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CARTA DO EDITOR situação na República da Guiné-Bissau, uma vez mais, está a inspirar cuidados após o Presidente da República, José Mário Vaz ter demitido o governo do Primeiro Ministro Domingos Simões Pereira alegando dificuldades de relacionamento institucional e de ter provas evidentes de corrupção e nepotismo. Na altura em que fechavamos a edição o País estava sem governo, muito embora o Presidente estivesse a encetar conversações com as forças políticas para que tudo voltasse aos carris, isto no quadro de uma grande pressão nacional e internacional, um assunto que merecerá a nossa análise em próximas edições. A África, aliás, merece destaque nesta edição onde apresentamos uma exaustiva abordagem relativa ao desenvolvimento do continente que conhece sinais encorajadores, mesmo com um230x148.pdf panorama Pulungunza-AF imprensa 1 político 17/07/15 A DOPPEL menos bom porque em alguns países ainda se vive o clima da guerra fratricida. Na nossa região a SADC esteve reunida em cimeira presidencial e também fez a leitura do momento onde urge os países priorizarem a melhor exploração das suas riquezas naturais para que as performances sejam mais pujantes na luta contra a fome e a pobreza. E isto passa por ter países com regimes estáveis, pelo que é salutar a consolidação da democracia, mesmo que se respeitem as especificidades de cada um deles. Só assim a África se munirá de instrumentos e voz para combater a discriminação que as vezes conhece na relação com outros continentes onde um facto palpável é o tratamento nada humano com que em alguns países da Europa se dá à força de trabalho africana. No caso presente, abordamos em reportagem a questão dos desportistas do nosso continente que aliciados com promessas de mais dinheiro e futuro promissor, 15:36 embarcam por uma aventura que muitos deles, por qualquer fracasso, não triunfam e são atirados para o desprezo sem possibilidades financeiras para regressarem aos seus países de origem. A passar também por maus momentos está o Brasil onde o governo da Presidente Dilma Rousself é alvo de uma contestação jamais vista numa altura em que se agudiza a crise económica e financeira com reflexos no bolso do cidadão comum. Aperta-se também o cerco a políticos empenhados em trafulhas corruptivas que lesaram sobremaneira o erário público, processo que na justiça recebeu o nome de Lava Jacto. Agosto de 2015 permite-nos oferecer aos nossos leitores uma publicação mais rica em conteúdo na esteira de tornarmo-nos cada vez mais uma referência obrigatória nessa arte de formar e informar em que estamos inseridos. Boa Leitura. 4 Figuras&Negócios - Nº 164 - AGOSTO 2015

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7. EDITORIAL DIVERSIFICAR COM ESTRATÉGIA 17. PONTO DE ORDEM MEDIDAS ESTREITAS 20. LEITORES O FENÓMENO "MATA-AULA E AFTER PARTY" 22. POLÍTICA EDUARDO DOS SANTOS O TABU DA TRANSIÇÃO 24. PAÍS ONDE ESTÁ A MASSA 26. SOCIEDADE EMPREGO PARA A JUVENTUDE 32. FIGURAS DE CÁ 37. MUNDO REAL 43. NA ESPUMA DOS DIAS GEOGRAFIA DOS SENTIDOS NO SENTIDO DA VIDA 72. ECONOMIA & NEGÓCIOS CONJUNTURA DA CRISE ECONÓMICA 78. ÁFRICA CABO VERDE NOVOS TEMPOS NOVAS EXIGÊNCIAS 84. MUNDO BRASIL DEMOCRACIA À PROVA 88. AMBIENTE QUE MAL FEZ O LEÃO CECIL? CAPA: BRUNO SENNA 10. PÁGINA ABERTA "SINTO QUE CUMPRI O MEU PAPEL" CULTURA 38. 90. MODA & BELEZA NADIR TATI ESPALHA CHARME NA EXPO MILÃO 92. FIGURAS DO MÊS 6 Figuras&Negócios - Nº 164 - AGOSTO 2015 MOVIMENTO DO CABELO NATURAL TAÍS ARAÚJO VIRADA PRA LUA

