Revista Tai Chi Brasil - Edição Nº 9

 

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Revista Tai Chi Brasil - Edição Nº 9

Popular Pages


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Edição nº 9 - Janeiro/Fevereiro 2011 - Distribuição gratuita e dirigida www.RevistaTaiChiBrasil.com.br Revista A Arte de Imobilizar no Tai Chi Chuan Tai Chi Brasil Tai Chi Chin Na (Tai Ji Qin Na)

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Tai Chi Chuan - Pratique! Elli, Maria Celeste, Yáscara, Anderson, Aparecido, Artur, Daniel, Moizés e Sid apresentando Tai Chi Chuan no “2º Torneio e Confraternização entre Praticantes de Tai Chi Chuan”. Setembro/2010. SESC Paraná - Água Verde. Curitiba - PR Foto: Divulgação / Acervo LL LOCAIS DE PRÁTICA NO BRASIL E NO MUNDO: WWW.AIPT.ORG.BR

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Tai Chi Brasil RevistaTaiChiBrasil.com.br Revista Sumário 8 A arte das torções e chaves E a sua relação com o qin na Curitiba - Paraná - Brasil Edição nº 9 | jan/fev | 2011 ® Todos os direitos reservados 4° ofício de registro de documentos Qin Na Registro nº 401.197 editor: levis litz 10 A Essência do Tai Ji 12 Conhecimento Corporal Como produto do processo cognitivo O movimento do supremo absoluto Um sistema histórico na arte de imobilizar alexandre wollner, aparecido de lira, bruno davanzo, daniel souza, edith derdyk, estevam ribeiro, gui von schmidt, laís wollner, niall o´floinn, regina azevedo, tarcísio tatit sapienza e valesca giordano litz. anderson rosa, angela freitas, angela soci, arthur dalmaso, artur da rosa, carlos andrade, eduardo molon, elizabeth meira, elli nowatzki, fernando de lazzari, flávio prado, hildo honório do couto, hunyuan taiji academy do brasil, jardel caetano, maria celeste corrêa, moizés torquato, rodrigo leitão, sara giffoni, sidmar, sociedade brasileira de tai chi chuan, tai chi curitiba e yáscara. wendy nohemi arias audiffred wendy.noemi@gmail.com [http://canela123.deviantart.com/gallery/] colaboraram nesta edição 15 Tai Ji Quan 19 Qin Na agradecimentos ilustrações 21 Qin Na Técnica e aprendizado 25 Tai Ji Quan & Shao Lin Qin Na Diferenças e similaridades 26 Qin Na A sua relação com a saúde viviane giordano revisão 27 Yi e Qi contato | publicidade revistataichibrasil@hotmail.com levislitz@gmail.com jornalista responsável diplomado levis litz - mtb 3865/15/52v pr Distribuição gratuita e dirigida. Todos os textos e fotos aqui publicadas são colaborações voluntárias gratuitas. Não são de responsabilidade desta revista os artigos de opinião e também as opiniões emitidas em entrevistas e depoimentos, por não representarem, necessariamente, o pensamento do editor. Por questões de espaço, objetividade e clareza, a equipe editorial reserva-se o direito de resumir os textos recebidos. Foto com pouca definição é de responsabilidade do autor. Os exemplares impressos em papel desta publicação serão doados para bibliotecas públicas. Manifestação consciente do pensamento e da energia no tai ji 28 Tai Ji Quan & Qin Na Relevância e referências 31 Pai Lin Uma homenagem ao seu aniversário SEÇÕES 4 CARTAS 5 EDITORIAL 6 RÁDIO CORREDOR

