Revista Secovi Rio nº 97 - Nov/Dez 2015

 

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Revista Secovi Rio nº 97 - Nov/Dez 2015

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REVISTA NOV/DEZ 2015 • no 97• VENDA PROIBIDA Um bicho que não é de sete cabeças Novos serviços melhoram a convivência entre humanos e animais em condomínios

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Do berço à casinha novembro EM FOCO 8 Comercial x residencial 16 Vida de cão, mas muito zen 42 Uma hora de sol a mais 44 Projetos de lei podem onerar os condomínios 2015 dezembro No fim do primeiro semestre, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmou aquilo que muita gente já imaginava: ao passo que o número de crianças diminui nos lares brasileiros, o de animais se amplia. De cada 100 domicílios, 44 têm cachorros, número compatível ao de casas com filhos de até 14 anos. O fenômeno não é novo e acompanha uma tendência observada em muitos países desenvolvidos. Mais que fiéis companheiros, os animais são parte fundamental das novas configurações familiares brasileiras. Nesse cenário, é natural que sejam tratados também como um importante nicho para produtos e serviços especializados, que vão do sofisticado mercado pet ao singelo trabalho dos passeadores de cães. Acompanhando também esse (talvez irreversível) processo, muitos condomínios têm se adaptado cada vez mais às necessidades dos moradores-caninos. Nos anúncios de empreendimentos, os chamados espaços pet acabaram se transformando nas novas varandas gourmet, isto é, objetos de desejo que facilitam a vida dos futuros habitantes. Contrariando a ideia de que tais recursos só impactam a vida do próprio bicho e de seu tutor, as fontes que integram a matéria de capa desta edição revelam como o bem-estar do animal doméstico colabora para estabelecer um ambiente melhor para todos. Um cão menos estressado, por exemplo, dificilmente latirá horas a fio, incomodando a vizinhança. Ainda sobre o assunto, uma notícia triste é a de que o número de animais abandonados também vem aumentando no país. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), são pelo menos 30 milhões deles nas ruas, entre cães e gatos. Que tal aproveitar o fim do ano, período propício para a realização de campanhas sociais, e mobilizar o seu condomínio para transformar essa realidade? Muitas ONGs atuam recolhendo doações, fazendo a castração dos animais e até mesmo promovendo mutirões de adoção. A causa é importante e passa despercebida pela maioria das pessoas. Responsabilizar-se não apenas pelos próprios animais de estimação pode não resolver integralmente o problema geral, mas com certeza fará uma grande diferença na vida de cada bichinho resgatado das ruas. Tenha uma boa leitura! EQUIPE SECOVI RIO 53 Condomínios no espírito de Natal SEÇÕES 2 Palavra do presidente 4 Entrevista: Andrea Natal – Glamour pé no chão 12 Curtinhas 24 Consulte o jurídico 29 Sustentabilidade – Saúde e bem-estar em primeiro lugar 30 Lugar carioca – CADEG. Abastecendo os ânimos 38 Indicadores habitacionais 40 Artigo jurídico – Mudanças na cobrança da cota condominial 46 Informações & serviços SECOVI RIO | NovDez 2015 | no 97

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Av. Almirante Barroso, 52/ 9o andar • Centro • 20031-918 • Rio de Janeiro/RJ Tel.: (21) 2272-8000 • Fax: (021) 2272-8001 • E-mail: secovi@secovirio.com.br www.secovirio.com.br DIRETORIA DO SECOVI RIO – Efetivos Presidente: Pedro José Maria Fernandes Wähmann Vice-Presidente: Leonardo Conde Villar Schneider Vice-Presidente Financeira e de Desenvolvimento: Maria Teresa Mendonça Dias Vice-Presidente Administrativo: Ronaldo Coelho Netto Vice-Presidente de Marketing: João Augusto Pessôa Vice-Presidente Jurídico: Rômulo Cavalcante Mota Vice-Presidente de Assuntos Condominiais: Alexandre Hermes Rodrigues Corrêa Vice-Presidente de Locações: Antonio Paulo de Garcia Monnerat Vice-Presidente de Relações do Trabalho: Dennys Abdalla Muniz Teles   Suplentes – Aldo Fernando