Gestão Empresarial Nº 12

 

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Gestão Empresarial Nº 12

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PUBLICAÇÃO TRIMESTRAL DO GRUPO BRASIL DE EMPRESAS DE CONTABILIDADE ABRIL/MAIO/JUNHO/2009 ANO 4 - NO 12 Em busca do petróleo É hora de buscar o ouro negro sob as águas do Atlântico. Devon Energy conta os desafios dessa missão no Brasil Previdência com nova cara Ministro José Pimentel mostra os avanços da Previdência e as estratégias de gestão que têm levado aos bons resultados Cultura do conflito x Cultura da pacificação A adesão crescente do brasileiro aos recursos de mediação e arbitragem como alternativas de resolução de litígios fora da morosa estrutura judicial

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EMPRESAS ASSOCIADAS AC - RIO BRANCO MG - JUIZ DE FORA RN - NATAL ORGANIZAÇÃO CONTÁBIL PRADO Rua Pará, 107 Cadeia Velha 69900-440 - Rio Branco - AC Tel. (68) 3224-3019 www.orgconprado.com.br AL - MACEIÓ TECOL - CONSULTORIA EMPRESARIAL Rua Dr. João Pinheiro, 173 36015-040 - Juiz de Fora - MG Tel. (32) 3215-6631 www.tecol.com.br MS - CAMPO GRANDE RUI CADETE CONSULTORES E AUDITORES Rua Apodi, 209 59025-170 - Natal - RN Tel. (84) 3616-5500 www.ruicadete.com.br RO - PORTO VELHO CONTROLE CONTADORES ASSOCIADOS Rua Guedes Gondim, 128 57020-260 - Maceió - AL Tel. (82) 2121-0000 www.controleonline.com.br AM - MANAUS AUDITA AUDITORIA E CONTABILIDADE Rua Olavo Bilac, 20 79005-090 - Campo Grande - MS Tel. (67) 3383-1892 www.auditacontabilidade.com.br MT - CUIABÁ D. DUWE CONTABILIDADE Rua Júlio de Castilho, 730 - Olaria 76801-238 - Porto Velho - RO Tel. (69) 2182-3388 www.dduwe.com.br RR - BOA VISTA DHC AUDITORIA Avenida Djalma Batista, 1007 10 andar 69053-355 - Manaus - AM Tel. (92) 3182-3388 www.dhcmanaus.com.br AP – MACAPÁ CONTABILIDADE SCALCO Rua Comandante Costa, 1519 - Térreo 78020-400 - Cuiabá - MT Tel. (65) 3363-1600 www.scalcomt.com.br PA - BELÉM SAMPAYO FERRAZ CONTADORES ASSOCIADOS Rua Ajuricaba, 738 - Centro 69301-070 - Boa Vista - RR Tel. (95) 3224-0544 pnfs@click21.com.br RS - PORTO ALEGRE ÉTICA INSTITUTO CONTÁBIL Rua Mamedio Amaral da Silva, 138, Térreo 68908-300 - Macapá - AP Tel. (96) 3241-5529 www.eticainstitutocontabil.com.br BA - SALVADOR C&C CONSULTORIA E CONTABILIDADE Travessa Nove de Janeiro, 2275 - 1º andar 66063-260 - Belém - PA Tel (91) 3249-9768 www.cec.cnt.br PB - JOÃO PESSOA GATTI ASSESSORIA FISCAL E CONTÁBIL Rua Santa Catarina, 361 91030-330 - Porto Alegre - RS Tel. (51) 2108-9900 www.gatti.com.br SC - FLORIANÓPOLIS ORGANIZAÇÃO SILVEIRA DE CONTABILIDADE Rua Torquato Bahia, 04 - 110 andar 40015-110 - Comércio - Salvador - BA Tel. (71) 2104-5401 www.organizacaosilveira.com.br CE - FORTALEZA ROBERTO CAVALCANTI & ASSOCIADOS Av.Almirante Barroso, 1020 - Torre 58040-220 - João Pessoa - PB Tel (83) 3048-4243 www.robertocavalcanti.cnt.br PE - RECIFE RG CONTADORES ASSOCIADOS Rua Dom Jaime Câmara, 77 - Sala 101 88015-120 - Florianópolis - SC Tel. (48) 3025-6424 www.rgcontadores.com.br SC - BLUMENAU - JOINVILLE - ITAJAÍ MARPE - CONTADORES ASSOCIADOS Av. Pontes Vieira, 1091 - Dionísio Torres 60130-241 - Fortaleza - CE Tel. (85) 3401-2499 www.marpecontabilidade.com.br DF - BRASÍLIA ACENE ASSESSORIA E CONSULTORIA Rua João Ivo da Silva, 323 - Madalena 50720-100 - Recife - PE Tel. (81) 2125-0300 www.acenecontabilidade.com.br PI - TERESINA J. MAINHARDT & ASSOCIADOS Rua 2 de Setembro, 2639 - 1, 2, 3 ands. 89052-001 - Blumenau - SC Blumenau - Tel. (47) 3231-8800 www.mainhardt.com.br SE - ARACAJU AGENDA CONTÁBIL SCS, Q. 02, BL C, nr. 92, conjs 202/4 - ASA SUL 70302-908 - Brasília - DF Tel.(61) 3321-1101 www.agendacontabil.com.br ES - VITÓRIA ANÁLISE CONTABILIDADE Rua Valença, 3.453- Sul Bairro Tabuleta 64018-535 - Teresina - PI Tel. (86) 3222-6337 www.analisecontabilidade.com.br PR - CURITIBA SERCON SERVIÇOS CONTÁBEIS Rua Siriri, 513 - Centro 49010-450 - Aracaju - SE Tel. (79) 2106-6400 www.sercontabil.com.br SP - SÃO PAULO UNICON - UNIÃO CONTÁBIL Rua Graciano Neves, 230 - Centro 29015-330 - Vitória - ES Tel. (27) 2104-0900 www.unicon.com.br GO - GOIÂNIA EACO - CONSULTORIA E CONTABILIDADE Rua XV de Novembro, 297 - 7º andar 80020-310 - Curitiba - PR Tel (41) 3224-9208 www.eaco.com.br PR - CASCAVEL ORCOSE CONTABILIDADE E ASSESSORIA Rua Clodomiro Amazonas, 1435 04537-012 - São Paulo - SP Tel. (11) 3531-3233 www.orcose.com.br DPC - DOMINGUES E PINHO CONTADORES Rua Sampaio Viana, 277 - 100 andar - Paraíso 04004-000 - São Paulo - SP Tel.(11) 3884-1116 www.dpc.com.br TO - PALMAS CONTAC - CONTABILIDADE Av. Oeste, 319 - Setor Aeroporto 74075-110 - Goiânia - GO Tel. (62) 3240-0400 www.contacnet.com.br MA - SÃO LUÍS VANIN CONTADORES ASSOCIADOS Rua São Paulo, 1721 85801-021 - Cascavel - PR Tel. (45) 2104-7000 www.vanin.com PR - LONDRINA ASSESSORIA E CONSULTORIA REAL Av. Borborema, quadra 18 - nº 22 - Calhau 65071-360 - São Luís - MA Tel. (98) 3313-8900 www.assessoriareal.com.br MG - BELO HORIZONTE CONTAD ASSESSORIA CONTÁBIL Rua Senador Souza Naves, 289 - Sala 4 86010-914 - Londrina - PR Tel. (43) 3324-4428 www.contadassessoria.com.br RJ - RIO DE JANEIRO – MACAÉ CONTATO CONTABILIDADE Av. JK - 104 - N Cj 01 - Lote 39 A - Sl 5 77006-014 - Palmas - TO Tel . (63) 3219 7100 www.contatopalmas.com.br GBRASIL (Sede) MATUR ORGANIZAÇÃO CONTÁBIL Rua Carijós, 244 - 11º andar 30120-060 - Belo Horizonte - MG Tel. (31) 3273-8111 www.matur.com.br DPC - DOMINGUES E PINHO CONTADORES Av. Rio Branco, 311 - 4º andar - Centro 20040-903 - Rio de Janeiro - RJ Tel.(21) 3231-3700 www.dpc.com.br Rua Clodomiro Amazonas, 1435 04537-012 - São Paulo - SP Tel. 55 (11) 3814-8436 www.gbrasilcontabilidade.com.br

