Embed or link this publication

Popular Pages


p. 1

ISSN 2358-5148 uma revista do cliente TECSA Número 09, 2015 GERONTOLOGIA VETERINÁRIA DIAGNÓSTICOS ESPECÍFICOS PARA CÃES E GATOS IDOSOS www.vetsciencemagazine.com

[close]

p. 2

Nossos sinceros agradecimentos aos nossos parceiros, colaboradores, Médicos Veterinários e estudantes. Vocês são a nossa maior inspiração.

[close]

p. 3

EDITORIAL Gerontologia e Geriatria Dr. Luiz Ristow Dr. Afonso Perez Diretor Técnico Diretor Executivo Durante os últimos anos, tem havido um grande aumento no interesse sobre saúde geriátrica de cães e gatos. Nossos pacientes estão vivendo por mais tempo, devido a melhor qualidade da nutrição, cuidados de higiene e cuidados veterinários. Além disto, tem-se aprendido muito mais sobre a importância da ligação humano-animal que se desenvolve à medida que mais proprietários mantêm animais de estimação por mais tempo. Existem poucos artigos de pesquisa e relatos de casos publicados que contêm informações práticas sobre o manejo diagnóstico, médico e cirúrgico do cão ou gato idosos. Esse número da Revista Vetscience Magazine visa contribuir como um compilado de informações com relação às exigências especiais de saúde dos cães e gatos geriátricos. Atendemos aqui às necessidades dos cães e gatos idosos, ao caracterizar estratégias diagnósticas específicas para retardar ou minimizar a degeneração progressiva associada com o envelhecimento e ao melhorar a qualidade de vida desses animais e das pessoas que os amam, através da monitoria da saúde e dos check-ups. Qualidade e preço justo Um laboratório precisa ter confiabilidade que gere segurança para quem solicita exames, uma vez que a partir dos resultados muitas decisões críticas são tomadas, sendo a responsabilidade 100% do médico que tomou a decisão. Por este motivo, a escolha de um bom suporte laboratorial de forma alguma pode se dar apenas pelo quesito “preço – precinho “, já que as conseqüências de um laudo errado recaem em quem o utilizou como base de suas condutas. No segmento de serviços em saúde a única forma de termos garantia da qualidade é através da fiscalização de Órgãos de reconhecida credibilidade e competência, que comprovem que aquelas análises seguem rigorosos padrões internacionais. Quando você se depara com uma situação no consultório em que o proprietário de um paciente o questiona sobre a confiabilidade/ preço dos exames do laboratório que você utiliza - se você utiliza o TECSA, o grande argumento é: no TECSA utiliza-se controle diário em três níveis em todas as baterias de exames em aparelhos de ultima geração espécie específicos – possui  certificação ISO que controla e audita a empresa desde 1999 – é fiscalizado pelo MAPA ate 4 vezes ao ano – possui uma equipe de médicos veterinários conferindo cada laudo e conta com controle externo da qualidade com 100% de acerto há 8 anos. Agora, se com tudo isto o cliente disser que não quer pagar por qualidade, peça-o para imaginar se dá para confiar em um laboratório pequeno ou recém-inaugurado, sem nenhum controle de qualidade, que utiliza produtos baratos e da linha humana para ficar com preço de coisa fácil, sem veterinário fiscalizando cada resultado – sem ser credenciado no MAPA – sem Acreditações ISO – sem cuidados pré-analíticos ou de transporte – o que se pode esperar dos resultados destes laboratórios? Será que realmente o proprietário acredita que pagar pouco é a solução ou ele quer preço justo, mas com qualidade garantida? O TECSA  sempre repetiu todos os exames que o veterinário solicita e sempre ofereceu educação continuada e suporte técnico para todas as dúvidas. Se o TECSA falhar vai ser um em um milhão – mas um laboratório sem controles, sem qualidade comprovada vai falhar 01 em cada 10. Pense nisto!!! Construa as argumentações reais com o seu cliente, não permita que o cliente se importe apenas com preço. Qualidade e credibilidade comprovada é fundamental em se tratando de laboratório. Luiz Ristow Afonso Perez

[close]

p. 4

LEISHMANIOSE VISCERAL CANINA - ESPECIALIDADE TECSA Prezado Parceiro, Ao longo destes 21 anos no mercado, sempre tivemos uma forte preocupação com a Leishmaniose Visceral Canina. Realizamos diversas pesquisas, nos equipamos com os mais modernos instrumentos e cercamo-nos apenas de pro ssionais extremamente capacitados. Hoje, podemos dizer que a LVC é uma de nossas grandes especialidades. Para auxiliar no diagnóstico desta complexa doença e contribuir para a sua prevenção, elaboramos um per l especí co e exclusivo. Este "pacote", além de ser de grande valia para o proprietário e a saúde do animal, garantirá excelente margem lucrativa para sua clínica. PERFIL COMPLEMENTAR PARA LEISHMANIOSE - CÓD. 316 composto por: - Sorologia para LVC - Elisa + Ri ; - Hemograma Completo; - Ureia + Creatinina (avaliação da função renal); - TGP (avaliação da função hepática); - Proteínas Totais e Frações (Albumina + Globulinas + Relação A/G). Visite nosso site: www.leishmaniose.com.br

