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DOPPEL Feira Internacional de Luanda, vulgo Filda abriu as suas portas no dia 21 de Julho, numa altura em que nos aprestávamos a fechar a presente edição, pelo que não nos foi possível dar o destaque merecido a um evento que neste ano decorre sob o lema "dinamismo, criatividade, competência na produção nacional: um pressuposto para a diversificação e industrialização da economia angolana e um desafio para a juventude empreendedora. O certame reuniu em Luanda, durante cinco dias, centenas de empresas angolanas e de alguns países com quem Angola vem tendo relações comerciais frequentes numa verdadeira maratona comercial. Feiras são espaços geralmente privilegiados para trocas comerciais entre empresas, no nosso caso resta muito pouco tempo disponível para se analisar os verdadeiros pressupostos que possam levar Angola a apostar com segurança e confiança na industrialização da economia, que passa, isto sim, em primeiro lugar, 230x148.pdf por uma definição de Pulungunza-AF imprensa 1 17/07/15 A CARTA DO EDITOR estratégia consentânea por parte dos poderes constituídos, sobre o caminho a seguir. Na verdade, há muito se reclama a necessidade da definição dessa estratégia para a aposta segura na industrialização da economia e na não dependência apenas do petróleo, mas a crise recente desse produto, hoje o principal referenciador do PIB nacional, veio alertar para uma necessidade de uma postura mais acutilante se o País quiser respirar economicamente sem sobressaltos. Mas, decididamente, a feira não é o local ideal para a definição de estratégia pelo que o lema da sua realização será abafado pelo volume de negócios, em intenção ou realizáveis, durante o evento. Desde logo, se a ideia da industrialização da nossa economia é premente, a FILDA só veio acelerar a necessidade de uma discussão mais ampla que deve decorrer entre governados e dirigidos na procura de linhas inovadoras que possam levar o País a sair da eterna intenção de voltar a ser produtor e não continuar apenas um impor15:36 tador nato de tudo o que precisa para viver e se desenvolver. O dinamismo, a criatividade e competência da classe empresarial surgirá como consequência dessa estratégia geral a ser definida, o mesmo podendo acontecer com o cenário que se criara para um maior número de empregos, sobretudo para a classe jovem, hoje muito ávida em encontrar o seu primeiro posto de trabalho. A mudança do cenário de Angola quanto a torná-la num efectivo País produtor e não importador como agora se regista, não acontecerá, com o grito de slogans bonitos mas com políticas realísticas onde nunca se pode perder de vista que a base fundamental para o cumprimento desse desiderato, entre outros, é a resolução do problema da falta de água e energia no País e posteriormente a definição das prioridades quanto aos sectores a serem privilegiados. Em nosso entender, a prioridade deve ser a produção agro-industrial na mira de se contribuir para a eliminação da fome e pobreza que ainda graçam no Pais. 4 Figuras&Negócios - Nº 163 - JULHO 2015

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7. EDITORIAL REVOLUÇÃO AQUÍCOLA 17. PONTO DE ORDEM FALÊNCIA DE MENTALIDADES? 20. DOSSIER AQUICULTURA CRESCE COM MUITAS TILÁPIAS GORDAS À VISTA 36. LEITORES VENDA ILEGAL DE MEDICAMENTOS CONTINUA SOLTA... 39. MUNDO REAL CRISE NA GRÉCIA E AS LIÇÕES PARA O MUNDO 42. FIGURAS DE CÁ 46. POLÍTICA AS SEMELHANÇAS ENTRE O "CARRO DOS NOIVOS E OS EMPRÉSTIMOS CHINESES" 50. CULTURA A MÚSICA ANGOLANA SEMPRE ESTEVE BEM 55. NA ESPUMA DOS DIAS O BELISCO DO LOBITO A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO ABSURDO 56. SOCIEDADE EDUCAÇÃO AUMENTAM OS CASOS DE ASSÉDIO SEXUAL 58. CONJUNTURA O MUNDO RURAL E O MUNDO URBANO 62. ECONOMIA & NEGÓCIOS ANGOLA - PORTUGAL PACTO ECONÓMICO 66. DESTAQUE "AS IGREJAS ESTÃO SUJEITAS ÀS LEIS DO ESTADO" CAPA: BRUNO SENNA 10. MINISTRA DAS PESCAS A AQUICULTURA É ECONOMICAMENTE VIÁVEL EM ANGOLA PÁGINA ABERTA ÁFRICA 78. CABO VERDE CELEBRA 40 ANOS DA INDEPENDÊNCIA 86. GRÉCIA NO FIO DA NAVALHA MUNDO SEM CONVERSA DE RODAPÉ Figuras&Negócios - Nº 163 - JULHO 2015 91. FIGURAS DE JOGOS 6