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EDITORIAL nos bastidores da exploração do petróleo esta edição trouxemos o desafio da Devon Energy, uma das companhias de exploração de petróleo que hoje buscam o ouro negro no Brasil; esteja ele sob as águas do Atlântico ou em diversos blocos terrestres concedidos pelo governo brasileiro nos leilões realizados pela Agência Nacional de Petróleo - ANP. Surpreendente saber quanto é necessário investir e por tanto tempo para que se chegue a uma situação de lucro. A Devon é uma companhia americana que aqui no Brasil tem seus negócios acompanhados na parte fiscal e contábil pela Domingues e Pinho Contadores|GBrasil, no Rio de Janeiro. A entrevista especial deste trimestre é com o ministro da Previdência Social, José Pimentel. Feita a quatro mãos, contando com o apoio da equipe de comunicação do Ministério, Pimentel nos mostra um pouco do que vem sendo feito para a modernização do órgão e também para o controle das finanças naquela pasta. O fato é que a Previdência sempre esteve na mídia por causa dos escândalos envolvendo fraudes, o atendimento desumano aos segurados e o eterno déficit nas contas – o dinheiro que se arrecada não é suficiente para o pagamento dos benefícios: aposentadorias, pensões e auxílios diversos. Com a ajuda da tecnologia da informação e vontade política, as fraudes e o atendimento moroso vêm sendo minimizados. Resta agora o equilíbrio das contas, um desafio bilionário. Em nossa reportagem de comércio exterior, focamos os negócios do Brasil com a Espanha. Apesar do mal-estar diplomático, com os episódios recentes envolvendo a deportação de turistas brasileiros no aeroporto internacional daquele País, o intercâmbio comercial entre os dois países continua em alta, marcado por crescentes investimentos espanhóis por aqui. Existe uma constatação importante no ambiente do comércio internacional de que o Brasil passa a ser o portão principal de entrada no mercado latinoamericano. A Espanha, nos mostra a reportagem, tem seguido essa regra. Assunto não menos importante nesta edição é o uso da mediação e arbitragem como alternativas de resolução de conflitos fora da estrutura judicial. Vencendo preconceitos e melhor difundidos, os dois recursos previstos em lei desde 1996 vem sendo adotados no ambiente de negócios como forma de fugir do judiciário. Uma estrutura morosa e concentrada num dualismo que não motiva a conciliação e a resolução dos conflitos entre as partes litigantes. Na Justiça comum, se ganha ou se perde. Na mediação, conciliação e arbitragem o objetivo é chegar primeiramente a um bom termo entre as partes, em que todos saiam satisfeitos. Caso contrário, arbitra-se com conhecimento técnico sobre a causa. Nada mais justo. Boa leitura! Foto: Renato Velasco Reinaldo Silveira Presidente do GBrasil gbrasil@gbrasilcontabilidade.com.br

