Revista Comando Rock 111

 

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Revista com entrevistas, resenhas e muito mais sobre rock e heavy metal

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Editor Marcos Filippi Repórteres Antonio Rodrigues Junior Paula Fabri Renan Marchesini Traduções Paula Higa Jornalista Responsável Marcos Filippi (MTB 24.477) Correspondentes Londres Denis Augusto Fabrício Tramontin Miguel Freitas Barcelona Mauricio Melo Colaboradores Alexandre Macia André Fiori Adriano Coelho Bruno Juliano Fernando Guilherme Ferreira Heverton dos Santos Márcia Helena Naldinni Marcio Carlos da Silva Marcos Franke Roberto Nartes Sandro Walterio Fotógrafos Aline Messias Flávio Hopp Vivi Carvalho Wanderley Perna Editor de Arte Wanderley Perna www.wanderleyperna.com.br Publicidade E Anúncio comandorock@comandorock.net Tel.: 11 5093-9490 Assinatura comandorock@terra.com.br Impressão e Acabamento Print Express _______________________________ Comando Rock – A Revista + Rock do Brasil é uma publicação mensal da Editora 9 de Julho Ltda. Todos os artigos aqui publicados são de responsabilidade dos autores, não representando necessariamente a opinião da revista. Proibida a cópia ou reprodução (parcial ou integral) das matérias, transcrições e fotos aqui publicados. Ninguém está autorizado a vender assinaturas da revista, a não ser diretamente com nosso Departamento Administrativo, respondendo à mala direta da editora ou acessando diretamente nosso site. Redação e Correspondência: Rua Arizona, 729 – Brooklin – São Paulo/SP – CEP: 04567-002. Tel.: 11 3895-2029 Curtas do Rock .....................................4 Dave Evans ...........................................8 In Soulitary ...........................................10 Artillery ................................................12 Bruce Kulick ..........................................14 Project46......................................16 Moonspeel ...................................20 Exxotica ................................................24 Independentes...Por Enquanto ............25 Guia de Lançamentos CDs ...................28 Estivemos Lá ........................................34 E-mail: comandorock@comandorock.net Site: www.comandorock.net Fotos da Capa Moponspell (Paulo Moreira-Naked) Project46 (Igor Lavrador) REFUGIADOS: COMO AJUDAR? Olá roqueiros. O mundo enfrenta a pior crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial, segundo organizações como a Anistia Internacional e a Comissão Europeia. Desde janeiro deste ano, mais de 350 mil imigrantes atravessaram o Mediterrâneo. Desse total, estima-se que quase três mil tenham morrido no mar enquanto tentavam chegar à Europa, de acordo com a OIM (Organização Internacional para as Migrações). O número supera com folga o total do ano passado, quando 219 mil migrantes tentaram realizar a travessia, normalmente feita em botes ou em embarcações superlotadas, sem os mínimos requisitos de segurança, por traficantes de pessoas. A viagem pode custar mais de R$ 10 mil por pessoa, tornando o negócio altamente lucrativo uma única embarcação pode render R$ 1 milhão. Boa parte destes refugiados sai de países da África e Oriente Médio (principalmente da Síria), onde há guerras e conflitos ou então fogem da pobreza extrema ou de perseguições políticas ou religiosas. Estas pessoas optam em arriscar a vida em travessias pelo mar, sem qualquer tipo de segurança, ou então caminham por milhares de quilômetros através do deserto. Mulheres, crianças, idosos... Todos partem de seus devastados países em busca de uma vida melhor. Porém, poucos conseguem de fato o visto para permanecerem legalmente na Europa. O Brasil, que enfrenta uma crise financeira terrível e está a milhares de quilômetros do Oriente Médio, vem concedendo refúgio a mais sírios do que os principais portos de destino de refugiados na Europa. Segundo dados do Conare (Comitê Nacional para os Refugiados), 2.077 sírios receberam status de refugiados do governo brasileiro de 2011 até agosto deste ano. Trata-se da nacionalidade com mais refugiados reconhecidos no Brasil, à frente da angolana e da congolesa. O número é superior ao dos Estados Unidos (1.243) e ao de países no sul da Europa que recebem grandes quantidades de imigrantes ilegais não apenas sírios, mas também de todo o Oriente Médio e da África que atravessaram o Mediterrâneo em busca de refúgio, como Grécia (1.275), Espanha (1.335), Itália (1.005) e Portugal (15). Os dados da Eurostat, a agência de estatísticas da União Européia, referem-se ao total de sírios que receberam asilo e não aos que solicitaram refúgio. O Brasil também é o País que mais concedeu asilo a refugiados sírios na América Latina. No continente americano, só perde para o Canadá que recebeu 2.374 refugiados entre janeiro do ano passado e janeiro deste ano. Na outra ponta, contudo, o Brasil recebeu menos do que Alemanha (65.075), Suécia (39.325), Noruega (2.995), Bélgica (5.430), França (4.975) e Reino Unido (4.035), segundo dados da Eurostat. Mesmo assim, o número de refugiados aceitos legalmente em todo o mundo é muito pequeno em relação a imensa quantidade de pessoas que deixam seus países de origem – acredita-se que mais de 60 milhões tiveram de abandonar seus lares (algo equivalente a população da Itália), ou seja, um em cada 122 seres humanos encontra-se nesta situação. Estima-se que mais de cinco milhões partiram somente da Síria para países de todo o mundo devido à guerra (que, desde quando começou o conflito, em 2011, já matou mais de 240 mil pessoas, sendo 12 mil crianças) e a perseguição do grupo terrorista Estado Islâmico. Muitas destas pessoas atravessaram a pé o deserto até chegarem a fronteira com Jordânia (515 mil pessoas), Turquia (460 mil), Líbano (716 mil), Iraque (168 mil), Egito (110 mil). As doenças, o cansaço, a falta de água e de comida vitimaram milhares destes refugiados até que conseguissem chegar aos países vizinhos, onde ficam instalados em enormes campos (alguns com mais de cem mil pessoas) com pouca estrutura, sem energia elétrica e com água e comida racionados. As Nações Unidas pediram uma ajuda de US$ 5,5 bilhões para socorrem os refugiados instalados nos abrigos de cinco países do Oriente Médio. Menos de um quarto deste valor foi arrecadado. Com isso, milhões de pessoas deixaram de receber ajuda humanitária e, principalmente, alimentos nos últimos meses. Uma crise como esta está longe de acabar ou de, pelo menos, ser amenizada. Mas, o que nós aqui no Brasil podemos fazer para pelo menos ajudar a estes