Que o tenha no pensamento! Entre amigos e amizades, Há uma corrente com elos, Que são feitos com verdade, Sem dif’renças, são paralelos! Mesmo que passem anos, Trabalhe no fim do mundo, Mostra que não há enganos, Que sua amizade tem fundo! Amizade é a tal corrente, Que certa virtude encerra, Que nos liga e não se sente, Que mesmo longe por nós berra! Ser amigo, ter amizades, Convém dar-lhe abrigo, Com sinais de festividades, Que ouvir: Sou teu amigo! Amizade é um sentimento, Que na nossa vida ocorre, Se assim é, todo momento Fazer tudo bem, não morre! Nelson Fontes - Belverde

[close]

p. 5

Confrades da Poesia | Boletim Nr 72 | Novembro / Dezembro l 2015 | 5 «Retalhos Poéticos» UM… ENTRE TANTOS POETAS! Tinha tanto, tanto para dizer, que temo omitir cousas de indefinida importância: como tornar encantado o canto do poeta - quando este se faz ouvir: que é o mesmo - quando ele se põe a sonhar. A madrugada; enuncia mil fórmulas de sentir; sabe-lo bem - quando das sombras se põe a escutar, a batida que vem de dentro: como que a assumir tudo quanto o poeta aqui nos quis deixar. Sopra o vento lá fora, nas primícias da manhã; sopra e sopra; mas eis que o sol, de um coração de poeta, traz a todos nós a alegria, como se a sabores de hortelã! Tenho tanto, tanto para dizer, que não há aqui amanhã que não escute do poeta o chamado e o subtil alerta que o vernáculo do Vate, não o traga em mãos, com afã. Jorge Humberto - Stª Iria D’Azoia A EMIGRAÇÃO DO MÊDO Olho os rostos sorridentes dos que já chegaram, E os rostos tristes… pelos que no mar ficaram, Enquanto novos magotes continuam a chegar… Do lado de cá, já aparece o guarda armado, E constroem-se barreiras com arame farpado, Na vã tentativa, desta emigração… parar. Vejo crianças sorridentes, sem do mal terem noção, E os pais, de mãos vazias, com o ar feliz da emoção, Por chegarem ao país onde esperam vir a ter sorte… Mas por trás, estão as forças maléficas do terror, Que se aproveitam deles para introduzirem dor, Nesses países, em nome do deus do medo e da morte. E enquanto os governantes vão-se reunindo, Procurando uma qualquer solução encontrar… Botam-se discursos e opiniões, entre eles, diferindo, E veem-se as gentes, em qualquer lado, a tentar ficar. J. Carlos Primaz – Olhão da Restauração ETERNOS AMANTES Quando a lua apareceu logo o Sol se recolheu viram-se só por momentos, estão ambos enamorados e mesmo apaixonados escondem os sentimentos. Ela aparece...ele vai, de repente a noite cai, negra, que é a cor da dor, fica a lua a esperar até o sol despontar p'ra rever o seu amor. Dulce Saldanha - Lisboa As Duas Aniversariantes Ambas no meu coração Neste inesquecível dia Na mais sagrada união, A Anabela e a Maria! Vejam bem a maravilha Deste duo encantador Uma sobrinha, outra filha Para elas o meu amor Na ternura duma flor No mais florido jardim No sentimento o amor Que cabe dentro de mim! Maria José Fraqueza – Fuseta O FRAGOR DOS “SEUS” SILÊNCIOS Aqueles a quem a morte mais reclama Porque muitos invernos já viveram, Os que da vida a chama já perderam E têm por incertos pão e cama; Essas árvores que os ventos não vergaram Pra confortar a prole da sua rama, Que hoje - ao abrigo - lhes ignora o drama E que despreza o bem que eles fizeram; São os credores maiores da sociedade Desta que os omite e os maltrata Votando-os à aviltante indignidade. E enquanto a miséria os desbarata E os esmaga com tanta iniquidade O abandono plos seus é que mais mata! Eugénio de Sá - Sintra “O Tempo Não Pára” O tempo passou por mim Quase nem me apercebi Por vezes fui arlequim E outras fui dó-ré-mi… Numa corrida apressado Nem me deixou ser menina Nada teve de inspirado Para traçar minha sina… O tempo deixou lembrança De longínquas caminhadas Meus domingos de criança De risos e gargalhadas… Ó tempo porque levaste Minha alegre meninice? Passaste e nem murmuraste Em silêncio e matreirice… Levaste-me o arlequim Seguido p`lo dó-ré-mi A vida será um festim Sempre presente o flautim No tempo que construí… Maria Eugénia - Sesimbra Não é Fácil Não é fácil esquecer você, depois de tantos juramentos, amor consolidado ante o firmamento eu não conseguirei a este teu pedido atender ! Socorro Lima Dantas – Recife / BR

[close]

