Jornal Sabia nº88

 

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Junho 2015

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Sabiá P ro p r i e d a d e C a s a d o B r a s i l - D i s t r i b u i ç ã o G r a t u i t a - A n o I - J u n h o 2 0 1 5 CASA DO BRASIL a de Lisbo O Sa b i á re t o m a o se u canto Ayrton Senna em Portugal O ídolo brasileiro tinha uma história com o país lusitano. Além de conquistas, como a sua primeira vitória na Fórmula 1, no autódromo do Estoril, o piloto chegou a comprar uma mansão no Algarve para ser sua residência fixa na Europa. Pág. 14 Um rabecar lusitano Ana Teresa Barros trouxe de Recife o instrumento de cordas e arco, a rabeca. Ela, que também compõe suas próprias canções, quer disseminar a cultura do instrumento e sua arte por Lisboa. Pág. 8 e 9 O Sabiá volta a “cantar” nesta primavera de 2015, passados exatos 23 anos desde que “voou” pela primeira vez em Lisboa. Agora em formato digital, o jornal da Casa do Brasil quebra o silêncio de 4 anos, e reinventa-se com o objetivo de voltar a ser um canal privilegiado de comunicação com a comunidade brasileira. A história do Sabiá está intimamente ligada à da CBL. Três meses depois de a associação ter sido criada, em janeiro de 1992, circulou a primeira edição do boletim. Em preto e branco, no formato A4, o Sabiá proclamava, já na primeira página, em editorial, o que a comunidade brasileira de então queria: “Queremos, descomplicadamente, ser brasileiros entre portugueses com a mesma confiança dos portugueses entre brasileiros”. Pág. 4 Samba no pé História de um projeto de cidadania A Casa do Brasil é um projeto de cidadania único no universo de associação de imigrantes brasileiros, não só em Portugal mas ousaria dizer em todo o mundo. Já foi objeto de teses acadêmicas, por diversas razões: por sua contribuição nas políticas públicas de Portugal e do Brasil, pela sua presença na cidade de Lisboa, por ter o famoso Acordo Lula de 2003 gravado no seu DNA. Contar a história na CBL, mesmo superficialmente como será possível nas páginas do renascido SABIÁ, é uma obrigação e um prazer. Muitos dos leitores mais antigos em Portugal se reconhecerão nesta história. Vamos a ela. Pág. 3 Propriedade Casa do Brasil CASA DO A Casa do Brasil promove aulas de samba no pé. Tempo dedicado para quem quiser “soltar o corpo”, trabalhar a resistência, a coordenação motora, pois o samba no pé é saúde e a arte de criar alegria. E quem quiser pode vir... Pág. 5 Falar em público BRASIL a o b s i L e d Ano I - Junho 2015 - A Casa do Brasil de Lisboa, através do seu Gabinete de Inserção Profissional (GIP), realizou, em parceria com com a associação Conceitos do Mundo, o workshop Falar em Público. Realizado no dia 8 de abril, a formação trabalhou a arte de bem comunicar. Pág. 7 WWW.CASADOBRASIL.INFO - Distribuição Gratuita

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Editorial Nota do editor: É um desafio e um privilégio muito grande resgatar um jornal que fez história no cenário da imigração Brasileira em Portugal. Desde 1992 até 2011 ele acompanhou e registou o percurso da Casa do Brasil que nos seus 23 anos de existência abraçou causas imprescindíveis à vida dos imigrantes em Lisboa. Este retorno do jornal vem para reforçar os projetos e atividades desenvolvidos pela CBL. O Sabiá pretende ser um canal directo de divulgação e informação das atividades da associação e dos nossos parceiros. O diálogo e a partilha é a base para promover a igualdade e dignidade humana. Esta é a nossa bandeira e a nossa luta! Ser imigrante é procurar um mundo melhor. O Sabiá é um jornal feito por imigrantes e quando 'canta' é para todos! Fabricio Soares Presidente Casa do Brasil Sabiá Diretor: Fabricio Soares Diretor Adjunto: Patrícia Brederode (DRT 2383) Design Gráfico: António Moita Propriedade: Casa do Brasil de Lisboa Número de contribuinte: 502690321 Editor: Casa do Brasil de Lisboa Sede de redação: Casa do Brasil de Lisboa Número de registo no E.R.C.: 126690 Periodicidade: Bimestral Colaboraram neste número: Lina Moscoso (DRT 2647 BA) Ana Karin Portella (DRT 3670 ) Lívia Barreira (DRT 2109 JP/CE) Lucas Lagatta (DRT 462198930/07-31) Carlos Henrique Vianna Patrícia Brederode Fabricio Soares Rita Alho Cyntia Paula Isís Alves Marta Tavares ÍNDICE: Editorial - Pág. 2 A história da Casa do Brasil - Pág. 3 História do jornal - Pág. 4 Nesta casa tem! - Pág. 5 Imigração e cidadania - Pág. 6 Emprego e Formação - Pág. 7 O que vem de lá - Pág. 8 e 9 Dicas de viagem - Pág. 10 Passeio pela gastronomia - Pág. 11 e 12 Cultura - Pág. 13 Paixão por Portugal - Pág. 14 Dica cultural - Pág. 15 CONTATOS: Morada: R. Luz Soriano, nº42, Bairro Alto, Lisboa Mail: jornalsabia@gmail.com Publicidade: jornalsabia@gmail.com Site: www.casadobrasil.info Telefone: 21 3400000 Fax: 21 3400001 WWW.CASADOBRASIL.INFO O Sabiá volta a cantar quatro anos depois. O jornal que nasceu três meses após a associação ser criada em Janeiro de 1992, retorna com novo ânimo, cheio de energia e com vontade de crescer. Fique sócio da Casa do Brasil CASA DO BRASIL a de Lisbo A Casa do Brasil de Lisboa é uma associação de imigrantes que presta apoio à comunidade brasileira em Portugal desde 1992. Lutamos diariamente pela igualdade de direitos de todos/as os/as imigrantes. Tornar-se sócio/a da CBL significa garantir a continuidade da nossa missão mas, principalmente, tornar-se ativo/a no exercício da sua cidadania. Conheça e participe das nossas atividades! Estatuto editorial do jornal Sabiá 1 - O jornal Sabiá atende a comunidade imigrante brasileira residente em Portugal no sentido de disponibilizar informações sobre direitos e deveres, cursos, trabalho, programação cultural, desporto e actualidade. Veículo de promoção da associação e de suas actividades. 2 - O jornal Sabiá é independente dos poderes político, económico ou religioso. 3 - O jornal Sabiá defende a liberdade de expressão e os direitos dos imigrantes. Apoia a comunidade e serve de ferramenta para a discussão e reflexão. E ainda para a exposição de ideias e projectos. 4 - O jornal Sabiá está pautado na seriedade e na disseminação de informações com credibilidade. 5 - O jornal Sabiá define as suas prioridades informativas exclusivamente por critérios de interesse público, de relevância e de utilidade da informação. - Distribuição Gratuita Ano I - Junho 2015 2 Propriedade Casa do Brasil

