Jornal Sabia nº89

 

Embed or link this publication

Description

Agosto 2015

Popular Pages


p. 1

Sabiá P ro p r i e d a d e C a s a d o B r a s i l - D i s t r i b u i ç ã o G r a t u i t a - A n o I - A g o s t o 2 0 1 5 CASA DO BRASIL a de Lisbo Festa junina na Semana do Brasil em Arroios Choro brasileiro tem aqui, sim! Na Rua do Loreto, no Chiado, em um lugar chamado Centro Cultural Arte Pura, músicos reúnem-se às segundas-feiras para um roda de choro. É um convívio de artistas que querem tocar, aprender e alegrar o público. As rodas de choro em Lisboa tiveram início em 2000. Um dos idealizadores é o músico e produtor Tercio Borges. Pág. 10 e 11 A história da Casa do Brasil O co-fundador da CBL, Carlos Vianna, lembra dos saudosos anos de 1992 na Associação. Primeiro ano de existência oficial e um ano de forte afirmação da Casa em diversas frentes. Comunicação, associativa, recreativa, cultural e social. Nesse ano foi eleita a primeira direção da Casa do Brasil de Lisboa. Pág. 8 e 9 A quadrilha junina, uma das marcas das festas de junho e julho no Brasil, animou a Semana do Brasil em Arroios, no Largo do Intendente. Comidas típicas do São João estavam lá para brasileiros e portugueses deliciarem-se. Além do artesanato brasileiríssimo. Os eventos fizeram parte da Volta do Mundo em Arroios, produzido pela Junta de Freguesia de Arroios, com apoio da Casa do Brasil de Lisboa. A semana incluiu também a mostra de curtas do Projeto Cinema no Interior. Cinema ao ar livre no largo do Intendente.Samba, forró e black music animaram os participantes do evento. Enrique Matos e Hugo Rico realizaram oficinas de dança, seguidas de baile. A banda Alma Brasilis levou o soul, o samba rock e o funk para o largo e fez brasileiros e portugueses dançarem a noite toda. A banda Luso Baião fechou a festa com o forró legítimo. Em compasso, todos caíram no ritmo do dançar agarradinho. Pág. 3 Paixão de Glauber Rocha Capoeira na Casa do Brasil Agora, às terças-feiras e quintas-feiras, das 19h30 às 21h, há aulas de capoeira na CBL com o instrutor Antônio Silva (Visconde). O estilo é o regional contemporâneo. É uma mistura de arte marcial, esporte, cultura popular e música. Na Casa do Brasil foi realizada oficina de caxixi, instrumento usado na capoeira . A expressão cultural é uma atividade completa que une atividade física, concentração, reflexo, equilíbrio, força, habilidade e agilidade. A capoeira manda chamar! Os talentos são desenvolvidos durante as aulas. É uma arte que também ensina a produção de instrumentos. Pág. 4 Propriedade Casa do Brasil - Distribuição Gratuita Ano I - Agosto 2015 - O cineasta brasileiro Glauber Rocha viveu em Sintra, lugar que considerava ser um paraíso. Foi em 1981. Sua ligação com Portugal mostra-se por meio da casa ao pé da Quinta da Amizade, em estilo inglês. Era lá que realizava tertúlias com o amigo e escritor português Ferreira de Castro. A Casa das Minas hoje funciona como Escola D'Artes de Sintra e pode ser vista por brasileiros e lusitanos curiosos. Pág. 13 WWW.CASADOBRASIL.INFO

[close]

p. 2

Editorial Nota do editor: Nesta edição contamos com novos colaboradores, novas pautas e o ânimo revigorado, graças a esses dois meses de entrosamento e muito aprendizado com base nas experiências trocadas. O Sabiá vem crescendo espontaneamente sem fórmulas e moldes prontos e isto reflecte bem o que é a nossa equipe e o que pretendemos para esta publicação. A nossa equipa de jornalistas e colaboradores, de forma inteiramente altruísta e voluntária, tornou esta publicação possível. E aqui está o resultado de um projecto cuja motivação principal é aproximar o leitor. É interagir, informar, mobilizar, agregar e partilhar saberes e viver. Porque acreditamos que cada um tem vez e voz e é preciso ouvir para que todos (as) consigam cantar. Bem-vindos (as) a mais um Sabiá. Boa leitura! Fabricio Soares Presidente Casa do Brasil Sabiá Diretor: Fabricio Soares Diretor Adjunto: Patrícia Brederode (DRT 2383) Design Gráfico: António Moita Propriedade: Casa do Brasil de Lisboa Número de contribuinte: 502690321 Editor: Casa do Brasil de Lisboa Sede de redação: Casa do Brasil de Lisboa Número de registo no E.R.C.: 126690 Periodicidade: Bimestral Colaboraram neste número: Patrícia Brederode (DRT 2383) Lina Moscoso (DRT 2647 BA) Ana Karin Portella (DRT 3670) Dário Alencar Carlos Henrique Vianna Fabricio Soares Rita Alho Cyntia Paula Isis Alves Marta Tavares Larissa Bezerra Gustavo Behr Mabel Silva ÍNDICE: Editorial - Pág. 2 Nossa Casa - Pág. 3 Nessa casa tem! - Pág. 4 Emprego e Formação - Pág. 5 Imigração e cidadania - Pág. 6 Aconteceu - Pág. 7 A história da Casa do Brasil - Pág. 8 e 9 Cultura - Pág. 10 e 11 O que vem de lá - Pág. 12 Paixão por Portugal - Pág. 13 Dicas de Viagem - Pág. 14 Passeio pela gastronomia - Pág. 15 Espaço do leitor - Pág. 16 Fique sócio - Pág. 17 CONTATOS: Morada: R. Luz Soriano, nº42, Bairro Alto, Lisboa Mail: jornalsabia@gmail.com Publicidade: jornalsabia@gmail.com Site: www.casadobrasil.info Telefone: 21 3400000 Fax: 21 3400001 E lá vamos nós para a segunda edição do Sabiá. Uma nova etapa, um recomeçar é sempre desafiante. Neste segundo voo o Sabiá canta satisfeito com o sucesso e a aceitação do relançamento deste jornal, que foi um instrumento tão importante no cenário da imigração brasileira em Portugal e que estava há quatro anos calado. MISSÃO: Informar e esclarecer a comunidade imigrante de Portugal com notícias, notas, reportagens e conteúdos que sejam relevantes para o melhoramento do seu bem viver nos aspectos cultural, social e de cidadania. VISÃO: Ser o principal canal de divulgação das ações e iniciativas da Casa do Brasil de Lisboa, alcançando toda a comunidade imigrante residente em Portugal. VALORES: Todo o conteúdo do Jornal Sabiá é produzido com responsabilidade, discernimento, isenção, doação e dedicação. Estatuto editorial do jornal Sabiá 1 - O jornal Sabiá atende a comunidade imigrante brasileira residente em Portugal no sentido de disponibilizar informações sobre direitos e deveres, cursos, trabalho, programação cultural, desporto e actualidade. Veículo de promoção da associação e de suas actividades. 2 - O jornal Sabiá é independente dos poderes político, económico ou religioso. 3 - O jornal Sabiá defende a liberdade de expressão e os direitos dos imigrantes. Apoia a comunidade e serve de ferramenta para a discussão e reflexão. E ainda para a exposição de ideias e projectos. 4 - O jornal Sabiá está pautado na seriedade e na disseminação de informações com credibilidade. 5 - O jornal Sabiá define as suas prioridades informativas exclusivamente por critérios de interesse público, de relevância e de utilidade da informação. - Distribuição Gratuita Ano I - Agosto 2015 2 Propriedade Casa do Brasil - WWW.CASADOBRASIL.INFO

