Revista Comando Rock 110

 

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Revista com entrevistas, resenhas e muito mais sobre rock e heavy metal

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Editor Marcos Filippi Repórteres Antonio Rodrigues Junior Paula Fabri Renan Marchesini Traduções Paula Higa Jornalista Responsável Marcos Filippi (MTB 24.477) Correspondentes Londres Denis Augusto Fabrício Tramontin Miguel Freitas Barcelona Mauricio Melo Colaboradores Alexandre Macia André Fiori Adriano Coelho Bruno Juliano Fernando Guilherme Ferreira Heverton dos Santos Márcia Helena Naldinni Marcio Carlos da Silva Marcos Franke Roberto Nartes Sandro Walterio Fotógrafos Aline Messias Flávio Hopp Vivi Carvalho Wanderley Perna Editor de Arte Wanderley Perna www.wanderleyperna.com.br Publicidade E Anúncio comandorock@comandorock.net Tel.: 11 5093-9490 Assinatura comandorock@terra.com.br Impressão e Acabamento Print Express ___________________________________ Comando Rock – A Revista + Rock do Brasil é uma publicação mensal da Editora 9 de Julho Ltda. Todos os artigos aqui publicados são de responsabilidade dos autores, não representando necessariamente a opinião da revista. Proibida a cópia ou reprodução (parcial ou integral) das matérias, transcrições e fotos aqui publicados. Ninguém está autorizado a vender assinaturas da revista, a não ser diretamente com nosso Departamento Administrativo, respondendo à mala direta da editora ou acessando diretamente nosso site. Redação e Correspondência: Rua Arizona, 729 – Brooklin – São Paulo/ SP – CEP: 04567-002. Tel.: 11 3895-2029 E-mail:comandorock@comandorock.net Site: www.comandorock.net Fotos da Capa Exciter (Divulgação) Nuclear Assault (Divulgação) Noturnall (Divulgação) Curtas do Rock ...................................................4 Ministry ..............................................................8 Hellyeah ..............................................................10 Ghost ...................................................................12 Noturnall ............................................................14 Machine Head .....................................................16 Fates Warning ....................................................20 Test ......................................................................22 Exciter .................................................... 24 Nuclear Assault....................................... 28 Killswitch Engage ...............................................32 Independentes...Por Enquanto ..........................34 Guia de Lançamentos CDs .................................36 Guia de Lançamentos DVDs ..............................40 Estivemos Lá ......................................................42 VAMOS ENFRENTAR A CRISE DE FRENTE Olá roqueiros. O ano de 2015 não está sendo fácil para ninguém. A crise econômica, surgida, principalmente, graças à corrupção e a má gestão de nossos governantes, está afetando a praticamente todos os setores da sociedade. A inflação, que no ano passado já marcava mais do que 6%, este ano deve praticamente duplicar. As promessas de campanha da presidente Dilma Rousseff caíram por água abaixo, provando que eram apenas para garantir mais um mandato de quatro anos. Até mesmo os programas sociais, que a política do PT defendia com unhas e dentes, foram gravemente afetados e tiveram suas verbas diminuídas ou até mesmo cortadas. Com a crise, o que se mais se vê andando pelas ruas são comércios em liquidação e outros fechando as portas. É uma dura cadeia: as pessoas não estão consumindo. Logo, os comerciantes estão fechando seus negócios, demitindo funcionários e comprando menos da indústria. Esta, por sua vez, passou a diminuir sua produção: o resultado é mais pessoas perdendo seus empregos. Com tudo isso, a arrecadação de impostos diminuiu drasticamente. Toda a população passou a economizar e a enxugar gastos (tanto os desnecessários quanto até mesmo os que eram quase que prioritários). Menos o governo, que pouco ou quase nada faz para diminuir as contas públicas. A atual situação financeira do País fez com que muitas pessoas passassem a mudar seus hábitos de consumo. O lazer e a diversão paga (como ir ao cinema, teatro ou comprar um livro ou um CD), para boa parte da sociedade, foi o “setor” que mais sofreu. Restaurantes e bares foram trocados por reuniões entre amigos e familiares em casa. Consumo de roupas, calçados e bens duráveis – como televisores, geladeiras e automóveis – também foram fortemente afetados. E até mesmo os supermercados viram sua clientela cair. Porém, como dizem, somos brasileiros e não desistimos nunca. Quem passou dos 35 anos de idade sabe que o País já passou por outras crises (tão difíceis ou até mesmo mais duras) como esta atual. E, sobrevivemos. A empresa de prestação de serviços Serasa Experian e sua equipe de economistas preparou uma lista de dez dicas para o consumidor manter seu equilíbrio financeiro. Com planejamento, contenção de gastos e o apoio familiar, é possível superar os momentos de instabilidade, diz a Serasa. Os principais passos são: 1º Planejamento: um bom planejamento com todos os compromissos financeiros existentes listados, mesmo os pequenos gastos do dia a dia, é importante. Uma planilha de orçamento doméstico pode ajudar. 2º Família: esclarecer a atual situação econômica para sua família é fundamental. Tenha uma conversa franca em família e compartilhe com todos da casa a atual situação econômica. O apoio e a conscientização são fundamentais para encarar qualquer tipo de dificuldade que possam encontrar. 3ª Encare o momento: estabeleça uma sintonia entre a atividade econômica do País e o orçamento doméstico. Evite o quanto puder o consumo de supérfluos. 4ª Corte despesas: pense no que pode ser cortado sem trazer grandes prejuízos ao dia a dia. Fuja dos gastos desnecessários, centralizando o dinheiro apenas no que for essencial. 5ª Renda: evite comprometer ainda mais a renda com financiamentos e parcelas longas. Com os juros mais altos, já está difícil de pagar todas as dívidas assumidas e o caminho para a inadimplência pode ficar cada vez mais curto. 6ª Cartão de crédito: cuidado com o cartão de crédito. Ao receber a fatura com as despesas já assumidas, faça o pagamento integral, evitando a utilização do crédito rotativo, que tem a taxa de juros mais alta do mercado. 7ª Cheque especial: esta deve ser sua última alternativa para fechar as contas do mês por seu custo elevado. O cheque especial não pode ser um complemento do salário. Se precisar de dinheiro, procure outras possibilidades, como o crédito consignado que, entre as opções de empréstimo pessoal, possui uma das menores taxas de juros. 8ª Alimentos: com os recentes protestos dos caminhoneiros em todo o País, o abastecimento de alimentos está prejudicado. Tente substituir o que você não encontra para comprar ou que está mais caro por um produto que esteja com melhores condições. Muitos supermercados escolhem um dia da semana para fazer promoções dos produtos de feira, fique atento. 9º Economize: guarde o quanto puder no dia a dia. Faça comparações e veja se é mais vantajoso fazer refeições dentro ou fora de casa, por exemplo. A mesma economia também deve valer para o consumo de água, luz e gás. A energia elétrica já está mais cara em todo o País. Reaproveite a água para utilizá-la na limpeza da casa. Desligar os aparelhos eletrônicos da tomada quando não estiver usando também ajuda a diminuir os gastos com energia. 10ª Inadimplência: se já tiver caído na inadimplência, a orientação é renegociar a dívida, buscando prazos maiores e custos menores. Explique ao credor a sua situação econômica e proponha valores e condições que caibam no bolso. A negociação pode ser feita com comodidade e segurança pela internet no serviço Limpa Nome Online. Basta entrar no site e se cadastrar. Uma boa leitura e até a próxima edição. Marcos Filippi COMANDO ROCK - 3