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A história da Casa do Brasil Cronologia de um projeto de cidadania (primeira parte) Por Carlos Vianna (orgulhoso co-fundador) Cristã de Moços, na Av. Pedro Álvares Cabral, no dia 7 de dezembro, um sábado. Não ficou registro fotográfico, pelo menos no arquivo da CBL. Quem tiver, mande para nós. Lembro-me de que havia vários jogadores da 2ª divisão, com suas reivindicações próprias. O clima era de muito otimismo. Ficou definido um estatuto, previamente discutido nos 2 grupos constituintes, e foi eleita uma comissão instaladora. Suas missões imediatas: fazer o registro em cartório da associação, arranjar uma sede e organizar um Réveillon para arrecadar fundos e passar bem o ano. E o Réveillon de 1991, na mais que histórica Voz do Operário, na Graça, foi a inauguração festiva da Casa do Brasil. Foi de arromba, fixe, bestial, um sucesso! Não só festeiro como financeiro, rendeu mais de 300 contos, na velha moeda, o escudo. A comissão instaladora cumpriu as demais missões. Em Fevereiro, conseguiu-se meia assoalhada na sede antiga da Rua S. Pedro de Alcântara, de saudosa memória. Mas com direito ao salão de festas e reuniões e à cozinha. Em poucos anos, fomos conquistando (alugando a bom preço) as demais assoalhadas deste 1º piso de um velho prédio em estrutura de madeira, cujo inquilino principal era a Associação Abril. E começamos a fazer as famosas festas das sextas-feiras, que se estenderam quase sem falha por muitos anos. O registo no cartório foi feito no início de Janeiro. Assinaram os sócios nº 1, 2 e 3: Alípio de Freitas, Virgínia Paiva e Rosa Teles. Heliana Bibas é a sócia nº 4. Eu sou o 28, uma injustiça, pois sou da primeiríssima hora. Fica o protesto tardio… E assim foi o começo. Com Réveillon, com nova sede, com os arrasta-pés das sextas e já com um caso político: o impeachment de Collor de Mello, que não deixamos passar em brancas nuvens aqui em Portugal. Mas isto já é tema para um segundo capítulo desta HISTÓRIA DA CASA DO BRASIL. WWW.CASADOBRASIL.INFO Festa de inauguração da Casa do Brasil na Voz do Operário No retomar do SABIÁ, histórico jornal da Casa do Brasil, pediram-me para contar, à medida das possibilidades da minha desgastada memória e de alguma pesquisa, a história dessa casa, que foi a primeira associação ligada à comunidade brasileira em Portugal. Não será tarefa fácil, mas será prazenteira. Regressemos a 1991. Dois grupos de amigos, sem contato entre si, começam a articular a criação de uma associação de imigrantes brasileiros e amigos do Brasil, de todas as nacionalidades. Chamemos-lhes o grupo da Rosa Teles e do Rodrigo, por um lado, e o grupo do PT. Este último era composto por várias pessoas que se encontraram na porta da embaixada, espontaneamente, a fazer boca de urna na primeira eleição presidencial por voto direto, em que Lula perdeu por pouco para Collor de Mello, de triste memória (e hoje ainda pimpão no Senado, agora aliado de Lula e Dilma; enfim, isto já é outra história menos edificante, não nos dispersemos). As eleições foram em 1989 e algumas destas pessoas mantiveram o contato, o que não foi o meu caso. Mais para o fim de 1991, encontrei-me por acaso com Propriedade Casa do Brasil Virgínia Paiva e Alípio de Freitas, fundadores nº 2 e 1, respectivamente, da CBL, e Virgínia, primeira presidenta eleita. Convocaram-nos (eu e Heliana Bibas, depois também presidente), sem direito a negas, para fazer parte das reuniões e articulações. Mas não nos adiantemos. Esses dois grupos, não sei bem como, encontraram-se e, depois de muita conversa, decidiram avançar para a convocação de uma assembleia de constituição da associação, que era para chamar-se somente CASA DO BRASIL, associação comunitária brasileira, um nome consensual e forte. A assembleia realizou-se na Associação Convívio entre membros fundadores da CBL - Distribuição Gratuita - Ano I - Junho 2015 3

