Revista Arte Real - Edição N.51 - Maio/2011

 

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nesta edição capa ­ maçonaria uma escola iniciática capa editorial 2 editorial informe cultural ­ iii encontro maçônico do sul de minas 3 destaques ­ maçons negros 4 o estudo da cabala ­ a história da cabala e do zohar 7 academia da leitura ­ a importância da leitura na inicição.9 trabalhos egrégoras ­ arquétipos e arcontes 10 a maçonaria de fernando pessoa 11 a origem da maçonaria especulativa 13 reflexões ­ você é o grande culpado 16 boas dicas ­ sites 17 lançamentos ­ livros 17 ficha técnica 17 técnica editorial É surpreendente ver como os hom ens falam das virtudes e da honra e não pautam sua que quas e sem pre é o inverso do que o hom em pratica quase sempre imos ao longo de edições anteriores abordando vidas nem por uma nem outra a boc a exprime o que o coração devia ter em abundânc ia um a v albert pike diversos assuntos em nossos editoriais muitos deles polêmicos como certas atitudes de nossos governantes outros um tanto constrangedores sobre a falta de conscientização do cidadão enfim como veículo de informação e em especial de conscientização jamais omitimo-nos de nossas responsabilidades mas o que falar sobre o fato que ficou conhecido por tragédia de realengo o massacre dos estudantes da escola municipal tasso da silveira no bairro de realengo na zona oeste do rio de janeiro deixou o mundo perplexo calou o brasil e banhou em lágrimas os olhos dos mais insensíveis diversos segmentos pediram um minuto de silêncio em homenagem às vítimas não havendo quem não se emocionasse com o ocorrido o algoz de nome welligton portador talvez de doença mental mas com certeza desprovido de qualquer espiritualidade ceifou a vida de tantas crianças inocentes e deixou um trauma psicológico na cabeça de tantas outras que sabe deus um dia poderá ser apagado provavelmente vítima de violência física e/ou psicológica o que se convencionou chamar de bullying o assassino premeditadamente vingou-se em inocentes covardemente sem a menor piedade lembro-me de que quando criança esse tipo de brincadeira já existia porém o grau de violência com que hoje é realizado em especial os trotes nas faculdades ultrapassa os limites da barbárie precisamos rever a educação de nossos filhos em verdade precisamos assumir de fato a educação deles ao invés de passarmos essa responsabilidade para as escolas a escola tem a função de transmitir instrução dar educação cabe aos pais hoje tão omissos e bem mais preocupados com o sucesso profissional com o acúmulo de patrimônio e de status social a falência da instituição família vítima do materialismo exacerbado somada à falta de espiritualidade do povo brasileiro está criando uma geração de monstros quando é que deixaremos de ser omissos e assumiremos nosso papel de pais até quando deixaremos de lado a educação de nossos filhos preferindo que sejam adotados pelo lixo da televisão e da internet já paramos para observar o quanto tem crescido o interesse de nossos jovens por jogos na internet em sua maioria em um grau de violência altíssimo precisamos participar mais intensamente do seu dia-a-dia precisamos estar comprometidos e não apenas envolvidos assistindo ao que irá acontecer revista arte real 51 2

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não será outra tentativa de desarmamento da população de maior fiscalização dentro das escolas que irá resolver esse problema precisamos atuar na origem e essa se encontra no seio de nossos lares a reeducação quantas vidas ainda serão ceifadas até que encaremos a situação de frente com responsabilidade neste mês em que comemoramos o dia das mães as lágrimas tomam o lugar do sorriso do abraço do carinho daqueles jovens inocentes o vazio do abraço dessas mães causa forte dor em todos nós o verdugo hoje pode se chamar welligton mas em verdade sempre se chamou descaso hoje emocionados pedimos um minuto de silêncio o que talvez não fosse necessário se largássemos mão do silêncio de nossa omissão o que podemos esperar de um final de ciclo senão a total inversão de valores lamentavelmente contabilizamos perplexos mais uma tragédia que com certeza poderia ser evitada de certo a divindade em forma de revolta da natureza continuará a cobrar como já vem fazendo através de tsunamis terremotos furacões etc o carma coletivo de uma humanidade que preferiu se afastar da lei justa e perfeita e se iludir com o falso brilho de um materialismo efêmero que jamais poderá carregar consigo a não ser seus reflexos a dor e o arrependimento de sua omissão e falta de consciência das coisas divinas nesta edição aproveitamos o mês de maio para publicar a matéria maçons negros de autoria de flávio carrança publicada na revista raça brasil em fevereiro de 2011 a coluna estudo da cabala apresenta a história da cabala e do zohar enquanto a coluna trabalhos nos brinda com os temas a maçonaria de fernando pessoa de jorge matos egrégoras ­ arquétipos e arcontes e as origens da maçonaria especulativa respectivamente de autoria dos meus queridos confrades raimundo pereira e antonio fadista a coluna reflexões nos chama a atenção para a matéria você é o grande culpado o que em parte corrobora com o tema deste editorial a coluna academia da leitura brinda a todos com mais um livro virtual inteiramente grátis para download ­ a profecia de orion profecias dos maias e dos antigos egípcios sobre os dias atuais de autoria de patrick geryl envie-nos suas considerações pois muito nos ajudará para melhorarmos esse trabalho em prol do enriquecimento da cultura maçônica agradecemos pela carinhosa acolhida informe cultural iii encontro maÇÔnico do sul de minas o iii encontro maçônico do sul de minas é um evento que ocorre de forma ininterrupta desde 2009 e hoje em sua terceira edição se dispõe a abrir espaço para discussão de um grande tema maçonaria e religião durante o evento diversos palestrantes farão apresentações e discutirão temas como misticismo judaísmo catolicismo protestantismo espiritismo com relação à maçonaria as características principais desses encontros são a participação e a integração da família maçônica com uma programação variada os organizadores prepararam atividades culturais e sócio-recreativas para os irmãos cunhadas demolays e filhas de jó dada a riqueza dos temas abordados e do consequente sucesso alcançado o evento transformou-se em uma data muitíssima esperada no calendário maçônico da região contando com o apoio cultural da revista arte real que mais uma vez criará uma edição especial e exclusiva para o encontro sua realização receberá um apoio de peso o pacto maçônico sul-mineiro que reúne a grande maioria das lojas sul mineiras além disso conta com a insigne presença de todos os membros da alta administração da glmmg da loja de estudos e pesquisas quatuor coronati pedro campos de miranda do oriente de belo horizonte o evento que será realizado na cidade de alfenas nas dependências da universidade josé do rosário vellano unifenas de 27 a 29 de maio vem tomando proporções cada vez maiores alimentando as expectativas de todos a programação completa está disponível no site http encontromaconico.fraternidadecleuton.org temos um encontro marcado em alfenas mg revista arte real 51 3