p. 6

6 | Confrades da Poesia | Boletim Nr 72 | Novembro / Dezembro 2015 «Confrades» DIA DE SÃO MARTINHO Numa atitude bem nobre, Deu a capa a um pobre Que encontrou no caminho; Deus ao ver o seu amor, Quis ao Sol dar mais calor, Fez o V’rão de S. Martinho! P’ro milagre festejar, E para o Santo lembrar Uma festa se organiza, Como o Sol sempre espreita; Para a festa ser perfeita Tem o calor que precisa! É tradição popular Esta festa invulgar, Que anima todo o povo! Para a tradição manter, Vamos comer e beber, Castanhas e vinho novo. É costume que perdura, Já faz parte da cultura Festejarmos este dia; Com castanhas bem assadas, E com vinho acompanhadas, Pois a festa é de alegria!... P’ra este dia lembrar, E podermos comprovar Que a tradição ‘stá de pé; Mantém-se a festa animada, Come-se castanha assada, Com vinho ou com água-pé. Isidoro Cavaco - Loulé A Alma http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm O TEMPO. O tempo que passa Cadencia e repassa E marca no dia Uma rebeldia... Suspira na hora De cada aurora. Se chora e clama, não reclama... Sufoca o pranto No seu desencanto. O tempo não para. Só declara: Esconde a verdade Da insana saudade. Disfarça na lembrança Tua esperança, Que invoca do peito Este amor em deleito Que foge sorrateiro, Por inteiro, Pois o tempo não perdôa. Só tudo atordôa. E desespera em vão Teu coração. Guarda a vontade, Esquece a verdade, Sufoca o desencanto, Seca teu pranto... Pois a força Que tem teu amor, O tempo esqueceu e deixou! Malu Mourão – IPU/CE/BR O corpo feneceu a alma fica Em busca de outro corpo onde encarnar. Há que dar outra vida e aí ficar, Enquanto essa matéria vivifica! Porém do seu passado, nada indica. Quem é? Quem foi? Jamais vai divulgar! Se alojará no peito, irá pulsar, Será Deus quem dirá, que especifica! O tempo que terá para manter, E qual o coração que irá bater, Mantendo a sua vida, sã e calma. Quanto tempo estará no novo abrigo? Fará do novo corpo um novo amigo? Ou ficará refém, da eterna alma? Alfredo dos Santos Mendes Lagos / Portugal Promessa… O amor anda no ar Tudo parece diferente Eu quero acreditar Que assim tudo vai mudar… A criança já não chora, O sol mudou de cor. A brisa mudou de rumo. O barco vai p’lo mundo fora Com promessa de voltar… Catarina Malanho – Amora O MENTIROSO. Tantas vezes que mentistes, Que a mentira passou a verdade, Só que esquecestes e te ristes, E todos viram a tua maldade, Agora que até falas a verdade, Todos dizem que estás a mentir, É para que vejas que a falsidade, Uma vez usada, não se pode despir Podes mudar de fato, e camisa, Mas não mudas o teu rosto, E é esse sinal que nos avisa, Que já causastes um desgosto, Falasses tu toda a verdade, Mesmo que essa fizesse doer, Todos lembrariam a tua sinceridade, E o teu rosto até podiam esquecer, E é assim que a tua mentira, Na hora até te pode dar razão, Mas seu prazo em breve expira, E logo ficas como um aldrabão. Aguilhermemartins S. Salvador do Campo – Porto Na frescura da brisa do pomar! Com ingenuidade, Comíamos Laranjas e maçãs No pomar da felicidade! Mas nós não sabíamos Que eram vãs As meiguices que trocávamos, Cuidando que se abririam pela eternidade. E nós na frescura Da brisa do pomar Matávamos a secura, Que às vezes nos deixava a naufragar No vazio de nós! E, muitas vezes, ávidos, De ouvir a voz Um do outro, no pomar Onde comíamos laranjas e maçãs, ouviam-se gemidos, Murmúrios vindos de longe - que nos deixavam a pensar! - Mas nós não sabíamos que o tempo nos iria separar! E hoje, eu tenho a certeza que as laranjas e maçãs, Que comíamos no pomar da felicidade, Eram ilusão, eram vãs E extorquiram-nos a jovialidade! Luís Lameiras – S. Mamede de Ribatua (Acróstico) Natal 2015 Nascimento Amor Talento Alma Lucidez Pinhal Dias

[close]

p. 7

Confrades da Poesia | Boletim Nr 72 | Novembro / Dezembro l 2015 | 7 Confrade desta Edição « Maria Fonseca » CHEGADA DO OUTONO O outono chega amanhã, Estação dos meus encantos, Nossas arves de manhã Brilham ao Sol dos espantos. O arbusto que cantei Tem as folhas matizadas E o aloendro que amei, Ainda com flores rosadas. As folhas de tons bem quentes, Entre a ramagem viçosa, São para mim os presentes Por vos cantar, carinhosa. Mas algumas já caíram E rodam no chão ao vento, Co'o calor do v´rão secaram, Soltando-se sem lamento. Todos os dias dif'rentes As arves do meu jardim, Como nós seres viventes, Ledas por serem assim. E a estação vai entrar, Rogarei a nosso orago, Quando chover e ventar Não venha causar estrago! Maria da Fonseca - Lisboa Gaivotas em Terra Lindas gaivotas vogando Argênteas, puras, folgadas, Nas águas dum Tejo vivo, De ninfas endiabradas. Outras voam rente ao cais Onde o cacilheiro acosta, A baloiçar inquieto, Vindo da margem oposta. Neste dia encantador, Primeiro da Primavera, Ver as gaivotas em terra, Decerto é o que não se espera! Tereis assim a certeza De haver, no mar, temporal. Logo mais virão as vagas, Ameaça ao litoral. É o tempo que está a mudar, Apesar do céu azul, Do belo Sol aquecer, Da costa virada ao Sul… Maria da Fonseca – Lisboa O PESSEGUEIRO Tão linda a árvore, Amiga, Que Deus ali fez brotar Para que, quando eu passasse, Pra ela pudesse olhar. O Outono está magnífico. E o pessegueiro que eu amo, Nem calculas como o vi, Um feitiço em cada ramo. Desde o castanho ao vermelho, Suas folhas matizadas Guarnecem a bela copa, Pelo Sol, iluminadas. Caídas há pouco tempo, Algumas brilham no chão. E seus frutos de veludo Sempre alguém encantarão. Nada se move, acredita, Nesta manhã deslumbrante. A límpida transparência Brinda todo o cambiante. Foi num dia como este Que o Deus Menino chegou. Devota, a mãe Natureza Pra O receber se enfeitou. Maria da Fonseca - Lisboa ILHAS AÇORIANAS ‘Stamos no meio do mar Na rota da Graciosa, Entre S. Jorge e o Pico. Mas que visão espantosa! Em lugar das fortes vagas Do mau tempo do Canal, ‘Stá o Atlântico tranquilo Cercando o Grupo Central. Da imensidade surgidas, As Ilhas são deslumbrantes. As nuvens cobrem seus Picos, Que se mostram por instantes. Brilha o Sol no Oceano, Em redor tudo ilumina. Seguimos muito agradados, A beleza nos domina. Nosso barco fende a água Que gorgoleja estouvada. Gostoso é poder sentir O sal na face crestada. Sem nunca se misturarem O céu e o mar ali estão Mas para nós é tudo azul Dia lindo de Verão! Maria da Fonseca - Lisboa O Sol da Primavera A florir pra me agradar 'Stão na minha casa as plantas, Rosas a desabrochar, Beleza com que me encantas. Vermelho antúrio chegou Belo, vivaz e brilhante, A primavera saudou Sobressaindo elegante. E pela primeira vez Uma orquídea aqui nasceu, Com suave timidez Linda, abriu e aconteceu! As violetas branquinhas, Ansiosas de um afeto, Erguem-se em cachos, juntinhas, Visando o vaso completo. O Sol procura beijá-las Para as tornar mais formosas, Nesta estação ajudá-las A florirem zelosas. Maria da Fonseca – Lisboa GAIVOTAS AO SUL Gaivotas da costa sul, Deste meu amado mar, Lindas, brancas e felizes, Voando pra me encantar. Saudade, trazia tanta, De vos rever, figuradas, No suave azul do céu, A pairar, iluminadas. Na rocha do miradouro, Encontro outras por perto Mirando a praia e o mar, Seu apetite desperto. Até na minha varanda, Penas brancas eu achei. Como sabeis que vos quero, Se ainda não vos contei?! Alegres, puras, sadias Por todo o lado voais. A linda Praia da Rocha Com muito garbo, enfeitais. Maria da Fonseca - Lisboa