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História do Jornal O Sabiá canta de novo Por Isís Alves 2003, o ano da virada Fruto do trabalho de voluntários, a exemplo das outras atividades da CBL, o “plano de voo” do Sabiá nem sempre foi regular, exceto no ano da sua criação. Nos três anos seguintes, as edições variaram entre 8 e 11, mas 1996 teve apenas 2. O ano de 1999 viu um único número e 2001, nenhum. O retorno ao Brasil de alguns dos colaboradores mais assíduos e a dificuldade em encontrar novos foram algumas das causas dessa inatividade. Os 10 anos de existência da CBL, festejados em 2002, ensejaram o esforço para uma edição “especial”, que registrasse a história da Casa. Mais dois números foram publicados em 2002 e o último deles, em outubro, trazia uma novidade: o Sabiá voava em cores. Primeiro número publicado em Maio de 1992 O Sabiá volta a “cantar” nesta primavera de 2015, passados exatos 23 anos desde que “voou” pela primeira vez em Lisboa. Agora em formato digital, o jornal da Casa do Brasil quebra o silêncio de 4 anos, e reinventa-se com o objetivo de voltar a ser um canal privilegiado de comunicação com a comunidade brasileira. A história do Sabiá está intimamente ligada à da CBL. Três meses depois de a associação ter sido criada, em janeiro de 1992, circulou a primeira edição do boletim. Em preto e branco, no formato A4, o Sabiá proclamava, já na primeira página, em editorial, o que a comunidade brasileira de então queria: “Queremos, descomplicadamente, ser brasileiros entre portugueses com a mesma confiança dos portugueses entre brasileiros”. Outras 4 notícias faziam a capa desse primeiro número: o acordo de Schengen, as belezas do Alentejo, a expulsão de brasileiros por Portugal e, como não podia deixar de ser, o futebol. Temas que reapareceriam muitas outras vez ao longo das 86 edições seguintes. Na última página, a “tirinha” assinada por Juca Brasuca fazia o comentário humorístico dos assuntos que inquietavam ou animavam os brasileiros residentes em Portugal. A tirinha do Juca foi uma marca do Sabiá até a edição nº 33, de junho/julho 1995, altura em que o desenhista resolveu fazer as malas e atravessar o Atlântico no sentido inverso. estrangeiros, que vinha de ser promulgada, era o tema da matéria principal, dividindo a capa com a visita do então presidente Jorge Sampaio à CBL. Nas 34 edições que se seguiram, a regularização dos imigrantes foi um tema recorrente no jornal da CBL, embora houvesse espaço também para a cultura, as atividades de brasileiros empreendedores, conselhos jurídicos, análises políticas e reportagens sobre a comunidade brasileira em Portugal. De todos os Sabiás publicados, o mais lido terá sido certamente o de número 56 (julho de 2003), que noticiava o chamado Acordo Lula – um acordo entre os Estados brasileiro e português que permitiu a regularização, em condições específicas, de muitos brasileiros que já viviam em Portugal. Pode-se dizer que entre 2003 e 2006, a publicação viveu a sua época áurea, com uma média de 5 edições de 8 a 12 páginas por ano. Em 2007 e 2008, praticamente hibernou: apenas 3 números foram publicados. Já no ano seguinte, 2009, circularam 7 edições, e em 2010, outras 5, mas a última delas com apenas 4 páginas. Desde então, o Sabiá emudeceu. O anúncio de que, a partir deste mês de maio, retoma o seu canto, parece indicar que apenas esteve “na muda”, nestes últimos anos, como todo bom passarinho. Aliás, muitas vezes ouviu-se a pergunta: “porque Sabiá”? Sabiá nº53 com novo formato e a cores O número seguinte, 53, representou uma “virada” na publicação. O boletim em preto e branco, no formato A4, tinha passado à história. O Sabiá publicado em abril de 2003 era todo novo. Além de cores, tinha o formato tablóide, um projeto gráfico arrojado, novos colunistas, maior espaço publicitário e um total de páginas como nunca antes: 12. A manchete desse número, todavia, indicava que os problemas enfrentados pelos imigrantes não diferiam muito daqueles que 11 anos antes ocuparam as páginas do primeiro Sabiá. A lei de Ano I - Junho 2015 - O jornal da CBL foi buscar o seu nome no símbolo da fauna ornitológica brasileira, o sabiá-laranjeira, que, tanto pelo gosto popular como por decreto, é considerada a Ave Nacional do Brasil. Na literatura e na música popular brasileiras é um símbolo, também, da saudade sentida pelos que se encontram longe da da pátria. Todavia, mais do que no sabiá-laranjeira, a publicação da CBL parece inspirar-se numa espécie de sabiá-fênix: está sempre a renascer. WWW.CASADOBRASIL.INFO 4 Propriedade Casa do Brasil - Distribuição Gratuita

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Nesta casa tem! Samba no pé Por Ana Karin Portella As aulas de Samba no Pé têm duração de uma hora e, de acordo com professor Hugo Rico, é um tempo dedicado para quem quer "soltar o corpo" e trabalhar a resistência corporal, pois o samba é uma das danças que exige maior coordenação motora. O samba é uma das maiores manifestações culturais do Brasil, levada pelos escravos africanos e que adquiriu diversas nuances em cada região do País, como o tradicional samba-de-roda na Bahia e o samba-maxixe no Rio de Janeiro, e as derivações mais modernas como a bossa nova, o samba-reggae, o samba-rock e o pagode. A Casa do Brasil também promove aulas de Forró, Yoga, Dança Livre e Teatro. idades desde 20 até 65 anos. Para dançar, 50% é corpo e 50% é mente", completa Hugo. Patrícia Semião, 33 anos, faz aula de samba há 8 meses e este é seu momento de descanso depois de um dia de trabalho. "É uma terapia, até porque sempre gostei desse estilo de dança e de música". As portuguesas Ana Castro, 51, e Célia Heitor,41, procuraram as aulas também movidas pela simpatia com a nossa cultura. Ana já tinha dançado alguns anos atrás na Casa do Brasil, enquanto Célia se aventura pela primeira vez: "Quero aprender uns passinhos". Mais informações e inscrições pelo telefone 213 400 000. Samba no pé com Hugo Rico Um, dois, três… em movimentos que vão da ponta do pé ao calcanhar… um, dois… e o corpo todo balança, contagiado pelo som do samba-canção. Há um ano e meio que as oficinas são dirigidas pelo professor Hugo Rico, 39 anos, português com "gingado brasileiro". "Fiz aulas de samba aqui em 2009 e a partir daí comecei a dançar muito”. Para sambar não tem limite de idade e qualquer pessoa pode praticar, pois além de auxiliar na coordenação dos movimentos do corpo, ajuda na perda de calorias, desenvolve a estima e é muito alegre. “Tenho alunos fixos com Por que sambar? - Perde calorias - Libera endorfina, hormônio relacionado ao prazer e relaxamento - Fortalece pernas e glúteos - Ajuda na coordenação motora - Desenvolve a flexibilidade - Desenvolve a autoestima CASA DO SAMBA NO PÉ - Com Hugo Rico. Contato: 926131390 FORRÓ - Com Enrique Matos. Terças das 21h às 22h, (nível intermediário) e das 22h às 23h (iniciantes) BRASIL YOGA - Com Sara Dal Corso. Terças e quintas das 12:30 às 13:30 e das 18h às 19h DANÇA LIVRE - Com Rocío Prieto. Quintas das 19h às 20:30 TEATRO - Com Claudio Hochman. Contato: 961443048 5 a de Lisbo Propriedade Casa do Brasil - Distribuição Gratuita - Ano I - Junho 2015 - WWW.CASADOBRASIL.INFO