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destaques maÇons negros n flávio carrança ovo estudo da historiadora paulista célia maria marinho de azevedo revela o papel central de maçons negros nas lutas por cidadania e igualdade de direitos para as pessoas de cor que aconteceram quando o brasil ainda estava em formação e como importantes protagonistas do processo abolicionista o que fazem atualmente os negros vinculados a essa ordem para ajudar a população negra a superar os problemas decorrentes da existência do racismo em nosso país fortemente influenciada pelo iluminismo a maçonaria moderna adota o lema liberdade igualdade fraternidade imortalizado pela revolução francesa em suas lojas organismos de base os irmãos se reúnem regularmente para discutir os mais variados temas e de alguma forma tornar-se melhores cidadãos e contribuir para uma sociedade melhor presente no país desde o período colonial a maçonaria por longo tempo exerceu forte influência sobre os rumos políticos do país o que havia de comum entre andré rebouças josé do patrocínio joão maurício wanderley barão de cotegipe luiz gama antônio carlos gomes rui barbosa de oliveira francisco glicério nilo peçanha e castro alves todos eram afro-descendentes e maçons a presença de muitos homens negros de elite entre os maçons brasileiros do século xix chamou a atenção da historiadora célia maria marinha de azevedo que percebeu a importância de estudar de uma forma articulada as histórias da maçonaria e das pessoas de cor na época da escravidão desse estudo nasceu o livro maçonaria antirracismo e cidadania lançado pela editora annablume a obra coloca seu foco em três personagens francisco gê acaiaba montezuma o visconde de jequitinhonha francisco de paula brito tipógrafo jornalista e editor fundador da afamada sociedade literária petalógica e joaquim saldanha marinho líder republicano e grão-mestre do grande oriente do brasil foi pesquisando as vidas e os escritos de maçons ilustres que percebi haver uma dimensão antirracista importante em suas lutas pelos direitos de cidadania diz célia acrescentando que para paula brito assim como para muitos outros brasileiros afro-descendentes que viveram entre 1830 e 1870 era fundamental fazer valer os direitos gravados na constituição de 1824 que não distinguia as cores de seus cidadãos mas tão somente os seus talentos e virtudes É claro que aqui não se incluíam os escravos ou seja uma imensa parte da população que não tinha existência naquela constituição monárquica ressalva a historiadora a luta antirracista daqueles maçons negros de meados do século xix procurava impedir a reafirmação de uma hierarquia racial pública herdada dos portugueses eles se posicionavam contra a classificação das cores dos cidadãos justamente por temerem que esses fossem impedidos de ocupar cargos de fazer carreiras administrativas e profissionais na época dos portugueses além dos regimentos militares segregados pretos pardos e brancos era preciso pedir dispensa de defeito de cor para ocupar determinadas posições públicas e isso é claro ainda estava bem fresco na memória daqueles que atuaram nessas primeiras décadas do brasil independente informa célia uma das coisas que a maçonaria prega é a igualdade em todos os sentidos então não há qualquer preconceito não há nada que diga que haja uma rejeição ou uma forma de se estereotipar no período conturbado da vida política do país a maçonaria tinha um papel importante na preparação de novas lideranças de diversas tendências numa época em que os partidos ainda não eram organizações de massas a maçonaria que tem uma estrutura organizacional similar ao estado democrático dividida em executivo legislativo e judiciário era um espaço único para importantes discussões revista arte real 51 4

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seria interessante pensar a maçonaria como uma espécie de antessala dos debates parlamentares onde se experimentavam cisões aproximações alianças as quais por sua vez eram testadas publicamente no parlamento cujos resultados repercutiriam outra vez nos espaços maçônicos diz célia vale lembrar que a década de 1830 marca o surgimento de um espaço público no país quando a atividade política deixa de ser exclusividade dos gabinetes e ganha o mundo das ruas É a época das regências em que a agitada vida política do país é marcada pela presença de três correntes de opinião liberais moderados que chegaram ao poder logo após a abdicação de dom pedro i liberais exaltados mais próximos das reivindicações populares e divididos entre republicanos e monarquistas constitucionais caramurus que pregavam a volta de dom pedro i francisco de paula brito era um exaltado nascido em família modesta no rio de janeiro em 1809 tornou-se tipógrafo e trabalhou em gráficas até 1831 quando abriu sua própria tipografia aos 22 anos em setembro de 1833 saiu da tipografia fluminense de paula brito o jornal o homem de cor era o segundo título de uma imprensa militante exaltada defensora de uma cidadania livre de restrições legais de teor racista que começou com o filho da terra e prosseguiu com o cabrito o meia cara o crioulinho e o crioulo lembrado nos livros de história como um político importante do segundo reinado mas não como negro francisco montezuma nasceu em salvador na bahia em 1794 não se sabe se sua origem africana veio da mãe ou do pai além de se tornar um político de oposição montezuma dedicou-se a introduzir no brasil o rito escocês antigo e aceito que aumentava o número de cargos superiores das lojas segundo célia a questão dos ritos é importante uma vez que o cotidiano das lojas se organiza em torno deles o rito escocês expandiu-se rapidamente possivelmente por atender aos anseios de muitos maçons humildes que poderiam assim alcançar níveis mais altos por mérito e não por nascimento o apoio mútuo assistencial outra característica da maçonaria escocesa ­ pode também ter sido um fator de atração na obra célia relata também o grande debate transnacional sobre as discriminações sofridas pelos maçons negros nos estado unidos logo após a guerra da secessão que começou em 1868 quando o grande oriente da frança apoiou a decisão do supremo conselho da louisiana de admitir homens negros como irmão maçons em suas lojas quando esse debate chegou ao país os maçons brasileiros estavam divididos em duas correntes políticas grande oriente do lavradio liderada por josé maria da silva paranhos o barão do rio branco que apoiou os segregacionistas norte-americanos grande oriente dos beneditinos liderada pelo pernambucano joaquim saldanha marinho que não hesitou em apoiar a decisão antirracista do grande oriente francês a maçonaria não é uma religião mas sim uma filosofia em todas as lojas há católico evangélico judeu árabe a maçonaria transforma as pessoas porque é uma filosofia baseada na fraternidade mais de um século e meio depois do período regencial à frente da maior organização maçônica do país o grande oriente do brasil gob com sede em brasília está um homem negro o grão-mestre geral marco josé da silva carioca ex-professor de administração e funcionário aposentado do banco central ele define a maçonaria como uma instituição que nada tem de secreta voltada para o aprimoramento do homem e afirma que o fato de ser negro não gerou problemas para sua ascensão na ordem uma das coisas que a maçonaria prega é a igualdade em todos os sentidos então não há qualquer preconceito não há nada que diga que haja uma rejeição ou uma forma de se estereotipar diz marco embora se declare pessoalmente favorável à política de cotas raciais o grão-mestre do gob diz que a instituição não se posiciona sobre o tema como nós temos maçons negros e brancos a maçonaria não tem esse tipo de preocupação nem tem uma política para privilegiar os indígenas o que ela procura fazer é a igualdade de revista arte real 51 5