[close]

p. 8

8 | Confrades da Poesia | Boletim Nr 72 | Novembro / Dezembro 2015 «Confrades» PORTA DA SAUDADE Bati um dia à porta da saudade Para ver os amores que guardava Olhou- me, e vi que era verdade, A face que eu tanto imaginava! Acedeu-me em gesto de bondade... Ridente como o modo que falava, Só o cintilar do sol a namorava Ante o calado tempo sem idade!... Embora velhinha, nunca és distante... Sei que chegas alegre a cada instante Como o sol de um sonho de criança. És o futuro acenando para a vida, A crença de uma aurora prometida Que aquece os dias da esperança! Ferdinando – Germany http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm A Distância é Minha Dor Ser fadista é meu destino Destino por Deus traçado E canto desde menino Esse destino que é Fado. Canto o amor e a saudade Canto alegria e tristeza Ponho na voz a verdade Desta canção portuguesa. A minha guitarra chora Se a saudade quer ficar Para a saudade ir embora Eu canto para não chorar. Quando não estás a meu lado E a distância é minha dor Tenho a guitarra e o Fado Pra te cantar meu amor. Carlos Macedo - Amora PT MINHA TERRA Luanda me viu nascer Luinga me viu crescer Carmona me viu brincar Luanda me viu estudar Luinga me viu partir Carmona me viu sorrir Luanda me viu acenar Pr’a minha terra voltar POETA QUE É POETA Poeta que é poeta Não segue sua vida por simples metas Eleva-se a ver soluções no impossível Passa a versejar o que a todos é invisível Penetrando cernes por arestas Poeta que é poeta Não sabe donde vem a inspiração Simplesmente, escreve com paixão O que, por impulsos raros , é sentido Ainda que, por vezes, expondo-se ao perigo Poeta que é poeta Alimenta-se do amor para dizer do desamor Respira aromas exalados pela dor ou pela flor Sacia-se com o alimento da verdade Abomina toda e qualquer maldade Poeta que é poeta ... Maria Luiza Bonini – SP/BR Na casa de Dom Tavico Amável foi o invite, chego a São Chico; me recebe na porta o dono, com alegria; dentro, há comes e bebes, tertúlia, cantoria; animada é a noitada na casa de Dom Tavico. A voz de Antero Marques é qual um berro quando, do Aureliano, novo poema mostra; o senhor da morada faz o que mais gosta e declama versos lindaços do Martín Fierro. Juca Ruivo, rebelde maragato de mui garra, é pura ternura no dedilhar de uma guitarra e canção mui doce tira do seu coração. Cuê! Morada culta essa, do amigo Tavico! Senti sob seu teto, majestoso e rico, o vibrante pulsar da Gaúcha Tradição. José Alberto Barbosa (Tião Capataz) Jaraguá do Sul – SC AMOR E BOÊMIA Existe o dia, a noite e a madrugada O dia, para o trabalho desenvolver A noite para a boêmia e noitadas Nas madrugadas, amor florescer Nosso amor tem ganas das noitadas Falta tempo para nos entreter Entre os braços do amado, achada A força do amor tal, dá-nos querer Vamos fazer crescer a madrugada Nosso amor tem efeitos do saber Pé ante pé vamos voando ao quarto Nosso amor é forte e boa alvorada Arrepios me percorrem em te ter Mágicas madrugadas são de fato Malubarni - Vila Nova de Gaia A MINHA TERRA Bordada pelo mar Forrada pelo pinhal Perfumada pela mística da junção Terra/mar Minha terra foi a corte da Graça Com seu ar misterioso Assim ficou Cortegaça… Maria do Céu Moura – V.N.Gaia/Porto Luanda por mim espera Luinga também desespera Carmona quase que chora A minha longa demora Meus olhos rasos d’água O coração cheio de mágoa Por esta terra onde nasci Angola, eu não te esqueci Cambito - Casal do Marco MOEDAS Henrique Lacerda Ramalho (dedicado à minha Carmo) Muitas moedas juntas fazem uma nota! Que esta nota seja o melhor que tenho para dar-te, porque nunca me deste pequenas moedas, mas sim as máximas notas: amizade, ternura, compreensão... Bem hajas, amor, por existires e por teu corpo e alma comigo repartires. Henrique Lacerda Ramalho - Lisboa/Portugal “Às vezes só precisamos de alguém que nos ouça. Que não nos julgue. Que não nos subestime, que não nos analise. Apenas nos ouça” - (Charles Chaplin)

