Revista Tai Chi Brasil - Edição Nº 3

 

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Revista Tai Chi Brasil - Edição Nº 3

Popular Pages


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Edição nº 3 - Janeiro/Fevereiro 2010 - Distribuição gratuita e dirigida www.RevistaTaiChiBrasil.com.br Tai Chi Brasil Tai Chi Chuan Estilo Chen Revista Fernando De Lazzari “A importância de conhecer profundamente a arte do Tai Chi para ensinar” Tarcísio Tatit Sapienza “Liu Pai Lin, O Mestre do Tao”

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Pratique Tai Chi Chuan! João Pedro Sol Sandi 7 anos natural de Caxias do Sul, RS local da foto: Praça do Japão Curitiba, Paraná LOCAIS DE PRÁTICA Brasil e mundo www.fotoserumos.com/ aipt_locais.htm

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revistataichibrasil.com.br Caixa Postal 2233 Curitiba - PR - 80011-970 - Brasil Edição nº 3 jan/fev 2010 ® Todos os direitos reservados 4° ofício de registro de documentos editor jornalista responsável diplomado levis litz - mtb 3865/15/52v pr anderson rosa, aparecido de lira, arthur dalmaso, bill douglas, bruno davanzo, chang yuan chiang, eduardo molon, eliane cardoso, élen natis, elli nowatzki, estevam ribeiro, fernando de lazzari, liana netto, marcelo sato, natalia krause, niall o´floinn, tarcisio tatit sapienza e valesca giordano litz. adriane smythe, asanga josé cechin, augusto svolenski, begoña javares, eliabe serafim ferreira, fabio augusto furrier, felim, flávio pontes, francis, gráinne, karen egan, j. corral, joão pedro sol sandi, john vanko, josé luiz de castro junior, josé onofre nunes, jussara m. dos santos, luci hayashi, luiza ines wisniewski, marinei gabardo, maureen rabbitt, moizes torquato, naiana bregolato bossle, padraig higgins, pat doyle, roberto levy, ronise santiago, soraya lacerda, sérgio (peng lai brasil), vilmar henemann e wang hai jun. Revista Tai Chi Brasil Sumário 7 As histórias e experiências de seus praticantes Forma longa tradicional estilo Yang (Parte III) Estilo Chen de Tai Chi Registro nº 401.197 19 Tai Chi Chuan - Família Yang colaboraram nesta edição 21 Tai Chi Chuan - 2º Tratado Cheng Man-Ching: compreendendo o oculto e o físico 22 Tai Chi Chuan - Princípios Os 10 princípios de Yang Cheng Fu (Parte III) agradecimentos 23 Tai Chi Pai Lin Liu ai Lin - o Mestre do Tao 24 Tai Chi - Estilo Lam Kam Forma do pequeno círculo (Parte III) 26 Tai Chi Chuan - Níveis Os cinco níveis de habilidade (Parte III) 28 Opinião A importância de conhecer profundamente a arte do Tai Chi Chuan para ensinar Efeitos do Tai Chi nos sintomas de fibromialgia Traço a traço: wu shu (arte marcial) viviane giordano revisão contato | publicidade revistataichibrasil@hotmail.com levislitz@gmail.com Distribuição gratuita e dirigida. A reprodução parcial ou total dos textos é permitida desde que citada a fonte e autoria. Não são de responsabilidade desta revista os artigos de opinião e também as opiniões emitidas em entrevistas e depoimentos, por não representarem, necessariamente, o pensamento do editor. Por questões de espaço, objetividade e clareza, a equipe editorial reserva-se o direito de resumir os textos recebidos. Foto com pouca definição é de responsabilidade do autor. Os exemplares impressos em papel desta publicação serão doados para bibliotecas públicas. 29 Para a Ciência... 31 Aprendendo Chinês 32 Neijing Tu O diagrama das passagens internas do homem SEÇÕES 4 CARTAS 6 EDITORIAL 17 RÁDIO CORREDOR 25 LIVROS 30 PONTO DE VISTA

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Cartas Revista Tai Chi Brasil: Caixa Postal 2233, Curitiba - Paraná - Brasil. CEP: 80011-970. revistataichibrasil@hotmail.com ou levislitz@gmail.com Por questões de espaço, a equipe editorial reserva-se o direito de resumir mensagens, depoimentos e textos recebidos. “Acho muito legal a concretização da Revista Tai Chi Brasil. Eu conheço o Tai Chi a mais ou menos dois anos e sinto falta de informação. Até os livros, a literatura parece ser bem escassa. Que bom que a revista está aí ajudando a divulgar essa grande arte, transmitindo ensinamentos para pessoas como eu que já fizeram o Tai Chi parte de sua vida. Paz e Luz!” Walter Martinez Weinheb “Grata pela rapidez em mandar a cópia das revistas. Parabéns, as revistas estão ótimas, gostei muito. Vocês realmente estão contribuindo com essa iniciativa para que a grande família do Tai Chi se conheça melhor.” Begoña Javares Petrópolis, RJ “É maravilhoso saber que agora temos um revista de tamanha qualidade a nossa disposição. Parabéns por esse incentivo, realmente é o que estava faltando. Muito sucesso. Já aguardo ansioso o próximo. Paz!” Severino da Silva Barbosa Recife, PE “Revista Tai Chi Brasil. Aproveito a oportunidade para agradecer. Um material realmente precioso. É uma revista feita com muita seriedade e competência. Tenham muito sucesso nesse empreendimento.” Marinei Gabardo dos Santos Curitiba, PR “Muito obrigado pela referência ao livro “Tai Chi – Saúde do Ser” nesta segunda edição da Revista Tai Chi Brasil. Ele está disponível para venda no portal www. tao.org.br. Mas quero principalmente parabenizá-lo e a todos da sua equipe pelo trabalho que iniciaram e certamente terá sempre as bênçãos do Tao e muito êxito. Profundidade, bom gosto, riqueza de conteúdo, difusão de conhecimento, simplicidade, beleza de cores, ... tudo com gosto e cheiro de música e poesia, só a energia do Tai Chi Chuan para tão bem juntar. Parabéns! O Tao agradece e o público leitor também.” José Milton de Oliveira Brasília, DF “Só tenho a agradecer por mais este presente seu oferecido a todos que praticam o Tai Chi Chuan, esta revista é o que há de melhor que faltava para todos.” Marcio Zaqueu Professor de Tai Chi Chuan São Sebastião do Paraíso, SP “Muito obrigado pela pronta atenção. Parabéns pela iniciativa da edição da Revista, que vai ser um sucesso.” Antonio Vilhena Membro da Federação de Tai Chi Chuan - Rio de Janeiro “Anos atrás tive a oportunidade de praticar diretamente com o Mestre Pai Lin e isso me acompanha até agora. Eu estou vivendo na Alemanha e mantenho contato com praticantes da arte do Tai Chi da linha do Mestre no Uruguai e Argentina. Felicito a vocês pelo maravilhoso empreendimento de sua revista, na verdade eu estava esperando que o fato fora um dia realidade em seu país, sabia que tal dia chegaria.” Miguel Cabello Alemanha Naiana Bregolato Bossle. Praticante de Tai Chi da Alquimia Interna Taoísta. Sistema Mantak Chia. -------------------------------------------------------- “Tive a grata surpresa de obter um espaço com informações de qualidade sobre temas de interesse essencial para todos (creio) aqueles que amam e praticam essa preciosa arte chinesa - O Tai Chi. Fiquei feliz por saber da publicação de uma revista voltada para o tema, inclusive disponível em formato digital. Quero parabenizá-lo pela iniciativa da publicação.” Elton Montes Claros, MG “Parabéns!!! Maravilha! Gostei muito das matérias, Liu Pai Lin... tudo de bom !!! O formato, conteúdo, muito bom.” Eda Machado Rio de Janeiro, RJ “Tivemos a satisfação de receber a segunda edição da publicação e estamos procurando divulgar entre aqueles interessados pelo Tai Chi. Continuem firmes!” Ernani Franklin P/ Grupo Tai Chi Pai Lin Bahia 4 Foto: LL www.RevistaTaiChiBrasil.com.br

