Confrades da Poesia71

 

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Boletim Poético

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Amora - Seixal - Setúbal - Portugal | Ano VII | Boletim Bimestral Nº 71 | Setembro / Outubro 2015 www.osconfradesdapoesia.com - Email: confradesdapoesia@gmail.com «JANELA ABERTA AO MUNDO LUSÓFONO» SUMÁRIO Confrades: 6,8,20,21.22 A Voz do Poeta: 2 Olhos da Poesia: 3 Pioneiros: 4 Retalhos Poéticos: 5 Tribuna do Poeta: 7 Bocage: 10, 23 Tempo de Poesia: 11 Trovador: 12 Poemar: 13 Baú: 14 Faísca de Versos: 15 Contos / Poemas: 16 Reflexões: 17 Pódio dos Talentos: 18 Trono dos Poetas: 19 Ponto Final: 24 EDITORIAL Outono/Vindimas O BOLETIM Bimestral Online (PDF) denominado "Confrades da Poesia" foi fundado com a incumbência de instituir um Núcleo de Poetas, facultando aos (Confrades / Lusófonos) o ensejo dum convívio fraternal e poético. Pretendemos ser uma "Janela Aberta ao Mundo Lusófono"; explanando e dando a conhecer esta ARTE SUBLIME, que praticamos e gostamos de invocar aos quatro cantos do Mundo, apelando à Fraternidade e Paz Universal. Subsistimos pelos nossos próprios meios e sem fins lucrativos. Com isto pretendemos enaltecer a Poesia Lusófona e difundir as obras dos nossos estimados Confrades que gentilmente aderiram ao projecto "ONLINE" deste Boletim. “Promovemos Paz” A Direcção «Este é o seu espaço cultural dedicado à poesia»  Pódio dos Talentos pág. 18 Trono dos Poetas pág. 19 Vindimas do antigamente. Os vindimeiros d’outrora diziam A uva d’Amora é periquita Abonos da verdade! Reflectiam: - Vinho Português! Marca subscrita! Clarisse B. Sanches Pinhal Dias – Amora / Portugal (Excerto do soneto… “Vindimas do antigamente”) Nesta edição colaboraram 82 poetas Susana Custódio Deixamos ao critério dos autores a adesão ou não , ao “Novo Acordo ortográfico” FICHA TÉCNICA Boletim Mensal Online Propriedade: Pinhal Dias - Amora / Portugal | Paginação: Pinhal Dias - São Tomé A Direção: Pinhal Dias - Presidente / Fundador; Conceição Tomé - Vice-Presidente / Fundador Redação: São Tomé - Pinhal Dias Colaboradores: Adelina Velho Palma | Aires Plácido | Albertino Galvão | Ana Santos | Anna Paes | António Barroso | Arlete Piedade | Carlos Bondoso | Carmo Vasconcelos | Clarisse Sanches | Conceição Carraça | Daniel Costa | Edgar Faustino | Edyth Meneses | Edson G. Ferreira | Efigênia Coutinho | Euclides Cavaco | Eugénio de Sá | Fernando Fitas | Fernando Reis Costa | Filipe Papança | Filomena Camacho | Fredy Ngola | Glória Marreiros | Henrique Lacerda | Humberto Neto | Ilze Soares | Isidoro Cavaco |Ivanildo Gonçalves | João Coelho dos Santos | João Furtado | João da Palma | Jorge Vicente | José Jacinto | José Verdasca | Lili Laranjo | Luís Filipe | Luiz Caminha | Maria Brás | Maria Fonseca | Maria Fraqueza | Maria Mamede | Maria Petronilho | Maria Vit. Afonso | Mário Pinheiro | Miraldino Carvalho | Natália Vale | Pedro Valdoy | Quim D’Abreu | Rosa Branco | Rosa Silva | Rosélia Martins | Silvino Potêncio | Rita Rocha | Susana Custódio | Tito Olívio | Virgínia Branco | Vó Fia | Zzcouto | …

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2 | Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 71 | Setembro / Outubro 2015 «A Voz do Poeta» Murmúrios do Mar APRENDE-SE. PESCADOR DE PORTUGAL Neste mar que descobrimos Nas suas ondas ouvimos Murmúrios nos seus bramidos Pra quem os sabe entender Vem por missão trazer As mágoas nos seus gemidos. São lamentos de naufrágios Ou talvez até presságios Do seu poder misterioso Que na sua imensidão Emergem da solidão Dum triste mar tenebroso. Os seus murmúrios de dor São brados dum pescador Que o pérfido mar levou Lá ganhava o pão pròs seus Sem poder dizer adeus Ao lar não mais regressou. São a voz dos marinheiros Audazes e aventureiros Que partiram sem voltar São mil gritos e carpidos Das tragédias traduzidos Pelos murmúrios do mar !… Aprende-se a perscrutar: - A dimensão do sussurro… - O descanso do silêncio… - O vazio do eco… Aprende-se… - A falar de mansinho… - A escrever sem barulho… - O avesso da agitação… Quando… Apenas vivemos connosco mesmo! Filomena Gomes Camacho - Londres Duplo tanka (waka) mulher Que sejas farol que ilumina a escuridão, nem sempre das noites, mas, daqueles que precisam da luz do espírito! Que Deus te dê luz discernimento, cuidados e que tenhas sempre consciência da missão recebida para ser mãe! Benedita Azevedo Praia do Anil, Magé – RJ Que faina a tua, bravo pescador! - A rudeza dos sois e do suor, Quando te banha o rosto a luz da lua, Mostram, em cada ruga, essa nobreza De quem sofre na vida mais vileza Que a braveza do mar, bárbara e crua Que cruz a tua, triste pescador! - Que regras te impuseram o estertor Num ‘mercado’ melhor, só para alguns? Esqueceram-te os esforços e os riscos Aqueles que ora te acenam com os iscos De uns miseráveis euros, dos ‘comuns’ Que dor a tua, pobre pescador! - Que farás dessa alma e desse amor Ao deixares esse mar de Portugal? Não te deixes morrer de inanição Como morreu a tua embarcação Não deixes que te façam tanto mal Eugénio de Sá - Sintra Ouço um fado... silencio... No triste som das guitarras Meu sonho solta as amarras Que me prendem ao vazio E liberta meu navio... De sonhos... rumo a Lisboa De Camões e de Pessoa De Saramago e Florbela... E, por fim, na caravela É minha alma... que voa. Luiz Poeta – RJ/BR Euclides Cavaco - Canadá Luiz Gilberto de Barros Flor no cabelo SOTAQUE Vindimas Era a moça mais linda, em toda a rua, Tinha uma flor brilhando no cabelo Tratado com perícia, e com desvelo, Lançando raios de prata, à luz da lua. Um dia, um marinheiro se insinua Com juras, com promessas, com tal zelo, Que a moça se tornou o seu modelo P’ra quem posa, feliz, ingénua e nua. Marinheiro, co’a pétala arrancada, Partiu, já se debruça, na amurada À espera doutro porto e doutro amor. E, a menina mais linda do lugar, Esconde-se, p’los cantos, a chorar, Já não tem, no cabelo, aquela flor. António Barroso (Tiago) - Parede Esse sotaque Nosso, Nosso, da Terra Nossa, essa batida que logo nos leva a nos reconhecer fora da Dela, esse falar é divino. é de longe. Os cachos já estão maduros, Nas castas seleccionadas, O vento vê-se em apuros, Ficam nuas as ramadas… Para o néctar mais famoso Que a terra e o sol criaram, Em solo bem pedregoso E os homens celebrizaram… É época das vindimas: A azáfama começou Assim que o dia clareou… As uvas são vindimadas Pelas mãos das raparigas, Ao som de lindas cantigas! Conceição Tomé (São Tomé) Amora/Portugal José Jacinto "Django"