seres humanos? Há algumas instituições que trabalham nesta área e precisam de doações. A Acnur (a agência da ONU para refugiados) fornece abrigo, água potável, saneamento e assistência médica vital a milhares de pessoas pelo mundo. Para ajudar, acesse http://donate.unhcr.org/pt/. Médicos Sem Fronteiras. Esta organização humanitária trabalha internacionalmente para oferecer a refugiados e às pessoas que se deslocam internamente em seus países de assistência psicológica a tratamento nutricional. A entidade estrutura hospitais em campos de refugiados e ajuda mulheres a darem à luz com segurança, além de vacinar crianças para prevenir epidemias e dar acesso a água potável. Acesse http://www.msf.org.br/o-que-fazemos/atuacao/ refugiados-e-deslocados-internos. Save the Children. A organização de origem britânica está atuando para ajudar crianças na Síria, auxiliando-as a ter acesso a alimentos, saúde, educação. Acesse (página em inglês): http://www.savethechildren.org/site/ c.8rKLIXMGIpI4E/b.8721487/ Cruz Vermelha. Esta tradicional entidade humanitária ajuda pessoas encurraladas pela violência em zonas de conflito como a Síria, Líbia e Somália. Acesse: https://www.icrc.org/pt/guerra-e-o-direito/pessoas-protegidas/refugiados-e-deslocados Uma boa leitura e até a próxima edição. Marcos Filippi COMANDO ROCK - 3

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O canal Impact conduziu uma entrevista com o guitarrista do Sepultura, Andreas Kisser, antes do show da banda em Dublin, na Irlanda. Falando sobre a recém-lançada “Under My Skin”, que celebra o 30º aniversário da banda, Andreas disse: “Essa música não é parte de nenhum álbum. É algo bem específico para esse ano, uma celebração de 30 anos da história do Sepultura. E é um presente aos nossos fãs que têm tatuagens do grupo. É uma forma de mostrar grande respeito à banda, à música e eu acho que é o mínimo que poderíamos fazer”. Kisser também falou sobre a produção do sucessor de The Mediator Between Head And Hands Must Be The Heart, de 2013: “O novo álbum nós vamos começar a trabalhar nele agora. Claro, eu tenho muitos riffs aqui e ali. Eloy tem algumas ideias, mas realmente precisamos começar a nos organizar e ficar prontos para os ensaios e desenvolver propriamente as músicas. Vamos dar tempo ao tempo, provavelmente para um lançamento no final do ano que vem” O radialista norte-americano Mancow Miller, conhecido no meio fonográfico dos EUA (em especial o de hard rock e heavy metal) abordou em seu programa matinal na rádio 97.9 The Loop, de Chicago, o tema “reunião do Guns N’ Roses”. Ainda que ninguém chegue a um consenso sobre o que significaria reunião ou formação original nesse caso, a mítica toda de uma reconciliação entre Axl Rose e o guitarrista Slash é o que tem movimentado os rumores nos últimos dias, ainda que tudo seja total especulação até agora. Mas uma especulação com indícios que ficam cada vez mais fortes. Miller e seu irmão apresentam o programa The Mancow Show há mais de dez anos, o que lhes dá certa credibilidade. Ainda assim, nada garante que todos os envolvidos estejam sendo vítimas dos mesmos boatos que chegam até nós. Repassando tudo que foi surgindo de modo fragmentado na mídia até agora (o biógrafo Marc Canter afirmando que Axl e Slash estão em bons termos de novo, a demissão de DJ Ashba e Ron Thal, Richard Fortus antevendo que 2016 será um ‘grande ano’ para o grupo...) Miller acrescentou que a empresa que promoveria a empreitada (a Clear Channel) pagaria US$ 500 milhões (algo em torno de R$ 2 bilhões) por cem shows de uma formação da marca Guns N’ Roses que incluísse, além de Axl e Slash, pelo menos Duff McKagan Em uma entrevista com o Morning Sun Music, Gary Graff perguntou ao frontman do AC/DC, Brian Johnson, sobre os rumores de que Rock Or Bust e a atual turnê sejam o último suspiro da banda, mas Johnson prefere esperar para ver o que o futuro reserva. “Você sabe, a aposentadoria é como qualquer outra coisa”, explicou. “Um bom jogador de futebol, um bom jogador de hóquei... Eles não querem se aposentar, mas infelizmente há um momento em que você tem que parar. Então é uma coisa presente para nós. Nunca dizemos não e nunca vamos dizer nun4 - COMANDO ROCK 4 - COMANDO ROCK Em entrevista ao Birmingham Mail, Tony Iommi falou sobre a nova turnê do Black Sabbath, anunciada como sendo a última da banda. Ele explica o motivo: “Não posso mais fazer isto, meu corpo não aguentará muito tempo. Não quero que o câncer retorne e toda a logística envolvendo as turnês do Sabbath causam um grande desgaste, por isto faremos a última turnê para nos despedir. E será definitivamente o fim, não faremos isto novamente. Estamos fazendo isto há 50 anos e é hora de chegar ao fim da linha, não acha? Tem sido fantástico, mas é hora de parar. Não me entenda mal, adoro excursionar, mas o problema é o desgaste da viagem, que causa um impacto muito grande sobre mim. Sim, pegamos os melhores voos, ficamos nos melhores hotéis, andamos nas melhores limousines, mas ainda assim há um desgaste físico. E eu tenho que fazer exames a cada seis meses. Você pega um longo voo, aterrissa em algum lugar às cinco da manhã e vai para o hotel. Mais tarde tem a passagem de som, os eventos promocionais, o show em si e depois você volta para o hotel para desabar na cama. E no dia seguinte começa tudo de novo. Adoro estar no palco, tocando com o Sabbath. O que eu detesto é todo o resto necessário para que isto aconteça. E nenhum de nós está ficando mais jovem, você sabe”. De acordo com o guitarrista, a turnê deve durar cerca de um ano, incluindo algumas pausas. “Talvez um pouco mais. Será uma mega produção e montaremos um setlist que abrangerá toda a nossa carreira desde o início em Birmingham. Todas as favoritas dos fãs estarão lá e pretendemos incluir algumas canções que raramente tocamos ao vivo”. Sobre o possível retorno de Bill Ward, Iommi diz: “Depende de Bill. Nos encontramos com ele há seis semanas e foi fantástico, mas a decisão é dele. Nossos planos são excursionar com Ozzy, Geezer, eu e o baterista de Ozzy, Tommy Clufetos, que fez um excelente trabalho na última turnê. Ele faz coisas na bateria que me deixam maravilhado. Seus solos foram além da imaginação”. E falando sobre um possível novo álbum, que seria o sucessor de 13, Iommi disse: “Tenho estado ocupado compondo material desde as sessões do 13. Naquela época achávamos que deveria haver um novo álbum do Sabbath. Mas, hoje em dia, as coisas estão no ar então ainda não sei se vai rolar. Porém, as músicas estão prontas” ca. A coisa com os caras