Revista Mineração & Sustentabilidade - Edição 23

 

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mineracão sustentabilidade revistamineracao.com.br Julho . Agosto de 2015 Edição 23 . Ano 4 Entrevista Exposibram 2015 Ricardo Vescovi, Maior evento diretor-presidente da Samarco do setor projeta novos negócios e debate a inovação Política Mineral Tecnologia Senado entra na discussão do Novo Marco da Mineração Minas-Rio: os olhos do maior mineroduto do mundo A IDEIA é ser sustentável Estudo inédito da Fundação Dom Cabral traça perspectivas das práticas das maiores mineradoras do Brasil e aponta novos caminhos para o desenvolvimento

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clique Tânia Rêgo/ABr O Papa do Verde Não seria exagero afirmar que o maior ambientalista da atualidade, em vez de integrar as fileiras de organizações não governamentais ou as cadeiras de grandes universidades, dissemina suas mensagens a partir do centro do catolicismo mundial, o Vaticano. Em junho, o Papa Francisco divulgou a encíclica que aponta o homem como o grande responsável pelo descalabro ambiental, inserindo a Igreja em um debate ao qual, até então, estava alheia. O Pontífice também declarou o dia 1º de setembro como “Dia Mundial de Prece pelo Cuidado com a Criação”, que pretende atrair a atenção dos católicos para os riscos enfrentados pelo planeta. EXPEDIENTE Diretor-Geral Wilian Leles diretor@revistamineracao.com.br Diretor de relações institucionais Francisco Stehling Neto francisco@revistamineracao.com.br Editor-Geral Thobias Almeida REG. 12.937 JPMG edicao@revistamineracao.com.br Redação Márcio Antunes Joyce Afonso Ana Carolina Nazareno redacao@revistamineracao.com.br Projeto Gráfico e Design Leopoldo Vieira Revisão Versão Final Anúncios / Comercial + 55 (31) 3544 . 0040 comercial@revistamineracao.com.br Distribuição e Assinaturas Karine Gonçalves atendimento@revistamineracao.com.br Impressão Atividade Editora Gráfica Tiragem Especial 20 mil exemplares Circulação Esta publicação é dirigida ao setor minerário, siderúrgico e ambiental, além de governos, fornecedores, entidades de classe, consultorias, instituições acadêmicas e assinantes. Foto da capa Ilustração Breno Bernardes (Panbox) On-line www.revistamineracao.com.br revista@revistamineracao.com.br Conselho Editorial Eduardo Costa Jornalista Rádio Itatiaia / Rede Record José Mendo Mizael de Souza Engenheiro de Minas e Metalurgista J. Mendo Consultoria Marcelo Mendo de Souza Advogado Mendo de Souza Advogados Associados Rua Guacuí, 82 . Brasileia Betim . MG - 32.600.456 + 55 (31) 3544 . 0040 | 3544 . 0045 Acompanhe Não são de responsabilidade da revista os artigos de opinião e conteúdos de informes publicitários. 4 Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho . Agosto de 2015 /RevistaMineracao @RevMineracao

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Estante Recursos Minerais e Comunidade Minas a céu aberto Adilson Curi Oficina de Textos Francisco Rego Chaves Fernandes, Renata de Carvalho Jimenez Alamino e Eliane Araújo Cetem Tradutor: José Manoel dos Reis Neto Oficina de Textos Rochas Metamórficas: classificação e glossário Este ampliado trabalho reuniu 105 estudos de caso de mais de cem localizações no território brasileiro com atividades minerais. A publicação decorre do projeto “Recursos Minerais e Territórios”, iniciado em 2010. • Ano: 2014 • 392 páginas • 180 páginas • ISBN: 978.85. 8261.003-9 Disponível para download: www.cetem.gov.br O livro trata do processo de planejamento da lavra, desde os conceitos básicos de mineração e projeto até a determinação dos limites da lavra. Esses aspectos são fundamentais para empresas de mineração, agentes governamentais de planejamento e gestão de recursos naturais e até mesmo bancos envolvidos no financiamento de projetos de mineração. O livro aborda todo o processo de forma didática e eficaz. • R$ 69,00 • 23 x 16 cm • 232 páginas • ISBN: 978.85. 7975.149-3 O livro apresenta mais de 1,1 mil termos distribuídos em 12 capítulos que definem como determinar os nomes corretos para rochas e processos metamórficos. A publicação também discute a lógica para a definição de terminologias importantes. Trata-se de uma obra de referência para professores e pesquisadores e indispensável nas bibliotecas. • R$ 94,00 • 17 x 24 cm • 328 páginas • 2ª edição • ISBN: 978.85. 7975.135-6 Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho . Agosto de 2015 5

