O Farmacêutico em Revista - Ed. 110

 

Embed or link this publication

Description

Nova edição da revista do CRF-PR.

Popular Pages


p. 1

O FARMACÊUTICO EM REVISTA Edição 110 1

[close]

p. 2

2 O FARMACÊUTICO EM REVISTA Edição 110

[close]

p. 3

::: EXPEDIENTE::: O FARMACÊUTICO EM REVISTA Edição nº 110 - 2015 Conselho Regional de Farmácia do Estado do Paraná Rua Presidente Rodrigo Otávio, 1.296, Hugo Lange Curitiba/PR | 80.040-452 DIRETORIA CRF-PR PRESIDENTE Dr. Arnaldo Zubioli VICE-PREDIDENTE Dra. Mirian Ramos Fiorentin DIRETORA TESOUREIRA Dra. Marina Gimenes DIRETORA SECRETÁRIA Dra. Marisol Dominguez Muro CONSELHEIROS REGIONAIS Dr. Cynthia França Wolanski Bordin Dr. Edmar Miyoshi Dr. Emyr Roberto Carobene Franceschi Dr. Márcio Augusto Antoniassi Dra. Maria do Carmo Baraldo Wagner Dra. Marilene Provasi Dra. Marina Sayuri Mizutani Hashimoto Dra. Mônica Holtz Cavichiolo Grochocki Dra. Sandra Iara Sterza CONSELHEIROS REGIONAIS SUPLENTES Dr. José Antônio Zarate Elias Dr. Maurício Portella CONSELHEIRO FEDERAL Dr. Valmir de Santi Dr. Dennis Armando Bertolini (Suplente) ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO Ana C. Bruno | MTB 2973 DRT/PR Dayane Carvalho | MTB 6990 DRT/PR DIAGRAMAÇÃO Gustavo Lavorato Michelly M. T. Lemes Trevisan CTP E IMPRESSÃO Ajir Artes Gráficas e Editora Tiragem: 16.000 mil exemplares Artigos não manifestam necessariamente a opinião de “O Farmacêutico em revista”, e são de inteira responsabilidade dos seus autores. CAPA Gustavo Lavorato FOTOS Assessoria de Comunicação - CRF-PR iStock - Banco de Imagens www.crf-pr.org.br facebook.com/crfpr twitter.com/crf_parana youtube.com/crfparana NESTA EDIÇÃO 5 15 25 5 8 10 15 17 19 20 23 25 29 32 34 LEI 13.021/14 Após um ano de implantação, o que mudou? ARTIGO - DR. VALMIR DE SANTI - VICE-PRESIDENTE DO CFF Farmacêutico não é custo, é investimento! EMPREENDEDORISMO “Eu aplico vacinas na minha farmácia. Pergunte-me como!” CRF-PR E SESA/PR PROMOVEM ENCONTRO SOBRE FISCALIZAÇÃO FARMACÊUTICA COMANDA PROGRAMA DE ENFRENTAMENTO À TUBERCULOSE CRF-PR PARTICIPOU DO COBEF 2015 II SIMPÓSIO PARANAENSE DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA LABORATÓRIO DO HOSPITAL REGIONAL DOS CAMPOS GERAIS MULHERES FARMACÊUTICAS CRF-PR EM AÇÃO 11 CONFERÊNCIA ESTADUAL DE SAÚDE a TRANSPARÊNCIA

[close]

p. 4

EDITORIAL Esta edição da Farmacêutico em Revista tem como foco a Lei 13.021, aprovada em agosto de 2014. A matéria de capa evidencia os ganhos trazidos para a profissão e o viés orientativo do CRF-Paraná para garantir que a lei seja cumprida em sua totalidade. Na série Empreendedorismo um caso de sucesso na aplicação de vacinas em farmácia, graças ao respaldo das leis vigentes. Em Mulheres Farmacêuticas, a história de uma profissional que atua na área de Micologia. E ainda o destaque do trabalho de uma farmacêutica no enfrentamento à Tuberculose. Além da cobertura de diversos eventos importantes para a promoção do conhecimento, fortalecimento e valorização da profissão. Diretoria do CRF-PR: Dra. Mirian Ramos Fiorentin, Vice-Presidente; Dra. Marina Gimenes, Diretora Tesoureira; Dra. Marisol Dominguez Muro, Diretora Secretária-Geral e Dr. Arnaldo Zubioli, Presidente. BOA LEITURA! 4 O FARMACÊUTICO EM REVISTA Edição 110