[close]

p. 3

Nossa casa Semana do Brasil Eleições Casa do Brasil de Lisboa (Biénio – 2015/2017) Os sócios compareceram para a votação No dia 3 de Julho os sócios e as sócias da CBL elegeram os órgãos sociais da associação para o biénio 2015/2017. A chapa candidata “NOSSA CASA, NOVAS CONQUISTAS” foi eleita por unanimidade dos votos. Convidamos a todos e todas para a tomada de posse que será realizada no dia 11 de Setembro às 19h30 na sede da associação. Muita animação na festa de encerramento com a quadrilha junina da CBL Lista dos/as representantes eleitos/as: Direção: Presidente: Fabrício Soares (sócio n.º 4596) Vice-Presidente: Gustavo Behr (sócio n.º 1340) Vice-Presidente: Martha Tavares (sócia n.º 660) Tesoureiro: Thomas Williams (sócio n.º 5324) Secretaria: Rita Alho (sócia n.º 3299) Vogal: Luciano Pires (sócio n.º 5480) Vogal: Rodrigo Rapozo (sócio n.º 5004) Suplente: António Moita (sócio n.º 5482) Suplente: Lyria Reis (sócia n.º 4102) Assembleia Geral: Presidente: Heliana Bibas (sócia n.º 4) Vice-Presidente: Carlos Vianna (sócio n.º 28) Secretário da Mesa: Luís Leiria (sócio n.º 828) Secretário da Mesa: Patrícia Peret (sócia n.º 5465) Conselho Fiscal: Presidente: Isis Alves (sócia n.º 310) Vogal: Celso Araújo (sócio n.º 50) Vogal: Rui Dias (sócio n.º 5481) Suplente: Anne-France Beaufils (sócia n.º 321) Cyntia de Paula Comissão Eleitoral Foi com enorme satisfação que a Casa do Brasil marcou presença na "Semana do Brasil", inserida na "Volta ao Mundo em Arroios"! Promovida pela Junta de Freguesia de Arroios, e no âmbito do programa BIP/ZIP 2014, a ação decorreu na semana de 23 a 27 de junho, no Largo do Intendente. O nordestino Alcides Baião, natural de Remanso e residente em Lisboa há 25 anos, foi o artista plástico convidado para expor as suas pinturas na Sala de Leitura Clodomiro Alvarenga, no Mercado do Forno do Tijolo. A semana continuou com a mostra de curtas do Projeto Cinema no Interior. O Largo do Intendente acolheu uma bela noite de cinema ao ar livre e a plateia pôde contar com a presença de Manoel Lima, ator e representante do projeto. As curtas-metragens têm a produção da MontSerrat Filmes e resultam de um trabalho de pesquisa e registro de histórias interioranas do Brasil e de outros países da América Latina. O Projeto Cinema do Interior é Ano I - Agosto 2015 - desenvolvido há 10 anos, trabalhando com a população local na formação de atores e agentes de produção. O samba e o forró também entraram na festa pelos 'pés' de Enrique Matos e Hugo Rico, numa oficina de dança, seguida de um animado baile de prática a fechar a tarde. A noite de sexta ficou a cargo do projeto musical Black Brasil. O palco foi preenchido com os Alma Brasilis e o Dj Alexandre Barbosa, que levaram ao rubro o Largo do Intendente com o melhor do samba rock, funk e soul brasileiros. A Semana do Brasil terminou com uma memorável Festa Junina, na qual uma colorida e animada quadrilha contagiou o público. Os brasileiros e brasileiras presentes reviveram com muita alegria uma noite de São João caipira, ao som de muito forró, e ainda com artesanato, comidas e bebidas típicas do Brasil. Os Luso Baião atraíram uma multidão para o baile, a pista ferveu e o arrasta-pé elevou os ânimos até de madrugada! WWW.CASADOBRASIL.INFO Propriedade Casa do Brasil - Distribuição Gratuita 3

[close]

p. 4

Nesta casa tem! Casa do Brasil traz a cultura africana/brasileira por meio da capoeira Por Lina Moscoso Com ela é possível aprender a compor, escrever e sobre a história. A inclusão social é também proporcionada por essa prática. “São nas oficinas que ricos e pobres, negros e brancos se misturam”, explica. Qualquer pessoa pode praticar, conforme salienta o instrutor. Seja adulto, criança, idoso. “Tenho alunos dos três aos 75 anos”, comenta. Aulas de capoeira ajudam na concentração capoeira no Brasil por 10 anos. Ele foi contactado pelo seu mestre que mora no Canadá para iniciar os trabalhos do grupo em Portugal. Sobre a parceria com a Casa do Brasil, o instrutor informa que surgiu um contato com a associação ao representar a cultura em um evento. Saiba mais: Como surgiu? No século XVII, era costume dos povos pastores do sul da atual Angola, na África, comemorar a iniciação dos jovens à vida adulta com uma cerimônia chamada n'golo (que significa “zebra” em quimbundo). Durante a cerimônia, os homens competiam numa luta animada pelo toque de atabaques em que ganhava quem conseguisse encostar o pé na cabeça do adversário. O vencedor tinha o direito de escolher, sem ter de pagar o dote, uma noiva entre as jovens que estavam sendo iniciadas à vida adulta. Com a chegada dos invasores portugueses e a escravização dos povos africanos, a capoeira foi introduzida no Brasil. A arte hoje está em diversos países de todos os continentes. E atrai muitos alunos estrangeiros. Sobre estilos, nunca existiu uma unidade na capoeira original, ou um método de ensino antes da década de 1920. Contudo, a divisão entre dois estilos e um subestilo é amplamente aceita. São eles, Angola, o mais tradicional, e Regional, que começou a nascer na década de 1920. Esse último se trata de uma capoeira tradicional mais enxuta. A partir de 1970 surgiu o estilo misto chamado Contemporâneo. É mais acrobático. “Capoeira me mandou dizer que já chegou, chegou para lutar!” Agora a Casa do Brasil de Lisboa convida a entoar as músicas e o ritmo da expressão cultural. Aulas de capoeira às terças-feiras e quintas-feiras, das 19h30 às 21h, são ministradas pelo instrutor Antônio Silva (Visconde), carioca que faz parte do grupo Capoeira Cultura, recém trazido para Portugal, existente apenas no Brasil e Canadá. O estilo aplicado é o regional contemporâneo. Uma mistura de arte marcial, esporte, cultura popular e música, a capoeira é uma expressão cultural brasileira. É uma atividade completa, só perdendo para a natação, que une concentração, reflexo, equilíbrio, força, habilidade e agilidade. Trabalha a coordenação motora e os lados esquerdo e direito do corpo, além do impulso, de acordo com o instrutor. É um trabalho de base. Fora isso, segundo Antônio Silva, os talentos são desenvolvidos durante as aulas. “Faz-se workshops de instrumentos”, acrescenta. A expressão é uma arte. Oficina de construção de instrumentos na CBL Arte A capoeira chegou a Portugal na década de 1990. A atividade é caracterizada por golpes e movimentos ágeis e complexos, utilizando primariamente chutes e rasteiras, além de cabeçadas, joelhadas, cotoveladas, acrobacias em solo ou aéreas. A arte é herança africana. Os estados da Bahia, de Pernambuco e do Rio de Janeiro são considerados berços desta expressão cultural. A roda de capoeira foi registrada como bem cultural pelo IPHAN, em 2008. Antônio Silva dá aulas há cerca de dois anos em Lisboa e cá vive desde 2006. Fez É só chegar CASA DO SAMBA NO PÉ Com Hugo Rico. Contato: 926131390 FORRÓ Com Enrique Matos (Terças das 21h às 23:00h) DANÇA LIVRE Com Rocío Prieto (Quintas das 19h às 20:30) TEATRO Com Claudio Hochman Contato: 961443048 CAPOEIRA Com António Silva (Terças e Quintas das 19:30h às 21h) WWW.CASADOBRASIL.INFO BRASIL a o b s i L e d 4 Propriedade Casa do Brasil YOGA Com Sara Dal Corso (Terças e quintas das 12:30 às 13:30 e das 18h às 19h) - Distribuição Gratuita Ano I - Agosto 2015