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sumário revistamineracao.com.br Julho . Agosto de 2015 Edição 23 . Ano 4 34 Especial Estudo da FDC avalia a sustentabilidade na mineração brasileira 10 Entrevista Ricardo Vescovi, diretor-presidente da Samarco 22 Tecnologia Os olhos do Minas-Rio 66 14 Seções Eventos Exposibram 2015 discute o futuro da mineração 18 Meio Ambiente Projeto da Votorantim ajuda na preservação da água Comunidade Juriti Sustentável inova no relacionamento social 7 Editorial 8 Panorama 10 Entrevista 14 Eventos 18 Meio Ambiente 20 Política Mineral 6 50 22 Tecnologia 56 26 Mercado de Trabalho 60 30 Siderurgia 62 34 Especial 66 46 Ibram 72 48 Cetem 74 Cidade Minerária Produto Final Ceamin Surpreenda-se Comunidade Informe Publicitário Agenda 26 O dilema das terceirizações 20 Política Mineral Senado entra nos debates do Novo Marco da Mineração Mercado de Trabalho Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho . Agosto de 2015

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Editorial De Minas parte o otimismo A poucos dias de ter início a Exposibram 2015 e o 16º Congresso Brasileiro de Mineração, os fabricantes de equipamentos e os mineradores estão com um olho no ajuste da economia nacional e o outro nas implicações da desaceleração do crescimento chinês, cujos espasmos vêm provocando quedas vertiginosas nas bolsas de valores de todo o mundo. Bem falou o presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Fernando Coura, quando disse que a economia do país está vivendo sua mais grave crise e que o caminho mais seguro para superá-la é a inovação. Para ele, não é coincidência que o Congresso de Mineração, em paralelo com a Exposibram, virá com o tema “Mineração no mundo da inovação”, debatendo a sustentabilidade e o desenvolvimento na indústria mineral. Certamente os dois eventos vão se transformar no grande cenário em que ocorrerão palestras, workshops, debates e um talk show sobre desafios, tendências e oportunidades no setor, nas próximas décadas. Apesar de todas as dificuldades, com o país em recessão e a baixa cotação do minério de ferro, a expectativa é de que sejam gerados negócios da ordem de R$ 500 milhões a partir da exposição e do congresso, que ocorrem de 14 a 17 de setembro, no Expominas. Por lá devem transitar 1,5 mil participantes do Brasil e de 15 outras nações. Segundo Coura, um dos principais motivos para que haja otimismo, mesmo com um horizonte sombrio, é que os projetos minerários são todos de longo prazo, com maturação demorada. Mas ele faz uma forte advertência: “Somente sobreviverão os mineradores que trabalharem com competitividade, função social e respeito ambiental”. Todas as argumentações em torno da necessidade de fazer prevalecer o otimismo na mineração e na indústria de fabricação de equipamentos são carregadas de veracidade e procedência, mas é preciso também algum incentivo dos meios oficiais. Se não for em recursos, pelo menos na aceleração da tramitação do Novo Marco Regulatório do Setor Mineral, no Congresso Nacional. Na Câmara, segundo o relator Leonardo Quintão, a proposta enviada em forma de projeto de lei foi acrescida com base em amplos debates e entra em votação antes do fim do ano. Depois seguirá para o Senado, onde já é objeto de audiências públicas, conforme esclareceu o senador Wilder Morais, presidente da Subcomissão Permanente de Acompanhamento do Setor de Mineração (Subminera). O certo é que a segurança jurídica é que dará suporte ao otimismo que Fernando Coura tanto prega. E aí, sim, o setor mineral, um dos pilares da economia brasileira, vai continuar como parte fundamental do alicerce do nosso desenvolvimento. Nesta edição especial, com uma tiragem também especial de 20 mil exemplares, que é também uma homenagem ao setor minerário brasileiro, publicamos um levantamento inédito da conceituada escola de negócios Fundação Dom Cabral (FDC) sobre como as maiores mineradoras do Brasil Diretor de Relações Institucionais Francisco Stehling Neto Com mais de 45 anos de experiência no jornalismo, atuou nas sucursais mineiras dos jornais Folha de S. Paulo e O Globo, além de 17 anos na editoria política do Estado de Minas. Foi também Secretário de Comunicação da Prefeitura de Belo Horizonte e Superintendente de Comunicação Empresarial da Cemig. lidam com as questões da sustentabilidade, em que merecem elogios e onde pecam. O trabalho também traça rotas de desenvolvimento alinhadas aos anseios da sociedade moderna, mais exigente quanto à responsabilidade socioambiental das grandes corporações. Nas páginas verdes, a entrevista é com o diretor-presidente da Samarco, Ricardo Vescovi, empresa elogiada pelo estudo da FDC e, pela terceira vez consecutiva, primeiro lugar no anuário “Melhores e Maiores” da revista Exame. O caminho do reconhecimento foi resumido em duas palavras: planejamento e execução. Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho . Agosto de 2015 7