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Cartas Foto: LL “A segunda edição da Revista Tai Chi Brasil ficou ótima. A matéria sobre o Grão Mestre Yang Zhenduo foi merecida, pois este grande Mestre é um tesouro vivo e um grande exemplo a ser seguido. Meus parabéns pela excelente qualidade da revista.” Prof. Fernando De Lazzari EQUILIBRIUS Centro de Tai Chi Chuan, Acupuntura e Cultura Oriental www.taichichuan.com.br Ribeirão Preto, SP “Fiz a impressão da Revista que está fazendo bastante sucesso em minha academia. Sendo assim, farei sempre uma cópia para deixála a disposição dos meus alunos praticantes de Tai Chi e para visitantes.” Shifu Élen Natis Peng Lai Brasil - Artes Marciais Tradicionais Chinesas www.penglai.com.br São Paulo - SP “Venho através deste e-mail elogiar essa revista que me ajudou a entender um bocado de coisas.Tenho 22 anos e comecei a praticar Kung Fu a 5 meses. Meu mestre já começou a me ensinar Tai Chi Chuan, além de outros estilos, e vejo que isso é muito mais sério do que eu imaginava, e como tenho asma as expectativas são grandes para a melhora.... mandei essa revista para ele também e os elogios não foram poucos... então gostaria de agradecer pelo envio da revista e com certeza ficarei atento para as próximas edições. PARABÉNS!” Anderson de Meneses Floriano Foto: Acervo/Élen Natis “Fiquei encantada com a iniciativa! Sou aluna da Georgia Welp e busquei a revista para ler o artigo dela, mas minha surpresa foi grande ao ver a qualidade das matérias, o cuidado com os temas e o aprofundamento de todo o material e das imagens. Espero que venham muitas e muitas edições!” Debora Luz Porto Alegre, RS “Obrigada por esta enxurrada de informações que tão gentilmente compartilha com os outros. Vi no seu livro que foi aluno do prof. Cézar. Foi exatamente assim que comecei o Tai Chi, acho que por volta de 1990, na Padre Machado. Cursei por um ano as aulas de sábado com o prof. Cézar, o assistente Adalberto e a coordenadora Luiza. Naquela época o mestre Pai Lin dava palestras, mas eu ainda não tinha compreendido a real dimensão do Tai Chi e perdi esta grande oportunidade. Anos mais tarde voltei às aulas com o prof. Shioda, discípulo do Pai Lin, a quem muito devo. Há seis anos no interior, alterno períodos em que pratico e estudo sozinha, por isso agradeço todo material enviado que me puxa de volta para meu caminho.” Inês Bom Jesus dos Perdões, SP Anderson Rosa. Praticante de Tai Chi Estilo Lam Kam Chuen. -------------------------------------------------------- “Sou professor de Taijiquan e um dos diretores do IFTB - Instituto de Formação de Taijiquan de Brasília. Aproveito para parabenizálo pela excelente contribuição da revista Tai Chi Brasil na divulgação e promoção desta arte tão importante para a saúde dos brasileiros.” Magno Bueno Brasília, DF “Sou aluno e instrutor de Tai Chi Chuan do Prof. Márcio Luiz Zaqueu, aluno do Mestre Chan Wan San na qual a revista Tai Chi Brasil trouxe uma matéria sobre sua trajetória dentro das artes marciais. Vocês estão de parabéns pelas matérias apresentadas. É uma fonte rica de informações, que impulsionará cada vez mais a prática desta arte marcial que está crescendo cada vez mais no Brasil e no mundo. Que Deus ilumine a todos. Alexandre -------------------------------------------------------- Sérgio. Aluno da Peng Lai Brasil - Artes Marciais Tradicionais Chinesas. São Paulo,SP. -------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------- Mande seu comentário, sugestão, fotos, opinião e depoimento. Participe, escreva pra gente! www.RevistaTaiChiBrasil.com.br 5