do AC/DC é que você tem que se lembrar que estamos constantemente surpresos com o quanto conseguimos manter o sucesso indo em frente. Nós não sabemos o que estamos fazendo. Não sabemos o que estamos fazendo a não ser tocar 100% todas as noites e dar tudo que temos. Se esse é o segredo do sucesso, vamos passar em frente” Em entrevista ao site The Skinny, o vocalista Tom Araya resolveu colocar os pingos nos is sobre a saída do baterista Dave Lombardo do Slayer – pelo menos sob o ponto de vista da banda. Tudo começou quando Lombardo retornou à banda após a saída de Paul Bostaph. Dave disse: “Ficarei por uma ou duas turnês”. Araya afirma: “E, no meio deste processo, oferecemos um contrato para ele, pois é assim que se faz, se certifica que todos estão bem cuidados, felizes. Chegamos a um acordo simples que durou bastante. Então, estávamos no meio do processo de tentar tornar a coisa melhor para Dave, pois após muitos anos tocando conosco concluímos que era hora de rever aquilo”. Tom afirma que eles chegaram a um consenso que envolveria um contrato de três anos e daria ao baterista o que ele queria, mas Lombardo se recusou a assinar. “Tínhamos algumas obrigações a cumprir e, quando se assume um compromisso, é preciso fazer algo. Seguimos em frente e Dave ficou ofendido. Falamos novamente com ele que, se assinasse o contrato, voltaríamos atrás, mas ele tinha outros planos. Então ligamos para ele e colocamos um fim na coisa, pois ele estava começando a nos ferrar. Procuramos alguém para ocupar a vaga, fomos à Austrália e Dave entrou numa de contar histórias absurdas”. O vocalista revela ainda que, depois de Lombardo postar publicamente seus comentários sobre problemas contratuais, a banda foi bombardeada com mensagens. Uma das pessoas que os contactou foi Bostaph, o que abriu as portas para seu retorno. “Vi aquilo como um aviso. Paul era o único outro baterista para a banda. Ele havia substituído Dave antes e conquistou seu lugar por direito. Gravamos vários álbuns com ele e, na verdade, se ele não tivesse partido, ainda estaria na banda. Este era o nível de envolvimento que Bostaph mantinha conosco” Ainda sobre o icônico guitarrista, parece que as filhas de Keith Richards não vão se preocupar com caixão e enterros quando o músico passar dessa para melhor. De acordo com o tabloide Daily Mirror, o guitarrista pretende partir em estilo. Ele foi citado dizendo que quer que suas filhas, Alexandra e Theodora Richards, cheirem suas cinzas após sua morte. “Vou deixar um canudo”, disse Richards, de acordo com o jornal. Claro que é impossível não se lembrar da entrevista de Richards em 2007, quando disse ao NME que cheirou as cinzas de seu pai, após misturá-las com cocaína. “A coisa mais estranha que tentei cheirar? Meu pai. Eu cheirei meu pai. Ele foi cremado e eu não consegui resistir em misturá-lo com um pouco de pó”

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Os Rolling Stones gravarão seu primeiro álbum de estúdio em dez anos, o maior hiato em toda a história da banda – o último trabalho havia sido A Bigger Bang (2005). A informação foi confirmada por Keith Richards ao jornal britânico The Telegraph. O guitarrista disse que, em recente reunião do grupo em Londres, ao lado de Mick Jagger, Charlie Watts e Ron Wood, foram discutidos “planos definitivos”. “Estava em uma reunião com os rapazes três ou quatro dias atrás em que todo mundo disse: ‘Sim! Temos que ir ao estúdio!’”, comentou o músico de 71 anos, que lançou mês passado seu terceiro disco solo, Crosseyed Heart. A banda, que terminou uma turnê na América do Norte, fará uma tour pela América do Sul no começo do ano que vem. Richards previu que o quarteto vá ao estúdio, dar início às gravações do novo disco, após o fim da série de shows, em fevereiro do próximo ano. No entanto, o guitarrista comentou que surpresas podem acontecer ainda este ano. “Você nunca sabe, podemos entrar em estúdio ainda antes do Natal”, disse. Richards ainda falou do desejo de todos os Rolling Stones em gravar um novo disco. “Onde ou quando daremos início às gravações eu ainda não posso dizer, mas será em um futuro próximo. Finalmente, eu e os meninos queremos entrar no estúdio. Afinal, todos eles têm que querer fazer isso ao mesmo tempo. Não posso arrastá-los com uma arma. Tenho a confirmação de que eles querem e estou esperançoso”. No início deste ano, Mick Jagger havia manifestado o desejo de gravar um novo disco. “Seria muito bom, afinal tenho um monte de novas músicas que compus ao longo dos últimos anos” Mesmo após um lançamento bem sucedido do belíssimo álbum Sol Invictus, em maio deste ano, o futuro do Faith No More permanece indefinido. Em entrevista concedida ao jornal Wall Street, o baixista Billy Gould disse que o futuro do grupo será decidido após o festival Monster Energy Aftershock, em outubro. “Procuramos nos manter em uma situação confortável. Ou seja, não fazemos planos para o futuro. Não prometeremos nada que não possamos cumprir no futuro. Tudo será feito passo a passo e tudo dependerá de como essa turnê transcorrerá para nós. Em outubro vamos sentar e entrar em um consenso sobre o que é melhor para todos os envolvidos. Viveremos um dia de cada vez” O líder do Misfits, Jerry Only, revelou estar escrevendo um livro sobre sua vida. E nele haverá um trecho com um relato da noite em que o baixista do Sex Pistols, Sid Vicious, morreu. Only (que havia se tornado amigo de Vicious e sua mãe) jantou com os dois na noite em que ele fora libertado da prisão, em fevereiro de 79. Ele saíra sob fiança depois de ter sido acusado do assassinato de sua namorada, Nancy Spungen. Ele começou a usar heroína horas após sua libertação 6 - COMANDO ROCK 6 - COMANDO ROCK A trilha sonora do recente documentário sobre o frontman do Nirvana, Kurt Cobain, Montage Of Heck, recebeu uma data de lançamento. O LP ainda não intitulado está sendo chamado de “álbum solo” de Cobain e vai trazer músicas inéditas do músico. O AwardsLine reporta que ele será lançado no mesmo dia do DVD, em 6 de novembro. De acordo com a Billboard, o diretor Bret Morgen pesquisou intensivamente todos os arquivos de gravações pessoais de Cobain. Ele previamente afirmou: “Só para ser claro, não é um álbum do Nirvana. É só Kurt e você vai ouvir coisas que nunca iria esperar dele”. Sobre a trilha sonora, Morgen disse: “Você realmente tem um senso de como ele era feliz simplesmente por ser criativo. Suas letras são realmente divertidas e, às vezes, você pode sentir seu sorriso e calor através disso” e foi encontrado morto na manhã seguinte. Only