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 71 | Setembro / Outubro l 2015 | 3 «Olhos da Poesia» “Jogo perigoso” (dedicado) Te embebedaste de sonhos em festivais de ilusões onde a inocência servia para se encherem balões que se prendiam com fitas, nos topos de velhos mastros pintados com tinta mate cor cinza das frustrações. Andaste de mão em mão, rodopiando sem nexo, em salões onde as promessas desfaleciam após se dissiparem tonturas dos flashes psicadélicos, (vivo jogo de intenções), que espalhando esperanças falsas, te entorpeciam os sentidos te esbugalhavam o olhar. Beijaste vícios e agruras bebeste venenos doces com cheiro a álcool e sexo... Cedeste o corpo “sem meças” presa a sorrisos “angélicos” e à fumaça viciante que julgaste te levavam, (por burrice ou ingenuidade), a ter sonhos coloridos em colchões de f’icidade. Tiveste encontros mundanos notas de banco nos dedos... Panos de seda e de linho cobrindo-te as fantasias. Tiveste carro, sapatos... Jóias de pouca valia que te enfeitavam o ego mas rebaixavam-te a honra p’la forma com que as pagavas. Amaste vícios, manias... Tiveste as cartas na mão e os trunfos a teu favor... Jogaste o jogo com “demos” sem ases d’ouros e copas somente de paus e espadas... Valetes os teus enganos e damas a hipocrisia. Tiveste um feeling ousado... Tramar um blefe quiseste... Fizeste um lance arriscado pondo na mesa o teu corpo... Fugiu-te a sorte e perdeste respeito, honra e amor. Dançaste ao som das batidas de baterias funestas com decibéis desmedidos... E nem sequer deste ouvidos ao som dos dois violinos que dia após dia tocavam, por amor, por dor e pena, melodias bem suaves que aos demais bem mais parecia serem teus pais a chorar. Atropelaste o desejo mataste em ti o prazer... E de tropeço em tropeço perdeste o rumo e o pé e te afogaste, bem nova, em ondas de má maré. Abgalvão - Fernão Ferro (in palavras com alma) DE QUE COR É TEU SANGUE? Da igualdade se corre atrás Isto só em Cristo satisfaz A todos que neste dia Desperte a consciência A de não optar pela discriminação Cresça em nós O respeito pelo irmão, No peito bate um coração. Sedento de valorização, Ciente de sua colaboração, Inigualável na nação. E m tudo se fez doação N a vida da população Cuidado com a Ingratidão A este povo e sua história, No trabalho forçado Enfim se libertou Garantiu igualdade Respeito e hombridade Assim a sua trajetória Angélica Gouvea - Luminárias-MG Dedilhando Dedilhando uma canção Embalo meus pensamentos Resguardo a pura emoção Malubarni - Porto A minha família O meu Pai foi o meu pilar No meu crescimento e educação Com ele aprendi a ouvir e a respeitar E, aceitar os desafios com o coração. A minha Mãe foi a razão do meu existir Com ela aprendi a ser gente e a crescer A minha alegria, o meu choro e o meu sentir Foram a motivação de lutar e renascer. As minhas irmãs são as melhores amigas São elas que me escutam sem interesse, nem intrigas E, a família é o suporte para eu sobreviver com humildade. A minha filha é a motivação do meu viver Por ela consigo tudo ultrapassar e vencer E aceitar a minha condição de Mãe com dignidade. Ana Santos - Vilar de Andorinho

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4 | Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 71 | Setembro / Outubro 2015 «Pioneiros» Homenagem a Miguel Drago Ó quanta amargura, quanta, Eu sinto um nó na garganta Que esta emoção colocou, É quase como um castigo Escrever sobre um amigo, Que tão cedo nos deixou. Miguel Drago, o amigo Que Deus quis levar consigo, Mas por nós será lembrado; Perdemos um companheiro, Um amigo verdadeiro Nas nossas lides do fado. Cedo da terra partiu Deixando um lugar vazio Onde apenas há saudade. Falta-nos a simpatia, Que sempre nos transmitia Numa fraterna amizade. Guitarrista de valor, Que sempre deu o melhor Nos lugares que actuou; Acompanhou os fadistas, Vibrou com suas conquistas, Sempre a todos ajudou. À guitarra se dedicou, P'lo fado sacrificou Quase toda a sua vida, Seu nome será lembrado E fica imortalizado Nesta homenagem mer’cida. Isidoro Cavaco - Loulé À MÃE. (Que HOJE nos deixou) VIDA APÓS VIDA Foi menina, jovem, mulher E os anos foram passando, E a vida foi-se escoando… Com passividade, Pondo longe a mocidade! Dos cabelos negros, Encaracolados, Na cabeça, emoldurados, Fios de prata ficaram. E, no rosto, antes macio, Cheio de beleza, Abriu sulcos, o tempo, Com grande subtileza... Porém, um dia, Do rosto da menina de outrora, Raiou uma nova aurora! O sorriso se apagou... O movimento se quedou!... A metamorfose, da vida, Fazia, firme, sua trajectória... E, com vitória, Do seu casulo, A alma liberta, Tal qual uma borboleta Voava, feliz, colorida... Para a verdadeira Vida, Onde não há pranto nem dor Para os braços do Salvador! Filomena Gomes Camacho (Londres) Naquele dia quente de verão Flor que de mim brotaste num dia quente de verão, pequenino ser, mimoso e terno, rapidamente desabrochaste e prendeste meu coração. Choraste alto, de forma intensa, quando a claridade viste, reação própria de uma criança no momento do nascimento, e do âmago eclodiste. Hoje, mulher feita, perfeita e linda, aos meus olhos o maior hino de luz, és a dádiva de um amor profundo, que ofereces, incondicionalmente, e estás sempre presente. A tua expressão, por vezes, sombria e fruto de problemas complexos, próprios da adolescência, deixa-me entristecida pela minha incapacidade de te ajudar, como o fiz naquele dia quente de verão. Natália Vale - Porto Eu, predador de mim Que estupidez, eu sei, mas que fazer Se entre tantos registos disponíveis Eu dou comigo sempre a escolher Os mais infandos, tristes, indizíveis. É masoquismo puro, não o nego Esta eleição da dor, incontornável Malquista tentação, pareço cego À razão que me chama irrazoável. Qual vampírico ser, eu logro a escuridão Sanguífica e cruel, a mente traz-me estórias E então me torno o predador de mim! Em pavor me retorço, em pasmo e aflição Exposto aos hologramas das memórias Até que o sono pare aquele festim. MENINO DA RUA menino da rua todos os dias te encontro ao entardecer mergulhado na solidão de ser menino da rua teu rosto faminto teu olhar perdido na sombra de um desejo incontido de amor querer menino da rua tristeza em teus olhos teu mundo de escolhos só conhece miséria e desejo de viver menino da rua lágrimas escorrendo nas faces amareladas sem palavras para dizer o que tua alma sente pobre criança menino da rua tão triste tão só no mundo cruel onde és inocente Rosélia M G Martins POESIA NUM TODO Com gestos de mãos E o timbre da alma Os lábios se agitam Em jeito de prece O olhar brilha O corpo se mexe A Poesia se solta E a magia acontece. Em cada palavra Há um Poema novo As mãos vão bailando Como num faz de conta E o encanto se entranha Na alma dum Povo... Rosa Guerreiro Dias - Lisboa Eugénio de Sá - Sintra CANTO À HUMILDADE Eu canto as árvores, Mesmo os troncos secos também... ...Que nem só de flores é feita a vida, E tão pouco a morte. Quim d ' Abreu – Laranjeiro