Villar Hecht da Fonte; Antonio Carlos Ferreira; Antonio Henrique Lopes da Cunha; Frederico Honorato Rodrigues Moreira; Germana Aragão de Mesquita Aguiar; Luiz Alberto Queiroz Conceição; Luis Carlos Bulhões Carvalho da Fonseca Filho; Pedro Carlos Carsalade; Rafael Thomé  CONSELHO FISCAL: Efetivos – Dorzila Irigon Tavares; Hamilton Quirino Câmara; Marco Antonio Moreira Barbosa. Suplentes – Antonio José Fernandes Costa Neto; Marco Antonio Valente Tibúrcio; Marco Antonio Vieira de Mello DELEGADOS REPRESENTANTES JUNTO À FECOMÉRCIO: Efetivos – Pedro José Maria Fernandes Wähmann; Manoel da Silveira Maia. Suplentes – João Augusto Pessôa; Ronaldo Coelho Netto CONSELHO DE RELAÇÕES DO TRABALHO: Dennys Abdalla Muniz Teles (presidente); Alexandre Hermes Rodrigues Corrêa; Fernando Schneider; Maria Teresa Mendonça Dias; Rafael Thomé REGIONAIS SECOVI RIO Regional Baixada Fluminense – Nova Iguaçu Representante: Hilário Franklin Pinto de Souza Endereço: Av. Governador Roberto Silveira, 470 – sala 412 – Centro – Nova Iguaçu Telefone (21) 2667–3397 / E–mail: baixadafluminense@secovirio.com.br Área de Abrangência – Municípios de Belford Roxo, Duque de Caxias, Guapimirim, Japeri, Magé, Mesquita, Nilópolis, Nova Iguaçu, Paracambi, Queimados, São João de Meriti e Seropédica. Regional Costa Verde Área de Abrangência – Municípios de Angra dos Reis, Mangaratiba, Itaguaí, Rio Claro e Paraty. E–mail: costaverde@secovirio.com.br Regional Lagos – Cabo Frio Representante: José Carlos Bonan Endereço: Rua Francisco Mendes, 350 – loja 5 – Centro – Cabo Frio – RJ (Cabo Frio Leste Shopping) Telefone (22) 2647–6807 / E–mail: lagos@secovirio.com.br Área de Abrangência – Municípios de Araruama, Armação de Búzios, Arraial do Cabo, Cabo Frio, Iguaba, Iguaba Grande e São Pedro da Aldeia. Regional Litorânea – Niterói Endereço: Av. Ernani do Amaral Peixoto, 334 – sala 1009 – Centro – Niterói – Telefone (21) 2637–1633 / E–mail: litoranea@secovirio.com.br Área de Abrangência – Municípios de Maricá, Saquarema, Tanguá, Rio Bonito, Itaboraí, Silva Jardim, Niterói e São Gonçalo. Regional Serra Imperial – Petrópolis Representante: José Roberto Sauer Endereço: Rua Dr. Nelson de Sá Earp, 95 – sala 406 – Centro – Petrópolis – Telefone (24) 2637–1633 / E–mail: serraimperial@secovirio.com.br Área de Abrangência – Municípios de Petrópolis, Areal, Comendador Levy Gasparian, Paraíba do Sul e Três Rios. Regional Noroeste Fluminense – Campos dos Goytacazes Representante: Rodrigo Guimarães Endereço: Praça São Salvador, 21/sala 904 – Centro – Campos dos Goytacazes – Telefone (22) 2738–1046 / E–mail: noroestefluminense@secovirio.com.br Área de Abrangência – Municípios de Campos dos Goytacazes, Itaperuna, São Fidélis, São João da Barra, São Francisco do Itabapoana, Cardoso Moreira, Italva, Cambuci, São José de Ubá, Laje de Muriaé, Porciúncula, Natividade, Varre–Sai e Bom Jesus de Itabapoana. Regional Norte Fluminense – Macaé Representante: Wallace de Abreu Santos Endereço: Av. Rui Barbosa, 1043/201 – Alto Cajueiros – Macaé – Telefone (22) 2772–3714 / E–mail: nortefluminense@secovirio.com.br Área de Abrangência – Municípios de Macaé, Casimiro de Abreu, Quissamã, Conceição de Macabu, Carapebus e Rio das Ostras. Regional Serra Verde – Teresópolis Representante: Henrique Rodrigues Endereço: Av. Feliciano Sodré, 460/loja 03 – Várzea – Teresópolis – Telefone (21) 2742– 2102 / E–mail: serraverde@secovirio.com.br Área de Abrangência – Teresópolis, Sapucaia e São José do Rio Preto. Regional Serra Norte – Nova Friburgo Representante: Gabriel de Freitas Ruiz Endereço: Rua Ernesto Brasílio, 45 – sala 205 – Centro – Nova Friburgo – Telefone (22) 2523–7513 / E–mail: serranorte@secovirio.com.br Área de Abrangência – Municípios de Aperibé, Bom Jardim, Cantagalo, Carmo, Cordeiro, Duas Barras, Itaocara, Macuco, Miracema, Nova Friburgo, Santa Maria Madalena, Santo Antônio de Pádua, São Sebastião do Alto, Sumidouro, Trajano de Moraes e Cachoeiras de Macacu. Regional Sul Fluminense – Volta Redonda Representante: Ana