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DESPORTO 88. AFROBASKET TUNÍSIA 2015 ANGOLA COM CALENDÁRIO DE JOGOS COMPLICADOS MODA & BELEZA 92. ANGOLA FASHION WEEK 2015 98. SAÚDE 100. FIGURAS DE LÁ 104. RECADO SOCIAL IMPOTÊNCIA SEXUAL "DEMOCRACIA"? QUEM É VOCÊ PARA DUVIDAR? Figuras&Negócios - Nº 163 - JULHO 2015 Publicação mensal de economia, negócios e sociedade Ano 15 - n. º 163, Julho – 2015 N. º de registo 13/B/97 Director Geral: Victor Aleixo Redacção: Carlos Miranda, Júlia Mbumba, Sebastião Félix, Suzana Mendes e Venceslau Mateus Fotografia: George Nsimba e Adão Tenda Colaboradores: Édio Martins, Juliana Evangelista, João Barbosa (Portugal), Manuel Muanza, Rita Simões, Ana Kavungu, D.Dondo, Wallace Nunes (Brasil), Alírio Pina e Olavo Correia (Cabo-Verde), Óscar Medeiros (S.Tomé) e Crisa Santos (Moda). Design e Paginação: Humberto Zage e Sebastião Miguel Publicidade: Paulo Medina (chefe) Portugal e Europa: Venda/Assinatura e Publicidade: Rita Simões Rua Rosas do Pombal Nº15 2dto 2805-239 Cova da Piedade Almada Telefone: (00351) 934265454 Assinaturas (geral): Katila Garcia Revisão: Baptista Neto Brasil: Wallace Nunes Móvel: (55 11) 9522-1373 e-mail: nunewallace@gmail.com Londres: Diogo Júnior 12 - Ashburton Road Royal Docks - London E16 1PD U.K Produção Gráfica: Imprimarte (Angola) Cor Acabada, Lda (Portugal) Tiragem: 10.000 exemplares Direcção e Redacção: Edifício Mutamba-Luanda 2º andar - Porta S. Tel: 222 397 185/ 222 335 866 Fax: 222 393 020 Caixa Postal - 6375 E-mails: figurasnegocios@hotmail.com artimagem@snet.co.ao Site: www. figurasenegocios.co.ao Facebook: Revista Figuras&Negócios Angola 7