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REPORTAGEM 44. NEGÓCIO DE JOGADORES ILEGAIS MOVIMENTA MILHÕES ÁFRICA A ÚLTIMA FRONTEIRA? DOSSIER 56. 96. VIDA SOCIAL 100. FIGURAS DE LÁ 104. RECADO SOCIAL Figuras&Negócios - Nº 164 - AGOSTO 2015 Publicação mensal de economia, negócios e sociedade Ano 15 - n. º 164, Agosto – 2015 N. º de registo 13/B/97 Director Geral: Victor Aleixo Redacção: Carlos Miranda, Júlia Mbumba, Sebastião Félix, Suzana Mendes e Venceslau Mateus Fotografia: George Nsimba e Adão Tenda Colaboradores: Édio Martins, Juliana Evangelista, João Barbosa (Portugal), Manuel Muanza, Rita Simões, Ana Kavungu, D.Dondo, Wallace Nunes (Brasil), Alírio Pina e Olavo Correia (Cabo-Verde), Óscar Medeiros (S.Tomé), Crisa Santos (Moda) e Conceição Cachimbombo (Tradutora). Design e Paginação: Humberto Zage e Sebastião Miguel Publicidade: Paulo Medina (chefe) Assinaturas (geral): Katila Garcia Revisão: Baptista Neto Brasil: Wallace Nunes Móvel: (55 11) 9522-1373 e-mail: nunewallace@gmail.com Inglaterra (Londres): Diogo Júnior 12 - Ashburton Road Royal Docks - London E16 1PD U.K Portugal: Rita Simões Rua Rosas do Pombal Nº15 2dto 2805-239 Cova da Piedade Almada Telefone: (00351) 934265454 Produção Gráfica: Imprimarte (Angola) Cor Acabada, Lda (Portugal) Tiragem: 10.000 exemplares Direcção e Redacção: Edifício Mutamba-Luanda 2º andar - Porta S. Tel: 222 397 185/ 222 335 866 Fax: 222 393 020 Caixa Postal - 6375 E-mails: figurasnegocios@hotmail.com artimagem@snet.co.ao Site: www. figurasenegocios.co.ao Facebook: Revista Figuras&Negócios Angola 7

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DIVERSIFICAR COM ESTRATÉGIA EDITORIAL N ão sendo nada animadoras as notícias quanto a produção do petróleo no mundo, cuja tendência aponta para preços baixos, causando embaraços sérios àqueles paises produtores, como Angola, que durante muito tempo equilibravam o seu PIB fundamentalmente com essa riqueza, o momento é importantissimo para se definirem estrategias seguras e determinantes que possam levar o nosso País a diversificar a sua economia aproveitando da melhor forma as enormes potencialidades dos recursos naturais que possui. Desde logo, se precisará de uma estratégia na definição de linhas mestras que possam mobilizar as energias para que Angola volte a ser um Pais produtor cujo caminho, no entanto, não é o que vem sendo seguido, de se cantar aos quatro ventos que o momento é da diversificação da economia, como se gritar este slogan imediatamente o milagre da produção e do país produtivo surte os seus efeitos. Mais complicado é que essa transformação que se impõe no comportamento da nossa economia, que há muito adormeceu nos efeitos que a venda do petróleo proporciona, tem de ser operada quando os cofres públicos apresentam-se furados, o que tem obrigado a cortes significativos no orçamento nacional que as autoridades governamentais haviam estabelecido para o aceleramento do desenvolvimento. Dai que a sapiência seja mais necessária, pelo que se assume como primordial a definição de prioridades quanto aos sectores que nesta fase deverão merecer a melhor atenção. E nisso estamos a falar da prioridade na produção agro-pecuária, numa atitude que possa levar, em tão pouco tempo, Angola a deixar de ser um País importador de produtos do campo e consiga produção suficiente que contribua para a eliminação da fome e pobreza. E quando falamos na definição de uma estrategia para que a questão da diversifica- ção da nossa economia desta vez não fique apenas em intenções, vale recordar que para isso é muito importante, fundamental mesmo, que se resolva, num horizonte temporal medio/curto, a questão do abastecimento em pleno da energia e da água de forma que as produções que venham a sair da terra possam ser altamente competitivas quando comparadas com os mesmos produtos importados. Na verdade, hoje, em função das dificuldades naqueles dois produtos, e com as poucas unidades de produção a terem de sustentar o seu ciclo produtivo à base de geradores e carros cisternas os custos do produto final, são muito altos. Mas, mais do que tudo, interessa igualmente a definição de políticas proteccionistas que possam incentivar o empresariado nacional a se engajar com mais empenho na produção, sem que isso venha significar um riscar completo dos ditames da economia de mercado que o País livremente abraçou. A título de