[close]

p. 5

LEI 13.021/14 Lei 13.021/14 - A Lei que mudou o conceito de Farmácia Quais os avanços após um ano de sua implantação? Há um ano foi publicada a Lei nº 13.021/14 alterando definições e funções da Lei 5991/73, e mudando o conceito de farmácia no Brasil: farmácias de qualquer natureza deixam de ser meros estabelecimentos comerciais para se transformar em unidades de prestação de assistência farmacêutica, assistência à saúde e orientação sanitária individual e coletiva focalizadas em drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos, além do reforço da autoridade técnica do farmacêutico de 200 mil profissionais e estudantes que hoje, têm sim, um excelente motivo para acreditar num futuro melhor para a profissão farmacêutica e para a saúde da população. Lei 5.991/73 Dispõe sobre o controle sanitário do comércio de drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos. - Farmácia - estabelecimento de comércio [...] (Autorização e Licença) - Farmácia - local de dispensa (Produtos) Lei 13.021/14 Dispõe sobre o exercício e a fiscalização das atividades farmacêuticas. - Farmácia - estabelecimento de saúde (ações e serviços – Produtos) - Farmácia – local de atividades farmacêuticas (Ato Farmacêutico) Hoje, a saúde e a própria profissão farmacêutica sentem o efeito desde a histórica aprovação da Lei por unanimidade no Congresso Nacional. Prova disso, são os diversos municípios que passaram a inserir os farmacêuticos nos estabelecimentos públicos e a cobrar das farmácias particulares a presença dos mesmos nos estabelecimentos privados. A lei respalda ainda a atuação clínica do farmacêutico na assistência terapêutica integral com um conjunto de ações e serviços. Entre as obrigações do farmacêutico podem ser citados a notificação de qualquer problema relacionado ao medicamento, a promoção e educação em saúde (autocuidado), rastreamento em saúde, acompanhamento da terapêutica farmacológica através de protocolos e fichas farmacoterapêuticas com o propósito de garantir a efetividade e a segurança do paciente. Entre os procedimentos, avaliação dos sinais vitais (aferição de pressão arterial, frequência cardíaca, ventilação pulmonar e temperatura), teste de glicemia, colesterol, triglicérides, entre outros. Além da administração de vacinas, soros e imunobiológicos. O presidente do CRF-PR, Dr. Arnaldo Zubioli, que percorreu o Paraná ministrando palestras sobre as principais mudanças que a Lei trouxe para o setor, destaca que a assistência farmacêutica jamais será a mesma. “A população teve uma de suas conquistas mais importantes, e o Farmacêutico O FARMACÊUTICO EM REVISTA Edição 110 5

[close]

p. 6

LONDRINA PATO BRANCO GUARAPUAVA FRANCISCO BELTRÃO 6 O FARMACÊUTICO EM REVISTA Edição 110

[close]

p. 7

LEI 13.021/14 assume um posto que o transforma em um agente fundamental no cenário da saúde e a assistência farmacêutica atinge seu amadurecimento”, comemora o presidente. No contexto da conquista dessa importante vitória vale destacar a união firmada entre todas as entidades farmacêuticas envolvidas (CFF, Fenafar, Conselhos Regionais, Sindicatos, entre outras) e a Frente Parlamentar de Assistência Farmacêutica (Comissão de Deputados formada para defender, avaliar e lutar pelas questões farmacêuticas). Veja no quadro as principais diferenças entre a Lei 5.991/73 e Lei 13.021/14: FARMÁCIA – Lei 5.991/73 FARMÁCIA – Lei 13.021/14 O estabelecimento inclui o produto (e outros) O propósito é levar o produto ao cliente As decisões são fundamentadas no estabelecimento O produto (medicamento e outros) gera a renda O serviço disponível dá respaldo ao produto O sucesso é medido pelo número de receituários, produtos diversos indicados e conveniências O espaço é organizado para apresentar e vender os produtos da farmácia Os registros são feitos para atender as exigências legais relativas aos produtos farmacêuticos A programação para a repetição das receitas é determinada pela dispensa do medicamento ao cliente O estabelecimento inclui o serviço (pessoas) O propósito é levar o farmacêutico ao cliente O fundamento de decisão é o cliente (assistência farmacêutica e à saúde) O cuidado com o cliente também gera a renda O produto disponível dá respaldo ao serviço O sucesso é medido pelos resultados do cliente (necessidade, efetividade, segurança e adesão) O espaço é organizado para satisfazer as necessidades do paciente/cliente Os registros individuais dos clientes são feitos para monitorização da terapêutica farmacológica A programação é feita pelo risco/benefício dos fármacos e necessidades do cliente (Protocolos terapêuticos e Perfil da TF*) A captação de serviço é passiva e feita através da geração de prescrições A captação de serviço é ativa e feita pela busca de clientes *Terapêutica Farmacológica | Fonte: Arnaldo Zubioli - Fundamentos da Ética Farmacêutica, 2015. O FARMACÊUTICO EM REVISTA Edição 110 7

