J.K. Rowling - A biografia da escritora inglesa que revolucionou a literatura infantil

 

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Em 75 páginas, o e-book conta, em detalhes, a infância, adolescência e vida adulta de Joanne Rowling, a famosa autora da série Harry Potter.

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J.K. Rowling A biografia da escritora inglesa que revolucionou a literatura infantil. Hiago Freitas

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J.K. Rowling – A biografia da escritora inglesa que revolucionou a literatura infantil Escrito por: Hiago Freitas. Capa por: Elizabete Floriani. Para contato: hiago_opd@hotmail.com.

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AVISO LEGAL ‘’J.K. Rowling - A biografia da escritora inglesa que revolucionou a literatura infantil’’ é um e-book de caráter não comercial, de maneira alguma aprovado por Joanne Rowling ou seus editores. Personagens de Harry Potter são marcas registradas da © Warner Bros. Entertainment. As informações aqui divulgadas não são exclusivas, mas sim divulgadas em entrevistas, testemunhos ou outros meios. O autor responsabiliza-se por qualquer informação de caráter duvidoso.

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Família e infância Joanne Rowling nasceu em Chipping Sodbury, perto de Bristol, na Inglaterra. Jo – como gosta de ser chamada – é filha de Peter James Rowling (funcionário de uma fábrica da Rolls Royce) e Anne Volant Rowling (técnica em laboratórios). Louis Volant é bisavô por parte de mãe de Jo. Casou-se com a inglesa Lizzie Smith – contudo, o relacionamento dos dois não deu certo. Louis participou da Primeira Guerra Mundial a chamado do exército francês. Recebeu, por sua bravura ao defender as trincheiras francesas dos alemães, a medalha Croix de Guerre. Teve quatro filhos com Lizzie: Marcel Volant, Ivy Volant, Gladys e Stanley Volant. Stanley teve duas filhas: Anne (mãe de Jo) e Marian Fox. Louis, francês como a mãe, Salomé Schuch, nasceu em 31 de julho de 1877, no 10º distrito de Paris. Por volta de 1890, Louis foi à Inglaterra trabalhar como garçom. No trabalho, conheceu Lizzie, enfermeira de uma família do Marble Arch. Costumava escrever muitas cartas para sua namorada, pois, como trabalhava para o Serviço Nacional, nem sempre podia ficar na Inglaterra. Numa delas, em 1896, citou: ‘’Agora, querida, só tenha um pouco mais de paciência. Talvez esta seja a última carta que escrevo a ti, então, todo o meu amor e beijos à minha querida Lizzie. Do seu eterno Louis. P.S.: Escrevo em breve, Liz, o tempo vai voar agora. Ta-ta, meu amor. ’’ Louis trabalhou no Savoy durante os anos de 1919 e 1927, depois da Guerra. Foi chefe dos vinhos e recebeu, por isso, o prêmio francês Chevalier Du Merite Agricole, em 1922. Antes disso, em 1899, trabalhou como garçom júnior no elegante restaurante Princes, administrado por franceses e localizado depois do ‘’Piccadilly’’. Quando se casou, tinha vinte e dois anos e Lizzie, vinte e cinco. Por volta de 1911, os dois já estavam separados, fato pelo qual não se sabe o motivo. Louis Volant, aposentado, morreu em 17 de setembro de 1949 (aos setenta e dois anos), na cidade francesa Maisons-Laffitte, sem ter contato com Lizzie e seus filhos. No início da década de 60, Anne, neta de Louis, numa viagem de trem da estação King’s Cross - em Londres - até a Escócia, conheceu Peter John Rowling. As nove horas que trajetos como aquele costumavam durar naquela época foram suficientes para os dois jovens conhecerem-se e relacionarem-se. Ambos serviam à marinha. Em 14 de março de 1965, os