[close]

p. 5

Emprego e formação Técnicas de comunicação e voz profissional A voz é um importante instrumento de trabalho para diversos profissionais como operadores de telemarketing, vendedores, atores, dubladores, cantores entre tantos outros. Pensando nesse público, o Gabinete de Inserção Profissional da Casa do Brasil de Lisboa promoveu, no mês de maio, o workshop Técnicas de Comunicação e Voz Profissional para os que precisavam de aprimorar sua qualidade vocal e comunicativa e para aqueles que queriam saber como empregar bem a voz numa entrevista de emprego. A formação foi ministrada pela Fonoaudióloga (Terapeuta da Fala) Dalva Lucena que tem especialização em Motricidade Orofacial pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e em Perturbações da Fala e Linguagem na Criança pela Universidade Nova de Lisboa (UNL). A turma de 15 formandos participou de uma aprendizagem ativa com exercícios práticos de técnicas vocal e de dicção. O programa do curso abordou noções básicas de produção da voz e da fala, saúde e conservação vocal, técnicas de respiração e relaxamento, técnicas de condicionamento para o uso profissional da voz e recursos de fala: dicção, velocidade e ritmo. Durante a formação foi possível conhecer algumas respostas para problemas como cansar ao falar, timidez para falar em público, envelhecimento da voz, o uso correto da voz no local de trabalho, falar muito rápido ou muito lento. Devido ao grande sucesso desse workshop, o GIP da Casa do Brasil de Lisboa está programando a sua 2ª edição para o mês de Setembro. Contato da Fonoaudióloga Dalva Lucena: tfdalvalucena@gmail.com Leia a entrevista com a terapeuta e formadora Dalva Lucena no facebook do jornal Sabiá Formação com Dalva Lucena, Terapeuta da Fala Conheça algumas entidades onde procurar ofertas formativas COPRAI (Associação Industrial Portuguesa) Contatos: 213 601 641 / copraiformacao@aip.pt http://www.aip.pt/?lang=pt&page=coprai/coprai.jsp CECOA (Centro de Formação Profissional para o Comércio e Afins) Contatos: 213 112 400 / cecoa@cecoa.pt http://www.cecoa.pt CITEFORMA (Centro de Formação Profissional dos Trabalhadores de Escritório, Comércio, Serviços e Novas Tecnologias) Contatos: 217 994 560 / geral@citeforma.pt http://www.citeforma.pt CENFIC (Centro de Formação Profissional da Indústria da Construção Civil e Obras Públicas do Sul) Contatos: 219 406 300 cenfic@cenfic.pt http://www.cenfic.pt AHPTUS (Academia de Competências) Contatos: 910 598 522 lisboa@ahptus.com http://www.ahptus.com CEFOSAP (Centro de Formação Sindical e Aperfeiçoamento Profissional) Contatos: 218 626 040 / cefosap@mail.telepac.pt http://www.cefosap.com AERLIS (Associação Empresarial da Região de Lisboa) Contatos: 210 105 000 / aerlisoeiras@aerlis.pt http://www.aerlis.pt ISQ (Instituto de Soldadura e Qualidade) Contatos: 214 234 000 / formacao@isq.pt http://www.isq.pt/formacao Para quem está interessado em frequentar formação, o Gabinete de Inserção Profissional (GIP) da Casa do Brasil de Lisboa indica, a seguir, algumas entidades que oferecem cursos em diversas áreas, alguns inclusive gratuitos para desempregados inscritos no Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP). Além disso, há ofertas formativas financiadas que oferecem apoios sociais como subsídio alimentação e de transporte. Propriedade Casa do Brasil CINEL (Centro de Formação Profissional da Indústria Eletrónica, Energia e Tecnologias da Informação) Contatos: 214 967 700 / cinel@cinel.pt http://www.cinel.pt CFPSA (Centro de Formação Profissional para o Setor Alimentar) Contatos: 214 789 500 / cfpsa@cfpsa.pt http://www.cfpsa.pt - Distribuição Gratuita - Ano I - Agosto 2015 - WWW.CASADOBRASIL.INFO 5

[close]

p. 6

Imigração e cidadania Portugal em segundo lugar no Índice de Políticas de Integração de Imigrantes Gabinete de Orientação e Encaminhamento O Índice de Políticas de Integração de Imigrantes (MIPEX) volta a colocar Portugal em lugar de destaque no acolhimento e integração de imigrantes. Portugal volta a ficar em segundo lugar, a seguir à Suécia. Como pontos fortes Portugal apresenta luta contra a discriminação, acesso à nacionalidade, reagrupamento familiar e emprego. Entre os pontos fracos estão habitação permanente, saúde e educação. É de frisar que a pontuação portuguesa subiu devido a um incremento da proteção das vítimas de violência doméstica e programas de emprego. São boas notícias e que geram responsabilidades para Portugal. É preciso garantir que, na prática, as boas políticas sejam executadas. O GOE da Casa do Brasil presta informações e apoio nas mais diversas questões relacionadas com a integração e o exercício da cidadania dos/as imigrantes em Portugal. Como por exemplo: - Regularização; - Acesso a saúde, educação e habitação; - Nacionalidade Portuguesa; - Direitos e Deveres em Portugal; - Marcação para o SEF e Consulado Geral do Brasil em Lisboa; - Encaminhamentos para entidades parceiras; - Entre muitos outros. O gabinete funciona nos dias úteis das 14h às 20h na sede da associação. Serviço sem marcação prévia. O Grupo Acolhida da Casa do Brasil de Lisboa é uma atividade permanente que tem como objetivos a troca de experiências entre imigrantes, a partilha de conhecimentos dos direitos e deveres em Portugal, o exercício da cidadania, o combate ao isolamento e a valorização da trajetória de vida. Os encontros são quinzenais. Participe! O Grupo é moderado por Cyntia de Paula - Técnica da Casa do Brasil e Mestre em Psicologia Comunitária. Mais informações: Email: acolherintegrar@gmail.com Telefone: 213400000 Gabinete de Inserção Profissional (GIP) O Gabinete de Inserção Profissional (GIP) da Casa do Brasil de Lisboa presta apoio a jovens e adultos na definição ou desenvolvimento do seu percurso de inserção ou reinserção no mercado de trabalho, na procura de emprego e/ou de formação e iniciativas voltadas para o empreendedorismo. Além disso, colabora com empresas através de divulgação de ofertas de emprego e encaminhamento de candidatos para processos seletivos. O gabinete faz parte de um projeto intitulado Rede GIP Imigrante (RGI), fruto de uma parceria entre o Alto Comissariado para Migrações (ACM), o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) e Associações de Imigrantes (ONG’S e IPSS). O atendimento no GIP é presencial e gratuito, mediante marcação prévia. Informações: gip.cbl@casadobrasildelisboa.pt CAJ – Centro de Apoio Jurídico A Casa do Brasil oferece aos seus associados apoio* jurídico gratuito, em diversas áreas do direito, como: - Apoio e informações sobre permanência em Portugal (autorização de residência) - Direitos e deveres dos imigrantes - Assuntos trabalhistas - Assuntos de família (casamento, divórcio, responsabilidades parentais…) - Elaboração de documentos (contratos, respostas, manifestações e recursos a notificações e decisões administrativas…) - Apoio em elaboração de pedidos de Apoio Jurídico da Segurança Social para processos judiciais - Entre outros Horário de Funcionamento CAJ: segunda-feira e sexta-feira, (das 18:00hs às 21:00h) Local: Casa do Brasil de Lisboa, Rua Luz Soriano, nº 42. * Somente para associados, não representativo e em caráter extrajudicial. 6 Propriedade Casa do Brasil - Distribuição Gratuita - Ano I - Junho 2015 - WWW.CASADOBRASIL.INFO