exemplo, aliás vale recordar que o Brasil, cuja experiência se conhece, teve de proteger o seu sector produtivo, criando nomeadamente isenções fiscais para sectores tão importantes na afirmação do seu tecido económico, e nem por isso deixou de ser referenciado como uma das indústrias mais desenvolvidas do mundo. Na verdade, a Embraer, importante empresa na produção de aviões, hoje se afirma no mundo porque continua a beneficiar de uma atenção especial do seu governo, traduzida na isenção fiscal de cerca de 80% dos produtos que importa para incorporar na produção de aviões, com os resultados que se conhecem em termos de robustez da empresa. Se esses factores referidos encontrarem suporte numa gestão que dê provas de um combate à corrupção, combinada com a diminuição da impunidade, ganhar-se-á rapidamente um indicador de confiança forte que a Sociedade precisa para se vencer o desafio para que o País volte a respirar momentos saudáveis do ponto de vista económico. O caminho não pode ser outro! Figuras&Negócios - Nº 164 - AGOSTO 2015 9

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“Um mUndo qUe Integra a PIscIcUltUra, com agrIcUltUra... Situada a 50 Km de Luanda, a Quinta Quimbela é um espaço que integra no seu conceito um conjunto de actividades produtivas ligadas a produção de hortofrutícolas complementada com a criação de peixe em gaiolas e um espaço de lazer com alojamento e restauração harmoniosamente integrados. O projecto de criação de peixe tilápia “vulgo cacusso” é uma iniciativa pioneira que visa tirar partido do potencial de recursos hídricos da lagoa da Quilunda. É desenvolvida uma actividade de criação que permite obter uma produção anual de cerca de 9 toneladas em crescimento intensivo, destinadas principalmente a fazer parte da dieta de quem procura o seu restaurante. Com 25 quartos de 3 tipologias diferentes, a Quimbela oferece-lhe um espaço Rural onde se pode deliciar com ...Um mUndo qUe Integra lazer e satIsfação”. 10 Figuras&Negócios - Nº 164 - AGOSTO 2015

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o que a natureza tem para lhe oferecer num harmonioso equilíbrio entre o Conforto e a natureza. Nas nossas facilidades pode encontrar Sauna, Ginásio, Serviço de Massagem, Sala de Jogos e Bar, Restaurante Climatizado, Jango Tradicional, Piscina, Quadra Desportiva, Tanque para Pesca de Lazer e Passeios de Barco pela lindíssima lagoa da Quilunda. Brevemente a Quimbela vai abrir as portas aos mais pequeninos, abraçando um projeto pioneiro em Angola como “Quinta Pedagógica”. Pela Quinta também se podem encantar com o contacto direto de algumas espécies animais tais como: pavões, galinhas de Africa, avestruzes, patos e burros, fazendo uma vez mais os encantos da criançada. Q UIntA UIMBELA Facebook - Quinta Quimbela Email - quintaquimbela@hotmail.com Telefones- 933 169 472 ou 933 169 473 Aberto de quarta a domingo (segunda e terça com marcação prévia) Figuras&Negócios - Nº 164 - AGOSTO 2015 Realizamos todo o tipo de Eventos, Levamos Catering ao seu Espaço 11 etniacomunicação

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PÁGINA ABERTA DESTAQUE Luzia Inglês, SecretáriaGeral da Organização da Mulher Angolana (OMA) e nacionalista, realçou em entrevista à Revista Figuras & Negócios os ganhos para o país no pós-independência em era de paz bem como frisou a necessidade de continuidade do trabalho que até aqui foi feito, numa abordagem franca que inclui uma incursão pelos tempos de luta armada num cenário agreste em que os guerrilheiros eram movidos pela convicção e verdadeiro sentido de missão. F Texto: Suzana Mendes Fotos: Adão Tenda iguras&Negócios (F&N)40 anos após a independência nacional, quais são os principais desafios do país, especialmente no que toca à mulher? Luzia Inglês (LI): A nossa independência foi resultado de uma luta armada de longos anos contra o sistema colonial, com o objectivo de dar dignidade ao povo genuíno deste país, ao povo angolano, do