Beatriz Rocha de Carvalho Endereço: Av. Paulo de Frontin, 590 – sala 307 – Aterrado – Volta Redonda – Telefone (24) 3339–2272 /E–mail: sulfluminense@secovirio.com.br Área de Abrangência – Municípios de Barra do Piraí, Barra Mansa, Itatiaia, Piraí, Resende, Valença, Vassouras, Volta Redonda, Porto Real, Quatis, Pinheiral, Rio das Flores, Eng. Paulo de Frontin, Miguel Pereira, Paty do Alferes e Mendes. O Secovi Rio é auditado por |palavra do presidente| Recentemente, previsões do mercado para a inflação brasileira voltaram a piorar, indicando que o IPCA deverá fechar o ano em 9,29%. O que os analistas preveem, por meio de cálculos matemáticos, o povo brasileiro já sentia no bolso, em situações corriqueiras como fazer compras no supermercado, pagar o aluguel, a contra de luz ou o financiamento imobiliário. Foi um ano difícil para todos nós e a atual conjuntura pode ser explicada por fatores como a alta do dólar e dos preços da telefonia, água, energia elétrica, combustíveis, tarifas de ônibus etc. Mas não são apenas esses itens que podem afetar o bolso e a vida das pessoas. Para os moradores de condomínios, por exemplo, existe uma série de ameaças que podem gerar ainda mais despesas. Certos projetos de leis municipais, estaduais ou federais, se aprovados, acarretariam em custos elevados que certamente comprometeriam os orçamentos já apertados dos edifícios. O Secovi Rio se preocupa com o encarecimento das taxas condominiais por causa de despesas que são dispensáveis, ainda mais na atual crise. Existem atualmente mais de 300 projetos de leis relacionados ao nosso setor, sendo a maior parte referente a condomínios. Muitos deles absolutamente desnecessários e inaplicáveis. Por isso fazemos questão de acompanhar todas essas proposições e atuar incisivamente para que elas não vão adiante. Da mesma forma, trabalhamos para aprovar aquelas que sejam benéficas ao segmento. Há décadas assumimos o compromisso de nos aproximarmos das casas legislativas e viemos aperfeiçoando nossa atuação para que vereadores, deputados e senadores pudessem reconhecer nossa credibilidade como uma das mais atuantes entidades do setor em nível nacional. Ao mesmo tempo, investimos em um quadro de profissionais qualificado que tem a tarefa de monitorar, analisar e propor adequações nos projetos, além de dialogar com parlamentares. O ano se encerra, mas nosso compromisso de lutar pelo bem-estar dos moradores e o equilíbrio financeiro de todos os condomínios que representamos segue em 2016 como uma de nossas principais bandeiras. Feliz ano novo! Pedro Wähmann Presidente do Secovi Rio 2 SECOVI RIO | NovDez 2015 | no 97

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Andrea Natal Glamour pé no chão g Nem quem passa distraído pela Avenida Atlântica, na altura da Praia de Copacabana, deixa de perceber a suntuosidade de um dos grandes símbolos do Rio de Janeiro. Ícone da alta sociedade carioca desde a década de 1920 e um dos hotéis preferidos das celebridades e chefes de Estado internacionais, o Copacabana Palace é um complexo de 241 apartamentos em uma área de 11 mil metros quadrados. À frente de um time de 600 funcionários está Andrea Natal, gerente-geral do estabelecimento há três anos e meio. Trabalhando no Copa desde 1996, a petropolitana de 53 anos tem uma carreira ascendente no hotel e, antes de assumir o cargo de grande anfitriã de um dos símbolos do Rio de Janeiro, gerenciou as áreas de recepção, hospedagem e operações. Sua ligação com a hotelaria começou bem antes, aos 19 anos, como estagiária no Meridien (atual Windsor Atlântica). Devido à função que exerce, Andrea também é residente do Copacabana Palace (ela mora em um apartamento de 150m2 num dos anexos do hotel). Foi ali que ela criou seu filho, Louis André, de 21 anos. “Não tem cara de hotel onde eu moro. Fui aos poucos dando o meu toque, transformando aquele espaço em casa”, conta. Mesmo vivendo em meio a um espaço no qual impera a sofisticação, a executiva se recusa a usar as dependências do local como se