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A Educação Infantil

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Foto divulgação EDUCAÇÃO Psicóloga e professora no Instituto Tarcísio Bisinotto CLÁUDIA DA SILVA LOPES A Educação Infantil de aprendizagem enquanto um processo Sempre que se fala em criança, ela está ligada a um campo de pensamento de uma época. Foi a partir da Revolução Industrial – que promoveu o individualismo moderno – que a criança passou a ser pensada como o “homem do amanhã”. Com isso, práticas pediátricas e pedagógicas ganharam importância e tiveram, ao longo dos séculos, desdobramentos significativos. Hoje, a ideia de criança está vinculada à educação infantil. O impacto disso na sociedade é visível: as crianças estão chegando cada vez mais cedo às escolas. No Instituto Tarcísio Bisinotto - ITB, o berçário recebe bebês a partir dos quatro meses de idade e já inicia uma rotina planejada, que inclui o projeto de adaptação. O desenvolvimento integral (físico, cognitivo, afetivo e social) dos bebês já começa a ser estimulado. Eles vivenciam nas atividades propostas o que mais tarde vão simbolizar. Isso é muito importante porque o trabalho realizado no berçário terá desdobramentos ao longo de todo o percurso escolar daquela criança, dentro e fora do ITB. Tudo aquilo que ela aprender servirá de patamar para construir um novo conhecimento. 58 | REVISTA PERFIL EDIÇÃO Nº 33 59 | REVISTA PERFIL

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EDUCAÇÃO Tomemos como exemplo atividades da rotina do berçário: entre os quatro e oito meses de idade, a criança tende a repetir movimentos (gosta de apertar, balançar, chacoalhar) e se interessa pelo que sua ação provoca no meio. Pega um chocalho não mais pelo exclusivo prazer da preensão; quando balança o chocalho, interessa-se pelo barulho que ele faz. Quanto mais objetos (estímulos) forem oferecidos pelos educadores, mais relações o bebê estabelecerá, distinguindo dentre os brinquedos aqueles que fazem barulho e os que não fazem. Esta interação do bebê com o meio físico e social é indispensável para Foto Arquivo ITB Quanto mais objetos (estímulos) forem oferecidos pelos educadores, mais relações o bebê estabelecerá, distinguindo dentre os brinquedos, aqueles que fazem barulho e os que não fazem. Esta interação do bebê com o meio físico e social é indispensável para a constituição da lógica do pensamento infantil. a constituição da lógica do pensamento infantil. Isso promoverá seu crescimento, pois nesse estágio, o bebê experimenta corporalmente o que mais tarde chamaremos de estrutura de classificação (uma das estruturas elementares do pensamento). Posteriormente, nos maternais 1 e 2, este bebê já inicia alguns agrupamentos por semelhanças (que chamamos de classificações), fazendo alinhamentos parciais, sem intencionalidade. Ele também alinha bichinhos e faz fileiras de carrinhos. Começa a fazer alinhamentos contínuos, mas ainda muito rudimentares, pois os critérios de agrupamento mudam rapidamente. O educador tem que oferecer bastante material para que esta criança possa evoluir e fazer alinhamentos múltiplos. Neste ponto, os educadores propõem atividades mais elaboradas e complexas. Uma delas é ajudar a guardar os brinquedos após o uso, na arrumação da sala. Cada categoria de brinquedo tem a caixa específica para ser acondicionado. Assim, blocos lógicos, animais, carrinhos e fazendinha são guardados separadamente. A criança é capaz de realizar esta ação EDIÇÃO Nº 33 com êxito porque vivenciou corporalmente experiências anteriores no berçário. Parece simples, mas nada vem pronto; nada está acabado. Na educação infantil, a produção do conhecimento está ligada às oportunidades de ação das crianças sobre o meio e às organizações dessas ações. Mais tarde, no maternal 3, esta mesma criança terá instrumentos internos para distinguir, por exemplo, dentro de um conjunto de blocos lógicos, os azuis e os não azuis, já que está lidando diariamente com as cores. A cor é um dos critérios mais elementares de classificação. O importante é o professor intervir para que a criança perceba que dentro de uma mesma classe (a de blocos), há subclasses (os azuis, os verdes, os quadrados, e daí por diante). No 1º e 2º períodos, após quatro anos, a criança deve trabalhar com materiais que imponham classificação. Pode ser álbum de figurinha ou coleções. De uma coleção de carrinhos, é possível fazer outras coleções menores: os que são esportivos, os de corrida, os de carga, os vermelhos, enfim, inúmeras subclasses dentro de uma classe. Esta criança precisa agir e refletir sobre o que faz. Tão importante quanto o material disponível para o aluno é a intervenção adequada do professor, que deve proporcionar desafios e reflexões como mediador na construção do conhecimento. Tomando como partida o trabalho com coleções, a criança vai ser capaz de compreender, futuramente no ensino fundamental e médio, que na classe dos animais há várias subclasses (por exemplo, vertebrados e invertebrados) e que, dentro das subclasses, há classes menores (mamíferos e aves), e ainda, na subclasse dos mamíferos, há os que voam, os que vivem na água e os que vivem em terra. Sendo assim, é preciso estabelecer relações entre objetos, reuni-los em classes maiores ou subdividir as classes maiores em menores para se chegar à classificação operatória. Estes conhecimentos serão levados também para a vida prática, fora do cotidiano escolar e além dele. Se a estrutura de classificação não for bem trabalhada, a pessoa torna-se desorganizada, por exemplo, com seus objetos pessoais. Ao invés de guardar os objetos semelhantes em gavetas diferentes, Foto Arquivo ITB Foto Arquivo ITB Foto Arquivo ITB No 1º e 2º períodos, após 4 anos, a criança deve trabalhar com materiais que imponham classificação. Na foto, o aluno trabalha a classificação através da experimentação com objetos de flutuam ou afundam. mistura tudo em todas as gavetas. Não classifica. Os desdobramentos da educação infantil não se restringem ao campo escolar. Na escola há um trabalho de base, realizado na construção da inteligência do indivíduo; um caminho complexo que envolve várias estruturas e inúmeros fatores, considerando o processo de desenvolvimento integral que engloba os aspectos cognitivo, psicológico, físico e social. Neste processo há etapas que precisam ser seguidas nas trocas com o meio. Existe o momento certo e a metodologia adequada para se trabalhar. Todas as pessoas têm a mesma possibilidade de aprender. Porém, ter possibilidade não quer dizer ter os mesmos estímulos, o mesmo meio, que pode ser mais ou menos solicitador. No ITB, este caminho começa a ser estimulado e trilhado no berçário e maternais, onde são construídas as bases para a inteligência posterior dos alunos. 61 | REVISTA PERFIL Por volta dos 2 anos, a criança começa a fazer alinhamentos contínuos(categorizar brinquedos, por exemplo), mas ainda muito rudimentares, pois os critérios de agrupamento mudam rapidamente. O educador tem que oferecer bastante material para que esta criança possa evoluir e fazer alinhamentos múltiplos. 60 | REVISTA PERFIL

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