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Burning Bridges, o “novo” álbum de Bon Jovi, não se trata efetivamente de um trabalho de carreira do cantor. O CD, que sai dia 21 deste mês, é um álbum “para os fãs” e serve como ferramenta promocional para a vindoura turnê da banda pelo Oriente e deve ser comercializado em tais países, disse um porta-voz da banda, antes de completar: “A banda está trabalhando duro em seu próximo álbum, que terá lançamento mundial no ano que vem”. O trabalho será o primeiro do trio desde que deixou de ser quarteto com a saída de Richie Sambora, em 2013. O single oriundo do CD – que supostamente é uma coleção de sobras de estúdio dos álbuns mais recentes do grupo – “Saturday Night Gave Me Sunday Morning” foi composto pelo vocalista John Bongiovi em parceria com o produtor John Shanks e com Sambora ainda a bordo. Uma outra música do álbum se chama “We Don’t Run” e foi composta por John com Shanks, sem Richie. É pouco provável que Burning Bridges saia nos EUA – e, por consequência, no Brasil. Apenas a subsidiária japonesa do selo Universal Music o lista em sua programação de lançamentos. O trio sai em turnê pela China, Malásia, Coreia do Sul, Taiwan e Israel a partir de 11 de setembro De acordo com o jornalista José Norbert Flesch, a turnê sul-americana dos Rolling Stones, que seria em novembro deste ano, mas foi adiada, foi reagendada para o ano que vem. De acordo com Flesch, os ingleses estariam marcados para tocar no Brasil em fevereiro próximo no Maracanã, na Allianz Arena e no estádio do Grêmio. Um quarto e eventual show poderia ser marcado, podendo ser extra em uma dessas cidades ou numa quarta praça. Falando na banda, Keith Richards vai lançar seu primeiro álbum solo em 23 anos. Crosseyed Heart é o terceiro disco do guitarrista dos Stones. O trabalho conta com a participação especial do baterista Steve Jordan (Eric Clapton) e do guitarrista Waddy Wachtel (Stevie Nicks): ambos trabalharam com Richards em sua banda alternativa, a Keith Richards and the X-Pensive Winos. O CD, que também contará com a participação de Norah Jones, será lançado no dia 18 de setembro e é descrito pelo próprio Richards como uma viagem pelo reggae, rock, country e blues. O álbum sucederá os discos Talk Is Cheap (88) e Main Offender (92) O vocalista e guitarrista Sammy Hagar estava programado para tocar no festival Moondance Jam, em Walker, nos Estados Unidos, no dia 16 de julho. Mas, o fato de que uma tempestade que assolou a região ter cancelado o evento – e, por consequência, sua performance como headliner – não o impediu de se apresentar. Ele e sua banda levaram o equipamento para um bar nas redondezas, com capacidade para cerca de 500 pessoas, e lá fizeram o show. Hagar comentou o ocorrido em seu site: “Choveu 4 - COMANDO ROCK 4 - COMANDO ROCK O aguardado novo álbum de estúdio do Iron Maiden, The Book Of Souls, será lançado mundialmente no dia 4 de setembro. O CD foi gravado em Paris com o produtor Kevin “Caveman” Shirley no final do ano passado, com alguns toques finais acrescentados no começo deste ano. A banda decidiu atrasar o lançamento de forma que o vocalista Bruce Dickinson, que recentemente se curou de um câncer, tivesse tempo para se recuperar o suficiente para se juntar ao grupo. Como o álbum de 11 faixas tem um tempo total de 92 minutos, The Book Of Souls será o primeiro disco de estúdio duplo da história do conjunto. “Fizemos este álbum de uma forma diferente de como gravamos anteriormente. Muitas das faixas foram compostas enquanto estávamos no estúdio e as ensaiamos e gravamos enquanto elas ainda estavam frescas. Acho que esse imediatismo realmente aparece nas canções. Elas têm um sentimento de faixas ao vivo. Estou muito orgulhoso de The Book Of Souls”, afirmou Steve Harris. The Book Of Souls é o 16º álbum de estúdio do Iron e sucede The Final Frontier, de 2010. E ainda falando sobre o grupo inglês. O tecladista Tony Moore, os guitarristas Terry Rance, Bob Sawyer e Terry Wapram, o vocalista Dennis Willcock e os bateristas Barry Purkis (Thunderstick) e Doug Sampson têm algo em comum: todos integraram o Iron Maiden nos anos 70, antes da banda decolar ao sucesso comercial. Em junho deste ano, todos se reuniram no Reino Unido para lançar o álbum Origins of Iron, em que parte das receitas de venda será revertida para a MS Action, uma instituição de caridade que ajudou o ex-baterista Clive Burr demais e o festival teve de ser cancelado, mas queríamos tocar, então tocamos. Percebemos as luzes saindo de um prédio na parte de trás do festival e dissemos: ‘o que é aquilo?’. O produtor do show explicou que era o maior bar das redondezas e dissemos: ‘vamos lá, eu quero tocar para aquelas pessoas’. Com a cara e a coragem, a banda mandou uma baita performance da qual todos lembrarão” Trent Reznor (Nine Inch Nails) também é cultuado por compor trilhas sonoras rentáveis. O músico – responsável pela trilha sonora de várias adaptações cinematográficas de sucesso como Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres, A Rede Social e Garota Exemplar – agora está com um projeto um pouco diferente, mas não menos pretensioso. Reznor está ajudando o diretor David Fincher a transforma o filme Clube da Luta em um musical da Broadway. O musical terá nuances completamente opostas ao que se vê normalmente na Broadway, já que será ambientado de forma sombria e realista. Reznor está compondo uma ópera-rock para adaptação. A fase inicial de concepção do projeto ocorreu em janeiro deste ano Em entrevista à rádio canadense K106.3, Scott Weiland afirmou que a agora ex-mulher de Slash, Perla, foi uma das principais responsáveis pela separação do Velvet Revolver: “Ela definitivamente teve participação. Acho que eles estão se separando. Veja, é difícil manter uma banda unida e éramos um supergrupo. Digo, todos somos conhecidos (pelo envolvimento com outras bandas) e todos tinham suas próprias perspectivas. Acho que depois de um tempo veio o ego e coisas assim. Foi muito bom enquanto durou, mas depois deixou de ser divertido. Mas, respeito todos aqueles caras. Eles são grandes músicos”, explicou. Depois, quando perguntado se ainda mantém contato com algum deles, Scott respondeu: “Falo com alguns de vez em quando” Um acordo feito por quatro dos cinco integrantes da formação mais famosa do Deep Purple – Ian Gillan, Roger Glover, Jon Lord e Ian Paice – com as empresas HEC Enterprises e Deep Purple (Overseas) em 2003, sobre distribuição de direitos autorais de 14 álbuns da banda, deixou Richie Blackmore de fora e agora o guitarrista entrou com um processo onde pede ressarcimento no valor de cerca de US$ 1 milhão 25 Years – Louder Than Hell: The W.O.A. Documentary é o registro de um dos maiores festivais de música pesada na história mundial: o Wacken Open Air. Dirigido por Sara Kelly-Husain e produzido por Christine Stephan, a obra relembra detalhadamente os melhores momentos ao longo de 25 anos de luta e conquista. Utilizando imagens de arquivo,