[close]

p. 5

ÍNDICE 06. GERIATRIA 06. FUNÇÃO TIREOIDIANA E SUAS DESORDENS EM CÃES E GATOS GERIÁTRICOS 10. HIPERADRENOCORTICISMO NO CÃO GERIÁTRICO 12. MUNOSSENESCÊNCIA EM CÃES 13. INTEPRETAÇÃO CLINICOPATOLÓGICA EM PACIENTES VETERINÁRIOS GERIÁTRICOS 15. ABORDAGEM CLÍNICO-LABORATORIAL EM PACIENTES GERIÁTRICOS 18. PATOLOGIAS DO PACIENTE IDOSO 22. DOENÇA VALVULAR CRÔNICA NO CÃO 24. ENDOCRINOLOGIA 24. HIPERADRENOCORTICISMO: SUPRESSÃO COM DEXAMETASONA 25. ALERGOLOGIA 25. DÚVIDAS NO CONSULTÓRIO SOBRE ALERGIAS EM CÃES 26. MED. LAB. DE FELINOS 26. PRINCIPAIS DOENÇAS INFECCIOSAS EM FELINOS - PARTE II 26. “NOVAS” DOENÇAS DE PELE EM GATOS 31. BIOLOGIA MOLECULAR 31. PCR RT QUANTITATIVA: APLICAÇÕES NO DIA A DIA EM MEDICINA VETERINÁRIA Colaboraram neste número: Membros da Equipe de Médicos Veterinários do TECSA Laboratórios: Dr. Frederico Miranda Pereira Dr. Guilherme Stancioli Dr. João Paulo Franco Dr. João Paulo Fernandez Ferreira Dr. Luiz Eduardo Ristow Dr. Matheus Moreira Dr. Flávio Herberg de Alonso Dra Isabela de Oliveira Avelar Dr. Bruno Péricles Gomes de Oliveira 33. ANATOMIA PATOLÓLICA 33. EXAME IMUNO-HISTOQUÍMICO PARA DIAGNÓSTICO DE NEOPLASIAS 35. PATOLOGIA CLÍNICA 35. PREVENIR É MELHOR QUE REMEDIAR: EXAMES DE ROTINA ACONSELHADOS PARA MONITORAMENTO 36. MICROBIOLOGIA 36. PARVOVIROSE CANINA E A IMPORTÂNCIA DOS EXAMES DIAGNÓSTICOS 39. ANEMIA INFECCIOSA EQUINA 41. PARASITOLOGIA 41. EXAME PARASITOLÓGICO DE FEZES EXPEDIENTE Editores/Publishers: Dr. Luiz Eduardo Ristow . CRMV-SP 5560S . CRMV-MG 3708 . ristow@tecsa.com.br Dr. Afonso Alvarez Perez Jr. . afonsoperez@tecsa.com.br Equipe de Médicos Veterinários TECSA . tecsa@tecsa.com.br CIRCULAÇÃO DIRIGIDA A revista VetScience® Magazine é uma publicação do Grupo TECSA dirigida somente aos médicos veterinários, como parte do Projeto JORNADA DO CONHECIMENTO, criado pelo mesmo. Este projeto visa a universalização do conhecimento em Medicina Laboratorial Veterinária. A periodicidade é Bimestral, com artigos originais de pesquisa clínica e experimental, artigos de revisão sistemática de literatura, metanálise, artigos de opinião, comunicações, imagens e cartas ao editor. Não é permitida a reprodução total ou parcial do conteúdo desta revista sem a prévia autorização do TECSA. Os editores não podem se responsabilizar pelo abuso ou má aplicação do conteúdo da revista VetScience magazine. Projeto Gráfico: Haja Comunicação . haja@hajacomunicacao.com Diagramação: Sê Comunicação . se@secomunicacao.com.br Contatos e Publicidade: comunicacao@tecsa.com.br Av. do Contorno , nº 6226 , B. Funcionários, Belo Horizonte - MG – CEP 30.110-042 PABX-(31) 3281-0500 Tiragem: 5000 revistas . Publicação Bimestral Na Internet: www.vetsciencemagazine.com Grupo TECSA – 21 anos de precisão, tecnologia e agilidade. ISSN: 2358-1018

[close]

p. 6

GERIATRIA FUNÇÃO TIREOIDIANA E SUAS DESORDENS EM CÃES E GATOS GERIÁTRICOS As desordens tireoidianas representam uma importante causa de morbidade em pacientes veterinários geriátricos. Alguns fatores dificultam o diagnóstico deste tipo de enfermidade em animais idosos, como por exemplo, o impacto da idade, doenças concomitantes e medicações administradas. A glândula tireóide sintetiza os aminoácidos tiroxina (T4) e triiodotiroxina (T3), que contêm iodo. Estes aminoácidos apresentam alta capacidade de ligação com proteínas séricas, como a globulina ligadora da tiroxina (TGB), transferretina, albumina e apolipoproteínas. Uma fração destes hormônios está ligada a estas proteínas e outra fração se encontra livre no plasma ou soro. Somente a fração livre na circulação é capaz de adentrar a célula e produzir o efeito biológico esperado desta substância, bem como reproduzir o efeito de retroalimentação (“feedback” 6 em inglês) negativa na glândula pituitária e hipotálamo. Os hormônios tireoidianos desempenham diversos papéis fisiológicos, o que justifica os sinais clínicos intensos observados na deficiência desses hormônios no organismo. Eles promovem um aumento na taxa metabólica e no consumo de oxigênio da maioria dos tecidos. Estes hormônios desempenham ainda efeitos catabólicos no tecido muscular e adiposo, estimulação eritropoiética e regulação da degradação e síntese do colesterol. A síntese e a secreção dos hormônios tireoidianos são reguladas, primordialmente, pelas mudanças na concentração da tirotrofina pituitária (hormônio estimulante da tireoide – TSH), e a secreção deste hormônio é regulada pelo TRH (hormônio liberador de tirotrofina) secretado pelo hipotálamo. Figura 1: Eixo hipotálamo-hipófise-tireoide. Fonte: TECSA Laboratórios. Relação da idade e outros fatores indiretos com a concentração dos hormônios tireoidianos Em cães, há um declínio progressivo na concentração de T4 total de acordo com a idade do animal. É esperado que filhotes apresentem uma concentração fisiologicamente maior quando comparados a cães adultos ou idosos. As concentrações de T4 livre e T3 também apresentam tendências

