"O Penitenciarista" Julho/Agosto 2015

 

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Um ano de Museu Penitenciário Paulista

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MUSEU PENITENCIÁRIO NO CARANDIRU COMPLETA UM ANO DE PORTAS ABERTAS PARA A COMUNIDADE Inaugurado em 28 de julho de 2014, o Museu Penitenciária Paulista (MPP) atua desde então com a missão de identificar, divulgar e salvaguardar o acervo material e imaterial resultante da execução penal, a partir de procedimento museológicos e de comunicação. Instalado em um local repleto de memórias – no terreno da extinta Casa de Detenção, no Complexo do Carandiru, o MPP tem a missão de ser um espaço aberto ao público, capaz de propiciar a reflexão sobre a história penitenciária e a pena. Seu acervo é composto por algumas peças que datam da década de 1920, onde se encontram detalhadas pinturas, esculturas e móveis feitos pelos detentos nas oficinas das penitenciárias e objetos que ajudam a remontar o cotidiano dos presos, como aparelhos de tatuagem e armas improvisadas. Também integram aproximadamente 20 mil peças sob sua guarda. Chama especial atenção a cela escura, réplica das celas de castigo, extintas na década de 1980. Esse é um local do museu, onde o visitante pode vivenciar o que significa permanecer preso por alguns minutos. O MPP utiliza ainda de ferramentas como Facebook, Twitter, Youtube, informativo impresso e outros meios inserindo-os nos contextos de reflexão sobre a trajetória histórica do sistema penitenciário, refletindo o compromisso com a ética museológica e a promoção da cidadania, a partir de ações de inclusão social, cultural, de acessibilidade e de estímulo à reflexão. O Museu em números: • Entre julho e dezembro de 2014, o MPP recebeu 8.020 visitantes e de janeiro a junho deste ano, 4.330 pessoas já conheceram o local. • Ao todo, 7.219 alunos da rede pública e 337 professores participaram de visitas educativas com agendamento prévio. Nesta modalidade, as turmas são divididas entre os educadores do museu estando um educador no ambiente interno e outro na área externa. Eles buscam a otimização da transmissão de conhecimento relativo ao tema penitenciário. Nas visitas sem agendamento, o visitante fica livre para ver o que mais o interessa, sem monitoria. Durante as visitas são exibidos filmes relacionados ao tema, em uma sala de projeção. • O “Programa Vizinhos do MPP” tem 518 pessoas cadastradas, através de questionário de avaliação sobre o nível de satisfação e aceitação do museu. • O MPP realizou duas exposições nesse período, ambas com o tema “cultura prisional”. O Penitenciarista • 1

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Sua relevância social se confere pela importância do conhecimento sobre o significado da “Cultura Prisional”, uma linguagem codificada, que se traduz em sinais de poder, comando, subordinação, tipos de crimes, enfim, uma maneira de agir, operar ou executar atividades seguindo procedimentos comuns. Sua relevância estrutural trata de registrar, valorizar e tornar públicas as memórias e experiências de funcionários, ex-funcionários e indivíduos que vivenciaram a construção do sistema penitenciário, apresentando condições de proporcionar-lhes um referencial sobre seu papel na sociedade, além de ressaltar para a população a importância dos trabalhos relativos ao tratamento penal. Com esse fim foram estudadas, planejadas e implementadas ações que tornaram possível localizar acervos, juntar todo o patrimônio na cidade de São Paulo, encontrar um prédio público na região mais relevante para história penitenciária (Carandiru) para constituição da nova sede, elaborar o projeto de reforma desse prédio, licitar e executar. Elaborar projeto para compra de mobiliário técnico para o museu possibilitando a criação de uma reserva técnica e uma pinacoteca. Elaborar um inventario único para o acervo, conseguir um programa para catalogação de acervo de museu, elaborar o plano museológico, um plano anual de atividades, um projeto expográfico, um projeto educativo para atendimento e monitoria aos visitantes, formar uma nova equipe de trabalho com profissionais com perfil para atuar em um equipamento cultural. Atualmente a equipe MPP/SAP desenvolve a etapa conhecida como “formação de público”. Para isso estão sendo oferecidas na sede do museu, além da exposição, a exibição de filmes e cursos por meio de parceria com as “oficinas culturais do estado de São Paulo. ” Com a abertura do Museu Penitenciário no Carandiru, nos juntamos as centenas de outros museus que contam a história da execução penal pelo mundo. Em uma breve pesquisa, encontramos 72 museus com essa temática no continente americano, 36 no continente europeu, oito no asiático, dois no africano e sete na Oceania. Nesse continente encontramos o museu citado nesta edição: Essa unidade foi construída em meados de 1800, em meio à corrida do ouro o que gerou uma onda de crimes. Lá ocorreram 133 execuções, a mais famosa delas foi a de Ned Kelly, enforcado em 1880 pelo assassinato de três policiais. O museu expõe várias máscaras mortuárias, assim como máscaras usadas no banho de sol, máscaras de castigo e luvas que limitavam e até anulavam o uso das mãos do condenado durante a pena. Lá existe também uma inusitada cela solitária, que nada mais é do que um buraco. A penitenciária foi fechada em 1929 e em 1972 o espaço tornou-se um museu. site: www.oldmelbournegaol.com.au