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Mensagens & Cartas Revista Tai Chi Brasil. Curitiba - Paraná - Brasil. revistataichibrasil@hotmail.com | editor: levislitz@gmail.com Por questões de espaço, a equipe editorial reserva-se o direito de editar mensagens, depoimentos, fotos e textos recebidos. “Sinto-me honrado pela atenção à mim dispensada, merecen-do até espaço em uma das mais importantes revistas de artes marciais do país. Aproveito para parabenizá-los pela importante colaboração que a revista trás para as artes marciais, como meio de comunicação, divulgação, orientação, colaboração, troca de informações e conhecimentos.” Ademir Souza “Gostaria de parabenizar pelo belo trabalho e pela iniciativa de divulgação do Tai Ji Quan no Brasil. Sou instrutor do Estilo Yang, estudante do estilo Chen e fabrico artezanalmente sabres para prática de Tai Ji. Esta revista vem consolidar o momento de franca expansão desta arte maravilhosa em nosso país.” Jardel Farias Dois Irmãos, RS “Agradeço muito o seu envio e fiquei sensibilizado pelo apelo de anunciar na revista. Isto farei em seguida. Sinto-me honrado de recebêla, obrigado pelas informações. Hélio Brum Jr Formado pelo Instituto de Cultura Chinesa do Dr Wu Chao Hsiang (RJ) “Hola Levis. Somos lectores de la revista Tai Chi Brasil, acá en Buenos Aires. Investigamos y enseñamos desde hace años los entrenamientos del maesto Lui Pai Lin (de quien Marcela fue discípula) y incorporando luego también los del maestro Chen Xiao Wang. Desde hace 10 años, además de dar clases regulares, organizamos viajes y retiros a la naturaleza para entrenar en contacto directo con el cielo y la tierra. Este año estamos organizando un viaje de una semana (entre el 19 y 27 de febrero) a caminar, acampar, meditar y entrenar Tai Chi en un lugar muy especial de la Patagonia. Nos gustaría compartir esta experiencia con el público brasileño” Marcela Rodas y Francisco Garcia Faure Buenos Aires, Argentina “Vi rapidamente a revista, é muito rico, parabéns!” Suemi Curitiba, PR “Levis e Equipe. Realmente ficou ótimo o artigo do Mestre Chen Zhonghua! Muito obrigado a todos. Seu esforço ficou evidente no resultado.” John Vanko São Paulo, SP “Tenho 60 anos, sou sóciofundador da Associação Gaúcha de Taijiquan e praticante desde início da década de 1990. Parabéns pela revista. Excelente meio de congraçamento entre os praticantes de admiradores do Tai Chi Chuan.” Nelson Sterzi Porto Alegre, RS “Caros Amigos Taoístas. Agradeço muito e, novamente, elogio o empenho em produção tão significativa para o Brasil.” Marcos Freire “Grato pela Revista, de excelente qualidade.” Marcus Maia Rio de Janeiro, RJ “O artigo As Relações Mestre e Discípulo, Professor e Aluno na cultura Oriental da Revista Tai Chi Brasil nº 8 é do Professor Arthur Dalmaso, não é? Quero parabenizá-lo pelo excelente artigo.” Teresa Florianópolis, SC “Parabéns pelo seu trabalho (ótimo) na revista! Jael São Paulo, SP “Olá! Sou leitora da revista, indicada pelo meu Mestre Marcelo Giffoni do Parque Municipal.” Magda Belo Horizonte, MG “Parabéns por conseguir manter a excelente qualidade dessa revista! Quero compartilhar com todos os leitores que a princípio hesitei em fazer anúncio nesta revista. Hoje entendo que anunciar aqui é dar sustentabilidade a esse importante trabalho de divulgação do Tai Chi Chuan, independente do retorno que isto possa nos trazer. Obrigado por expandir nossos horizontes em relação ao Tai Chi...paz.” Bruno Davanzo Curitiba, PR “Obrigada pelo belo trabalho em prol do Tai Chi Chuan.” Elisa Rio de Janeiro, RJ “Parabéns! Esta edição está ótima. Eu a li integralmente assim que chegou. Meus votos de perenidade para esta excelente iniciativa.” Luiz Carlos Beraldi “Muito boa revista, o final do Chuang Tse ficou ótimo!” Estevam Ribeiro Rio de Janeiro, RJ “Obrigado pelas revistas encantadoras que tem nos enviado. Temos mantido em nossa Biblioteca para consulta dos alunos e através de nosso arquivo on-line. Uma das sessões de arquivos tem o nome “Revista Tai Chi Brasil!” Helio São Paulo, SP 4 www.RevistaTaiChiBrasil.com.br

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Editorial Ampliando os Horizontes Revista Tai Chi Brasil Bibliotecas & Acervos Campinas, SP Equilibrius - Centro de Tai Chi Chuan, Acupuntura e Cultura Oriental Av. Oscar Pedroso Orta, 222. Barão Geraldo. O tema desta edição tem como objetivo focalizar as principais características e conceitos para investigar a história e aplicação do qin na como arte de imobilizar nas práticas de tai ji quan. Buscamos trabalhar com características da estruturação do qin na, bem como suas diferenças aplicadas e seus resultados como parte integrante de uma arte marcial interna que preza tanto seu lado marcial, na auto-defesa, como no âmbito terapêutico, com fins de manutenção da saúde. Como resultante das buscas e cruzamento das informações obtidas, evidenciou-se a falta de informações e dados mais profundos no que concerne a aplicação do qin na no tai ji quan. Essa pesquisa, baseada no estudo e no trabalho de conclusão de curso de pós-graduação em Tai Chi Chuan do presente editor e com a colaboração do professor Estevam Ribeiro, se orientou também na perspectiva do método de levantamento bibliográfico, dando principal relevância no estudo do processo histórico, tanto do tai ji quan quanto no qin na e seus processos de desenvolvimento e vinculação. É importante observar durante a leitura desta edição que os termos do idioma chinês utilizados estão em pinyin que significa literalmente soletração de sons. É o método, sistema de romanização, usado oficialmente na China para transcrever, no alfabeto latino, o dialeto mandarim padrão da língua chinesa, por isso tenha em mente que as pronúncias para Tai Ti Quan é algo similiar a Tai T´Chi T´Chuan e que para Qin Na corresponderia a T´Chin Na. Contato Revista Tai Chi Brasil - RTCB . website: www.RevistaTaiChiBrasil.com.br . e-mail: revistataichibrasil@hotmail.com Editor - Levis Litz . e-mail: levislitz@gmail.com | . msn: levislitz@hotmail.com . webpage: www.TaiChiCuritiba.com.br ---------------------------------------------------------------------------------- ------------------------------------------Caxias do Sul, RS Centro de Estudos da Medicina Chinesa Av. Júlio de Castilhos, 1501. Sala 32. Centro ------------------------------------------Curitiba, PR Biblioteca Pública do Paraná Rua Cândido Lopes, 133. Centro. Biblioteca Hideo Handa Praça do Japão. Água Verde. Academia Paramitta Av. Visc do Rio Branco, 84. Mercês. Colégio Estadual do Paraná Rua João Gualberto, 250. Alto da Glória. Colégio Medianeira Av. José Richa, nº 10546. Prado Velho. Em “PinYin” Nutribioforma R. Jaime Balão,1150. Casa 1. Hugo Lange. SESC Paraná – Unidade Água Verde Av. República Argentina, 944. Água Verde. ------------------------------------------Ribeirão Preto, SP Boa leitura! Levis Litz jornalista diplomado Equilibrius - Centro de Tai Chi Chuan, Acupuntura e Cultura Oriental Rua Cerqueira César, 1825. Jd. Sumaré. ------------------------------------------São Paulo, SP Espaço Bem Estar (Yoga e Tai Chi Chuan) Av. Pe. Antonio José dos Santos, 1371. Brooklin Novo. Peng Lai Brasil - Artes Marciais Tradicionais Chinesas. Av. Deputado Emílio Carlos, 121. B. do Limão. Sociedade Brasileira de Tai Chi Chuan Rua José Maria Lisboa, 612, Sala 7. ------------------------------------------Uberlândia, MG Academia Budô Kan Rua Benjamin Monteiro, nº 64. Centro. Curitiba - Paraná - Brasil www.RevistaTaiChiBrasil.com.br 5