fosse o seu playground. O único luxo a que se dá é receber os amigos para jantar em um dos restaurantes do hotel. No seu aniversário de 50 anos, Andrea quebrou o protocolo que impôs a si mesma ao pular em uma das piscinas mais cobiçadas do país. IGOR AUGUSTO PEREIRA e DOUGLAS DAYUBE/ Foto: ALLE VIDAL Você se sente na vanguarda por ser a primeira mulher a comandar o Copacabana Palace? Não, nunca me senti dessa forma. Mesmo hoje em dia, em muitas empresas, existe a coisa do machismo, mas aqui nunca senti. No passado, a equipe era muito masculina, hoje temos mais mulheres. A minha ascensão se deu de forma natural, não pesou o fato de ser mulher ou não. O que ouço hoje de muitos clientes é que o hotel tem um toque bastante feminino – e acho isso engraçado. Oferecer tanto luxo para as pessoas e ser a grande anfitriã de eventos importantes é tão glamouroso quanto parece? Essa coisa do glamour é um pouco engraçada também. O hotel tem uma estrutura glamourosa, a gente coloca tapete vermelho, cuida das companhias das pessoas. Mas me sinto uma dona de casa recebendo os amigos. As pessoas já consideram vir ao Copa um evento glamouroso, mas penso que tem que ser feito sem forçar a barra. Até porque nem todos vêm aqui tomar champanhe e comer foie gras. Se um cliente quer tomar uma cachaça, temos que ter um bar de cachaça para oferecer a melhor. Precisamos ter os pés no chão, porque isso de estar atrelado às coisas caras ou luxuosas não é verdadeiro para todo mundo. Trabalhamos com a lógica do “menos é mais”, pois as pessoas gostam do simples. Com os grandes eventos, muitos hotéis estão chegando ao Rio. Como lidar com a concorrência? A concorrência não é só com os hotéis que estão chegando à cidade, mas também com os de Nova York, Saint-Tropez, Miami, sabe-se lá mais onde... O mundo é nosso concorrente, concorrente do nosso destino, o 4 SECOVI RIO | NovDez 2015 | no 97

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|entrevista| Gerente-geral do Copacabana Palace, Andrea natal aposta em serviços personalizados para manter a grandeza do ícone carioca Rio de Janeiro. Cerca de 35% da nossa clientela é brasileira, e o brasileiro hoje pensa em dólar. Com essa questão da alta do dólar, aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), esse público está repensando um pouco se vai para o exterior ou fica por aqui. Em termos de movimento, em 2014 nós tivemos uma média de 71% de quartos ocupados. Até setembro deste ano, estamos com uma média de 63%. Em um momento de incertezas econômicas, é possível antever o futuro do Copa? É uma grande incógnita porque o país está vivendo uma recessão e a gente ainda não sabe o que vai acontecer no futuro, mas o nosso grande objetivo é manter a equipe atual para enfrentar as Olimpíadas. Temos o quadro necessário para isso, queremos investir e manter os nossos talentos. É natural que a pessoa queira sair, conhecer novos lugares, crescer na profissão, mas não podemos promover todo mundo, então queremos mantê-los e aprimorá-los com os nossos treinamentos – que são muitos. Para as Olimpíadas, assim como foi na Copa do Mundo, já estamos com 100% dos quartos ocupados. Como muitos profissionais, você mora onde trabalha – mas esse lugar é o Copacabana Palace. Como é isso? Olha, não posso negar que seja muito bom. Eu não tenho que fazer supermercado, e isso é uma grande mordomia para nós, mulheres que trabalham muito. Também pude passar mais tempo com meu filho, pois, SECOVI RIO | NovDez 2015 | no 97 5