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Imigração e cidadania Guia de Direitos e Deveres dos/as Imigrantes em Portugal O Guia reúne diversas informações importantes para os/as imigrantes em Portugal, tais como, direitos e deveres, informações sobre acesso a saúde e educação, direitos e deveres do/a trabalhador/a, contactos úteis, entre outras informações. Este Guia é o resultado da reflexão e participação activa de todas as pessoas que participaram do Projeto Acolhida: Estamos Aqui e Agora? Que foi desenvolvido pela Casa do Brasil no ano de 2014. O Projeto foi financiado pelo Programa Cidadania Ativa gerido pela Fundação Calouste Gukbenkian. É totalmente gratuito e está disponível no site e na sede da CBL. Grupo Acolhida da Casa do Brasil de Lisboa O Grupo Acolhida da Casa do Brasil de Lisboa é uma atividade permanente que tem como objetivos a troca de experiências entre imigrantes, a partilha de conhecimentos dos direitos e deveres em Portugal, o exercício da cidadania, o combate ao isolamento e a valorização da trajetória de vida. Os encontros são quinzenais. Participe! O Grupo é moderado por Cyntia de Paula - Técnica da Casa do Brasil e Mestre em Psicologia Comunitária. Mais informações: Email: acolherintegrar@gmail.com Telefone: 213400000 Projeto Acolhida: Estamos Aqui e Agora? CAJ – Centro de Apoio Jurídico A Casa do Brasil oferece aos seus associados apoio* jurídico gratuito, em diversas áreas do direito, como: - Apoio e informações sobre permanência em Portugal (autorização de residência) - Direitos e deveres dos imigrantes - Assuntos trabalhistas - Assuntos de família (casamento, divórcio, responsabilidades parentais…) - Elaboração de documentos (contratos, respostas, manifestações e recursos a notificações e decisões administrativas…) - Apoio em elaboração de pedidos de Apoio Jurídico da Segurança Social para processos judiciais - Entre outros Horário de Funcionamento CAJ: segunda-feira e sexta-feira, das 18:00hs às 21:00hs. Local: Casa do Brasil de Lisboa, Rua Luz Soriano, nº 42. * Somente para associados, não representativo e em caráter extrajudicial. O Gabinete de Inserção Profissional (GIP) O GIP da Casa do Brasil oferece serviços de apoio na procura de emprego e formação para cidadãos imigrantes que residem em Portugal, visando a sua colocação no mercado de trabalho. O Gabinete de Inserção Profissional (GIP) da Casa do Brasil de Lisboa faz parte de um projeto intitulado Rede GIP Imigrante (RGI), fruto de uma parceria entre o Alto Comissariado para Imigração e Diálogo Intercultural (ACIDI), o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) e Associações de Imigrantes (ONG’S e IPSS). WWW.CASADOBRASIL.INFO 6 Propriedade Casa do Brasil - Distribuição Gratuita - Ano I - Junho 2015

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Emprego e formação Workshop: Falar em Público do Mundo, trabalhou com os alunos temas como introdução ao falar em público, elementos de um discurso com impacto, técnicas e ferramentas para minimizar o desconforto e o nervosismo, métodos de preparação para aumentar a confiança, como envolver a audiência, como lidar com imprevistos e erros que pode evitar. Como a procura pelo workshop Falar em Público foi muito grande, a Casa do Brasil de Lisboa vai oferecer em breve uma segunda edição para uma turma de 20 formandos. A Conceitos do Mundo - Associação para a Promoção dos Direitos Humanos e Desenvolvimento Sustentável é uma organização não governamental para o desenvolvimento (ONGD). Fundada em 2013 atua nas áreas do desenvolvimento local, da economia social e solidária, da educação formal e não-formal, do associativismo e da cidadania ativa. Para saber mais sobre a Conceitos do Mundo: http://conceitosdomundo.pt/ Os participantes aprenderam a arte de bem comunicar A Casa do Brasil de Lisboa, através do seu Gabinete de Inserção Profissional (GIP), fez parceria com a associação Conceitos do Mundo com o objetivo de oferecer formações gratuitas para os inscritos no gabinete e também para sócios da CBL. A primeira ação no âmbito dessa iniciativa foi o workshop Falar em Público, realizado no dia 8 de abril. Os participantes da formação aprenderam a identificar e ganhar competências na arte de bem comunicar para melhorar a qualidade dos seus discursos e a confiança para apresentação. Para atingir esses objetivos a formadora Débora Almeida, da Conceitos Empreendedorismo imigrante na Casa do Brasil de Lisboa A Casa do Brasil de Lisboa realiza, desde março, a formação gratuita Apoio à Criação de Negócios para nacionais de países terceiros à União Europeia. As aulas acontecem todas as quintas-feiras, das 17h às 20h, com o formador Miguel Lourenço. A ação é oferecida numa parceria com a Associação Cultural Moinho da Juventude (www.moinhodajuventude.pt) que desenvolve o Projeto Promoção do Empreendedorismo Imigrante (PEI) com o apoio do Fundo Europeu para a Integração de Nacionais de Países Terceiros (FEINPT). O curso tem duração de três meses com um total de dez sessões coletivas de três horas semanais e oito reuniões personalizadas (cerca de 30 minutos agendados com o formador) que são ajustadas às necessidades de cada um dos 15 alunos. A formação oferece facilitação de contatos junto aos programas de apoio e financiamento, acompanhamento e orientações técnicas para desenvolvimento da ideia de negócio e atividades e eventos sobre empreendedorismo. Propriedade Casa do Brasil Imigrantes participam de formação na Casa do Brasil O Projeto Promoção do Empreendedorismo Imigrante é uma iniciativa criada pelo Alto Comissariado para as Migrações (ACM), Ano I - Junho 2015 - desenvolvida desde 2009 em diferentes territórios para apoiar imigrantes na estruturação e implementação de uma ideia de negócio. WWW.CASADOBRASIL.INFO - Distribuição Gratuita 7

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O que vem de lá Um rabecar lusitano Por Lina Moscoso os frevos e outros”, contabiliza. Outros instrumentos despertaram seu interesse, mas a rabeca foi sempre a sua paixão. “Encantei-me por ela”, diz entusiasmada. Porém, toca um pouquinho de pandeiro e alfaia. O despertar O dedilhar das cordas começou quando teve contato com a violinista pernambucana Aglaia Costa. Dela, Teresinha comprou sua primeira rabeca e com ela conheceu as notas elementares. “Aprendi pouco porque não gosto muito de matemática e você sabe que música tem a questão dos cálculos. Sou lenta. Aprendi mais de ouvido. Assim eu ficava mais tranquila”. Confessa que sempre foi péssima para assimilar as divisões. “Dei um tempo para maturar porque eu queria colocar a rabeca nas minhas composições”, revela. Sobre o instrumento rústico, a história começou com a admiração pelo mestre Salustiano, rabequeiro tradicional do Recife. Tudo começou quando Teresinha fez um curso de dança intensivo com Pedrinho Salustiano, filho do grande mestre. Outra referência da rabeca foi o músico Antônio Carlos Nóbrega. Em seguida, Ana Teresa entrou na escola técnica de música. “Daí pude localizar melhor as canções de determinado gênero e tal”. Participou de um curso de construção de rabeca e toque do instrumento com Dinda Salustiano, filho de mestre Salustiano, na cidade de Tabajara. “Aquilo foi mesmo que estar no céu. Conhecer um instrumento e fazê-lo. Lá eu tive inspirações para produzir outras canções e as fiz”, completa. Esse foi o momento em que a rabeca entrou definitivamente na vida da musicista. “É maravilhoso para mim porque sei que é um instrumento tradicional que reflete pessoas da minha terra. Sou muito feliz e é muita responsabilidade. Por isso eu fico com receio quando as pessoas dizem: vamos tocar?”. As composições próprias dão a ela mais segurança. Algumas já foram gravadas. W WW. CASADOBRASIL .INFO Ana Teresa Barros trouxe para Lisboa a rabeca Um pedacinho do Recife em Lisboa. O som rústico, baixinho, fanhoso e tristonho que vem do instrumento de madeira típico do Nordeste do Brasil, a rabeca, dá o ar da graça em Portugal. Trazido por Ana Teresa Barros, 31, natural da capital pernambucana, para ecoar pelos recantos de Lisboa. A intenção da musicista, que está em terras lusitanas para estudar mestrado em etnomusicologia, é tocar para o povo ver e ouvir. É divulgar o seu trabalho autoral e levar suas origens e cultura regionalista aos sítios lisboetas. “Eu trouxe a rabeca porque já faz parte de mim. É uma companheira”, explica. Dona de uma coleção de rabecas, Teresinha como gosta de ser chamada – revela que se pudesse e coubesse na mala, teria trazido todas as suas “filhas”(as rabecas). A vontade é de mostrar arte e trabalho e, quem sabe, viver disso enquanto estuda. “É o que me representa”. Teresinha gosta da sonoridade da rabeca. O tom rústico e ao mesmo tempo melódico. Tudo a ver com as suas composições feitas com base em experimentações. Era assim: “eu pegava um celular e gravava na voz. A partir do ritmo que eu achava que fosse. Tinha um pandeiro em casa e, portanto, fazia os acompanhamentos”. Sons apreendidos de ouvido, antes de estudar a técnica musical. Conversas sincronizadas e bem-postas. Tons arcaicos e rudimentares. “Coisa que fica na memória que a gente vai pegando desde pequena”, justifica. A tradição da música regional vinda da herança recebida dos avós originários de Agrestina, interior de Pernambuco. Pelas novenas em devoção e homenagem aos dias de São Pedro organizadas pelo seu avô, Seu Pedro Luis da Silva, e pela imagem poética, doce e ao mesmo tempo forte de sua avó paterna, Dona Amarina Maria da Conceição, veio o gosto pela cultura popular. A vivência com os avós fundamentou seu apreço pelo ambiente sonoro pernambucano, nordestino, com seus festejos juninos, novenas e queima da fogueira em homenagem a Santo Antônio, São João e São Pedro. Sua primeira composição foi “Voinha”, em alusão a sua avó paterna, que a musicista acreditava ser um coco. “Aí vinham Ano I - Junho 20 15 8 Propriedade Ca sa do Brasil - Distribui ç ão Gratui ta