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oportunidade para todos os homens ela não tem essa preocupação mas também não condena explica outro homem negro em posição de destaque na maçonaria é josé renato dos santos grão-mestre adjunto da grande loja maçônica do estado de são paulo lembrando ter sido a maçonaria que mais trabalhou pela libertação do trabalho escravo no brasil e também pessoalmente favorável às cotas ele considera que a maioria dos maçons hoje é contra essa política não entenderam as cotas uma política pública recente no país necessária a maior parte dos maçons não entendeu isso acham que é um privilégio explica ele acredita que existe certa dificuldade para o negro ingressar na maçonaria por que no brasil só entra na ordem quem é convidado como ele não tem contato com os maçons não tem acesso fica cerceado isso é um redutor afirma aliás é só no brasil que isso acontece nos estados unidos por exemplo é você que procura e entra na maçonaria josé renato explica também que não existem no brasil organismos maçônicos só de negros porém ele foi um dos criadores na década de 80 de um grupo de estudos e trabalho denominado grupo três pontos g3p integrado por negros de diversas potências maçônicas e foi justamente o g3p que serviu como porta de entrada na maçonaria para joão carlos b martins presidente do coletivo de empresários e empreendedores afrobrasileiros ceabra e também integrante da grande loja ele conheceu a maçonaria através de um grupo de negros e entrou para trabalhar socialmente pelo engrandecimento da raça o ceabra treina e fornece livros adequados para professores que trabalham no resgate de crianças de periferia de qualquer cor faz os cursos para os meninos que enfrentam grandes dificuldades não têm mais muita esperança de vida dá um pouco de esperança a eles explica desse grupo surgiram três presidentes veneráveis de lojas adilson charles dos santos o já falecido josé carlos de oliveira da loja novos obreiros e o próprio joão carlos que mesmo depois que o g3p foi adormecido continuou com os trabalhos hoje em dia temos na minha loja mestre pescador uns 10 negros em uma família de 60 irmãos o que é muito porque geralmente o normal é ter um ou dois acima disso em grau filosófico temos uma loja chamada josé do patrocínio que também presido onde 80 são negros comenta joão carlos que tem uma ligação com as lojas prince hall de oregon idaho e montana da maçonaria negra norte-americana uma representação para intercâmbio a maçonaria brasileira também mantém contato com os irmãos africanos por intermédio do maestro roberto casemiro dos corpos estáveis do teatro municipal de são paulo maçom há 28 anos ele ingressou na ordem a convite de um professor francês da universidade estadual paulista unesp onde estudou e se formou casemiro revela que por meio de contatos conseguidos com um integrante da maçonaria holandesa que esteve no brasil ele teve acesso aos irmãos do togo benin costa do marfim e senegal no golfo da guiné nosso sonho no futuro é trazer esse outro tipo de maçonaria que nem os maçons aqui conhecem por ser tão distante as maçonarias da África e do oriente-médio que são fortíssimas especula o maestro que agora está no grande oriente de são paulo lembra que a maçonaria não é uma religião mas sim uma filosofia em todas as lojas há católico evangélico judeu árabe a maçonaria transforma as pessoas porque é uma filosofia baseada na fraternidade tudo que é oferecido para todos nós também passamos a compartilhar eu vejo reflexo na minha vida profissional porque principalmente nas adversidades em grandes momentos por que passei recebi solidariedade de muitos irmãos o irmão tem um compromisso de socorro para contigo finaliza roberto matéria publicada na revista raça brasil edição de fevereiro de 2011 revista arte real 51 6

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estudo da cabala a histÓria da cabala e do zohar o michael laitman primeiro cabalista que conhecemos foi o patriarca abraham ele percebeu as maravilhas da existência humana propôs perguntas a respeito do criador e os mundos superiores lhe foram revelados transmitiu às gerações seguintes o conhecimento adquirido e o método usado para adquiri-lo a cabala foi transmitida oralmente durante muitos séculos cada cabalista agregou sua experiência única e sua personalidade a esse corpo de conhecimento acumulado na linguagem própria para as almas de sua geração a cabala continuou a desenvolver-se depois que a bíblia os 5 livros de moisés foi escrita no período compreendido entre o primeiro templo e o segundo 586 a.e.c antes da era comum ­ 515 a.c já se estudava cabala em grupos depois da destruição do segundo templo 70 e.c ­ era comum e até a nossa geração houve três períodos particularmente importantes no desenvolvimento da cabala nos quais apareceram os mais importantes escritos a respeito de seus métodos de estudo o primeiro período teve início durante o século iii quando o livro do zohar foi escrito por rav shimon bar yochai 150 ­ 230 o rashbi um aluno de rav akiva 40 ­ 160 rav akiva e muitos dos seus estudantes foram torturados e assassinados pelos romanos que se sentiram ameaçados pelo ensinamento da cabala depois da morte de 24.000 dos seus discípulos rav akiva e rav yehuda ben baba autorizaram o rashbi a transmitir a cabala que lhe havia sido ensinada somente o rav shimon bar yochai e outros quatro estudantes haviam sobrevivido à matança e depois da captura e encarceramento do rabí akiva o rashbi escapou com seu filho eliezer viveram numa gruta durante 13 anos eles saíram da gruta com o zohar com um método completo para o estudo da cabala tendo atingido ambos a espiritualidade rashbi alcancou os 125 níveis que um ser humano pode conseguir durante sua vida neste mundo o zohar nos relata que ele e seu filho atingiram o nível denominado eliahu o profeta o que significa que o próprio profeta em pessoa vinha ensinar-lhes o zohar é um livro escrito em forma de parábolas e em aramaico idioma falado nos tempos bíblicos ele nos diz que o aramaico é o inverso do hebraico o lado oculto do hebraico rabí shimon bar yochai não o escreveu ele mesmo mas transmitiu a sabedoria e a forma de atingi-la metodicamente ditando seu conteúdo a rav aba aba redigiu o zohar de maneira que só pudessem entendê-lo aqueles que fossem dignos disso o zohar explica que o desenvolvimento humano se divide em 6.000 anos durante os quaos as almas transitam em um processo de desenvolvimento contínuo a cada geração ao final do processo todas as almas atingem o fim da correção isto é o nível mais elevado de espiritualidade e perfeição rabí shimon bar yochai foi um dos maiores de sua geração escreveu e interpretou muitos temas cabalísticos que foram publicados e são conhecidos até o dia de hoje o livro do zohar por sua vez desapareceu depois de ser escrito revista arte real 51 7