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|entrevista| “Nem todos vão ao Copacabana Palace para tomar champanhe. Se um cliente quer tomar uma cachaça, temos que oferecer a melhor” quando viemos para cá, ele ainda tinha 9 anos, então eu almoçava com ele e depois levava até a van que o transportava para o colégio. Mas onde eu moro também não tem cara de hotel. Fui aos poucos dando o meu toque, transformando aquele espaço em casa. Tem que ter aquela bagunça de casa, ainda mais com um filho jovem. Não dá para ter cara de hotel. O Copa passou por um processo de modernização. Recentemente, foi inaugurado o restaurante de comida oriental Mee, por exemplo. É uma maneira de atrair os jovens da alta sociedade carioca? Nós temos um público muito diferente e queremos todo tipo de público. A clientela mais jovem está vindo porque o Copa trabalha hoje nas redes sociais, desenvolvendo um canal de comunicação com eles. Convidamos blogueiras, tivemos algumas ações um pouco ousadas também. Fizemos uma ação com a ArtRio em que convidamos artistas que têm um grande apelo com esse público. Creio que nós somos um mix, e acho muito bacana essa mistura. Temos famílias, os mais jovens, os mais velhos, como hóspedes e clientes dos nossos restaurantes (são quatro espaços: Mee, Cipriani, Pérgula e Copacabana Piano Bar). Você é uma mulher experiente no ramo hoteleiro – começou a estagiar aos 19 anos e tem quase 20 de Copacabana Palace. Qual foi o momento mais difícil pelo qual passou? Acho que foi quando caíram as Torres Gêmeas (em 11 de setembro de 2001), nos Estados Unidos. Logo em seguida, em 2002, foi um momento muito difícil para nós. A hotelaria do mundo todo sofria com isso. Inclusive, tivemos que fazer um ajuste no nosso pessoal, pois nada acontecia. Você também está muito presente em colunas sociais e sempre chama atenção pela sua elegância (Andrea já foi eleita a executiva mais elegante do país pelo jornal O Globo). Você se considera uma celebridade? Sou zero celebridade! Às vezes, as pessoas acham que quem vive nesse ambiente cheio de glamour é assim, mas isso tira muito a energia da gente. Eu vivo no Copa, em um ótimo endereço da cidade, mas tenho os meus pés no chão porque sei que só estou aqui pelo trabalho que venho fazendo nesses anos todos. Adoro o baile de Carnaval, adoro receber as pessoas. Aí, sim, é uma coisa meio sofisticada, e eu entro nesse teatro, digamos. Mas ninguém vive só de glamour, pois isso é muito passageiro. Fiquei muito feliz de ter sido considerada a mais bem-vestida. Afinal, isso faz parte do meu trabalho, é importante para a minha profissão. Não basta ser a gerente-geral, tem que estar linda sempre. Digo que sou multifuncional na minha profissão. E gosto disso, acabo não tendo rotina... Por morar no Copacabana Palace, você deve ter uma relação além da profissional com os funcionários que comanda. Houve algum momento em que vocês se emocionaram juntos? Houve um momento difícil na minha vida, que foi quando eu tive um câncer de mama. Percebi que, em vez de sentir pena de mim por eu ter que passar pela quimioterapia, ficar careca ou usar peruca, as pessoas estavam preocupadas em transmitir uma energia positiva. Como moro no hotel, não precisei parar de trabalhar, e isso foi muito bom para mim. Foram 10 meses assim. O momento que me marcou foi a nossa festa de Natal, porque escolhi aquela ocasião para fazer o meu discurso e dizer que estava curada. Foi engraçado ver todos boquiabertos porque eu entrei na festa patinando e fui fazendo o meu discurso de agradecimento. É um momento que nunca vou esquecer. “Vivo em um ótimo endereço da cidade, mas tenho os pés no chão porque sei que só estou aqui pelo trabalho que faço” 6 SECOVI RIO | NovDez 2015 | no 97

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Comercial x residencial As particularidades na gestão de edifícios com perfis diferentes g GUSTAVO MONTEIRO e DOUGLAS DAYUBE/ Fotos: DANIEL WANDER O Censo de 2010 do IBGE apontou que há no Estado do Rio de Janeiro 1,06 milhão de apartamentos distribuídos em cerca de 30 mil condomínios (média de 35 unidades por edifício). Desses, 90% são residenciais, e o restante é classificado como comercial ou misto. Independentemente do perfil da edificação, uma coisa é certa: administrar é sempre uma tarefa complexa. Segundo síndicos e especialistas entrevistados para esta reportagem, nos prédios comerciais, lidar com as finanças é o grande desafio. Já nos residenciais, a questão são os relacionamentos interpessoais. Para ambos, existe um