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Os Confrades da Poesia | | Boletim Nr 71 | Setembro / Outubro l 2015 | 5 «Retalhos Poéticos» SONETO QUEBRADO Aqui, de joelhos, nas montanhas de Minas Mais perto dos Céus, fico sempre a rezar Sei que o Senhor lê todas as minhas rimas Eu somente escrevo para Sua glória cantar. Quero meus versos claros e como orações, Com a simplicidade de Deus Pai, o Senhor, Que eles cheguem aos mais duros corações De quem na vida não consegue ver esplendor. Eu vivo como se fosse um monge a meditar, De santo eu nada tenho, sou mero pecador, Minha poesia é o começo da minha redenção. Canto e do sublime sou simples cantador, Gostaria que a Virgem Maria, com Seu amar, Ouvisse minha doce canção, doída canção. Edson Gonçalves Ferreira - Divinópolis CAI A NOITE... Entardece o cosmo já sem vida Na calma de um navio ancorado, Traja o tempo do dia caminhado No silenciar da haste já despida. O mistério se vestiu de tentação Na hora do sonho ser dourado, Nas ruelas onde mora o pecado Vive a loucura vestindo a ilusão!... Assim as horas magoando o tempo Constróem a sombra em lamento Nos dias que morrem sem idade... O dia regressa cabisbaixo e triste Fingindo novo sol que não existe Na promessa remota sem verdade!. Ferdinando - Germany A CARTA I - Implantado na janela vejo o mar S - Sinto que devo escrever A - A carta que sempre te prometi B - Bem.... A preguiça tão real e tão presente E - Esperou para o amanha longo e distante... L - Levará esta onda que parte uma carta, é aquela carta! F - Fui sempre assim atrasado e U - Uma espécie do nada R - Recordo ontem e amanha T - Tenho hoje aqui e sem presente A - Aproveito para te dar de presente D - Diz que aceitas por favor O - O único tesouro que me resta! João Furtado – Praia / Cabo Verde entendo a tua nudez a morrer de cio por entre o branco dos lírios em festa de anjos.... em minúscula circunstancia me inquiro porque danço solitário sob a abóbada escura do teu silencio... e fico. desditoso de ficar... METADE DE MIM! ...Foi quando, de olhar apagado, num dia nublado, que ele voltou. De rosto colado, apaixonado, naquela tarde, o tempo levou... ...Foi guardado o ar de menina, o encanto da vida, essência do amor. O trilhar da mulher felina, sem saber do porquê da minha dor... ...Foi fugir dos lugares que sonhou, da estrada estreita, adornada de capim. Das palavras e do silêncio, apagou, alisando cicatrizes, descansando no jardim... Foi encontrar um lugar para dormir, o despertar sem sons, sem gestos, enfim. Seduzida pelo hoje, com força para sorrir, com a paz no corpo, metade de mim... ZzCouto – RJ/BR Quando Amo Quando amo, é largo, alto e profundo, Minh'alma alcança, quando, arrebatada, Sente estender-se aos olhos deste mundo, Os limites do ser, a facécia sonhada... Quando amo, cada dia, hora e segundo, À luz da lua, pela noite sossegada, E é tão pura a paixão de que me inundo, Quanto o pudor dos que não pedem nada. Amo-te, deixando-me nessa mansuetude Por teus olhos, uma paixão que flameja Com ais de um coração que te deseja Amo-te, que seja um sonho sem idade Por toda a vida. E, assim, Deus o permita, Para mais te amar depois, na eternidade. Efigênia Coutinho - Balneário Camboriú/BR Sol de primavera Nasce o sol e a brisa que vem do mar mistura-se ao verde respirar da primavera. Levanta-se o sol e a macia luminosidade espalha-se pelo caminho pelas praças, pela praia. Declina o sol e a fragrância cromática do arrebol espalha o chilreio do pintassilgo da gaiola. Benedita Azevedo - Praia do Anil, Magé – RJ (hélio porém) - Suíça

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6 | Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 71 | Setembro / Outubro 2015 «Confrades» ETERNO SONETO A noite traz-me a flor do pensamento E a lua, quando acorda, dá-me a ideia. A cor da imagem pode não ser feia E dá mais luz na sombra do momento. O gosto e o saber são como o vento, Que joga ao ar os fios duma teia, Tecendo a trama fina, que se enleia Em torno do pilar do sentimento. Só falta ir buscar rima ao classicismo E métrica certinha, sem abismo, Palavras sorte, vidas, ilusões… Então, pode chorar a arte moderna, Que eu canto, sem temor, a forma eterna Que vemos no soneto de Camões. Tito Olívio - Faro http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm O NOSSO FADO O fado! Creio, foi o nosso “fado” Já de gerações muito antes, Foi a SEVERA o ter consagrado, Que surgiram fadistas amantes! O fado é das melodias, Que apesar de ser triste, O povo todos os dias, De ouvi-lo não resiste! Tão popular que, que invade A alma do rico e pobre, Enche qualquer de saudade, E, muito mais descobre! Que todo mundo chama, Ao Bairro Alto e Madragoa, Ou às tascas d’Alfama, Que tantas há em Lisboa! O fado já não é o que era, Mas tem o mesmo feitiço, Seja na tasca ou na SEVERA, Julgo, jamais tem sumiço! O fado que o mundo entoa, tem poetas, tantos, tantos, Como Fernando Pessoa; Ou o genial Ary dos Santos! Neste ambiente s’adivinha, Existiu fadista genial, AMÁLIA foi a rainha, Jamais há outra igual! Aqui no SEIXAL e AMORA, Há a Brás, LINA e Piedade Fadistas que gostamos agora, As divinas d’actualidade! Há mais grandes fadistas, Maria Amália e Miraldina, Quando entra na pista, A aclamação é divina! Hoje o nosso triste fado, Chegou à enfim a sumidade Foi justamente (con)grado, Património da humanidade! Isto d’agregoar não desarmo, Honrar um homem com tributos, Que é CARLOS DO CARMO, Co’o lindo fado OS PUTOS! Nelson Fontes - Belverde No Grupo Beira Ria Publico os meus poemas. A bela ria de Aveiro mergulha-os no silencioso fundo do mar onde as sereias bonitas os lerão. Palavras, letras, sentimentos... que elas gostam de interpretar. E à noite e pela madrugada, quando vêm à tona da água sussurram estes versos aos pescadores que rapidamente se encantam por elas! Anabela Silvestre – Covilhã MAR E DOR Deixas sem pão, sem sonhos, sem amor, Famílias que de ti sempre viveram, Em paga do trabalho dás-lhes dor E em dor e em pranto desesperam… Com uma onda dás, com outra levas E quem tanto te amou e te respeita Dá-te honras de sol, recebe trevas, O desgosto é a cama em que se deita. Dás-nos, ó mar imenso, o alimento, Quando vêm as redes preenchidas Mas, como dás, retiras num momento, Cobrando caro, recebendo em vidas! Carlos Fragata - Sesimbra É normal Não sei o que diga Não sei o que faça… Diga o que disser Faça o que fizer Nada mete graça. Houve tempo que Tanta graça tinha! Qualquer lamechice Até a parvoíce Tudo uma gracinha. Prova que o tempo Tem grande poder… Não sei o que faça Nada mete graça Faça o que fizer. Que ninguém se iluda Nem o mais engraçado. Porque o tempo passa O que hoje é graça Amanhã enfado. Aires Plácido - Amadora Mundo Imperfeito Se existisse perfeição, No mundo que nos rodeia, Tudo seria mágico: Todas as noites seriam de lua cheia, As árvores não se despiam, Os rios não transbordavam, As flores não morriam, As florestas não ardiam, Não havia terramotos nem tempestades. Se o mundo que nos rodeia fosse perfeito, O ser humano também o seria: Não se envolveria em guerras, Só sentiria amor, paz e harmonia. Mas, o mundo ainda é imperfeito E o ser humano, Se reveste da mesma imperfeição! Conceição Tomé (São Tomé) – Amora