[close]

p. 7

GERIATRIA similares. Os cães de meia idade e os idosos também apresentam resposta ao TSH menos eficiente comparados a cães jovens. Foi descrito aumento dos níveis do anticorpo anti-T4 em cães idosos, entretanto, apesar destes estudos, não existem relatos de intervalos de referência para concentração de T4 total em animais idosos. Acredita-se que para muitos cães idosos, uma concentração de T4 total abaixo do intervalo de referência represente uma alteração normal ligada à idade. Os motivos propostos para explicar esta diminuição relacionada com a idade incluem efeitos de doenças concomitantes, mudanças na capacidade de resposta da glândula tireoide ao TSH, patologias tireoidianas subclínicas (fibrose, atrofia, alterações degenerativas) e diminuição da atividade biológica do TSH com a idade. Não existem estudos publicados a respeito das alterações na concentração dos hormônios tireoidianos relacionadas ao envelhecimento em gatos. Algumas doenças concomitantes, ou condições médicas relatadas como diminuidoras da concentração de T4 total em cães incluem hiperadrenocorticismo, diabetes cetoacidótica, hipoadrenocorticismo, falência renal, doença hepática, neuropatia periférica, megaesôfago generalizado, falência cardíaca, neoplasia, infecções graves, procedimentos cirúrgicos e anestésicas. O fenobarbital, o trimetropim ou as sulfonamidas demonstraram influência na função tireoidiana de cães, promovendo diminuição nas concentrações de T4 total e livre, além de aumento na concentração de TSH. Os glicocorticoides, assim como a clomipramina, também desempenham efeito similar, porém não foi observado alteração nos níveis de TSH durante a administração deste medicamento em cães. Além disso, existem relatos de que a aspirina pode diminuir os níveis séricos de T4 total. Os cães das raças Greyhound, Whippet e Saluki Sloughi apresentam intervalos de referência para as concentrações de T4 total, livre e/ou T3 menores do que os cães das demais raças ou sem raça definida. 7

[close]

p. 8

GERIATRIA Disfunção tireoidiana canina hormonal também é considerada útil para o diagnóstico final da enfermidade. Caso estejam disponíveis evidências de tireoidite e/ou alterações clinico-patológicas como anemia arregenerativa, hipertrigliceridemia de jejum e hipercolesterolemia, a suspeita diagnóstica deve ser fortalecida. desidratação e um nódulo tireoidiano palpável. Algumas desordens comuns em gatos idosos como falência renal, falência cardíaca congestiva, doença gastrointestinal e diabetes mellitus podem mimetizar alguns dos sinais clínicos do hipertireoidismo. As desordens tireoidianas mais comuns em cães geriátricos são o hipotireoidismo adquirido e a neoplasia de tireoide. O hipotireoidismo primário adquirido é causado por uma tireoidite linfocítica ou atrofia tireoidiana idiopática e resulta em diminuição da produção de T4 e T3. A tireoidite é relatada como a causa mais comum de hipotireoidismo em cães e identificada como fator de risco para neoplasia de tireoide. O hipotireoidismo secundário, causado por deficiência de TSH, é considerado raro em cães. O hipotireoidismo é considerado uma doença típica de cães de meia idade a idosos. O Golden Retriever e o Pinscher são relatados como raças mais propensas ao desenvolvimento dessa doença, enquanto várias outras raças apresentam alto risco para desenvolvimento de tireoidite. Os sinais clínicos mais típicos envolvem letargia, ganho de peso e intolerância ao frio (figura 2). Alterações dermatológicas são comuns e alterações neurológicas são mais raras, porém não menos importantes. Figura 2: Cão com hipotireoidismo apresentando ganho de peso, alopecia bilateral simétrica em tronco, seborreia e piodermatite superficial. Fonte: www.dogaware.com A triagem diagnóstica desta enfermidade pode ser realizada através da dosagem da concentração de T4 total, visto que este exame apresenta uma sensibilidade adequada e satisfatória. A confirmação do diagnóstico pode ser obtida através da dosagem das concentrações de T4 livre e TSH, além de testes provocativos de função tireoidiana. No hipotireoidismo canino, normalmente são observados níveis séricos baixos de T4 total e T4 livre, e níveis altos de TSH. A avaliação da resposta ao tratamento com reposição 8 A desordem hormonal felina mais comum em gatos geriátricos é o hipertireoidismo causado por adenoma ou hiperplasia de tireoide. Os carcinomas de tireoide ocorrem em menos de 2% dos gatos com hipertireoidismo, além disso, as neoplasias tireoidianas não funcionais, assim como o hipotireoidismo espontâneo, são extremamente raros em gatos. O hipotireoidismo pode se desenvolver de maneira secundária ao tratamento para hipertireoidismo. Sua prevalência hospitalar é relatada em 3% e as alterações patológicas podem acometer um ou os dois lobos glandulares, entretanto, as alterações são bilaterais em 70% dos gatos. Além disso, há evidência de tecido tireoidiano ectópico hiperplásico em até 20% dos gatos. Os fatores de risco relatados incluem, além da idade avançada, animais de raças mistas, o uso de caixas de areia e consumo de dieta com proporção aumentada de comida enlatada para gato. Acredita-se também que as dietas apresentando alto ou baixo teor de iodo possam desempenhar um papel no desenvolvimento desta desordem. A idade média de gatos acometidos com hipertireoidismo é de 13 anos e a maioria dos estudos demonstrou não haver predisposições raciais ou de sexo, apesar dos gatos de raças puras serem sub-representados e as gatas fêmeas possivelmente apresentarem maior risco. Os sinais clínicos desta doença incluem perda de peso, pelame de baixa qualidade, diarreia, vômito crônico, polifagia, poliúria, polidipsia, fraqueza muscular e hiperatividade (figura 3). Outros possíveis achados clínicos são taquicardia, murmúrios cardíacos, taquipneia, arritmias cardíacas, Disfunção tireoidiana felina Figura 3: Gato com hipertireoidismo apresentando pelame de baixa qualidade e caquexia. Fonte: www.cat-health-guide.org Como o hipertireoidismo felino é uma doença geriátrica,é importante investigar a presença de doenças concomitantes quando há suspeita clínica. Os exames solicitados devem incluir concentração de T4 total, hemograma completo, perfil bioquímico e radiografias torácicas. No hemograma, é possível observar policitemia (ou eritrocitose) e/ou leucograma de stress. O perfil bioquímico geralmente revela aumentos discretos a moderados na atividade das enzimas alaninaaminotransferase (ALT), aspartatoaminotransferase (AST) e fosfatase alcalina (FA). Outros achados comuns incluem azotemia, hiperfosfatemia e hipocalemia. Cerca de 10% dos gatos apresentam-se azotêmicos no momento do diagnóstico e 50% apresentam aumento da relação proteína:creatinina urinária. O diagnóstico deve ser confirmado através da dosagem da concentração de T4 total. Os animais em estágios iniciais do hipertireoidismo ou com doenças não tireoidianas concomitantes, podem apresentar a concentração de T4 total dentro da metade superior do intervalo de referência. Nestes casos, a repetição da dosagem deve ser realizada após o tratamento da doença concomitante ou após 4 a 8 semanas, pois o hipertireoidismo é uma doença crônica progressiva e a concentração de T4 total aumenta com o tempo. A dosagem de T4 livre ou teste de supressão com

