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Ao completar 23 anos, de existência, a MABOQUE orgulha-se de ter conseguido manter-se firme e forte enfrentando e vencendo as adversidades do mundo empresarial. A experiência, tradição, capacidade inovadora e lealdade aos seus clientes tornaram a MABOQUE numa marca incontornável do mercado nacional e não só. Contacte os seus serviços comerciais e inteire-se da variadíssima gama de oferta de serviços no domínio de eventos, catering de aviação e gestão de empreendimentos. s o n a 3 2 a ajudar angola a crescer e a diversificar a economia. Email: maboquecomercial@gmail.com Contactos: 917 409 641/ 934 295 039/ 928 884422 Figuras&Negócios - Nº 165 - SETEMBRO 2015 3 etniacomunicação

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CARTA DO EDITOR facto mais impactante na actualidade internacional é a avalanche de pessoas que se refugiam na Europa a procura de condições e uma vida mais tranquila e de paz atendendo que os seus países de origem atravessam, na sua maioria, crises decorrentes de desestabilização provocadas lamentavelmente por ordens do ocidente, com os Estados Unidos da América à cabeça. Dedicamos o destaque merecido nesta edição com várias matérias num assunto que o nosso correspondente em S.Paulo, Brasil, não teve meias medidas em classificar como a "vergonha do século", sublinhando mesmo que depois de ajudar a invadir e destruir países, equipar terroristas que deram origem ao Estado Islâmico, apoiado o engodo da Primavera Árabe, a Europa colhe o que plantou. O que chocou muito a opinião internacional, abrindo caminho onda Pulungunza-AF imprensa 230x148.pdf 1 a 17/07/15 O DOPPEL de solidariedade vivida, foi a imagem do menino sírio Aylan Kurdi numa praia turca, morto afogado em um naufrágio. A nossa solidariedade manifesta-se nessa abordagem exaustiva que fazemos, o que não deixa de ser mais um alerta para que haja uma abordagem mais humanizada na questão de todos aqueles que, sentindo-se ameaçados na sua própria pátria, têm o direito de procurar um melhor lugar para viverem e contribuírem com o seu suor e trabalho para uma vida digna. Estamos na era globalizante e os problemas se repercutem em todo mundo, daí que Angola, a viver hoje uma crise decorrente da baixa acentuada da produção petrolífera, o seu principal produto de exportação, para já, começa a ter situações apertadas que exigem, também aqui, ideias concertadas para que os efeitos das dificuldades possam ser repartidos por todos. Não basta se falar na diversificação da economia quando se sabe que o País tem 15:36 muitas oportunidades e riquezas naturais mas as políticas encetadas fizeram não despontar outros sectores que hoje poderiam constituir de almofada à crise petrolífera. Interessa por isso que o momento seja de acção e poucas palavras para se poder prosseguir na senda da consolidação do estado democrático que livremente se escolheu. E nessa senda, as próximas eleições legislativas e presidenciais estão marcadas para 2017 mas o ambiente político já ferve e nisso, uma nova força política, denominada Aliança Patriótica Nacional (APN) já se apresentou oficialmente e promete sensibilizar os eleitores para que a sua mensagem seja suficiente para retirar votos das forças hoje mais representativas no panorama político nacional e assumir-se, então, como uma alternativa. Afinal, 2017 é já amanhã e na política é preciso prever, vencer etapas e delinear caminhos. Boa Leitura. 4 Figuras&Negócios - Nº 165 - SETEMBRO 2015

