Com as mãos: 24 artistas moçambicanos

 

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para a são

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agradecimentos ao antónio sopa pela amável cedência das biografias dos artistas aos autores dos textos pela disponibilidade e pelo entusiasmo com que abraçaram a ideia a todos os amigos não quero cometer a imprudência de os enumerar que de forma genuína e empenhada contribuíram para a realização deste projecto com o apoio de é uma chancela com as mÃos 24 artistas moçambicanos luís abélard edição © babel 2010 textos © alda costa Álvaro henriques antónio cabrita antónio sopa conceição siopa jorge dias josé forjaz josé luís cabaço luís carlos patraquim marcelo panguana maria pinto de sá mia couto nataniel ngomane paola rolletta rita chaves revisão mário azevedo projecto gráfico rui azevedo impressão printer em agosto de 2010 este livro foi composto com os tipos de letra lucida bright e din isbn 978-989-31-0005-9 depósito legal 315 011/10 babel avenida antónio augusto de aguiar 148 6º 1069-019 lisboa portugal tel +351 213 801 100 fax +351 213 865 396 e-mail babel@babel.pt www.babel.pt

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Índice com as mãos bertina lopes pádua mankeu malangatana shikhani noel langa samate chichorro reinata victor sousa Ídasse naguib bata tomo gemuce s dunduro sitoe ndlozy saranga jorge dias g mabunda anésia pekiwa pinto biografias 09 11 21 29 37 47 55 63 71 79 87 95 103 111 119 127 137 145 153 161 169 177 185 193 201 209 com as mãos 24 artistas moçambicanos 9

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com as mãos a ideia é simples fotografar artistas plásticos enquanto trabalham nas suas obras este projecto nasce na sequência de outros anteriores que sem eu ter consciência me foram aproximando desta fórmula os projectos moçambique a ilha a preto&cor 2003 caminhos 2005 a cor do som 2007 estabeleceram diálogos com a fotografia com a literatura e com a música estendê-los às artes plásticas foi um passo natural mas uma ideia que levou algum tempo a amadurecer conceptualmente pretendia fotografá-los a trabalhar nas condições e nos seus locais habituais desejava provocar o menor ruído possível e conseguir um resultado mais real e natural mesmo tendo em conta os riscos que corria em termos técnicos e estéticos o objectivo era registar a relação entre o criador e a sua obra realçar a plasticidade da cor e a magia do movimento os gestos e os momentos relegando para segundo plano questões como a falta de luz a permanente diversidade dos espaços ou a comodidade de um estúdio o conjunto de artistas apresentado resultou de contactos com os próprios estudiosos e conhecedores do meio das disponibilidades e da vontade de cada um o acolhimento foi bom por vezes entusiástico gemuce foi o primeiro ensaio e a primeira lição aprendi muito ao longo de quase três anos respeitar os tempos e os espaços reduzir o meu papel de voyeur ao ínfimo possível conversar e calar ao sabor da intuição e do instinto tentar não existir estando lá com a máquina a barulhar a cada disparo com tempo e paciência a maior parte dos meus modelos adaptou-se ao intruso tive o privilégio de partilhar momentos íntimos de euforia prazer frustração alegria silêncio conheci o desespero de não conseguir obter o que se sabia ser possível e o sentimento de imensa satisfação pelos resultados muitas vezes ultrapassarem as expectativas os cheiros das tintas das madeiras do barro das colas das casas atribuem a cada um em conjunto com as paletas de cores e dos materiais uma identidade própria da experiência guardo um imenso respeito pelos artistas pela dedicação obstinação humildade e generosidade que os transformam em pessoas outras que vão mais longe que voam mais alto que vêem mais além Ídasse foi o último ensaio e mais uma lição pelo meio guardo inúmeras recordações a partilha de um copo de água com pekiwa a longa conversa com malangatana a dança com bertina lopes para referir apenas algumas este é um livro de fotografia de emoções e momentos não sendo um catálogo de artistas ou de técnicas de pintura contém um conjunto de textos tentei na medida do possível contactar e eleger autores que conhecessem ou estivessem próximos dos meus modelos o resultado final aprofunda o conhecimento destes 24 artistas e são contributos pessoais que pela sua relação com a arte moçambicana nos trazem o lado humano e emotivo de cada um destes escritos muitos foram os que me tocaram profundamente pela forma delicada e nobre como o fizeram segundo philippe dubois em o acto fotográfico a fotografia surgida nos finais do séc xix não passava de uma técnica baseada na óptica e na química com resultados surpreendentes mas condenada a ser uma arte sem mãos uma vez que essa estava reservada aos artistas esses sim trabalhavam com as mãos passados pouco mais de 150 anos destas disputas a fotografia fez o seu percurso e é hoje também uma forma de arte todos trabalhamos com as mãos e sabemos que o acto de criar é pessoal e íntimo como um parto poder partilhá-lo é uma oportunidade rara luís abélard com as mãos 24 artistas moçambicanos 11

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a força maior de uma revolução é o amor bertina lopes 1924

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ela é a mãe e o pai da pintura moçambicana quando o mestre malangatana disse que a bertina é a mãe e o pai da pintura moçambicana foi finalmente feita justiça foi reconhecido já lá vão alguns anos pelo expoente máximo da pintura moçambicana o papel de bertina lopes na pintura de moçambique pela primeira vez uma mulher pela primeira vez uma mulher especial demasiado branca para ser preta e demasiado preta para ser branca uma mulher que viveu e ainda vive a pintura como o mundo-outro para dizer o que não lhe foi concedido dizer no mundo-real por várias razões de vida de cor de dor ninguém pode ficar indiferente perante as várias fases da pintura de bertina na história da pintura muitas vezes o seu nome é posto ao lado da mexicana e grande artista frida kahlo duas vidas diferentes mas com traços comuns muito fortes e sobretudo com qualidades pictóricas e humanas muito peculiares a alcunha dela é mama b toda a gente em roma e no mundo sobretudo lusófono conhecem bertina por esse nome e quantas vezes é reproduzido nas inúmeras mensagens de carinho escritas por cardeais e embaixadores ministros e presidentes actores e cantores pintores e gente comum como eu nos muros da casa de onde se vêem os telhados de roma por entre os escritos as esculturas em bronze os prémios as telas enormes coloridas a fase a vida é uma erupção vulcânica ou aquela do jazz ou ainda a fase espacial ou aquela chamada totem ou ainda a da luta de libertação ou aquela da crítica social quem nunca morre e tudo recorda é o povo e sobretudo a fase transversal a toda a sua pintura a força maior de uma revolução é o amor bertina conta anedotas sorri à vida leva tudo com a ligeireza sonhadora dos grandes artistas e fala uma língua que é só dela o bertinês ainda hoje passados muitos anos na capital italiana aquela mistura de português e italiano com um tom baixo e arrastado como se tivesse sempre de traduzir não apenas as palavras mas aquilo que sente na alma não muda À medida que a idade avança bertina não deixa de ensinar a arte de viver com um sorriso apesar da dor a arte da curiosidade da generosidade e sobretudo a grande arte de não se levar demasiado a sério a ironia a arte e o prazer da convivência natural e social ela nunca se esqueceu de onde veio nunca esqueceu a luta do seu povo e a luta dela ao seu lado embora geograficamente distante ela é a mãe e o pai da pintura moçambicana paola rolletta 14 com as mãos 24 artistas moçambicanos

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