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Rádio Corredor I Aprender Tai Chi Pai Lin São Paulo, SP Há um novo blog no ar. Ele foi criado por Tarcísio Tatit Sapienza. O mesmo promove o Tai Chi Pai Lin e seus locais de prática. É mais um veículo importante na divulgação dessa arte pela Internet. Parabéns! Os interessados devem acessar o seguinte endereço: http:// aprendertaichi.blogspot.com ---------------------- Acupuntura e Tai Chi Estilo Chen Rio de Janeiro, RJ Com muitos projetos novos em mente, Eduardo Molon, além de praticante de Tai Chi Chuan Estilo Chen, recentemente abriu seu consultório de acupuntura. Com seu segundo filho recém nascido pra curtir, ainda tem uma viagem programada para a China, haja fôlego. Sucesso e Parabéns! Website: http://eduardomolon.com ---------------------- Retiro de Tai Chi entre as montanhas da Patagônia Argentina Um grupo de Tai Chi Chuan da Argentina que praticam o Tai Chi Pai Lin e também o Estilo Chen que, além de ensinar em aulas regulares por 10 anos, está organizando uma viagem de uma semana, entre 19 e 27 de fevereiro, junto a natureza para fazer caminhadas, camping, meditação e praticar muito Tai Chi Chuan entre as montanhas, em um lugar muito especial na Patagônia. Alguns membros da equipe da Revista Tai Chi Brasil já estiveram na Patagônia e recomendam - é muito bom! Gostou da ideia? Interessados entrem em contato pelo seguinte endereço: http://www. taichi-espaciosol.blogspot.com Tai Chi Chuan Estilo Yang Uberlândia, MG Outro blog recente assinado por Sara Giffoni, instrutora de Tai Chi Chuan formada pela SBTCC do Estilo Yang Tradicional de Tai Chi Chuan, tem informações gerais e novidades sobre Tai Chi Chuan. Com atitudes assim ganhamos mais espaço e promovemos o Tai Chi como um todo. Boa iniciativa! http://www.taichiudi.blogspot.com Centro de Filosofia Taoísta e Terapias Orientais Sorocaba, SP Olha que legal! Este ano, o Centro de Filosofia Taoísta e Terapias Orientais deve retomar as suas atividades, bem como as aulas e práticas de meditação gratuitas. Interessados podem entrar em contato com a Angela Freitas, pelo e-mail: angela-freitas@uol.com.br 6 www.RevistaTaiChiBrasil.com.br

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Rádio Corredor II do professor de linguística Hildo Honório do Couto, contém 176 páginas e aborda, numa linguagem direta e objetiva, o vasto campo da arte do Tai Chi Chuan. Vale a pena conferir. Parabéns ao pessoal de Brasília! Informações podem ser obtidas por: mail@phu.org.br Abraço da Árvore São Paulo, SP Um grupo de amigos do Tai Chi se reuniu para dar um grande abraço numa árvore. Foi um momento especial e bacana. Veja mais em: http://motivacao. posterous.com/abracando-a-vida ---------------------- ---------------------- Tai Chi e Sorvete Curitiba, PR Um grupo de praticantes de Tai Chi Chuan, sob a orientação do facilitador Carlos Andrade, dentro do Projeto Tai Chi nos Parques de Curitiba, se reuniu em confraternização de fim ano no Jardim Botânico. A ideia parece que vingou, pois estão pensando em se reunir todos os meses. Estão animados, que legal! Livro: O Espírito das Artes Marciais São Paulo, SP O professor Roque Enrique Severino, Lama Zopa Norbu, utiliza de toda a sua experiência de mais de 30 anos dedicados às artes marciais para compilar em 315 páginas a fundamentação teóricofilosófica desta prática que, geração após geração, fascina cada vez mais jovens, adultos e idosos. Editora Nelpa. Informações: http://www. sbtccloja.com.br Livro: “O Tai Chi Chuan e a Praça da Harmonia Universal” Brasília, DF No mundo literário brasi leiro do Tai Chi acabou de ser publicado o livro “O Tai Chi Chuan e a Praça da Harmonia Universal”. Essa obra, de autoria www.RevistaTaiChiBrasil.com.br 7