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conta a lenda que os escritos do zohar permaneceram ocultos numa gruta perto de sfat em israel foram encontrados vários séculos depois por residentes árabes da região um dia um cabalista de sfat comprou pescado no mercado descobrindo com surpresa o valor inestimável do papel em que estava embrulhado imediatamente se dedicou a comprar dos árabes o resto das peças reunindo-as num livro isso ocorreu porque está na natureza das coisas ocultas que elas sejam descobertas no momento oportuno quando as almas adequadas reencarnam e ingressam no nosso mundo desse modo o zohar foi revelado ao longo do tempo pequenos grupos de cabalistas estudaram esses escritos em segredo no século xiii na espanha rav moshé de león publicou-o pela primeira vez o segundo período de desenvolvimento da cabala é muito importante para a cabala de nossa geração É o período do ari rav isaac luria autor da transição entre os dois métodos de estudo da cabala nos escritos do ari aparece pela primeira vez a linguagem pura da cabala ari proclamou o começo de um período de estudo aberto e em massa da cabala ari nasceu em jerusalém em 1534 tendo perdido o pai ainda pequeno sua mãe o levou ao egito onde o criou durante sua vida no egito mantinha-se graças ao comércio mas dedicava a maior parte de seu tempo ao estudo da cabala segundo a lenda passou sete anos isolado na ilha da roda no nilo estudando o zohar livro dos primeiros cabalistas e os escritos de outro membro de sua geração o ramak rav moisés cordovero em 1570 chegou a safed em israel embora jovem começou imediatamente a ensinar cabala sua grandeza foi logo reconhecida todos os sábios de safed muito versados na torá revelada e na oculta vieram estudar com ele que se tornou famoso durante um ano e meio seu discípulo chaim vital registrou as respostas a muitas das perguntas que surgiam durante seus estudos alguns desses textos foram escritos pelo ari conhecidos por nós como etz hachayim a Árvore da vida sha ar hakavanot o portal das intenções sha ar hagilgulim o portal da reencarnação e outros ari nos legou um sistema básico para estudar a cabala que continua vigente até o dia de hoje faleceu ainda jovem em 1572 segundo sua vontade seus escritos foram arquivados para que a sabedoria não fosse revelada antes do tempo certo os grandes cabalistas forneceram o método e o ensinaram mas sabiam que sua geração era ainda incapaz de apreciar sua dinâmica por isso preferiram muitas vezes esconder ou mesmo queimar seus escritos sabemos que baal ha sulam queimou e destruiu a maior parte de seus escritos É significativo o fato de o conhecimento ter sido confiado ao papel e depois destruído o que se revela no mundo material tem efeitos no futuro e será mais facilmente revelado uma segunda vez rav vital ordenou que certas seções dos escritos do ari fossem ocultas e enterradas com ele uma parte foi legada a seu filho que as organizou como as oito portas muito depois um grupo de estudiosos liderados pelo neto de rabí vital resgataram da tumba a outra parte dos escritos apenas nos tempos do ari começou-se a estudar o zohar em grupos abertamente a partir dali o estudo do zohar prosperou durante duzentos anos no grande período da hassidut 1750 ­ fins do século xix praticamente todo grande rabino era um cabalista apareceram cabalistas principalmente na polônia rússia marrocos iraque yemen e outros países depois no início do século xx o interesse pela cabala decaiu até quase desaparecer por completo o terceiro período agrega um método adicional às doutrinas do ari redigido em nossa geração por rabí yehuda ashlag autor da interpretação sulam escada do zohar e dos ensinamentos do ari este método mostra-se particularmente apropriado para as almas de nossa geração rav yehuda ashlag conhecido como baal hasulam por sua versão sulam do zohar nasceu em 1885 em lodz na polônia durante sua juventude absorveu um profundo conhecimento da lei oral e escrita sendo depois juiz e mestre em varsóvia em 1921 emigrou para israel com sua família ocupando o posto de rabino de givat shaul em jerusalém já estava imerso na redação de sua própria doutrina quando começou a escrever o comentário do zohar em 1943 baal hasulam terminou de redigir seu comentário do zohar em 1953 morreu no ano seguinte tendo sido enterrado no cemitério de givat shaul em jerusalém revista arte real 51 8