qual todos fazemos parte, homens e mulheres. Nós lutamos para que haja o bem-estar social para todo o cidadão angolano. Os desafios são os de continuar a trabalhar para que a nossa acção possa surtir os efeitos que o povo pretende. Lutamos para a independência, para a defesa da integridade territorial e agora é uma luta titânica para a construção e reconstrução do país. E com todas estas fases, apesar de todo o trabalho que tem sido feito, não atingimos ainda tudo o que se pretende porque somos muitos, as províncias têm muitas situações difíceis LUZIA INGLÊS, SECRETÁRIA G “SINTO QU 12 Figuras&Negócios - Nº 164 - AGOSTO 2015

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PÁGINA DESTAQUE ABERTA por causa do contexto que o país viveu. Temos somente treze anos de paz em que se fez uma grande reconstrução nacional. Os desafios são muitos ainda, mas se todos tivermos força de vontade, se ultrapassarmos desavenças que bloqueiam intenções boas em prol de todos nós, poderemos atingir os nossos objectivos. Quanto aos desafios para as mulheres, é importante ter em conta que diante de todos os que focamos, as mulheres acabam por ser as principais vítimas, porque assumem um grande papel de chefes de família, um papel que antigamente era apenas do homem. Neste momento, enquanto organização política do MPLA, temos como principais desafios continuar a mobilizar, a educar a mulher para o aumento de conhecimentos; há muitos anos que fizemos muito trabalho no que toca à alfabetização e vamos mobilizando as mulheres para aumentarem a escolaridade a diversos níveis, só assim poderão concorrer para os órgãos de direcção, tanto político, executivo ou, mesmo, legislativo. Com o aumento de conhecimentos, as mulheres poderão também melhorar a sua condição económica F&N - Poderemos assistir a um aumento do número de mulheres nos próximos processos eleitorais? L.I: Se as mulheres aumentarem o seu nível académico, nas eleições de 2017 pretendemos que muitas delas assumam cargos de responsabilidade a nível das comunas, municípios, províncias, não só no parlamento. A nossa luta, e quero que isso fique bem claro, não é para ocupar espaços com mulheres mas que, ao concorrer, a mulher mostre as suas capacidades, as suas habilidades, as suas competências, a sua capacidade de liderança e gestão. E fizemos muito trabalho de aconselhamento das mulheres neste domínio. F&N - O que falou aqui é importante, pois, na maior parte dos casos, quando focamos a ascensão da mulher a nível político, realçamos os cargos de topo como o Parlamento e os cargos ministeriais. Acha que também é importante que as mulheres ocupem espaços a nível local e intermédio? L.I.: Este é um dos grandes desafios actuais porque a nível do topo já estamos, de alguma forma, satisfeitas. Por exemplo, a nível do meu partido, o MPLA, dos 311 membros do Comité Central 113 são mulheres, são 36%; no Parlamento, dos 220 parlamentares 83 são mulheres, o que corresponde a 38%, por isso digo que devemos lutar para aumentar o nível académico das mulheres para poderem concorrer a esses lugares. Nos níveis intermédios, por exemplo, temos apenas duas governadoras, quanto as administrações municipais temos também carências e os desafios após 2017, nas administrações locais, será que os cargos sejam por concorrência e já não por nomeações e quem quiser ficar no lugar como administradora ou adjunta, terá que mostrar as suas competências ou habilidades. mas a nível internacional já se fala em 50%. Como é que olham para esta questão? L.I.: Esta é uma questão séria, sabe que culturalmente, nos países africanos, é uma luta difícil. No nosso caso, temos estado a fazer um grande trabalho e o camarada Presidente, José Eduardo dos Santos tem sido um mentor de políticas públicas à favor das mulheres, da sua promoção. Por vezes, a implementação é complicada e nem sempre deve depender só do Presidente, ela deve vir dos diversos níveis de poder, todos os membros do executivo