[close]

p. 7

Aconteceu Um chamego chamegado em Portugal Por Lina Moscoso troca entre os dois países. E a via de trazer a cultura de lá para cá é ainda mais forte. “Tem muito português na minha cidade. Todo canto tem uma padaria do seu José seu Manuel, dona Maria, dona Rosa, portugueses. Trago a minha música como agradecimento pela língua portuguesa. Tivemos muitas coisas ruins, mas tudo passa. Hoje nós estamos em outra época. E podemos fazer diferente. Sobrou uma cultura bonita”, filosofa. Onete explica que a recepção do seu trabalho em Portugal é boa também pelo fato de a internet “avisar” aos seus usuários o que há em termos de cultura nos estados brasileiros. Das poesias dos versos cantados e ritmados, a poetisa, que faz letra e música, revela que procura o que o povo quer ouvir. Porém, a inspiração vem também da vida, dos caminhos percorridos e da boa dose de desafios enfrentados. “Hoje eu estou reciclando muitas coisas e canto o que a juventude e o público querem. A gente está precisando de amor, de muito amor”, solta com seu jeito doce de ser e felicidade no rosto. A proposta é lançar outro álbum de boleros e banguê ainda este ano e voltar a Portugal em 2016. Dona Onete se apresentou no B.leza em Julho Um aconchego para os ouvidos. É lá que o sol se encontra com a lua. Com colar de flores, roupa muito colorida e chamativa, reluzente até, Dona Onete trouxe o seu carimbó chamegado para Lisboa e Sines. Junto com o feitiço caboclo e com o jambu, levou o público a dançar nas duas cidades no mês de Julho. Jeito manso e gracioso, a senhorinha de 77 anos conquista. O mais genuíno folclore do Estado do Pará deu o ar da graça em Portugal. É a segunda vez que Dona Onete se apresenta no país lusitano. A primeira foi em Alcântara em um festival no ano passado, quando representou o Brasil. O folclore, a cultura popular bem típica do Norte do Brasil foram recebidos de bom grado por aqui e acalentados. E mais: a música paraense da diva do carimbó arrastou multidões, sobretudo os jovens. Segundo ela, porque as letras falam de amor. “Eles ficam felizes e estão precisando disso”. A cantora explica que, no Brasil, os jovens não frequentam mais o samba, só o rap. Mas o carimbó, património cultural e imaterial, venceu. Dona Onete traz um lado mais chamegado Propriedade Casa do Brasil do ritmo. Mas também canta o carimbó de raiz. Aquele que fala do lamento negro dos escravos nos canaviais, do boi bumbá, do nagô. Também faz tambor de criolo e banguê. Uma mistura de raças: negro, índio e português. “Dá tamaquaré pra ele, dá tamaquaré pra ela”, na canção “Feitiço Caboclo”. Ritmos bem populares fazem parte do seu repertório. A música “Jamburana” é um dos maiores sucessos e fala do tremor do jambu, erva típica do Norte do Brasil que serve para temperar pratos culinários. Além de “Moreno Morenado”. E os versos “a mulher quando se pinta, de saia rodada e pé no chão faz lembrar o carimbó” desfilam na música da diva. Biografia Foi professora ginasial de História e Estudos Paraenses, secretária de cultura de Cachoeira do Arari, no Pará, cidade onde nasceu. Depois que saiu da sala de aula começou a entrar na música. Cantou em uma banda de rock. E se apresentava onde o marido, já falecido, a conduzia. “Era gosto dele me levar para cantar”. Dona Onete, nome artístico de Ionete da Silveira Gama, é cantora, compositora e poetisa brasileira. Aos 77 anos, mantém presença de palco e firmeza na voz impecáveis. Fundou e organizou grupos de danças folclóricas e agremiações carnavalescas. Apesar de uma vida dedicada à arte e a criação artística, apenas em 2012, aos 72 anos, lançou o primeiro disco, depois de ter sido “descoberta” pelo Coletivo Rádio Cipó e pelo público jovem de Belém. “Feitiço Caboclo” materializa um repertório com referências no folclore e no carnaval popular. WWW.CASADOBRASIL.INFO Origens A artista lembra que a relação entre brasileiros e portugueses é intensa. “Vocês foram para lá baguçaram a minha vida e meu coreto e agora estou trazendo o que vocês deixaram”, brincou no palco B.leza, em Lisboa, onde se apresentou no dia 22 de julho. A música é um dos elementos de Ano I - Agosto 2015 - Distribuição Gratuita 7

[close]

p. 8

A história da Casa do Brasil Cronologia de um projeto de cidadania: o ano de 1992 Por Carlos Vianna (orgulhoso co-fundador) CASA DO BRASIL presidida por Virgínia antes Freitas agora Paiva, veterana militante pelos direitos humanos no Brasil, na época casada com Alípio de Freitas, o sócio número 1, o famoso “Padre Alípio” das Ligas Camponesas. Estes dois fizeram muito pela CBL e fica aqui, mais uma vez, nossa gratidão e reconhecimento em nome dos muitos sócios e ativistas daqueles tempos. longa carreira da CBL de contato permanente com a comunicação social portuguesa. a o b s i L de Continuando esta verdadeira saga que é a História da Casa do Brasil, lembramos saudosos do ano de 1992, o 1º ano de existência oficial e um ano de forte afirmação da Casa em diversas frentes: na associativa, na política, na comunicação social, na cultural e na recreativa, ora pois, que ninguém é de ferro, e é preciso abanar o capacete, como se diz cá na Lusitânia. Mas, como dizia Jack, o Estripador, vamos por partes. Em maio de 1992 nasceu o Sabiá. Porém, uma das marcas iniciais da CBL foram as festas. Grandes, como no Revéillon e no Carnaval do Ritz Club, e menores mas constantes, toda sexta-feira, com música ao vivo e caipirinha, algo muito difícil de encontrar na Lisboa de 1992. E domingões com feijoada no Ritz Club, um parceiro fiel daqueles tempos, com Maria do Céu Guerra e Hélder Costa à frente. Muita gente ia às sextas da CBL só pelas caipirinhas. Encontráveis somente em 4 restaurantes brasileiros em Lisboa: o BIP-BIP, o Atira-te ao Rio, o Fla-Flu e o Brazuca. Mas a da CBL era a melhor, claro. O sucesso desta vertente festeira da CBL foi imediato e durou ininterruptamente até 2009, um ano antes de virmos para a nova e actual sede da Luz Soriano. Mas isto já é outra história, e lá chegaremos. No dia 23 de maio de 1992, foi eleita a primeira direção oficial da CBL, Rosa Teles e Virginia Paiva Impeachment a Fernando Color 1992 Se as festas foram uma marca registrada de tantos anos da CBL, a política, a cultura e as lutas em conjunto com várias associações de imigrantes e entidades portuguesas amigas pela legalização dos imigrantes em estado irregular não ficam atrás em mobilização e envolvência de muitos sócios e amigos. Três fatos vão marcar este ano na vida da Casa do Brasil: no Brasil, o processo de impeachment de Collor de Mello, que mobilizou as energias de brasileiros dentro e fora do Brasil. A Casa do Brasil e os brasileiros em Portugal não podiam ficar indiferentes a esse momento de indignação nacional e de afirmação democrática. Aqui em Portugal, tínhamos uma razão extra para a mobilização que irmanou milhões de compatriotas: exigimos a demissão de Cláudio Humberto, o jornalista ex-porta-voz de Collor de Mello, enviado para o exílio dourado de Lisboa como adido cultural na Embaixada do Brasil. Organizamos um “Abraço no Brasil” em volta da sede da chancelaria, na Estrada de Laranjeiras, com centenas de pessoas, muito emotivo e com uma tremenda cobertura das televisões e rádios. Foi a estréia numa Ano I - Agosto 2015 - Uma nota pessoal, imodesta. Nessa manifestação coube-me monopolizar um megafone que um grupo de esquerda nos emprestou e que acabou ficando de herança para a CBL. O Alípio, veterano de muitas manifs, recomendou-me: “Não dê o megafone para ninguém, fale o tempo todo!” Foi o que fiz, e minha imagem com a boca no trombone, isto é, no megafone, apareceu em muitas televisões. A participação na campanha do impeachment foi o batismo de fogo político da CBL. Houve críticas, na época, a essa veia política de uma associação de imigrantes. Havia quem nos associasse ao PT e, de fato, muito de nós, na época, já éramos filiados ao partido, no Brasil, e fomos os fundadores, ainda em 1992, do Núcleo do PT de Lisboa, ato este testemunhado e oficializado por Jorge Bittar, sindicalista e depois deputado pelo Rio de Janeiro e dirigente nacional do PT. Mas fomos sempre ciosos na separação das águas entre associação e partido político, e na preservação da total autonomia da associação. A campanha pelo impeachment foi um ato cívico de defesa do Brasil contra um presidente corrupto até a medula. Infelizmente, esse mal não foi debelado com aquele exemplar ato de afirmação demodemocrática. Collor foi o único presidente cassado pelo Congresso Nacional em todos os países do chamado mundo ocidental no século XX. Richard WWW.CASADOBRASIL.INFO 8 Propriedade Casa do Brasil - Distribuição Gratuita