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sucedeu-lhe seu filho mais velho rav baruch shalom ashlag o rabash seus livros estruturam-se segundo as instruções de seu pai elaboram com elegância os escritos paternos legados à nossa geração facilitando seu entendimento rabash nasceu em varsóvia em 1907 emigrando para israel com seu pai somente depois de seu casamento o pai lhe permitiu integrar os seletos grupos de estudo da sabedoria oculta -a cabala rapidamente o autorizou a dar aulas para iniciantes depois da morte de seu pai encarregou-se de continuar ensinando o método especial que tinha aprendido apesar de seus grandes feitos insistiu como seu pai em manter um modo de vida muito modesto ao longo de sua vida trabalhou como sapateiro pedreiro e empregado de escritório vivia exteriormente como uma pessoa comum mas dedicava cada minuto livre ao estudo e ao ensino da cabala rabash faleceu em 1991 rav yehuda ashlag o baal hasulam é o líder espiritual adequado para nossa geração É o único de sua geração que escreveu um comentário completo e atualizado do zohar e dos escritos do ari estes livros e os ensaios de seu filho rav baruch ashlag o rabash são a única fonte de que dispomos para nos ajudar em nosso progresso espiritual ao estudarmos seus escritos estamos estudando na verdade o zohar e os escritos do ari através dos comentários mais recentes últimos 50 anos atuam como cinto de segurança para nossa geração pois nos permitem estudar textos antigos como se tivessem sido escritos agora usandoos como trampolim para a espiritualidade o método do baal hasulam serve para todos a sulam escada que construiu em seus escritos assegura que nenhum de nós deve temer o estudo da cabala todo aquele que estudar cabala durante três a cinco anos subirá às esferas espirituais à realidade total e ao entendimento divino nome do que está acima além de nós e do que ainda não percebemos estudando segundo os livros de rav yehuda ashlag atingiremos a autêntica correção o método de estudo tem por objetivo despertar em nós o desejo de compreendermos os mundos superiores aumenta nosso desejo de conhecermos nossas raízes e de nos conectarmos com elas então seremos capazes de nos aperfeiçoarmos e de nos autorealizarmos os três grandes cabalistas são uma mesma alma que apareceu uma vez como rav shimón em uma segunda como o ari e uma terceira como rav yehuda ashlag cada ocasião correspondeu ao momento oportuno de maturidade e merecimento de cada geração descendo a alma para ensinar o método adequado as gerações são cada vez mais dignas de descobrir o zohar o que foi escrito e oculto por rav shimón bar yochai foi descoberto mais tarde pela geração de rabí moshé de león e depois pela do ari que começou a interpretá-lo em termos de cabala estes escritos também foram arquivados e depois parcialmente redescobertos a seu devido tempo enquanto nossa geração tem o privilégio de aprender com o sulam que habilita a qualquer um a estudar a cabala e a autocorrigir-se já vemos que o zohar fala a cada geração À medida que passam as gerações o livro é mais revelado e mais bem compreendido cada geração abre o livro do zohar a seu modo segundo as raízes de sua alma ao mesmo tempo tenta-se ocultar os escritos cabalísticos para que os que sintam a necessidade os procurem e os descubram por si mesmos os cabalistas sabem evidentemente que o processo de mudança requer duas condições momento adequado e maturidade da alma somos testemunhas de um acontecimento muito interessante caracterizado pelo surgimento e a sinalização de uma nova era no estudo da cabala academia da leitura a importÂncia da leitura na cerimÔnia de iniciaÇÃo e francisco feitosa sta coluna recém-criada nasceu com o objetivo de estimular a leitura tão desprezada nos dias atuais visa a incentivar a prática da boa leitura indicando bons livros que com certeza ampliarão o estado de consciência de nossos leitores vejo com enorme tristeza em cerimônias de iniciação os oficiais ao tentarem ler suas falas no ritual atropelarem vírgulas tropeçarem em pontos e demonstrarem desconhecer totalmente o que seria um ponto e vírgula inviabilizando a compreensão do texto e tirando a beleza teatral do cerimonial além da postura o respeito à dicção e à entoação são fundamentais para que a iniciação tenha sua eficácia pois a mesma atua no emocional do candidato iniciação é teatro e o sucesso dessa teatralização depende em sua maioria de uma leitura bem feita nesta edição estamos disponibilizando gratuitamente para download mais um livro virtual clique no título para baixar diante de tantas catástrofes naturais a que vimos assistindo optamos por ofertar o e-book a profecia de orion que narra as profecias dos maias e dos antigos egípcios para os dias atuais esse livro é de autoria de patrick geryl entendemos que sua leitura seja bastante oportuna para nossa reflexão gostaríamos de receber suas considerações a respeito do conteúdo dessa obra literária desejamos que a mesma seja útil para ampliar seus conceitos sobre o tema revista arte real 51 9

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trabalhos egrÉgoras ­ arquÉtipos e arcontes s egundo o renomado psicólogo e psiquiatra suíço carl gustav jung a consciência individual existe em um diminuto limite entre as estruturas subordinadas da consciência coletiva e o abismo ilimitado do inconsciente coletivo entre as forças da realidade interior que impelem a aumentar seus horizontes conceituais do indivíduo e a resistência à realidade exterior capaz de alterar esse estado de equilíbrio interior ele reage para impedir esse crescimento a maioria dos seres humanos utiliza a expressão inconsciente coletivo cotidianamente porém não se trata de fato de inconsciente coletivo mentalizado e sim de consciência coletiva consubstanciada no conjunto das vivências imagens comportamentais e pensamentos impostos pelos meios sociais a todos os componentes de uma comunidade uma fatia apreciável de nossas atitudes e condutas desde nosso nascimento até a morte envolvendo prejuízos para o bem-estar psíquico e espiritual nos direciona a concessões que comprometem nossa própria individualidade em prol do semelhante realizando o dever da solidariedade no ocultismo as representações constitutivas da consciência coletiva às vezes são designadas por egrégoras ou formas compartilhadas de pensamento de um grupo de que flui a energia necessária para harmonizar relações de pensamentos independentes em prol de uma consciência magnética ou espiritual compartilhada egrégora é mais que uma sinergia obtida pela congregação de um grupo onde todos têm o mesmo objetivo o somatório da união de pensamentos energias físicas e emocionais entre duas ou mais pessoas pode realizar o bem ou o mal e o egrégora somente deve ser o resultado da união de pensamentos positivos em busca de consecução do bem quando nos reunimos em busca de uma meta comum desenvolvemos uma consciência coletiva em decorrência dos pensamentos conscientes individuais unificados em um pensamento harmônico com a mente universal estabelecendo estado de inconsciente coletivo infinitamente maior do que nossos pensamentos individuais os egrégoras vão sendo criadas ao acaso e os seus criadores tornam-se tanto mais servos quanto menos conscientes estiverem induzidos a pensar e agir na direção dos vetores que caracterizam sua criação pois o conhecimento das leis naturais que a regem torna-nos senhores raimundo pereira dessas forças colossais o egrégora se alimenta das mesmas emoções dos que a criam assim quando ela é gerada por sentimentos de revolta e ódio exige mais revolta e ódio como nutrientes para continuar existindo por outro lado criada por pessoas felizes descomplicadas saudáveis de bom caráter e boa índole permitirá a tais seres usufruírem de seus efeitos benéficos no gnosticismo esses padrões ideológicos determinantes do pensamento e da percepção do incognoscível de nós mesmos e do mundo eram representados pela figura de arcontes enquanto o demiurgo ou o falso deus de um mundo ilusório personificava o próprio ego o eixo dessa falsa perspectiva o inconsciente simboliza o oposto disso tudo segundo afirma jung mesmo reconhecendo que a designação psique objetiva não substitui plenamente a expressão inconsciente coletivo pois este se mostrou mais aceitável e paradoxalmente adquiriu destaque na consciência coletiva onde seu significado foi distorcido a ponto de se inverter os arcontes ou estruturas das consciências coletivas são estabelecidos por forças sociais políticas e culturais os arquétipos do inconsciente coletivo demonstram uma independência bem próxima do total em relação à sociedade embora as formas por que simbolizamos essas estruturas sejam coloridas pela cultura os arquétipos têm conotação simbólica anterior a qualquer sociedade ou cultura até mesmo aos seres humanos civilizados caso os estudos de jung sobre a relação entre a psicologia profunda e a mecânica quântica estejam corretos podemos afirmar que os arquétipos são as forças precedentes da realidade exatamente como os éons do gnosticismo e em assim sendo o inconsciente coletivo é o lugar onde se situam os arquétipos ele corresponde ao que os gnósticos chamavam de pleroma plenitude ou a realidade primordial de que nosso mundo foi criado pelos arcontes concluindo diremos que egrégora é o resultado de todo pensamento criativo tanto no plano exotérico quanto no esotérico da consciência coletiva ou pessoal todo grupo em comunhão sintonizada é capaz de produzir uma harmoniosa vibração energética de conformidade com a hierarquia esotérica ou celestial estabelecida pelo inconsciente coletivo espiritualmente evoluído de cada grupo o autor é titular da academia maçônica de letras história e artes do estado do rio de janeiro revista arte real 51 10