diz à revista Metal Hammer: “O livro é basicamente sobre crescer na minha época, nos anos 70, e se envolver com a cena musical que estava decolando. Muitas tragédias. Estou escrevendo um capítulo sobre Sid Vicious nesse momento. Eu estava lá quando ele morreu”. Em 2013, Only disse ao jornal Miami New Times : “Sid estava injetando heroína a noite toda e teve duas overdoses enquanto eu estava lá. Uma coisa é falar sobre ir fazer karatê, começar uma banda nova e usar sua fama para algo maior. Mas é outra coisa fazer isso com uma agulha em seu braço enquanto você fica azul. Ele não se importava consigo mesmo, ou com sua mãe ou com encarar acusações de assassinato. Ele só ficava sentado ali e injetava droga. Eu disse: não vou arrastar a mim e meu irmão para essa m.... Se você só vai se matar, que se f...” Liam Gallagher, ex-vocalista do Oasis, declarou estar trabalhando em novas canções, ratificando que não ficará mais esperando por uma reunião do Oasis. Uma fonte ligada ao vocalista contou ao jornal britânico The Sun que o músico desistiu de esperar Noel Gallagher reunir o grupo. “Apesar de toda a loucura e emoção que rodeia a vida pessoal de Liam, ele sempre tratou a sua música com muita seriedade. Ele não quer ser aposentado por terceiros nem correr o risco de perder tempo esperando o seu irmão reunir o Oasis”. O Beady Eye, banda anterior de Liam, encerrou as atividades no ano passado após o lançamento de dois álbuns abaixo da média. Agora, o vocalista concentra-se em sua carreira solo. Em recente entrevista concedida ao Good Morning America, Noel Gallagher disse que não havia planos para reunião. “Essa história já está se tornando repetitiva. Não há planos para reunião. Estou cansado de responder sobre esses rumores que surgem do nada”. Nos últimos dias, uma fonte desconhecida disse ao The Sun que havia um acordo para uma reunião de despedida do Oasis. “Noel e Liam fizeram um acordo de cavalheiros para uma reunião, uma turnê de despedida. Mas, no final, Liam aborreceu Noel e ferrou com tudo”, alegou a fonte. Sobre os boatos, Liam retrucou: “Que p... é essa? Isso já está irritando. Parem de dar esperança aos fãs. No momento, não estou em condições nem de conversar com o meu irmão quanto mais tocar com ele” A informação aconteceu durante coletiva de imprensa realizada no dia 4 de setembro em Moscou, na Rússia. Ao ser perguntado se o Aerosmith pensa em encerrar atividades, Steven Tyler disse “sim” e relatou ainda que a banda fará uma turnê de despedida em 2017. Não há, por hora, nenhuma informação adicional, tampouco é possível confirmar a veracidade do que disse o vocalista, embora suas palavras tenham sido registradas em vídeo

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m 73, um dos maiores grupos de rock de toda a história estava surgindo no mundo, o AC/DC. O idealizador do conjunto, o guitarrista Malcolm Young, logo entrou em contato com alguns músicos para formar a banda. Dentre os convidados estava Dave Evans, que foi primeira voz do grupo por pouco menos de um ano, mas chegou a gravar o single “Can I Sit Next To You Girl?” (de 74). Após isso, cada um seguiu seu caminho: o AC/DC virou o que virou. Já Dave seguiu pelo underground, tocou em algumas bandas australianas e, em paralelo, deu início a seu projeto solo e chegou até a ter uma curta carreira como ator. Mas, pouco depois da virada do milênio, decidiu voltar a música e se debruçar de vez em sua carreira solo. Dessa forma trabalhou em dois discos: Sinner (2006) e Judgement Day (2008), que foram lançados no Brasil via Hellion Records. Há cinco anos sem lançar um álbum com faixas inéditas, Dave afirma que este ano deverá colocar no mercado seu terceiro trabalho. O disco será intitulado como The Revenge e é uma parceria entre ele e John Nitziner (um dos grandes guitarristas de blues e hard rock do mundo, que chegou a tocar por algum tempo com Alice Cooper). O novo CD deverá soar como uma mistura de hard rock australiano com blues texano. Com o novo álbum, Dave deverá começar uma nova turnê, que poderá passar pelo Brasil como promete o músico. “Hoje, uma turnê está sendo organizada para que 8 - COMANDO ROCK E eu possa tocar por aí”, afirma o vocalista. A Comando Rock pode falar com o vocalista, que contou um pouco sobre seu novo disco, o passado com o AC/DC, sua vida e carreira, além dos possíveis shows no Brasil. Comando Rock: Seu último disco Judgement Day foi lançado há cinco anos. Por que está demorando tanto tempo para disponibilizar um material novo? Dave Evans: Este ano lançarei um novo álbum que terá o nome de The Revenge. É uma parceria/colaboração única entre eu e John Nitziner, um dos fundadores da banda Alice Cooper. Ele é um grande guitarrista e é uma lenda do texas rock/ blues. O álbum tem recebido os maiores elogios de críticos em toda a Europa. Texas. O novo EP é algo mais “pop”, mais mainstream, um hard rock para dirigir, com refrãos grandiosos e linhas mais diretas. Aquelas músicas que todos cantam juntos. O que acha dos seus discos Judgement Day e Sinnner? Tive ótimas críticas de todos os cantos do mundo e, quando tocamos ao vivo para as plateias do hard rock, são sorrisos para todos os lados. Você pode falar um pouco sobre esses discos? Escrevi as músicas com o meu ex-colega da banda Rabbit, Mark Tinson, no álbum Judgement Day. Assim como fiz com metade das faixas do Sinner. Mark escreveu o resto das canções de Sinner com alguma Você já está trabalhando em músicas colaboração de outras pessoas. É classic novas? hard rock amado em todo o mundo. Mark Gravei um novo EP após minha recente também produziu ambos os álbuns. turnê pelo Reino Unido e ele será lançado Falando um pouco sobre o AC/DC. em um futuro próximo. Como você entrou na banda? Você pode adiantar algo sobre o novo Respondi a um anúncio do jornal local de Sydney de uma banda que procurava por material? Ele vai soar como você espera. Classic um cantor de hard rock com influências de hard rock. grupos como Free, The Rolling Stones, Chuck Berry... Foi Malcolm Young que atendeu Em que as novas músicas têm mais a ver ao telefone. Já tinha ouvido falar dele, pois com as coisas antigas da sua carreira? ele tocava em uma banda de Sydney chaO disco The Revenge é uma combinação de mada Velvet Underground, mas na época hard rock australiano e blues rock texano tinha saído. Tinha me juntado ao mesmo e foi descrito como ACD/DC encontrando grupo algum tempo depois. Malcom tamcom Alice Cooper. Tem uma sonoridade bém tinha ouvido falar de mim por causa única de rock com influencia de blues do de alguns amigos em comum. Ele me disse