[close]

p. 9

A história da Casa do Brasil de dialogar constantemente, sempre com uma postura independente e afirmativa, até altiva, com as autoridades portuguesas e brasileiras, para lutar e afirmar os direitos dos imigrantes e emigrantes brasileiros. O processo de legalização marcou intensamente o último trimestre de 1992 e o primeiro semestre de 1993. A CBL participou intensamente deste processo, trabalhando junto com a Câmara de Lisboa, que teve a louvável iniciativa de criar o primeiro Conselho Consultivo das Comunidades Imigrantes e Minorias Étnicas, uma iniciativa do então presidente da Câmara Jorge Sampaio e da vereadora Sara Amâncio, grande amiga dos imigrantes. A par deste Conselho, em dezembro de 1992 foi criado o Secretariado Coordenador das Associações para a Legalização (SCAL), que reunia associações, a Igreja Católica, algumas ONGs como a OIKOS e as Centrais Sindicais, com maior e mais constante presença da CGTP, na pessoa de Carlos Trindade. Recordamos aqui com respeito e gratidão o Padre Manuel Soares, coordenador da Obra Católica das Migrações e presença marcante nesses anos de luta pela legalização dos indocumentados. E, depois, do Padre Rui Pedro, sucessor do Padre Soares, que, aliás, escreveu uma pormenorizada história do SCAL e do associativismo desta época. Uma referência. Esse foi o terceiro fato fundamental na vida da CBL nesse ano tão intenso em atividades. Selou a nossa vertente lusófona e fraterna em relação às demais associações. Estivemos presentes no SCAL em toda a sua existência e nas demais tentativas de plataformas interassociativas, como o Secretariado Coordenador das Associações de Imigrantes (SCAI) e a Plataforma das Estruturas Representativas das Comunidades Imigrantes em Portugal (PERCIP). Mas lá chegaremos. Há muito mais para contar de 1992. Os muitos eventos culturais, os debates fantásticos. A nossa alegria era quotidiana, corria CBL no sangue dos activistas, que eram muitos: directores, sócios, amigos das coisas do Brasil… Fica esta lembrança, a da alegria de todos os dias. O espaço acabou para 1992 e lá seguiremos com nossa História no próximo SABIÁ. WWW.CASADOBRASIL.INFO Debates culturais e políticos marcaram o ano de 1992 Nixon, ao contrário, renunciou antes de ser afastado pela Corte Suprema dos Estados Unidos. Esse episódio e as discussões internas sobre essa tomada de posição pública da Casa do Brasil serviram para sedimentar um princípio: somos apartidários, mas não apolíticos, pois da política depende a afirmação dos direitos dos emigrantes brasileiros frente ao seu Estado de origem e dos imigrantes, em Portugal e na Europa, onde a questão “Imigrantes e Refugiados” foi , é e continuará a ser um tema político candente e decisivo na política quotidiana. O segundo fato marcante para a Casa do Brasil e para os imigrantes foi a publicação do Decreto-Lei 212/92, de 12 de outubro, que estabeleceu o primeiro processo de regularização extraordinária de imigrantes em situação irregular. Governava o PSD, e a Casa do Brasil tinha promovido no dia 2 de outubro, 10 dias antes, um debate sobre o tema com a presença do Secretário de Estado da Administração Interna na altura, Carlos Encarnação, e do então Deputado José Leitão, do PS, que veio a ser o primeiro Alto Comissário para os Assuntos da Imigração e Minorias Étnicas (Acime), já no primeiro governo António Guterres, em 1996. A criação do Acime e os debates que a CBL sempre promoveu, isoladaPropriedade Casa do Brasil mente ou em conjunto com outras associações e entidades, em torno das diversas questões referentes aos imigrantes, como legalização, integração, impedimento de entrada no aeroporto, aceitação e legalização de diplomas universitários, serviços consulares, direitos e deveres dos imigrantes, inclusive políticos, foram uma constante na história da Casa do Brasil. Sempre acreditamos que o diálogo e, em certos momentos, até a pressão de uma boa manif, são formas construtivas de fazer valer os direitos e as reivindicações dos imigrantes. Isso é política? Com certeza, e a CBL orgulha-se de ter sido coerente nestes 23 anos de existência, promovendo assembleias, reuniões e manifestações, e Convívio entre sócios - Distribuição Gratuita - Ano I - Agosto 2015 9

[close]

p. 10

Cultura Choro para português ver e ouvir Por Ana Karin Portella aberto à participação de todos. “As pessoas tocam o que sabem. Para quem curte o choro tem que vir aqui”, diz o português conhecedor do gênero há cerca de 15 anos. “Como dizem os brasileiros, ‘me amarrei’”. Uma roda democrática Gabriel Godoi toca violão e guitarra e também participa desde o início do encontro. Ele ressalta que é importante ver que se trata de uma roda de choro democrática, permitindo que músicos profissionais e amadores toquem de igual para igual. “O choro tem muito disso, todo mundo é bem-vindo. É algo que cruza e que mescla culturas”. Como é de costume, em um desses encontros, dois visitantes levam seus instrumentos para enriquecer o som. O flautista franco-holandês, Matthijs van Waveren, tem amizade com integrantes da roda e como está a passeio por Lisboa, fez questão de comparecer. O músico Kleber Serrado, que também está na cidade há algumas semanas, vai pela primeira vez por indicação de colegas do clube de choro de Santos, São Paulo. Mas prefere deixar seu pandeiro mudo, apesar da insistência dos demais para dar uma ‘palhinha’. “A coisa está tão arrumadinha que não tenho coragem de quebrar a harmonia”, diz com humildade. O músico e luthier, Anders Perander, veio da Finlândia trazendo a paixão pelo cavaquinho, apesar de tocar também o pandeiro. Diferente de van Waveren e Serrado, mora em Lisboa e sempre que pode, participa dos encontros. Mas além de fazer chorar seu cavaquinho, guarda uma particularidade, pois é ele próprio quem confecciona o instrumento no seu atelier, na Mouraria. Roda de choro no Arte Pura Quem passa pela rua do Loreto, numa segunda-feira à noite, fica intrigado com o som peculiar que mistura o requinte dos instrumentos de sopro e corda, com o ritmo alegre da percussão. Não são poucos os que se deixam levar pela curiosidade daquela música que lembra o Brasil e que ecoa em plena Lisboa. A música, na verdade, vem do 1º andar do número 42 e surge do encontro entre o cavaquinho, o violão, a flauta, o clarinete, o bandolim, o pandeiro e outros instrumentos musicais em uma animada roda de choro. O endereço abre espaço, semanalmente, para o encontro dos músicos que querem um convívio para tocar, aprender a tocar e alegrar o público que aprecia a boa música. Alguns deles fazem parte do Clube do Choro de Lisboa e da Orquestra Libertina de Lisboa. Alguns são profissionais e amadores que aparecem levando seus instrumentos e partituras. As primeiras rodas de choro em Lisboa aconteciam sem um endereço fixo, no início dos anos 2000. Um dos idealizadores foi o músico e produtor Tercio Borges, que há três anos abriu o Mini Teatro da Calçada, com a ideia de um lugar onde pudesse fazer as reuniões. Com o fechamento do Mini Teatro, no final do ano passado, a roda agora acontece no Centro Cultural Arte Pura Bairro Alto. Tercio, que preside os encontros, toca violão de sete cordas, pandeiro e cavaquinho. A paixão pelo choro começou na adolescência, quando assistiu Abel Ferreira com seu grupo musical, no Rio de Janeiro. A roda, segundo ele, não tem nada de pretensioso. “É como se fôssemos jogadores de futebol jogando numa ‘pelada’. Ensinamos sem estar ensinando e aprendemos também sem perceber. É uma troca, na verdade”. Além disso, não só os brasileiros participam, como é comum de se imaginar. Muito pelo contrário, há muitos portugueses integrantes e também aparecem outras nacionalidades como espanhois, franceses, holandeses, finlandeses… “E apesar disso, é a língua portuguesa que é falada ali entre todos”, completa Tercio Borges. Luís Bastos, que comparece desde o início às reuniões, com seu clarinete, completa que é o único lugar de Lisboa De onde vem essa música? O som que se ouve é tão instigante, que muitos são levados à roda de choro movidos pela curiosidade. Hirondina Agostinho é angolana e vive em Lisboa. Pela primeira vez assiste a uma apresentação, acompanhando um músico que está tocando. “É divertido. Fiquei curiosa WWW.CASADOBRASIL.INFO Encontro de instrumentos em Lisboa Ano I - Agosto 2015 10 Propriedade Casa do Brasil - Distribuição Gratuita

