Revista-Comercio-Industria-Setembro-2015

 

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ÍNDICE CAPA FONEJÁ vira franquia HOMENAGEM Padaria 9 de Julho ABANDONO Sucatas pelas ruas PESQUISA Poder de compra para baixo 8 O empresário Aristóteles Melo transforma o FONEJÁ em ferramenta de alta tecnologia e coloca a empresa no mercado de franquias para todo território nacional. 14 Luís Dolfini tornou a Padaria 9 de Julho, comprada de Leonardo Hortence, em 1956, num dos grandes tesouros da história da panificação em Araraquara. 16 Quem transformar a via pública em ferro-velho terá que pagar uma multa de R$ 5.520,80. Eles são carros abandonados pelos donos, mas fica a pergunta: “quem vai multar?” 22 Pesquisa organizada pelo Sincomercio em Araraquara mostra que o consumidor está comprando menos. Na contramão a cesta básica aumentou quase 14% em julho. Segurança 10 | Polícia Militar apresenta na ACIA o programa Educação para Segurança nas Compras feitas no comércio Banco de Talentos 20 | Reformulado ele mostra que as empresas encontrarão os profissionais que precisam Sindicato Rural 25 | Eleições previstas para 4 de dezembro definirão quem será o novo presidente da entidade em 2016 Modernidade 30 | Isso é o que quer o presidente Luís Henrique ao aprovar com a diretoria, o novo estatuto da Canasol Se é para o bem de todos... Ensaiando sacrifício, disposição e leitura do “se é para o bem de todos e felicidade geral da cidade, estou pronto, digam ao povo que vou”, o homem forte do governo Barbieri, Aluísio Brás, é pré candidato a prefeito em 2016. Ele foi lançado na convenção municipal do PMDB em agosto, quando o partido elegeu sua nova Executiva. Com a indicação, o vereador Elias Chediek decidiu retirar sua candidatura, deixando o caminho livre para o Boi passar. Orquidófilo tem data para comemorar Foi durante a 10ª edição da Exposição Nacional de Orquídeas que a Associação Orquidófila de Araraquara que conta com 50 membros, recebeu a notícia: está criado O Dia do Orquidófilo na cidade. No Brasil a comemoração já existe, em homenagem a João Barbosa Rodrigues, que nasceu em 22 de junho de 1842, em São Gonçalo de Capivari (MG). Engenheiro, naturalista, botânico, taxonomista, Rodrigues foi durante quase 20 anos, diretor do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. A data entra a partir de agora no calendário oficial de eventos de Araraquara, iniciativa do vereador Adilson Vidal. João Barbosa Rodrigues 4

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DA REDAÇÃO Sônia Maria Marques GRANDES CLUBES A história do Bangu MISS MUNDO 2015 Seletiva em Araraquara Nem tudo são flores na estação primavera Setembro, início da Primavera, período cheio de vida, muitas flores, a cidade mostra um novo paisagismo apresentando suas árvores floridas. Tudo fica lindo, a natureza mais bela... Só que nem tudo segue essa regra e tristes exemplos estão no abandono de imóveis, alguns transformados em lixeiras ou casa transitória. Um deles pode ser visto diariamente na Av. 36, corredor comercial importantíssimo da cidade e que dá acesso à Washington Luís, shopping e indústrias. Na 36 esquina com Voluntários da Pátria, antes um posto de combustível dos mais movimentados e hoje desativado, tem chamado a atenção. O posto não só está abandonado, mas também sendo depredado, com mato alto pelo muro, lixo e depósito de papel de propaganda. O quiosque no centro desse posto serve ultimamente de ‘’casa’’ para algumas pessoas dormirem e o mais sério, uma das bombas de combustível, encontra-se com um buraco na sua base, provocado por vândalos provavelmente. E aí, esse buraco não vai aumentar e tornar-se mais perigoso? Será que tem em seus tanques algum resquício de combustível, e se tiver, não é mais preocupante ainda? E de quem é a responsabilidade do estado lastimável em que se encontra esse posto desativado? Certamente do proprietário. O local está interditado? Passará por alguma reforma? Enfim, além de não contribuir para a beleza da cidade, traz uma situação preocupante para quem passa pela Av. 36, para o comércio e moradores próximos. É fácil resolver: se está com placa de vende ou aluga, é só intimar o proprietário do imóvel para cumprir com suas obrigações. 