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ÍNDICE Nos Editorial 3 bastidores da exploração do petróleo Entrevista 5 José Pimentel Práticas do Bem 8 Uma fábrica de sonhos Petróleo & Gás 10 Devon Energy: Em busca do ouro negro 28 Capa Comércio Exterior 14 Espanha – Não mais estranhos Mediação & Arbitragem 18 A doce vitória da cultura da pacificação Getty Images Renato Velasco Entendendo Análise 22 as operações com créditos de carbono Em Síntese 27 . Crise . 25 em pauta no anos 31o Encontro GBrasil . TOTVS em crescimento da Domingues e Pinho Contadores . Dicas sobre IRPF 8 . Certificação digital para advogados . J.Ribeiro eleito vice-prefeito de Londrina-PR . GBrasil na Câmara Americana do RJ . Negócios na Língua Portuguesa . Club de Regatas do Vasco ganha barco da DPC Controle As 22 Em Tese 28 fiscal: Sped ou 'Speed'? Ricardo Stuckert Sustentabilidade 30 boas práticas da indústria agropecuária 18 . Contabilização de bens e direitos imateriais . Tributação em vendas de quotas de capital . Balanços anuais e a Lei 11.638/07 . Distribuição de lucros x prejuízos acumulados . Representação e administração de PJ Consultoria GBrasil 22 14 Gestão Empresarial é uma publicação trimestral do GBrasil - Grupo Brasil de Empresas de Contabilidade, distribuída a clientes e parceiros estratégicos em todo o território nacional Endereço da sede GBrasil Av. Clodomiro Amazonas, 1435 04537-012 - São Paulo-SP Tel./Fax: 55 (11) 3814-8436 www.gbrasilcontabilidade.com.br Conselho Editorial Pedro Coelho Neto (Marpe Contadores Associados) Reinaldo Cardoso da Silveira (Org. Silveira de Contabilidade) Nilson José Göedert (RG Contadores Associados) Manuel Domingues e Pinho (Domingues e Pinho Contadores) Rider Rodrigues Pontes (Unicon - União Contábil) Produção, Edição e Diagramação Conteúdo Comunicação & Luna Editora www.conteudocomunicacao.com.br Jornalista Responsável Diva de Moura Borges diva.borges@uol.com.br Tel. (11) 3814.8436 Relações com Anunciantes Pedro A. de Jesus Mundo Verde Anúncios anunciosmundoverde@bol.com.br Tel. (11) 3875.0308 (11) 9137-7639 Colaboraram nesta edição: Alexandre Silva Amanda Polatto Carolina Costa Francisco Freire Ribeiro Leandro Rodriguez Mario Mateus Revisão (sob nova ortografia) José Paulo Ferrer Projeto Gráfico Moema Cavalcanti Fotografias & Ilustrações João de Brito Coêlho Jr (PI) Getty Images (SP) Gilberto Viegas (SC) Hélcio Nagamine (RJ) Marcelo Ventura (SP) Marcello Casal/ABr (DF) Marcos Salles (MA) Newton Santos (Hype Fotografia) Paulo Pampolim/Hype Fotografia (SP) Renato Velasco (RJ) Ricardo Stuckert/ABr (DF) Weimer Carvalho (GO) As demais imagens utilizadas nesta edição foram cedidas de arquivos pessoais ou divulgação das empresas e entidades citadas. Tiragem desta edição: 10.000 exemplares Impressão Leograf Editora, em papel couché brilho 150g (miolo) e couché 180g (capa) 4 Gestão Empresarial ABR/MAI/JUN/2009

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ENTREVISTA A NOVA PREVIDÊNCIA José Pimentel, ministro da Previdência Social José Barroso Pimentel, natural de Picos (PI), É advogado, sindicalista e bancário. Em 2006, foi eleito pela quarta vez deputado federal (PT-CE). em sua jornada legislativa já ocupou cargos expressivos, como o de relator da reforma previdenciária. é autor das recentes Modificações na lei geral das micro e pequenas empresas. A convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em junho de 2008, licenciou-se da Câmara para assumir o cargo de Ministro da Previdência. Nesta eNtrevista À GESTÃO EMPRESARIAl, ele fala sobre a nova previdência. por Marcello Casal Jr./ABr Diva Borges e Francisco Freire Ribeiro durante toda a sua vida laboral, com o auxíliodoença e o auxílio-acidente até a sua aposentadoria. Trabalhamos todos os dias para incluir o maior número possível de brasileiros no sistema previdenciário e dar a eles atendimento de qualidade. No momento, estamos trabalhando para incluir onze milhões de brasileiros na Previdência. São feirantes, camelôs, sacoleiras, doceiros, pipoqueiros, borracheiros, trabalhadores que estão na informalidade, por meio da implantação do microempreendedor individual (MEI). Como consequência da Lei Complementar 128, que aperfeiçoou o Simples Nacional, foi criada a figura do MEI, que tem como objetivo levar milhões de trabalhadores a formalizarem seus pequenos negócios. Eles serão isentos de impostos federais e contribuirão com R$ 1 para o seu Estado, a título de ICMS, ou R$ 5 para o seu município a título de ISS, se forem prestadores de serviço. Para ter direito à proteção da nossa Previdência, contribuirá com R$ 51,15. Também estamos preparando ações para atrair mais trabalhadoras domésticas e trabalhadores da construção civil para o sistema previdenciário. Gestão – Em 2008, as contas do Regime Geral de Previdência Gestão – O senhor completará agora, em junho, um ano à frente do Ministério da Previdência Social. Quais são as principais conquistas que o senhor poderia anunciar até o momento e, ainda, os principais desafios de gestão, a curto prazo, desta pasta? J.B.Pimentel – A determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi de que aproximássemos a Previdência Social dos brasileiros, melhorando cada vez mais o atendimento. A nossa Previdência é uma das instituições que mais protegem o trabalhador e sua família. Mesmo antes de nascer, a criança já conta com o salário-maternidade que é pago à mãe gestante. Essa criança cresce, vai para o mercado e o trabalhador fica protegido Social apontaram a maior queda no déficit desde 1995. Podemos comemorar o equilíbrio das contas? J.B.Pimentel – É um processo. Estamos trabalhando para tornar a Previdência Social urbana superavitária em 2010. A melhoria das contas foi fruto do crescimento econômico e do processo muito forte ABR/MAI/JUN/2009 Gestão Empresarial 5