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Os Confrades da Poesia | | Boletim Nr 71 | Setembro / Outubro l 2015 | 7 Confrade desta Edição « Maria Mamede » BAÚ Há um baú forrado a linho feito em casa e perfumado a alfazema criada na cortinha que guardou o bragal da Avó dote e herança roupas de seda com finas rendas trazidas de França… quando as toco perfumam minhas mãos e todo o meu olhar se rasa de ternura e de voos branca asa a mostrar que na vida tudo passa… nesse baú eu guardo em meio às rendas as mais belas e importantes oferendas flores e versos que o tempo me deu e nele vou guardar desde agora tudo o que a paixão levou embora os segredos que a alma nunca disse e do que me dás a plena hora duma aurora de encanto na velhice!... Maria Mamede Sonho SABORES Sabe-me a pouco a cidade! Sabe-me a vida demais Sabe-me o peito a saudade Doutras vidas ancestrais… Sabe-me o tempo a fuligem Das chaminés do passado Sabe-me o rio a vertigem De quantos se têm matado… Por vezes o Douro sabe A aventura, a viagem E no coração nem cabe A 'sprança que vem n'aragem… Sabe-me a dor o Barredo Sabe a iscas a Ribeira E a Sé, sabe ao degredo Duma vida marinheira… Sabe o Bonfim ao pousio Das terras por semear E Lordelo ao bravio Dos matos da beira-mar… Miragaia sabe à espera Do sobe e desce do inverno E Ramalde , nesta era A poluição, um inferno… Vale Formoso, sabe a flor Campo Lindo, a oração E a Lapa sabe ao penhor De D. Pedro, o coração… Vestiu de festa a cidade Cheira a cidreira e a mosto E mesmo em dificuldade Traz alegria no rosto… Sabe a cascatas velhinhas Sardinha pinga no pão E ao altar das Fontaínhas Em noite de S.João! Maria Mamede AO PARTIR… Ao partir a vida inteira perpassa nos meus olhos… os cumes da esperança os vales da tristeza os campos do amor e a certeza do irrepetível seio onde o sangue é o sonho o tempo a esperança esse seio onde a bonança se faz colo em tempo de agonia esse que me ensinou a alegria e a dor desde criança… ao partir um requiem feliz a cantar ao mundo que conheço que a vida é um suspiro apenas isso dum deus que sei mas desconheço um deus que penso merecer na eterna repetição de cada ser e pela alma imortal que lhe agradeço!... Maria Mamede A DANÇA DOS ANOS Com a dança dos anos meu Amigo dançamos todos nós a roda inteira e a fúria de viver que foi fogueira é agora brasa quase morta… ‘inda um pouco de fogo ‘inda um suspiro de amores vividos ou deixados nas bermas do caminho que fizemos… ‘inda o pouco ou muito que nos demos em cada amor levado passo a passo… ‘inda um fogo aceso em nosso peito com um morno calor que vai esfriando ‘inda o pulsar do amor que foi ficando agarrado à alma e é regaço… cresce então em nós um olhar baço de recordações bela lembrança e cada qual tornando a ser criança agarra, bem forte a esperança sorvendo um licor de emoções… depois, assim de alma lavada segue na peugada da felicidade qu’inda almeja e regressando ao bibe e aos calções dá, a quem deseja a alegria de viver com fervor o que lhe resta mostrando que jamais será funesta a sorte de quem vive com AMOR!.... Maria Mamede Tenho um sonho guardado nas dobras do olhar e o caminho que sigo não promete remanso; tenho um sonho por dizer preso na garganta e o som recusa por medo o nome de quem sonha e os perenes amores de que meu sonho precisa… então reinvento no mar da vida a felicidade eterna na brevíssima eternidade dum poema enquanto o amor dure! Maria Mamede ESCRITO A QUENTE Escrito a quente nas veias nas têmporas nos pulsos escrito a quente corpo e alma e o tormento da sede... assim me sinto e te sinto na lonjura da saudade!... Maria Mamede

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8 | Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 71 | Setembro / Outubro 2015 «Confrades» FOGOS EM PORTUGAL Em cada Verão que passa Volta o fogo e ameaça Danificar Portugal Queimando matas e casas Deixando um rasto de brasas De extermínio infernal !... De proporções desmedidas Destrói bens e ceifa vidas Veste em tristeza o Verão Em onda assaz violenta Nosso País atormenta Com negro véu de carvão !... Nossos bombeiros valentes Já não são suficientes Para os fogos apagar Por isso pedem ajuda A qualquer fim que lhe acuda Prós incêndios dominar !... Os fogos são na verdade Flagelo e calamidade E tragédias horrorosas Alguns são mesmo atentados Quantas vezes ateados Por certas mãos criminosas. Porquê meu Deus tal castigo? Deste iminente perigo Que nos causa tanto mal Com meu Povo solidário Sofro este triste cenário Dos fogos em Portugal !... Euclides Cavaco - Canadá http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm OS MEUS LIVROS Quando era criança já sonhava... Na missão de ensinar, tão delicada Letra a letra o alfabeto soletrava.... Sentia que era bela a caminhada! Mal o sol radioso despontava... Eram manhãs cedo, em alvorada.... P'la missão, sem cansaço trabalhava P'ra subir os degraus da minha escada! Atingi essa meta pretendida... Na escola consagrei a minha vida, Ao sacerdócio da arte, sem louvor... Na lição, ensinando cada tema De cada letra fiz o meu poema Ensinando as crianças com amor! Maria Fraqueza – Fuseta Em Todo Ser Violento Eu não faço poesia como quem trabalha; Meu silêncio requer emoção e sentimento. Se quero falar de amor e a língua falha, Falo com meu olhos ou me movimento. NA TELA DO SERÃO Queimava-se à lareira a seca lenha que o meu irmão trazia do montado em feixes, que o verão tinha secado na sede em que regava aquela brenha. Inverno da saudade, que desenha rabiscos de outro tempo acomodado no rego fundo e seco, amortalhado, que outrora alimentava a bela azenha. As noites eram longas e sentidas de histórias, sobre gentes destemidas, bailando sobre a tela do serão. Agora não há lenha na fogueira. Há só cabelos brancos na ladeira dos anos, onde estou com meu irmão. Glória Marreiros - Portimão Artes piscatórias. Mãos…e artes piscatórias Trazendo o peixe à terra Hoje! Famílias! Memórias! Por uma arte que encerra. Meu verso brota como a chuva numa calha, Como uma bolha sutil ao sabor do vento; Sempre cicatrizo a dor que me retalha; A inevitável calma mora em todo ser violento. Luiz Poeta – RJ/BR Pinhal Dias – Amora-PT (In: “Farol no horizonte”) Aveiro Em ti, absorvo a beleza da ria tão formosa! Delicio-me com os apetitosos ovos moles. Percorro as areias da tua praia. Ouço o barulho do teu mar tão encantador. Passeio de barco pelos canais que te embelezam. Aveiro! Aveiro! Para mim és sem dúvida uma das mais belas cidades de Portugal! Fresca, Encantadora, Sublime, Majestosa! Anabela Silvestre Aveiro MEU POETA PREFERIDO De todos os poetas, já li tantos, desde o vate Bocage até Camões, que d'alegrias esparsas, largos prantos, se alagaram meus olhos de emoções. No meu peito hospedei seus corações, e uma férrea vontade (igual a quantos que expressam em seus versos sensações) de os seguir...como beata atrás dos santos. Da sua feérica luz colhi lampejos que longe ainda estão dos meus ensejos de algures vir a ter tal estro erguido... Mas tenho o meu poeta preferido: o que, rimando a par do meu pendor, segreda, só p'ra mim, versos d' amor! Carmo Vasconcelos - Lisboa CÂNTICO MAGOADO... Mergulhei as palavras num cálice amargo, aprisionei o meu "canto" num canto sem dó, deslizei por caminho escuro, incerto e vago, pranteei minhas penas num cântico só. Envolvi os pedaços do meu "canto" contido num silencio triste, imposto e forçado onde paira choroso, em interregno, reprimido e cadência dolente de um sonho aprazado. Miragem distante,,,leve som esvaecido o tanger desse "canto" por mim afastado, sendo breve sussurro, um eco perdido, o meu cântico só, controverso, magoado. Natália Fernandes - Portalegre “Às vezes só precisamos de alguém que nos ouça. Que não nos julgue. Que não nos subestime, que não nos analise. Apenas nos ouça” - (Charles Chaplin)