[close]

p. 9

GERIATRIA T3 devem ser consideradas caso o diagnóstico imediato seja necessário. A dosagem de T4 livre é um exame considerado discretamente mais sensível que a dosagem de T4 total, entretanto, sua interpretação jamais deve ser realizada de maneira independente à concentração de T4 total. Se um animal apresenta concentração de T4 total no limite superior do intervalo de referência e T4 livre alto, então o diagnóstico pode ser confirmado. Frequentemente, animais que apresentam T4 total baixo e T4 livre aumentado não possuem hipertireoidismo. O teste de supressão com T3 envolve a dosagem das concentrações de T3 e T4 basais, administração de T3 e posterior dosagem de T3 e T4 após 2 a 6 horas. Os cães com função tireoidiana normal apresentam queda de aproximadamente 50% na concentração de T4 em relação à concentração basal. Os gatos com hipertireoidismo não apresentam supressão. As dosagens de T3 são realizadas antes e depois para se confirmar que a droga foi corretamente administrada e absorvida. Visando auxiliar o médico veterinário na realização de um correto diagnóstico, o TECSA Laboratórios oferece uma ampla variedade de exames para o diagnóstico da função tireoidiana, que são realizados com rapidez e segurança. Entre em contato com os nossos Médicos Veterinários, eles estão à disposição para auxiliar e esclarecer possíveis dúvidas. EXAMES REALIZADOS PELO TECSA LABORATÓRIOS CÓD - EXAME 373 - PERFIL HIPERTIREOIDISMO PRAZO/DIAS 3 336 - PERFIL HIPOTIREOIDISMO 3 697 - PERFIL HIPERTIREOIDISMO (RADIOIMUNOENSAIO) 2 696 - PERFIL HIPOTIREOIDISMO (RADIOIMUNOENSAIO) 2 71 - TSH (HORMONIO ESTIMULANTE DA TIREOIDE) 2 643 - VALOR DO K TIREOIDEO 2 9

[close]

p. 10

GERIATRIA HIPERADRENOCORTICISMO NO CÃO GERIÁTRICO O envelhecimento é definido como um processo biológico complexo, resultando na redução progressiva da habilidade de um indivíduo em manter a homeostase sob um ambiente interno fisiológico e externo ambiental de stress. Como consequência, a viabilidade do indivíduo diminui e sua vulnerabilidade à doenças aumentam. Assim como em outros sistemas, o envelhecimento normal do sistema endócrino é caracterizado por uma perda progressiva da sua capacidade de reserva, resultando em uma competência diminuída de se adaptar às mudanças trazidas por demandas ambientais. Este prejuízo na regulação homeostática reflete em importantes alterações na síntese, no metabolismo e na ação hormonal, porém, como a reserva funcional para órgãos endócrinos é muito maior, as transformações clínicas não são normalmente evidentes, a não ser em situações de stress intenso. Durante a avaliação clínica de pacientes geriátricos com doença endócrina, deve ser considerado que as manifestações de doenças endócrinas podem, frequentemente, estar alteradas ou 10 mascaradas por doenças concomitantes e uso de alguns medicamentos. As doenças endócrinas mais comuns em cães idosos são hipotireoidismo, hiperadrenocorticismo, feocromocitoma, hiperparatireoidismo, diabetes mellitus e insulinoma. Este artigo visa abordar os desafios diagnósticos envolvidos com o hiperadrenocorticismo (HAC) espontâneo em cães geriátricos. Existe um reconhecimento generalizado de que a incidência de hiperadrenocorticismo (HAC) ou síndrome de Cushing em cães aumenta com a idade, indicando que as disfunções no eixo hipotálamohipófise-adrenal (HHA) estão associadas com alterações ligadas a idade nessa espécie. A idade média de acometimento para o HAC é de 10 anos, e mais de 75% dos cães com HAC possuem idade superior a 9 anos. Nos casos de HAC pituitario (que correspondem a 85% do total), o tumor na glândula pituitária é responsável por secretar corticotrofina (ACTH) de maneira autônoma. Já nos casos em que a neoplasia de adrenal leva à HAC, o cortisol é secretado independentemente da concentração sérica de ACTH. As neoplasias adrenocorticais bilaterais são raramente observadas em cães. Independentemente do local de origem do HAC, os sinais clínicos esperados são basicamente os mesmos. Polifagia, poliúria/polidipsia, letargia, fraqueza muscular, hipertensão sistêmica, respiração ofegante, hepatomegalia, ganho de peso geralmente com abdômen penduloso e alterações dermatológicas como alopecia, dermatites e hiperpigmentação podem ser observados. Os tumores de pituitária podem causar sinais neurológicos quando crescem demais. Diagnóstico Figura 1: Poodle, macho, 11 anos com hiperadrenocorticismo espontâneo. Nota-se abdômen penduloso e alopecia. Fonte: thebark.com