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de formalização das micro e pequenas empresas, por meio do Simples Nacional. Só para você ter uma idéia, o número de empresas formais subiu de 1,3 milhão em junho de 2007, quando vigorava o Simples Federal, para 3,1 milhões em dezembro de 2008, com a vigência do Simples Nacional. A nossa arrecadação proveniente das empresas do Simples Nacional aumentou de R$ 700 milhões em janeiro para 1,7 bilhão em março. Outro fator que foi fundamental para que atingíssemos este resultado foram ações de gestão, com consequente redução nas despesas. Entre eles, podemos destacar a capacitação de servidores e a melhoria dos processos internos. Neste período, também substituímos os médicos peritos terceirizados por profissionais concursados. Em 2008, a receita da Previdência foi de R$ 163,3 bilhões, valor 16,3% superior aos R$140,4 bilhões arrecadados em 2007. Com isso, apesar do crescimento de 7,7% na despesa com benefício, obtivemos a menor necessidade de financiamento desde 1995, com R$ 36,2 bilhões em 2008, valor 19% inferior aos R$ 44,9 bilhões registrados em 2007. Gestão – Qual é a arrecadação da área urbana e rural? J.B.Pimentel – Em 2008, foram arrecadados R$ 161,9 bilhões na área urbana e R$ 5,1 bilhões na área rural. É importante dizer que a contribuição do trabalhador rural é facultativa, conforme define a Constituição de 1988. Por isso, ela será sempre subsidiada pela sociedade brasileira. Já a previdência urbana é contributiva e deve ser sustentável, atuarialmente. Gestão – Qual o valor de benefícios pagos para a área urbana e a área rural? J.B.Pimentel – Todos os meses, a Previdência Social paga, rigorosamente em dia, a mais de 26 milhões de beneficiários, em qualquer ponto do país. A folha de pagamento de março foi de 26,3 milhões de benefícios. Deste total, 18,3 milhões foram beneficiários urbanos e 7,9 milhões rurais. Os pagamentos aos segurados urbanos e rurais somaram, respectivamente, R$ 13,4 bilhões e R$ 3,4 bilhões. O repasse da Previdência Social ajuda a desenvolver o comércio local. Para você ter uma idéia, o volume de recursos transferido para a maioria dos municípios brasileiros supera o valor recebido pelas cidades do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Gestão – O que o MPS tem feito e efetivamente alcançado para a busca de um melhor atendimento ao segurado? J.B.Pimentel – Estamos investindo no reconhecimento automático de direito dos segurados. Depois de um intenso trabalho na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, conseguimos aprovar a Lei Complementar 128, em dezembro do ano passado. A lei autorizou a Previdência Social a utilizar os dados do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) para fins de comprovação de vínculos empregatícios e de contribuições, dispensando o segurado de apresentar um saco de documentos. No dia 2 de janeiro deste ano, dez dias apenas após a publicação da Lei Complementar 128 no Diário Oficial da União, passamos a conceder aposentadorias por idade em 30 minutos na área urbana. No dia 27 de janeiro, antecipamos o cronograma e passamos a conceder o salário-maternidade e aposentadoria por tempo de contribuição em 30 minutos, em cerimônia com a presença do presidente Lula, na Agência da Previdência Social na Vila Mariana, em São Paulo. A antecipação no reconhecimento automático destes benefícios se deu graças ao esforço dos servidores da Previdência Social, do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e da Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social). Todos estão envolvidos no novo conceito da Previdência Social, que é o de reconhecer o direito do segurado. A partir de julho, os segurados especiais (agricultor familiar, pescador artesanal, extrativista, indígena e quilombola) também poderão se aposentar em apenas meia hora. Em maio, vamos implantar um novo serviço e dar mais um passo na melhoria do atendimento. Por meio de convênio, o Banco do Brasil e a CEF disponibilizarão o extrato de contribuições previdenciárias para seus correntistas e, no caso especial da Caixa, para os trabalhadores que possuem conta de FGTS. Isso será muito positivo porque o trabalhador poderá identificar falhas ou inexistência de informações cadastrais e corrigi-las, com tranquilidade, antes de requerer sua aposentadoria. Gestão – E as fraudes? Como o Ministério tem trabalhado para coibir desvios e pagamentos indevidos? J.B.Pimentel – Todas as nossas ações são no sentido de dar maior transparência aos atos da Previdência Social e aos benefícios pagos pelo INSS. Como o universo de segurados é grande – 26 milhões –, procuramos, permanentemente, criar ferramentas que protejam o sistema previdenciário. O CNIS, ao cruzar vários bancos de dados do governo federal, agiliza a concessão de benefícios e colabora para redução de fraudes. O sistema permite o monitoramento e qualquer ação suspeita é logo identificada, facilitando as investigações. A Força Tarefa Previdenciária, na qual atuamos ao lado da Polícia Federal e do Ministério Público, vem coibindo a ação de fraudadores. Em 2008, registramos 506 mandados de busca e apreensão e 313 mandados 6 Gestão Empresarial ABR/MAI/JUN/2009

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de prisão temporária. De 2003 até dezembro de 2008, foram realizadas 181 operações, expedidos 1.580 mandados de busca e apreensão e cumpridos 1.164 mandados de prisão temporária. O cidadão também pode colaborar no combate às fraudes. Qualquer pessoa pode fazer denúncia por meio do telefone 135. A Central Telefônica da Previdência Social, além de ter sido decisiva para o fim das filas nas agências do INSS, melhorando a qualidade no atendimento à população, é um dos canais de entrada de denúncias, sobretudo as que se referem à concessão irregular de benefícios. Todas as denúncias são apuradas e, quando confirmadas, imediatamente tomamos as devidas providências administrativas e judiciais. Gestão – Os relatórios do MPS mostram que existem hoje 30,1 milhões de cidadãos economicamente ativos mas que estão fora do sistema. Quais são as estratégias do governo para inclusão previdenciária no país? J.B.Pimentel – No momento, estamos criando as condições para estimular a formalização, a partir de 1º de julho, do microeempreendedor individual. Com isenção total de impostos federais e uma contribuição reduzida para o INSS, eles terão direito à proteção da Previdência Social. Pesquisa do IBGE apontou que há onze milhões de homens e mulheres que se enquadram no perfil do microempreendedor individual. São trabalhadores informais com renda anual de até R$ 36 mil e que teriam condições de contribuir com a Previdência, mas ainda estão fora do sistema previdenciário. O que estamos fazendo neste momento é um trabalho de esclarecimento deste público, mostrando os benefícios a que terão direito. Além da aposentadoria, com tempo mínimo de 15 anos de contribuição, os microempreendedores individuais passam a ter, logo após a primeira contribuição, direito a benefícios como o auxíliodoença, auxílio-acidente e salário-maternidade. A mesma PNAD de 2007 revelou que há 4,1 milhões de trabalhadores domésticos desprotegidos. O governo Lula, ao editar medidas que permitem a compensação do que é pago aos trabalhadores domésticos no Imposto de Renda de Pessoa Física, está estimulando a classe média a assinar a carteira do trabalhador doméstico. Isso possibilita o acesso dessa trabalhadora à proteção da nossa Previdência, o que representa mais dignidade e respeito. Os trabalhadores da construção civil são o terceiro público prioritário a quem pretendemos atingir. De acordo com o IBGE, 3,7 milhões de operários da construção civil estão desprotegidos. Estamos trabalhando para mudar essa realidade e, dessa forma, dar mais tranquilidade a esses trabalhadores e às suas famílias. Marcello Casal Jr./ABr o cidadão também pode colaborar no combate às fraudes na previdência. qualquer pessoa pode fazer denúncia por meio do telefone 135 Gestão – Ministro, o senhor acumula um vasto conhecimento histórico da matéria previdenciária. Na sua opinião, quais foram as principais conquistas da Previdência na gestão Lula? J.B.Pimentel – Muitos avanços ocorreram durante o governo Lula. Certamente, a criação dos canais de atendimento remoto, como a Central 135 e a internet, representaram um marco porque acabaram com as filas e possibilitaram à Previdência a organização do atendimento. Com esse serviço, os segurados são atendidos com data e hora marcados, sem que percam seu tempo. Outro grande passo foi a implantação do reconhecimento automático de direitos. Na prática, aposentamos o saco de documentos exigido do segurado no momento em que ele requeria o benefício e adotamos a agilidade como prática na concessão de benefícios. Para isso, o governo realizou investimentos em tecnologia, na capacitação permanente dos servidores e na melhoria da estrutura, com uma rede de agências mais moderna, atendendo aos requisitos de acessibilidade e automação. Ainda estamos avançando na ampliação da rede. Serão investidos R$ 821 milhões nas novas agências e na recuperação de unidades que já estão em funcionamento. Trabalhamos também no equilíbrio das contas para que até o final do governo Lula a Previdência seja superavitária na área urbana. O desafio é implantar uma cultura de modernização constante para que os servidores deem continuidade às melhorias. Afinal, a nossa Previdência precisa acompanhar as mudanças, sempre se adaptando e se modernizando para atender bem às expectativas da sociedade brasileira, com eficiência e qualidade. ABR/MAI/JUN/2009 Gestão Empresarial 7