[close]

p. 11

Cultura pela música e meu amigo me explicou como seria. Então eu vim. E estou gostando muito”. A portuguesa Bruna Felix também nunca tinha ido a uma roda. “Soube do choro por um conhecido e realmente é uma música muito boa, muito alegre”, diz. Já Luís Filipe, sempre comparece. Ele diz que assiste desde quando era no Mini Teatro. “É bem interessante, pois é uma música viva e divertida. É contagiante tanto para nós, portugueses, e também brasileiros, quanto para os estrageiros. A brasileira Leticia Gabian é cantora e muitas vezes acompanha as apresentações. Para ela, falar da roda de choro é falar de momentos bem passados, de encontros com amigos, de música e músicos de qualidade. E acrescenta ainda que muitas vezes, durante as reuniões, acontece o elemento surpresa. Pois há noites em que aparecem músicos, vindos de toda parte, que se misturam à roda e tocam como se dela já fizessem parte desde sempre. De Chiquinha Gonzaga ao Mestre Pixinguinha O choro é apontado como a primeira música popular urbana típica do Brasil, com mais de 130 anos de história. Teve origem pela mistura do ritmo africano lundu à base de percussão e géneros europeus, do maxixe e da polca, com os instrumentos de sopro e corda como a flauta e clarinete, cavaquinho, bandolim e violão. Estes foram levados ao Brasil pela Corte portuguesa, com a ida da Família Real. Os primeiros conjuntos de choro surgiram no século XIX nos subúrbios cariocas. Nessa época, se destacaram Joaquim Antônio da Silva Calado, flautista e compositor; o maestro Anacleto de Medeiros e os pianistas Ernesto Nazaré e Chiquinha Gonzaga. No século seguinte, todo o país foi conhecendo o choro, a partir da propagação do rádio e das bandas de música, tendo como destaque o Mestre Pixin- guinha. Outros nomes do choro também fizeram história, como Ademilde Fonseca, Jacob do Bandolim, Altamiro Castilho, Waldir Azevedo e Paulinho da Viola. Alfredo da Rocha Vianna Filho, mestre Pixinguinha O cavaquinho que veio da Finlândia shop de acústica com a apresentação de bandolins, e no final, ouviu um disco de choro. “Foi quando perguntei que instrumento era aquele? Enfim descobri que era um cavaquinho”. A paixão foi imediata, tanto que seu trabalho de conclusão de curso foi exactamente confeccionar um cavaquinho. Com ele tocou por 10 anos até fazer o próximo. A venda dos cavaquinhos é feita para pessoas próximas. De acordo com Perander, são feitos dois ou três instrumentos por ano. A comercialização é toda feita através da sua página na Internet. Alguns materiais são comprados na Finlândia e Espanha e às vezes, ele recicla os materiais encontrados na rua, como a madeira por exemplo, para o corpo do instrumento. Confecciona três tipos de cavaquinho: o cavaco “electrovácuo”, como ele mesmo gosta de chamar, que não tem Ano I - Agosto 2015 - corpo e nem acústica. Sempre tem que tocar com amplificador; o modelo tradicional, como é feito no Brasil, com um som mais suave e o modelo moderno que tem um som mais potente. Também confecciona as platinelas do pandeiro, em parceria com um amigo. “Este artigo é difícil de encontrar, até no Brasil. Já vendi para o mundo inteiro, inclusive para lá”. Anders Perander confecciona cavaquinhos Anders Perander estudou luthieria na Finlândia, em 2000, que o fez profissional para construção e reparo de instrumentos de corda. Foi quando escutou pela primeira vez um CD de Paulinho da Viola na biblioteca da escola. E se interessou pelo som agudo de um instrumento que não sabia qual era o nome. Um dia, teve um workPropriedade Casa do Brasil O Luthier tem atelier na Mouraria WWW.CASADOBRASIL.INFO - Distribuição Gratuita 11

[close]

p. 12

O que vem de lá Arte indígena, nordestina e globalizada em Portugal Por Lina Moscoso Acolhida Em Portugal, a recepção do seu trabalho sempre foi boa. Veio para cá por questões políticas e também porque queria fugir do ritmo de vida que tinha no Brasil. Era bancário, formado em Contabilidade, temia que o mercado de trabalho o absorvesse sem perspectiva de volta. O que prejudicaria a sua entrega à arte. O artista nasceu em Remanso cidade velha (a beira do Sobradinho), lugar de muita seca, viveu em Santa Úrsula, mas sua referência maior é Juazeiro, todas na Bahia. Lugares de escassez de água. Essa vivência é levada e carregada no seu caminho de criação. A relação com as terras lusitanas vem desde os 13, 14 anos quando escutou a música “Foi Deus”, do álbum “Portugal com Amor”, de Amália Rodrigues. “Isso ficou marcado, gravado. Era algo profundo. De buscar uma identidade. Um grito”, poetiza. Quando chegou a Lisboa Amália já não cantava. Ele então procurou na lista telefónica o nome da artista. E lá estava. Apenas uma. Arriscou. Era justamente onde residia Amália Rodrigues. Baião foi convidado para ir conhecê-la. E foi. E conversaram a noite toda. “Temos uma boa dose de sangue português”, conclui. Casado com uma portuguesa, Maria João, e com um filho de 8 anos dessa união, estreitou ainda mais seus laços com essa terra de além-mar. coisa hiperrealista. É mais uma espécie de transmitir um sentimento. É como se eu fizesse uma fotografia. Aliás, tenho uma boa memória visual, gravo com facilidade cenas. E aí as reproduzo. Tenho trabalhado bastante com fotografia”, relata. E o trabalho é assim. Alcides precisou, a uma certa altura, optar por uma arte mais comercial. “Mas depois fui experimentando. Indo mais além”. Segundo ele, a realização está em primeiro plano. Presente Baião volta o seu trabalho atualmente para o seu atelier. Lá recebe pessoas e encomendas. De exposições participa muito pouco. No que concerne às mostras públicas, há obras suas espalhadas pelo mundo: países da Europa, da América e no Brasil. Algumas estão expostas no Ritz Hotel de Lisboa, uma escultura e um painel. Um projeto é criar ateliers e residências artísticas em sua casa para abrigar pintores que precisam de um posto em Portugal. “É uma forma de intercâmbio cultural”, salienta. A arte de pintar é espiritual. “Quando pinto, pinto com alma. É uma soma de experiência, de sensibilidade”. Alcides Baião evoca a técnica como instrumento de primeira linha. “No artista tem de haver crítica, sensibilidade e técnica. Técnica principalmente. Inspiração é importante, mas é muito mais técnica é muita mais transpiração que inspiração”, finaliza com palavras doces e firmes. Alcides pinta em seu atelier localizado em Argea As mãos no barro, os dedos entre as linhas para tecer os fios e resultar em tramas, a mistura de cores quentes na palheta. Transpiração é a definição exata do trabalho do artista Alcides Baião, baiano que deixou o Brasil para viver em Portugal há 24 anos. Para cá trouxe na mala a sua arte rica em componentes nordestinas. Mas avisa que foi adquirindo novos conhecimentos e transformando seu trabalho em algo mais “global”. Ainda assim, assume que os materiais com os quais trabalha trazem reminiscências do Nordeste do Brasil. A cerâmica, a madeira, mesmo a escultura, a linha, o barro. “Quando cheguei era natural associarem logo a minha arte aos trópicos em virtude das cores quentes. Mas eu confesso que foi uma coisa que foi se diluindo numa forma mais universalizada porque eu não podia viver aqui fazendo uma coisa completamente regional, mesmo porque teria de evoluir, conhecer coisas novas”, justifica. Em seu atelier, imerso em uma grande casa situada na aldeia de Argea, em Torres Novas, perde-se no tempo. Mudou-se para lá em 1996. Antes, viveu em Lisboa onde trabalhou com restauração. Alcides passa horas e horas mexendo nas tintas, amassando o barro e tecendo fios. Criando daqui e dali. Pensando em mais um trabalho que está para surgir. As ideias fervilham. Trajetória Sempre pintou. E aprendeu sozinho. Autodidata, comprava livros, via exposições e estudava. E reconhecimento chegou. Recebeu um prêmio em 1990 pelo primeiro lugar em um concurso de pintura, em Juazeiro, cidade onde vivia. “Concorri com artistas plásticos com formação e eu não tinha”. E foi assim uma forma de reconhecimento e de poder acreditar que era possível. Quando cá cheguei fui dando continuidade”, conta. Sua trajetória começou com a pintura. Usava o barro desde menino para fazer presépios e potes. Hoje, o artista classifica o seu trabalho como figurativo. “Tento sempre captar a essência do lugar: as cores, a luz. Eu acho que minha arte é observação e a partir disso interpretar o que vejo. Não me preocupo em fazer uma Ano I - Agosto 2015 - Obra nomeada por “Índia” 12 Propriedade Casa do Brasil - Distribuição Gratuita WWW.CASADOBRASIL.INFO