[close]

p. 11

GERIATRIA A obtenção de um histórico detalhado e um exame físico minucioso é essencial para a avaliação dos cães com suspeita de HAC, e desta forma, excluir a possibilidade de doenças concomitantes não adrenais e identificar complicações clínicas do HAC que possam estar presentes. Além disso, muitos exames estão disponíveis para realizar a triagem e confirmação diagnósticas. Os resultados clinico-patológicos mais frequentemente encontrados em cães com HAC, incluem leucograma de stress (incluindo leucocitose neutrofílica com linfopenia), atividades intensamente aumentadas de fosfatase alcalina (FA) e alanina aminotransferase (ALT), hipercolesterolemia, hipertrigliceridemia e hiperglicemia. A densidade urinária também encontra-se normalmente diminuída, assim como uma proteinúria pode ser observada. A incidência de cistites secundárias é alta, mesmo sem evidência de sedimento rico em células epiteliais de descamação. Nenhum teste possui 100% de acurácia diagnóstica. O diagnóstico de HAC depende do aumento da produção de cortisol ou sensibilidade diminuída do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA) ao feedback negativo provocado pelos glicocorticoides. A simples dosagem do cortisol basal não apresenta valor diagnóstico, pois as secreções pulsáteis de ACTH levam a uma concentração sanguínea variável de cortisol. Os testes atualmente disponíveis para triagem de HHC incluem relação cortisol/creatinina na urina, o teste de supressão com baixa dose de medicamento (dexametosona) e o teste de estimulação com ACTH. Como existe uma possibilidade alta de um animal geriátrico possuir alguma doença não adrenal concomitante, é recomendado que os resultados positivos para estes testes sejam interpretados juntamente com a história e sinais clínicos do paciente. Os cães portadores de alguma outra enfermidade não adrenal podem apresentar resultados falso positivo em qualquer um dos 3 testes disponíveis para o diagnóstico. Neste caso, e quando o resultado for negativo para um animal com sinais clínicos clássicos, sugere-se a utilização de outro teste ou a repetição do exame após 3 meses. É importante diferenciar o HAC pituitário do decorrente de neoplasia adrenal, para que o prognóstico e o tratamento sejam definidos e instituídos de maneira precisa. A dosagem de ACTH canino é considerado o teste mais preciso para realizar esta diferenciação, porém, cuidados especiais de coleta e armazenamento da amostra devem ser considerados para que a sensibilidade do teste não diminua. Os testes de supressão com alta e baixa dose de dexametasona podem ser úteis para realizar a diferenciação. Se a supressão ocorre em testes com altas doses de dexametasona, o paciente provavelmente tem HAC pituitário. Entretanto, a ausência de supressão não confirma a existência de neoplasia de adrenal. Caso não haja supressão no teste com baixa dose de dexametasona, recomenda-se a dosagem do ACTH canino ou realização de ultrassonografia abdominal para avaliar a diferença de tamanho entre as duas glândulas. O último consenso emitido pelo Colégio Americano de Medicina Interna Veterinária (ACVIM), propõe algumas conclusões interessantes. Dentre elas, destacam-se: - O teste de supressão com baixa dose de dexametasona (TSBDD) é considerado o método de triagem de escolha para diagnóstico de HAC espontâneo em cães, e o teste com estimulação de ACTH considerado padrão ouro para diagnóstico de HAC iatrogênico; - O TSBDD deve ser realizado utilizando-se o fosfato dissódico de dexametasona em dose de 0,01 a 0,015 mg/kg intravenosa; - O TSBDD e o teste com estimulação por ACTH podem ser iniciados a qualquer momento do dia e a alimentação durante o período de realização dos testes deve ser evitada. Um período de 24 horas entre a repetição de um teste deve ser respeitado; - As amostras de sangue devem ser obtidas 4 e 8 horas após a administração do medicamento; - Os cães sob tratamento com fenobarbital podem apresentar sinais clínicos e anormalidades bioquímicas similares a cães com HAC. A confirmação da doença nestes casos pode ser desafiadora; - A relação cortisol/creatinina urinária apresenta alta sensibilidade, porém baixa especificidade para detectar hipersecreção de cortisol. EXAMES REALIZADOS PELO TECSA LABORATÓRIOS CÓD - EXAME PRAZO/DIAS 39 - HEMOGRAMA COMPLETO (CANINO) 1 801 - CHECK UP GLOBAL PLUS 1 634 - RELACAO CORTISOL CREATININA URINARIA 2 620 - CORTISOL POS SUPRESSAO C/ DEXA 2 DOSAGENS (RADIOIMUNOENSAIO) 2 156 - CORTISOL POS SUPRESSAO COM DEXAMETASONA (3 DOSAGENS) 2 630 - DOSAGEM DE CORTISOL POS ACTH DUAS DOSAGENS (RADIOIMUNOENSAIO) 2 334 - PERFIL HIPERADRENOCORTICISMO 3 11