[close]

p. 9

Confrades da Poesia | Boletim Nr 72 | Novembro / Dezembro l 2015 | 9 «Contos / Poemas» CANTO A ÉVORA Canto a Évora- cidade amiga, cidade antiga, Cidade Museu, cidade/paixão desde os meus tempos de menino, hoje justamente consagrada como Património Mundial da Humanidade. Ali passei quinze dias como prémio de meus pais, após ter concluindo o ensino secundário. Ali devorei vários livros do meu interesse na altura, ali aprendi a conhecer melhor esta bela e histórica cidade alentejana, também designada rainha do Alentejo. Ali, curiosamente, se alterou a minha voz de menino, o que causou admiração à minha família e aos meus amigos, quando voltei a casa. Ali namorei- com direito a fotografia- ali fui feliz! Coincidiu a minha estadia com a célebre Feira de S. João- feira das cerejas da minha Ribeira de Nisa- vendidas por homens meus conterrâneos e que eu bem conhecia, o que me conferia, também, maior segurança, melhor bemestar. Lembro-me que fui ao Turismo, adquirindo folhetos relativos à cidade, o que me deu a oportunidade de melhor conhecer esta urbe transtagana, tão bem cantada já nessa altura por grandes artistas e que eu- modestamente- também imitava. Estava muito calor! Era o mês de junho em toda a sua pujança, e eu visitava os monumentos:- Templo de Diana, a imponente Sé Catedral, as Igrejas da Graça Igreja e de S. Francisco com a célebre Capela dos Ossos, a bela Praça do Giraldo, etc., os bens cuidados jardins, as suas ruas estreitas de calçada, olhando, simultaneamente encantado, as bonitas montras das inúmeras lojas, bem fornecidas dos mais variados artigos. Passava muitas tardes nos jardins, lendo e fazendo as minhas versalhadas de elogio à cidade e, claro, os primeiros versos de amor, sob a influência e inspiração de CAMÕES E FLORBELA e, também, de alguns poetas populares alentejanos, bem como do célebre António Aleixo. Guardo e guardarei para sempre, esse tempo maravilhoso - o mais longo que até ali tinha passado longe do meu cantinho no Monte Carvalho dali distante um pouco mais de cem quilómetros. Volvidos poucos anos, terminada a fase de instrução militar como miliciano, em Lisboa, tendo que escolher uma cidade para cumprir o restante tempo de serviço, a minha decisão não podia ser outra e logo escolhi a minha amada Évora, integrado no RAL 1- Regimento de Artilharia Ligeira Nº 1- hoje uma Faculdade. Eu não podia trair o meu amor. Tinha que ser assim! Já nos finais dos anos cinquenta, ali voltei e ali se decidiu a minha vida, ao obter o meu Curso de Professor. Depois, ali voltei por diversas vezes para poder acolher-me em seus braços, receber o seu desejado conforto, assim suavizando minhas eternas saudades. Como esquecer esta cidade?! Jamais! JGRBranquinho - “Zé do Monte” - Quinta da Piedade Filha Cláudia. Para a minha Filha Cláudia. Que os Teus passos sejam abençoados, Que o Teu caminho se envaideça quando falar de Ti, que a tua música continue a sair da pauta do teu Coração, que as cordas da tua guitarra temperem de emoção as salas do Mundo, desde os confins do Universo até aqui. Que a Voz da tua Alma se traduza no teu Fado puro e bom ou num Blues ou num reggae...ou no que te apetecer fazer da tua canção. Para já, é dádiva genuína cheia da criatividade e do sonho que transportas desde menina. Que se eternize assim e do princípio ao fim seja para Ti, Realidade, Felicidade e boa Sina. Pai - José Jacinto "Django" Sensíveis Guerreiros que lutam por um ideal. Versando os sentimentos em prol do progresso da humanidade. Refletindo através de prosas as ações exteriores. Enfrentando o Satan interior. Controlando as sensações e emoções. Vivendo os 99% de uma realidade além do 1% das cópias quase perfeitas do mundo material. Sensitivos, paranormais, clarividentes, luzes que sobrevivem às trevas da vida terrena. É na pureza da alma que forjam a sua armadura de inspiração e de transpiração poética. Pela paz, coloca-se o peito à própria morte. Dhiogo José Caetano - (Professor e jornalista) - Uruana - Brasil

[close]