[close]

p. 8

ARTIGO Farmacêutico não é custo. É investimento! DR. VALMIR DE SANTI VICE-PRESIDENTE DO CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA PL 4.135/14 torna obrigatória a presença do Farmacêutico em farmácias, drogarias ou dispensários de medicamentos do SUS Um importante debate para os cidadãos brasileiros que dependem da assistência prestada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) está em curso no Congresso Nacional. E para aqueles que não dependem, também. Aprovou-se no dia 1º de julho, na Comissão de Tributação e Finanças da Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei (PL) nº 4.135/12. De autoria da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB/AM), o PL altera a Lei nº 8.080/90, estabelecendo como obrigatória, em farmácias, drogarias ou dispensários de medicamentos do Sistema Único de Saúde (SUS), a assistência de farmacêuticos responsáveis técnicos habilitados e inscritos no respectivo conselho regional de Farmácia. A proposta tramita em regime de prioridade e em caráter conclusivo (que dispensa a deliberação do Plenário). Para ir à sanção presidencial, depende, agora, apenas da aprovação na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. A recente Lei nº 13.021/14, que dispõe sobre o exercício e a fiscalização das atividades farmacêuticas, e mesmo a Lei nº 5.991/73, que a antecedia, já previam essa obrigatoriedade. Esta última sem explicitar o farmacêutico como responsável técnico. Mas, por que essa discussão é tão importante para usuários do SUS e também para quem pode pagar pelo atendimento particular ou do plano de saúde? A resposta para essa pergunta envolve inúmeros aspectos, e um deles, é cultural: o povo brasileiro precisa aprender que medicamento não é um produto qualquer e que o conceito de assistência à saúde é muito mais abrangente do que o tratamento de doenças. E ainda, que o cuidado farmacêutico é essencial à saúde e ao bolso do cidadão e contribuinte. Dados divulgados no Caderno 1 da série Cuidados Farmacêuticos na Atenção Básica, sobre Serviços Farmacêuticos na Atenção Básica à Saúde, publicado pelo Ministério da Saúde, revelam que, no mundo, cerca de 28% de todos os atendimentos de emergência tiveram origem em problemas relacionados ao uso de medicamentos. Entre 8,6% e 24,2% dos casos resultaram em internações e 70% de todos os eventos foram considerados evitáveis. A mesma publicação cita levantamento feito pelo Departamento de Informática do SUS (Datasus), segundo o qual, somente em 2013, podem ter ocorrido, no Brasil, entre 1,2 milhão e 3,2 milhões de internações de urgência ligadas a problemas relacionados aos medicamentos. Naquele ano, houve cerca de 48 milhões de atendimentos de urgência e emergência e 11 milhões de internações de urgência a um custo médio de R$ 1.135,26 por usuário, por internação. Considerando estes números, o custo 8 O FARMACÊUTICO EM REVISTA Edição 110

[close]