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Editorial Praticar Tai Chi é bom, mas de que forma? O Tai Chi Chuan (Tai Ji Quan), apesar da sua popularidade, até mesmo hoje em dia ainda costuma ser visto como uma “ginástica light” para idosos. É irrefutável que sua prática regular proporciona benefícios para a saúde a todos aqueles que o praticam, não importando a idade. Se o Tai Chi fosse apenas terapêutico, já teria sido um nobre legado para a qualidade de vida de todos, entretanto, o Tai Chi vai muito além disso, sua prática firme e forte pode levar o praticante a “tocar o inatingível”, a “sentir o impensável” e a “conquistar novos limites”, seja no âmbito emocional, corporal, mental, filosófico e marcial. O Tai Chi não fragmenta suas benesses; é pleno, completo e indivisível. Praticar o Tai Chi é bom, mas... de que forma? Com esse questionamento sincero e sem pré-conceito é que procuramos nos aproximar do horizonte. Nesta edição a matéria principal, por exemplo, aborda, não um mestre específico, mas o Estilo Chen de Tai Chi; historicamente o mais antigo. A propósito, o praticante que se encontra na capa é um professor desse estilo, Niall O´Floinn. Foi na residência dele, na Irlanda, entre a pausa de uma prática e outra do Tai Chi Chuan, que nasceu a Revista Tai Chi Brasil. Nada mais correto do que homenagear sua boa vontade em prol da promoção dessa arte. Afinal, investir no Tai Chi Chuan é estar consciente de poder melhorar a nossa sociedade como um todo. Por isso, independente de qual Forma de Tai Chi você faça, vá praticar! Mas, antes, aventure-se um pouquinho ao longo dessas páginas. Boa leitura! Levis Litz O editor Contatos . website: www.RevistaTaiChiBrasil.com.br . e-mail e msn: revistataichibrasil@hotmail.com . twitter: http://twitter.com/revistataichi . orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=92660461 . e-mail: levislitz@gmail.com | . msn: levislitz@hotmail.com . twitter: http://twitter.com/LevisLitz . orkut: www.orkut.com/Profile.aspx?uid=11558296558846812654 . facebook: www.facebook.com/people/Levis-Litz/1108928437 . blog: http://levislitz.blogspot.com . youtube: http://www.youtube.com/levislitz . webpage: www.fotoserumos.com/levislitz_taichi Revista Tai Chi Brasil Bibliotecas & Acervos Campinas, São Paulo Acupuntura e Cultura Oriental Av. Oscar Pedroso Orta, 222. Barão Geraldo. Equilibrius - Centro de Tai Chi Chuan, ------------------------------------------Curitiba, Paraná Biblioteca Pública do Paraná Rua Cândido Lopes, 133. Centro. Academia Paramitta Av. Visc do Rio Branco, 84. Mercês. Colégio Estadual do Paraná Rua João Gualberto, 250. Alto da Glória. Colégio Medianeira Av. José Richa, nº 10546. Prado Velho. Nutribioforma R. Jaime Balão,1150. Casa 1. Hugo Lange. SESC Paraná – Unidade Água Verde Av. República Argentina, 944. Água Verde. ------------------------------------------Uberlândia, Minas Gerais Academia Budô Kan Rua Benjamin Monteiro, nº 64. Centro. ------------------------------------------Ribeirão Preto, São Paulo Equilibrius - Centro de Tai Chi Chuan, Acupuntura e Cultura Oriental Rua Cerqueira César, 1825. Jd. Sumaré. Revista Tai Chi Brasil - RTCB ------------------------------------------São Paulo, São Paulo Peng Lai Brasil - Artes Marciais Tradicionais Chinesas. Av. Deputado Emílio Carlos, 121 Bairro do Limão. Editor ------------------------------------------Avise a gente! Sua biblioteca tem um exemplar impresso da Revista Tai Chi Brasil? Caixa Postal 2233, Curitiba, PR, CEP: 80011-970. Brasil ---------------------------------------------------------------------------------- ------------------------------------------www.revistataichibrasil.com.br 6 www.RevistaTaiChiBrasil.com.br

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Tai Chi Chuan Estilo Chen O início do Taijiquan Estilo Chen no Rio de Janeiro Texto e fotos: Estevam Ribeiro Representante da CXWTABR Chen Xiaowang World Taijiquan Association - Brasil cxwtabr@gmail.com Mestres Chan Shek On e Chan Sok Kei A história do Taijiquan (Tai Chi Chuan) no Brasil vai, a partir dos anos 90, ter o seu maior salto qualitativo desde a introdução desta arte nos anos 60. Graças à vinda de mestres tradicionais importantes, como Chen Xiao Wang do estilo Chen e Yang Zheng Duo e Fu Shen Yuan do estilo Yang (os mais famosos representantes de seus estilos), assim como outros menos famosos, mas de alta qualidade, como Shen Hai Min, Chan Chek On e Chan Sok Kei. Chen Xiao Wang é considerado o líder dos representantes do estilo Chen de Taijiquan da 19ª geração da família Chen, o estilo do qual todos os outros derivam. Mas antes de escrever sobre a importância da vinda do mestre ao Brasil em 1998, gostaria de voltar um pouco mais no tempo para ilustrar como e em quais condições trouxeram o estilo Chen ao Rio de Janeiro. Praticante de estilo Yang desde 1975, em 85 me tornei comissário de bordo da Varig e em 1992 fui morar em Los Angeles, onde comecei a aprender os básicos do estilo Chen. Em 1993 fiquei baseado em Hong Kong, onde então, efetivamente, comecei a praticar este estilo com um casal de professores, Mr Chan Shek On e Mrs Chan Sok Kei. Abril 1997. Petropolis, RJ. Tendo feito outros baseamentos nos anos subsequentes em Hong Kong, consegui, com o grupo de Tai Chi Gesto Cotidiano, produzir a vinda dos mestres Chan Chek On e Chan Sok Kei, de Hong Kong, para realizar o que viria a ser provavelmente o 1º Seminário deTaijiquan estilo Chen no Brasil. Neste seminário, realizado em abril de 1997 no Museu Imperial em Petrópolis, RJ, foi ensinada a forma de 56 posturas. Esta forma foi criada pelo governo chinês nos anos 80 por uma equipe de mestres, como standard de competição do estilo Chen. Ela é uma compilação da XIN JIA YI LU e ER LU, formas criadas por CHEN FA KE, avô de CHEN XIAO WANG. A forma de 56 posturas foi a escolhida pelo mestre Chan Chek On como a mais conveniente de ser introduzida no Brasil. Havia professores e praticantes de São Paulo, Rio de Janeiro, Juiz de Fora/MG e Brasília. A princípio os participantes ficaram empolgados com os movimentos vigorosos e de certa forma exageraram nas pisadas, fazendo mais força que necessário. Mestre Chan advertiu-nos, mostrando que não era preciso exagerar. Mas ainda assim a sua performance era tão espetacular que, mesmo numa semana que durou o seminário, ele gastou um par e meio de tênis... www.RevistaTaiChiBrasil.com.br 7