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Qin Na - a arte das torções e chaves Estevam Ribeiro Professor de Tai Chi Chuan (Taijiquan) cxwtabr@gmail.com - www.chenxiaowangbrasil.com.br Fotos: Alunos Jardel Caetano e Rodrigo Leitão - Acervo/Estevam Ribeiro Embora o Taijiquan, e o estilo Chen em especial, disponham de um arsenal de golpes de percurssão, como socos e chutes, na essência o Taijiquan é uma arte de médio a curto alcance e que envolve principalmente estratégias de chaves e projeções. Qin Na é a arte das torções e chaves. Qin significa pegar ou agarrar e Na siginifica segurar e controlar. Existem extensões deste conceito que consiste em controlar seu oponente imobilizando-o. Qin Na é usado com deslocamento entre ossos, entre ossos e tendões e com pressão de pontos vitais. Na maior parte das vezes é aplicado entre ossos e tendões. O Qin Na é utilizado, em maior ou menor proporção, por todas as artes marciais tradicionais. Alguns exemplos específicos são: Suai Shiao, Garra de Aguia, Louva Deus, Ba Gua Zhang, Liu Ho Ba Fa, Jiu Jitsu e, mais recentemente, Aikido, Yi Quan e Kinomichi. O Qin Na do Taiji e das artes internas em geral é diferente das artes externas. Enquanto as externas utilizam mais força no Qin (agarrar), o praticante de Taiji utiliza mais o Yin (induzir), até que o oponente chegue quase por si próprio ao ponto de funil ou encontre o vazio, sem poder voltar, para então aplicar o Na (controlar). Aqui há exemplos de aplicações de Qin Na para as seguintes posturas: Lan Zhai Yi (amarrar a veste com indolência) e Pie Shen Chui (empacotar o corpo com os punhos). Muitas vezes as pessoas ficam admiradas com os Fa jings dos grandes mestres como Chen Xiao Wang. Mas o mais impressionante para mim é a habilidade dos grandes mestres em Qin Na. Eles são capazes de reverter qualquer chave, eu mesmo já tive esta experiência tentando aplicar algumas das melhores chaves que conheço no mestre Chen Xiao Wang. Era uma demonstração no final de um Workshop e eu me ofereci como cobaia. Antes de começarmos, o mestre me perguntou se eu realmente queria que ele fizesse a demonstração para os participantes do workshop, na maioria meus alunos. Eu disse que sim e ele me assinalou que não dispunhamos de tatami e que o chão era duro. Eu, já acostumado a treinar com rolamentos em chão duro, disse ok. Eu não sabia quantas vezes a minha cara ia se chocar com o chão duro naquelas velocidades. Foi impossível imobilizá-lo. E mesmo lutadores famosos, como se pode ver no youtube, são tratados como eu fui, como um boneco de pano sendo jogado para todos os lados. Apesar de tudo, não sofri nenhuma distensão nem quebrei nenhum osso. Qin Na é uma prática que pode, sem querer, acabar no hospital, portanto não deve ser praticado sem a presença de um profissional qualificado e ainda assim com muito cuidado e autocontrole. O autocontrole é o primeiro passo, antes de querer controlar os outros. Portanto, as fotos nessa revista são ilustrativas e não devem ser copiadas sem critério. Além de ser usado com oponentes, a técnica de Qin Na é uma arte a ser aperfeiçoada entre companheiros e amigos, pois aumenta a acuidade mental. Pode e deve ser desenvolvido como um alongamento em dupla. Um bom exemplo deste trabalho é o Kinomichi criado por Noro Sensei, discípulo de Aikido de M.Ueshiba. Sendo orientado por um bom professor , pode se tornar uma prática prazeirosa e rica em desenvolvimento pessoal e interpessoal. O Qin Na nos dá uma boa noção dos limites do corpo, assim como melhor entendimento e controle do Qi. Entender o corpo energético através do Qin Na fica muito mais claro quando experimentamos com parceiros o que aprendemos das formas solo. Ao praticar solo, o desenvolver do Qin Na se faz através do Chan Si Gong, elemento comum a todos os estilos de Taijiquan. -> [Comente este texto em revistataichibrasil@hotmail.com] 8 www.RevistaTaiChiBrasil.com.br