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panorama Rotina de prejuízos na Usiminas Pelo quarto trimestre consecutivo, a Usiminas apresentou prejuízo líquido. De abril a julho de 2015, as perdas somaram R$ 781 milhões, contra o lucro de R$ 129 milhões registrado no mesmo período em 2014. Se comparados o primeiro e o segundo trimestres deste ano, o prejuízo aumentou 232%. De acordo com a empresa, o ajuste contábil realizado na unidade mineradora foi o responsável pelo tombo no faturamento. A Usiminas informou ainda que o “impairment” provocou redução de R$ 985 milhões no valor dos direitos minerários, sendo R$ 68 milhões na unidade mineradora e R$ 117 milhões na própria Usiminas. A redução no valor dos direitos minerários ocorreu diante da piora nas expectativas quanto ao preço futuro do minério de ferro. O ajuste foi também o responsável pelo adiamento da apresentação do balanço da companhia, previsto para ter acontecido em 30 de julho. CSN VAI vender ativos A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) anunciou a contratação de bancos, dentre eles o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, para auxiliar na venda de ativos não essenciais para arrecadar recursos para o pagamento de dívidas que vencem em 2016 e 2017. Em julho, impulsionada pela desvalorização do real diante do dólar, a dívida total da empresa era de R$ 20,8 bilhões. Houve aumento de 24% na comparação com o mesmo período do ano anterior. A venda foi decidida para prolongar as dívidas que vencem nos dois próximos anos, como forma de tranquilizar a empresa diante do crítico cenário financeiro do Brasil. Além da venda de ativos, a CSN está internalizando o caixa de subsidiárias no exterior, aproveitando a alta do dólar. A companhia terminou junho com caixa de R$ 11,1 bilhões, queda de 7% ante o ano anterior. Brasil 247 Mineradora é multada em R$ 6 milhões por crime ambiental A Zamin Amapá Mineração foi multada em R$ 6 milhões de reais por crime ambiental, após constatação de que um desabamento ocorrido no porto privado da empresa, localizado em Santana, na Região Metropolitana de Macapá, foi de responsabilidade da empresa. O acidente despejou toneladas de minério de ferro no Rio Matapi. De acordo com a Agência Amapá de Notícias, foi constatado que a mineradora desembarcava e armazenava minério de ferro no local sem autorização dos órgãos ambientais. A estocagem inadequada teria sido a causadora do desmoronamento. O Instituto de Meio Ambiente e de Ordenamento Territorial do Estado do Amapá (Imap), que aplicou a multa, constatou a alteração na qualidade da água superficial, o que confirmou o crime ambiental. 8 Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho . Agosto de 2015