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Uma importante ação para o desenvolvimento de parcerias externas foi a criação da “Rede dos Centros Históricos e Museus Institucionais”, que possibilitou a troca de experiências de equipes que estavam atreladas a instituições que não tinham uma “atividade fim” cultural. Essa rede ajudou a angariar forças e encontrar soluções para os problemas comuns, já que muitas destas instituições passam por situações enfrentadas em nosso projeto. Espaços como a Secretaria de Agricultura e Abastecimento, com o Museu da Pesca; Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência, com o Memorial da Inclusão; Secretaria da Educação, com o Memorial da Educação; Secretaria da Fazenda, com o seu espaço expositivo histórico; Secretaria do Meio Ambiente, por meio da Coordenadoria de Educação Ambiental; a Secretaria da Saúde, com o Instituto Butantan, o Museu do Instituto Adolfo Lutz; Secretaria da Segurança Pública, com os museus da Policia Civil, Policia Militar e dos Bombeiros; Assembleia Legislativa, com seu Acervo Histórico; Tribunal de Justiça com o Museu homônimo; Tribunal Regional Eleitoral com o Centro de Memória Eleitoral (CEMEL); a SPTrans, com o Museu dos Transportes; Fundação Padre Anchieta, com o Centro de Memória Audiovisual, além do Exército e da Marinha e seus museus. MUSIAL - Museu do Instituto Adolfo Lutz Museu da Pesca Museu da Polícia Militar Museu do Tribunal de Justiça Memorial de Educação do Centro de Referência em Educação Mario Covas Memorial da Inclusão D Nessa edição comemorativa, apresentamos novamente o quadro “A Avó e a Neta” por ser uma das obras mais citadas de nosso acervo. Sua produção encontra-se documentada em filme produzido em 1928, onde é possível notar um preso ensinando a outro como pintá-lo. Em 2009 Lourival Gomes foi empossado como Secretário da Secretaria da Administração Penitenciária. O dirigente tem uma história no sistema penitenciário que iniciou em 1971. Ele havia se afastado e voltado ao sistema prisional paulista como Secretário Adjunto, depois dos ataques de 2006, com a posse de Antônio Ferreira Pinto. Logo após sua volta, em 2007, elabora um protocolo de intenções sobre a necessidade da criação de uma sede para um novo museu penitenciário. Concomitantemente, em 2008 foram empossados na SAP novos servidores com o cargo de executivo público, oriundos de um concurso da Secretaria da Cultura. Esses profissionais com experiência na atuação na área cultural chegam com o desejo de atuarem em novos projetos socioculturais. Título da Obra: A avó e a neta Artista: C. Lourenço Data: 29/05/1938