consenso: é difícil cuidar de tudo sem o auxílio de uma empresa especializada. De acordo com levantamento do Secovi Rio, grande parte dos condomínios está atenta, mas muita gente ainda prefere optar por outros modelos de gestão. Algo em torno de 54% não contam com a ajuda de uma administradora. Fernando Kalache, síndico do edifício comercial Linneo de Paula Machado, no Centro do Rio, é um deles. Com 34 andares, 16 elevadores, duas escadas rolantes, 120 empregados (metade terceirizados) e circulação média de 4 mil pessoas por dia, o Linneo, um dos mais altos da região, precisa de cuidados perma- nentes no que diz respeito à segurança, manutenção e prevenção de incêndio. E, como se o dia a dia já não fosse suficientemente desafiador, o gestor, de 34 anos, planeja ampliar o “Centro de Controle” do prédio, onde se faz o monitoramento de segurança. A despesa anual para deixar tudo em ordem não foi revelada pelo síndico, mas é possível imaginar o custo pelo porte da edificação, uma das mais altas da cidade. Para incrementar a receita, o aluguel do terraço para antenas de telefonia foi uma das soluções. Para Kalache, uma das diferenças de gestão diz respeito aos relacionamentos interpessoais. “Em um residencial, o síndico precisa ter jogo de cintura e deve tentar manter a imparcialidade pensando no bem-estar da coletividade. Além disso, tem que aprender a ouvir as críticas dos moradores sem se sentir diretamente atingido. É mais difícil lidar com os humores”, acredita o gestor, que já teve experiências como síndico em um apart-hotel e num prédio residencial onde morou. “Em um prédio comercial é preciso estar mais atento à infraestrutura e à manutenção. É importante também focar na transparência da gestão, já que estamos lidando com aluguéis e taxas condominiais vultosas”, completa. Dupla jornada Morando atualmente em uma casa no bairro carioca do Humaitá, Fernando conciliou durante um pequeno período no início de 2015 as atividades como gestor em um prédio comercial e em outro residencial: “Eu já havia tido experiência como conselheiro, por isso não tive muita dificuldade.” Síndico há 23 anos do edifício comercial José Mastrângelo, localizado em um dos pontos mais Fernando Kalache comanda um dos prédios comerciais mais movimentados do Centro do Rio. Transparência e proximidade com os funcionários são marcas de sua gestão 8 SECOVI RIO | NovDez 2015 | no 97

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O síndico Dilmar (no portão de grade) exerce dupla função na cidade de Nova Friburgo e considera condomínios residenciais mais difíceis de administrar movimentados do Centro de Nova Friburgo, Dilmar Bittencourt, 59 anos, revela que a principal dificuldade é fazer com que os ocupantes atentem para a importância da manutenção preventiva. “Quando assumi a função, a maioria era proprietária. Hoje, 60% são inquilinos que, infelizmente, não estão muito preocupados com a conservação do condomínio”, diz o gestor, nascido em Itaocara. Com sete andares e 37 salas, onde trabalham principalmente advogados, médicos, dentistas e profissionais do ramo de salões de beleza, o prédio, que funciona das 7h às 22h, de segunda a sábado, tem uma rotina bastante diferente da dos grandes edifícios comerciais do Rio. “Por estarmos em uma cidade do interior, não temos problema com a segurança”, explica Bittencourt, acrescentando que não há equipamentos como circuito fechado de TV e também não existe controle de acesso à portaria. Além do prédio comercial, Bittencourt foi eleito há dois anos para a sindicatura do edifício residencial Itália, também no Centro de Nova Friburgo. Com 11 andares e 94 unidades, a edificação, que tem mais de 40 anos de existência, passou por algumas melhorias recentes. “Há muitos jovens chegando, então estamos nos programando para fazer obras de modernização em áreas comuns, como o hall da portaria”, revela, apontando as diferenças entre gerenciar prédios com perfis distintos. “O residencial às vezes é mais complicado porque tem muito