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PRÁTICAS DO BEM Uma fábrica de sonhos Instituto Reação, no Rio de Janeiro, transforma a vida de crianças e jovens de baixa renda com a prática de judô e suporte escolar e o homem é do Ele começou ali bem tamanho do seu jovem, aos 17 anos, sonho, como dizia quando o projeto tio poeta Fernando nha outro nome e Pessoa, nada mais outro idealizador. O propício dizer que o InsEducAção Criança Futituto Reação, no Rio de turo, do professor PeJaneiro, é uma fábrica de dro Gama Filho, teve grandes sonhos. O projesua semente quase to, idealizado pelo judodeteriorada no ano ca e medalhista olímpi2000, não fosse Flávio co Flávio Canto, abarca Canto. Àquela época, quase 1.000 crianças e o atleta olímpico era jovens de 4 a 25 anos, em professor voluntário quatro pontos da capital do projeto e com a carioca: Rocinha, Cidade morte de seu idealide Deus, Ilha do Goverzador, o programa foi nador e Lagoa. Nestes perdendo tudo: vernúcleos, o projeto tem bas, professores conconseguido reescrever tratados e até o eso destino de muitos jopaço físico. “Só ficou vens de baixa renda por mesmo a turma do meio do ensino do judô, Flávio, que era volunabrindo as cortinas do tário.” Feijão pertensonho de uma vida mecia a essa turma de lhor e menos desigual. Flávio Canto, medalhista olímpico de judô e idealizador do Instituto Reação (à esq.) alunos que, sem lugar A história da entida- e Rodrigo Borges (o professor “Feijão”), oriundo do Núcleo da ONG na Rocinha, no para treinar, foi com de pode ser remontada Rio: um destino reescrito por meio da prática do esporte Flávio para a praia se por meio de Rodrigo exercitar. Borges, 28 anos, professor de judô e ginástica, Esse meio-tempo serviu para o judoca olímmais conhecido como Feijão. Ao ser pergunta- pico estruturar uma ONG que pudesse receber do sobre o idealizador da ONG, a voz se mo- seu grupo de alunos. Em 2003, nascia o Instituto difica e dá vazão aos sentimentos: “Difícil falar Reação. A vida de Feijão ganhou a partir daí um sobre Flávio, pois ele me emociona muito. Só o novo impulso. Tornou-se monitor do projeto e fato de ser uma pessoa de classe média alta, na estudante de Educação Física na Universidade ponta da pirâmide social, que decidiu sair de Gama Filho, graças a uma bolsa de estudos. Em sua casa e vir aqui para a comunidade da Ro- 2007, com a conclusão da faculdade, tornou-se cinha, já o torna especial. Uma pessoa que não professor na ONG e hoje divide seu tempo entre se conforma com a diferenças sociais tão gran- o Instituto Reação e o trabalho em academias de des e se propõe a lutar, por meio do ensino ginástica. No final de 2008, comemorou outra do judô, para diminuir essas diferenças e dar conquista: a faixa preta no judô. novas perspectivas a crianças e jovens carentes, Apesar de pertencer à mais nobre das cao faz ainda mais especial. O nome ‘reação’ já tegorias dessa modalidade esportiva, o judoca diz tudo. É reagir a esse estado de coisas”, diz. prefere concentrar seu trabalho no setor de Feijão tem cátedra para falar do Instituto. ensino e não nos campeonatos. “Nunca pensei Foto: Renato Velasco 8 Gestão Empresarial ABR/MAI/JUN/2009

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em ser um grande atleta como Flávio. Prefiro ser mensageiro desse esporte, ser um professor e ajudar a preparar atletas para competição”, revela Feijão. Na verdade, o judô para ele sempre foi uma paixão. “Não tinha dinheiro para frequentar uma academia de judô e quando vi a oportunidade, abracei”, relembra. Para ele, a sua trajetória mudou a partir dali. “A minha expectativa, como a de muitos outros jovens da minha comunidade, era terminar o segundo grau e ir trabalhar para ajudar a família. Hoje, vejo que quebrei um círculo vicioso e reescrevi minha história, mudei meu destino”, diz. Para Feijão, o grande apelo do judô é quase um paralelo com a vida. “O ponto forte não é derrubar. É cair, levantar e continuar lutando. Esse é o ponto forte, simbólico para a vida lá fora”. O Instituto Reação tem hoje grandes promessas para o judô brasileiro. Entre elas, as irmãs Raquel e Rafaela Lopes, da Cidade de Deus, e os o meninos Wallace Lima e Leonardo Barbosa, da Rocinha. A entidade vive essencialmente de doações e, além do ensino do judô, oferece aos seus alunos passeios culturais, atendimento fisioterapêutico, aulas de inglês e reforço escolar. A contabilidade da instituição é feita pela Domingues e Pinho Contadores | Flávio Canto (parte superior, à esquerda), com um grupo de jovens no Núcleo do Instituto Reação, na Rocinha, no Rio de Janeiro GBrasil sob a supervisão direta do contador João Henrique Brum. Para ele, a entidade desempenha um importante papel ao retirar as crianças e adolescentes dos caminhos perversos da vida nas comunidades. “É um orgulho contribuirmos de forma indireta na construção e sedimentação de um projeto que faz mostrar às crianças e aos adolescentes que há sim espaço para o ingresso na sociedade de forma positiva”, analisa. Saiba mais em www.institutoreacao.org.br Temos muitas vocações, mas uma só missão Nossa grande vocação é a contabilidade e todos os temas que circundam essa ciência: controles financeiros, supervisão fiscal, inteligência tributária, suporte tecnológico, gestão de pessoas e folhas de pagamentos salariais. Mas nossa grande missão, mesmo, é cuidar bem de sua empresa Susana Nascimento, diretora da Sercon Serviços Contábeis SERCON, há 18 anos cuidando dos bons negócios em Sergipe Sercon Serviços Contábeis Rua Siriri, 513 - Centro 49010-450 - Aracaju - SE Tel. (79) 2106-6400 JAN/FEV/MAR/2008 Gestão Empresarial ABR/MAI/JUN/2009 www.sercontabil.com.br 9 Foto: Divulgação