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REVOLUÇÃO AQUÍCOLA EDITORIAL R egista-se no nosso País uma "verdadeira revolução aquícola", em termos mais simples, produção de cacussos que pode mudar positivamente o panorama do sector da pesca artesanal do nosso País, como nos dá conta um extenso trabalho sobre o sector que apresentamos nesta edição. Trata-se da divulgação mais ampla de iniciativas que se enquadram nas boas intenções do Plano Nacional de Desenvolvimento da Pesca Artesanal destinado a reduzir a pobreza nas comunidades e aumentar a valorização dessa actividade. De forma mais geral, esse plano que vem sendo executado com mestria pelo Ministério das Pescas, sob orientação da Ministra Victória Neto, que merece o destaque numa grande entrevista onde escalpeliza as suas ideias sobre o sector governamental que dirige, exerce um papel fundamental na criação de empregos, no aumento da renda das famílias e constitui instrumento fundamental na elevação dos índices de crescimento da produção nacional de peixe, reduzindo, deste modo, os níveis da importação no sector. E o importante nessa empreitada, dando ouvido à Ministra das Pescas, é que se começa a registar em todo o País uma inserção bastante significativa de mulheres, participando de forma activa e dinâmica nas comunidades piscatórias onde a transformação, o processamento, a conservação e a comercialização do pescado é assegurado maioritariamente por elas. Hoje a produção da pesca artesanal representa cerca de 30% do total capturado em Angola e estima-se que cerca de 500 mil famílias tenham o seu sustento a partir desta actividade. A produção pesqueira em 2014 foi de 44,7 mil toneladas, referente às capturas a nível da pesca industrial, pesca semi-industrial e a pesca artesanal marítima e continental, tendo ultrapassado a meta preconizada para este ano em 18,6%. A Ministra das Pescas confirma que a nível mundial a produção aquícola representa 50% da produção de pescado, o que garante que se está diante de um negócio em franco desen- volvimento, com o nosso País a ter todas as condições para o desenvolvimento dessa actividade, quer em termos de clima, de solos e de mercado. Pode, inclusive, criar excedentes para a exportação, uma vez que a procura de pescado a nível mundial tende a crescer. Sustentando as suas atenções, numa primeira fase, nas províncias do Bengo, Kuanza Norte, Bié, Huambo, Lunda Norte, Moxico, Kuando Kubango e Uíge, Angola cria o quadro para se posicionar como uma referência mundial na aquicultura. Não se perde de vista que é um País privilegiado em termos de abundância e variedade de recursos porque está inserida nas duas correntes: é o limite norte da corrente fria de Benguela e o limite sul da corrente quente de Angola. Com tecnologia de ponta com investigação e a preparar as populações no sentido de reconhecerem as valias da aposta na aquicultura, o Ministério das Pescas lidera uma "revolução" para se diminuir substancialmente a importação de tilápias, que ainda hoje constitui uma grande proporção do total comercializado. Está-se, pois, diante de uma iniciativa com resultados palpáveis que deve ser acarinhada, sobretudo numa altura em que muito se fala na diversificação da produção mas muito pouco se delineia em termos de estrategia para a materialização de um desiderato que é fundamental para desafogar uma economia que durante muito tempo, adormecida nos benefícios do petróleo, hoje patina e quase que perde os fundamentos que o fazem aproveitar da melhor forma as potencialidades enormes que o País possui. Se já são encorajadores os resultados que se conhecem na produção dos apetitosos cacussos que fazem a delícia de milhares de mesas de angolanos é importante estimular todos os envolvidos nessa maratona para que, num curto espaço de tempo, se possa suplantar, senão mesmo "neutralizar", a importação que ainda se verifica. Vale dizer que se generaliza uma "revolução" suportada pelo Ministério das Pescas para se impôr no País uma verdadeira cacussada Made In Angola onde, por dever patriótico, todos somos obrigados a aderir. Figuras&Negócios - Nº 163 - JULHO 2015 9

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“Um mUndo qUe Integra a PIscIcUltUra, com agrIcUltUra... Situada a 50 Km de Luanda, a Quinta Quimbela é um espaço que integra no seu conceito um conjunto de actividades produtivas ligadas a produção de hortofrutícolas complementada com a criação de peixe em gaiolas e um espaço de lazer com alojamento e restauração harmoniosamente integrados. O projecto de criação de peixe tilápia “vulgo cacusso” é uma iniciativa pioneira que visa tirar partido do potencial de recursos hídricos da lagoa da Quilunda. É desenvolvida uma actividade de criação que permite obter uma produção anual de cerca de 9 toneladas em crescimento intensivo, destinadas principalmente a fazer parte da dieta de quem procura o seu restaurante. Com 25 quartos de 3 tipologias diferentes, a Quimbela oferece-lhe um espaço Rural onde se pode deliciar com ...Um mUndo qUe Integra lazer e satIsfação”. 10 Figuras&Negócios - Nº 163 - JULHO 2015

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o que a natureza tem para lhe oferecer num harmonioso equilíbrio entre o Conforto e a natureza. Nas nossas facilidades pode encontrar Sauna, Ginásio, Serviço de Massagem, Sala de Jogos e Bar, Restaurante Climatizado, Jango Tradicional, Piscina, Quadra Desportiva, Tanque para Pesca de Lazer e Passeios de Barco pela lindíssima lagoa da Quilunda. Brevemente a Quimbela vai abrir as portas aos mais pequeninos, abraçando um projeto pioneiro em Angola como “Quinta Pedagógica”. Pela Quinta também se podem encantar com o contacto direto de algumas espécies animais tais como: pavões, galinhas de Africa, avestruzes, patos e burros, fazendo uma vez mais os encantos da criançada. Q UIntA UIMBELA Facebook - Quinta Quimbela Email - quintaquimbela@hotmail.com Telefones- 933 169 472 ou 933 169 473 Aberto de quarta a domingo (segunda e terça com marcação prévia) Figuras&Negócios - Nº 163 - JULHO 2015 Realizamos todo o tipo de Eventos, Levamos Catering ao seu Espaço 11 etniacomunicação