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pais de Jo casam-se na igreja All Saints Parish Church. Anne já estava, quando se casou, no quinto mês de gravidez. A gravidez de Joanne fez com que seus pais abandonassem a marinha e Peter começasse a trabalhar na fábrica da Rolls Royce. Em 28 de junho de 1967, nasceu Dianne Rowling, irmã de Jo. Para passar o tempo, Joanne contava histórias para a irmã dois anos mais nova. Jo cultivou o hábito da leitura ainda pequena. Deixava em sua cabeceira o livro ‘’O Cavalinho Branco’’, da autora Elizabeth Goudge e lembra-se de que o primeiro livro que leu foi ‘’ The Wind in the Wiiows’’ (O Vento nos salgueiros), contado por seu pai quando ele fora pego pelo sarampo. Havia muitas crianças na rua em que Jo morava; entre elas, Ian e Vikki Potter, que moravam há apenas quatro casas da família Rowling. O sobrenome acabou inspirando sua história, mas Jo desmentiu – na biografia do seu antigo site – a famosa informação de que ela brincava com os Potter de bruxo, vestindo-se como tal. A única lembrança notável de Joanne é que Ian, certa vez, jogou uma pedra em Di. Jo não hesitou e jogou uma espada de plástico no agressor (manifestou-se dizendo que somente ela podia atirar coisas em Di). Em 1971, Jo escreve, muito influenciada por uma história de Richard Scarry, seu primeiro livro. Era a história de um coelho chamado Rabbit (Coelho), que pega sarampo e é visitado pela Miss Bee (Senhorita Abelha). Ainda nessa época, Joanne matriculou-se em sua primeira escola. St. Michael's Curch of England, perto de sua casa, localizava-se na Rua Nicholls Lane, nos arredores de Bristol. Sua mãe e sua irmã eram quem tinha mais paciência para ler os escritos de Jo - Anne, além disso, também tinha orgulho da filha, que era tão prendida à leitura e à escrita, coisa de dar inveja a qualquer pai nos dias da década de 70 e (por que não?) nos de hoje. Jo claramente preferia seus avós paternos, Kathleen Ada Bulgen Rowling e Ernest Arthur Rowling, proprietários de uma mercearia na qual as netas brincavam, aos avós maternos, Stanley George Volant e Freda Volant. Kathleen morreu quando Joanne tinha nove anos de idade. Em 1974, Rowling e a família mudaram-se para Tutshill. Eles se estabeleceram numa casa nomeada Church Cottage e Jo estudou na Escola Tutshill. A nova moradia tinha um chão de laje e um poço coberto. Curiosamente, a cidade fica nos arredores da Floresta do Dean, local que é a origem do escritor Dennis Potter. Da casa, era possível contemplar

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uma vista maravilhosa, a mais deslumbrante do rio Wye, do alto de um penhasco íngreme. O rio Wye corria pelas ruínas de Lancourt Church. Lá, Jo e suas colegas faziam piqueniques nas tardes quentes e ensolaradas de verão, observando os corvos e gaviões que voavam em círculos pelo céu. Na Escola Tutshill, lecionava a professora Sylvia Morgan, rígida e pouco agradável. Já nessa época, a inteligência de Joanne começou a destacar-se. Já dito por ela em entrevista, a beleza da Dianne, sua irmã mais nova, levou seus pais a quererem que ela fosse ‘’a filha inteligente’’. Depois de completar onze anos, foi à Escola Wyedean, que ficava nos arredores de Sedbury. Deixando a pouco querida Sylvia para trás, a nova escola trazia consigo o químico John Nettleship, que inspirou Jo no personagem Severo Snape, fundamentalmente importante na série desenvolvida anos mais tarde. Como Anne – a mãe de Dianne e Joanne – lidava com laboratórios, começou a trabalhar na escola na área química, subordinada a John. Em Wyedean, a escrita de Joanne parecia cada vez ganhar mais força. Professores de inglês e até os próprios colegas impressionavam-se com seus textos. Foi também nesta mesma escola que Jo conheceu sua professora preferida: Lucy Shepherd, uma mulher de pouco mais de vinte anos que tinha forte entusiasmo por mulheres que desenvolviam seu potencial. Lucy era atenciosa e fazia de suas aulas um estudo sério, nas quais os alunos trabalhavam sem medo de mostrarem-lhe seus textos. Sem dúvidas, a professora teve uma influência enorme sobre Jo. O período em Wyedean não foi apenas marcante e decisivo em fatores positivos: foi essa época a em que Anne Rowling foi diagnosticada com esclerose múltipla. Outro fator marcante foi Joanne ter conhecido Sean Harris, a inspiração para Rony Weasley. Sean foi o primeiro amigo de Jo a possuir um carro – na época, um Ford Anglia.