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que estavam com outros dois músicos (Colin Burgess na bateria e Larry Van Kriedt no baixo) e estavam procurando um vocalista para completar a banda. Eles me convidaram para ir algum dia tocar com eles. Após isso, entrei na banda. Eles me aceitaram para o AC/DC e, uma semana depois, Malcom perguntou se seu irmão mais novo, Angus, também poderia fazer um teste. Nós concordamos e Angus foi aos ensaios. Em seguida, o receberam na banda também e agora éramos cinco integrantes. Como você saiu do AC/DC? Deixei a banda depois que sai na porrada com o nosso terceiro agente com o qual estávamos todos insatisfeitos com o seu trabalho e a falta de pagamento. Mesmo tendo lançado um disco de sucesso e não parando de trabalhar, fazendo inclusive grandes eventos e tocando nas principais casas de shows pela Austrália, ainda não éramos pagos. No dia seguinte ficou combinado que ficaríamos juntos até o final da turnê e tínhamos uma agenda lotada por pelo menos mais seis semanas. Depois que a turnê acabou estávamos todos tão fartos que, mesmo tocando em casas lotadas todas as noites, ninguém estava nem se falando, especialmente com o empresário. Ficou decidido que eu deveria sair para que fosse “salvo o sangue ruim” entre todos. O agente foi substituído pouco tempo depois assim como o baixista e o baterista, que já eram os terceiros baixistas e bateristas do grupo. Ironicamente nosso single “Can I Sit Next To You Girl?” foi nomeado como melhor gravação de um grupo australiano do ano. Como se sentiu depois de ter saido do AC/DC? Fiquei muito triste e decepcionado, já que tinha trabalhado muito para fazer com que a banda fosse bem sucedida. Mas, fui bastante filosófico quanto a isso. Logo me juntei ao Rabbit, assinamos com a CBS e logo eu estava no meu caminho novamente. Na época em que estava no AC/DC você tinha algum tipo de pressentimento que a banda chegaria aonde chegou? Sabia que éramos uma banda muito boa. Em tão pouco tempo, já sabia que estávamos destinados a algo bom pela qualidade da banda. Mas, depois que saí, fiquei bastante ocupado com o Rabbit, gravando e tocando. Então não tive tempo para ter muitas notícias do AC/DC. Eu me juntei aos hard rockers do Rabbit e gravei dois discos com eles que foram lançados na Europa, no Japão e na Austrália. Você ficou mais de 20 anos sem lançar um disco novo. Por que ficou nesse hiato tão grande até gravar Sinner, em 2006? Depois do término do Rabbit montei o Dave Evans and Thunder Down Under nos anos 80. Lancei o disco homônimo em 84 e fiz uma turnê pela Austrália. Nos anos 90, depois que o grunge virou moda, parei de fazer música, exceto por algumas pequenas participações especiais. Mas, me foquei em atuação. Tive papéis principais em três filmes australianos como em Coming of Age e Leonory e fui um gangster em Come and Get It. Voltei ao mundo musical nos anos 2000. Foi quando voltei a tocar e fiz uma turnê pela Europa. Desde então gravei três álbuns e um EP que ainda não foi lançado. Você ainda tem algum tipo de contato com algum integrante do AC/DC? Não vi mais Angus e Malcolm Young desde a metade da década de 70 em diante. Cheguei a me encontrar com alguns ex-integrantes de tempos em tempos como Neil Smit, que já faleceu, Noel Taylor e o baterista original, Colin Burgess. Foi muito bom conversar sobre os velhos tempos juntos e ainda conseguir uma ou duas piadas sobre isso. Você chegou a ir a algum show do AC/ DC depois que saiu? Só fui a um show depois que saí. E, na verdade, foi só para ver quem era o novo vocalista e vi que era Bon Scott: um cara que saiu com a gente quando tocamos em Adelaide e foi nosso amigo. A plateia de Sydney estava esperando por mim e ficou meio desapontada quando viu Bon. Especialmente quando ele começou a cantar as músicas que eu havia feito populares com o conjunto. Então, eles conseguiram um novo empresário e se mudaram para Melbourne e se estabeleceram por lá. Foram gravar com Bon Scott e aí a banda conseguiu alguma estabilidade. Daí em diante realmente conseguiram decolar. Infelizmente Bon só pode estar com o conjunto por mais seis anos até sua trágica morte em 19 de fevereiro de 80. Hoje em dia qual sua visão do AC/DC? Uma incrível história de sucesso mundial. E sinto orgulho de ter sido um dos fundadores da banda. O primeiríssimo vocalista do AC/DC (mesmo antes de Bon Scott entrar na banda australiana) segue sua carreira solo e promete para este ano seu terceiro disco intitulado The Revenge Renan Marchesini Qual a melhor lembrança que tem da época que tocou no AC/DC? O dia em que nos vestimos no nosso novo look “britânico” e, ainda atordoados, conseguimos encantar nossos fãs. Nós usávamos jeans e camisetas principalmente até que o nosso novo disco estava prestes a ser lançado. Em seguida decidimos que deveríamos parecer mais com os artistas britânicos da época como Slade e Rod Stewart. Foi quando saímos com os nossos novos trajes coloridos e Angus em seu uniforme de estudante todo de veludo. Em seguida fizemos nossa turnê. Subíamos ao palco e ainda podíamos ouvir o burburinho da multidão. Mas, nós sempre arrebentávamos e detonávamos todas as noites. A reação deles para o nosso visual foi brilhante. Existe a chance de uma visita sua ao Brasil ainda este ano? Não para ver a Copa do Mundo, mas sim para tocar por aqui? Sim. Meus discos Sinner e Judgement Day foram lançados aí pela Hellion Records. Hoje uma turnê está sendo organizada para que eu possa tocar por aí. E estou muito ansioso e feliz em poder tocar pela América do Sul com a minha banda Badass Band. Você sabe alguma coisa sobre o Brasil? Sim. Já vi fotos maravilhosas do Brasil e sei que aí tem fãs fervorosos de futebol e fãs apaixonados pelo rock and roll. Estou muito ansioso para ir ao seu País lindo e conhecer os fãs de rock que tem por aí. Quais serão os próximos passos da sua carreira? Mais gravações e mais turnês. Além disso, estou procurando escrever um livro sobre o começo e o nascimento do AC/DC e aquela Alguma chance do AC/DC ser sua ban- época maravilhosa que estabeleceu o gruO que passou a fazer depois que dei- da favorita? po e o colocou em ascensão para conseguir xou o AC/DC? Não. São os Beatles. atingir o nível mundial que está hoje. COMANDO ROCK - 9