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grandes momentos ao vivo e montagens com câmera de mão, o DVD entrelaça a história do festival a partir de suas origens humildes em um campo de uma pequena vila que hoje se transformou em uma verdadeira metrópole cultural que reúne em média 90 mil pessoas. Nas entrevistas aparecem Lemmy, Kerry King, Biff Byford e Nergal (Behemoth), além de fãs de todo o mundo O jovem Hadar Goldman é músico, empreendedor e fã de Joy Division desde a sua juventude. E agora realizou um de seus maiores sonhos: comprou a casa que o líder da banda, Ian Curtis viveu, em Macclesfield, pela bagatela de US$ 180 mil. Mas, antes de Goldman adquirir o imóvel, alguns fãs reuniram-se em tentativa (frustrada) de levantar fundos para comprar a casa e transformá-la em um museu. Sensibilizado com o ocorrido, o próprio Goldman se disponibilizou a transformar a casa em um museu. O empresário disse: “Por mais dinheiro que eu tenha pago pela casa, me sinto na obrigação de me envolver neste projeto dos fãs, especialmente ao saber que falharam na tentativa de conseguir dinheiro para o museu. Veja bem, eu também sou um fã, Curtis foi um herói da minha infância. Quando chegar a hora certa, irei coletar ideias de todo e qualquer fã interessado no projeto. Estaremos comemorando uma parte extremamente significativa da história da música. Então, sim, mais cedo ou mais tarde, o museu sairá do papel”. O imóvel de dois quartos serviu de locação para a cinebiografia de Curtis, Control, em 2007. O local mantém muitas lendas por ter sido onde o músico se suicidou. Os ex-companheiros de banda externaram diferentes tipos de reações em relação a ideia do museu. Bernard Sumner, líder do New Order e ex-guitarrista do Joy Division, afirmou não concordar com o projeto. “Aquela casa é um lugar muito triste. Não é exatamente o lugar que eu gostaria de visitar. Não sei se fazer um museu lá é uma boa ideia”. Peter Hook, ex-baixista do Joy Division, tem uma opinião diferente de seu atual desafeto. “Ian deixou um legado fantástico em todo mundo. Influenciou tanta gente em todo mundo, então acho que seria uma boa ideia transformar aquele lugar em um museu” A banda norte-americana NOFX anunciou as datas de sua nova passagem pelo Brasil. Recentemente, o grupo foi forçado a cancelar toda turnê pela América Latina, que incluía a participação nos festivais Lollapalooza (Argentina e Chile) e Viva Latino (no México), devido a um grave e sério problema familiar de um de seus integrantes. Até o momento, a agenda de shows pelo Brasil conta com quatro shows em dezembro: dia 11, no Rio de Janeiro; dia 12, em São Paulo; dia 13, em Curitiba; e dia 15, em Porto Alegre. A Highlight Sounds e Hangar 110, produtoras responsáveis pela turnê, informam que os ingressos adquiridos anteriormente serão válidos para estas novas O guitarrista e fundador do Led Zeppelin, Jimmy Page, afirmou em entrevista em vídeo que a série de remasterizações de todo o catálogo da banda, que se encerrou mês passado, fecha o capítulo da banda em definitivo, pelo menos no que diz respeito a material fonográfico. Disse Page: “É um encerramento, se você quiser usar essa palavra, do mundo das gravações, do mundo de estúdios do Led Zeppelin, e do tempo, dos anos em que o Led Zeppelin era uma banda realmente viva. Essa série foi um retrato autoral e completo. Isso é o que eu queria fazer desde o começo: relançar todo o catálogo na melhor qualidade possível – fosse em vinil ou em downloads digitais. Até os CDs foram revisitados. Então havia isso, mas também os discos complementares, que trariam muito mais informação agregada ao quadro. Seria como um portal para o tempo em que os álbuns foram gravados e agora você tem todas essas versões e mixagens alternativas. Há o dobro de informação do que havia no catálogo anterior, mas tudo foi feito sob uma perspectiva autoral e com muita paixão também. Foi a conclusão de toda a pintura do mundo do Led Zeppelin ”. Lembremos que à ocasião do lançamento de How The West Was Won, CD triplo de 2003, Page também afirmara que “o poço tinha secado” quando se referia ao que ainda poderia estar guardado em seus arquivos datas. Ainda há ingressos à venda em todas as cidades. O NOFX recentemente lançou seu 12º disco de estúdio, batizado de Self Entitled Bad Magic, novo álbum de inéditas do Motörhead, será lançado dia 28 deste mês. O sucessor de Aftershock contará com 13 canções, dentre elas uma versão cover para “Sympathy For The Devil”, dos Rolling Stones. Além disso, a faixa “The Devil” contará com a participação do guitarrista Brian May, do Queen A banda alemã Primal Fear anunciou em sua página oficial a saída do baterista brasileiro Aquiles Priester devido à incompatibilidade de agendas e à distância entre os músicos. Para o lugar de Aquiles, o Primal Fear anunciou o baterista Francesco Jovino (U.D.O). Já Aquiles se prepara para os shows no Rock in Rio com suas outras duas bandas, About 2 Crash e Noturnall Alice Cooper afirmou recentemente que estava apenas brincando quando se ofereceu para “matar” os integrantes do Mötley Crüe no palco, mas o baterista da banda, Tommy Lee, gostou tanto da ideia que isso vai acontecer de fato. Ao término do último show da banda, no dia 31 de dezembro deste ano, em Los Angeles – do qual Cooper é a abertura – o veterano do shock rock irá decepar os quatro integrantes da banda com guilhotinas. Em entrevista a uma rádio londrina, Lee, o vocalista Vince Neil e o próprio Cooper confirmaram a empreitada. “A ideia surgiu porque as pessoas ficavam dizendo ‘nem vai ser o fim da banda’ e eu respondo ‘o último show deles é no réveillon’. Quer saber como eu sei? Porque vou mata-los no fim”, afirmou Alice Cooper. “Claro, eu estava brincando, mas Tommy disse que aquela não era uma má ideia”. Cooper é conhecido por “morrer” de vários modos durante seus próprios shows e Lee disse brincando que ele não quer bolsas de sangue – ele quer sangue de verdade. “Nada de saquinhos de sangue, balas de verdade. Estamos cansados, estamos velhos, estamos rabugentos. Você tem que nos sacrificar”, afirmou Lee “Enfim, sair do conforto e correr um p... risco”. Com essas palavras o baixista Nelson Brito, único integrante original do Golpe de Estado, definiu o que significa para ele o final do grupo paulista. Em uma carta escrita à mão e postada na Internet, o músico anunciou a dissolução da emblemática banda. Nelson Brito continuou no conjunto por três mudanças de vocalistas e havia permanecido com o guitarrista Helcio Aguirra quando o baterista original Paulo Zinner se desligou do conjunto. Após o inesperado falecimento de Aguirra, no ano passado, principal compositor do quarteto, o mestre das quatro cordas ainda levou a banda adiante até agora. Porém, após três décadas só nesse grupo, optou encerrar as atividades do mesmo. O último concerto do Golpe de Estado foi no aniversário da cidade de São Paulo, em janeiro deste ano COMANDO ROCK - 5 COMANDO ROCK - 5