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Vida adulta: Harry Potter Após se formar, em 1983, entrou na Universidade de Exeter para estudar Francês e Línguas Clássicas por influência de seus pais - pois desejava, na verdade, estudar inglês. Deixou seu visual mais chamativo e renunciou o ‘’inteligente’’, tornando-se popular entre o sexo masculino. No ano de 1985, Jo decide ir a Paris, na França, durante seus estudos, para dar aulas de inglês. Após quatro anos de estudo, formou-se. Para se sustentar, Jo trabalhou temporariamente como secretária bilíngue e na Anistia Internacional (neste último, no departamento Franco-africano). Ainda nessa época escreveu um romance que jamais foi publicado, escrito em blocos de notas e em bares, ato que continuaria mais adiante. O namorado de Rowling mudou-se, após a conclusão do curso que fazia também em Exeter, para Manchester, o que levou a escritora a procurar um apartamento naquela região. Segundo ela, essa foi uma escolha errada – mas, se pudesse, não voltaria atrás. Fracassando na tentativa de achar uma casa em Manchester, Joanne regressou até a capital inglesa em junho de 1990. O trem que a levava teve problemas e parou. Durante esse tempo, surgiu em sua mente a série Harry Potter, cujos protagonistas apareceram simplesmente prontos, segundo ela. Nenhuma outra ideia havia deixado Joanne tão animada como essa. Com o passar do tempo, os personagens da série Harry Potter desenvolviam-se em caixas de sapatos. No final do ano, em 30 de dezembro, Anne Volant faleceu devido à esclerose múltipla, contra qual já vinha lutando. Sobre isso, Jo comentou que ‘’foi um momento terrível’’, pois nem ela e nem sua irmã e seu pai esperavam que isso acontecesse, já que Anne tinha apenas quarenta e cinco anos de idade. Rowling já disse que seu maior arrependimento foi não ter segurado sua mãe no telefone pela última vez em que se falaram. Então ela foi até a cidade em que vivera com seus pais pela última vez e partiu para, sozinha, seguir sua vida. Voltando a Manchester, enfrentou ainda mais dificuldades. Descobrira que seu apartamento havia sido furtado; além disso, teve brigas com seu namorado até resolver morar no Bournville Hotels, localizado na periferia de Manchester. Continuando a escrita de Harry Potter, surgiu, no quarto desse hotel, o Quadribol, esporte preferido dos bruxos aos quais dedicava sua escrita.

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Sua jornada em Manchester, já não parecendo mais fazer sentido, terminou em 1991, quando Jo foi a Portugal, persuadida por um anúncio que procurava uma professora de inglês; já contratada pela escola de línguas Encounter English (a do anúncio), foi à Cidade do Porto, onde ficou em um apartamento dividido com duas outras professoras (a inglesa Jill Preweet e a irlandesa Aine Kiely). Jo estabeleceu amizade com as duas companheiras. Jovens e sem compromisso algum, começaram a frequentar bares e discotecas na noite portuense. Swing era uma das discotecas preferidas das três - porém, se quisessem mudar os ares, rumavam ao bar Meia Cave. Ambos os lugares não existem mais. Numa noite de 1991, Joanne vai ao bar Meia Cave. Entretanto, não seria uma noite comum. A luz tênue fez com que não fosse percebida sua entrada, mesmo que fosse comuns britânicos frequentarem aquele lugar. Um português começou a olhar Jo de forma fixa. Os dois entregaram-se à paixão naquele mesmo instante. Jorge Arantes – seu mais novo romance até então – convida Jo para morar na casa de sua mãe e ela não recusa o convite. Em meio a tudo isso, ela fica grávida, mas perde o bebê por aborto espontâneo logo depois. Em 28 de agosto de 1992, Jorge pede Jo em casamento, motivado pelo incidente acontecido anteriormente. Esta aceita e os dois casaram-se dois meses depois numa cerimônia discreta, à qual poucos puderam assistir: a mãe do noivo, Dianne, a irmã mais nova de Joanne e o seu namorado, o escocês Roger Moore, que serve de testemunha. Com um traje preto, cabelo preso, colar de pérolas e pingentes em pérolas, Jo segurava um ramo de cravos vermelhos à companhia de seu noivo. Casada e com uma nova vida, Jo continua em seu trabalho de professora e, também, na escrita de Harry Potter. Rowling reconhece que, nessa época, em Portugal, escreveu um dos seus capítulos preferidos. Trata-se de ‘’O Espelho de Ojesed’’. Compartilhando uma vida muito unida, Jorge acompanha a escrita de Jo, mesmo que ela procurasse escrever mais em bares e cafés da cidade. Entre alguns dos pontos de que se sabe, Joanne escrevia no Majestic Café, na Rua de Santa Catarina, no Café Estrela d'Ouro, na Rua da Fábrica, ou mesmo nos jardins do Palácio de Cristal. Em 27 de julho de 1993, apenas quatro dias antes do aniversário da mãe, nasceu a primeira filha de Jo: Jessica Isabel Arantes Rowling. Com o tempo, a relação entre Joanne e Jorge ficava cada vez mais conflituosa. Brigas aconteciam em qualquer lugar: na rua; à frente do seu trabalho; durante a madrugada, na casa em que moravam. Em 17 de novembro de 1993, deu-se a ruptura final. Por volta das cinco horas da