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 71 | Setembro / Outubro l 2015 | 9 “Cantinho Poético” RUAS DA MINHA CIDADE Que ruas nos dão um aconchego destes? Que Ruas nos levam para casa sempre? Olhando para dentro dela, rua nua, mesmo na fotografia, me apetece andar lentamente para saborear o piso. Lá na frente prevejo a sombra protetora das árvores plantadas nos dois passeios de mãos dadas com os meus passos, raspando os muros das casas que não viajaram. Estas ruas por onde caminha o meu olhar, ainda se não descolaram dos meus passos. Ruas de Malanje que atravessam o Mundo. José Jacinto "Django" - Casal do Marco Porque Tudo é Sonho Brincar na areia, ao sol! Correr, mergulhar e rir! Escutar o secreto cantar das sereias ao sol-pôr... Gritar para o vento Poemas de amor! Fazer uma fogueira, Escutar as estrelas Com a lua dançar e Recordar vidas passadas: A minha e a tua... suponho, que há tanto a dizer... Porque tudo é sonho! OS AMIGOS Fazer amigos é arte Que nasce no coração E tê-los por toda a parte É ter o mundo na mão. Ter amigos é riqueza Que faz a alma vibrar A mais humana nobreza Que Deus à vida quis dar. Amigos são como as flores Mais perfumadas e belas Que adornam a vida a cores Em brilhantes aguarelas. Na vida termos alguém P'ra comungar a amizade É virtude que contém Mais força que afinidade. Amigos são a família Que foi por nós escolhida Qual sentinela e vigília Com quem se partilha a vida. Euclides Cavaco - Canadá Maria Petronilho - Almada A CONVERTIDA DE DAMASCO Vasta noite que deita no seu frasco, As lágrimas de um choro de mulher. Silêncio! A convertida de Damasco. De mim? Eu só direi o que eu quiser. Das épocas tardias, se são belas? Ó tecelã dos sonhos o que vês? - Comum buquê de rosas amarelas Que vai murchando até seu fenecer. Tempo! Ris? Sempre em alta nos pregões, Nos leva de carona, na garupa De um trem que vai soltando seus vagões... Que mais posso escrever? O fim do giz... - Cuidei das minhas flores junto à estufa. É garantia de um final feliz? Eliane Triska - Porto Alegre / RGS /BR Amanhecer Depois de uma noite escura chega sempre o amanhecer a infelicidade encontra cura na alma límpida a florescer! Transparece doce esperança nas cores do céu ao alvorecer a madrugada traz a confiança que em breve o sol irá nascer! Chispam raios de luz colorida um espectáculo cada manhã Deus nos dá, sem pedir nada... a amizade cura toda a ferida amigo irmão, amiga tua irmã juntos esperando a alvorada… Arlete Piedade - Santarém O Nosso Poema Querida sinto que te amo Aquilo que falo e chamo, Ser de raiz profunda Onde o sorriso não muda. Os nossos gestos palpitantes Que a gente, sempre sente! Quer de dia, quer de noite Nas límpidas aguas das fontes, A nossa felicidade não muda. Se lançarmos raiz profunda Onde a terra é mais linda, Em cada minuto da vida. Se cria no pensamento O que se tem de direito Por longe ou por perto, Na bênção do amor existe! Um tesouro sem explicação… Eis o nosso poema No meu e no teu coração. A CHUVA. Cai a chuva! Mansamente, sem lamúrios… Lava a chuva! No langor das suas lágrimas… Das casas, os telhados; Das ruas, as calçadas… Lavasse, também, a chuva, Dos corações, A mágoa que se entorna pelos olhos... Filomena Gomes Camacho - Londres Mulher É ela como tal, no mais puro sentido da palavra mulher Mãe, Irmã, amiga, amor evidente com o seu olhar a luz Divina Ilumina a calçada eterna da vida Feliz dia das Mulheres Luís Filipe N. Fernandes Amora Fredy Ngola - Angola