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Em 77 a Virgin Records assinou com uma das mais icônicas bandas de punk da história, o Sex Pistols. Para comemorar os 40 anos deste momento, o banco Virgin Money, ligado à gravadora, lançou uma série de cartões de crédito comemorativos para seus clientes. “É hora dos consumidores colocarem um pouco de anarquismo em seus bolsos”, afirmou o banco. Michele Greene, diretora dos cartões, disse: “Com esse lançamento, queremos celebrar a herança da Virgin e as diferenças. O Sex Pistols desafiou as convenções e estabeleceu sua forma de pensar. Só estamos fazendo isso hoje para sacudir os bancos do Reino Unido” O M.O.D. cancelou todas as suas futuras apresentações e seu líder e fundador, Billy Milano, anunciou sua aposentadoria do circuito de shows. Em um comunicado em seu website, Milano declarou: “Depois de uma longa jornada de 30 anos, decidi não lançar o novo disco do M.O.D, não continuar em uma programação de turnês de shows de nenhum tipo e passar meu tempo com as coisas que importam na vida: família e amor. Eu quero agradecer a todos os fãs do M.O.D. ao redor do mundo que apoiaram a banda e a visão de música para os fãs, feita por um fã de música. Eu agradeço enormemente a vocês, com todo o meu coração, mas eu simplesmente não quero mais fazer isso. Eu só queria me divertir mais uma vez e o fiz. Duas vezes. É hora de me despedir. Paz, felicidade e amor a todos” A Free Pass Entretenimento confirmou a vinda do guitarrista norte-americano Zakk Wylde ao Brasil este mês para duas únicas apresentações. O lider do Black Label Society fará uma performance especial acústica ao lado de seu companheiro de banda Dario Lorina, relembrando faixas do álbum Book of Shadows. O músico também executará versões acústicas de outros projetos de sua carreira, tal como o Pride & Glory, e também algumas músicas do CD Catacombs of the Black Vatican. Os shows serão nos dias dia 22, em São Paulo (Carioca Club), e 23, em Porto Alegre (Opinião) O Soulfly revelou detalhes de seu novo álbum que se chamará Archangel. A arte da capa foi feita pelo artista Eliran Kantor, que já trabalhou com bandas como Testament, Sodom e Iced Earth. O CD tem data de lançamento para o dia 14 deste mês e foi produzido e mixado por Matt Hyde, que já trabalhou com bandas como Behemoth e Slayer. O álbum conta com várias participações especiais como Todd Jones (Nails), Matt Young (King Parrot), Richie Cavalera (Incite) e de Igor Cavalera. Archangel será o décimo álbum lançado pelo Soulfly. Max fez o seguinte comentário sobre seu vindouro trabalho: “Estou orgulhoso de lançar o décimo álbum do Soulfly. Sinto que é meu álbum mais místico desde Prophecy” Durante um evento na Irlanda, onde estava acompanhado de sua esposa e colaboradora Polly Sampson, o guitarrista David Gilmour divulgou o título de seu novo álbum de estúdio, sucessor de 6 - COMANDO ROCK 6 - COMANDO ROCK De acordo com Lúcio Ribeiro, da Popload, o AC/DC virá para a América do Sul em abril do ano que vem. Os detalhes das apresentações ainda estão sendo acertados, porém a data já estaria plenamente acertada. Ainda sobre o grupo, em julgamento encerrado no começo de julho, na cidade de Tauranga, na Nova Zelândia, o ex-baterista do AC/DC, Phil Rudd, foi condenado por ameaça de morte contra um antigo empregado e posse de maconha e metanfetaminas. Mas, ele não vai para a cadeia. A pena foi de oito meses em prisão domiciliar com monitoração eletrônica. O baterista terá ainda de manter-se longe de álcool e drogas. O uso de substâncias já lhe causou problemas anteriores com a justiça On an Island, de 2006 (Live in Gdańsk, de 2008, foi gravado ao vivo): o novo trabalho, sem maiores detalhes revelados, vai se chamar Rattle That Lock Fallen, o novo álbum do Stryper, será lançado em 23 de outubro. Além da faixa título, sabe-se o nome de outras duas músicas: “Let There Be Light” e “Big Screen Lies”. O CD também trará uma releitura de “After Forever”, do Black Sabbath De acordo com o The Pulse Of Radio, o vocalista do Stone Temple Pilots, Chester Bennington, revelou em uma entrevista ao A-Sides que a banda considerou trocar seu nome após despedir o vocalista original, Scott Weiland. Bennington, que começou a trabalhar com o grupo no começo de 2013, disse: “Falamos sobre talvez mudar o nome da banda e fazer algo novo. Honestamente, eu pensava, por que desistir de algo em que vocês trabalharam tanto? Esse é o seu legado, você não tem que desistir porque uma pessoa não fez as coisas da forma como todos queriam, que todos planejaram. Nós devemos seguir em frente. Não há dúvidas de que você está ouvindo Stone Temple Pilots quando escuta a nova música. Por quê? Porque está saindo dos caras que escrevem a música. Está saindo da fonte e, quando a fonte está lá, a música ainda é pura” A Free Pass Entretenimento confirmou a vinda das bandas norte-americanas de punk rock Pennywise e Face to Face ao Brasil em novembro. A turnê passará por cinco cidades: São Paulo, Rio de Janeiro, Santos, Porto Alegre e Curitiba A Free Pass Entretenimento confirmou a vinda do grupo alemão de power metal Gamma Ray ao Brasil em outubro para três únicas apresentações. A banda formada por Kai Hansen (guitarra e vocal), Dirk Schlächter (baixo), Henjo Richter (guitarra e teclado) e Michael Ehré (bateria) se apresentará nas cidades de Brasília, Belo Horizonte e São Paulo nos dias 2, 3 e 4, respectivamente. Os shows fazem parte da turnê internacional Best Of The Best – Party Tour 2015. Além de divulgar o seu mais recente trabalho intitulado Empire of the Undead, a banda também executará todos os hits da sua carreira O vocalista Till Lindemann confirmou ao RockSverige.se que o Rammstein vai se reunir em setembro, para começar a trabalhar em seu primeiro álbum em seis anos. “O Rammstein vai se reunir novamente em setembro e nós temos que procurar por um novo local para ensaios. Costumávamos tocar no velho e famoso clube, o Knaack Club, mas foi fechado por causa dos vizinhos e algumas besteiras. Por isso temos de encontrar algo novo”. Perguntado sobre quais são os planos para o Rammstein, Till respondeu: “Não sabemos realmente. Talvez a gente possa voltar direto para as turnês ou gravar um EP ou um álbum completo. Não sei. Nós temos que sentar e discutir isso, o que vai levar semanas. Somos seis caras com seis opiniões e isso pode ser um pesadelo às vezes” Em entrevista ao Perú21, Igor Cavalera falou sobre diversos assuntos, incluindo sua saída do Sepultura em 2006. “Estava definitivamente entediado. Era como se fosse um emprego. Tipo se eu tivesse que sair para ir trabalhar em um banco. Então pensei ‘f... se, tenho que sair fora, odeio isto, não quero mais isto para mim’. Era assim que me sentia. Com o Cavalera Conspiracy a história é outra, realmente gosto de excursionar. Às vezes, claro, é desgastante por causa das viagens, mas os shows sempre são fantásticos, sempre são divertidos. Provavelmente também estava cansado da direção musical do Sepultura e isto foi uma das razões (da saída). Além disto, estava envolvido com o Mixhell (projeto de música eletrônica/hip hop que mantém com a esposa Laima Leyton). Eu estava tentando fazer coisas diferentes e me sentia farto de toda a cena musical”. Quando perguntado se chegou a assistir ao Sepultura tocando com o atual baterista, Eloy Casagrande, Igor disse: “Não. Não gosto de falar de gente morta. Eles estão mortos, saca?”