[close]

p. 12

GERIATRIA IMUNOSSENESCÊNCIA EM CÃES concentrações séricas de IgG e IgM não apresentaram diferença estatisticamente significativa entre animais jovens e senis, entretanto, cães idosos tendem a apresentar maior concentração sérica de IgA. Um estudo transversal foi conduzido para avaliar se as alterações no sistema imune relacionadas com idade afetam a resposta vacinal. A conclusão foi que a resposta de memória parece não ser afetada pela idade, entretanto, a relação do envelhecimento com a duração da imunidade após a vacinação permanece não determinada. Um estudo embasado em várias outras pesquisas, concluiu que os cães idosos não morrem por doenças infecciosas evitáveis por vacina. Segundo o mesmo estudo, é raro ver um cão idoso morrer de cinomose, parvovirose ou hepatite infecciosa canina, a não ser que este animal nunca tenha sido vacinado. Ao contrário do que ocorre em humanos, os cães raramente morrem em decorrência de complexos respiratórios caninos. É relatado que uma única dose de vacina de vírus vivo-modificado para o CVV e PVC-2, quando administradas com 16 semanas de vida ou mais, fornecem imunidade de longa duração (durante toda vida) em uma porcentagem alta de animais. EXAMES REALIZADOS PELO TECSA LABORATÓRIOS CÓD - EXAME 39 - HEMOGRAMA COMPLETO (CANINO) PRAZO/DIAS 1 Segundo o Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população brasileira de cães estimada para o ano de 2015 é de 52,2 milhões, com crescimento médio anual de aproximadamente 13,26%. A mesma fonte cita que os cães brasileiros vivem em média três anos a mais que há 15 anos atrás. Portanto, os veterinários estão lidando com uma população substancial de cães idosos. O envelhecimento está associado com um declínio da resposta imunológica, também conhecido como imunossenecência, e um consequente aumento da susceptibilidade à doenças infecciosas. A vacinação é considerada uma forma de controle de infecções em animais jovens e adultos sadios. Desta forma, torna-se importante a avaliação da capacidade protetora das atuais vacinas disponíveis, assim como seus intervalos de aplicação na população canina idosa. O envelhecimento é associado com várias alterações estruturais nos órgãos linfoides primários e secundários. O timo sofre involução quando o animal atinge a maturidade sexual e este processo é caracterizado por redução do parênquima tímico, acompanhado de um número reduzido de timócitos e ampliação do septo interlobular com proliferação de tecido adiposo 12 Imunossenescência em cães e conectivo. A placa de Peyer ilíaca no cão jovem também apresenta involução quando o animal atinge a maturidade sexual. Este órgão se assemelha microscopicamente com a placa de Peyer de ruminantes jovens, e apresenta um papel importante no desenvolvimento de linfócitos B nesses animais, porém, maiores estudos na espécie canina ainda são necessários. Os cães idosos apresentam frequentemente alterações esplênicas relacionadas com a idade, como tamanho reduzido da polpa branca e alterações degenerativas da arteríola central. As alterações em linfonodos são muito variáveis (até mesmo considerando o mesmo animal) e são dependentes, dentre outros fatores, da localização do órgão. Estas alterações incluem atrofia cortical, fibrose medular, histiocitose sinusal, linfogranulomatose (especialmente no linfonodo hepático) e linfangiectasia. As mudanças estruturais em órgãos linfoides associadas à idade, são acompanhadas por mudanças na distribuição das subpopulações de linfócitos presentes no sangue periférico. Apesar de existirem publicações contendo resultados divergentes, vários estudos indicam a ocorrência de um aumento na concentração de linfócitos T positivamente marcados para CD8, além de concentrações diminuídas ou normais para linfócitos T marcados positivamente para CD4. As 801 - CHECK UP GLOBAL PLUS 1 234 - URINA ROTINA 1 239 -CINOMOSE + PARVOVIROSE - IGM - 1 670 - CINOMOSE IGG + PARVOVIROSE IGG 81 - LEPTOSPIROSE CANINA OU EQUINA MICROAGLUTINACAO (IGM) 281 - IMUNOGLOBULINA G - IGG 1 2 2 282 - IMUNOGLOBULINA M - IGM 2

[close]