devem ter a vontade e a compreensão de que a mulher é companheira e capaz. Muitas vezes somos penalizadas porque, por exemplo, o homem põe na cabeça que não se estiverem num lugar não podem ser substituídos por uma mulher, então, encontram mecanismos de bloqueio, barreiras para que a mulher não possa estar aí. A nível de directores provinciais, administradores, a maior parte são homens, estamos a crescer, em algumas províncias já temos algumas, mas dos mais de cem municípios e quase seiscentas comunas porquê que a maior parte dos líderes têm que ser homens quando as melhores gestoras, sobretudo financeiras, são mulheres? Em 1995 houve uma grande conferência, em Benjing, em que se pediu o aumento da participação das mulheres; em 2015 fomos fazer o encontro de balanço e só subimos. No que toca à representação parlamentar, Angola ficou classificada em 19º lugar, com 38%, quanto aos governos, dos 101 países avaliados Angola está em 37º lugar, é um avanço, são aspectos de reconhecer. Graças ao empenho do camarada Presidente José Eduardo dos Santos, conseguimos que, no que toca à promoção da mulher, a nível mundial, ficássemos no 19º lugar. F&N - Quanto à questão da luta por uma maior representação das mulheres na vida política tem havido diálogo interpartidário entre as diferentes organizações de mulheres dos partidos políticos? Coloco esta A nossa luta, e quero que isso fique bem claro, não é para ocupar espaços com mulheres mas que, ao concorrer, a mulher mostre as suas capacidades, as suas habilidades, as suas competências, a sua capacidade de liderança e gestão” Temos que estimular as nossas irmãs a concorrerem, aquelas com capacidade têm que amadurecer mais politicamente, para saberem cumprir a sua missão. Nestes casos, não está só em causa o nível académico, a pessoa tem que ser completa, pode ser um bom quadro mas tem que saber, também, como gerir enquanto membro do executivo, como fazer projectos e para isso precisa de ter domínio político. F&N - Falou em algumas percentagens da presença de mulheres, 36% a nível do Comité Central do MPLA, 38% a nível do Parlamento “ UE CUMPRI O MEU PAPEL” Figuras&Negócios - Nº 164 - AGOSTO 2015 13 GERAL DA ORGANIZAÇÃO DA MULHER ANGOLANA

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PÁGINA ABERTA DESTAQUE questão porque esta é uma luta suprapartidária. L.I.: Esta luta é comum, não importa em que partido estamos; a luta para nós, como mulheres, deve ser comum. Após as eleições de 92, para as eleições de 2008 criaram-se mecanismos para que todos os partidos tivessem representação de mulheres de, no mínimo, 30%, mas chegamos a ver casos de partidos que não tiveram representação de mulheres nos seus grupos parlamentares; o próprio MPLA, até 2008, a sua representação feminina foi de 12%, entretanto, nos seus estatutos defende muito os direitos da mulher, a promoção da mulher. Temos mantido o diálogo que referiu, fazemos parte da Rede Mulher Angola, onde estão representadas mulheres políticas dos diversos partidos e nesta rede fizemos a mesma luta, neste momento os encontros reduziram, deveríamos estar todas juntas para fazermos exigências aos nossos partidos. O MPLA está a cumprir bem, também já há outros partidos com uma boa representação feminina mas temos dois partidos que quase não têm ninguém e são severamente criticados. Por exemplo, a FNLA, desde a sua existência, nunca colocou nenhuma mulher no Parlamento. F&N - A violência doméstica é um grave problema social que enfrentamos. Qual tem sido o papel da OMA na luta contra este fenómeno? L.I.: Temos feito muitas actividades de consciencialização contra a violência doméstica e criamos centros de aconselhamento em todas as províncias, nos comités provinciais da OMA temos sempre uma secretária executiva para os centros de aconselhamento, onde trabalhamos para divulgar a Lei Contra a Violência Doméstica, o Código de Família, para evitar desentendimentos no lar ao ponto de terminarem em