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Alguns colegas que participaram do seminário acharam o estilo muito difícil e alguns abandonaram, pois tinham afinidade mais com o estilo Yang. Entretanto, todos gostaram de descobrir e puderam apreciar um seminário de bom nível, assim como compartilhar a convivência com esses professores, pessoas tão maravilhosas. O meu primeiro contato com estes mestres foi num desses acasos que unem pessoas totalmente diferentes em torno de uma motivação comum. Em novembro de 1993 fui enviado para o meu primeiro baseamento em Hong Kong. No ano anterior eu tinha vivido em Los Angeles, onde tinha atingido o meu 1º salto qualitativo no Tai Chi ao me tornar aluno da mestra Shen Hai Min, que me aprimorou no estilo Yang. Além disso, ela me ensinou as formas Standards, 42 e 48 Posturas, 42 Espada. Essas formas foram o meu primeiro contato com o estilo Chen, pois são formadas pelos estilos principais, Chen, Yang, Wu Hao, Wu e Sun. Na mesma época fiz o meu 1º Seminário de CHAN SI GONG, o Qi Gong principal do estilo Chen, com o mestre George Xu de São Francisco, CA. Quando cheguei a Hong Kong, eu queria aprender o estilo Chen de Tai Chi, mas não tinha indicações. No meu primeiro dia após minha chegada resolvi procurar um parque, pois como nas Chinatowns de L.A., eu sabia, haveria praticantes de Taiji que poderiam me informar aonde achar alguém que ensinasse o estilo Chen. Durante este primeiro baseamento eu tive a sorte de ter como colega de tripulação Acácio Cabral, Acupunturista, e um dos maiores conhecedores de terapias sino-nipônicas no Rio de Janeiro. Tornamo-nos grandes amigos e na época ele resolveu começar a praticar Tai Chi, então me seguiu e me acompanhou desde o primeiro dia. Anos mais tarde, Acácio seria o primeiro a ensinar estilo Chen na Sociedade Taoísta do Brasil, RJ. Estávamos ambos fora do fuso e por isso acordamos sem sono às 4h30 da manhã, então as 5h15 já estávamos saindo do hotel um pouco receosos de ser um pouco cedo demais... Nosso hotel ficava em Wan Chai, bem na área central, e o parque mais perto era o Victoria Park, o que equivaleria ao Central Park de NY. Logo ao sair, ainda escuro, no meio de arranha–céus, sem nenhum parque, nem mesmo uma planta, só concreto, deparamos com um grupo de senhoras de meia idade praticando espada Tai Chi numa das muitas passarelas de pedestres que interligam os edifícios, onde horas mais tarde passariam rios de pessoas. Passamos por mais uns cinco grupos desses, fora os praticantes solitários, até chegarmos ao parque. O Victoria Park, ainda madrugada, já estava cheio. Muitas pessoas treinando Tai Chi, QiGong (chi kung), correndo, jogando basquete, tênis e se balançando nos balanços das crianças, que os chineses gostam tanto... Depois de passearmos um pouco para avaliar os vários estilos, não consegui ver o estilo Chen, a maioria era Yang ou Wu, ou então as formas modernas standard. Resolvi então praticar com um grupo que estava treinando as formas standard (24; 48; 42 etc.). Era um grupo que logo nos despertou empatia, não só pelo nível que era muito bom, como pelo bom astral que eles passavam entre eles, e também como nos receberam: extremamente carinhosos e ótimos anfitriões. Depois de sermos aceitos para praticar com eles, perguntei se conheciam algum professor de estilo Chen. Eles responderam que sim e que iriam nos apresentar quando ele viesse ao parque, o que só acontecia aos domingos. No nosso primeiro domingo conhecemos o mestre Chan Shek On. Embora muito simpático, tentou nos desencorajar dizendo que o estilo Chen era muito difícil e que necessitaríamos mais de ano para aprender (o que é verdade), e seria melhor começarmos por outro estilo. Estávamos frustrados, mas insistimos em dizer que faríamos tudo que fosse possível e que ele não se arrependeria de ter-nos como alunos... Neste momento surge uma de nossas colegas de prática, que logo percebemos ser a esposa do mestre Chan, Mestra Chan Sok Kei, que o leva para longe de nós e, após um breve diálogo, volta sorrindo e me diz para eu apresentar a forma 48 que eu tinha aprendido com a mestra Shen Hai Min em L.A., para que ele avaliasse o meu nível. E lá estava eu, um ocidental num domingo de manhã, num parque em Hong Kong, com um monte de chinês me olhando, fazendo um teste surpresa... 8 www.RevistaTaiChiBrasil.com.br

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Concentrei-me e fiz a 48 da melhor maneira possível, enquanto o Acácio me dava força, única torcida brasileira... Acabando, todos aplaudiram, mas o mais importante foi que ele decidiu me ensinar a partir desta performance. A primeira forma (sequência de posturas) que aprendi então foi a Xin Jia, ironicamente a forma mais avançada do estilo. Como ele só poderia dar aula aos domingos, durante a semana éramos treinados pela mestra Chan S. Kei. Logo percebi que a mestra era uma ótima professora e de boa didática, além de detalhista, altamente bem humorada, Mrs. Chan, na casa dos 50 nesta época, tinha a agilidade e vitalidade de uma adolescente. Em nossas práticas diárias, sete dias por semana, treinávamos por quatro horas seguidas e no final dos treinos, quando já estávamos exaustos, porém felizes, ela continuava a nos propor mais repetições, com uma base super baixa!!! Assim começou uma relação de alunos professores, mas também de amizade que cultivamos até hoje. O casal de mestres Chan de Hong Kong, diferentemente da maioria dos chineses, estudou vários estilos de Tai Chi, tradicionais Wu, Yang, Chen e também Taichi standard - 24, 42, 56 etc., assim como outros estilos internos como Pa Kua, Wudang e Mulanquan. Hoje se dedicam a divulgar o estilo Wu de Wujianquan do qual são representantes em Hong Kong, mas continuam treinando e ensinando os outros estilos de Taichichuan e Pakuachang. Graças a essa iniciação, no ano de 1995 me tornei aluno do mestre Chen Xiao Wang, me dedicando principalmente, a partir de então, ao estilo Chen. Em 1998 produzi, em conjunto com a professora Begoña Javares, o primeiro Workshop do Mestre Chen Xiao Wang na América do Sul. Neste mesmo ano, o mestre Chen nos designou, através de um certificado, como seus primeiros representantes no Brasil. Esta é a história do início do estilo Chen de Tai Chi Chuan no Rio de Janeiro. Estilo Chen de Tai Chi Chuan: histórias e comentários Begoña Javares anos na linda cidade de Petrópolis, Rio de Janeiro. Pratico a arte do Tai Chi faz 28 anos e há 24 que me dedico de corpo e alma ao ensino. Comecei com o estilo Yang e nos últimos 12 anos tenho me dedicado mais ao estilo Chen, representando o Grão Mestre Chen Xiao Wang em Petrópolis, onde nos visitou para dar seminários durante 5 anos, de 1998-2002.” Begoña Javares Petrópolis, RJ “Acredito que a grande família do Tai chi deva se conhecer melhor, viver em cooperação que gera a comunidade e a participação de todos na construção de um mundo no qual todos possam caber e viver. E como falou o Dalai Lama sobre religião, quando perguntado por Leonardo Boff: “Qual é a melhor religião?”. Pergunto então: Qual é o melhor Tai Chi? O melhor Tai Chi é aquele que te faz melhor, aquele que te faz mais compassivo, aquele que te faz mais sensível, mais desapegado, mais amoroso, mais humanitário, mais responsável, mais ético. O que realmente importa é a tua conduta perante a teu semelhante, tua família, teu trabalho, tua comunidade, perante o mundo. Sou de origem espanhola / suíça, mas brasileira por escolha, de coração. Estou há 25 “1) A prática do Estilo Chen é bem puxada e trás uma força enorme principalmente nos membros inferiores e costas aumentando significativamente a disposição e o equilíbrio nos movimentos. 2) Os movimentos do Estilo Chen trazem grande consciência corporal, deixando o corpo forte e flexível. As aulas com Jan Silberstoff e Chen Yingjun promovidas pela WCTA dá a oportunidade de aprender o estilo diretamente da fonte do conhecimento dessa arte de Consciência, Saúde e Paz.” Flávio Pontes www.RevistaTaiChiBrasil.com.br 9