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7. EDITORIAL CRISE ENSOMBRADA 17. PONTO DE ORDEM SOLUÇÕES DE CONSENSO 20. LEITORES 22. POLÍTICA O MUNDO ESTÁ A MUDAR, OUTRA VEZ! 28. SOCIEDADE LUANDA ESTÁ DOENTE 36. FIGURA DO MÊS JURISTA ELSA BARBER 40. FIGURAS DE CÁ 45. MUNDO REAL 46. CULTURA ARTISTAS ANGOLANOS EM PORTUGAL QUEM DÁ MAIS? 51. NA ESPUMA DOS DIAS LUANDA JÁ ESTÁ A ARDER? 52. ECONOMIA & NEGÓCIOS O INVESTIMENTO PRIVADO 80. MUNDO GOVERNO DILMA SEGURA O TOMBO? 10. PÁGINA ABERTA QUINTINO MOREIRA E O SEU APN DOSSIER 60. 93. FIGURAS DE JOGOS 94. SAÚDE CAPA: BRUNO SENNA O DILEMA DOS REFUGIADOS NA EUROPA A PRÓSTATA E AS INFECÇÕES COLATERAIS 96. MODA & BELEZA Figuras&Negócios - Nº 165 - SETEMBRO 2015 AMILNA ESTEVÃO, O ROSTO DE ANGOLA 6

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ÁFRICA 70. CONSEQUÊNCIAS DO FURACÃO EM CABO-VERDE LIÇÕES DO FRACASSO NO AFROBASKET DESPORTO 90. 100. FIGURAS DE LÁ 104. RECADO SOCIAL DHLAKAMA... OUTRA VEZ? NÃO! Figuras&Negócios - Nº 165 - SETEMBRO 2015 Publicação mensal de economia, negócios e sociedade Ano 15 - n. º 165, Setembro – 2015 N. º de registo 13/B/97 Director Geral: Victor Aleixo Redacção: Carlos Miranda, Júlia Mbumba, Sebastião Félix, Suzana Mendes e Venceslau Mateus Fotografia: George Nsimba e Adão Tenda Colaboradores: Édio Martins, Juliana Evangelista, João Barbosa (Portugal), Manuel Muanza, Rita Simões, Ana Kavungu, D.Dondo, Wallace Nunes (Brasil), Alírio Pina e Olavo Correia (Cabo-Verde), Óscar Medeiros (S.Tomé), Crisa Santos (Moda) e Conceição Cachimbombo (Tradutora). Design e Paginação: Humberto Zage e Sebastião Miguel Publicidade: Paulo Medina (chefe) Assinaturas (geral): Katila Garcia Revisão: Baptista Neto Colaborador (Cabinda): Gabriel Capapinha Tel: (+-244) 937 465 000 Brasil: Wallace Nunes Móvel: (55 11) 9522-1373 e-mail: nunewallace@gmail.com Inglaterra (Londres): Diogo Júnior 12 - Ashburton Road Royal Docks - London E16 1PD U.K Portugal: Rita Simões Rua Rosas do Pombal Nº15 2dto 2805-239 Cova da Piedade Almada Telefone: (00351) 934265454 Produção Gráfica: Imprimarte (Angola) Cor Acabada, Lda (Portugal) Tiragem: 10.000 exemplares Direcção e Redacção: Edifício Mutamba-Luanda 2º andar - Porta S. Tel: 222 397 185/ 222 335 866 Fax: 222 393 020 Caixa Postal - 6375 E-mails: figurasnegocios@hotmail.com artimagem@snet.co.ao Site: www. figurasenegocios.co.ao Facebook: Revista Figuras&Negócios Angola 7

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CRISE ENSOMBRADA EDITORIAL O Kuanza, moeda nacional, depreciou-se em mais de 37 por cento no último ano face ao dólar fruto da queda da cotação internacional do barril de petróleo que fez diminuir a entrada de divisas em Angola. A informação foi dada pelo BNA, quase no final de Setembro, no âmbito dos seus relatórios regulares sobre a evolução dos mercados monetário e cambial e venda de divisas aos bancos comerciais. O Presidente do Conselho de Administração do Entreposto Aduaneiro não descarta a possibilidade de ruptura dos produtos da cesta básica no País caso se mantenham as dificuldades de cambiais que actualmente se regista. Uma posição corroborada por um número considerável de comerciantes que quase atiram a toalha ao tapete por não importarem produtos que alimentam o seu negócio de comercialização nas pequenas e grandes superficies. Teoricamente, o kwanza está hoje equiparado ao dólar numa proporção de 1 USD=150Kz mas não se consegue oficialmente fazer essa operação pelo que o recurso ao câmbio paralelo, que de um momento para o outro passou novamente a reinar, é a solução. No final de Setembro, o câmbio estava a ser praticado à razão de 1 USD=Kz 300Kz, ou, para sermos mais explicitos, se ontem com uma nota de USD 100 no mercado paralelo tinhamos 10.000 Kz hoje passamos a ter 30.000 kwanzas. São