44 Francisco Brasilino, relembra a tragédia com o caminhão que levava jogadores do Bangu em 1967. No acidente faleceram seu irmão Alcênio e o menino Arnaldo. 56 Interessados em participar do Miss Mundo, como Aline Hammerschimidit, que já sentiu esta emoção, já podem se inscrever na Jô Models. Dia do Gaúcho 38 | Gaúchos reunidos pela RCI contam suas histórias na comemoração da data Viver Feliz 74 | Luís Carlos Bedran mostra em sua crônica como as pessoas podem viver de bem com o mundo Cidade será alertada sobre riscos O pesquisador do Inpe, Eymar Silva Sampaio Lopes mostrou como funciona o equipamento EDIÇÃO N°122 - SETEMBRO / 2015 Instalado na Central de Monitoramento da Arena da Fonte, o Centro Integrado de Alerta de Desastres Naturais já está em operação. O Ciaden, como é chamado, possibilita antecipar o alerta sobre intempéries, em tempo real, na região de Araraquara, monitorando 26 cidades. O sistema coleta dados de estações meteorológicas e satélites e aponta a localização e o momento exato das ocorrências, além de fornecer informações antecipadas sobre o clima. A partir do Ciaden, já é possível alertar a Defesa Civil de cada município da região para evitar ou minimizar tragédias causadas por vendavais, granizo, alagamentos, raios e também queimadas.O município teve que recorrer a parcerias com o Sincomercio, Supermercado 14 e Usina Santa Cruz para viabilizar a instalação do equipamento. Segundo o coordenador da Defesa Civil, Edson Alves, a entrega do novo serviço, além de ser “uma conquista histórica para Araraquara e região, é muito importante para a comunidade se prevenir”. O major Marcos de Paula Barreto, subdiretor estadual da Defesa Civil, enalteceu a entrega do equipamento. “Ele facilitará as ações de contenção de riscos” disse o major. Após a solenidade, o pesquisador do Inpe, Eymar Silva Sampaio Lopes, explicou para as autoridades alguns detalhes do funcionamento do serviço. 5 Diretor Editorial: Ivan Roberto Peroni Supervisora Editorial: Sônia Marques Redação: Rafael Zocco Depto. Comercial: Gian Roberto, Silmara Zanardi, Marcos Assumpção, Heloísa Nascimento Design: Carolina Bacardi, Bete Campos Tiragem: 5 mil exemplares Impressão: Grafinew - (16) 3322-6131 A Revista Comércio & Indústria é distribuida gratuitamente em Araraquara e região * INFORMAÇÕES ACIA: (16) 3322 3633 * COORDENAÇÃO, EDITORAÇÃO, REDAÇÃO E PUBLICIDADE Fone/Fax: (16) 3336 4433 Rua Tupi, 245 - Centro Araraquara/SP - CEP: 14801-307 marzo@marzo.com.br

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EDITORIAL Centro comercial vive seu pior momento Não faz nem três meses apresentamos o quadro caótico do centro comercial da cidade com lojas fechando e a insegurança do investidor apostar na abertura de algum tipo de negócio na região considerada mais nobre de Araraquara. A crise econômica estabelecida pelo governo petista - Lula e Dilma - para ser bem claro, atingiu setores produtivos do País e consequentemente da cidade, buscando-se então sob a chancela de governabilidade social, maquiar uma situação que mostra de forma clara, os reflexos da irresponsabilidade administrativa. O medo de se aplicar recursos a esta altura, leva a economia para baixo; o temor conduz o lojista a vender o que tem pela metade do preço só para entregar o prédio e quem fica - disse um corretor - procura negociar. Quando isso não ocorre, a alternativa é fechar uma loja no centro e escolher um bairro emergente para se estabelecer. Quem percorre as ruas comerciais de Araraquara, a dura realidade salta aos olhos. Tanto lojas antigas, em pontos tradicionais, quanto lojas novinhas, amargam a falta de clientes. Para especialistas do mercado imobiliário e lojistas, os motivos são a crise econômica do país, o limite de demanda nos bairros e o custo do aluguel. Com menos dinheiro no bolso, o consumidor está mais cauteloso, e os comerciantes não têm como pagar os aluguéis estratosféricos, inflados pela alta do mercado imobiliário. Lojas vazias e prédios para alugar no principal ponto comercial da cidade impactam outras áreas, pois elas também começam a encontrar dificuldades para tocar a vida. Se em regiões tradicionais do comércio os lojistas estão passando o ponto, o fenômeno não