p. 9

total das hospitalizações relacionadas a medicamentos pode ser estimado entre R$ 1,3 bilhão e R$ 3,6 bilhões. Levando em conta ainda que 70% dos problemas relacionados a medicamentos são considerados evitáveis, numa avaliação conservadora, a economia de recursos públicos com essas hospitalizações poderia ser de até R$ 2,5 bilhões ao ano. A presença do profissional farmacêutico nas unidades de saúde, sejam públicas ou privadas, contribui para racionalizar o uso de medicamentos, padronizar condutas terapêuticas, facilitar o fluxo de informações entre a farmácia e o usuário e evitar perdas desnecessárias. Tanto que alguns municípios, como Blumenau (SC), já conseguiram demonstrar que a economia gerada no setor é diretamente proporcional ao número de profissionais farmacêuticos existentes na rede. Em 2005, Blumenau tinha dois farmacêuticos e um gasto anual de R$ 33 mil com salários. O custo anual per capita com medicamentos era de R$ 12,71, o que totalizava R$ 3,4 milhões. Em 2007, com 11 farmacêuticos e um gasto de R$181,8 mil de salários, o custo per capita com medicamentos no município baixou para R$ 6,65, totalizando R$ 1,7 milhão. Ou seja, a contratação de novos farmacêuticos pela Secretaria Municipal de Saúde gerou uma economia de R$ 1,6 milhão para os cofres públicos. Dados levantados pela Comissão Parlamentar do Conselho Federal de Farmácia, com base em informações do Ministério da Saúde, apontam que 39% dos municípios brasileiros perdem medicamentos por problemas relacionados ao armazenamento. O tempo médio de desabastecimento é de 84 dias nas unidades de saúde, 74 dias nas Centrais de Abastecimento Farmacêutico (CAFs) municipais e 128 dias nas CAFs estaduais. O gerenciamento da logística de medicamentos absorve 20% dos recursos financeiros da saúde. Trata-se de um porcentual representativo, que merece um olhar criterioso dos gestores. Segundo dados coletados a partir dos relatórios de fiscalizações realizadas pela Controladoria Geral da União (CGU) entre agosto de 2004 e julho de 2006, 90,3% dos municípios apresentaram problemas na gestão de recursos ou serviços de assistência farmacêutica. Em 71% dos municípios foi constatada falta de controle ou deficiência de estoque. Condições inadequadas de armazenamento foram observadas em 39%; e a falta de medicamentos, detectada em 24%. Entre os diversos problemas que podem ser minimizados com a presença obrigatória do farmacêutico nas unidades de saúde pública pode ser citada, ainda, a judicialização da assistência farmacêutica, um verdadeiro câncer nas contas dos governos municipais, estaduais e federal. É o que demonstra a experiência do estado do Rio Grande do Sul. Essa unidade da federação concentra mais da metade de todas as ações judiciais envolvendo medicamentos no Brasil e tem encontrado, no conhecimento técnico e no trabalho dos farmacêuticos, importantes aliados contra o problema. E sem prejudicar o bom atendimento à população. A partir da inserção de um farmacêutico nos quadros da Defensoria Pública, por meio de um termo de cooperação técnica do órgão com o Conselho Regional de Farmácia do Rio Grande do Sul (CRF-RS), o Estado conseguiu uma redução de 15% no número destes processos. Antes que seja dada a entrada no processo, o profissional verifica se o medicamento que o usuário deseja reivindicar judicialmente já não está disponível na rede pública e se o genérico do medicamento prescrito já não é disponibilizado aos usuários. Ele ainda informa aos médicos sobre os medicamentos genéricos disponíveis, estimulando a prescrição mais viável para o sistema e efetiva para o usuário. Em defesa da qualidade da assistência à saúde dos cidadãos e da racionalização dos gastos públicos com medicamentos, os conselhos federal e regionais de Farmácia estão particularmente empenhados para que o PL nº 4135/12 seja aprovado e transformado em lei. Todos, o povo e o poder público, ganharão com isso. O FARMACÊUTICO EM REVISTA Edição 110 9

[close]

p. 10

“Eu aplico vacinas na minha farmácia. Pergunte-me como!” Com o reconhecimento da lei federal que existe desde 1973, o Farmacêutico Everson Bobato transformou uma necessidade em oportunidade. A aplicação de injetáveis é uma atribuição do farmacêutico, mas em Prudentópolis tornou-se um caso de sucesso. Confira! Dr. Everson Giovanne Bobato formou-se em Farmácia em 2005 pela Universidade Federal do Paraná - UFPR. Fez estágio numa indústria farmacêutica de Lisboa, em Portugal, durante 6 meses. Trabalhou 5 anos numa Farmácia com Manipulação, onde adquiriu experiência no gerenciamento de lojas. Essa bagagem foi fundamental para tomar a decisão de abrir o seu próprio negócio. Em 2011, Dr. Everson adquiriu a Farmácia Alvorecer, estabelecimento aberto há 18 anos na pequena cidade de Prudentópolis. Ao assumir a farmácia que possui 29 funcionários, sendo 3 farmacêuticos, Dr. Everson iniciou uma nova metodologia de atendimento e implantou novos serviços, a aplicação de injetáveis foi um deles. Com apenas 33 anos, o farmacêutico empreendedor está colhendo os frutos de uma gestão inovadora e pautada pela lei que assegura que farmácia é estabelecimento de saúde e que sim, o farmacêutico tem autonomia técnica para prestar serviços farmacêuticos. DR. EVERSON GIOVANNE BOBATO 10 O FARMACÊUTICO EM REVISTA Edição 110