p. 10

10 | Confrades da Poesia | Boletim Nr 72 | Novembro / Dezembro 2015 «Bocage - O Nosso Patrono» O AMANHÃ No declínio do entardecer, Todos os dias, Na plenitude de minha exaltação, O vento repudia-me, Diz-me não. Meu amor vigilante, Luta contra o vento, Contra tudo, Contra o tempo. Minha fadiga é enorme, Mas a noite acolhe-me, A lua agarra-se a mim. Não tombo, Porque sinto que me amparam. Há sempre alguém a meu lado. A água escorre tranquila, abundante... E soletra-me ao ouvido frases transparentes. Mergulho então, Brancura de cal, Coração e alma, Essência do perfume que me chega da noite, E quero adormecer, Admitindo que, Talvez tenha expressão, O Amanhã. Cremilde Vieira da Cruz - Lisboa VELHO Ser velho E ser sábio… Será bom ser sábio? Será bom ser velho? Eu preferia … Não ser sábio E não ser velho… Queria ficar… Não queria ir… Mas vou… E vou ficar velho… E vou-me embora… Só não saberei… Se realmente… Chegarei a ser sábio… Lili Laranjo - Aveiro NÃO VALE A PENA não vale a pena ... enganar a vida que nos não sorri é só lágrimas a guardar de momentos que não vivi não vale a pena... fugir ao fado que é nossa dita sempre corremos a fingir alegria ansiedade aflita não vale a pena ... iludir sonhos perdidos no além sobram os que hão-de vir e os que a alma contem Sou Sporting O sporting é o meu amor e aqui vai a minha dica antes quero ter uma dor que ver ganhar o Benfica. Sou sporting até morrer adoro vê-los ganhar o nosso desejo é "vencer" o nosso timbre é ganhar Alé...Alé meu leão. tens a força de vencer lutas para ser campeão com muita força e querer. Mesmo que não consigas ganhar sempre estarei a teu lado Eu nasci para te apoiar, como Amália nasceu para o "FADO" Vítor Assunção – Fogueteiro Para quê ter sempre mais Se quem o tem mais quer ter De satisfeitos legais, E tanta inveja manter!? Arménio Domingues Foros de Amora não vale a pena ... trocar nuvem pelo céu estrelado estamos sempre a suplicar pelo bem que nos é negado Rosélia M G Martins - PSA-Lisboa Dia do Livro do Livro 29 de outubro Cecília Meireles Há pessoas que nos falam e nem as escutamos; há pessoas que nos ferem e nem cicatrizes deixam, mas há pessoas que simplesmente aparecem em nossa vida e nos marcam para sempre. Rita Rocha – RJ/BR NÔMADE! Sou uma estrela entre mil estrelas da constelação. A bagagem do amor que caminha em toda direção. Um gosto amargo no doce de mel vaga o tempero da vida, enquanto trilho os caminhos, sem saber para onde ir. ZzCouto – RJ/BR Praça do pedágio – A cerração não me deixa ver a Serra dos Órgãos. Benedita Azevedo Praia do Anil, Magé – RJ clamo a alma na floresta densa onde o teu coração leveda... amanso o cavalo espavorido que roubou as pétalas de asa ao pássaro doce dos pinhais cerrados... no regaço do vento enferma o silencio doente da medusa... estou vivo... ...sem mim Jorge Cortez - Suíça

[close]

p. 11

Confrades da Poesia | Boletim Nr 72 | Novembro / Dezembro l 2015 | 11 «Tempo de Poesia» O PASSADO NÃO VOLTA! No declinar da vida a gente reconhece, Quantos erros fizemos, consequentes a eito, N’uma sucessão fatal, cuja culpa aceito, Nem vale aqui lembrar, aliás, nem apetece!.. Marés flagrantes perdidas, isto enfurece Julgando que tudo se repetia com proveito, Mas o tempo não perdoa, leva tudo a direito, Aquilo que no momento futilmente se tece! Hoje vê-se claro todas essas peripécias, N’uma imagem que me diz:-Nelson esquece-as, O passado não volta, tolo, não sejas cobarde... A vida é isto, quer queiras, quer não, apara As consequências com valentia, com boa cara Porque no fim tudo ocorre tarde, bem tarde!... Nelson Fontes Carvalho – Belverde Manta da Amizade Pedacinhos coloridos de carinho, tecendo quentes mantas de amizade, transformando amigos virtuais jamais vistos em amigos reais, bem conhecidos e amados. Quadradinhos lindos vindos dos quatro cantos desse imenso mundo chamado internet, colorindo e aquecendo as telinhas. E assim, as emoções desfilam em forma de lindos versos, destilando amor, respeito, solidariedade, etc... juntando os quadradinhos de emoções em uma linda manta de retalhos: a manta da amizade! Simone Borba Pinheiro Santa Maria - RS - Brasil Amor e Dor Eu trago sempre no pensamento Este, aquele, o outro e a outra irmã Meu olhar procura pelo talismã, Dias e noites eu digo num lamento. Amor, dor, sofrimento, confraternizar, Léguas e léguas de terra e de mar, Meu amor é verdadeiro em qualquer lugar, Onde os deuses outrora viram voar. Pássaros que em versos possamos ver! Com abraços e beijos, de homem e de mulher, Á luz do sol deslumbrante a brilhar. Com gestos para quem quiser colher, Na terra que chora vida, por não ter prazer, Onde meus olhos querem ver um dia brotar. Luís Filipe N. Fernandes - Amora A Morte Se a conversa está boa De um assunto é bom falar É da morte um assunto atoa Todos sabem, mas querem ignorar, Do medroso ao mais valente O medo dela lá está Ela assusta o rico e o carente, Mas escapar da danada não dá. Nascer e morrer é natural Se com o nascimento vem a alegria Porque á morte é funeral? Se nascer e morrer é o mesmo dia a dia. Dizem que a morte é feia Mas ninguém voltou para contar Enquanto do tempo corre a areia Vamos com ela nos acostumar. Maria Aparecida Flicori {Vó Fia} Nepomuceno minas Gerais BR AONDE ESTÁ DEUS? Sem Fim Quanto tenho andado... Quanto tenho buscado... Não sei responder! Onde te escondes? Onde te mostras? São outonos? Verões? Vidas, Sem fim ou Um simples .............fim? Anna Paes – Brasília -em TI -no meu coração -numa palavra -numa pedra -numa flor -num animal… Divina Misericórdia Na penumbra da escuridão acende-se uma pequena Luz ... Ó bondade infinita ... Beatífica visão ... Absoluto perdão! Eterna saudade! Sonho de eternidade ... (em toda a Criação afinal !...) -TUDO é SAGRADO ! -TUDO é o Templo de Deus ! -TUDU é a Catedral ! Filipe Papança - Lisboa (teu corpo delicado… a ave dos Céus… a Estrela Sideral…) Santos Zoio - Lisboa