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Vale negocia mina de carvão A Vale vendeu sua segunda mina de carvão desativada na Austrália. É a segunda transação do tipo em pouco mais de um ano. Os compradores foram a Glencore e Bloomfield Group. O valor da transação não foi divulgado. Em julho de 2014, a mineradora brasileira repassou uma unidade para um operador local. Na ocasião, milhares de trabalhadores perderam os empregos e foram computados milhões de dólares de prejuízo. Segundo a empresa, as vendas são estratégias para deter ativos capazes de produzir grandes volumes a custos competitivos. A mina vendida agora, chamada Integra, estava em manutenção desde julho de 2014. A mineradora declarou que a desaceleração do mercado e os baixos preços do carvão tornavam inviável a operação. O valor do carvão mineral era de US$ 300 por tonelada em 2011, mas caiu para US$ 85, reflexo da oferta global e da desaceleração da produção de aço na China, principal destino do carvão australiano. Eleri Smith Impasses I Passados mais de dois anos, o projeto de lei sobre o Novo Marco da Mineração continua patinando na Câmara. A previsão de votação do parecer do relator, Leonardo Quintão (PMDB-MG), é para os dias 22 e 23 de setembro. Mas, para que a apreciação ocorra, pontos polêmicos precisam ser superados. Quintão apresentou o relatório em abril de 2014, quando não houve consenso para a votação, e novamente tentou aprovar a matéria no mês passado. O relatório preliminar apresentado em 26 de agosto de 2015 trouxe algumas alterações em relação ao texto anterior. Uma delas é a tabela de alíquotas da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem) específica para o minério de ferro, sob o pretexto de que a aprovação vai garantir investimentos. No entanto, alguns parlamentares querem mais debate, caso do deputado Padre João (PT-MG), que teme que as questões ambientais sejam negligenciadas. Sarney Filho (PV-MA) criticou os artigos que colocam a mineração acima dos interesses das unidades de conservação ambiental e de terras indígenas e quilombolas. Ao que parece, ainda há muita polêmica pela frente. Impasses II A Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais (Amig) anunciou que não vai aceitar a proposta apresentada pela Comissão Especial do Marco Regulatório da Mineração que trata da variação da alíquota da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem), que poderá ir de 1% a 4%, dependendo do valor de mercado do produto. A Amig defende a alíquota fixa de 4% do valor bruto para compensar as perdas dos municípios, como impactos ambientais, diante da atividade mineradora. De acordo com um levantamento realizado pela associação, se a alíquota de 1% for aprovada, os valores da arrecadação terão uma queda de 37%. Como exemplo, a Amig cita Mariana, a maior cidade arrecadadora dentre os associados, que terá uma queda de 48%, valor equivalente a R$ 10 milhões. Mesma porcentagem também vai afetar a cidade de Congonhas, com perda de cerca de R$ 9 milhões. Segundo o presidente da associação, José de Freitas Cordeiro (PSDB), prefeito de Congonhas, a alíquota cobrada no país é de 2% e já está entre as mais baixas do mundo. Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho . Agosto de 2015 9

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entrevista Daniel Mansur Ricardo Vescovi Sustentabilidade, na Samarco, é uma prática de gestão O diretor-presidente Ricardo Vescovi levou a 10ª maior mineradora do país a ser reconhecida como uma das mais sustentáveis do setor Thobias Almeida e Márcio Antunes 10 Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho . Agosto de 2015