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O Ministry está dando adeus. Não dos palcos, mas dos estúdios. A banda liderada pelo polêmico vocalista Al Jourgensen, que se apresentou em São Paulo em março passado, garante que o álbum From Beer To Eternity (colocado no mercado há dois anos) foi o último de sua carreira formada em 81 na cidade de Chicago. Porém, isso não significa que o conjunto está se aposentando. Segundo Jourgensen, a decisão de não mais gravar CDs com o nome de Ministry deve-se a morte em 2012 de Mike Scaccia, guitarrista do grupo e amigo de longa data do vocalista. “E estar em estúdio sem ele não é a mesma coisa”, afirma o líder do Ministry. Al Jourgensen, os guitarristas Monte Pittman (Prong e Madonna) e Sin Quirin, o baixista Tony Campos (Soulfly e Static-X), o baterista Aaron Rossi e o tecladista John Bechdel continuarão fazendo turnês, pelo menos durante os próximos anos. Mas, Jourgensen afirma que não vai parar de produzir. Ao lado do engenheiro de som Sam D’Ambruoso e do tecladista John Bechdel, o músico está trabalhando em duas novas bandas: uma só de hardcore e outra que será mais rápida e terá o nome de Surgical Meth Machine. Nesta entrevista exclusiva concedida ao Wikimetal e agora publicada na Comando Rock, Jourgensen conta sobre a decisão de não mais gravar CDs sob o nome de Ministry, das três vezes que ele “morreu”, sobre ter corrido atrás do Metallica para atacá-los, do show em São Paulo e das mudanças de som do Ministry durante os anos. Comando Rock/Wikimetal: Esta será a primeira vez que o Ministry virá ao Brasil. O que os fãs podem esperar do show? Al Jourgensen: Vai ser um show sensacional e a banda está incrível. Vai ser um visual superpsicodélico, então recomendo os fãs usarem este tipo de droga em vez de cocaína ou heroína (risos). Esta turnê é a mais psicodélica de todas. Como foi a recepção do último CD do Ministry, From Beer To Eternity, de 2013? Está sendo considerado o álbum mais clássico do Ministry dos últimos tempos. Acho isso esquisito, pois comecei fazendo música pop ruim quando tinha uns 20 anos e agora, aos 50, finalmente acertei. Todo mundo fala que é o nosso melhor trabalho. Acho isso estranho, mas se dizem... está tudo ótimo. Voltando aos anos 80. Houve uma mudança bem grande no som do Ministry desde o começo da banda até se tornar a marca registrada de vocês, que é um som mais pesado e agressivo. O que chamam de metal industrial. Como isso aconteceu? Foi algo que queriam fazer mesmo antes de lançarem o primeiro álbum? Fazia este som do The Land of Rape and Honey (88) em 79 e 80 e me contrataram por eu fazer um som único. Imediatamente depois que você assina com uma grande gravadora eles começam a falar como você deve ser, que você tem que tocar como todo mundo... Nos primeiros álbuns, tinha que fazer aquilo que os caras das gravadoras 8 - COMANDO ROCK

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queriam até eu poder sair deste contrato. Mas, todas as músicas que eles rejeitaram acabaram entrando no The Land of Rape and Honey. Fui muito ingênuo na época. Acreditava que, assinando com uma grande gravadora, ia ser muito bom. Mas, no final das contas, acabou sendo horrível porque não era o som que eu queria fazer. Então foi uma transição para os fãs, mas para mim não foi realmente. Foi na verdade o tempo que finalmente consegui lançar o que eu queria desde o começo. Você se lembra de uma banda que abriu o show de vocês e soltou um monte de galinhas com a máscara da Annie Lennox enquanto tocava “Sweet Dreams (Are Made Of This)”, do Eurythmics? Você acabou se cortando com uma navalha. Queria que falasse sobre isso. Lembro sim. A banda tocava uma música em uma velocidade bem lenta enquanto soltam cem galinhas com as máscaras. E uma garota da banda, que estava vestida de batata e estava em uma cadeira de rodas, estava com uma arma atirando nos lustres do lugar. Lembro de olhar para a banda e pensar: “como raios vou entrar no palco depois de tudo isso?”. Tinha de fazer algo diferente. Então peguei uma navalha e comecei a me cortar. As cicatrizes que tenho são o mínimo de sacrifício que eu poderia ter feito para tocar depois daquela performance. E o que as pessoas estavam pensando? Acho que não estavam pensando em nada, porque depois que a menina começou a atirar nos lustres todo mundo saiu correndo para todos os lados, gritando e tropeçando nas galinhas (risos). Li a biografia The Lost Gospels According To Al Jourgensen e tem histórias muito loucas. Poderia escolher uma história para contar? Vou contar a história que senti mais medo na vida. Não tenho medo da morte, pois já morri três vezes e não há nada demais. Acendi uma bomba dentro do ônibus. Era um show pirotécnico e tudo começou a pegar fogo, sair fumaça por todos os lados. As pessoas começaram a se queimar e não dava para respirar. Tivemos de parar o ônibus e depois todos os fogos explodiram lá dentro. Fiquei feliz de ter sobrevivido a tudo aquilo (risos). Você disse que “morreu” três vezes. Queria que contasse estas experiências de quase morte que passou. A primeira vez foi aquela coisa típica que todos descrevem: aquela luz branca que você vai indo na direção, mas ouvi uma voz dizendo que não era a minha hora. Das outras vezes estava tão morto que não me lembro de nada, só de acordar na UTI cheio de tubos. Queria que contasse também da história que você saiu correndo atrás do Lars Ulrich, do Metallica, para atacá-lo. Persegui os caras do Metallica porque eles entraram no nosso camarim e tomaram a nossa cerveja. E isso não se faz, ainda mais porque estávamos tocando no palco. Fui para cima deles, tentando esfregar a minha bunda na cara deles. Mas, eles se acovardaram e fugiram. Depois disso nunca mais escutei Metallica na vida. A banda liderada pelo vocalista Al Jourgensen, que fez apresentação única em março passado no Brasil, garante que o álbum From Beer To Eternity (2013) foi o último lançado pelo conjunto daniel dystyler (Wikimetal) Morei por alguns anos no Canadá e tive a oportunidade de assistir a alguns jogos de hóquei no gelo. Queria que falasse um pouco sobre sua ligação com este esporte, principalmente sobre o Chicago Blackhawks que tocam as músicas do Ministry durante as partidas. O hóquei é um esporte mais rápido do que o futebol e é no gelo. Esta é a grande diferença. A maioria dos americanos não gosta de futebol, mas peguei gosto depois de morar em Londres. O futebol é em um campo Ouça a entrevista na íntegra no maior, tem mais pessoas e mais lento. Peço wikimetal.com.br a você um favor: que faça os brasileiros passarem a gostar de hóquei antes de eu chegar aí. É o esporte que mais gosto e cheguei a jogar quando estava no colegial. É minha grande paixão. E é verdade que o Blackhawks usam minhas músicas nos jogos. Qual foi seu momento preferido quando você olha para estes 30 anos de carreira? Eu sobrevivi. Você chegou a dizer que este seria o último álbum do Ministry, já que a banda não pode existir sem o Mike (Mike Scaccia, guitar- rista que morreu em 2012). Você ainda sente isso? É totalmente verdade. Ainda faremos turnês nos próximos anos. Para coisas ao vivo vai ser demais. A equipe ainda é a mesma, mas sem o Mike agora. E estar em estúdio sem ele não é a mesma coisa. Mas, isso não significa que não farei mais música. Só não será mais com o nome de Ministry. Tenho projetos para outras duas bandas junto com meu engenheiro de som Sam D’Ambruoso e com meu tecladista John Bechdel. Uma só de hardcore e outra que será super-rápida, que terá o nome de Surgical Meth Machine. Estou muito bem de saúde e com muita vontade de trabalhar. Não vou parar de jeito nenhum. COMANDO ROCK - 9

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Q uem vive do passado é museu. A frase clichê pode exemplificar definitivamente o que Vinnie Paul pensa sobre o Pantera. No meio de tantos boatos (que já duram alguns anos) sobre uma possível volta do clássico grupo de thrash metal aos palcos, o baterista garante que isso não irá ocorrer. Ainda mais agora pelo bom momento que o músico vive ao lado de seu atual conjunto Hellyeah, que está lançando seu quarto trabalho de estúdio intitulado Blood For Blood. Nesta entrevista exclusiva concedida ao Wikimetal e agora publicada na Comando Rock, Vinnie Paul falou sobre o álbum Blood For Blood, suas principais influências para tocar metal, como foi decidir entrar no Hellyeah após a morte de Dimebag Darrell, o que aprendeu de suas bandas passadas e sobre os comentários de Phil Anselmo e Zakk Wylde de uma possível reunião do Pantera. Comando Rock/Wikimetal: Quem te influenciou no início de carreira? Vinnie Paul: O Kiss. Eles eram muito famosos e foram uma grande influência para mim. Eu amava as músicas deles e tinha acabado de aprender a tocar bateria. Amava o que o Peter Criss fazia. Por mais simples que fosse, eu achava tudo muito bom. O Van Halen e o Led Zeppelin também foram muito importantes. O Tommy Aldridge revolucionou a bateria. Foram principalmente estes que influenciaram meu início de carreira. Entrevistamos o Tom Maxwell e ele disse que foi um longo processo para te convencer a entrar no Hellyeah. Como foi este processo? Foi mais ou menos um ano e meio depois da tragédia com meu irmão. Eu não sabia 10 - COMANDO ROCK