[close]

p. 11

ESTÁ NA LEI! A resolução nº 574 do Conselho Federal de Farmácia define, regulamenta e estabelece atribuições e competências do farmacêutico na dispensação e aplicação de vacinas, em farmácias e drogarias. Trata-se de uma demanda que a classe farmacêutica debate há anos. Em 2010, lideranças do CRF/SC, MS, PR, RS, SP e do próprio CFF, reuniram-se em congresso promovido pela associação Farma&Farma, assinaram a Carta de Itapema, em que reivindicavam a normatização da regularização do âmbito profissional farmacêutico para a dispensação e a aplicação de vacinas em farmácias e drogarias. Os conselhos do Sul reforçaram recentemente a solicitação junto ao CFF. “Esperamos que, após a publicação desta resolução, a ANVISA reconheça a legalidade da aplicação de vacinas em farmácias e drogarias, considerando que são medicamentos profiláticos, e a aplicação de medicamentos injetáveis sob prescrição é permitida em farmácias desde 1973, através da Lei Federal 5991 e também pela RDC 44 de 2009 da ANVISA”, afirma a presidente do CRF/SC, Hortência Tierling. De acordo com o texto, a responsabilidade técnica do farmacêutico para a aplicação de vacinas diante das autoridades sanitárias e profissionais, caracteriza-se pela utilização de conhecimentos técnicos e assistência técnica, total autonomia técnico-científica, além de conduta compatível com os padrões éticos que norteiam a profissão farmacêutica. E ainda, após a aplicação da vacina, o farmacêutico deverá fornecer ao paciente/usuário uma Declaração de Serviço Farmacêutico e efetuar a devida anotação na Carteira de Vacinação. CFF RESOLUÇÃO Nº 574 (22/05/2013) • Exercício das competências previstas na Lei Federal 3.820 (11/11/1960); • É atribuição do farmacêutico, na farmácia e drogaria, a dispensação de vacinas e a prestação do serviço de aplicação desses medicamentos. LEI 5.991 17/12/1973 • Dispõe sobre o controle sanitário do comércio de medicamentos... e dá outras providências; • A dispensação de medicamentos é privativa de: Farmácia, drogaria... • Medicamento: produto farmacêutico, tecnicamente obtido ou elaborado, com finalidade PROFILÁTICA, curativa paliativa ou para fins de diagnóstico. LEI 13.021 08/08/2014 • Poderão as farmácias de qualquer natureza dispor... vacinas que atendam o perfil epidemiológico de sua região; • Devem dispor de equipamentos necessários à conservação adequada de imunológicos. O FARMACÊUTICO EM REVISTA Edição 110 11

[close]