p. 13

GERIATRIA INTEPRETAÇÃO CLINICOPATOLÓGICA EM PACIENTES VETERINÁRIOS GERIÁTRICOS O reconhecimento precoce das doenças pode ajudar a melhorar a qualidade de vida de todos os cães e gatos, entretanto, possui importância ainda maior quando aplicado a cães e gatos idosos. Estes animais são mais propensos a desenvolver anormalidades em múltiplos sistemas, e frequentemente recebem medicamentos por longos períodos para tratamento de doenças crônicas. Consequentemente, a busca por esforços diagnósticos completos, incluindo a solicitação de perfis laboratoriais, torna-se imprescindível. A avaliação do bem-estar do paciente idoso deve ser realizada anualmente através de exames hematológicos e bioquímicos em série. Desta forma, a caracterização de doenças em desenvolvimento no paciente clinicamente normal ou a confirmação da eficácia de uma determinada terapia para um paciente doente, tornam-se medidas mais facilmente aplicáveis. As alterações externas visíveis, como desgaste da arcada dentária, perda de elasticidade cutânea e pelagem áspera, são características convencionais para determinação da idade do animal. Porém, os dados obtidos de exames laboratoriais são considerados, de maneira geral, mais sensíveis, específicos e objetivos para diagnosticar as afecções mais comuns em animais geriátricos do que as apresentações clínicas e achados em exame físico. Alguns dos parâmetros obtidos através de avaliações seriadas e considerados mais pertinentes nos perfis laboratoriais de animais geriátricos, incluem hemograma completo, perfil bioquímico com eletrólitos e urinálise completa. Além disso, a dosagem de T4 total também é recomendada para gatos mais velhos. Padrões clínico - patológicos esperados para condições geriátricas comuns Com o intuito de detectar a presença de alterações precoces na função renal em pacientes idosos, recomenda-se a avaliação da proteína do trato urinário e enzimúria. A dosagem da albumina em mg/dL (microalbuminúria), assim como a determinação da relação proteína:creatinina e a relação GGT: creatinina são importantes parâmetros a serem definidos, pois, na insuficiência renal, se alteram antes mesmo do aparecimento de azotemia (aumento dos níveis séricos de uréia e creatinina) e distúrbios na densidade urinária. A doença renal crônica é uma enfermidade frequente em pacientes geriátricos e as anormalidades do perfil laboratoriais comumente observadas nesses casos são azotemia, hiperfosfatemia, acidose metabólica, hiponatremia, hipercalemia ou hipocalemia e isostenúria. As alterações mais graves podem ser observadas na falência renal crônica. Os testes de função hepática também são especialmente úteis, visto que animais idosos apresentam predisposição à alterações funcionais desse órgão. Os primeiros parâmetros da bioquímica sérica em que se espera encontrar alteração são a concentração de albumina e o coagulograma. A síntese proteica é uma das primeiras funções a serem perdidas e percebidas através de exames laboratoriais. Por isso é esperado observar hipoalbuminemia e aumento dos tempos de protrombina (TP) e tromboplastina parcial ativada (TTPA) por deficiência de fatores de coagulação, hipoglicemia, hiperbilirrubinemia, diminuição dos níveis séricos de uréia, hiper ou hipocolesterolemia, aumento dos níveis séricos de ácidos biliares, dentre outros achados laboratoriais indicativos de insuficiência hepática. Caso o animal idoso esteja apresentando lesão hepatocelular, biliar ou hepatobiliar ativas, será esperado que a atividade de uma ou mais das seguintes enzimas esteja aumentada: ALT, AST, FA e GGT. Se o fígado do animal já tiver progredido para uma fase de cirrose ou 13

[close]

p. 14

GERIATRIA fibrose, é esperado que a atividade destas enzimas esteja dentro do intervalo de referência ou até mesmo diminuídas. Nos casos em que não há coerência ou compatibilidade entre as alterações clínicas e laboratoriais recomenda-se a realização de biópsia hepática. Alguns testes endócrinos são fundamentais para o diagnóstico de enfermidades em animais idosos. Dosagens séricas de frutosamina, glicose, hemoglobina glicosilada e insulina para o diagnóstico de diabetes; T4 total, livre e TSH (hormônio estimulante da tireóide) para diagnóstico de hiper ou hipotireoidismo; cálcio ionizado, fósforo e PTH para diagnóstico de hiperparatireoidismo; relação cortisol:creatinina urinária, supressão com baixa dose de dexametasona, estimulação com ACTH para diagnosticar hiper ou hipoadrenocorticismo, etc. seja, na verdade, mais grave. Se houver hipoproteinemia, há indicação de causa hemorrágica para a anemia. A observação de poiquilócitos eritrocitários no esfregaço sanguíneo também fornece boas indicações de causa de anemia. O leucograma fornece elementos como leucometria total e diferencial, além de descrição morfológica dos leucócitos. A contagem diferencial de leucócitos sempre deve ser interpretada a partir de números absolutos e não relativos. Os leucogramas inflamatórios podem estar presentes no hemograma de animais idosos por vários motivos, incluindo processos inflamatórios associados a várias condições adjacentes, como diabetes melittus, hiperadrenocorticismo, neoplasia, entre outros. Uma eosinofilia persistente indica alergia sistêmica ou reação de hipersensibilidade e pode estar associada com asma felina, doença parasitária sistêmica e algumas neoplasias malignas. A avaliação dos linfócitos é especialmente importante em animais idosos porque os leucogramas de stress, que apresentam linfopenia, podem indicar doenças ocultas incluindo hiperadrenocorticismo. Quando linfócitos com aparência atípica ou em concentrações intensamente elevadas aparecem, uma investigação para o processo linfoproliferativo subjacente deve ser realizada. Nesta situação, também é recomendada a avaliação do caso por um patologista clínico, assim como a solicitação de imunofenotipagem ou exame de PCR. A trombocitopenia é um achado de grande significância clínica em qualquer paciente. Embora a concentração plaquetária possa sofrer alterações préanalíticas relacionadas com formação de agregados e consequente subestimação de sua concentração, a avaliação plaquetária em pacientes geriátricos veterinários é importante porque a trombocitopenia tem sido relatada em aproximadamente 13% dos cães com neoplasia, particularmente linfoma, mieloma múltiplo, leucemia mielóide e hemangiossarcoma. EXAMES REALIZADOS PELO TECSA LABORATÓRIOS CÓD - EXAME 39 - HEMOGRAMA COMPLETO (CANINO) PRAZO/DIAS 1 801 - CHECK UP GLOBAL PLUS 1 234 - URINA ROTINA 1 628 - MICROALBUMINURIA 2 193 - RAZAO PROTEINA CREATININA URINARIA 2 721 - RAZAO GAMA GT CREATININA URINARIO 1 114 - UREIA 1 98 - CREATININA 1 O hemograma fornece uma ampla visão geral a respeito do estado de saúde do paciente idoso. O sangue periférico serve com um meio de transporte entre as células produzidas na medula óssea e o tecido final. Desta forma, o hemograma serve como uma “fotografia” do sistema hematopoiético em um determinado momento. A avaliação do esfregaço de sangue periférico é especialmente importante em animais idosos, porque alterações em eritrócitos, leucócitos e plaquetas são frequentes nestes pacientes. O eritrograma inclui as informações de volume globular (VG), concentração de hemácias, hemoglobina, reticulócitos e índices como volume corpuscular médio (VCM), concentração de hemoglobina corpuscular média (CHCM) e amplitude de distribuição eritrocitária (RDW). Se o VG, a contagem de hemácias e/ou a hemoglobina estiverem diminuídos o animal está anêmico. Estas informações devem ser avaliadas em conjunto com a concentração sérica ou plasmáticas de proteínas totais. Caso haja hiperproteinemia é possível que o animal esteja desidratado, o VG esteja sendo superestimado e a anemia 14 Interpretando o hemograma geriátrico 443 - ALBUMINA 1 591 - PERFIL COAGULOGRAMA 1 333 - PERFIL HEPATICO 1 105 - GLICOSE (GLICEMIA) 1 103 - FRUTOSAMINA 277 - GLICOHEMOGLOBINA HEMOGLOBINA GLICOSILADA 72 - DOSAGEM DE INSULINA 1 2 2 147 - T4 TOTAL (RADIOIMUNOENSAIO) 2 73 - T4 LIVRE (RADIOIMUNOENSAIO) 2 71 - TSH (HORMONIO ESTIMULANTE DA TIREOIDE) 2 620 - CORTISOL POS SUPRESSAO C/ DEXA 2 DOSAGENS (RADIOIMUNOENSAIO) 156 - CORTISOL POS SUPRESSAO COM DEXAMETASONA (3 DOSAGENS) 630 - DOSAGEM DE CORTISOL POS ACTH DUAS DOSAGENS (RADIOIMUNOENSAIO) 2 2 2