violência. Hoje também já encontramos problemas comprometedores contra as mulheres, a própria mulher também já está a criar problemas de violência. Por outro lado, temos muitos jovens desorientados, por vezes a culpa é nossa, como encarregados de educação; na busca pela sobrevivência, muitas vezes os pais demostram um grande abandono dos filhos, saem de manhã e só voltam à tarde, não acompanham se o menino comeu, se estudou, se chegou à escola,... F&N - E a acrescer a tudo isso, temos muitos casos de negação de paternidade e abandono de menores por parte dos pais. L.I.: Tudo isso faz parte de um princípio de educação, quando um jovem cresce num lar turbulento, absorve muitos destes aspectos, por vezes estes maus exemplos saíram dos seus progenitores, por isso, os maus exemplos não são para se transmitir aos mais jovens. Deve-se transmitir o amor, o diálogo, o carinho. Falando do abandono, quando há desavenças, há separações, o parceiro, muitas vezes, entende mal quando sai de casa porque se separou da esposa e às vezes acaba por arranjar uma segunda responsabilidade e, abandonando a mulher, também abandona os filhos, o que eu não entendo! dos 40 anos da independência nacional? L.I.: Faço análise positiva porque depois de 14 anos de luta de libertação nacional e mais de 20 anos de luta pela integridade territorial, consideramos os 40 anos de independência de positivos, porque somos um país, uma nação independente, temos a nossa dignidade, desenvolvemos programas em prol do desenvolvimento do país, escolhemos as prioridades consoante a nossa própria visão, conseguimos ter grandes relacionamentos a nível internacional, somos respeitados em África; depois de tantos anos de instabilidade, de guerra entre nós, hoje temos 13 anos de paz, o que faz com que muita gente venha ao nosso país beber da nossa experiência. Temos uma série de benefícios, uma Constituição, uma série de leis que beneficiam os diversos grupos sociais. O país está a evoluir no âmbito da reconstrução, temos uma série de infra-estruturas que não existiam no tempo colonial. Vivemos dependentes de um recurso principal que é o petróleo, que a nível internacional vai tendo altos e baixos, o que compromete alguns projectos, mas temos buscado alternativas. F&N - Qual foi o grau de envolvimento das mulheres na luta de libertação nacional? Gostaria que se lembrasse das suas camaradas de luta. L.I.: oh!...lembro-me de muitas camaradas, a camarada Fernanda Miranda, a tia Lídia Cadete, a camarada Conceição Boavida, a Rute Neto, estas são da frente Leste, onde estive, a falecida Maria Paím, Engrácia dos Santos, Teresa Afonso, minhas companheiras na 1ª Região Político Militar, hoje são as nossas heroínas, a Feliciano Bernardo, que já faleceu, lembro-me da Marcela que morreu com um irmão às costas depois da sua casa ter sido bombardeada, isso em 1961, no início da luta armada, mas enquanto estivemos na luta armada, tivemos momentos agradáveis de convivência, quando não estivéssemos sob ataque do inimigo, tínhamos os nossos divertimentos, jogávamos futebol, até jogávamos pingue-pongue, que aprendi a jogar no nosso campo de refugiados no Vicy; também jogávamos voleibol e basquetebol, aqueles que tivessem conhecimentos sobre estes desportos, transmitiam aos outros. F&N - O que faziam mais? L.I.: Muito trabalho! Carregar e Em muitos casos, o pai tem oito filhos e castiga as oito bocas porque está a castigar a boca da mulher! Mas a mãe nunca come um coconote sem dividir com os filhos. É preciso estudar profundamente esta questão porque estamos a deixar um mau legado aos jovens. Actualmente noto que os jovens estão muito apressados, querem ser milionários, roubam, envolvem-se com a droga, burlam e são esperados na primeira esquina, que futuro terão? F&N - Vamos agora para outro bloco de questões ligadas à luta de libertação nacional. Qual a análise 14 Figuras&Negócios - Nº 164 - AGOSTO 2015

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