p. 12

EMPREENDEDORISMO ENTREVISTA COMO SURGIU A INICIATIVA DE COMEÇAR A APLICAR VACINAS EM SUA FARMÁCIA? Surgiu da necessidade da população. Prudentópolis é uma cidade de 50 mil habitantes que não possui clínica particular de vacinação. Em campanhas nacionais, o SUS fornece vacinas apenas para um grupo específico: idosos, crianças e gestantes, por exemplo. A outra parcela da população não tinha onde adquirir essas vacinas. Diante disso, vislumbrei uma necessidade e a oportunidade de implantar esse serviço. No momento disponibilizamos apenas a vacina da Gripe Influenza, mas já está tramitando a autorização para oferecer todas as vacinas do calendário de vacinação. QUAIS SÃO OS TRÂMITES LEGAIS NECESSÁRIOS À APLICAÇÃO DE INJETÁVEIS NA FARMÁCIA? O primeiro passo foi estabelecer um diálogo com a Vigilância Sanitária local, que primeiramente deu uma resposta negativa. Então comecei a pesquisar e procurar um embasamento legal para entender o porquê não poderia aplicar vacinas na minha farmácia. Encontrei a resposta na Lei 5.991/73, que define que farmácia é um estabelecimento de saúde, que vacina é um medicamento que pode ser dispensado e aplicado em farmácia mediante prescrição médica e que o procedimento é uma atribuição do farmacêutico. Procurei novamente a Vigilância Sanitária, apresentei a necessidade da população em adquirir o produto/serviço e a legalidade de realizar o procedimento em farmácia. A VISA entendeu que era uma necessidade e não se opôs. Aproximadamente um ano se passou desde o primeiro contato até conseguirmos a autorização para aplicar vacinas na minha farmácia. QUAIS ADAPTAÇÕES FORAM NECESSÁRIAS AO ESPAÇO FÍSICO DA FARMÁCIA? A VISA fez algumas exigências baseada na Portaria ANVISA/FUNASA Nº 01 (02/08/2000), que fala sobre o aspecto físico para clínicas de vacinação. Para a farmácia foi exigido uma sala exclusiva para aplicação de injetáveis com no mínimo 9 m², contendo uma pia, balcão com armário, caixa térmica, geladeira, cadeira; climatização ambiente; termômetro para geladeira, caixa térmica e ambiente; re- Dr. Everson Bobato apresentou o seu projeto inovador em Plenária para Diretores e Conselheiros do CRF-PR. Desde então a sua apresentação está disponível no site do CRF-PR: www.crf-pr.org.br Da esq.p/dir: Dr. Arnaldo Zubioli, Dr. Everson Bobato, Dra. Marisol Dominguez Muro, Dr. Valmir de Santi e Dra. Mirian Ramos Fiorentin, durante a plenária do mês de maio, na sede do CRF-PR. 12 O FARMACÊUTICO EM REVISTA Edição 110

[close]

p. 13

cipiente para perfuro-cortantes (descartex) e lixeira. Além disso, outras providências na parte de Documentação, tais como: carimbo com o nome da vacina, lote e vencimento; Fichas de Registro de Temperatura (geladeira, caixa térmica e ambiente); Ficha de Comunicação de Efeito Adverso a ser encaminhado à Regional de Saúde; Livro de Registro de Aplicação de Vacinas contendo nome, endereço, telefone e responsável (se menor). “A aplicação de vacinas na farmácia trouxe um retorno financeiro bem positivo, pois tem uma margem de lucro bem atraente, acima da média dos outros produtos.” E COMO A EQUIPE FOI PREPARADA PARA OFERECER O NOVO SERVIÇO? Fizemos um treinamento com os funcionários e farmacêuticos a fim de garantir a total adequação do novo serviço abordando temas como descarte correto de perfuro-cortantes; recebimento e armazenagem de vacinas; transporte; aferição da temperatura no interior da embalagem no ato de recebimento; uso de caixa térmica para evitar oscilação de temperatura no refrigerador; reações adversas e rastreabilidade. Além disso, o serviço segue o Procedimento Operacional Padrão com os seguintes tópicos: controle de temperatura no refrigerador (exclusivo para vacinas), controle de temperatura e umidade ambiente, recebimento de mercadorias, lavagem das mãos, aplicação da vacina influenza, armazenagem das vacinas e limpeza e organização da sala de vacinas. COMO FOI FEITA A DIVULGAÇÃO DO NOVO SERVIÇO? Fizemos cartazes informativos sobre a importância de tomar a vacina, esclarecendo as dúvidas mais frequentes. Também fizemos divulgação no Facebook e na rádio para comunicar a população sobre o novo serviço e a oportunidade de se vacinar contra a gripe. COMO PROPRIETÁRIO DE FARMÁCIA, O QUE MUDOU DEPOIS QUE COMEÇOU A VACINAÇÃO? A aplicação de vacinas na farmácia trouxe um retorno financeiro bem positivo, pois tem uma margem de lucro bem atraente, acima da média dos outros produtos vendidos na farmácia. Depois que implantamos o novo serviço, atraímos novos clientes, pois aqueles que ainda não conheciam a farmácia passaram a conhecer depois da vacinação. E também fidelizamos os que já eram nossos clientes através do atendimento diferenciado, novos serviços e produtos de qualidade. VOCÊ SE CONSIDERA UM FARMACÊUTICO EMPREENDEDOR? POR QUÊ? Sim, devido ao grande crescimento e resultados positivos que a empresa vem apresentando desde que assumi a gestão, em 2011, dá para perceber que estamos no caminho certo. Temos atraído um público cada vez maior. E porque eu gosto do que faço, gosto de fazer cursos, participar de palestras e adquirir conhecimento para me aprofundar cada vez mais e exercer a minha profissão cada vez melhor. O FARMACÊUTICO EM REVISTA Edição 110 13