alguns dos muitos exemplos que o País hoje vive e que podem conformar, ante a não tomada de medidas energicas para que a Sociedade possa sentir determinação governativa, uma crise que não sendo institucional tem desdobramentos pouco aconselháveis nos campos político, económico, criminal e moral. As crises políticas, regra geral, podem causar paralisia decisória no País, criar incertezas e reduzir os apetites dos agentes económicos para assumir os riscos e investir. Por outro lado, inibe a expansão do crédito bancário, o mercado de capitais não se afirma e, portanto, se prejudica o desenvolvimento, o emprego fica sem espaço e tudo isso tem reflexos no bem-estar da sociedade. Por muito que custe, esta é a situação que o País está a viver reforçada por erros de gestão económica, alguns escândalos de corrupção a permanecerem impunes e a ser evidente, cada vez mais, o distanciamento entre a classe politica e a sociedade. Em substância, o País precisa, agora mais do que nunca, diante de uma crise forte ensombrada por um poder cada vez mais impotente para dar a volta por cima porque teimosamente nao acredita na vantagem da gestão participativa, de uma agenda comum para se estabelecer o compromisso que evite o desaguar para situações nada recomendáveis. Primeiro que tudo, os integrantes dos poderes constituidos têm de assumir a ombridade de explicar a sociedade, de forma clara e crivel, a origem dos problemas e a maneira de atacá-los, formular estratégias, convencer e aprovar medidas e conquistar apoios da Sociedade, desde que na contenção de gastos e proibição de esbanjamentos, eles sejam os primeiros a apertar os furos do cinto. Perdeu-se tempo em gizar medidas que visavam a exploração de outras potencialidades que o País possui porque se adormeceu eternamente na dependência do petróleo, mas não interessa agora chorar sobre o leite derramado. Interessa, isto sim, gizar medidas efectivas para se diversificar a produção, que devem ser concertadas e assentar primeiro e fundamentalmente na aposta segura na agricultura para produção do indispensável alimentar que agora, infelizmente, por essa preguiça de pensamento e outros fins inconfessos, se importa. O país continua a viver a olhar para o mar onde os navios trazem de tudo o que precisamos para viver. Angola tem solução, tem futuro desde que deixe de ser competidora dos lugares cimeiros no campeonato mundial das discussões sem pés nem cabeça onde a pratica mais evidente é o palavrorio enfezado para destruir quem quer trabalhar, anular quem quer defender o patriotismo, o orgulho do angolano mas não quer alinhar na prática da bajulação doentia que, regra geral, se esconde na capa de pseudo-militâncias partidarias entrincheiradas hoje no partido político que governa o País. Figuras&Negócios - Nº 165 - SETEMBRO 2015 9

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“Um mUndo qUe Integra a PIscIcUltUra, com agrIcUltUra... Situada a 50 Km de Luanda, a Quinta Quimbela é um espaço que integra no seu conceito um conjunto de actividades produtivas ligadas a produção de hortofrutícolas complementada com a criação de peixe em gaiolas e um espaço de lazer com alojamento e restauração harmoniosamente integrados. O projecto de criação de peixe tilápia “vulgo cacusso” é uma iniciativa pioneira que visa tirar partido do potencial de recursos hídricos da lagoa da Quilunda. É desenvolvida uma actividade de criação que permite obter uma produção anual de cerca de 9 toneladas em crescimento intensivo, destinadas principalmente a fazer parte da dieta de quem procura o seu restaurante. Com 25 quartos de 3 tipologias diferentes, a Quimbela oferece-lhe um espaço Rural onde se pode deliciar com ...Um mUndo qUe Integra lazer e satIsfação”. 10 Figuras&Negócios - Nº 165 - SETEMBRO 2015