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Na matéria de capa desta edição de Mineração & Sustentabilidade, que apresenta o estudo “Mineração do Futuro 2030”, publicado pela Fundação Dom Cabral (FDC), a Samarco é apontada como uma das melhores do país no quesito sustentabilidade. Fundada em 1977, a Samarco é a 10ª maior empresa de mineração do Brasil e é controlada pela BHP Billiton e pela Vale, cada uma com 50% de participação. Desde 2012, a companhia é presidida por Ricardo Vescovi Aragão, funcionário de carreira da empresa, onde ingressou em 1993 como engenheiro de processo nas operações da Unidade de Ponta Ubu. Até alcançar o comando da Samarco, Aragão passou por cargos executivos nas áreas de Pelotização, Produção e Marketing. Em 2006 assumiu como diretor de Opera- ções e Sustentabilidade, onde permaneceu até ocupar a cadeira da presidência. Em pouco tempo, foi reconhecido como um executivo eficiente, levando a Samarco a ser eleita, em 2013, como a melhor mineradora do país, com rentabilidade superior a 50%. Dois anos depois, os tempos são outros, pontuados por grandes desafios. No entanto, no caso da mineradora, ninguém melhor que o santo de casa para guiar a empresa pelo percurso tortuoso de grande volatilidade de preços, o que tem afetado toda a indústria mineral. Executivo atento às questões da sustentabilidade, Ricardo Vescovi de Aragão afirma que o tema na Samarco é uma prática de gestão. “Essa compreensão vai nos permitir guiar as organizações por uma trajetória que ultrapasse o ganho financeiro imediato e vá ao encontro dos objetivos da sociedade”, afirma. Vescovi lista evoluções das operações da Samarco como redução de emissão de gases do efeito estufa, alto índice de reúso da água, consumo racional de energia e apoio a pactos empresariais que mirem a responsabilidade socioambiental. Em entrevista exclusiva à Mineração & Sustentabilidade, o diretor-presidente da Samarco se mostra otimista com o futuro do mercado, elenca as vantagens e inovações das mineradoras brasileiras e defende o respeito aos contratos e a segurança jurídica na discussão do Novo Marco da Mineração, dentre outros temas. reto, pósral de Ouro P e d Fe e ad id ers nais pela ica pela Univ es internacio õ rg lú aç iz ta e al M ci e ia sp e har (EUA). o em Engen o Santo, com ral do Espírit hip - Harvard os, é graduad e rs d e an Fe 5 ad 4 e , Le ad c ão id ti g rs ovi de Ara íça) e Authen o pela Unive Ricardo Vesc nça), IMD (Su ia de Produçã ra ar (F h n ad e g se In En o m n -graduado e llogg (EUA), Cabral na Ke m o D ão aç d Fun sua inauguração, toda a empresa esteve empenhada em levar as novas plantas à posta: planejamento e execução. Plane- produção em plena carga. Já havia merjamos o nosso crescimento com exce- cado para todo o adicional de produção, Mineração & Sustentabilidade Em 2014, lência e garantimos uma execução com mesmo com um preço de vendas menor a Samarco produziu 25 milhões de to- alta eficiência, ou seja, de forma precisa. que nos anos anteriores. Outro ponto neladas de pelotas de minério de fer- Reconhecimentos como esse são resul- que avalio como primordial para recoro, um aumento de 15,4% em relação tados de um processo construtivo mais nhecimentos dessa natureza é o diálogo a 2013. Qual a expectativa para 2015? amplo. Ao longo dos quase 40 anos de com a sociedade para a construção das operação, a Samarco passou por diver- soluções. Traduzindo essa relação para o Ricardo Vescovi Em abril de 2014, a Sa- sos marcos e desafios. E tudo isso fez com negócio da Samarco, destaco o diálogo marco inaugurou o Projeto Quarta Pelo- que a empresa acumulasse aprendiza- e a construção de relações de confiança tização (P4P), que ampliou a capacidade dos e uma excepcional mobilização para com os habilitadores para a manutenção instalada da empresa para 30,5 milhões resultados que nos mantém motivados da licença social que nos garante operar. de toneladas por ano. O ano de 2015 se- para superar dificuldades. Daí, mais uma É por isso que nos dedicamos a rotinas rá o primeiro em que poderemos operar vez, a importância de saber equilibrar de trabalho e à construção conjunta com todos os meses em ritmo de 30,5 mi- um bom planejamento com alta capaci- nossos públicos de relacionamento. A lhões (com as quatro usinas de pelotiza- dade de execução, independentemen- confiança é, inclusive, a essência do conção). É esse o nosso desejo, apesar de, no te do cenário. Essa combinação nos man- ceito de sustentabilidade com que busmomento, não ser possível afirmar que tém fortes, competitivos, ao mesmo tem- camos trabalhar na organização. produziremos toda a nossa capacidade. po que dá agilidade para responder aos movimentos do mercado. O ano de 2014, M&S Qual o papel que o tema “susM&S Pela terceira vez consecutiva, a em especial, foi marcante na história da tentabilidade” tem nas tomadas de mineradora ocupou o primeiro lugar Samarco. Inauguramos o P4P, que elevou decisão da empresa? entre as empresas do setor no anuário nossa capacidade produtiva em 37% Melhores e Maiores da revista Exame. e recebeu investimentos de cerca de R$ RV A sustentabilidade, na Samarco, é A que o senhor atribui esse resultado? 6,4 bilhões. Naquele momento, o P4P era uma prática de gestão. A empresa está um dos maiores projetos privados em comprometida com a transformação poRV Em duas palavras, resumiria essa res- curso no Brasil. Nos meses seguintes à sitiva dos territórios de sua área de atuRevista Mineração & Sustentabilidade | Julho . Agosto de 2015 11