[close]

p. 14

EMPREENDEDORISMO HÁ OUTROS SERVIÇOS DIFERENCIADOS QUE VOCÊS OFERECEM NA FARMÁCIA? QUAIS? Sim, trabalhamos com cartão fidelidade, descontos agressivos, convênios com empresas, serviço de entrega (delivery), disk 0800, vendas através de call center e mensagens via celular lembrando aos pacientes que o medicamento está acabando. E constantemente os funcionários fazem treinamento de atendimento. Também promovemos campanhas com aferição de pressão e pretendemos contar com outros serviços que a Lei 13.021/14 permite como consultório farmacêutico, sala de nebulização, aplicação de injetáveis via endovenosa, perfuração de lóbulo de orelha, enfim, vamos avaliar as oportunidades que o mercado oferece. DEIXE UM CONSELHO DE VIDA OU UMA DICA PROFISSIONAL PARA NOSSOS LEITORES É preciso ter iniciativa para buscar novas oportunidades no mercado. E não se conformar quando ouvir um “não” sabendo que você pode e é capaz de realizar COMISSÃO DE VACINAS A iniciativa do Dr. Everson Bobato abriu discussão sobre o tema na classe farmacêutica. Por isso foi criada a Comissão Temporária de Regulamentação de Vacinas, Soros e Imunobiológicos para dar continuidade e avançar na elaboração de proposta de regulamentação de comercialização e administração de vacinas em farmácias. Posteriormente, a proposta será encaminhada para apreciação da SESA/PR. “LÍQUIDO CEFALORRAQUIANO - LCR” DR. JOÃO BATISTA COSTA NETO O FARMACÊUTICO EM REVISTA Edição 110 Acesse agora mesmo: www.crf-pr.org.br | Seção “Galeria de Vídeos” - Link - “Vídeos Palestras - Análises Clínicas” 14 “DISLIPIDEMIAS ” DRA. MARILEIA SCARTEZINI

[close]

p. 15

FISCALIZAÇÃO CRF-PR e SESA/PR promoveram encontro sobre fiscalização em farmácias A mesa de abertura foi composta pelo Dr. Deltan Dallagnol - Procurador da República e Coordenador da Operação Lava Jato; Dr. Paulo Costa Santana - Chefe do Departamento de Vigilância Sanitária - SESA/PR; Dr. Arnaldo Zubioli - Presidente do CRF-PR; Dra. Mirian Ramos Fiorentin - Vice-Presidente do CRF-PR; Dr. Eduardo Pazim - Gerente de Fiscalização do CRF-PR e Dr. Valmir de Santi - Vice-Presidente do CFF. Curitiba recebeu nos dias 11 e 12 de agosto a segunda edição do Encontro Estadual de Fiscalização, promovido pela Secretaria Estadual da Saúde (SESA/PR) em parceria com o Conselho Regional de Farmácia do Estado do Paraná (CRF-PR). Mais de 90 profissionais de todo Estado se reuniram para discutir o novo momento do setor farmacêutico no país, tendo em vista a Lei Federal 13.021/2014 que define farmácias e drogarias como estabelecimentos de saúde, deixando em segundo plano o viés comercial. O evento foi idealizado para atualizar os agentes de fiscalização sobre as novas legislações vigentes para o setor, além de contribuir para melhorar a integração entre os serviços de fiscalização da SESA e do CRF-PR. O objetivo é garantir à população uma assistência farmacêutica mais segura, com produtos de qualidade e orientação profissional adequada, tanto na rede pública quanto na rede privada. De acordo com o chefe do Centro Estadual de Vigilância Sanitária, Dr. Paulo Costa Santana, este alinhamento permite que os órgãos reguladores ampliem a vigilância em relação aos estabelecimentos. “Muito embora as duas entidades tenham atribuições diferentes, ambas prezam pelo bem estar do consumidor/paciente. Por isso, temos mantido um diálogo aberto para compartilhar informações sobre irregularidades que por ventura são encontradas durante as fiscalizações”, informou. O FARMACÊUTICO EM REVISTA Edição 110 15

[close]

Comments

no comments yet