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PETRÓLEO & GÁS devon energy em busca do ouro negro Considerada uma das maiores companhias independentes de petróleo e gás no mundo, Devon deflagra sua principal campanha de exploração sob as águas do Atlântico, na costa brasileira por Diva Borges os primeiros dias apenas em dois é de 2009, a comencontrado óleo em panhia americana volume comercial, a Devon Energy deu aposta não é nada início a sua maior baixa. E também não campanha exploratória é a única. de petróleo no Brasil Esta é apenas a desde que se instalou primeira da série de por aqui, há cerca de 10 perfurações que a anos. Um navio-sonda, Devon pretende levar adiante nos próo Deepwater Discoximos cinco anos very, usado na perfuno Brasil em seus ração de poços submadez blocos arremarinos, iniciou trabalhos tados nos leilões da em águas profundas do Atlântico a cerca de Agência Nacional 215 quilômetros de São do Petróleo – ANP. ­ Luís, capital maranhenA empresa já invesse. No Bloco Explotiu no País US$ 600 ratório BM-BAR 3, na milhões desde 1999, Bacia de Barreirinhas e adquirindo blocos arrematado no quarto de exploração junto leilão da Agência Na- O navio-sonda Deepwater Discovery, arrendado pela Devon Energy para exploração de petró- ao governo brasileileo na costa brasileira e desde janeiro em operação no país: custos de US$ 425 mil/dia cional de Petróleo, Gás ro, ampliando suas Natural e Biocombustíbases tecnológicas e veis - ANP, a Devon pretende encontrar óleo estruturais e atendendo às exigências e coma mais de dois mil metros abaixo da lâmina promissos previstos na Lei do Petróleo e cond’água. O primeiro poço que está sendo perfu- tratos de concessão fiscalizados pela agência rado deve atingir profundidade final de 4.825m, reguladora. Depois de Barreirinhas, a Devon levará o em lâmina d’água de 2.235m. A tarefa consome US$ 425 mil ao dia apenas em locação do navio-sonda Deepwater Discovery para a Bacia navio-sonda pertencente à Transocean, numa de Campos, nos Estados do Espírito Santo e Rio maratona que poderá ser superior a três meses. de Janeiro, onde detém seis blocos explorató“Mas este valor chega a dobrar por causa dos rios considerados os mais promissores, na avademais custos com navios, helicópteros e bases liação da companhia. Após a Bacia de Campos, terrestres de apoio”, explica Murilo Marroquim, o Deepwater irá para a costa da Bahia onde a presidente da Devon no Brasil. Considerando a Devon possui blocos na Bacia de Camamu-estatística de que, a cada 10 poços perfurados, Almada. 10 Gestão Empresarial ABR/MAI/JUN/2009

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O ministro das Minas e Energia, Edison Lobão (à dir.), é recebido pelo presidente da Devon, Murilo Marroquim (à esq.), a bordo do navio-sonda Deepwater Discovery, no Maranhão Campos é classificada hoje como a maior jazida brasileira, responsável por 87% de toda a produção de óleo cru nacional. Nesta bacia, a Devon colhe seus primeiros frutos de investimento por meio do bloco BM-C-8, denominado agora Campo de Polvo. Ela comprovou o tamanho e a viabilidade comercial da jazida localizada a 98 km da costa da Armação de Búzios, no Rio de Janeiro, e iniciou em 2007 a produção efetiva de petróleo. Sua capacidade hoje é de 20 mil barris/dia, mas deverá crescer nos próximos anos. “Faltam ainda muitos poços para perfurar ali naquela região”, explica Marroquim. Mas a conquista tem um sabor distinto. Este é o primeiro campo offshore brasileiro em produção do qual a Petrobrás não é sócia. A petrolífera brasileira, no entanto, é também parceira da Devon em muitos projetos. O Campo de Xerelete, por exemplo, uma descoberta declarada viável comercialmente na Bacia de Campos e que está em fase de estudos para produção, é operada pela Petrobras, em parceria com a Devon e a francesa Total. Ao que tudo indica, este será o segundo campo de produção da companhia americana no Brasil (veja quadro à direita). Blocos de exploração da Devon Energy no Brasil Em Exploração CONCESSÕES BM-BAR-3 BACIA GEOLÓGICA Bacia de Barreirinhas (Maranhão) OPERADOR Devon CONCESSIONÁRIOS 45% Devon 30% SK Energy 25% Petrobras 30% 25% 25% 20% Anadarko Devon Videocon/BPCL SK Energy BM-C-30 Bacia de Campos (Espírito Santo) Anadarko BM-C-32 Bacia de Campos (Espírito Santo) Devon 40,00% Devon 33,33% Anadarko 26,67% SK Energy 50% Devon 50% Petrobras 65% Petrobras 35% Devon 100% Devon 40% Devon 40% Petrobras 20% Vale 40% Devon 40% Petrobras 20% Vale BM-C-34 BM-C-35 BM-CAL-13 BT-PN-2 Bacia de Campos (Rio de Janeiro) Devon Petrobras Devon Devon Bacia de Campos (Rio de Janeiro) Bacia de CamamuAlmada - (Bahia) Bacia do Parnaíba (Bloco Terrestre no Maranhão) BT-PN-3 Bacia do Parnaíba (Bloco Terrestre no Maranhão) Petrobras Investimentos ao largo da crise Para um cenário de crise econômica mundial, a multinacional americana vai bem, obrigada. Especialmente quando se fala dos projetos brasileiros. “Nossos investimentos previstos para 2009 estão todos mantidos e, até pelo contrário, devemos investir mais em relação a 2008, devido a essa campanha explorató- Em Desenvolvimento /Produção Polvo Xerelete Bacia de Campos (Rio de Janeiro) Devon Petrobras 45% Devon 30% SK Energy 41,18 % Petrobras 41,18% Total 17,65 % Devon Bacia de Campos (Rio de Janeiro) Fonte: Devon Energy do Brasil - Março de 2009 OBS: Os blocos exploratórios podem ter sua participação negociada com outras operadoras, sob aprovação da Agência Nacional do Petróleo - ANP. ABR/MAI/JUN/2009 Gestão Empresarial 11