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erseverança e profissionalismo. Duas palavras que podem resumir a batalha do grupo paulistano In Soulitary para lançar seu primeiro álbum completo intitulado Confinement. Afinal, Elder Oliveira (baixo), André Bortolai (teclado), Marcel Briani (vocal), Rafael Pacheco (guitarra), Matthew Liles (bateria) e Daniel Schneider (guitarra) levaram 12 árduos anos para que lançassem seu primeiro CD. Mas, Confinement não foi exatamente o primeiro trabalho do grupo colocado no mercado. No ano passado, o sexteto disponibilizou o EP (de duas faixas) He Who Walks... na Internet para que os fãs pudessem “ter um gostinho” do que seria o debut da banda. Produzido por Di Lallo (ex-guitarrista do Andralls), Confinement apresenta 12 faixas que são difíceis de serem rotuladas em um único estilo dentro do metal. As canções – que homenageiam filmes, livros, games, quadrinhos, autores, atores, diretores e outros segmentos ligados à cultura em geral – passeiam pelo heavy tradicional, hard rock, power, thrash e até death melódico. Um som quase único que poderia ser descrito como “In Soulitary Metal”! Em entrevista a Comando Rock, o vocalista Marcel Briani fala das dificuldades P encontradas pela banda para lançar seu primeiro trabalho, das participações especiais presentes no álbum, da originalidade de seu som e dos temas abordados em suas letras e de vários outros assuntos. Comando Rock: Gostaria que começasse falando um pouco sobre a história da banda. Marcel Briani: Nossa história é longa. Doze anos de estrada não é pouca coisa. A banda sempre foi feita por amigos, para amigos. Nunca houve uma preocupação em atingir um grau de profissionalismo, apenas de tocar e “have fun”, saca? Isso foi muito positivo sob o ponto de vista que as músicas tiveram muito tempo para serem trabalhadas e pensadas e para criamos um estilo só nosso. Durante esses 12 anos, apenas Matt e Elder permanecem firmes no time. Porém, quando eu, André Bortolai (teclado) e Danny Schneider (guitarra) entramos para o grupo, por volta de 2010, a coisa começou a tomar outra cara. Percebemos que o que tínhamos em mãos era um material forte, diferente e resolvemos que a coisa agora seria séria. Assim começamos a longa jornada de uma banda independente em gravar nosso CD Confinement com nosso próprio dinheiro, suor e esforço. Demoramos quase dois anos para produzir o álbum, mas o final foi muito satisfatório. Como sempre foi padrão da banda, o CD é uma celebração de nossa amizade. A entrada de Rafael Pacheco foi reflexo disso. E assim fechamos o time que gravou o CD e estamos aí na luta. O grupo chamava-se inicialmente apenas Soulitary. Por que resolveram mudar o nome? Porque, apesar de sermos mais velhos, existe outra banda chamada Soulitary na Turquia, que lançou material oficial antes de nós. Talvez, se lutássemos pelo nome, conseguiríamos utilizá-lo, pois temos registros antigos não oficiais que são mais velhos do que eles. Mas, achamos que não valeria a pena e não está em nossa essência entrar em confusões. Colocamos o “In” para que, no final das contas, o nome do primeiro CD fosse a frase completa In Soulitary Confinement. O que, por tabela, explica o nome do álbum. O som de vocês foi descrito em algumas críticas como sendo death metal melódico, mas vocês incluem outras vertentes do metal como thrash, power e até hard rock em suas canções. Como definiriam o som do In Soulitary para alguém que nunca ouviu sua música? 10 - COMANDO ROCK

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A cada resenha que sai sobre nós recebemos um rótulo diferente. Já fomos de power metal até death melódico. E isso é ótimo, porque é exatamente o que nos caracteriza. Somos uma banda de heavy metal sem medo de explorar todas as vertentes que quisermos. Temos heavy, hard, power, thrash, death melódico... tudo em um mesmo álbum. É isso o que somos. Eu chamaria apenas de heavy metal, mas qualquer forma de rotular acaba limitando um pouco. É complicado. Quais as principais diferenças musicais entre o EP He Who Walks..., de 2013, e o álbum Confinement? Honestamente, não muita. As duas músicas do EP estão no CD. Apenas mais “trabalhadas” numa questão de produção. Queríamos sentir qual seria a reação do público ao nosso novo som, lançado de forma profissional, e por isso decidimos por o EP He Who Walks... de forma gratuita online. Os fãs antigos adoraram nossa nova roupagem, mais agressiva do que antes, e os fãs novos vieram aos montes, o que foi motivador para lançar o CD. Como foi o processo de composição e gravação de Confinement? A composição foi longa e durou esses 12 anos que temos de banda. Cada música nasceu muito diferente do que acabou saindo no CD e isso foi graças a grandes músicos que já passaram pela banda no passado e ao time maravilhoso que temos agora. Sempre foi baseado nos sonhos e aspirações do Matt e do Elder, que levaram a banda durante esse tempo todo. Cada um deu sua colaboração. Mas, no fim, eles são os “pais” da criança. A gravação foi um ponto final na era de “tocar-por-diversão” e o começo do profissionalismo. Foi financeiramente complicado: heavy metal não dá retorno financeiro no Brasil. Na verdade, são poucas as bandas que de fato vivem só de heavy metal. Por muitos anos trabalhei com o pessoal do Primal Fear e todos eles possuem empregos além da banda. Se não está fácil lá fora, imagina aqui? (risos). Mas, tivemos muito apoio do irmão Denis Di Lallo, que acreditou no nosso sonho e nos ajudou a realizar da melhor forma possível. Enfim, foi uma época de muita luta, mas também de muita perseverança e diversão. Com certeza vamos lembrar disso para sempre. Se nós somos o pai da criança, ele é a mãe (risos). Brincadeiras a parte, o Di Lallo se tornou um grande amigo de todos nós. Ele foi sempre muito motivador, deu muitas dicas e ajudou a dar um up no profissionalismo do trabalho. Devemos muita gratidão tanto ao trabalho quanto à pessoa do Di Lallo e da AV Works. E ele cantou no refrão da “Ministry of Truth”, o que foi sensacional também! Em relação as letras. Quais temas vocês abordam nas canções deste álbum? Nossa maior vertente é a cultura. Gostamos de homenagear filmes, livros, games, quadrinhos, autores, atores, diretores, tudo o que sempre nos motivou e alimentou na infância. Mas, sempre damos uma pitada “In Soulitary” na coisa. Falamos sobre os assuntos sob nosso próprio prisma. Nas letras você encontra muita coisa, como Stephen King com a música “Behind the Rows” (que é baseada no livro Children of the Corn), até Raven King, que tem como cerne O Corvo (de Edgar Allan Poe), mas que fala, de certa forma, da criatura mítica em si e não do poema do mestre Poe. Temos muitas outras coisas por lá e gostaríamos que alguém fosse capaz de nos apontar todas. Seria muito legal. “Written