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ação, posicionando-se como um agente de desenvolvimento local. A Samarco também preza pelo cuidado ambiental desde o início de suas operações, ainda na década de 70, e trabalha para reduzir o impacto das suas atividades e fazer o melhor aproveitamento dos recursos naturais. Ao longo dos anos, a visão ambiental da empresa vem evoluindo e agregando práticas e aprendizados, ultrapassando as exigências legais. Uma frente estratégica para a Samarco é a inovação, que envolve não apenas pesquisas e estudos focados no produto final, mas a geração de oportunidades de negócio e melhorias nos processos produtivos. Há três anos lidamos com um portfólio de aproximadamente 50 iniciativas agrupadas em seis eixos temáticos. Muitos desses estudos e projetos visam preparar a empresa para um modelo de negócio mais sustentável. Um exemplo já em prática é o aproveitamento do subproduto arenoso que sobra do processo de concentração do minério de ferro, até então apenas disposto em barragens, em blocos para calçamento de vias. O material já passou por todas as etapas de pesquisa e testes e vem sendo usado em obras dentro da Samarco e em outras apoiadas pela empresa nas comunidades próximas às suas operações. M&S Como convencer executivos, investidores e colaboradores de que a obrigatoriedade de ser sustentável é um caminho sem volta? RV Passamos por um novo momento no aspecto social. Hoje, felizmente, vemos as pessoas mais conscientes de seu papel na comunidade e de sua posição de coautores do trabalho de governos e empresas. Este cenário trouxe novas formas de enxergar a sociedade e de se relacionar com as companhias, o que estimulou um reposicionamento gradual do setor empresarial. Desejamos que nosso negócio perdure para as próximas gerações. Para isso, é necessário que tenhamos, desde agora, a percepção do impacto, tanto positivo quanto negativo, que ele tem e terá sob os aspectos econômico, social e ambiental, para além da empresa. Essa compreensão vai nos permitir guiar as organizações por uma trajetória que ultrapasse o ganho financeiro 12 Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho . Agosto de 2015 imediato e vá ao encontro dos objetivos da sociedade. É o chamado caminho da geração de valor compartilhado, capaz de conectar e beneficiar indivíduos, empresas, comunidades e todo um país. Na Samarco, incentivamos a busca de soluções sustentáveis em nossa rotina de trabalho. São ideias simples com potencial de gerar inovações. Fazemos isso por acreditar que o pensamento sustentável deve ser entendido como indutor da inovação e da renovação dos negócios. M&S O Brasil sabe aproveitar as riquezas minerais que guarda no subsolo? Como a Samarco tem potencializado a extração dessas riquezas? RV O Brasil é um dos principais players no mercado mundial de mineração. Isso, por si só, já é um forte indicativo de que o país consegue aproveitar as riquezas presentes em seu território. Temos muitas empresas brasileiras reconhecidas como referência no mercado, o que também colabora com a competência brasileira neste setor. A Samarco, por exemplo, é a segunda maior fornecedora de pelotas de minério de ferro no mercado transoceânico. A Samarco nasceu como um projeto, com expectativa de aproximadamente 15 anos de duração. Investimos muito em tecnologia e esses 15 anos já se tornaram quase 40 anos de operação. A nossa estimativa é para mais 50 anos. Penso que a própria história da Samarco seja um indicativo dessa competência. Viabilizamos um novo negócio, ao sermos pioneiros em beneficiar minério de baixo teor, construirmos o maior mineroduto do mundo, na época, e colocarmos no mercado um produto de alto valor agregado e de excelente desempenho. E continuamos avançando em tecnologia e inovação para oferecermos ao mercado siderúrgico produtos que apresentem excelente desempenho, gerando maior produtividade e ganho ambiental. M&S Os custos com o uso de insumos, sobretudo água e energia, tendem a aumentar ainda mais nos próximos anos. Como a Samarco enfrenta esse desafio? RV Estamos investindo em tecnologias e rotas de processo alternativas que possam reduzir a dependência de água e de energia no beneficiamento de nosso minério. Nossa estratégia de gerenciamento da água é norteada pelo Plano Diretor de Recursos Hídricos (PDRHid), revisado em 2013, com foco na redução de água nova e em um processo produtivo mais eficiente. Estamos estudando ações que vão estabelecer as diretrizes da Samarco em caso de racionamento. Essa iniciativa será finalizada em 2015 e prevê ações específicas para curto, médio e longo prazos. São três eixos importantes, como assegurar que a água devolvida aos corpos hídricos esteja com qualidade adequada; diminuir a necessidade de captação de água nova; e ampliar o reúso e a recirculação. Esses são desafios que vamos perseguir para atingir a excelência e contribuir para o uso racional e sustentável da água nos estados em que operamos. As plantas industriais da Samarco são dotadas de estações de tratamento e recirculação da água, o que permite um reaproveitamento de aproximadamente 90% do recurso. Também pesquisamos fontes energéticas alternativas. Em 2010, por exemplo, a empresa adaptou os seus fornos de pelotização, localizados no Espírito Santo, para o uso do gás natural em substituição ao óleo combustível, reduzindo a emissão de Gases do Efeito Estufa (GEE) em torno de 14,5%. Estudamos também alternativas, como energia eólica, solar e de biomassa, para o suprimento futuro das operações. É importante lembrar que a Samarco tem duas usinas hidrelétricas: Muniz Freire, no Espírito Santo, e participação no consórcio da Usina Hidrelétrica de Guilman-Amorim, em Minas Gerais. Portanto, a Samarco é geradora de energia. Isso torna a empresa menos suscetível às derivações do setor energético. M&S Como o impasse na apreciação e aprovação do Novo Marco Regulatório da Mineração é visto pelo setor minerário? Como planejar o futuro sem regras definidas? RV A Samarco acompanha com atenção as discussões no Congresso do Novo Marco Regulatório do setor mineral. A nossa avaliação é que o Novo Marco deve respeitar os direitos adquiridos para garantir os contratos em vigor e, principalmente,