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a maÇonaria de fernando pessoa jorge de matos estreita amizade mantida com o famoso mago e eminente maçom aleister crowley que visitou lisboa em 1930 para segundo ele mesmo informou estabelecer na capital portuguesa uma delegação da ordem sob a autoridade de dom fernando pessoa que ordem era essa ele não disse aleister crowley era maçom e membro da famosa golden dawn uma espécie de loja maçônica espiritualista fundada na inglaterra em fins do século xix pelo escritor bullwer litton famoso pela narrativa dos Últimos dias de pompeia livro que o notabilizou crowley fundou diversas lojas maçônicas de diversos ritos foi um das maiores autoridades em maçonaria em toda a história da ordem não temos dúvida de que fernando pessoa era maçon tanto era que se envolveu em acirradas lutas em defesa da maçonaria quando o estado novo implantado em portugal em 1926 sob a direção de oliveira salazar iniciou um sistemático processo de perseguição contra a ordem maçônica em portugal essa perseguição culminou com a lei 1901 de maio de 1935 que proibia e existência das chamadas sociedades secretas essa lei que só foi revogada em 1974 quando o regime foi abolido tinha um alvo bem claro a maçonaria fernando pessoa insurgiu-se contra esse decreto escrevendo vários artigos em revistas da época defendendo a maçonaria e expressando sua opinião e conceitos à respeito da ordem e da sua doutrina em razão disso sua vida durante o regime salazarista não foi muito fácil para pessoa a maçonaria não era uma sociedade secreta embora suas reuniões fossem fechadas e privativas dos iniciados quem diz que a maçonaria não é uma religião só está certo de uma coisa dizia fernando pessoa ela não é religião confessional é religião iniciática qual a diferença ele mesmo explica a diferença entre as seitas iniciáticas e as religiões institucionais é precisamente a iniciação e a forma de participação nas religiões institucionais o adepto participa mas não aprende sendo cooptado não pela razão mas pela fé na maçonaria não há uma fé mas sim uma doutrina de caráter iniciático para fernando pessoa havia duas classes de maçons os esotéricos e os exotéricos os esotéricos em sua opinião os verdadeiros maçons eram os espiritualistas aqueles que viam a ordem como sociedade de pensamento onde se podia adquirir uma verdadeira consciência cósmica os exotéricos a viam como um clube de cavalheiros uma entidade sócioempresarial elitista e pseudo-filantrópica mais interessada em política e vida comunal do que propriamente doutrina a maçonaria de fernando pessoa é espiritualista por excelência e não poderia ser de outra maneira dado o conteúdo dos seus escritos ele não via a maçonaria como uma sociedade secreta mas sim como uma sociedade iniciática há diferenças fundamentais entre os dois conceitos uma sociedade secreta não tem estatutos nem divulga seus objetivos ou o nome de seus membros vive nas sombras e suas atividades só são conhecidas de seus adeptos a sociedade iniciática é quando muito seita ou uma ordem que pratica uma doutrina ela inicia seus adeptos nessa doutrina que não pode por isso mesmo ser secreta se o fosse não poderia ser chamada de doutrina o segredo na maçonaria como o próprio poeta diz é circunstancial quer dizer existem certas particularidades que não podem ser divulgadas a quem não pertencer à ordem ou mesmo dentro das diversas hierarquias de graus a quem não pertencer ao mesmo grau mas isso era simples questão de circunstância e organização hierárquica na verdade aquilo que as pessoas chamam de secreto na maçonaria seus símbolos palavras e toques é muito mais uma forma de linguagem do que propriamente uma fórmula discriminatória ou de exclusão de pessoas estranhas ao meio como é o caso das sociedades secretas outra indicação da sua condição de maçom é a revista arte real 51 11