poupa locais mesmo que surjam novos empreendimentos imobiliários planejados, paralelamente a propostas de formação de um novo mercado consumidor. Aluga, placa que começa a ser vista com mais frequência no centro antigo da cidade Embora o governo diga que isso é coisa de pessimista, o contraponto está na realidade, pois é possível observar lojas vazias e a exposição de telefones de imobiliárias e placas empoeiradas onde se lê “aluga-se”, “vende-se” e “passa-se o ponto”. Há casos em que o empreendimento está pronto há muito tempo, e as lojas nunca foram alugadas. Para corretores, o problema é também a relação entre o alto preço dos aluguéis e o comprometimento do poder aquisitivo dos consumidores. Na verdade, o preço cobrado pelo aluguel de lojas não está adequado neste momento à situação econômica do país. Há uma crise geral de vendas. A demanda é baixa. Então, os proprietários dos espaços comerciais teriam que adequar o valor do aluguel ao que os lojistas podem pagar atualmente. Segundo os cálculos, para o comércio de rua, o gasto com aluguel pode chegar, no máximo, a 10% do faturamento do comerciante. Se for mais, fica difícil manter as portas abertas. A crise poderia ser globalizada se o governo, às custas de vencer uma eleição, não tivesse mentido tanto, aplicando golpes de maquiagem e comprado a esperança de milhões de brasileiros com o que chamam de projetos sociais, como Minha Casa, Minha Vida, que o secretário José Carlos Porsani, da Promoção Social definiu bem: “Minha Casa, Meus Problemas”. E ele tem razão, pois imóveis entregues no Valle Verde mostram casas sem energia elétrica, vazamentos em baixo da pia, etc. Não é por causa de uma prestação de R$ 25,00 que ao governo se dá o direito de entregar um empreendimento com problemas. Falta seriedade no cumprimento contratual. Mas, nem de todo estamos perdidos. Araraquara agradece a generosidade do governo, por tudo que ele tem feito, pois enquanto existir a política do “toma lá dá cá”, seremos um povo submisso aos caprichos e aos desmandos e sem forças para praticar qualquer tipo de reação. 7

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REPORTAGEM DE CAPA FONEJÁ usa tecnologia para consultas de telefones e endereços comerciais O empresário Aristóteles Melo comemorou no dia 22 de agosto, o décimo ano de atividades do antigo Diskfone 3303-3000, hoje FONEJÁ 3303-3000, anunciando novos serviços e a utilização de recursos tecnológicos que colocam a empresa em posição de destaque no cenário nacional, dentro do seu segmento. O empresário Ari Melo agrega dois novos serviços ao FONEJÁ 3303-3000: internet e celular A ousadia de um projeto implantado em 2015 não apenas coloca o FONEJÁ como modelo em sua área de atuação, mas também permite à empresa se posicionar como centro gerador de negócios através da abertura de franquias em todo o País. Considerado durante 10 anos o guia informativo mais acessado pelos araraquarenses, o FONEJÁ 3303-3000 substitui hoje, o Diskfone 3303-3000, mantendo o antigo perfil de atendimento, porém, com características funcionais extremamente modernas e o uso permanente de recursos tecnológicos. Seu proprietário, Aristóteles Melo, ao investir na revitalização dos serviços prestados pela empresa - cerca de 8 mil consultas diárias de telefones e endereços - está garantindo ao público o surgimento de outras alternativas na busca pela informação: acesso pelo celular e internet. “Quando uma pessoa necessita saber o número do telefone ou endereço de determinada loja, liga para o FONEJÁ 3303-3000 e em segundos tem a resposta”, afirma Ari, como é costumeiramente chamado. O atendimento das 7h às 22h, inclusive aos sábados, domingos e feriados, agora chega ao celular e à internet com um banco de dados que oferece mais de 3 milhões de informações, assegura o empresário. A remodelação total do sistema permitirá ao FONEJÁ multiplicar seu poder de cobertura, atingindo todo Estado de São Paulo e grandes centros brasileiros através da implantação de franquias. O importante, comenta Ari Melo, é que o usuário do FONEJÁ 3303-3000, quando em busca de uma informação, recebe toda orientação dos atendentes que são treinados para também encon- trar empresas que o cliente esqueceu