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o que a natureza tem para lhe oferecer num harmonioso equilíbrio entre o Conforto e a natureza. Nas nossas facilidades pode encontrar Sauna, Ginásio, Serviço de Massagem, Sala de Jogos e Bar, Restaurante Climatizado, Jango Tradicional, Piscina, Quadra Desportiva, Tanque para Pesca de Lazer e Passeios de Barco pela lindíssima lagoa da Quilunda. Brevemente a Quimbela vai abrir as portas aos mais pequeninos, abraçando um projeto pioneiro em Angola como “Quinta Pedagógica”. Pela Quinta também se podem encantar com o contacto direto de algumas espécies animais tais como: pavões, galinhas de Africa, avestruzes, patos e burros, fazendo uma vez mais os encantos da criançada. Q UIntA UIMBELA Facebook - Quinta Quimbela Email - quintaquimbela@hotmail.com Telefones- 933 169 472 ou 933 169 473 Aberto de quarta a domingo (segunda e terça com marcação prévia) Figuras&Negócios - Nº 165 - SETEMBRO 2015 Realizamos todo o tipo de Eventos, Levamos Catering ao seu Espaço 11 etniacomunicação

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PÁGINA ABERTA DESTAQUE “Criámos a APN (Aliança Patriótica Nacional) para agregar as pessoas que não se revêem na actual oposição inflamada e agressiva de Direita. mas também não simpatizam com o socialismo democrático do MPLA”. Quintino António Moreira é filho de um antigo combatente e veterano de guerra; é o cassula de 12 irmãos, nasceu a 15 de Agosto de 1968, no interior do País na aldeia de Kinzala, município de Dembos, província do Bengo. Fez o ensino primário na sua aldeia natal e o ensino secundário na missão Católica dos Dembos. É Licenciado em Direito na opção Jurídico-Política na Universidade “Jean Piajet”. É mestrando em governação e gestão pública na Faculdade de Direito da Universidade “Agostinho Neto”. Foi deputado à Assembleia Nacional e membro do Conselho de República na legislatura 2008-2012.Fundador e Presidente do Partido “Movimento Para Democracia de Angola-MPDA” teve a responsabilidade de formar a coligação de alguns partidos, a denominada “Nova Democracia União Eleitoral”. Actualmente preside a força política emergente APN-Aliança Patriótica Nacional. Vamos ver o que acontece depois dele ter, do tipo “atrevido”, fundado a Aliança Patriótica Nacional, nesta entrevista feita por e-mail. Texto: Carlos Miranda / Fotos: George Nsimba F iguras&Negócios (F&N) - Quando é que sentiu a necessidade de surgir na alta roda da política nacional e com que objectivos fundou a Nova Democracia? Quintino de Moreira (Q.M.) Foi em Agosto do ano de 1993, ( tinha apenas 25 anos de idade) quando eu e alguns patriotas angolanos idealizámos a fundação do partido “MPDA-Movimento Para Democracia de Angola”, partido que, posteriormente, esteve na vanguarda da criação da “Nova Democracia”. A “Nova Democracia - União Eleitoral” foi fundada com o objectivo de congregar todas as forças políticas angolanas com o propósito de haver convergências que nos poderia levar a uma alternância ao poder em Angola. De realçar que o contrato foi amplo, extensivo a todos os partidos. Foi tarefa difícil… Convergidos em sete partidos com ideologias próximas, nomeadamente MPDA, PSIA, UND, UAPDD, PSA, ANIA e PTA,não foi fácil,mas conseguimos. F&N - Participou pela primeira vez nas eleições gerais e,segundo os resultados, conseguiu dois assentos no Parlamento.Acredita que terá atingido os seus objectivos com a coligação formada na altura? Q.M. - Não! Lutámos com todas as dificuldades, começando com a