[close]

p. 12

12 | Confrades da Poesia | Boletim Nr 72 | Novembro / Dezembro 2015 «Trovador» Em jeito de homenagem Parabéns aos amigos Aqui em homenagem Aos poetas antigos Em boa camaradagem. Intenção especial Para o amigo Euclides Neste evento anual Pois dele não prescindes. Eis-te com tua alegria Num encontro de poetas Lendo-nos com euforia Tuas obras bem selectas. No nosso jantar de fados Entre amigos e poetas Estamos todos enlevados Com amizades concretas. Criança A criança é poesia É a riqueza do lar. O lar não tem alegria Enquanto ela não chegar! Seja menino ou menina Seus sorrisos são encanto. Têm a Bênção Divina Seu viver deve ser santo! Ai de nós se a mal tratamos Fazer aborto é pecado. A criança que ocultamos É um anjo abençoado! Vinde a mim as criancinhas Disse certa vez, jesus. Há pessoas, coitadinhas Que, as privaram da Luz! Não tratem mal as crianças Com guerras, com fome e dor Porque a paz é a herança, Harmonia e amor! Bento Tiago Laneiro - Amadora PATINHO Era um pequeno patinho Que, na relva, se movia. P’ra riscar o azul do céu, Quanto de si não daria!... Ter a destreza das águias! Lá, no alto, a esvoaçar… Ser livre, feliz, colorido… Nos ramos, puder gorjear Sem a chance de ser águia, Patinho… sempre seria… Lá, no alto, a esvoaçar… Era penas… fantasia!... Filomena Gomes Camacho - Londres “O Cristo não ensinou A fazer mal a alguém Morro “pobre” porque sou Mais “rico” do que ninguém” Silvais – Alentejo Amor Alado I Se amar demais é pecado Confesso que já pequei Hoje, o meu amor alado Tornou-se um fora de lei. II Porém, foi correspondido Um ano, um dia, uma hora. Por isso não faz sentido Deitar as saudades fora. III Não estudei para saber Gerir as minhas emoções Mas aprendi a viver Com as minhas convicções. IV Desfolhei um malmequer Deixei as pétalas no chão. Um “Ser” não ama quem quer A escolha é do coração. José Chilra - Elvas Amadeu Afonso Cruz de Pau / Amora Saudade é uma doença! Amanhece em Salvaterra, Canta o galo no quintal Saudades da sua terra Emigrante de Portugal! Madrugadas de solidão Dos amantes separados A tormenta da paixão De antigos apaixonados! Semanas parecem meses Dias demoram a passar Sonham amar-se por vezes Noites de amor, a recordar! Esperaram toda a vida Para sentir essa emoção Na distância, doce querida Levaste o meu coração! O reencontro sonhado Imaginam sem parar Lá longe o homem amado E a mulher só a esperar! Saudade é uma doença Que corrói corpo e alma Difícil manter a crença Custoso ter sempre calma! Arlete Piedade - Santarém Farpas Aguçadas É corte atrás de corte, Restando apenas um naco. Por que é que a Lei do Mais Forte Só sabe atacar o fraco? O Passos louco ficou, Quer com o pobre acabar. Já alguém imaginou Ver o rico a trabalhar? Querem ter boas estradas, Modernas e muito belas? Com picaretas, enxadas, Tratem, então, de fazê-las! Querem metais preciosos, Pra dar às suas meninas? Com gana, laboriosos, Trabalhem eles nas minas! Querem ter boa comida E requintado manjar? Tratem, pois, à partida, De aprender a cozinhar! Querem boas fatiotas, Sempre na moda, a brilhar? Andem com as calças rotas, E com o cu a mostrar! Hermilo Grave - Amora Algumas pessoas pensam que estão sempre certas, outras são quietas e nervosas, outras parecem tão bem, por dentro elas devem se sentir tristes e erradas, outras se isolam para esquecer, enquanto outras se aproximam para sofrer, outras falam para machucar, algumas se calam para não magoar, embora sejam tão diferentes, todas tem algo em comum, não tem certeza de quem realmente são ou do que querem ser. (Charles Chaplin)

[close]