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Tai Chi Chuan Estilo Chen O Caminho do Aprendizado Por Niall O´Floinn Diretor da Galway Taiji Academy - Irlanda www.chentaichiireland.com Enquanto hoje é estimado que 35 milhões de pessoas praticam o Tai Chi Chuan (Taijiquan), é importante observar porque isto acontece. A grande maioria das pessoas que praticam os estilos tradicionais dos estilos Chen, Yang, Wu, Hao, Sun e Zhaobao e os outros estilos tal como o Tai Chi Chuan (taijiquan) de Chen de Yuan de Hun (de Feng Zhiqiang), Cheng Homem Ching (aluno de Yang Cheng Fu), o Tai Chi (Taiji) Taoísta, as Formas do Governo Chinês concebidas como as de 24 e 48 movimentos e as formas de competição, todos têm um interesse principalmente nos benefícios da saúde pela sua prática. Está claro que o não-impacto que os movimentos lentos e a concentração exigida pela prática auxilia a acalmar a mente, a melhorar o equilíbrio, a beneficiar o sistema nervoso, digestivo, circulatório e respiratório do corpo. Algumas pessoas praticam meditação sentada e em pé e exercícios de Chi Kung (Qigong), assim como as formas curtas concebidas por estilos tradicionais para auxiliar os principiantes em sua aprendizagem e estão satisfeitos com isto como um programa completo de exercício de cuidado de saúde para eles. Frequentemente, após alguns anos, algumas destas pessoas tornam-se interessadas em aprender as formas longas e começam a procurar professores mais qualificados do estilo escolhido. Os objetivos dessas pessoas podem variar de querer progredir através dos níveis de Gong Fu (Gong Fu), a desenvolver seu Chi (Qi) e as habilidades de luta ao assumir o desafio de aprender uma nova forma e melhorar a sua aptidão, resistência e coordenação do corpo inteiro. No Estilo Chen de Tai Chi Chuan (Taijiquan) a forma longa é chamada Lao Jia Yi Lu (Forma Antiga Primeira Rotina) e consiste em 74 posturas. Esta forma pode ser aprendida num nível básico de coreografia (pauta corporal) de 3 meses (se o praticante já aprendeu a forma curta e práticas de base com uma certa proficiência) a 1 ano e meio dependendo do ritmo e frequência de aula em que treina. Os antigos mestres do Estilo Chen costumavam praticar somente esta forma durante 6 a 10 anos (talvez também o tai chi espada) para desenvolver seu neiqi (energia interna) e obter a coordenação inteira corporal e método de movimento do exercício Desenrolando o Fio de Grão-Mestre Chen Zheng Lei Seda na obtenção de uma base muito forte antes de treinar em algo mais específico como o Empurrar com as Mãos, outras formas de Tai Chi com armas etc. Esta é a maneira tradicional ensinada de Mestre a discípulo. Naturalmente quando o Estilo Chen de Tai Chi Chuan (Taijiquan) começou a ser ensinado muito mais amplamente na China e também no exterior com a adesão de muitos estudantes em cada seminário, esta maneira tradicional de ensino acabou mudando. Muitos estudantes ficavam impacientes para aprender muitas formas, Empurrar com as Mãos etc. sem uma boa base (fundação). Não importa quantas formas alguém aprende, se os movimentos não são corretos e se esse alguém não desenvolveu seu neiqi então realmente esse praticante não conseguirá usar as formas de Tai Chi (Taiji) corretamente. As formas se tornarão vazias. Os praticantes normalmente usam a força bruta nos exercícios de Empurrar com as Mãos e pratica as formas pensando em aplicações quando eles nem mesmo treinaram os seus corpos de forma correta. 10 www.RevistaTaiChiBrasil.com.br

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Outros praticantes imaginam seu Chi (Qi) se movendo e com frequência pulam de um professor, estilo e exercício para outro, mas não chegam a lugar algum e pode até gastar 20 ou 30 anos praticando sem conseguir alguma habilidade real. Há 3 coisas que um praticante deve saber se deseja ter uma boa habilidade no Tai Chi Chuan (Taijiquan), independente do estilo que faz. 1. Procurar saber quem é um bom professor e estudar com ele. Se você não tem como treinar regularmente com um professor de alto nível, certifique-se que o professor que você tem, também treina com um professor de nível mais alto. Se possível procure ter aulas com um professor de alto nível pelo menos algumas vezes por ano. O professor não precisa ser famoso (às vezes estas pessoas não têm muita habilidade, somente um bom marketing ou nem realmente se esforça em seus ensinamentos, mas apenas estão interessados em dinheiro). O professor, ao invés disso, deve ter um profundo entendimento e atenção para com seus alunos, ensinar claramente e não economizar esforços para melhorar as suas habilidades. 2. O praticante deve ter alguma capacidade natural para poder copiar os movimentos corretamente, escutar cuidadosamente e estudar o que foi ensinado. Com frequência, pessoas inteligentes podem ser arrogantes ou pensar que entendem e o aluno mais humilde que pensa que ele não entende as práticas cuidadosamente e escuta com uma mente aberta é o que obtém sucesso. Assim, ter a atitude mental correta e naturalidade é muito importante. 3. Praticar duro. Tai Chi (Taiji) não é uma herança que o Mestre passa somente aos seus filhos. Muitos filhos de Mestres não praticam de forma dura e portanto seu nível pode estar muito abaixo. O praticante deve praticar um mínimo de 5 Lao Jia Yi Lu por dia para o Kung Fu (Gong Fu). Kung Fu (Gong Fu) resulta do tempo e esforço que você se dedica à prática. O Mestre Chen Fa Ke que é um dos poucos mestres que chegaram ao nível 4 praticava a Forma 30 vezes por dia. A maioria das pessoas não tem o tempo ou disciplina para praticar assim muito duro (5 a 10 Formas por dia). Podem acabar adquirindo uma lesão, ficar doentes, ter pouco tempo para a família etc. Desta maneira, poucos praticantes passam para o Nível 2 onde começam a sentir o real Chi (Qi). Qualquer praticante pode obter um bom Kung Fu (Gong Fu), mas deve ter a atenção de permanecer no caminho correto. Depoimentos e perspectivas “O Esporte e exercícios sempre foram uma parte importante de minha vida, mas gradualmente tive que abandonar certos esportes de equipe assim que fiquei mais velho, até que eu fiquei só correndo e fazendo natação. Soube que eventualmente teria que abandonar estes, então comecei investigar outras formas de exercício que eu poderia continuar pelo resto da vida. Vi um vídeo de um grupo grande de pessoas fazendo Tai Chi na China e fui tocado pelo perfil das idades das pessoas, variavam de jovens a idosos e como eram flexíveis os movimentos das pessoas mais velhas. Assim decidi conhecer o estilo Chen de Tai Chi e comecei com Niall O´Floinn em Galway, Irlanda, em setembro de 2003. Provou ser tudo que eu esperava…. uma forma verdadeiramente abrangente e completa de exercício… absolutamente brilhante… minha postura e força de corpo melhoraram muito. Mas, um conselho: deve-se ter paciência… só recentemente, em 2009, sinto que começo a “compreendê-lo” corretamente.” Padraig Higgins Irlanda “Digamos que a primeira impressão é a que fica e a que tive com a passagem do Professor Niall pelo Instituto Fu Hok foi a seguinte: um mestre é reconhecido pelas suas atitudes e não pelo seus diplomas, pela sua simplicidade, possui qualidades nobres, estava sempre disposto a ensinar e, pelo que notei, ele vive com intensidade, sua consciência permitelhe escutar, compreender e enxergar além das possibilidades, nas simples atitudes revela sua grandeza, como ao pedir um facão emprestado do nosso Instituto. Ele passou também que a amplitude de conhecimentos é ilimitada, o treinamento deve ser constante e o Tai Chi deve fazer parte da gente. Pelo pouco tempo de contato, foi muita coisa que eu senti. Professor Aparecido de Lira Instituto Fu Hok de Cultura Chinesa Curitiba, PR www.RevistaTaiChiBrasil.com.br 11