[close]

p. 13

Paixão por Portugal Do alto da serra de Sintra: cá Glauber Rocha redescobriu o paraíso Por Lina Moscoso Arquitetura Uma linda casa rosada em estilo inglês, construída há cerca de 200 anos, onde também viveu o escritor português Ferreira de Castro que está enterrado na serra logo acima. Passou por lá o cronista brasileiro João Ubaldo Ribeiro, em visita a Glauber Rocha. Cinco quartos, três casas de banho, dois terraços, jardim, três salas. Uma amplidão em um dos pontos mais altos da vila portuguesa. No casarão funciona, há dois anos a Escola D’Artes Sintra Almeida Cova. Abriga jovens de outros lugares do mundo que vêm a Portugal para ter aulas de pintura ao ar livre. E serve como residência. Lá também são realizados eventos de arte. É de propriedade da mesma empresa o Atelier Casa Museu Almeida Coval que fica bem perto da Escola D’Artes. A edificação é de uma época em que a cidade estava ligada à nobreza. Daí o tipo de arquitetura, como um chalé. Lá viveram pessoas de outros países da Europa e hoje partilham do mesmo ambiente habitado por Glauber Rocha gente ligada à arte, como sempre foi. Uma casa de criatividade e de saber e ainda de poesia da vida. O formato ainda é o mesmo, mas alguns reparos foram feitos nas janelas e as paredes receberam recuperação da pintura. O clima foi um dos motivos pelos quais o cineasta fincou raízes passageiras em Portugal. Deixava transparecer sempre sua ligação de sangue e de origem com o país luso. Definiu-se sebastianista. “O clima em Sintra é ameno, a paisagem deslumbrante, parece que redescobri o paraíso. Vivo com Paula e as crianças, Ava e Aruak, florescem. Me sinto reprojetado nas origens”, recitava enternecido. Em um trecho de uma carta escrita em 26 de Abril de 1981, Glauber derramava-se em elogios a Sintra: “Aqui é bonito. Escrevo diante de uma panavisão sobre o Atlântico camoniano e sebastianista do alto de uma montanha antes habitada por Byron. As coisas vão bem, estou feliz no meu feudo à beira mar plantado vendo todos os dias naves partindo na construção do IV Império de Sebastião Ressuscitado...”. Ano I - Agosto 2015 - Criador e criatura Glauber Rocha rompeu com uma estrutura massificada e engessada do produzir filmes. Um pensamento novo, roteiro novo, formato novo, questionador. Trouxe uma corrente de crítica social feroz ao estilo de fazer cinema importado dos Estados Unidos, influenciada pelo movimento francês Nouvelle Vague e pelo Neorrealismo italiano. Destacaram os filmes “Deus e o Diabo na Terra do Sol (1963)”, “Terra em Transe (1967)” e “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (1969)”. Revolucionário, controvertido, de fala mítica. Pensou, escreveu e fez cinema metateatral e antiliterário. Queria uma arte engajada ao pensamento e pregava uma nova estética, uma revisão crítica da realidade. Deixou a sua lembrança na passagem por Portugal. A casa está lá e pode ser vista pelos brasileiros admiradores da obra de Glauber Rocha e portugueses curiosos por sua história. Alguns habitantes de Sintra, no entanto, não conhecem quem foi o cineasta que levou consigo o amor pelo ar e pelo arsenal paisagístico lusitano. Uma revisitação de alma e de corpo na busca pelas origens. Glauber Rocha viveu em Sintra em 1981 Era uma casa onde a música e o cinema viviam. Lá os amigos se encontravam nas tertúlias para discutir escritos, literatura, filmes e culturas portuguesa e brasileira. Ao pé da Quinta da Amizade, na rua que dá acesso ao Parque das Merendas, em Sintra, cerca de 30 quilômetros de Lisboa, está lá a antiga morada de Glauber Rocha, o cineasta brasileiro que encabeçou o Cinema Novo, corrente de rompimento com o tipo de cinema que vinha sendo feito no Brasil, iniciada no começo dos anos de 1960. A chamada Casa das Minas. A residência e a presença no país são uma ligação de vida com Portugal iniciada in loco e concluída em 1981. “Sintra é um belo lugar para viver”, disse isso a Patrick Bauchau, ator que passou por aqui com a equipe de Wim Wenders a filmar “O Estado das Coisas”. Lugar para colocar a cabeça em ordem, como costumava dizer. Viveu pouco tempo em terras lusitanas. Veio de Paris para cá em continuidade a uma peregrinação pela Europa. Daqui voltou para morrer no Brasil, em 22 de Agosto do mesmo ano. Fora o seu segundo e último exílio. 4 1 8 Propriedade Casa do Brasil A casa que o cineasta habitou tem estilo inglês WWW.CASADOBRASIL.INFO - Distribuição Gratuita 3 1 8

[close]