falta de isenção e despartidarização dos órgãos de comunicação social do Estado e a falta de meios financeiros e materiais de toda ordem. Dois Deputados conseguidos não foi a nossa meta… Pensávamos atingir um mínimo de 15 representantes do povo na magna “Casa das Leis”… F&N - Quando esteve na Assembleia Nacional (2008/2012) alguma vez pensou em remodelar/ transformar o modelo de actuação dos partidos políticos da oposição? Q.M. - Fizemos uma tentativa na altura da divulgação da proposta de constituição da “Nova Democracia”. Propusemos uma concertação para, em conjunto, defender a ideia revolucionária que estávamos a propor. Sabíamos que se a oposição se identificasse com a nossa constituição, seria uma via para se poder transformar a actuação da oposição na Assembleia Nacional que era e continua a ser de negação e pouco negocial. Temos uma forma de fazer política moderna. Fazer política não é estar contra por estar. Só porque somos oposição temos que negar qualquer iniciativa do partido no poder? Não é assim! Temos que apoiar tudo aquilo que é para o bem comum. E o bem comum é o desenvolvimento de Angola.” F&N - O que é que estava certo ou errado em termos de participação da agenda política nacional que, aliás, nunca foi consensual, mesmo no debate dos assuntos mais importantes do país e que punham em causa o Estado Democrático de Direito, quer de um lado “ QUINTINO MOREIRA, PRESIDENTE DA ALIANÇA PATRIÓTICA NACIONA “A NOSSA PAZ NÃO PODE SER ABALADA COM RADICAL 12 Figuras&Negócios - Nº 165 - SETEMBRO 2015

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PÁGINA ABERTA como do outro? Q.M. - Foi uma oportunidade ímpar na história de Angola porque os deputados investidos com poderes constituintes ficaram felizes por elaborar a primeira Constituição do País. A diplomacia parlamentar da “Nova Democracia” foi determinante para a elaboração consensual da Constituição e o Pacote de Leis Eleitoral. Todavia,não foi fácil a discussão, em alguns pontos, como não foi e é possível em qualquer parte do mundo haver consenso a 100% na elaboração da Lei fundamental do País. A discussão dos símbolos do país, por exemplo, continua a dividir-nos… Mas,enfim, foi uma boa experiência. F&N - Alguma vez a sua formação política foi considerada como sendo uma criação do MPLA-Partido no poder? Porquê? Q.M. - A “Nova Democracia” conseguiu votos suficientes nas eleições de 2008 para eleger dois deputados. Durante a campanha eleitoral, nem durante os primeiros dois anos de Legislatura se falou da N.D. Passámos despercebidos, porque estávamos a organizar as bases e a preparar o que achávamos ser a nossa rampa de lançamento: a proposta de uma nova Constituição da República!. Infelizmente, a nossa proposta foi alvo de um ataque feroz, por parte da comunicação social que influenciou a opinião pública. Essa campanha caluniosa, chegando ao ridículo de afirmar que era nosso propósito propor a poligamia na sociedade, desviou a atenção das pessoas, que nem se aperceberam das propostas que deviam ser discutidas: a constituição de um Senado Nacional e AL LISMOS” Figuras&Negócios - Nº 165 - SETEMBRO 2015 13