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se um dia voltaria a tocar. Os caras estavam montando a banda e eles continuavam a me ligar. Eu agradecia, mas não sabia se estava pronto para voltar. Eles foram muito persistentes e me ligavam todos os dias durante umas duas semanas. Um dia, quando estava ouvindo Kiss e bebendo vinho, percebi que nunca saberia se estaria pronto para voltar a minha carreira se eu não tentasse. Liguei para os caras e pedi para eles virem ao Texas para ver se nos dávamos bem. Eles vieram uma semana depois. Fizemos um churrasco e nos demos muito bem. Logo depois já estávamos em estúdio gravando. Foi assim que tudo começou. Acho que Blood For Blood é um dos melhores álbuns do ano. Quais as diferenças deste trabalho com os anteriores e como foi trabalhar com o produtor Kevin Churko? Quando terminamos a Gigantour no ano passado que fizemos com o Megadeth e o Black Label Society, acho que conquistamos muitos fãs para o Hellyeah que já eram fãs das bandas que havíamos tocado anteriormente. Queríamos ir logo ao estúdio para gravar e percebemos que o Greg (Tribbett) e o Bob (Zilla) não estavam na mesma vibe que a gente. Eles estavam passando por problemas pessoais e decidimos nos separarmos. Assim que fomos ao estúdio para gravar o Kevin foi sensacional. Tínhamos nós mesmos produzido os álbuns anteriores e achamos que desta vez precisávamos alguém de fora para fazer a produção e trazer novas perspectivas. Como o Kevin também é baterista, me dei muito bem com ele. Acho que este é nosso melhor álbum até hoje. Quais foram as lições que você aprendeu com suas bandas anteriores, Pantera e Damageplan? O que você trouxe destas experiências para o Hellyeah? Acho que todos aprendem com suas bandas anteriores. A comunicação é a coisa mais importante. Isso é uma coisa que eu gosto muito no Hellyeah. Sempre falamos abertamente sobre negócios e qual direção iremos caminhar. A nossa comunicação é muito boa. Não há intrigas ou distância entre nós. Lutamos para manter esta comunicação que existe hoje em dia o tempo todo. Você recentemente participou do clipe de “Ain’t No Sunshine”, um clássico do soul, tocado pelo Black Label Society. Como foi esta participação? Foi uma coisa totalmente repentina. Eu não estava esperando aquilo. Estávamos fazendo a turnê juntos e no último dia da turnê o Zakk Wylde apareceu no ônibus e disse que gostaria muito que eu tocasse guitarra no novo vídeo deles. Coloquei umas roupas e fui com o Zakk até o local, onde tinha uma Harley Davidson no estacionamento. O Zakk me deu uma das guitarras e gravamos o clipe. Uma pergunta que você já deve estar cansado de responder, mas existe alguma possibilidade de uma reunião do Pantera, mesmo que seja para uma turnê ou mesmo um show apenas? Para que houvesse uma reunião precisaríamos trazer todos os integrantes originais do Pantera de volta. Não quero manchar nosso legado. Estivemos juntos por 14 anos e acho que todos nós temos de seguir nossas vidas. Não gosto de ficar vivendo no passado. Amo o que estou fazendo no Hellyeah. Este é meu foco. Em relação as novas edições dos álbuns clássicos do Pantera. Como é ver estes discos sendo relançados agora com faixas bônus e também em vinil? No final das contas eles iriam fazer isso caso participássemos ou não. Fizemos um grande esforço para acharmos as melhores coisas possíveis para os fãs. Mas, não fico ouvindo estas faixas. Como disse, não gosto de ficar vivendo do passado. Apesar disso, estas músicas soam tão modernas quanto no tempo que as fizemos. Acredito que eram canções muito à frente de seu tempo. O Pantera foi uma banda que tocou muita gente e inspirou muitas bandas. A banda de Vinnie Paul, ex-baterista do Pantera, está lançando seu quarto álbum Blood For Blood Nando Machado (Wikimetal) O hard rock está tão forte como sempre esteve, mas infelizmente não tem nenhuma nova banda que se tornou o novo Metallica ou o novo AC/DC. Até mesmo por isso que estas bandas continuam fazendo grandes turnês. Com sorte, quem sabe o Hellyeah consiga este sucesso. Mas, quem predomina mesmo são nomes como Judas Priest, Metallica, Van Halen... Espero que em breve surjam bandas que carreguem esta tocha... Você acredita que o heavy metal seja forte ainda nos Estados Unidos? Não sei se existe um movimento, mas definitivamente há muitas bandas fazendo sucesso. Acabamos de lançar um álbum e estamos na 18ª posição das paradas aqui nos Estados Unidos. Estão na nossa frente os álbuns que o Led Zeppelin relançou e o novo do Linkin Park. Estar entre os 20 primeiros lugares diz muito sobre o que os fãs acham da música no momento. Qual conselho você daria para um jovem que está querendo montar uma banda? Você precisa se dedicar de corpo e alma e deve saber que isso é uma jornada para toda a vida. Tocar ao vivo é muito importante. Ouvindo as canções do novo álbum do Seja no porão de sua casa seja em clubes ou Hellyeah, acredito que o som seja uma bares, mas você precisa desenvolver esta mistura do thrash metal do Pantera prática que é a coisa mais importante. com coisas mais modernas. Isso foi algo intencional para agradar os fãs Como você ouve música hoje em dia? mais antigos e a nova geração ou foi Ouço no Ipod. Sou bem atualizado no que algo que ocorreu naturalmente? está acontecendo no mundo. Estou muito Definitivamente foi algo natural. É meu empolgado para ir a América do Sul. estilo na bateria e o do Tom na guitarra. O som do Pantera tem muita coisa minha. Aliás, por que não vieram ao Brasil no Isso faz parte do jeito que eu toco. Querí- Monsters of Rock do ano passado? amos trazer o som que fizemos nas nossas Foi um momento complicado. Estávamos antigas bandas para o Hellyeah. Acho que com muitos problemas com o Greg e o conseguimos fazer isso neste álbum. Bob. Foi bem nesta época e seria uma situação bem ruim se tivéssemos ido tocar Você acha que o rock e o heavy metal aí no Brasil. Por isso, achamos melhor reestão voltando a ser populares nova- marcarmos as datas. Mas, definitivamenmente hoje em dia? Em sua opinião, te iremos ao Brasil no fim deste ano ou quais serão as bandas que farão shows começo do próximo. em grandes estádios depois que grupos como Kiss, AC/DC, Iron Maiden e Ouça a entrevista na íntegra no Metallica tiverem se aposentado? wikimetal.com.br COMANDO ROCK - 11