p. 14

Dicas de viagem Diário de uma mochileira - o que aprendi e apreendi no mundo Texto e fotografias por: Larissa Rogério Bezerra canadense. Havia para todos os gostos, em pleno domingo à noite. Como a maioria dos pubs ficava na região central da cidade, não era difícil ir de um lado ao outro caminhando. Durante o dia é possível se deliciar não só com os prédios e museus modernos, mas também visitar e desfrutar de grandes e belos parques espalhados pela cidade. O sistema de transporte público funciona muito bem (como a maioria das coisas no Canadá), havendo integração direta entre autocarros, linhas de metrô e trem (alguns tipos de passagem servem para fazer conexões entre todo e qualquer meio de transporte). Caso resolvam passar mais de 3 dias em Calgary, vale a pena alugar um carro ou ir de autocarro para uma cidadezinha chamada Drumheller. Lá, encontrei um dos parques arqueológicos mais incríveis que já visitei. Toda a cidade gira em torno da temática dinossauros, e o Royal Tyrrel Museum é definitivamente uma das atrações mais incríveis daquelas redondezas. Ali, pode-se encontrar de réplicas em tamanho real a um museu interativo que mostra, inclusive, arqueólogos trabalhando em tempo real na manutenção e restauração de fósseis. Para os amantes, adulto ou criança, dessa temática, é uma parada indispensável. A temperatura no Canadá é definitivamente um dos "problemas" a ser considerado, antes de se fechar uma viagem com destino à América do Norte. Seja no norte ou no sul, durante o inverno iremos enfrentar um frio que vai de -30º a -50º de temperatura. A primeira reportagem que li quando cheguei às terras canadenses foi: "Hoje, 01/01/2014, o sul do Canadá encontra-se mais frio do que Marte"! Mas, mesmo para uma pessoa que nasceu e cresceu no nordeste do Brasil, vivendo em um calor de 30º durante o ano inteiro, o frio não foi tão insuportável quanto parecia. - 30 assusta, mas, quando se está em um local preparado para essa temperatura, as coisas ficam muito mais simples. E todos os lugares fechados do Canadá possuem aquecedor, assim como ar condicionado, porque com a mesma facilidade que se chega a -30º no inverno se chega a 30º no verão. As viagens de autocarro de uma cidade a outra são muito confortáveis, apesar de longas (o Canadá é o segundo maior país do mundo, e as cidades ficam realmente longe umas das outras). Os albergues custam, em média, 25 a 30 dólares canadenses por dia. Se compararmos, por exemplo, com bons albergues na América do Sul, esse valor se torna relativamente bem caro para se pagar por uma cama em um quarto compartilhado com outras 8 ou 10 pessoas. Mas, de maneira geral, são muito confortáveis, bem equipados e com bom staff. Há muitos outros detalhes para contar a respeito dos próximos destinos desse primeiro diário de bordo no Canadá: Vancouver e seu gigantesco aquarium, as maravilhosas montanhas e lagos paradisíacos do Parque Nacional de Banff… Mas temos que deixar para as cenas dos próximos capítulos... Até breve! (Fim da primeira parte do Diário de Bordo 1 - Canadá...) Calgary vista de cima Diário de Bordo 01. O Canadá, as cidades verdes, as montanhas geladas e o nascimento de uma vontade incontrolável de descobrir e fotografar o mundo Nem sei por onde começar. Quando decidi viajar sozinha fiquei bastante temerosa. Primeiro, por estar sozinha em um país que não falava a minha língua mãe, por não saber ao certo se poderia ser perigoso ou não e, finalmente, por ser mulher. No Brasil, é difícil encontrar mulheres viajando sozinhas, por questão de segurança, principalmente. Mas lá estava eu, em um dos países considerados mais seguros do mundo, onde as pessoas dormem com a porta de suas casas e dos seus carros abertas, a me perguntar se deveria ou não me jogar no mundo. Então, eu, meus tênis rasgados e minha mochila surrada decidimos deixar o medo dentro da gaveta do armário do quarto e seguirmos caminho. Peguei carona com um amigo de um amigo para sair de Cranbrook (cidade onde estava morando) e chegar até o primeiro destino: Calgary. É a cidade mais populosa da região de Alberta e a terceira mais populosa do Canadá. Logo de cara, me pareceu só mais uma cidade grande como outra qualquer, mas pode-se perceber suas particularidades rapidamente. As noites são bem badaladas, com diversos barzinhos e pubs com músicas que iam do eletrônico à salsa e saltavam para o tradicional folk Calgary vista de um miradouro 14 Propriedade Casa do Brasil - Distribuição Gratuita - Ano I - Agosto 2015 - WWW.CASADOBRASIL.INFO

[close]

p. 15

Passeio pela gastronomia Apimentados e saborosos, os quitutes baianos são de “comer rezando” doim, camarão seco e dendê), xinxim de galinha (galinha cozida com dendê), bobó de camarão (camarões refogados em temperos verdes e leite de coco, misturados no purê de aipim e dendê), caruru (quiabo cortado refogado com camarão seco e dendê), abará (bolinho de feijão frade cozido na folha de bananeira), bolinho de estudante (bolinho de tapioca granulada), mugunzá (milho branco cozido com leite de coco), arroz doce, cocada, lelê (espécie de torta doce de milho com leite de coco de consistência firme), efó (camarão com língua de vaca, erva típica da Bahia), arroz de hauçá e outros. A origem das iguarias é africana. Mas a comida baiana recebeu grande influência de Portugal também. A sobremesa e a preferência pelos pescados, tudo vai daqui. Da Costa da África vão o óleo de dendê, com outros temperos e condimentos, e pimenta, muita pimenta benzendo tudo. A gastronomia tem muito de religiosidade. Os pratos típicos são feitos também para oferecer ao “santo”. Há também uma ligação de raiz muito forte com os quitutes. Os baianos se emocionam ao comer um prato típico, sobretudo aqueles que vivem longe da sua terra. A ligação é eterna e de saborear e lembrar dos tempos vividos no recanto de senhor do Bonfim. São receitas feitas como ensopados, guisados e várias iguarias encontradas também nos outros estados, embora com toques evidentemente regionais e com a intensidade menor ou maior, a depender do tipo de prato. Trata-se de uma culinária conhecida no mundo todo e sempre muito divulgada. O acarajé, por exemplo, já é património imaterial. Tudo feito com muito tempero. É de dar água na boca! Leia a receita de Bobó de Camarão no facebook do jornal Sabiá Bobó de camarão é um dos pratos típicos “Bota castanha de caju, um bocadinho mais, pimenta malagueta, um bocadinho mais.” O tempero baiano está em todo lugar. Em Lisboa, a culinária apimentada e cheia de sabor já tem vez no paladar do português. Os pratos são quase todos feitos com azeite de dendê (óleo de palma), leite de coco, gengibre e pimenta. Moqueca de peixe e camarão, acarajé (bolinhos feitos de feijão frade e fritos em dendê), vatapá (pasta feita com pão, amen- O tempero de amor de Kátia Brasil No restaurante Kátia Brasil a comida baiana é vedete. A moqueca de peixe e de camarão e o acarajé são dos mais solicitados. Ainda tem a galinha com quiabo e a tapioca. Os doces são um pecado à parte. Bolo de mandioca, cocada, quindim e manjar. Os portugueses são chegados nesse tipo de gastronomia, como revela e proprietária do restaurante, Kátia Nunes. “Eles adoram acarajé”, segue com um dizer entusiasmado. Na verdade, as raízes são as mesmas. Então a culinária baiana se adapta perfeitamente ao gosto dos lusitanos. Muitos pratos à base de frutos do mar, peixes. Aqui, algumas sobremesas são as mesmas feitas na Bahia, como o arroz doce, o quindim e a baba de moça. A ideia de criar um restaurante de comida brasileira em Lisboa veio da necessidade de encontrar o que é de lá para matar a saudade de quem vive cá. E também para mostrar um bocadinho do que há de bom nos trópicos. “No começo era difícil achar os ingredientes para fazer os pratos, mas hoje é possível comprar tudo. Há um mercado Made in Brasil”, informa a empresária. No entanto, o camarão seco é mais complicado. Propriedade Casa do Brasil O acarajé é servido diariamente no restaurante É feito no próprio restaurante. “Passo no dendê em uma frigideira”. O quiabo, que era um produto caro porque vinha de fora, hoje já existe produção portuguesa. Tudo está no sangue. A avó de Kátia era baiana e ela, maranhense. “Aprendi com minha mãe a temperar com sabor e com minha avó. A base é a tradicional que elas usavam. Mantenho isso para não fugir muito”, coloca. Ela lembra que as culinárias do Maranhão e da Bahia são parecidas. Sobre os segredos culinários, a chef de cozinha deixa escapar que é tudo feito com muito amor. “É um trabalho em equipe e eu sou o coração. Estou sempre à frente de todo o preparo”. É um tipo de comida que mexe com a Ano I - Agosto 2015 - emoção. “Há pessoas que vêm ao Kátia Brasil e choram ao experimentar as iguarias. É a saudade do lugar experienciada por meio do paladar”, diz, emocionada. No Brasil, ela já tinha restaurante nos mesmos moldes. Mas há 12 anos resolveu viver em Lisboa. Casou-se com um português. Atualmente a família toda reside aqui. O trabalho gastronômico começou em casa a entregar em domicílio. Depois conseguiu investir em um empreendimento pequeno na Rua Cavaleiro de Oliveira. Hoje são dois pontos. O Kátia Brasil existe há quatro anos na Alameda e há dois na Rua Morais Soares, em Arroios. O acarajé é servido todos os dias. - Distribuição Gratuita WWW.CASADOBRASIL.INFO 15

[close]

Comments

no comments yet