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ria”, afirma o presidente Murilo Marroquim. Essa onda positiva é explicada com a calma que deve pautar os negócios do setor. “Nossos projetos são sempre de longo prazo: 10, 20, 30 anos. Não podemos nos deixar influenciar pelo preço do barril praticado hoje. Nos preo­ cupa o cenário de longo prazo. Se formos analisar a demanda dos últimos 30 anos, tudo o que ocorreu com o preço do petróleo, ficaremos surpresos. Há 10 anos, o preço do barril estava a US$ 15”, analisa Marroquim fazendo frente às oscilações que há cerca de um ano elevaram o preço a mais de US$ 100 e que agora o fazem equilibrar na casa dos US$ 40. Raízes da motivação com o Brasil Os fatores que têm feito a Devon há 10 anos apostar suas fichas no Brasil passam pelo seu grande potencial geológico – elevado ainda mais pelas recentes descobertas do pré-sal – e o tipo de contrato de concessão proposto pelo governo brasileiro. “A estabilidade oferecida é apreciada pela Devon. O sistema regulatório precisa ser estável e as licitações constantes de modo a permitir planejamento de médio e longo prazo”, observa Murilo Marroquim. Aliás, essa é uma preocupação constante das companhias de petróleo que se estabeleceram no país depois da quebra do monopólio da exploração e produção trazida pela Lei do Petróleo, em 1997. “Uma coisa que o Brasil fez muito bem foi não querer inventar a roda. Ele adotou os modelos de contratos de concessão usados pelos países mais desenvolvidos”, lembra Marroquim, acrescentando que a própria experiência internacional da Petrobras, com exploração de petróleo fora do país, foi facili- tador do processo de abertura. Por esse motivo, quaisquer sinais de que o governo poderá mudar as regras do jogo – como demonstrado recentemente em relação às descobertas gigantes relacionadas ao pré-sal – abalam fortemente a confiança do mercado. O Instituto Brasileiro do Petróleo - IBP vem defendendo a manutenção desse marco regulatório numa luta conjunta com os players do setor. A instituição entende que, embora seja legítimo e desejável que o governo veja como pode aumentar a sua lucratividade na área do pré-sal, o atual marco com os contratos de concessão já permite ao governo otimizar sua presença sem a necessidade de mudanças que possam trazer riscos regulatórios para a indústria. Inseguranças políticas à parte, o Brasil tem ainda outros pontos favoráveis sob o ponto de vista da Devon. Entre eles, uma indústria petrolífera offshore muito bem estruturada e madura, legado da Petrobras nos seus mais de 50 anos de atividade no País. “Isso nos proporciona uma rede de fornecedores credenciados como Wellstream, Manesmann, companhias de navegação, estaleiros etc. Essa infraestrutura torna mais fácil trabalhar aqui do que, por exemplo, em Guiné Equatorial”, avalia o presidente da Devon, geólogo que já integrou, por 23 anos, o quadro de colaboradores da Petrobras e conhece bem a realidade da indústria no País. Que venham os leilões A aposta da Devon no Brasil é tão alta que há dois anos ela promoveu uma mudança sensível no planejamento estratégico da companhia, com o intuito de privilegiar seus investimentos por aqui. Vendeu vários de seus negócios de menor porte localizados na costa oeste da África e no Egito e decidiu concentrar seus esforços nos promissores Brasil e China. Ela hoje mantém a maioria de seus ativos nos Estados Unidos (onde tem sede em Oklahoma) e Canadá, e preserva alguns negócios no México, Angola, Rússia e Azerbaijão. Com predisposição aliada ao capital, a companhia está sempre atenta às ofertas 12 Gestão Empresarial ABR/MAI/JUN/2009

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Renato Velasco A FPSO, unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência do petróleo produzido no Campo de Polvo no Rio de Janeiro. À direita, Murilo Marroquim, na sede da Devon, no Rio. das áreas de concessão do governo brasileiro. “Com certeza, sempre iremos estudar com muita atenção todas as áreas oferecidas pela ANP”, sinaliza Murilo Marroquim. Bons vizinhos e bons empregadores Em todos os seus projetos de exploração de petróleo e gás ao redor do mundo, a Devon Energy se empenha na preservação de alguns de seus principais valores. O primeiro deles é ser um bom empregador. O esforço junto a seus mais de 5.500 colaboradores (300 deles somente no Brasil) lhe rendeu o título de 13a melhor empresa para se trabalhar nos Estados Unidos, de acordo com levantamento da revista Fortune em 2008. Outra política adotada pela empresa é a da boa vizinhança. Seus projetos de exploração buscam se inserir da maneira mais profícua possível para quem esteja ao lado. Exemplo vivo é o Campo de Polvo, no Rio de Janeiro. Ao perceber as dificuldades dos pescadores artesanais na região de influência das atividades no Campo de Polvo, a Devon investiu em vários projetos sustentáveis de melhoria das condições de vida daquela população. “Nunca imaginei que tivesse tanto jeito diferente de retirar peixe do mar”, surpreende-se o presidente da Devon, ao comentar sobre o trabalho de pesquisa da companhia junto aos pesca- dores e que resultou em um livro e em um vídeo-documentário a respeito. Sempre pautada por pesquisas e um diálogo permanente, a empresa está desenvolvendo agora três projetos de melhoria de infraestrutura para os pescadores e oportunidades de desenvolvimento de suas atividades. “Afinal tiramos o nosso sustento desse mesmo mar”, comenta Murilo Marroquim. Supervisão fiscal com a DPC | GBrasil A Devon Energy do Brasil, desde que se instalou no Rio de Janeiro, em 1999, opera sob a supervisão fiscal da Domingues e Pinho Contadores, associado GBrasil naquele Estado. “Fazemos a conferência de absolutamente todos os documentos fiscais que são emitidos e recebidos pela companhia”, relata o contador Manuel Domingues e Pinho. Todo o trabalho da DPC é voltado aos padrões da Devon americana, uma empresa de capital aberto com ações negociadas na Bolsa de Nova York. Entre as 500 maiores companhias dos Estados Unidos, a Devon produz mais de 2,5 bilhões de pés cúbicos de gás natural por dia; cerca de 3% de todo o gás consumido na América de Norte. Sua reservas de petróleo somam hoje 2,5 bilhões de barris. Saiba mais em www.devonenergy.com ABR/MAI/JUN/2009 Gestão Empresarial 13