o nome. “Somos então um agente facilitador na vida do usuário”. Franquia Em vários pontos do País já começam a aparecer as primeiras empresas franqueadas pelo FONEJÁ de Araraquara. Uma franquia funciona como uma espécie de filial de determinada empresa, com o objetivo de oferecer o mesmo tipo de serviço, aproveitando a marca que se tornou conhecida e o seu know-how. É o resultado de um trabalho responsável, ético e dotado de estrutura tecnológica do mais alto nível, orgulho para a nossa cidade. NOVOS SERVIÇOS INTERNET - No site www.foneja.com o usuário encontra telefone e endereço com mapa e informações adicionais, como pequeno histórico da empresa pesquisada (também fotos e vídeos). No site, para Araraquara, serão informadas todas as empresas associadas. Por sinal, as empresas associadas têm a vantagem na parceria com o FONEJÁ 3303 3000, de terem acesso irrestrito ao Banco de Dados e relatórios de pesquisa. CELULAR - O aplicativo FONEJÁ para celular, hoje disponível para Android e IOS e em breve para Windows Phone, é gratuito, leve e fácil de ser utilizado. Através deste Aplicativo, em Araraquara, serão informadas as empresas associadas, com a possibilidade da pesquisa ser feita pelo nome da empresa ou então categorias. O resultado apresenta telefone e endereço com mapa GPS, que localiza a posição do usuário e o percurso. Ari Melo, proprietário do FONEJÁ, com suas irmãs Aliciane Melo e Aline Melo, da gerência comercial 8

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PROGRAMA Polícia Militar lança Educação para segurança nas compras O Comandante da PM em Araraquara falou na ACIA, que é importante a comunicação de ocorrências para que haja o mapeamento da criminalidade e direcionamento do policiamento. A prevenção é a melhor arma, comentou. Renato Haddad com o comandante da PM, Ten. Cel. Ziul Martins Rodrigues, capitão Zecheto e tenente Runho Com o objetivo de intensificar o Programa Dicas de Segurança para comerciantes e consumidores, o tenente coronel Ziul Martins Rodrigues, comandante do 13° BPMI, com sede em Araraquara, se reuniu com o presidente da ACIA, Renato Haddad, em agosto, participando também do encontro, o capitão Moisés Sabino Zecheto (comandante da 1ª CIA) e o tenente Saulo Vieira Runho (comandante interino da 3ª CIA). “O nosso objetivo é estreitar o relacionamento com empresários e consumidores, passando a eles orientações que possam contribuir na segurança pessoal de cada cidadão”, explicou Ziul que assumiu recentemente o comando do batalhão da Polícia Militar em nossa cidade. Segundo ele, “é sabido que o criminoso, na maioria das vezes, aproveita a oportunidade e a distração por parte da vítima para agir, isto é, a vítima se porta de maneira desatenta do que ocorre ao seu redor ou até mesmo age de forma imprudente, não observando à sua volta circunstâncias perigosas, criando a oportunidade perfeita ou mesmo facilitando a ação delituosa”, justificou. As orientações constantes do programa estão em dois folders elaborados pelo Centro de Comunicação da Polícia Militar. Um deles é apresentado como “Dicas de Segurança”, direcionado aos comerciantes e consumidores. O outro surge como novidade - Educação para Segurança nas compras, argumentando que a prevenção é a melhor maneira de inibir a ação de criminosos. Renato Haddad disse a Ziul que uma das principais reivindicações dos comerciantes é o trabalho de prevenção nos corredores comerciais da cidade, e que a passagem permanente das viaturas nestas regiões minimizaria o temor que os empresários têm enfrentado nos últimos anos com a ação dos bandidos. Comandante do 13° BPMI de Araraquara, Ten. Cel. Ziul Martins Rodrigues, Renato Haddad (ACIA), capitão Moisés Sabino Zecheto (comandante da 1ª CIA) e o tenente Saulo Vieira Runho (comandante interino da 3ª CIA), na reunião realizada na Associação Comercial 10