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10 | Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 71 | Setembro / Outubro 2015 «Bocage - O Nosso Patrono» Eterno agradecimento Obrigado, meu pai, muito obrigado  Por todo o teu desvelo, o teu carinho,  Pelo teu cuidado  Em me ajudares a erguer,  Quando eu caía.  Obrigado, eu te agradeço  Teres-me indicado o caminho,  O endereço  Duma natureza que emana poesia  Desde o alvor  Até à noite brilhante, aluarada. Eu tenho, meu pai, que agradecer  Teres-me ensinado a forma correcta  De apreciar o crescimento duma flor,  Duma abelha a fazer o mel,  Do alto voo do condor,  Da montanha construída sem cinzel,  De tudo o que, no mundo, existe,   E que me fizeram poeta.  Meu pai, não me deixaste riqueza,  Mas do teu rosto, por vezes, triste,  Mas sempre risonho  E a transbordar de felicidade, Herdei uma certeza,  Que a vida pode ser um lindo sonho  Se vivida com amizade.  Meu pai,  Esse tempo de criança, se perdeu,  Já lá vai,  Toda aquela frescura da mocidade   Esmoreceu.  Há rugas de idade  No meu rosto de ancião  E, meu pai, sem que to peça,  Eu sinto sempre a tua mão  Pousada em minha cabeça.  António Barroso (Tiago) - Parede MALANJE AINDA. Lembrar a Terra Não é fado, Não é enfado, É só vontade De estar com Ela em qualquer idade, Atrair as geografias, confundir bué E passar por todas as alfândegas sem pagar, Ir e voltar nos dias que apetecer. É um momento eterno, até. Lembrar a terra, Se recorda mesmo dentro Dela. Não é só se distanciar no mapa Que...ah, ficou Lá, me deixa pensar… Não…se está mesmo, Ela não solta. Se não fosse Ela ainda nos transportando, Não tínhamos chegado tão alto. E mesmo nos mergulhos mais profundos A Luz Dela vai encadeando os Oceanos. Simples este futuro que nos deseja Por trazermos tanta dádiva, ainda. José Jacinto "Django" - Casal do Marco À beira da calçada Desprezo tuas preces em miseráveis doações, tens as dores que mereces em teus podres corações. Ignoro os teus olhares de pena sem devoção, detidos em seus lares ou ocultos na multidão. Cansado dessas campanhas que nunca me dão nada, estou cheio de vergonha dessa gente desalmada. Nem juiz, nem acusador sou figura ignorada. Sofro a fome de amor nessa beira de calçada. Não sou fim nem esperança nessa escura estrada. Sou gente, sou criança Esquecida, abandonada! Ivanildo – RJ/BR FOME Tudo será anormalmente normal, Morrer de fome é hoje coisa banal, Não há que reclamar, porque afinal Todos sabemos que morrer é natural. O Chico, que era moço bem parecido, Desapareceu, vejam lá se faz sentido Desaparecer pelo trabalho ter perdido?! Desapareceu só por ter morrido. A Inês, moça do Chico muito amiga, Namorada talvez, há quem o diga, Sentiu aquele friozinho na barriga E morreu às mãos da fome bruta imiga. O “ti Carlos” aquele velho resmungão, Vendedor de saúde, grandalhão, Dono dum enorme coração Só morreu afinal por não ter pão. A Clarinha que ainda mal andava, Menina linda que a todos encantava A quem o necessário leite já faltava Sorriu à morte que forte a abraçava. E hoje, sinto-me apenas infeliz Por não ser dos tiranos o juiz… Morro nestes versos que não fiz Por ver a fome matar o meu país Mulher que sobes a rua Mulher... Que sobes a rua E voltas a descer Esperando que a lua Traga o amanhecer Mulher... Da vida cansada Lá vais caminhando Ainda esperançada Na vida mudando No peito essa dor De vida não teres Perdeste o amor E não queres saber Mulher... Que sobes a rua E voltas a descer Tua alma nua Já não quer viver Vida nada fácil A escolha não foi tua Então pára...e começa a viver Mulher...que sobes a rua... CAMINHANTE Se a vida te gravou momentos duros e de escolhos pejou tua caminhada, decerto, foste cego, olhos impuros, não viste as níveas flores na jornada. Se achaste apenas pedras pela estrada e os astros vislumbraste sempre escuros, dormias quando a luz duma alvorada te abriu saídas por entre os negros muros. E surdo à divindade vigilante que mede-te a atitude na passada, não sabes ser, de novo, um caminhante... A quem foi dado o dom, quando implorante a tua alma arrependida quis voltar p'ra dor de antigo carma vir saldar. Carmo Vasconcelos - Lisboa Edyth Teles de Meneses Nogueira Pardal - Verdizela

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 71 | Setembro / Outubro l 2015 | 11 «Tempo de Poesia» Hoje e amanhã razão do meu viver Tempos meus, que são tempos no porvir hão-de estas minhas mãos quere-los aqui: e de ora em diante sentir que os vivi: com uma força tal que só tem o que há-de vir. E o que vier desta forma será tudo a existir: arcos, flechas, terras semeadas, além e ali; novas invenções; altas gruas, outras casas aqui; e ora nós e nós em todos e extensos jardins, a florir. Ah, querem-nos presos, às correntes do passado! Que a mentira, dita muitas vezes - vezes demais -, torna-se na verdade, de quem mente, em demasiado. Por isso, eu digo, há um caminho, que se quer desejado! E o que é de hoje e de amanhã – e mais e mais -, espera-nos mais à frente, há espera de ser ultrapassado. Mote de (de Miguel Torga) (Fuga) Vento que passas, leva-me contigo. Sou poeira e também, folha de outono. Rês tresmalhada que não quer abrigo No calor do redil de nenhum dono ----------------0000000---------------Sou... *Vento que passas, leva-me contigo p’ra outra dimensão, local incerto... Viver sem ter amor é um castigo é como atravessar longo deserto Sou filho duma rosa há muito seca *sou poeira e também, folha de outono... Alguém que nesta vida tem por meta não se entregar, p’ra já, ao longo sono Sou sêmea, sou seara, pão de trigo... Sou pedra de xadrez, sem tabuleiro, *rês tresmalhada que não quer abrigo nem ser, de crenças dúbias, prisioneiro Não quero ser o breu nem ser luzeiro no céu dum mundo cego que questiono... Nem tão pouco viver como carneiro *no calor do redil de nenhum dono Abgalvão - Fernão Ferro Soubemo-nos em Maio Soubemo-nos em Maio, porque o perfume das tílias do quintal dizia mais de nós que todas as palavras, e bastaria um fio para que o rio descesse, inelidível, as grandes avenidas por onde caminhámos, vestindo de azul e de miragens a margem deslumbrada da manhã, como se um salitre de vento, escorrendo pelos dedos, nos concedesse ainda a ousadia de convocar para nós a utopia, com que se move a força das marés. Fernando Fitas – Amora Regando um espinho No céu azul celeste Sombrio de dor (Sozinha) permaneceste Regando um espinho, Imaginando que era uma flor! E tu vestiste Um alvo manto De linho, mas salpicado Por gotículas de amargura, Que faziam do teu canto Um hino ao fado, Que ecoava na noite escura! Jorge Humberto - Stª Iria D’Azoia DEDILHAR A LIRA (Soneto especial dedicado a todos poetas De “OS CONFRADES DA POESIA) Fazer versos não e pra qualquer, com culta, trama, Com rima que encaixe na métrica exigida, Deve ter um desgosto, que sofreu, amou ou ama, Não é fácil, pensar no último verso à partida! Falo-vos do soneto, que em si tem tanta rama, Pra dizer muita coisa na forma certa, devida, Simbólico! Aforístico! Loquaz, com chama! Que dê, como deve ser, algo lindo da vida! Assim, é que se faz um soneto com preceito, Com recheio d’amor, saudade com aquele efeito, Musical, sensual, conforme a cultura do autor, Quando inspirado na vida ou na Dulcineia, A lira, canta e encanta n’uma poesia cheia De lirismo e, muito mais quando no ar há amor! Nelson Fontes Carvalho - Amora/ Belverde Rio Côa ( fado ) Tuas águas são saudades De quando eu me banhava. Com as tuas qualidades De que sempre sonhava. São águas que já passaram, Tenho as mesmas saudades. Outros corpos já banharam, Águas com qualidades! Ficam na recordação, Os tempos lá passados. Á tua beira, no Verão Sempre bem animados. Jorge Vicente - Suíça O Sonho Tarde vieste ao meu encontro… Ò Beleza tão antiga e tão nova Tarde Te encontrei! Tarde sonhei … Pequena réstia de Sol de Outono … Será que ainda é possível sonhar? Não será o sonho uma ilusão? Haverá ainda Luz na estrela que se apaga? Dolorosa espera … Suave brisa matinal… Leve crepitar da Esperança. Confiança Renascida. Sorriso de criança!!! Filipe Papança - Lisboa Luís Lameiras – S. Mamede de Ribatua