mais cobrança e problemas particulares de convívio a serem contornados”, pontua. Com oito funcionários, o Itália tem conseguido passar tranquilo pela crise: a inadimplência da taxa condominial, no valor de R$ 450, não chega a 10%. Há 30 anos exercendo a função de síndico em prédios dos dois tipos, Wilson Ferreira compara condomínios a empresas devido à complexa legislação vigente no segmento. “As funções desempenhadas, quer no comercial ou residencial, são as mesmas, sendo que, no residencial, por não estar presente, é fundamental a boa qualificação dos empregados. No comercial, por estar em contato direto com os empregados e com os condôminos, o exercício do cargo é mais tranquilo”, afirma o gestor, de 78 anos. Ele atua no edifício comercial Central, na Avenida Presidente Vargas, Centro do Rio, com 22 andares, três elevadores e 10 empregados, e no residencial Solar Marquesa do Paraná, no Flamengo, com nove andares e dois blocos de 27 apartamentos cada, quatro elevadores e nove empregados. “Nos prédios residenciais, os problemas de um modo geral são corriqueiros, e, quando extrapolam, são minimizados com o suporte jurídico que nos dão a administradora, o Secovi Rio e a Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis (Abadi)”, conclui. De olho nas contas Facilitadora do curso de “Rotinas Administrativas em Condomínios” da UniSecovi Rio desde 2008, Andréa de Oliveira reforça que, apesar das diferenças, os dois tipos de condomínio devem cumprir as mesmas obrigações legais. Ela afirma, contudo, que os síndicos dos edifícios comerciais tendem a ser mais preocupados com as finanças devido à presença de um conselho fiscal mais rigoroso. “Nos comerciais, os gestores tendem a trabalhar de uma forma mais efetiva a questão do custo SECOVI RIO | NovDez 2015 | no 97 9

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e dos investimentos necessários para que o bem se torne mais valorizado”, explica Andréa. E os condôminos se preocupam com esse retorno também, a julgar pelos valores gastos com as taxas condominiais e os aluguéis, cujos contratos duram, em média, 60 meses – o dobro do que se pratica nos residenciais. Segundo pesquisa do Secovi Rio, em prédio comercial no Centro da cidade, o valor médio da taxa condominial é de R$ 14,43 por metro quadrado – o dobro do que se gasta num prédio residencial no mesmo bairro. O preço do condomínio nos comerciais equivale, em média, a 27% do valor do aluguel. Já no residencial, a taxa representa 19% do valor da locação. Atuante na área condominial há 26 anos, Andréa acredita que o comportamento dos usuários é outro item peculiar. “Nos residenciais, há uma tendência maior à infração das regras impostas pela Convenção do condomínio. Já nos comerciais, estar atento às regras é uma questão de zelo com a própria imagem”, diferencia. “O segredo para ser um bom síndico, não importando o tipo de prédio, é estar atento ao calendário de obrigações, ter um bom planejamento e zelar pela boa convivência. O síndico deve ter a consciência de que não é um proprietário do edifício, e sim um representante”, finaliza a facilitadora da UniSecovi Rio. Especializada em rotinas administrativas, Andréa de Oliveira reforça: o diálogo é a principal forma de resolver os problemas condominiais

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|curtinhas| Secovi Rio firma parceria com entidade portuguesa servação são obrigação do proprietário. Em Portugal, a assembleia anual de prestação de contas só pode ser realizada nos primeiros 15 dias de janeiro, e a figura do síndico praticamente não existe.  Essas e outras particularidades foram apresentadas pelo presidente da Associação Portuguesa de Empresas de Gestão e Administração de Condomínios (Apegac), Vitor Amaral, que esteve no Secovi Rio em setembro para assinar a mais recente parceria institucional internacional do Sindicato. O presidente do Secovi Rio, Pedro Wähmann, felicitou o visitante, que participou também do 18º Congresso Nacional do Mercado Imobiliário (Conami), em Florianópolis, no painel “Atualidades na Administração de Condomínios no Brasil e em Portugal”. “Portugal é a nossa pátria-mãe, nós falamos a mesma língua, por isso creio que nos aproximamos com certo atraso. Já devíamos ter estreitado esse relacionamento há mais tempo”, reforçou Wähmann.  