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COMÉRCIO EXTERIOR Não mais estranhos Imunes a crises econômicas e diplomáticas, relações de comércio e investimentos entre Brasil e Espanha alcançam seus melhores resultados. Empresários e governos exploram novas oportunidades e traçam planos por Leandro Rodriguez Em Madri, o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva encontra-se com o rei da Espanha, Juan Carlos I, no Palácio da Zarzuela. Foto: Ricardo Stuckert/ABr o panorama dos investimentos futuros de grandes empresas espanholas, o Brasil desponta na América Latina como grande aglutinador de interesses e expectativas. Ninguém nega que a crise econômica mundial está atingindo a economia brasileira, mas aqui seus efeitos estão atenuados. A análise não vem da equipe econômica do governo Lula, mas das apostas de companhias listadas no IBEX-35, principal índice de referência da Bolsa de Valores de Madri. Em meio ao mau tempo no cenário econômico mundial, grupos do porte de BBVA, Repsol YPF, Iberia e Telefónica pretendem aumentar sua presença no país, demonstrando otimismo em relação à evolução da economia nacional em 2009. “O Brasil realizou um profundo ajuste econômico que assentou as bases para um período de crescimento sustentável. Na Espanha, vemos o país como uma economia estável e confiável, com a qual é preciso contar se você quiser ter uma presença de destaque na América Latina”, explica Juan Carlos Martínez Lázaro, professor de Economia na IE Business School e coordenador do Estudo 2009: Panorama de investimento espanhol na América Latina. Lázaro e sua equipe consultaram diretores 14 Gestão Empresarial ABR/MAI/JUN/2009

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de 20 das 35 empresas que integram o IBEX para saber de suas expectativas quanto aos países latino-americanos. O Brasil, ao lado do México, foi o mais citado como porto-seguro, refletindo a confiança conquistada em pouco mais de uma década – as privatizações no governo de Fernando Henrique Cardoso são consideradas um marco da entrada de investimentos espanhóis no Brasil. Nesse curto intervalo de tempo, marcado pela saturação do mercado europeu e pelas reticências quanto ao Oriente, a economia brasileira deixou de ser uma aposta arriscada e estranha ao universo espanhol para se transformar em um destino seguro aos olhos de empresários do país europeu. Os estereótipos, aqui e lá, foram abolidos em troca de experiências concretas. Principal parceiro da Espanha na América Latina Brasil e Espanha são atualmente grandes parceiros em comércio e investimentos diretos. De fato, apenas os norte-americanos investem mais na economia nacional do que os espanhóis. Em 2007, o investimento bruto espanhol atingiu 1,37 bilhão de euros, com aumento de quase 50% em relação ao período anterior. Também em 2007, segundo José Manuel Rodríguez de Castro, conselheiro comercial da Embaixada da Espanha no Brasil, o mercado brasileiro se consolidou como o principal parceiro comercial da Espanha na América Latina, superando o México. O plano de parceria estratégica para promover o desenvolvimento entre ambas as na- ções, assinado em 2003 pelo presidente Lula e o ex-presidente José Maria Aznar, deu impulso aos bons resultados dos últimos anos. Nesse acordo, ficou estabelecido o trabalho conjunto para, entre outras metas, fomentar o crescimento econômico e de oportunidades. “Os investimentos atuais são de consolidação e apostas renovadas no país. São investimentos principalmente em serviços [telecomunicações], finanças [seguros] e energia que continuam crescendo. Também se destacam os investimentos de promoção turística imobiliária no Nordeste e concessões em rodovias e linhas de transmissão de energia”, detalha Castro. A leitura que se faz do Brasil não poderia ser mais convincente: um país dinâmico, de política estável, economia sólida e legislação segura. São qualidades que, no caso da Guascor do Brasil, empresa de capital privado espanhol especializada na construção e operação de sistemas de geração de energia, motivam a expansão dos negócios. Seus sistemas conseguem abastecer de energia elétrica cidades longínquas do Norte do Brasil, excluídas das grandes redes de fornecedoras. Por desembarcar no país antes das privatizações, iniciando atividades do zero, ao contrário de outras empresas espanholas, a Guascor adquiriu conhecimento específico da economia brasileira. “A Espanha foi o último país que acordou para os investimentos no Brasil. O Grupo Guascor sempre identificou no país um alto grau de excelência na aplicação de tecnologia. Também é mentira dizer que não há oferta de mão-de-obra qualificada e qualificável. A eco- Raio X da Espanha Capital: Madri Principais cidades: Barcelona, Bilbao, Sevilha e Valença População: 40,4 milhões de habitantes Área: 504.782 km2 Divisão geográfica: Duas cidades autônomas (Ceuta e Melilla) e 17 comunidades autônomas Sistema político: Monarquia parlamentar Chefe de governo: José Luis Rodríguez Zapatero PIB: US$ 1,3 trilhões Comércio com o Brasil US$ 154,6 milhões em exportações (novembro de 2008) US$ 247,7 milhões em importações (novembro de 2008) Juan Carlos Martínez Lázaro, professor de Economia da IE Business School: Brasil visto como uma economia estável e confiável, com a qual é preciso contar quem quiser ter uma presença de destaque na América Latina ABR/MAI/JUN/2009 Gestão Empresarial 15

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