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manhã, em meio a uma forte discussão, Jorge expulsou sua esposa de casa. Apenas com a roupa do corpo, Joanne vê-se perdida; uma legítima estrangeira. Além de tudo, a ausência de sua filha, Jessica, era a dor mais insuportável. Recorre, então, a suas amigas de trabalho, Aine e Jill, e Maria Inês, diretora do Encounter English. Esta última ajudou Jo a recuperar sua filha. Jorge negou à justiça - e a todos - que havia agredido Joanne durante aquela noite, porém admitiu ter empurrado-a com força. Duas semanas depois, Jo regressou ao Reino Unido. Seu pai, Peter, casara-se pela segunda vez. Em seguida, foi a Edimburgo, na Escócia, morando na casa de sua irmã. A depressão tomava conta da Joanne. Dependendo de terceiros para viver – estado que a humilhava -, foi morar num prédio no bairro de Leith, ainda na capital da Escócia, pois não queria ser um peso para a irmã, que já tinha construído sua família. Com sessenta e nove libras por semana – enviadas pelo governo depois de Jo ter preenchido várias papeladas sobre seu estado de pobreza –, Jo não conseguia manter, com dignidade, a filha e a si. Muitos camundongos perambulavam por seu apartamento; era quase impossível viver ali com um bebê. Deixando o orgulho de lado, recorreu a Sean Harris, seu amigo de escola. Ele lhe emprestou o equivalente a seiscentos reais, dinheiro que serviu para alugar outro apartamento. Mesmo assim, as dificuldades não desapareceram da vida de Jo. As imobiliárias não queriam atender a clientes que recebiam ajuda do governo e, assim, Jo teve de mudar-se novamente, desta vez para o número 7 de South Lane Place, ainda em Leith. Vivendo num estado nada agradável, a vida para Joanne ainda estava longe de ser fácil. Nessa mesma época, recebeu uma notícia nada boa: Jorge, com quem brigara intensamente no ano anterior, estava na Escócia. Ele caíra nas drogas depois daquela madrugada tempestuosa. Em março, Jo entrou com um processo para o português não poder, de nenhuma forma, violentá-la. Não tendo outra opção, seu ex-marido regressou à Cidade do Porto. A depressão profunda vivida por Jo inspirou os Dementadores, personagens criados por ela e que apareceriam em seu terceiro livro. Um dia, foi à casa de uma amiga e voltou profundamente triste, vendo que seu filho possuía muitos brinquedos e que os de Jessica caberiam numa caixa de sapatos. Os dias ruins passavam e Jessica crescia numa estrutura de padrão baixo para um país como a Escócia. Jo, mesmo tendo consigo tantos problemas, não deixava de lado a escrita de Harry Potter, que era, além de tudo, uma atividade para ela, mesmo que cumprida num ritmo menos frenético que anteriormente.