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O que vem de lá Caminhos da arte A arte está na vida de Ana Teresa desde sua infância. Dança, música, teatro. “Sempre foi o meu cantinho particular. Eu fico em paz quando estou fazendo algum tipo de arte. Seja ela qual for”. Formou-se em Comunicação Social. “Mas chegou um momento que não dava mais. Sempre fiz cursos paralelos de dança e de teatro. Em constante paixão pelo teatro. Além disso, a música estava ali em mim, guardadinha”, soletra com sotaque pernambucano carregado. Foi em 2011 e 2012, no Festival de Música da Ibiapaba, realizado na cidade de Viçosa, Ceará, que encontrou pessoas musicais, teve aulas e deparou-se com professores. No segundo ano já apresentou “Voinha”, um coco de roda. “Lá tive oportunidade de subir ao palco, apresentar uma canção minha. E aquele mar de gente. E foi maravilhoso. Todo mundo cantando Voinha”, detalha. Pensou: “Isso que eu quero fazer da minha vida. É isso que me dá paz. É isso que me dá alegria. Acho que a gente está na vida para isso”, filosofa. Daí surgiu o convite do poeta pernambucano Esperantivo para gravar três faixas do CD “Natureza revelada aos olhos de um cantador”. Participou da abertura do carnaval do Recife 2014, tocando alfaia no Maracatu Encanto da Alegria do mestre Toinho com mais 10 A rabequeira compõe músicas ligadas à cultura popular de Recife Maracatus-Nação, sob a batuta do músico Naná Vasconcelos. Nesse período Teresinha entrou na escola de técnica de música para estudar percussão. E ainda fez cursos paralelos de alfaia em Olinda. Entrou para um conservatório e estudou canto. Seu envolvimento com a dimensão artística da cultura popular de Pernambuco emergiu da vivência nos ciclos carnavalescos, juninos e natalinos. A partir do que adquiriu uma linguagem poética e musical dos cocos de roda, ciranda, cavalo-marinho, frevos de rua, frevos de bloco, caboclinhos, maracatus de baque virado, maracatus de baque solto, baião, bumbas-meu-boi e de brincadeiras como ciranda, cavalo-marinho, mazuca, que estão impressos em suas composições autorais. O contato com os instrumentos, a impostação da voz, o sentimento aflorado, a cultura popular escancarada. Teresinha traz consigo o regionalismo brasileiro do Nordeste. E traz para Lisboa, lugar de tradição de estudo da rabeca e irmão do Brasil. Sons que saem de cordas e arco e enchem a cidade de musicalidade. Fique por dentro: Rabeca é um instrumento de corda friccionada com arco, importado do Norte da África. A palavra tem influência árabe – rebab, rebec ou rabil. Em Portugal, até ao século XX, os cursos oficiais de conservatório (como é o caso do Conservatório Real de Lisboa) apelidavam-se de «rabeca», sendo substituída a palavra por «violino» no ano 1903. A designação tradicional de rabeca equivale, em Portugal, a violino. Rabecão designa o violoncelo e rabeca chuleira são as chulas das festadas do Norte do Douro. A rabeca é um instrumento de cordas e arco Propriedade Casa do Brasil - Distribuição Gratuita Ano I - Junho 2015 WWW.CASADOBRASIL.INFO 9