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“As fotos são ilustrativas e não devem ser copiadas sem critério.” “Qin Na é uma prática que pode, sem querer, acabar no hospital, portanto não deve ser praticado sem a presença de um profissional qualificado.” www.RevistaTaiChiBrasil.com.br 9

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A essência do tai ji e a sua relação com o qin na Levis Litz Professor de Tai Chi Chuan - www.TaiChiCuritiba.com.br Fotos Acervo/LL: Niall O´Floinn, Bruno Davanzo, Aparecido de Lira e Daniel Souza Ilustrações: Wendy Nohemi - wendy.noemi@gmail.com Kung Fu (Wu Shu)! Quem já não ouviu falar a respeito? Independente da formação escolar, parece que todos já escutaram ou viram algo relacionado ao Kung Fu. Dificilmente encontraríamos uma pessoa que não o associasse as artes marciais, pois vivemos, indiscutivelmente, em uma era de informações que permeiam às imagens. A contemporaneidade com seus filmes e desenhos animados de lutas, embates corporais que apresentam por trás de si uma filosofia, dá uma nova conotação na compreensão do que está por trás destes signos visuais. Contudo, antes de simplesmente praticar uma arte marcial, o praticante precisa compreender bem a filosofia que há dentro de alguns parâmetros teóricos adquiridos pelo aprendizado com um professor ou mestre, seja num grupo, escola ou academia, deve pensar na arte marcial como parte integrante de um universo mais abrangente que pode ser de origem diversa, seja pela influência do cinema, fotografia, desenho animado, história em quadrinhos ou pela mídia como um todo. O tai ji quan (tai chi chuan), por ser uma arte marcial chinesa interna, demonstra ser de uma eficácia suprema de destaque no âmbito marcial mundial combinado com exercícios leves, com pouco impacto e com tremendos resultados terapêuticos, integrou em suas técnicas o uso do qin na (chin na), que é a arte de imobilizar: “No chinês, a palavra Chin [qin] significa segurar ou agarrar. A palavra “Na” [na] significa controlar ou dominar. Aliadas, as duas palavras no dão o nome (...), não muito conhecido fora dos círculos envolvidos com artes marciais: Chin-na [qin na] a arte de agarrar e de segurar. Obviamente, todas as artes marciais que utilizam apenas as mãos nuas têm as técnicas de “Tao, Verdade primeira e última nas disciplinas do Taoísmo, é a chave secreta da filosofia de todas as Artes Marciais da China.” Roque Severino agarrar o corpo de um oponente, mas o Chin-na [qin na] se volta para o estudo exclusivo dessas técnicas, e pormenorizadamente.” (Crompton, 1990, p. 110.) Saber compreender a essência do tai ji e a sua relação com o qin na e sua aplicabilidade em sua profundidade, tornou-se uma necessidade premente, pois vivemos em uma era que as artes marciais chinesas nos alcançam de forma dinâmica, rápida, inovadora e por conseguinte, híbrida. Mas saber interpretar, analisar e aplicar os conhecimentos advindos das origens do tai ji, associados ao qin na deve ir além de uma simples frequência em seminários ou cursos rápidos. O entendimento empírico do qin na no tai ji deve ser significativo, deve ter intencionalidade, é necessário ter qualidade para evidenciar detalhes das informações pertinentes ao tai ji qin na - a arte de imobilizar no tai ji quan, para que melhor atendam a um processo eficiente e mais embasado de pesquisa para outros profissionais da área. Na literatura internacional, há poucos e incipientes estudos que oferecem referência substancial a respeito do tai ji quan. Em setembro de 1992, na China, no Wenxian International Annual Meeting of Taijiquan, colocou o desenvolvimento do tai ji quan num novo patamar superior. Milhares de entusiastas do tai ji quan de 24 países e 40 organizações estiveram presentes ao 10 www.RevistaTaiChiBrasil.com.br

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evento. Durante o encontro, pessoas conversaram sobre o desenvolvimento e popularização do tai ji quan e expressaram que é urgentemente necessário material escrito sobre tai ji quan em outros idiomas além do chinês. (Chen Zheng-Lei, 1992, p.4) No Brasil, a situação é mais precária ainda sobre esse tipo de informação. Há pouquíssimas referências em páginas da web com dados que devem ser corroborados devido a questionabilidade das fontes das informações apresentadas por este tipo de mídia. Embora o tai ji quan se utilize de muitas técnicas de qin na, desconhece-se que alguém, no Brasil, tenha compilado, sistematizado, apresentado e diponibilizado informações sobre o tai ji qin na para o público em geral. Essas pouquíssimas referências bibliográficas no âmbito nacional é uma determinante na decisão de se pesquisar mais e profundamente esta problemática, é um terreno que, além de fascinante, é muito fértil para investigação. Este entendimento é relevante na medida em que poderá contribuir para um maior conhecimento sobre tai ji qin na e, consequentemente, favorecer uma compreensão mais profunda aos praticantes do tai ji quan. Para entender melhor o texto Wu shu é um termo chinês que literalmente significa arte da guerra. Este é o termo correto para o que no ocidente se passou a chamar equivocadamente de Kung Fu. Parte dos estilos externos de wu shu são originários do templo Shaolin. Entre os estilos internos de wu shu encontramos o tai ji quan . Arte Marcial Interna enfatiza em seu treinamento elementos internos, como consciência do espírito, da mente e do nei gong, potencial interno com o desenvolvimento do qi, já no início do treinamento. Uma vez aprendidas as relações internas, elas são aplicadas para exteriorizar a energia, o fa jin. Fa jin é um termo usado em algumas artes marciais chinesas, particularmente nas artes marciais internas que significa emitir ou descarregar o poder. É entendido como um conceito físico em que grupos de músculos trabalham juntos para exteriorizar a força do centro do corpo de uma maneira relaxada, assim como uma descarga mais brusca de energia qi, sem esforço físico aparente. www.RevistaTaiChiBrasil.com.br 11