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Entrevista com Ricardo Vescovi dar segurança jurídica ao setor, evitando uma “guerra judicial” e preservando a atratividade da mineração brasileira. Somos um setor que atua no mercado internacional, tendo como concorrentes grandes players da Austrália e do Canadá, por exemplo. Para conquistarmos mercados e garantirmos os investimentos necessários, é preciso manter o Brasil como um país atrativo à mineração e que permita que as empresas instaladas no país sejam competitivas e possam disputar o mercado em pé de igualdade com os grandes players do mercado. M&S A Samarco participa de fóruns em que é signatária de compromissos socioambientais em nível mundial. Como esse comprometimento se concretiza no dia a dia e no planejamento da empresa? RV Certamente esses compromissos estão presentes no nosso dia a dia. Recentemente, por exemplo, renovamos a nossa adesão à Carta Aberta ao Brasil sobre Mudança de Clima. O documento, elaborado pelas empresas que fazem parte do Fórum Clima, do Instituto Ethos, tem como objetivo renovar e ampliar os compromissos assumidos na Carta Aberta de 2009, que também assinamos. São nove compromissos assumidos, dentre eles, a redução na emissão de GEE, o uso de energia renovável e o aumento da eficiência energética. A Samarco conta com exemplos de ações práticas que trouxeram resultados efetivos na redução da emissão de gases de efeito estufa. Um deles é a troca do combustível usado nos fornos de pelotização. A empresa trocou o óleo BPF por gás natural e conseguiu reduzir em 14,5% sua emissão de GEEs. Outro exemplo é a carboneutralização da emissão relativa às obras da Quarta Pelotização. Isso significa que o balanço sobre a emissão de gases de efeito estufa, durante a fase de construção da expansão, foi totalmente compensado. M&S Qual a sua leitura sobre o atual momento da mineração, tanto no Brasil quanto no exterior? RV Acredito que o tema mais relevante do cenário de 2015 e que deve se manter nos próximos anos, conforme temos acompanhado em análises de mercado, seja a volatilidade dos preços. Vivemos esse contexto mesmo antes de 2015 e acredito que essa venha a ser a tônica do mercado daqui para frente. As empresas devem se preparar e manter o planejamento ajustado para um cenário mais volátil. A Samarco atua em um nicho de mercado: o de pelotas. Temos, em nosso favor, um produto de alto valor agregado, maior produtividade e de melhor desempenho ambiental. A cada dia, essa condição chama mais a atenção do mercado siderúrgico mundial. Porém, o contexto não deixa a Samarco imune aos movimentos dos preços e às flutuações do mercado. Ainda assim, continuo otimista. Nossos fundamentos se mantêm firmes. A Samarco tem um histórico de relacionamento de longo prazo com seus clientes. Já passamos juntos por momentos de crise e momentos de alta do mercado. O importante é privilegiar as relações duradouras, que fortalecem o bom negócio para ambos os lados. M&S Especialistas afirmam que as mineradoras devem buscar um realinhamento, um novo equilíbrio, pois os altos preços das commodities não voltarão. O senhor concorda? RV Há cinco anos, nosso mercado já vem passando por intensa volatilidade e acredito que a tônica daqui para frente seja essa. Cabe às empresas se preparar para lidar com um nível maior de incerteza, além dos movimentos de altas e baixas. Para isso, a prática diária da gestão, o controle rigoroso de custos e o planejamento cuidadoso seguido de uma execução precisa são as bases para a construção de resultados positivos nesse novo cenário. M&S Quais as principais vantagens e desvantagens que uma mineradora tem ao operar no Brasil? A mineração brasileira é inovadora? RV O Brasil é referência internacional em mineração. Temos profissionais competentes, centros de formação de alto nível e uma grande quantidade e qualidade de conhecimento sobre esse assunto. Há, também, o desenvolvimento de tecnologia local que nos permite avançar na qualidade dos nossos processos e superar os desafios dos próprios materiais. No caso da Samarco, iniciamos nossa história processando minério com um teor de ferro na casa de 51%, considerado baixo para a época. Hoje beneficiamos minério com cerca de 40% de ferro, e a tendência é encontrar um material mais duro e pobre à medida que aprofundamos as lavras. E posso dizer que estamos preparados para isso, por meio de um investimento constante em pesquisa e em soluções de excelência operacional. Em resumo, do ponto de vista técnico, o Brasil está na vanguarda do mercado. Porém, é preciso que o setor tenha segurança institucional e jurídica para continuar investindo e crescendo, além de investimentos em educação e infraestrutura que impulsionem o desenvolvimento da cadeia da mineração e do país como um todo. Para um setor que trabalha com o longo prazo, a segurança é fundamental. M&S Há um ditado que diz: “em momentos de crise, muitos choram e alguns vendem lenços” . Há oportunidades abertas para a mineração ou o momento é de espera? Na Samarco, trabalhamos com a observação de riscos e a projeção de cenários para lidar com as variações naturais do nosso segmento. Por meio das áreas comercial, de inteligência de negócios, de estratégia e de gestão de riscos, atualizamos nossa abordagem e definimos focos de atuação para adaptar a empresa às novas dinâmicas de mercado e garantir sua competitividade, preservando a margem líquida e os resultados de negócio. E, para superarmos um momento difícil, é fundamental fortalecermos uma gestão baseada em valores. As tomadas de decisão devem ser coerentes com os valores e as práticas da empresa. Faz parte da nossa cultura trabalharmos com simplicidade durante todo o tempo. Essa característica nos deixa preparados para momentos difíceis, como os de agora. Também acredito que, se mantivermos o foco na inovação, o investimento em educação e a retenção dos conhecimentos críticos, possamos sair mais fortalecidos. Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho . Agosto de 2015 13