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Azar no amor, sorte no destino O ano posterior ao nascimento de Jessica foi decisivo para Jo, trazendo novidades boas e mudanças em sua vida que seriam as melhores para o seu futuro. No verão do hemisfério norte de 1994, a vida de Jo teve os primeiros efeitos. Em 10 de agosto, pediu finalmente o divórcio. Chegou um dos momentos mais conhecidos de sua vida: a escrita nos bares, agora retomada no Nicolson's (administrado por seu cunhado e um sócio) e, também, no The Elephant House Café. Jo passeava com a filha até que ela dormisse e, sossegada, escrevia. Num espaço muito mais mobiliado e equipado que seu apartamento, os Dementadores ficavam para trás. Não havia mais necessidade de representar sua depressão na escrita. Mesmo que um dos bares fosse de seu cunhado, ali a tratavam como uma cliente normal - mas sabiam que estava escrevendo: lia, relia, apagava, refazia, utilizando apenas caneta e papel, nenhum tipo de equipamento digital. Escrevia com uma mão e, com a outra, embalava o carrinho de Jessica. No final do ano, Rowling arrumou um emprego como secretária e renovou o documento que impedia a aproximação de Jorge Arantes dela e de Jessica. Seu magistério, feito em Portugal, não permitia que lecionasse nas escolas escocesas sem antes passar por um curso que a habilitaria para isso, o General Teaching Council. Cadastrada para um curso de línguas, ela conseguiu uma desejada vaga depois de vários processos avaliativos. Escolheu o francês para estudar. No verão de 1995, pôde largar os benefícios do governo para nunca mais lhes recorrer. No dia 26 de junho, seu divórcio saiu; ela não era mais a senhora Arantes. Fora isso, seu interdito contra Jorge estava, mais uma vez, renovado. Harry Potter e a Pedra Filosofal foi concluído, mas, ao contrário do esperado, não num bar. Na mesa da cozinha de seu apartamento, Jo terminou de escrever o manuscrito do livro fruto de mais de meia década de trabalho. Numa manhã gelada de fevereiro de 1996, Bryony Evens abria as correspondências do escritório da empresa. Ela era estagiaria, formara-se em inglês, fora promovida a gerente e assistente pessoal de seu chefe dezoito meses depois de ter ingressado no emprego. Com vinte e cinco anos – a mesma idade de Joanne quando criou Harry Potter -, Evens adorava ler, ainda mais clássicos infantis. Fã de Senhor dos Anéis, mal sabia ela que seria a primeira fã externa de um sucesso mundial programado para estourar em breve.

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A agência não lidava com livros infantis e de poesia, portanto eram separados em dois montes os livros recebidos: aqueles que iriam ser avaliados e os que não iriam. Como Bryony gostava de ler, mesmo assim olhava o montante dos que não receberiam a atenção de Chris. Joanne havia mandado uma sinopse e os três primeiros capítulos de Harry Potter e a Pedra Filosofal - esses quatro itens eram requeridos pela agência. O material estava numa pasta preta, muito diferente das outras, o que despertou a curiosidade da estagiária. Pouco depois, o primeiro capítulo já tinha sido lido por ela, deixando os outros dois para mais tarde. Na época, a agência havia contratado uma freelancer, que lia os manuscritos enviados à agência e trabalhava com os leitores que haviam gostado do material, até partirem para a etapa dos editores. Fleur Howle entrou na agência pouco depois de Bryony. A amiga não hesitou e passou o manuscrito de Joanne para ela, dizendo que era realmente ótimo. Fleur leu o segundo e o terceiro capítulo. No final do dia, Evens leu os dois restantes capítulos. As duas haviam adorado a história de Jo. A autora já havia tentado mandar o manuscrito para outro agente literário, porém, o mesmo apenas mandou uma breve carta de recusa - além de não ter devolvido a pasta, o que aborreceu Jo. Procurando um novo agente, no Anuário de Escritores e Artistas, encontrou Chris. O guia estava na Biblioteca Central de Edimburgo, e Jo foi persuadida pelo nome. Em nome de seu patrão, Bryony escreveu a Jo, pedindo que ela mandasse o restante do manuscrito. Foi um momento mágico para ela. A mensagem foi lida oito vezes. Jo dançava em volta da mesa da cozinha fazendo a leitura: ‘’Obrigado. Gostaríamos de receber o restante de seu livro, com exclusividade. ’’ Receando que Christopher Little mudasse de ideia, Rowling enviou prontamente o manuscrito, fazendo com que em menos de uma semana ele já chegasse à agência. Entretanto, Chris não havia lido nem uma linha sequer de sua obra. Bryony leu Harry Potter e a Pedra Filosofal muito rapidamente; o livro, segundo ela, era muito bom e, por isso, não havia motivo para a leitura ser interrompida. Depois Christopher levou-o para a casa, lendo na mesma noite. Durante a manhã, o livro foi comentado. Bryony queria um pouco mais sobre Neville, achando-o encantador. Já Chris havia se apaixonado pelo jogo de quadribol, mas queria que as regras fossem mais bem explicadas, com todos os detalhes, caso contrário não iria atrair a atenção dos