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Conhecimento corporal como produto do processo cognitivo No processo de ensino e aprendizagem nas artes corporais como um todo, para poder pensar de maneira mais específica nas atribuições do uso do qin na no tai ji quan, faz-se necessário refletir, primeiro, sobre como o praticante constrói seu conhecimento histórico e sustenta o seu treinamento, lembrando que, tal conhecimento e sua apreensão, estarão diretamente ligados à maneira como ele o recebe e o articula, nesse caso, por meio de um grupo, escola ou até mesmo um professor particular. “Se nós queremos compreender a teoria do tai ji, então devemos primeiro fazer uma trajetória de retorno às suas origens e raízes” (Yang Jwing Ming 1995, p. 23) para adquirir conhecimento histórico. Isso influencia de forma relevante na compreensão em se ter domínio do próprio conteúdo prático, bem como na reflexão e análise das formas de como os movimentos do tai ji qin na foram elaborados, veiculados, corroborados e preservados até nossos dias. Segundo De Lazzari, 2009, p.37, “somente se conseguirmos entender a teoria (...), poderemos alcançar um nível elevado e de competência na prática das artes marciais e uma profunda compreensão da vida.” Com o objetivo de possibilitar a compreensão de como a origem e a aplicabilidade dos movimentos são produzidos e aceitos pelo corpo, busca-se um desenvolvimento e aprofundamento do senso crítico. O estudo dos processos históricos, tanto teóricos como práticos do tai ji qin na, deve ter uma significação maior do que a mera acumulação de informações ou repetições mecânicas de um determinado movimento. “O sujeito que conhece, o objetivo do conhecimento e o conhecimento como produto do processo cognitivo” (Adam Schaff 1987, p. 72) aparecem em todas as análises do processo do conhecimento. “No conhecimento histórico, o sujeito e o objeto constituem uma totalidade orgânica, agindo um sobre o outro e vice-versa; a relação cognitiva nunca é passiva, contemplativa, mas ativa por causa do sujeito que conhece; o conhecimento e o comprometimento (...) estão sempre socialmente condicionados”. (Adam Schaff 1987, p. 105). A teoria do conhecimento mostra que a estrutura do conhecimento é fundamentada nas relações. E são Os antigos chineses souberam,como nenhum outro povo, deduzir dos fenômenos da natureza certas leis e princípios que passaram a fazer parte de uma filosofia de vida. Marco Natali justamente as relações que o compõe e as que se pode estabelecer com as informações que se possui que fazem com que determinados conteúdos se transformem em saber e em conhecimento científico. Foi o mestre Chen Wan Ting, que, segundo documentos históricos, sistematizou e deu origem ao tai ji quan, quando sua experiência demonstrou que conhecer é ter capacidade de estruturar, relacionar, organizar e sistematizar as informações que se tem e perceber como estabelecer e harmonizar essas relações que estruturam a realidade do praticante do tai ji quan entre o interno e externo, o cheio e o vazio: o ying e yang . “Alguns praticantes de artes marciais enfatizam apenas o aspecto da luta em suas modalidades, e com freqüência sacrificam a própria saúde para adquirir mais destreza na luta, desenvolvendo mãos e pés firmes, de tal maneira que acabam perdendo muito da sensibilidade natural e sofrem muitos danos físicos (...). Os mestres de Tai Chi Chuan veem essas práticas e atitudes (...) como excesso de yang, ou seja: dá-se ênfase excessiva ao aspecto yang da luta, em detrimento do aspecto yin da saúde. (Wong Kiew Kit 1996, p. 29). As atividades de aprendizagem, assim como os objetivos das práticas e dos treinos, não podem se resumir a reproduzir conhecimentos para apenas memorizar e depois repetir. Todo conhecimento deve ser pensado no sentido de sua redescoberta ou redefinição corporal. Para isso, faz-se necessário trabalhar dialeticamente, construindo o conhecimento numa relação entre professor (mestre), discípulo (aluno), objeto e realidade. Nessa relação, o professor deve ser o mediador entre o aprendiz, o objeto do conhecimento e a realidade, buscando um caminho que leve o aprendiz a analisar e sintetizar esse objeto, de forma que chegue a um conhecimento prático mais elaborado, e não fragmentado e baseado apenas no senso comum. Quanto maior e mais diversificadas forem as experiências, fatos, situações e vivências que o aprendiz e 12 www.RevistaTaiChiBrasil.com.br