to Life” homenageia diversos escritores da literatura mundial como Stephen King, José Saramago, Ray Bradbury, J.R.R. Tolkien, entre outros. Como surgiu esta ideia? Era impossível homenagear todo mundo que gostaríamos se fossemos fazer uma música para cada tema. E, ainda assim, não queríamos deixá-los de fora. Por isso, viemos com a ideia de “Written to Life”. Uma letra cheia de “easter eggs”, que você pode conhecer um ou outro ou todos ou nenhum. Depende da sua bagagem literária. Ainda assim deixamos de fora tantos autores e obras maravilhosas que, com certeza, terão seus espaços garantidos no próximo (ou próximos) álbuns. Como disse, gostaria que as pessoas tentassem encontrar as referências na letra e viessem nos contar quantas acharam. Minha favorita é “Spawn New Life at the Edge of a Knife”, que tem três homenagens escondidas e uma delas é Philip Pullman. Quem será capaz de achar todas elas? Lanço aí o desafio. A banda paulistana de heavy metal está lançando seu primeiro álbum completo intitulado Confinement Marcos Filippi A Verônica é uma criatura especial. Quando ouvi essa menina cantar quase caí da cadeira. Ela tem aquela voz única, uma em um milhão. Ela faz o que outras vocalistas fazem. Só que ela é diferenciada. Ela é como um acorde do Iron Maiden. Ela é como um solo de Yngwie Malmsteen. Você a reconhece rapidamente, porque só ela faz o que ela faz. Foi paixão a primeira ouvida e me determinei a tê-la em nosso álbum de alguma forma. A melhor coisa de tudo isso foi que encontrei também uma amiga nessa parceria. Além de excelente cantora, ela é uma grande pessoa. Fica aí a minha dica para os leitores da Comando Rock: conheçam o Karkaos. E também das participações de Mario Pastore (Pastore, Delpht) e Dimitri Brandi (Psychotic Eyes). Mario foi meu professor de canto e me chamou para fazer vozes de apoio no CD de estreia da sua banda Pastore. Foi muito natural a “troca de favores”. Eu cantei no dele, ele cantou no meu. Além disso, Mario é um grande amigo. O Dimitri eu não sei até hoje porque chamei (risos). É brincadeira. Somos grandes amigos. Eu amo esse cara e o Psychotic Eyes é uma das melhores bandas do mundo. Além de também ser uma banda muito próxima de literatura, artes e cultura como nós. Foi uma parceria excelente! Quais os próximos projetos da banda? Bom, estamos nos preparando para gravar o clipe da musica “Hollow” e já trabalhando nas músicas do próximo CD. Com certeza será um trabalho muito coeso, muito diversificado e muito forte. As músicas novas estão incríveis e prometemos que não levaremos mais 12 anos para soltar material novo. Por isso, pedimos para quem curtir nosso som para “Spread the Word!” É nosso slogan oficial. Espalhe a palavra. Mostre-nos para seus amigos, ajude-nos a crescer. Quanto mais isso valer a pena para nós, mais vai valer para vocês também. Spread the Word! COMANDO ROCK - 11 O álbum conta com algumas participações especiais. Queria que falasse O álbum foi produzido por Denis Di como surgiu o convite para que a voLallo (ex-guitarrista do Andralls). O calista Veronica Rodriguez (da banda que ele mais contribuiu no resultado canadense Karkaos) participasse da final do CD? faixa “Written to Life”.

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Após o lançamento do disco Legions no ano passado, o grupo dinamarquês de thrash metal planeja vir ao País o mais rápido possível para finalmente fazer a tão desejada turnê sul-americana Renan Marchesini H a alguns anos, a moda “retro” atingiu o Brasil e essa onda se segue até hoje. Inclusive, muita gente passou a ouvir bandas e músicas características de algumas décadas passadas. Isso tem ajudado bastante o metal dos anos 80, cujo visual vinha carregado de jaquetas de couro, rebites, correntes, patchs, tênis cano alto e calças jeans apertadas. Um dos grupos que mais seguiu essa tendência foi o dinamarquês Artillery. Hoje em dia, o quinteto é muito respeitado e conceituado, graças a sua história e também aos discos clássicos que lançou ao longo dos anos como Fear Of Tomorrow (85), Terror Squad (87) e By Inheri- tance (90). Atualmente, o conjunto segue uma linha do metal um tanto diferente de quando começou: conforme o tempo passou, a banda se aprimorou e quis deixar seu som mais sofisticado. Legions é prova disso. O novo trabalho é bem diferente dos álbuns dos anos 80, mas ainda assim segue a escola thrash metal. Essa mudança de sonoridade se deve as mudanças de formação. Mesmo que a banda seja basicamente a mesma há algum tempo, integrantes saíram e voltaram e acumularam grande experiência em outros grupos e em outros estilos dentro do metal. Hoje, o Artillery conta com Morten Stützer (guitarra), Michael Stüt- zer (guitarra), Peter Thorslund (baixo), Michael Bastholm Dahl (vocal) e Josua Madsen (bateria). Com poucas apresentações pelo território nacional, o Artillery vem tentando marcar uma turnê pela América do Sul desde o ano passado. Mas, até agora, a excursão não vingou. Porém, o conjunto promete a seus fãs que deverá vir até o final deste ano. Um dos integrantes fundadores do conjunto, Michael Stützer, confirmou essa expectativa em entrevista a Comando Rock. Na conversa, o guitarrista também falou sobre o novo disco, do passado e do futuro da banda. 12 - COMANDO ROCK

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Comando Rock: Como foi o processo de composição e gravação de Legions? Michael Stützer: Foi a gravação mais rápida que já fizemos. O processo de composição também foi rápido, afinal estávamos fazendo uma turnê bastante pesada, com muitos shows e compomos muito na estrada. Mas, Legions tem sido como uma brisa fresca para nós, mesmo sendo muito pesado. Esse trabalho também teve a melhor produção que qualquer outro disco do Artillery já contou. Quais as principais diferenças entre o novo CD e os álbuns anteriores do Artillery? Acredito que não mudamos muito. Mas, obviamente que o vocal de Michael é diferente se comparado a dos outros caras! Com o passar do tempo nos tornamos cada vez melhores músicos e compositores. E isso é algo que somente o tempo tende a melhorar. De onde veio o nome Legions? O nome surgiu como uma homenagem a nossos fãs que são tão dedicados e têm nos ajudado e apoiado ao longo dos anos. O CD saiu com duas musicas bônus: “The Almighty” e “The Eternal War”. Por que optaram por essas canções? Escolhemos essas músicas “The Almighty” e “Eternal War” porque ainda tocamos esses sons ao vivo e queríamos que os fãs ouvissem como estamos soando hoje. O álbum tem algum tipo de conceito, seja na capa ou nas