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Quando o tempo certo chega, a correção certa aparece No ano passado, o “Acampamento de Tai Chi 2009”, com o Mestre Wang Hai Jun, aconteceu na King`s Hospital School, em Dublin. Aquele foi o segundo acampamento - com 5 dias de duração -, que eu participei. Senti-me privilegiada em ser uma das alunas e pronta para treinar arduamente, e também curiosa para comparar meu conhecimento e experiências com as do encontro do ano anterior. meio a meio em ambos os lados do corpo. De repente, fiquei confusa e, colocando a correção na mente, decidi sentir mais e melhor, observando esse sentimento e voltando ao mesmo sentimento em que fui corrigida. Achei isso valioso e verdadeiro, muito melhor do que fazia antes que era analisar com a mente e palavras. Nem tudo pode ser conceituado e as palavras são somente como pequenos sinais de uma estrada para mostrar onde devemos ir, mas nós precisamos sentir mais para que possamos entender mais profundamente. Natalia Krause Mestre Wang Hai Jun O acampamento foi muito bem organizado. Todos os dias nós começávamos com uma meditação em pé e fazíamos alguns laojia yi lu. Então nós tomávamos café, treinávamos mais, almoçávamos e treinávamos outra vez ainda mais duro. Além da paciência e das incomparáveis instruções de ensino que nós recebemos de nosso Shifu, houve uma grande surpresa de um treinamento extra individual na parte da tarde. Foi muito benéfico para todos nós, pois o Mestre Wang Hai Jun conseguia verificar cuidadosamente nossas habilidades e corrigi-las, dependendo do nível de cada pessoa. Menos importante, mas também que deve ser mencionado, é que havia trajes de Tai Chi especialmente trazidos da China para nós e certificados de participação do acampamento. Para meu assombro, observei que minha mente tornou-se muito tranquila e eu fiquei totalmente focada no momento da prática. Algo que eu não tive no ano anterior e que gostaria de compartilhar foi minha experiência e conversar mais sobre a mente e o estado mental para correções mais detalhadas. Na minha opinião isso é um assunto vital, pois as palavras podem, com muita frequência, serem mal interpretadas nas instruções dadas para melhorar nossa postura, relaxamento do corpo e nosso processo em desenvolvimento pleno na prática do Tai Chi. Comecei a praticar o Tai Chi há pouco mais de 2 anos e 6 meses, então não sei muito, mas ao menos humildemente posso expressar minha alegria com uma mudança clara de meu nível de estado mental que era muito caótico e completamente em meus pensamentos para um momento de começar a compreender esse processo e prestar, pouco a pouco, mais atenção ao meu corpo e como uma certa postura é sentida. Em um período tão curto de prática, eu descobri que a maneira como a mente trabalha é absolutamente fenomenal e que o entendimento de algo no plano mental não necessariamente significa que você a tem (me refiro a correção) e que o seu corpo já o faz. Naturalmente, você pode entender plenamente a correção, mas o seu corpo pode não ter ainda praticado o suficiente para absorver a correção de uma postura. O que talvez aconteça também é que você crie uma definição para você mesmo que pode se transformar num obstáculo para sua prática, por exemplo, quando minha postura em meditação em pé foi corrigida, senti como se os meus quadris se deslocassem para a frente e mais peso do corpo foi para a minha perna direita. Isso era o que o meu nível mental registrou e naquele ponto meu diálogo interno se encerrou, porque eu pensava que meu peso estava dividido Felim Burke “Comecei a treinar o Tai Chi Estilo Chen há 7 anos na Academia de Tai Chi de Galway, Irlanda, sob a orientação do Niall O’Floinn. Desde então, também fui afortunado em poder assistir aos seminários do Shifu Wang Hai Jun nas cidades de Galway e Limerick. Estes professores mostraram grande paciência, compartilharam seus conhecimentos e dedicaram o seu tempo para cada aluno, enquanto mantinham um otimismo bem-humorado. É contagiante!” Felim Burke Professor de Taijiquan Estilo de Chen - Galway 12 www.RevistaTaiChiBrasil.com.br