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praticante tiver, maiores serão as possibilidades de promover novas relações e uma elaboração mais crítica do saber e aplicabilidade do tai ji qin na. Portanto, o confronto, o conflito, a complexidade, fazem parte essencial do processo de construção da aprendizagem. Quando o professor (mestre) planeja suas aulas de tai ji qin na, deve fazê-lo sempre se questionando sobre o tipo de reação que suas ações provocará nos alunos (aprendizes); deve ter claro que tipo de operação mental está acionando e exigindo de seus alunos: recordação, reconhecimento, associação, comparação, interpretação, entre outros. Um dos principais objetivos da filosofia do tai ji quan é proporcionar aos seus praticantes a compreensão dos valores intrínsecos de sua fundamentação, utilizando-os para melhor entender ou explicar sua realidade, relacionando o presente com o passado, posicionando-se diante dessa realidade, situando-se diante dela e questionando-a, quando necessário. “Podemos ver o quanto Tai-Chi-Chuan é importante para a vida humana e para seu destino, e o efeito que tem sobre o movimento de restabelecimento da moral mundial. Tai-Chi-Chuan é realmente o tesouro inestimável da vida dos seres humanos”, (Wu Chao-Hsiang, 1984, p.27). Praticantes de tai ji quan e qi gong agregam às suas vidas os valores e explicações passados por seus professores e mestres, por isso, é função também do professor e mestre fornecer estímulos ou significados que farão os alunos aprendizes lembrar da importância quanto aos fatos, eventos históricos, imagens marcantes e processos que permeiam o aprendizado do tai ji quan, bem como o entendimento da importância do qin na. Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (1998, p. 38): “O que se torna significativo e relevante consolida seu aprendizado [do aluno]. O que ele aprende fundamenta a construção e a reconstrução de seus valores e práticas cotidianas e as suas experiências sociais e culturais. O que o sensibiliza molda a sua identidade nas relações mantidas com a família, os amigos, os grupos mais próximos e mais distantes e com a sua geração. O que provoca conflitos e dúvidas estimula-o a distinguir, explicar e dar sentido para o presente, o passado e o futuro, percebendo a vida como suscetível de transformação.” Para a construção do conhecimento do tai ji quan, é importante dar ênfase ao aprendizado de fatos históricos que digam respeito à vida cotidiana na origem cultural dos praticantes de artes marciais chinesas, seu contexto como um todo: fatores políticos, econômicos, sociais, culturais e ideológicos da época, sempre procurando estabelecer a relação entre esses diversos aspectos. Os fatos são frutos de ações de indivíduos que fizeram escolhas, mais ou menos conscientes, em suas vidas e, perceber que essas escolhas afetam a coletividade, é elemento chave para que se perceba a questão do sujeito, da responsabilidade dos indivíduos. A construção da sociedade é resultado das ações e decisões humanas e cada praticante de tai ji quan contribui de alguma forma nessa construção. A relevância de se estudar História deve residir na repercussão dos acontecimentos na própria História, no caso deste estudo, a China, ou seja, quanto esses fatos modificaram as relações sociais posteriores ou contemporâneas a eles, www.RevistaTaiChiBrasil.com.br 13

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sempre fazendo uma relação passado-presente. A história do tai ji, por exemplo, é muito mais antiga do que o surgimento do tai ji quan, “O termo aparece pela primeira vez no Livro das Mutações [Yijing (I Ching), séculos VI e V a.C.].” (Catherine Despeux 1989, p. 37) Estudar o passado simplesmente pelo passado, não faz sentido. O praticante de tai ji quan precisa despertar para sua capacidade crítica, para uma reflexão sobre as relações humanas e sobre a consequência de suas ações. Naturalmente, que cada época tem sua própria maneira de ver o mundo e que cada grupo social tem seu próprio modo de interpretar a realidade. Analisar os acontecimentos do passado da cultura chinesa faz com que compreendamos que eles contribuíram de alguma forma para a construção, organização e desenvolvimento do tai ji quan. Assim, formar praticantes conscientes, só será possível com a compreensão crítica da sociedade em que viveram seus mestres e dos fatores que a produziram. Daí a importância fundamental do estudo crítico da História, sem dúvida um dos elementos essenciais na formação do cidadão capaz de participar conscientemente da transformação da sociedade e do mundo em que vive. Numa perspectiva dialética, a história do tai ji quan e a importância que o qin na tem nesse contexto deve ser trabalhada por sua relevância, entendendo que os acontecimentos históricos se interrelacionam no tempo e não estão circunscritos pelo espaço, permitindo que os praticantes e futuros aprendizes reflitam sobre os temas e a realidade de forma crítica e autônoma. Resgatar e preservar a essência do tai ji qin na é consolidar seus ensinamentos. Um resultado muito objetivo tão importante quanto expressar o verdadeiro potencial corporal do praticante. ---------- Para entender melhor o texto Chen Wangting (1600-1680) também conhecido como Zouting, foi um erudito e exímio praticante de arte marcial. Treinava suas habilidades corporais durante o dia, estudioso dedicado, estudava todos os aspectos da literatura chinesa à noite. Yin Yang tem sua origem no Tao, uma das bases da filosofia chinesa. Representa o equilíbro e harmonia da dualidade em que duas forças se complementam simbolizando o equilíbrio das forças da natureza, da mente e do físico, também associado como o tigre e o dragão representando os opostos, na indicação de que tudo que existe contém tanto o princípio Yin quanto o Yang. Qi gong é um método chinês constituído de uma série de exercícios corporais que utiliza o qi - a essência da energia vital, para alcançar benefícios terapêuticos Livro das Mutações ou I Ching é um dos mais antigos textos clássicos chineses. Ching, significa clássico e seu foi o nome dado por Confúcio. Antes era denominado apenas de I, cujo ideograma é traduzido de diversas formas. No século XX, o I Ching tornou-se conhecido no ocidente como o livro das mutações ou livro da mudança. O I Ching pode ser tanto lido como um livro de sabedoria ou estudado como um oráculo. Para a filosofia chinesa sustentada pelo I Ching, não há o que mude, há apenas o mudar. A mudança seria uma característica do próprio mundo. O tradutor mais famoso do I Ching para o ocidente foi Richard Wilhelm que o traduziu para o idioma alemão, na época em que viveu na China. 14 www.RevistaTaiChiBrasil.com.br