p. 13

Confrades da Poesia | Boletim Nr 72 | Novembro / Dezembro l 2015 | 13 «Confrades» O EGO Um dos maiores problemas é o ego Confiar em o próprio entendimento Agir fora de Deus; caminhar cego, Vida sem qualidade, sem fermento. Há quem para sentir que tem valor, Se alimente de elogios, opiniões, Reacções positivas do exterior, Mas colhe prejuízo e frustrações. Há quem, que para o ego alimentar De tudo na vida são capazes Mentir, roubar, matar ou violar Entrar em guerras, discussões mordazes. Orgulho; é do ego a exaltação Ciume; temor de ser suplantado Raiva; perda sofrida a reacção, Tudo que sirva o ego é pecado. Tem de haver em nós discernimento; Libertação do ego! Atitude! Afundá-lo bem no esquecimento, No ego, não há honra nem virtude. So em Deus há paz e alegria Na entrega, na Sua dependência; Ser Ele o nosso Pão de cada dia Só d’Ele nos vem toda a providência Anabela Dias - Paivas / Amora http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm Sereia Eu te vi sereia Deitada na areia Banhando-te no luar Refletido pelo mar Eu te vi mensageira Quando tu brejeira Na praia ficaste nua Iluminada pela lua Eu te vi anjo-do-mar Feita de ondas a vagar Brincavas com as estrelas Eras também uma delas Eu te vi Deusa marinha Quando brincavas sozinha Desenhando com luar Esteiras de prata no mar Mas quando o dia amanhece Tudo o que eu vi desaparece Só resta na areia molhada A tua pegada marcada Todas as noites regressarei E a ver-te ao luar continuarei Talvez que uma noite o mar Me peça para contigo brincar Rogério Pires – Seixal ANDANDO POR AÍ… Andando aqui entretido… Pelo Face, e no sentido, Conhecer gente animada! Irei por aqui passando Se poder, de vez em quando, Sempre, sem hora marcada! Vou andando por aí… Observando aqui e ali… Entre vários horizontes. Ao acaso vagueando No mundo, e observando, E beber a novas fontes! Espreitando novas miragens, Passeios, algumas viagens, E pelo desconhecido… Volto ao ponto de partida, Fazendo contas à vida, E ao que fizer sentido! Porque parar é morrer, Vou caminhando e viver, O cansaço, aliviando… Renovando energias, Espreitando novos dias, O caminho faz-se andando! João da Palma (Amlapad) Portimão Louvor Passei por Campo Maior Estava a abrir em flor Eu fiquei maravilhado. Campo Maior um jardim Duma ternura sem fim A todos, muito obrigado! É de louvar agradecer Encanto! Dá gosto ver, Tanta perícia, acredito! Só mãos maravilhosas Abençoadas, ditosas! Tudo, tudo, tão bonito. A Vila as ruas florescem Estas pessoas merecem Nestas palavras deixo, Um merecido louvor O meu abraço em flor Amigo de Santo Aleixo. Aires Plácido - Amadora A Idade da Vida Surgiste - e a lua piscou, contente, e os teus lábios, docemente, beijaram em seu reflexo, os meus olhos o meu rosto... Acariciei sua luz nos teus dedos. Surgiste - e tudo ficou diferente... Até o luar desceu em segredos de menina e veio ter àquela esquina, onde estavas, tu e eu. Aluena - Lisboa MULHER Baluarte Do amor Voz do silêncio Palavra santa Alma Despida De utopia Parapeito da alegria Verso, berço Que repousa Toda poesia Leito da vida Mulher Anestesia Da dor Ancora Dos sentimentos Fredy Ngola - Angola Gesta e Silêncio Quando eu já não tiver a quem amar E já ninguém meus poemas quiser ler. Quando eu já da gente boa me esquecer E a piedade a todos inspirar… Quando eu já não puder o amor cantar E o bom combate não puder fazer. Quando ao gritar verdades eu tremer… Só o silêncio da gesta vai restar! Nunca pedi de esforço a dispensa. Privilégio algum quis de ninguém. De passar mero vulgo vi apetência!... Deixarei do meu estro a presença Do mais nobre que a Vida sempre tem E por amor nos faz feliz avença! Casimiro Soares - Amora Pintura Mário Juvénio Sede. Em terras de ninguém Percorrendo mais além Entro dentro do horizonte Mato a cede na sua fonte Os barcos que passam por mim, Perguntam ao que eu vim Não lhes mostro o que sinto, Mato a sede com absinto. Mário Juvénio - Amora

[close]

p. 14

14 | Confrades da Poesia | Boletim Nr 72 | Novembro / Dezembro 2015 «Poemas saídos do Baú» Do fundo do nosso ser? Como explicar a poesia Para o que se quer dizer? De que modo, de que jeito, Se abre o cofre do peito Com as chaves do coração? Querer definir a poesia Com uma qualquer teoria E espartilhá-la num conceito Com pretensões a profundo Um sonho de alma embriagada, Ou o desfazer duma ilusão? É como agarrar o mundo, E moldá-lo com teimosia, Fechá-lo na palma da mão E deixar, depois, que a poesia Com tão vasta definição, Incompleta e incorrecta, Já não tenha solução E definhe em leito frio Para ir encher de vazio A cabeça do poeta. Não! Não quero ser diferente, Mas em poesia, decididamente, Sou contra a definição. LAVA JATO Favos de mel rodeados de um mosquedo Que cava e cava tal volume vivo Nas costas do gigântico arvoredo: De folha em folha vai abrindo um livro... Sátiros, me esclareçam: é comédia De um pré-texto em espera na coxia, Ou é um ato pudente da tragédia Que quase nos matou? E mataria! Ó justa multidão que enruga a testa, Cabe a alguém perguntar sobre a autoria, Pois os favos sumiram da floresta! Não temam, Donas Moscas, sai barato. Já estão prontas as cartas de alforria. Comecem a falar... Este é o trato! Eliane Triska – Canoas A M A R ...! Amar-te meu amor foi meu destino. Talvez sublime partida de cupido. Misto fluir dos reinos da ilusão e dos mares da loucura e da paixão. Sem te amar eu nunca saberia como gostosa e sofrida é a química e a atracção. Amar é olhos nos olhos, mão na mão ! É alimentar a chama, onde o fogo ardente clama, pelos bailados da sedução. Abraços e beijos de lábios selados sorvendo o mosto da vindima, acariciam os frutos desnudados. Amor é escola d’afeição, por esse alguém que noite e dia, não nos sai do coração ! Virgínia Branco - Oeiras Início da noite Uma outra visão da praia no poente de outono. Esquecido Criei dez filhos dez crianças inocentes brincavam e estudavam pobres mas contentes. Quantas lágrimas chorei trabalhando com ardor de enxada na mão até o sol se pôr. Todos foram crescendo criados com muito amor hoje vivem nas cidades esqueceram o progenitor. Sei que estou velho esquecido nesta casa tão triste e só está partida a minha asa. Sei que atrapalho não sou como outrora sinto-me doente está a chegar a minha hora. Dez filhos criei com muita devoção agora estou abandonado de bengala na mão. Peço a Deus que me leve vai ouvir…Eu sei que vai pois tenho dez filhos e nenhum cuidou do pai. Joaquim Maneta Alhinho Qtª do Conde Tiago Barroso - Parede Benedita Azevedo Praia do Anil, Magé – RJ OLHARES DE SAUDADE O – O João Furtado e a Arlete Piedade embarcamos juntos L - Levamos a saudade dos emigrantes de Cabo Verde H - Hoje na retrospectiva vejo quão temerário fui A - Ao querer escrever em parceria com a amiga Arlete Piedade R - Romance onde mescla-se gentes das ilhas e de Portugal E - Esforçados humanos em busca de melhores dias S - Saem cheios de sonhos na bagagem e depois de tentativas frustradas... D – Dão a terra dos sonhos e alguns vencem na lida E - E outros voltam com sonhos desfeitos e farrapos na alma... SAU– DADESerá que um dia terminaremos a história com o terceiro volume? Ainda mal publicamos o segundo volume e nem foi apresentado Uma história de emigração não tem fim à vista certamente Digo eu e sente a Europa com os refugiados e não só A América tem no México e na Cuba e não só a chaga De certo todo o mundo o seu, pois que a ânsia para uma vida melhor E mais folgada, faz o homem procurar e o outro criar fronteiras... Refrão João Pereira Correia Furtado - Praia / Cabo Verde Viçosos trigais nasceram Na vertente da ladeira. Lindos rostos ceifaram Minha sublime sementeira. José Rodrigues – Cruz de Pau-Amora) Não carregues com ninguém, Só por mero interesse. É melhor ficar aquém, Do humor que dispusesse. Jorge Vicente - Friburgo