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Estilo Chen de Tai Chi “Tive a oportunidade de estar no Simpósio Internacional de Tai Chi Chuan em julho de 2009, em Nashville, EUA, onde os mestres dos cinco estilos mais tradicionais de Tai Chi Chuan estiveram presentes. Não tive um contato mais pessoal com nenhum deles, pois fui apenas uma das 400 pessoas que estavam presentes nas oficinas, palestras e apresentações. Porém Mestre Chen Zhenglei foi o que mais me impressionou: nota 10 pela simpatia, facilidade de comunicação, disposição para participar de pesquisas científicas sobre taijiquan... isso sem falar na profundidade da arte marcial em si.” Francis São Paulo, SP “Comecei 6 anos atrás a praticar o estilo Chen de Tai Chi com o professor Niall O ‘Floinn. Eu agora tenho um círculo de amigos aumentando e as pernas de uma pessoa de 25 anos de idade”. Maureen Rabbitt (idade: 51) Galway, Irlanda “Como praticante do estilo Yang, participar das práticas do Tai Chi Chuan estilo Chen tem sido uma feliz oportunidade de renovação, abertura de novos conhecimentos e de uma possível futura opção por um dos dois estilos. Enriquece também outras práticas como a do pa kuá.” Aluno do prof. Bruno Davanzo há sete anos. Curitiba, PR “Meu professor é o Bruno Davanzo, na Academia Paramitta. O Tai Chi trouxe mais harmonia e energia à minha vida à medida em que me aprofundei na prática. O estilo Chen vem somando benefícios físicos - o desenrolar do fio de seda, os movimentos circulares, todos os exercícios proporcionam um bem estar de relaxamento, tranquilidade e oportunidade de aprofundamento. Este estilo (Forma dos 18 Movimentos de Chen Zheng Lei) é relativamente curto, fácil de aprender. É uma delícia praticar! Marinei Gabardo “Sempre que faço aula de Tai Chi Estilo Chen consigo me desligar de toda e qualquer preocupação e viver unicamente e magicamente o momento presente.” Jussara Marques dos Santos Psicóloga Aluna do Prof. Bruno Davanzo “Por diversas vezes participei de eventos realizados em Curitiba em comemoração ao Tai Chi Chuan, em especial os relativos ao Dia Mundial do Tai Chi Chuan, quando apresentei com o meu grupo o estilo Pai Lin de Tai Chi Chuan. Nessas ocasiões tive a oportunidade de ver a apresentação magistral pelo Professor Levis Litz, do Estilo Chen de Tai Chi Chuan. Achei muito bonita e interessante tal forma.” José Onofre Nunes Prof. do Estilo Pai Lin Levis Litz “Em Curitiba, como em muitas cidades do Brasil e do mundo, acontece o Dia Mundial do Tai Chi, uma comemoração bacana que reúne praticantes de vários estilos de Tai Chi Chuan. Este ano apresentei, com o meu grupo, a Forma do Pequeno Círculo, do Mestre Lam Kam Chuen, que me foi ensinada pelo professor Levis Litz. Com ele também me iniciei na Forma Yang e na Forma de Pequim de 24 movimentos. Entretando, sempre o assisti, tanto em Curitiba, como em São Paulo, em 2007, demonstrando o Estilo Chen de Tai Chi Chuan. É bem interessante. Em janeiro deste ano é que iniciei meu contato prático com as posturas do estilo Chen com o professor irlandês Niall que auxiliou - e muito, em minhas práticas do Tai Chi.” Augusto Svolenski John Vanko começou a estudar Taijiquan, Kung Fu Louva-a-Deus e Qigong em 1986. Desde então, seu interesse em artes marciais chinesas levou-o numa jornada envolvendo diversos aspectos desta arte, incluindo métodos de treinamento, filosofia, teoria e aplicação marcial. Além disso, ele foi bem sucedido como atleta, assim como árbitro em competições regionais e nacionais de artes marciais. John é professor certificado de Taijiquan Estilo Chen Tradicional pelo Mestre Chen Zhonghua, sendo responsável pela propagação desta arte marcial maravilhosa no Brasil. Além de Taijiquan, John é professor certificado de Kung Fu Louva-a-Deus tradicional. Natural dos Estados Unidos, John mudou-se para o Brasil em 2000 e atualmente dirige a Academia Hunyuan Taiji na cidade de São Paulo. http://brazil.hunyuantaijiacademy.com John Vanko www.RevistaTaiChiBrasil.com.br 13

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Comentários sobre o estilo Chen “Experimentei o Estilo Chen numa vivência em uma das disciplinas no curso de formação em Tai Chi Chuan pela EBRAMEC, onde decidi iniciar o aprendizado.Estou gostando muito, pois seus movimentos fortes e ao mesmo tempo suaves, instigam em mim a determinação de seguir avançando no caminho do Tai Chi Chuan. Elli Nowatzki Praticante da Forma de Pequim e do Estilo Lam Kam “Tive a feliz oportunidade de participar de uma vivência do estilo Chen de Tai Chi - forma de 18 movimentos - como parte do Curso de Formação em Tai Chi Chuan pela EBRAMEC. Espero ter novas oportunidades para relembrar o que aprendemos naquela vivência. É ótimo poder aprender e praticar o estilo de Tai Chi Chuan raiz dos demais estilos atuais”. Vilmar Henemann Praticante do Tai Chi Estilo Pai Lin “Recentemente tive a oportunidade de conhecer o Estilo Chen de Tai Chi Chuan. Embora ainda no início de meu aprendizado nesse Estilo, estou maravilhado com os efeitos da prática.” Moizes Torquato Advogado “Conheci o estilo Chen de Tai Chi Chuan há alguns anos, assistindo apresentações do professor Levis Litz no dia Mundial do Tai Chi Chuan, em Curitiba. Em janeiro de 2009 tive a oportunidade de conhecer o professor Niall O´Floinn em sua visita ao Brasil e o vi treinando várias vezes por dia o estilo Chen. Aprendi com ele os exercícios “Desenrolando o fio da Seda” e parte do estilo Chen de Tai Chi: a Forma dos 18 movimentos do mestre Chen Zheng Lei.” Adriane Smythe Curitiba, PR “Iniciei a prática do estilo Chen com a participação nos Seminários de Taijiquan ministrados pelo Mestre Chen Yingjun no Rio de Janeiro em 2008 e 2009. Participei também do 6º Seminário de Taijiquan ministrado pelo Mestre Jan Silberstorff em Salvador em 2009. É vigoroso e deixa a sensação de que o seu corpo existe. Excelente!” Flávio Pessoa Fortaleza, CE “Por dois anos seguidos (2008 e 2009) tive a possibilidade de participar por dois proveitosos dias de um seminário do estilo Chen, organizado por Eduardo Molon, com o Mestre Chen Yingjun. Realmente uma oportunidade para quem como eu é iniciante na prática do Tai Chi Chuan. Vale ressaltar a dedicação do Mestre nos ensinamentos como também a efetiva participação do grupo de mais de 70 discípulos em diferentes níveis, mas que naquele momento tinham um único objetivo de aprendizado.” Roberto Levy Grão-Mestre Chen XiaoWang “Não sou praticante do estilo Chen (por enquanto). Mais por falta de tempo que de vontade. Quando vejo o Levis praticando, penso: “isso é para poucos!”. Ao refletir vejo que é um equívoco pensar assim. Meus alunos também devem pensar o mesmo ao me ver praticando (estilo Wu). Mesmo assim não deixam de praticar e vencer seus próprios limites. A harmonia de movimentos fortes com suaves, rápidos com lentos e as belíssimas posturas marciais refletem um estilo único. É muito bom assistir o estilo Chen! Praticar deve ser melhor ainda!” Cid Vicentini Silveira Professor de Estilo Wu Curitiba, PR “Comecei o Estilo Chen de Tai Chi com o Niall O´ Floinn de Academia de Chi de Tai de Galway há 3 anos, mais por curiosidade do que qualquer outra coisa. Achei os exercícios e os movimentos de uma disciplina excelente para minha saúde mental e física. O que é mais importante, eu realmente aprecio participar das aulas e eu sempre quero melhorar minha postura e técnica. A instrução é do mais alto padrão e eu acredito que o meu corpo é mais flexível e meu equilíbrio é melhor desde que comecei a me dedicar ao Tai Chi. Sinto que é uma disciplina que eu posso fazer para o resto de minha vida.” Pat Doyle Galway, Irlanda Mestre Chen YingJun “Praticante a mais de 20 anos, posso dividir a minha prática em antes e depois de conhecer o estilo Chen, primeiramente com Jan Silbertorff e em seguida Chen Yingjun, sinto que a ênfase na compreensão dos princípios fez com que melhorasse não só tecnicamente, mas também como pessoa. É um mergulho na profundidade de uma prática milenar.” Eliabe Serafim Ferreira Campina Grande, PB 14 www.RevistaTaiChiBrasil.com.br