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É preciso lembrar e reconhecer sempre a luta e o trabalho de empresas que ajudaram na economia da nossa terra. Começo de 1966, Araraquara adormece com a triste notícia do incêndio que destruíra a Indústria de Bebidas Da Valle, de propriedade de Orlando Francisco Da Valle, na Rua Gonçalves Dias, 747. Os telefones da fábrica - 3018 e 3811 - silenciaram por muitos dias, até a Companhia Telefônica Brasileira restabelecer as linhas destruídas a partir dos postes na rua. O filho de Orlando, o Chico (relojoeiro) explicava aos amigos que tudo daria certo e que a fábrica voltaria a todo vapor na fabricação do seu carro-chefe, o F .Q.F ., Creme de Cacacu, Fernete, Xaropes entre eles a Groselha e Vinagres. Os vendedores Dorival (fazia a cidade) e Lázaro Pedroso (a região) ficaram muitos dias sem trabalhar. A história da empresa terminou com a venda da marca F .Q.F . para a Primor de Jaú. Ernesto, Roberto e Amleto formavam a Fábrica de Massas Alimentícias São João. O mais divertido deles era o Roberto Martini, que foi diretor do Palmeiras da Vila Xavier por longo tempo. A fábrica ficava na Rua 9 de Julho, 1479, esquina com a Avenida Mauá, na década de 60; com o seu fechamento, a Rimini Veículos foi para lá. O espaço também passou a ser ocupado por uma loja de móveis e estofados, sendo atualmente uma academia de ginástica. Quando o telefone 22-0423 tocava já se sabia que o irmão Sylvio Martini, deputado estadual pela Arena, estava para chegar e a fábrica se tornava em verdadeiro comitê político. Curioso é que os irmãos Martini vendiam o macarrão solto em caixas para atender os clientes que pediam - “quero 200 gramas de macarrão”. O macarrão era pesado e embrulhado num papel rosa puxado do suporte. Já o macarrão de 500 gramas vinha num pacote azul, cor adotada pela nobreza da família Martini. Uma das exigências do Instituto Brasileiro do Café na década de 60 foi de que as torrefações de café se juntassem em forma de cooperativa. Assim, em Araraquara, foram agregadas as marcas do Café Papito, Esplanada, Santo Antônio (Sylvio Mascia) Nogueira e outras da região que fundaram o Café IRCA (Indústrias Reunidas de Café Araraquara). Em 1970, Sylvio Máscia, por força da lei, impossibilitado de continuar com o Café Santo Antônio, na Rua Armando Salles de Oliveira, 295, telefone 2389, passou a ser distribuidor do Café Pelé que surgia no mercado. Além disso passou a comprar e vender café em côco, para aumentar sua cota de ações no Café Irca. Em outubro de 1972, o quilo do café Pelé custava Cr$ 5,60, o mesmo valor de hoje. Américo Pasetto, além de pães, produzia bolachas finas e macarrão, organizando a entrega em um furgão que saia da Avenida 15 de Novembro, 503, onde hoje está a Padaria Flório. As bolachas eram feitas de Araruta (farinha de araruta, rica em nutrientes, servindo para alimentar crianças). 12

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EM ALGUM LUGAR DO PASSADO Padaria 9 de Julho, o requinte da Fonte. O relógio nem batia quatro horas da madrugada e lá estavam os padeiros de rua em sua charrete com bagageiro para levar pão e leite aos fregueses em casa. A Padaria 9 de Julho, de Luís Dolfini, marca um capítulo importante na história da panificação da cidade, a partir de 1948. 1956. Primeiro de abril. A cidade nem bem despertou e Luiz Dolfini colhe a primeira fornada de pães, entre eles o “sovado” e as bengalas. As rôscas e os pudins foram feitos no dia anterior, sábado a tarde, com ajuda de Maria, sua esposa. Seria o primeiro dia de trabalho de Luís Dolfini que acabara comprando a padaria de Leonardo Hortence, que desde 1949 mantinha com o irmão Luís Hortence, a Padaria São Geraldo, na Rua Itália esquina com Prudente de Morais. Dolfini também era sócio dos dois irmãos. Certo dia, Luís Dolfini fez a opção de comprar a Padaria 9 de Julho de Leonardo, seu cunhado. Com a saída de Leonardo que fora então montar a Padaria 9 de Julho, entrou em seu lugar um outro irmão, de nome Ângelo, na Padaria São Geraldo. Na verdade, tudo começa oito Em 1946 a Padaria 9 de Julho funcionava num pequeno espaço e duas portinhas de esquina com Leonardo Hortence; em 1958, Luís Dolfini assumiu e construiu este prédio anos antes (1940): Dolfini, se casara com Maria, irmã de Leonardo, Luís e Ângelo. Já com um filho, Edson Roberto, a família foi para Santo André, retornando então em 1949 para participar da sociedade da Padaria São Geraldo. Conhecedor do ramo, Luís Dolfini entrou com os equipamentos, os cunhados Leonardo e Luís com o prédio e instalações. Como Leonardo montou