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na sua opinião a maioria dos maçons era do último tipo isto é exotéricos eram do tipo administrativo pessoas que galgam até os últimos graus da ordem sem entender absolutamente nada do que aprenderam lá isso significa que existe na maçonaria uma grande quantidade de iniciados profanos que por falta de uma sensibilidade para com a verdadeira natureza dos ensinamentos maçônicos ou mesmo pela falta de interesse ou mera preguiça intelectual jamais serão verdadeiros iniciados ou maçons no verdadeiro sentido da palavra são iniciados por fora apenas formalmente mas continuam profanos por dentro sua principal crítica era o fato de as lojas terem se tornado instituições que faziam seções meramente administrativas a maioria das lojas segundo o poeta praticavam os rituais de uma forma vazia e puramente formal sem levar o adepto a entender a riqueza espiritual contida nas lendas nos ritos e nos símbolos utilizados no ensinamento maçônico por isso dizia ele cada grau deveria corresponder a um estado de vida tendente a levar o iniciado a um novo patamar de consciência isso tudo se perdeu quando a maçonaria institucionalizou seus ritos e se transformou numa organização administrativa salientava ainda o poeta que a maçonaria é uma ordem de vale isto é uma ordem que precisa da qualidade iniciática para se tornar uma ordem de montanha simbolicamente isso significa que a sua função é dirigir o adepto na busca da elevação espiritual foi isso que os hebreus fizeram por exemplo quando deixaram o vale do nilo e se dirigiram para o monte sinai sob o comando de moisés os hebreus deixaram a religião formalista e meramente confessional do egito para buscar a iniciação na montanha assim o Êxodo foi na verdade uma grande jornada iniciática daí ele entender por exemplo ser o rito de heredon o mais representativo da ordem maçônica isso porque heredon é o centro supremo do mundo o polo místico da iniciação planetária segundo a tradição rosa-cruz de acordo com a lenda rosa-cruz a montanha de heredon está situada na escócia a 60 milhas de edimburgo não precisamos dizer que concordamos com fernando pessoa em nosso entender a maçonaria enquanto instituição não se deve envolver com questões comunitárias nem se preocupar com a prática da filantropia isso deve ser uma preocupação do maçom como pessoa mas não da maçonaria como instituição uma loja voltada mais para esses fins torna-se como disse o poeta uma unidade administrativa fugindo da sua verdadeira finalidade que no nosso entender é evitar a desintegração cósmica do homem desintegração essa provocada pelo individualismo e pela luta pela sobrevivência afinal a busca dessa integração é a meta das doutrinas espiritualistas fernando pessoa nasceu em lisboa em 1888 e morreu na mesma cidade em 1935 deixou para a comunidade maçônica um extraordinário legado doutrinário muito pouco conhecido e por isso mesmo pouco explorado extraída do livro o pensamento maçônico de fernando pessoa de jorge de matos editora sete caminhos lisboa 2006 revista arte real 51 12

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a origem da maÇonaria especulativa p ara pesquisar esse complexo tema faz-se necessário examinar algumas lendas enraizadas no imaginário maçônico para as quais não existe nenhuma comprovação documental a primeira delas descreve o nascimento da maçonaria especulativa como sendo a descendente direta da guilda de ofício correspondente que teria deixado entrar os não-operativos ou aceitos em suas lojas esses novos membros acabariam por dominar a guilda de ofício não só em número mas também na sua administração transformando-a na organização maçônica que conhecemos a partir de 1717 sem dúvida a maçonaria moderna muito deve à instituição chamada de venerável companhia dos maçons livres da cidade de londres como era denominada nos documentos oficiais a corporação que reunia os que praticavam a arte de construir não é sem razão que a instituição atual é a sua sucessora quase sem mudanças no nome e em muitos dos seus princípios de governo a maçonaria atual herdou nos nomes dos oficiais e dignitários mais importantes o método de autosustentação financeira a taxa de admissão e outros usos a bem da verdade esses usos eram típicos de todas as corporações medievais entretanto tudo isso não explica por que os não-operativos teriam solicitado a sua admissão especificamente nessa corporação de ofício uma explicação inicial que anderson foi buscar na antiguidade consistiria no fato de que a admissão à corporação era atrativa em termos de status social ou seja por ser um símbolo de distinção como atualmente o é a admissão em associações do tipo rotary ou lions clubs assim sendo tratar-se-ia da atração que uma companhia de ofício rica e poderosa teria exercido sobre os homens que profissionalmente não pertenciam à antonio rocha fadista corporação na realidade isso é altamente improvável de fato devemos considerar que já no início do séc xvii a companhia de ofício tinha perdido toda a sua importância e poder efetivo causada pela falta de grandes obras geralmente patrocinadas pela igreja cujo prestígio e poder econômico estavam em decadência e já não eram os mesmos da alta idade média qual seria então a atração que uma corporação em declínio poderia exercer sobre homens em busca de realizar suas ambições sociais uma segunda explicação sustenta que os não-operativos foram atraídos para a corporação devido aos segredos esotéricos que esta possuía aqui também devemos ressaltar que não existe nenhum documento das lojas operativas que ateste a existência de qualquer tipo de mistério que não fosse aquele ligado aos segredos de profissão do mesmo tipo que se podem encontrar em qualquer outra corporação do gênero a propósito recordamos a suposta existência na inglaterra de um grupo da chamada sobrevivência operativa com um ritual com sete graus que dividia os irmãos conforme o grau em maçons do esquadro e maçons do arco hipótese tão cara a rené guénon o que é uma mistificação que apareceu e logo desapareceu no início do séc xx no que se refere à assim chamada compagnonage organização que só existiu na frança em que os maçons não tinham a predominância sabe-se que a sua parte ritualística e esotérica é posterior à da maçonaria especulativa quanto aos famosos mestres comacinos não existem documentos que atestem terem existido sob a forma de corporação os éditos longobardos que os mencionam são dos sécs vii e viii enquanto os sistemas corporativos com os seus juramentos só aparecem no início do séc xii o estatuto de bolonha de 1248 revista arte real 51 13