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JOSÉ FRANSCISCO DOS SANTOS (CHIQUINHO) Eu conheci o primeiro museu penitenciário quando entrei na Penitenciária do Estado na década de 1970. Era uma das coisas que eu mais gostava de ver, porque era novidade para mim. O museu contava um pouco da história que precedia o ano de 1971, então sempre que eu podia subia e dava uma olhada lá. Tudo ali era muito bonito. Ao contemplar os quadros, os objetos feitos artesanalmente e as pinturas maravilhosas, era difícil acreditar que o artista estava realmente privado de liberdade. “Puxa vida... como um cara que faz uma pintura dessas, realmente pode estar preso? ”, eu me perguntava. Havia também fotografias e histórias de funcionários mais antigos. O trabalho era muito bem organizado. Depois de um tempo, eu não sei porque, esse museu foi tirado da penitenciária e as peças, guardadas em lugares diferentes. Fiquei sem saber onde estavam e algum tempo depois encontrei quadros até em porões. Apenas com a criação da SAP, o material do acervo voltou a ser juntado. Mas só recentemente a Secretaria da Administração Penitenciária implantou um novo projeto, levando pela primeira vez a possibilidade de a população conhecer esse acervo histórico. Agora existe uma atenção maior para a história do sistema penitenciário do estado, pois muitas unidades prisionais têm história para contar e coisas para serem guardadas. Há muita coisa no interior de São Paulo e não só as histórias das extintas Casa de Detenção e Penitenciária do Estado devem ser contadas. Estou torcendo para que esse projeto tenha muito sucesso e que os funcionários novos e mesmo as pessoas que vão estudar assuntos penitenciários, tenham conhecimento, vejam e saibam o que existiu de bom ou até mesmo de ruim em todo esse tempo. Eu acho que é necessário e esse museu conta com todo meu apoio. JOSÉ FRANCISCO DOS SANTOS Diretor administrativo aposentado, atualmente trabalha como Assistente I. Titulo: ILHA ANCHIETA – REBELIÃO FATOS E LENDAS Autor: TEN. SAMUEL MESSIAS DE OLIVEIRA Editora: VIENA GRÁFICA & EDITORA Categoria: DRAMA Filme: A FORTALEZA O livro “Ilha Anchieta – Rebelião, Fatos e Lendas”, escrito pelo Ten. Samuel Messias de Oliveira, é a obra mais atual sobre a rebelião ocorrida na ilha, ao mesmo tempo documento de uma história viva. Com última edição em 2009, oferece uma excelente visão do acontecimento de 1952 e trata da criação, pelo próprio autor, do movimento de valorização histórica denominado “Filhos da Ilha”, que reúne os sobreviventes e parentes daquela página trágica da história de São Paulo. Envie sua opinião, fotos ou histórias relacionadas ao sistema penitenciário para a próxima edição do informativo “O Penitenciarista” Agende sua visita por e-mail ou telefone E-mail: comunicampp@gmail.com Telefone: (11) 2221-0275 Endereço: Av Zaki Narchi, 1207. Visite nossos Blogs: www.museupenitenciario.blogspot.com.br www.penitenciariapraqueblogspot.com.br PROGRAMA DE DIFUSÃO CULTURAL “O PENITENCIARISTA” Acompanhe-nos: Ex-soldado (Christopher Lambert) enviado à prisão subterrânea de segurança máxima. Ao descobrir que a vida de sua mulher corre perigo, nem o avançado computador que controla a prisão, nem o cruel diretor serão capazes de detê-lo. Duração: 1h28min Gênero: Ficção científica , Ação Ano: 1993 EQUIPE SAP/MPP: Sidney Soares de Oliveira, Edson Galdino, Osmar Mendes Júnior. ESTAGIÁRIOS: Ademir Martins Beatriz Soffiati, Diego Leandro De Alencar Gabriele Lopes da Silva Joselma Mourão Gomes Luma Pereira COLABORADORES: José Francisco dos Santos (Chiquinho) REVISÃO: Jorge de Souza APOIO: IMPRENSA SAP

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