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Passeio pela gastronomia Gostinho mineiro: tropeiro, angu e canjiquinha de lá para cá Já a carne de porco começou a ser usada no Brasil porque é um animal mais fácil de se criar, de acordo com o empresário. Vários pratos são feitos com ele. Os mais famosos são o tutu com lombo de porco, a costelinha de porco, o leitão à pururuca, a vaca atolada, o feijão tropeiro com torresmo, a canjiquinha com carne (de boi ou porco), linguiça e couve. Essa última também é base da gastronomia do Estado. Ao contrário do que se pensa, o feijão é do Brasil. “Alguns tipos já estavam lá quando chegou Pedro Álvares Cabral. E há outros que foram daqui para lá”, diz António Gomes. O milho também faz o alicerce de muitas receitas mineiras. Vai desde a maçaroca (grão) até a farinha mais fina. A canjiquinha, por exemplo, é um prato feito com milho trincado. No entanto, os portugueses não têm costume de comer milho e sim trigo, já que é um povo mediterrâneo. Portanto, a canjiquinha é feita normalmente como sopa em Lisboa. Feijão preto, entrecosto e couve refogada Comidinha de fazenda, caseira e cheia de brasilidade em terras do além-mar. A gastronomia mineira já conquistou de vez o paladar dos portugueses. Hoje existe comida típica de Minas Gerais em Lisboa. Nada mais justo, já que a maior comunidade brasileira na cidade é de mineiros. Os pratos têm por base o feijão, mandioca, legumes, carne de porco e milho. Ingredientes encontrados com fartura no meio rural. O angu – preparado com fubá (farinha de milho) – e o feijão tropeiro com torresmo são as vedetes da culinária mineira. Tutu de feijão, canjiquinha (milho com costelinha de porco), pão de queijo (feito com povilhofécula de mandioca), leitão à pururuca, vaca atolada (com costela bovina e mandioca), linguiça, arroz de pequi e couve à mineira estão no rol das iguarias. gente que chegou ao local para trabalhar com o ouro. “Transportavam-se em mulas todo tipo de mercadoria da costa para o interior do Estado, inclusive comida. Tudo o que havia em Londres e Paris, naquela época, existia também em Vila Rica de Ouro Preto”, informa. Assim, portugueses, negros e índios passaram a compartilhar hábitos e ingredientes. A mistura deles deu origem a uma cultura gastronômica singular pautada no regionalismo. É possível analisar a comida de Minas Gerais ao longo do tempo, conforme Gomes. Já no século XVIII se fazia o tropeiro e o tutu. Esse último era uma forma de amassar o resto do tropeiro. “Hoje se faz o puré de feijão com farinha de mandioca”. Iguarias O pão de queijo é uma iguaria muito apreciada em Portugal e no Brasil. Feito de povilho, especula-se que a receita exista desde o século XVIII, mas se tornou popular no Brasil a partir de 1950. Em Lisboa, quase todos os cafés e pastelarias oferecem o pão de queijo aos seus clientes. Os doces também são referência da gastronomia de lá. Curau de milho, abacaxi com coco, manjar branco, abóbora com coco, doce de leite, goiabada cascão e paçoca não podem faltar no cardápio de um bom mineiro. Para falar em bebidas, a cachaça é tradição no Estado e também muito apreciada em Portugal. É de grande importância cultural, social e econômica para o Brasil, e está relacionada diretamente ao início da colonização portuguesa do país e à atividade açucareira. Minas Gerais é o estado brasileiro mais ligado a Portugal. Falar da gastronomia mineira é ligar as histórias dos dois países. É aproximar o paladar e as culturas e trocar sabores entre cidades com gastronomias tão ricas: Lisboa e Belo Horizonte. WWW.CASADOBRASIL.INFO Comida seca O angu é tradicional do Estado, mas sem sal. Esse tempero era muito caro e só havia na costa, longe de Minas. “Então usava-se comida seca para aguentar o transporte. Feijão – leguminosa seca, fácil de transportar -, farinha de mandioca, toucinho ou carne seca”, cita. Essa comida que serviu de base para todos os pratos de Minas Gerais, como revela António. “Quando acabou o ouro as pessoas começaram a ter casa fixa, animais, horta, e daí apareceram os pratos com molho. Frango com quiabo”, conta. Outras receitas foram surgindo a partir do século XIX, como o torresmo, a mandioca frita, a costelinha, o arroz de alho, a carne de panela e a vaca atolada. Ano I - Junho 2015 História A gastronomia mineira tem muita história. Toda ela com base no ouro. As influências são da comida portuguesa, africana e brasileira. O Brasil começou em Salvador, Bahia, mais engrandeceu em Minas Gerais, como destaca o proprietário do restaurante Uai!, localizado em Lisboa, e especialista em comida brasileira, António Gomes. “Feijão tropeiro é o prato mais antigo do Brasil, do século XVIII”. Segundo o especialista, a narrativa da comida se confunde com a da época da mineração. Neste período, a escassez de alimentos era imensa para nutrir tanta 10 Propriedade Casa do Brasil - Distribuição Gratuita

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Passeio pela gastronomia Uai! traz comida genuína de Minas Com quase 15 anos de existência, o restaurante Uai!, hoje situado em Telheiras, começou na biblioteca da universidade de Viçosa, em Minas Gerais, quando o proprietário António Gomes, que é português, lá esteve para estudar a comida mineira. A vontade surgiu por saber do desconhecimento do lusitano e do europeu sobre esse tipo de culinária. Optou por um sistema de buffet para divulgar melhor a comida mineira, explicar aos clientes cada ingrediente e contar a história dos pratos. No menu do restaurante está presente a gastronomia clássica de Minas Gerais. Tutu, feijão tropeiro, costelinha, angu, vaca atolada e outros. Porém, há determinados ingredientes que é preciso adaptar porque não entram na Europa, como os enchidos, como destaca Gomes. É o caso da linguiça. O Uai! tenta aproximar da versão mineira. E algumas opções são adaptadas ao paladar português. “Peço para fazer um angu mais mole. A canjiquinha, que em Minas é um prato de milho partido mais costelinha, eu uso como sopa aqui. Que é mais fácil de as pessoas gostarem. Feijão preto, que não é tradicional de lá, mas uso porque se não os portugueses dizem que o restaurante não é de comida brasileira”, descreve. A couve é portuguesa. Não há couve mineira. Foi daqui para lá. O prato é que é chamado “couve à mineira”. Os gaúchos foram os primeiros a chegar aqui. “Eles olham para a couve e dizem que é mineira e aí o português foi na onda”. Ela é feita cortada fininha, salteada com azeite e alho no Uai!. O tempero do restaurante, conforme lembra António, é simples, exatamente como o mineiro, mas é um conjunto de ingredientes. Sal, salsa, cebolinha, alho, pimentão verde e cebola são a base. A gordura utilizada é o azeite. Cachaças mineiras do restaurante Uai! Feijão Tropeiro Ingredientes: - 1 kg de feijão. - 500 g de linguiça tipo calabresa defumada, da fina. - 500 g de linguiça comum de porco. - 150 g de bacon. - 3 xícaras de farinha de mandioca crua, não da torrada. - 1 cabeça grande de alho socado com 1 colher de sopa de sal. - 150 g de bife de pernil picado em forma de isca (tirinhas). - 1 dúzia de ovos (se for caipira melhor). - 2 cabeças médias de cebola da roxa. - 1 pimenta pequena malagueta. - 10 folhas de couve. - Cebolinha e salsinha a gosto. - 1/2 copo de azeite virgem de oliva. - 1/2 copo de óleo de soja livre de colesterol. - 1/2 litro mais ou menos de caldo do feijão cozido. O Feijão Tropeiro é um dos pratos típicos da gastronomia de Minas Gerais Modo de preparo: Limpe e coloque o feijão em 1,5 litros de água quente e deixe de molho por 30 minutos. Enquanto isso, pique as linguiças, tentando esfarelar ao máximo, ou seja coloque-as em uma tábua de carne e comece rachando-as ao meio. Depois picando o bacon ao contrário na horizontal, como o bife, em forma de iscas. Coloque as tirinhas lado a lado e pique ao contrário na horizontal. Pique as cebolas e depois o torresmo pré-frito bem pequeno. Pique a couve bem fininha na horizontal, depois na vertical e reserve elas junto com as cebolas. Cozinhe 1/2 dúzia de ovos e reserve-os em água fria para facilitar descascar. Cozinhe o feijão por 40 minutos, escorra e reserve o caldo. Coloque todas as carnes com o 1/2 copo de óleo e frite até torrar. Escorra o excesso de gordura e coloque o azeite e o alho com a cebola, a pimenta malagueta amassada, uma pitada de pimenta-do-reino e o colorau. Deixe fritar até a cebola refogar, coloque o feijão e mexa. Se precisar coloque mais óleo até o feijão ficar bem solto. Coloque então a couve e a salsinha e a cebolinha. Mexa bem, coloque primeiro a farinha de milho. Vá mexendo e colocando o caldo do feijão, coloque então a farinha de mandioca. Em seguida, os ovos cozidos picados, frite os torresminhos em óleo bem quente até pipocar, e coloque por último, experimente. Se precisar, coloque mais 1/2 colher de sopa de sal, se preferir o tropeiro mais molhadinho. Coloque mais caldo de feijão, sirva com ovo frito caipira com a gema mole. Propriedade Casa do Brasil - Distribuição Gratuita Ano I - Junho 2015 WWW.CASADOBRASIL.INFO 11