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Tai ji quan - o movimento do supremo absoluto O tai ji quando compreendida sua essência, representa a origem de tudo; o início. Do seu princípio infinito, da sua calma, surge o movimento. Uma vez em ação, divide-se em dois, manifestando-se em yin e yang. “O yang retorna ciclicamente ao seu início, o yin atinge seu apogeu e cede lugar ao yang” (Fritjof Capra 1983, p. 87) e como resultado nascem as quatro estações e seus derivados, os cinco elementos do qi: metal, madeira, água, fogo e terra. “As mudanças sazonais e os fenômenos delas resultantes, do crescimento e decadência presentes na natureza orgânica eram encarados pelos chineses como as expressões mais evidentes da interrelação ente o yin e o yang, entre o inverno frio e escuro e o verão claro e quente. A relação sazonal entre os dois opostos aparece igualmente no alimento que comemos e que contém elementos de yin e yang.” (Fritjof Capra 1983, p. 87) A partir desse pensamento dá-se origem a todas as formas de vida e quando esses fundamentos do tai ji são aplicados no corpo humano, este se manifesta muito eficaz e potente, tanto no aspecto terapêutico, como na aplicação eficaz de técnicas de auto-defesa. “Uma boa maneira de se preparar para enfrentar qualquer tipo de luta seria aprender todas as diferentes artes marciais.Mas uma alternativa melhor seria praticar Tai Chi Chuan, pois isso não apenas economizaria tempo e esforço como também traria vantagem não oferecidas pelas outras artes marciais. (...) Os mestres de Tai Chi Chuan normalmente não ferem seus oponentes, primeiro porque seu treinamento é todo no sentido de que permaneçam calmos e não fiquem violentos durante a luta; em segundo lugar, porque eles podem demonstrar sua superioridade numa guerra elegante, o que não se encontra facilmente nas outras artes marciais. (...) Eles podem, por exemplo, jogar o oponente a vários metros de distância, marcando claramente sua vitória, mas sem machucá-lo. Em algumas das outras artes, nas quais se enfatiza demais a necessidade de vencer e se estimula cegamente as emoções agressivas, os praticantes precisam quebrar os ossos ou rachar a cabeça do adversário antes de serem considerados vitoriosos.” (Wong Kiew Kit, 1996, p.18) O tai ji quan, entre todas as artes marciais, se destaca por ter imbuído em sua essência a filosofia do yin e yang de equilíbrio e harmonia. Nesse sentido, o O que você sabe não tem valor; o valor está no que você faz com o que sabe. Bruce Lee praticante de tai ji quan tem a habilidade de atingir um profundo nível de equilibrada existência, um objetivo comum dos que buscam na filosofia do Tao um modo de viver. “O Dáo [Tao], como Caminho ou Naturalidade, tem sentido de essência, origem e fundamento de tudo que existe no Universo. E virtude são todas as manifestações da Naturalidade que desabrocham no Caminho. Quem vive de acordo com os princípios do Dào, integrando-se de maneira harmoniosa com o Céu e a Terra, possui virtude porque realiza o Caminho da Naturalidade. Todas as ações praticadas por essa pessoa são, naturalmente, manifestações da virtude. O Taoísmo não define a virtude como um conjunto de regras morais e éticas aplicadas ao comportamento humano. (...). Quanto mais próxima da completa união com o Absoluto – que se revela através da perfeita harmonia que rege o Universo -, mais virtude a pessoa terá, mais virtuosa ela será.” (Wu Jyh Cherng, 2008, p.61) Entretanto, devido à intensa ênfase voltado aos benefícios terapêuticos que a prática do tai ji quan produz, a essência da origem de sua origem – as aplicações marciais –, tem sido gradualmente deixada de lado. “O conteúdo do tai ji quan é muito amplo e profundo. As pessoas sempre souberam que o tai ji www.RevistaTaiChiBrasil.com.br 15

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