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eventos Exposibram 2015 Mineração se reúne pela inovação e sustentabilidade Em um ano de desafios econômicos, Exposibram guarda importância por incentivar novos negócios e debater os desafios do setor Joyce Afonso Entre os dias 14 e 17 de setembro, Belo Horizonte (MG) será palco da Exposibram 2015 - Exposição Internacional de Mineração e o 16º Congresso Brasileiro de Mineração, que coloca os novos paradigmas e desafios do setor em pauta. O evento aponta tendências, apresenta novas tecnologias e se coloca como ambiente para 14 Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho . Agosto de 2015 a realização de negócios e troca de experiências. O maior encontro da mineração na América Latina é organizado pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). De acordo com estimativas da organização, 60 mil pessoas devem visitar, em quatro dias, os 15 mil metros quadrados do centro de exposições Expominas dedicados à Exposibram. “A apresentação de tantas novidades, assim como a troca de experiências e de conhecimento, reforçam o papel da Exposibram como fomentadora da inovação para o setor”, detalha o diretor-presidente do Ibram, José Fernando Coura.

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Exposibram 2015 em Números Estimativas do Ibram José Fernando Coura, diretor-presidente do Ibram Divulgação/IBRAM investidores internacionais. Segundo o Ibram, em 2015, ano de desafios para toda a economia brasileira, há uma grande expectativa quanto ao potencial mercadológico da Exposibram. “Esperamos que sejam realizados muitos negócios durante o evento. Neste momento de crise, todo mundo quer estar visível, mostrar seu produto e fazer contatos. Eventos como esse são o melhor lugar para novas oportunidades”, destaca Rinaldo Mancin, diretor de Assuntos Ambientais do Ibram. Presença Internacional A cada ano, a Exposibram recebe mais expositores internacionais. Na edição 2015 haverá pavilhões da África do Sul, do Canadá, da Alemanha, da Austrália, da China e dos Estados Unidos. A expectativa é de que participem do evento congressistas de 20 países. Maior fornecedora mundial de explosivos comerciais e sistemas de detonação, a empresa australiana Orica, que tem um escritório administrativo em 60 mil visitantes 520 estandes 15 mil m² de espaço 500 expositores 1,3 mil congressistas 7 mil pessoas cadastradas para trabalhar nos estandes Evandro Fiuza Coura acrescenta que os visitantes têm a oportunidade de participar de diversos debates realizados durante o Congresso que tratam dos principais assuntos ligados à área mineral. “Há ainda a possibilidade de fechar negócios e conhecer as principais novidades relacionadas à tecnologia da mineração”, completa. Oportunidades A feira possibilita a diversas empresas com negócios no setor minerário mostrarem o que há de mais inovador dentro de suas expertises, bem como tornar o Brasil mais atraente aos olhos dos 1,5 mil pessoas atuando diariamente nos bastidores 16 dias de trabalho, do início da montagem à desmontagem Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho . Agosto de 2015 15

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