[close]

p. 15

Confrades da Poesia | Boletim Nr 72 | Novembro / Dezembro l 2015 | 15 «Faísca de Versos» Pelas estradas... Pelas estradas onde ando Anda mais gente também Anda quem eu estou amando E anda quem ama ninguém! Andam homens e mulheres E bebés tentando andar... Circulam carros que queres Mas não os podes comprar Circulam motos, carroças Andam burros e cavalos... E nas bermas andam moças Prontinhas para domá-los Andam ministros, doutores, Deputados e alguns tais Sacaninhas e impostores Direi mesmo... irracionais! Andam bestas e avantesmas Quem governa e desgoverna... Rastejando como lesmas Pela circular interna Andam chulos e cabrões Cabras, carneiros e patos... Passam padres, procissões E crianças sem sapatos Pelas estradas onde ando Vejo popós top gama Com tais bestas ao comando Que até a estrada reclama Andam ricos e andam pobres Traficantes circulando... Gajos com armas nos coldres Que por elas vão caçando! Andam tipos influentes Panças cheias bolsos fartos... Banqueiros e presidentes Ratos, raposas, lagartos Andam larápios, trafulhas, Corruptos e vigaristas... Andam pedófilos, pulhas, Aldrabões e carteiristas Pelas estradas onde ando Andam crentes e descrentes Alguns sorrindo e cantando Outros rosnando entre dentes Andam tipos de má fé E outros, por fé, andam nelas... Uns por elas vão a pé Outros deslizam por elas Ora chorando ou rezando Vê-se gente desgraçada Cima, abaixo, caminhando Parecendo bois em manada Pelas estradas onde ando Anda gente como eu Que anda nelas carregando A vida que Deus nos deu! Protagonismo da Peste. A turma ficou dispersa Gerou mote de conversa. Por uma fera aplaudida Que anda a monte e perdida. Foi matreira p’la surpresa Caça!? Não se livra a presa. Laços de ódios…invejas A protestar!? Que revejas. E por discursos perversos À sombra dos controversos. Ingere a publicidade Falta de veracidade… E tenta espalhar as brasas, Chamuscando outras asas. Fera que anda à solta Agitada p’la revolta… Jardim “ZOO” vira a Celeste Protagonismo da peste. Descarrilou essa fera Espelhada nessa esfera. A fera caiu ao rio, Encerrada, por alívio… ESTABILIDADE ? Dizem, falam… não se percebem, Mas passam a mensagem… Estabilidade. Ah Povo, magro, desestabilizado, Mas com memória sempre curta. Perante o iluminado.. Que derrama estabilidades Que furta e ainda aplaudes. Ah, Povo sofrido, estoicamente despedido Da Terra, que afinal é tua E historicamente, serves de tema Para os utilizadores Que sazonalmente te invadem a rua. Estabilidade. Fica quietinho aí na cadeira. Não ouviste? Queres Liberdade? Que parvoíce. E o Jantar? Ninguém te disse? Se…se..se….não estiveres de acordo Acordas com fome e..tu..que chatice. E Tu, Povo? Que Dizes? Mal, claro. Mas a seguir lá vais para a fila. Outra Vez. Ah,… melhor era antes O depois ainda não fez. E sentes-te perdoado pela burrice. Conservas-te, desnecessariamente, Quando, desabituado da decisão, Embrulhado em amnésia, Na réstia, ainda te lembras Que diziam que é melhor estar caladinho, Pois…………assim ainda tens água para o caldo. Não, não é moinho. Não há. Já. Ah Povo, vê lá se ainda Há! Desestabiliza-te! Por Favor. A Estabilidade que promete o eleito É a turbulência na vida do eleitor. Povo, chega de andor! José Jacinto "Django" Os Políticos Chegam as eleições com os doutores. Que farão algo novo, ninguém sonha. Não há ninguém com força que se imponha, E calar mentirosos oradores? Se ficarem de novo estes senhores. Uns falsos moralistas sem vergonha. Safados malandrões com muita ronha. A culpa será pois, dos eleitores! P’ra ter-mos um País mais ordenado. Em que o povo não seja mais roubado, Por certos safardanas, comilões: Levantemos os rabos das cadeiras, E todos os pilantras com peneiras Afastemos de vez, nas eleições! Alfredo dos Santos Mendes – Lagos Pinhal Dias - Amora PT DESILUSÃO É triste a desilusão Que sofro a toda a hora, Por ver que há tanto aldrabão Por todo este país fora, Que sem medo nem respeito Vão a todos enganando, Num regime de direito Onde eu julgo estar morando!... Mas olhando o que se passa Vejo que estou enganado, Pois andam todos à caça Dos tostões do desgraçado, Que nem ganha p’ra comer E não se pode queixar, Nem nada pode fazer Mesmo que tenha razão, Porque a justiça a ignora Vai acabar na prisão, E os gatunos ficam fora, Nesta nossa sociedade Onde há tantos charlatães Vigaristas e aldrabões A viver em liberdade, Clamar não serve de nada Nesta terra de barões, Onde se prende a autoridade E se soltam os ladrões, Ninguém nos pode valer, Fica a justiça adiada Para depois prescrever. Isidoro Cavaco - Loulé Abgalvão (in pedras de fisga)

[close]

Comments

no comments yet