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PÁGINA ABERTA DESTAQUE Os dados lançados sobre a produção pesqueira no nosso país configuram um quadro de esperança; ao que parece, depois desta tempestade difícil de ser contornada, a frota capitaneada pela Ministra das Pescas, Victória Barros Neto, segere o seu rumo sem grandes sobressaltos para que, num futuro muito breve, atraque em bom porto. O objectivo é cumprir o “Plano Nacional de Desenvolvimento da Pesca Artesanal Marítima e Continental” e o “Plano de Acção para o Desenvolvimento da Aquicultura”, cuja execução iniciou-se em 2014 e tem data marcada para ser cumprido em 2017. A ministra está convencida de que a “armada” que orienta tem tudo para vencer as batalhas que surjam. Deseja continuar a contribuir para acabar ou diminuir significativamente a pobreza e abrir o leque de oportunidades de emprego no sector das pescas. Fala sobre os projectos do seu pelouro e, em qualquer um deles, refere o desenvolvimento da pesca industrial e artesanal de modo sustentável, bem como o fomento da aquicultura e a sua forte expansão no país. E foi especificamente sobre este subsector das Pescas que a ministra faz uma análise nestas páginas. A aquicultura avança a todo o vapor e com ela deixa-se para trás a fase complicada do arranque. Já é uma realidade palpável e, mais cedo do que tarde, poder-se-á contar com uma vertente de oportunidade de negócios interessantes porque tem um nome que a maior parte os angolanos gosta de ver à mesa com fartura: os cacussos ou mais cientificamente falando: as tilápias. Texto: Carlos Miranda Fotos: George Nsimba F no país? Victória de Barros Neto (V.B.N.) A ideia é antiga. Como sabe, no mundo das pescas a vertente da aquicultura está sempre presente. Nos anos 80, numa altura em que era directora do Instituto Nacional de Investigação Marinha, nós já tínhamos um Departamento que cuidava especialmente destas questões da aquicultura, numa vertente mais direccionada para a investigação e no sentido de fazer-se a promoção junto do empresariado nacional. É claro que as questões foram evoluindo e esta área está inserida no Plano Nacional de Desenvolvimento em curso. Hoje a visão é claramente iguras&Negócios (F&N) Senhora Ministra, quando é que se teve a ideia de se criar este auspicioso projecto de fomento da aquicultura diferente. É a visão de um sub-sector que pode ser uma alternativa para a produção do pescado em águas interiores, uma vez que nós consumimos muito bagre, cacussos e outras espécies. Ora, nós importamo-las quando temos aqui condições óptimas para a sua criação. Neste contexto, no ano passado foi feito, e aprovado pelo Executivo, o Plano de Desenvolvimento da Aquicultura em Angola que, aliás foi bem acolhido… Ele contempla a fase de fomento, que é essa que neste momento se está a implementar nas mais diversas regiões do país e a fase do desenvolvimento da aquicultura comercial. Felizmente o nosso empresariado nacional mostrou-se bastante receptivo e hoje temos várias propostas de iniciativa empresarial privada. F&N - Onde é que fundamentalmente o Estado neste quadro? É financiando inicialmente os projectos ou dando incentivos técnicos para que o sector avance e caminhe em seguida pelos próprios pés? V.B.N. - O Estado aparece, principalmente no fomento. Trata-se de uma actividade que ainda não tem uma grande tradição em Angola, apesar de já no tempo colonial terem surgido algumas iniciativas, mas que entretanto não foram devidamente expandidas. F&N - Isto significa dizer que o fomento da aquicultura que se está a efectivar já ultrapassa o que se fez há quarenta anos? V.B.N. - Sem dúvidas. Este período está a ser muito mais abrangente e ataca todas as vertentes que têm a ver com o desenvolvimento da aquicultura em várias faixas da nossa sociedade. É que a partir da pequena produção estamos também a fomentar a actividade junto de grupos-alvo devidamente identificados. Queremos apoiar os ex-militares, a mulher rural, os jovens etc., dando-lhes, inclusive, assistência MINISTRA DAS PESCAS, VICTÓRIA BARROS NETO A AQUICULTURA É ECONOMICAMENTE VIÁVEL 12 Figuras&Negócios - Nº 163 - JULHO 2015