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ormado em 2008 na Suécia, o Ghost rapidamente acabou chamando a atenção do rock pesado mundial. Seus dois álbuns de estúdio (Opus Eponymous, de 2010, e Infestissumam, de 2013) foram muito bem recebidos graças ao hard rock com influências do rock progressivo dos anos 70. Entre seus inúmeros fãs está Dave Grohl, que produziu o EP If You Have Ghost (contendo cinco covers e lançado no fim do ano passado) e participou de três faixas deste trabalho: tocou guitarra em “If You Have Ghosts” (cover de Roky Ericksson) e bateria em “I’m a Marionette” (ABBA) e “Waiting for the Night” (Depeche Mode). Mas, o principal “ingrediente” que tirou rapidamente o conjunto do underground para a fama mundial deve-se aos mistérios 12 - COMANDO ROCK F e as polêmicas que envolvem a banda. Para começar, todos os integrantes não revelam suas verdadeiras identidades. Com exceção do vocalista, denominado Papa Emeritus II, todos os outros músicos são chamados apenas de Nameless Ghoul. A temática das letras do Ghost é focada quase que exclusivamente sobre satanismo. Os shows são bem performáticos e teatrais. Visualmente parece que os fãs estão participando de uma verdadeira missa negra. Mesmo sendo admirados por muitos, há aqueles que os odeiam. Tanto que, recentemente, surgiram fãs tentando fazer uma petição pela Internet para que o conjunto acabasse. O motivo para isso é que estas pessoas mais radicais não aceitam que o Ghost seja denominado como uma

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banda de heavy metal e, portanto, estaria usado o estilo para se promover. Em setembro passado, a banda – que havia sido uma das atrações do Rock in Rio do ano passado e se apresentado em São Paulo e em Curitiba ao lado do Iron Maiden e Slayer – retornou ao País para dois shows: no Rio de Janeiro e em São Paulo. Nesta entrevista exclusiva concedida ao Wikimetal e agora publicada na Comando Rock, o Nameless Ghoul guitarrista da banda sueca falou sobre a história do grupo, sobre a temática do Ghost, suas principais influências (que incluem o brasileiro Sarcófago) e comentou sobre críticas de que a banda não é heavy metal. Comando Rock/Wikimetal: Como surgiu a banda e quando começaram a escrever praticamente sobre temas satânicos? Nameless Ghoul: A banda surgiu mais como um projeto. Tínhamos um grupo pequeno de músicas no começo e todas elas tinham temas satânicos. Percebemos que o Ghost seria um grupo bem teatral, bem temático. Quando você toca em várias outras bandas, é estranho participar de uma que se foca em apenas um tema. Não sabíamos naquela época que iríamos nos tonar uma banda que tocaria isso 100% em tempo integral. Por anos, a gente só faz isso. Por outro lado, em relação a criação das músicas, do ponto de vista filosófico, o tema é bem interessante. A gente não fala apenas sobre o satã. Falamos também como a humanidade se relaciona com uma presença divina, como as pessoas se comportam por causa da religião. Começamos em uma escala menor como uma banda tradicional de adoração ao demônio e crescemos depois para algo mais substancial. Porém, tudo gira nesta estética mais diabólica e satânica. Evoluímos em cima deste tema e ainda dá para fazer muitas coisas em cima disto. Queria que falasse um pouco sobre as influências da banda. Um de vocês disse em uma entrevista que o Sarcófago foi uma das influências. Isso é verdade? As principais influências do Ghost foram as bandas de rock clássico do final dos anos 60 e começo dos anos 70 como The Doors, Pink Floyd, Deep Purple e Led Zeppelin. As bandas que todo mundo ouve. Mas também tivemos influências daquelas não tão populares, mais progressivas e ecléticas. Tudo isso combinado com o death metal underground do meio dos anos 80 e pela estética do black metal. Muitas destas bandas dos anos 70 ainda não tinham este visual cool. Elas não se preocupavam muito com a estética. Com certeza nos álbuns eles tinham esta preocupação. Mas, no geral, os grupos tinham sete ou oito caras de barba tocando enquanto bandas como Sarcófago eram esteticamente mais agradáveis. Os elementos mais escuros da nossa música são influenciados pelo death metal de 1986. Nosso som tem esta qualidade misturada com o rock progressivo. Justamente para termos um som diferente. Queríamos ter um som de uma banda dos anos 70 com um rock mais pesado. Muitas pessoas têm rotulado o som de vocês. Algumas chamam de heavy metal e outras acreditam que definitivamente não é heavy metal. Como você descreveria o som do Ghost e se chamaria de metal? Realmente não sei. Para mim, o rótulo não importa. Nunca tivemos a pretensão de sermos os defensores do heavy metal. Não queremos trazer nada de volta, não queremos ser uma banda de heavy metal. Queremos apenas fazer a música que gostamos de ouvir. Sobre muitas pessoas falarem que não somos muito heavy metal, eu entendo o que eles querem dizer, principalmente se eles estiveram comparando O grupo sueco, que esteve em setembro no Brasil para shows em São Paulo e no Rio de Janeiro, afirma que não se preocupa de não ser considerado como heavy metal por algumas pessoas daniel dystyler (Wikimetal) com a música contemporânea. Mas, por outro lado, todo mundo pode concordar que um álbum como Rocka Rolla é um álbum de heavy metal. Muita gente acha que Sabbath Bloody Sabbath é de fato um disco de metal, mas boa parte deste álbum tem elementos da balada. Não gosto de entrar nesta discussão exatamente por isso, mas entendo o que as pessoas dizem se estiveram nos comparando com as bandas contemporâneas de metal. Neste caso, não somos muito pesados mesmo. Queria saber se vocês já ouviram falar de um site chamado The Nameless Harem e se imaginavam que um dia iriam ter um impacto tão grande com as mulheres. Nunca imaginávamos isso, mas agora entendo que temos um efeito muito grande sobre as mulheres. Queria que você convidasse as pessoas para os shows em São Paulo. Tocamos em São Paulo há quase um ano e foi um show a luz do dia. Então, não deu para fazer uma apresentação muito peculiar. Estamos muito felizes de podermos voltar agora para um show nosso, com nossa produção. Estamos muito empolgados. Ouça a entrevista na íntegra no wikimetal.com.br COMANDO ROCK - 13

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O Noturnall, que foi formado no início do ano passado pelos ex-integrantes do Shaman (mais o baterista Aquiles Priester), é um caso raro dentro do rock/metal nacional. Neste pouco tempo de vida, a banda já lançou dois CDs (o primeiro, homônimo, no ano passado; e, agora, Back To F*** You Up!), um DVD, fez uma turnê pela Europa e agora se prepara para tocar no Rock in Rio. Mesmo sendo formado por músicos experientes e conhecidos do metal nacional, este sucesso todo alcançado em tão pouco tempo é muito raro de acontecer tanto no Brasil quanto no Exterior. A explicação para isso? Provavelmente, além da qualidade do som do grupo, seja o alto profissionalismo do quinteto. Segundo o vocalista Thiago Bianchi, o Noturnall funciona como uma empresa. “Fazemos reuniões semanais de auditoria e próximos passos, tudo sob a tutela de nosso produtor executivo, Franz Bedacht”, conta o músico. “Ele é um grande profissional que trabalha na área de reestruturação comercial e foi assim que a Noturnall nasceu”. Para citar um exemplo, na semana de lançamento do disco Back To F*** You Up!, Thiago Bianchi, Léo Mancini (guitarra), Fernando Quesada (baixo), Júnior Carelli e Aquiles Priester (bateria) conseguiram um patrocínio que proporcionou ao conjunto uma ação de marketing maciça, nunca antes vista em uma banda de heavy metal brasileira: mais de 300 cartazes foram colocados em pontos de ônibus, outros 300 relógios de rua foram instalados e também painéis de aeroportos foram disponibilizados para anunciar a chegada do novo CD. Musicalmente, Back To F*** You Up! é uma continuidade de Noturnall, porém mais agressivo. Portanto, o que chama mais a atenção neste segundo trabalho é a temática das letras. As composições retratam de forma brilhante a situação atual do País: desigualdade social, problemas financeiros e, principalmente, a corrupção que assola o Brasil. Outro ponto que chama a atenção é a excelente capa, criada pelo artista gráfico Carlos Fides: uma zumbi aparece incendiando a capital federal. “Claro que não estamos sugerindo empiricamente que se toque fogo em Brasília, mas sim que precisamos de uma mudança”, afirma o vocalista. “Precisamos zerar essa p... de País, tirar todo aquele lixo do poder que não nos representa, que não nos ajuda em nada, que todos seus passos são única e exclusivamente voltados para seus próprios interesses”. Entre as canções que merecem destaque estão “This is Life” – uma balada que no meio da canção fica bem pesada, parecendo ser até mesmo outra música – e “Fight the System”, que foi composta em parceria com o rapper Mano Brown, dos Racionais MC’s. Nesta entrevista a Comando Rock, Thiago Bianchi fala sobre o novo álbum Back To F*** You Up!, da situação atual do País, do sucesso obtido pelo Noturnall em tão pouco tempo de carreira, da apresentação do grupo no Rock in Rio e recorda dos tempos de Shaman. Comando Rock: Como foi o processo de criação e composição do novo álbum Back To F*** You Up!? Thiago Bianchi: Tem sido a melhor possível. Quebramos novamente o recorde de pré-vendas da loja Die Hard, recorde esse que já era originalmente nosso no último disco. Também conseguimos passar para o primeiro lugar de discos mais vendidos no mês do gênero, já que ficamos em segundo no trabalho anterior. O número de pedido de shows aumentou expressivamente. O volume de acessos em nosso site e Facebook já alcançam níveis semelhantes às maiores bandas do estilo mundo afora. E até finalmente aquele que seria o maior reconhecimento de todos que foi o convite para integrar o cast do Rock in Rio! Mas, no fim das contas, o fato é que estamos realmente 14 - COMANDO ROCK