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Uma Visão para o Futuro do Estilo Chen no Brasil Por Liana Netto Diretora Executiva da World Chen Xiaowang Taijiquan Association Brasil (seção Bahia) lianetto@uol.com.br http://wcta.com.br A seção Bahia da World Chen Xiaowang Taijiquan Association Brasil (WCTA-Br) foi fundada em 15/03/2006 em Salvador, pelo Mestre Jan Silberstorff, formalmente autorizada e funcionando sob o patriarcado do Grão-Mestre Chen Xiaowang. Mas esta frase formal não conta a história por trás do evento, nem transmite o espírito que forma a visão que o Grão-Mestre, o Mestre Jan Silberstorff e nós associados da WCTA-Br seção Bahia temos para o futuro da Associação. Comecei a praticar arte marcial em 1993, fui vicecampeã brasileira de Taijiquan em 1995, mas acredito que somente comecei a saber algo de Taijiquan (e principalmente, saber o quanto que eu ainda não sei) depois que conheci o Grão-Mestre Chen Xiaowang durante seus seminários no Rio de Janeiro. A suavidade e ao mesmo tempo vigor dos seus movimentos, sua clareza didática e o domínio profundo da sua arte me impressionaram tanto quanto a todos os outros participantes dos seminários. No último deles, em 2002, minha filha Lara tinha poucos meses e, ao mesmo tempo, em que praticava e fazia pequenas pausas para amamentá-la, deparei-me com a realidade de que no futuro seria cada vez mais difícil cuidar da família e viajar para aprender com o Grão-Mestre, uma vez que ele deixaria de vir ao Brasil. O Mestre Jan Silberstorff estivera no Brasil em 2001 assistindo ao seminário do Grão-Mestre e na ocasião tive a oportunidade, não só de treinar com Jan no jardim do hotel em que estávamos hospedados, mas de ser sua parceira nos treinamentos em dupla durante todo o seminário de Chen Xiaowang e, portanto, de receber suas correções. Impressionada com sua habilidade e ciente de sua trajetória na família Chen, vislumbrei em 2002 o convite ao Mestre Jan para ministrar seminários em Salvador, como a alternativa para seguir aperfeiçoando a minha prática. Jan Silberstorff nasceu em 1967, na Alemanha. Em 1989, com apenas 22 anos de idade, recebeu o diploma que a República Popular da China outorga em nível estatal por seus estudos em Taijiquan e foi o primeiro ocidental a conquistar uma medalha de ouro no torneio de Taijiquan em Chenjiagou, o vilarejo da família Chen. Em 1993 foi admitido pelo Grão-Mestre Chen Xiaowang como seu discípulo “a portas fechadas”, tornando-se o primeiro ocidental a receber esta honraria. Jan residiu com o Grão-Mestre na China e na Austrália para receber treinamento. Em 1994 Jan cofundou com o Grão-Mestre Chen Xiaowang a World Chen Xiaowang Taijiquan Association (WCTA) e tornou-se o presidente da WCTAG, o ramo alemão da Associação. Sob a liderança de Jan Silberstorff a WCTAG tornou-se membrofundador da DDQT, a organização geral na Alemanha para Taijiquan e Qigong. Além disso, a WCTAG é o ramo alemão da IAMTJQA, a associação de Taijiquan de Chenjiagou e é membro da TCFE, a Federação Europeia de Taijiquan. A WCTAG é a maior associação independente de Taijiquan da Europa, contando com quase 150 professores e 2000 alunos filiados e está presente em 35 cidades do seu país. Obviamente, com este passado, Jan Silbertorff enxergou muito mais que um seminário no meu convite. Embora o primeiro seminário, em 2004, não tenha gerado retorno suficiente para cobrir sequer as despesas, o Mestre Jan não hesitou em estimular-me a continuar promovendo os seminários e, generosamente, repetiu a viagem da Alemanha ao Brasil em 2005. Graças à dedicação de Jan, à ajuda dos meus alunos em Salvador e muito especialmente ao apoio participativo de Paulo Roberto Silva Santos, que levou seus alunos de Aracaju até Salvador para os seminários, estes tornaram-se uma realidade duradoura. Agora em 2009 realizamos o 6º seminário e a cada ano não só cresce o número de participantes, como também a diversidade da sua procedência. O seminário anual tornou-se um evento sulamericano: recebemos participantes do Chile, Argentina, Paraíba, Recife, Aracaju, Rio Grande do Sul, São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo, a generosidade e a profundidade dos ensinamentos de Jan Silberstorff também continuam a surpreender. No decorrer de 2005, após o sucesso do 2º seminário, e percebendo a vontade do nosso grupo de não realizar apenas treinos pontuais, mas de seguir com um processo de educação continuada, Jan expôs sua vontade de fundar um ramo da WCTA com sede na Bahia, mas de atuação e alcance nacionais. É claro que a ideia foi acolhida com entusiasmo. Em 2006, ao chegar ao Brasil para seu 3º seminário, Jan Silberstorff comunicou-me que a fundação da Seção Bahia havia sido formalmente autorizada pelo Grão-Mestre Chen Xiaowang, que eu ocuparia a posição de Diretora Executiva e ele próprio a posição de Diretor Técnico. A cerimônia de fundação ocorreu durante o seminário e as filiações começaram a ser aceitas em 2007. Já em 2008 - uma vez que os seminários ocorriam havia vários anos - a WCTABr seção Bahia começou a certificar instrutores. A WCTA- www.RevistaTaiChiBrasil.com.br 15

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