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Dicas de viagem Alentejo na primavera: Monsaraz, uma vila que encanta Por Martha Lins Tavares. Fotografias Martha Lins Tavares É nesta tranquilidade do Alentejo que descobrimos Monsaraz. É uma pequena vila, do distrito de Évora, envolta por muralhas medievais; ergue-se no alto, com uma vista privilegiada sobre a paisagem alentejana e a albufeira do Alqueva. Com as suas ruas estreitas cobertas de xisto repleta de recantos em contraste com as paredes das casas caiadas de branco. A povoação já existia no período da ocupação muçulmana, sua história remonta a pré-história, aos visigodos e Mulçumanos, um lugar com numerosos monumentos de valor histórico, artístico e cultural. Além de um património histórico bastante rico e de uma paisagem exímia, essa região é detentora de uma forte identidade marcada pelos usos e costumes tradicionais, que se refletem na gastronomia, nos vinhos e no artesanato. Do alto da vila, próximo ao Convento da Orada, avistamos o Cromeleque de Xarez, que são monumentos da pré-história, associados ao culto dos astros e da natureza, considerados um local de rituais religiosos e de encontro tribal. Pensa-se que a sua datação seja de cerca de 4.000 a. C. a 3.000 a. C. Representa um dos mais interessantes exemplares do megalitismo em território português. Passear pelas ruas estreitas da Vila e conhecer um pouco da sua história, visitar o castelo, a Igreja Matriz, o museu do Fresco, caminhar e se encantar com esta pequena vila cheia de memória e beleza. Saindo da vila e fazer um passeio de barco pelo Alqueva, contemplando a beleza de tudo que nos rodeia, deixamos de ver e começamos a olhar e nos sentimos mais próximos da natureza. Deixe-se apaixonar pela planície alentejana e descubra o encanto da vila de Monsaraz e da sua região. Vale a pena a visita e na primavera a natureza é simplesmente maravilhosa. As cores encantam o nosso olhar e descansa a nossa alma! Tapeçaria tradicional do Alentejo Nesta época do ano, devemos tirar uns dias sair da cidade e apreciar a beleza da paisagem alentejana. O Alentejo na primavera é uma completa paleta de cores, os campos vestem-se de roxo, branco, amarelo e vermelho, que deslumbram o nosso olhar. Sentimos o cheiro da hortelã, vimos o poejo, o rosmaninho e o alecrim a brotarem e que se misturam com os tapetes de camomilas silvestres e as alfazemas por entre os campos verdejantes. Uma das portas de entrada de Monsaraz Como chegar : A partir de Lisboa, aproximadamente 171 km – seguir pela A2 Sul direção Évora; em Évora seguir a N114, depois a N256 para Reguengos de Monsaraz, e seguir as indicações para Monsaraz. Onde Comer: São vários os restaurantes na vila e na proximidade como Sabores de Monsaraz, Sem fim, o Centro Náutico de Monsaraz com vista para o Alqueva ou ainda a Marina da Amieira. Onde ficar: São diversos os alojamentos tanto dentro da vila como fora em turismo rural; como por exemplo casa de Monsaraz, Horta da Cotada, Estalagem de Monsaraz, Casa de Saramago entre outros. Mais Informações: http://www.roteirodoalqueva.com/aldeiasribeirinhas/monsaraz/turismo-rural-monsaraz O colorido dos campos alentejanos que encanta a alma na primavera 12 Propriedade Ca sa do Brasil - Distribui ç ão Gratui ta - Ano I - Junho 20 15 - W WW. CASADOBRASIL .INFO

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Cultura Sebastião Salgado regressa a Lisboa Por Lívia Barreira "Além de trazer aos olhos do público a beleza de povos isolados e paisagens grandiosas, Génesis representa uma convocatória para a batalha. O fato é que não podemos continuar a poluir o nosso solo, a nossa água e o ar. Precisamos agir de imediato para preservar terras e águas ainda intocadas, e para proteger o ambiente-santuário de animais e povos ancestrais", afirma Salgado. A imersão no projeto foi realmente marcante para ele. "É difícil dizer qual lugar mais me tocou. Foram oito anos da minha vida tendo experiências incríveis. Andei por 850 quilômetros no norte da Etiópia e tive contato com tribos que nunca viram um homem branco, mas têm uma agricultura fantástica", comenta o fotógrafo. A exposição Génesis do fotógrafo brasileiro reúne 245 imagens do planeta "Uma jornada em busca do planeta como ele existiu, desde a sua formação e na sua evolução, antes que a vida moderna se acelerasse e nos afastasse do núcleo essencial". Assim descreve-se Génesis, o último grande projeto do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado. Dividida em cinco núcleos temáticos (Sul do Planeta, África, Amazônia e Pantanal, Santuários, Terras a Norte), a exposição reúne 245 imagens em preto e branco, característica marcante do artista. A curadoria é de sua esposa, Lélia Wanick Salgado. A mostra pode ser conferida até o dia 2 de agosto na Cordoaria Nacional, em Lisboa. Quem visita a exposição tem a oportunidade de saber mais sobre culturas diversas, paisagens intocadas do planeta, espécies raras de animais, hábitos e culturas de povos distintos. Durante oito anos, Salgado andou pelo mundo captando imagens. Um total de 32 viagens a remotos cantos do planeta, como Alasca, Patagônia, Etiópia, Amazônia (no Brasil e na Venezuela), dentre outros. Ele partiu da premissa de que 46% do planeta ainda permanece intocado, como nos primórdios. E tocou um projeto um tanto ambicioso. Por ano, mais de 1 milhão Propriedade Casa do Brasil de euros foram investidos. Para chegar às tribos isoladas e paisagens selvagens, o fotógrafo e sua equipe usaram de vários meios de transportes: carros, barcos, canoas e até helicópteros e aviões. Génesis, da raiz grega "origem", o primeiro livro da Escritura, aquele em que se narra a criação do mundo. Considerado um tributo a um planeta ameaçado, as imagens já foram conferidas por cerca de 2 milhões de pessoas em diversos países. A intenção da exposição é provocar um debate sobre o que precisa ser preservado, mas ao invés de reproduzir imagens dos efeitos climáticos que assolam a Terra, o artista optou por confrontar o público com o que ainda existe de bonito, puro e intocado. A mostra traz as espécies de animais Sobre fotografar, Salgado explica ser preciso o tempo certo. "Tem um tempo de esperar que as coisas aconteçam e tem um tempo de receber a fotografia. Na realidade, não é você sozinho que faz a fotografia, as pessoas, os animais, as paisagens, elas te dão a fotografia, você recebe". Exposição Génesis Onde: Galeria Municipal Torreão Nascente – Cordoaria Nacional – Lisboa Quando: Até 2 de agosto (Domingo a Quinta-feira, das 10h às 19h Sexta-feira e Sábado, das 10h às 21h) Informações: 213 646 128 | www.expogenesis.pt A exposição fica em cartaz até Agosto - Distribuição Gratuita - Ano I - Junho 2015 - WWW.CASADOBRASIL.INFO 13