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meninos. Jo, entretanto, já havia escrito essas regras; respondeu ‘’tudo bem’’ e as incluiu no livro. E ainda colocou uma ilustração de uma partida, mostrando os bruxos montados nas vassouras e jogando. Após uma interação de três cartas, Bryony, que enviou as mensagens, estava satisfeita e resolveu falar com Patrick Walsh, o sócio de Christopher Little. Em 1996, foi firmada a parceria entre Chris e Patrick. Os dois tinham personalidades muito diferentes; Walsh era um amante da literatura; já Christopher era, antes de tudo, um homem de negócios, com uma visão voltada para o lucro. Mesmo com todas essas divergências, os dois completavam a agência, podiam discutir opiniões e dar ideias um para o outro. Patrick era desorganizado, enquanto seu sócio era muito organizado. Chris, justamente por esse seu lado tão profissional, cuidava da parte do marketing. Por volta de março de 1996, Chris (agora que Patrick havia lido o livro e também o tinha adorado) finalmente enviou um contrato a Jo, mostrando-se à disposição para representá-la e ajudá-la no comércio editorial. Quinze por cento do mercado interno do Reino Unido e vinte por cento sobre o mercado americano, filmes e traduções. Um contrato modelo, rescaldado e que faria Joanne estar ligada à agência por cinco anos. Depois, o contrato seria renovado anuamente, com um aviso enviado três meses antes para possibilidade de cancelamento. No primeiro parágrafo, era afirmado: ‘’O escritor designa ao agente seu único e exclusivo representante em todas as esferas literárias abrangidas pelo autor, incluindo romances, contos, peças de teatro, poemas, roteiros de filmes, roteiros para televisão, letras de músicas e material promocional, bem como na exploração dos chamados ‘direitos de merchandising’, derivados dessas atividades.‘’ Ninguém dentro da agência sequer suspeitava da pobreza de Jo. Ela era a cliente mais pobre que já haviam tido. Enfim havia chegado a hora de procurar um editor. Essa parte ficava sob a responsabilidade de Bryony, que preparou três versões, acrescentou uma nova capa e nela carimbou ‘’Agência Literária Christopher Little’’. Na linha em que mostrava o autor do livro, lia-se ‘’por Joanne Rowling’’. A editora Penguin foi a primeira (azarada) a recusar. Já na Transworld, o responsável pela seleção e leitura dos livros enviados estava doente. Doze editoras recusaram, no total, Harry Potter e a Pedra Filosofal. Bryony, depois de todas essas tentativas, enviou um original para a Bloomsbury em Soho Square. A editora fora fundada em setembro de 1986, por Nigel

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Newton. Recentemente, a Bloomsbury havia aberto uma área apenas para livros infantis, dirigida por Barry Cunningham, que possuía o mesmo faro de Chris para achar grandes sucessos literários. "Foi emocionante. O que me impressionou logo de cara foi que o livro vinha com um mundo imaginário completo. Percebia-se que Jo conhecia seus personagens e sabia o que iria lhes acontecer. Mas era longo demais para um livro infantil naquela época." Apenas quatro pessoas trabalhavam do departamento infantil da Bloomsbury. Todas elas foram vitais para o sucesso de Harry Potter. Barry, Eleanor Bagenal, Janet Hogarth e a publicitária Rosamund de la Hey. Mas chamar a atenção dos outros nomes da editora não era fácil para a divisão infantil. Portanto, Rosamund teve a ideia de acoplar um chocolate Smarties ao livro quando este foi enviado aos demais editores. A empresa Smarties patrocina uma premiação importante para livros infantis na Inglaterra, tendo a peculiaridade de ter a votação feita pelas próprias crianças, deixando a premiação mais ‘’realista’’. Após um mês, 1500 mil libras (cerca de R$ 4,300) foram oferecidas pela editora. Bryony, depois da oferta, ligou para a editora Harper-Collins, à qual haviam mandado um original. A assistente pessoal de Chris perguntou se queriam fazer uma contraproposta, falando sobre a Bloomsbury, mas eles disseram que não teriam tempo e que seria melhor aceitarem a já feita. Christopher, como um bom profissional, leu atenciosamente o contrato e aconselhou que Jo aceitasse-o. Com isso, a Bloomsbury garantiu uma série estrondosa, que lhe renderia milhões e milhões de libras. O dinheiro a Joanne seria pago em duas parcelas: uma imediatamente e a outra no lançamento do livro, que estava configurado para junho de 1997. A Bloomsbury pediu que Rowling fosse apresentada a todos num almoço em Londres. A viagem era um desafio para uma mãe solteira. Por causa de Jessica, Jo resolveu ir e voltar em apenas um dia, resultando em cerca de dez horas sentada num trem. Joanne estava muito nervosa: era sua estreia no mundo dos negócios literários e ela não conhecia nem Christopher, nem Barry. Bryony não pôde ir; precisou ficar para cuidar do escritório, o que entristeceu Jo, já que queria agradecer-lhe pessoalmente toda a ajuda. Provavelmente, eles não estariam reunidos naquele almoço se não fosse sua insistência, se não tivesse ‘’quebrado as regras’’ da agência. Barry Cunningham gostou do almoço e, sobre isso, comentou: "Embora fosse tímida em relação a si mesma, Joanne me pareceu muito segura e decidida quanto ao livro. O mais importante de tudo é que realmente acreditava que as crianças iriam gostar do Harry. Eu sabia que ela tinha passado por um período difícil depois de voltar de Portugal, e fiquei muito impressionado com sua dedicação à história. Ela