A língua é comum, mas o cotidiano nos condomínios de Portugal pode ser bem diferente daquele dos condomínios brasileiros em alguns aspectos. Comportamento antissocial, por exemplo, não pode ter punição definida pelos moradores, somente os tribunais podem fazê-lo. As obras nos terraços das coberturas só são da responsabilidade do proprietário se ele der uso indevido ao espaço. Já no Brasil, as despesas de con- Nova Friburgo segue valorizando O Centro é o coração de Nova Friburgo. Nele estão localizados importantes pontos turísticos, como a Praça Getúlio Vargas e a Praça do Suspiro, com a estação de teleféricos, além de empreendimentos comerciais. Tantas facilidades tornam o local atraente para quem deseja comprar ou alugar um imóvel, por isso a valorização imobiliária é constante. De acordo com o representante do Secovi Rio na cidade, Gabriel de Freitas Ruiz, a comodidade de poder se locomover a pé conta muito. “As pessoas encontram tudo de que precisam no Centro sem ter que usar transporte público ou privado. Morar perto do trabalho também é uma grande vantagem”, diz o empresário, acrescentando que um apartamento de dois quartos, com área média de 70m2 e garagem, custa em torno de R$ 450 mil. A título de comparação, o preço do metro quadrado fica próximo ao praticado em bairros cariocas como a Tijuca e o Recreio dos Bandeirantes. Estatuto da Segurança Privada A Comissão Especial da Câmara dos Deputados aprovou o Estatuto da Segurança Privada e da Segurança das Instituições Financeiras, que congrega temas ligados à segurança privada. O estatuto incluiu os condomínios edilícios, de casas ou de apartamentos, dentre aqueles que podem organizar serviços orgânicos de segurança privada. Segundo o texto, serviços de segurança privada incluem as atividades de vigilância, segurança e monitoramento, entre outras. Os condomínios que instituírem tais serviços deverão utilizar pessoal próprio para sua execução. Em linhas gerais, o projeto pode confundir a atuação dos empregados de condomínios com a dos profissionais de segurança. Na prática, a aprovação do projeto acarretará altos custos para os condomínios: o da formação de mão de obra e o do adicional de periculosidade. O Secovi Rio está atuando para que o PL seja aperfeiçoado. 12 SECOVI RIO | NovDez 2015 | no 97

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Irem entrega certificados curso de extensão “Administração de Condomínios”, realizado pela Universidade Corporativa Secovi Rio em parceria com a Universidade Mackenzie. Estiveram presentes a presidente e o CEO do Irem: Lori Burger e Russel Salzman, respectivamente.  Para o vice-presidente do Secovi Rio, Leonardo Schneider, a parceria com o Irem oferece aos profissionais da área um diferencial importante, que valoriza tanto a carreira quanto a empresa, refletindo positivamente na percepção dos clientes. “A certificação representa um estreitamento de relacionamento e uma continuidade na parceria que já existe desde 2013. A ideia é fomentar a valorização do profissional que atua no setor, fortalecer o benchmarking, abrir portas mesmo”, completa o dirigente, que também recebeu o certificado na ocasião. Ele lembra que o CPM confere às pessoas certificadas uma credibilidade ainda maior, já a qualificação é mais abrangente que a da certificação ARM.  Reconhecido como uma das mais importantes entidades voltadas para a profissionalização no ramo da administração imobiliária, o Institute of Real Estate Management (Irem), que tem sede em Chicago, nos Estados Unidos, entregou em setembro os certificados Certified Property Management (CPM) e Accredited Residential Manager (ARM) para os graduados no

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