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Paixão por Portugal Portugal, uma paixão de Ayrton Senna Por Lucas Lagatta O idolo brasileiro além de cativar o público verde amarelo também angariou fãs pelo planeta inteiro e como não poderia deixar de ser, aqui em Portugal. Porém, a história de Aryton Senna e as terras lusitanas têm alguns capítulos especiais que vão desde conquistas, momentos de alegrias e curiosidades. A mais marcante passagem foi certamente no autódromo do Estoril, no dia 21de abril de 1985, onde conseguiu a primeira de suas 41 vitórias na Fórmula 1. Debaixo de muita chuva, Senna deu um show pilotando o carro da Lotus. Ele estava tão rápido que só não conseguiu dar uma volta de diferença no segundo colocado. Com a pista molhada, o então jovem piloto exibiu toda a sua habilidade e não tomou conhecimento, por exemplo, de grandes nomes e campeões mundiais como Alan Prost, Nick Lauda e Nelson Piquet, e venceu a prova do início ao fim. Assim como em outras 65 vezes, no GP de Portugal de 1985 Senna largou na pole position, fato que se repetiu nas temporadas de 1986 e 1989. Apesar de ter tido apenas uma vitória no Estoril, que o apresentou para o mundo como o detentor de um talento raro, ele deixou um bom retrospecto por aqui: fez a mehor volta da corrida em 1985 e 1992; conquistou dois segundos lugares, em 1990 e 1991; e dois terceiros, em 1984 e 1992. Contudo, não era só nas pistas que Senna e Portugal se entendiam bem. O brasileiro gostava tanto do clima, culinária e do povo lusitano que no início da década de 1990 comprou uma linda casa no Algarve para ser sua residência fixa na Europa, pois não gostava de viver em Londres por conta do frio e do tempo encoberto que geralmente se instala por Foi no autódromo do Estoril que o piloto conseguiu a sua primeira vitória na Fórmula 1 Senna em sua casa no Algarve 4 1 8 dias na capital britânica. Por isso, foi atrás do sol e do calor da região que possui praias lindíssimas e temperaturas que lembram, de certa maneira, a do sudeste brasileiro. A propriedade de 10 mil metros quadrados, que fica dentro de um condomínio de alto padrão na praia de Quinta do Lago, foi comprada em 1991 e possui uma grande área de lazer com piscina aquecida, quadra de tênis e futebol, já a construção de 900 metros quadrados tem seis quartos e sete banheiros. Senna viveu na casa durante dois anos e foi lá a sua última residência antes do fatídico acidente em Ímola, que o tirou a vida, no dia primeiro de maio de 1994. A então namorada Adriane Galisteu também chegou a morar com ele na casa e estava na propriedade no dia da morte do piloto, pois o esperava chegar após o fim de semana em San Marino. Segundo amigos e ex-funcionários que trabalhavam para ele no Algarve, o brasileiro se sentia à vontade ali, por não ter que conviver com o constante assédio dos fãs e por poder desfrutar de bons momentos, inclusive, com sua cadela Kinda, que fez questão de trazer do Brasil para não se sentir tão sozinho entre uma corrida e outra. Em outras palavras, a casa portuguesa era um refúgio para Ayrton e como homenagem a ele, a administração do condomínio deu o nome de Ayrton Senna a uma das principais avenidas do conjunto residenAno I - Maio 2015 - cial. Porém, atualmente, a mansão está a venda por 9,5 milhões de euros. Mas outras situações vividas em Portugal aproximaram ainda mais o piloto e o país europeu. Em uma delas, Senna estava hospedado na casa de um amigo em Sintra, quando um fato engraçado aconteceu. Em uma das noites, saiu para passear de carro com uma amiga portuguesa. Entretanto, já voltando para casa, de madrugada, passou em um longo trecho de areia e o carro encalhou. Não havia ninguém para ajudá-lo, mas ele não se apertou e buscou ajuda em uma casa a poucos metros de distância. O morador, acordado no meio da madrugada, mudou de humor quando reconheceu o ilustre visitante que batia à sua porta. Depois de muito esforço para tirar o carro da areia, seu novo amigo ganhou como recompensa um botom do inesquecível capacete amarelo com faixas azul e verde, a única coisa que Ayrton Senna carregava no bolso naquele momento. Além da recordação, é claro. Por estes e outros episódios que chegam a ser retratados no site oficial do piloto que é mantido pelo instituto Ayrton Senna, ele é lembrado até hoje por aqui. A sua história e passagens em Portugal parecem ainda estar bem vivas na memória daqueles que tiveram o prazer de conhecê-lo aqui na terrinha. Existem até páginas em redes sociais na internet que reúnem admiradores portugueses do maior piloto de Fórmula 1 de todos os tempos. WWW.CASADOBRASIL.INFO Propriedade Casa do Brasil - Distribuição Gratuita

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Dica cultural CASA DO BRASIL a de L is bo Propriedade Casa do Brasil - Distribuição Gratuita - Ano I - Junho 2015 - WWW.CASADOBRASIL.INFO 15

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