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os artigos dos éditos de rotari e de luitprando falam somente dos regulamentos a serem aplicados nos casos de eventuais acidentes no exercício da profissão de construtor falam também das compensações a serem atribuídas aos acidentados ou às suas famílias por outro lado não se encontra nesses éditos nada que possa sugerir algo de misterioso ou de esotérico na profissão dos mestres comacinos também não é conhecido nenhum documento medieval das guildas de ofício que mencione qualquer forma de ensinamento esotérico partilhado por seus membros especificamente em relação à inglaterra ninguém que já tenha lido os manuscritos regius cooke etc encontrou neles quaisquer segredos a não ser os relativos à profissão a par de uma forte influência cristã além da atenção dispensada aos problemas práticos econômicos e referentes à administração do pessoal operativo assim sendo não se conhece nenhum documento que contenha referências àqueles que são os pontos fundamentais do esoterismo maçônico atual ou seja palavras sinais toques a lenda do terceiro grau ou similares na realidade todos os documentos afirmam exatamente o oposto isto é que só depois do ingresso dos membros não-operativos no séc xvii foi que começaram a se encontrar indícios de que algo misterioso estava acontecendo no interior da corporação a propósito mencionamos algumas datas já nos anos de 1520/21 os registros contábeis da corporação acusam pagamentos efetuados por alguns membros e oficiais operativos que tinham sido feitos maçons aceitos É de ressaltar que nessa altura alguns membros aceitos eram já membros ativos e quotistas da corporação de ofício embora a primeira admissão oficial na saint mary s chapell lodge só tenha sido registrada em 1600 desse modo estamos diante de acontecimentos exatamente opostos àqueles que sempre se supôs acontecerem isso é os membros operativos são admitidos entre os aceitos e não o inverso de tal fato podemos supor a existência de uma estrutura organizada e independente assim fazer parte da organização operativa não significava pertencer automaticamente à organização especulativa outro fato significativo é que nos anos de 1655/56 a companhia de ofício decidiu retirar a palavra freemasons pedreiros livres de seu título passando a chamar-se somente companhia dos maçons esse fato permite supor que a mudança no nome da companhia de ofício visava a oferecer cobertura a uma nova organização surgida em seu interior o certo é que os primeiros sinais dos não-operativos são todos posteriores ao início do séc xvii na escócia em edimburgo os primeiros sinais aparecem em 1634 em atchison s haven em 1672 1677 e 1693 em kilwinning em 1672 e em aberdeen em 1670 na inglaterra já em 1621 os registros comprovam a existência de uma sociedade de maçons em conjunto com a corporação de ofício regular essa nova sociedade recebia capitações dos maçons aceitos tanto dos construtores de ofício quanto dos que não tinham nenhuma relação com a profissão desse modo pode-se perfeitamente admitir que durante o séc xvii tenha sido constituída uma fraternidade oculta dentro da corporação profissional os seus membros ditos aceitos seriam os efetivos possuidores do esoterismo e da maior parte da ritualidade que nos é hoje conhecida os membros dessa nova fraternidade foram gradativamente assumindo sua condição maçônica perante o público externo a partir da segunda metade do mesmo século a partir desse ponto devemos procurar as origens desse novo grupo a possível data de sua constituição o seu conteúdo filosófico e esotérico os seus fundadores e o motivo pelo qual decidem ocultar-se dentro da corporação dos construtores revista arte real 51 14

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atraente a oportunidade de se ocultarem dentro da organização de modo a resguardar a permanência do conhecimento não-ortodoxo bem como sua transmissão de modo velado o simbolismo geométrico-arquitetônico era utilizado para exprimir o conteúdo do conhecimento esotérico e filosófico assim nada melhor para assegurar a continuidade da transmissão velada desse conhecimento do que a utilização de uma corporação de ofício em declínio e de fácil manejo desse modo a mensagem rosa-cruz foi introduzida na corporação dos maçons operativos ingleses com a criação de rituais que asseguraram a sua sobrevivência e a sua transmissão futura como já dito esses rituais ­ aprendiz e companheiro ­ foram sendo desenvolvidos durante todo o séc xvii e início do séc xviii não se conhecem com exatidão as datas em que foram concluídos esses rituais por dois motivos em primeiro lugar os rituais não eram escritos em segundo lugar porque eram escassos os registros das reuniões das lojas os registros existentes das reuniões desse período referem-se basicamente aos aspectos administrativos das reuniões jamais em relação aos aspectos ritualísticos a mensagem rosa-cruz tinha duas componentes uma exotérica e outra esotérica a primeira é facilmente reconhecida e ainda hoje uma das colunas de apoio do ensino maçônico propõe a tolerância religiosa a ação social em favor dos necessitados a difusão da cultura a preferência pelos sistemas democráticos de governo a aversão por toda a forma de despotismo o compromisso com o social em todas as suas formas e a obrigação de manter um comportamento ético irrepreensível a componente esotérica e metafísica começa a ser conhecida com o aparecimento dos aceitos inicialmente tem-se conhecimento da expressão palavra maçônica cujo significado era desconhecido e cujo segredo os aceitos defendiam de maneira quase feroz a esse respeito henry adamson escreveu em 1638 nós temos a palavra maçônica e a segunda vista henry home assim expressava-se em 1640 existem muitas palavras e sinais maçônicos que vos serão revelados e de cujo segredo vos pedirei contas diante de deus no grande e terrível dia do juízo final deveis manter sempre o segredo sem revelá-lo a ninguém a não ser aos mestres e companheiros da sociedade dos maçons além disso encontramos referências nos juramentos de que essa palavra jamais devia ser escrita nem sequer na areia sob pena de terríveis punições assim parece certo que a mesma palavra devia consistir de algum tipo de conhecimento nunca revelado nesse ponto é inequívoca a influência rosa-cruz vejamos ainda alguns pontos que ajudarão em nossas conclusões sem imitar o trapalhão ragon analisemos as características do maçom aceito mais conhecido do séc xvii referimo-nos a elias ashmole iniciado em warrington a 16 de outubro de 1646 aos 29 anos como consta em seu próprio diário onde o termo usado não é iniciado mas aceito todos os pesquisadores concordam em que o esoterismo maçônico com a sua tradução em rituais símbolos e ensinamentos é uma criação desenvolvida ao longo de algumas dezenas de anos e é obra dos especulativos quem seriam os homens que possuíam esse tipo de conhecimentos sem dúvida eram homens de condição social média/alta pertencentes à burguesia iluminada e que nos dias de hoje poderiam ser chamados de liberais eram pesquisadores e estudiosos das culturas da antiguidade colecionadores de manuscritos e de livros raros muitos se tornaram membros da sociedade real royal society fazia também parte do seu projeto social a difusão do conhecimento científico visando a melhorar as condições de vida das populações mais humildes sob o ponto de vista religioso numa época conturbada da história da europa a inquisição esses homens manifestavam uma forte tendência para a tolerância a partir de um forte teísmo do tipo judaicocristão características muito importantes são as relações que muitos deles tinham com os sobreviventes do movimento rosa-cruz da alemanha que se refugiaram na inglaterra depois da dissolução do reino da boêmia em 1619 os primeiros documentos que atestam a existência dos aceitos são datados de dois anos depois isso é de 1621 deve-se notar que a inglaterra era na europa de então o único país que os colocaria a salvo dos processos e dos autos de fé da inquisição católica mesmo na inglaterra a situação político-religiosa estava em transição e ainda era bastante perigosa a divulgação dos conhecimentos esotéricos filosóficos e sociais que os haviam inspirado nessas condições era bastante revista arte real 51 15

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