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PÁGINA DESTAQUE ABERTA técnica, principalmente ensinando-os como fazer a aquicultura. Neste contexto, é importante referir que temos um convénio muito bom com os Ministérios da Educação e do Ensino Superior para que incluam nos seus programas de formação este importante subsector das pescas, que é a aquicultura. A investigação científica aplicada nesta área é importantíssima. Claro que agora ainda estamos com algumas dificuldades, mas devo fazer nota que temos o nosso Instituto de Investigação Pesqueira que tem já estabelecida linhas de investigação para aquicultura. Estamos a trabalhar com algumas espécies importadas, nomeadamente a Tilápia do Nilo mas a nossa intenção é fazer a investigação das nossas espécies nativas e definir o modelo tecnológico para o seu cultivo de forma sustentável sob o ponto de vista económico e ambiental. F&N - Como é que o Presidente da República tem recebido o que nos está a revelar em termos de execução deste plano? V.B.N. - Tem recebido muito bem, apesar das dificuldades financeiras que o país ainda está a viver. Te- EM ANGOLA Figuras&Negócios - Nº 163 - JULHO 2015 13

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PÁGINA ABERTA DESTAQUE mos consciência que o Plano deverá ser implementado de forma gradual, a medida que, não apenas as condições financeiras, mas também as condições técnicas, de formação de quadros e mesmo institucionais, se vão reforçando. De facto, temos recebido muito aconselhamento e o feed back é bom. F&N - As populações locais, nomeadamente nas zonas rurais, terão a mesma opinião carregada de optimismo? V.B.N. - A recepção do projecto também tem sido boa nestas localidades. As populações querem participar e estão sedentas de engrenar, facto que nos dá maior força e alento para que todos nós consigamos atingir os objectivos traçados no plano de fomento da aquicultura. Por exemplo, por iniciativa própria, inclusive alguns jovens vão à internet em busca de informação, contactam o Ministério das Pescas para pedir mais informação, fazem parcerias, estão a trabalhar, “escavam” os tanques de produção, enfim, existe um grande entusiasmo por parte da população. Agora, nós estamos a nos organizar no sentido de prestar o apoio necessário para que essa actividade se faça com bases sólidas e de acordo com os manuais das boas práticas para o desenvolvimento da aquicultura. F&N - Senhora ministra, estivemos num ponto onde a aquicultura já é uma realidade e, tal é o optimismo, que nos “assustámos” com a subida da fasquia em relação à produção de tilápias . Isto será uma aberração ou “ Queremos apoiar os desmobilizados de guerra, a mulher rural, os jovens, etc., dando-lhes, inclusive, assistência técnica, principalmente ensinando-os como fazer a aquicultura.” é possível a curto prazo? V.B.N. - Não, não no curto prazo. Nós estamos ainda a prosseguir uma meta que está estabelecida no Plano Nacional do Desenvolvimento da Aqui- cultura em Angola e a meta é de sessenta mil toneladas por ano e mesmo para que esta meta seja atingida, ainda teremos que fazer muito trabalho; não só no fomento da pequena produção aquícola, mas também e fundamentalmente na produção comercial. Aí, sim, poderá haver programas de cultivo intensivo capazes de fazer com que esta meta seja atingida e até mesmo ultrapassada. F&N - Nessa caminhada rumo ao sucesso que se deseja quando é que se poderá pensar mais seriamente na maricultura? V.B.N. - Felizmente, temos uma extensa costa marítima, vários ambientes, uns mais temperados no sul em que as águas são mais frias, outros mais tropicais no norte, como por exemplo em Cabinda ou na província do Zaire, e , ainda, uma zona de transição localizada entre Benguela e Luanda, enfim; temos um ambiente para cultivar várias espécies no mar. É claro que a maricultura é já uma actividade de capital intensivo principalmente no que diz respeito a espécies mais nobres como o camarão e peixes como 14 Figuras&Negócios - Nº 163 - JULHO 2015

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