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12 | Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 71 | Setembro / Outubro 2015 «Trovador» Mãe do Fado A grande musa do fado Que foi Maria Severa Deixou o nome gravado No fado da sua era ... Nascida na Madragoa Vivera no Capelão E deu ao pintor Malhoa Prò fado a inspiração... Foi uma mulher errante Com um passado ocioso Cantou fado e foi amante Do conde de Vimioso... Fez da vida liberdade Segundo a tradição narra A noite era ociosidade Junto à consorte guitarra. Bem cedo na juventude Termina a sua existência Mas quis dar-nos a virtude De nos deixar descendência. Conta a lenda que a Severa Deu à luz na Mouraria Um filho que nos quisera Deixar como melodia... Seu filho por descendente Fez questão de ter legado Permitam que o apresente Este seu filho é o FADO !... Euclides Cavaco - Canadá Sorrindo Pediste um Beijo Sorrindo pediste um beijo Sorrindo eu te o neguei Por conhecer teu sorriso Teu desejo não matei Eu não dou beijos assim Só para matar o desejo Para ciúmes causar Sorrindo pediste um beijo Ao teu cínico pedido Admirado eu não fiquei Pediste um beijo sorrindo Sorrindo eu te o neguei Percebi que era malandrice Nesse momento conciso Teu pedido eu recusei Por conhecer teu sorriso Por saber bem como tu és No teu jogo não entrei Mandei-te dar uma volta Teu desejo não matei. Chico Bento - Suíça Tempo do tempo. Quem perde a noção do tempo, Mas tem a noção da vida Desfaz esse contratempo Da vida que foi perdida Tempos houve de aflição Os amigos se afastaram Foi tempo de perdição Mais tarde eles voltaram A vida tem destas coisas No passar do tempo afina No adeus, acenam as asas Algo mais, que nos ensina Quer faça chuva ou sol É tempo dessa estação Cuja flor é girassol Que reflecte admiração Se o tempo foi questionado!? P’lo tempo de sua idade Não fique dececionado Por quem gere felicidade E o tempo quando passa Ao cabelo branqueou Do presságio que ultrapassa Por esse tempo que amou Flui um tempo desejado Tempo de voltar a Deus Deixa o poema almejado Segundo a fé dos hebreus Pinhal Dias - Amora PT Algumas pessoas pensam que estão sempre certas, outras são quietas e nervosas, outras parecem tão bem, por dentro elas devem se sentir tristes e erradas, outras se isolam para esquecer, enquanto outras se aproximam para sofrer, outras falam para machucar, algumas se calam para não magoar, embora sejam tão diferentes, todas tem algo em comum, não tem certeza de quem realmente são ou do que querem ser. (Charles Chaplin) Poema Sobre A Liberdade de Expressão A liberdade de pensamento E a liberdade de expressão Têm de ter entendimento De existir não perder a razão. Pensar, mas salvaguardar Dos outros o pensamento De modo a poder respeitar Em qualquer hora e momento. Todos têm direito à dignidade Ao bom nome e a reputação A imagem e reserva de intimidade Na vida familiar do cidadão. Todos queremos a liberdade A ética na vida profissional Humanidade e solidariedade Na vida democrática em Portugal. A vivência em democracia É pela liberdade complicada Exige mais respeito quem diria Para poder ser comentada. Liberdade não é liberalismo Deve haver respeito e honestidade Humildade e simbolismo Para viver em plena liberdade. Das acções e demonstrações Assumir sempre a responsabilidade Assim como de todas as decisões Perante a nossa comunidade. Deodato António Paias - Lagoa Se me lembro do passado Sempre veloz como o vento Agora ando pasmado, Quando me vejo ao relento. Cansei-me neste mês posto Por festejar os santinhos Venham já julho e agosto , Pra descansar-mos juntinhos Antoninho fez-se Santo No dia dos namorados Sua noiva é um encanto, Vão passar a ser casados. Arménio Domingues Foros de Amora A cidade está mudada, De sair tenho receio, Andam peões na estrada E automóveis no passeio. Isidoro Cavaco - Loulé "CHEIRAR" (AO PINHAL E JORGE): Ao Monte Velho tiramos o chapéu, Ali mora tradição com certeza, Isto é vinho, é um santo troféu, Que orgulha todo nosso céu, Quem possa ter este “VELHO” a mesa! Nelson Fontes - Belverde

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 71 | Setembro / Outubro l 2015 | 13 «Poemar» QUADRAS Dos teus beijos não me farto São para mim alimento. Fico triste quando parto, Levo-te no pensamento. A palavra Educação tem o seu justo valor, pois sendo do coração transmite o mais puro amor. São parvos não rias deles, Os corruptos em Portugal. Podem ver-se primates, Para eles tudo é legal ! Pançudos há bastantes, com salários chorudos, Ficam muito contentes, são todos uns beiçudos É com a sua atitude Que os homens se notam bem. Serão fontes de virtude Pra não ferirem ninguém! Não vale a pena chorar, o mal que me fizeste. Dentro de mim vai sarar, mas tu, serás boa peste. Jorge Vicente - Suíça À beira da calçada Desprezo tuas preces em miseráveis doações, tens as dores que mereces em teus podres corações. Ignoro os teus olhares de pena sem devoção, detidos em seus lares ou ocultos na multidão. Cansado dessas campanhas que nunca me dão nada, estou cheio de vergonha dessa gente desalmada. Nem juiz, nem acusador sou figura ignorada. Sofro a fome de amor nessa beira de calçada. Não sou fim nem esperança nessa escura estrada. Sou gente, sou criança Esquecida, abandonada! Felicidade Ser feliz o que é?... Como se consegue?... é o abraçar a vida… Com loucura e amor… Amor… Que constantemente… Nos bate à porta… E surge… No sorriso dos filhos… No chilrear dos passarinhos… No desabrochar de uma flor… No sorriso de uma criança… Que nos puxa pela saia… E que nos diz baixinho… Gosto de ti… Ser feliz… É saber estar… Rodearmo-nos de gente… E sabermos, sempre sorrir… Mesmo… quando apetece chorar!… Namoro na Internet Vejam que lindo É o namoro atual Ela romântica sorrindo Ele versos a enviar. Cada um em seu computador Coisas lindas a digitar Não se olham…mas é o amor Sem beijos e sem a mãozinha segurar. Maria Aparecida Felicori (Vó Fia) Nepomuceno minas Gerais BR DEIXA LÁ METER A ROLHA O meu tio é produtor De vinho bem carrascão Eu fui ajudá-lo a pôr Em garrafa e garrafão Dentro dos pipos o vinho Já estava bem no ponto Confesso, aquele cheirinho Até me deixava tonto Eu fazia o que calhava Porque não tinha escolha Minha prima não deixava Que eu metesse a rolha A água que vem de cima De certo que também molha Eu dizia á minha prima Deixa lá meter a rolha Ela queria meter Mas lá á sua maneira Eu lá tive que ceder E metemos a tarde inteira Não quero causar intriga Com o que vou, vou dizer É que eu enchi a barriga De tanto a rolha meter Zé Bento - Suíça Lili Laranjo - Aveiro Nada Sei Eu sou o que sou; Sem o querer ser: Vim a este mundo, Sem querer nascer… Se o mundo é triste, É pura ilusão, É dos nossos olhos, E do coração… Se do chão brotam flores, Se há um sol a brilhar, P’ra quê a cobiça e ódio, Por quê tanto pelejar? A vida é o bem maior; Que devemos preservar… Sei que de nada sei; Sem mesmo querer saber: De quando e onde, Um dia eu irei morrer! Conceição Tomé (São Tomé) Amora Na sombra do teu desespero. E no olhar da tua presença A luz e as cores desta vida Retratam o silêncio do tempo. Ivanildo - RJ/Brasil Mário Pinheiro - Amora