músicas? Não sei, mas as músicas “Dies Irae”, “Anno Requim”, “Chill My Bones” e “Ethoes Of Wrath” têm um tipo de ligação umas com as outras. A arte de capa foi feita por Mircea Gabriel Eftemie (que já trabalhou com bandas como Carcass, Soilwork, ck metal e o inner circle. Como era a cena metal antigamente e como ela é hoje em dia por aí? Acredito que a cena thrash metal está realmente começando a pegar agora por aqui. Muitas bandas boas estão surgindo como Impalers, Essence, Hells Domain, Mudando um pouco de assunto. Por Battery... Isso só para citar algumas. que Carsten N. Nielsen e Søren Adamsen saíram da banda? Quais foram suas influências na époCarsten deixou a banda porque queria ca e quais são as suas atuais? retornar às suas raízes punks. Já Søren São basicamente as mesmas. Mas, para deixou porque queria dar continuidade a nomear algumas: Exodus, Jethro Tull, uma série de projetos. Slayer, Black Sabbath, Grand Funk Railroad e Savatage! Você tem algum contato com eles? Continuamos os melhores amigos. E ainda Sobre a turnê do Artillery e do Onslaudividimos a sala de ensaios com o Carsten! ght pelo Brasil. Quando irá acontecer? Estamos planejando tocar por aí em noQuais são as principais diferenças vembro ou dezembro deste ano ainda. entre Søren Adamsen e Michael Bastholm Dahl? Vocês tocaram aqui ao lado do ExuConsidero os dois como grandes vocalis- mer em 2012. Como foi essa turnê? tas. Mas, Michael tem um alcance vocáli- Tivemos uma turnê muito boa pelo Brasil co maior. Como pessoas, não tenho nada e conhecemos alguns dos melhores e mais a falar dos dois. São excelentes. Michael dedicados fãs do Artillery! é um cara mais pé no chão, algo que realmente gostamos e que tem a cara do Ar- Quais lembranças você tem daquele tillery hoje em dia. Nos divertimos muito show? juntos. Muita diversão. Muitos headbangers que vem da escola do mosh, algo que Falando um pouco do começo da ban- gosto muito nos shows. Garotas lindas da. Como se deu o início do Artillery? e muita gente! Formamos o Artillery porque partilhávamos do amor pelo metal. Além disso, E quais lembranças você tem do Brasil? aprendemos a curtir as outras coisas, São só memórias boas, de diversão, muita como a diversão e a excitação de compor gente legal, muitos headbangers como há uma música, as relações que se estreitam tempos não via e algumas garotas muito pela estrada e a amizade que cresce com bonitas! aquelas pessoas que você vê todos os dias. E, acredite ou não, ainda adoramos tudo Quais serão os próximos passos do isso e é muito divertido fazer isso! Artillery? Vamos ao Japão, Rússia e faremos nossa A Dinamarca não é muito conhecida primeira turnê pelo EUA. Tocaremos em por ser um celeiro do thrash metal. alguns festivais e esperamos retonar a O país teve bastante força com o bla- América do Sul e, claro, ao Brasil. e Malevolent Creation). Como chegaram até ele? Conhecemos Mircea através da cena metal e ele realmente queria fazer uma arte de capa do Artillery. Então o deixamos trabalhar com isso e o resultado foi excelente. COMANDO ROCK - 13

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recém-lançado CD Got To Get Back, álbum revisitado e que inclui a faixa homônima inédita, nos remete aos primórdios da carreira de Bruce Kulick, atual guitarrista do Grand Funk Railroad e, por 12 anos, integrante do Kiss. Nesta edição temos uma síntese da história do KKB, uma das primeiras bandas do músico, além de uma minientrevista concedida com exclusividade a Comando Rock. Muito antes de Bruce Kulick tornar-se integrante do Kiss, excursionar e gravar inúmeros hits com a banda, sua paixão pela guitarra rendeu inusitadas experiências musicais, o que contribuiu para seu renome internacional. Sua inspiração artística, creditada à invasão de rock britânico que ocorreu na América nos anos 60 com bandas como The Beatles, Cream, Led Zeppelin e The Who, o levou ao encontro de outros adolescentes sonhadores na área de Jackson Heights, em Nova York, sedentos em satisfazer seu apetite criativo. Seu vizinho Mike Katz (baixista consumado, influenciado fortemente pelas bandas da época) cantava e escrevia em um estilo facilmente interpretado por Kulick. Um baterista local chamado Guy Bois completou o trio de maneira brilhante e o porão de seus pais testemunhou o ensaio e criação das músicas. Sem nome algum, o power trio formado por Kulick, Katz e Bois criou um som O híbrido, com passagens progressivas e ganchos melódicos, registrado em setembro de 74. A banda nunca tocou junto ao vivo e cada integrante seguiu seu caminho. A fita acumulava poeira na casa de Bruce Kulick até que a descoberta de uma venda de garagem de um gravador de fita Teac deu nova vida ao tesouro musical escondido. Ao compartilhar a gravação com seus amigos, todos foram unânimes: “Você deveria liberar essa música para as pessoas ouvirem...”. Em 2008 o material foi cuidadosamente restaurado e, sob o título de KKB 1974, sua tiragem limitada esgotou-se rapidamente. Um capítulo inesperado para o KKB aconteceu em 2013, quando Katz encontrou as fitas originais da Studios Sudden Rush. Ao usar as faixas reais, Kulick teve a oportunidade de remixar, remasterizar e abusar da criatividade novamente, porém, a descoberta provocou algo substancialmente mais interessante: o desejo de Katz e Kulick em criar uma canção inédita para a banda, 40 anos após sua gênese. Got To Get Back, o resultado sublime, é um retrocesso total aos anos 70. Cada integrante gravou sua parte em um estúdio local (Bois em Paris, Katz em Nova York e Kulick em Los Angeles). Um quarteto de cordas sob a responsabilidade de Jeremy Rubolino, colaborador de longa data de Kulick, foi adi- O ex-guitarrista do Kiss lança, após 40 anos, um CD contendo gravações caseiras que fez ao lado de dois amigos quando iniciou sua carreira dentro da música Marcel Eisen cionado à balada “Someday”, dando à música um brilho inimaginado em 74. Comando Rock: Com o recente lançamento do CD Got To Get Back há também a possibilidade de alguma performance ao vivo do power trio KKB? Bruce Kulick: Eu não acho que isso será possível. A faixa “Got To Get Back”, por causa do seu significado histórico, renderia alguma gravação em vídeo ou clipe promocional? Há algo documentado para um possível DVD? Desculpe, não... A colaboração de Jeremy Rubolino na faixa “Someday” foi magnífica. Há alguma outra contribuição que ele fez para canções remixadas neste álbum? Ele me ajudou na produção de guitarra (na nova canção). Obrigado. 14 - COMANDO ROCK

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