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tinha uma enorme compreensão sobre essa fase de crescimento das crianças." O almoço chegou ao fim. ‘’Você nunca ganhará dinheiro escrevendo livros infantis, Jo’’. Essa foi a frase de Barry quando apertou a mão de sua mais nova cliente, ao despedirem- -se. Não tinha ideia de como estava errado.

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A Professora Joanne Rowling Joanne continuava preparando-se para ser professora na Escócia e, para isso, estava passando por diversas avaliações. O dinheiro que ela ia ganhar com os livros, segundo Barry Cunningham, não ia ser o suficiente para que ela se mantivesse. Não era apenas Christopher Little que acreditava em que livros infantis não rendiam dinheiro; era boa parte do mundo literário. A missão - bem sucedida - de Jo era provar que estavam errados. Em suas aulas, Jo era um modelo ‘’anti Severo Snape’’, um dos principais professores de Hogwarts, escola inventada por ela em Harry Potter. Jessica tinha três anos, ainda não estudava, mas precisava de cuidados para os quais Joanne precisava de dinheiro e, como faltava um ano para ganhar a segunda parcela do dinheiro e finalmente seu livro ganhar as livrarias do Reino Unido, precisava trabalhar. Agora isso era possível. Felizmente, conseguiu uma vaga na Academia de Leith, a escola mais próxima de sua casa, e fez amizade com Eliane Whitelaw, uma professora pouco mais velha que ela. Um dia, o instrutor de Rowling durante as fases de teste para sua graduação encontrou-a no centro de Edimburgo. Richard Easton perguntou como ela estava e Jo respondeu que escrevera um livro no bar de seu cunhado e que ele fora aceito para ser publicado. Essa citação do próprio Richard desmorona a teoria de que a escrita no bar fora usada apenas como uma tática de marketing escolhida por seus editores. O tempo passava e Jo precisava de dinheiro. Seu posto em Leith não era fixo. Então, totalmente por acaso, Rowling descobriu que havia bolsas de ajuda para escritores que morassem na Escócia e que já tivessem algum livro publicado. A primeira parte era cumprida por Jo, mas a segunda nem tanto. Jenny Brown, diretora literária do conselho, ajudou-a, levando em consideração que já estava acertado um contrato com a Bloomsbury. Era a segunda pessoa que ajudava o destino de Joanne. Entretanto, não era somente a inscrição que bastava. Precisava de passar por testes e provas, até finalmente os ganhadores das dez vagas anuais (de quarenta concorrentes) serem anunciados. Felizmente, Rowling ganhou a bolsa: oito mil libras, o maior valor possível. Cerca de vinte e três mil reais por ano. A primeira compra de Jo com esse dinheiro foi um computador, produto que acabaria com seu sofrimento de ter de usar a sem recursos velha máquina de escrever. Em 26 de junho de 1997, Harry Potter e a Pedra Filosofal foi lançado. A felicidade de Joanne, bem, não poderia ser descrita - somente um autor a

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