sozinho a 9 de Julho, no Primavera, seu irmão Ângelo ingressou na sociedade da Padaria São Geraldo. A compra da Padaria 9 de Julho se deu então em 1956, já com Maria e Luís Dolfini tendo quatro filhos: Edson Roberto, Carlos Alberto, Marina e Luis Carlos. A família se consolidava como panificadores na Rua 9 de Julho. Com visão empresarial aguçada e vendo o crescimento da cidade em direção à Fonte Luminosa, ele apostou em investir no projeto de ampliação do prédio, tornando-o num sobrado para abrigar a padaria em baixo e morar na parte de cima. A Norma e Roberto Dolfini, filho de Luís, em um dos muitos momentos de felicidade, comemoraram Bodas de Ouro de casamento no ano passado inauguração da nova panificadora se deu quatro anos depois - 1960, sendo referência no mais movimentado corredor comercial da cidade naquela época. A partir daí, Luís que já contava com a colaboração da esposa Maria, viu se aproximar ainda mais o filho Edson Roberto, agora com 19 anos de idade. Contudo, Roberto ou “padeirinho” como Em 1946, quando ainda sócio com Leonardo e Ângelo Hortence, na Padaria São Geraldo, Luís Dolfini ao lado da esposa Maria e os filhos Luís Carlos e Roberto Luís Dolfini, ainda jovem na sua chegada a nossa cidade em 1940 14

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Roberto e Norma quando assumiram a Padaria 9 de Julho em 1980, com dona Maria (esposa de Luís Dolfini). Também na foto os filhos de Norma e Roberto: Valéria, Paulo e Maria Angélica e o neto Daniel Marina, Luís Carlos, Carlos Alberto e Roberto, ao lado da mãe Maria em setembro de 2008 ficou carinhosamente conhecido, desde os 12 anos trabalhava com o pai, devidamente registrado até mesmo por uma exigência do Ministério do Trabalho. “Fiz uma parte do primário no Grupo “Padeirinho” no Santana nos anos 60 ao lado de Tito, Demá, Escolar “Antonio J. de Moacir, Capelli, Paraguaio e tantos outros craques do nosso Carvalho” e no Grupo futebol amador “Pedro José Neto” (Rua 4), o ginasial começei no Duque de Caxias e terminei no São “Curiosamente conheci minha esposa Bento junto com o Ensino Médio. A partir assistindo o filme O Milagre, que contava daí passei a trabalhar integralmente na a história de uma noviça que resolve padaria”, recorda Roberto. abandonar o convento certa de que não Dos irmãos ele foi o único a seguir está seguindo a sua verdadeira vocação, os passos do pai: Luís Carlos se formou com Carroll Baker e Roger Moore, que em Medicina; Marina, é professora de anos depois, seria o James Bond”, inglês e português e Carlos Alberto recorda Roberto. acabou criando seus próprios negócios. Bom de bola, ele começou jogando Em 1964 já casado com Norma que no campo do Santana, pelo Botafogo, ele conhecera um onde hoje é o IEBA; depois passou ano antes no antigo pelo Bangú do Lalo, Andaray, Dema, Cine 9 de Julho, Santana, Paulista, chegando até Roberto também mesmo à Ferroviária nos tempos de conciliava família Picolim. Mas com o falecimento do e trabalho, com a pai em 1971, assumiu definitivamente paixão pelo futebol. os negócios da família e com eles permaneceu até 1988, quando decidiu encerrar após 39 anos as atividades da Padaria 9 de Julho. Pelo menos 32 anos a padaria ficou com os Dolfini. A Família Com o prédio transformado em uma das agências do Banco Itaú na cidade, Roberto e Norma já aposentados, hoje buscam viver mais intensamente para os filhos e netos. Ela, professora e aposentada como diretora de Escola (Selmi-Dei) mantém um ritmo de vida tranquilo de viagens e visitas aos filhos: Sandra, reside em Campinas; Valéria e Maria Angélica, em Araraquara e o filho Paulo, residente em Londres, onde estiveram ainda recentemente. Ao todo, o casal tem 7 netos e 2 bisnetas. A História Para muitos, a imagem de Luís e Maria atendendo o balcão sempre será lembrada. Eram os tempos de uma Araraquara romântica com 45 mil habitantes, acordada pelos apitos do trem cortando o sertão para anunciar que o progresso estava chegando. Jogando futebol pelo time do DEMA, onde hoje funciona a Guarda Municipal no começo dos anos 60 Roberto e Norma, 55 anos depois, em frente ao prédio construído para abrigar a Padaria 9 de Julho 15

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