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PÁGINA ABERTA DESTAQUE grande participação do Estado no desenvolvimento e a oposição alinha por uma política de direita. Nas eleições de 2008 toda a gente votou pela Paz, penalizou a UNITA e o MPLA teve a vitória que todos viram. Passados 4 anos, veio algum descontentamento, principalmente naqueles que nunca se identificaram com o MPLA, mas essa franja da sociedade não teve alternativa, senão absterem-se. Nós vamos ser essa alternativa. Para aqueles que não se identificam com nenhum dos partidos políticos existentes em Angola. Aqueles que estão desagradados com a política do executivo actual e aqueles que não se identificam com a política atrapalhada e conflituosa da Unita e da Casa, seu aliado político, ideológico e metodológico na forma como pretendem atingir o poder. Na Assembleia Nacional, e como lema da nossa campanha eleitoral para 2017, será e é “negociar os interesses dos nossos eleitores”. Os nossos parlamentares, principalmente da oposição, têm que se capacitar que a negociação política é uma das bases para se atingir resultados na defesa daqueles que votaram em nós. Nós vamos trabalhar para ganhar a confiança do Povo e crescer e quando a oportunidade chegar, negociar a participação num executivo de coligação. F&N - Definitivamente, a criação da APN não está no “ADN” do MPLA, nem de outras instituições ligadas ao partido no poder? Q.M. - Claro que não e nem um milímetro… F&N - Para já, a bandeira da Aliança Patriótica Nacional está a ser alvo de uma certa contestação nas redes sociais, devido a alguma semelhança com a da UNITA, o que pode provocar uma certa “confusão”, segundo internautas, na hora da votação. O que é que lhe parece tal leitura? Q.M. - Votar é um acto responsável, sério e devemos ter cuidado quando falamos dos outros. Será que as pessoas que fazem esses comen- Provincial, governo da oposição, etc. Nós propusemos a eleição indirecta do Presidente da República, perdemos a nossa identidade, passamos a ser um partido político criado pelo MPLA… F&N - Assegura que, mesmo apoiando alguns pontos fulcrais do programa eleitoral do MPLA, correria o risco de o seu partido ser considerado como um “satélite” ? Q.M. - Tanto a N.D. ( Nova Democracia) como a agora Aliança Patriótica Nacional, são partidos do século XXI. Temos uma forma de fazer política moderna. Fazer política não é estar contra por estar. Só porque somos oposição temos que negar qualquer iniciativa do partido no poder? Não é assim! Temos que apoiar tudo aquilo que é para o bem comum. E o bem comum é o desenvolvimento de Angola. F&N - O que lhe fez pensar em formar outra coligação partidária,no caso a Aliança Patriótica Nacional (APN), numa altura em que, ao que nos parece, a oposição necessita de mais força? Q.M. - A oposição em Angola vem do tempo da guerra. Desde esse tempo que o objectivo é tomar o poder e a qualquer preço. Com todo o tipo de acções, mesmo extremistas. Nós não nos revemos nessa linha de pensamento. Acabamos de ver toda a oposição a apoiar mais uma ingerência externa, defendendo a chamada Primavera Bantu. A nossa frágil e jovem independência e a Paz não podem ser abaladas com radicalismos e ambições desmedidas. Criámos a APN (Aliança Patriótica Nacional) para agregar as pessoas que não se revêem na actual oposição inflamada e agressiva de direita, mas também outras que não simpatizam com o socialismo democrático do MPLA. Existe um espaço na política angolana que ainda não está preenchido. Não existe um partido político do Centro. O MPLA é de esquerda, Socialista e defende uma grande participação do Estado no desenvolvimento e a oposição alinha por uma política de direita” F&N - Afinal, quais são os principais objectivos da APN? Algum dia pensa integrar o arco da governabilidade juntamente com o MPLA, puxando para baixo os chamados partidos históricos, como a UNITA e a FNLA? Q.M. - Existe um espaço na política angolana que ainda não está preenchido. Não existe um partido político do Centro. O MPLA é de esquerda, Socialista e defende uma “ 14 Figuras&Negócios - Nº 165 - SETEMBRO 2015

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