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felizes em falar a língua de nosso público. É por eles que começamos tudo isso e é por eles que somos guiados. E, por falar nisso, acreditamos que justamente esse contato direto com os fãs que foi o divisor de águas na carreira da Noturnall. Acreditamos profundamente que nossos fãs são os verdadeiros responsáveis por tudo que construímos até aqui. Eles são o caminho. Só temos que manter os ouvidos e o coração atentos a direção do vento que eles sopram. Vocês sofreram (interna ou externamente) alguma pressão devido ao sucesso e ao reconhecimento que tiveram no primeiro trabalho, aliado ao famoso estigma do segundo disco? Não diria pressão, mas sim responsabilidade. Desde o começo de nossas carreiras, nunca houve um dia, um disco, um DVD ou clipe em que não nos sentíssemos responsáveis em honrar os camisas pretas de nosso País. Tudo que fazemos é sempre em prol do público brasileiro. Queremos que eles se orgulhem de sua música. Não nos sentimos seus representantes nesse sentido, mas toda vez que algum estrangeiro ouve ou assiste a algum trabalho nosso, queremos que eles vejam que Brasil não é só samba, carnaval e Ronaldinho... Aqui é metal. Principalmente metal. Quando se ama profundamente o que se faz, as coisas tendem a seguir de forma natural. O que quiseram transmitir com o título do CD? Temos noção de que falamos para uma geração de jovens, de que fazemos parte de uma nação que carece de união. Sentimos o Brasil não só o País da desigualdade social, mas também da desunião. Parece que o povo se esquece facilmente do poder que tem quando se une, quando vai para as ruas, do medo que causa nos corações desses “líderes”. Líderes do quê? Só se for da corrupção, da safadeza, do egoísmo, da podridão... O fato é que, quando nos unimos, somos o verdadeiro Brasil. Não por trás de nossos teclados, mouses e perfis fake. O fato é que, quando voltamos naquele senado, os políticos tremeram. Portanto, temos que voltar quantas vezes for preciso até que as coisas mudem. Enquanto os políticos do Brasil não agirem em prol do povo e a favor do povo, voltaremos para te por na linha... Will be “Back to fuck you up!”. Musicalmente, quais as principais diferenças entre Back To F*** You Up e o primeiro CD? O primeiro disco quase saiu no formato duplo. Já tínhamos as ideias para essas músicas do BTFYU! desde aquela época, mas achamos que seria muita informação para um debut. Então, basicamente, esse disco é uma continuação natural do primeiro, mas com um nível a mais de agressividade. Deve ser destacado também que a Noturnall é uma banda sintonizada com seu País e com sua gente. Então, nos parece que expressamos o que o País sente nesse momento. E a galera está p...! O que acontece aqui diariamente é uma palhaçada, é uma falta de respeito não só ao cidadão brasileiro, mas o ser humano. Por isso acho que a coisa ficou mais “tensa”, mas sempre sem perder a musicalidade. A balada “This is Life” é diferente da maioria das baladas gravadas por aí. No meio da canção ela fica bem pesada, parecendo ser até mesmo outra música. Como surgiu esta ideia? Quesada e eu começamos todas as músicas. Os instrumentais ficam por conta do Mancini e Carelli. Aí o Aquiles vem com “links” de partes para partes, adiciona ideias, monta um fim e às vezes uns começos. Acho que por isso que dá certo. Em nossas sessões de composição temos uma regra apenas: deixe o ego do lado de fora. Só assim a música pode seguir seu caminho e nascer de forma pura. Então Quesada e eu fazemos dessa forma desde o Immortal (ps: primeiro disco da geração de ambos no Shaman). Eu sempre entro em algum clima de vida, de ouvir isso ou aquilo, de falar sobre isso ou sobre aquilo e automaticamente, pela sintonia que temos, ao entrarmos em estúdio ele já começa a cuspir riffs tal qual uma metralhadora ao mesmo tempo em que passo a cantarolar melodias, riffs, batidas... E assim vamos moldando a coisa toda. O engraçado é que costumo dizer que, quando compomos, é como se moldássemos vidro: você o tira do forno naquela temperatura altíssima e tem poucos segundos para “moldar” a escultura antes que ela esfrie e você não possa mais mexer. Tudo isso para dizer que essa sintonia funciona até quando estamos longe... Pois, foi isso mesmo que aconteceu. Certa noite saímos com nossas mulheres para beber e comemorar o caminho que o disco estava tomando. Estava totalmente chapado e apaguei. No dia seguinte acordei cedo e, quando desci até o estúdio, o Quesada estava “morto” no sofá com uma sessão de Pro Tools que se chamava “Thiago, ouça essa merda” (risos). Era a “This is Life”! Embrionária, com certeza. Mexi bastante, dei o rumo, mas a alma estava lá desde o começo... Grande música, uma de minhas prediletas de nossa carreira. A banda paulistana, que está lançando o segundo álbum Back To F*** You Up!, será uma das atrações nacionais do Rock in Rio Marcos Filippi Em relação às letras: elas falam sobre a situação do País, de corrupção. Basicamente seguem uma mesma temática. Fale um pouco sobre elas e também do tema que resolveram seguir neste álbum. Não podíamos ficar inertes a tudo o que está acontecendo. Não podia simplesmente ficar falando sobre duendes e fadas enquanto meu País vai pro c... Foi mais forte do que nós. Mas, o âmbito também gira em torno não só disso, mas da condição humana em geral. O disco vai muito além do problema “Brasil”. O mundo está do jeito que está por causa de um câncer chamado dinheiro. Dinheiro desperta no ser humano seu lado mais nojento. Acreditamos profundamente que a sociedade está fadada ao colapso enquanto seu guia supremo for o lucro. Chegou a hora de falarmos seriamente sobre uma nova ordem mundial, mas não aquela besteira de illuminatis e sim de uma união mundial em prol da vida, do planeta, do “status quo” ambiental... Isso nunca vai acontecer enquanto a máquina do lucro não for definitivamente desmontada. Pense no atraso que o dinheiro causa ao ser humano. O sistema vai comandar as massas por intermédio da mídia, da religião, das drogas e, claro, da política. Destruirá tudo que estiver ao seu caminho que o separe de seu chamado maior: nunca parar de lucrar. Enquanto a vida valer menos que o lucro, o mundo nunca será um lugar justo. COMANDO ROCK - 15

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