[close]

p. 15

GERIATRIA ABORDAGEM CLÍNICO-LABORATORIAL EM PACIENTES GERIÁTRICOS A idade para se considerar um cão idoso é variável de acordo com o porte. Cães pequenos e médios são considerados idosos a partir dos 8 anos de vida, ao passo que os grandes e os gigantes encontram-se senis aos 7 e 6 anos, respectivamente. Quando a idade “chega”, os principais sinais de envelhecimento a serem perceptíveis envolvem leucotricose, pelos ásperos, hipóxia e sedentarismo. A longevidade canina é dependente de três fatores básicos: vacinação, alimentação e assistência veterinária. É primordial que o monitoramento mais atento e Sinais e Sintomas das doenças comuns em Cães Idosos contínuo da saúde, seja realizado de 6 em 6 meses. Podemos nos assustar ao depararmos com essa frequência, mas, se levarmos em conta que, em média, um ano humano equivale a 5 - 7 anos do cão, poderíamos imaginar se uma pessoa mais velha ficaria 5 anos sem realizar uma consulta médica? Imagine então quanto à frequência de revacinação, é claro que não se compara o sistema imune de um animal jovem recémvacinado ao de um cão idoso que só recebeu as “doses básicas”. Complicado, não é mesmo? O diagnóstico laboratorial em pacientes geriátricos Doenças associadas objetiva complementar e auxiliar no diagnóstico clínico, com o intuito de excluir e/ou confirmar suspeitas. A escolha das análises a serem realizadas requer uma ótima anamnese, devendo ser direcionada também baseada em um histórico clínico o mais completo possível! Para o auxílio no diagnóstico de enfermidades do paciente geriátrico, o TECSA Laboratórios, além de oferecer os Perfis Geriátricos I e II e o Check Up Global de Funções, disponibiliza várias outras análises laboratoriais baseadas em alguns sinais e sintomas, conforme a tabela abaixo: Análises a serem solicitadas / COD FAN ou ANA / 272 ou 253 Fator Reumatóide Canino / 374 Leishmaniose (ELISA+RIFI) / 83 Glicemia / 105 Perfil Hepático / 333 Perfil Renal / 349 Análise de Líquido Sinovial / 139 Hemograma / 39 Dosagem de Digitálicos Perfil Cão Obeso / 339 Glicemia / 105 Curva Glicêmica / 124 Dosagem de Insulina(medicamentosa) / 72 Pesquisa de Hematozoários / 358 Pesquisa (sorologia) Babesia / 327 e 632 Pesquisa (sorologia) Ehrlichia / 666 e 667 Exame Histopatológico / 86 Perfil Hipotireoidismo / 696 Perfil Tireoidiano / 695 Perfil Hipotireodismo / 696 Dosagem de cortisol / 619 Dosagem de ACTH / 218 Teste de Supressão com Dexametasona (2 ou 3 dosagens) / 205 e 621 Teste de estimulação com ACTH / 630 e 631 Perfil Cão Obeso / 339 Sorologia Leishmaniose (ELISA+RIFI) / 83 Histopatologia / 86 Perfil Hepático / 333 Fosfatase Ácida Coprocultura / 393 Exames Parasitológico de Fezes / 63 Parvovirose ou Pesquisa de Antígeno / 538 Cinomose (IgM, IgG , Pesquisa de Antígeno e Corpúsculo de Inclusão) / 239, 670, 537 e 136 Check Up Global de Funções / 570 Mudanças comportamentais Dor associada à artrite Perda de visão ou de audição Hipotireoidismo Doença hepática Doença renal Fraqueza ou intolerância ao exercício Variação do nível de atividade Insuficiência mitral / Doença cardíaca Anemia Obesidade Diabetes mellitus Hipotireoidismo Neoplasias Ganho de peso Hipotireoidismo Doença de Cushing Obesidade Artrite Neoplasias Doença hepática Doenças gastrointestinais Anorexia Doenças cavidade oral Insuficiência mitral / Doença cardíaca Diabetes mellitus Doença inflamatória intestinal Leishmaniose Visceral Canina Perda de peso 15

[close]

Comments

no comments yet