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14 | Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 71 | Setembro / Outubro 2015 «Poemas saídos do Baú» Monte Gordo Monte Gordo é açucena Juntinho a Vila Real Tem a praia mais amena Das praias de Portugal. Banhada p'lo mar azul De areias brancas e finas É a praia mais a Sul No País das Cinco Quinas. É destino gigantesco Na época balnear Tem carisma pitoresco E o mais tranquilo mar. A praia dos pescadores É verdadeira aguarela Motivou muitos pintores Celebrizá-la na tela. Todo um mosaico envolvente Satisfaz nossos anseios De dia a praia atraente À noite os belos passeios. Minha praia favorita Que com saudade recordo Por ser serena e bonita A praia de Monte Gordo. Euclides Cavaco - Canadá Nadas Ainda a noite mal se espreguiçava Já a manha rompia em claridade, Cantavam os pardais em liberdade No ar a melodia se espalhava Mais um dia de novo começava P’ra uns, quanta agonia e ansiedade P’ra outros, o anseio à felicidade E o tempo nessa ânsia assim passava. Quantos dias bonitos que morreram Os meses e os anos sucederam Em cadência febril e dolorida; Por nadas, nos deixamos embalar Que nem paramos para reparar Nos nadas que dão vida a nossa vida Anabela Dias - Amora Cardo Santo Vi-te a distância de um fôlego, E tua beleza encantou meu ego Despertando-me a tentação De apreciar tua combustão. À moda de um cabo-verdiano, Olhei com olhos da mão, Segurando-te, a verificar teu tino, Pressenti tremor de antemão. Então algo mudou em mim E decidi examinar se és jasmim Ou rosa para o meu jardim Ou cardo santo do meu jardim. O exame de pouca duração Ergueu espinhos em função Por tua tentação em relevo Meu cérebro sentiu enlevo. Não pude negar-te um beijão Numa perfeita mescla sem vão Com amor que neutraliza espinhos Em suaves dores, com lanhos. Amália Faustino Praia / Cabo Verde Fecho a dor a cadeado Fecho a dor a cadeado p´ra não a deixar entrar, pode querer forçar a porta, mas se uma paixão está morta não tem espaço para ficar Mas, se um vento traiçoeiro me trouxer a ansiedade, não me vai crucificar, eu desvio o meu olhar e mando embora a Saudade Maria Dulce Saldanha - Lisboa Lembrando um Outono O Outono chegava, Trazendo consigo as marcas da saudade, Do outro Outono que passou, Desse tempo que acabou, E que nunca mais voltou. Mas este Outono, Trouxe também recordações, Dos momentos vividos na escuridão, Em que da noite se fez dia, Apenas com a chama da paixão. Este frio que se aproxima, E o sol que não me aquece, Deixam em mim as lembranças, De um amor que não se esquece. Luís da Mota Filipe (Sintra) CAVALGADA Cavalgo na noite fugindo pró nada Com fogo na ideia, de cor pardacenta, E a alma, sem força que dome a tormenta, Parece mais febre que má cavalgada. Sem norte e sem rota, a espada afiada Não tem faiscar nem parece sangrenta. Pendente da cinta qual pobre parenta, Badala no trote, com sono deixada. Se a vida se queixa que tratos lhe dou, Que posso eu dizer, esquecido onde vou E sem encontrar algum astro a fulgir? Se pára o cavalo, querendo frescura, Por certo que abranda tamanha loucura, Mas fico perdido sem ter para onde ir. Tito Olívio - Faro Basta-me Hoje, não preciso de mar, nem barco Basta-me um trapicho jogado sobre a água Como aquele à beira do lago, E todas as minhas lembranças! Anna Paes – Brasília ADEREÇO DA ALMA A sensibilidade é o adereço da alma que ama. Sofrimento o traje que a alma que ama enverga! POETAS Poetas que escutam o germinar das sementes... Olhares inocentes alimentando a alma de verdade e de saudade... Seus sonhos de meninos grandes vagueiam nos jardins da utopia onde o sol e a lua iluminan a poesia e transformam em flores ervas amargas! O silêncio da noite é a luz do dia.... onde surgem sinfonias e ecoam concertos por excelência na musicalidade das palavras. Onde os versos exalam perfumes d’eloquência Como o vulcão espalha a sua lava! Virgínia Branco - Lisboa Filomena Gomes Camacho - Londres

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 71 | Setembro / Outubro l 2015 | 15 «Faísca de Versos» CUMPRA-SE DE NOVO ABRIL! Contra os que nos têm ofendido de falsas verdades se mostrando àqueles que impunes vão desmentindo as mentiras que nos vão deixando (tão púdicos perante o que vão fingindo tão cruéis proveitosos no desmando); contra esses - na descontra do que nos é querido e aos poucos e poucos vão matando tudo quanto este povo, foi construindo-, e contra aqueles, que este país, vão adiando; contra estes fascistas, que nos vão denegrindo, saia Portugal à rua e erga-se a Nação: unindo o que nos une e unifica, perpetuando o real valor de Abril: que são estas gentes prosseguindo. Jorge Humberto - Stª Iria D’Azoia CABECINHA TONTA” Ai Jesus, valha-te Deus… Mesmo que mal te pareça, Por esses pecados teus, Nessa tontinha cabeça! Deixa que o jogo se faça. Já passa a mais, é tão feio! Seres profeta da desgraça… Para os casos do alheio… Deixa-te de provocações, Repletas de cinismo. Cumpre as obrigações De cidadão e civismo! Só atinas… com a bola, “Bocas foleiras” vaidade… Falta-te aí nessa tola… O respeito e humildade! Depois deste resultado Num jogo tão mal jogado, Com penalties por marcar… Houve ali “bocas” a mais, Pontapés gramaticais, Ninguém merecia ganhar! João da Palma – Portimão Se tiveres amor à vida Não ames a falsidade Porque fazem-te a partida De te amar sem ser verdade Castelos de Sonho Castelos de sonho Sonhando, construo castelos Em que hasteio Bandeiras Coloridas e vivas! Coloridas e vivas, bandeiras que hasteio! No alto do sonho Desfraldo as Bandeiras Com que homenageio toda a campina Que me acena ateada e viva. Nas papoilas vermelhas que emergem do verde das saudosas searas antigas eu sinto o sangue a pulsar nas veias e subo os castelos, para debruçada nas ameias desfraldar as Bandeiras Verdes e Vermelhas que hasteio saudosa dos campos arados semeados de vida!.. Felismina Costa - Lisboa Olheiros que mamam. E agora? Todos choram p’lo mar! A nossa economia que tanto berra vingam os olheiros desse mamar povo indignado, caído por terra Promoção de turismo a ofertar! Olhos asiáticos!? Gato enterra! Nem a burguesia pode lá chegar p’la alta esfera, que dita e encerra Terras viradas ao golfe turístico… Que fomentam os barões, do seu dístico com agricultura a comprometer Vestem-se de linho, com bons lençóis comem lagosta e menos caracóis e a sardinha para o povo a reter Pinhal Dias (Lahnip) – Amora PT CONTO? POEMA? O QUE QUISEREM A criança levantou-se e disse: - Tenho fome. O pai, enraivecido, gritou: - Bebe água. A mãe, a chorar, murmurou: - Nem água tenho p’ra lhe dar. O avô, caiu da cadeira e gemeu: - Quero morrer. O 1º ministro, ufano, afirmou: - O país está melhor. O ministro da solidariedade, com ar caridoso: - Temos protegido os mais pobres. O P.R. em conferência no estrangeiro: - Portugal vai cumprir os compromissos. Hoje é dia dos namorados. O funeral da criança é amanhã. Nogueira Pardal - Verdizela PT Que Importa?!... Que importa!!!???... Se a terra treme, Se há tantos pensamentos, Se há bons ou maus momentos?! Que importa!!!???... A vida ser breve, Se ela é vivida ao de leve... E desfaz-se como a neve!?... Que importa!!!???... Viver com amor, Num mundo que já foi melhor, Do qual esqueci o valor!?... Silvino Potêncio – Natal/BR Amor falso Poeta Selvagem – Alentejo

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